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[TRABALHO ESCOLAR DE FILOSOFIA] 5º Grupo
FILOSOFIA AFRICANA 3
Introdução
O termo filosofia deriva do grego phílos que vai significar "amigo" ou "amante" e sophía
que também sifignifica "conhecimento" ou "saber", assim sendo, a filosofia terá muitas e tantas
definições quantas são as correntes filosóficas. Por exemplo, Aristóteles definiu a filosofia
como a totalidade do saber possível que não tenha de abranger todos os objetos tomados em
particular; os estóicos, como uma norma para a ação; Descartes, como o saber que averigua os
princípios de todas as ciências; Locke, como uma reflexão crítica sobre a experiência; os
positivistas, como um compêndio geral dos resultados da ciência, o que tornaria o filósofo um
especialista em idéias gerais. Já se propuseram outras definições mais irreverentes e menos
taxativas. Por exemplo, a do britânico Samuel Alexander, para quem a filosofia se ocupa
"daqueles temas que a ninguém, a não ser a um filósofo, ocorreria estudar.
O nosso trabalho tem como tema “Filosofia Africana”. Neste trabalho o grupo pretende
fazer uma abordagem generalizada sobre a Filosofia Africana e suas principais correntes.
A expressão Filosofia Africana é usada de múltiplas formas por diferentes filósofos.
Embora diversos filósofos africanos tenham contribuído para diversas áreas, com a metafísica,
epistemologia, filosofia moral e filosofia política, uma grande parte dos filósofos discute se a
filosofia africana de fato existe. Um dos mais básicos motivos de discussão sobre a filosofia
africana gira em torno da aplicação do termo "africano", ou seja, se o termo se refere ao
conteúdo da filosofia ou à identidade dos filósofos. Na primeira visão, a filosofia africana seria
aquela que envolve temas africanos ou que utiliza métodos que são distintamente africanos. Na
segunda visão, a filosofia africana seria qualquer filosofia praticada por africanos ou pessoas de
origem africana.
Podemos dizer que a Filosofia Africana refere-se ao envolvimento de temas africanos
(tais como percepções distintamente africanas, personalidade etc.) ou utiliza métodos que são
distintamente africanos. A filosofia africana é qualquer filosofia praticada por africanos ou
pessoas de origem africana, ou outros envolvidos no campo de filosofia africana. E um filósofo
como "aquele que dedica boa parte de seu tempo reflectindo sobre questões fundamentais
sobre a vida humana ou sobre o universo físico, e que faz isso de maneira habitual.
A filosofia foi, de fato, praticada na África. Uma forma de filosofia natural sempre esteve
presente na África desde tempos muito antigos. Se tomarmos a filosofia como sendo um
conjunto coerente de crenças, mas não como um sistema de explicar a unidade do
entendimento de todos os fenómenos, então praticamente todas as culturas possuem filosofia.
A filosofia na África tem uma história rica e variada, que data do Egito pré-dinástico,
continuando até o nascimento do cristianismo e do islamismo. Sem dúvida, foi fundamental a
concepção do "Ma'at", que, traduzido, significa, aproximadamente, "justiça", "verdade" ou,
simplesmente, "o que é certo". Uma das maiores obras de filosofia política foi o Ensinamento
de Ptah-hotep, que foi empregado nas escolas egípcias durante séculos.
Filósofos egípcios antigos deram contribuições extremamente importantes para a
filosofia helenística, filosofia cristã e filosofia islâmica. Na tradição helênica, a influente escola
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filosófica do neoplatonismo foi fundada pelo filósofo egípcio Plotino, no terceiro século da era
cristã. Na tradição cristã, Agostinho de Hipona foi uma pedra angular da filosofia e da teologia
cristã. Ele viveu entre os anos 354 a 430, e escreveu a sua obra mais conhecida De Civitate Dei
(A Cidade de Deus) em Hipona, atual cidade argelina de Annaba. Ele desafiou uma série de
ideias de sua idade incluindo o arianismo, e estabeleceu as noções básicas do pecado original e
da graça divina na filosofia e na teologia cristãs.
Filosofia Africana e suas principais correntes
Infelizmente, devido a ausência de registos escritos nos últimos tempos, as reflexões
filosóficas de pensadores africanos não têm sido preservadas efectivamente. De fato as
reflexões filosóficas de pensadores africanos não foram preservadas ou transmitidas através de
relatos escritos; a verdade é que esses filósofos permanecem desconhecidos para nós.
Porém, isso não significa que eles não tenham existido; nós temos fragmentos de suas
reflexões filosóficas e suas perspectivas foram preservadas e transmitidas por meio de outros
registos escritos como mitos, aforismos, máximas de sabedoria, provérbios tradicionais, contos
e, especialmente, através da religião. Isto quer dizer que apresentado na forma escrita, o
pensamento pode ser entendido como um sistema, não somente como um conhecimento
transmitido de uma geração para outra. Além das mitologias, máximas de sabedoria e visões de
mundo, o conhecimento pode ser preservado e reconhecido na organização político-social
elaborada por um povo. São esses os meios através do qual as reflexões e perspectivas dos
filósofos africanos têm sido preservadas e transmitidas para nós na África.
Portanto, estas reflexões e pontos de vista têm transformado, ao longo dos anos
durante o processo de transmissão, parte do modo de vida africano, da cultura e património
africanos. Porém, os autores de perspectivas originais e individuais permanecem desconhecidos
para nós. Ainda que nós saibamos que essas perspectivas têm sido fruto de profundas e
interessantes reflexões de alguns pensadores africanos no passado.
Nós sabemos que não há algo como consciência colectiva ou consciência comunitária no
sentido estrito do termo. Por consciência entendemos sempre uma consciência individual e
pensamentos sempre são de indivíduos. A expressão “pensamento colectivo” não pode
significar outra coisa além de pensamento de indivíduos numa comunidade.
A filosofia tradicional africana surgiu a partir de pensadores individuais, filósofos que
reflectiram sobre questões fundamentais que surgiram da experiência humana. Professor
Wiredu diz que elas são propriedades de todos; mas, isso não que elas foram produzidas por
todos. Pensamentos e ideias transmitidos por pensadores eventualmente se transformam em
propriedade comum. Mas, isto não significa que esses pensamentos não tenham sido
elaborados por autores individuais.
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A filosofia africana não deve ficar restrita à filosofia tradicional, devemos incluir filósofos
africanos contemporâneos como Kwame Nkrumah, Leopold S. Senghor, Nyerere e Kwasi
Wiredu. Os três primeiros são pessoas públicas que têm contribuído imensamente com a
filosofia política africana contemporânea, o último nome, Kwasi Wiredu, é um filósofo
académico, professor de filosofia. Sem dúvida, existem outros filósofos em departamentos de
filosofia por toda a África.
As principais correntes da filosofia africana são: Pan-africanismo, Negritude,
Etnofilosofia e Filosofia da Libertação.
Pan-africanismo
No início do século XIX, a escravatura ainda estava em vigor no sul dos Estados Unidos,
mas não no norte, graças a um decreto de 1787, que estabelecia o limite legal no Rio Ohio.
Uma minoria de negros no norte tinha atingido uma posição sócio-económico próspera e
alguns dos representantes desta classe começaram a desenvolver um sentimento de
fraternidade racial que resultou no movimento "de volta para a África". Entre eles Paul Cuffe,
um negro nascido livre, de pai africano e mãe ameríndia, que promoveu em 1815 uma tímida
experiênciade repatriamento para a África, antecessora da Sociedade Americana de
Colonização fundadora da Libéria, mas os custos da empreitada dissuadiram-no.
No substrato intelectual que propiciou os movimentos abolicionistas, surgiram desde o
início duas tendências na América do Norte: por um lado, os que acreditavam que a escravatura
iria acabar, de uma forma ou de outra, e que era necessário encontrar uma casa para ex-
escravos na África, a sua terra de origem. Os britânicos tinham estabelecido uma colónia na
Serra Leoa entre 1787 e 1808, que se destinava às pessoas libertas dos barcos escravistas que
capturavam.
O outro lado, dos que afirmavam que os descendentes dos escravos deviam permanecer
na América e que inclusive tinham que ser capazes de uma subsistência independente. Mas,
entre os mais acirrados[2] abolicionista, não se acreditava que a raça negra e a raça branca
podiam viver no mesmo espaço e prosperar sem um perpétuo conflito. Foi levado em
consideração e pensado pelas próprias pessoas negras que, de uma forma ou de outra, seriam
exploradas pelo sistema do homem branco, enquanto não tivessem a sua própria pátria. O
elevado custo de envio de tantas pessoas para a África, fez com que a segunda opção
prevalecesse.
Pan-africanismo foi o responsável pela quebra da mordaça imposta ao negro sufocado
por séculos de escravidão e décadas de falsa liberdade. Esse movimento surgido nos Estados
Unidos no final do século XIX foi o estopim de outros movimentos que surgiram nas primeiras
décadas do século seguinte, espalhando a ideologia pan-africanista para além do solo norte-
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americano, onde quer que houvesse comunidades negras, e em especial a própria África, a
terra prometida de um povo em diáspora.
Conceito
O Pan-africanismo é uma ideologia que propõe a união de todos os povos de África
como forma de potenciar a voz do continente no contexto internacional. Relativamente
popular entre as elites africanas ao longo das lutas pela independência da segunda metade do
século XX, em parte responsável pelo surgimento da Organização de Unidade Africana, o Pan-
africanismo tem sido mais defendido fora de África, entre os descendentes dos escravos
africanos que foram levados para as Américas até ao século XIX e dos emigrantes mais
recentes.Eles propunham a unidade política de toda a África e o reagrupamento das diferentes
etnias, divididas pelas imposições dos colonizadores. Valorizavam a realização de cultos aos
ancestrais e defendiam a ampliação do uso das línguas e dialectos africanos, proibidos ou
limitados pelos europeus.
Pan-africanismo é um movimento político, filosófico e social que promove a defesa dos
direitos do povo africano e da unidade do continente africano no âmbito de um único Estado
soberano, para todos os africanos, tanto na África como em diáspora.
A teoria Pan-africanista foi desenvolvida principalmente pelos africanos na diáspora
americana descendentes de africanos escravizados e pessoas nascidas na África a partir de
meados do século XX como William Edward Burghardt Du Bois e Marcus Mosiah Garvey, entre
outros, e posteriormente levados para a arena política por africanos como Kwame Nkrumah.
Em meados do século XX o Pan-africanismo foi explicado como a doutrina política defendida
pela irmandade africana, libertação do continente africano de seus colonizadores e ao
estabelecimento de um Estado que buscasse a unificação de todo o continente sob um governo
africano.
Pan-africanismo é a doutrina extra-africana que nasceu como simples manifestação da
solidariedade fraterna entre africano e gentes de descendência africana, das ilhas britânicas e
dos E.U.A. mas hoje tem um paradoxal sentido. O pan-africanismo tornou no decorrer do
tempo vários aspectos.
Origens do termo
Apesar do nome, o Pan-africanismo não nasceu na África, não foi idealizado e nem
dirigido nos primeiros anos por africanos. O Pan-africanismo foi idealizado por negros norte-
americanos e negros antilhanos, em 1900, com o intuito de expressar seu apoio a algumas
comunidades africanas que estavam sendo vítimas de expropriação de suas terras.
Considerado o pai do Pan-africanismo, W.Burghardt du Bois, em 1903, passou a liderar os
movimentos negros americanos, fazendo a junção da defesa cultural e da luta pela
independência política, conseguiu mobilizar a vontade dos africanos e o apoio da opinião
pública em diversos países.
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A origem do termo é inserida na corrente filosófica-política historicista do século XIX
sobre o destino dos povos. E a necessidade da unidade de grandes conjuntos culturais ou
“nações naturais” a partir do expansionismo imperialista ocidental. É discutido se a autoria da
expressão pertence a William Edward Burghardt Du Bois ou Henry Sylvester Williams.
Segundo Pires Laranjeira (1995), os principais nomes do movimento foram Edward
Blyden, o primeiro a falar em uma personalidade africana baseada na recuperação do orgulho
da raça negra; Willian E. D. Du Bois, o criador do Pan-africanismo e organizador dos cinco
Congressos do movimento: Paris (1919), Londres (1921), Londres (1923), New York (1925) e
Manchester (1945); Henry Sylvester Willian que lançou a ideia de solidariedade fraterna entre
africanos e povos de ascendência africana; e George Padmore (sobrinho de Sylvester Willians),
responsável pela expansão do movimento em direcção à África.
Temática do Pan-africanismo
O Pan-africanismo como o movimento político, filosófico e social que promove a defesa
dos direitos do povo africano e da unidade do continente africano no âmbito de um único
Estado soberano, para todos os africanos, tanto na África como em diáspora tem os seguintes
aspectos:
· Pretendia realizar o governo dos africanos pelos africanos respeitando as minorias raciais
e religiosas que desejam viver na África com a minoria negral;
· Renunciar o imperialismo encorajando a aceleração dos movimentos da independência de
África reafirmando os direitos dos africanos a posse das terras africanas, dando apoio da
conferência todas formas de acção destinada a conquistar a independência e exigindo a
aplicação imediata e integral no continente africano dos direitos do homem contido na carta da
ONU.
- Libertar a África do juízo colonial;
- Valorizar a cultura regional e exaltar a identidade africana;
- Emancipar os países africanos;
- Denunciar as contradições da sociedade.
Objectivo do Pan-africanismo
O Pan-africanismo apareceu para conduzir o povo africano que estava sujeito várias
formas de exploração desde a escravatura a descolonização de África.
· Propor a união de todos os povos de África como forma de potenciar a voz do continente
no contexto internacional.
· Propor a unidade política de toda a África e o reagrupamento das diferentes etnias,
divididas pelas imposições dos colonizadores.
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· Valorizar a realização de cultos aos ancestrais e defendiam a ampliação do uso das línguas
e dialectos africanos, proibidos ou limitados pelos europeus.
· Expressar seu apoio a algumas comunidades africanas que estavam sendo vítimas de
expropriação de suas terras.
· Criar um estado único em África na qual dar-se-ia o nome de Estados Unidos de África.
O Pan-africanismo na figura de Agostinho Neto
A partir da década de 50 começam a nascer os movimentos de libertação dos PALOP
(Países Africanos de Língua Oficial Portuguesa) que se enquadraram no espírito pan-africanista
de libertação do continente contra o jugo colonial. O MPLA foi um desses momentosliderado
pelo nosso homenageado, o saudoso Dr. António Agostinho Neto, que pode ser apontado como
um dos pan-africanistas mais convictos que via a luta de libertação nacional como condição
indispensável para cria do bem-estar do cidadão angolano.
A nível interno, no MPLA e na maioria dos Movimentos de Libertação Nacional em
África, houve sempre algumas controvérsias sobre a forma como a luta de libertação dos povos
africanos deveria decorrer. Alguns defendiam uma luta autóctone própria e discriminatória,
apenas os descendentes de negros africanos deviam estar nas primeiras fileiras para o combate
ao colonialismo. Mas, António Agostinho Neto era um pan-africanista moderado, nunca foi de
extremos e preconizava uma luta integrada por todos os que idealizavam uma Angola
independente, sem descriminação de raça, credo religioso ou status social.
Apesar de ter sido várias vezes preso, sempre defendeu que a relação entre os povos
deveria continuar e nunca confundiu o sistema colonial português com o povo português que,
segundo ele, também sofria as amarguras da ditadura. Isso permitiu a emergência de uma
relação de solidariedade por parte de uma franja da sociedade portuguesa que apoiou a luta de
libertação de Angola. Este facto é visível na ajuda que o Presidente Neto teve para fugir de
Portugal em 1962.
Depois do alcance da Independência de Angola em 1975, o Presidente Neto declarou
sempre a solidariedade do governo e do povo angolano para com os povos de África e, fê-lo na
prática.
Neto dizia: “Não podemos considerar o nosso país verdadeiramente livre se outros povos do
continente se encontram ainda sob o jugo colonial”. Esta convicção levou Angola a ter um papel
chave na luta para o fim do regime racista do Apartheid na África do Sul e para as
Independências do Zimbabué e da Namíbia.
O discurso do Presidente Neto era conciliador, entendia o bem-estar como um direito
dos povos africanos, a aquisição da cidadania e o desenvolvimento equitativo de todos os
cidadãos do continente. Neste sentido Agostinho Neto declarou: “Angola é e será, por vontade
própria trincheira firme da revolução em África”.
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O sonho de ver uma África livre e integrada fez de Neto um frequente participante das
reuniões da OUA e também comungava da criação de uma federação africana para melhor
resolver os problemas que assolavam e continuam a assolar o continente. Portanto, a figura de
Neto ultrapassa o simples nacionalismo angolano. Neto tinha uma visão abrangente à todos os
povos oprimidos do mundo. Como homem, Médico de profissão, proeminente poeta e político
com qualidades indiscutíveis, o Presidente António Agostinho Neto é um filho de África e um
cidadão do mundo, por isso, esta homenagem a que temos a mais elevada honra de participar e
verdadeiramente justa e merecida.
O pensamento de Neto, a sua poesia e os projectos que os pan-africanista sonharam
para África serão concretizados se os actos de reconhecimento como este forem realizados com
maior frequência. Cabe aos homens de hoje, a juventude e as instituições, como a Fundação
Harris Memel Fotê, fazer a promoção do saber e perpetuação do pensamento e da história
africana, enquanto património mundial. O Presidente Dr. António Agostinho Neto é uma das
figuras que em vida deu o seu contributo, os resultados são visíveis até aos nossos dias.
Negritude
A ideia de renascimento, indigenismo e negrismo surge como consequência das luzes e
do romantismo, que levaram à abolição da escravatura e finalmente à possibilidade de, após a
Revolução Francesa de 1789, os povos supostamente poderem assumir a liberdade e igualdade.
Foi Aimé Césaire quem criou o termo em 1935, no número 3 da revista L'étudiant noir ("O
estudante negro"). Com o conceito pretendia-se em primeiro lugar reivindicar a identidade
negra e sua cultura, perante a cultura francesa dominante e opressora, e que, ademais, era o
instrumento da administração colonial francesa (Discurso sobre o colonialismo, Caderno dum
retorno ao país natal etc.). O conceito foi retomado mais adiante por Léopold Sédar Senghor,
que o aprofunda, opondo a razão helénica à emoção negra.
O nascimento deste conceito, e o da revista Présence Africaine (em 1947) de forma
simultânea em Dakar e Paris terá um efeito explosivo. Reúne jovens intelectuais negros de
todas as partes do mundo, e consegue que a ele se unam intelectuais franceses como Jean Paul
Sartre, o qual definirá a negritude como a negação da negação do homem negro. Um dos
aspectos mais provocativos do termo é que ele utiliza para forjar o conceito a parábola nègre,
que é a forma pejorativa de intitular os negros em francês, em lugar do vocábulo-padrão noir,
muito mais correcta e adequada no terreno político.
Segundo Senghor, citado por Ferreira a "Negritude é o conjunto de valores culturais da África
negra". Para Césaire, a Negritude designa em primeiro lugar a repulsa. Repulsa[1] ante a
assimilação cultural; repulsa por uma determinada imagem do negro tranquilo, incapaz de
construir uma civilização. O cultural está acima do político".
De qualquer forma, se tratou de um conceito elaborado num momento em que as elites
intelectuais indígenas de raça negra, tanto antilhanas quanto africanas, se encontravam na
metrópole, e tinham pontos em comum bastante difusos (cor de pele, idioma do colonizador,
etc) e sobre os quais não bastava simplesmente estabelecer vínculos. De facto, alguns autores
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entendem que relações de amizade pessoais forjaram identidades comuns que não existiam na
realidade.
Este movimento surge numa altura em que os europeus caracterizavam o homem negro
da seguinte maneira:
· O negro é um ser intelectual, emocional e socialmente inferior.
· O negro representa: falta de moralidade, signo de morte e corrupção; em contrapartida, o
branco, digno de vida e de pureza.
· O negro não é civilizado.
· O negro é propenso a ser criminoso.
· O negro é um demónio que precisa de civilização para serem gentes.
Na perspectiva de Senghor: Eis alguns valores característicos do homem negro:
- O homem negro é essencialmente religioso e cultural, ritual e celebrante, porque para
ele existe um ente supremo, o "sagrado", que é o verdadeiro real;
- O homem negro é simbólico, porque o seu mundo é o mundo das imagens e do
concreto; todas as realidades materiais, visíveis e imediatas são anunciadoras e portadoras de
outras realidades;
- O homem negro é o homem de coração, porque, para além do corpo, da força vital, da
habilidade, do entendimento e de todas as outras qualidades humanas, é ainda pelo coração
que o homem vale, se define, e é julgado; para usar a categoria de um provérbio africano: "o
coração do homem é o seu rei".
Importa revelar ainda que chegou mesmo a haver grandes figuras Ocidentais dizendo
que a Negritude era também um movimento racista. Mas isso não corresponde à verdade,
porque se para Césaire a "Negritude", no início, se fez racista simplesmente para realçar os seus
valores, a sua dignidade e afirmá-los, para Senghor era ainda algo mais do que isso: a
"Negritude" é um humanismo, porque todas as raças tinham lugar neste universo civilizacional
de inspiração do homem.
É relevante referir-se ainda que a "Negritude" não surgiu apenas com o objectivo da
recuperação da dignidade e da personalidade do homem africano, mas também como um
movimento propulsionador da descolonização em África.)
Negritude (Négritude em francês) foi o nome dado a uma corrente literária que agregou
escritores negros francófonos e também uma ideologia de valorização da cultura negra em
países africanos ou com populaçõesafro-descendentes expressivas que foram vítimas da
opressão colonialista.
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Segundo Aurélio () refere que Negritude é uma ideologia característica da fase de
consciencialização, pelos povos negros africanos, da opressão colonialista, a qual busca
reencontrar a subjectividade negra na fase pré-colonial e perdida pela dominação da cultura
branca ocidental.
Conforme Lopes (2004:472) citado por Laranjeira, o termo Negritude é um"(...)
neologismo surgido na língua francesa na década de 1930, para significar a circunstância de se
pertencer as grandes colectividades africanas e afro-descendentes; a consciência de pertencer
a essa colectividade e a atitude de reivindicar-se como tal; a estética projectada pelos artistas e
intelectuais negros no continente de origem e na diáspora".
Objetivos da negritude
O exame da produção discursiva dos escritores da Negritude permite levantar três
objectivos principais:
· Buscar o desafio cultural do mundo negro ou a procura de identidade;
· Protestar contra a ordem colonial;
· Lutar pela emancipação dos povos oprimidos e lançar o apelo de uma revisão das relações
entre os povos para que se chegasse a uma civilização não universal como a extensão de uma
regional imposta pela força mas uma civilização do universal, encontro de todas as outras,
concretas e particulares.
Entre os três objectivos que acabamos de levantar, o que impressiona imediatamente
por sua amplitude e pela variedade das disciplinas mobilizadas à sua compreensão é a
afirmação e a reabilitação da identidade cultural, da personalidade própria dos povos negros.
Poetas, romancistas, etnólogos, filósofos, historiadores, quiseram restituir à África o orgulho de
seu passado, afirmar o valor de suas culturas, rejeitar uma assimilação que teria sufocado a sua
personalidade. Tem-se a tendência, sob várias formas, de fazer equivaler os valores das
civilizações africanas e ocidental. É a esse objectivo fundamental que correspondem as diversas
manifestações do conceito de Negritude.
A Negritude é o simples reconhecimento do fato de ser negro, a aceitação de seu
destino, de sua história, de sua cultura. Mais tarde, Césaire irá redifini-la em três palavras:
identidade, fidelidade, solidariedade.
A identidade consiste em assumir plenamente, com orgulho, a condição de negro, em
dizer, cabeça erguida: sou negro. A palavra foi despojada de tudo o que carregou no passado,
como desprezo, transformando este último numa fonte de orgulho para o negro.
A fidelidade repousa numa ligação com a terra-mãe, cuja herança deve demandar prioridade.
A solidariedade é o sentimento que nos liga secretamente a todos os irmãos negros do
mundo, que nos leva a ajudá-los e a preservar nossa identidade comum.
Chambisse(2010:159) resume os objectivos da Negritude em cinco aspectos:
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FILOSOFIA AFRICANA 12
· Negritude de sofrimento e revolta;
· Negritude política e independência nacional;
· Negritude cultural e humanismo;
· Negritude antro-política – revolução socialista;
· Negritude – motor do desenvolvimento humano.
Temática da Negritude
A temática da Negritude é muito complexa, pois envolve tanto os aspectos subjectivos
quanto objectivos; dos primeiros, temos a referência pessoal, dada pela história de cada um e,
em seguida, a referência para as relações na sociedade.
· Culto dos antepassados;
· Retornos as fontes;
· Valorização da cor e da cultura africana.
Os precursores deste movimento foram:
· Aimé Césaire (Martinica),
· Léon Damas da (Guiana),
· Leopold Sedar Senghor (Senegal).
A Etnofilosofia
O termo etnofilosofia tem sido usado para designar as crenças encontradas nas culturas
africanas. Tal abordagem trata a filosofia africana como consistindo em um conjunto de
crenças, valores e pressupostos que estão implícitos na linguagem, práticas e crenças da cultura
africana e como tal, é visto como um item de propriedade comum. Um dos defensores desta
proposta é Placide Tempels, que argumenta em filosofia Bantu que a metafísica do povo Bantu
são reflectidas em suas linguagens. Segundo essa visão, a filosofia africana pode ser melhor
compreendido como surgindo a partir dos pressupostos fundamentais sobre a realidade
reflectida nas línguas da África.
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FILOSOFIA AFRICANA 13
Um exemplo deste tipo de abordagem é a palavra de E. J. Algoa, da universidade
nigeriana de Port Harcourt, que defende a existência de uma filosofia da história decorrentes
dos provérbios tradicionais do Delta do Níger, eu seu artigo "Uma Filosofia da História Africana
na Tradição Oral". Algoa argumenta que, na filosofia africana, a idade é vista como um factor
importante na obtenção de sabedoria e de interpretação do passado. Em apoio dessa tese, ele
cita provérbios como "Mais dias, mas sabedoria" e "O que um velho vê sentado, o jovem não vê
em pé". A verdade é vista como eterna e imutável ("A verdade nunca apodrece"), mas as
pessoas estão sujeitas ao erro ("Mesmo um cavalo de quatro patas tropeça e cai").
Também é perigoso julgar pelas aparências ("Um olho grande não significa uma visão
aguçada"), mas em primeira mão, ela pode ser confiável ("Aquele que vê, não erra"). O passado
não é visto como fundamentalmente diferente do actual, mas a história é vista como um todo
("Um contador de histórias não falam de épocas diferentes"). Segundo eles, o futuro vai além
do conhecimento ("Mesmo um pássaro com um longo pescoço não poderá prever o futuro").
No entanto também é dito "Deus vai sobreviver a eternidade". A história é vista como sendo de
importância vital ("Um ignorante em sua origem não é um humano"), e os historiadores,
conhecidos como "filhos da terra" são altamente respeitados ("Os filhos da terra possuem os
olhos aguçados de uma píton”). Esses argumentos representam apenas um lado da vasta
cultura africana, constituída por patriarcados, matriarcados, monoteístas e animistas.
Outra aplicação mais controversa dessa abordagem está incorporada no conceito de
negritude. Leopold Senghor, um defensor da negritude, argumentou que a abordagem
nitidamente africana para a realidade é baseada mais na emoção do que na lógica, se
manifestando através das artes e não através da ciência e da análise. Cheikh Anta Diop e
Mubabinge Bilolo, por outro lado, embora concordem que a cultura africana é única, contesta
essa opinião, destacando que o Antigo Egito estava inserido na cultura africana quando deu
grandes contribuições para as áreas da ciência, matemática, arquitectura e filosofia,
fornecendo uma base para a civilização grega. Essa filosofia também pode ser criticada por ser
excessivamente reducionista, devido ao apoio óbvio nas realizações egípcias.
Ubuntu é uma ética ou ideologia de África (de toda a África, em particular a palavra é de
origem Bantu. É uma filosofia Africana que existe em vários países de África) que foca nas
alianças e relacionamento das pessoas umas com as outras. A palavra vem das línguas dos
povos Banto; na África do Sul nas línguas Zulu e Xhosa. Ubuntu é tido como um conceito
tradicional africano.
Uma tentativa de tradução para a Língua Portuguesa poderia ser "humanidade para
com os outros". Uma outra tradução poderia ser "a crença no compartilhamento que conecta
toda a humanidade".
Uma pessoa com ubuntu está aberta e disponível aos outros, não-preocupada em julgar
os outros como bons ou maus, e tem consciência de que faz parte de algo maior e que é tão
diminuída quanto seus semelhantes que são diminuídos ou humilhados,torturados ou
oprimidos.
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FILOSOFIA AFRICANA 14
A Filosofia da Libertação
A Filosofia da Libertação é uma Filosofia Latino-americana que nasceu como movimento
filosófico na América Latina, inclusive foi o primeiro movimento que problematizou a
possibilidade de uma Filosofia Latino-Americana e por isso, há uma discussão se a Filosofia
Latino-Americana só o é, se Filosofia da Libertação.
O Movimento se mostra, notadamente entre os anos 1960 e 1970 (há controvérsias
sobre a data), nasce como correlato filosófico da Teologia da Libertação, Pedagogia do
Oprimido, Psicologia da Libertação, Sociologia da Libertação, Direito da Libertação (Direito
Alternativo), Antropologia da Libertação, Economia da Libertação...
Tem como um de seus momentos marcantes a publicação em 1968 da obra Existe uma
filosofia da nossa América, pelo peruano Augusto Salazar-Bondy. Em seu texto (não traduzido
para o português), o autor faz um apanhado histórico e defende uma tese que afirma a
inexistência de uma filosofia propriamente latino-americana. Em resposta, o mexicano
Leopoldo Zea publica, em 1969,
O autor mais destacado desta corrente filosófica é indubitavelmente Enrique Dussel,
filósofo argentino naturalizado mexicano e autor de uma vasta obra que partiu, nos anos 1970,
de uma transição da teologia para a filosofia da libertação, chegando actualmente a sua obra
mais madura no campo da Ética e da Filosofia Política.
[TRABALHO ESCOLAR DE FILOSOFIA] 5º Grupo
FILOSOFIA AFRICANA 15
Conclusão
Chegamos a conclusão, que a existência da filosofia africana é dado bem adquerido, não
há dúvidas da afirmação do povo africano como um posso que possue um pensamento bem
sistematizado e desenvolvido, onde o nivel e intelectual e discursivo é bastante elevado.
O pensamento africano tem uma referência subjectiva e objectiva, pois é preciso
desmitizar que africa não possue filosofia ou negação da filosofia africana. E este é o tempo de
colocar as ideias africanas no centro de qualquer análise que envolve a cultura e o
comportamento africano, (afrocentrismo).
A filosofia africana apresenta caracteristicas bem explícita e analítica, desde modo é
erroneo considera-la como pré-lógica, sem fundamento ou sem referências, no agir ou na acção
do africano existe bem patente o aspecto da filosfia
Devemos lutar para validação da oralidade, pois este marco é muito relevante na filosofia
africana, pois existe grandes conhecimentos na filosofia helénica, que fora passado através da
oralidade.
O pan-africanismo, os seus precursores definiram este movimento como sendo um
movimento político, filosófico e social que promove a defesa dos direitos do povo africano e da
unidade do continente africano no âmbito de um único Estado soberano, para todos os
africanos, tanto na África como em diáspora.
A negritude é o conjunto dos valores económicos, políticos, intelectuais e morais,
artísticos e sociais – não só dos povos de África negra mais ainda das minorias negras das
Américas mesmos de Ásia e da Oceânia.
A filosofia, enquanto resultado dos trabalhos individual dos filósofos, é um factor
essencial para passar da “reprodução do conhecimento” para a “produção de pensamento”,
tarefas primordiais, em primeiro lugar, das instituições universitárias, tanto da Europa como da
África.
A juventude do continente africano e a aparição de autênticos filósofos africanos cujo
crescimento é exponencial numa região que será, dentro de algumas décadas, a mais populosa
e jovem do mundo (2 mil milhões de habitantes antes do fim de século XXI, mais numeroso do
que a China ou a Índia), abrirá caminho a uma nova modernidade que não poderá deixar de
favorecer a própria universalidade dos valores e a eficácia dos princípios.
Revisitar o passado não é certamente um exercício inútil. As lições que for possível tirar
da sabedoria (ou da filosofia) das sociedades tradicionais africanas, mesmo as de conteúdo
considerado metafísico ou teológico-filosófico, como no caso do estudo de Placide Tempels,
podem revelar percepções – ou estimular intuições – que favoreçam novas hermenêuticas,
motivando ideias criativas assentes na realidade concreta reinterpretada que poderão ajudar a
encontrar respostas até aqui inexistentes
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FILOSOFIA AFRICANA 16
Bibliografia
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