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Índice 
 
●∞● 
 
 
 
 
 Introdução, autor e apresentação bibliográfica (7) 
1 Linguagem corporal: mensagens silenciosas repletas de significados (16) 
2 Cinésica: os movimentos do corpo como forma de comunicação não 
verbal (21) 
2.1 - Expressões faciais: o retrato sincero das emoções (22) 
2.2: Sorriso: a expressão facial da abertura social (24) 
2.3: Características físicas da face que transmitem si gnificados (26) 
2. 4: Gestos e postura: movimentos que ilustram a fala (27) 
 2.4.1: O auto toque: resposta do corpo a tensões internas durante o 
ato comunicativo (32) 
 2.4.2: Os gestos que sinalizam a mentira (34) 
 2.4.3: Movimentação da cabeça: gestos substitutos ao sim e não (35) 
 2.5: Postura: fonte para formação das percepções (36) 
 
 
 
 
...................................................................... 5 
 
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3 
 Paralinguagem: as características da voz na comunicação 
interpessoal (39) 
3.1: O silêncio fala (40) 
2.3: O sotaque de todos nós (43) 
 
 4 Oculésica: o comportamento ocular sob o ponto de vista da 
comunicação interpessoal (46) 
 5 Tacêsica: a manifestação da comunicação por meio do toque (53) 
 
 6 Olfática: o cheiro humano como forma de comunicação 
não verbal (58) 
 
 7 Proxêmica: espaço interpessoal como forma de comunicação (66) 
 8 Cronêmica: a percepção e relação do tempo indicam significados 
comunicativos (74) 
 9 Aparência física: características corporais como fontes de 
mensagens não verbais (80) 
 9.1 - As mensagens transmitidas por meio do vestuário (80) 
 9.2: A beleza física como atributo de comunicação (83) 
 
 10 Conclusão (91) 
 11 Bibliografia (100) 
 
 
 
 
 
 
 
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...................................................................... 7 
 
................................................................................................................................................................ 
 
 
Introdução 
 
 
Linguagem corporal e a 
responsabilidade pela forma 
como somos percebidos. 
 
 
●∞● 
 
 
A ideia para a realização deste livro surgiu pelo interesse nas 
interações humanas e a seguinte inquietação: o que é sinalizado pela 
linguagem corporal e que impacto é causado na percepção humana ? 
 
A comunicação é ferramenta imprescindível para satisfazer as 
aspirações e necessidade. Comunicar é tão imprescindível quanto 
respirar. Por serem animais racionais absolutamente sociáveis, pessoas 
sem contato social podem perder a sanidade mental. 
 
................................................................................... 8 
 
................................................................................................................................................................ 
 
 
Ser competente enquanto se fala é pré-requisito para as interações 
sociais prazerosas e efetivas. Pessoas sem habilidades comunicativas 
podem ser percebidas como menos socialmente atrativas. Êxitos 
pessoais dependem das habilidades de interação e comunicação. 
 
O ser humano é fonte ininterrupta de mensagens e influencia pelo 
que é, diz ou escreve. De alguma forma, comunicação é uma ação 
simples e nata. Por outro lado, comunicar efetivamente requer atenção 
e prática. Comunicar de forma competente é tarefa complexa porque 
em cada etapa do processo há potenciais chances de erro. 
Interpretações incorretas de mensagens podem causar desastres. 
 
Dada a importância da comunicação interpessoal e o fascínio pela 
significação das mensagens emitidas por meio do corpo, o 
desenvolvimento deste livro se deu graças à análise de estudos 
científicos em Português, Inglês e Espanhol. O estudo possibilitou 
elaborar o primeiro trabalho em Língua Portuguesa sobre a influência 
dos feromônios durante as interações sociais e o comportamento 
ocular no processo de comunicação interpessoal face-a-face. Além 
disso, traz respostas às seguintes inquietações: 
 
 Em quanto tempo é formada a primeira impressão? 
 Qual o impacto da aparência física na comunicação 
interpessoal? 
...................................................................... 9 
 
................................................................................................................................................................ 
 
 O que é mais efetivo durante a interação: uma bela face ou uma 
linda voz? 
 Porque as pessoas tocam tanto em si mesmas enquanto 
conversam? 
 Como identificar a linguagemcorporal da mentira? 
 Como os aromas produzidos pelo corpo humano influenciam as 
interações sociais? 
 Como atrair pessoas com a linguagem corporal ? 
 
Respostas para estas perguntas e a análise científica de como 
expressões faciais, comportamento ocular, características vocais, gestos 
e postura corporal emitem significados são encontradas ao longo das 
próximas páginas. 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Autor 
 
 
●∞● 
 
 
Leandro Freitas é jornalista, pós-graduado em Comunicação 
Organizacional e Relações Públicas pela Escola de Comunicação e Artes 
da “Universidade de São Paulo” e certificado em Gestão de Marketing 
Estratégico pela Escola de Negócios da “Columbia University” em Nova 
Iorque. Sua experiência profissional foi iniciada no jornal Folha 
Regional, seguida pela atuação na área de 
Comunicação e Marketing de empresas 
nacionais e multinacionais como Banco 
Martinelli, Itaú BBA, Dow e Natura. É 
também autor do estudo “O poder da 
comunicação interpessoal nas 
organizações privadas”. A pesquisa, 
disponível digitalmente por meio do 
sistema Dédalus USP, contribuiu para despertar o interesse pelo 
significado da linguagem corporal e a forma como as mensagens não 
verbais influencia a percepção humana durante o processo de 
comunicação interpessoal face-a-face. 
 
................................................................................... 12 
 
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Apresentação bibliográfica 
 
●∞● 
 
 
Este livro é baseado em pesquisa feita em 175 livros e 54 artigos 
científicos, técnicos ou editoriais. Grande parte do material de 
referência foi consultada na “Questia”, biblioteca digital baseada em 
Chicago (EUA), que dispõe do maior acervo do mundo nas áreas de 
Humanidades e Ciências Sociais. Por meio de www.questia.com podem 
ser acessados mais de nove milhões livros e artigos, graças a acordo de 
digitalização feito com 260 editoras comerciais e universitárias, como a 
Lawrence Erlbaum Associates e a Oxford University Press . 
 
Os principais autores referenciados neste estudo, além dos filósofos 
Sócrates, Platão, Aristóteles, Immanuel Kant, John Locke e Santo 
Agostinho, são: 
 
 Albert Mehrabian: psicólogo, PhD pela Clark University e 
pioneiro no estudo da comunicação não verbal. 
 
 Barbara McClintock: geneticista americana, ganhadora do 
Prêmio Nobel de 1983 pela descoberta de feromônios em seres 
humanos. 
 
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................................................................................................................................................................ 
 
 Charles Darwin (1809-1882): idealizador da Teoria da Evolução 
das Espécies que denominou a comunicação como um dos 
fatores para o desenvolvimento da raça humana. 
 
 Michael Argyle (1925-2002): benemérito psicólogo da 
Universidade de Oxford, dedicou a carreira no estudo da 
comunicação não verbal e interação social, 
 
 Paul Ekman: professor PhD de Psicologia na Universidade da 
Califórnia, estuda o comportamento não verbal com foco na 
expressão e fisiologia das emoções humanas. 
 
 Ray Birdwhistell (1918-1994): antropólogo PhD pela 
Universidade de Chicago especializado em Cinética e micro 
comunicação humana. 
 
 Sigmund Freud (1856-1939): médico neurologista e fundador da 
Psicanálise. 
 
Você encontrará a relação completa de autores e obras utilizada para 
referenciar este livro nas últimas páginas. 
 
 
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................................................................................... 16 
 
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1 – Linguagem corporal: 
mensagens silenciosas 
 repletas de significados 
 
 
●∞● 
 
 
 
 
O corpo é um instrumento de comunicação humana 
abrangente. Gestos, expressões faciais, comportamento ocular, 
características físicas e reações hormonais são mensagens repletas de 
significados. O corpo humano, como canal, pela maior parte do 
processo de comunicação interpessoal. Com ou sem intenção, as 
pessoas emitem por meio do corpo mensagens que indicam atitudes e 
emoções. 
O primeiro estudo sobre linguagem corporal foi 
realizado por Charles Darwin em 1872. Na Teoria da Evolução, o 
biologista analisou a demonstração de emoções em seres humanos e 
animais através da face e concluiu que: 
“A linguagem corporal, além de ser uma forma 
...................................................................... 17 
 
................................................................................................................................................................ 
 
de comunicação inata, contribuiu para a 
evolução da espécie humana.” 
 
 Os sinais provenientes dos movimentos corporais 
são considerados mais sinceros que a linguagem verbal. A maioria 
dessas mensagens não verbais é de difícil controle por ser emitida deforma involuntária e inconsciente. Tais sinais indicam personalidade, 
predisposição social, status e estado emocional. São fontes valiosas de 
informação sobre como as pessoas se sentem em relação aos outros e a 
elas mesmas. 
Quando duas pessoas estabelecem comunicação 
face-a-face, a fala corresponde ao menor significado da interação social. 
A linguagem corporal constitui 93% do processo comunicativo. Dentro 
desse contexto, 55% correspondem aos gestos, expressões faciais e 
movimentos da cabeça, membros, mãos e pés. Trinta e oito por centro 
correspondem às tonalidades vocais. Por fim, apenas 7% do processo 
são compostos pelas mensagens verbais. A linguagem corporal supera o 
valor semântico das palavras. Em ordem hierárquica de significados, 
movimentos corporais são considerados mais expressivos que 
características vocais, que por sua vez, superam as palavras faladas no 
processo de comunicação interpessoal face-a-face. 
“O homem é um ser extremamente sensorial que, 
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de vez em quando, verbaliza,” – Ray Birdwhistell, antropólogo 
americano e um dos maiores especialistas mundiais em linguagem 
corporal. 
Os sinais emitidos pelo corpo, além de serem 
responsáveis pela forma com que as pessoas são percebidas, 
substituem, complementam e realçam a linguagem verbal. A interação 
social torna-se mais bem sucedida nas situações em que as pessoas 
estão atentas à linguagem corporal emitida por si próprias e por aquelas 
com as quais se comunicam. Ser competente na troca desses sinais 
requer sensibilidade, atenção e, principalmente, consciência do 
próprio corpo. 
 A linguagem corporal varia conforme 
personalidade, cultura e contexto. A interpretação dos sinais emitidos 
pelo corpo deve considerar tais variáveis por interferirem diretamente 
no comportamento não verbal dos seres humanos. 
Para melhorar a compreensão da linguagem 
corporal, seis especialidades estudam a capacidade de seus significados 
comunicativos. São elas: 
 Cinésica: pesquisa a comunicação derivada dos movimentos da 
cabeça, membros inferiores e superiores, além de pés e mãos; 
 Paralinguagem: ciência que analisa os significados das 
características vocais; 
...................................................................... 19 
 
................................................................................................................................................................ 
 
 Oculésica: examina os sinais emitidos por meio do 
comportamento ocular durante a interação social; 
 Olfática: compreende o significado do cheiro humano por meio 
das reações dos feromônios; 
 Proxêmica: estuda os significados dos espaços interpessoais e 
posicionamento corporal no processo de comunicação 
interpessoal face-a-face; 
 Cronômica: analisa os sinais comunicativos diante da percepção 
e relação das pessoas com o tempo. 
 Tacêsica: avalia os significados do toque durante o processo de 
comunicação. 
Apesar de ainda não existirem denominações para os estudos científicos 
da aparência física e vestimenta no contexto da comunicação 
interpessoal, tais atributos também serão considerados no campo 
analítico da linguagem corporal. As características faciais e corporais, 
assim como estilo, formato e cor de roupas, transmitem mensagens e 
afeta a forma como as pessoas percebem e são percebidas. 
 
 
 
 
................................................................................... 20 
 
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2 – Cinésica: os movimentos 
do corpo como forma de 
comunicação não verbal 
 
●∞● 
 
 
Cinésica, também denominada Cinética, é denominação 
científica para a análise dos significados comunicativos dos 
movimentos corporais. A Cinésica baseia-se nas expressões faciais, 
agitação de membros superiores e inferiores, além do posicionamento 
de cabeça, mãos e pés. 
A Cinésica requer três condições para a interpretação dos 
movimentos do corpo. A primeira delas refere-se à interferência direta 
do contexto na emissão de mensagens não verbais. O significado de 
qualquer movimento ou expressão do corpo depende das interferências 
impostas pelas circunstâncias e pelo ambiente. A segunda condição 
refere-se à cultura social. As atitudes e valores que caracterizam 
determinada sociedade padronizam os significados sinais não verbais. A 
................................................................................... 22 
 
................................................................................................................................................................ 
 
terceira interferência na interpretação está relacionada ao 
comportamento humano, o qual influencia as atividades corporais e 
fonéticas. Ou seja, enquanto os movimentos corporais são baseados na 
estrutura fisiológica, os aspectos comunicativos dessa ação são 
padronizados pelo contexto, cultura social e personalidade. 
O corpo humano é, portanto, fonte importante e ininterrupta 
de informações. Um comunicador eficiente e atento consegue 
interpretar no outro quase todas as informações emitidas por meio do 
corpo. O que não é expresso por meio de palavras pode ser encontrado 
nas expressões faciais, nas gesticulações, no tom de voz ou nos 
movimentos da cabeça. 
 
2.1 - Expressões faciais: o retrato sincero das emoções 
 
A parte frontal do crânio humano é formada anatomicamente 
por 14 ossos, 43 músculos, cartilagem, gordura e pele. É dividida em 
três partes principais: testa e sobrancelhas; olhos e nariz; bochechas e 
boca. Apesar do único osso móvel da face ser a mandíbula, é possível 
produzir vários movimentos nessa região do corpo. Os músculos da face 
são responsáveis até 250 mil expressões distintas. Apesar da 
quantidade aparentemente excessiva, menos de 100 conjuntos de 
expressões constituem símbolos distintos de significados. 
...................................................................... 23 
 
................................................................................................................................................................As mudanças nas atividades musculares da face são rápidas. A 
ocorrência de cada movimento varia de 250 milésimos de segundos a 
cinco segundos. Por meio das expressões faciais é possível identificar 
sete estados básicos de emoção: surpresa, tristeza, medo, raiva, 
aversão, desprezo e felicidade. Outros sentimentos como orgulho, 
culpa ou timidez são mais difíceis de serem reconhecidos, já que a 
complexidade dos movimentos musculares permitem expressar mais de 
uma emoção ao mesmo tempo. Por exemplo: enquanto a boca indica 
alegria ao sorrir, os olhos podem expressar tristeza. 
A face é fonte segura de como a pessoa absorve informações do 
ato comunicativo. O estado cognitivo e emocional gerado com a 
recepção de mensagens é demonstrado principalmente por meio de 
expressões minúsculas e momentâneas, geralmente de difícil 
assimilação e controle. Se bastante atenção for direcionada à face no 
momento da interação, aumentam-se as chances de reconhecer a 
harmonia entre as palavras emitidas, as atividades mentais e o estado 
emocional da pessoa com quem se fala. 
 Outros elementos, como o nível de fluxo sanguíneo e as 
secreções glandulares, também contribuem para a emissão de 
mensagens não verbais por meio da face. Quando o fluxo de sangue é 
aumentado no rosto, pode se tratar de reações orgânicas relacionadas 
às sensações de timidez, embaraço ou euforia. As atividades das 
glândulas sudoríparas e sebáceas, além de aumentarem a temperatura 
corporal e a quantidade de óleo sobre a pele, podem significar o nível 
................................................................................... 24 
 
................................................................................................................................................................ 
 
de estresse, medo, ansiedade ou excitação de determinada pessoa 
durante o processo comunicativo. 
 
2.2: Sorriso: a expressão facial da abertura social 
 
 Uma forma de expressão facial universalmente reconhecida é 
o sorriso. Em média, adultos em condições normais sorriem de 
diferentes formas e significados durante a soma de seis minutos 
diários. A assiduidade do sorriso é influenciada por fatores como 
gêneros, idade, percepção de status, cultura e contexto. Mulheres 
tendem a sorrir mais que homens. Jovens riem mais facilmente que 
idosos. Pessoas que se consideram de menor status em determinada 
situação, tendem a se sentirem mais pressionadas a sorrir. Entre 
homens, há evidências de quem possui alto nível de testosterona sorri 
menos que aquele com quantidade menor desse hormônio. 
O sorriso, além de ser sinal comunicativo de receptividade, tem 
impacto na saúde física dos seres humanos. A Gelotologia, ciência que 
analisa as propriedades terapêuticas de sorrir, comprova o valor do 
sorriso para fazer as pessoas se sentirem melhor. Durante o ato de 
sorrir, são liberadas endorfina e adrenalina, hormônios 
neurotransmissores responsáveis pela sensação de prazer e bem-
estar. A redução do estresse graças ao sorriso contribui para a 
...................................................................... 25 
 
................................................................................................................................................................ 
 
fertilidade feminina. A dilatação e contrição dos vasos sanguíneos que 
ocorrem enquanto as pessoas sorriem favorecem a saúde 
cardiovascular. Quando pacientes com AIDS e câncer são submetidos a 
situações cômicas, resposta automática é gerada no sistema nervoso 
para causar o gerenciamento de dores e aumentar as defesas naturais 
do organismo. 
A Getologia também analisa a capacidade instintiva dos seres 
humanos em diferenciar sorrisos reais daqueles que são apenas 
convenção social. Gelotologistas afirmam que o verdadeiro sorriso é 
expresso pelos olhos, não pela boca. O sorriso é ainda considerado um 
comportamento involuntariamente imitativo. Quanto mais se sorri para 
alguém, mais essa pessoa tende a repetir o comportamento. 
Pessoas sorridentes são percebidas como mais amistosas, 
alegres e atraentes. Sorrir é um importante recurso social que 
transmite mensagens de agradecimento, apreciação, superioridade, 
desprezo, concordância, aprovação, reconhecimento, ironia, maldade, 
prazer e felicidade. 
“O sorriso une as pessoas. Há histórias de guerra em que 
soldados treinados para a luta desarmam-se literalmente diante dos 
inimigos que sorriem para eles”, afirma Sherry Dunay Hilber, fundador 
do RX Laughter Institute, entidade californiana que utiliza a comédia 
para amenizar tratamento médico de crianças com câncer. 
 
................................................................................... 26 
 
................................................................................................................................................................ 
 
2.3: Características físicas da face que transmitem significados 
 
A face humana é composta por características físicas mutáveis e 
permanentes. As mutáveis, influenciadas pelo tempo e por hábitos 
pessoais, são compreendidas por rugas, manchas ou espinhas. As 
permanentes estão ligadas à estrutura óssea, textura, coloração da pele 
e cabelos, além dos detalhes individuais da aparência. As características 
mutáveis e permanentes transmitem atributos da personalidade. O 
formato da face veicula mensagens fisionômicas como gênero e 
origem étnica. O aspecto do rosto sinaliza, além da idade, condições 
socioeconômicas e físicas. Rosto bem cuidado sinaliza hábitos corretos 
de alimentação, cuidados dermatológicos e saúde física em condições 
favoráveis. A formação óssea possibilita indicar fisicamente o grau de 
parentesco entre membros da mesma família. 
A face constitui o principal elemento de identidade humana e 
fundamenta a formação de impressões. As expressões faciais, na 
maioria das vezes, são mensagens fiéis das atividades cognitivas e do 
estado emocional. Apesar do estabelecimento de pressões sociais, que 
geralmente impedem revelações de sentimentos em determinadas 
ocasiões, interpretar as expressões faciais possibilita saber como cada 
um se sente enquanto se comunica e o que realmente acontece entre 
os agentes do processo interativo. 
 
...................................................................... 27 
 
................................................................................................................................................................ 
 
 2.4 – Gestos e postura: movimentos que ilustram ou 
substituem a fala 
 
Gestos são movimentos do corpo, principalmente das mãos e 
braços, que exprimem significados comunicativos. Tais atos transmitem 
informações semânticas por estarem relacionados com as palavras que 
os acompanham. Os gestos são usados para ilustrar ações sequenciais, 
substituir palavras ou diminuir a ambiguidade do significado nas 
expressões verbais. 
Das partes do corpo que gesticulam, as mãos são as mais 
perceptíveis em virtude dos movimentos longos,rápidos e intensos. 
Mãos gesticulam com mais ritmo por estarem conectadas a uma região 
do cérebro considerada maior que aquelas, gerenciadoras de outros 
movimentos corporais. Dentro da comunicação não verbal, a 
expressividade intensa das mãos permite considerá-las com a mesma 
representação que a língua recebe na comunicação verbal. Os gestos 
geralmente são mecânicos, executados automaticamente e de forma 
quase inconsciente. 
As mãos, além da face, absorvem e canalizam a maioria das 
emoções durante o processo comunicativo. É possível perceber o nível 
de tensão interna das pessoas somente pela observação das mãos. 
Dedos contraídos podem transmitir sensações negativas como 
ansiedade, nervosismo, insegurança, submissão, ódio ou medo. Se 
................................................................................... 28 
 
................................................................................................................................................................ 
 
estendidos, indicam estado emocional favorável. A exceção ocorre com 
os polegares. Quando esses dedos estão rigidamente desdobrados, 
revelam estado de intranquilidade ou emoções contidas, como ódio ou 
intenção de domínio social. Dedos são considerados “garras” humanas 
de tensão. 
As mãos são responsáveis pela ligação física entre seres 
humanos e cumprem funções de pacificação e conexão, como o 
cumprimento social. Tal ato é responsável pelo início da sincronização 
da comunicação interpessoal e, ao ocorrer de forma competente, 
aumenta as chances do desenvolvimento e manutenção da interação. A 
forma de cumprimentar outra pessoa depende de fatores como o nível 
de intimidade. Independente da forma de relação interpessoal 
estabelecida, o ato requer premissas básicas, infelizmente nem sempre 
seguidas, para manifestar atenção, respeito e afeto. O cumprimento 
efetivo exige toque firme e sutil, geralmente nas mãos e/ou ombros. 
Manter contato visual no momento do cumprimento demonstra que a 
outra pessoa possui significado social e faz parte da realidade de quem 
saúda. Expressões faciais positivas indicam a satisfação de encontrar de 
quem é saudado. Pronunciar o nome da pessoa, ou repeti-lo após a 
primeira apresentação, é uma maneira polida e eficiente de aumentar a 
aproximação. Em sociedades mais táteis e relacionais, como a brasileira, 
o cumprimento termina com beijo na face e a ocorrência desse ato 
depende do nível de formalidade e intimidade do relacionamento. 
A forma de cumprimento, aliada à emissão de outros sinais 
...................................................................... 29 
 
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corporais, é responsável pela formação das primeiras impressões 
quando duas pessoas desconhecidas se saúdam pela primeira vez. Elas 
precisam de um décimo de segundo, menos tempo que o piscar de 
olhos, para formar a primeira impressão. 
Tão importante quanto a primeira é a última impressão. Por 
isso, a forma de duas pessoas se despedirem também deve seguir as 
mesmas premissas, caso a intenção seja manter ligação social 
prazerosa, efetiva ou até mesmo afetiva. A cultura social também 
influencia a forma de se cumprimentar. Há diversas formas de 
saudação. No arquipélago de Andaman, ao sul da Índia, as pessoas 
quando reencontram parentes ou amigos sentam-se no colo um do 
outro, passam o braço pelo pescoço do conhecido e choram de 
felicidade por alguns minutos. Na ilha de Hokkaido, ao norte do Japão, 
quando um rapaz reencontra a irmã, ele segura as mãos dela, aperta as 
orelhas, emite um grito e depois encostam os ombros e faces. Se isso 
pode parecer estranho, o mesmo deve acontecer a um morador desses 
locais ao verem duas brasileiras tocarem levemente as faces e beijarem 
o ar ao mesmo tempo. 
As mãos transmitem outras mensagens não verbais além de 
gestos. A fisionomia dessas partes do corpo revela características de 
personalidade. Dentro dos padrões de tamanho de mãos nos gêneros 
sexuais, pessoas de mãos largas tendem a ser extrovertidas. Mãos 
finas, por outro modo, podem indicar personalidade introvertida. O 
posicionamento das mãos, assim como gestos, também indica estados 
................................................................................... 30 
 
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emocionais. Mãos enlaçadas mostram repouso e confiança. Mãos que 
sustentam a cabeça denotam cansaço e a pessoa nesta posição 
assegura o próprio envolvimento na atividade cerebral. Dedo 
indicador estendido sugere concentração no que se é dito. 
Enquanto os gestos inconscientes predominam o uso da mão 
esquerda, os considerados conscientes utilizam a direita. Pessoas que 
movimentam mais a mão esquerda tendem a ser mais racionais que 
emocionais. 
Os gestos são subprodutos da articulação verbal, mas, 
obviamente, não têm a articulação da fala. Porém, são 
consideravelmente informativos e desempenham papel crucial no 
entendimento do que é dito. 
Apesar da importância dos gestos no processo comunicativo, o 
excesso desses movimentos é considerado ruído de mensagem. A 
gesticulação ilimitada interfere na recepção das mensagens por 
transferir a atenção da informação para os gestos. Por outro lado, 
gesticular de menos torna a expressão monótona, menos viva e 
atrativa. O ideal é manter a gesticulação equilibrada, com movimentos 
moderados, que contribuam para a ilustração ou substituição da fala. 
Os movimentos do corpo são tão pessoais quanto a assinatura. 
A interpretação dos gestos varia conforme a personalidade, cultura ou 
contexto social. Gênero também é determinante, pois homens e 
mulheres gesticulam de formas diferentes. Mesmo assim, há 
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padronizações de movimentos que possibilitam aos estudiosos de 
comunicação atribuírem significados a esses movimentos. Alguns 
deles, com respectivos significados atribuídos, estão disponibilizados na 
tabela abaixo: 
 
GESTO SIGNIFICADOS ATRIBUÍDOS 
cabeça inclinada à esquerda 
ou direita 
 
indícios de galanteio, sinalização de 
amizade, afinidade, confiança mútua 
ou timidez. 
homem puxando a orelha ou 
alisando a barba 
visualização de mulher atraente 
levantar, girar ou flexionar um 
ou os dois ombros. 
Responder perguntas, dicas de 
incerteza disposição, resignação, 
dúvidas ou proibição 
esfregar o nariz indícios de desaprovação 
braços cruzados na frente do 
corpo algum tipo de defesa 
cumprimentar abaixando a 
cabeça submissão 
cabeça e peitos erguidosdominação, sensação da própria 
importância 
mulher passando a mão no 
cabelo indícios de galanteio 
corpo inclinado para trás recuo, rejeição ou desinteresse 
corpo inclinado para frente aceitação, interesse ou desibinição 
relaxamento muscular da face Desinteresse 
dedos na boca angústia, agonia ou necessidade de 
satisfação 
posição do pé quando a perna 
estiver cruzada ou estendida 
aceitação, concordância ou intimidade 
com a pessoa posicionada na mesma 
direção do pé 
................................................................................... 32 
 
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mostrar a palma das mãos aceitação, concordância 
mulher mostrando a palma 
das mãos 
indícios de galanteio 
olhar para baixo pessoa dominada pelo ambiente ou 
sentimento de inferioridade. Pode 
indicar derrota ou vergonha 
narinas abertas medo 
aperto forte de mão firmeza, franqueza, interesse ou 
vigores físico e psíquico 
aperto fraco de mão desinteresse, timidez ou receio 
acariciar os próprios cabelos 
continuadamente 
carência 
corpo em direção oposta ao 
olhar 
desconfiança, desinteresse, 
incomodação 
mãos abertas e braços 
estendidos estímulo à interação 
lábios presos entre os dentes ansiedade ou falta de vontade em 
verbalizar 
cotovelos apontados afastamento da pessoa próxima, falta 
de identificação ou sintonia 
bocejo sono ou falta de interesse 
 
adulto sentado no chão regressão à infância 
sentar-se na beira da cadeira vontade de se levantar 
autoagressão tensão ou baixo autoestima 
coçar o couro cabeludo falta de confiança 
palmas juntas com dedos 
apontados para cima 
autoconfiança, atividade mental 
intensa 
mãos juntas atrás do corpo 
com queixo para cima 
autoconfiança, superioridade 
manipular objetos 
continuadamente ansiedade 
olhar fixo sem piscar tristeza ou atividade mental intensa 
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rejeição visual, ausência de 
gesticulação e rigidez corporal 
indicação de comunicação 
desprazerosa 
sobrancelhas elevadas submissão ou espanto 
atenção visual contínua submissão 
 
uma mão atrás da cabeça 
incerteza, conflito, desacordo, 
frustração, fúria, aversão social ou 
pensamentos e emoções negativas. 
duas mãos unidas atrás da 
cabeça Sinal de dominância 
flexionar o pescoço para 
proteger ou abaixar a cabeça indica desacordo, aversão e medo 
não tocar a outra pessoa submissão, falta de identificação ou 
timidez 
 
2.4.1 - O auto toque: resposta do corpo a tensões internas 
durante o ato comunicativo 
 
Outro gesto bastante significativo na comunicação interpessoal 
é o auto toque. Especialistas em comunicação humana sentem-se 
atraídos pela significação comportamental desse tipo movimento 
realizado principalmente enquanto as pessoas conversam. É muito 
comum observar pessoas, durante o processo interativo, coçando-se, 
tocando-se ou pegando na própria roupa ou cabelos. O interessante é 
que as pessoas nem sempre sentem coceiras, precisam arrumar roupas 
ou segurar os cabelos. O auto toque pode, na maioria das vezes, tratar-
se de uma resposta do corpo a uma tensão interna. Na ausência de 
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................................................................................................................................................................ 
 
canalização de tal emoção, a tensão se manifesta em forma de 
comichões, inquietações ou ansiedade. As pessoas, ao apresentarem 
esse comportamento, podem estar com sensações desconfortáveis e 
tendem a se esquivar da interação. 
 
2.4.2: Os gestos que sinalizam mentira 
 
Os gestos podem ainda indicar processos internos no ser 
humano com a associação de comportamentos enganosos. É possível 
detectar quando uma pessoa mente com a observação atenta da 
linguagem corporal. A mentira pode se manifestar de diferentes 
maneiras. A primeira delas se dá por meio das excitações fisiológicas 
que sugerem aumento de estresse. As excitações podem ocorrer com a 
aceleração dos batimentos cardíacos, transpiração e tentativa de 
controlar desempenho verbal. Todas as pessoas mentem, por mais 
honestas que se julguem ser. Quando enganam, elas se preocupam com 
a transparência da ansiedade ou culpa, além de tentarem aumentar o 
processo cognitivo de informação. Quem mente evita olhar nos olhos, 
comete falhas de marcação temporal e ilustram menos a história 
contada, com gestos curtos e nervosos. Elas ainda podem lamber os 
lábios, esfregar os olhos ou se tocar. As pessoas sabem fingir faces 
alegres, zangadas ou tristes, mas têm dificuldades para mantê-las por 
muito tempo. Porém, tais mensagens devem ser interpretadas da 
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mesma forma que todos os outros sinais não verbais e considerar 
personalidade, contexto e cultura. Pessoa de conduta maquiavélica, por 
exemplo, pode enganar facilmente sem evitar mirar diretamente para o 
nos olhos da outra pessoa. 
 
2.4.3 – Movimentação da cabeça: gestos substitutos ao 
sim e não 
 
Outra gesticulação associada à fala é a movimentação da 
cabeça. Assentir e girar o crânio podem ser usados para satisfazer 
funções semânticas, comunicar emoções e responder conversações. 
Movimentar para cima e para baixo indica formas de compreensão e 
concordância. Assentir enfaticamente enquanto fala ou ouve pode 
indicar sentimentos dominantes de convicção, animação, superioridade, 
empatia emocional e, algumas vezes, irritação. Girar a cabeça 
horizontalmente de um lado para o outro indica desacordo ou 
incompreensão da mensagem. Numa conversa emocional, girar a 
cabeça de um lado para o outro pode transmitir incredulidade, mágoa, 
compaixão ou desarmonia cognitiva. Enquanto assentir com a cabeça 
está associado a intenções e emoções positivas, virá-la para esquerda 
ou direita está relacionado a condutas e sensações negativas. Quando 
os sinais positivos e negativos da movimentação da cabeça não 
precisam ser emitidos durante o processo interativo, a posição mais 
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efetiva dessa parte do corpo é no ângulo de 90°, formadoentre o 
pescoço e a parte inferior do crânio, em posição paralela ao solo. Essa 
posição, além de indicar equilíbrio entre sinais de superioridade ou 
inferioridade, permite o livre funcionamento do aparelho fonador, que 
deixa de ser pressionado ou estendido quando a cabeça está levemente 
abaixada, levantada ou inclinada. 
 
2.5 – Postura: fonte para formação das percepções 
 
Diferentemente dos gestos, a postura é o aspecto mais estático 
e consistente ao ser comparada com outros movimentos corporais. A 
postura, além de sinalizar atitude, é um dos sinais não verbais que 
mais oferecem subsídios para os seres humanos formarem percepções 
interpessoais. As pessoas têm modos individuais de manter o corpo 
quando andam, sentam ou ficam em pé. A postura transmite emoções, 
caráter, atitudes interpessoais, gênero e status. Enquanto gestos 
estabelecem e mantêm o ritmo da troca de mensagens, a postura apoia 
a comunicação e estabelece plataforma comum de significado. 
As posições corporais ainda revelam como as pessoas se sentem 
em relação às outras e o que acontece entre elas. As posições são 
divididas em duas categorias: 
• Posturas congruentes ou espelhadas: mantêm a sincronia da 
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comunicação interpessoal. Sinaliza empatia, afiliação e disposição 
verbal. São as formas mais recomendadas de interação, pois criam 
espaços de receptividade. Exemplo: corpos na mesma direção, em 
posições espontâneas, com braços e pernas relaxadas. 
• Posturas incongruentes ou divergentes: indicam discórdia, 
falta de interesse ou afinidade. Exemplo: corpo oposto à direção do 
olhar ao da pessoa com quem se fala com braços cruzados ou rígidos. 
A disposição configurada por braços, pernas, mãos, costas e pés 
é resultado da atividade mental. A função cognitiva está diretamente 
relacionada à forma como as pessoas se postam. Quando uma pessoa 
mentaliza “isso não vai funcionar”, o pensamento crítico é refletido 
instantaneamente na postura. Uma maneira de visualizar a própria 
posição corporal é atentar-se para o tipo de pensamento no corrente 
momento. A postura, invariavelmente, indica a imagem mental. 
A postura, além de projetar as próprias convicções, transmite às 
outras pessoas a percepção interna das declarações e ideologias 
recebidas. Porém, nas relações interpessoais, os seres humanos tendem 
a focar na postura alheia, não na própria. Por isso, as atitudes corporais 
ressoam com frequência. O terapeuta, por exemplo, imita a posição 
corporal do paciente para estimular o acordo. 
 
 
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3 – Paralinguagem: as 
características da voz na 
comunicação interpessoal 
 
 
●∞● 
 
 
A Paralinguagem estuda os significados das 
características vocais. A voz humana possui as seguintes 
características: altura, melodia (aguda ou grave), velocidade (as pessoas 
expressam a média de 150 a 185 palavras por minuto), tonalidade, 
articulação e pronúncia. 
A voz é uma extensão tão forte da personalidade, 
que a maneira pela qual as pessoas são percebidas depende em 
grande parte do desempenho vocal. Quando as pessoas falam, elas 
informam condições físicas, emocionais e sociais. A boa voz 
impressiona e atrai. A pessoa que deseja ser considerada socialmente 
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atrativa deve modular a própria voz conforme o padrão vocal do 
contexto comunicativo. A voz de qualidade aumenta a percepção de 
competência e dominância. Uma emissão vocal favorável é capaz de 
superar a beleza física no quesito “fascínio social”. 
 A intensidade da voz humana pode oscilar entre 40 
e 50 decibéis. Entre a voz sussurrada e a mais intensa há diferença de 
até 100 decibéis. A fala inteligível requer atenção à acentuação. Bons 
falantes usam tonalidade alta, enquanto maus falantes nem sempre. 
Pessoas extrovertidas emitem mais quantidade de palavras e em tom 
maior, ao contrário das pessoas introvertidas. Quanto mais alta e firme 
é a voz, mais a pessoa será percebida como socialmente dominante. 
Para despertar o interesse em quem ouve, a velocidade efetiva da fala 
deve ser flexível e na altura confortável para a compreensão. As 
palavras precisam ser pronunciadas com articulação adequada, clareza 
e em diferentes níveis de entonação. 
 
3.1: O silêncio fala 
 
Outra característica vocal analisada pela 
Paralinguagem é o silêncio. Incluído entre as sete características da 
expressividade, o silêncio é designado pela ausência da voz e pode ser 
tão expressivo quanto palavras. O silêncio comunica e tem variados 
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significados. Conforme o contexto, transmite hostilidade, frieza, 
rigidez, ódio, timidez, emoções negativas ou falta de identificação com 
a outra pessoa. Pode ainda denotar respeito, bondade, contemplação, 
empatia, aceitação e reflexão. O silêncio indica consentimento ou 
rejeição pelo o que é dito e pode ainda indicar organização dos 
pensamentos antes expressá-los. 
 
“O silêncio é uma função comunicativa complexa e 
profunda”, John Locke, filósofo inglês em “Ensaio sobre o entendimento 
da humanidade”. 
 
Os momentos de silêncio durante o processo 
interativo incomodam a maioria das pessoas, principalmente nas 
relações sociais de menor intimidade. Isso porque a ausência de 
comunicação verbal está associada à falta de interesse na interação. Os 
silêncios interativos aumentam em duração e freqüência na medida em 
que a distância física das pessoas é diminuída. 
O impacto do silêncio na comunicação é 
contraditório em algumas sociedades. Na cultura oriental , o silêncio é 
frequentemente bem interpretado. Os japoneses consideram que, na 
falta de algo melhor para dizer, é preferível ficar em silêncio. Eles 
também consideram esse tipo de mensagemnão verbal como uma 
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forma de respeitar a individualidade dos outros. Já na cultura ocidental, 
o silêncio tende a desconfortável. No Brasil, onde as pessoas são 
culturalmente mais interativas, momentos de silêncio tendem a causar 
constrangimentos. Diferenças culturais à parte, o fato é que a 
ocorrência do silêncio diminui na medida em que aumenta a 
intimidade das relações interpessoais. São nas relações mais íntimas 
que os momentos de silêncio são menos embaraçosos. As pessoas 
podem medir o nível de intimidade de seus relacionamentos quando o 
silêncio entre elas deixam de ser um tipo de incômodo. 
Além do silêncio, outros aspectos não fonêmicos da 
voz também são abrangidos pela Paralinguagem. São eles: 
 Prosódia: estudo das variações vocais que 
alteram ou enfatizam o significado das palavras 
faladas. Quando as pessoas aumentam a entonação 
de uma determinada palavra, dão significados 
diferentes a elas, independentemente da 
equivalência semântica. 
* * Extralinguística: avaliação dos diversos tipos 
sotaque em um mesmo idioma como reforço da 
expressividade 
 
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2.3: O sotaque de todos nós 
O sotaque, objeto de estudo da Extralinguística, 
favorece a formação de impressões por diferenciar a expressão com 
características além da linguagem. 
O sotaque torna os idiomas multifacetados e tem 
conceito relativo. A Língua Portuguesa, por exemplo, tem pronúncia e 
melodia peculiares em cada um dos sete países em que é o idioma 
oficial. A diferenciação de expressividade acontece também dentro do 
mesmo país ou até cidade. 
Apesar de possuir base gramatical idêntica, uma 
pessoa nascida e vivida na cidade de Porto Alegre, no Rio Grande do Sul, 
tem entonação e melodia diferentes se comparada à outra pessoa de 
mesmas condições no Recife, Pernambuco. A explicação para esse fato 
se deve às influências culturais, econômicas, geográficas e até mesmo 
à formação do aparelho fonador. 
Alguns sotaques sustentam prestígio, outros nem 
tanto. Esse conceito se forma de acordo com a percepção do local de 
origem pelos agentes do ato comunicativo. A medida de status de um 
sotaque é proporcional ao status de seu local de origem. 
 
 
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O sotaque, quando percebido, também pode diminuir a eficiência da 
mensagem comunicada. A entonação e a melodia da fala sobressaem ao 
conteúdo transmitido e desvia a atenção de quem o recebe. 
 
Quanto mais intenso é o sotaque, mais ruído tende a causar no 
processo comunicativo. As palavras devem ter pronúncia mais próxima 
possível do padrão de expressividade do lugar em que a comunicação é 
estabelecida, sem que a naturalidade verbal seja perdida. O treino ideal, 
caso necessário, é fazer leituras em voz alta, ouvir atentamente os 
nativos e repetir várias vezes palavras que necessitam de pronúncia 
mais precisa. O fato é que todas as pessoas têm sotaque e somente se 
dão conta disso quando estão em lugares diferentes da própria origem 
ou vivência. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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4 – Oculésica: o 
comportamento ocular sob o 
ponto de vista da comunicação 
interpessoal 
 
●∞● 
 
 
As funções e o impacto do comportamento ocular durante a 
comunicação interpessoal face-a-face são analisados sob a perspectiva 
da Oculésica. Trata-se do estudo sobre as diferentes formas de olhar e 
respectivos significados comunicativos. 
 
Os olhos são as partes mais sinceras e sensíveis do processo 
comunicativo. Os músculos oculares, por serem incontroláveis, revelam 
informações verdadeiras sobre o estado de ânimo das pessoas. Os 
olhos, além de serem fontes importantes de resposta interativa, 
expressam emoções, atenção e ameaça. A maior parte das informações 
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transmitidas por esses órgãos opera fora do nível de atenção e está 
além da habilidade do controle consciente. Há várias formas de 
estabelecer o contato visual. As mais frequentes são: 
 
 • olhar fixo e direto: feito olho a olho. Se prolongado, pode ser 
percebido como forma de ameaça. Todas as culturas reprovam olhares 
fixos, diretos e demorados. Quando uma pessoa é observada 
intensamente, ela tende a apresentar ritmo cardíaco mais acelerado. 
• olhar indireto: se dá por meio da mirada direcionada a alguma 
região da face. As mais habituais são boca, queixo ou nariz. 
• olhar omisso: denota desprezo ou negligência à mensagem 
transmitida e à pessoa com que se comunica. Aversão em olhar tem o 
efeito de reduzir a pessoa com quem se interage. 
• olhar fugaz: é rápido e esporádico. Pode significar timidez, baixa 
percepção de status ou falta de atratividade interpessoal. 
• olhar parcial direto: alternam miradas atenciosas em partes da 
face, do corpo e do contexto. Na face, as miradas são fixadas 
alternadamente na região dos olhos, boca e nariz. No corpo, as miradas 
são apontadas para as partes mais distintas, visíveis e móveis a fim de 
captar gesticulações, posicionamentos e características da aparência. 
No contexto, esse tipo de olhar capta composições e disposições dos 
elementos que fornecem informações importantes para troca de 
mensagens. O olhar parcial direto é o mais indicado para o 
estabelecimento efetivoda comunicação interpessoal face-a-face. 
 
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Os comportamentos visuais e vocais estão estritamente relacionados 
no processo de comunicação. Habitualmente, as pessoas olham menos 
enquanto falam e mais quando escutam. Numa típica sequência 
interativa, nos primeiros segundos, é comum olhares fixos e diretos 
para despertar atenção, interesse e abertura dos canais de 
comunicação. Com o avanço das expressões verbais, o olhar torna-se 
parcial e direto, para que todos os sinais do processo comunicativo 
possam ser interpretados. No fim da fala, a ocorrência do olhar tende 
novamente a ser fixo e direto. Assim, a pessoa que fala confirma a 
decodificação das mensagens recebidas e sinaliza à outra a chance da 
fala. O movimento dos olhos juntamente com a tonalidade da voz são 
marcadores de início e fim dos turnos da fala. 
 
As pessoas direcionam olhares para o que lhes despertam atração. 
Quando duas pessoas se olham, elas aumentam as chances de serem 
percebidas como empáticas e afetivas. É possível obter forte senso de 
quem é uma pessoa ao olhar diretamente nos olhos dela. Quando dois 
olhares se encontram, também é possível identificar o estado emocional 
daquelas com quem se interage. As variadas emoções que as pessoas 
experimentam são exibidas na face, mas a intensidade desses 
sentimentos é transmitida pelos olhos. 
 
O nível de atração interpessoal influencia a ocorrência do contato 
visual. O olhar está diretamente relacionado com o gostar. As pessoas 
olham com maior frequência para aquelas que elas gostam mais. 
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Paradoxalmente, durante as circunstâncias de discórdia, as pessoas 
também olham extensivamente àquelas que estão em conflito. 
 
 Durante processo interativo, os olhares variam de 28% a 70% do 
tempo. Homens e mulheres têm comportamento visual diferente. Os 
olhares delas são mais frequentes e mais prolongados que o deles. Esse 
fenômeno se explica, pois mulheres têm mais necessidade de inclusão e 
afiliação que homens. Além disso, homens tendem a considerar olhares 
como forma de ameaça. O contato visual dos homens é mais frequente 
entre mulheres que entre outros homens. Mulheres tendem a possuir o 
mesmo nível de ocorrência do contato visual para ambos os sexos. 
 
Piscar, o rápido comportamento de abrir e fechar os olhos, reflete 
estado emocional. O ser humano pisca, em condições normais, 20 
vezes por minuto. A média de duração desse movimento é um quarto 
de segundo, tão rápido que as pessoas os percebem somente quando 
pensam nele. Piscar rapidamente indica nervosismo, ansiedade ou 
tensão. Conforme o nível de stress, uma pessoa pode piscar até sete 
vezes mais que o normal, como aconteceu com o candidato derrotado 
para a presidência dos Estados Unidos, no debate televisivo de 1996. 
Bob Dole piscou, em média, 147 vezes por minuto. As pessoas piscam 
mais rapidamente em situações de tensão ou excitação. Quando 
cortejam, falam em público ou mentem, uma parte do cérebro chamada 
sistema de ativação reticular desperta tais movimentos, que são 
aumentados conforme o nível de excitação. Os olhos piscam 
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principalmente no começo da vocalização, usualmente no início da 
primeira letra da palavra. 
 
O ser humano tem reduzida capacidade visual, principalmente 
quando comparado a certos animais, como o gato. Mesmo assim, as 
pessoas percebem fortemente a sensação do olhar. Mesmo à distância 
e sem necessariamente estabelecer olhar fixo e direto, as pessoas 
podem perceber que são observadas. Além disso, quanto mais uma 
pessoa se sente olhada, mais a outra se considera observadora, 
mesmo que tal impressão derive de percepções erradas de ambas as 
partes. Partes específicas do cérebro são ativadas quando as pessoas 
percebem que alguém olha diretamente para elas. 
 
Olhar transcende palavras. Nas relações interpessoais de maior 
convívio e intimidade, é possível interpretar as intenções das pessoas 
somente com o contato visual. Olhar também pode expressar níveis 
de acordo e segurança e ainda é fonte significante de medo e surpresa. 
Olhar de lado pode ser compreendido como discordância e insegurança 
ao que é dito. Já olhar firmemente demonstra falta de timidez, alta 
percepção de status, confiança nas palavras expressadas ou pretensão 
da pessoa em absorver a reação daquela com quem se fala. Fechar os 
olhos é revelação consistente de dor. Níveis reduzidos do contato ocular 
podem ser interpretados como desaprovação e baixo nível de 
intimidade e dominância. A pessoa que fala pode também controlar o 
comportamento de quem escuta através de movimentos oculares. 
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Diante de olhares fixos é possível impedir interrupções da fala ou 
estimular reposta para as mensagens transmitidas. 
Outro componente da visão bastante estudado pela Oculésica é a 
pupila. Comumente chamada de “menina dos olhos”, trata-se da região 
central da íris responsável pela regulação do fluxo de luz para a retina. 
Quando há pouca incidência de raios luminosos, a pupila se dilata e 
pode medir até oito milímetros. Em circunstância contrária, essa região 
se retrai ao ponto de equivaler à dimensão da cabeça de um alfinete. 
Como o olho é considerado extensão do cérebro, é possível avaliar a 
atividade mental através do tamanho da pupila. Quando essa parte 
dos olhos está dilatada, pode significar que a pessoa está diante de 
uma situação agradável, que a emociona e desperta interesse. Quando 
os agentes do processo comunicativo experimentam trocas aprazíveis 
de mensagens as pupilas se dilatam. Por outro lado, a constrição da 
pupila pode indicar resposta emocional de aversão a algum aspecto da 
interação. A técnica de observar o movimento da pupila é utilizada por 
mágicos e vendedores. O cliente tem a pupila expandida quando está 
diante de um produto que lhe desperta desejo de consumo. Mágicos 
identificam em truque qual foi carta a pré-selecionada por determinada 
pessoa ao observar o aumento das pupilas delas ao rever a carta 
escolhida. Dilatação da pupila é um sinal confiante das emoções 
positivas de excitação e interesse. Por fim, para interpretar dos 
significadosdo movimento da pupila deve ser levar em consideração a 
influência do nível de luminosidade no ambiente em que ocorre o 
processo de comunicação interpessoal face-a-face. 
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5 - Tacêsica: a emissão de 
significados comunicativos 
por meio do toque 
 
 
●∞● 
 
A Tacêsica é a ciência que analisa o contato físico como forma de 
interação social. Quando duas pessoas se tocam acontece um ato de 
comunicação por se tratar inevitavelmente de experiência recíproca 
com resposta simultânea. A pele é o primeiro e maior canal presencial 
de comunicação interpessoal e é por meio dela que todo o ambiente 
chega aos seres humanos. 
 
O contato físico também é interpretado como uma manifestação de 
afeto interpessoal. As pessoas tocam mais naquelas que gostam e se 
identificam. Relações sexuais são, indiscutivelmente, a forma mais 
intensa de contato físico. Quando as pessoas se envolvem dessa 
maneira, estão, na verdade, descobrindo as sensações máximas da 
comunicação tátil. O ser humano, por ser animal sociável, possui forte 
necessidade de toque. 
A pele tem grande valor na comunicação interpessoal por se tratar 
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de fonte sensitiva, transmissora e receptora de informações. A 
sensibilidade cutânea é explicada por conter aproximadamente 50 
células receptoras por 100 milímetros quadrados. A pele é um condutor 
elétrico de excepcional qualidade. A energia liberada por esse órgão é 
incapaz de produzir choque nas pessoas, exceto em situações 
ocasionais. A pele gera choques elétricos em virtude das mudanças 
emocionais. Essas alterações atingem o sistema nervoso autônomo, o 
qual promove o aumento da condutividade elétrica da pele, 
principalmente naquela encontrada na palma das mãos e sola dos pés. 
Os impulsos elétricos liberados pela pele podem simbolizar 
pensamentos e emoções por meio de sensações de choque, arrepios 
ou coceiras. Em virtude da tamanha sensibilidade, a pele é capaz de 
decodificar informações rápidas e sofisticadas percebidas pelo ser 
humano. Sentimentos de frustração, raiva e culpa não comunicados 
verbalmente, assim como necessidades de amor reprimidas, podem 
encontrar expressão automática na pele com, por exemplo, o 
aparecimento de acnes. 
 
A pele, especialmente a do rosto, registra as tentativas e os triunfos 
pessoais durante a vida e, dessa forma, transparece a própria memória 
das experiências. O vestuário bloqueia parte das sensações agradáveis 
vindas pela pele. A tentativa de diminuir o tamanho das roupas ou 
mesmo se livrar delas são tentativas de aproveitar a estimulação natural 
da pele ao colocá-la em contato com o ar, sol, objetos ou mesmo outra 
pele. A pele opera em nível subconsciente e reflete o significado 
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emocional das palavras. A pele ainda comunica muitas mensagens não 
intencionais, como a aparência, temperatura corporal, transpiração, 
tensões musculares e até a saúde humana. A acne, por exemplo, pode 
representar a ebulição hormonal da puberdade em jovens. Nos adultos, 
podem representar a expressão de sentimentos e sensações sexuais 
reprimidas. 
 
A pele humana é tipicamente quente quando as pessoas estão 
emocionalmente excitadas e fria quando deprimidas. O contato físico 
significa proximidade, pois quando duas pessoas se tocam acontece, 
inevitavelmente, uma experiência recíproca. Tocar, muito mais do que 
chamar pelo nome da pessoa, reduz distância social, estabelece 
relacionamento amistoso imediato e frequentemente constitui 
declaração de identificação e intimidade. Porém, qualquer toque 
acidental ou desnecessário, mesmo em uma pessoa bastante 
conhecida, pode ser considerado incômodo ou, até mesmo inaceitável, 
em determinadas sociedades tidas como menos interativas e mais 
formais. 
 
O Brasil, país de população considerada extremamente tátil, possui 
uma tribo indígena no interior do Mato Grosso do Sul que pertence à 
etnia “Caingangue”. Na cultura dessa tribo, as crianças recebem 
quantidade de atenção dos adultos acima da média e podem sempre 
contar com alguém para lhes dar carinho e colo. Mesmo quando 
crescidas, dormem juntas e em bando, pelo mero prazer do contato 
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tátil. Os “Caingangues” dormem com rostos encostados, braços 
entrelaçados e perna passada por cima da outra, dando a impressão 
equivocada de amantes. Na verdade, estão dando vazão à necessidade 
de contato físico, fortemente estimulado por aquela cultura indígena 
desde o nascimento. 
 
Normas de contato físico desenvolvidas nas sociedades modernas 
são influenciadas por dois fatores: a região do corpo em que é tocada e 
as variáveis demográficas que diferenciam uma pessoa da outra, como 
gênero, raça, idade, status e cultura. Tocar a cabeça, ombros e braços 
são frequentemente movimentos corporais mais aceitáveis do que 
toques outras partes do corpo, como perna, cintura ou tórax. 
 
O relacionamento e o grau de afeto das pessoas, suas expectativas 
de interação e o contexto influenciam o nível de toques interpessoais. 
Na maioria das vezes, homens são relutantes em tocar ou serem 
tocados por outros homens em virtude da masculinidade e pelas 
conotações homossexuais socialmente atribuídas quando pessoas do 
mesmo sexo se tocam. Verifica-se que na relação homem-mulher, 
independentemente do nível de afeição, possui a maior quantidade de 
toques. 
 
 
 
 
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6- Olfática: o cheiro humano 
como forma de comunicação 
não verbal 
 
●∞● 
 
 
Olfática é a forma de comunicação não verbal que analisa os sinais 
transmitidos pelas substâncias químicas responsáveis pela formação dos 
aromas no corpo humano. Assim como os olhos são os canais 
presenciais da Oculésica, na Olfática essa função é atribuída aos 
feromônios. 
 
As pessoas subestimam a importância do nariz como receptor de 
mensagens. São relutantes em perceber o aroma umas das outras e 
pouco falam sobre cheiro humano. As pessoas, além de suprirem o 
olfato como sentido por fazerem parte de sociedades desodorizadas, 
ocultam os aromas naturais pelas fragrâncias industrializadas. Com 
isso, tentam se livrar dos cheiros biológicos, geralmente considerados 
como menos atrativos que fragrâncias. Isso acontece porque as pessoas, 
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além de viverem em sociedades que conscientemente desprezam o 
aroma natural, desconfiam dos prazeres do olfato em virtude da 
tendência sensual atribuída a este tipo de percepção. Porém, nem todas 
as culturas são avessas à sensação do cheiro biológico do ser humano. 
Os árabes, por exemplo, reconhecem a relação entre a disposição 
pessoal e o aroma natural. Os norte-americanos, por outro lado, são 
ensinados desde a infância a não respirar perto do rosto das pessoas 
por esse ato ser considerado descortês e deselegante. 
 
O sistema olfativo é considerado órgão de sentido menos 
importante e muitas pessoas vivem sem grandes problemas na ausência 
dessa função. Em comparação com outros animais, o ser humano possui 
olfato pouco desenvolvido. Cachorros, por exemplo, têm capacidade 
três vezes maior. Tal fato se explicada porque 971 genes receptores de 
aromas estão espalhados pelas mucosas nasais desses animais. Se as 
pessoas fossem dotadas de narizes mais apurados, estariam sujeitas às 
variações emocionais permanentes daquelas que estão ao seu redor. 
Seriam capazes de descobrir, por exemplo, a ocorrência do ciclo 
menstrual à distância ou a irritação de alguém sem que isso 
necessariamente fosse expresso por atitudes mais explícitas. 
 
Aromas desagradáveis, provenientes da halitose, bromidrose (tipo 
de sudorese produzida na região axilar) e até mesmo da indumentária, 
dificultam o contato e, consequentemente, a comunicação. Por outro 
lado, cheiros agradáveis, obviamente, induzem a interação. Pessoas 
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tendem a conversar mais com aquelas que as atraem pelo cheiro, 
algumas vezes de forma pouco ou nada consciente. Além disso, o ser 
humano, em comportamento semelhante aos dos animais irracionais, 
identifica dicas aromáticas que sejam diferentes às produzidas pelo 
próprio organismo para selecionar parceiros sexuais. Um das 
características favoráveis à atratividade física é a posse de cheiros 
agradáveis opostos, sejam esses naturais ou industrializados. 
 
Os seres humanos comunicam-se, também, por meio dos 
feromônios. Prova disso é a percepção da circunstância quando uma 
pessoa de gênero compatível à orientação sexual se aproxima e gera a 
sensação de magnetismo instintivo, sem que quaisquer palavras ou 
sinais mais visíveis sejam expressos. Os feromônios são classes de 
substâncias químicas que extraem comportamentos estereotipados e 
são capazes de gerar respostas neuroendócrinas. Tais substâncias se 
dividem em duas categorias: 
 
• Feromônios primários: induzem mudanças comportamentais e 
estados endócrinos de longa duração, como a sincronia menstrual. 
• Feromônios liberadores: induzem comportamentos imediatos, 
como por exemplo, a atração sexual. Ambas as categorias podem ser 
encontradas nas secreções salivares, sudoríparas e genitais como 
também em pelos e cabelos. 
 
A palavra “feromônio” provém dos termos gregos pherein e hormon, 
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que significam respectivamente transportar e estimular. Esse conjunto 
de substâncias é produzido pelas glândulas apócrinas, responsáveis pelo 
transporte de secreção de gorduras e proteínas das células para as 
secreções e folículos capilares, não necessariamente para a epiderme. 
 
A detecção dos feromônios é a explicação para a química humana, 
considerada como a sensação de atração ou aversão instantânea 
quando duas pessoas se encontram. Da mesma forma que atraem, os 
feromônios são capazes também de promover aversões sociais. Fato 
que remete à explicação dos motivos pelas quais as pessoas não 
gostam de outras sem nem mesmo ter ocorrido qualquer tipo de 
atitude desagradável entre elas. 
 
Tal comportamento é mais facilmente visualizado em animais 
irracionais. Cachorros, por exemplo, se estranham abruptamente ao se 
encontrarem por conta da aversão gerada pelos feromônios. O mesmo 
ocorre com os animais racionais, porém de forma geralmente mais 
polida que cachorros. Além do cheiro humano, outra explicação para a 
aversão social é explicada pela contradição na troca de sinais não 
verbais como expressões faciais, tonalidade vocal, atratividade física, 
formas de gesticulação, postura e indumentária. As convicções que 
geram preconceitos também são motivos para as pessoas deixarem de 
gostar uma das outras. Além disso, o ser humano tem uma capacidade 
nata, instintiva e inconsciente de captar o fluxo mental das outras 
pessoas. 
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Dentre os tipos de feromônios produzidos pelos seres humanos, dois 
merecem destaque: 
 
• Androestadienona: está presente nas secreções, como saliva e 
suor. Esse feromônio ativa o hipotálamo, região do cérebro responsável 
pela expressão emocional e comportamento sexual. Ativa também os 
córtexes pré-frontal e temporal superior, além das áreas olfativas. Essas 
partes do cérebro ativam a atenção, percepção visual, reconhecimentoe cognição social. Esse tipo de feromônio também está presente na 
urina e nas fezes, o que explica comportamentos tidos como 
patológicos em alguns seres humanos que se sentem atraídos por tais 
secreções durante atos sexuais. 
• Antigene leucocite: é um feromônio que distingue o cheiro 
individual dos seres humanos. As pessoas preferem aquelas que 
possuem feromônios diferentes. A detecção do “Antigene leucocite” 
tem sido proposta para explicar o motivo pelo qual as pessoas sentem 
atração ou aversão. 
 
Esses dois tipos de feromônios são importantes devido ao poder de 
atração que exercem nas pessoas. São exatamente essas duas 
substâncias que fazem os seres humanos se sentirem mais confidentes 
e atraídos pelas outras pessoas. A consequência desse comportamento 
é verificada na predisposição para estabelecer a comunicação 
interpessoal. 
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Por muito tempo duvidou-se da existência dos feromônios nos seres 
humanos. A suspeita de que pessoas possuíam feromônios assim como 
os animais irracionais se deu a partir da observação da sincronia no ciclo 
menstrual quando duas mulheres vivem na mesma casa. Somente em 
1998, as médicas Martha McClintock e Kathleen Stern conduziram 
estudo na Universidade da Califórnia e comprovaram as suspeitas da 
existência dessas substâncias químicas em humanos. 
 
Como havia sugestões de que feromônios eram associados às 
secreções sudoríparas, elas coletaram o suor de uma mulher e aplicou 
no lábio superior de outra. A mulher, ao receber a aplicação da 
secreção, teve o ciclo menstrual alterado. O estudo provou, mesmo 
para os mais céticos, a existência dos feromônios pela capacidade dessa 
substância alterar o comportamento funcional do organismo. 
 
O experimento ainda conclui que os efeitos dos feromônios nas 
pessoas estão diretamente relacionados aos contextos social e 
psicológico. Os efeitos dessas substâncias podem ser aumentados ou 
diminuídos conforme a interação social e o estado psicológico dos seres 
humanos. Uma vez estimulados, os feromônios afetam o cérebro e 
alteram comportamentos. Qualquer produto industrializado que 
reivindique a presença dessas substâncias nas fórmulas preparadas para 
aumentar a atração interpessoal deve ser desconsiderado. 
 
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O sistema olfativo está estritamente ligado ao sistema gustativo. Tal 
fato é facilmente constatado em resfriados fortes, quando as narinas 
ficam excessivamente congestionadas e as pessoas deixam de perceber 
o sabor característico dos alimentos. 
 
O paladar é responsável por quatro sabores essenciais: amargo, 
azedo, doce e salgado. Outras variações, como por exemplo, o sabor 
picante, são essencialmente olfatórias. Em comparação, enquanto o 
paladar poderia ser traduzido nas notas musicais o olfato representaria 
a diversidade possível dos sons. Em virtude dessa relação, pode-se 
afirmar que o ser humano também se comunica pelo paladar. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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7 – Proxêmica: o espaço 
interpessoal como forma de 
comunicação 
 
●∞● 
 
 
Proxêmica é a análise do espaço pessoal e da distância interpessoal 
como forma de mensagem não verbal corporal no processo de 
comunicação face-a-face. A distância que uma pessoa utiliza em 
relação à outra emite significados. A maneira com que cada pessoa 
utiliza o espaço físico influencia o comportamento e consequentemente 
a interação social. O comportamento proxêmico se distingue em três 
aspectos: territorialidade, espaço pessoal e orientação corporal. 
 
Territorialidade é a área geográfica sobre a qual as pessoas 
reivindicam direitos pela forma de acesso, ocupação ou utilização por 
período de tempo. Envolve conceitos de anonimato, privacidade e 
reserva. 
Os espaços pessoais são as distâncias que os seres humanos mantêm 
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um do outro durante a interação social. Esses espaços variam do toque 
ao alcance da visão e o uso deles depende de fatores culturais, de 
gênero, idade, status, tema da conversação, nível de intimidade e 
características físicas. Tais espaços implicam no nível de conforto que as 
pessoas sentem sobre o encontro e em suas atitudes interpessoais. 
 
Os espaços existentes entre duas pessoas que se falam indicam 
níveis de intimidade ou envolvimento. Em sociedades consideradas 
muito táteis, como a brasileira, há tendência da diminuição dos espaços 
pessoais. Mulheres têm áreas menores e chegam mais perto daquelas 
pessoas com quem interagem. Em ocasiões sociais, elas 
frequentemente sentam mais próximas de outras mulheres que de 
homens. Porém, em circunstâncias de desconforto ou ameaça, homens 
ficam mais próximos que as mulheres independentemente do gênero 
em questão. Pessoas introvertidas, competitivas e ansiosas geralmente 
reivindicam espaços interpessoais maiores. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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 Edward Hall em “A dimensão escondida” 
 
Em média, o espaço íntimo abrange 0,5 metros, enquanto o pessoal 
e o social avançam, respectivamente, a 1,2m e 3 metros. 
 
 
 
Quando o tópico da conversação não agrada ou intimida, as pessoas 
geralmente aumentama distância pessoal, dão passos para trás ou se se 
encostam à cadeira em que estão sentadas. 
 
As características físicas são determinantes para quantificar do 
tamanho exato dos espaços pessoais. Pessoas mais altas, com braços 
maiores, terão, consequentemente, espaços expandidos em 
comparação com pessoas de estaturas menores. 
 
Já a orientação corporal refere-se aos ângulos formados pela 
disposição do corpo quando as pessoas se interagem. Cabeça e tronco 
no mesmo sentido de direção indicam o grau de acordo, 
agradabilidade da conversa e nível de intimidade. Cabeça e tronco em 
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sentidos diferentes indicam menor interesse pelo processo 
comunicativo. O ângulo formado pelo corpo é sinal para indicar 
inclusão ou exclusão de uma pessoa na conversação. 
 
A orientação do corpo refere-se também à localização em que é 
situado no contexto comunicativo. Conforme o lugar ocupado no 
ambiente, o corpo expressa receptividade social, cooperação, coação, 
competividade ou aversão interpessoal. 
 
Estudos já foram produzidos para analisar o comportamento 
humano em decorrência do lugar que ocupa nos espaços físicos. Foi 
pedido para duas pessoas se posicionarem numa mesa retangular e 
escolherem qualquer uma das seis cadeiras para se sentarem, com base 
em quatro circunstâncias. 
 
A pessoa deveria se sentar para interagir, cooperar, constranger e 
competir com um amigo do mesmo sexo. Foram utilizadas várias duplas 
diferentes para as quatro situações. O resultado do estudo, mostrado 
na figura abaixo, indica que o melhor posicionamento para 
conversações é o formado por um ângulo de 90° entre duas pessoas 
ou naquela circunstância em que as pessoas estão frente-a-frente, de 
lados opostos. Posições adotadas lado-a-lado foram consideradas as 
mais indicadas para atitudes cooperativas. 
 
O estudo ainda constatou que interação face-a-face pode carregar 
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entonações de competição quando as pessoas escolhem as posições 
opostas e mais distantes na mesa. Ao mesmo tempo, pessoas tendem 
a se sentarem transversalmente em lados opostos quando estão em 
ações de constrangimento. As posições mais escolhidas pelas pessoas 
ao se sentarem, conforme natureza das circunstâncias de interação, 
estão indicadas na ilustração a seguir: 
 
 
 Edward Hall em “As dimensões escondidas” 
 
Posições escolhidas para situações de conversação (1ª e 2ª mesas), cooperação (3ª mesa), 
coação (4ª mesa) e competição (4ª mesa). 
 
 
O local escolhido para se sentar encoraja ou desestimula a 
interação. Posições sociopetais são consideradas aquelas em que as 
disposições dos lugares para se sentar facilitam as relações 
interpessoais. O contrário é chamado de posições sociofugais. A forma 
com que qualquer tipo de assento é ordenado produz efeito 
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interacional no comportamento humano. O padrão sociopetal torna o 
intercâmbio mais aberto e compartilhado. Por outro lado, as variantes 
sociofugais podem ser mais ajustadas se a intenção da pessoa é 
dominar o contexto e usar comunicação de via única. As relações entre 
disposição de assentos e estímulos à interação em grupo estão 
indicadas na ilustração a seguir: 
 
 
 
 Edward Hall em “As dimensões escondidas” 
 
A posição sociopetal estimula o nível de interação. 
 
 
O uso dos espaços pessoais e a disposição corporal variam conforme 
o perfil psicológico. Pessoas extrovertidas, ao contrário das 
introvertidas, têm espaços interpessoais menores. Numa biblioteca, 
por exemplo, a pessoa introvertida ou a que quer ficar sozinha, 
geralmente escolhe a última cadeira na ponta de uma mesa retangular. 
A pessoa extrovertida ou aquela que quer encorajar a aproximação 
senta-se em uma cadeira disponibilizada no meio da mesa. 
 
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A posição relativa que uma pessoa escolhe também pode comunicar 
nível de status. Líderes de grupo, pessoas com tendência de liderança 
ou projeção tendem a se dirigir para as cadeiras dispostas nas 
extremidades de mesas retangulares. 
 
Quando um grupo de pessoas se reúne, cada um experimenta a 
posição no grupo por intermédio do lugar que ocupa. Ao escolher certa 
distância, a pessoa indica o grau de intimidade que deseja. Ao escolher 
o lugar principal, por exemplo, ela demonstra o papel de maior 
protagonismo na interação social em grupo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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8 – Cronêmica: a 
percepção e relação do 
tempo como significados 
comunicativos 
 
●∞● 
 
 
Cronêmica é a análise da interpretação das mensagens não verbais 
derivadas da percepção e relação das pessoas com o tempo. Trata-se de 
estudo sobre o uso e significado do tempo na interação social. As 
formas pessoais de manipulação do tempo transmitem significados. A 
formação da palavra Cronêmica baseia-se em “chronos”, mito 
considerado como a personificação do tempo nos trabalhos filosóficos 
pré-socráticos. 
 
A definição de tempo é variada, controversa e abstrata. Tempo pode 
ser a quantidade lineare sucessiva de instantes. Porém, tal conceito 
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remete ao questionamento de instantes. Se tempo é o conjunto de 
instantes, é necessário aplicar sentido para a tal palavra antes de 
arriscar a definição do que é tempo. Instantes podem ser considerados 
como componentes de duração. Duração, aliás, remete imediatamente 
a pensar que se trata de um período de tempo. Como se verifica, definir 
tempo é tarefa difícil. Filósofos e cientistas não são consensuais com 
relação ao conceito de tempo. Enquanto Aristóteles conceitua tempo 
como a medida de mudanças, René Descartes considera-o como o 
processo de recriação. Immanuel Kant avalia que tempo é a projeção 
mental baseada em estruturas matemáticas. O físico inglês Isaac 
Barrow rejeitou as concepções de Aristóteles ao afirmar que tempo é 
algo que existe independentemente de mudanças, já que essas podem 
ocorrer de forma lenta ou rápida. O físico, matemático e astrônomo 
Isaac Newton definiu tempo como substância imaterial formada por 
conjuntos de eventos. Albert Einstein, com a Teoria da Relatividade, 
considerou o tempo como a quarta dimensão do Universo. 
Independentemente do conceito mais adequado, é possível afirmar que 
o tempo pode ser denominado em: 
 
• Tempo físico: dimensão geométrica que define períodos em 
milênios, séculos, gerações, décadas, anos, meses, dias, horas, minutos, 
segundos, entre outras unidades. 
• Tempo biológico: ritmo cíclico que governa comportamentos 
celulares 
• Tempo psicológico: processo mental em que a mesma duração de 
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tempo é percebida de diferentes formas. Os impulsos nervosos 
produzidos pelos estímulos fazem as pessoas apresentarem velocidades 
variáveis da noção de tempo. 
 
O tempo recebe tratamento diferenciado conforme a sociedade em 
questão. Nas culturas latinas, por exemplo, o tempo é visto como 
fenômeno cíclico. O conceito de tempo nessas sociedades é casual. Os 
níveis de ansiedade são menores e, passado e futuro são integrados 
pacificamente ao presente. Em outras sociedades, como a inglesa ou 
norte-americana, o tempo é operado de forma linear. Nessas culturas, 
dá-se importância para às informações técnicas e factuais para o 
cumprimento de exigências. Pontualidade, por exemplo, é seguida 
com rigor por ser considerada ato de civilidade e boas maneiras. A 
forma com que o tempo é dividido, seja esse tratado de forma linear ou 
circular, baseia-se em três categorias: 
 
• Tempo técnico: divisão precisa do tempo, como os nano segundos. 
• Tempo formal: são as unidades de medida do tempo físico, como 
minutos, horas, dias, entre outras. 
• Tempo informal: é representado por expressões que definem 
períodos imprecisos como “até logo”, “daqui a pouco” ou “mais tarde”. 
Esses termos geralmente causam dificuldades comunicativas por serem 
arbitrários e significarem diferentes conceitos e percepções. 
 
Tempo, como ferramenta de comunicação, indica signif icados muitas 
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vezes incompreendidos. O fato se dá em virtude da percepção do 
tempo. As pessoas mantêm relações de formas diferentes com o tempo 
e essa característica possibilita dividi-las em dois grupos: 
 
• Monocrômicas: pessoas que percebem o tempo rigorosamente 
fazem somente uma atividade por vez e de forma concentrada, além de 
cumprirem prazos e compromissos com pontualidade. Para elas, tempo 
é precioso e mais importante que relações sociais ou conteúdo. 
• Policrômicas: pessoas que percebem o tempo mais 
distraidamente. Fazem muitas atividades ao mesmo tempo, cumprem 
prazos e compromissos se possíveis e mudam planos frequentemente, 
sem se sentirem culpadas ou obrigadas a se desculparem. Para elas, 
tempo é comodidade, pode ser gerenciado e considerado menos 
importante que relações sociais ou conteúdo. 
 
Pontualidade é uma mensagem não verbal que pode medir a 
importância de pessoas ou circunstâncias. Pessoas que estão 
atrasadas podem expressar, não verbalmente, desinteresse, 
desorganização e vez ou outra, algum incidente. 
 
A forma como se lida com o tempo também expressa consciência 
de status. O poder das pessoas pode ser medido conforme a autoridade 
que elas têm sobre o próprio tempo. Pessoas em altas posições de 
comando têm a luxúria de decidir o horário de compromissos e ainda 
chegarem atrasadas. Esperar, como consequência da forma como o 
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tempo é usado, também indica nível de status. A importância de uma 
pessoa é medida conforme o tempo que ela espera por outra. Quanto 
maior o prestígio de alguém, mais tempo ela será aguardada 
pacientemente. Médicos geralmente usam esse tipo de mensagem não 
verbal para indicar a importância deles aos pacientes. Consideram que a 
credibilidade e a reputação profissional podem ser indicadas pelo uso 
que fazem do tempo dos pacientes. Em muitos casos, pessoas valem o 
que elas esperam. As regras e princípios que governam o ato de esperar 
são parte da linguagem silenciosa da cultura, raramente expressa, mas 
com significado maior que palavras. 
 
O tempo, independentemente das mensagens não verbais que pode 
oferecer à interpretação humana, é uma experiência que nada nem 
ninguém podem deter, retardar ou acelerar. Tudo o que começa vai 
surgir ou nascer, existir ou viver, acabar ou morrer ao longo do tempo. 
O tempo, apesar de tão recorrente a todos os seres vivos e inanimados, 
é dificilmente explicável em palavras por ser invisível e abstrato. Santo 
Agostinho, o filósofo do Cristianismo, não quis se arriscar na definição 
de tempo. Na obra Confissões, ele cita: “quando me perguntam o que é 
o tempo, eu simplesmente digo: adoraria saber”. 
 
 
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9 – Aparência física: 
características corporais 
como fontes de mensagens 
não verbais 
 
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Aparência comunica significados. A forma, tamanho e peso 
corporais, cor e estilo do cabelo, roupa e acessórios indicam etnia, 
gênero, idade, ocupação, status e hábitos sociais. As características 
físicas, como aspectos de mensagens não verbais, conduzem sinais de 
atratividade, inteligência, persuasão, confiança, extroversão. 
 
 
9.1 - As mensagens transmitidas por meio do vestuário 
 
O corpo também envia sinais não verbais pelas extensões. Roupas e 
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artefatos como relógios, bolsas, óculos, joias, bonés e calçados fazem 
parte da indumentária e emitem mensagens. As características do 
vestuário indicam gênero, idade, personalidade, status, ocupação 
profissional, disponibilidade sexual, estado emocional e afiliação 
religiosa. 
 
Os primeiros seres humanos se vestiram com materiais naturais 
como fibras vegetais e couro de animais. Naquela época, o vestuário 
também indicava status. Quanto maior e melhor o couro derivado da 
caça que era exposto na entrada das cavernas para o preparo das 
roupas, mais força e poder eram demonstrados. A indumentária evoluiu 
com a sociedade, mas o significado de status se manteve. 
 
Todas as culturas usam a indumentária para distinguir classes sociais. 
As pessoas emitem julgamentos a respeito da importância das outras 
baseadas, principalmente, na qualidade e beleza do que vestem. A 
diferença constatada na vestimenta induz as pessoas a tratar outras de 
maneiras desiguais. 
 
As pessoas colocam roupas pelas mesmas razões porque falam: 
para tornar a vida mais fácil, anunciar ou disfarçar a identidade, além 
de estimular a atração sexual. A função do vestuário também tem o 
propósito de tornar a pessoa mais confiante de si mesma, a fim de que 
possa se julgar apta para atrair sexualmente. Enquanto homens 
geralmente usam roupa para indicar status, as mulheres tendem a 
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fazer uso do vestuário para atrair. 
 
Indumentária reflete ainda a atividade profissional que a pessoa 
desenvolve. Médicos, bombeiros e executivos usam padrões de 
indumentária que possibilitam identificá-los imediatamente. O estilo de 
roupa e determinados acessórios ainda indicam a afiliação étnica e 
religiosa ou mesmo a condição civil. Tecidos coloridos usados na cabeça 
por afrodescendentes e hábitos utilizados por padres e freiras sinalizam 
suas agremiações. Anéis na mão direita ou esquerda indicam o estado 
marital. O cabelo, extensão do corpo carregada de significados, 
também expressa mensagens conforme o corte, a cor, o acessório 
utilizado e a forma do penteado. O colarinho aberto de uma camisa 
com a gravata afrouxada pode significar informalidade ou displicência. 
Se usado com o colarinho fechado e gravata devidamente posicionada 
pode representar sentido contrário. 
 
As cores da indumentária enviam mensagens, apesar de 
carregarem significados diferentes conforme a cultura social. No 
Brasil, vermelho representa sedução, paixão e senso de autoestima. 
Amarelo indica alegria, verde esperança, branco paz e preto simboliza 
luto, introspecção e elegância. Roupas azuis ou rosas são associadas à 
masculinidade e feminilidade. Tal significado de azul e rosa foi adotado 
na França do século XIX e somente por volta de 1920 tornou-se comum 
em outros países. 
 
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O formato das roupas pode indicar modéstia e disponibilidade 
sexual. Quanto menor ou mais justo for o corte, maior a evidência 
corporal e consequentemente a intenção de atrair parceria sexual. Por 
exemplo, as mulçumanas se vestem com burcas para proclamar a 
condição de mulheres respeitáveis. Mulheres ocidentais exageram na 
maquiagem e economia de uso de roupas para demonstrarem 
receptividade e intenções sexuais. Os efeitos da atração física pela 
indumentária são mais enfatizados em situações em que há pouca 
oportunidade para interagir com a pessoa-alvo da sedução por período 
extenso. A atratividade física com o uso de roupas, embora 
inicialmente importante, perde importância para habilidades sociais 
como expressões faciais, fala e fluência gestual nas interações de 
longo prazo. 
 
 
9.2: A beleza física como atributo de comunicação 
 
 
O maior atributo da aparência física é a beleza. Pessoas 
consideradas bonitas possuem vantagem no processo de 
comunicação, pois atraem e retêm atenção para si com mais 
facilidade. Tendencialmente têm maiores possibilidades de ganhar 
discussões e convencer, pois o ser humano é naturalmente 
condicionado ao belo. Assim, a beleza é considerada elemento tanto 
complementar como funcional no processo de comunicação 
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interpessoal. 
 
O conceito de belo é definido pelas ideias simétricas e harmoniosas 
de ordem, medida e proporção que excita as pessoas no senso comum 
ou individual. Platão cita que o belo é perfeito, absoluto e atemporal. 
Aristóteles também reconhece esses componentes e acrescenta que 
belo é qualquer elemento que agrada os sentidos da visão e da audição. 
Kant, ao analisar o sublime como a expressão máxima do belo, explica 
que beleza é o estado mental derivado do julgamento do gosto. 
 
 Ao afirmar que belo é proveniente do julgamento, Kant fundamenta 
de que a beleza está na mente de quem a contempla. Esse raciocínio 
possibilita assegurar que subjetividade do conceito de beleza. O que é 
belo para uma pessoa pode ser feio para outra. Para o filósofo Santo 
Agostinho, a beleza é sinônima de formas geométricas equilibradas. Em 
“Confissões”, obra na qual narra a própria conversão após tempos de 
perversão, ele fez do belo um objeto de culto: “Nós não amamos a não 
ser a beleza”. Ainda afirma na obra que o belo surge com a existência de 
empatia e projeção sentimental e que a beleza é produto da percepção 
mental. 
 
A beleza das pessoas significa uma estruturada constituição da face , 
corpo, comportamento e caráter. O padrão da beleza humana varia 
conforme a época e a sociedade. Na antiguidade, a beleza era 
relacionada às funções reprodutoras. Mulheres de quadris largos que 
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simbolizavam esse desempenho biológico da espécie eram consideradas 
mais belas. Naquela época, a gordura também tinha significado estético 
favorável. 
 
Além de beleza, gordura simbolizava status social por denotar 
excesso de recursos financeiros. Entre índios, o conceito de pele branca 
é sinônimo de feiura. Por conta da subjetividade, é impossível 
padronizar normas absolutas para o que é belo e o que é feio. 
 
 A beleza do ser humano é relativa e suas formas concretas de 
manifestação são determinadas por traços nacionais, étnicos ou de 
classe. A transição de épocas, a formação, o desenvolvimento de novas 
relações sociais e outros entendimentos éticos transformam as 
concepções estéticas das pessoas. O belo é historicamente 
condicionado e historicamente mutável. 
 
Aspectos do julgamento da beleza podem ser influenciados pela 
cultura e pela história individual, mas na sociedade moderna, traços 
geométricos de um rosto dão origem à percepção do belo. A face 
humana é considerada bonita, assim como o corpo, quando apresentam 
partes correspondentes em suas proporções. 
 
 Nancy Etcoff, psicóloga da Universidade de Harvard e autora da 
obra “A lei do mais belo: a ciência da Beleza” propõe no livro a divisão 
da face em três partes: do couro cabeludo às sobrancelhas, das 
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sobrancelhas à ponta do nariz e do nariz ao queixo. Para a psicóloga, se 
o tamanho desses espaços divididos for simétrico, tem-se então uma 
face humana bonita. Ela ainda acrescenta quatro características para a 
face ser considerada bela. A primeira delas é que a comprimento das 
orelhas deve ser igual ao comprimento do nariz. A segunda refere-se à 
distância entre os olhos e à largura do nariz, que deve ser equivalente. 
A terceira relaciona-se à base da orelha, a qual deve estar na mesma 
linha da ponta do nariz. Por fim, completa que a face humana bonita 
deve ter pele sem manchas, além de cabelos sedosos e brilhantes. 
 
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Simetria facial é utilizada por estudiosos para definir 
rostos bonitos, diante da subjetividade do conceito de beleza. 
 
O Homem Vitruviano, desenho de Leonardo da Vinci feito em 1492, 
é a representação do corpo proporcional, portanto, considerado belo e 
perfeito. A imagem fornece o modelo perfeito da proporção corporal, 
concentrada na razão matemática Pi. O termo Pi, ou Phi, provém de 
Phidias, o escultor grego que concebeu as esculturas de Parthenon. Pi é 
o nome dado à divisão de uma linha ou figura na qual a razão da seção 
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menor para a maior é a mesma da maior para o todo e igual a 1:1,618. 
 
Alguns exemplos de proporção demonstrados pelo desenho são: a) o 
cumprimento dos braços abertos é equivalente ao peso; b) a altura é o 
mesmo que quatro antebraços; c) um palmo é a largura de quatro 
dedos. Mesmo sido produzido no período renascentista, o Homem 
Vitruviano ainda é símbolo atual da simetria básica do corpo, da 
perfeição e da beleza das formas. 
 
Há estudiosos que rejeitam a existência de regras e medidas 
objetivas para determinar o que é belo. Medidas harmônicas, 
simétricas e perfeitas, em suas totalidades, são raramente 
encontradas nos seres humanos. Esses sistemas falham ao tentar 
padronizar a beleza, que pode, inclusive, se originar em medidas 
caóticas. Os critérios podem ser relacionados mais com a biologia do 
que propriamente com números ou divisões ideais. 
 
A beleza, apesar de tudo, tem desvantagens, é injusta e 
extremamente perturbadora. O belo revela pouco sobre inteligência, 
caráter, senso de humor ou estabilidade emocional. Pessoas bonitas 
tendem a ser percebidas como menos fiéis. Mulheres belas podem ser 
julgadas como mães desatentas. Homens bonitos são menos rudes. 
Pessoas com boa aparência física são alvo frequente de erotização 
alheia. 
 
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O culto da aparência gera preconceito, embora negado. É comum 
deparar-se com pessoas que se recusam admitir a importância da 
aparência. Porém, todo especialista em Marketing tem consciência de 
que a imagem é tão importante quanto o produto. Pessoas bonitas são 
tratadas preferencialmente. Fazem amigos e encontram parceiros 
sexuais com mais facilidade. Têm chances maiores de conseguir 
cooperação, seja de desconhecidos ou conhecidos. Mães de bebês 
considerados bonitos os encaram mais nos olhos quando comparadas 
com outras de filhos menos atraentes. A beleza é, definitivamente, 
uma vantagem em todas as esferas da vida. Mas nem por conta de 
tantos privilégios, a beleza causa mais felicidade. 
 
“Felicidade está mais relacionada com qualidades pessoais 
como otimismo, senso de controle, autoestima, capacidade de 
tolerar frustração e sentimentos de conforto e afeição” - Immanuel 
Kant, na obra “Crítica da faculdade do juízo”. 
 
O auge da beleza é passageiro e ocorre na juventude. Apesar de 
alegações de que beleza não tem idade, há uma fase preferida para ela. 
Ao se aproximarem dos trinta anos, as pessoas atingem o ápice de 
beleza física, força e virtude. A beleza extrema é rara e quase sempre é 
encontrada, quando existe, nas pessoas antes de completarem 35 
anos, afirma Nancy Etcoff, psicóloga do Departamento Médico da 
Harvard University no artigo científico “Survival of the prettiest” . 
 
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O amor pelabeleza produz nas pessoas a necessidade de desejá-la. A 
beleza emociona, seduz e produz sensação de prazer. Ao mesmo 
tempo, o belo também pode causar distração. Tal distração, no 
processo comunicacional, é capaz de ocasionar a perda de parte dos 
significados das mensagens trocadas. 
 
Nesse caso, a capacidade de sedução da beleza torna-se, ao invés de 
ferramenta, forte ruído de comunicação interpessoal. Apesar dessa 
ambiguidade, a beleza é considerada instrumento prático no processo 
comunicacional. Ela atrai a atenção mais que distrai. Induz a interação, 
influencia favoravelmente os julgamentos, provoca prazer, exerce 
autoridade e é extraordinariamente impressiva. A aparência, por ser a 
parte mais pública das pessoas, ocupa lugar de destaque nas relações 
humanas. Se a aparência é considerada bonita, as emoções, as 
percepções e os comportamentos humanos serão percebidos como 
mais positivos. A beleza é uma força social tão potente quanto raça e 
sexo. Pessoas bonitas tendem a ganhar discussões e convencer os 
outros de suas opiniões. Além da presença de aparência física, o 
conceito de belo pode estar contido nas mensagens não verbais. Vozes 
adequadas, capacidades de expressões verbais, gestos afinados, 
postura acertada, cheiro agradável e roupas apropriadas são 
características consideradas bonitas, além de contribuírem para atrair 
e reter atenção. Quando esses sinais são expressos de forma harmônica 
refletem funcionalidade e exercem efeitos positivos no processo de 
comunicação interpessoal. 
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10 – Conclusão 
 
●∞● 
 
 
A linguagem corporal é a expressão do estado físico e mental dos 
seres humanos. Emitida - na maioria das vezes - de forma inconsciente, 
revela sentimentos e percepções de forma sincera e sobrepõe-se aos 
significados da comunicação verbal. É surpreendente constatar que 
93% do processo de comunicação interpessoal são atribuídos às 
mensagens geradas pelos movimentos do corpo e características 
vocais. Tal realidade inquieta porque a maioria das pessoas despreza os 
significados da linguagem corporal ou não presta atenção a esse tipo de 
sinal comunicativo. Como se trata de informações responsáveis pela 
forma com que as pessoas são percebidas, a linguagem corporal é 
capaz de aumentar o nível de atratividade pessoal e a capacidade de 
influenciar outras pessoas. 
 
A decodificação das mensagens não verbais permite compreender o 
que as palavras geralmente não expressam. A observação atenta desses 
sinais possibilita perceber se o processo interativo agrada, se as 
intenções da comunicação são alcançadas e se o estado emocional da 
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pessoa com a qual se comunica está harmonioso. Apesar de 
personalidade, contexto e cultura individualizarem o significado da 
linguagem corporal, tais sinais são fontes confiáveis de informações. 
 As pessoas geralmente se intimidam ao se conscientizarem que 
revelam pensamentos e emoções particulares sem o uso das palavras. 
Para aqueles que se atentam às mensagens não verbais durante 
interações sociais, recomenda-se que contenham o ímpeto de revelar o 
significado dos sinais percebidos. Geralmente, as pessoas sentem-se 
invadidas e consequentemente tornam o processo comunicativo 
menos espontâneo e fluído. 
 
Dentre as diversas formas de mensagens não verbais, a voz exerce 
forte influência na forma como as pessoas são percebidas. O bom 
desempenho vocal supera a beleza física para influenciar e atrair 
pessoas. Vozes graves, no caso de homens, e vozes suaves, no caso de 
mulheres, denotam comunicação sofisticada quando impostas na altura, 
velocidade, articulação e pronúncia ideais. Na ausência de expressão 
vocal, as pessoas concedem silêncio, característica comunicativa 
carregada de significado. O silêncio deve ser cultivado por permitir o 
controle da respiração durante as pausas vocálicas e a organização do 
pensamento. Estudos sobre a linguagem corporal indicam que as 
pessoas deveriam falar menos, escutar mais e consequentemente 
valorizar o silêncio para aumentar as habilidades de comunicação. 
 
Outro meio condutor da linguagem corporal são os olhos. Trata-se 
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das partes mais sensíveis, sinceras e reveladoras da comunicação 
interpessoal face-a-face. É possível constatar o estado emocional e 
informações particulares somente ao observar os olhos com 
profundidade e atenção. Os seres humanos possuem capacidade 
inativa para detectar personalidades e a disposição alheia somente 
com o contato visual. A melhor maneira de estabelecer conexão com 
outra pessoa é por meio do olhar parcial-direto. Ou seja, olhar nos 
olhos enquanto falamos, portanto, com moderação. 
 
É importante mirar no olho durante as interações sociais. Além de 
demonstrar atenção e apreço, é a oportunidade para verificar o 
tamanho das pupilas e, dessa forma, identificar o nível de emoção e 
interesse da pessoa durante a interação. Tal olhar deve durar até o 
ponto em que o contato não denote ameaça ou incomode a pessoa com 
quem falamos. Adicionalmente, a parcialidade do comportamento 
ocular permite que outros estímulos presentes no contexto de 
comunicação interpessoal sejam captados, desde gesticulações às 
informações gratuitas presentes no ambiente em que se estabelece a 
conversação. 
 
Os movimentos gerados pelo corpo por meio de expressões faciais, 
gestos e postura são responsáveis pela representação pessoal. A face é 
o principal elemento de identificação humana e o canal presencial que 
transmite o estado emocional na maior quantidade. Dentre o conjunto 
de emoções expressadas pela face, o sorriso é um importante recurso 
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................................................................................................................................................................social. Para reconhecer um verdadeiro sorriso, basta observar os 
olhos. As informações emocionais que desencadeiam esse 
comportamento estão muito além do movimento da boca, pois o 
verdadeiro sorriso está nos olhos. 
 
Gestos, como subprodutos da articulação verbal, ilustram, 
substituem ou diminuem a ambiguidade das palavras. Apesar da 
importância dos gestos no processo comunicativo, o excesso desses 
movimentos é considerado ruído de mensagem. A gesticulação ilimitada 
interfere na recepção das mensagens por transferir a atenção da 
informação para os gestos. Por outro lado, a ausência de gestos torna a 
expressão monótona e menos atrativa. O ideal é manter a gesticulação 
equilibrada, com movimentos moderados, que contribuam para a 
ilustração ou substituição da fala. 
 
O olfato também oferece a captação de sinais não verbais durante a 
interação. As pessoas geralmente subestimam a importância do nariz 
como receptor de mensagens. São relutantes em perceber o aroma 
natural uma das outras e quase não falam sobre cheiro humano. As 
pessoas suprem o olfato como sentido por fazerem parte de sociedades 
desodorizadas biologicamente. Os feromônios, principal condutor de 
mensagens e, portanto, alvo dos estudos da Olfática, exercem forte 
influência na comunicação interpessoal. Tais substâncias estimulam ou 
desencorajam interações sociais. Fato que remete à explicação parcial 
dos motivos que induzem as pessoas a gostarem ou não uma das 
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................................................................................................................................................................ 
 
outras. Outra explicação para a aversão social é dada pela 
incompatibilidade das mensagens não verbais como expressões 
faciais, tonalidade vocal, atratividade física, formas de gesticulação, 
postura e indumentária. Por fim, as convicções que geram preconceitos 
também é um dos motivos para as pessoas sentirem aversão 
interpessoal, acrescidas da capacidade inconsciente dos seres humanos 
em detectar valores e fluxos mentais apenas ao se aproximar e 
observar outras pessoas. 
 
A pele, outro importante canal condutor de mensagens não verbais, 
tem surpreendente capacidade de comunicação. Por meio do contato 
físico, as pessoas estabelecem elos, apesar de o toque ser considerado 
tabu por algumas sociedades. Tocar, muito mais do que chamar pelo 
nome da pessoa, reduz distância social, estabelece relacionamento 
amistoso imediato e frequentemente constitui declaração de 
identificação e intimidade. 
 
Ao analisar as características da Proxêmica, estudo da linguagem 
corporal que analisa do posicionamento do corpo durante interações 
sociais, é possível afirmar que a melhor maneira de se estabelecer 
comunicação interpessoal face-a-face é posicionar o corpo frente ao da 
outra pessoa dentro do espaço íntimo ou pessoal-casual. A distância 
interpessoal varia do espaço que vai do corpo ao tamanho estendido do 
braço. Nessa posição é possível visualizar todo o corpo para obtenção 
da totalidade de sinais não verbais, desde a posição dos pés à sensação 
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................................................................................................................................................................ 
 
do cheiro da pessoa com qual se comunica. Quando sentadas, a forma 
mais eficaz de estabelecer interação social é quando duas pessoas 
formam ângulo de 90° ou estão acomodadas frente-a-frente. 
 
A percepção e reação ao tempo emitem significados não verbais. A 
definição de tempo é variada, controversa e abstrata. Tempo pode ser a 
quantidade linear e sucessiva de instantes. Porém, tal conceito remete 
ao questionamento do significado de instantes. Se tempo é o conjunto 
de instantes, é necessário aplicar sentido para essa palavra antes de 
arriscar determinar o que é tempo. Instantes podem ser considerados 
como componentes de duração. Duração, aliás, remete imediatamente 
a pensar que instantes se trata de um período de tempo. 
 
 Vê-se que definir tempo é tarefa difícil. Filósofos e cientistas não 
são consensuais em relação ao conceito de tempo. A forma como as 
pessoas se relacionam com o tempo emite sinais comunicativos de 
status e organização. 
 
A cor, o estilo, o tamanho e a qualidade de tecidos sobre o corpo 
emitem sinais não verbais relacionados à indumentária. A cor e o estilo 
revelam estados emocionais e personalidade. O tamanho e a qualidade 
do tecido sinalizam níveis de disposição sexual e status. O vestuário é 
fonte bastante utilizada para formação e julgamentos e exerce forte 
influência no processo de comunicação interpessoal face-a-face. Os 
seres humanos comunicam de maneira diferente conforme os 
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julgamentos que fazem com relação ao que as pessoas vestem. 
 
A beleza humana é outro atributo de comunicação que exerce forte 
influência durante interações sociais. Pessoas consideradas bonitas, 
além de serem mais bem percebidas, retêm atenção às mensagens 
que emitem e possuem maiores chances de persuasão. O fascínio pela 
beleza produz nas pessoas a necessidade de desejá-la. A beleza 
emociona, seduz e produz sensação de prazer. Ao mesmo tempo, o belo 
também pode causar distração. 
 
Essa distração, no processo comunicacional, é capaz de ocasionar a 
perda de parte dos significados das mensagens trocadas. Nesse caso, a 
capacidade de sedução da beleza torna-se, ao invés de ferramenta, 
forte ruído de comunicação interpessoal. Apesar da ambiguidade, a 
beleza é considerada instrumento prático no processo comunicacional. 
Ela atrai a atenção mais que distrai. Induz a interação, influencia 
favoravelmente os julgamentos, provoca prazer, exerce autoridade e 
impressiona. 
 
 A aparência, por ser a parte mais pública das pessoas, ocupa lugar 
de destaque nas relações humanas. Se a aparência é considerada 
bonita, as emoções, as percepções e os comportamentos humanos 
serão percebidos como mais positivos. A beleza é uma força social tão 
relevante quanto raça e sexo. Pessoas bonitas tendem a ganhar 
discussões e convencer os outros de suas opiniões. 
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Além da presença de aparência física, o conceito de belo pode estar 
contido em outros tipos de mensagens não verbais. Vozes adequadas, 
capacidade de expressão verbal, gestos afinados, postura acertada, 
cheiro agradável e roupas apropriadas são características consideradas 
positivas e contribuempara atrair e reter atenção das pessoas durante 
o processo de comunicação face-a-face. 
 
 
Por fim, o que se aprende com o estudo aprofundado da linguagem 
corporal é a capacidade perceber estados emocionais e decifrar níveis 
de receptividade social sem necessariamente necessitar dos significados 
semânticos da expressão verbais. Conclui-se, portanto, que usar o 
conhecimento sobre os significados da linguagem corporal é uma 
forma sagaz – e ética - de aumentar habilidades relacionais e 
potencializar a força do poder pessoal. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
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11 – Bibliografia 
 
 
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