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Yuri Banov Onishi Cap� 10 | Aspect� gera� d� pacient� � comunicaçã� nã� verba� | Resum� Dalgalarrond� 1)Primeiros minutos de entrevista 2)Aspecto geral do paciente 3) Comunicação não verbal (Ambiente, aparência, proxêmica, movimento, paralinguagem, cultura) 4)Estudos de Leonhard (Comunicação não verbal e psicopatologia) 5) CNV nas principais síndromes e transtornos psicopatológicos (depressão, ansiedade, esquizofrenia, autismo e mania) 6) Semiotécnica do aspecto geral do paciente e da comunicação não verbal (resumão de tudo) 1)Primeiros minutos de entrevista Sandifer, Hordern e Grenn (1970) ● trabalho importante sobre o diagnóstico em saúde mental ● a entrevista em saúde mental não funciona como uma máquina de somar simples, na qual o passar do tempo vai acrescentando informações, em progressão linear ● Os primeiros três minutos da entrevista são extremamente significativos, sendo muitas vezes úteis tanto para a identificação do perfil predominante de sintomas do paciente como para uma primeira formulação da hipótese diagnóstica. ● A primeira impressão que o indivíduo produz no entrevistador é o produto de muitos fatores, como ○ aparência global do paciente, ○ tom de voz, ○ sua face ○ olhar, ○ roupas ○ postura ● A entrevista transcorre em uma espécie de luta para se confirmar ou refutar a avaliação geral inicial, o diagnóstico, a percepção da personalidade que a primeira impressão causou no entrevistador. 2)Aspecto geral do paciente Aspecto global ● expresso pelo corpo ● postura corporal, ● indumentária (roupas, sapatos, etc.), ● acessórios (colares, brincos, piercing, etc.), ● detalhes como maquiagem, ● perfumes, odores, ● marcas corporais (tatuagens, queimaduras, etc.), ● porte e atitudes psicológicas específicas e globais @yuri.studies Yuri Banov Onishi ● A aparência do paciente(vestes, seu olhar, sua postura, gestos) podem, às vezes, revelar muito de seu estado mental interior, sendo um recurso importante para o diagnóstico e para conhecer o indivíduo como pessoa. ● O aspecto geral do paciente que percebemos se relaciona à área denominada “comunicação não verbal”, que examinaremos a seguir. 3) Comunicação não verbal ● o comportamento não verbal (CNV) é verificado por meio ○ mímica da face, ○ olhar, ○ movimentos da boca, ○ postura e do gestual ○ qualidade e do tom da voz, ○ modo de andar e se mexer ○ se vestir e utilizar adereços(jóias, bijuterias) ● informa muito sobre a personalidade e o estado mental das pessoas (Knapp; Hall, 1999) ● A CNV informa de forma mais verdadeira, sintética e expressiva do que a comunicação verbal. ● A comunicação verbal e não verbal ocorrem de forma conjugada, ambos são importantes na comunicação e expressão do quadro psicopatológico ● os estudos de fisiognomia e expressão facial vêm crescendo gradativamente (ver histórico em Courtine; Haroche, 2016) ● Charles Darwin que produziu uma das primeiras e mais originais obras científicas sobre a expressão não verbal das emoções nos homens e nos animais (Darwin, 2009. Ver texto histórico, no original em inglês) ○ CNV em diferentes povos e em animais, expressão de distintos estados emocionais, é apresentada a tese relacionando a evolução humana com a evolução da expressividade gestual nas diferentes espécies. ● CNV muitas vezes é ignorada: nossa cultura ocidental (inclusive a médica e psicológica) se volta sobretudo para a comunicação verbal e os aspectos linguísticos do conhecimento. Para a interação e comunicação humana, as funções básicas do comportamento não verbal são: 1) expressar emoções; 2) apresentar a própria personalidade ao outro 3) acompanhar a fala com a finalidade de controlar a alternância entre os interlocutores, monitorar o tema da conversa e a atenção dos participantes 4) transmitir sinais relacionados às atitudes interpessoais, como afeto/desafeto, dominação/submissão, confiança/desconfiança, ternura/hostilidade, etc. Características da CNV ● Se baseia mais em respostas automáticas e reflexas, sendo menos dependente do que a comunicação verbal de habilidades cognitivas adquiridas. ● Pode estar sobre menos controle intencional ● É considerada um sistema comunicacional mais espontâneo e sincero que o verbal. ● tende a fornecer informações tão valiosas (eventualmente mais valiosas) quanto a comunicação verbal; ● Mente-se mais facilmente com as palavras do que com a expressão facial, corporal e da voz (canais comunicativos dominados apenas por bons atores e por alguns poucos hábeis mentirosos) ● Ela é redundante ○ utiliza múltiplos canais, que se somam ○ utiliza canais faciais, de movimentação das mãos e do corpo, do timbre e volume da voz Yuri Banov Onishi ● Esses múltiplos canais reforçam a mensagem que está sendo passada (por isso a dificuldade de modificá-la intencionalmente!) ● Estima-se que, numa conversa com 2 pessoas, os componentes verbais provavelmente cobrem menos de 35% do significado social da interação; assim, pelo menos 65% do significado social seria transmitido por canais não verbais (Knapp; Hall, 1999) ● Os sinais emitidos por uma pessoa quando em interação com uma ou mais pessoas cobrem amplo leque de sinais visuais, acústicos e, eventualmente, táteis e olfativos, importantes para a CNV. Isso inclui aspectos como (Knapp; Hall, 1999) ○ 1) o ambiente da comunicação no qual ocorre o encontro das pessoas; ○ 2) a aparência física das pessoas em interação; ○ 3) a proxêmica; ○ 4) os vários movimentos corporais ○ 5) a “paralinguagem”. ● Cabe acentuar aqui, em relação a todas as dimensões da CNV listadas, que o histórico cultural dos indivíduos que participam do encontro comunicativo é fundamental 1)Ambiente da comunicação ● a influência do ambiente físico na comunicação humana ● O tipo de ambiente (p. ex., pequeno ou grande, barulhento ou silencioso, escuro ou claro, com muita ou pouca gente, etc.) pode afetar ○ humor das pessoas, ○ expressão corporal, ○ escolha de palavras ○ temas da narrativa 2)Aparência física ● o corpo das pessoas, ● sua forma física, ● altura, peso, cabelos, ● cor e tonalidade da pele, ● tipo de pele (com ou sem alterações dermatológicas), ● beleza ou feiura física. ● Também estão incluídas as roupas, maquiagem, óculos, adereços, acessórios e pertences (como bolsas, mochilas, maletas, pastas executivas, canetas), ● além dos odores emitidos (pelo corpo, pelo hálito, pelos perfumes utilizados). 3)Proxêmica ● utilização e a percepção do espaço que as pessoas estabelecem entre si, ● como elas usam e reagem à disposição espacial em relacionamentos humanos. ● a ocupação do espaço, ● posicionamentos em uma sala relacionados a gênero, ● status, hierarquia, papéis sociais, formação cultural, ● intensão ou recusa a se comunicar e interagir, ● afabilidade ou hostilidade entre as pessoa Yuri Banov Onishi 4)Movimentos do corpo 1.Gestos relacionados à fala 2.Gestos independentes da fala 3.Postura 4.Comportamento tátil 5.Expressões faciais 6.Comportamento ocular Gestos relacionados a fala ● chamados gestos ilustradores ● servem para acentuar ou enfatizar uma palavra, um verbo, substantivo ou adjetivo, ● traçar uma linha de pensamento, descrever uma relação espacial, descrever o ritmo de um evento, descrever uma ação corporal, ● dar ênfase a um adjetivo, verbo ou substantivo, etc ● ex: quando alguém diz “muito grande” e abre os braços e faz um sinal de ampliação com as mãos. Gestos independentes da fala ● Podem substituir palavras ou resumir símbolos, como gestos de adeus, de cumprimento, de aprovação (com o polegar e/ou com a cabeça), de paz, de agressão, intimidação, xingamentos sexuais, etc. ● gestos de autotoque ou manuseamento de objetos, conhecidos como gestos adaptativos. ● movimentos feitos com as mãos, que não servem para dar respaldo à fala (como os gestos ilustrativos), não têm uma função clara (como pegar uma caneta para escrever algo, ou se coçar após ter sido picado por um inseto), mas são movimentos que sinalizam, com frequência, algum nível de ansiedade e tensão ● Ex: alguém que fica passando as mãos nos cabelos enquantofala, como se estivesse se penteando, ou que fica apertando os dedos enquanto fala ou escuta outra pessoa, ou que fica mexendo em uma borracha ou caneta durante a entrevista (Fiquer; Boggio; Gorenstein, 2013). Postura ● Pode indicar o nível de atenção ou envolvimento na interação com outras pessoas, ● A relação hierárquica (postura autoritária, “superior” ou de submissão), ● Grau de empatia pelo outro. ● Indicativa da intensidade de certos estados emocionais, como, por exemplo, quando é tensa, rígida, estando associada à raiva, enquanto a postura curvada é associada à tristeza. ● ex: a inclinação do corpo para a frente, na direção do interlocutor, é associada à maior envolvimento na conversa, maior empatia e, eventualmente, menor status em relação ao parceiro de interação. Comportamento tátil ● O modo como a pessoa dá seu aperto de mão (firme, forte, delicado, muito fraco e “largado”, apertado em demasia, etc.), ● por quanto tempo e de que modo a pessoa abraça o interlocutor, ● como se dá tapinhas nas costas ou na cabeça, se alisa o outro com a mão e o grau de erotização do contato. ● É importante considerar o histórico cultural dos interlocutores (há grupos e ambientes culturais nos quais quase todo toque é praticamente proibido e outros em que é normal e incentivado). ● Na prática clínica em saúde clínica e mental, os profissionais devem ser muito cuidadosos e discretos em relação ao comportamento tátil (é preciso conhecer bem o paciente para saber o que o mínimo toque significa para ele). Yuri Banov Onishi Expressões faciais ● O rosto e as expressões faciais revelam de forma particularmente importante o estado afetivo de uma pessoa. ● O rosto certamente é um lócus primário do afeto. ● Na expressão facial, sobretudo o movimento dos olhos, das sobrancelhas e da região da boca (sorrisos, lábios cerrados, curvatura dos lábios e boca, etc.) revela os afetos básicos: tristeza, raiva, alegria, surpresa, medo e nojo. ● o rubor, a palidez e/ou suor facial são expressões marcantes, em algumas pessoas, de vergonha, raiva, medo, surpresa ou susto. Comportamento ocular ● São os movimentos de corpo, cabeça e olhos que indicam em que direção, quando e por quanto tempo uma pessoa olha para outra ou para objetos do ambiente. ● Na análise do olhar, atenta-se aos movimentos oculares, ao tempo e ao modo como a pessoa fixa seu olhar no interlocutor, ● Assim como à dilatação e à contração das pupilas. ● Darwin (2009, p. 308-309) ○ “as maneiras mais refinadas de demonstrar desprezo ou desdém, abaixando as pálpebras, ou desviando os olhos e o rosto, como se a pessoa desprezada não fosse digna de ser olhada ○ Fúria e nojo, no entanto, continuariam sendo expressos por movimentos ao redor dos lábios e da boca, e os olhos alternavam entre brilhantes e apagados de acordo com o estado da circulação.“ 5.Paralinguagem ● qualidades vocais e vocalizações, latências de respostas, silêncios, pausas que o indivíduo produz ou deixa de produzir na interação humana ao se comunicar verbalmente ● a maneira como se diz algo, ● São as variações sonoras, as mudanças na altura da voz, sua intensidade, assim como os silêncios produzidos, as pausas entre as palavras, o modo de articulá-las ● A paralinguagem inclui a prosódia, ou seja, canto, entonação, inflexões da linguagem falada ○ intensidade dos sons (forte ou fraco), ○ sua frequência (agudos ou graves) ○ e a duração de cada um deles ● A paralinguagem abarca também sons intrusos na fala (como humm! ahá! ihh! xii!), risos, bocejos, arrotos, gemidos, etc., que podem acentuar a comunicação verbal ou se contrapor, contradizer, ao que é falado Observações ● Diferentes grupos culturais apresentam distintas formas de CNV. ● culturas germânicas, anglo-saxãs e japonesas, a proximidade corporal que os indivíduos devem respeitar, a cerimônia e o cuidado com o toque entre pessoas que não são íntimas, ● A forma de gesticular e se comportar em espaços públicos diferem, às vezes, marcadamente, daquilo que se observa em culturas latinas e de influência africana, como as brasileiras e demais sulamericanas. Yuri Banov Onishi 4)Estudos de Leonhard (Comunicação não verbal e psicopatologia) Karl Leonhard (1904-1988). ● Estudou a CNV, em específico a expressão facial ● Existe 2 divisões dos gestos faciais e corporais ○ Intencionais: gestos controlado pela vontade ○ Expressivo: gestos espontâneos que expressam estados emocionais, volitivos e cognitivos, muitas vezes de forma inadvertida ● Os gestos expressivos seriam os de maior valor e interesse para a semiologia psicopatológica (Leonhard, 1949) ● a expressão facial se constitui como uma verdadeira linguagem ● é composta por um conjunto global de sinais que ocorrem de forma simultânea, mas que podem ser subdivididos em aspectos parciais ○ Contração da testa, olhar para outro lado, movimento dos lábios ● Os sinais emitidos pela expressão facial representam, na sua visão, uma linguagem extremamente fina, detalhada e relativamente estável e universal para os humanos ● Expressão facial comunicar principalmente ○ estados afetivos e emoções as mais variadas, ○ estados volitivos: desejos e inclinações ○ estados cognitivos: pensamentos, noções, reflexões, dúvidas, ● Principais componentes da CNV ○ 1) a expressão facial, que é o componente mais importante e mais rico em detalhes da CNV; ○ 2) o gestual, que representa os variados gestos executados pela cabeça, tronco, membros, mãos e dedos; ○ 3) a altura e a expressão sonora da voz, também muito ricas em possibilidades expressivas ● Para saber mais ○ Linguagem expressiva da alma de Leonhard (1949) ○ como esses diferentes aspectos da CNV (expressão facial, gestual e altura e expressão da voz) se integram formando expressões globais e emitindo sinais que, se estudados em detalhes e interpretados adequadamente, permitem verdadeira leitura sobre o psiquismo humano em pessoas sadias e naquelas com quadros psicopatológicos. 5) CNV nas principais síndromes e transtornos psicopatológicos (depressão, ansiedade, esquizofrenia, autismo e mania) ● Os tipos, assim como as competências, relacionados à CNV têm sido associados a diferentes síndromes, estados e transtornos mentais (revisão em Philippot; Coats, 2003). ● A CNV em psicopatologia se refere principalmente a aspectos emocionais, volitivos e sociointerativos do comportamento humano. como: 1) expressão emocional: capacidade de expressar diferentes estados emocionais por meio de mímica, gestos, postura, tom de voz, etc.; 2) sensibilidade aos sinais não verbais: capacidade de perceber nos outros e decodificar principalmente estados emocionais emitidos por vias não verbais e 3) controle e monitoração de estados emocionais: capacidade de controlar estados emocionais percebidos e emitidos por CNV. Yuri Banov Onishi ● Neste capítulo será trabalhado a :depressão, ansiedade, esquizofrenia, autismo e mania Depressão ● Redução de expressividade afetiva (principalmente em casos moderados/ graves) ● Contato ocular com as outras pessoas é diminuído ● Paciente grave ○ tende a não olhar ou a evitar a face e os olhos do interlocutor. ○ O olhar pode dirigir-se para baixo, e há redução global das interações sociais. ○ A face, como um todo, revela emoções tristes, melancólicas ou simplesmente apática ● A boca pode curvar-se para baixo, e, igualmente, o ângulo da cabeça também se dobra para o chão. ● O indivíduo não sorri, ou sorri muito pouco (riso frágil e forçado). ● Pode haver uma diminuição global dos gestos e movimentos da cabeça, das mãos e do corpo em geral. ● A voz produzida é com frequência baixa e/ou monótona, com pouca expressividade e, em alguns quadros extremos, de difícil compreensão. ● a face e o gestual triste não apenas expressam o estado interno da pessoa, mas também a expressão triste pode reforçar e mesmo participar da gênese de tal estado; ● apresentar e manter um rosto marcadamente triste pode fazer a pessoa passar a sentir-se, de fato, mais triste (Perez; Riggio, 2003). ● Existe uma correlação entre a intensidadeda depressão e a intensidade da redução da CNV, como expressão facial e movimentos expressivos da cabeça e das mãos (Fiquer; Boggio; Gorenstein, 2013). ● Em alguns casos, por contração excessiva de alguns músculos da testa (sobretudo do músculo corrugador), Darwin chamou de grief-muscles (“músculos do pesar”), ao descrever detalhadamente a expressão não verbal da melancolia, ○ há o enrugamento da pele sobre o nariz e entre as sobrancelhas, que se contrai e se curva em direção ao centro da testa, produzindo dobras no andar superior da face que parecem “desenhar” a letra ômega do alfabeto grego (Ω) ● o Heinrich Schüle (1878), de sinal do ômega, ou ômega melancholicum, sinal típico das descrições clássicas da melancolia (depressão) grave Yuri Banov Onishi Canales, Fiquer e Campos (2017) ● Pacientes deprimidos tinham alterações posturais, que corrobora para o aspecto corcunda e cabisbaixo ● Esse desvio postural diminui à medida que os pacientes apresentam remissão do quadro e é menor em quadros de episódio único do que em episódios recorrentes, ● outro achado interessante do quanto o aspecto corporal postural pode refletir a presença/recorrência do humor deprimido Ansiedade ● Expressão facial tensa, preocupada ou amedrontada ● A tensão muscular costuma comprometer todo o corpo, mas pode ser mais intensa nos músculos cervicais do pescoço e na musculatura da face. Nos quadros de ansiedade aguda e/ou crises de pânico, ● descarga importante do sistema nervoso autônomo (inicialmente, descarga simpática e, depois, rebote parassimpático). ● Na descarga simpática, há a clássica reação de lutar ou fugir (to fight or to flight), que é reação de alarme do organismo (situações agudas de ameaça intensa, medo arrebatador), com manifestações físicas como vasoconstrição cutânea e consequente palidez da face e midríase (dilatação das pupilas), ● Podendo haver ereção dos pelos, assim como aumento do ritmo cardíaco (que o paciente pode perceber como batedeira no peito). ● Nas mãos e nos pés, pode ocorrer suor frio, assim como tremores das extremidades (tremores de mãos, dedos e lábios), ● o indivíduo pode sentir sua respiração como dificultosa e incômoda (às vezes, sensação de sufocamento). ● A voz pode ficar tensa, hesitante, projetando-se, às vezes, com dificuldade, o que pode tornar sua compreensão difícil. Ansiedade Social (fobia social) ● São, de modo geral, muito sensíveis às reações e expressões faciais dos outros, sobretudo de mínimos sinais negativos, percebidos de forma exacerbada em indivíduos considerados como “importantes” ou dotados de significação “superior”, “autoritária” ou “ameaçadora” ● Pacientes com ansiedade ou fobia social são marcadamente sensíveis à exposição de faces críticas ou bravas ● O estado de hipervigilância (atenção acentuada, contínua e hiperativa em relação ao exterior), sobretudo perante estímulos ameaçadores ou potencialmente ameaçadores, é uma verdadeira “marca” das pessoas com acentuada ansiedade social (Perez; Riggio, 2003). Esquizofrenia ● Kraepelin e Bleuler: apesar de experimentarem emoções desagradáveis intensas, não expressavam tais sentimentos; pareciam não conseguir emitir sinais exteriores de tais emoções ● Na esquizofrenia, deve-se distinguir dois estados em relação à CNV: agudos e crônicos. Estados ou episódios agudos ● Principalmente nas fases iniciais da esquizofrenia, observam-se alterações da CNV relacionadas ao tipo de episódio agudo ● Em quadros paranóides, podem ser observados gestos e movimentos faciais que indicam um estado intenso de medo e desconfiança, relacionados às vivências paranóides como delírio de perseguição e vozes ameaçadoras (alucinações auditivas) Yuri Banov Onishi ● O episódio agudo pode ser marcado por desorganização mental e comportamental intensa, que se expressa nos gestos e movimentos do paciente que indicam desorganização, inclusive, às vezes, em atos básicos da vida, como alimentação, banho, caminhada, posturas bizarras de repouso, e no encontro com outra pessoa. Quadros crônicos ● Com alguns anos de evolução, observa-se com frequência uma diminuição da expressão afetiva, na face e no corpo como um todo, que pode ir de uma leve indiferença afetiva até embotamento dos afetos, podendo chegar a um completo achatamento das expressões afetivas Aspectos gerais ● Pacientes com esquizofrenia expressam de forma deficitária emoções tanto negativas como positivas ● Há uma tendência a diminuição dos gestos e redução ou imobilidade na expressão facial. ● Podem apresentar estereotipias faciais com caretas, piscamento amplo dos olhos e movimentos bucais, que podem ocorrer por discinesia tardia provocada por antipsicóticos de primeira geração ou pelo próprio adoecimento cerebral relacionado à esquizofrenia (Perez; Riggio, 2003). ● Empobrecimento das inflexões vocais, diminuição dos movimentos espontâneos e redução do contato ocular ● Estudos controlados indicam que pessoas com esquizofrenia já estabelecida apresentam menos expressões faciais, diminuição da troca de olhares, além de gestos e posturas não habituais, às vezes bizarras ● Esse empobrecimento da CNV não pode ser atribuído apenas ao uso de neurolépticos (antipsicóticos de primeira geração); estudos com pessoas que nunca usaram neurolépticos, apesar do desenvolvimento da esquizofrenia, revelam igualmente tal empobrecimento (Kring; Earnest, 2003) ● Geralmente apresentam menos comportamentos pró-sociais e de afiliação, como inclinação lateral da cabeça, levantar de sobrancelhas, sorrisos, movimentos afirmativos de cabeça (o chamado yes-nodding), assim como menos gesticulação. ● revelam menos CNV de relaxamento (rir, cruzar os braços relaxadamente, soltar o corpo na cadeira, etc.). ● Os déficits expressivos nesse transtorno tendem a se correlacionar com o prognóstico: por exemplo, quanto mais contato ocular o paciente apresenta, maior é a tendência à melhor evolução do quadro (Fiquer, 2017) ● Tendem também a perceber os sinais de CNV emitidos por pessoas do ambiente com um marcante viés de interpretação ● Quando apresentam, por exemplo, quadros paranoides intensos, percebem, em detalhes da mímica e da voz dos outros (que, muitas vezes, emitiram apenas sinais neutros), sinais ameaçadores, com conteúdos de desprezo, ameaça ou condenação em relação a eles. ● Pesquisas também indicam que pacientes com esquizofrenia têm performance relativamente ruim em tarefas de reconhecimento de afeto facial: tendem a perceber menos holisticamente a face alheia (Kring; Earnst, 2003). ● Seria uma tendência a perceber de forma demasiadamente intensa e distorcida sinais não verbais mínimos das emoções alheias. ● Tais dificuldades em decodificar afetos faciais corretamente têm sido atribuídas, por alguns autores, a possíveis alterações no córtex parietal direito desses pacientes (Perez; Riggio, 2003). Autismo ● Leo Kanner (1943): existe uma importante, quando não total, redução das respostas ao ambiente. ● Notaram-se graus, às vezes acentuados, de ausência de interesse por seres humanos e, de forma muito importante, evitação do contato ocular com outras pessoas. ● marcantes dificuldades das crianças em expressar CNV como em entender os sinais não verbais emitidos pelas pessoas que buscavam interagir com elas (McGee; Morrier, 2003). Yuri Banov Onishi ● Dificuldades com CNV que regulam a interação social, tanto em exprimir como em compreender a CNV dos outros. ● contato ocular ausente ou inconsistente. (mais frequentes nesse transtorno) ● sorrisos socialmente dirigidos podem não existir ou ser apenas frustros e descompassados ● Ausência de postura antecipatória ao contato (estender os braços para o abraço) e, às vezes, resistência ao toque ou abraço ● Estereotipias motoras: apresentam com frequência comportamentos repetitivos como: ○ balanceio do tronco, ○ andar na ponta dos pés, ○ balançar as mãos como bater asas (flapping), ○ emissão de ruídos e estalos com a boca ou mãos. ● Podem não expressar esforço e/ou habilidade em compartilhar a alegria por algo de bom queeventualmente acontece. ● Têm dificuldades em expressar seus interesses e conquistas para os outros ● Muitas pesquisas indicam que indivíduos com autismo têm déficits no reconhecimento facial ● Dificuldade em reconhecer a expressão emocional em faces, os quais não correspondem a um simples atraso no desenvolvimento, mas tendem a ser persistentes (sobretudo naqueles que não recebem tratamento especializado e adequado). ● Em casos de maior gravidade, a compreensão de expressões faciais, vocais e corporais pode estar gravemente reduzida. ● Ao que parece, o reconhecimento de emoções mais complexas, como orgulho ou constrangimento, é bem mais difícil que o de emoções simples, como alegria e tristeza (McGee; Morrier, 2003) Crianças com autismo ● Observa-se, na interação com os pares, que as crianças com autismo, quando caminham em ambiente com várias outras, parecem “atravessar” o grupo, como se as demais crianças não estivessem aí. ● Preferem brincar sozinhas a brincar acompanhadas ● Geralmente não iniciam interações com seus pares por meio do mostrar, pegar ou trazer coisas para que os outros vejam ou, ainda, apontar para objetos de interesse e se certificar de que o outro também se interessa por isso (expressão da chamada atenção conjunta). ● parecem não ter o interesse e as habilidades para responder efetivamente às aproximações sociais feitas pelos outros. Voz e elementos sonoros da comunicação verbal ● Indivíduos com autismo de alto funcionamento ou do tipo Asperger desenvolvem a linguagem, mas tendem a apresentar uma voz monótona, de afinação alta, ou um falar com volume muito baixo ● Às vezes, a voz de pacientes com autismo se assemelha à de personagens de desenho animado ou à de um robô. Análise do Comportamento Aplicada [ABA] ● Abordagem específica e eficaz ● alguns aspectos das dificuldades comunicacionais das pessoas com autismo podem ser reduzidos com a elaboração de estratégias alternativas ou originais para incrementar e melhorar a qualidade da interação e da comunicação. Yuri Banov Onishi Mania ● Nas fases de mania do transtorno bipolar, há um conjunto de elementos da CNV bastante característico. ● O comportamento global do paciente é muito ativo, alegre, eufórico ou irritável; ● interage com o interlocutor logo ao conhecê-lo, como se fosse seu amigo íntimo ● A proxêmica está alterada, e o indivíduo se aproxima de pessoas desconhecidas, podendo não respeitar a distância mínima de corpo com corpo. ● Distanzlosigkeit ○ perda da distância espontânea (culturalmente determinada) entre o paciente e seu interlocutor. ○ Nas conversas, aproxima-se do corpo do interlocutor como se fosse uma pessoa íntima. ○ Entretanto, ao que parece, um subgrupo de pacientes com mania com sintomas psicóticos apresenta o contrário – maior distância, e não menor, com o interlocutor (Fiquer, 2017) ● perda da inibição social ○ O paciente fala com o médico que acabou de conhecer como se fosse um amigo íntimo e antigo, se expressa diante de uma classe de alunos, contando sobre sua vida pessoal, às vezes íntima, sem o menor receio ou inibição ○ por isso, deve-se sempre procurar proteger a intimidade do paciente em mania ● Pode expressar alegria e grandeza, contentamento transbordante, com risos, sobretudo quando conta de suas peripécias. ● Geralmente, se considera uma pessoa extraordinária, por isso deve receber toda a atenção dos outros. ● Não admite qualquer dificuldade para seus projetos ou ideias (Monedero, 1975). ● Diminuição da necessidade de sono, veste-se com roupas mais chamativas, às vezes provocativas sexualmente, ● usa mais maquiagem ou adereços corporais; ● Tem “acessos” de limpeza ou de arrumação (p. ex., resolve arrumar todas as suas roupas ou objetos guardados há anos); ● Toma providências diversas, faz compras excessivas e investe em falas proselitistas sobre religião, política ou costumes. ● É comum acordar muito cedo pela manhã, manifestando já uma hiperatividade ruidosa; canta e sobretudo se for religioso, prega para todos, entoa os hinos e canções de sua igreja ou outros hinos conhecidos. ● Tem uma loquacidade quase inesgotável, com condutas diversas e, às vezes, escandalosas (Caillard, 1984). ● Seus movimentos às vezes são incessantes, acelerados e endiabrados; faz barulho, ● suas roupas podem ser vestidas de forma descuidada, colocando várias camisas, saias ou calças, umas sobre as outras ● A mímica pode exprimir de forma exagerada as emoções que se impõem ao paciente. ● A fala pode ser acelerada, em voz alta, às vezes com gritos, insultos ou declarações e declamações veementes (Caillard, 1984) ● Há aceleração em todas as esferas psíquicas e comportamentais, da ação, do pensamento, das lembranças e das representações na imaginação. ● O ritmo global é não apenas acelerado, mas exagerado e descompassado. ● O paciente maníaco pode permanecer muitas horas, às vezes dias, em movimento agitado. Tendo riscos cardíacos, pode inclusive padecer ou mesmo ter eventos graves, como infarto agudo do miocárdio ● No início do quadro, está animado, alegre, acelerado, com ideias grandiosas. ● Com o passar dos dias e semanas, as pessoas que lhe são mais próximas passam a impor limites aos seus atos, como, por exemplo, negam lhe dar dinheiro, censuram sua atitude e fazem críticas crescentes. Yuri Banov Onishi ● Geralmente, o paciente pode mudar de um estado global de alegria, elação e excitação para o estado de irritação, beligerância, podendo agredir familiares, profissionais da saúde ou outros que interagem com ele e lhe coloquem qualquer limite ou oposição. 6) Semiotécnica do aspecto geral do paciente e da comunicação não verbal ● Para a avaliação do paciente, sugere-se utilizar como guia possível os quadros apresentados a seguir. ● Quadro 10.1: resume os principais aspectos a serem observados na CNV do indivíduo ● Quadro 10.2: organizado a partir dos trabalhos de Betta (1972) e de Cheniaux (2005), visa resumir os principais padrões de roupas e acessórios observados sobre o aspecto geral do paciente ● Quadro 10.3: apresenta algumas das possíveis atitudes globais do indivíduo. Podem ser usadas, para uma única pessoa, uma ou mais das atitudes globais listadas. ● Para descrever a aparência do paciente, convém relatar o que se observou de forma detalhada, objetiva e precisa, mas sem precipitações ou inferências indevidas Yuri Banov Onishi Yuri Banov Onishi oii =] Esse resumo foi feito pelo Yuri e foi disponibilizado gratuitamente se quiser, você pode ajudar o estudante a comprar cursos e livros com um pix- yuri.banov@hotmail.com obrigado =) mailto:yuri.banov@hotmail.com