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Introdução No mundo em que vivemos percebemos que os indivíduos são diferentes, estas diferenças se baseiam nos seguintes aspectos: coisas materiais, raça, sexo, cultura e outros. Os aspectos mais simples para constatarmos que os homens são diferentes são: físicos ou sociais. Constatamos isso em nossa sociedade pois nela existem indivíduos que vivem em absoluta miséria e outros que vivem em mansões rodeados de coisas luxuosas e com mesa muito farta todos os dias enquanto outros não sequer o que comer durante o dia. Por isso vemos que em cada sociedade existem essas desigualdades, elas assumem feições distintas porque são constituídas de um conjunto de elementos económicos, políticos e culturais próprios de cada sociedade. Desigualdade social A desigualdade social refere-se a processos relacionais na sociedade que têm o efeito de limitar ou prejudicar o status de um determinado grupo, classe ou círculo social. As áreas de desigualdade social incluem o acesso aos direitos de voto, a liberdade de expressão e de reunião, a extensão dos direitos de propriedade e de acesso à educação, saúde, moradia de qualidade, viajar, ter transporte, férias e outros bens e serviços sociais. Além de que também pode ser visto na qualidade da vida familiar e da vizinhança, ocupação, satisfação no trabalho e acesso ao crédito. Se estas divisões económicas endurecem, elas podem levar a desigualdade social. Formas de Desigualdade Social Desigualdade de género Segundo Ragadas, um dos factores centrais na construção das desigualdades tem sido a discriminação de géneros. A discriminação sexual é estruturada nas distinções sociais e culturais entre homens e mulheres que convertem as diferenças sexuais biológicas em hierarquias de poder, status e renda. Também pode ser definido como a divisão de tarefas, posto de trabalho e profissões com base no feminino e masculino, essa prática, que era comum na sociedade começou a ser questionada apenas recentemente. As consequências dessa desigualdade é que as mulheres ganham menos que os homens, ou homens a menos do que as mulheres (fazendo o mesmo trabalho, com o mesmo grau de ensino e mesmos horários). A sociedade salarial não é uma sociedade de igualdade, há uma grande diferença entre o rendimento gerado pelo homem em comparação à mulher e até mesmo o acesso aos bens sociais, por exemplo, acesso à educação e cultura. A ênfase na desigualdade de género nasce do aprofundamento da divisão em papéis atribuídos a homens e mulheres, particularmente nas esferas económica, política e educacional. As mulheres estão sub-representadas em actividades políticas e tomada de decisão na maioria dos estados. Desigualdade racial A desigualdade racial é o resultado de distinções sociais hierárquicas entre grupos étnicos dentro de uma sociedade e, muitas vezes estabelecida com base em características como a cor da pele e outras características físicas ou origem e cultura de um indivíduo. O tratamento desigual e de oportunidades entre os grupos raciais é geralmente o resultado de alguns grupos étnicos, considerados superior a outros. Esta desigualdade pode se manifestar por meio de práticas de contratação discriminatórias em locais de trabalho, em alguns casos, os empregadores têm demonstrado preferir a contratação de funcionários em potencial com base na percepção étnica dado o nome de um candidato - mesmo que todos tenham currículos apresentando qualificações idênticas. Parte desses tipos de práticas discriminatórias resultam de estereótipos, que é quando as pessoas fazem suposições sobre as tendências e características de determinados grupos sociais, muitas vezes incluindo grupos étnicos, normalmente enraizadas em suposições sobre a biologia, capacidades cognitivas, ou mesmo falhas morais inerentes. Estas atribuições negativas são então divulgados através da sociedade através de diferentes meios, incluindo a televisão, jornais e internet, os quais desempenham papel na promoção de preconceitos de raça e assim marginalizando grupos de pessoas. Isto, juntamente com a xenofobia e outras formas de discriminação continuam a ocorrer nas sociedades com o aumento da globalização. Desigualdade de casta O sistema de castas é um tipo de desigualdade que existe principalmente na Índia, bem como Nepal, Bangladesh, Paquistão e Coreia. A casta pode ser dependente de uma ocupação (função) ou com base na origem ou nascimento (hereditariedade). Muitas vezes há uma série de restrições atribuídas às pessoa de castas mais baixas, tais como restrições à partilha de comida e bebida com membros de outras castas, restrições de ir a determinados lugares, a execução de endogamia, bem como a utilização de vestimentas e hábitos alimentares definidos. Estas restrições podem ser aplicadas através de violência física ou exploração. As castas mais baixas são mais propensas a viver em bairros degradados e têm empregos de baixo status e renda. Desigualdade etária Discriminação etária é definida como o tratamento injusto de pessoas no que diz respeito a promoções, recrutamento, recursos ou privilégios por causa de sua idade. É também conhecido como preconceito de idade os estereótipos e a discriminação contra indivíduos ou grupos com base em sua idade. É ainda um conjunto de crenças, atitudes, normas e valores utilizados para justificar preconceito baseado na idade, discriminação e subordinação. Uma forma de preconceito de idade é "adultismo", que é a discriminação contra crianças e pessoas com idade legal inferior a idade adulta. Desigualdade de classes A medida da desigualdade entre as classes sociais depende da definição utilizada. Para Karl Marx, existia duas grandes classes sociais, com desigualdades significativas: a classe trabalhadora (o proletariado) e os capitalistas (a burguesia). Esta simples divisão representa os interesses sociais opostos de seus membros, o ganho de capital para os capitalistas e a sobrevivência para os trabalhadores, criando as desigualdades e o conflito social a quem Marx associa a opressão e a exploração. Max Weber, por outro lado, usa as classes sociais como uma ferramenta de estratificação com base na riqueza e status. Para ele, a classe social está fortemente associada a prestígios e privilégios. Ela pode explicar a reprodução social, a tendência das classes de permanecer estável ao longo de gerações mantendo as desigualdades igualmente. Tais desigualdades incluem as diferenças de renda, de riqueza, de acesso à educação, níveis de pensão, status social e rede de segurança socioeconómica. Em geral, a classe social pode ser definida como uma grande categoria de pessoas classificadas similarmente localizadas em uma hierarquia e distinguidas de outras grandes categorias na hierarquia por características como ocupação, escolaridade, renda e riqueza. Um comum entendimento das classes sociais hoje inclui a classe alta, a classe média e a classe baixa. Os membros de diferentes classes têm variado acesso a recursos de capital, o que afecta sua colocação no sistema de estratificação social. Desigualdade na saúde As desigualdades na saúde podem ser definidas como as diferenças no estado de saúde ou na distribuição dos determinantes da saúde entre diferentes grupos populacionais. As desigualdades na saúde são, em muitos casos relacionadas com o acesso aos cuidados de saúde. Em nações industrializadas, as desigualdades na saúde são mais prevalentes em países que não implementaram um sistema de saúde universal, por exemplo nos Estados Unidos; porque o sistema de saúde norte-americano é fortemente privatizado, o acesso aos cuidados de saúde é dependente de um capital económico, os cuidados de saúde não é um direito, é um produto que pode ser comprado através de empresas de seguros privados (ou que às vezes é fornecido através de um empregador). A forma como os cuidados de saúde está organizado em os EUA contribui para as desigualdades em saúde com base em género, status socioeconómico e raça/etnia. Desigualdade social na visão de Karl Marx Várias teoriasapareceram no século XIX criticando as explicações sobre desigualdade, entre elas, a de Karl Marx, que desenvolveu uma teoria sobre a noção de liberdade e igualdade do pensamento liberal. Essa liberdade baseava-se na liberdade de comprar e vender, e conseguir, de fato, uma certa independência financeira. Outra muito criticada também, foi a igualdade jurídica, que baseava-se nas necessidades do capitalismo de apresentar todas as relações como fundadas em normas jurídicas. Como a relação patrão e empregado tinha que ser feita sobre os princípios do direito, e outras tantas relações também. Para Marx, as desigualdades sociais são resolvidas quando se busca pelos interesses da grande maioria e não apenas de alguns. A explicação básica de desigualdade social para esse teorista, é aquela velha frase feita: "A maioria tem voz e faz valer os seus interesses, a minoria, os "oprimidos" têm que concordar". Marx criticava o liberalismo porque eram só expressos os interesses de uma parte da sociedade e não da maioria, como tinha que ser. Segundo o próprio Marx, a sociedade é um conjunto de actividades dos homens, ou acções humanas, e essas acções que tornam a sociedade possível. Essas acções ajudam a organização social, e mostra que o homem pode se relacionar um com os outros. Assim, Marx considera as desigualdades sociais como produto de um conjunto de relações na propriedade como um fato jurídico, e também político. O poder de dominação é que da origem a essas desigualdades. As desigualdades se originam dessa relação contraditória, reflectem na apropriação e dominação, dando origem a um sistema social, neste sistema uma classe produz e a outra domina tudo, onde esta última domina a primeira dando origem as classes operárias e burguesas. As desigualadas são fruto das relações, sociais, políticas e culturais, mostrando que as desigualdades não são apenas económicas mas também culturais, participar de uma classe significa que você esta em plena actividade social, seja na escola, seja em casa com a família ou em qualquer outro lugar, e estas actividades ajudam-lhe a ter um melhor pensamento sobre si mesmo e seus companheiros. Pobreza e desigualdade social em Angola Os benefícios do crescimento económico de Angola chegam de maneira bastante desigual à população. É visível o rápido enriquecimento de um segmento social ligado aos detentores do poder político, administrativo e militar. Um leque de "classes médias" encontra-se em formação nas cidades onde se concentram mais de 50% da população. No país, grande parte da população vive em condições de pobreza relativa, com grandes diferenças entre as cidades e o campo: um inquérito realizado em 2008 pelo Instituto Nacional de Estatística indica que 37% da população angolana vive abaixo da linha de pobreza, especialmente no meio rural (o índice de pobreza é de 58,3%, enquanto o do meio urbano é de apenas 19%). Nas cidades grande parte das famílias, além dos classificados como pobres, está remetida para estratégias de sobrevivência. Nas área urbanas, também as desigualdades sociais são mais evidentes, especialmente em Luanda. O advento da paz militar, em 2002, permitiu um balanço diferenciado dos problemas económicos e sociais extremamente complexos que se colocavam ao país, mas também do leque de possibilidades que se abriam. Os indicadores disponíveis até à data indicam que a lógica da economia política, seguida desde os anos 1980 e de maneira mais manifesta na década dos anos 2000, levou a um crescimento económico notável, em termos globais, mas ao mesmo tempo manteve e acentuou distorções graves, em termos sociais e também económicos.Convém referir que, nas listas do Índice de Desenvolvimento Humano elaboradas pela ONU, Angola ocupa sempre um lugar entre os países mais mal colocados. Desigualdade Social no Mundo Por ser um problema que atinge todos os lugares, a desigualdade social existe nos diferentes continentes, países, regiões, estados e cidades. Entretanto, há lugares em que os problemas são mais evidentes como, por exemplo, nos países africanos, os quais estão entre os mais desiguais do mundo. Causas da Desigualdade Social Má distribuição de renda Má administração dos recursos Lógica do mercado capitalista (consumo, mais-valia) Falta de investimento nas áreas sociais, culturais, saúde e educação Falta de oportunidades de trabalho Corrupção Consequências da Desigualdade Social Pobreza, miséria e favelização Fome, desnutrição e mortalidade infantil, Aumento das taxas de desemprego Diferentes classes sociais Marginalização de parte da sociedade Atraso no progresso da economia do país Aumento dos índices de violência e criminalidade Violência Sexual A violência sexual contra crianças e adolescentes apresenta causas múltiplas e complexas. Ela está relacionada com questões sociais, económicas e culturais e deve ser analisada com cuidado e critério levando em conta as diferentes variáveis para o abuso e a exploração sexual. Além das causas diversas, existem também contextos em que o problema se insere que podem agravá-lo ou dificultar o seu enfrentamento. Conclusão Desigualdade social é o fenómeno em que ocorre a diferenciação entre pessoas no contexto de uma mesma sociedade, colocando alguns indivíduos em condições estruturalmente mais vantajosas do que outros. Ela manifesta-se em todos os aspectos: cultura, quotidiano, política, espaço geográfico e muitos outros, mas é no plano económico a sua face mais conhecida, em que boa parte da população não dispõe de renda suficiente para gozar de mínimas condições de vida. A desigualdade social acarreta, em seu curso, outros fenómenos igualmente preocupantes numa sociedade, e que são anomalias sociais, trazendo malefícios à população. Percebe-se, através de pesquisas, estudos e levantamentos feitos por órgãos competentes, que os países onde a desigualdade social é elevada, também registam índices igualmente elevados de outros factores negativos, tais como: violência e criminalidade, desemprego, desigualdade racial, guerras, educação precária, falta de acesso a serviços públicos de qualidade, diferenciação de tratamento entre ricos e pobres, entre outros. Referências Bibliográficas Reygadas, l. (2004): Redes de desigualdade: uma abordagem multidimensional, Política e Cultura Dubow, Saul (1995). Racismo científico moderno na África do Sul Cambridge University Press [sl] p. 121. TOMAZI, Nelson Dácio. Iniciação a Sociologia. SP, atual; 1993 http://alunosonline.uol.com.br/sociologia/desigualdade-social.html