Logo Passei Direto
Buscar
Material
páginas com resultados encontrados.
páginas com resultados encontrados.

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Escolha uma das opções e acesse esse e outros materiais sem bloqueio. 🤩

Cadastre-se ou realize login

Ao continuar, você aceita os Termos de Uso e Política de Privacidade

Prévia do material em texto

SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 1
2 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
ESTRATIFICAÇÃO E 
DESIGUALDADES SOCIAIS 
A estratificação e a desigualdade social fazem parte 
das sociedades humanas, que são divididas com base 
em critérios socialmente construídos.
A desigualdade social é, para a Sociologia, um 
grande objeto de estudo. Vários estudos sociológicos 
mostram que alguns dos fenômenos sociais mais 
graves, como a violência, podem estar relacionados 
com as relações desiguais estabelecidas entre os 
sujeitos. É comum pensar que a desigualdade está 
relacionada apenas com a condição econômica das 
pessoas. Porém, embora tenha grande impacto na 
realidade individual, a condição material é apenas 
uma das inúmeras diferenciações que possuem valor 
social agregado e que podem influenciar positiva ou 
negativamente a realidade de um sujeito. Atributos 
como gênero, idade, crença religiosa ou etnia podem 
e são vistos dentro de um contexto valorativo, isso é, 
são vistos como características aceitáveis, desejáveis 
ou repulsivas. É nesse contexto que se aplica o 
conceito de estratificação social.
Uma forma simples de entender o que é a 
estratificação social é enxergá-la como um conjunto 
de desigualdades que atingem diferentes sujeitos de 
uma sociedade, separando-os de alguma forma dos 
demais. Um grupo de pessoas que pertence a uma 
camada mais pobre de uma sociedade, por exemplo, 
acaba não tendo acesso aos mesmos serviços 
disponibilizados a uma pessoa de melhor condição 
econômica. Isso também é visto de forma ainda 
mais clara na composição e na organização da maior 
parte das grandes cidades. Os bairros periféricos, ou 
as “periferias”, onde se encontra a maior parte da 
população mais pobre, estão localizados, comumente, 
mais afastados dos centros das cidades.
Nesse sentido, as sociedades podem ser vistas como 
construídas em uma pirâmide hierárquica: uma 
minoria favorecida encontra-se no topo e os menos 
favorecidos encontram-se mais próximos da base. 
A estratificação, no entanto, não é característica 
exclusiva de nossa era contemporânea. A desigualdade 
foi vista em diferentes épocas da história humana e 
segue padrões de organização diferentes a depender 
do período e das convenções sociais. Esses sistemas 
de estratificação estão divididos em quatro tipos 
diferentes: a escravidão, a casta, o estamento e a classe.
A escravidão é uma forma extrema de desigualdade. 
Nesse sistema, alguns indivíduos tornam-se 
propriedade de outros, sendo tratados como objetos, 
sem força de ação ou vontade que não seja a de seu 
senhor. Embora tenha sido formalmente erradicada, 
a escravidão ainda existe em certas partes do mundo, 
inclusive no Brasil.
O sistema de castas:
Está associado principalmente às culturas indianas 
que partilham da crença hindu referente à 
reencarnação. Esse sistema parte da crença de que 
os indivíduos estão separados em diferentes níveis 
hierárquicos determinados desde o nascimento. Cada 
casta possui um papel fixo a ser cumprido, e aqueles 
que não forem fiéis aos rituais e aos deveres de sua 
casta renascerão em uma posição inferior na próxima 
encarnação. Não existe, portanto, mobilidade entre as 
hierarquias de uma casta, que determina até o tipo de 
contato que cada indivíduo pode ter com membros de 
outras castas.
A pirâmide social exemplifica a hierarquia constituída em uma 
sociedade.
SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ 3
Os estamentos:
Foram a forma de organização social de um grande 
número de civilizações no mundo antigo. O mais 
famoso deles foi visto na era feudal europeia. Os 
estamentos feudais constituíam estratos com diferentes 
obrigações e direitos, isto é, eram divididos em 
aristocratas e nobres, que ocupavam o posto mais alto 
da hierarquia, o clero ou as autoridades religiosas, que 
formavam outro estamento voltado exclusivamente 
para atividades religiosas, e os servos, mercadores e 
artesãos, que compunham a plebe. Nesse sistema, cada 
estamento possuía obrigações específicas: os nobres 
guerreavam; o clero cuidava dos costumes religiosos; 
e os servos eram responsáveis pela produção dos bens 
consumíveis necessários.
O sistema de classes:
Possui maior complexidade e é muito diferente 
dos outros tipos de estratificação. Embora não haja 
consenso entre os estudiosos do assunto, podemos 
definir, resumidamente, uma classe social como 
um grande agrupamento de pessoas que dividem 
condições materiais parecidas, condições essas que 
influenciam imensamente os demais aspectos de suas 
vidas. Isso quer dizer que a condição econômica tem 
profunda influência sobre as formas de diferenciação 
das classes. Diferentemente de outros tipos de 
estratificação, as classes não são estabelecidas por 
intermédio de posição religiosa ou por posição 
herdada. Os indivíduos possuem certa mobilidade na 
organização social, podendo ascender ou descender 
na estrutura hierárquica. A esse movimento damos o 
nome de mobilidade social, uma importante parte da 
dinâmica de uma sociedade.
Dois teóricos destacaram-se no campo de estudo da 
teoria de classes: Karl Marx e Max Weber. Eles se 
pautaram na noção de que uma classe é constituída 
por um grupo de pessoas que se assemelham em 
relação à posse de meios de produção. Existiriam 
então, duas classes sociais principais distintas: os 
industrialistas ou capitalistas e o proletariado. O 
primeiro detém os meios de produção (indústrias, 
fábricas, manufaturas) e o segundo dispõe apenas de 
sua própria força de trabalho para obter seu sustento.
Weber, entretanto, apesar de pensar como Karl Marx 
em relação à influência da realidade material na 
formação de nossa sociedade, acreditava que haveria 
mais fatores, além da condição material do indivíduo, 
que influenciariam a construção social. Para Weber, 
as teorias puramente materialistas eram insuficientes 
para compreender a complexidade das relações 
sociais entre classes. Dimensões da vida social, como 
a desigualdade social, não se resumiam puramente à 
condição material de cada indivíduo. Era necessário 
observar, portanto, as demais variáveis que afetariam 
a construção do sujeito social, como o status social, 
que é definido na relação de diferenças entre grupos 
sociais e de acordo com o prestígio social conferido 
pelos demais. Essa relação de status, por exemplo, vai 
além das separações econômicas, sendo determinado 
com base no conhecimento direto de uma pessoa 
diante de interações em diferentes contextos. Isso 
confere certo poder de ação ao indivíduo, além 
daquele determinado por suas posses materiais.
Mobilidade Social
O termo mobilidade social significa o deslocamento de 
indivíduos ou grupos entre posições socioeconômicas 
diferentes. Em sociedades regidas pelos regimes 
de castas ou estamentos, essa mobilidade é 
praticamente inexistente, uma vez que a posição 
social do indivíduos está estabelecida desde o seu 
nascimento e não pode ser alterada. Nas sociedades 
ocidentais modernas – em que o capitalismo é o 
modo de produção predominante – a mobilidade 
entre diferentes classes sociais é mais frequente. Tal 
mobilidade pode se dar em dois sentidos: de forma 
ascendente (quando há um aumento nos ganhos 
financeiros e, consequentemente, um maior acesso 
a bens e serviços) ou, no sentido contrário, de forma 
decrescente.
Ainda que a mobilidade social ascendente seja muito 
maior no sistema de classes quando o comparamos 
com outros tipos de estratificação – de castas ou de 
escravidão, por exemplo – é preciso identificar os 
fatores que possibilitam tal movimento. No início 
do processo de industrialização, quando os direitos 
trabalhistas ainda não existiam ou eram precários, 
o sentimento que movia os operários era o medo da 
miséria e da fome que poderiam irromper caso não 
trabalhassem com ardor. Uma vez estabelecidos os 
sindicatos e, consequentemente, os direitos básicos 
dos trabalhadores, passou-se a impulsionar a ideia de 
mobilidade social como um estímulo para o trabalho. 
Ou seja, através da ideia de meritocracia, a promessa 
de ascensãosocial por meio do esforço trabalho 
transformou-se em um dos pilares fundamentais das 
sociedades modernas.
4 SOCIOLOGIA COM VIVIANE CATOLÉ
Sendo esse discurso hoje hegemônico, o número de 
pessoas que transitam entre uma classe e outra torna-
se um importante indicador do grau de democracia de 
um país. Se há realmente igualdade de oportunidades 
para todos – independentemente de gênero, raça, 
local em que se tenha nascido ou qualquer outra 
característica imutável – é de se esperar que um 
indivíduo talentoso vindo de uma família pobre 
possa passar pelo processo de mobilidade social 
ascendente. Entretanto, estudos mostram que 
na maior parte do planeta a mobilidade social 
intergeracional (que ocorre entre diferentes gerações 
de uma mesma família) costuma ser pequena ou 
nula, sendo numericamente raros os casos em que a 
ascensão é radical.
Existiam 46,8 milhões de milionários no mundo em 
meados de 2019, mas a maioria possui riqueza entre 
US $ 1 milhão e US $ 5 milhões: 41,1 milhões ou 
88% dos milionários. Outros 3,7 milhões de adultos 
(7,9%) têm entre US $ 5 milhões e 10 milhões, e quase 
exatamente dois milhões de adultos agora têm riqueza 
acima de US $ 10 milhões. Destes, 1,8 milhão possui 
ativos na faixa de US $ 10 a 50 milhões, deixando 
168.030 indivíduos com patrimônio líquido muito 
alto, acima de US $ 50 milhões em meados de 2019. 
De fato, essas são as elites dominantes do mundo.
Elaborado recentemente, o relatório da Oxfam 
(organização internacional que abriga mais de 100 
países) mostra estatisticamente a relação indireta 
entre o Coeficiente de Gini e a mobilidade social 
intergeracional. O Coeficiente de Gini é um indicador 
usado para medir a desigualdade social em um país: 
quanto mais baixo ele é, menor é a desigualdade. O 
relatório da Oxfam aponta que em países com grande 
desigualdade social, as chances de que um jovem 
tenha um rendimento diferente de seus familiares 
é menor. Ou seja, as possibilidades de ocorrer a 
mobilidade social são menores. O relatório mostra 
também que há uma certa transferência de privilégios 
entre as diferentes gerações de famílias ricas, o que 
de certa forma contraria a ideia de que há igualdade 
de oportunidades para todos. No entanto, assim como 
outros pesquisadores do tema, a Oxfam indica que o 
investimento nos serviços públicos e, principalmente, 
na educação é o caminho mais eficaz para mudar esse 
quadro. No Brasil, a mobilidade social tem aumentado 
progressivamente, sofrendo grandes alterações na 
última década. Os estudos mais recentes atribuem 
essas mudanças aos programas sociais e ao aumento 
de pessoas cursando o ensino superior.
Quase 30% da renda do Brasil está nas mãos de apenas 
1% dos habitantes do país, a maior concentração do 
tipo no mundo. Seis brasileiros têm uma riqueza 
equivalente ao patrimônio dos 100 milhões mais 
pobres do país. Os 5% mais ricos detêm a mesma fatia 
de renda dos demais 95%. Uma mulher trabalhadora 
que ganha um salário mínimo mensal levará 19 anos 
para receber o equivalente que um super-rico recebe 
em um único mês. 
O Brasil também se destaca no recorte dos 10% mais 
ricos, mas não de forma tão intensa quanto se observa 
na comparação do 1% mais rico. Os dados mostram o 
Oriente Médio com 61% da renda nas mãos de seus 
10% mais ricos, seguido por Brasil e Índia, ambos com 
55%, e a África Subsaariana, com 54%.
Esse é o cenário atual do Brasil. Definitivamente, 
precisamos falar sobre as desigualdades. As 
desigualdades entre pobres e ricos, negros e brancos, 
mulheres e homens não são um problema de poucos, 
mas um problema de todos os brasileiros.
O combate à desigualdade econômica pode contribuir 
inclusive para o combate à pobreza — que caiu no 
mundo nos últimos anos, inclusive no Brasil. A pobreza 
é essencialmente uma forma de desigualdade. Não é 
possível separar as duas. A meta deve ser promover 
um crescimento mais balanceado, em vez do cenário 
de livre mercado em que os mais pobres se beneficiam 
de forma modesta dos ganhos dos mais ricos.
REFERÊNCIA
RODRIGUES, Lucas de Oliveira. “Estratificação e desigualdade social”.
Tomazi, Nelson Dacio. Sociologia para o ensino médio. 2. ed. — São 
Paulo : Saraiva, 2010.
https://d2v21prk53tg5m.cloudfront.net/wp-content/
uploads/2019/08/relatorio_a_distancia_que_nos_une-1.pdf

Mais conteúdos dessa disciplina