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Pneumonias em cães e gatos
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Pediatria Universidade Federal de UberlândiaUniversidade Federal de Uberlândia

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## Resumo sobre Pneumonias em Cães e GatosA pneumonia em cães e gatos é uma condição respiratória que pode ter diversas causas, incluindo agentes virais, bacterianos, fúngicos, parasitários e aspiração. A etiologia varia conforme a espécie e o tipo de agente envolvido. Nas pneumonias virais, cães podem ser acometidos por vírus como o da cinomose, influenza canina e adenovírus canino tipo I, enquanto em gatos, o calicivírus, vírus da imunodeficiência felina (FIV) e leucemia felina (FeLV) são os principais agentes, sendo que estes últimos predispõem a infecções bacterianas secundárias. A pneumonia bacteriana é mais comum como condição primária em cães, com agentes como Bordetella bronchiseptica, Streptococcus zooepidermicus, Escherichia coli, Pasteurella, Staphylococcus e Pseudomonas. Em gatos, a pneumonia bacteriana primária é rara, geralmente sendo secundária a outras condições. Pneumonias fúngicas, como histoplasmose, blastomicose, criptococose e aspergilose, também são importantes, assim como as pneumonias parasitárias causadas por Paragonimus kellicotti, Aelurostrongylus abstrusus e Capillaria aerophila, que são mais frequentes em filhotes. Outro tipo relevante é a pneumonia por aspiração, que pode ocorrer devido a vômitos, periodontite (que pode liberar placas bacterianas para as vias aéreas), ou durante procedimentos anestésicos, quando há contaminação do trato respiratório.As manifestações clínicas da pneumonia em cães e gatos são variadas e dependem da gravidade da doença. Como os alvéolos e bronquíolos não possuem receptores de tosse, a tosse ocorre devido à irritação dos brônquios. Os sinais mais comuns incluem tosse produtiva, corrimento nasal mucopurulento (originado nos pulmões), dispneia, febre, prostração e hiporexia. No exame físico, os campos pulmonares crânio-ventrais são os primeiros a serem afetados, especialmente em casos de pneumonia aspirativa, e podem apresentar crepitações, sibilos e sons pulmonares aumentados, principalmente nas áreas adjacentes que tentam compensar a função pulmonar. Radiograficamente, observa-se maior acometimento na parte cranial dos pulmões, com padrões alveolares, intersticiais ou mistos, que se espalham conforme a progressão da doença.O diagnóstico da pneumonia baseia-se na avaliação clínica, exames laboratoriais e de imagem. O lavado broncoalveolar é fundamental para identificar neutrófilos tóxicos e degenerados, além de permitir a cultura microbiológica para isolamento do agente causador. A hematologia pode mostrar leucograma inflamatório com desvio à esquerda, que pode ser regenerativo ou degenerativo, indicando gravidade, como em casos de sepse. Exames de imagem, como radiografia torácica e ultrassonografia pulmonar, ajudam a identificar a presença de secreções e o padrão de acometimento pulmonar. A broncoscopia é útil para visualização direta e coleta de material para análise. Embora a tomografia seja ideal, a radiografia é o exame mais utilizado na rotina clínica.O tratamento da pneumonia varia conforme a gravidade do quadro clínico. Em pacientes estáveis, com febre baixa, tosse esporádica, sem dispneia ou hipotensão e que ainda se alimentam, a monoterapia com antibiótico oral é indicada, preferencialmente baseada em antibiograma ou, na ausência deste, em escolha empírica de antibióticos com boa penetração pulmonar. Em pneumonias moderadas, a antibioticoterapia inicial é feita por via intravenosa, com ajustes conforme resultados microbiológicos; antibióticos potentes como meropenem e imipenem são reservados para casos com confirmação laboratorial. Nos casos graves, é necessária hospitalização, hidratação, nebulização com soro fisiológico (15 a 20 minutos, 2 a 4 vezes ao dia), tapotagem para ajudar na remoção de secreções e oxigenoterapia para pacientes com PaO2 < 80 mmHg, SpO2 < 94% ou esforço respiratório evidente. Pneumonias refratárias, que não respondem à oxigenoterapia, podem requerer ventilação mecânica e uso de mucolíticos como N-acetilcisteína (3 mg/kg via oral a cada 8-12 horas). É importante evitar o uso de antitussígenos e diuréticos, pois a tosse é um mecanismo de defesa para eliminar o agente infeccioso, e os diuréticos podem tornar as secreções mais espessas, dificultando a expectoração.O prognóstico da pneumonia em cães e gatos é variável e depende da gravidade da doença, da imunocompetência do paciente e da virulência do agente etiológico. Em geral, o prognóstico é reservado, mas estudos indicam que entre 77% e 94% dos pacientes hospitalizados conseguem alta, o que demonstra que, com diagnóstico precoce e tratamento adequado, a recuperação é possível.### Destaques- Pneumonias em cães e gatos podem ser causadas por vírus, bactérias, fungos, parasitas e aspiração, com variações entre as espécies.- Os sinais clínicos incluem tosse produtiva, dispneia, febre, prostração e corrimento nasal mucopurulento, com acometimento inicial dos campos pulmonares crânio-ventrais.- O diagnóstico envolve avaliação clínica, hematologia, exames de imagem, lavado broncoalveolar e cultura microbiológica.- O tratamento varia conforme a gravidade, desde antibióticos orais em casos leves até hospitalização, oxigenoterapia e ventilação mecânica em casos graves.- O prognóstico depende da gravidade, imunidade e agente, com alta hospitalar em até 94% dos casos tratados adequadamente.

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