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TEMPLATE PADRÃO ÚNICO DO DESAFIO PROFISSIONAL ORIENTAÇÕES IMPORTANTES ANTES DE COMEÇAR: Este é o template padrão único para a realização do seu Desafio Profissional. Para todas as disciplinas, o template será o mesmo. O que muda é a proposta do seu desafio. Portanto, para que você conheça o desafio proposto para a sua disciplina, é preciso: 1) Acessar o seu AVA; 2) Clicar na disciplina que será avaliada; 3) Entrar em “Notas e Avaliações”; 4) Clicar em “Responder Avaliação III”. Além disto, é fundamental que você faça a leitura atenta da questão na íntegra antes de iniciar o preenchimento deste template. Agora, vamos às etapas de realização do seu desafio profissional. ETAPA 1: Apresentação do Desafio Profissional Seu papel ativo nesta etapa é apenas ler tudo com atenção e entender qual solução (ou soluções) você apresentará ao final da atividade. Então, leia todas as orientações da Etapa 1 do seu Desafio Profissional. ETAPA 2: Materiais de referência (ambientação) do seu Desafio Profissional Nesta etapa, você deve analisar os materiais de referência e inteirar-se do conteúdo que o(a) professor(a) indicou para que você tenha mais segurança e conhecimento na hora de analisar o caso. Depois que você tiver feito a leitura e já estiver munido de mais informações, você deve eleger três aspectos do desafio proposto que sejam os mais relevantes, do seu ponto de vista, para a solução do desafio. Por exemplo: que estratégia inovadora foi usada? Que decisão polêmica ou uma atitude inesperada você localizou? Qual foi o erro do profissional que aplicou a fórmula? O que o profissional esqueceu de observar? Seu papel ativo nesta etapa é apontar esses três aspectos e justificar suas escolhas. Estudante, escreva aqui os três aspectos e justifique suas escolhas. Anote assim neste template: o que chamou atenção + por quê. Título do Parecer Da fé ao eu: como Descartes tirou o homem de baixo da saia da Igreja Consultor(a) Responsável Erivaldo Ferreira Objeto da Análise Explicar de maneira simples como o Racionalismo do século XVII quebrou com a mentalidade medieval e fez o pensamento humano andar com as próprias pernas, usando Descartes como guia. Referência Teórica Tópico 2 da Unidade 1 do livro da Junkes e Maciel (2024) + materiais extras indicados no desafio. ETAPA 3: Levantamento de conceitos teóricos Aqui, você deve aproximar a teoria da prática. Seu papel ativo nesta etapa é pesquisar conceitos, autores, teorias etc., que possibilitem a compreensão da solução do desafio. Você pode usar o seu livro da disciplina ou ainda o material apresentado na etapa 2. Para isto, faça uma lista comentada de conceitos-chave, cada um explicado em duas ou três linhas. Por exemplo: Nome do conceito → definição curta → como ajuda a entender o caso. Lembre-se de que é como montar uma “maleta de ferramentas teóricas” para usar na próxima etapa. 1. Racionalismo: É a ideia de que a gente consegue chegar na verdade usando só a cabeça, sem precisar sair correndo pra experimentar tudo ou perguntar pra autoridade de alguém. A razão já tem ferramentas pra isso. 2. Razão a priori: É o pensamento que vem antes da experiência. Por exemplo, você não precisa comer mil pizzas pra saber que "2+2=4" – isso já tá na sua razão antes de qualquer prova prática. 3. Cogito ergo sum (Penso, logo existo): Aquela famosa frase. É o ponto onde Descartes percebe que, mesmo tentando duvidar de tudo (inclusive se o mundo é real), ele não pode duvidar que está duvidando. Então, pelo menos o "eu que pensa" existe. 4. Dogmatismo religioso (Medieval): Era o esquema de pensamento da Idade Média onde a verdade vinha de cima pra baixo: Deus falava, a Igreja explicava, e você obedecia. Fé primeiro, razão depois – se sobrar espaço. 5. Empirismo: É a corrente que diz o contrário do racionalismo: que a gente só aprende sentindo, experimentando, vendo. Nada vem de fábrica na cabeça – tudo é experiência (a posteriori). ETAPA 4: Aplicação dos conceitos teóricos ao Desafio Profissional Neste momento, você deve começar a construção da sua análise. É aqui que você vai usar sua “maleta de ferramentas” para solucionar o desafio. Seu papel ativo nesta etapa é aplicar cada conceito que julgue importante e conectá-lo com algo que acontece na situação analisada. Você fará isso por meio de uma lista de tópicos, respondendo: Como o conceito X explica o que aconteceu na situação Y? O que a teoria X nos ajuda a entender sobre o problema central? Que soluções possíveis a teoria aponta (e por que elas fazem sentido)? O contexto e a treta com a tradição medieval: No século XVII, tava tudo meio bagunçado. As guerras de religião mostravam que "seguir a autoridade cegamente" não tava dando muito certo – cada lado matava o outro em nome de Deus. A ciência também tava avançando (Galileu, Copérnico) e mostrando que o que a Igreja falava sobre o mundo às vezes tava errado. É nesse caldo que o racionalismo cresce. A grande virada é: "e se a gente parar de olhar pra fora (pra Deus, pro Papa, pra Bíblia) e olhar pra dentro? E se a razão do sujeito for o tribunal da verdade?" O método da dúvida e o tapa no dogmatismo: Descartes não era ateu, atenção. Ele só achava que não dava pra sair acreditando em tudo que te contam. Ele propõe um exercício: duvidar de tudo. Duvidar dos sentidos (porque às vezes a visão engana, tipo um canudo dentro d'água que parece torto). Duvidar da realidade (e se for um sonho?). Até duvidar da matemática (e se existir um gênio maligno que me faz errar até em 2+3?). Nesse processo, o que sobra? Só uma coisa: o fato de que alguém está duvidando. Esse alguém é o "eu". Aí ele tira a prova: pra duvidar, eu preciso pensar. Pra pensar, eu preciso existir. Pronto. O sujeito virou o fundamento. Isso é uma paulada na tradição medieval porque lá o fundamento era Deus. Aqui, Deus ainda vai entrar depois, mas como uma conclusão da razão, não como ponto de partida. Razão a priori vs. empirismo: Vale explicar que o racionalismo não é a única opção da modernidade. O empirismo (com Locke e depois Hume) vai dizer que a mente nasce como uma "folha em branco" e que tudo que sabemos vem dos sentidos. Descartes discorda. Pra ele, confiar só nos sentidos é furada porque eles são enganadores. Tem coisa que a gente sabe sem precisar experimentar – tipo as verdades matemáticas. Isso é o tal do a priori. É a razão funcionando sozinha, sem precisar sair de casa. É por isso que ele vira o pai do racionalismo: porque ele acredita que o ser humano já carrega dentro de si as ferramentas pra distinguir o verdadeiro do falso. A ETAPA 5 É A MAIS IMPORTANTE DE TODO O PROCESSO, POIS É A ETAPA QUE SERÁ AVALIADA! ENTÃO, PRESTE MUITA ATENÇÃO! ETAPA 5 – AVALIATIVA: Redação do produto - Memorial Analítico. Chegou a hora de transformar todo o seu percurso investigativo em um texto claro, bem estruturado e objetivo. Seu papel ativo nesta etapa é desenvolver um Memorial Analítico. Este será o produto final do Desafio Profissional, que será avaliado com nota de zero a dez e terá peso três na média final desta disciplina. Vamos reforçar o que é um memorial analítico? É basicamente você mostrando o caminho que percorreu: o que leu, como interpretou, que teorias usou, que conclusões tirou e o que aprendeu com tudo isso. Para ajudar você, segue o passo a passo do que não pode faltar no Memorial Analítico (ordem recomendada, pois cada item fará parte da composição da sua nota): Resumo do que você descobriu (1 parágrafo) – vale 1 ponto Contextualização do desafio (1 parágrafo): Quem? Onde? Qual a situação? – vale 0,5 ponto Análise (1 parágrafo): use de 2 a 3 conceitos da disciplina, mostrando como eles explicam a situação. Dê exemplos diretos e contextualizados – vale 2 pontos Propostas de solução (até 2 parágrafos): o que você recomenda? Por quê? Qual teoria apoia sua ideia? – vale 3 pontos Conclusão reflexiva (até 2 parágrafos): O que você aprendeu com essa experiência? – vale 2 pontos Referências (somente o que você realmente usou, incluindo o livro) – vale 0,5 ponto Autoavaliação (1 parágrafo): o que você percebeu sobre seu próprio processo de estudo? – vale 1 ponto Checklist rápido antes de entregar: Meu texto não passou de 6000 caracteres. Meus conceitos fazem sentido, e não estão só “porque sim”. Conectei teoria + situação. Apresentei soluções plausíveis. Incluí referências. Mostrei que aprendi algo. Tenho orgulho do que escrevi. Lembre-se de que este trecho deve ser copiado e colado no campo de resposta da questão, dentro de Notas e Avaliações. Lembre-se também de salvar este documento em PDF e colocá-lo como anexo à sua resposta. Título: Da fé ao eu: como Descartes tirou o homem de baixo da saia da Igreja 1. Introdução: o que esse parecer quer mostrar Olha, a ideia aqui é ajudar a equipe de redação a entender – e depois explicar no material didático – como é que o Racionalismo do século XVII conseguiu aquilo que parecia impossível na Idade Média: fazer o pensamento humano andar sem muleta religiosa. Não que os filósofos modernos fossem todos ateus, longe disso. Mas eles mudaram a regra do jogo. Antes, a verdade vinha de fora: Deus revelava, a Igreja interpretava, e você repetia. Depois, com Descartes e outros, a verdade passou a ser algo que o sujeito constrói a partir da própria razão. É uma mudança de eixo gigantesca. Eu vou tentar ser o mais claro possível, porque sei que o material didático precisa conversar com alunos que talvez nunca tenham ouvido falar de "a priori" ou "cogito". Vamos com calma. 2. Como era o esquema medieval (pra gente entender de onde se partiu) Antes da modernidade, a palavra final era de Deus. Mas como Deus não desce daqui pra conversar, quem falava em nome dele era a Igreja. Então, se você perguntasse "por que o Sol gira em torno da Terra?", a resposta vinha da Bíblia ou de Aristóteles (que a Igreja tinha "adotado" como filósofo oficial). Não se questionava muito. Quem questionasse, tava colocando a fé em risco – e isso podia dar até morte na fogueira, como a gente sabe. O problema é que esse modelo começou a mostrar rachaduras. As guerras religiosas na Europa (católico contra protestante, cada um achando que Deus tava do seu lado) deixaram claro que "autoridade religiosa" não era sinônimo de "verdade universal". Se dois padres falam coisas diferentes em nome de Deus, como eu decido quem tá certo? Aí entra a ciência também: Galileu apontou a luneta pro céu e viu que a Terra não era o centro de nada. A Igreja mandou ele se calar, mas a imagem já tava ali – a razão observadora tinha visto algo que a tradição negava. 3. A sacada de Descartes: duvidar de tudo pra encontrar uma certeza Descartes era um cara que gostava de matemática. E o que a matemática tem de bonito? Ela não depende de opinião. 2+2=4 em Paris, em Roma, no Japão, em Marte. Não precisa de autoridade eclesiástica pra validar isso. Ele pensou: "e se a gente tratasse a filosofia como a matemática? E se a gente só aceitasse como verdade aquilo que é claro e evidente por si mesmo?" Aí ele criou o tal do "Método". A primeira regra é a mais importante: nunca aceitar algo como verdade sem que a gente tenha certeza absoluta. Pra chegar nessa certeza, ele resolveu aplicar a Dúvida Metódica. Vamos fazer de conta que tudo é mentira – os sentidos, o mundo, até Deus (pelo menos por um momento). Pergunta: o que sobra? Sobra o seguinte: eu estou duvidando. Se eu duvido, eu penso. Se eu penso, eu existo. O "eu" é a única coisa que não pode ser apagada. Mesmo que exista um gênio maligno me enganando, ele só pode me enganar porque eu sou um ser que pensa. Chegamos no Cogito ergo sum. Penso, logo existo. Percebe o tamanho da virada? Na Idade Média, o ponto de partida era "Deus existe e disse isso". Em Descartes, o ponto de partida é "eu penso, portanto eu sou". Deus vai ser provado depois (pela ideia de perfeição, mas isso é outro papo). O sujeito virou o dono da própria verdade. A independência do pensamento humano nasceu ali. 4. Por que a "razão a priori" é a ferramenta nova de interpretação da realidade Aqui é onde a gente responde a parte do desafio sobre a "razão a priori". Vamos descomplicar: a priori significa "antes da experiência". São coisas que a gente sabe sem precisar testar. Por exemplo: "todo triângulo tem três lados". Você não precisa sair medindo triângulo nenhum pra saber disso. É uma verdade que vem da estrutura da sua razão. Descartes achava que a gente tem dentro de si umas "ideias inatas" – tipo a ideia de perfeição, a ideia de infinito, as verdades matemáticas. Essas ideias não vêm dos sentidos (porque os sentidos enganam). Elas vêm da razão pura. E é por isso que a razão a priori vira a ferramenta principal: ela é confiável, universal, necessária. Já o empirismo – que vai aparecer com força depois, com John Locke e David Hume – diz o contrário: a mente é uma "tábula rasa", uma folha em branco. Tudo que sabemos vem dos sentidos. Se você nunca viu ou tocou algo, você não pode saber. Descartes rebate isso dizendo: "mas os sentidos são enganadores. O canudo dentro do copo d'água parece quebrado, mas não está. O sol parece ter um palmo de largura, mas é gigante. Não dá pra construir ciência em cima do que me engana". Então, quando o material didático for explicar a "razão a priori", pode usar esses exemplos: verdades que dispensam experimento, que estão na cabeça antes de qualquer vivência. É o oposto de "aprender fazendo". É "aprender pensando". 5. Conclusão – o que fica pra equipe de redação Resumindo de um jeito que dê pra colocar no material: O Racionalismo rompe com a Idade Média porque troca o fundamento da verdade: antes era Deus e a Igreja; agora é o sujeito e sua razão. A ferramenta dessa ruptura é a Dúvida Metódica – duvidar de tudo até encontrar algo que não pode ser negado. Esse "algo" é o Cogito – o eu pensante. A partir dele, a gente pode reconstruir todo o conhecimento com segurança. A razão a priori é a capacidade de ter verdades antes da experiência. Ela se opõe tanto ao empirismo (que só aceita verdades depois da experiência) quanto ao dogmatismo religioso (que aceita verdades por autoridade). O grande legado de Descartes, e do Racionalismo como um todo, é a ideia de que o ser humano tem dentro de si o tribunal da razão. Você não precisa de um padre pra dizer o que é verdade. Você precisa pensar com clareza e método. É claro que isso não resolve todos os problemas – a gente ainda briga por verdades até hoje. Mas a independência do pensamento, essa liberdade de questionar, é uma conquista que vem daí. Do século XVII, de um cara que resolveu sentar num quarto e duvidar de tudo.