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JANETE ALVES GOMES
PROJETO DE INTERVENÇÃO
2024
PROJETO DE INTERVENÇÃO
Janete Alves Gomes
PRESIDENTE 
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
DIRETOR GERAL 
Jorge Apóstolos Siarcos 
REITOR 
Frei Gilberto Gonçalves Garcia, OFM 
VICE-REITOR 
Frei Thiago Alexandre Hayakawa, OFM
PRÓ-REITOR DE ADMINISTRAÇÃO E PLANEJAMENTO 
Adriel de Moura Cabral 
PRÓ-REITOR DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO 
Dilnei Giseli Lorenzi 
COORDENADOR DO NÚCLEO DE EDUCAÇÃO A DISTÂNCIA - NEAD 
Franklin Portela Correia
CENTRO DE INOVAÇÃO E SOLUÇÕES EDUCACIONAIS - CISE
Franklin Portela Correia
CURADORIA TÉCNICA
Aracelia Maria Sagrado Lovato
DESIGNER INSTRUCIONAL
Luiza Cunha Canto Correia de Morais
Benedito José de Carvalho
REVISÃO ORTOGRÁFICA
Aline Fernanda Bellozo 
PROJETO GRÁFICO
Centro de Inovação e Soluções Educacionais - CISE
CAPA
Centro de Inovação e Soluções Educacionais - CISE
DIAGRAMADORES
Andréa Ercília Calegari
© 2024 Universidade São Francisco
Avenida São Francisco de Assis, 218
CEP 12916-900 – Bragança Paulista/SP
CASA NOSSA SENHORA DA PAZ – AÇÃO SOCIAL FRANCISCANA, PROVÍNCIA 
FRANCISCANA DA IMACULADA CONCEIÇÃO DO BRASIL – 
ORDEM DOS FRADES MENORES
A AUTORA
JANETE ALVES GOMES 
Graduada em serviço social pela Faculdade Paulista de Serviço social de São Caetano 
do Sul (1994) e Mestre em Ciências Sociais pela Pontifícia Universidade Católica de 
São Paulo – PUC - SP (2008). É assistente social concursada da Prefeitura de Santo 
André desde 2000 até a presente data. Coordenou os seguintes serviços: Casa Abrigo 
Regional do ABC para mulheres ameaçadas de morte; Gerência de Desenvolvimento 
Comunitário; Centro de Referência da Mulher em Situação de Violência. Atuou na As-
sessoria dos Direitos da Mulher e em Centros de Referência de Assistência Social – 
CRAS. No momento atua no Centro de Referência Especializado de Assistência Social 
– CREAS. Integrou o Conselho Municipal de Direitos da Mulher e o Conselho Municipal 
de Assistência Social. Foi colaboradora do Consórcio Intermunicipal do ABC - Grupo de 
Trabalho Gênero e Raça. Integrou a Comissão de Instrução da Comissão de Ética - do 
Conselho Regional de Serviço Social. Foi professora do curso de graduação em serviço 
social da Faculdade Tijucussu/ UNIESP (2008 a 2010); professora do curso de Gradua-
ção em Serviço Social e da Pós Graduação em Psicopedagogia da Faculdade de Mauá 
– FAMA/UNIESP (2009 a 2014). Professora do curso de Serviço Social da Universida-
de Camilo Castelo Branco – Unicastelo/Universidade Brasil (2014 a 2017); Professora 
do curso de serviço social da faculdade Anhanguera/ KROTON, em São Bernardo do 
Campo (2014- 2018), onde também foi professora do curso de pós-graduação na Polí-
tica de Assistência Social e demais Políticas Públicas.
Assistente Social pela Fundação do ABC com atuação nos Hospitais de Campanha de 
Santo André - abril a outubro/2020. 
Professora em Cursos Livres para Assistentes Sociais sobre Relatórios e Pareceres 
Sociais, 2020 e 2021; Intervenções com Famílias nas Situações de Violência contra 
Crianças e Adolescentes, 2021; Perícia Social e Assistência Técnica Social, 2021;
Assistente Técnica Social Judicial, 2021.
SUMÁRIO
UNIDADE 01: O SERVIÇO SOCIAL NA CONTEMPORANEIDADE ....................6
1. O debate sobre o objeto do Serviço Social: reflexão sobre a atuação do Serviço 
Social frente à questão social .................................................................................6
2. Competências e atribuições do assistente social: o fazer na contemporaneidade 
 ................................................................................................................................14
3. Espaços sócio-ocupacionais e dimensões políticas da prática do assistente social 
 ................................................................................................................................19
UNIDADE 02: FORMAÇÃO PROFISSIONAL EM SERVIÇO SOCIAL .................28
1. O projeto de trabalho profissional e a elaboração do projeto de intervenção .....29
2. A dimensão técnico-operativa nos processos de trabalho dos assistentes sociais 
 ................................................................................................................................38
3. Sistematização para o processo interventivo e investigativo ..............................42
UNIDADE 03: EXERCÍCIO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL E O 
ESTÁGIO SUPERVISIONADO ................................................................................56
1. O estágio supervisionado na formação profissional do assistente social ...........57
2. A legalidade e a legitimidade da atividade do estágio supervisionado ................59
3. A supervisão em serviço social e a sua metodologia ..........................................68
UNIDADE 04: O PROJETO DE INTERVENÇÃO COMO INSTRUMENTAL DO 
SERVIÇO SOCIAL ....................................................................................................78
1. O grupo como instrumento de intervenção profissional do serviço social .........78
2. O serviço social e o trabalho com grupos: o histórico e a intervenção do assistente 
social no trabalho com grupos ...............................................................................83
3. Trabalho com grupos: dinâmicas, sociodrama, organização de fóruns, 
conferências e oficinas ............................................................................................86
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O Serviço Social na contemporaneidade UNIDADE 1
O SERVIÇO SOCIAL NA 
CONTEMPORANEIDADE
INTRODUÇÃO 
A presente unidade busca contextualizar o surgimento da questão social no bojo 
do desenvolvimento do capitalismo e a atuação do Serviço Social, especialmente 
na contemporaneidade. A questão social é o objeto de intervenção do Serviço 
Social, profissão que surge como estratégia ao seu enfrentamento para assegurar a 
reprodução do capital.
O primeiro tópico de ensino tratará do Serviço Social na contemporaneidade e a 
atuação profissional frente à questão social. Além disso, abordará o processo de 
desenvolvimento do capitalismo e a afirmação da sociedade burguesa, bem como a 
importância da resistência da classe trabalhadora na superação das desigualdades 
sociais. Neste cenário, analisaremos as requisições conservadoras da profissão.
O segundo tópico debaterá acerca do fazer profissional e as competências e as atribuições 
do assistente social, situando a importância da aproximação da profissão à tradição marxista 
como possibilidade de apreensão da realidade social, a construção do Projeto Ético Político 
da Profissão, a Lei de Regulamentação profissional e as Diretrizes Curriculares.
O terceiro tópico estudará a dimensão política da prática do assistente social e de 
seu fazer profissional, além de apresentar os espaços sócio-ocupacionais e suas 
possibilidades para desenvolvimento das competências e das atribuições privativas.
1. O DEBATE SOBRE O OBJETO DO SERVIÇO SOCIAL: 
REFLEXÃO SOBRE A ATUAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL FRENTE 
À QUESTÃO SOCIAL
Esta seção tratará do surgimento e do desenvolvimento do capitalismo, cujo modo 
de produção demandou a ampliação do trabalho, bem como sua degradação na 
contemporaneidade. A pauperização e a precarização da classe trabalhadora pela 
necessidade de acumulação do capital promoveram o surgimento da chamada questão 
social, para a qual as políticas sociais emergiram como resposta.
Nesse contexto histórico nasceu o Serviço Social, inicialmente como forma de 
contenção da classe trabalhadora. O amadurecimento da profissão superou as 
requisições conservadoras ao construir seu projeto profissional na direção oposta do 
projeto burguês do capital.
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1.1. DESENVOLVIMENTO DO CAPITALISMO E A QUESTÃO SOCIAL
Para realizar o debate sobre a questão social, faz-se necessário compreender o 
processo de desenvolvimento do capitalismo e a solidificação da sociedade burguesa, 
assim como o da necessária luta travada pelaPor quê? 
 ` Para quê? 
 ` Para quem? 
 ` Como? 
 ` Com que meios? 
 ` Em que tempo?
Cabe aqui esclarecermos a distinção entre projeto e projeto de intervenção. Para isso, 
recorreremos às autoras Ahlert et al. (2018, p. 12): “nem todo projeto é um projeto de 
intervenção, e nem toda intervenção é um projeto, já que a formulação de um projeto 
nem sempre é criado com o fim de intervir numa situação, ou em uma instituição”, a 
exemplo dos projetos de pesquisa. 
Para as autoras, a formulação do projeto está além dos espaços sócio-ocupacionais, 
pois vincula-se a “inquietações pessoais” sem, por exemplo, implicar na melhoria de 
condições dos usuários.
O projeto, por sua parte, se apresenta como um conjunto de ações des-
critas mediante uma proposta operativa, que demanda planejamento, com 
prazos e recursos previamente determinados. É uma proposta que busca 
responder a uma necessidade específica através da implementação de 
uma série de estratégias. Se trata de “um instrumento técnico-administra-
tivo de execução de empreendimentos específicos, direcionados para as 
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mais variadas atividades interventivas e de pesquisa no espaço público 
e no espaço privado” (TEIXEIRA, 2009, p. 05). O projeto não responde 
necessariamente a uma proposta de intervenção, ele pode responder sim-
plesmente a um questionamento que carrega produção científica, sem ne-
cessariamente intervir na realidade.
Por sua parte, o projeto de intervenção 
nasce de uma proposta de ação interven-
tiva que busca a transformação de um 
bem ou serviço, depois de ter identifica-
do problemas, vicissitudes, necessidades 
dentro de um espaço institucional, me-
diante o qual se planeja soluções e estra-
tégias que contribuam no desenvolvimen-
to institucional. Se trata do planejamento 
de um conjunto de ações coordenadas, 
que visem, mediante a intervenção, en-
contrar formas para melhorar o atendi-
mento de demandas específicas, a fim de 
contribuir no trabalho desenvolvido pela instituição. (AHLERT et al., 2018, p. 11-12)
Assim, realizado o esclarecimento pertinente, pontuamos que esta seção visa ao en-
foque no projeto de intervenção. Seu objetivo é qualificar os serviços prestados a fim 
de encontrar soluções para situações postas como desafios a serem respondidos, que 
“melhorem o atendimento, a receptividade, a qualidade, entre outros aspectos que te-
nham como direção as necessidades sociais e a garantia de direitos dos usuários” 
(AHLERT et al., 2018, p.12)
Para que o assistente social possa ter o projeto de trabalho como estratégia de reco-
nhecimento profissional, o projeto deve ser escrito, não pode estar apenas na cabeça 
do profissional, a sua materialização é fundamental. É necessário que ele possa ser 
acessado, acompanhado e entendido. Assim, a sua formulação deve conter alguns ele-
mentos fundamentais [...]. (COUTO, 2009, p. 7)
Quadro 01. Formulação do projeto de trabalho
Figura 05. Ponto de interrogação – conceito de pesquisa
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ELEMENTOS CARACTERÍSTICAS
Identificação, delimitação 
e justificativa
Identificação das expressões da questão social que serão objeto da 
intervenção profissional.
Nessa etapa de identificação, o assistente social deve fundamentar 
a necessidade da execução do projeto e priorizar as principais 
demandas para responder às necessidades relativas ao público-alvo.
Objetivos
O que se pretende realizar e quais são os objetivos a serem 
alcançados, que devem ser realizáveis. Essa definição dá a clareza 
necessária para compreender a proposta da intervenção profissional.
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ELEMENTOS CARACTERÍSTICAS
Metas
É preciso quantificar e qualificar o trabalho proposto. Essas metas 
precisam estar relacionadas com os objetivos. É obrigatória a 
apresentação de indicadores que vão medir a efetividade do trabalho. 
A intervenção presume uma transformação sobre a realidade posta 
como desafio. Sua avaliação é necessária para que se apresentem 
os resultados a serem alcançados e como se pretende chegar a eles. 
Também deve ser informado como o trabalho será monitorado, para 
que sejam avaliados os resultados.
Recursos
O projeto precisa explicitar os recursos necessários para a execução. 
Devem ser apresentados os recursos financeiros a serem gastos e 
é necessário formular propostas orçamentárias e de desembolso 
financeiro, factíveis para a tender às demandas dos usuários, 
sujeitos do projeto.
Além disso, devem ser apresentados os recursos humanos e materiais. 
Controle social
É a previsão do controle e a avaliação e a descrição do que será 
avaliado, de que forma, em que tempo, com quais instrumentos e 
quem realizará a avaliação. Ainda, como o conhecimento produzido 
na intervenção realizada será potencializado.
Fonte: adaptado de Couto (2009, p. 7).
O projeto de intervenção também deve apresentar:
 ` Metodologia do trabalho.
A metodologia refere-se ao detalhamento pormenorizados das ações a serem realiza-
das e a periodicidade delas, que precisam ser registradas em um cronograma, onde 
deve conter as atividades, as datas de realização, o profissional responsável pela ativi-
dade, os materiais utilizados etc.
É importante também haver um cronograma físico-financeiro dos recursos a serem 
levantados, bem como um cronograma com apresentação de recursos humanos e materiais. 
Por fim, o projeto de intervenção deve apresentar:
 ` Cronograma.
 ` Referências bibliográficas: as obras utilizadas na elaboração.
 ` Anexos: documentos consultados (opcionais).
 ` Apêndices: documentos produzidos pelo responsável pela elaboração do projeto (opcionais).
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Há várias demandas importantes em diversas áreas que justificam a elaboração de 
projetos interventivos: relativos à moradia, à saúde, assistência social, educação, no 
enfrentamento das violações de direitos e violências contra crianças, adolescentes, mu-
lheres, idosos, pessoas com deficiência, entre outras categorias.
É importante ouvir os interesses e conhecer as necessidades da população e não ela-
borar projetos do ponto de vista apenas do que o profissional avalia ser importante, sem 
realizar a escuta os usuários. Para isso, é fundamental o estudo social e a apreensão 
crítica da realidade social, dos seus determinantes, do que se apresenta como proble-
ma social e demandas coletivas.
Figura 06. Gerenciamento de projetos
Fonte: 123RF.
É necessário que o assistente social reúna habilidades e competências profissionais 
exigidas pelo projeto ético-político construído pelo conjunto da categoria. Há desafios pos-
tos no cotidiano profissional dimensionados pelas contradições da relação capital e trabalho 
em uma sociedade capitalista, em que a profissão exige que o assistente social atue nas 
necessidades sociais geradas pela dominação e pela exploração da classe trabalhadora. 
Todos os assistentes sociais, quando da ocupação de um espaço profissio-
nal, estão desafiados a estabelecer projetos de trabalho que possam lhes 
assegurar o reconhecimento do valor social de seu trabalho e que servirão 
de instrumento potente na busca de afirmação do projeto ético político pro-
fissional. (COUTO, 2009, p. 12)
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2. A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA NOS PROCESSOS DE 
TRABALHO DOS ASSISTENTES SOCIAIS
Nesta seção, abordaremos as dimensões interventivas da profissão do assistente so-
cial. Albiero e Alves (2018, p. 299 apud IAMAMOTO, 2000, p. 4), ao analisarem os 
desafios postos ao serviço social, apontam três dimensões que devem ser de grande 
importância na atuação do profissional assistente social:
 ` Ético-política.
 ` Teórico-metodológica.
 ` Técnico-operativa.
Será enfatizado que a dimensão técnico-operativa é indissociável das demais dimensões 
da profissão, que são a teórico-metodológica e a ético-política. Elas interagem entre si en-
quanto mediação da práticaprofissional (MARTINELLI, 2005 apud FÁVERO, 2005, p. 20).
2.1 A DIMENSÃO ÉTICO-POLÍTICA
A dimensão ético-política diz respeito ao 
compromisso do assistente social com os 
objetivos da profissão e com a defesa de 
direitos dos usuários do serviço social. An-
cora-se no pensamento crítico profissional 
balizado pela teoria social crítica – marxista. 
Essa perspectiva fundamenta os valores 
éticos e políticos da classe trabalhadora.
No Código de Ética de 1993 estão ex-
pressos os valores éticos reconhecidos 
como fundamentais para a construção de 
uma sociedade justa e igualitária, como:
Figura 07. Valores
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 ` Defesa dos direitos humanos.
 ` Liberdade.
 ` Cidadania.
 ` Democracia.
 ` Equidade.
 ` Justiça social.
 ` Respeito à diversidade.
 ` Pluralismo.
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Além disso, o documento afirma a “opção por um projeto profissional vinculado ao pro-
cesso de construção de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de 
classe, etnia e gênero” e traz como pressuposto a recusa do preconceito e das formas 
de discriminação (CFESS, 2012b, p. 24).
É ao projeto social aí implicado que se conecta o projeto profissional do Serviço 
Social - e cabe pensar a ética como pressuposto teórico-político que remete ao 
enfrentamento das contradições postas à profissão, a partir de uma visão crítica, 
e fundamentada teoricamente, das derivações ético-políticas do agir profissional.
2.2 A DIMENSÃO TEÓRICO METODOLÓGICA
A dimensão teórico-metodológica também se apoia na teoria social crítica de Marx. 
Somente uma teoria social crítica é capaz de desvelar as bases materiais de produção 
e reprodução do capitalismo responsáveis pela dominação e pela exploração de uma 
classe – a trabalhadora –, que geraram historicamente desigualdades sociais, produzi-
das pelas suas diversas expressões da questão social.
2.3 A DIMENSÃO TÉCNICO-OPERATIVA E SUA INDISSOCIABILIDADE 
COM AS DIMENSÕES ÉTICO-POLÍTICA E TEÓRICO-METODOLÓGICA
No ano de 2020, o Conselho Federal de 
Serviço Social (CFESS) publicou a sistema-
tização e a análise de registros da opinião 
técnica emitida pelo assistente social em 
relatórios, laudos e pareceres, objeto de de-
núncias éticas presentes em recursos disci-
plinares julgados pelo referido Conselho.
O relatório aponta o fato de os debates 
em torno do registro em serviço social se-
rem “assunto ainda não suficientemente 
adensados, persistindo no meio profissio-
nal imprecisões e falta de discernimento em relação ao uso, conteúdo e finalidade do re-
gistro, incluindo sua própria denominação” (CFESS, 2020, p. 22). Algumas indagações 
sobre a questão são levantadas no relatório:
A sistematização é uma necessidade presente no cotidiano do trabalho realizado pelo 
assistente social, e o registro é um instrumento de defesa dos direitos. Contudo, há um 
desafio presente no interior da categoria sobre as dificuldades apresentadas em torno 
de sua operacionalização.
Sobre esse aspecto, o relatório CFESS traz a contribuição da citação da autora Soares 
(2013 apud CFESS, 2002, p. 22): 
Figura 08. Texto do estudo de caso 
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 ` O que são registros em serviço social?
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Afirma Soares que “um dos desafios hoje para o Serviço Social é concretizar 
o Projeto Ético Político da profissão no dia a dia do serviço, por isso é impor-
tante a reflexão sobre o registro em Serviço Social, pois o ‘registro escrito 
é uma objetivação do trabalho profissional e como tal é uma expressão do 
exercício profissional’.
A dimensão técnico-operativa refere-se ao fazer profissional por meio do domínio e da apli-
cação dos instrumentos e das técnicas do serviço social, utilizados para se chegar a uma 
finalidade. Além disso, diz respeito à intervenção profissional e à sua instrumentalidade.
A autora Yolanda Guerra chama a atenção para a importância do entendimento de que 
a intervenção profissional não se reduz à dimensão técnico-instrumental, sob o risco 
de limitar as demandas profissionais apenas às exigências do mercado, pois tratam-se 
de ações instrumentais manipulatórias. (GUERRA, 2000, p. 10-11). Além disso, a in-
serção da profissão na ordem capitalista permite compreender que a instrumentalidade 
consolida a profissão e articula as dimensões instrumental, técnica, teórica e política 
(GUERRA, 2016, p. 50-51).
Instrumentos dizem respeito ao arsenal necessário para o fazer profissional. Alguns 
deles são apresentados a seguir. 
Quadro 02. Instrumentos operativos do serviço social
 ` Quais são as nomenclaturas para documentos e registros convencionadas pelos órgãos 
de representação da profissão? 
 ` Quais são os elementos necessários para identificá-los? 
 ` No documento ainda são apresentadas outras indagações, por “fugirem às possibilidades/
limites” do trabalho:
 ` A qualidade do registro sempre reflete a qualidade do trabalho profissional?
 ` Pode existir uma dificuldade especial para traduzir na escrita particularidades do t 
rabalho realizado?
 ` O trabalho efetivado poderia, em algumas situações, ser mais qualificado do que seu 
registro? (CFESS, 2020, p. 22).
INSTRUMENTO CARACTERÍSTICAS
Acolhimento social Escuta qualificada visando estabelecer um diálogo, identificar 
problemas e construir vínculos entre o usuário e o profissional.
Atendimento social
Escuta qualificada que envolve um conjunto de ações voltadas ao 
atendimento de famílias e de indivíduos, visando ao acesso aos direitos 
sociais, políticos e civis dos usuários nas diferentes políticas setoriais.
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Fonte: elaborado pela autora.
INSTRUMENTO CARACTERÍSTICAS
Acompanhamento social
Escuta qualificada com o objetivo de apreender a situação-problema 
apresentada pelo usuário, a fim de proceder nas orientações, 
nos encaminhamentos, nas intervenções e no planejamento para 
acompanhamento social, caso seja necessário.
Entrevista
Escuta qualificada para o conhecimento e a intervenção na realidade 
dos usuários. É necessário o planejamento e a definição da melhor 
técnica de entrevista, de acordo com a finalidade a ser alcançada.
Visita domiciliar Atendimento no domicílio. Requer planejamento (finalidade para a 
realização da entrevista). Pode ser visita familiar ou institucional.
Grupo Reunião de pessoas em torno de um objetivo comum e com temas 
relativos ao cotidiano e às necessidades delas.
Oficina Reunião de pessoas na qual os usuários participam ativamente, não 
apenas recebem informações ou apresentam produto.
Reunião Encontro de duas ou mais pessoas com o propósito de discutir temas 
definidos previamente, inerente aos interesses dos participantes.
Assembleia Reunião com um número grande de usuários com o objetivo de definir, 
encaminhar e votar em determinada proposta de interesse coletivo.
No processo de trabalho profissional, o assistente 
social pode lançar mão de vários instrumentos para 
viabilizar processos reflexivos, acessos, direitos e 
conquistas que possibilitem cidadania para a popu-
lação usuária. Cabe ao profissional definir os ins-
trumentos necessários para cada demanda, como 
resposta e alcance das finalidades.
Os instrumentos elencados também estão na dimen-
são do respeito, da ética e do direito ao processo in-
formativo sobre sua situação e sobre os conflitos ins-
talados na vida dos sujeitos.
Figura 09. Grande grupo de pessoas 
formando um círculo
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PARA REFLETIR
3. SISTEMATIZAÇÃO PARA O PROCESSO INTERVENTIVO 
E INVESTIGATIVO
Além da dimensão interventiva, também é inerente ao serviço social a investigativa, que 
configura a pesquisa em serviço social, pois é necessário conhecer para intervir. Ambas 
as dimensões estão interligadas, pois tratam-se da pesquisa sobre a realidade social 
para nela intervir.
De acordo com Iamamoto (2009, p. 8), a pesquisa é um processo sistemáticode ações 
que investiga, interpreta e desvenda um objeto. A sistematização do trabalho realizado 
pelos assistentes sociais é necessária e inerente à pesquisa.
Para o Serviço Social, o processo de sistematização da prática permite: 
identificar e problematizar as condições do exercício profissional, os fenôme-
nos existentes, selecioná-los e classificá-los, identificar suas características, 
as dificuldades, lacunas, a necessidade de aprofundamento teórico para me-
lhor compreendê-los e a da adoção de determinado referencial-teórico que 
permita interpretá-los, funcionando como um momento pré-teórico da maior 
relevância (IAMAMOTO, 2009, p. 8)
De acordo com a autora, o processo de sistematização do trabalho indica a necessida-
de de elaborar o projeto de intervenção.
Figura 10. Grupo de pessoas com conceito de pesquisa
A dimensão técnico-operativa do serviço social não pode ser analisada de forma isolada, pois 
é articulada com as demais dimensões da profissão – a técnico-operativa e a ético-política.
A instrumentalidade é a propriedade inerente e essencial presente no processo de trabalho 
do assistente social, por meio do qual a profissão lança mão das dimensões técnico-operati-
va, teórico-metodológica e ético-política para o alcance dos objetivos profissionais.
Fonte: 123RF. 
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É a pesquisa em serviço social que fornece elementos de análise sobre a produção e 
a reprodução da vida social no capitalismo e sua concepção política sobre o processo 
de dominação e de exploração da classe trabalhadora. A partir do processo de conhe-
cimento da realidade, possibilita-se a intervenção na perspectiva de sua transformação.
A pesquisa também subsidia a formulação de políticas públicas que atendam às necessida-
des dos usuários. A realização de entrevistas, de visitas domiciliares, de registros de atendi-
mentos e de acompanhamentos sociais aproxima do cotidiano e configura-se como prática 
investigativa. Alguns desses instrumentos são considerados privativos do assistente social.
Da mesma forma, a realização do processo metodológico do estudo social, da perícia 
social e de seu registro nos relatórios, nos laudos e nos pareceres sociais concretiza a di-
mensão investigativa da profissão. A sistematização da prática profissional do assistente 
social é necessária e extremamente relevante, processo que se materializa na utilização 
dos instrumentos e das técnicas, sistematiza o cotidiano profissional visa à sua reflexão.
3.1 INSTRUMENTOS UTILIZADOS NA COMUNICAÇÃO ESCRITA
A sistematização está presente em alguns instrumentos extremamente relevantes para 
a garantia de direitos dos usuários, como os relatórios.
Fávero (2009) pontua que os registros, mais usualmente elaborados por as-
sistente social (em referência àqueles que instruem autos processuais), são 
o informe, o relatório, o laudo e o parecer. [...] pontua ainda que esses regis-
tros, ao serem juntados aos autos, passam a ser “meios de comunicação de 
mensagens.” Isto é, comunica-se “uma mensagem de uma área específica 
do conhecimento a profissionais de outras áreas do conhecimento, os quais, 
ao realizar a leitura, o farão com determinados objetivos e a partir de deter-
minadas perspectivas, nem sempre coincidentes com as do profissional que 
emitiu a mensagem [...].” (FÁVERO, 2009, p. 632-633).
Os relatórios são registros elaborados 
para o Sistema de Justiça e subsidiam 
decisões a respeito da vida de indivíduos. 
Além disso, são um instrumento utilizado 
na prática profissional dos assistentes so-
ciais em qualquer espaço sócio-ocupacio-
nal de atuação profissional.
Ao receber uma demanda à qual o as-
sistente social deva responder por meio 
de um relatório, ele precisa se atentar à 
demanda avaliativa solicitada e respon-
dê-la a partir da realização do estudo so-
cial. O registro elaborado pelo assistente social é considerado o diálogo realizado entre 
usuário e demais profissionais (juiz, promotor, psicólogo, advogado etc.), que expres-
sará a realidade dos sujeitos envolvidos na situação posta para estudo. Trataremos do 
estudo social e de sua importância no decorrer da unidade.
Figura 11. O quê? por quê? Quem?
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Magalhães (2006) também traz o debate sobre o processo da comunicação escrita e 
apresenta estratégias no uso, que devem ser expressas nos documentos escritos. A 
autora sinaliza como a rotina de escrever relatórios não pode se tornar uma prática 
alienante. É fundamental “[...] desenvolver a capacidade crítica [...], posicionamento 
profissional e o pensar coletivo [...]” (MAGALHÃES, 2006, p. 72 e 88).
Além disso, ela mostra a necessidade do hábito da leitura e do contato com a linguagem 
escrita para o enriquecimento do vocabulário e sugere como estratégias a organização e a 
planificação das ideias e a elaboração de roteiro para o desencadeamento do texto. Ainda, 
chama a atenção sobre a necessidade de se evitar o mero relato descritivo, focando apenas 
no que deve ser transmitido sobre a demanda avaliativa (MAGALHÃES, 2006, p. 72-73).
Sugestões/questões para avaliar a coerência e a consistência de um registro:
 ` O texto que escrevi está claro, coerente e completo?
 ` As informações e os relatos são precisos e necessários ou, ao contrário, dizem respeito à 
minha tendência à prolixidade?
 ` Tudo o que escrevi é essencial à compreensão do texto ou alguns dados interessariam 
apenas a mim como subsídios para a avaliação?
 ` A linguagem que utilizei está adequada?
 ` A forma de expressão condiz com a linguagem escrita?
 ` Os pronomes e as expressões de tratamento foram usados adequadamente?
 ` Ao me referir à análise que fiz, utilizei a mesma pessoa em todo o texto, isto é, usei sem-
pre o impessoal ou a primeira pessoa do plural? (MAGALHÃES, 2006, p. 75).
Quadro 03. Instrumentos utilizados na comunicação escrita – relatórios
TIPOS DE RELATÓRIOS CARACTERÍSTICAS
Informativos
Informa dados ou fatos na triagem ou no decorrer do 
acompanhamento. Ao extrapolar simples informações, devem conter 
sugestões ou parecer.
Circunstanciados Elaborados em situação de emergência, ao ser identificada situação 
de risco. Devem conter parecer.
De visita domiciliar Resultam de visitas domiciliares ou institucionais que são utilizadas 
pelos usuários. Detalhes devem ser evitados.
De acompanhamento
Precisa conter registro de intervenções realizadas. Geralmente, 
é utilizado internamente para o profissional que realiza o 
acompanhamento.
De inspeção Similar ao relatório de visita: descreve o que foi observado.
Fonte: adaptado de Magalhães (2006, p. 63-64).
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A Lei que regulamenta a profissão do 
assistente social dispõe como atribui-
ções privativas do profissional a reali-
zação de laudos e pareceres sociais, 
assim como as perícias sociais. A Lei 
nº 8.662/1993 estabelece sobre a pro-
fissão de assistente social:
Art. 5º Constituem atribuições privati-
vas do Assistente Social
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, 
laudos periciais, informações e parece-
res sobre a matéria de Serviço Social. 
(BRASIL, 1993, [n. p.])
O registro do estudo ou da perícia social realizado por assistentes sociais, assim como 
seu parecer ou indicativos de alternativas para a situação estudada se dá no relatório 
ou no laudo social (FÁVERO, 2005, p. 21).
Quadro 04. Estrutura do relatório, do laudo e do parecer social
Figura 12. Qual é a sua história?
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DOCUMENTO ESTRUTURA
Relatório social
Deve conter o registro do objeto de estudo, a identificação dos sujeitos 
envolvidos e um breve histórico da situação, a finalidade à qual se 
destina, os procedimentos utilizados, os aspectos significativos 
levantados na entrevista e a análise da situação.
Laudo social
Introdução indicando a demanda judicial e os objetivos do trabalho; 
identificação das pessoas envolvidas na açãoe que direta e 
indiretamente estão incluídas no estudo; metodologia utilizada para 
a efetivação do trabalho (entrevistas, visitas, contatos, estudos 
documental e bibliográfico etc.) e a definição breve de alguns 
conceitos utilizados, na medida em que o receptor da mensagem 
contida nesse documento não necessariamente tem familiaridade 
com os conhecimentos da área do serviço social.
Parecer social
O parecer social sintetiza a situação, apresenta uma breve análise e 
aponta conclusões ou indicativos de alternativas que expressarão o 
posicionamento profissional frente ao objeto de estudo.
Esse documento pode ser a parte final de um laudo ou pode ser 
realizado em razão de determinação judicial, com base em conteúdos 
já documentados nos autos e/ou em informações complementares.
Fonte: adaptado de Fávero (2005, p. 27-29).
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Formação Profissional em Serviço Social
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O relatório social apresenta o registro de forma descritiva e interpretativa, podendo ser 
mais detalhado, e o registro de uma ou mais entrevistas, iniciais ou de acompanhamen-
to. O laudo social é utilizado como uma das evidências que instruirá o processo e que 
poderá dar suporte à decisão e à sentença judicial.
O relatório social e o laudo social são diferenciados apenas pelo ponto de vista da fun-
damentação técnica do parecer. O segundo, além de apresentar análises fundamenta-
das, precisa ser conclusivo e conter sugestões de alternativas.
Todos os registros que o assistente social junta [...] serão, a partir daí, meios 
de comunicação de mensagens. Comunica-se, então, uma mensagem de 
uma área específica do conhecimento a profissionais de outras áreas do 
conhecimento, os quais, ao realizar a leitura, o farão com determinados obje-
tivos e a partir de determinadas perspectivas, nem sempre coincidentes com 
as do profissional que emitiu a mensagem. (FÁVERO, 2009, p. 30) 
3.2 O ESTUDO SOCIAL
O estudo social é um processo 
metodológico de apreensão da 
realidade social presente no pro-
cesso de trabalho do assistente 
social, que perpassa a trajetória 
histórica do serviço social desde 
o início da profissão. Atualmente, 
seu marco está previsto na Lei de 
Regulamentação da Profissão, 
Lei nº 8.662/1993, nos artigos 4º 
e 5º, que dispõe sobre as compe-
tências (artigo 4º) e as atribuições 
privativas (artigo 5ª) dos assistentes sociais (CFESS, 2012b, p. 44-45). 
Art. 4º Constituem competências do Assistente Social:
XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de bene-
fícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta e 
indireta, empresas privadas e outras entidades.
O assistente social é o profissional com competências para analisar os determinantes 
sócio-históricos-culturais que condicionam a vida dos sujeitos. Esse processo se dá por 
meio da realização do estudo social, cuja finalidade é conhecer, de forma crítica, uma 
determinada situação, expressão da questão social, posta como desafio a ser resolvido.
O registro desse estudo ou perícia realizado, com suas conclusões, soluções de alter-
nativas e parecer, concretizam-se no registro do relatório ou do laudo social.
O estudo social é um processo de trabalho de competência do assisten-
te social. Tem como finalidade conhecer e interpretar a realidade social na 
qual está inserido o objeto da ação profissional, [...], a expressão da questão 
social ou o acontecimento ou situação que dá motivo à intervenção.” (FÁVE-
RO, 2005, p. 21)
Figura 13. Estudo de caso
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Os conhecimentos em matéria de serviço social, registrados nos relatórios, nos laudos 
ou nos pareceres, geralmente são referência e, no caso dos processos, podem servir 
de prova documental com vistas a contribuir com magistrado na decisão sobre determi-
nada ação judicial.
No sistema de justiça, o estudo social é realizado com a finalidade de instruir o processo 
com conhecimentos da área de serviço social e recebe também o nome de perícia social.
O estudo social como processo metodológico possibilita o conhecimento da realidade 
social. Por meio dele pode-se levantar a forma como é determinada realidade dos sujei-
tos, como ela se configura em termos territoriais, regionais e nacional, a forma de vida 
dos indivíduos e de suas famílias, suas condições materiais etc. 
3.3 OS ASPECTOS ÉTICOS ENVOLVIDOS NA COMUNICAÇÃO 
ESCRITA DOS ASSISTENTES SOCIAIS
Há aspectos e cuidados éticos a serem observados e considerados nos registros elabo-
rados nos documentos e nos instrumentos do fazer profissional dos assistentes sociais. 
No ano de 2020, o Conselho Federal de Serviço Social (CFESS) apresentou uma sis-
tematização com base em conteúdo de recursos processuais disciplinares sobre de-
núncias éticas relativas à opinião técnica emitida por assistentes sociais em informes, 
prontuários, relatórios, laudos ou pareceres sociais e outros documentos, produzidos 
a partir de atendimentos, estudos e avaliações sociais, socioeconômicas ou perícias 
(CFESS, 2020, p. 11).
A sistematização incluiu a forma como seu resultado é expresso no registro; 
linguagem utilizada no registro - se alinhada à particularidade do Serviço 
Social; terminologias e conteúdo que extrapolem para especificidades de 
outras áreas profissionais; sintonia com a finalidade profissional ou institucio-
nal; conteúdos que extrapolem as atribuições e competências profissionais. 
(CFESS, 2020, p. 12)
Ainda conforme a sistematização do CFESS, foi observado se o conteúdo estava em 
conformidade com as atribuições privativas dos assistentes sociais, se os registros es-
tavam de acordo com a ética profissional e se a fundamentação teórico-metodológica 
era pertinente à profissão.
No tocante ao CRESS de origem, dos 16 recursos éticos analisados, dois (12,5%) são 
oriundos do CRESS-MG, um (6,25%) do CRESS-SC, dois (12,5%) do CRESS-PR e 11 
(68,75%) do CRESS-SP.
Perito: especialista em determinada área de conhecimento, no caso, em serviço social – é 
nomeado para realizar um estudo e emitir um parecer a respeito, a fim de que a autoridade 
solicitante tome uma decisão segundo o entendimento técnico (FÁVERO, 2005, p. 21)
GLOSSÁRIO
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Formação Profissional em Serviço Social
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Em relação às denúncias, a maioria dos recursos éticos deu-se nas seguintes regiões:
Quadro 05. Temáticas e interfaces entre os espaços ocupacionais
Região Sul Região Sudeste
18,75% 81,25%
Santa Catarina e Paraná São Paulo e Minas Gerais
Sendo a maioria (68,75%) da 9ª região/
CRESS - São Paulo (CFESS, 2020, p. 16).
ESPAÇO OCUPACIONAL DE 
ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL TEMÁTICA INSTITUIÇÃO DESTINATÁRIA 
DO REGISTRO
CREAS
Tentativa de estabelecimento de 
convívio entre pai e filho(a) que es-
tava sob guarda unilateral materna.
Poder Judiciário – Vara de Família
SAS/MUNICIPAL (perita autôno-
ma, extra SAS) Benefício assistencial (plágio). Instituto Nacional de Seguridade 
Social – INSS
Unidade prisional Progressão de pena. Poder Judiciário – Vara Criminal
Tribunal de Justiça – Poder 
Judiciário Cadastro para adoção de criança. Vara da Infância e da Juventude
Hospital
Alta sem retaguarda de pessoa 
em tratamento de dependência 
de psicoativos.
Sem registro
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Fonte: adaptado de CFESS (2020, p. 18-19).
ESPAÇO OCUPACIONAL DE 
ATUAÇÃO DO PROFISSIONAL TEMÁTICA INSTITUIÇÃO DESTINATÁRIA 
DO REGISTRO
Tribunal de Justiça – Poder 
Judiciário Guarda. Poder Judiciário – Vara de Família
Prefeitura Municipal/ 
Conselho Tutelar Medida socioeducativa. Poder Judiciário – Vara da 
Infância e da Juventude
Prefeitura Municipal/CREAS POP Interdição. Poder Judiciário – Vara Cível
ONG Regulamentação de visitas. Poder Judiciário – Vara de Família
Organização destinada à execu-
ção de medida de internação de 
adolescente
Medida socioeducativa. Poder Judiciário – Vara da 
Infância e da Juventude
Centro de Detenção Provisória Progressão. Poder Judiciário – VaraCriminal
Tribunal de Justiça Modificação de guarda. Poder Judiciário – Vara de Família
Hospital especializado Violência sexual contra crianças e 
adolescentes. Sem registro
Prefeitura Municipal – 
atendimento ao servidor
Condições de trabalho que pode-
riam ter agravado deficiência física. Poder Judiciário – Trabalhista
Tribunal de Justiça Poder Judiciário Regulamentação de visitas. Poder Judiciário – Vara de Família
Centro de saúde
Denúncia de negligência contra 
pessoa idosa com problemas 
de saúde.
Sem registro
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Formação Profissional em Serviço Social
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Verifica-se nos dados apresentados no quadro que, em relação às situações que de-
mandaram a intervenção profissional, a maioria (12) refere-se à área sociojurídica, rela-
cionadas à instrução processual nas varas de família e sucessões, nas varas criminais, 
nas varas da infância e da juventude, nas varas cíveis, na justiça do trabalho e na previ-
dência social (como recurso para Benefício de Prestação Continuada – BPC). As outras 
três apresentam interface indireta com a mesma área: situações de violência sexual, 
internação compulsória e tentativa de restabelecimento do convívio entre pai e filho(a) 
(CDESS, 2020, p. 17-18).
Os recursos éticos analisados, [...] não tragam dados que permitam traçar o 
perfil profissional das/os assistentes sociais denunciadas/os, sinalizam para 
[...] hipóteses que nos auxiliam a compreender a persistência dessa prática: 
algumas/alguns não acompanharam a renovação do Serviço Social brasilei-
ro ou não a compreendem [...]. (CFESS, 2020, p. 77-78)
Os dados e a sistematização do relatório do CFESS mostram a indissociabilidade das 
dimensões técnico-operativas “sempre na perspectiva de unidade” (CFESS, 2020, p. 
68), com as dimensões teórico-metodológica e ético-política, e que estas devem ser as-
sumidas “como foco de ações, debates, capacitações, discussões em todo espaço co-
letivo possível” (CFESS, 2020, p. 68),. O relatório aponta que, por meio dessas dimen-
sões, os profissionais com defasagem na formação profissional podem “se apropriar de 
debates centrais da profissão e exercitar mediações entre singularidade, particularidade 
e universalidade” (CFESS, 2020, p. 68).
Por fim, é apontado no relatório ser fundamental a discussão sobre a complexidade que 
envolve a relação profissional, o estudo e o trabalho social com famílias, destacando ser 
um tema que representa, para os profissionais, muitas armadilhas, tendo sido observa-
das em vários recursos éticos disponibilizados para a análise do CFESS.
Para saber mais sobre o relatório de sistematização realizado com base em conteúdo de 
recursos processuais disciplinares, que envolveram denúncias éticas relativas à opinião téc-
nica emitida por assistentes sociais expressa e/ou registrada em documentos, acesse o link: 
Assim, há que se colocar um imperativo para a profissão: 
Ousar saber para ousar transformar (IAMAMOTO, 2009, p. 17).
SAIBA MAIS
PARA REFLETIR
Disponível em: http://www.cfess.org.br/arquivos/registros-opiniao-tecnica.pdf. Acesso 
em: 15 dez. 2021.
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OBJETO DE APRENDIZAGEM
O profissional de serviço social. Da formação do profissional a pratica.
CONCLUSÃO
O serviço social é uma profissão extremamente importante, porque dos seus profissionais 
se requer o desvelamento da realidade social e dos seus determinantes presentes na vida 
dos trabalhadores. Nesse contexto, é fundamental o reconhecimento do assistente social 
como trabalhador assalariado que vive das mesmas condições da classe trabalhadora.
Nos espaços sócio-ocupacionais, o profissional deve conhecer os objetivos das institui-
ções empregadoras, a correlação de forças existente nelas, a população usuária aten-
dida, suas necessidades etc. É nessa perspectiva que se afirma o projeto ético-político 
da profissão, que ao lado de outros projetos profissionais, faz frente ao projeto do capi-
tal, na direção da construção de outra ordem societária, sem dominação e exploração 
de qualquer natureza. 
É necessário um profissional com habilidades e competências para atuar nas contradi-
ções da sociedade, visualizando possibilidades de intervenções efetivas e que propor-
cione o acesso e os direitos da população usuária e contribua para o enfrentamento das 
desigualdades sociais.
É fundamental a capacidade profissional de fazer o estudo da realidade por meio do 
processo metodológico do estudo social. Nesse sentido, também reside a importância 
da capacidade profissional de sistematização dessa realidade e de seu registro nos 
documentos técnicos, que deve ser realizado com o devido cuidado técnico e ético.
Há desafios postos, conforme aponta Iamamoto:
Assim, um desafio é romper as unilateralidades presentes nas leituras do 
trabalho do assistente social com vieses ora fatalistas, ora messiânicos, tal 
como se constata no cotidiano profissional (IAMAMOTO, 1992).
 ` A formação profissional balizada no projeto profissional e na oposição ao projeto do 
capital, com dimensão na superação da questão social e de suas diversas expressões, na 
direção da mudança e no alcance de uma nova sociabilidade.
 ` O projeto de intervenção e a sua importância na identificação e na superação de uma 
situação problema-problema relativa a uma expressão da questão social.
 ` A dimensão técnico-operativa indissociável das dimensões teórico-metodológica e ético-
política como mediação necessária no processo de trabalho dos assistentes sociais.
 ` A importância da sistematização para o registro da realidade social apreendida no 
processo investigativo da profissão e como requisito para o processo interventivo com 
foco na superação de violações de direitos e para seu acesso pelos usuários.
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Formação Profissional em Serviço Social
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As primeiras superestimam a força e a lógica do comando do capital no 
processo de (re) produção, submergindo a possibilidade dos sujeitos de atri-
buírem direção às suas atividades. Com sinal trocado, no viés voluntarista, 
a tendência é silenciar ou subestimar os determinantes histórico-estruturais 
objetivos que atravessam o exercício de uma profissão, deslocando a ênfase 
para a vontade política do coletivo profissional, que passa a ser superesti-
mada, correndo-se o risco de diluir a profissionalização na militância stricto 
sensu. (IAMAMOTO, 2009, p. 9)
Assim, há também espaço para alternativas no exercício profissional que atenda ao 
projeto construído coletivamente pela categoria e que ainda se encontra em construção, 
por meio da capacidade de operar a mediação por intermédio das dimensões da profis-
são – técnico-operativa, teórico-metodológica e ético-política – e do exercício crítico e 
reflexivo, contribuindo para o enfrentamento das desigualdades sociais e possibilitando 
acessos aos direitos e à cidadania.
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Formação Profissional em Serviço Social
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
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UNIDADE 3
EXERCÍCIO PROFISSIONAL 
DO ASSISTENTE SOCIAL E O 
ESTÁGIO SUPERVISIONADO
INTRODUÇÃO
O estágio supervisionado em serviço social [...] é um processo didático-pedagógico que se 
consubstancia pela indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e profissional 
(ABEPSS, 2010, p. 14 apud CRESS, [s. d.], p. 8). Trata-se de uma atividade teórico-prática 
imprescindível que se efetiva na inserção do estudante nos espaços sócio-ocupacionais de 
atuação de assistentes sociais, cuja finalidade é a formação nas dimensões técnico-opera-
tiva, teórico-metodológica e ético-política necessárias para o exercício profissional.
Para a profissão, o estágio no processo de formação, por meio da supervisão acadêmi-
ca e profissional, é necessário para compreender a contradição existente na relação de 
capital e trabalho, que se constitui pela exploração e pela dominação da classe traba-
lhadora pelos donos do capital e que produz condicionantes sócio-econômico-culturais 
na vida dos sujeitos, presentes nas expressões da questão social, como as vulnerabili-
dades e os riscos sociais e pessoais.
Para a efetivação do estágio, as instâncias organizativas como a Associação Brasileira 
de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS) e Conselho Federal de Serviço So-
cial (CFESS) normatizaram e aprovaram um conjunto de instrumentos legais que, so-
mados a outros marcos, como a Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) 
e a Lei Nacional sobre o Estágio, sustentam a formação profissional pautada no projeto 
ético-político do serviço social com respostas às demandas das classe trabalhadora, 
em oposição do projeto do capital.
No capítulo 1, será abordado o estágio supervisionado na formação profissional do 
assistente social. Serão apresentados os princípios norteadores do estágio supervisio-
nado, os pressupostos necessários para a realização do estágio e o contexto sócio-his-
tórico-político da formação em serviço social no Brasil
O capítulo 2 tratará da legalidade e da legitimidade da atividade do estágio supervi-
sionado, por meio do resgate dos percursos da construção das normativas do estágio 
supervisionado; o estágio supervisionado nas regulamentações profissionais do assis-
tente social no Brasil; o estágio supervisionado nas regulamentações da formação pro-
fissional do assistente social no Brasil e o estágio supervisionado nas regulamentações 
do ensino superior.
O capítulo 3 trará um breve contexto da trajetória histórica da supervisão em serviço 
social nas suas modalidades, a supervisão direta de estágio e sua metodologia, as 
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atribuições dos envolvidos no processo de estágio e o fórum de supervisão como um 
importante espaço político de interlocução dos sujeitos envolvidos nesse processo, com 
vistas a qualificar a formação profissional.
1. O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NA FORMAÇÃO 
PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL
O estágio é parte integrante da formação em serviço social e deve ser pensado no con-
texto de formação a partir das mudanças da profissão, especificamente nas décadas 
de 1980 e 1990, no bojo do processo de sua renovação, rompendo com seu caráter 
conservador, por meio do movimento de reconceituação. 
Essa trajetória profissional está situada nas mudanças políticas, econômicas e sociais 
do período, na abertura democrática do país, com o final da ditadura militar. Foram mu-
danças ocorridas no capitalismo por meio da instalação dapolítica neoliberal e do des-
monte das políticas sociais públicas, cujas consequências de ordem econômica tiveram 
rebatimentos sociais, sendo visualizadas no campo do trabalho, como o desemprego 
e a elevação da pobreza da classe trabalhadora (NICOLAU; SANTOS, 2016, p. 381).
As décadas de 1980 e 1990 foram cenário para a construção de um projeto profissional 
sob direção da Associação Brasileira de Ensino de Serviço Social (ABESS) e do Centro de 
Documentação e Pesquisa em Políticas Sociais e Serviço Social (CEDEPSS), tendo a parti-
cipação do Conselho Federal de Serviço Social (CFESS), do Conselho Regional de Serviço 
Social (CRESS) e da Executiva Nacional dos Estudantes de Serviço Social (ENESSO). 
Nesse contexto sócio-histórico houve aprovação e revisão do Código de Ética de 1986 
e sua revisão posterior, culminando na aprovação do Código de Ética de 1993, a Lei nº 
8.662/93, que regulamenta a profissão de Serviço Social e as Diretrizes Curriculares da 
ABEPSS, de 1996.
1.1. O CONTEXTO SÓCIO-HISTÓRICO-POLÍTICO DA FORMAÇÃO EM 
SERVIÇO SOCIAL NO BRASIL
No contexto do neoliberalismo e no seu enfrentamento contra o desmonte das políticas 
sociais públicas e da política educacional, especificamente do ensino superior, a con-
trarreforma do Estado e os impactos na política de educação superior trazem novas 
configurações para a formação profissional e, consequentemente, novos rebatimentos 
no processo de supervisão de estágio.
No campo da formação e do exercício profissional, o projeto profissional dos anos de 
1980/1990 foi resultado de um processo de resistência teórico-política, por intermédio 
de uma teoria social crítica, a marxista, desvendamento da realidade social enquanto 
totalidade. Passou-se a exigir profissionais com formação que os tornasse aptos na 
apreensão das dimensões dessa realidade conjuntural e estrutural.
A formação profissional do assistente social se expressa em uma concepção 
de ensino-aprendizagem fundada na relação dinâmica entre Estado e so-
ciedade, resultante de determinações macros societárias que estabelecem 
limites e possibilidades para a inserção profissional nos espaços sócio-o
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
3
SAIBA MAIS
cupacionais das instituições. A formação profissional se propõe a “preparar cien-
tificamente quadros profissionais capazes de responder às exigências de um 
projeto profissional coletivamente construído e historicamente situado” (IAMA-
MOTO, 1992, p. 163). A formação profissional não pode ser confundida com a 
simples preparação para o emprego. Ainda que não possa desconsiderá-lo, a 
formação profissional exige o necessário entendimento crítico da Universidade 
como instituição para formação profissional. (NICOLAU; SANTOS, 2016, p. 382)
A produção no campo do estágio formulada pelas Diretrizes Curriculares para o curso 
de serviço social, aprovadas em 1996 pela ABEPSS, fundamenta o debate sobre a 
formação profissional, sendo parte dos seus princípios mais relevantes a interlocução 
entre supervisão acadêmica e profissional, e a garantia da supervisão sistemática e 
acadêmica, de forma que é impensável a separação desses processos.
A supervisão de estágio deve ser realizada por professor supervisor e pelo profissional 
de campo, com base no plano de estágio elaborado conjuntamente entre a unidade de 
ensino e a unidade de campo de estágio. O processo de supervisão se dá pela inserção 
do estudante como estagiário nos espaços sócio-ocupacionais de trabalho do assisten-
te social, pelo seu acompanhamento, pela reflexão da prática profissional e sua siste-
matização e por meio da apreensão das dimensões teórico-metodológica, ético-política 
e técnico-operativa do exercício profissional.
Como parâmetros principais de referência destacam-se o Código de Ética do profissional 
(1993) e a Lei nº 8.662/93 (Lei de Regulamentação da Profissão). Esta é a lógica curri-
cular proposta para a superação da fragmentação (LEWGOY, 2013, p. 70-71, 74 e 76).
Essas referências também se encontram na Política Nacional de Estágio (PNE) (ABEPSS, 
2010, [n. p.]), outro instrumento pedagógico relevante. O estágio supervisionado curricular 
apresenta-se nas modalidades obrigatório e não obrigatório e como processo didático-pe-
dagógico, trazendo a supervisão acadêmica e profissional como processos inseparáveis.
Ainda de acordo com Lewgoy (2013, p. 79), o estágio possibilita ao estudante de ser-
viço social se aproximar e se identificar com o mundo profissional e com a dinâmica da 
realidade social, o que exige a confirmação de seu compromisso ético-político com a 
profissão, ao passo que prepara o estudante para a inserção no mercado de trabalho 
com condições de dar respostas profissionais.
Plano de estágio 
É um instrumento de planejamento das atividades de estágio, previsto pela Lei nº 11.788/2008, 
que deve ser construído conjuntamente pelo supervisor acadêmico, pelo supervisor de cam-
po e pelo estudante. É o que norteará o processo de ensino-aprendizagem, por isso, precisa 
considerar as dimensões ético-política, teórico-metodológica e técnico-operativa.
Para saber mais, acesse o link 
Disponível em: https://www.cressrj.org.br/cartilhas/o-que-voce-precisa-saber-sobre-es-
tagio-em-servico-social-orientacoes-eticas-e-legais/. Acesso em: 2 fev. 2022.
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IMPORTANTE
Os princípios norteadores para a realização do estágio requerem: 
Consonância com os princípios do Código de Ética de 1993; Indissociabili-
dade entre as dimensões teórico-metodológica, ético-política e técnico-ope-
rativa do exercício profissional; Articulação entre formação e exercício profis-
sional; Indissociabilidade entre estágio e supervisão acadêmica e de campo; 
Articulação entre universidade e sociedade; Unidade entre teoria e prática; 
Interdisciplinaridade, com respeito aos marcos que regulamentam a profis-
são; Articulação entre ensino, pesquisa e extensão. (CFESS, [s. d.], p. 8)
São pressupostos para o estágio:
 ` Construção do perfil profissional pretendido, crítico, criativo, propositivo, investigativo e 
comprometido com os valores e os princípios que norteiam o projeto ético-político profissional.
 ` Estágio realizado conjuntamente pelo supervisor acadêmico e de campo, requerendo 
encontros periódicos entre eles.
 ` Supervisão direta de estágio em serviço social como atividade privativa do assistente 
social em pleno gozo de seus direitos profissionais.
 ` Processo coletivo de ensino-aprendizagem no qual se realizam observações, registros, 
análises e atuações do estagiário no campo de estágio, bem como a avaliação do 
processo de aprendizagem.
 ` Construção de conhecimentos e de competências para o exercício da profissão.
 ` Avaliação do processo de estágio e do desempenho discente de forma contínua, 
assegurando a participação dos diferentes segmentos envolvidos (supervisores 
acadêmicos e de campo e estagiários) (CRSS, [s. d.], p. 9).
2. A LEGALIDADE E A LEGITIMIDADE DA ATIVIDADE DO 
ESTÁGIO SUPERVISIONADO
A análise sobre a base legal operativa do estágio supervisionado em serviço social não 
deve prescindir do debate das dimensões teórico-metodológica e ético-política no pro-
cesso formativo e no cotidiano do trabalho.
O cotidiano profissional apresenta a imediaticidade das ações requisitadas aos assis-
tentes sociais, seja pelas instituições ou pela população demandatária das interven-
ções, o que pode se tornar um exercício profissional alienante e alienador e de práticas 
manipulatórias junto aos sujeitos.
De acordo com Guerra (2007, p. 9-10), o cotidiano é o lugar de realizar a reprodução 
social, em que aparecem as funções exigidas do serviço social pelo Estado e pelas ins-
tituições que respondem ao projeto capitalista: intervir na vida dos sujeitos e nas suas 
demandas imediatas. São ações instrumentais imediatas insuficientes para responder à 
complexidade das demandas apresentadas.
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Exercício profissional do assistentesocial e o estágio supervisionado
3
Esse é o espaço fundamental para os estudantes de serviço 
social, por meio do estágio supervisionado, apreenderem quais 
são as demandas requisitadas pela classe trabalhadora que 
chega aos serviços e às políticas públicas nas quais estão inse-
ridos os assistentes sociais. São demandas complexas que exi-
gem intervenções de outra ordem que não sejam as imediatas.
Aqui reside a necessidade da reflexão sobre o cotidiano pro-
fissional permeado pelas contradições postas pelo capitalismo 
para a manutenção do status quo, ou seja, pela naturalização 
das desigualdades sociais e pela sua individualização e culpa-
bilização dos sujeitos, portanto, o não questionamento sobre as 
expressões da questão social presentes na sua vida e, por fim, 
a manutenção da exploração da classe trabalhadora.
Yolanda Guerra realiza o debate sobre a instrumentalidade pre-
sente no processo de trabalho dos assistentes sociais como reconhecimento social da 
profissão (GUERRA, 2007, p. 2-3). Para a reflexão do cotidiano profissional e para as 
respostas necessárias, é fundamental olhar para o projeto político profissional e para 
os instrumentos legais da profissão. Nesse percurso teórico-prático, a compreensão 
dos instrumentos normativos profissionais no processo de formação como inerentes ao 
estágio supervisionado é fundamental (LEWGOY, 2013, p. 73).
A proposta do estágio curricular na perspectiva da superação da fragmentação do pro-
cesso ensino-aprendizagem e prática é considerada um desafio profissional, exigindo 
criticidade frente à apreensão da realidade social e à postura ética na construção de 
intervenções que atendam às reais necessidades dos sujeitos.
[...] no âmbito técnico-instrumental, os pressupostos teóricos que informam a 
construção de um dado projeto de formação profissional não estão dissocia-
dos. Além disso, esta concepção expressa elementos preciosos do projeto 
ético-político do Serviço Social, tendo como referência o Código de Ética 
Profissional [...]. (LEWGOY, 2013, p. 74-75)
2.1. AS NORMATIVAS SOBRE A SUPERVISÃO DIRETA DE ESTÁGIO 
EM SERVIÇO SOCIAL
O conjunto de documentos e de normativas legais a respeito da supervisão direta de 
estágio em serviço social é um marco importante e fundamental para a compreensão 
de que a formação e o trabalho profissional são inseparáveis. Assim, os principais ele-
mentos que envolvem a realização do estágio supervisionado estão presentes em do-
cumentos e leis, sendo marco legal de referência para a profissão: 
Figura 01. Pobres e ricos
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F.
 ` Lei de Regulamentação da Profissão nº 8.662/1993
 ` Código de Ética do Assistente Social (1993)
 ` Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) (1996)
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Mais do que normativas, o conjunto que forma o estatuto legal e respalda o estágio super-
visionado em serviço social apresenta conteúdo ético-político construído pela profissão nas 
últimas três décadas, a partir da necessidade de sua renovação, assegurando um exercício 
profissional crítico na perspectiva da mudança social e da emancipação humana.
[...] o estatuto legal das normativas profissionais carregam conteúdos ético-
-políticos, o que demonstra que o Conjunto CFESS-CRESS, nestas últimas 
décadas, também caminhou par e passo com o movimento de renovação da 
profissão, para sustentar e assegurar uma concepção ampla de regulação 
profissional. (CFESS, [s. d.], p. 7)
2.2. O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NAS REGULAMENTAÇÕES 
PROFISSIONAIS DO ASSISTENTE SOCIAL NO BRASIL
A Lei de Regulamentação da Profissão de Assistente Social (Lei nº 8.662/1993) estabelece a 
supervisão de estagiários de serviço social, sendo que apenas assistentes sociais podem assu-
mir atividades de supervisão direta de estagiários, por ser uma atribuição privativa da profissão.
 ` Resolução CFESS nº 533/2008
 ` Lei nº 11.788/2008 – Lei do Estágio
 ` Diretrizes Curriculares da ABEPSS (1996)
 ` Política Nacional de Estágio (PNE) (2009) 
Figura 02. Regulamentos
REGULAMENTOS
CONFORMIDADE
DIRETRIZCONDUTA
PROCEDIMENTO
LIMITAÇÃO 
PADRÃO
REGRAS
LEI
Fonte: 123RF
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
3
Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social:
VI - treinamento, avaliação, e supervisão direta de estagiários de Serviço 
Social. (BRASIL, 1993, [n. p.])
A lei também dispõe sobre o credenciamento dos campos de estágio, a designação de 
profissionais para a supervisão e a realização do estágio em serviço social privativo 
para os estudantes dessa área.
Art. 14. Cabe às Unidades de Ensino credenciar e comunicar aos Conselhos 
Regionais de sua jurisdição os campos de estágio de seus alunos e designar 
os assistentes sociais responsáveis por sua supervisão. 
Parágrafo único. Somente os estudantes de Serviço Social, sob supervisão 
direta de assistente social em pleno gozo de seus direitos profissionais, po-
derão realizar estágio de Serviço Social. (BRASIL, 1993, [n. p.])
O Código de Ética Profissional dispõe que só podem assumir funções de supervisor de 
estágio os assistentes sociais que forem do quadro profissional da instituição e estive-
rem obrigatoriamente registrados no CRESS, jurisdição de sua atuação profissional. 
Assim, constitui infração ética assumir supervisão de estágio de instituição na qual o 
profissional não atua como assistente social (CRESS, [s. d.], p. 22).
Art. 4º É vedado ao/à assistente social:
e- Permitir ou exercer a supervisão de aluno/a de Serviço Social em Insti-
tuições Públicas ou Privadas que não tenham em seu quadro assistente so-
cial que realize acompanhamento direto ao/à aluno/a estagiário/a. (CFESS, 
2012, p. 28)
A partir da aprovação da Lei de Estágio nº 11.788/08, o Conselho Federal de Serviço 
Social expediu a Resolução nº 533/2008 que regulamenta a supervisão direta de es-
tágio no serviço social. É um instrumento que representa a luta contra a precarização 
da educação e que tem rebatimentos na formação profissional dos assistentes sociais 
(CRESS, [s. d.], p. 23).
A referida Resolução dispõe que a supervisão de estágio em serviço social é uma ativi-
dade privativa do assistente social:
Art. 2º. A supervisão direta de estágio em Serviço Social é atividade pri-
vativa do assistente social, em pleno gozo dos seus direitos profissionais, 
devidamente inscrito no CRESS de sua área de ação, sendo denominado 
supervisor de campo o assistente social da instituição campo de estágio e 
supervisor acadêmico o assistente social professor da instituição de ensino. 
(CFESS, 2008, p. 3)
Sobre relação entre unidade acadêmica e instituição que recebe o estudante, a Resolu-
ção dispõe sobre atribuições dos supervisores acadêmicos e de campo na abertura do 
estágio e no decorrer de sua realização.
Art. 4º. A supervisão direta de estágio em Serviço Social estabelece-se na 
relação entre unidade acadêmica e instituição pública ou privada que recebe 
o estudante, sendo que caberá: 
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I) ao supervisor de campo apresentar projeto de trabalho à unidade de ensi-
no incluindo sua proposta de supervisão, no momento de abertura do campo 
de estágio; 
II) aos supervisores acadêmico e de campo e pelo estagiário construir plano 
de estágio onde constem os papéis, funções, atribuições e dinâmica proces-
sual da supervisão, no início de cada semestre/ano letivo. (CFESS, 2008, p. 3)
A responsabilidade da supervisão direta cabe a ambos os supervisores 
(acadêmico e de campo):
Art. 8º. A responsabilidade ética e técnica da supervisão direta é tanto do 
supervisor de campo, quanto do supervisor acadêmico, cabendo a ambos 
o dever de: 
I. Avaliar conjuntamente a pertinência de abertura e encerramento do campo 
de estágio; 
II. Acordar conjuntamente o início do estágio, a inserção do estudante no cam-
po de estágio, bem como o número de estagiários por supervisor de campo, 
limitado ao númeromáximo estabelecido no parágrafo único do artigo 3º; 
III. Planejar conjuntamente as atividades inerentes ao estágio, estabelecer o 
cronograma de supervisão sistemática e presencial, que deverá constar no 
plano de estágio; 
IV. Verificar se o estudante estagiário está devidamente matriculado no se-
mestre correspondente ao estágio curricular obrigatório; 
V. Realizar reuniões de orientação, bem como discutir e formular estraté-
gias para resolver problemas e questões atinentes ao estágio; VI. Atestar/
reconhecer as horas de estágio realizadas pelo estagiário, bem como emitir 
avaliação e nota. (CFESS, 2008, p. 4)
Informações importantes sobre a Resolução nº 533/08:
 ` Os supervisores acadêmicos e de campo devem ser ASSISTEN-
TES SOCIAIS e estar regulares quanto à sua situação no Conse-
lho Regional de Serviço Social (do contrário, constitui-se exercício 
ilegal da profissão). 
 ` A instituição campo de estágio deve assegurar os seguintes re-
quisitos básicos: espaço físico adequado, sigilo profissional, equi-
pamentos necessários, disponibilidade do supervisor de campo 
para acompanhamento PRESENCIAL da atividade de aprendiza-
gem, dentre outros requisitos, nos termos da Resolução CFESS 
nº 493/2006, que dispõe sobre as “condições éticas e técnicas do 
exercício profissional do assistente social” – ou seja, é irregular a 
realização do estágio que não ocorra no local onde o supervisor de 
campo desenvolve o trabalho profissional. 
SAIBA MAIS
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
3
2.3. O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NAS REGULAMENTAÇÕES DA 
FORMAÇÃO PROFISSIONAL DO ASSISTENTE SOCIAL NO BRASIL
As Diretrizes Curriculares do Curso de Serviço Social foram construídas nacionalmente 
e aprovadas pela ABEPSS no ano de 1996. Elas apresentam pressupostos, princípios e 
diretrizes que orientam o projeto pedagógico de cada unidade de formação em serviço so-
cial. O estágio, de acordo com a proposta das Diretrizes Curriculares, é referência para a 
formação profissional, tendo como um dos princípios a chamada indissociabilidade entre 
supervisão acadêmica e profissional e a supervisão acadêmica e de campo.
[...] tratam o estágio supervisionado como um momento ímpar do pro-
cesso ensino-aprendizagem, elemento síntese da relação teoria-prática, 
da articulação entre pesquisa e intervenção profissional, e que se con-
substancia como exercício teórico-prático, mediante a inserção do/a alu-
no/a nos diferentes espaços ocupacionais das esferas pública e privada. 
(CFESS, [s. d.], p. 11)
As Diretrizes Curriculares da ABEPSS indicam também o perfil do profissional de 
serviço social, sendo seus requisitos:
 ` Caso não haja convenção ou acordo escrito sobre a obrigatorie-
dade do assistente social em assumir atividades de supervisão de 
campo, é prerrogativa do profissional a decisão de desempenhar 
ou não essa atividade. 
 ` Supervisores acadêmicos e de campo, com a participação de es-
tagiários, devem elaborar plano de estágio, devendo o supervisor 
de campo manter cópia no local de realização do estágio. 
 ` O limite MÁXIMO de estagiários por supervisor de campo é de 01 
(um) estagiário, para cada 10 (dez) horas semanais de trabalho – 
ou seja, após a aprovação da Lei das 30 horas semanais, cada su-
pervisor poderá ter, no máximo, 03 (três) estagiários – observando 
a carga horária semanal do assistente social. 
 ` A inexistência de supervisão direta de estágio caracteriza-se 
EXERCÍCIO ILEGAL DA PROFISSÃO POR PARTE DO ESTAGIÁ-
RIO, estando, este, sujeito às penalidades existentes na legislação 
brasileira. (CFESS, [s. d.], p. 23)
Conheça a Resolução nº 533/08 na íntegra:
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL – CFESS. Resolução CFESS nº 533, de 29 de 
setembro de 2008. Regulamenta a supervisão direta de estágio no Serviço Social. 
Disponível em: http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao533.pdf. Acesso em: 22 nov. 
2021.
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Em 2009 foi aprovada a Política Nacional de Estágio (PNE) da ABEPSS por meio da 
participação do CFESS e da ENESSO, representando para a formação profissional 
as diretrizes gerais para o estágio, em conformidade com as diretrizes curriculares da 
ABEPSS de 1996.
A Política Nacional de Estágio é um importante instrumento para a construção do estágio 
nas unidades de formação acadêmicas. Fornece elementos para a análise do estudante 
quanto aos processos de interpretação e intervenção na realidade social frente às con-
tradições da sociedade capitalista, dessa forma, subsidiando-os para a prática profis-
sional por meio da compreensão das dimensões teórico-metodológicas, ético-políticas 
e técnico-operativas. Todos esses instrumentos representam maturidade profissional 
frente às necessidades de efetivação do projeto profissional.
 ` Atua nas expressões da questão social, formulando e implementando propostas para seu 
enfrentamento, por meio de políticas sociais públicas, empresariais, de organizações da 
sociedade civil e movimentos sociais; 
 ` Possui formação intelectual e cultural generalista crítica, competente em sua área de de-
sempenho, com capacidade de inserção criativa e propositiva, no conjunto das relações 
sociais e no mercado de trabalho; 
 ` É comprometido com os valores e princípios norteadores do Código de Ética do/a 
Assistente Social. 
 ` Dessa forma, o estágio supervisionado é um dos elementos pedagógicos que colaboram 
para fomentar esse perfil do futuro profissional. (CRESS, [s. d.], p. 11-12)
Figura 03. Conceito de estágio
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Fonte: Adaptado de 123RF.
META HABILIDADES CONHECIMENTO MENTORIA PRÁTICA OPORTUNIDADE TREINAMENTO
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2.4. O ESTÁGIO SUPERVISIONADO NAS REGULAMENTAÇÕES DO 
ENSINO SUPERIOR 
Dois instrumentos legais destacam-se no estágio supervisionado nas regulamentações 
do ensino superior no Brasil:
Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional de 1996. 
Lei nº 11.788 de 2008.
São dois os princípios do estágio supervisionado disposto na LDB de 1996:
O princípio da autonomia universitária que atribui a responsabilidade de nor-
matização para as instituições de Ensino Superior.
O princípio regulatório da relação entre o estágio supervisionado e o merca-
do de trabalho, que estabelece que estágio supervisionado não caracteriza 
vínculo empregatício.
Figura 04. Conceito de estágio
Fonte: 123RF.
ESTÁGIO
META
HABILIDADES
EXPERIÊNCIAS
MENTOR
DESENVOLVIMENTO 
PESSOAL
TREINAMENTOOPORTUNIDADE
A Lei prevê a responsabilidade das unidades de ensino superior na realização de 
estágio, define o caráter pedagógico e não trabalhista do processo de estágio e 
tem ainda como finalidade a proteção do estudante estagiário com garantia de 
cobertura previdenciária.
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Quanto à Lei que dispõe sobre o estágio de estudantes (Lei nº 11.788/2008), regula-
menta nacionalmente o estágio nas instituições de ensino nos níveis superior, profissio-
nal, médio, especial e dos anos finais do Ensino Fundamental, assim como na modali-
dade profissional da educação de jovens e adultos (artigo 1º).
O estágio se apresenta nas modalidades obrigatório e não obrigatório e não gera vín-
culo empregatício. A Lei nº 11.788/2008 define o lugar social do estagiário nos espaços 
ocupacionais e na sociedade, enquanto sujeito de direitos em processo de formação, 
ao estabelecer o número de estagiários em relação à quantidade de supervisores da 
instituição concedente, conforme disposto no artigo 17. 
Art. 17. O número máximo de estagiários em relação ao quadro de pessoal 
das entidades concedentes de estágio deverá atender às seguintes proporções: 
I – de 1 (um) a 5 (cinco) empregados: 1 (um) estagiário; 
II – de 6 (seis) a 10 (dez) empregados: até 2 (dois) estagiários; 
III – de 11 (onze) a 25 (vinte e cinco) empregados: até 5 (cinco) estagiários; 
IV – acima de 25 (vinte e cinco) empregados: até20% (vinte por cento) de 
estagiários. (BRASIL, 2008, [n. p.])
Informações importantes sobre a Lei nº 11.788, de 25 de setembro de 2008:
 ` O termo de compromisso deve estar associado ao planejamento das atividades 
do estagiário, acordadas entre instituição de ensino, parte concedente 
(instituição campo) e estagiário – toda atividade de estágio deve ser planejada 
através do PLANO DE ESTÁGIO, que deve estar sempre disponível em 
qualquer situação de fiscalização. 
 ` O estagiário deve ser acompanhado por professor indicado pela instituição de 
formação e por um supervisor da parte concedente. 
 ` O supervisor de campo deve ser do quadro de funcionários da instituição 
concedente – isto é, deve possuir VÍNCULO DE TRABALHO, sendo vedada, 
então, a supervisão oferecida por voluntários ou por aqueles que prestam 
serviços na condição de terceirizados, conforme parecer emitido pela 
assessoria jurídica do CFESS (Parecer Jurídico nº 36/2010). 
 ` A jornada máxima de estágio de nível superior é de 30 horas semanais ou de 
6 horas diárias. 
 ` O estagiário tem direito a recesso de 1 mês, compatível com o período de 1 
ano de realização do estágio, preferencialmente associado às férias escolares. 
 ` As atividades de extensão só poderão ser equiparadas a estágio se O estágio 
é legalmente responsabilidade das unidades de formação e de ensino. 
 ` Caso a inserção do estagiário não cumpra os requisitos legais existentes na 
Lei Federal, caracteriza-se, assim, vínculo empregatício – podendo o estagiário 
responder legalmente por falsidade ideológica e exercício ilegal de profissão 
e as instituições responsáveis por não garantirem direitos trabalhistas, dentre 
outras ilegalidades. (CRESS, [s. d.], p. 20)
IMPORTANTE
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3. A SUPERVISÃO EM SERVIÇO SOCIAL E A SUA METODOLOGIA
Figura 05. Perguntas mais frequentes
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F.
 ` A supervisão é a expressão da indissociabilidade entre trabalho e formação 
profissional: duas dimensões da profissão se articulam para a realização da 
síntese das determinações que envolvem o exercício profissional: as condições 
concretas apresentadas no mercado de trabalho, as condições subjetivas do sujeito 
e a necessidade de qualificá-las permanentemente. Trata-se da dimensão formativa 
presente no projeto profissional.
 ` A supervisão é a expressão da unidade entre teoria e prática: é um processo 
metodológico dialético no qual teoria e prática são inseparáveis. É a partir do referencial 
teórico que se constrói alternativas e respostas profissionais para o enfrentamento das 
situações postas como problemas da realidade social.
 ` A supervisão não pode ser compreendida desvinculada de seus componentes 
teórico, ético e político: trata-se da compreensão do significado social do serviço social 
na coletividade brasileira, de um projeto profissional que estabelece conexão aos demais 
projetos de sociedade.
 ` A supervisão não pode ser realizada, independentemente das características das 
políticas sociais e das formas de prevenção das expressões da questão social 
adotadas pelo Estado: é continuamente mediada pelas questões que particularizam as 
políticas sociais tanto em relação à educação superior, especialmente a supervisão de 
estagiários, quanto em relação às demais políticas sociais setoriais, por exemplo, nas 
modalidades de supervisão de políticas sociais, entidades, programas e projetos, equipe, 
assistentes sociais e estagiários.
 ` Na supervisão se realiza a unidade entre ensino e aprendizagem: o objeto de 
conhecimento é realidade social dinâmica com suas situações concretas. Ensinar e 
aprender se apresentam como experiências indissociáveis do processo de supervisão que 
no estágio tomam forma na relação entre supervisão acadêmica e de campo e supervisão 
profissional. Os sujeitos envolvidos na discussão sobre o exercício profissional são os 
estudantes, as equipes profissionais e os supervisores. 
Braga e Guerra (2009, p. 2) se 
referem à importância da super-
visão como “atribuição sociopro-
fissional” fundamental à forma-
ção e à capacitação profissional 
e listam algumas modalidades de 
supervisão e pressupostos gerais 
a partir dos quais se deve partir.
A realização da supervisão no serviço social no Brasil perpassa sua trajetória históri-
ca. Quanto à supervisão aos projetos e aos programas sociais, vem adquirindo várias 
denominações, formas e conteúdo. As autoras Braga e Guerra (2009, p. 6) resgatam 
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esse processo histórico, afirmando que o referencial sobre o tema remonta às primeiras 
ações do serviço social na perspectiva da assistência técnica, que se vinculavam à 
orientação técnica e às entidades privadas de filantropia, na assistência e na orientação 
das obras sociais. Além de orientação, a supervisão também exercia controle e fiscali-
zação sobre essas entidades. 
Na década de 1960, no processo desenvolvimentista do país, houve a ampliação das 
instituições sociais. A supervisão era denominada como assistência técnica em serviço 
social nas modalidades de assessoria, consultoria, supervisão e orientação, como parte 
das estratégias dos organismos internacionais (ONU, OEA, CEPAL, entre outros) de 
eliminar os obstáculos à mudança e ao desenvolvimento, cuja perspectiva foi da fis-
calização e do controle dos programas, visando à sua eficácia e eficiência. A profissão 
passou a ter dimensão política, ampliando suas funções para exercer a administração e 
o planejamento no âmbito das políticas sociais (BRAGA; GUERRA, 2009, p. 8).
A segunda metade dos anos de 1970, com o contexto político de crise da ditadura mi-
litar e da autocracia, rumo ao processo de democratização e à construção de um novo 
projeto profissional do serviço social, diante da incorporação de referenciais críticos das 
ciências sociais e dos temas relativos às lutas sociais, o modelo burocrático da assis-
tência técnica ou da supervisão foi questionado. A incorporação do controle social na 
perspectiva democrática de atendimento às demandas da classe trabalhadora passou 
ser a direção presente na construção do projeto ético-político profissional.
Autocracia é uma forma autoritária de governo em que o poder político estatal se concentra 
em um único governante. Ela perdurou por mais de duas décadas no Brasil, entre os anos de 
1960 e 1980, período em que foi instaurada a ditadura militar.
A supervisão em serviço social acompanha os contextos sociopolítico-econômicos bra-
sileiro, e sua direção pode adotar uma perspectiva dependente controladora ou eman-
cipadora e de autonomia dos sujeitos.
A nosso juízo, a supervisão, seja ela de projetos, programas e políticas so-
ciais e de equipes/assistentes sociais e estagiários, é atravessada pelas 
contradições da realidade social, na qual encontra-se inserida a instituição e 
os sujeitos sociais e políticos. Nela comparecem um conjunto de interesses 
e de demandas divergente e, muitas vezes, antagônico. Com base nessa 
premissa, entendemos que a supervisão pode adotar uma perspectiva con-
trolista ou emancipadora, ou seja, pode ser realizada na direção da demo-
cratização das decisões e da emancipação política dos sujeitos. (BRAGA; 
GUERRA, 2009, p. 11)
Assim, a supervisão passou a ter um caráter formativo, exigindo qualificação teórico-
-metodológica dos profissionais, embasados em uma teoria social-crítica e de pesquisa 
acerca da realidade social, da vida dos sujeitos e das instituições, postura investigativa 
e propositiva de ações, estratégias e alternativas direcionadas aos profissionais ou às 
GLOSSÁRIO
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
3
equipes supervisionadas. Trata-se de um viés político da supervisão, embasada na 
relativa autonomia profissional (BRAGA; GUERRA, 2009, p. 12-13).
3.1. SUPERVISÃO DE ESTÁGIO
A supervisão direta de estágio é privativa de assistentes sociais, conforme disposto na 
Leiclasse trabalhadora, frente aos impactos 
desse sistema no processo de dominação e de exploração vivenciados por esta.
A gênese das desigualdades sociais tem 
explicação no sistema capitalista, que 
surgiu no século XV com o advento da 
crise do feudalismo na Europa Ocidental. 
Esse sistema organizava-se como um 
projeto de acumulação de capital, ou seja, 
promovia o aumento e a concentração da 
riqueza de uma classe em detrimento e 
submissão de outra.
No capitalismo, o trabalho “transfere e cria valor”, 
sendo considerado um elemento característico 
ao cotidiano dos trabalhadores, por isso está 
presente nas relações sociais e na luta travada historicamente pela classe trabalhadora.
O trabalho fundou a sociabilidade humana. Com o passar dos séculos, ele não deixou 
de ser fundamental para a reprodução da vida humana.
[...] o trabalho continua a ser o eixo fundamental da sociabilidade humana; 
a dimensão capaz de criar uma natureza humana, isto é, a atividade capaz 
de nos tornar seres portadores de uma natureza diversa da dos outros seres 
naturais. (GRANEMANN, 2009, p. 3)
De acordo com Antunes (2008, p. 2-3), os indivíduos, ao mesmo tempo que transformam 
a natureza, transformam a si mesmos, ao passo que convertem o trabalho em “elemento 
central do desenvolvimento da sociabilidade humana”. 
Mas, se por um lado, podemos considerar o trabalho como um momento fundante da 
vida humana‚ ponto de partida no processo de humanização, por outro lado, a sociedade 
capitalista o transformou em trabalho assalariado, alienado, fetichizado. O que era uma 
finalidade central do ser social converte-se em meio de subsistência. A força de trabalho 
torna-se uma mercadoria, ainda que especial, cuja finalidade é criar novas mercadorias 
e valorizar o capital. Converte-se em meio e não primeira necessidade de realização 
humana. (ANTUNES, 2008, p. 3)
Na sociedade do capital, o capitalista expropria do trabalhador parte do que 
lhe deveria ser pago, denominado por Marx como a “mais valia”. De acordo 
com Granemann (2009, p. 15), se antes ele produzia para manter as neces-
sidades, sua subsistência, nesse modelo ele passa a produzir voltado para 
uma lógica de gerar lucro a quem detém os meios de produção. Assim, a 
força de trabalho do trabalhador nessa relação torna-se uma mercadoria. 
Segundo a autora, é esta a sociabilidade possível no modo capitalista.
Figura 01. Pirâmide da classe de trabalho
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O Serviço Social na contemporaneidade
Veja sobre o processo de produção do capital e Teoria da mais valia em:
 ` MARX, Karl. Livro 1: O processo de produção do capital. In: O Capital – crítica da economia 
política. 12. ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1988. v. I. 
 ` MARX, Karl. Livro 1: O processo de produção do capital. In: O Capital – crítica da economia 
política. 12. ed. Rio de Janeiro, Bertrand Brasil, 1988a, v. II. 
 ` MARX, Karl. Livro 2: O processo de circulação do capital. In: O Capital – crítica da 
economia política. 5. ed. São Paulo: Difel, 1987, v. III.
 ` MARX, Karl. Teorias da Mais Valia – história crítica do pensamento econômico. Rio de 
Janeiro: Civilização Brasileira, 1980.
Figura 02. Exploração do trabalhador
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O modo como o processo de produção se 
organiza estabelece a dominação e a exploração 
do homem pelo homem, especialmente pelo 
capitalismo, gerando classes antagônicas e 
desigualdades sociais.
Pelo fato de existir força de trabalho disponível para 
o mercado, essa lógica situa os trabalhadores em 
condição de subordinação ao capital que, por sua 
vez, aproveita-se de sua situação desfavorável 
para a prática da exploração. Aqueles que 
não conseguem inserção no mercado de 
trabalho necessitam recorrer às políticas sociais 
(TAVARES, 2009, p. 17).
No marxismo, as classes sociais são integradas 
por sujeitos coletivos e compõem a estrutura do sistema capitalista. Na análise de 
Frederico (2009, p. 1-2) sobre o marxismo, o desenvolvimento da sociedade capitalista 
estabelece confronto permanente entre duas classes: a dos proprietários dos meios de 
produção e a dos trabalhadores assalariados.
A explicação sobre o processo de dominação e exploração da classe trabalhadora 
no sistema capitalista só é possível por meio de uma teoria social crítica, identificada 
neste sentido na teoria marxista ao revelar as consequências e os impactos para os 
trabalhadores, sendo sua pauperização e sua condição de dominados e explorados. 
Marx compreendeu o essencial e dele extraiu as tendências e as leis 
gerais da ordem capitalista. A partir daí, apreendeu as categorias da rea-
lidade, as quais permanecem atuais, na medida em que o fim capitalista 
continua sendo acumular. Em sendo assim, as mesmas categorias toma-
das por Marx para compreender a sociedade capitalista do século XIX 
nos permitem, hoje, compreender as desigualdades sociais do século 
XXI. (TAVARES, 2009, p. 3)
SAIBA MAIS
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Projeto de intervenção
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A questão social expressa um conjunto de desigualdades econômicas, políticas, sociais 
e culturais e da pobreza crescente resultante da contradição capital/trabalho às quais 
está exposta a classe trabalhadora. Ela está inscrita no processo de produção e de 
reprodução das relações sociais, no desenvolvimento do capitalismo e na consolidação 
da classe burguesa. 
Assim como se inscreve no empreendimento da luta da classe operária frente ao 
processo de sua pauperização e nesse contexto, impõe a necessidade da intervenção 
do Estado frente ao atendimento das necessidades da classe trabalhadora. Esse 
processo é constitutivo da sociedade capitalista que estabelece a contradição entre o 
proletariado e a burguesia.
[...] para explicitar o que se entende como questão social. Em primeiro 
lugar, vale lembrar que está na base do trabalho teórico presente na crí-
tica da economia política empreendida por Marx, com a colaboração de 
Engels, a perspectiva de desvelar a gênese da desigualdade social no 
capitalismo, tendo em vista instrumentalizar sujeitos políticos – tendo à 
frente o movimento operário – para sua superação. Esse processo, diga-
-se, a configuração da desigualdade e as respostas engendradas pelos 
sujeitos a ela, se expressa na realidade de forma multifacetada como 
questão social. (BEHRING; SANTOS, 2009, p. 5)
Somente com atitude investigativa e crítica 
e com base no movimento histórico da 
sociedade e da realidade social é que 
se pode apreender a questão social, 
desvencilhando do senso comum e de 
abordagens funcionalistas das expressões 
da questão social, especialmente na 
contemporaneidade.
De acordo com Behring (2008 apud BEHRING, 
2009, p. 7-8), a apreensão da questão 
social deve incorporar os componentes de 
resistência e de ruptura presentes nas formas de enfrentamento dela, pois considera o 
conceito impregnado de luta de classes, sem o que se pode recair em uma política social 
de controle sobre os trabalhadores pobres, e não de viabilização de direitos.
A profissionalização do Serviço Social deve se traduzir em especialização do trabalho 
coletivo e está intrinsicamente articulada ao surgimento da questão social, como já 
sinalizado, no período do desenvolvimento do capitalismo, quando o movimento 
operário já se colocava como classe “para si” (BEHRING, 2009), buscando estratégias 
de resistência e de luta para a superação da sociedade capitalista.
Apenas a consciência de classe, sobre sua condição de dominada e explorada, pode travar 
a luta e superar o sistema capitalista.
Figura 03. Desigualdade social
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O Serviço Social na contemporaneidade
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1.2. Desenvolvimento capitalista no Brasil e a questão social
É importante entender o desenvolvimento do capitalismo e da luta de classes em cada 
sociedade. No Brasil, o processo de industrialização pós-abolição da escravatura foi marcado 
pela exclusão social de grupos sociais e pelas desigualdades instauradas na formação da 
nossa naçãode Regulamentação da Profissão nº 8.662/1993. A crise do capital tem impactos nos 
processos de trabalho com alteração nas relações de trabalho e na precarização dos 
trabalhadores. Essa face se revela nos formatos dos contratos de trabalho temporários 
ou por tempo determinado, na redução da jornada de trabalho com redução de salário, 
baixos salários, duplo vínculo trabalhista e baixos salários, entre outros. 
Para assistentes sociais o quadro não é diferente, e especificamente no processo de 
formação profissional, traz rebatimentos nos estágios supervisionados e nos proces-
sos de supervisão. A lógica do mercado também atravessa o campo da supervisão de 
estágio ao prescindir da lógica pedagógica da formação.
Figura 06. Por que? Quem? Qual? Quando? Onde? O que?
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Por que? Quem? Qual? 
Quando? Onde? O que?
Fonte: 123RF. 
Essas são algumas das problematizações sobre as lógicas que polarizam a supervisão 
de estágio e que, de acordo com Braga e Guerra (2009, p. 18), colaboram para que a 
prática de estágio seja reduzida a:
1) execução de tarefas conferidas institucionalmente ao aluno, presta-
ção de serviços, execução de atividades meio para solucionar problemas 
institucionais; 2) lócus de articulação, ou pior, de aplicação da teoria na 
prática; 3) espaço de repetição das ações realizadas pelos assistentes 
sociais; 4) ações voltadas para secretariar o assistente social. (BRAGA; 
GUERRA, 2009, p. 18)
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Em relação ao processo de ensino-aprendizagem no campo de estágio, a autora Bu-
riolla (2003) afirma que se constituiu como um momento privilegiado. 
Para Buriolla (2003), o processo de ensino-aprendizagem desenvolvidos no cam-
po de estágio, deve compreender a supervisão como um momento privilegiado. 
Todavia, muitas vezes o que se observa no processo de estágio acaba sendo 
posturas de caráter instrumental, desconfigurando sua objetividade. Guerra e Bra-
ga (2009, p. 19) afirmam que essa atitude tem levado supervisores a referenciar 
o estágio como “prestação de serviços” e não como um momento privilegiado da 
formação profissional. (BURIOLLA, 2003 apud OLIVEIRA; SANTOS, 2019, [n. p.])
De acordo com as autoras, essas requisições não têm sido objeto de questionamento 
pelos estudantes, uma vez que a procura pelo estágio com possibilidades de remune-
ração tem sido alvo de disputa por eles, em função do desemprego e da situação de 
pauperização às quais estão submetidos enquanto classe trabalhadora.
Outra questão relevante para a discussão se refere à ausência da articulação entre uni-
dade de ensino e campo de estágio, que pode ser consequência do desconhecimento 
das diretrizes por parte dos supervisores, da ausência de capacitação e da concepção 
da supervisão como uma prática da vontade dos assistentes sociais. 
O estágio é o processo privilegiado em que o aluno adquire a capacidade de análise 
e de observação da problematização das questões da realidade social apresentadas 
no campo, relativas às desigualdades estruturais de gênero, étnico-raciais e de classe 
social que produzem violências.
O processo de supervisão possibilita aos estagiários entender os limites e as possibi-
lidades visualizados, frente aos desafios presentes nos espaços sócio-ocupacionais 
postos para a intervenção profissional.
3.2. AS ATRIBUIÇÕES DOS ENVOLVIDOS NO PROCESSO DE ESTÁGIO
As unidades de ensino e os campos de realização do estágio supervisionado são espaços 
privilegiados para reflexões, problematizações e busca de respostas, contribuindo para a 
formação de um perfil profissional investigativo, crítico e propositivo (CRESS, [s. d.], p. 9).
Quadro 01. Sujeitos envolvidos no estágio e suas atribuições 
SUJEITO ENVOLVIDO ATRIBUIÇÃO
Coordenador de estágio
 ` Esfera de organização e gestão da política 
de estágio, indicando a necessidade de 
todas as unidades de formação acadêmica 
terem essa instância fundamental para o 
encaminhamento do estágio com qualidade.
 ` Atua articulada às coordenações de curso 
ou departamentos, de modo a viabilizar as 
demandas de qualificação do estágio como 
elemento central da formação profissional.
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
3
Fonte: adaptado de CRESS ([s. d.], p. 9-10).
SUJEITO ENVOLVIDO ATRIBUIÇÃO
Estagiário
 ` Sujeito investigativo, crítico e interventivo 
inserido no processo de orientações éticas e 
legais de ensino-aprendizagem, a quem cabe 
conhecer e compreender a realidade social.
 ` Deve atuar construindo coletivamente 
conhecimentos e experiências que 
solidifiquem a qualidade de sua formação, 
mediante o enfrentamento de situações 
presentes na ação profissional, identificando 
as correlações de forças, os sujeitos e as 
contradições da realidade social. 
Supervisor de campo
 ` Assistente social, a quem cabe a inserção, 
o acompanhamento, a orientação e a 
avaliação do estudante no campo de estágio, 
em conformidade com o plano de estágio 
elaborado em consonância com o projeto 
pedagógico e com os programas institucionais 
vinculados aos campos de estágio.
Supervisor(a) acadêmico
 ` Assistente social, a quem cabe orientar 
os estagiários e avaliar seu aprendizado, 
em constante diálogo com o supervisor 
de campo, visando à qualificação do 
estudante durante o processo de formação 
e de aprendizagem da dimensão técnico-
operativa, alicerçada nos aspectos teórico-
metodológico e ético-político da profissão, 
em conformidade com o plano de estágio.
Todos esses sujeitos compõem uma dimensão educativa cujos limites se apresentam 
no cotidiano do processo de supervisão. Daí a importância do fórum de supervisão, 
um espaço político de interlocução desses sujeitos com vistas a compor estratégias de 
superação dos limites e defesas da qualidade da formação.
A dimensão educativa é um espaço contraditório que também possibilita ao 
assistente social, profissional e estagiário, construir e mediar a expressão de 
si mesmo como indivíduo social. Vale lembrar ainda que os limites do fazer 
profissional independem da vontade política dos sujeitos profissionais. São 
determinações que se apresentam nas relações de trabalho, nas condições 
institucionais do mercado de trabalho, bem como em dimensões sociais que 
perpassam e conformam a esfera da formação profissional. Por fim, esses 
limites alteram as condições nas quais se estabelecem os projetos de forma-
ção e a disputa pela sua materialização. (NICOLAU; SANTOS, 2016, p. 386)
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As unidades de ensino devem apoiar e, mais do que isso, propor o fórum de supervisão, 
possibilitar e estimular a participação dos supervisores de campo. Constituem algumas 
das finalidades do fórum:
Figura 07. Conceito de trabalho em equipe
Fonte: 123RF. 
 ` Fortalecer o estágio como momento estratégico de formação dos assistentes sociais; 
 ` Propiciar espaço político-pedagógico de formação dos supervisores; 
 ` Proporcionar a organização dos profissionais para o enfrentamento das questões relati-
vas à formação e ao exercício profissional; 
 ` Fomentar a discussão sobre o estágio em Serviço Social, tomando como referências formais: 
as diretrizes curriculares em vigor, a Lei de regulamentação da profissão, o Código de Ética 
Profissional, a legislação nacional referente a estágio, a Resolução CFESS nº 533/2008, o 
parecer jurídico nº 012/98 da assessoria jurídica do CFESS e a Política Nacional de Estágio; 
 ` Contribuir para o aprimoramento do processo de formação profissional; 
 ` Tratar e encaminhar questões que envolvam a dimensão ética do estágio, prevendo respos-
tas coletivas às situações corriqueiras. (ABEPSS, 2010, p. 36 apud CRESS, [s. d.], p. 28-29)
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Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
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OBJETO DE APRENDIZAGEM
Figura 08. Tempo para aprender o conceito
Fonte: 123RF. 
Reflita sobre o estágio como dimensão educativa, sendo uma das expressões daprá-
tica social do assistente social, vinculado ao projeto ético-político profissional; sobre 
formação e o exercício profissional e a indissociabilidade entre ambos; sobre a pro-
posta de estágio e a sua lógica curricular: a superação da fragmentação do processo 
de ensino e aprendizagem.
CONCLUSÃO
A supervisão de estágio se constitui como espaço privilegiado da profissão no que tan-
ge à formação teórico-prática e ético-política. A crise do capital intrínseca ao sistema 
capitalista impõe uma lógica de mercado e vem alterando a esfera das políticas socais, 
as relações de trabalho e suas condições postas no cotidiano. Altera também as condi-
ções de estágio e o processo de supervisão.
Há limites e desafios cotidianos postos no processo de supervisão, sendo um dos maiores 
o de propagar o projeto ético-político do serviço social brasileiro, construído coletivamente 
pela categoria e que exige posturas crítica e ético-políticas sobre fazer profissional – em 
um cotidiano que tem se revelado avesso aos direitos sociais. (LEWGOY, 2013, p. 68).
Assim, o estágio supervisionado deve se constituir em um espaço que possibilite a 
reflexão crítica das ações profissionais, que capacite estudantes para desenvolver um 
processo investigativo sobre os determinantes sociopolítico-culturais que se põem nas 
vidas dos sujeitos, sua análise crítica dessa realidade e o desenvolvimento de capa-
cidade argumentativa, a fim de construir e renovar o instrumental técnico-profissional 
(BRAGA; GUERRA, 2009, p. 20).
Conhecimento
Capacita
Você
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PARA REFLETIR
[...] falar da supervisão direta de estágio implica em abrir um campo de reflexão e de debate 
em que estágio e supervisão figurem como ações e relações intrínsecas ao saber-fazer do 
serviço social. [...] Deste modo, pode-se confirmar a complexidade que a envolve, pois diz 
respeito ao fato de que formação e exercício profissional estão imersos em um conjunto de 
relações sociais, o que faz com que sua compreensão não deva se esgotar em seu sentido 
estrito do fazer cotidiano. (CFESS, [s. d.], p. 7)
76
Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
3
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de 1943, e a Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996; revoga as Leis n. º 6.494, de 7 de setembro de 1977, 
e 8.859, de 23 de março de 1994, o parágrafo único do art. 82 da Lei nº 9.394, de 20 de dezembro de 1996, e 
o art. 6º da Medida Provisória nº 2.164-41, de 24 de agosto de 2001; e dá outras providências. Disponível em: 
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NICOLAU, Maria Célia Correia; SANTOS, Tássia Rejane Monte. O estágio no processo da formação pro-
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emancipatórias”, 7, 2019, Ponta Grossa. Anais [...]. Ponta Grossa: CRESS/PR, 2019.
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
4
UNIDADE 4
O PROJETO DE INTERVENÇÃO 
COMO INSTRUMENTAL DO 
SERVIÇO SOCIAL
INTRODUÇÃO
A presente unidade abordará o projeto de intervenção como instrumental do serviço 
social. Trata-se de instrumentos do fazer profissional nos diferentes espaços sócio-ocu-
pacionais da atuação profissional dos assistentes sociais.
A utilização desse instrumental pela categoria, faz com que o trabalho pro-
fissional se qualifique permanentemente, pois favorece o acompanhamento 
das ações; sua avaliação, não só do ponto de vista dos resultados institucio-
nais esperados, mas dos compromissos profissionais construídos. (SALVA-
DOR, 2018, p. 4).
Nesse sentido, o grupo é uma importante ferramenta do trabalho coletivo que possibilita 
espaços de reflexão acerca dos problemas e das dificuldades sociais presentes no co-
tidiano das famílias e que devem encontrar respostas coletivas que visem à conquista 
de direitos e de mudança social. 
A no primeiro tópico iremos apresentar o 
grupo como instrumento de intervenção 
profissional do serviço social e o acompa-
nhamento grupal como ação socioeducati-
va. Já no segundo abordaremos o serviço 
social e o trabalho com grupos, contextu-
alizando o histórico e a intervenção do as-
sistente social no trabalhocom grupos no 
processo de renovação do serviço social. 
Por fim no terceiro tópico serão apresen-
tadas algumas metodologias do trabalho 
com grupos, como dinâmicas, organiza-
ção de fóruns, conferências e oficinas.
1. O GRUPO COMO INSTRUMENTO DE INTERVENÇÃO 
PROFISSIONAL DO SERVIÇO SOCIAL 
O grupo como instrumento de intervenção profissional do serviço social situa-se no 
caráter pedagógico da intervenção do assistente social. Historicamente, as práticas 
educativas coletivas desenvolvidas pelos assistentes sociais têm a finalidade de seu 
controle pela classe dominante “para a obtenção da adesão e do consentimento dos 
Figura 01. Quebra-cabeça de formação com a palavra Project
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processos de produção e reprodução social ligados à exploração econômica e à domi-
nação político-ideológica sobre o trabalho”. Essa concepção vai mudando gradativa-
mente, conforme a profissão passa pelo processo de renovação.
Na atualidade, as práticas educativas são vinculadas ao compromisso com a perspectiva 
emancipatória da classe trabalhadora, balizada pelo projeto ético-político profissional do 
serviço social consolidado nos anos de 1980 e 1990 (ABREU; CARDOSO, 2009, p. 1).
Portanto, no momento em que a profissão se redefine a partir do paradigma 
crítico-dialético e constrói seu projeto ético-político, firma-se um novo princí-
pio educativo. Esse coloca em movimento, [...] uma “pedagogia emancipa-
tória” que, no contexto do processo histórico, visa a contribuir para subverter 
a maneira de pensar e de agir dos homens enquanto totalidade histórica e 
assim subverter a ordem intelectual e moral estabelecida no capitalismo. 
(MIOTO, 2009, p. 2).
1.1 O ACOMPANHAMENTO GRUPAL COMO AÇÃO SOCIOEDUCATIVA
De acordo com Mioto e Lima (2009, p. 15), as ações profissionais e a intervenção no ser-
viço social devem ter como parâmetro a dimensão técnico-operativa, que é compreendida 
como o espaço entre o projeto ético-político profissional e as respostas às demandas 
postas no cotidiano dos assistentes sociais nos diversos espaços sócio-ocupacionais.
[...] implica destacar categorias que possibilitem realizar esse trânsito. Pro-
põe-se então, neste trabalho, adotar a ação profissional como o vetor fun-
damental para o desvelamento dos processos do fazer profissional. Sua 
eleição vincula-se ao entendimento de que a ação é a menor unidade de 
análise, e, ao mesmo tempo, condensa todas as dimensões constitutivas do 
exercício profissional. (MIOTO; LIMA, 2009, p. 15)
Entende-se por ação socioeducativa o conjunto de atividades de caráter dialógico e 
participativo. São ações planejadas, orientadas aos objetivos do serviço social e co-
nectadas ao conjunto de outras ações desenvolvidas nos processos socioassistenciais, 
de planejamento e gestão e dos processos político-organizativos (MIOTO, 2009, p. 9).
Essas atividades podem ser realizadas 
em grupos de várias naturezas e finalida-
des, como socioeducativos, de convivên-
cia familiar, entre outros, além de oficinas 
e campanhas. Além disso, elas são muito 
comuns na Política de Assistência Social 
e têm por objetivo desenvolver o processo 
educativo com propostas construídas pelo 
conhecimento e pela análise crítica da re-
alidade social vivenciada pelos usuários.
A dimensão educativa é intrínseca ao serviço social, e a partir da instalação do pensa-
mento crítico no interior da profissão, por meio da construção do projeto ético-político, 
também “firma-se um novo princípio educativo” (MIOTO, 2009, p. 499 apud MOREIRA, 
2015, p. 86).
Figura 02. Atividades socioeducativa
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
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Moreira (2015, p. 86) se refere a Iamamoto (2008), a Abreu (2002) e a Vasconcelos 
(1997) como autoras que situam o serviço social no bojo do processo de
reprodução material e social da classe trabalhadora, onde a dimensão so-
cioeducativa das ações profissionais, mediatizadas pelas políticas sociais, 
apresenta-se inscrita no campo político-ideológico no que tange à obtenção/
superação do consenso. (MOREIRA, 2015, p. 86)
As ações socioeducativas são realizadas junto aos usuários nos espaços sócio-ocupacio-
nais de atuação dos assistentes sociais, especialmente na Política de Assistência Social, e 
devem estar articuladas ao processo emancipatório dos grupos e indivíduos que os permita 
apreender de forma crítica e consciente a realidade social com vistas à sua mudança. Por 
outro lado, requer o rompimento com a lógica tradicional e conservadora da profissão, de 
caráter disciplinador, calcado nos objetivos institucionais e em respostas imediatas e frag-
mentadas às necessidades da população, requisitadas pelo sistema capitalista.
O serviço social influenciou Paulo Freire e foi influenciado por sua obra, no que se re-
fere às ações socioeducativas, no sentido de ação cultural utilizada por Freire (LIMA; 
CARLOTO, 2009, p. 128). As autoras destacam a concepção educativa na perspectiva 
crítica de Paulo Freire, questionadora das relações de dominação, na qual “o educador 
é o que sabe; o que pensa; o que o que disciplina; [...] o sujeito do processo”, enquanto 
os educandos são “meros objetos”.
Em contraposição a essa forma de educação ele propõe a educação (ou 
ação cultural) problematizadora, libertária, que tem como pressupostos a 
humanização de ambos, educador e educando, o pensar autêntico, e, não, 
educação como doação, como entrega do saber. Isso prevê o companhei-
rismo de ambos, educador e educando. Isto implica num que fazer, conceito 
que representa a união entre teoria e a prática, reflexão e ação. (LIMA; CAR-
LOTO, 2009, p. 129).
Uma das abordagens mais utilizadas na esfera das ações educativas é a grupal. As 
ações em grupo são fundamentais porque a reunião de pessoas possibilita espaços de 
reflexão coletiva por meio do processo educativo.
Figura 03. Grupo multiétnico de pessoas e conceito de atividade
Fonte: 123RF.
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O grupo socioeducativo é um espaço fortalecido para a fala, a escuta, as trocas e a expo-
sição de dificuldades coletivas e de reconhecimento de potencialidades para a articulação 
e a mobilização, com vistas ao alcance de resolução dos problemas sociais coletivos.
Escutar é obviamente algo que vai mais além da possibilidade auditiva de 
cada um. Escutar, no sentido aqui discutido, significa a disponibilidade per-
manente por parte do sujeito que escuta para a abertura à fala do outro, ao 
gesto do outro, às diferenças do outro. Isto não quer dizer, evidentemente, 
que escutar exija de quem realmente escuta sua redução ao outro que fala. 
Isto não seria escuta, mas auto-anulação. A verdadeira escuta não diminui em 
mim, em nada, a capacidade de exercer o direito de discordar, de me opor, de 
me posicionar. (FREIRE, 2005b, p. 119 apud LIMA; CARLOTO, 2009, p. 137).
O trabalho em grupo possibilita aos seus participantes a produção de um novo sentido e 
olhar para a situação apresentada, promovendo a transformação de questões individu-
ais em vivências coletivas, ampliando conhecimento, com possibilidade de conhecer e 
se reconhecer de outras maneiras. Conforme aponta Moreira (2015), a motivação para 
o trabalho em grupo é muito diversificada e vai desde
intervir junto ao um número maior de pessoas, até possibilitar aos participan-
tes do grupo reflexões que permitam identificar que as questões que afligem 
a um indivíduo são semelhantes àquelas que atingem aos demais […] O tra-
balho com grupos aparece assim como o intento de deslocar para o âmbito 
da coletivização questões que são comumente individualizadas (MOREIRA, 
2015, p. 118 apud PEQUENO; TRINDADE; NOVAES, 2018, p. 3).
O grupo é um instrumento educativo que possibilita a conscientização por meio do pro-
cesso reflexivo. Nesse processo, as autoras se referem à manutenção do sujeito quanto 
ao momento do desvelar o mundo ao outro: aindaque no grupo ele inicie o esforço de 
desvelamento aos outros, “[...] é preciso que estes se tornem sujeitos do ato de desve-
lar” (FREIRE, 2005a, p. 194 apud LIMA; CARLOTO, 2009, p. 136).
Dois conceitos de Paulo Freire devem estar presentes no desenvolvimento das ações 
socioeducativas: autonomia e cidadania, cuja metodologia de abordagem está centra-
da no diálogo.
Por autonomia Freire compreende o processo gradativo de amadurecimento 
que ocorre durante toda a vida, propiciando ao indivíduo a capacidade de 
decidir e, ao mesmo tempo, de arcar com as conseqüências dessa decisão, 
assumindo, portanto, responsabilidades. Nas palavras do autor a autonomia, 
deve ser entendida enquanto amadurecimento do ser para si, é processo, 
é vir a ser. Não ocorre em data marcada. É neste sentido que uma peda-
gogia da autonomia tem de estar centrada em experiências estimuladoras 
da decisão e da responsabilidade, vale dizer, em experiências respeitosas 
da liberdade. (2005b, p.121) Em relação a cidadania, termo citado e usa-
do à exaustão nos planejamentos pedagógicos contemporâneos e de uso 
freqüente na PNAS/SUAS, Freire afirma que conceito vem casado com a 
concepção de participação, de ingerência nos destinos históricos e sociais 
do contexto onde se está. (LIMA; CARLOTO, 2009, p. 132)
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
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O desenvolvimento de ações socioeduca-
tivas requer a articulação das dimensões 
teórico‐metodológica e ético‐política na 
definição dos procedimentos operativos.
Conforme Moreira (2015, p. 75), a operacio-
nalização do exercício profissional a partir 
do uso de instrumentos e técnicas está vin-
culada a algum referencial teórico e à com-
preensão ético‐política do trabalho.
Figura 04. Autonomia
AUTONOMIA Fo
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[...] é importante assinalar que as ações socioeducativas se constituem 
como processos que se constroem e se reconstroem continuamente, não 
existindo modelos pré-definidos. Porém, para desenvolvê-las, é necessário 
estabelecer um alto grau de coerência entre a direção teórico-metodológica 
e ético-política e a definição dos objetivos e dos procedimentos operativos. 
Essa coerência é necessária à medida que são os procedimentos que dão 
materialidade às possibilidades de os sujeitos aprenderem novas formas de 
se relacionarem e se posicionarem na sociedade em que vivem (MIOTO, 
2009, p. 12-13)
É importante a compreensão por parte dos assistentes sociais sobre a articulação das 
dimensões da profissão, sem que uma se sobreponha à outra. Os instrumentos e as 
técnicas utilizados no fazer profissional estão repletos de conteúdo teórico-metodológi-
co e não devem deixar de lançar mão dos aspectos ético-políticos.
Guerra (2007, p. 168) constata que a tendência de atribuir-se aos instrumen-
tos e técnicas um status maior do que àquele que é conferido aos demais 
componentes da ação profissional — como o seu significado ético-político e 
a direção social que é conferida à intervenção — acaba por encarar os ins-
trumentos e as técnicas como algo independente, autônomo, descolando-os 
do projeto profissional e transformando “o que é acessório em essencial” 
(Ibidem, p. 169). (MOREIRA, 2015, p. 77)
A proposição de ações socioeducativas com indivíduos, grupos e famílias requer:
[...] em primeiro lugar conhecimento. Conhecimento do espaço sócio-ocupa-
cional e do campo em que o assistente social está inserido. Os espaços sócio-
-ocupacionais se organizam a partir de um conjunto de princípios e finalidades 
voltado, especialmente, à execução de determinadas políticas sociais. Estão 
estruturados dentro de um campo de proposições, recursos e diretrizes volta-
das ao atendimento de determinadas necessidades/direitos de cidadania ou 
de determinados segmentos da população. Conhecer o espaço de trabalho 
implica ter informações sobre as postulações legais referentes a ele e às políti-
cas sociais correspondentes, entender a dinâmica de organização e funciona-
mento desses espaços e conhecer o próprio objeto de trabalho desse campo. 
Ou seja, compreender como se expressam nesses espaços os princípios e 
diretrizes das políticas sociais e o debate teórico-metodológico em torno de 
seu objeto (saúde, assistência social, educação). Assim, a qualificação técnica 
e teórica do assistente social possibilita, por um lado, um processo educativo 
(informação/reflexão) qualificado e resulta em análises fundamentadas des-
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2. O SERVIÇO SOCIAL E O TRABALHO COM GRUPOS: O 
HISTÓRICO E A INTERVENÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO 
TRABALHO COM GRUPOS 
Durante anos, o serviço social brasileiro teve como intervenção profissional os métodos de 
caso, grupo e comunidade sob influência do pensamento positivista junto aos seus agentes.
[...] podemos perceber o quão presente a influência positivista esteve nas 
reflexões dos profissionais de Serviço Social sobre o tema em pauta durante 
a década de 1970 e mesmo em meados da década seguinte. O trabalho dos 
agentes de Serviço Social tinha como fim sempre o indivíduo, independen-
temente das ações profissionais realizadas. O viés da ajuda circundava no-
tadamente a lógica do trabalho dos então chamados “assistentes sociais de 
grupo” (CBCISS, ibidem, p. 57). Mas não uma “ajuda” nos moldes iniciais da 
nossa profissão, marcada por ações persuasivas e coercitivas. Tais ações 
deram lugar a uma ajuda menos autoritária, mas ainda norteadas por vieses 
conservadores. (MOREIRA, 2015, p. 66-67)
De acordo com Moreira (2015, p. 68), a ação com 
grupos é algo antigo no exercício profissional do 
assistente social. O autor afirma que Zélia Torres 
(1977) cita que o primeiro trabalho de conclusão 
de curso realizado sobre grupos se deu no ano de 
1955, na Escola de Serviço Social de Minas Ge-
rais. A partir de 1968, as ações de grupo diversifi-
caram‐se e passaram para o status de atividades 
que tinham por objetivos “facilitar as reflexões, o 
diálogo sobre assuntos complexos e controverti-
dos e a melhor compreensão e aproveitamento 
da vivência social do outro” (TORRES, 1977 apud 
MOREIRA, 2015, p. 73).
ses espaços. São essas que viabilizam o encaminhamento de ações para a 
desburocratização dos serviços e para a criação de espaços de gestão demo-
crática, com participação dos usuários. As ações socioeducativas requerem 
também conhecimento das demandas/necessidades dos usuários, tanto nas 
suas singularidades, como no conjunto dos usuários ao longo do tempo (co-
nhecimento cumulativo). Esse conhecimento se completa com as informações 
sobre o território onde vivem os usuários que buscam a instituição ou o servi-
ço. (MIOTO, 2009, p. 9-10, grifo nosso)
Figura 05. Trabalhos com grupo
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
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2.1 A INTERVENÇÃO DO ASSISTENTE SOCIAL NO TRABALHO COM 
GRUPOS NO PROCESSO DE RENOVAÇÃO DO SERVIÇO SOCIAL 
Para Moreira (2015), o processo de renovação do serviço social no Brasil, por meio 
do Movimento de Reconceituação da profissão no que se refere às dimensões teóri-
co‐metodológicas, técnico‐operativas e ético‐políticas, significou a revisão do passado 
conservador em nossa profissão, mas sem realizar as mesmas mudanças no campo de 
seus aportes ténico-instrumentais. Já na atualidade, destaca a necessidade de “encarar 
esse desafio de ‘transitar da bagagem teórica acumulada ao enraizamento da profissão 
na realidade’ sem reduzir a discussão ao tecnicismo” (IAMAMOTO,2003, p. 52 apud 
MOREIRA, 2015, p. 83-84).
Figura 06. Modelo de logotipo que representa crianças brincando juntas de mãos dadas em círculos, 
união de trabalhadores e reunião de funcionários
Fonte: 123RF
Esse processo de transformação pelo qual passou o Serviço Social em 
nosso país — e que teve como traço diferencial a apropriação da teoria 
social marxista no conjunto de suas elaborações profissionais — teve re-
flexos diretos na cultura profissional e reaproximou os assistentes sociaisdas abordagens presentes na educação popular baseada na proposta pe-
dagógica de Paulo Freire. O contato com o pensamento progressista do 
pedagogo recifense já havia se iniciado anos atrás (mais precisamente da 
segunda metade da década de 1950 até o golpe de 64), a partir da influ-
ência de diversas organizações sociais, como, por exemplo, o Movimento 
de Educação de Bases (MEB), Centros Populares de Cultura (CPC) e o 
Movimento de Cultura Popular (MCP). Organizações estas que passam 
a ser sufocadas pelo golpe de 1964. A crise profissional que se dá a partir 
da década de 1970 é o terreno onde inscrevem-se os esforços no sentido 
da elaboração de um novo perfil pedagógico no Serviço Social. No bojo do 
Movimento de Reconceituação e com bases nas condições sócio-históricas 
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já experimentadas anos anteriores (onde se destaca o movimento pela Te-
ologia da Libertação) gestam-se no trabalho do assistente social práticas 
pedagógicas que têm como elemento central a emancipação pelas classes 
subalternas (ABREU, 2002, p. 113). As políticas de caráter participacionista 
em modelos integrativos e subalternizantes passaram por questionamen-
tos e foram sendo ultrapassadas, abrindo assim possibilidades para formas 
mais politizadas, críticas e conscientes de participação dos indivíduos. (MO-
REIRA, 2015, p. 85)
Quadro 01. Tendências do trabalho com grupos e a função pedagógica do assistente social
Década de 1970
Buscou-se romper com o serviço social tradicional. A função pe-
dagógica do assistente social e suas transformações seguem, ao 
longo da história, em consonância aos contextos sociopolíticos nos 
quais o serviço social se insere.
Década de 1980
Os anos de 1980 significaram a restauração dos processos demo-
cráticos. Contudo, os resquícios repressivos e autoritários do regime 
que se esgotara, a variação nas formas de enfrentamento da questão 
social por parte do Estado, a política desenvolvimentista em curso 
e as resistências dos setores organizados da classe trabalhadora 
requereram do serviço social redefinições operacionais adequadas 
funcionalmente ao projeto modernizador.
Década de 1990
Essa década marcou a materialização dos fundamentos do projeto 
ético-politico profissional condensados em três dos mais importantes 
produtos de referência para o serviço social brasileiro: o Código de 
Ética Profissional de 1993, a Lei de Regulamentação da Profissão 
(Lei nº 8.662/1993) e as Diretrizes Curriculares de 1996.
De acordo com Netto (1996b, p. 117), na segunda metade da déca-
da de 1990, o serviço social estava marcado pela “agudização da 
luta ideopolítica” entre diferentes projetos profissionais existentes e 
“pelas demandas profissionais imediatas”.
Fonte: adaptado de Moreira (2015, p. 86-88).
Há a necessidade de se travar 
debates sobre as tendências atuais do trabalho com grupos e a função pe-
dagógica do assistente social, considerando as necessidades postas pelas 
classes dominantes de (re)organização da cultura. Mesmo que as “novas” 
requisições postas ao assistente social lhe imponham a revisão e a atuali-
zação das formas, técnicas e instrumentos de atuação, a preservação da 
funcionalidade da profissão exige-lhe a manutenção do conteúdo controlista 
e integrador. (GUERRA, 2007, p. 166 apud MOREIRA, 2015, p. 88)
Mioto (2009 apud MOREIRA, 2015, p. 91) destaca que as ações socioeducativas com 
grupos (e também com indivíduos e famílias) ganham materialidade e legitimidade, ao 
passo que se inscrevem articuladamente aos processos de trabalho institucionais.
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
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IMPORTANTE
3. TRABALHO COM GRUPOS: DINÂMICAS, SOCIODRAMA, 
ORGANIZAÇÃO DE FÓRUNS, CONFERÊNCIAS E OFICINAS
O processo educativo se dá com a utilização de vários recursos que incorporam diversas 
técnicas, como dinâmicas de grupo, recursos audiovisuais, entre outras. De acordo com 
Mioto (2009, p. 12), a escolha da forma de abordagem, dos instrumentos e das técnicas 
a serem utilizadas dependem “dos objetivos propostos para ação, dos destinatários das 
ações, e das características das instituições e dos profissionais. Portanto, todo o seu 
percurso necessita de planejamento e avaliação sistemática.” (MIOTO, 2009, p. 12).
Entretanto, existem desafios postos a serem enfrentados no fazer profissional:
Para Mioto (2009), os principais dilemas e desafios a serem enfrentados 
são de duas grandezas: técnica e ética. A primeira diz respeito às dificulda-
des de se construir processos educativos em situações, na maior parte das 
vezes, adversa, onde a urgência por “respostas rápidas” tem sido a tônica 
atual apresentada aos assistentes sociais. Quanto à ética, a autora refere-se 
aos dilemas que o próprio processo educativo impõe sobre a natureza das 
mudanças a serem realizadas, pois, questiona ela, até que ponto o respeito 
por valores que perpetuam a posição de subalternidade deve prevalecer? 
(MOREIRA, 2015, p. 94-95).
3.1 DINÂMICA DE GRUPO
Segundo Torres (1985, p. 67), “a dinâmica 
de grupo surgiu nos EUA, no final da déca-
da de 1930, como resultado de um desen-
volvimento operado no interior de algumas 
profissões, sendo elas: psicologia, edu-
cação, administração de empresas etc.”. 
A aplicação prática da dinâmica de grupo 
objetivava “facilitar a compreensão dos fe-
nômenos sociais por parte dos membros 
que compunham o grupo, como ensinar às 
pessoas novos comportamentos através 
da vivência.” (1985, p. 67). Assim, a di-
mensão pedagógica do trabalho do assis-
tente social fica notadamente evidenciada (TORRES, 1985 apud MOREIRA, 2015, p. 67).
A dinâmica de grupo é uma técnica profissional. De acordo com Moreira (2015, p. 75), 
os instrumentos são mediadores do trabalho que ganham significado quando postos em 
prática, com finalidade de alcançar determinado objetivo planejado.
Há exigências profissionais postas aos assistentes sociais, como o conhecimento do espaço socio-
-ocupacional de sua inserção, e se expressam os princípios e as diretrizes das políticas sociais, o 
conhecimento do perfil da população usuária e das suas demandas e a compreensão dos territórios 
onde vivem espaços de participação sociopolítica, assim como na própria rede de serviços. 
Figura 07. Dinâmica de grupo
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Importante destacar a direção adotada na dinâmica de grupo, sendo encontradas 
perspectivas como as destacadas por Moreira, como a ausência de referência à re-
flexão crítica que possibilite o questionamento ao pensamento positivista tradicional 
dominante, que remonta aos primórdios do desenvolvimento do trabalho com grupo 
(MOREIRA, 2015, p. 79).
Para Vasconcelos (1997, p. 173 apud MOREIRA, 2015, p. 94), as dinâmicas de grupo, 
dependendo de como são encaminhadas, podem ter efeitos negativos para o trabalho, 
e cita casos em que os participantes do grupo não têm clareza dos objetivos das ativi-
dades, fazendo com que eles se sintam constrangidos. Além disso, chama a atenção 
para outra dimensão em que as dinâmicas podem ser orientadas “a partir de uma ação 
pedagógica de cunho subalternizante ou através de uma intervenção socioeducativa de 
caráter emancipatório” (MOREIRA, 2015, p. 94)
Questionamos a utilização de dinâmicas de grupo como mero instrumento para 
movimentação, motivação, esclarecimentos, alívio de tensão, quando não sim-
plesmente como controle dos grupos. Por outro lado, quando os grupos popu-
lares fazem uso das dinâmicas de grupo nas e para suas lutas, elas podem se 
traduzir em instrumentos riquíssimos por possibilitar diferentes formas de parti-
cipação, aparecimento das semelhanças e diferenças nas relações sociais: da 
solidariedade ao egoísmo, da subserviência à rebeldia, produzindo conteúdo a 
serem analisados pelos envolvidos no processo. A utilização das dinâmicas nes-
sa direção depende diretamente dos objetivos a serem alcançados e da forma 
como sãoutilizadas pelos diferentes profissionais [...] no trabalho com grupos. 
(VASCONCELOS, 1997, p. 178 apud MOREIRA, 2015, p. 94)
Mioto apresenta a necessidade de reflexões sobre a dinâmicas de grupo. Sob o prisma 
da dimensão socioeducativa, Moreira acredita que as ações pedagógicas de perspecti-
va emancipatória apresentam “significativo potencial para trabalhar os valores subalter-
nizantes do senso comum” trazidos pelos usuários, e é por meio de intervenções que 
possibilitam aos sujeitos a elaboração de reflexões críticas “e, como isso, a identificação 
de contradições que esses valores são minados e abrem-se as possibilidades para 
construção de outros de nova ordem.” (MOREIRA, 2015, p. 95).
3.2 OFICINAS
Oficinas podem ser realizadas em diversos espaços sócio-ocupacionais de atuação de 
assistentes sociais. Aqui abordaremos a oficina com famílias na Política de Assistência 
Social, no âmbito do Serviço de Proteção e Atendimento Integral à Família (PAIF).
Consistem na realização de encontros previamente organizados, com objeti-
vos de curto prazo a serem atingidos com um conjunto de famílias, por meio 
de seus responsáveis ou outros representantes, sob a condução de técnicos 
de nível superior do CRAS.
A opção de se trabalhar com um conjunto de famílias decorre da compreen-
são de que as pessoas estão em contínuo processo de interação com o ou-
tro. Por isso se afirma que o ser humano é relacional, necessita do diálogo, 
da participação e da comunicação.
Nesse sentido, as pessoas passam a concretizar a sua existência produzin-
do, recriando e realizando-se nas suas relações com o outro. Os membros 
familiares, portanto, se realizam no grupo familiar, ao passo que as famílias 
88
O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
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se percebem nos contextos comunitários e territoriais em que estão inseri-
das, ou ainda na interação com suas redes (que podem não estar no mesmo 
território). (BRASIL, 2012, p. 23-24)
As oficinas com indivíduos e famílias têm por finalidade possibilitar espaço de reflexão so-
bre temas de interesse das famílias, que perpassem seu cotidiano, como vulnerabilidades, 
riscos, discriminação, preconceito, violação de direitos, violência, entre outros, assim como 
a reflexão sobre vulnerabilidades, riscos e potencialidades identificadas no território.
Alguns dos objetivos das oficinas com famílias são:
 ` Possibilitar o alcance de aquisições.
 ` Contribuir com o fortalecimento de sua função protetiva.
 ` Contribuir com o fortalecimento dos laços comunitários. 
 ` Viabilizar o acesso a direitos.
 ` Garantir o protagonismo.
 ` Mobilizar para a participação social.
 ` Contribuir com a prevenção a riscos.
Os Centros de Referência de Assistência Social 
se constituem como espaços fortalecidos para a 
realização de oficinas com famílias, onde pode 
ser problematizada a reflexão das situações 
apresentadas em seus territórios, além de ques-
tões naturalizadas e individualizadas vivencia-
das pelas famílias e seu entendimento de que 
são problemas e dificuldades coletivas, ou seja, 
que atingem outros indivíduos e outras famílias.
Assim, por meio da troca das vivências, possi-
bilita-se alternativas para o enfrentamento e o 
alcance de processos de mudança e de desen-
volvimento do protagonismo e da autonomia 
dos sujeitos e, com isso, a prevenção de situa-
ções de risco social (BRASIL, 2012, p. 24).
Figura 08. Comunidade social
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Quadro 02. Escopo das oficinas com famílias no PAIF
NA ESFERA FAMILIAR NA ESFERA COMUNITÁRIA/TERRITORIAL
Fomentar vivências que questionem padrões esta-
belecidos e estruturas desiguais, estimulando o de-
senvolvimento de autoestima positiva dos membros 
das famílias;
Estimular a identificação das vulnerabilidades e 
recursos do território e seus impactos na vida das 
famílias, promovendo a reflexão sobre a realidade 
vivenciada, o fortalecimento das redes sociais de 
apoio, a identificação das articulações intersetoriais 
necessárias e a mobilização para a potencialização 
da rede de proteção social do território;
Estimular a socialização e a discussão de projetos 
de vida, a partir de potencialidades coletivamente 
identificadas;
Promover espaços de vivência que contribuam para 
a autocompreensão, ou seja, que possibilitem aos 
membros das famílias apreenderem-se como resul-
tado das interações entre os contextos familiar, co-
munitário, econômico, cultural, ambiental entre outros 
nos quais estão inseridos, assumindo-se como sujei-
tos capazes de realizar mudanças, pois “quanto mais 
sabemos por que agimos como agimos (...) provavel-
mente seremos mais capazes de influenciar nossos 
próprios futuros”
Possibilitar a discussão sobre as situações viven-
ciadas pelas famílias e as diferentes formas de lidar 
com tais situações, por meio da reflexão sobre os 
direitos, os papéis desempenhados e os interesses 
dos membros das famílias;
Proporcionar o compartilhamento de experiências, o 
desenvolvimento das habilidades de negociação e 
mobilização, com vistas ao exercício do protagonis-
mo e autonomia;
Propiciar a melhoria da comunicação e fomentar a 
cooperação entre os membros das famílias;
Fomentar a reflexão sobre a importância e os meios 
de participação social, inclusive por meio do estímulo à 
participação nas atividades de planejamento do PAIF, 
bem como em espaços públicos de consulta popular e/
ou deliberativos (comitês, conselhos, associações) para 
a garantia dos direitos e o exercício da cidadania.
Romper com preconceitos, estereótipos e formas 
violentas de interação e repensar os papéis sociais 
no âmbito da família.
Fonte: adaptado de Brasil (2012, p. 25-26).
É importante ressaltar que as várias temáticas que podem ser sugeridas para serem 
discutidas nas oficinas devem ser adaptadas às necessidades das famílias e às carac-
terísticas dos territórios da moradia. Assim, deve-se planejar as oficinas para a realida-
de e a necessidade da demanda da comunidade local.
Sabemos que o Serviço Social desenvolve uma ação de cunho sócio-edu-
cativo na prestação de serviços sociais, viabilizando o acesso aos direitos e 
aos meios de exercê-los, contribuindo para que necessidades e interesses 
dos sujeitos de direitos adquiram visibilidade na cena pública e possam, de 
90
O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
4
fato, ser reconhecidos. Portanto, é necessário que busquemos o compro-
misso com os direitos e interesses dos usuários, na defesa da qualidade dos 
serviços prestados, em contraposição à herança conservadora do passado. 
(PEQUENO; TRINDADE; NOVAES, 2018, p. 9).
Assim, nas abordagens e discussões das temáticas grupais, é importante considerar as 
sugestões dadas pelos usuários e as questões pelas quais perpassam sua realidade social.
Alguns dos temas significantes para a abordagem nos grupos e nas oficinas são:
 ` Desigualdade de gênero
 ` Desigualdade étnico-racial
 ` Racismo
 ` Diversidade
 ` Preconceito
 ` Discriminação
 ` Direitos sociais
 ` Direitos humanos
 ` Configurações familiares
 ` Cidadania
 ` Violação de direitos
 ` Violência
 ` Trabalho infantil
 ` Paternidade responsável
 ` Masculinidade
As oficinas podem apresentar diferentes formatos quanto à sua composição no decorrer dos 
encontros, destacando-se as formas: aberta e fechada.
As oficinas denominadas “abertas” recebem novos integrantes a qualquer instante do pro-
cesso de operacionalização da oficina, ou seja, não há uma restrição à entrada de novos 
integrantes – mesmo que no último encontro da oficina (caso a oficina seja operacionalizada 
em mais de um encontro). Já o formato fechado restringe a inserção de novos componentes 
após sua inicialização.
SAIBA MAIS
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Projeto de intervenção
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3.3 FÓRUNS E CONFERÊNCIAS 
Entre as ações voltadas para a mobiliza-
ção e a participação social de usuários, 
trabalhadores e movimentossociais em 
espaços democráticos de controle social, 
destacamos os conselhos, as conferências 
e os fóruns de discussão sobre as diversas 
políticas públicas, como a assistência so-
cial, a educação, a saúde, a habitação etc.
Os conselhos, por exemplo, são instân-
cias de participação populares nos espa-
ços públicos. Para Raichellis (2006, p. 73 
apud IAMAMOTO, 2009, p. 24), eles po-
dem estimular a partilha de poder e a intervenção de seus atores (representantes do 
governo, da sociedade civil, dos trabalhadores e dos usuários das políticas) em proces-
sos decisórios, estimulando ainda a interlocução pública nas relações políticas entre os 
governos locais e os cidadãos.
No entanto, há desafios na participação popular a serem superados, em função de inte-
resses contraditórios nesses espaços de disputas políticas:
Os Conselhos, perfilando uma nova institucionalidade nas ações públicas, 
são instâncias em que se refratam interesses contraditórios e, portanto, 
espaços de lutas e disputas políticas. Por um lado, eles dispõem de po-
tencial para fazer avançar o processo de democratização das políticas so-
ciais públicas. Permitem atribuir maior visibilidade às ações e saturar as 
políticas públicas das necessidades de diferentes segmentos organizados 
da sociedade civil, em especial os movimentos das classes trabalhadoras. 
Por outro lado, são espaços que podem ser capturados por aqueles que 
apostam na reiteração do conservantismo político, fazendo vicejar as tradi-
cionais práticas clientelistas, o cultivo do favor e da apropriação privada da 
coisa pública segundo interesses particularistas, que tradicionalmente im-
pregnaram cultura política brasileira e, em especial, as instâncias de poder 
na esfera municipal. Esvazia-se, assim, o potencial de representação que 
dispõem os Conselhos, reduzidos a mecanismos formais de uma democra-
cia procedimental (COUTINHO, 2006; BEHRING; BOSCHETTI, 2006 apud 
IAMAMOTO, 2009, p. 24). 
A escolha entre o formato aberto ou fechado deve ser realizada pela equipe técnica respon-
sável por sua operacionalização, a partir da temática a ser abordada, do perfil dos participan-
tes e das dimensões (reflexão, convivência, ação) a serem enfatizadas nas oficinas.
A alta rotatividade de participantes prejudica a formação de vínculos, em especial quando a 
oficina tem como temáticas questões conflituosas ou delicadas. No entanto, uma oficina com 
caráter mais informativo e preventivo pode enriquecer-se com a inserção de novos partici-
pantes. (BRASIL, 2012, p. 30)
Figura 09. Fórum de discussão 
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
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Os assistentes sociais têm importante papel nas instâncias participativas (CFESS, 
2010, p. 59-60). Entre elas, destacam-se na Política de Saúde: 
Participar dos conselhos de saúde (locais, distritais, municipais, estaduais e 
nacional), contribuindo para a democratização da saúde enquanto política 
pública e para o acesso universal aos serviços de saúde;
Contribuir para a discussão democrática e a viabilização das decisões apro-
vadas nos espaços de controle social e outros espaços institucionais;
Estimular a educação permanente dos conselheiros de saúde, visando ao 
fortalecimento do controle social, por meio de cursos e debates sobre temá-
ticas de interesse dos mesmos, na perspectiva crítica;
Estimular a criação e/ou fortalecer os espaços coletivos de participação dos usu-
ários nas instituições de saúde por meio da instituição de conselhos gestores de 
unidades e outras modalidades de aprofundamento do controle democrático;
Participar na organização, coordenação e realização de pré-conferências e/
ou conferências de saúde (local, distrital, municipal, estadual e nacional);
Democratizar junto aos usuários e demais trabalhadores da saúde os locais, 
datas e horários das reuniões dos conselhos de políticas e direitos, por local 
de moradia dos usuários, bem como das conferências de saúde, das demais 
áreas de políticas sociais e conferências de direitos;
Socializar as informações com relação a eleição dos diversos segmentos 
nos conselhos de políticas e direitos. (CFESS, 2010, p. 59-60)
Outro importante exemplo de instâncias de participação popular são as conferências, 
que são espaços públicos de discussão que reúnem o governo e os integrantes da so-
ciedade civil para discutirem e avaliarem as diversas políticas sociais e proporem diretri-
zes de ação. As reuniões são realizadas periodicamente e suas deliberações orientam 
a implantação das políticas públicas relacionadas à saúde, à educação, à assistência 
social, à habitação, entre outras. 
As conferências podem ser entendidas como 
grandes eventos em que a população, os 
trabalhadores, o governo e as organizações 
da sociedade civil se reúnem para discutir 
as políticas públicas. Importantes conquis-
tas relacionadas à implantação de serviços, 
benefícios, políticas públicas, entre outros, 
foram frutos de deliberações e aprovações 
nas diversas conferências. Por exemplo, a 
IV Conferência Nacional de Assistência So-
cial, realizada em 2003, deliberou e aprovou 
a construção e a implementação do Siste-
ma Único de Assistência Social (SUAS).
Os conselhos, juntamente com os governos, realizam o chamamento das conferências 
e elas ocorrem nos âmbitos municipal, estadual e nacional. Alguns municípios realizam 
processos de pré-conferências, o que atribui maior participação dos usuários. 
Figura 10. Diversidade e cooperação
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Projeto de intervenção
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Os assistentes sociais têm papel fundamental na organização das conferências e espe-
cialmente na articulação e na mobilização para participação da população, bem como 
na condução dos grupos.
3.4 MOBILIZAÇÃO, PARTICIPAÇÃO E CONTROLE SOCIAL NA ÁREA 
DA SAÚDE
Assim como em outras políticas públicas, na política de saúde, os assistentes sociais po-
dem desenvolver ações voltadas para a mobilização e a participação social de usuários e 
familiares, além de participarem como trabalhadores dos espaços de controle social, como 
conselhos, conferências, fóruns etc., na luta pela defesa e pelo direito à saúde. As ações 
desenvolvidas possibilitam a organização da população “enquanto sujeitos políticos, que 
possam inscrever suas reivindicações na agenda pública da saúde” (CFESS, 2010, p. 57).
A articulação e a mobilização para a 
participação popular fazem parte das in-
tervenções realizadas pelos assistentes 
sociais e são fundamentais para o exer-
cício democrático. O grupo é um impor-
tante instrumento para essa atividade.
A política da saúde é um espaço 
privilegiado, em que se destacam as ações 
desenvolvidas pelos assistentes sociais:
Figura 11. Defesa pelo direito à saúde
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• estimular a participação dos usuários e familiares para a luta por melhores 
condições de vida, de trabalho e de acesso aos serviços de saúde; 
• mobilizar e capacitar usuários, familiares, trabalhadores de saúde e mo-
vimentos sociais para a construção e participação em fóruns, conselhos e 
conferências de saúde e de outras políticas públicas; 
• contribuir para viabilizar a participação de usuários e familiares no processo 
de elaboração, planejamento e avaliação nas unidades de saúde e na políti-
ca local, regional, municipal, estadual e nacional de saúde; 
• articular permanentemente com as entidades das diversas categorias pro-
fissionais a fim de fortalecer a participação social dos trabalhadores de saú-
de nas unidades e demais espaços coletivos; 
• participar da ouvidoria da unidade com a preocupação de democratizar as 
questões evidenciadas pelos usuários por meio de reuniões com o conselho 
diretor da unidade bem como com os conselhos de saúde (da unidade, se 
houver, e locais ou distritais), a fim de coletivizar as questões e contribuir no 
planejamento da instituição de forma coletiva; 
• participar dos conselhos de saúde (locais, distritais, municipais, estaduais 
e nacional),contribuindo para a democratização da saúde enquanto política 
pública e para o acesso universal aos serviços de saúde46; 
• contribuir para a discussão democrática e a viabilização das decisões apro-
vadas nos espaços de controle social e outros espaços institucionais; 
94
O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
4
• estimular a educação permanente dos conselheiros de saúde, visando ao 
fortalecimento do controle social, por meio de cursos e debates sobre temá-
ticas de interesse dos mesmos, na perspectiva crítica; 
• estimular a criação e/ou fortalecer os espaços coletivos de participação dos 
usuários nas instituições de saúde por meio da instituição de conselhos gestores 
de unidades e outras modalidades de aprofundamento do controle democrático;
incentivar a participação dos usuários e movimentos sociais no processo 
de elaboração, fiscalização e avaliação do orçamento da saúde nos níveis 
nacional, estadual e municipal; 
• participar na organização, coordenação e realização de pré-conferências 
e/ou conferências de saúde (local, distrital, municipal, estadual e nacional); 
• democratizar junto aos usuários e demais trabalhadores da saúde os lo-
cais, datas e horários das reuniões dos conselhos de políticas e direitos, por 
local de moradia dos usuários, bem como das conferências de saúde, das 
demais áreas de políticas sociais e conferências de direitos; 
• socializar as informações com relação a eleição dos diversos segmentos 
nos conselhos de políticas e direitos; 
• estimular o protagonismo dos usuários e trabalhadores de saúde nos diver-
sos movimentos sociais; 
• identificar e articular as instâncias de controle social e movimentos sociais 
no entorno dos serviços de saúde. (CFESS, 2010, p. 59-60)
Assim, a mobilização e participação social realizada por assistentes sociais referem-se à 
articulação com vistas a fortalecer os espaços de participação social como fóruns, con-
ferências, conselhos de direitos e de políticas públicas, entre outros, para estabelecer 
relações com determinadas demandas institucionais e, assim como no caso da política de 
saúde, traçar alternativas que visem ao acesso aos direitos sociais (CFESS, 2010, p. 58).
3.5 ASSEMBLEIAS COM FAMÍLIAS NOS PROJETOS DE HABITAÇÃO 
DE INTERESSE SOCIAL
Nas intervenções habitacionais, o trabalho técnico social 
é o conjunto de ações que visam promover a autonomia e o protagonismo 
social, planejadas para criar mecanismos capazes de viabilizar a participação 
dos beneficiários nos processos de decisão, implantação e manutenção 
dos bens/serviços, adequando-os às necessidades e à realidade dos 
grupos sociais atendidos, além de incentivar a gestão participativa para a 
sustentabilidade do empreendimento. (BRASIL, 2013, p. 4)
As assembleias com as famílias fazem parte do trabalho técnico-social e do projeto do 
trabalho técnico-social. São reuniões ampliadas, com maior número de participantes, 
realizadas com o objetivo de socializar informações sobre algum projeto relacionado 
diretamente às famílias e que impactam em suas vidas, ou também com a finalidade de 
votação de algum projeto.
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Projeto de intervenção
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Alguns exemplos de assembleias estão relacionados a: 
Projetos habitacionais Projetos socioambientais
Esses projetos geralmente são referentes às intervenções de urbanização, remoção de 
famílias de determinados territórios de risco físico, canalizações de córregos situados 
nas proximidades de moradias etc. É importante ressaltar que os recursos governa-
mentais destinados aos projetos de obras estão atrelados aos recursos para o trabalho 
social, ou seja, a realização da obra está atrelada à do trabalho social.
Assim, o assistente social é um profissional importante tanto na atuação técnica quanto 
na coordenação do trabalho social. Sua atuação nas intervenções de habitação de inte-
resse social e no trabalho socioambiental está pautada no controle social exercido pela 
população e na participação social, cujas intervenções o povo é protagonista.
O horizonte do trabalho social é a melhoria da qualidade de vida das pesso-
as, a defesa dos direitos sociais, o acesso à cidade, à moradia, aos serviços 
públicos, o incentivo e o fortalecimento da participação e da organização 
autônoma da população. (BRASIL, 2011, p. 24)
Figura 12. Assembleias com famílias
Fonte: 123RF.
Além das assembleias, o trabalho desenvolvido por assistentes sociais na política ha-
bitacional compreende o trabalho grupal. Algumas das abordagens nos grupos com 
famílias abrange os seguintes eixos:
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
4
Esse trabalho é importante, por exem-
plo, quando há a necessidade da remo-
ção de famílias para outros territórios 
que não sejam sua moradia, quando 
estas residiam em área de risco, e es-
pecialmente quando as famílias pas-
sam a residir em outras habitações di-
ferentes das suas, encaminhadas para 
residirem em prédios de apartamentos, 
sendo uma novidade para elas.
Mobilização e organização comunitária.
Geração de trabalho e renda.
Educação sanitária e ambiental.
Figura 13. Organização de voluntários na recepção 
de donativos
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Quadro 03. Sugestões de conteúdo para ser desenvolvido nos grupos – trabalho técnico-social
EIXOS AÇÕES
Mobilização e organização comunitária
 ` Apoio à formação e/ou à consolidação das organizações 
representativas da população e das comissões para tratar 
de assuntos comuns (acompanhamento de obras, de jo-
vens, de mulheres); 
 ` Capacitação de lideranças e de grupos representativos so-
bre processos de gestão; 
 ` Comunitária; papel das associações e dos grupos representati-
vos, formalização e legalização das entidades representativas;
 ` Estímulo aos processos de informação e de mobilização 
comunitária e à promoção de atitudes e condutas sociais 
vinculadas à melhoria da qualidade de vida;
 ` Estabelecimento e formalização de parcerias envolven-
do poder público e sociedade civil para a realização de 
ações integradas, visando fortalecer as potencialidades 
locais, promover a articulação e contribuir com a conti-
nuidade das ações;
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EIXOS AÇÕES
Mobilização e organização comunitária
 ` Integração com o entorno, em termos de relações funcionais;
 ` Convivência com o meio ambiente; 
 ` Estímulo à inserção da organização comunitária da área 
em movimentos sociais mais amplos e em instâncias de 
controle e gestão social;
 ` Promoção de atitudes e condutas ligadas ao zelo e 
ao bom funcionamento dos equipamentos sociais e 
comunitários disponibilizados;
 ` Estabelecimento de parcerias e de integração com as de-
mais políticas e programas do município;
 ` Nos casos de verticalização das habitações, os princípios de 
gestão condominial (legislação, objetivos, organização e fun-
cionamento), e a convivência das famílias em condomínios; 
 ` Nas intervenções de saneamento, planejamento do processo 
de mobilização por meio do desenvolvimento de ações como: 
constituição ou fortalecimento dos conselhos existentes, reu-
niões de planejamento comunitário, palestras, assembleias, 
audiências públicas, campanhas educativas, entre outros.
Geração de trabalho e renda
 ` Ações para a redução do analfabetismo; Capacitação e requa-
lificação profissional planejadas de acordo com a realidade 
sócioeconômica dos beneficiários e vocação econômica local;
 ` Estímulo à produção alternativa e à organização de grupos 
de produção e cooperativismo, respeitadas as particulari-
dades da população beneficiada;
 ` Estímulo a processos cooperativos de produção, tendo como 
referência os conceitos de economia solidária;
 ` Fomento e implementação de atividades educativas ligadas à 
separação e à reciclagem de resíduos sólidos; 
 ` Empreendimentos para gestão dos resíduos sólidos que en-
volvam catadores, priorizando o atendimento nas ações de 
assistência socialpara garantir a inclusão social e a eman-
cipação econômica, a formação e a capacitação dos cata-
dores para atuação no mercado de recicláveis e programas 
de ressocialização de crianças e adolescentes envolvidas.
Educação sanitária e ambiental
 ` Promoção do processo educativo que esclareça e valorize a 
infraestrutura implantada e que busque mudanças de atitudes 
em relação ao meio ambiente e à vida saudável, na redução 
de doenças e na melhoria dos níveis de saúde da população;
 ` Preparação da comunidade para a correta utilização das 
habitações, especialmente no que diz respeito às unida-
des sanitárias e à rede de esgoto;
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
4
OBJETO DE APRENDIZAGEM
O objeto de estudo desta unidade referiu-se ao caráter educativo/pedagógico do serviço so-
cial. Estudamos a importância dos instrumentos e das técnicas do fazer profissional articula-
dos às dimensões teórico-metodológica e ético-política utilizados no cotidiano da profissão.
Mioto e Lima (2009, p. 19-20) apontam para a importância das ações dos processos políti-
co-organizativos direcionados à esfera pública na perspectiva da participação popular:
As ações articuladas nesse eixo privilegiam e incrementam discussões e as 
encaminham para a esfera pública. Seu foco principal consiste em dinamizar 
e instrumentalizar a participação dos sujeitos, sempre respeitando o potencial 
político e o tempo dos envolvidos. As ações consideram sempre as necessi-
dades imediatas, mas prospectam, a médio e a longo prazos, a construção 
de novos padrões de sociabilidade entre os sujeitos, porque estão guiadas 
pela premissa da democratização dos espaços coletivos e pela criação de 
condições para a disputa com outros projetos societários. A universalização, 
a ampliação e a efetivação do acesso aos Direitos são debatidas nos mais 
diferentes espaços, especialmente de Controle Social, nos quais são questio-
nadas as relações estabelecidas no espaço sócioocupacional, na comunidade 
e nas mais diferentes instituições. (MIOTO; LIMA, 2009, p. 19-20)
As ações socioeducativas têm como objetivo a coletivização de demandas individuais. 
As ações grupais, que também foram objeto de estudo, são importantes instrumentos 
de intervenção profissional, assim como outros instrumentos e técnicas de trabalho 
grupal como as oficinas, as assembleias e as conferências, que afirmam a importância 
do trabalho coletivo na perspectiva da articulação e da mobilização como formas de 
cidadania e mudança social.
EIXOS AÇÕES
Educação sanitária e ambiental
 ` Demonstração das responsabilidades dos beneficiários na 
correta utilização e preservação dos serviços implantados, 
tanto os individuais como os coletivos;
 ` Promoção de campanhas educativas para promoção da 
saúde, correta utilização e preservação dos serviços im-
plantados e uso racional da água e da energia elétrica;
 ` Estímulo à busca de parcerias para promoção, em caráter 
permanente, das ações de educação ambiental;
 ` Divulgação de informações, programas e projetos de natu-
reza ambiental para ampliação da consciência ecológica 
das populações.
Fonte: adaptado de CAIXA ECONÔMICA FEDERAL (2013, p. 17-18).
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CONCLUSÃO
As perspectivas do trabalho socioeducativo podem ser de várias ordens, por exemplo, o 
de manter o status quo e o de caráter disciplinador. Além disso, pode ter caráter eman-
cipador e crítico da realidade social, com vistas à sua mudança. 
[...] a orientação e o acompanhamento como ações de natureza socioe-
ducativa que, como os próprios nomes indicam, interferem diretamente na 
vida dos indivíduos, dos grupos e das famílias. Movimentam-se no terreno 
contraditório “tanto do processo de reprodução dos interesses de preser-
vação do capital, quanto das respostas às necessidades de sobrevivência 
dos que vivem do trabalho” (YASBEK, 1999, p. 90). São determinadas pelo 
paradigma teórico-metodológico e ético-político dos profissionais que as 
realizam de acordo com 3 determinados projetos de profissão e de socie-
dade. (MIOTO, 2009, p. 2-3)
Conforme afirma Mioto, a orientação e o acompanhamento, enquanto ações socioe-
ducativas, integram o projeto ético-político do serviço social. O trabalho realizado na 
perspectiva coletiva por meio de grupos possibilita a reflexão dos sujeitos a respeito 
dos determinantes sociais, econômicos, culturais e territoriais presentes na realidade de 
cada um. Além disso, possibilita formas de enfrentamentos das desigualdades postas 
no cotidiano, a articulação e a mobilização para conquistas de cidadania e o exercício 
democrático de participação. 
Os grupos podem ser
[...] espaço facilitador da criação de vínculos e de surgimento de demandas, 
no que tange o individual e o coletivo. Isto porque, no grupo, os usuários 
apresentam realidade de vida diversificadas e a elaboração e execução das 
atividades realizadas, busca sempre caminhar de forma a que todos se sin-
tam acolhidos, e que o trabalho executado possa ter seus limites ampliados 
a partir da construção e apropriação do conhecimento adquirido.
O resultado das ações profissionais dos assistentes sociais está relacionado a uma direção 
que deve ser a do projeto profissional construído pela categoria.
[...] acredita-se que grande parte das descrenças atribuídas às intenções e 
aos resultados das ações profissionais reside na incoerência presente entre 
aquilo que se diz ou o que se pretende fazer e aquilo que realmente se faz 
ou em como se faz, uma vez que a opção por determinados procedimentos 
(abordagens, instrumentos, técnicas e outros recursos) é determinada pelo 
contexto e pelo conteúdo a ser mediado para se alcançar a finalidade pros-
pectada. O como fazer das ações está diretamente relacionado à escolha do 
paradigma, implicando o reconhecimento, em dado período histórico, da sua 
validade argumentativa e a sua capacidade de responder concretamente às 
questões colocadas pela realidade. É através da clareza na compreensão 
e na proposição do como se constrói uma intervenção profissional menos 
improvisada e mais legítima teoricamente, via que permite demonstrar a co-
erência pela qual é possível resgatar valores e realizar mudanças. (MIOTO; 
LIMA, 2009, p. 23)
GLOSSÁRIO
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O projeto de intervenção como instrumental do serviço social
4
Essa realidade favorece o trabalho do Serviço Social, pois é um fator facilitador para 
se traçar estratégias de enfrentamento as demandas e que contribui para o fomento do 
pensamento crítico sobre as condições de vida desses usuários não apenas no âmbito 
individual, mas também, na sociedade em que estão inseridos. (PEQUENO; TRINDA-
DE; NOVAES, 2018, p. 8-9) 
O serviço social, por meio de seu projeto de intervenção no desenvolvimento 
de ações sócio-educativas, possibilita a cidadania e o acesso aos direitos, 
contribuindo para o exercício de cidadania dos indivíduos enquanto sujeitos 
de direitos. Assim, o projeto de intervenção, alinhado ao projeto ético-político 
que vem sendo construído pelo conjunto da categoria de assistentes sociais, 
tem a direção de oposição ao projeto do capital. 
A partir das obras de Paulo Freire, Pedagogia do oprimido e Ação cultural para a liber-
dade, ele “passa a compreender que não é suficiente desvelar a realidade para que haja 
conscientização ou consciência crítica, mas que é necessário transformar essa realidade 
pela ação prática sobre ela” (LIMA; CARLOTO, 2009, p. 131).
PARA REFLETIR
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Projeto de intervenção
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Projeto de intervenção
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	O Serviço Social na contemporaneidade
	1. O debate sobre o objeto do Serviço Social: reflexão sobre a atuação do Serviço Social frente à questão social
	2. Competências e atribuições do assistente social: o fazer na contemporaneidade
	3. Espaços sócio-ocupacionais e dimensões políticas da prática do assistente social
	Formação Profissional
 em Serviço Social
	1. O projeto de trabalho profissional e a elaboração do projeto de intervenção
	2. A dimensão técnico-operativa nos processos de trabalho dos assistentes sociais
	3. Sistematização para o processo interventivo 
e investigativo
	Exercício profissional do assistente social e o estágio supervisionado
	1. O estágio supervisionado na formação profissional do assistente social
	2. A legalidade e a legitimidade da atividade do estágio supervisionado
	3. A supervisão em serviço social e a sua metodologia
	O projeto de intervençãopelo destino dado aos antigos escravos e pela ausência do Estado.
[...] os momentos mais importantes de nossa história foram marcados pela 
composição das elites e pela exclusão da participação popular. Da indepen-
dência ao fim do regime militar, as transformações modernizadoras foram 
realizadas “pelo alto”. A própria industrialização não se deu num confronto da 
burguesia com o mundo agrário. Ao contrário, foi o capital da cafeicultura que 
bancou o desenvolvimento industrial. Desde o início, portanto, não tivemos 
uma oposição aberta entre uma “burguesia progressista” e os “retrógrados 
latifundiários”. (FREDERICO, 2009, p. 3)
De acordo com Behring e Santos (2009, p. 14), somente é possível compreender a 
origem, a função social e a dimensão contraditória do direito por meio do conhecimento 
e da análise da formação social, do modo pelo qual em determinada sociedade as 
relações sociais foram e são estruturadas e observando o movimento das classes 
sociais para revelar e ocultar formas de dominação. 
A industrialização nascente no início do século XX precisava de mão de obra devido ao 
descarte da mão de obra brasileira escrava, ocorrida após abolição da escravatura em 
1888. Os ex-escravizados ficaram à margem do mercado de trabalho, sendo condenados 
à marginalidade e ao racismo. Nesse período, o país recorreu ao trabalho dos imigrantes 
europeus, mas estes trouxeram para o Brasil as formas de consciência e de organização 
da classe trabalhadora por meio do movimento anarquista e das greves operárias.
A década de 1930 marcou alterações na intervenção do Estado nas relações de 
trabalho, de acordo com Frederico (2009, p. 4), tendo o Estado de reconhecer as 
relações desiguais entre os compradores e os vendedores da força de trabalho. O 
reconhecimento do trabalho assalariado se deu na década seguinte, mais precisamente 
em 1943, com a criação e a Consolidação das Leis de Trabalho.
Segundo o mesmo autor, a presença estatal politizou o mercado de trabalho, que se transformou 
no campo de batalha das classes antagônicas e não mais na esfera privada dos litígios 
individuais. Assim, de caso de polícia, como foram tratadas as greves do movimento operário no 
início do século, passou a ser caso político, em um ato privilegiado das lutas sociais.
Especialmente a partir do final da década de 1960, com o contexto da ditadura militar, 
o país viveu tempos desfavoráveis, adiando as reformas democráticas e a ampliação 
A obra O que Fazer?, de Lênin, distingue a consciência de classe em si, que não ultrapassa 
uma perspectiva corporativa, sem consciência da sua condição para classe para si, quando 
esta compreende as razões estruturais da sua condição de exploração e empreende a luta 
para a superação do sistema capitalista.
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Projeto de intervenção
de direitos sociais, período impactado pela ideologia e pela repressão imposta pelo 
governo militar, exigindo resistência de grupos e movimentos. O Serviço Social então 
ficou responsável por traçar um novo perfil profissional, prático e crítico que atendesse 
às demandas do novo cenário e com finalidade de efetivação da ruptura com a prática 
conservadora da profissão.
Entre as décadas de 1970 e 1980, enquanto 
nos países desenvolvidos o processo 
de reestruturação produtiva levou ao 
enfraquecimento do sindicalismo, no Brasil, 
que ainda vivia o processo de ditadura 
militar, em seu processo de crise, assistia-se 
a retomada da atividade associativa. Houve 
o crescimento do número de associações e 
sindicatos e a formação das centrais sindicais, 
momento no qual estouraram as greves por 
todo o Brasil (FREDERICO, 2009, p. 7). 
O III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais em 1979, denominado Congresso 
da Virada, representou a ruptura com o Serviço Social conservador e demarcou a 
renovação da profissão via construção de um projeto vinculado às lutas das classes 
sociais pelos direitos e do movimento teórico-ético e político no Serviço Social frente às 
formas e às estratégias de luta da classe trabalhadora.
Os anos de 1980 foram considerados a década de ascensão das lutas dos movimentos 
sociais expressas na Constituição de 1988, necessárias para contrapor o avanço do 
neoliberalismo mundial nos anos de 1990, como apontado por Behring e Santos (2009, 
p. 10), promovendo o desemprego estrutural para grande parcela dos trabalhadores, 
ocasionado pelas transformações do mundo do trabalho e da mundialização do capital, 
desregulamentação de direitos e corte dos gastos públicos na área social. 
A nossa, digamos assim, “modernidade à brasileira” contém o pior dos dois 
mundos: as desvantagens do subdesenvolvimento, que não chegou a co-
nhecer o Welfare State, acrescidas da selvageria do capitalismo financeiriza-
do. A crise de acumulação, vivida pelo sistema mundial de mercadorias, ace-
na para um longo período de barbárie na periferia, cuja face mais visível é o 
desemprego e suas sequelas: a marginalidade e a violência urbana. A nova 
etapa vivida pelo capitalismo tardio produziu uma alteração na estrutura da 
sociedade e, portanto, nas classes sociais, e exige, com lógica implacável, 
a total submissão dos antigos Estados-Nacionais. (FREDERICO, 2009, p. 9)
Figura 04. Democracia na prisão
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Behring e Santos (2009, p. 7) afirmam:
O Serviço Social no Brasil e no mundo surge enquanto estratégia de dar um 
tratamento sistemático à questão social e de frear o movimento operário, por 
um lado; e por outro, para assegurar as condições gerais de reprodução do 
capital no momento fordista-keynesiano, após a Segunda Guerra Mundial.
SAIBA MAIS
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1
O Serviço Social na contemporaneidade
CURIOSIDADE
1.3. CRISE CONTEMPORÂNEA DO CAPITALISMO, POLÍTICA SOCIAL 
E SERVIÇO SOCIAL DIANTE DA QUESTÃO SOCIAL
As políticas sociais e as referências de proteção social são respostas geralmente setorializadas, 
focalizadas e fragmentadas às expressões da questão social no capitalismo.
[...] o crescimento do desemprego levou ao aumento da demanda por prote-
ção social e por maiores gastos públicos. Na América Latina, pode-se iden-
tificar uma “virada continental para o neoliberalismo” no final dos anos de 
1980. (BEHRING, 2009, p. 11)
No Brasil, a chegada do neoliberalismo foi considerada tardia, relacionada com o 
processo de redemocratização e questões político-econômicas internas, analisada por 
Behring (2003 apud BEHRING, 2009, p. 11) que pontua sobre a inscrição do conceito 
de seguridade social na Constituição de 1988.
O Estado de bem-estar social, ou Estado-providência, ou Estado social, 
é um tipo de organização política, económica e sócio-cultural que coloca 
o Estado como agente da promoção social e organizador da economia 
[...] O Estado de bem-estar social moderno nasceu na década de 1880, 
na Alemanha, com Otto von Bismarck, como alternativa ao liberalismo 
económico e ao socialismo.
Behring sinaliza sobre a existência de uma segunda fase do neoliberalismo voltada aos 
programas sociais, articulando focalização, privatização e descentralização. Ela firma 
tratar-se de “desuniversalizar e assistencializar” as ações cortando os gastos sociais 
e contribuindo para o equilíbrio financeiro do setor público (BEHRING, 2009, p. 11-12). 
Uma política social residual que soluciona apenas o que não pode ser enfrentado pela 
via do mercado, da comunidade e da família. Cita a renda mínima, como carro-chefe de 
tal proposição, combinada à solidariedade por meio das organizações na sociedade civil 
(BEHRING, 2009, p. 11-12).
Além disso, ao final da década de 1990, o resultado do referido programa não traz 
impacto ao crescimento da pobreza, do desemprego e da desigualdade, ao lado de uma 
enorme concentração de renda e riqueza no mundo, ao mesmo tempo que prevalecem 
taxas de crescimento e maiores endividamentos públicos e privados, com predomínio 
do capital especulativo sobre o investimento produtivo, do que o Brasil é um exemplo.
É necessário nesse contexto tecer o cenário políticocomo instrumental do serviço social
	1. O grupo como instrumento de intervenção profissional do serviço social 
	2. O serviço social e o trabalho com grupos: o histórico e a intervenção do assistente social no trabalho com grupos 
	3. Trabalho com grupos: dinâmicas, sociodrama, organização de fóruns, conferências e oficinase cultural do momento, no qual 
instalou-se uma crise da democracia (WOOD, 2003 apud BEHRING, 2009, p. 12), 
com visível esvaziamento das instituições democráticas, além do aprofundamento do 
individualismo e do consumismo, por exemplo.
Disponível em: http://wikipedia.br.nina.az/Estado_de_bem-estar_social.html. Acesso em: 
25 nov. 2021. 
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Projeto de intervenção
Behring fundamenta sobre a política social atender aos requisitos do capital mas 
também às necessidades do trabalho, uma vez que para muitos se trata de uma questão 
de sobrevivência. É um contexto importante da luta de classes, da reivindicação e da 
defesa de condições dignas de sobrevivência em face da ofensiva capitalista, em termos 
do corte de recursos públicos para a reprodução da força de trabalho.
Nesse contexto, é importante situar a luta no terreno do Estado, que se constitui como 
espaço de hegemonia do capital, ou seja, atende aos seus interesses (BEHRING, 
2009, p. 20). Assim, a autora conclui sobre as políticas sociais serem concessões e ao 
mesmo tempo conquistas dos trabalhadores, podendo ser mais flexíveis a depender da 
correlação de forças entre as classes sociais e seus segmentos. Além disso, no período 
de expansão, a margem de negociação se amplia, e na recessão, ela se restringe.
No setor público a contrarreforma do Estado (BEHRING, 2003), que pudemos 
tratar em texto anterior no âmbito deste curso, no contexto da crise do capital, 
como vimos, vem implicando um redirecionamento das políticas sociais, com 
fortes implicações para as condições de trabalho. Do ponto de vista físico, há 
toda sorte de dificuldades, no âmbito da implementação de políticas pobres 
para os pobres, focalizadas e residuais, considerando o (des)financiamento 
em curso e a concepção focalista em vigor. (BEHRING, 2009, p. 20)
No campo profissional, nas palavras de Elaine Rossetti Behring, havia a tendência de 
uma redefinição do trabalho, reduzido ao plantão de emergência e ao monitoramento 
da terceirização do “trabalho desprofissionalizado”, realizado junto aos usuários, por 
exemplo, de ONGs. Não se tinha tempo assegurado para estudos e reflexão do cotidiano 
profissional, para pensar e desenvolver projetos de intervenção ou de organização 
junto aos usuários. O profissional não era requisitado para pensar, articular e elaborar 
projetos de atendimento às necessidades individuais e coletivas.
Conforme Behring (2009 p. 21), o assistente social era requisitado para operar o projeto 
de gestão da pobreza, e não do seu combate ou erradicação, que o reitera junto a 
indivíduos e famílias e para as quais se transferia responsabilidades de reprodução. O 
produto era o acesso a políticas minimalistas, como as de transferência de renda, que 
no Brasil estão longe de propiciar processo redistributivo, ao mesmo tempo ressaltando 
seu impacto imediato e importante na vida dos seus usuários.
Tratava-se de requisições conservadoras de um perfil profissional sem criticidade adequado 
às exigências das políticas neoliberais e da vigilância dos pobres em oposição ao projeto 
de formação profissional vinculado às Diretrizes Curriculares da ABEPSS de 1996. São as 
mudanças contemporâneas do Estado, conforme apontado por Behring (2009, p. 21):
Essas mudanças contemporâneas mais gerais – a contrarreforma do Esta-
do, a reestruturação produtiva e a financeirização do capital – têm impactos 
deletérios nas condições cotidianas de trabalho, na medida em que aumen-
ta a demanda por benefícios e serviços exponencialmente com o aumento 
da desigualdade e da pauperização absoluta e relativa, no mesmo passo 
em que diminuem as condições de atendimento físicas, éticas e técnicas, 
o que incluem impactos também na remuneração do funcionalismo público. 
(BEHRING, 2009, p. 21)
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1
O Serviço Social na contemporaneidade
PARA REFLETIR
De acordo com Guerra (2000, p. 10), as requisições da profissão são de ordem 
instrumental para responder às demandas contraditórias do capital e do trabalho. Em 
contrapartida, a autora reflete sobre as exigências das respostas profissionais, que são 
instrumentais, ou seja, que não se reduzem ao atendimento e à manutenção da ordem 
vigente do projeto burguês. 
É necessário que as intervenções profissionais passem pela razão crítica conectada 
aos referenciais técnico-operativo, teórico-metodológico e ético-político e que 
possibilitem a emancipação humana (GUERRA, 2000, p. 11). De acordo com a autora, 
instrumentalidade também é mediação, que permite passar de ações meramente 
instrumentais e imediatas para o exercício profissional crítico e competente. Conforme 
Guerra (2000, p. 14), a instrumentalidade da profissão é, portanto, a capacidade de 
operar transformação. 
O serviço social pode construir alternativas que sejam instrumentais à superação da ordem social do 
capital. Segundo Guerra (2000, p. 9-10), respostas imediatas às situações para responder à realidade 
do cotidiano são insuficientes para responder à complexidade das demandas cotidianas profissionais.
2. COMPETÊNCIAS E ATRIBUIÇÕES DO ASSISTENTE SOCIAL: 
O FAZER NA CONTEMPORANEIDADE
Iamamoto (2009, p. 33) afirma que o trabalho do assistente social nos diversos 
espaços ocupacionais particulariza suas competências e atribuições profissionais 
e seu significado social no processo de reprodução das relações sociais, diante das 
transformações ocorridas no trabalho e nas relações entre Estado e sociedade civil 
na ofensiva neoliberal. Portanto, os trabalhos desses profissionais são distintos, e 
evidencia-se a importância da dimensão ético-política no exercício da profissão.
A aproximação da profissão com a tradição marxista forneceu a base teórico-
metodológica para apreender a realidade social na perspectiva de totalidade e 
possibilitou a construção um processo de hegemonia contra o conservadorismo.
 Alicerçou a edificação do projeto ético político profissional nos fins da década de 1970 
e nas posteriores, culminando no arcabouço de documentos legais na década de 1990, 
constituídos pela Lei de Regulamentação da Profissão - Lei nº 8.662, de 7 de junho de 
1993, pela Resolução CFESS 273/93, que instituiu o Código de Ética Profissional de 
1993, e pelas Diretrizes Curriculares de 1997.
Esse marco regulatório dá sustentação legal ao exercício profissional dos(as) 
assistentes sociais e subsidia respostas profissionais em defesa dos interesses da 
classe trabalhadora na direção da construção de uma nova ordem societária sem 
dominação e exploração da classe trabalhadora.
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Projeto de intervenção
São requisitos da profissão a perspectiva nas dimensões:
 ` Técnico-operativa: trata-se do modo de ser da profissão, o fazer profissional, o modo 
como aparece no movimento das três dimensões.
 ` Teórico-metodológica: diz respeito à interlocução entre história, teoria e método, 
requerendo conhecimento sobre a apreensão da realidade em seu movimento dialético.
 ` Ético-política: está relacionada ao caráter contraditório do Serviço Social, por estar 
inserida em um espaço de interesses sociais divergentes na sociabilidade do capital. 
Requer do profissional a formação de uma consciência teórica.
2.1. O CÓDIGO DE ÉTICA PROFISSIONAL
No processo de abertura política no Brasil, após o declínio da ditadura militar, o Serviço 
Social vivenciou um profundo processo de renovação. Nessas mudanças ocorridas 
na sociedade brasileira, com o acúmulo profissional, o Serviço Social se desenvolveu 
teórica e praticamente. No início dos anos de 1990, apresentou-se como profissão 
reconhecida e legitimada.
Nesse contexto, o Código de Ética Profissional de 1986 foi revisado, culminando na 
aprovação do atual Código de Ética Profissional por meio da Resolução CFESS nº 
273, de 13 de março de 1993. O presente Código de Ética expressa a concepção de 
uma nova direção societária que supõe a erradicação dos processos de dominação, 
exploração e opressão e que possibilite aos trabalhadoresseu pleno desenvolvimento.
Estes instrumentos normativos, que ora reapresentamos, são a 
materialização do Projeto Ético-Político profissional construído nos últimos 
30 anos no seio da categoria, haja vista que formulados para dar sustentação 
legal ao exercício profissional dos/as assistentes sociais, mas que não se 
restringem a essa dimensão. Pelo contrário, fortalecem e respaldam as 
ações profissionais na direção de um projeto em defesa dos interesses 
da classe trabalhadora e que se articula com outros sujeitos sociais na 
construção de uma sociedade anticapitalista (BRASIL, 2012, p. 14)
Constituem princípios fundamentais dispostos no Código de Ética (BRASIL, 2012, p. 23-24):
I. Reconhecimento da liberdade como valor ético central e das demandas 
políticas a ela inerentes - autonomia, emancipação e plena expansão dos 
indivíduos sociais; 
II. Defesa intransigente dos direitos humanos e recusa do arbítrio e 
do autoritarismo; 
III. Ampliação e consolidação da cidadania, considerada tarefa primordial de 
toda sociedade, com vistas à garantia dos direitos civis sociais e políticos 
das classes trabalhadoras; 
IV. Defesa do aprofundamento da democracia, enquanto socialização da 
participação política e da riqueza socialmente produzida; 
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1
O Serviço Social na contemporaneidade
V.Posicionamento em favor da equidade e justiça social, que assegure 
universalidade de acesso aos bens e serviços relativos aos programas e 
políticas sociais, bem como sua gestão democrática;
VI. Empenho na eliminação de todas as formas de preconceito, incentivando o 
respeito à diversidade, à participação de grupos socialmente discriminados e à 
discussão das diferenças; 
VII. Garantia do pluralismo, através do respeito às correntes profissionais 
democráticas existentes e suas expressões teóricas, e compromisso com o 
constante aprimoramento intelectual; 
VIII. Opção por um projeto profissional vinculado ao processo de construção 
de uma nova ordem societária, sem dominação, exploração de classe, 
etnia e gênero; 
IX. Articulação com os movimentos de outras categorias profissionais 
que partilhem dos princípios deste Código e com a luta geral 
dos/as trabalhadores/as; 
X. Compromisso com a qualidade dos serviços prestados à população e com o 
aprimoramento intelectual, na perspectiva da competência profissional;
XI. Exercício do Serviço Social sem ser discriminado/a, nem discriminar, por 
questões de inserção de classe social, gênero, etnia, religião, nacionalidade, 
orientação sexual, identidade de gênero, idade e condição física.
Os princípios dispostos no Código de Ética apontam uma direção a ser seguida, traduzidos em compro-
missos acordados coletivamente pela categoria e expressados no projeto profissional em construção a 
ser operacionalizado cotidianamente nos espaços ocupacionais.
O Código de Ética regula, entre outros:
 ` Direitos
 ` Deveres
 ` Responsabilidades
 ` Relação com usuários
 ` Relação com os profissionais
 ` Relação com entidades da sociedade civil
 ` Relação com a justiça
 ` Sigilo profissional
IMPORTANTE
SAIBA MAIS
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Projeto de intervenção
2.2. O FAZER PROFISSIONAL E A LEI DE REGULAMENTAÇÃO 
PROFISSIONAL
O Serviço Social constitui-se pelas dimensões ético-política (poder), teórico-metodológica 
(saber) e técnico-operativa (fazer), as quais interagem enquanto mediações da prática 
profissional em diferentes espaços sócio-ocupacionais. A Lei nº 8.662, de 7 de Junho de 
1993, regulamenta o exercício profissional, e seu artigo 4º dispõe sobre as competências 
do assistente social (BRASIL, 2012, p. 44-45):
Art. 4º Constituem competências do Assistente Social: 
I - elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a 
órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e 
organizações populares; 
II - elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos 
que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da 
sociedade civil; 
III - encaminhar providências, e prestar orientação social a indivíduos, 
grupos e à população; 
IV - (Vetado); 
V - orientar indivíduos e grupos de diferentes segmentos sociais no sentido 
de identificar recursos e de fazer uso dos mesmos no atendimento e na 
defesa de seus direitos; 
VI - planejar, organizar e administrar benefícios e Serviços Sociais; 
VII - planejar, executar e avaliar pesquisas que possam contribuir para a 
análise da realidade social e para subsidiar ações profissionais; 
VIII - prestar assessoria e consultoria a órgãos da administração pública 
direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, com relação às 
matérias relacionadas no inciso II deste artigo; 
IX - prestar assessoria e apoio aos movimentos sociais em matéria 
relacionada às políticas sociais, no exercício e na defesa dos direitos civis, 
políticos e sociais da coletividade;
 X - planejamento, organização e administração de Serviços Sociais e de 
Unidade de Serviço Social; 
XI - realizar estudos sócio-econômicos com os usuários para fins de 
benefícios e serviços sociais junto a órgãos da administração pública direta 
e indireta, empresas privadas e outras entidades. 
A referida lei apresenta ainda dispositivos jurídicos e normativos sobre o caráter 
privativo da profissão, ou seja, o que pode ser realizado apenas por assistentes sociais. 
Por outro lado, o contexto abre um leque de possibilidades de desenvolvimento do 
trabalho autônomo/liberal, como a realização de assessoria, consultoria, perícias 
técnicas, laudos periciais e pareceres sobre a matéria de Serviço Social. São vários 
os campos de atuação do trabalho autônomo/liberal do(a) assistente social, dentre os 
quais podemos citar o empresarial, o governamental, o não governamental, o judicial, o 
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1
O Serviço Social na contemporaneidade
da sociedade civil, os movimentos sociais, as associações etc. Todas estas atividades 
encontram-se dispostas no artigo 5º da Lei de Regulamentação da Profissão (BRASIL, 
2012, p. 45-47):
Art. 5º Constituem atribuições privativas do Assistente Social: 
I - coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, 
planos, programas e projetos na área de Serviço Social;
II - planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de 
Serviço Social; 
III - assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, 
empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social; 
IV - realizar vistorias, perícias técnicas, laudos periciais, informações e 
pareceres sobre a matéria de Serviço Social; 
V - assumir, no magistério de Serviço Social tanto a nível de graduação como 
pós-graduação, disciplinas e funções que exijam conhecimentos próprios e 
adquiridos em curso de formação regular; 
VI - treinamento, avaliação e supervisão direta de estagiários de Serviço Social; 
VII - dirigir e coordenar Unidades de Ensino e Cursos de Serviço Social, de 
graduação e pós-graduação; 
VIII - dirigir e coordenar associações, núcleos, centros de estudo e de 
pesquisa em Serviço Social; 
IX - elaborar provas, presidir e compor bancas de exames e comissões 
julgadoras de concursos ou outras formas de seleção para Assistentes 
Sociais, ou onde sejam aferidos conhecimentos inerentes ao Serviço Social; 
X - coordenar seminários, encontros, congressos e eventos assemelhados 
sobre assuntos de Serviço Social;
XI - fiscalizar o exercício profissional através dos Conselhos Federal e Regionais; 
XII - dirigir serviços técnicos de Serviço Social em entidades públicas ou privadas; 
XIII - ocupar cargos e funções de direção e fiscalização da gestão financeira 
em órgãos e entidades representativas da categoria profissional.
Atribuições privativas dizem respeito às atividades inerentes apenas aos 
profissionais de Serviço Social, não podendo ser exercidas por nenhum 
outro profissional.
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SAIBA MAISPara além dos instrumentos legais da profissão como o Código de Ética e a Lei de 
Regulamentação Profissional, o Conselho Nacional de Serviço Social lançou mão de vasta 
legislação que dispõe sobre o cotidiano dos profissionais e contribuiu para embasar a categoria. 
Os Assistentes Sociais levaram para os Conselhos Regionais de Serviço Social e para 
o Conselho Federal de Serviço Social suas demandas vivenciadas nos espaços sócio-
ocupacionais e que lhes respondem por meio de documentos legais de subsídio da 
prática profissional, como as Resoluções. Um dos exemplos é a Resolução CFESS nº 
493/2006, de 21 de agosto de 2006, que dispõe sobre as condições éticas e técnicas 
do exercício profissional do assistente social.
A Lei nº 12.317, de 26 de agosto de 2010, acrescentou um dispositivo à Lei nº 8.662, de 7 de 
junho de 1993, para dispor sobre a duração do trabalho do assistente social, que passou a 
ser de jornada de 30 horas semanais. 
 ` O artigo 1º da Lei nº 8.662, de 7 de junho de 1993, passa a vigorar acrescida do artigo 5º-
A: “Art. 5º-A. A duração do trabalho do Assistente Social é de 30 (trinta) horas semanais”.
 ` O artigo 2º afirma que aos profissionais com contrato de trabalho em vigor na data de publica-
ção desta Lei é garantida a adequação da jornada de trabalho, vedada a redução do salário.
Consulte a Resolução CFESS nº 493/2006, de 21 de agosto de 2006:
CONSELHO FEDERAL DO SERVIÇO SOCIAL – CFESS. Resolução CFESS nº 493/2006, 
de 21 de agosto de 2006. Dispõe sobre as condições éticas e técnicas do exercício profissio-
nal do assistente social. 
É de suma importância que os assistentes sociais acompanhem regularmente as novas 
resoluções, mantendo-se atualizados em suas atribuições, competências e intervenções 
profissionais, evitando ainda incorrerem em questões éticas.
3. ESPAÇOS SÓCIO-OCUPACIONAIS E DIMENSÕES POLÍTICAS 
DA PRÁTICA DO ASSISTENTE SOCIAL
O assistente social é um trabalhador assalariado, orientado por um projeto profissional 
resultante de um processo histórico de construção coletiva da categoria, assentado 
no processo histórico e sustentado por valores humanos. É o profissional do qual se 
exige atuação desvinculada de abordagens conservadoras, cujas intervenções para 
as situações sociais não devam ter cunho de avaliação como problemas pessoais e, 
portanto, de resoluções individuais pelo próprio sujeito.
SAIBA MAIS
Disponível em: http://www.cfess.org.br/arquivos/Resolucao_493-06.pdf. Acesso em: 14 
jan. 2022.
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O Serviço Social na contemporaneidade
A análise da questão social como objeto de intervenção profissional demanda uma 
atuação profissional com visão crítica da realidade social, baseada no reconhecimento 
dos determinantes socioeconômicos e culturais das desigualdades sociais. Contudo, 
o cotidiano profissional nos espaços ocupacionais, via de regra, é permeado por 
interferências de empregadores na autonomia do profissional.
Os espaços ocupacionais retratam as alterações ocorridas no trabalho na 
contemporaneidade, trazendo no seu bojo a precarização dos trabalhadores, 
especialmente pelas mudanças na base da produção, com as inovações tecnológicas 
na lógica da intensificação da produtividade. O mercado de trabalho exige novas 
requisições e novos perfis profissionais, alterando os espaços ocupacionais e o processo 
de trabalho, com solicitações de atribuições profissionais direcionadas às habilidades 
e às competências. Além disso, aponta para uma tensão entre o trabalho controlado e 
submetido ao poder do empregador, as demandas dos sujeitos de direitos e a relativa 
autonomia do profissional para perfilar seu trabalho. 
Assim, o trabalho do assistente social encontra-se sujeito a um conjunto de 
determinantes externos, que fogem ao seu controle do indivíduo e impõem 
limites, socialmente objetivos, à consecução de um projeto profissional 
coletivo no cotidiano do mercado de trabalho. Alargar as possibilidades de 
condução do trabalho no horizonte daquele projeto exige estratégias político-
profissionais que ampliem bases de apoio no interior do espaço ocupacional e 
somem forças com segmentos organizados da sociedade civil, que se movem 
pelos mesmos princípios éticos e políticos. (IAMAMOTO, 2009, p. 16)
Os espaços sócio-ocupacionais para a atuação dos assistentes sociais são amplos, 
especialmente nos serviços governamentais e não governamentais. As instituições públicas 
estatais têm sido as maiores empregadoras de profissionais dessa área (IAMAMOTO, 
2009, p. 5), sendo a administração direta a que mais emprega, especialmente na esfera 
estadual, seguida da municipal. Iamamoto (2009, p. 5) revela que os assistentes sociais 
funcionários públicos sofrem os efeitos da reforma do Estado e da precarização das 
relações de trabalho, por exemplo, a redução dos concursos públicos, a contenção 
salarial, a falta de incentivo à carreira, a terceirização acompanhada de contratação 
precária e temporária, com perda de direitos, entre outros aspectos.
Iamamoto (2009, p. 5) se refere à área de saúde como líder na absorção de assistentes 
sociais – 25,83% dos profissionais em atividades em São Paulo, em decorrência dos 
processos de implantação do Sistema Único de Saúde (SUS). Ela também cita a 
municipalização das políticas públicas como possibilidade de ampliação do mercado de 
trabalho para os assistentes sociais.
Ainda para a autora em pauta, os novos canais de controle da sociedade civil organizada 
apresentam-se como viabilidade de formulação, de gestão e de controle das políticas 
sociais, representando uma ampliação das possibilidades de trabalho profissional. 
Ressaltam-se como instâncias de participação e controle social os Conselhos de Saúde 
e Assistência Social e Previdência nos níveis nacional, estadual e municipal, assim 
como os Conselhos de Defesa de Direitos dos segmentos prioritários para a assistência 
social: criança e adolescente, idoso e pessoas com deficiência.
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Quadro 01. Espaços sócio-ocupacionais de realização de competências e atribuições do assistente 
ESPAÇOS 
SÓCIO-OCUPACIONAIS ATRIBUIÇÕES
Assistência social
Atuação nos Centros de Referência de Assistência Social (CRAS), 
Centros de Referência Especializados de Assistência Social (CRE-
AS), Centros para População em Situação de Rua (Centro POP), 
Centros de Referência para Mulheres em Situação de Violência, 
Serviços de Acolhimento Institucional para Crianças e Adolescentes, 
Execução de Medidas Socioeducativas, entre outros.
Saúde
Atuação em unidades de saúde, Saúde da Família, Unidades de 
Pronto Atendimento, Serviços de Especialidades, Hospitais Públicos e 
privados, entre outros.
Ministério Público Atuação nas Promotorias: idoso, infância e juventude, entre outras.
Polícia Segurança pública em instituições policiais, em programas de políti-
cas públicas de segurança, entre outros.
Assistência Judiciária Defensorias Públicas.
Judiciário Vara da Infância e Juventude, Varas de Família e Varas da Infância 
e da Juventude.
Educação Atuação em escolas, faculdades e universidades.
Habitação Atuação em serviços de habitação de interesse social.
Fonte: elaborado pela autora.
Foi aprovada a Lei nº 13.935/2019 que determina que o Poder Público assegure o atendi-
mento psicológico e socioassistencial aos alunos da rede pública de educação básica. A 
norma é fruto do PLC 60/2007 (PL 3.688/2000, na Câmara), aprovado pelo Congresso em 
setembro de 2019.
A aprovação desta lei abrirá espaços sócio-ocupacionais para os assistentes sociais.
SAIBA MAIS
Disponível em: https://www.lipsum.com/feed/html
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1
O Serviço Social na contemporaneidade
Iamamoto (2009, p. 17), em pesquisa sobre o perfil dos profissionais, revela sobre o 
Estado ser o maior empregador dos assistentes sociais, que assumem a característica 
de servidores públicos. Eles se tornam agentes de intervenção do Estado no espaço 
privado dos conflitos familiares.
Tem-se aí uma dupla possibilidade. De um lado,a atuação do(a) assistente 
social pode representar uma “invasão da privacidade” através de condutas 
autoritárias e burocráticas, como extensão do braço coercitivo do Estado 
(ou da empresa). De outro lado, ao desvelar a vida dos indivíduos, pode, 
em contrapartida, abrir possibilidades para o acesso das famílias a recur-
sos e serviços, além de acumular um conjunto de informações sobre as 
expressões contemporâneas da questão social pela via do estudo social. 
(IAMAMOTO, 2009, p. 19)
Figura 07. Trabalhadores sociais 
Saúde pública
Assistente Social 
Infantil
Saúde Mental
Abuso de 
substância
Serviço Social Escolar
Pesquisa e Indicação 
de Cliente
Aconselhamento em Grupo Desastres Naturais
Fonte: 123RF.
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Projeto de intervenção
PARA REFLETIR
O assistente social também é um profissional liberal cujas atribuições privativas para esta 
finalidade estão dispostas no artigo 5º da Lei nº 8662/93, que regulamenta a profissão.
Algumas formas indiretas de prestações de serviços são:
 ` Órgãos governamentais
 ` Órgãos não-governamentais
 ` Empresas privadas
 ` Assessoria e consultoria empresarial
 ` Assessoria e consultoria na gestão de pessoas
 ` Trabalho Técnico Social (TTS)
 ` Assessoria e consultoria no terceiro setor
 ` Assessoria e consultoria na área jurídica
 ` Assessoria e consultoria estatal
 ` Questão urbana e assessoria aos movimentos sociais
 ` Assessoria e consultoria previdenciária
No campo empresarial, os assistentes sociais têm sido chamados a atuar como 
assessores e/ou consultores a partir da demanda de adequação do ambiente 
organizacional aos critérios empresariais de eficiência, eficácia e rentabilidade, 
pautados na lógica da lucratividade e da acumulação do capital. 
No âmbito do Estado, esses profissionais contribuem como assessores nos órgãos 
governamentais na elaboração e no gerenciamento das políticas sociais e na 
formulação e na execução de programas. As competências da formação profissional e 
as experiências no desenvolvimento das políticas sociais fazem do assistente social um 
profissional requisitado para atuar na gestão das políticas sociais.
O trabalho do assistente social é indissociável dos dilemas vivenciados pela classe trabalhadora 
na sociedade do capital e que nas suas lutas e conquistas históricas também sofrem perdas. 
Há desafios postos para a categoria profissional que requerem a incorporação da teoria social 
crítica no conjunto da profissão, além de respostas profissionais às expressões da questão social 
nos diversos espaços ocupacionais de inserção do assistente social (IAMAMOTO, 2009, p. 36).
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1
O Serviço Social na contemporaneidade
Objeto de aprendizagem
Reflita sobre a atuação do Serviço Social frente à questão social na contemporaneidade. 
O Serviço Social tem na questão social o objeto da sua intervenção profissional e 
compreende o conjunto das expressões das desigualdades estruturais da sociedade 
capitalista, que tem raiz na produção social coletiva, em que há apropriação privada dos 
frutos do trabalho por parte de uma pequena parcela da sociedade.
CONCLUSÃO
Os direitos sociais, ao serem conquistados e regulamentados em lei, não significam a 
superação das desigualdades sociais e das formas de opressão presentes no cotidiano 
dos trabalhadores. A luta por direitos está determinada pela dinâmica da luta de classes 
e envolve disputas ideológicas quanto à concepção de sociedade e de projeto societário 
que se deseja afirmar.
Esse é um processo que precisa de organização política da classe trabalhadora. É 
fundamental conhecer os avanços históricos obtidos pelos embates das classes, sem 
perder de vista a compreensão sobre a prevalência dos interesses do capital. 
Nesse contexto de tensão entre capital e trabalho se inserem os assistentes sociais, com 
o desafio de assegurar a direção do projeto profissional na perspectiva da mobilização 
para as possibilidades de transformação social, permitindo espaços de fortalecimento 
dos processos de luta e resistência, no acesso a direitos e à cidadania e contribuindo 
na superação das expressões da questão social.
Exige-se competência teórico-metodológica e compromisso ético-político com os 
valores democráticos duramente conquistados e que devem ser assegurados.
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Projeto de intervenção
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Profissional do/a Assistente Social e dá outras providências. Brasília: Conselho Federal de Serviço Social, 
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Disponível em: https://www.poteresocial.com.br/wp-content/uploads/2017/08/3.3-Classe-e-lutas-sociais-
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GRANEMANN, Sara. O processo de produção e reprodução social: trabalho e sociabilidade. In: Associa-
ção Brasileira de Ensino e Pesquisa em Serviço Social (ABEPSS); Conselho Federal de Serviço Social 
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s709726Gx6l8W29E12Si.pdf. Acesso em: 14 jan. 2022.
26
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O Serviço Social na contemporaneidade
GUERRA, Yolanda. A Instrumentalidade no trabalho do assistente social. Cadernos do Programa de 
Capacitação Continuada para Assistentes Sociais. Capacitação em Serviço Social e Política Social. Módulo 
4: O trabalho do assistentesocial e as políticas sociais. CFESS/ABEPSS - UNB, 2000. Rev. e atual. Palestra 
ministrada no Simpósio Mineiro de Assistentes Sociais, BH, maio 2007, CRESS-6ª. Disponível em: http://
www.uel.br/cesa/sersocial/pages/arquivos/GUERRA%20Yolanda.%20A%20instrumentalidade%20no%20tra-
balho%20do%20assistente%20social.pdf. Acesso em: 14 jan. 2022. 
IAMAMOTO, Marilda Villela. O Serviço Social na contemporaneidade: trabalho e formação profissional. 5. 
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TAVARES, Maria Augusta. Acumulação, trabalho e desigualdades sociais. In: Associação Brasileira de Ensino 
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Acesso em: 22 nov. 2021.
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Projeto de intervenção
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Formação Profissional em Serviço Social
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UNIDADE 2
FORMAÇÃO PROFISSIONAL 
 EM SERVIÇO SOCIAL
INTRODUÇÃO
O serviço social é uma profissão que 
atua nas contradições da relação ca-
pital e trabalho e que tem um projeto 
construído coletivamente pelo conjun-
to da categoria desde o final da década 
de 1970 no país. As mudanças ocorri-
das no mundo profissional, da mesma 
forma que influenciam as condições 
de sobrevivência dos trabalhadores, 
também afetam as condições de tra-
balho dos assistentes sociais que são 
parte da mesma classe.
Esta unidade apresentará uma discussão acerca da formação profissional em serviço 
social e fornecerá subsídios de reflexão sobre a prática desta profissão de viés interven-
tivo e investigativo. A seção 1 abordará o projeto de trabalho profissional e a elaboração 
do projeto de intervenção como um instrumento necessário da profissão frente à ação 
interventiva. Também apresentará o marco da construção do projeto ético-político pro-
fissional, construído coletivamente pelo conjunto da categoria em uma conjuntura polí-
tica desfavorável no Brasil, no contexto da ditadura militar.
A seção 2 apresentará a dimensão técnico-operativa nos processos de trabalho dos 
assistentes sociais e debaterá a reflexão sobre a articulação dessa dimensão às demais 
dimensões da profissão: a teórico-metodológica e a ético-política. Ainda, abordare-
mos a importância da instrumentalidade no exercício da profissão, que vai além dos 
instrumentos dos quais os profissionais lançam mão no fazer profissional.
A seção 3 trará o estudo sobre a dimensão interventiva e investigativa da profissão na 
defesa de direitos dos usuários e a importância do processo de sistematização para 
esse alcance. Abordará ainda a importância da sistematização e do registro necessá-
rios para o fazer profissional, importante para a garantia de direitos, os instrumentos 
utilizados pelos assistentes sociais e o estudo social como processo metodológico de 
apreensão da realidade.
Figura 01. Treinamento profissional, soluções de educa-
ção, especialização e melhoria das habilidades profissionais
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1. O PROJETO DE TRABALHO PROFISSIONAL E A 
ELABORAÇÃO DO PROJETO DE INTERVENÇÃO
O serviço social emerge no período de desenvolvimento industrial do país no âmbito da 
divisão internacional do trabalho e das relações entre o Estado e a sociedade resultante 
dos determinantes socioeconômico-sociais. 
[...] a profissão é tanto um dado histórico, indissociável das particularidades 
assumidas pela formação e desenvolvimento da sociedade brasileira no âm-
bito da divisão internacional do trabalho, quanto resultante dos sujeitos so-
ciais que constroem sua trajetória e redirecionam seus rumos. Considerando 
a historicidade da profissão - seu caráter transitório e socialmente condicio-
nado - ela se configura e se recria no âmbito das relações entre o Estado e 
a sociedade, fruto dedeterminantes macro-sociais que estabelecem limites 
e possibilidades ao exercício profissional, inscrito na divisão social e técnica 
do trabalho e nas relações de propriedade que a sustentam. Mas uma pro-
fissão é, também, fruto dos agentes que a ela se dedicam cai seu protago-
nismo individual e coletivo. (CFESS, 2012a, p. 39)
No Brasil, entre 1960 e 1980, período de 
instalação da ditadura militar, é também 
quando se iniciou o processo de renova-
ção do serviço social, denominado como 
Reconceituação do Serviço Social, mo-
vimento desencadeado em diversos paí-
ses latino-americanos.
Esse movimento propôs a ruptura teórica 
e política que demandou o rompimento 
com as práticas profissionais conserva-
doras. Além disso, requisitou um perfil profissional crítico, capaz de atuar nas de-
mandas desafiadoras postas à profissão. 
Em 1979, no processo de crise da ditadura militar e no limiar da redemocratização bra-
sileira, o serviço social brasileiro passou a construir um projeto profissional compromis-
sado com os interesses da classe trabalhadora. 
Figura 02. Social
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No Brasil, com o processo de renovação do serviço social, a partir de 1979, a profissão vem 
construindo um projeto profissional comprometido com os interesses da classe trabalhadora.
Esse processo teve seu marco no III Congresso Brasileiro de Assistentes Sociais – III CBAS, 
em 1979, na Cidade de São Paulo. O evento ficou conhecido como gênese, ou seja, o surgi-
mento do projeto ético-político da profissão, que avançou nos anos 1980, consolidou-se na 
década de 1990 e está em construção permanente.
IMPORTANTE
30
Formação Profissional em Serviço Social
2
1.1 O PROJETO ÉTICO-POLÍTICO DO SERVIÇO SOCIAL
O sistema capitalista contém em seu projeto as dimensões de dominação, de subordi-
nação e de exploração dos trabalhadores. Por sua vez, os trabalhadores fazem frente e 
constroem seus projetos na direção oposta do proposto pelo capital. 
De acordo com Braz e Teixeira, todo projeto em uma sociedade classista é portador de uma 
dimensão política. É a disputa entre os projetos societários que determina a ordem vigente ou 
sua transformação. Assim, o plano ético-político do serviço social, como os demais, constitui-
-se em projeto coletivo na direção da mudança social (BRAZ; TEIXEIRA, 2009. p. 4).
Num exercício de sistematização, podemos identificar os elementos consti-
tutivos do projeto ético‐político do Serviço Social e os componentes que o ma-
terializam no processo sócio‐histórico da profissão. São eles:
a. o primeiro se relaciona com a explicitação de princípios e valores ético‐políticos; 
b. o segundo se refere à matriz teóricometodológica em que 
se ancora; 
c. o terceiro emana da crítica radical à ordem social vigente – a da sociedade 
do capital – que produz e reproduz a miséria ao mesmo tempo em que exibe 
uma produção monumental de riquezas;
d. o quarto se manifesta nas lutas e posicionamentos políticos acumula-
dos pela categoria através de suas formas coletivas de organização po-
lítica em aliança com os setores mais progressistas da sociedade bras-
ileira. (BRAZ; TEIXEIRA, 2009. p. 7-8)
É comum na categoria profissional haver assistentes sociais com o discurso da inviabilidade 
do projeto ético-político sob argumento da ineficiência no fazer profissional.
“Nada mais falso”, de acordo com diversos autores e pesquisadores da categoria, como Braz 
e Teixeira (2009, p.12), que analisam o referido posicionamento profissional como “visão 
pobre” que não encontra espaço de sustentação.
Portanto, é necessário a defesado projeto profissional do serviço social, pois ele é um instru-
mento que, aliado aos demais, oferece elementos para enfrentar as adversidades postas no 
cotidiano profissional (BRAZ; TEIXEIRA, 2009, p. 12).
É fundamental não perder de vista o projeto profissional. Não são raras as requisições 
imediatas que chegam ao cotidiano trabalho dos assistentes sociais, facilmente levando 
para seu atendimento momentâneo, sem questionamentos da verdadeira demanda. Por 
isso, é fundamental a reflexão desse cotidiano profissional. Assim, também é importante 
a articulação dos assistentes sociais com profissionais de sua categoria e com as demais 
áreas, ao passo que a mudança social não cabe apenas a uma profissão e, menos ainda, 
a um profissional. 
IMPORTANTE
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Projeto de intervenção
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O segundo dispõe sobre os direitos e os 
deveres do assistente social no desenvolvi-
mento de suas atribuições junto aos usuá-
rios e em sua relação com eles, com demais 
profissionais, com instituições, com a justi-
ça, entre outros. Além desses instrumentos, 
a profissão reúne um arsenal teórico e legal 
produzido pela categoria na defesa dos di-
reitos sociais e dos próprios profissionais.
O arsenal teórico se refere a toda pesquisa e 
sistematização por parte da categoria sobre 
a apreensão crítica e totalizante da questão 
social nas suas múltiplas expressões e dos 
determinantes socioeconômico-culturais, aos 
quais está exposta a classe trabalhadora e 
que influenciam na ocorrência de situações de 
vulnerabilidades e riscos sociais e pessoais.
O arsenal legal diz respeito às legislações sociais que asseguram direitos à população 
brasileira, conforme disposto na Constituição de 1988 e nas demais legislações que 
regulamentaram esses direitos. Entre as várias leis, podemos destacar:
O serviço social foi construindo outros instrumentos legais que definem as compe-
tências e os valores éticos e orientam o trabalho profissional do assistente social. Na 
atualidade, são eles: 
Figura 03. Conceito para ajuda de organização, 
projeto de meio ambiente ou trabalho social
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 ` Lei nº 8.662/1993, que regulamenta a profissão.
 ` Código de Ética do Assistente Social (1993).
 ` Lei Orgânica da Saúde (1990).
 ` Estatuto da Criança e do Adolescente (1990).
 ` Lei Orgânica da Assistência Social – LOAS (1993).
 ` Estatuto do Idoso (2003).
 ` Lei Maria da Penha (2006).
 ` Estatuto da Igualdade Racial (2010).
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Formação Profissional em Serviço Social
2
O serviço social dispõe ainda de instrumen-
tos legais específicos, como uma série de 
resoluções aprovadas especialmente pelo 
Conselho Federal de Serviço Social. Essas 
legislações norteiam a atuação profissional 
nos espaços ocupacionais e são frutos das 
demandas vivenciadas pela categoria e das 
requisições institucionais que ferem a ética 
profissional, bem como os direitos dos su-
jeitos atendidos pela profissão.
É necessário o reconhecimento dos 
determinantes presentes no cotidiano pro-
fissional dos assistentes sociais em todos 
os espaços ocupacionais da realização do 
trabalho, no âmbito público ou no privado. Isso se dá por sua condição de trabalhador as-
salariado que intervém na tensão e nas contradições da relação entre capital e trabalho.
 ` Sistema Único de Assistência Social – SUAS (2011).
 ` Estatuto da Juventude (2013).
 ` Estatuto da Pessoa com Deficiência (2015).
Figura 04. Regulamentos – imagem com palavras-
-chave e ícones 
Procedimento
Contuda
Padrão
Conformidade
RestriçãoDiretriz
Lei
Regras
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Acesse o site do Conselho Federal de Serviço Social e conheça as resoluções que orientam 
e normatizam o exercício profissional de assistentes sociais.
Entretanto, apesar dessa condição, é necessário reconhecer a existência de possibili-
dades do exercício de sua autonomia profissional no processo de trabalho. Isso permite 
desenvolver as ações comprometidas com o projeto profissional na direção dos interes-
ses da classe trabalhadora.
Embora os princípios norteadores do projeto profissional estejam fundados 
na perspectiva da construção de uma outra sociedade, é nos parâmetros do 
capitalismo que se materializa a profissão, e o assistente social é chamado 
a prestar serviços que podem corroborar o status quo ou atuar para criar 
outras formas de sociabilidade, que problematizem a organização da socie-
dade. (COUTO, 2009, p. 2)
SAIBA MAIS
Disponível em: http://www.cfess.org.br/visualizar/menu/local/resolucoes-do-cfess. 
Acesso em: 15 dez. 2021.
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Projeto de intervenção
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Nesse sentido, é importante que o profissional conheça a instituição à qual está vin-
culado, a correlação de forças, a população usuária, suas demandas e interesses e a 
política executada.
A identificação institucional é fundamental para o projeto de trabalho. Que 
tipo de instituição é? Pública ou privada? Qual é a sua finalidade? Como se 
organiza? Que recursos usa na sua manutenção? Como se estabelecem as 
relações de poder? Por que requisitou o assistente social? Em que medida 
presta serviços à população? Como absorve os demandatários na órbita ins-
titucional? Quais são as necessidades sociais da população que se propõe 
a atender e de que forma? Há espaço institucional para alterações nessa 
organização? A resposta a esses questionamentos fornece ao assistente so-
cial a identificação mínima necessária para construir uma proposta que seja 
exequível. (COUTO, 2009, p. 4)
O cotidiano profissional dos assistentes sociais é permeado pelas exigências das insti-
tuições empregadoras, requisitadas pelo capital e pelas solicitações imediatas da popu-
lação usuária, que são demandas coletivas da classe trabalhadora. É importante estar 
ciente de que se tratam de demandas complexas que não podem ser respondidas de 
forma simplista, que leve à individualização de fenômenos sociais e à culpabilização da 
população pela sua situação de vulnerabilidade.
Nesse contexto, o fato de lançar mão dos instrumentos teóricos e legais da profissão 
constitui respostas e formas de enfrentamento das requisições postas aos assistentes 
sociais que não condizem com seu projeto profissional.
Dessa forma, a elaboração de projetos de intervenção também elabora respostas e, 
ao fazê-lo, os profissionais apropriam-se e ressignificam sua prática, produzindo novos 
compromissos de cunho crítico com a realidade em que atuam. 
De acordo com ABEPSS e CFESS (2009, p. 5 e 16), os espaços sócio-ocupacionais do 
assistente social são:
 ` Esfera estatal.
 ` Instâncias públicas de controle democrático.
 ` Empresas capitalistas.
 ` Fundações empresariais.
 ` Organizações privadas não lucrativas.
 ` Organizações da classe trabalhadora.
[...] o projeto de trabalho não é um mero instrumento, ele deve condensar 
as possibilidades e os limites colocados ao profissional na execução da sua 
intervenção. Deve iluminar sua constante avaliação da eficácia de seus 
SAIBA MAIS
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Formação Profissional em Serviço Social
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1.2 A CONSTRUÇÃO DO PROJETO DE INTERVENÇÃO
O projeto de trabalho é um dos instrumentos de consolidação e de fortalecimento do 
projeto ético-político profissional. A formulação dele pelo assistente social estabelece 
seu compromisso com o projeto construído coletivamente pela profissão e com as de-
mandas da população.
A elaboração do projeto de intervenção deve preceder a identificação de uma situação-
-problema relativa a uma expressão da questão social, posta como desafio a ser supe-
rado. Situação-problema trata-se de determinada situação posta como desafio identi-
ficada para resolução. O profissional deve levantar perguntas básicas no momento de 
criar o projeto, como: 
instrumentos, técnicas e conhecimentos para atingir as metas propostas, 
que devem estar articuladas aos elementos presentes no espaço sócio-o-
cupacional, como também referendarem os compromissos profissionais. 
(COUTO, 2009, p. 13)
 ` O quê? 
 `

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