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O papel dos sujeitos políticos na 
formulação das políticas sociais 
públicas e privadas
Apresentação
O regime democrático no país foi consolidado com a aprovação da Constituição Federal em 1988 
(CF/88), conhecida como Constituição Cidadã, responsável por um arcabouço jurídico que permitiu 
o atual regime democrático existente no Brasil. Esse arcabouço jurídico consolidou um conjunto de 
direitos sociais, que é resultado de um longo processo de mobilizações sociais e políticas que 
marcaram os anos de 1970 e 1980. Nessa busca por direitos políticos e sociais, incentiva-se a 
participação dos atores sociais nos processos de decisão para a constituição desse novo cenário 
democrático no país. A partir da CF/88, foram instituídos os conselhos em praticamente todas as 
políticas sociais do país, com o objetivo de representar uma nova forma de participação e expressão 
dos atores sociais para reivindicar e fiscalizar as políticas sociais. Nesse cenário, emerge a demanda 
pela participação social e para que a população assuma o papel enquanto sujeito político na 
sociedade democrática brasileira.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você vai estudar o papel dos sujeitos políticos na formulação das 
políticas sociais, sejam elas públicas ou privadas. Para isso, é necessário compreender o que é ser 
sujeito político na atualidade, bem como o que são políticas sociais públicas e privadas na sociedade 
brasileira.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Explicar o que são sujeitos políticos.•
Identificar as políticas sociais públicas e privadas.•
Diferenciar as políticas sociais públicas e privadas.•
Desafio
As pessoas manifestam-se como sujeitos políticos das mais diferentes maneiras: algumas utilizam as 
redes sociais para se manifestar; outras comparecem às reuniões de bairro para solicitar melhorias; 
outras, ainda, participam de manifestações na rua reivindicando melhorias para a 
população; há também as que participam de movimentos sociais para defender uma causa 
específica, entre outras. Dentre os segmentos da população que precisam ser estimulados a 
desenvolver a prática de ser sujeito político, há uma faixa etária fundamental: os jovens - por meio 
do protagonismo juvenil.
No protagonismo juvenil, o jovem é estimulado à participação social, isto é, a olhar para a sociedade 
que o cerca, contribuindo não apenas com o desenvolvimento do próprio jovem, mas também com 
o desenvolvimento das comunidades em que os jovens estão inseridos. O protagonismo juvenil 
deve contribuir para a formação de pessoas mais autônomas e comprometidas socialmente, com 
valores de solidariedade e respeito, o que contribui para uma proposta de transformação social.
De modo a incentivar o protagonismo juvenil no bairro, como seria a sua intervenção junto a essa 
população?
Infográfico
A política está presente nos mais diversos aspectos da vida das pessoas. Em linhas gerais, ela 
refere-se à arte da negociação nas mais diferentes situações ou, ainda, às normas ou às regras de 
uma instituição. Em período eleitoral, comumente os candidatos falam sobre a política de governo 
deles – ora se vê no noticiário que determinado candidato manterá a política de Estado existente. 
Você já se perguntou se a política de Estado e a política de governo são a mesma coisa?
Veja o Infográfico para entender melhor essa distinção entre elas.
Aponte a câmera para o 
código e acesse o link do 
conteúdo ou clique no 
código para acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/96c530a3-f7c1-48ad-b9aa-fbb06fa74935/5801d5df-05a8-443e-b21a-34bd8806c1f5.jpg
Conteúdo do livro
Ser sujeito político na contemporaneidade significa atuar nos mais diferentes espaços (ex.: redes 
sociais, como Facebook, Instagram, Twitter, entre outras) e participar de conselhos de direitos para 
prover, fiscalizar e gestar as políticas sociais. O "ser" político é inato aos seres humanos, pois surge 
com o próprio nascimento e tem como primeiro espaço de desenvolvimento a família, quando a 
criança negocia com os pais as regras familiares. Essa experiência é transferida para a esfera da vida 
pública, seja na escola, quando não concorda com algo, seja para o mundo, quando se torna uma 
reivindicação coletiva em prol da população para a execução adequada ou a criação das políticas 
sociais, públicas e privadas.
Acompanhe a leitura do capítulo O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais 
públicas e privadas, da obra Gestão social, que serve como base teórica desta Unidade de 
Aprendizagem.
Boa leitura.
POLÍTICA 
SOCIAL
Vanessa Azevedo
 O papel dos sujeitos 
políticos na formulação 
das políticas sociais 
públicas e privadas
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
 Explicar o que são sujeitos políticos.
 Identificar as políticas sociais públicas e privadas.
 Diferenciar as políticas sociais públicas das privadas.
Introdução
O regime democrático no País foi consolidado com a aprovação da Cons-
tituição Federal de 1988, a CF/88 ou “constituição cidadã”, responsável 
por um arcabouço jurídico que permitiu o atual regime democrático que 
existe no Brasil. Esse arcabouço jurídico consolidou um conjunto de direitos 
sociais, resultado de um longo processo de mobilizações sociais e políticas 
que marcaram os anos de 1970 e 1980. Nessa busca por direitos políticos 
e sociais, incentiva-se a participação dos atores sociais nos processos de 
decisão para a constituição desse novo cenário democrático no País. 
A partir da CF/88, foram instituídos conselhos em praticamente todas as 
políticas sociais do País, com um caráter de representar uma nova forma 
de participação e expressão dos atores sociais para reivindicar e fiscalizar 
as políticas sociais. Nesse cenário, emerge a demanda pela participação 
social e para que a população assuma o seu papel enquanto sujeito 
político na sociedade democrática brasileira.
Neste capítulo, você vai estudar sobre o papel dos sujeitos políticos na 
formulação das políticas sociais, sejam elas públicas ou privadas. Para isso, 
é necessário compreender o que é ser sujeito político na atualidade, bem 
como o que são políticas sociais publicas e privadas na sociedade brasileira.
 O que são política e sujeitos políticos? 
Ao se estudar sobre os sujeitos políticos, antes, é importante elucidar o que 
é política, como ela está presente no cotidiano, se ser sujeito político é estar 
vinculado à política partidária, além de conhecer o papel de cada um desses 
elementos na constituição das políticas sociais brasileiras. A desmistifi cação 
desses termos permite que não se associe a política somente à partidária, 
mas ao real conceito do que é política e no que implica ser sujeito político, 
estudo importante em uma época onde a política econômica brasileira passa 
por uma grave crise ética, desencorajando a população a exercer o seu papel 
enquanto sujeito político.
O termo “política”, com o passar dos anos, foi utilizado de uma maneira 
vaga e perdeu o seu real sentido, sendo, muitas vezes, atribuído a algo nega-
tivo ou ruim. A política está presente em nosso cotidiano, nas mais diversas 
dimensões, sendo algo bem maior do que exercer o direito ao voto no período 
de eleições dos representantes da população. A política, para além desse mo-
mento, é algo que surgiu com a própria história, resultado da realidade social, 
da necessidade de intervenção do homem na própria história, seja ela por meio 
do voto ou da força (guerras, manifestações sociais, entre outros). A política 
está intrinsecamente ligada a uma série de fatores, entre eles: as relações de 
poder entre Estado e população, dos sindicatos, da Igreja, dos tribunais, da 
escola, das reuniões partidárias nas casas das pessoas, que são norteadas por 
diversas ideologias (MAAR, 2012).
A etimologia da palavra política provém do grego “politeia”, usada para 
definir tudo que estava relacionado à pólis(cidade-estado) e à vida em cole-
tividade. Nessa primeira aproximação com o termo, pode-se afirmar que a 
política está relacionada à vida em sociedade, algo bem maior que realizar uma 
ação em nome de um partido político ou exercer um cargo político. A politeia 
surge entre os gregos para solucionar os conflitos na pólis — era uma forma 
de os indivíduos expressarem suas diferenças para que tudo fosse resolvido 
por meio da razão e não do caos. A palavra “política” ganha destaque, pela 
primeira vez, na obra de Aristóteles, para descrever a estabilidade do Estado 
por meio da política (POLÍTICA, [200-?]).
Desse modo, atribui-se política ao poder político, a esfera da política par-
tidária ou institucional, o que acaba, também, atribuindo à política o ato de 
governar, administrar as instituições públicas, ou seja, o Estado. Nas institui-
ções privadas, como as empresas, os sindicatos, as instituições religiosas, entre 
outros, também têm a sua própria política, com normas não só de trabalho, 
mas de conduta, que direcionam o trabalho dessas instituições. Na esfera 
O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas18
familiar, também há política, através das regras para viver coletivamente, 
há negociações entre pais e filhos, entre irmãos, que desenvolvem a política 
familiar. Mas o que acontece quando alguém não concorda com a atual política 
existente em algum desses espaços? 
Nesses casos, há três alternativas: (1) não fazer nada, deixar pra lá, pois o 
ato de não tentar mudar algo é uma escolha; (2) afastar-se dessa instituição, 
uma vez que não se concorda com a política vigente; e (3) negociar, de forma 
pacífica, com as instituições para que a política vigente possa ser transfor-
mada. Entre as tantas compreensões do que é política, pode-se afirmar que 
se trata da habilidade de negociação para obter os resultados desejados e está 
intrinsecamente vinculada ao poder, pois a pessoa que tem mais poder, muitas 
vezes, é a que também tem as melhores condições de negociação.
Nesta perspectiva, ser sujeito político é ter a capacidade de poder intervir na 
história, sua atuação se ocorre ao nível político, isto é, a capacidade de definir 
a orientação da sociedade dentro do espaço que o sujeito está participando, 
pode ser de forma direta ou indireta. Deve ser uma atividade lúcida, reflexiva 
e deliberativa. O objetivo do sujeito político é a instituição de uma sociedade 
autônoma, para que possam construir projetos coletivos para a melhoria do 
viver em sociedade (CASTORIADIS, 1992). O sujeito político é um sujeito de 
direitos e de responsabilidades com a sociedade, ele usufrui dos seus direitos, 
mas também se responsabiliza por cuidar do meio onde está inserido. 
Todos somos sujeitos políticos com maior ou menor participação na socie-
dade. Você, provavelmente, já participou como eleitor em alguma eleição, desde 
o processo da escolha dos líderes da classe até a escolha dos governantes do 
País. Essas ações tratam-se de atos que os sujeitos políticos realizam, meios 
mais simples de ser sujeito político na sociedade.
Ser sujeito político é ter a capacidade de interferir na história do colégio, 
do bairro, do Município, do País, contribuindo direta ou indiretamente para 
organização coletiva de seus membros, isto é, ser um sujeito de direitos e 
deveres para com a sociedade. Trata-se de não somente fazer parte de uma 
sociedade, mas, sim, ser membro da sociedade que o cerca, estar ciente das 
suas necessidades e realizar propostas para melhorar a vida da coletividade 
e não somente a individual. 
Na atualidade, há uma grande gama de sujeitos políticos: o que utiliza 
das redes sociais para se manifestar e realizar denúncias, o que participa 
da manifestação, o que participa da reunião de condomínio, o que faz parte 
do diretório acadêmico da universidade, o que está inscrito em um partido 
político, entre outros. Todos eles são importantes, mas o principal objetivo do 
sujeito político deve ser o desenvolvimento da coletividade, combater situações 
19O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas
que estejam prejudicando a população como um todo, ou um segmento dela. 
É preciso estar atento para a coletividade. Em tempos onde as redes sociais 
propagam tudo rapidamente, é preciso ter cuidado para se posicionar e argu-
mentar sobre o coletivo da pólis.
A pólis, ou cidade-estado, é um dos elementos fundamentais da civilização grega. Ela 
nasceu de fatores de ordem geográfica, de uma instabilidade gerada depois da invasão 
dórica e da falta de um poder centralizado defensor dos indivíduos, que os levou a 
se unirem em pequenos territórios. Os gregos viviam nas pólis e estavam somente 
sujeitos às suas leis, o que os distinguia dos povos bárbaros. A pólis era, também, um 
sistema de vida, um modo de formar e moldar os cidadãos gregos que dela faziam 
parte. Parte importante da pólis é a assembleia popular, o conselho e os tribunais 
formados pelos cidadãos — os três aspetos significativos da vida cotidiana da pólis, 
na qual a participação na coisa pública era exercida rotativamente. 
 O papel dos sujeitos políticos nas políticas sociais
As políticas sociais, na maioria dos países, é um misto de uma política social 
pública e privada. Ela se dá em parceria entre o Estado e o mercado, que defi -
nem como será assegurado o acesso aos direitos sociais à população. Esse mix
público-privado ocorre de maneira que o poder público defi ne quais áreas são 
direitos sociais e cabe à iniciativa privada, constituída pelas organizações não 
governamentais (ONGs), Organização da Sociedade Civil (OCIPs), instituições 
sem fi ns lucrativos e empresas privadas a fornecerem esses direitos à população. 
Para uma política social ser considerada pública, deve ser diretamente criada 
e administrada pelo Estado que, muitas vezes, determina que uma instituição 
privada administre as políticas sociais.
Para se chegar à atual constituição das políticas sociais e ao Estado de-
mocrático existente, os sujeitos políticos foram de fundamental importância. 
A atual constituição das políticas sociais tem como principal documento a 
Constituição Federal de 1988. Trata-se de um divisor entre o período ditatorial 
e o período democrático. O Brasil passou por um longo período de ditadura 
militar, época que vai de 1964 a 1985. A organização dos sujeitos políticos, 
por meio dos mais diversos movimentos sociais, possibilitou pressionar o 
regime militar a abandonar o poder e ceder lugar ao Estado democrático no 
O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas20
País. O movimento estudantil foi um importante foco de resistência contra 
a ditadura militar, e outras manifestações importantes foram o movimento 
Feminino pela Anistia e o movimento das Diretas Já.
As ações populares configuram-se em “condução do poder público”, o 
que pode caracterizar a efetivação e a legitimação da própria democracia 
(SOARES, 2012, p. 36). Os sujeitos políticos são fundamentais para o desen-
volvimento das políticas sociais, sejam elas públicas ou privadas, pois eles, na 
sua posição de cidadãos, reivindicam melhorais para o coletivo da sociedade 
ou pressionam para que as conquistas adquiridas possam ser efetivadas por 
meio das políticas sociais. 
Os sujeitos políticos podem participar desse processo mediante vias institu-
cionais, como o conselho de direitos que se constituem em órgãos colegiados, 
de caráter permanente e com poder deliberativo, que, por meio da paridade, 
asseguram a representação dos diferentes segmentos sociais. Esse colegiado 
tem a responsabilidade de formular, supervisionar e avaliar a políticas públicas 
e sociais nas esferas: federal, estadual e municipal. Trata-se de um exercício 
legítimo de participação social, onde gestores, trabalhadores e usuários das 
mais diversas políticas sociais precisam legitimar e fiscalizar as instituições 
sociais quanto à execução das políticas públicas.Exemplos de conselho de 
direitos são: de saúde, de proteção à criança e ao adolescente, a política de 
assistência social, de pessoas com deficiência, de proteção ao idoso, entre 
outros. Junto aos conselhos de direitos, outros dois importantes espaços de 
participação da população são as conferências e os fóruns.
As conferências são uma instância de participação social, que deve ser 
convocada pelo poder público federal, com o objetivo de convocar a sociedade 
a realizar o planejamento, o controle e a gestão de uma determinada política 
ou o conjunto de políticas públicas. As conferências ocorrem em âmbitos mu-
nicipal, estadual e federal. Nesses espaços, as pessoas reúnem-se para discutir 
temas específicos, como saúde, educação, juventude, assistência social, entre 
outros temas. Algumas conferências, como as políticas de saúde e assistência 
social, têm sua periodicidade estabelecida em lei. 
Já os fóruns têm o objetivo de reunir pessoas que querem trocar experiências 
ou discutir sobre o mesmo tema, pode ser em um local físico ou virtual. Os 
fóruns podem ocorrer a níveis público e internacional. Por exemplo, um grupo 
de trabalhadores da assistência social cria um fórum para discutir sobre as 
condições dos trabalhadores da assistência social, trocam e-mail e reúnem-se 
fisicamente uma vez por mês. Especialistas mundiais podem discutir sobre 
temas políticos, sociais ou de outro tipo. Um grupo de moradores pode reunir-
-se para discutir sobre a segurança do bairro. Muitas vezes, o intercâmbio de 
21O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas
conhecimento proporciona que os participantes elaborem soluções coletivas 
para as situações-problema em debate. 
Todavia, não são somente as pessoas que participam dos conselhos, das 
conferências ou dos fóruns que podem ser consideradas sujeitos políticos. 
As que solicitam acesso a usufruir de uma política social e que, por algum 
motivo, não conseguem acessar os seus direitos devem cobrar das autorida-
des competentes para que essa instituição forneça os serviços à população. 
Sejam elas instituições públicas ou privadas, todas têm uma normatização 
a ser seguida, para que seja oferecido um serviço adequado à população. 
Sem os sujeitos políticos ao longo da história, muitas conquistas não seriam 
possíveis, e, assim, as políticas sociais não se desenvolveriam ao patamar que 
se encontram. Todavia, hoje, os sujeitos políticos devem estar atentos para 
a efetivação das políticas sociais e para que não haja retirada dos direitos 
adquiridos ao longo da história.
 Políticas sociais públicas e privadas e o papel 
dos sujeitos políticos
No cenário político-econômico brasileiro, duas gestões permeiam as políticas 
sociais: a administração pública e a administração privada. Essa distinção é 
necessária, uma vez que as políticas sociais públicas objetivam estar alinha-
das com o desenvolvimento das políticas de governo, com um orçamento, 
direcionamento de verbas e temas de atuação direcionados para esse objetivo. 
Já as políticas sociais privadas não têm responsabilidade com a política de 
governo vigente e almejam realizar um serviço alinhado com os objetivos 
institucionais. Entretanto, têm grande importância na sociedade, pois atuam 
de forma complementar às políticas públicas, as quais, apesar de também 
receberem recursos públicos para o fi nanciamento de algumas ações, bem 
como de estarem vinculadas à legislação pública, estão sob as normas, o 
orçamento e as diretrizes institucionais. Atualmente, mais do que políticas 
de governo, busca-se a estruturação de políticas de Estado.
A gestão pública estabelece uma relação íntima com o Estado, tendo como 
finalidade o bem comum e, assim, ajusta seus projetos e políticas governamen-
tais a esse objetivo. Quem realiza a administração é chamado de gestor público, 
que direciona o orçamento para alcançar os objetivos das políticas sociais de 
Estado. A Lei da Administração Pública é classifica como direta e indireta. 
A direta é composta pela União, Estados, Distrito Federal e Municípios, 
enquanto a indireta é formada por autarquias, como, por exemplo, o Instituto 
O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas22
Nacional de Seguro Social (INSS), o Instituto Nacional de Metrologia, Quali-
dade e Tecnologia (Inmetro), as universidades federais, o Instituto Brasileiro 
de Geografia e Estatística (IBGE), as sociedades de economia mista, como 
Banco do Brasil, a Caixa Econômica Federal, a Fundação Nacional do Índio 
(FUNAI). O público-alvo da administração pública é o cidadão, e a obtenção 
dos recursos dá-se por meio de impostos, taxas e contribuições.
Administração privada tem, como finalidade, o desenvolvimento da ins-
tituição e o benefício dos proprietários, gestores e funcionários. Entre seus 
objetivos, estão: a rentabilidade, a competitividade e o melhor desempenho, 
com mínimo de despesas. Para isso, contraditoriamente, precisa atender às 
necessidades de seus clientes e usuários; caso contrário, não atingirá seus ob-
jetivos. Contudo, a relação não é de direitos sociais, mas de direitos adquiridos 
pelo poder de consumo. O transporte é uma política pública administrada na 
maioria das cidades brasileiras pela iniciativa privada. O Estado faz concessões 
dos trechos que as empresas de transporte poderão realizar o transporte de 
passageiros. Veja, o Estado operacionaliza uma política pública, mas a adminis-
tração fica a cargo da iniciativa priva. Esse serviço ocorre, através de normas 
e valores definidos em comum acordo pela iniciativa privada e pelo Estado.
Esse modelo sobre o mínimo de interferência de políticos dá-se mediante 
legislação específica e normas diferentes da administração pública. O ad-
ministrador deve estar preparado para lidar com as exigências do mundo 
corporativista. O público-alvo é o cliente que consumirá seus serviços ou 
produtos. Os conceitos ligados à administração privada são:
 planejamento estratégico;
 marketing de vendas;
 gestão do relacionamento com o cliente;
 logística;
 consumidor.
Os cidadãos, ao se depararem com instituições públicas ou privadas que 
não realizam suas atividades adequadamente, devem exercer seu papel de 
sujeitos políticos na sociedade. Em uma instituição social pública, os sujeitos 
devem acionar o Estado, por meio do conselho de direitos ou das ouvidorias, 
para exigir a eficácia dos serviços realizados. Outra forma de participação é 
por meio de manifestações coletivas, como, por exemplo, passeatas, reuniões, 
abaixo assinados e conferências. Nas instituições públicas, os sujeitos devem 
reivindicar, de forma coletiva, a efetividade das políticas sociais. Enquanto, 
na instituição privada, o usuário deverá procurar a ouvidoria ou os órgãos de 
23O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas
defesa do consumidor para solicitar que o serviço ou produto seja fornecido 
adequadamente. Em se tratando de uma instituição privada que realiza serviços 
públicos, a população deve requisitar que as políticas possam ser de acesso 
a todos os cidadãos. 
Para além desses espaços, a população pode exercer seu poder de sujeito 
político de outras formas: a participação pode ocorrer por meio das ouvi-
dorias das instituições, que têm o objetivo de intermediar a reclamação dos 
usuários e as instituições. Outro espaço ao qual a população pode recorrer é 
o Ministério Público. Todo cidadão pode realizar denúncias para as questões 
que envolvem empresas, lojas, mercados, serviços públicos, más condutas de 
legisladores, servidores e gestores. Os termos de ajustamento de conduta, se 
não respeitados, geram Multas e outras sansões, como um processo judicial. 
Nessa perspectiva, todos exercem ações como sujeitos políticos, não estando 
vinculado somente a partidos políticos, mas à participação da população na 
vida em sociedade. 
CASTORIADIS, C. Psicanálise e política. In: CASTORIADIS, C. O mundo fragmentado: asencruzilhadas do labirinto. Rio de Janeiro: Paz e Terra, 1992. v. 3.
MAAR, W. L. O que é política. São Paulo: Brasiliense, 2012. 138 p. (Coleção Primeiros 
Passos, 54).
POLÍTICA. Mundo Educação, Goiânia, [20--?]. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018.
SOARES, G. S. Entre o projeto de modernidade e a efetivação da democracia: marcas 
deixadas na construção da vida social brasileira. Serviço Social & Sociedade, São Paulo, 
n. 109, p. 31-44, 2012. Disponível em: . Acesso em: 28 fev. 2018.
Leituras recomendadas
OLIVEIRA, M.; SAHD, L. F. N. A. S.; AGUIAR, O. A. Filosofia política contemporânea. Pe-
trópolis: Vozes, 2003. 368 p.
PÓLIS da Grécia Antiga. Infopédia: Dicionários Porto Editora, Porto, [201-?]. Disponível 
em: . Acesso em: 
28 fev. 2018.
O papel dos sujeitos políticos na formulação das políticas sociais públicas e privadas24
 
Dica do professor
Na Dica do Professor desta unidade, você vai perceber a relação do sujeito histórico para a 
constituição do sujeito político na sociedade.
Confira.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/2dae261c4c5f805519764b97355ebe09
Exercícios
1) O que é política?
A) É a habilidade em que todos os poderes estão na mão de um indivíduo ou de um grupo.
B) É a habilidade para tratar das relações humanas com o objetivo de obter os resultados 
desejados.
C) É um sistema em que um ou vários indivíduos, eleitos pelo povo, exercem o poder supremo, 
por tempo determinado.
D) É uma forma de poder em que toda a sociedade participa.
E) É um regime político baseado na extensão do poder do Estado.
2) Os sujeitos políticos são:
A) os vereadores, os senadores, os deputados, entre outros.
B) exclusivamente as pessoas que se manifestam pelas redes sociais.
C) os sujeitos atuantes na sociedade, por meio dos mais diferentes meios, sejam eles 
institucionais ou não. Esses sujeitos atuam para a efetivação das políticas públicas e sociais.
D) os administradores das empresas.
E) os representantes da juventude brasileira.
3) Qual o papel dos sujeitos políticos nas políticas sociais públicas e privadas?
A) Nenhum.
B) Exclusivamente fiscalizar.
C) Exclusivamente ajudar a elaborar as políticas sociais.
D) Ajudar a elaborar e fiscalizar as políticas sociais.
E) Colaborar com a venda de serviços.
4) Os conselhos de direitos são:
A) órgãos de caráter permanente, constituídos por um colegiado composto por gestores, 
trabalhadores e usuários. Esses conselhos têm como objetivo formular, supervisionar e avaliar 
as políticas públicas e sociais.
B) órgãos de caráter temporário, constituídos por um colegiado composto por gestores das 
esferas federal, estadual e municipal. Esses conselhos têm como objetivo formular, 
supervisionar e avaliar as políticas públicas e sociais.
C) órgãos de caráter permanente criados por tempo determinado para atingir um objetivo. Esses 
conselhos têm como objetivo formular, supervisionar e avaliar as políticas públicas e sociais.
D) órgãos de caráter permanente, constituídos somente por trabalhadores e usuários. Esses 
conselhos têm como objetivo formular, supervisionar e avaliar as políticas públicas e sociais.
E) órgãos de caráter provisório, formados por gestores e trabalhadores. Esses conselhos têm 
como objetivo fiscalizar as políticas públicas e sociais.
5) Quais as principais diferenças entre as políticas sociais públicas e as políticas sociais 
privadas?
A) A administração pública tem conceitos ligados: ao planejamento estratégico; ao Marketing de 
vendas; à gestão do relacionamento com o cliente; à logística; e ao consumidor.
B) As políticas sociais públicas têm como finalidades o desenvolvimento da instituição e o 
benefício dos proprietários, dos gestores e dos funcionários. Elas têm, entre os objetivos, a 
rentabilidade, a competitividade e o melhor desempenho com o mínimo de despesas. As 
políticas sociais privadas têm como finalidade o bem comum, ajustando, assim, projetos e 
políticas governamentais a esse objetivo. Quem realiza a administração é chamado de gestor 
público, direcionando o orçamento para alcançar os objetivos das políticas sociais de Estado.
C) As políticas sociais públicas precisam estar alinhadas com os objetivos dos usuários. As 
políticas sociais privadas precisam estar alinhadas com os objetivos do mercado internacional.
As políticas sociais privadas objetivam estar alinhadas com o desenvolvimento das políticas de 
governo, tendo um orçamento, um direcionamento de verbas e um tema de atuação 
direcionados para esse objetivo. As políticas sociais públicas visam ao melhor resultado 
D) 
possível, não levando em conta a política de governo vigente, e sim almejando realizar um 
serviço com o menor custo possível.
E) Alternativa e: As políticas sociais públicas objetivam estar alinhadas com o desenvolvimento 
das políticas de governo, com um orçamento, direcionamento de verbas e temas de atuação 
direcionados para esse objetivo. Já as políticas sociais privadas não possuem responsabilidade 
com a política de governo vigente e almejam realizar um serviço alinhado com os objetivos 
institucionais.
Na prática
Ser sujeito político não ocorre apenas quando se reivindicam políticas públicas e sociais adequadas, 
mas também quando se denuncia uma situação em que se considera estar 
prejudicando determinado grupo da população. Essa manifestação política ocorre, em muitos casos, 
por meio da cultura, de uma peça de teatro, da música, do cinema, da novela, entre outros.
Veja alguns exemplos:
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para 
acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/ba8ed7e4-084f-4703-bf0b-e034366191cd/b8cf80c5-1355-425a-a0d4-2ca100b476ef.jpg
Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
O poder da política
Neste vídeo, você vai saber mais sobre política, sua origem e seus significados.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
Café filosófico: quando novos sujeitos políticos sobem à cena - 
Vladimir Safatle
Neste link, você vai ver um encontro em que o objetivo é entender quem são os novos sujeitos da 
política e que efeitos produzem para a democracia, bem como a emergência desses novos atores 
do processo político.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
O presente e o passado dos planos: a necessidade de 
aprendizagem com o compasso da/na história
Este trabalho focaliza dois aspectos das políticas de Estado necessários à educação no Brasil: o 
regime constitucional de colaboração e os planos nacionais de educação.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
https://www.youtube.com/embed/4i8Fkh9d4CE
https://www.youtube.com/embed/NYI-PHukQ44
http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/faced/article/view/16340/11675
Teatro declara guerra à censura
Neste link, você vai ver uma reportagem que retrata a censura nos anos 1960 no Brasil.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar.
http://augustoboal.com.br/2018/01/25/teatro-declara-guerra-a-censura/

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