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Planejamento, planos, programas e projetos sociais Apresentação O ato de planejar é fundamental até mesmo na realização das atividades mais simples do cotidiano. O planejamento não deve permanecer no campo das ideias, mas sim na efetivação e na construção do fazer. Isso inclui o fazer profissional do assistente social que, por vezes, é chamado para elaborar planos, programas e projetos. Afinal, o planejamento é de extrema importância no campo das políticas públicas e sociais, seja no espaço público ou no privado. Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá entender as diferenças entre planejamento, plano, programa e projeto e a sua importância para as políticas públicas e o serviço social. Também irá compreender o planejamento como um ato técnico-político em consonância com o projeto ético- político da profissão. Bons estudos. Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir planejamento, planos, programas e projetos sociais.• Reconhecer a importância e a finalidade de planejamento, planos, programas e projetos sociais. • Inscrever o planejamento como um ato técnico-político em consonância com o projeto ético- político da profissão. • Desafio O PBF (Programa Bolsa Família) é um programa que contribui para o combate à pobreza e à desigualdade no Brasil. Ele foi criado em outubro de 2003 e possui três eixos principais: complemento de renda, acesso a direitos e articulação com outras políticas públicas. É também um grande campo de atuação do assistente social que, no âmbito da Política Nacional de Assistência Social (PNAS/2004), tem nos beneficiários do PBF um público prioritário de atendimento. Como profissional que está ajudando na elaboração do projeto, descreva: quais elementos da população que será atendida pelo programa você acredita que seja relevante conhecer para o planejamento de um projeto social a fim de atender essa demanda? Infográfico O assistente social, profissional formado em Serviço Social, tem sua profissão pautada num projeto ético-político regido pela lei que regulamenta a profissão, seu Código de Ética e demais normativas. Nesse sentido, o ato de planejar ações e intervenções como profissional deve estar em consonância com esses documentos e ir ao encontro das garantias de direitos dos cidadãos. Neste Infográfico, você irá conhecer melhor esses documentos e entender como o planejamento está relacionado com eles. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7b8dcb1e-cd0e-4dc2-9be5-79ac53090ab1/d5e09754-40ca-46d6-933c-238d73b6c6e7.png Conteúdo do livro Planejar faz parte da vida de todos, tanto na esfera profissional quanto na pessoal. No que se refere ao trabalho do assistente social, a partir do planejamento é possível traçar planos, programas e projetos no âmbito das políticas públicas e sociais, nos espaços públicos e privados. Portanto, o planejamento possibilita que você atue no âmbito das políticas públicas ao criar, operacionalizar planos, programas e projetos em direção à ampliação e consolidação dos direitos e da cidadania. Para compreender melhor esse assunto tão fundamental, leia o capítulo Planejamento, planos, programas e projetos sociais, da obra Processo de Trabalho em Serviço Social. O texto aborda a definição e a importância do planejamento, dos planos, programas e projetos sociais, além de abordar o planejamento como um ato técnico-político. Boa leitura. PROCESSO DE TRABALHO EM SERVIÇO SOCIAL Viviane Maria Rodrigues Planejamento, planos, programas e projetos sociais Objetivos de aprendizagem Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados: Definir planejamento social, planos, programas e projetos sociais. Reconhecer a importância e a finalidade de planejamento social, planos, programas e projetos sociais. Inscrever o planejamento enquanto um ato técnico-político em con- sonância com o projeto ético-político da profissão. Introdução O planejamento é uma característica inerente ao ser humano. Contudo, não deve ficar somente no campo das ideias, mas sim na efetivação e na construção do fazer. Para isso, faz-se necessário escrever planos, programas e projetos. Nesse sentido, o processo de planejamento se faz presente nas diferentes intervenções do serviço social, uma vez que esses planos, programas e projetos sociais são campos férteis para a atuação profissional. Trata-se de uma atividade que requer planejamento para garantir a sua ação, a sua eficácia, o seu investimento e a sua avaliação. Logo, o Projeto Ético Político da profissão não deixa de ser um planejamento. Neste capítulo, você vai descobrir a importância do planejamento, não somente para o serviço social como para o fazer cotidiano. Também vai aprender sobre o planejamento enquanto processo ético-político e técnico-político, tendo em vista que se trata de um pensar, um refletir, um avaliar constante da sociedade em que vivemos e da sociedade que desejamos e defendemos. Os conceitos de planejamento, planos, programas e projetos sociais O ato de elaborar planos, pensar projetos e implementar programas — sem considerar os seus conceitos teóricos — faz parte do fazer humano, pois realizamos essas atividades em diferentes momentos e etapas da vida. Assim, para elucidar teoricamente os termos e processos do planejamento, dos planos, dos programas e dos projetos sociais, vamos inicialmente conceituar o termo planejamento, tomando a concepção defendida por Baptista (2007, p. 13): [...] refere-se ao processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de questões que se colocam no mundo social. Enquanto processo permanente supõe ação contínua sobre um conjunto dinâmico de situações em um determinado momento histórico. Como processo metódico de abordagem racional e científica, supõe uma seqüência de atos decisórios, ordenados em mo- mentos definidos e baseados em conhecimentos teóricos, científicos e técnicos. Desse modo, o planejamento está intrinsicamente ligado ao ato de elaborar planos. O conceito de plano remete à sistematização de objetivos e metas para executar os programas e os projetos sociais. Assim, o plano é a definição das abordagens, das metas e do modo como algo será realizado, bem como de quais objetivos seguir para melhor executar as propostas que contemplam os programas e projetos sociais. Ressalta-se que os conceitos de planejamento, programas e projetos não podem ser confundidos entre si, embora eles se entrelacem constantemente. Então, para esclarecer o que cada termo significa, você verá a abordagem defendida por Teixeira (2009, p. 643): O planejamento é muitas vezes confundido com o plano, programa ou pro- jeto, os quais são apenas os meios pelos quais o planejamento se expressa. Carvalho (1978) torna claro o lugar de cada um no interior do processo geral que pretende concretizar políticas públicas. Vale lembrar que o planejamento é importante não só para as políticas públicas, mas também para as instituições privadas, uma vez que é necessário estabelecer planos de ação para a execução de projetos, bem como de programas. Assim, o planejamento faz parte do cotidiano, já que é uma ação que desenvolve a práxis: Planejamento, planos, programas e projetos sociais2 PLANO – É o documento mais abrangente e geral, que contém estudos, análises situacionais ou diagnósticos necessários à identificação dos pontos a serem atacados, dos programas e projetos necessários, dos objetivos, estratégias e metas de um governo, de um Ministério, de uma Secretaria ou de uma Unidade (TEIXEIRA, 2009, p. 643). Na atualidade, você pode observar vários planos que estão sendo estabe- lecidos em diferentes esferas de governo, bem como em diversos momentos políticos do país, independentemente de partido ou governante. Há os Planos Municipais de Habitação, os Planos Plurianuais, entre outros:“PROGRAMA – É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o objetivo maior de uma política pública” (TEIXEIRA, 2009, p. 643). Para o serviço social, um dos maiores programas que pode ser citado é o Programa Bolsa Família, que tem como principal objetivo a distribuição de renda. Esse programa tem critérios de seleção definidos, e as famílias devem ser cadastradas por meio do Cadastro Único. É importante ressaltar que esse programa faz parte de um Plano de Governo; desse modo, pode ser modificado, alterado ou extinto, se no seu processo de implantação, execução e avaliação for considerado inoperante. PROJETO – É a menor unidade do processo de planejamento. Trata-se de um instrumento técnico-administrativo de execução de empreendimentos específicos, direcionados para as mais variadas atividades interventivas e de pesquisa no espaço público e no espaço privado (TEIXEIRA, 2009, p. 643). É no projeto que são detalhados os objetivos e as ações a serem tomadas, quando elas serão realizadas, qual o custo, etc. Em resumo, no projeto são detalhadas as ações que contemplarão objetivos delineados no plano e no programa a serem executados. Além disso, no projeto é pensada a metodologia a ser aplicada. Dessa maneira, o planejamento é o que norteia a execução, bem como o pensar a respeito de um plano, programa ou projeto social. Sem pensar, ava- liar e tecer objetivos, metas e metodologias, não é possível efetivar o que foi planejado. Também se faz necessária a reflexão referente ao que se planeja, bem como a flexibilização de suas ações, das decisões a serem tomadas e da ação para efetivar o que foi planejado. 3Planejamento, planos, programas e projetos sociais Novamente vamos nos alicerçar nos escritos de Baptista para esclarecer esse assunto tão complexo. Segundo a autora, o planejamento é: Enquanto processo racional, o planejamento se organiza por operações com- plexas e interligadas, que, conforme Ferreira (1965), são as seguintes: a) de reflexão – que diz respeito ao conhecimento de dados, à análise e estudo de alternativas, à superação e reconstrução de conceitos e técnicas de diversas disci- plinas relacionadas com a explicação e quantificação dos fatos sociais, e outros: b) de decisão – que se refere à escolha de alternativas, à determinação de meios, à definição de prazos, etc.; c) de ação – relacionada à execução das decisões. É o foco central do planeja- mento. Orienta-se por momentos que a antecedem e é subsidiada pelas escolhas efetivas na operação anterior, quando aos necessários processos de organização: d) de retomada da reflexão – operação de crítica dos processos e dos efeitos da ação planejada, com vistas ao embasamento do planejamento de ações posteriores (FERREIRA, 1965 apud BAPTISTA, 2007, p. 15). Assim, para planejar é necessário que os objetivos sejam delimitados com clareza, de forma a obter a melhor execução das funções dentro do plano, dos projetos e programas sociais. Logo, para o profissional de serviço social, o ato de planejar é intrínseco à profissão. O planejamento é parte do fazer profissional cotidiano, tanto na execução dos serviços preconizados por meio das políticas públicas como nos planos, programas e projetos sociais, uma vez que, além de executar tais ações, também é o profissional chamado para pensar a sua imple- mentação. O profissional de serviço social é cada vez mais chamado para compor a gestão de políticas sociais, em seus mais diferentes espaços, assim como para avaliar a implantação e implementação dos planos, programas e projetos sociais. Algumas questões importantes para quem vai planejar são as seguintes: O que fazer? Por que fazer? Quando fazer? Como fazer? Quem vai fazer? Qual a natureza do projeto? Quais são os objetivos? Qual será a metodologia? Qual é a necessidade em termos de recursos humanos? Planejamento, planos, programas e projetos sociais4 A importância e a finalidade dos conceitos ligados ao planejamento Atualmente o profi ssional de serviço social se depara cada vez mais com a atuação em serviços e programas sociais que podem ser desenvolvidos tanto no espaço público como no privado. Entretanto, faz-se necessário o planejamento na execução das atividades propostas, pois este é de fundamental importância para garantir a efetividade e efi cácia das ações propostas. Desse modo, é imperativo compreender a importância, bem como a fina- lidade do planejamento, por meio dos planos, programas e projetos sociais. Planejar faz parte da nossa natureza, assim como avaliar deverá fazer parte de todo processo de execução do que foi planejado. Assim, garante-se a reflexão em relação ao que foi planejado, para assim compreender a sua totalidade e as suas consequências para a sociedade — individual ou coletivamente. Há sinais que indicam o planejamento ter longa tradição em culturas bem sucedidas, não obstante a afirmação de Habermas (2002) que o coloca como produto da modernidade. Como refere TATIWA (2004), não se pode imaginar a construção das pirâmides do Egito sem planejamento prévio ou, ainda, as conquistas do Império Romano sem uma estratégia de guerra (TEIXEIRA, 2009, p. 642). Ainda que o ato de planejar faça parte da natureza do homem, foi somente no século XX que ele passou a integrar os estudos, principalmente na área de administração, por meio de diferentes estratégias de planejamento. Na atualidade, temos diversos tipos de planejamento, como o planejamento par- ticipativo, o planejamento estratégico, entre outros. Para o serviço social, o ato de planejar é de grande importância, tendo em vista que a profissão está fortemente vinculada às políticas sociais, bem como aos planos, programas e projetos sociais. Desse modo, o assistente social precisa planejar as suas atividades, de modo que consiga refletir melhor sobre a intervenção nas múltiplas expressões da questão social. Nesse sentido, vale destacar o Código de Ética Profissional e a lei que regulamenta a profissão — em ambas é garantido o processo de planejar e executar planos, programas e projetos. O Código de Ética Profissional, em seu Art. 2º, afirma que constituem direitos do assistente social: a – garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei de Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste Código; b – livre exercício das atividades inerentes à Profissão; 5Planejamento, planos, programas e projetos sociais c – participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na formulação e implementação de programas sociais; [...] (CONSELHO FE- DERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2011, documento on-line). Na Lei de Regulamentação da Profissão, também está garantido, em seu Art. 4º, que constituem competências do assistente social: I – elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organi- zações populares; II – elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade civil; [...] (BRASIL, 1993, documento on-line). Já o Art. 5º traz as atribuições privativas do assistente social: I – coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; II – planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de Serviço Social; III – assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social (BRASIL, 1993, documento on-line). Assim, o plano é um documento importante para realizar o diagnóstico referente à necessidade de intervenção, pois o assistente social não tem por hábito mensurar as suas atividades. Desse modo, dificultam-se o estudo e a reflexão que propiciem mudanças na efetivação do que foi proposto nos planos, programas e projetos sociais.Essa análise da realidade por meio do planejamento das ações cotidianas é essencial para compreender as demandas necessárias, de forma a garantir intervenções mais propositivas no que consta no plano. Tal fator se faz tão importante porque as ações não são estáticas. Assim, a sistematização do fazer cotidiano possibilita a análise, a reflexão e a avaliação da implementação das mudanças a serem realizadas (ou não) no plano. Dessa forma, é possível efetivar na prática os programas e projetos. Para isso, o assistente social conta com uma gama de instrumentos que possibilitam a realização de tal atividade, como entrevista, diário de campo, visita domiciliar, atendimento individual ou coletivo, acompanhamento, entre outros. Esses instrumentos são considerados importantes no fazer cotidiano do assistente social, uma vez que se faz necessário o registro de todas as suas atividades. Planejamento, planos, programas e projetos sociais6 Quando o profissional elabora algum plano (ou participa da sua elaboração), propondo programas ou projetos sociais, ele está realizando o planejamento por meio dos diversos instrumentos da profissão, bem como das distintas correntes teóricas que já utilizou no decorrer da sua formação e no seu cotidiano. Ainda que a vertente teórica que sustenta a profissão seja a crítica dialética, é preciso respeitar o pluralismo dentro dela. Os programas e projetos têm grande importância, pois além de se consti- tuírem como instrumento de atuação — caracterizando meios de transformar a realidade em que vivemos — e de aprendizagem e avaliação da realidade vivenciada pelos sujeitos que sofrem as ações de tais propostas, são espaços que nos permitem refletir a respeito da dinâmica das políticas sociais. Embora os programas e projetos sociais devam ter uma finalidade, objetivos bem delimitados, ações bem definidas, também devem ser sempre repensados, reavaliados, revistos e, se necessários, reelaborados. A realidade não é estática e, desse modo, devem garantir a finalidade da sua elaboração e de seu pensar. Dessa forma, é importante salientar que, em todos os espaços de atuação profissional, o ato de planejar é tão fundamental como ter esse planejamento descrito em um plano, o qual poderá ser efetivado por meio de programas e projetos sociais. Esse fazer profissional tem como finalidade a busca pela sistematização do fazer profissional — desde a formação acadêmica até o cotidiano do trabalhador. Nesse mesmo contexto, deve propiciar a reflexão sobre os diferentes espaços de atuação e as diversas propostas de planos de ação, mas que venham ao encontro das demandas coletivas. Assim, o profissional deve planejar as suas ações e realizar planos, mas não deixá-los guardado nem na memória nem na gaveta. É preciso colocar em prática por meio de atividades que possam se transformar em superação de vulnera- bilidades sociais, acesso aos direitos socialmente conquistados e consequente qualidade de vida para a população à qual se destinam as ações planejadas. Assista ao vídeo disponível no link a seguir. José Paulo Netto, um importante pesqui- sador da área, traz de forma muito breve algumas considerações a respeito dos 80 anos de serviço social. https://goo.gl/QD22Z7 7Planejamento, planos, programas e projetos sociais O planejamento enquanto ato técnico-político em consonância com o projeto ético-político da profissão O planejamento é um ato pensado, refl etido, analisado: primeiro o sujeito planeja em sua mente, para só então executar o que foi pensado, buscando transformar alguma realidade. Para tanto, deve-se conhecer ao máximo a realidade sobre a qual é desenvolvido o planejamento. Desse modo, o ato de planejar também é um ato político, uma vez que exige análise crítica da realidade e pressupõe posicionamento ético-político — e política significa bem público. Entretanto, o termo planejamento também é associado a regras ou normas. Pode-se dizer que o ato de planejar segue um conjunto de regras e normas que garantem, no transcorrer do que foi planejado, ajustes de determinadas condutas ou atividades, procedimentos ou atos observados durante o processo. Contudo, é necessário que elas sejam previamente estabelecidas. O processo de planejar dialoga constantemente com o projeto ético-político do serviço social. Como sujeitos políticos pensantes em uma sociedade de classes que requer análise constante de conjuntura, também se torna impres- cindível que tenhamos profissionais com posicionamento político em seu fazer profissional nas mais distintas áreas de atuação. Ressalta-se que sempre deve ser considerado e respeitado o Código de Ética e a lei que regulamenta a profissão. A política, no sentido amplo, não se restringe ao Estado e nem à relação entre governados e governantes. Ela é tratada por Gramsci (apud COUTINHO, 1989, p. 183) como o “momento catártico”: o que permite aos homens ultra- passarem os determinismos econômicos que os constitui, incorporando-os e transformando-os em meio de sua liberdade. Isto é, redunda em investimentos voltados para criar nova forma ético-política de vida em sociedade, dando origem a novas iniciativas, permitindo a constituição de um sujeito histórico, graças à elaboração de uma vontade coletiva. Esta supõe articulação com um bloco histórico majoritário vinculado a uma classe nacional que aspira à hegemonia na sociedade e, portanto, dispõe de um projeto para a sociedade. Por isso, os projetos profissionais são indissociáveis de projetos societários, o que supõe impregnar o exercício profissional da “grande política” (IAMA- MOTO, 2009, p. 40). Assim, a construção profissional que ocorreu nas últimas décadas, com vá- rios enfrentamentos e embates políticos que nortearam a elaboração do projeto Planejamento, planos, programas e projetos sociais8 profissional do serviço social, vem na contramão do sistema capitalista. Desse modo, o planejamento precisa ser fortalecido em todas as esferas de atuação. Historicamente vivenciamos a desconstrução de políticas sociais. Na atualidade há um desmonte dos planos, programas e projetos sociais que minimamente proponham mudanças na história de vida do trabalhador. Logo, o processo técnico-político está sendo precarizado, pois o processo de pensar o bem público (que é coletivo) está ficando à margem. O profissional adquire cada dia mais o caráter de executor, em vez de planejador de suas ações. Contudo, há os diferentes “fazeres” dentro da profissão e, ao pensarmos e tentarmos colocar em prática um projeto profissional voltado ao social, em defesa de uma sociedade igualitária, devemos ter claro que não se faz nenhuma mudança de maneira individual, mas sim coletivamente. O pensar e o fazer profissional devem estar em constante reavaliação e, assim, a consolidação do projeto ético-político da profissão deverá estar sempre em pauta. A atuação profissional se dá em diferentes espaços sociais e políticos, assim: Essas diversas formas de prática trazem em si projeções individuais e coletivas, desenvolvidas pelos diversos sujeitos individuais e coletivos, que participam dos variados interesses sociais. No caso do Serviço Social, tanto no plano ideal (das ideias) quanto no plano prático, os sujeitos que nele intervêm pro- curam lhe imprimir uma determinada direção social, que atende aos diversos interesses sociais que estão em jogo na sociedade (políticos, ideológicos, econômicos etc.). Assim é que vão se afirmando uns ou outros valores, umas ou outras diretrizes profissionais que, ao assumirem dimensões coletivas, ou seja, ao conquistarem segmentos expressivos do corpo profissional, passam a representar para parcelas significativas da profissão a sua verdadeira “auto- -imagem”, adquirindo então a condição de projeto profissional (NETTO, 1999 apud TEIXEIRA; BRAZ, 2009, p. 221). A atuação profissional frente às diversas formas de prática precisa cada vez mais de profissionais fortemente vinculados a questões éticas do serviço social,defensores da classe para a qual trabalham: a classe trabalhadora. Assim, esse profissional deverá ter posicionamento ético-político e técnico-político, com uma postura crítica a respeito da realidade vivenciada: [...] o fazer profissional referencia-se no domínio intelectual do instrumental técnico. Prática concebida como uma totalidade social, dadas múltiplas di- mensões envolvidas na ação profissional e não apenas as produtivas. O que supõe uma formação profissional que imprima um perfil crítico, fundado em rigorosa capacidade teórica, ético-política e técnico prática voltada ao conhecimento e transformação da realidade (KOIKE, 2009, p. 249). 9Planejamento, planos, programas e projetos sociais Outro fator importante é referente ao Código de Ética do Assistente Social e à Lei de Regulamentação da Profissão. Vale relembrar que essa lei garante que esse profissional poderá, dentro do seu fazer profissional, elaborar planos, programas e projetos sociais. Logo, é imprescindível que o profissional tenha o projeto ético-político da profissão bem fundamentado, uma vez que é com o pensar nas ações em uma perspectiva de mudança societária que deve ser alicerçado o fazer profissional. A importância do planejamento como um dos instrumentos éticos-políticos da profissão se apresenta em função do processo pensante do ato de planejar — sem desconsiderar que é uma profissão inserida na divisão social do trabalho, a qual sofre as mazelas sociais como toda a classe trabalhadora. Assim, a materialização do projeto ético-político da profissão perpassa todos os fazeres. Em essência, é no ato de planejar uma ação, de elaborar um plano, de efetivar um programa ou projeto social que se constituem possibilidades de mudança societária. Essa construção recai sobre vários sujeitos sociais, além de diversos profissionais que podem (e devem) ser chamados a contribuir para a transformação da sociedade em que vivemos. BAPTISTA, M. V. Planejamento social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo: Veras, 2007. BRASIL. Lei n º. 8.662, de 7 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão de Assistente Social e dá outras providências. 1993. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018. CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Código de ética do/a assistente social. 9. ed. Brasília: CFESS, 2011. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018. IAMAMOTO, M. V. O serviço social na cena contemporânea. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. KOIKE, M. M. Formação profissional em serviço social: exigências atuais. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. TEIXEIRA, J. B. Formulação, administração e execução de políticas públicas. In: CON- SELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. Planejamento, planos, programas e projetos sociais10 TEIXEIRA, J. B.; BRAZ, M. O projeto ético-político do serviço social. In: CONSELHO FEDE- RAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. Leituras recomendadas ABREU, M. M.; CARDOSO, F. G. Mobilização social e práticas educativas. In: CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009. CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: CEAD/UnB, 2009. CORTEZ EDITORA. José Paulo Netto: 80 anos de serviço social. Youtube, 25 maio 2016. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018. CORTEZ EDITORA. José Paulo Netto: 9º Seminário Anual de Serviço Social. Youtube, 22 jun. 2016. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018. CORTEZ EDITORA. Palestra com o professor José Paulo Netto. Youtube, 15 maio 2014. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018. TEIXEIRA, J. B. Planejamento estratégico. Belém: EDUFPA, 2004. 11Planejamento, planos, programas e projetos sociais Conteúdo: Dica do professor Planejar é um ato inerente ao ser humano, e o planejamento é imprescindível para a execução das políticas públicas. É a partir do planejamento realizado pelos assistentes sociais que os planos, programas e projetos são pensados e operacionalizados no âmbito da garantia dos direitos. Nesta Dica do Professor, você verá as diferenças entre planejamento, plano, programa e projeto e sua importância para os direitos sociais. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://fast.player.liquidplatform.com/pApiv2/embed/cee29914fad5b594d8f5918df1e801fd/5fbdacae7360a58ccad5bca1d927199b Exercícios 1) O que caracteriza o planejamento segundo Baptista (2007)? A) Planejamento é o processo de elaboração de documento mais abrangente e geral e identificação dos objetivos a serem atingidos. B) Planejamento é o processo de elaboração do documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o objetivo maior de uma política pública. C) Planejamento é o processo de interveção por meio da elaboração de documentos sobre uma realidade social. D) Planejamento é o processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de questões que se colocam no mundo social. E) Planejamento é o documento que contém estudos, análises situacionais ou diagnósticos. 2) O que caracteriza um plano? A) É o processo de contrução de um documento permanente e metódico de abordagem racional e científica de questões que se colocam no mundo social. B) É o documento mais abrangente e geral que contém estudos, análises situacionais ou diagnósticos necessários à identificação dos objetivos a serem atingidos. C) É o documento de menor unidade do processo de planejamento, estudos, análises situacionais ou diagnósticos. D) É o documento com estudos minunciosos, análises situacionais ou diagnósticos necessários à identificação dos objetivos a serem atingidos. E) É o documento mais abrangente e geral que contém dados e análises situacionais das pessoas a serem atendidas pelo plano, necessários à identificação dos objetivos a serem atingidos. 3) Segundo Teixeira (2009), o que é um programa? A) É o documento mais genérico que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o objetivo maior de uma política pública. alessandra matias Realce alessandra matias Realce alessandra matias Realce B) É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o objetivo maior durante o atendimento às famílias. C) É o documento que traz o processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo de execução nas insituições privadas. D) É o documento que traz o processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo de execução, exigido no âmbito das instituições públicas. E) É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o objetivo maior de uma política pública. 4) O que caracteriza um projeto no âmbito das políticas públicas? A) Projeto é a menor unidade do processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo de execução específica para intervenções e pesquisa somente no espaço privado. B) Projeto é de maior abrangência, sendo considerado instrumento técnico-administrativo de execução específica para intervenções e pesquisa no espaço público e no espaço privado. C) Projeto é um instrumento técnico-administrativo de execução específica para intervenções e pesquisa no espaço público e no espaço privado e deve ser sempre executado por um assistente social. D) Projeto é a menor unidade do processo de planejamento, instrumentotécnico-administrativo de execução específica para intervenções e pesquisa no espaço público e no espaço privado. E) Projeto é a menor unidade do processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo de execução específica para intervenções nas famílias e indivíduos participantes. 5) De acordo com o Código de Ética e com a lei que regulamenta a profissão de serviço social, quais ações constituem atribuições privativas do assistente social? A) Constituem atribuições privativas do assistente social coordenar, julgar, executar, supervisionar, pesquisar; elaborar planos, programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar programas e projetos em unidade de serviços públicos. B) Constituem atribuições privativas do assistente social coordenar, elaborar, executar e emitir juízo de valor, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar e administrar programas e projetos na área de ciências humanas. alessandra matias Realce alessandra matias Realce C) Constituem atribuições privativas do assistente social somente executar pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar e administrar programas e projetos em unidade de Serviço Social. D) Constituem atribuições privativas do assistente social coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar e administrar programas e projetos em unidade de Serviço Social. E) Constituem atribuições privativas do assistente social somente coordenar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar e administrar programas e projetos em unidade de ensino. alessandra matias Realce Na prática Por vezes, o assistente social é chamado em sua atuação profissional a desenvolver e executar planos, programas e projetos na perspectiva de ampliação e garantia de acesso aos direitos. Mas como se dá essa ação na prática profissional? Veja a seguir, a partir de um exemplo do cotidiano profissional do assistente social, que tem no planejamento de projetos sociais uma de suas atribuições. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/9c75a303-3056-4b43-a933-495feec14dd7/cc41eb6d-362b-46fb-9749-5c2e741b65ba.png Saiba + Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor: Políticas, Programas e Projetos Sociais Neste artigo, Boschetti traz uma ampla discussão sobre avaliação de políticas, programas e projetos sociais. Uma excelente fonte de pesquisa e conhecimento sobre o tema. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Código de Ética e o Projeto Político do Assistente Social O artigo "O Código de Ética do Assistente Social e o projeto ético-político: uma trajetória histórica de mudanças”, apresentado no Seminário Nacional de Serviço Social em Florianópolis, em 2015, traz aspectos relevantes sobre a atuação do assistente social vinculada ao Código de Ética e ao projeto político da profissão. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. Código de Ética Leia na íntegra o Código de Ética do Assistente Social e mantenha-o como documento norteador da prática profissional. Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para acessar. http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/566382691/BOSCHETTI-I.Avaliacaodepoliticasprogramaseprojetossociais.pdf?v=380823242 http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/1135829972/Eixo2973correto.pdf?v=2127249139 http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/889121456/CEPCFESS-SITE.pdf?v=1230086968