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Planejamento, planos, programas e 
projetos sociais
Apresentação
O ato de planejar é fundamental até mesmo na realização das atividades mais simples do cotidiano. 
O planejamento não deve permanecer no campo das ideias, mas sim na efetivação e na construção 
do fazer. Isso inclui o fazer profissional do assistente social que, por vezes, é chamado para elaborar 
planos, programas e projetos. Afinal, o planejamento é de extrema importância no campo das 
políticas públicas e sociais, seja no espaço público ou no privado.
Nesta Unidade de Aprendizagem, você irá entender as diferenças entre planejamento, plano, 
programa e projeto e a sua importância para as políticas públicas e o serviço social. Também irá 
compreender o planejamento como um ato técnico-político em consonância com o projeto ético-
político da profissão.
Bons estudos.
Ao final desta Unidade de Aprendizagem, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
Definir planejamento, planos, programas e projetos sociais.•
Reconhecer a importância e a finalidade de planejamento, planos, programas e projetos 
sociais.
•
Inscrever o planejamento como um ato técnico-político em consonância com o projeto ético-
político da profissão.
•
Desafio
O PBF (Programa Bolsa Família) é um programa que contribui para o combate à pobreza e à 
desigualdade no Brasil. Ele foi criado em outubro de 2003 e possui três eixos principais: 
complemento de renda, acesso a direitos e articulação com outras políticas públicas. É também um 
grande campo de atuação do assistente social que, no âmbito da Política Nacional de Assistência 
Social (PNAS/2004), tem nos beneficiários do PBF um público prioritário de atendimento. 
 
Como profissional que está ajudando na elaboração do projeto, descreva: quais elementos da 
população que será atendida pelo programa você acredita que seja relevante conhecer para o 
planejamento de um projeto social a fim de atender essa demanda?
Infográfico
O assistente social, profissional formado em Serviço Social, tem sua profissão pautada num projeto 
ético-político regido pela lei que regulamenta a profissão, seu Código de Ética e demais 
normativas. Nesse sentido, o ato de planejar ações e intervenções como profissional deve estar em 
consonância com esses documentos e ir ao encontro das garantias de direitos dos cidadãos.
Neste Infográfico, você irá conhecer melhor esses documentos e entender como o planejamento 
está relacionado com eles.
Aponte a câmera para o código e acesse o link do conteúdo ou clique no código para 
acessar.
https://statics-marketplace.plataforma.grupoa.education/sagah/7b8dcb1e-cd0e-4dc2-9be5-79ac53090ab1/d5e09754-40ca-46d6-933c-238d73b6c6e7.png
Conteúdo do livro
Planejar faz parte da vida de todos, tanto na esfera profissional quanto na pessoal. No que se refere 
ao trabalho do assistente social, a partir do planejamento é possível traçar planos, programas e 
projetos no âmbito das políticas públicas e sociais, nos espaços públicos e privados. Portanto, o 
planejamento possibilita que você atue no âmbito das políticas públicas ao criar, operacionalizar 
planos, programas e projetos em direção à ampliação e consolidação dos direitos e da cidadania.
Para compreender melhor esse assunto tão fundamental, leia o capítulo Planejamento, planos, 
programas e projetos sociais, da obra Processo de Trabalho em Serviço Social. O texto aborda a 
definição e a importância do planejamento, dos planos, programas e projetos sociais, além de 
abordar o planejamento como um ato técnico-político.
 
Boa leitura.
PROCESSO DE 
TRABALHO EM 
SERVIÇO 
SOCIAL
Viviane Maria Rodrigues
Planejamento, 
planos, programas 
e projetos sociais
Objetivos de aprendizagem
Ao final deste texto, você deve apresentar os seguintes aprendizados:
  Definir planejamento social, planos, programas e projetos sociais.
  Reconhecer a importância e a finalidade de planejamento social, 
planos, programas e projetos sociais.
  Inscrever o planejamento enquanto um ato técnico-político em con-
sonância com o projeto ético-político da profissão.
Introdução
O planejamento é uma característica inerente ao ser humano. Contudo, 
não deve ficar somente no campo das ideias, mas sim na efetivação e na 
construção do fazer. Para isso, faz-se necessário escrever planos, programas 
e projetos. Nesse sentido, o processo de planejamento se faz presente 
nas diferentes intervenções do serviço social, uma vez que esses planos, 
programas e projetos sociais são campos férteis para a atuação profissional. 
Trata-se de uma atividade que requer planejamento para garantir a sua 
ação, a sua eficácia, o seu investimento e a sua avaliação. Logo, o Projeto 
Ético Político da profissão não deixa de ser um planejamento.
Neste capítulo, você vai descobrir a importância do planejamento, 
não somente para o serviço social como para o fazer cotidiano. Também 
vai aprender sobre o planejamento enquanto processo ético-político e 
técnico-político, tendo em vista que se trata de um pensar, um refletir, 
um avaliar constante da sociedade em que vivemos e da sociedade que 
desejamos e defendemos.
Os conceitos de planejamento, planos, 
programas e projetos sociais
O ato de elaborar planos, pensar projetos e implementar programas — sem 
considerar os seus conceitos teóricos — faz parte do fazer humano, pois 
realizamos essas atividades em diferentes momentos e etapas da vida. Assim, 
para elucidar teoricamente os termos e processos do planejamento, dos planos, 
dos programas e dos projetos sociais, vamos inicialmente conceituar o termo 
planejamento, tomando a concepção defendida por Baptista (2007, p. 13):
[...] refere-se ao processo permanente e metódico de abordagem racional e 
científica de questões que se colocam no mundo social. Enquanto processo 
permanente supõe ação contínua sobre um conjunto dinâmico de situações em 
um determinado momento histórico. Como processo metódico de abordagem 
racional e científica, supõe uma seqüência de atos decisórios, ordenados em mo-
mentos definidos e baseados em conhecimentos teóricos, científicos e técnicos.
Desse modo, o planejamento está intrinsicamente ligado ao ato de elaborar 
planos. O conceito de plano remete à sistematização de objetivos e metas para 
executar os programas e os projetos sociais. Assim, o plano é a definição das 
abordagens, das metas e do modo como algo será realizado, bem como de 
quais objetivos seguir para melhor executar as propostas que contemplam os 
programas e projetos sociais. 
Ressalta-se que os conceitos de planejamento, programas e projetos não 
podem ser confundidos entre si, embora eles se entrelacem constantemente. 
Então, para esclarecer o que cada termo significa, você verá a abordagem 
defendida por Teixeira (2009, p. 643):
O planejamento é muitas vezes confundido com o plano, programa ou pro-
jeto, os quais são apenas os meios pelos quais o planejamento se expressa. 
Carvalho (1978) torna claro o lugar de cada um no interior do processo geral 
que pretende concretizar políticas públicas. 
Vale lembrar que o planejamento é importante não só para as políticas públicas, 
mas também para as instituições privadas, uma vez que é necessário estabelecer 
planos de ação para a execução de projetos, bem como de programas. Assim, o 
planejamento faz parte do cotidiano, já que é uma ação que desenvolve a práxis:
Planejamento, planos, programas e projetos sociais2
PLANO – É o documento mais abrangente e geral, que contém estudos, análises 
situacionais ou diagnósticos necessários à identificação dos pontos a serem 
atacados, dos programas e projetos necessários, dos objetivos, estratégias e 
metas de um governo, de um Ministério, de uma Secretaria ou de uma Unidade 
(TEIXEIRA, 2009, p. 643).
Na atualidade, você pode observar vários planos que estão sendo estabe-
lecidos em diferentes esferas de governo, bem como em diversos momentos 
políticos do país, independentemente de partido ou governante. Há os Planos 
Municipais de Habitação, os Planos Plurianuais, entre outros:“PROGRAMA – 
É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem 
alcançar o objetivo maior de uma política pública” (TEIXEIRA, 2009, p. 643).
Para o serviço social, um dos maiores programas que pode ser citado é o 
Programa Bolsa Família, que tem como principal objetivo a distribuição de 
renda. Esse programa tem critérios de seleção definidos, e as famílias devem 
ser cadastradas por meio do Cadastro Único. É importante ressaltar que esse 
programa faz parte de um Plano de Governo; desse modo, pode ser modificado, 
alterado ou extinto, se no seu processo de implantação, execução e avaliação 
for considerado inoperante. 
PROJETO – É a menor unidade do processo de planejamento. Trata-se de 
um instrumento técnico-administrativo de execução de empreendimentos 
específicos, direcionados para as mais variadas atividades interventivas e de 
pesquisa no espaço público e no espaço privado (TEIXEIRA, 2009, p. 643).
É no projeto que são detalhados os objetivos e as ações a serem tomadas, 
quando elas serão realizadas, qual o custo, etc. Em resumo, no projeto são 
detalhadas as ações que contemplarão objetivos delineados no plano e no 
programa a serem executados. Além disso, no projeto é pensada a metodologia 
a ser aplicada.
Dessa maneira, o planejamento é o que norteia a execução, bem como o 
pensar a respeito de um plano, programa ou projeto social. Sem pensar, ava-
liar e tecer objetivos, metas e metodologias, não é possível efetivar o que foi 
planejado. Também se faz necessária a reflexão referente ao que se planeja, 
bem como a flexibilização de suas ações, das decisões a serem tomadas e da 
ação para efetivar o que foi planejado. 
3Planejamento, planos, programas e projetos sociais
Novamente vamos nos alicerçar nos escritos de Baptista para esclarecer 
esse assunto tão complexo. Segundo a autora, o planejamento é:
Enquanto processo racional, o planejamento se organiza por operações com-
plexas e interligadas, que, conforme Ferreira (1965), são as seguintes:
a) de reflexão – que diz respeito ao conhecimento de dados, à análise e estudo de 
alternativas, à superação e reconstrução de conceitos e técnicas de diversas disci-
plinas relacionadas com a explicação e quantificação dos fatos sociais, e outros:
b) de decisão – que se refere à escolha de alternativas, à determinação de 
meios, à definição de prazos, etc.;
c) de ação – relacionada à execução das decisões. É o foco central do planeja-
mento. Orienta-se por momentos que a antecedem e é subsidiada pelas escolhas 
efetivas na operação anterior, quando aos necessários processos de organização:
d) de retomada da reflexão – operação de crítica dos processos e dos efeitos 
da ação planejada, com vistas ao embasamento do planejamento de ações 
posteriores (FERREIRA, 1965 apud BAPTISTA, 2007, p. 15). 
Assim, para planejar é necessário que os objetivos sejam delimitados com 
clareza, de forma a obter a melhor execução das funções dentro do plano, dos 
projetos e programas sociais. Logo, para o profissional de serviço social, o ato 
de planejar é intrínseco à profissão. O planejamento é parte do fazer profissional 
cotidiano, tanto na execução dos serviços preconizados por meio das políticas 
públicas como nos planos, programas e projetos sociais, uma vez que, além de 
executar tais ações, também é o profissional chamado para pensar a sua imple-
mentação. O profissional de serviço social é cada vez mais chamado para compor 
a gestão de políticas sociais, em seus mais diferentes espaços, assim como para 
avaliar a implantação e implementação dos planos, programas e projetos sociais.
Algumas questões importantes para quem vai planejar são as seguintes:
  O que fazer?
  Por que fazer?
  Quando fazer?
  Como fazer?
  Quem vai fazer?
  Qual a natureza do projeto?
  Quais são os objetivos?
  Qual será a metodologia?
  Qual é a necessidade em termos de recursos humanos?
Planejamento, planos, programas e projetos sociais4
A importância e a finalidade dos conceitos 
ligados ao planejamento
Atualmente o profi ssional de serviço social se depara cada vez mais com a 
atuação em serviços e programas sociais que podem ser desenvolvidos tanto no 
espaço público como no privado. Entretanto, faz-se necessário o planejamento 
na execução das atividades propostas, pois este é de fundamental importância 
para garantir a efetividade e efi cácia das ações propostas.
Desse modo, é imperativo compreender a importância, bem como a fina-
lidade do planejamento, por meio dos planos, programas e projetos sociais. 
Planejar faz parte da nossa natureza, assim como avaliar deverá fazer parte de 
todo processo de execução do que foi planejado. Assim, garante-se a reflexão 
em relação ao que foi planejado, para assim compreender a sua totalidade e as 
suas consequências para a sociedade — individual ou coletivamente.
Há sinais que indicam o planejamento ter longa tradição em culturas bem 
sucedidas, não obstante a afirmação de Habermas (2002) que o coloca como 
produto da modernidade. Como refere TATIWA (2004), não se pode imaginar 
a construção das pirâmides do Egito sem planejamento prévio ou, ainda, as 
conquistas do Império Romano sem uma estratégia de guerra (TEIXEIRA, 
2009, p. 642).
Ainda que o ato de planejar faça parte da natureza do homem, foi somente 
no século XX que ele passou a integrar os estudos, principalmente na área 
de administração, por meio de diferentes estratégias de planejamento. Na 
atualidade, temos diversos tipos de planejamento, como o planejamento par-
ticipativo, o planejamento estratégico, entre outros. 
Para o serviço social, o ato de planejar é de grande importância, tendo 
em vista que a profissão está fortemente vinculada às políticas sociais, bem 
como aos planos, programas e projetos sociais. Desse modo, o assistente social 
precisa planejar as suas atividades, de modo que consiga refletir melhor sobre 
a intervenção nas múltiplas expressões da questão social.
Nesse sentido, vale destacar o Código de Ética Profissional e a lei que 
regulamenta a profissão — em ambas é garantido o processo de planejar e 
executar planos, programas e projetos. O Código de Ética Profissional, em 
seu Art. 2º, afirma que constituem direitos do assistente social:
a – garantia e defesa de suas atribuições e prerrogativas, estabelecidas na Lei 
de Regulamentação da Profissão e dos princípios firmados neste Código;
b – livre exercício das atividades inerentes à Profissão;
5Planejamento, planos, programas e projetos sociais
c – participação na elaboração e gerenciamento das políticas sociais, e na 
formulação e implementação de programas sociais; [...] (CONSELHO FE-
DERAL DE SERVIÇO SOCIAL, 2011, documento on-line).
Na Lei de Regulamentação da Profissão, também está garantido, em seu 
Art. 4º, que constituem competências do assistente social:
I – elaborar, implementar, executar e avaliar políticas sociais junto a órgãos 
da administração pública, direta ou indireta, empresas, entidades e organi-
zações populares;
II – elaborar, coordenar, executar e avaliar planos, programas e projetos que 
sejam do âmbito de atuação do Serviço Social com participação da sociedade 
civil; [...] (BRASIL, 1993, documento on-line).
Já o Art. 5º traz as atribuições privativas do assistente social:
I – coordenar, elaborar, executar, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, 
planos, programas e projetos na área de Serviço Social;
II – planejar, organizar e administrar programas e projetos em Unidade de 
Serviço Social;
III – assessoria e consultoria e órgãos da Administração Pública direta e 
indireta, empresas privadas e outras entidades, em matéria de Serviço Social 
(BRASIL, 1993, documento on-line).
Assim, o plano é um documento importante para realizar o diagnóstico 
referente à necessidade de intervenção, pois o assistente social não tem por hábito 
mensurar as suas atividades. Desse modo, dificultam-se o estudo e a reflexão que 
propiciem mudanças na efetivação do que foi proposto nos planos, programas e 
projetos sociais.Essa análise da realidade por meio do planejamento das ações 
cotidianas é essencial para compreender as demandas necessárias, de forma a 
garantir intervenções mais propositivas no que consta no plano.
Tal fator se faz tão importante porque as ações não são estáticas. Assim, a 
sistematização do fazer cotidiano possibilita a análise, a reflexão e a avaliação 
da implementação das mudanças a serem realizadas (ou não) no plano. Dessa 
forma, é possível efetivar na prática os programas e projetos. 
Para isso, o assistente social conta com uma gama de instrumentos que 
possibilitam a realização de tal atividade, como entrevista, diário de campo, 
visita domiciliar, atendimento individual ou coletivo, acompanhamento, entre 
outros. Esses instrumentos são considerados importantes no fazer cotidiano 
do assistente social, uma vez que se faz necessário o registro de todas as suas 
atividades.
Planejamento, planos, programas e projetos sociais6
Quando o profissional elabora algum plano (ou participa da sua elaboração), 
propondo programas ou projetos sociais, ele está realizando o planejamento por 
meio dos diversos instrumentos da profissão, bem como das distintas correntes 
teóricas que já utilizou no decorrer da sua formação e no seu cotidiano. Ainda 
que a vertente teórica que sustenta a profissão seja a crítica dialética, é preciso 
respeitar o pluralismo dentro dela.
Os programas e projetos têm grande importância, pois além de se consti-
tuírem como instrumento de atuação — caracterizando meios de transformar 
a realidade em que vivemos — e de aprendizagem e avaliação da realidade 
vivenciada pelos sujeitos que sofrem as ações de tais propostas, são espaços 
que nos permitem refletir a respeito da dinâmica das políticas sociais. Embora 
os programas e projetos sociais devam ter uma finalidade, objetivos bem 
delimitados, ações bem definidas, também devem ser sempre repensados, 
reavaliados, revistos e, se necessários, reelaborados. A realidade não é estática 
e, desse modo, devem garantir a finalidade da sua elaboração e de seu pensar. 
Dessa forma, é importante salientar que, em todos os espaços de atuação 
profissional, o ato de planejar é tão fundamental como ter esse planejamento 
descrito em um plano, o qual poderá ser efetivado por meio de programas e 
projetos sociais. Esse fazer profissional tem como finalidade a busca pela 
sistematização do fazer profissional — desde a formação acadêmica até o 
cotidiano do trabalhador. Nesse mesmo contexto, deve propiciar a reflexão 
sobre os diferentes espaços de atuação e as diversas propostas de planos de 
ação, mas que venham ao encontro das demandas coletivas.
Assim, o profissional deve planejar as suas ações e realizar planos, mas não 
deixá-los guardado nem na memória nem na gaveta. É preciso colocar em prática 
por meio de atividades que possam se transformar em superação de vulnera-
bilidades sociais, acesso aos direitos socialmente conquistados e consequente 
qualidade de vida para a população à qual se destinam as ações planejadas. 
Assista ao vídeo disponível no link a seguir. José Paulo Netto, um importante pesqui-
sador da área, traz de forma muito breve algumas considerações a respeito dos 80 
anos de serviço social. 
https://goo.gl/QD22Z7
7Planejamento, planos, programas e projetos sociais
O planejamento enquanto ato técnico-político 
em consonância com o projeto ético-político da 
profissão
O planejamento é um ato pensado, refl etido, analisado: primeiro o sujeito 
planeja em sua mente, para só então executar o que foi pensado, buscando 
transformar alguma realidade. Para tanto, deve-se conhecer ao máximo a 
realidade sobre a qual é desenvolvido o planejamento.
Desse modo, o ato de planejar também é um ato político, uma vez que exige 
análise crítica da realidade e pressupõe posicionamento ético-político — e 
política significa bem público. Entretanto, o termo planejamento também 
é associado a regras ou normas. Pode-se dizer que o ato de planejar segue 
um conjunto de regras e normas que garantem, no transcorrer do que foi 
planejado, ajustes de determinadas condutas ou atividades, procedimentos 
ou atos observados durante o processo. Contudo, é necessário que elas sejam 
previamente estabelecidas. 
O processo de planejar dialoga constantemente com o projeto ético-político 
do serviço social. Como sujeitos políticos pensantes em uma sociedade de 
classes que requer análise constante de conjuntura, também se torna impres-
cindível que tenhamos profissionais com posicionamento político em seu 
fazer profissional nas mais distintas áreas de atuação. Ressalta-se que sempre 
deve ser considerado e respeitado o Código de Ética e a lei que regulamenta 
a profissão. 
A política, no sentido amplo, não se restringe ao Estado e nem à relação entre 
governados e governantes. Ela é tratada por Gramsci (apud COUTINHO, 
1989, p. 183) como o “momento catártico”: o que permite aos homens ultra-
passarem os determinismos econômicos que os constitui, incorporando-os e 
transformando-os em meio de sua liberdade. Isto é, redunda em investimentos 
voltados para criar nova forma ético-política de vida em sociedade, dando 
origem a novas iniciativas, permitindo a constituição de um sujeito histórico, 
graças à elaboração de uma vontade coletiva. Esta supõe articulação com 
um bloco histórico majoritário vinculado a uma classe nacional que aspira à 
hegemonia na sociedade e, portanto, dispõe de um projeto para a sociedade. 
Por isso, os projetos profissionais são indissociáveis de projetos societários, 
o que supõe impregnar o exercício profissional da “grande política” (IAMA-
MOTO, 2009, p. 40).
Assim, a construção profissional que ocorreu nas últimas décadas, com vá-
rios enfrentamentos e embates políticos que nortearam a elaboração do projeto 
Planejamento, planos, programas e projetos sociais8
profissional do serviço social, vem na contramão do sistema capitalista. Desse 
modo, o planejamento precisa ser fortalecido em todas as esferas de atuação.
Historicamente vivenciamos a desconstrução de políticas sociais. Na 
atualidade há um desmonte dos planos, programas e projetos sociais que 
minimamente proponham mudanças na história de vida do trabalhador. Logo, 
o processo técnico-político está sendo precarizado, pois o processo de pensar 
o bem público (que é coletivo) está ficando à margem. O profissional adquire 
cada dia mais o caráter de executor, em vez de planejador de suas ações.
Contudo, há os diferentes “fazeres” dentro da profissão e, ao pensarmos 
e tentarmos colocar em prática um projeto profissional voltado ao social, em 
defesa de uma sociedade igualitária, devemos ter claro que não se faz nenhuma 
mudança de maneira individual, mas sim coletivamente. O pensar e o fazer 
profissional devem estar em constante reavaliação e, assim, a consolidação do 
projeto ético-político da profissão deverá estar sempre em pauta. A atuação 
profissional se dá em diferentes espaços sociais e políticos, assim:
Essas diversas formas de prática trazem em si projeções individuais e coletivas, 
desenvolvidas pelos diversos sujeitos individuais e coletivos, que participam 
dos variados interesses sociais. No caso do Serviço Social, tanto no plano 
ideal (das ideias) quanto no plano prático, os sujeitos que nele intervêm pro-
curam lhe imprimir uma determinada direção social, que atende aos diversos 
interesses sociais que estão em jogo na sociedade (políticos, ideológicos, 
econômicos etc.). Assim é que vão se afirmando uns ou outros valores, umas 
ou outras diretrizes profissionais que, ao assumirem dimensões coletivas, ou 
seja, ao conquistarem segmentos expressivos do corpo profissional, passam a 
representar para parcelas significativas da profissão a sua verdadeira “auto-
-imagem”, adquirindo então a condição de projeto profissional (NETTO, 1999 
apud TEIXEIRA; BRAZ, 2009, p. 221).
A atuação profissional frente às diversas formas de prática precisa cada 
vez mais de profissionais fortemente vinculados a questões éticas do serviço 
social,defensores da classe para a qual trabalham: a classe trabalhadora. Assim, 
esse profissional deverá ter posicionamento ético-político e técnico-político, 
com uma postura crítica a respeito da realidade vivenciada:
[...] o fazer profissional referencia-se no domínio intelectual do instrumental 
técnico. Prática concebida como uma totalidade social, dadas múltiplas di-
mensões envolvidas na ação profissional e não apenas as produtivas. O que 
supõe uma formação profissional que imprima um perfil crítico, fundado 
em rigorosa capacidade teórica, ético-política e técnico prática voltada ao 
conhecimento e transformação da realidade (KOIKE, 2009, p. 249).
9Planejamento, planos, programas e projetos sociais
Outro fator importante é referente ao Código de Ética do Assistente Social 
e à Lei de Regulamentação da Profissão. Vale relembrar que essa lei garante 
que esse profissional poderá, dentro do seu fazer profissional, elaborar planos, 
programas e projetos sociais. Logo, é imprescindível que o profissional tenha 
o projeto ético-político da profissão bem fundamentado, uma vez que é com 
o pensar nas ações em uma perspectiva de mudança societária que deve ser 
alicerçado o fazer profissional.
A importância do planejamento como um dos instrumentos éticos-políticos da 
profissão se apresenta em função do processo pensante do ato de planejar — sem 
desconsiderar que é uma profissão inserida na divisão social do trabalho, a qual 
sofre as mazelas sociais como toda a classe trabalhadora. Assim, a materialização 
do projeto ético-político da profissão perpassa todos os fazeres. Em essência, 
é no ato de planejar uma ação, de elaborar um plano, de efetivar um programa 
ou projeto social que se constituem possibilidades de mudança societária. Essa 
construção recai sobre vários sujeitos sociais, além de diversos profissionais que 
podem (e devem) ser chamados a contribuir para a transformação da sociedade 
em que vivemos. 
BAPTISTA, M. V. Planejamento social: intencionalidade e instrumentação. São Paulo: 
Veras, 2007.
BRASIL. Lei n º. 8.662, de 7 de junho de 1993. Dispõe sobre a profissão de Assistente Social 
e dá outras providências. 1993. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018.
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Código de ética do/a assistente social. 9. ed. 
Brasília: CFESS, 2011. Disponível em: . Acesso em: 28 out. 2018.
IAMAMOTO, M. V. O serviço social na cena contemporânea. In: CONSELHO FEDERAL 
DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. Brasília: 
CFESS/ABEPSS, 2009.
KOIKE, M. M. Formação profissional em serviço social: exigências atuais. In: CONSELHO 
FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. 
Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.
TEIXEIRA, J. B. Formulação, administração e execução de políticas públicas. In: CON-
SELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências 
profissionais. Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.
Planejamento, planos, programas e projetos sociais10
TEIXEIRA, J. B.; BRAZ, M. O projeto ético-político do serviço social. In: CONSELHO FEDE-
RAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. 
Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.
Leituras recomendadas
ABREU, M. M.; CARDOSO, F. G. Mobilização social e práticas educativas. In: CONSELHO 
FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço social: direitos sociais e competências profissionais. 
Brasília: CFESS/ABEPSS, 2009.
CONSELHO FEDERAL DE SERVIÇO SOCIAL. Serviço Social: direitos sociais e competências 
profissionais. Brasília: CEAD/UnB, 2009.
CORTEZ EDITORA. José Paulo Netto: 80 anos de serviço social. Youtube, 25 maio 2016. 
Disponível em: . Acesso em: 
28 out. 2018.
CORTEZ EDITORA. José Paulo Netto: 9º Seminário Anual de Serviço Social. Youtube, 
22 jun. 2016. Disponível em: . 
Acesso em: 28 out. 2018.
CORTEZ EDITORA. Palestra com o professor José Paulo Netto. Youtube, 15 maio 2014. 
Disponível em: . Acesso em: 
28 out. 2018.
TEIXEIRA, J. B. Planejamento estratégico. Belém: EDUFPA, 2004.
11Planejamento, planos, programas e projetos sociais
Conteúdo:
Dica do professor
Planejar é um ato inerente ao ser humano, e o planejamento é imprescindível para a execução das 
políticas públicas. É a partir do planejamento realizado pelos assistentes sociais que os planos, 
programas e projetos são pensados e operacionalizados no âmbito da garantia dos direitos.
Nesta Dica do Professor, você verá as diferenças entre planejamento, plano, programa e projeto e 
sua importância para os direitos sociais.
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Exercícios
1) O que caracteriza o planejamento segundo Baptista (2007)?
A) Planejamento é o processo de elaboração de documento mais abrangente e geral e 
identificação dos objetivos a serem atingidos.
B) Planejamento é o processo de elaboração do documento que indica um conjunto de projetos 
cujos resultados permitem alcançar o objetivo maior de uma política pública.
C) Planejamento é o processo de interveção por meio da elaboração de documentos sobre uma 
realidade social.
D) Planejamento é o processo permanente e metódico de abordagem racional e científica de 
questões que se colocam no mundo social. 
E) Planejamento é o documento que contém estudos, análises situacionais ou diagnósticos. 
2) O que caracteriza um plano?
A) É o processo de contrução de um documento permanente e metódico de abordagem racional 
e científica de questões que se colocam no mundo social. 
B) É o documento mais abrangente e geral que contém estudos, análises situacionais ou 
diagnósticos necessários à identificação dos objetivos a serem atingidos.
C) É o documento de menor unidade do processo de planejamento, estudos, análises 
situacionais ou diagnósticos. 
D) É o documento com estudos minunciosos, análises situacionais ou diagnósticos necessários à 
identificação dos objetivos a serem atingidos. 
E) É o documento mais abrangente e geral que contém dados e análises situacionais das pessoas 
a serem atendidas pelo plano, necessários à identificação dos objetivos a serem atingidos.
3) Segundo Teixeira (2009), o que é um programa?
A) É o documento mais genérico que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem 
alcançar o objetivo maior de uma política pública.
alessandra matias
Realce
alessandra matias
Realce
alessandra matias
Realce
B) É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o 
objetivo maior durante o atendimento às famílias. 
C) É o documento que traz o processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo de 
execução nas insituições privadas.
D) É o documento que traz o processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo de 
execução, exigido no âmbito das instituições públicas.
E) É o documento que indica um conjunto de projetos cujos resultados permitem alcançar o 
objetivo maior de uma política pública. 
4) O que caracteriza um projeto no âmbito das políticas públicas?
A) Projeto é a menor unidade do processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo 
de execução específica para intervenções e pesquisa somente no espaço privado.
B) Projeto é de maior abrangência, sendo considerado instrumento técnico-administrativo de 
execução específica para intervenções e pesquisa no espaço público e no espaço privado.
C) Projeto é um instrumento técnico-administrativo de execução específica para intervenções e 
pesquisa no espaço público e no espaço privado e deve ser sempre executado por um 
assistente social.
D) Projeto é a menor unidade do processo de planejamento, instrumentotécnico-administrativo 
de execução específica para intervenções e pesquisa no espaço público e no espaço privado.
E) Projeto é a menor unidade do processo de planejamento, instrumento técnico-administrativo 
de execução específica para intervenções nas famílias e indivíduos participantes.
5) De acordo com o Código de Ética e com a lei que regulamenta a profissão de serviço social, 
quais ações constituem atribuições privativas do assistente social?
A) Constituem atribuições privativas do assistente social coordenar, julgar, executar, 
supervisionar, pesquisar; elaborar planos, programas e projetos na área de Serviço Social; 
planejar, organizar programas e projetos em unidade de serviços públicos.
B) Constituem atribuições privativas do assistente social coordenar, elaborar, executar e emitir 
juízo de valor, supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área 
de Serviço Social; planejar, organizar e administrar programas e projetos na área de ciências 
humanas.
alessandra matias
Realce
alessandra matias
Realce
C) Constituem atribuições privativas do assistente social somente executar pesquisas, planos, 
programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar e administrar programas e 
projetos em unidade de Serviço Social.
D) Constituem atribuições privativas do assistente social coordenar, elaborar, executar, 
supervisionar e avaliar estudos, pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço 
Social; planejar, organizar e administrar programas e projetos em unidade de Serviço Social.
E) Constituem atribuições privativas do assistente social somente coordenar e avaliar estudos, 
pesquisas, planos, programas e projetos na área de Serviço Social; planejar, organizar e 
administrar programas e projetos em unidade de ensino.
alessandra matias
Realce
Na prática
Por vezes, o assistente social é chamado em sua atuação profissional a desenvolver e executar 
planos, programas e projetos na perspectiva de ampliação e garantia de acesso aos direitos. Mas 
como se dá essa ação na prática profissional?
Veja a seguir, a partir de um exemplo do cotidiano profissional do assistente social, que tem no 
planejamento de projetos sociais uma de suas atribuições.
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Saiba +
Para ampliar o seu conhecimento a respeito desse assunto, veja abaixo as sugestões do professor:
Políticas, Programas e Projetos Sociais
Neste artigo, Boschetti traz uma ampla discussão sobre avaliação de políticas, programas e projetos 
sociais. Uma excelente fonte de pesquisa e conhecimento sobre o tema.
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Código de Ética e o Projeto Político do Assistente Social
O artigo "O Código de Ética do Assistente Social e o projeto ético-político: uma trajetória histórica 
de mudanças”, apresentado no Seminário Nacional de Serviço Social em Florianópolis, em 2015, 
traz aspectos relevantes sobre a atuação do assistente social vinculada ao Código de Ética e ao 
projeto político da profissão.
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Código de Ética
Leia na íntegra o Código de Ética do Assistente Social e mantenha-o como documento norteador 
da prática profissional.
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http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/566382691/BOSCHETTI-I.Avaliacaodepoliticasprogramaseprojetossociais.pdf?v=380823242
http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/1135829972/Eixo2973correto.pdf?v=2127249139
http://publica.sagah.com.br/publicador/objects/attachment/889121456/CEPCFESS-SITE.pdf?v=1230086968

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