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Epidemio II Aula 3 Karine 1 Anna Buchmann M4 2021.1 Teste ideal 100% sensível e 100% específico: não ocorre na prática Estipular o melhor ponto de corte (valores normais e anormais): maior sensibilidade e maior especificidade Cenário ideal: teste altamente sensível (classifica todos os doentes) e altamente específico (classifica todos os não doentes) É preciso identificar qual ponto de equilíbrio entre sensibilidade e especificidade Exemplo: O ideal seria escolher um ponto (no meio) que separe os normais dos diabéticos para conseguir fazer a classificação correta (verdadeiros positivos e verdadeiros negativos) Na realidade, as curvas se entrelaçam (sobreposição); se o ponto de corte for muito para cima, eu classifico os normais (verdadeiros negativos) certo, mas inclui alguns diabéticos nesse diagnóstico (falsos negativos); se o ponto de corte for muito pra baixo, eu classifico os diabéticos (verdadeiros positivos) certo, mas inclui normais nesse diagnóstico (falsos positivos) → o ideal é diminuir probabilidade de falsos negativos e falsos positivos (tentar se aproximar desse valor) Curva ROC Forma gráfica de plotar as informações de sensibilidade e especificidade de cada ponto de corte escolhido; excelente para mostrar acurácia de um teste Eixo Y – informações da sensibilidade (verdadeiros positivos) Eixo X – complemento da especificidade (falsos positivos) Eixo diagonal – aconteceria se a proporção de verdadeiro positivo e falso positivo fosse igual (o ideal é que a curva ROC não seja paralela ao eixo diagonal) O ideal é que a curva se aproximar do ponto superior esquerdo, para que ela consiga captar a maior quantidade de verdadeiros positivos (para cima) e menor quantidade de falsos positivos (para esquerda) → área sob a curva se aproxime do canto superior esquerdo Identifica qual melhor ponto de corte do teste → olhar ponto mais superior esquerdo (apontado no gráfico) – melhor separa os saudáveis dos doentes Avaliação de Teste diagnóstico pt. 2 Avaliação de Teste diagnóstico pt. 2 Melhor teste – C (mais superior esquerdo – maior área sobre a curva) Pior teste – A (mais próximo do eixo diagonal) Epidemio II Aula 3 Karine 2 Anna Buchmann M4 2021.1 Exemplo: Razão de verossimilhança (Liklihood ratio) Indicador que, também, junta informações de sensibilidade e especificidade num único cálculo e único valor → importante pois tem valor específico (em caso de teste), identificando, dentro dos valores, a acurácia de cada um dos pontos de corte (curva ROC é expressão gráfica da razão de verossimilhança) Cálculo: - Percentagem (probabilidade) de pessoas doentes com determinado resultado em um teste diagnóstico dividido pela percentagem de saudáveis com o mesmo resultado RV + : quantas vezes é mais provável um doente ter resultado positivo em comparação com não doente 𝑅𝑉+ = 𝑆𝑒𝑛𝑠𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑣𝑒𝑟𝑑𝑎𝑑𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑖𝑣𝑜) 1 − 𝐸𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑓𝑎𝑙𝑠𝑜 𝑝𝑜𝑠𝑖𝑡𝑖𝑣𝑜) RV - : quantas vezes é menos provável um doente ter resultado negativo (normal) em comparação com um não doente 𝑅𝑉− = 1 − 𝑆𝑒𝑛𝑠𝑖𝑏𝑖𝑙𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑓𝑎𝑙𝑠𝑜 𝑛𝑒𝑔𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜) 𝐸𝑠𝑝𝑒𝑐𝑖𝑓𝑖𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 (𝑣𝑒𝑟𝑑𝑎𝑑𝑒𝑖𝑟𝑜 𝑛𝑒𝑔𝑎𝑡𝑖𝑣𝑜) Bons testes têm RV + alta (quantas vezes é mais provável que o resultado positivo seja de um doente e não de uma pessoa não doente, que é o ideal – verdadeiro positivo) e RV – baixa (quantas vezes é mais provável que o resultado negativo seja de uma pessoa doente comparada com uma pessoa não doente, que não é o ideal – falso negativo) : os doentes dão resultados positivos (anormais) e os saudáveis dão resultados negativos (normais). RV+ alta > 10; RV- baixa 45 entre pessoas com dosagem de ferro normal? R: 135/150 → 90% a cada 100 pessoas sem deficiência de ferro, 90 pessoas são saudáveis Epidemio II Aula 3 Karine 3 Anna Buchmann M4 2021.1 E) Razão de verossimilhança: O quanto é mais provável que um resultado positivo (ferritina sérica ≤ 45 ocorra) entre doentes comparados a não doentes? R: RV + = 70/85 / 15/150 → 0,82/0,1 = 8,2 vezes (probabilidade da pessoas positiva ter realmente a doença é 8,2 vezes maior do que a pessoa não ter a doença) O quanto é menos provável que um resultado negativo (ferritina sérica > 45) ocorra entre doentes comparados a não doentes? R: RV - = 15/85 / 135/150 → 0,17/0,9 = 0,18 vezes (probabilidade da pessoa negativa ter anemia é 0,18 vezes maior do que a pessoa não ter a doença) Medidas de acurácia Três tipos de medidas de acurácia: - Simples: sensibilidade, especificidade e valores preditivos positivo e negativo - Combinadas: • Razões de verossimilhança positiva e negativa • Eficiência = (VN+VP) / (VN+FN+VP+FP) = percentual de acertos no total • Índice de Youden, J = Se + Esp - 1 • Odds ratio diagnóstica (a/c) / (b/d) ou ad / bc - Medida derivada da análise da Curva ROC (para medidas contínuas): área abaixo da curva Uso de múltiplos testes Raramente usamos um único teste diagnóstico para concluirmos sobre a presença de uma doença e iniciarmos o tratamento (para ter 100% de certeza). Em geral os testes são usados em conglomerados. Dois tipos básicos de testes múltiplos são usados: - Testes em paralelo → aumentam a sensibilidade. Indicados para o início da investigação diagnóstica (eu faço 3 testes ao mesmo tempo, se 1 der positivo, eu classifico paciente como doente, logo, aumenta sensibilidade; usado em emergência, tempo menor de acompanhamento) - Testes em série → aumentam a especificidade. Indicados para fazer diagnóstico diferencial (eu faço teste inicial, se der positivo, eu faço um segundo teste, se der positivo, eu faço um terceiro, se der positivo, eu o classifico como doente, logo aumenta especificidade; se o segundo teste der negativo, ele é eliminado e classificado como não doente; usado quando tem tempo maior de acompanhamento) Nomograma de Fagan Ferramenta que informa probabilidade pós-teste, a partir da probabilidade pré-teste Diz qual probabilidade do paciente ter doença (antes do teste – prevalência da população; depois do teste – valor preditivo positivo ou negativo) Ferramenta rápida para calcular a probabilidade pós- teste, a partir da probabilidade pré-teste (prevalência) e da razão de verossimilhança Qual a probabilidade do paciente ter a doença? Se o exame deu positivo usa-se a prob. pré-teste e a RV + Se o exame deu negativo usa-se a prob. pré-teste e a RV Um exame laboratorial (ou de imagem) só tem utilidade quando aumenta consideravelmente a probabilidade de doença no caso de dar positivo ou se também a reduz de forma expressiva, se der negativo Se probabilidade pré-teste (prevalência) for igual à probabilidade pós-teste, é desnecessário utilizar o teste diagnóstico