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N Análise do Perfil Epidemiológico das Doenças o início as primeiras investigações no campo da prevenção e controle de doenças, através de bases científicas modernas, entretanto isso ocorreu no século XX. Com o avanço, muitas descobertas sobre bacteriologia, ciclos epidemiológicos de algumas doenças infecciosas e parasitárias, demonstraram que as intervenções consistiram na organização de grandes campanhas sanitárias, que comprometiam a atividade econômica, a exemplo da febre amarela, peste e varíola, (ROUQUAYROL, et al 2018) As campanhas valiam-se de instrumentos precisos para o diagnóstico de casos, combate a vetores, imunização e tratamento em massa com fármacos, dentre outros. O modelo operacional baseava-se em atuações verticais, sob forte inspiração militar, e compreendia fases bem estabelecidas – preparatória, de ataque, de consolidação e de manutenção. (PEREIRA, 2020). A epidemiologia, denominada eco-epidemiologia com seu paradigma das “caixas chinesas", seria resultante da síntese de conhecimentos gerados em dois níveis de conhecimento. O macro, com o estudo dos fenômenos em nível da população e das sociedades; e o micro, com o estudo dos fenômenos que ocorrem ao nível molecular, o estudo do genoma humano. Este novo paradigma seria integrador e harmonizador destes níveis de conhecimento. (Rafael, et al 2020). A expressão vigilância epidemiológica passou a ser aplicada ao controle das doenças transmissíveis na década de 50, para designar campanha de erradicação da malária, vindo a designar uma de suas fases constitutivas. No início, significava “a observação sistemática e ativa de casos suspeitos ou confirmados de doenças transmissíveis e de seus contatos (Saracen, et al 2017). Com o passar dos tempos, observou-se o programa de erradicação da varíola também instituiu uma fase de vigilância epidemiológica e a vacinação em massa da população, sendo a vigilância epidemiológica. (Barbosa, et al 2015). A vigilância epidemiológica foi o tema central da 21ª Assembléia Mundial de Saúde realizada em 1968, que permitia aplicação a variados problemas de saúde pública, além das doenças transmissíveis, malformações congênitas, envenenamentos na infância, leucemia, abortos, acidentes, doenças profissionais, comportamentos como fatores de risco, riscos ambientais, utilização de aditivos e etc. (Albuquerque, et al 2015). No período de 1969- 1980, foi onde iniciou os principais avanços de erradicação das doenças, no Brasil. O controle da poliomielite no Brasil, na década de 1980, que abriu perspectivas para a erradicação da doença no continente americano, finalmente alcançada em 1994. (Escosteguy, et al 2017) Em 1977, o Ministério da Saúde elaborou o primeiro Manual de Vigilância Epidemiológica, reunindo e compatibilizando as normas técnicas então utilizadas para a vigilância de cada doença, no âmbito de programas de controle específicos. (Seta, et al 2017) Atualmente, o Sistema Único de Saúde (SUS), define em seu texto legal (Lei nº 8.080/90) a vigilância epidemiológica como “um conjunto de ações que proporciona o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de prevenção e controle das doenças ou agravos”. Após as informações descritas sobre vigilância epidemiológica, identifica- se que ocorre profundas mudanças no perfil epidemiológico das populações, identificando declínio das taxas de mortalidade por doenças infecciosas e parasitárias e crescente aumento das mortes por causas externas e doenças crônico-degenerativas, demonstrando assim mais pesquisas e identificações sobre a incorporação de doenças e agravos não-transmissíveis ao escopo de atividades da vigilância epidemiológica. Iniciativas nesta direção estão sendo adotadas tanto pelo Ministério da Saúde/SVS como por algumas secretarias estaduais e municipais de saúde. (Moura, et al 2016) A vigilância epidemiológica, deve fornecer orientação técnica para ações de controle de doenças e agravo, compreendendo um ciclo de funções específicas, desenvolvidas, permitindo identificar o comportamento da doença ou agravo selecionado como alvo das ações, através das funções da vigilância epidemiológica. (Moura, et al 2016) A função de vigilância epidemiológica depende da disponibilidade de dados que sirvam para subsidiar o processo de produção de informação para a ação. A coleta de dados ocorre em todos os níveis de atuação do sistema de saúde. (Millington, et al 2018) Os dados e informações que alimentam o Sistema Nacional de Vigilância Epidemiológica como dados Demográficos, Ambientais e Socioeconômicos, que se utilizam para identificação e fornecer o que se precisa para identificar os denominadores para os cálculos sobre o número de habitantes, nascimentos e óbitos devem ser discriminados segundo características de sua distribuição por sexo, idade, situação do domicílio, escolaridade, ocupação, condições de saneamento, etc (Escosteguy, et al 2017) Um outro dado importante que deve se observar sempre são os dados de morbidade por permitirem a detecção imediata ou precoce de problemas sanitários, determinando notificação de casos e surtos, de serviços ambulatoriais e hospitalares, de investigações epidemiológicas, da busca ativa de casos, de estudos (Santos, et al 2019). A proporção significativa de registros sem causa definida, o que impõe cautela na análise dos dados de mortalidade, considerando tais fatos, os sistemas locais de saúde devem ser estimulados a utilizar de imediato as informações das declarações de óbito.( Lopes, et al 2019). Um outro passo importante sempre é identificar surtos e epidemias possibilitando a constatação de qualquer indício de elevação do número de casos de uma patologia. As normas de notificação devem adequar-se, no tempo e no espaço, às características de distribuição das doenças consideradas. Para a inclusão de doenças e agravos deve-se seguir a Magnitude, Potencial de disseminação Transcendência, Vulnerabilidade, Compromissos internacionais, Ocorrência de epidemias, surtos e agravos inusitados à saúde. (Oliveira,et al 2015) Para as notificações serem efetuadas com sucesso, devemos seguir alguns aspectos, notificar a simples suspeita da doença; a notificação tem de ser sigilosa, o envio dos instrumentos de coleta de notificação deve ser feito mesmo na ausência de casos, configurando-se o que se denomina notificação negativa, que funciona como um indicador de eficiência do sistema de informações. (Ciaravolo, et al 2019) Além da notificação compulsória, o Sistema de Vigilância Epidemiológica pode definir doenças e agravos como de notificação simples e também a investigação epidemiológica. O Levantamento Epidemiológico ajudará nos registros dos serviços de saúde identificando um material já existente. As medidas quantitativas de avaliação de um sistema de vigilância epidemiológica incluem sensibilidade, especificidade, representatividade e oportunidade; e as qualitativas, simplicidade, flexibilidade e aceitabilidade. (Ciaravolo, et al 2019). Atividade Extra Vejam e obtenham mais informações relacionadas à epidemiologia. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC6287859/pdf/pone.0208442.pdf Referência Bibliográfica • Albuquerque, A. C. D., Mota, E. L. A., & Felisberto, E. (2015). Descentralização das ações de vigilância epidemiológica em Pernambuco, Brasil. Cadernos de Saúde Pública, 31, 861-873. • Barbosa, J. R., Barrado, J. C. D. S., Zara, A. L. D. S. A., & Siqueira Júnior, J. B. (2015). Avaliação da qualidade dos dados, valor preditivo positivo, oportunidade e representatividade do sistema de vigilância epidemiológica da dengue no Brasil, 2005 a 2009. Epidemiologia e Serviços de Saúde, 24, 49-58 • Ciaravolo, R. M. D. C., Oliveira, S. S. D., Hiramoto, R. M., Henriques, L. D. F., Taniguchi, H. H., Viviani Junior, A., ... & Tolezano, J. E. 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