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UNAR- CENTRO UNIVERSITÁRIO DE ARARAS ‘ DR EDMUNDO ULSON’
 BACHARELADO EM DIREITO
 MILENE CARDOSO
PENHORA “ON-LINE”: A UTILIZAÇÃO DO SISTEMA BACENJUD COMO FERRAMENTA DE EFETIVIDADE PROCESSUAL E SEUS ENTRAVES
 ARARAS - SP
 2025
 MILENE CARDOSO
PENHORA “ON-LINE”: A UTILIZAÇÃO DO SISTEMA BACENJUD COMO FERRAMENTA DE EFETIVIDADE PROCESSUAL E SEUS ENTRAVES
Trabalho de conclusão de curso apresentado a Unar – centro universitário de Araras ‘ Dr Edmundo Ulson’, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Direito. 
Orientador: Prof. Esp. Nelson Pereira Batista Filho
ARARAS – SP 
 2025
PENHORA “ON-LINE”: A UTILIZAÇÃO DO SISTEMA BACENJUD COMO FERRAMENTA DE EFETIVIDADE PROCESSUAL E SEUS ENTRAVES
MILENE CARDOSO
Trabalho de conclusão de curso apresentado a Unar – centro universitário de Araras ‘ Dr Edmundo Ulson’, como requisito parcial para a obtenção do título de Bacharel em Direito. 
Orientador: Prof. Esp. Nelson Pereira Batista Filho
Aprovada em: _____/_____/______
 BANCA EXAMINADORA
 __________________________/_____/________
 Orientador: Prof. Esp. Nelson Pereira Batista Filho
 __________________________/_____/________
 __________________________/_____/________
 
Dedico este trabalho a Deus, à minha família e a todos que, com amor e fé, me ajudaram a chegar até aqui. 
Em especial, aos meus pais, Sérgio e Márcia, por todo esforço e dedicação.
AGRADECIMENTOS
A Deus, fonte de toda sabedoria e justiça, agradeço por ter guiado todos os meus passos com amor e paciência ao longo desta caminhada. A Ele, que me sustentou nos dias difíceis e me fez compreender que cada desafio traz em si um propósito maior na nossa vida. 
 À minha doce amiga e intercessora, Santa Teresinha do Menino Jesus, por me acompanhar em cada momento, em cada novena, em cada pedido e agradecimento, gostaria que suas rosas continuem a florescer em minha vida.
Aos meus pais, Sérgio e Márcia, minha eterna gratidão pela oportunidade e por o amor incondicional. Eles trilharam um caminho árduo, à sombra de seus esforços e sacrifícios, eu pudesse seguir os meus sonhos. A vocês, dedico cada conquista desta linda jornada.
Aos meus avós, Luís e Teresinha, exemplos de fé e perseverança, que me ensinaram o valor da simplicidade, da união e da família. Ao meu irmão Matheus e à minha cunhada Gabriele, por a torcida, carinho e incentivo que me ajudaram.
Ao meu namorado, Gustavo, meu companheiro da vida, de todas as horas, obrigada por segurar minha mão desde o início dessa jornada, por me apoiar, me acalmar e celebrar comigo cada conquista.
A todos os professores que contribuíram para minha formação e aos amigos que tornaram essa caminhada mais leve, com risadas, estudos e partilhas, nossa segunda família.
Encerro este ciclo com o coração cheio de gratidão. Cada esforço valeu a pena, porque, como ensinou Santa Teresinha,
“é justo que muito custe o que muito vale.”
“É justo que muito custe o que muito vale.”
— Santa Teresinha do Menino Jesus.
 RESUMO
O presente trabalho com o tema: Penhora ' On - line ': A utilização do sistema bacenjud como ferramenta de efetividade processual e seus entraves, tem como objetivo analisar a penhora on-line realizada por meio do Sistema BacenJud, a pesquisa discute a relevância do BacenJud atualmente substituído por o Sistema Sisbajud, é um mecanismo de celeridade e modernização processual, capaz de reduzir a morosidade da Justiça e assegurar o cumprimento das decisões judiciais. É abordado o fundamento jurídico da penhora on-line, previsto no art. 854 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015), O estudo também examina os principais entraves e críticas à utilização da penhora on-line, como a ocorrência de bloqueios indevidos, a violação do princípio da menor onerosidade ao devedor e as dificuldades de integração entre instituições financeiras e órgãos judiciais. Destaca-se, ainda, o debate doutrinário e jurisprudencial acerca dos limites da penhora sobre contas-salário, verbas de natureza alimentar e aplicações financeiras, com base na interpretação do art. 833 do CPC.
Palavras-chave: Penhora on-line. BacenJud. Efetividade processual. 
 ABSTRACT
This paper, entitled "Online Seizure: The Use of the BacenJud System as a Tool for Procedural Effectiveness and Its Obstacles," aims to analyze online seizures carried out through the BacenJud System. The research discusses the relevance of BacenJud, currently replaced by the Sisbajud System. It is a mechanism for procedural speed and modernization, capable of reducing judicial delays and ensuring compliance with court decisions. The legal basis for online seizure, provided for in Article 854 of the Code of Civil Procedure (Law No. 13,105/2015), is addressed. The study also examines the main obstacles and criticisms of the use of online seizures, such as the occurrence of undue blockages, the violation of the principle of least burden to the debtor, and the difficulties of integration between financial institutions and judicial bodies. Also noteworthy is the doctrinal and jurisprudential debate regarding the limits of garnishment of salary accounts, alimony funds, and financial investments, based on the interpretation of Article 833 of the Brazilian Code of Civil Procedure.
Keywords: Online garnishment. BacenJud. Procedural effectiveness.
SUMÁRIO
INTRODUÇÃO ........................................................................................................ 10
CAPÍTULO 1: O PROCESSO DE EXECUÇÃO .......................................................11
 1.1 Princípios norteadores do Processo de Execução ........................................... 11
  1.1.1 Princípio da efetividade .............................................................................. 11
  1.1.2 Princípio da boa-fé ..................................................................................... 13
  1.1.3 Princípio da responsabilidade patrimonial ................................................. 14
  1.1.4 Princípio do contraditório ........................................................................... 15
 1.2 Da execução por quantia certa contra devedor solvente ................................. 16
 1.3 Do título executivo judicial e extrajudicial ......................................................... 17
CAPÍTULO 2: DA PENHORA ................................................................................. 20
 2.1 Conceito ............................................................................................................ 20
 2.2 Restrições à penhora ........................................................................................ 22
 2.3 Penhora online .................................................................................................. 24 
2.3.1 Surgimento do sistema BacenJud e sua evolução ................................... 25
  2.3.2 Regulamentação da penhora “on-line” pela Lei 11.382/2006 .................... 26
CAPÍTULO 3: QUESTÕES POLÊMICAS RELATIVAS À PENHORA ONLINE .... 28
 3.1 Princípio do acesso à justiça e razoável duração do processo ........................ 28
 3.2 Quebra do sigilo bancário ................................................................................. 29
 3.3 Princípio da menor onerosidade para o devedor e o excesso de penhora........30
  3.3.1 Do excesso de penhorae desbloqueio de contas ..................................... 30
 3.4 Impenhorabilidade de salário e de conta depósito empresarial ....................... 31
  3.4.1 Impenhorabilidade de salário em conta ..................................................... 32  3.4.2 Da impenhorabilidade de conta depósito empresarial ................................ 32
CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................... 34
 REFERÊNCIAS ...................................................................................................... 35
INTRODUÇÃO
Este trabalho de Conclusão de Curso com o tema: Penhora ‘On-line’ do sistema ‘bacenjud’ como ferramenta de efetividade processual e seus entraves, aborda o tema de forma objetiva e conceituada, através de diversos doutrinadoers e legislação.
No Capítulo 1, aborda-se como os principais princípios ajudam e auxiliam a justiça, são princípios basilares do direito na execução civil.
No Capítulo 2, trata-se da penhora, qual o seu conceito, as restrições e como ocorre a penhora online, assim como surgimento do sistema bacenjud e a sua evolução.
No Capítulo 3, aborda-se as questões polêmicas relativas à penhora online, assim como os princípios do acesso à justiça e razoável duração do processo, quebra de sigilo, assim como outros princípios. 
Por fim, a Conclusão aborda todo o conhecimento adquirido com a presente pesquisa e a bibliografia, todas as fontes dos amteriais consultados. A metodologia de pesquisa é qualitativa bibliográfica em base de livros, jurisprudências e legislação. 
CAPÍTULO 1: O PROCESSO DE EXECUÇÃO 
Neste Capítulo será abordado como ocorre o processo de execução, dentre eles os principais princípios. 
 1.1 Princípios norteadores do Processo de Execução
O Processo de Execução, seja como fase do processo de conhecimento , também conhecido como cumprimento de sentença, ou como processo autônomo com a execução de título extrajudicial, é baseado em princípios específicos que buscam o equilíbrio entre a satisfação do crédito do exequente (credor) e a menor onerosidade para o executado o devedor, sempre sob o prisma das garantias constitucionais fundamentais na execução. Será abordado nos tópicos subsequentes os principais princípios norteadores, conforme a doutrina processual civil brasileira e o Código de Processo Civil (CPC/2015), 
O Processo de Execução, seja como fase do processo de conhecimento (cumprimento de sentença) ou como processo autônomo (execução de título extrajudicial), é orientado por princípios específicos que buscam o equilíbrio entre a satisfação do crédito do exequente (credor) e a menor onerosidade para o executado (devedor), sempre sob o prisma das garantias constitucionais.
   1.1.1 Princípio da efetividade 
O princípio da efetividade é um princípio basilar no processo de execução, com a finalidade de garantir que a tutela jurisdicional seja real e concreta, não se limitando a uma decisão meramente formal. Ou seja, o processo executivo deve assegurar a satisfação prática do direito do credor, tornando efetiva a obrigação contida no título executivo (judicial ou extrajudicial).
Este princípio está positivado no Código de Processo Civil de 2015 no art. 797, que dispõe que “a execução se realiza no interesse do exequente”, e no art. 8º, que impõe ao juiz o dever de promover a efetividade da tutela jurisdicional.
Conforme o autor Luiz Guilherme Marinoni, Sérgio Cruz Arenhart e Daniel Mitidiero: 
“O princípio da efetividade obriga que a execução seja apta a produzir, no plano prático, o resultado que o direito material promete. Não basta reconhecer o direito; é necessário realizá-lo, sendo obrigatório fazer valer a lei do papel na prática1.”
Para Fredie Didier Jr, “O processo executivo deve ser construído para assegurar a efetividade da tutela jurisdicional. A execução é, por excelência, o instrumento voltado à concretização do direito reconhecido, em outras palavras do autor acima, Fredie Didier argumenta que a lei deve se valer na prática do cotidiano2.”
Conforme o entendimento de Humberto Theodoro Júnior , “A execução é o meio pelo qual o Estado concretiza o direito reconhecido em juízo. Sem efetividade, o processo perde sua razão de ser, tornando-se um ritual vazio, o direito se torna apenas uma promessa no papel, tirando toda a credibilidade social jurídica3.”
 O princípio da efetividade atua como fundamento basilar para interpretar e aplicar as normas de execução, de modo que não basta apenas a legislação, é também necessário que a tutela jurisdicional se traduza em resultado prático (por exemplo, constrição patrimonial, bloqueio de ativos, penhora eficaz). O princípio pode pactuar com outros, assim como o da menor onerosidade do devedor, mas não pode ser simplesmente ignorado sob o argumento de proteger o devedor, quando a inércia ou a demora para comprometer a finalidade da execução.
1 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo Civil – Vol. 3: Execução. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2023.
2 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023. 
3 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
   1.1.2 Princípio da boa-fé 
A boa-fé pode ser analisada sob dois prismas, a boa-fé subjetiva está ligada ao estado psicológico de quem age acreditando de boa intenção, a Boa-fé objetiva traduz um padrão ético de conduta, exigindo que as partes ajam conforme os princípios de lealdade, confiança e probidade (art. 422 do Código Civil e art. 5º do CPC). Segundo Judith Martins-Costa “A boa-fé objetiva constitui uma cláusula geral na qual impõe às partes um dever de conduta pautado na honestidade, lealdade e cooperação, funcionando como critério de interpretação e de controle dos comportamentos contratuais4.”
 Segundo Maria Helena Diniz: 
“A boa-fé é um princípio ético-jurídico, um princípio basilar que orienta a conduta das partes nas relações jurídicas, obriga a agir com probidade, lealdade e respeito recíproco, desde a formação até a execução do contratox5.”
Segundo Pablo Stolze Gagliano “A boa-fé objetiva é um modelo de comportamento exigido das partes nas relações jurídicas, que vai além da intenção, abrangendo um padrão ético de atuação que deve estar presente em todas as fases do vínculo jurídico6.”
 Conforme o entendimento de Carlos Roberto Gonçalves “O princípio da boa-fé objetiva tem caráter normativo e impõe às partes o dever de agir com correção e lealdade, servindo de parâmetro para a interpretação e execução dos negócios jurídicos, um dos princípios basilares do direito civil7.”
4 MARTINS-COSTA, Judith. A Boa-fé no Direito Privado. 3. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2020.
5 DINIZ, Maria Helena. Curso de Direito Civil Brasileiro – Teoria Geral do Direito Civil. 39. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
6 GAGLIANO, Pablo Stolze; PAMPLONA FILHO, Rodolfo. Novo Curso de Direito Civil – Parte Geral. 15. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
7 GONÇALVES, Carlos Roberto. Direito Civil Brasileiro – Parte Geral. 21. ed. São Paulo: Saraiva, 2022.
   1.1.3 Princípio da responsabilidade patrimonial 
O Princípio da Responsabilidade Patrimonial é um princípio que estabelece que o devedor responde com seus bens presentes e futuros para o cumprimento de suas obrigações, segundo o artigo 789 do (CPC/2015):
“O devedor responde, para o cumprimento de suas obrigações, com todos os seus bens presentes e futuros, salvo as restrições estabelecidas em lei.”
Esse princípio garante a efetividade da execução, porque vincula o patrimônio do devedor como garantia geral aos credores, este princípio respeita as hipóteses legais de impenhorabilidade , que estão elencadas no art. 833 do CPC.
Conforme o entendimento de Humberto Theodoro Júnior:“A responsabilidade patrimonial é o fundamento da execução forçada no ordenamento jurídico. O devedor responde por o inadimplemento com o conjunto de seus bens, que se sujeitam à constrição judicial para o pagamento do crédito8.”
Conforme Didier Jr o princípio da responsabilidade patrimonial se traduz a ideia de que o devedor responde com seus bens, e não com a própria pessoa a personalidade jurídica não se confunde, pelo inadimplemento das obrigações. A execução recai sobre o patrimônio, e não sobre a liberdade, no Brasil a penhora não vai privar de liberdade9” Segundo Eichenberg Lobato Abreu Advogados Associados A alienação dos bens do alienante devedor deve respeitar ordem de preferência e concurso de credores por meio de procedimentos previstos em Lei. o novo Código de Processo Civil (“CPC/15”); para pessoas jurídicas, os mecanismos a serem adotados, conforme o caso, são o de recuperação judicial ou de falência de acordo com as disposições da Lei 11.101/05 (“Lei de Falências”)10. 
8 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
9 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
10 EICHENBERG LOBATO ABREU ADVOGADOS ASSOCIADOS. O princípio da responsabilidade patrimonial e as fraudes frente às mudanças na lei nº13.097/2015. Disponível em: https://www.elaadvogados.com.br/post/o-princ%C3%ADpio-da-responsabilidade-patrimonial-e-as-fraudes-frente-%C3%A0s-mudan%C3%A7as-na-lei-n%C2%BA13-097-2015. Acesso em: 22 out 2025. 
  1.1.4 Princípio do contraditório 
Segundo Marcus Vinicius Rios Gonçalves a Tempos atrás, chegou a haver controvérsia sobre a necessidade de observância do contraditório no processo de execução. Uma idéia um pouco Inequívoca, porque embora de forma mitigada, e com características peculiares, ele é aplicável. Sabemos que no processo de conhecimento busca-se obter um provimento jurisdicional para declarar o direito aplicável ao caso concreto, ao passo que na execução o provimento jurisdicional é eminentemente satisfativo. O contraditório tem de ser adequado a tais circunstâncias. No curso da execução, o juiz emite uma série de juízos de valor. Por exemplo, deve examinar se está fundada em título e se o que está sendo postulado corresponde ao que nele consta. O juiz também T deve determinar, entre os vários meios pelos quais se possa realizar a execução, qual deles é o menos gravoso, e também determinar a prática de atos que, de forma eficaz e rápida, permitam que a execução logre atingir sua finalidade precípua11.
Apesar de existir na execução, o contraditório, nas palavras do professor Marinoni, seria rarefeito, uma vez que em grande parte das vezes o juiz agirá de ofício, independentemente da oitiva das partes, assim, ocorrerá, por exemplo, com o arresto executivo (830 CPC), e posteriormente o juiz concederá um prazo para o réu se manifestar. Quando se permite às partes falar sobre o bem penhorado, ou sobre a avaliação procedida, ou ainda diante de um possível concurso singular de credores, é nítida a existência do Contraditório. Dessa forma, ressalvadas as situações em que a lei autoriza o juiz agir de ofício, ou seja, sem a oitiva das partes, deve-se sempre autorizar a participação do executado, para que dessa forma o magistrado possa encontrar o equilíbrio entre os princípios do resultado e da menor onerosidade, para que assim, seja efetivado um processo eficiente e justo.
11 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Processo civil: processo de execução e cautelar. (Sinopses jurídicas). 22 Ed. Saraiva Jur. 2024.
12 OLIVEIRA, Jordane Costa. O CONTRADITÓRIO NA EXECUÇÃO CIVIL. Disponível em: https://emporiododireito.com.br/leitura/o-contraditorio-na-execucao-civil. Acesso em: 22 out 2025. 
 1.2 Da execução por quantia certa contra devedor solvente 
A execução por quantia certa contra devedor solvente é uma das modalidades clássicas da execução civil, regulada nos arts. 824 a 913 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015). Este tipo de execução tem a finalidade de satisfazer o crédito reconhecido em título executivo, seje ele judicial ou extrajudicial através da expropriação de bens do devedor que sejam suficientes para o pagamento da dívida.
Segundo Fredie Didier Jr:
 A execução por quantia certa é o direito do credor à tutela jurisdicional executiva, na qual busca concretizar a obrigação de pagar quantia previamente reconhecida. Para o autor, trata-se da materialização da efetividade processual, uma vez que o processo de execução não tem caráter meramente declaratório, mas visa diretamente à satisfação patrimonial do credor13.
O art. 824 do CPC dispõe que “a execução por quantia certa realiza-se pela expropriação de bens do executado, ressalvadas as execuções especiais”. Dessa forma, o Estado, representado por o juiz atua na substituição da vontade do devedor inadimplente, promovendo atos de constrição e alienação sobre seus bens, dentro dos limites legais, para a satisfação do crédito. Conforme Humberto Theodoro Júnior , o procedimento da execução por quantia certa desenvolve-se em três fases principais:
A primeira fase é a fase de constrição, na qual são realizados atos como a penhora, arresto ou sequestro, posteriormente a fase de expropriação, em que ocorre a alienação judicial dos bens penhorados, e por fim a fase de satisfação, que se dá com o pagamento ao credor14.
O avanço tecnológico no processo de execução, particularmente a penhora online através dos sistemas BacenJud e Sisbajud, proporcionou mais rapidez e eficiência na execução por quantia certa. Isso possibilitou o bloqueio eletrônico de valores em contas bancárias de maneira imediata, sob ordem judicial.
13 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil: Execução. 17. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
 14 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 66. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2024.
Essa ferramenta concretiza o princípio da efetividade da execução, previsto no art. 797 do CPC, segundo o qual a execução deve realizar-se “no interesse do credor”.
No entanto, a aplicação desses instrumentos eletrônicos requer observância das fronteiras da legalidade e da proporcionalidade, para não infringir o princípio da menor carga para o devedor (art. 805 do CPC). Portanto, o equilíbrio entre a eficácia da execução e a salvaguarda dos direitos fundamentais do devedor deve ser mantido, prevenindo restrições desnecessárias ou exageradas.
Conforme observa Daniel Amorim Assumpção Neves:
A execução por quantia determinada simboliza o equilíbrio entre a busca pela eficácia da jurisdição e a observância do devido processo legal. O escritor ressalta que o comportamento do juiz deve ser orientado pela razoabilidade e prudência, com o objetivo de equilibrar os interesses do credor e do devedor em um sistema processual garantido15.
De forma resumida, a execução por quantia certa contra devedor capaz de pagar é o mecanismo mais empregado na prática judiciária para assegurar a satisfação de créditos, tendo a penhora — em especial a eletrônica — como seu principal procedimento. O desenvolvimento tecnológico do BacenJud e, posteriormente, do Sisbajud, fortalece a função prática do processo civil, visando reduzir a lentidão processual e assegurar a efetividade da execução, sem comprometer as garantias constitucionais do devedor.
 1.3 Do título executivo judicial e extrajudicial 
O título executivo constitui o ponto de partida da execução, pois é ele que confere ao credor o direito de exigir, coercitivamente, o cumprimento da obrigação inadimplida. No processo de execução por quantia certa, o título executivo é o instrumento que demonstra a existência de um crédito certo, líquido e exigível, conforme dispõe o art. 783 do Código de Processo Civil (Lei nº 13.105/2015).
15NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Método, 2023
Conforme o entendimento de Fredie Didier Jr. 
O título executivo é o que conecta o direito material ao direito processual, transformando o crédito abstrato em uma pretensão executável. É o documento que vai legitimar a atuação jurisdicional na esfera executiva, dispensando nova fase de conhecimento, o direito do credor se encontra previamente reconhecido16.
O CPC de 2015, em seus arts. 515 e 784, diferencia os títulos executivos judiciais que são os decorrentes de decisões judiciais, dos extrajudiciais que são os documentos de natureza privada ou administrativa.
Os títulos judiciais são aqueles que decorrem de uma decisão judicial transitada em julgado ou de cumprimento provisório de sentença, conforme previsto no art. 515, incisos I a IX, do CPC. Incluem: As sentenças condenatórias, os acordos homologados judicialmente e os formalizados em juízo arbitral.
Já os títulos extrajudiciais, disciplinados no art. 784 do CPC, são aqueles formados fora do processo judicial, como cheques, notas promissórias, contratos com assinatura das partes e duas testemunhas, além de documentos eletrônicos que atendam aos requisitos legais de autenticidade.
De acordo com Humberto Theodoro Júnior, a distinção entre título judicial e extrajudicial não é apenas formal mas reflete o grau de certeza e estabilidade jurídica do crédito. Os títulos judiciais tem presunção mais robusta de veracidade, por serem formados sob o crivo do contraditório e da ampla defesa. Já os extrajudiciais exigem maior cautela, podendo ser impugnados por meio de embargos à execução17.
Para Daniel Amorim Assumpção Neves:
 A principal função do título executivo é limitar o poder jurisdicional, pois o juiz só pode executar o que estiver expressamente previsto no título. Ele é uma garantia tanto para o credor quanto para o devedor, assegurando que a execução não ultrapasse os limites da obrigação17.
16 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
17 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 66. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2024.
No contexto da penhora on-line e da plena efetividade no processo, o título executivo é essencial para legitimar atos de constrição patrimonial, como bloqueios via BacenJud/Sisbajud, só permitidos mediante decisão judicial baseada em um título válido. A ausência de título executivo implica violação ao princípio do devido processo legal positivado no art. 5º, LIV, da CF/88), configurando ato judicial nulo.
Conforme observam Marinoni, Arenhart e Mitidiero, o título executivo cumpre uma função de segurança jurídica e de racionalização da atividade jurisdicional, pois delimita de forma objetiva o que deve ser executado, para evitar abusos e garantir a efetividade da prestação jurisdicional sem comprometer os direitos fundamentais do executado18.
Portanto, o título executivo, seja judicial ou extrajudicial, é a base de validade da execução, é necessário para manter o equilíbrio entre a efetividade da tutela jurisdicional e a proteção dos direitos individuais. É o elemento que confere ampla legitimidade à utilização de mecanismos tecnológicos, como a penhora eletrônica, no âmbito da execução civil.
18 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Curso de Processo Civil – Vol. 3: Execução. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2023.
CAPÍTULO 2: DA PENHORA
Neste Capítulo é abordado o conceito de penhora, as restrições à penhora, e a penhora online
2.1 Conceito
A penhora de bens é o ato processual na qual é apreendido bens do devedor, suficientes para garantir a execução, com o objetivo de satisfazer o crédito do exequente. É uma medida judicial de constrição patrimonial, na qual torna os bens do devedor juridicamente vinculados à execução, impedindo sua livre disposição.
Segundo Luiz Antonio Ferrari neto Podemos extrair dos ensinamentos da doutrina pátria19 e estrangeira20 Para Cassio Scarpinela Bueno a penhora é o ato pelo qual o Judiciário realiza a constrição sobre o patrimônio do executado com vistas à garantia da execução de pagar quantia para, na sequência, haver a satisfação direta ou indireta3  do direito de crédito do exequente21.
Segundo o entendimento de Humberto Theodoro Junior: “A Penhora é o ato judicial de apreensão de bens do devedor, que é realizado para assegurar a execução e preparar a futura expropriação desses bens, visando à satisfação do crédito para o credor, no caso o prejudicado22.”
Segundo Araken de Assis: 
“A penhora é o ato de constrição judicial que incide sobre determinados bens do devedor, Com o objetivo de assegurar o resultado útil do processo executivo, ou seja, a efetividade do direito do credor23.”
19 NETO, Luiz Antonio Ferrari.   Penhora. Disponível em: https://enciclopediajuridica.pucsp.br/verbete/203/edicao-1/penhora. Acesso em: 21 out 2025. 
20 ASSIS, Araken de. Manual da execução. 19. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2017.
21 BUENO, Cassio Scarpinela. Curso sistematizado de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 2008. Volume 3. Manual de direito processual civil. São Paulo: Saraiva, 2015.
22 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
23 ASSIS, Araken de. Execução Civil e Cumprimento de Sentença: Doutrina e Prática. 18. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022.
Conforme o entendimento de Cassio Scarpinella Bueno “A penhora é a medida concreta de apreensão de bens do devedor, que tem por finalidade garantir a efetividade da execução e possibilitar a expropriação necessária à satisfação do crédito para os credores24.”
Para o doutrinador José Miguel Garcia Medina “A penhora é um ato de constrição judicial que recai sobre bens do devedor, com o objetivo de assegurar a execução e satisfazer o crédito do exequente, impedindo sua alienação ou dissipação, é uma medida de segurança, é um ato de segurança jurídica e normatividade social25 .”
A Natureza jurídica da penhora é o ato judicial de constrição, tem a finalidade de garantir a efetividade da execução descrita na lei, e efetivar a segurança jurídica ao credor, no caso o prejudicado, com os principais efeitos: A Vinculação do bem ao processo conforme o art. 831 do CPC/2015, a Indisponibilidade jurídica do bem e a Prioridade do credor exequente sobre os bens penhorados. O art. 831 do CPC/2015 dispõe:
“A penhora torna os bens do devedor juridicamente indisponíveis.”
Segundo Marcus Vinicius Rios Gonçalves caso o executado não pague, serão penhorados tantos bens para a garantia do juízo necessário de cada caso. O valor dos bens penhorados deve ser tal que baste para o pagamento do principal corrigido, juros, custas e honorários advocatícios (CPC, art. 831). A penhora deve observar, preferencialmente, a ordem do art. 835 do CPC, mas tem-se decidido que esta não tem caráter rígido e absoluto, sendo possível invertê-la, quando se verificar que atende melhor à satisfação do crédito, sem onerar em demasia o executado26.
24 BUENO, Cassio Scarpinella. Curso Sistematizado de Direito Processual Civil – Vol. 3: Execução e Cumprimento de Sentença. 12. ed. São Paulo: Saraiva, 2023.
25 MEDINA, José Miguel Garcia. Novo Código de Processo Civil Comentado. 9. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2023.
26 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Processo civil: processo de execução e cautelar. (Sinopses jurídicas). 22 Ed. Saraiva Jur. 2024.
Segundo Marcus Vinicius Rios Gonçalves a penhora é o ato inicial da execução por quantia certa, é o responsável por individualizar os bens que serão futuramente expropriados para satisfazer o crédito do exequente. É por meio dele que os bens do devedor são apreendidos e colocados sob a responsabilidade de um depositário, ficando vinculados à execução até a realizaçãoda expropriação. A penhora pode ser formalizada através do auto ou termo, e, para sua concretização, o oficial de justiça, se necessário, pode solicitar ordem de arrombamento e o apoio da força policial, porém apenas mediante determinação judicial27.
O auto ou termo de penhora deve conter informações essenciais, como data, local da diligência, identificação das partes, descrição detalhada dos bens e a indicação do depositário (conforme art. 838 do CPC). A ausência de nomeação do depositário impede a perfeição da penhora. Quando a constrição recair sobre bens imóveis, deverá ser averbada no Cartório de Registro de Imóveis competente. Contudo, essa averbação não constitui requisito de validade da penhora, mas sim condição de eficácia perante terceiros, garantindo publicidade e segurança jurídica ao ato.
 2.2 Restrições à penhora
O § 2º do art. 212 também pode ser aplicado às citações, intimações realizadas por meio eletrônico, bem como aos atos de penhora ou arresto efetuados online. Embora o dispositivo tenha sido originalmente pensado para as diligências executadas por oficiais de justiça, a ausência de restrição expressa em sua redação e a inexistência de justificativa plausível para tratá-las de forma distinta permitem concluir que tais atos podem ser realizados por via eletrônica, em qualquer dia da semana inclusive feriados e em qualquer horário.A penhora é o ato judicial de constrição patrimonial que recai sobre bens do devedor para assegurar a futura expropriação e a satisfação do crédito. No entanto, o ordenamento jurídico brasileiro impõe restrições à penhora, com o objetivo de preservar direitos fundamentais do executado 
27 GONÇALVES, Marcus Vinicius Rios. Processo civil: processo de execução e cautelar. (Sinopses jurídicas). 22 Ed. Saraiva Jur. 2024.
O Código de Processo Civil (CPC/2015), em seus arts. 833 e 834, estabelece hipóteses de impenhorabilidade absoluta e relativa, visando equilibrar a efetividade da execução e a proteção mínima do patrimônio do devedor. De acordo com Humberto Theodoro Júnior (2024), essas restrições refletem a busca por um processo civil de caráter humanizado, que impede a privação de bens indispensáveis à subsistência do devedor e de sua família. A restrição à penhora, portanto, não configura obstáculo à efetividade processual, mas instrumento de equilíbrio entre o direito do credor e a proteção do executado. 
Como salienta Marinoni, Arenhart e Mitidiero o processo civil contemporâneo deve perseguir uma efetividade constitucionalmente adequada, ou seja, que realize o direito material sem sacrificar indevidamente direitos fundamentais28.
As restrições à penhora representam limites ético-jurídicos à atuação estatal na execução civil. A penhora on-line, embora seja um avanço tecnológico relevante, deve seguir os princípios da proporcionalidade, razoabilidade e dignidade humana, é necessário não permitir a penhora virar um instrumento de violação de garantias individuais. Com a evolução tecnológica, a penhora de ativos financeiros passou a ser realizada por meio eletrônico, inicialmente com o sistema BacenJud e, atualmente, com o Sisbajud (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário). Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves houve uma significativa efetividade e celeridade à execução, mas também levantou debates quanto aos excessos e à necessidade de respeito às restrições legais29.
A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ) é firme no sentido de que o bloqueio de valores via BacenJud/Sisbajud não pode atingir renda de natureza alimentar, por violação ao art. 833, IV, do CPC. No AgInt no REsp 
28 MARINONI, Luiz Guilherme; ARENHART, Sérgio Cruz; MITIDIERO, Daniel. Novo Curso de Processo Civil: Execução. 7. ed. São Paulo: Revista dos Tribunais, 2022.
29 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Método, 2023
1.948.320/SP, julgado em 2023, o STJ reafirmou que a penhora eletrônica deve ser proporcional, fundamentada e limitada ao valor do débito, evitando bloqueios excessivos ou de verbas impenhoráveis.
 2.3 Penhora online 
Conforme o entendimento de Anderson Ricardo Gomes há doutrinadores contrários à penhora online argumentam que essa medida executiva viola o direito constitucional à intimidade do executado, uma vez que efetiva-se num primeiro momento por meio da busca de todos os depósitos e aplicações financeiras titularizadas pelo devedor em instituições bancárias, o que representaria a inobservância de seu sigilo bancário, direito subjetivo decorrente de seu direito à intimidade30.
A penhora online consiste na pesquisa e bloqueio de valores depositados em instituições bancárias em contas titularizadas por o executado, por determinação judicial, após regular citação em processo executivo, com o objetivo de formalizar futura penhora sobre dinheiro. A previsão legal da penhora online é decorrente do princípio constitucional da celeridade processual, consagrado expressamente no art. 5º, LXXVIII, da Carta Política, ‘ in verbis’:
A todos, no âmbito judicial e administrativo, são assegurados a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação.
 Embora o citado princípio constitucional somente tenha sido incorporado expressamente no corpo de nossa Constituição com a promulgação da Emenda Constitucional nº 45/04, que implementou a chamada “Reforma do Judiciário”, a exigência da celeridade do Estado juiz na prestação da tutela jurisdicional já era um princípio a ser observado pelo Poder Judiciário como decorrência da garantia
30 GOMES, Anderson Ricardo. A PENHORA ONLINE NA EXECUÇÃO FISCAL: ASPECTOS GERAIS E COMPATIBILIZAÇÃO COM O DIREITO À INTIMIDADE DO EXECUTADO. Disponível em: file:///C:/Users/re21805/Downloads/3082.pdf. Acesso em: 22 out 2025. 
 ao cidadão do devido processo legal e do dever de observância por parte da Administração ao princípio da eficiência, como aponta 
Segundo Alexandre de Moraes: 
A EC nº 45/04 (Reforma do Judiciário) assegurou a todos, no âmbito judicial e administrativo, a razoável duração do processo e os meios que garantam a celeridade de sua tramitação. Essas previsões – razoável duração do processo e celeridade processual -, em nosso entender já estavam contempladas no texto constitucional, seja na consagração do princípio do devido processo legal, seja na previsão do princípio da eficiência aplicável à Administração Pública (CF, art. 37, caput). Conforme lembrou o Ministro Celso de Mello, ‘cumpre lembrar que já existe em nosso sistema de direito positivo, ainda que de forma difusa, diversos mecanismos legais destinados a acelerar a prestação jurisdicional (CPC, art. 133, II e art. 198; LOMAN, art. 35, incisos II, III e IV, art. 39, ART. 44 e art. 49, II), de modo a neutralizar, por parte de magistrados e Tribunais, retardamentos abusivos ou dilações indevidas na resolução dos litígios31’. 
  2.3.1 Surgimento do sistema BacenJud e sua evolução 
O Sistema BacenJud nasceu como uma resposta do Poder Judiciário e do Banco Central do Brasil pois precisava de conferir maior efetividade e celeridade à execução judicial, especialmente na localização e bloqueio de valores pertencentes a devedores inadimplentes. 
Foi Instituído em 2001, através de um convênio firmado entre do Banco Central do Brasil (BACEN) e o Poder Judiciário, o BacenJud permitiu, pela primeira vez, que juízes emitissem ordens eletrônicas de bloqueio e desbloqueio de valores diretamente às instituições financeiras. Antes de sua implementação, o bloqueio de contas bancárias era um procedimento burocrático, lento e sujeito a fraudes. Conforme explica Fredie Didier32 Jr. o BacenJud foi um marco no processo de modernização da execução civil brasileira, ao possibilitar que ordens judiciais de penhora fossem cumpridas quase que de forma imediata, reduzindo drasticamente 
30 GOMES, Anderson Ricardo. A PENHORA ONLINE NA EXECUÇÃO FISCAL: ASPECTOS GERAIS E COMPATIBILIZAÇÃO COM O DIREITO À INTIMIDADE DO EXECUTADO. Disponível em: file:///C:/Users/re21805/Downloads/3082.pdf.Acesso em: 22 out 2025. 
31 MORAES, Alexandre de. Direito Constitucional. São Paulo: Atlas; 2007. p . 96.
32 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
 o tempo entre a decisão judicial e a efetivação da constrição patrimonial. Para Humberto Theodoro Júnior a criação do BacenJud simbolizou um salto qualitativo na efetividade da tutela jurisdicional, pois possibilitou para os juízes uma ferramenta capaz de tornar a execução mais célere e eficiente, garantindo ao credor uma resposta mais rápida e justa.
Com o avanço tecnológico e a ampliação da base de dados financeiras, o sistema passou por diversas atualizações (BacenJud 1.0, 2.0 e 3.0), até ser substituído pelo Sisbajud, em setembro de 2020, Foi em um convênio celebrado no Conselho Nacional de Justiça (CNJ), o Banco Central e a Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional (PGFN).
Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves 
 O Sisbajud (Sistema de Busca de Ativos do Poder Judiciário) representa a evolução natural do BacenJud, com integração ampliada, uma grande automação e com recursos para permitir bloqueios sucessivos e pesquisas automáticas de ativos, tornando o procedimento mais efetivo e preciso33.
Conforme Alexandre Freitas Câmara, o Sisbajud melhorou a comunicação do Judiciário e as instituições financeiras, incorporando funcionalidades como o módulo de ‘teimosinha’ (bloqueio reiterado e automático de valores até o limite da execução) e a ordem de requisição de informações financeiras detalhadas, que apenas reforça o princípio da efetividade da execução, previsto no art. 797 do CPC.
Entretanto a transição do BacenJud para o Sisbajud demonstra o comprometimento institucional com a modernização da Justiça, e avanços tecnológicos é necessário buscar a tecnologia com os princípios da legalidade, proporcionalidade e proteção dos direitos fundamentais, especialmente quanto às restrições de penhora previstas nos arts. 833 e 834 do CPC.
33 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Método, 2023.
34 CÂMARA, Alexandre Freitas. O Novo Processo Civil Brasileiro. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2023.
  2.3.2 Regulamentação da penhora “on-line” pela Lei 11.382/2006 
A Lei nº 11.382, de 6 de dezembro de 2006, promoveu uma profunda reforma no processo de execução do antigo Código de Processo Civil de 1973, introduzindo dispositivos que consolidaram a penhora “on-line” como instrumento legítimo e eficaz de constrição patrimonial. Essa legislação representou um marco na busca pela efetividade da tutela executiva, especialmente em razão da crescente dificuldade de localizar bens penhoráveis pelos meios tradicionais.
Antes da edição dessa lei, a penhora de valores depositados em instituições financeiras era um procedimento moroso e ineficiente, pois dependia do envio de ofícios físicos aos bancos, o que abria espaço para fraudes e ocultação de patrimônio. A reforma de 2006 autorizou expressamente o bloqueio eletrônico de ativos financeiros, conferindo amparo legal à atuação do Judiciário por meio do sistema BacenJud, já instituído por convênio entre o Banco Central e o Poder Judiciário em 2001.
De acordo com Fredie Didier Jr. 
 A Lei nº 11.382/2006 foi decisiva para legitimar a penhora eletrônica, pois inseriu no ordenamento jurídico mecanismos que harmonizaram a tecnologia com os princípios do processo civil moderno, privilegiando a celeridade e a efetividade da execução. A lei materializou o entendimento do processo executivo deve servir ao interesse do credor, segundo o art. 797 do CPC/201535.
Para Humberto Theodoro Júnior (2024), a referida lei consolidou a possibilidade de o juiz determinar a penhora de valores em contas bancárias sem necessidade de prévia intimação do devedor, desde que observadas as garantias constitucionais, como o contraditório diferido. Isso significa que o bloqueio pode ocorrer de forma imediata, com a posterior ciência do executado, preservando o elemento surpresa necessário para evitar o esvaziamento patrimonial33.
35 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
36 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
Segundo Daniel Amorim Assumpção Neves, a regulamentação trazida pela Lei nº 11.382/2006 não apenas viabilizou o uso do BacenJud, como também inaugurou uma nova era de efetividade executiva, marcando a transição do modelo puramente formalista de execução para um sistema orientado pela eficiência e pela instrumentalidade das formas37.
Para Alexandre Freitas Câmara destaca que a lei de 2006 incorporou uma visão compatível com o Estado Democrático de Direito, ao equilibrar o direito do credor à satisfação de seu crédito com a proteção ao patrimônio mínimo do devedor, mediante as restrições previstas nos arts. 649 do CPC/1973 (atual art. 833 do CPC/2015)38.
A partir da regulamentação legislativa, a penhora on-line passou a ser amplamente aceito por a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça (STJ), que reconheceu sua legalidade e constitucionalidade. No julgamento do REsp 1.184.765/PA (STJ, 1ª Seção, Rel. Min. Luiz Fux, j. 01/09/2010), o Tribunal teve o entendimento de que o bloqueio eletrônico de valores é compatível com o devido processo legal, desde que respeitados os limites legais e as garantias do executado. Portanto, a Lei nº 11.382/2006 consolidou juridicamente a penhora eletrônica, fornecendo a base normativa para a atuação dos juízes na busca de bens e valores, o que depois foi aperfeiçoado com o CPC de 2015 e o Sisbajud (2020). Essa evolução normativa reflete a tendência de modernização da execução civil, com foco na efetividade processual e na concretização do direito material.
 37 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Método, 2023.
38 CÂMARA, Alexandre Freitas. O Novo Processo Civil Brasileiro. 8. ed. São Paulo: Atlas, 2023.
CAPÍTULO 3: QUESTÕES POLÊMICAS RELATIVAS À PENHORA ONLINE
 Neste Capítulo será abordado os principais aspectos polêmicos da penhora ‘ on -line’, e seus principais princípios.
3.1 Princípio do acesso à justiça e razoável duração do processo 
O acesso à justiça constitui um dos pilares fundamentais do Estado Democrático de Direito, representando a efetivação prática dos direitos previstos na Constituição Federal. O artigo 5º, inciso XXXV, descreve que 
“A lei não excluirá da apreciação do Poder Judiciário lesão ou ameaça a direito”, consagrando o direito de todo cidadão à tutela jurisdicional adequada e eficaz.
O verdadeiro acesso à justiça pressupõe a obtenção de uma solução justa, célere e efetiva, capaz de assegurar a concretização do direito material. O processo vai funcionar como instrumento de realização da justiça e não como um obstáculo burocrático.
O princípio da razoável duração do processo, introduzida expressamente pela Emenda Constitucional nº 45/2004 (art. 5º, LXXVIII, CF), é uma garantia complementar ao acesso à justiça, impondo ao Estado o dever de prestar uma tutela jurisdicional. A morosidade processual, especialmente na fase de execução, compromete não apenas a efetividade da jurisdição, mas também a própria confiança da sociedade no sistema de justiça.
Segundo Fredie Didier Jr. a efetividade do processo civil vai depender da conjugação desses dois princípios — acesso à justiça e razoável duração — pois ambos traduzem o ideal de processo justo, que deve ser útil, eficiente e proporcional. A morosidade da execução civil viola o direito fundamental do credor à satisfação do crédito em tempo razoável, exigindo do Estado soluções tecnológicas, como a penhora on-line via Sisbajud, para garantir a eficiência da tutela executiva37.
37 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de.Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
Para Humberto Theodoro Júnior 
A concretização do princípio da razoável duração do processo está diretamente relacionada à modernização dos meios de execução e à adoção de instrumentos tecnológicos que agilizem a localização e a constrição de bens do devedor. A criação de sistemas eletrônicos como o BacenJud e o Sisbajud materializa o compromisso constitucional de tornar o processo mais célere e menos oneroso38.
Já Daniel Amorim Assumpção Neves enfatiza que o acesso à justiça deve ser interpretado sob uma prisma material e funcional, ou seja, não basta o direito de ingressar com uma ação; é necessário que o processo produza resultados efetivos e tempestivos. Nesse sentido, as ferramentas digitais de penhora eletrônica são manifestações práticas da concretização desses princípios constitucionais39.
 3.2 Quebra do sigilo bancário
O sigilo bancário constitui um dos instrumentos de proteção à intimidade e à vida privada do indivíduo, previsto no artigo 5º, incisos X e XII, da Constituição Federal de 1988, e regulamentado pela Lei Complementar nº 105/2001, que impõe às instituições financeiras, tem o dever de resguardar as informações relativas às operações de seus clientes. Esse direito não tem caráter absoluto. Em algumas situações, pode ser relativizado para permitir a efetividade da jurisdição e o cumprimento das decisões judiciais, principalmente nas execuções por quantia certa. A quebra do sigilo bancário, quando determinada judicialmente, é considerada legítima, desde que pautada pelos princípios da proporcionalidade, razoabilidade e legalidade.
Segundo Humberto Theodoro Júnior:
O sigilo bancário deve ser compreendido como um direito fundamental relativo, podendo ser afastado mediante decisão judicial motivada quando houver necessidade de assegurar a satisfação de um crédito ou o interesse público relevante. O autor sustenta que, ao determinar o bloqueio eletrônico de valores via Sisbajud, o magistrado não viola o sigilo bancário, mas apenas exerce uma forma de constrição patrimonial legítima e controlada.
38 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
 39 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Método, 2023.
 3.3 Princípio da menor onerosidade para o devedor e o excesso de penhora
O artigo 805 do Código de Processo Civil de 2015 institui o princípio da menor onerosidade para o devedor, que determina que a execução deve ocorrer da forma menos impactante possível para o executado, respeitando a necessidade de satisfação do crédito. Conforme aponta Humberto Theodoro Júnior, a execução não deve se converter em um mecanismo de repressão ou em um meio de coerção desproporcional para a parte executada. O autor enfatiza que o processo de execução precisa respeitar a equidade entre o montante da dívida e a abrangência da constrição, visando prevenir a penhora excessiva, que é a apreensão de bens cujo valor ultrapassa o necessário para assegurar o cumprimento da obrigação.
  3.3.1 Do excesso de penhora e desbloqueio de contas 
O excesso de penhora ocorre quando a constrição de bens ou valores do devedor ultrapassa o necessário para garantir o cumprimento da obrigação, ferindo o princípio da menor onerosidade para o devedor (art. 805 do CPC/2015) e podendo comprometer a subsistência do executado. Esse tema tornou-se particularmente relevante com o advento da penhora eletrônica via BacenJud e Sisbajud, onde valores de contas bancárias podem ser bloqueados integralmente, inclusive quantias necessárias à manutenção da vida cotidiana.
Segundo Fredie Didier Jr:
O juiz deve avaliar se a penhora realizada é proporcional ao débito, podendo determinar a redução ou substituição dos bens penhorados quando se verificar excesso. A efetividade da execução não pode se sobrepor ao respeito às garantias fundamentais do devedor41.
40 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
41 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
Humberto Theodoro Júnior reforça que a penhora eletrônica, embora eficiente, pode gerar constrições indevidas ou desproporcionais, sendo necessário que o magistrado proceda à liberação parcial ou total dos valores bloqueados quando houver excesso, com fundamento no art. 848 do CPC/2015, que permite a substituição do bem penhorado ou a redução da constrição para adequá-la ao débito.
 3.4 Impenhorabilidade de salário e de conta depósito empresarial 
Em contas empresariais, embora o CPC/2015 não preveja de forma explícita a impenhorabilidade, a doutrina e a jurisprudência reconhece a necessidade de proteção em situações em que o bloqueio integral comprometa a atividade econômica da empresa, impactando empregados, fornecedores e clientes.
Daniel Amorim Assumpção Neves ressalta que:
 A Indisponibilidade de valores essenciais à manutenção das operações empresariais viola o princípio da função social da empresa (art. 187 CC/2002 e art. 170, CF/88), justificando a liberação parcial ou total dos recursos. O juiz deve ponderar a necessidade de satisfação do crédito com a preservação do funcionamento da empresa, evitando que a execução se transforme em medida destrutiva42.
A jurisprudência do STJ tem seguido essa linha, reconhecendo a impenhorabilidade relativa de contas empresariais quando o bloqueio compromete a função social da empresa. O entendimento consolidado é que a impenhorabilidade prevista no artigo 833, inciso X, do Código de Processo Civil (CPC) de 2015, que estabelece a proteção de até 40 salários mínimos, aplica-se, em regra, às pessoas físicas. No entanto, em casos excepcionais, a proteção pode ser estendida às pessoas jurídicas, desde que comprovado que o valor é essencial para a continuidade das atividades empresariais e não há outros bens disponíveis para a satisfação da dívida.
42 NEVES, Daniel Amorim Assumpção. Manual de Direito Processual Civil. 14. ed. São Paulo: Método, 2023.
  3.4.1 Impenhorabilidade de salário em conta 
O art. 833 do CPC elenca os bens absolutamente impenhoráveis, entre os quais destacam-se:
- Os bens inalienáveis e os declarados por lei como impenhoráveis (inc. I);
- Os móveis, pertences e utilidades domésticas que guarnecem a residência do executado (inc. II);
- Os vencimentos, salários, proventos de aposentadoria, pensões e remunerações (inc. IV);
- O bem de família, protegido pela Lei nº 8.009/1990, que garante a moradia da entidade familiar como bem impenhorável, salvo exceções legais.
Conforme explica Fredie Didier Jr. 
 A impenhorabilidade de salários e proventos advém da função alimentar dos rendimentos, é a garantia do mínimo existencial. Porém, admite-se mitigação dessa regra, conforme a jurisprudência do STJ, quando se trata de penhora de percentual razoável dos rendimentos para satisfação de dívidas de natureza alimentar ou de valores expressivos.
Segundo o autor Fredie Didier o art. 834 do CPC prevê a impenhorabilidade relativa, aplicável a bens que podem ser penhorados em determinadas circunstâncias, como os instrumentos de trabalho, desde que não sejam indispensáveis à profissão do executado43.
3.4.2 Da impenhorabilidade de conta depósito empresarial 
A impenhorabilidade constitui uma proteção legal destinada a resguardar certos bens e valores da constrição judicial, de forma a preservar a dignidade, a 
43 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
 a subsistência ou a continuidade das atividades essenciais do devedor. No âmbito empresarial, a discussão sobre a impenhorabilidade de contas de depósitose torna especialmente relevante, considerando que o bloqueio indiscriminado pode comprometer a atividade econômica da empresa e a manutenção de empregos.
Segundo Fredie Didier Jr, conclui que embora a penhora on-line tenha a constrição de ativos de forma célere e eficiente, é necessário respeitar o princípio da proporcionalidade e da menor onerosidade, principalmente quando se trata de contas que contêm recursos essenciais para a continuidade das operações empresariais. O autor enfatiza que o bloqueio indiscriminado de tais contas pode gerar efeitos desastrosos, não apenas para a empresa, mas também para terceiros, como empregados, fornecedores e clientes.
Humberto Theodoro Júnior (2024) acrescenta que o Código de Processo Civil de 2015 não prevê, de forma expressa, a impenhorabilidade de contas empresariais, mas orienta que o juiz deve atuar de maneira a preservar a atividade econômica do devedor, evitando que a execução comprometa a função social da empresa (art. 5º, CF/88, art. 187 CC). Assim, o magistrado pode determinar a liberação parcial de valores, permitindo a continuidade da operação financeira essencial ao negócio.
44 DIDIER JR., Fredie; BRAGA, Paula Sarno; OLIVEIRA, Rafael Alexandria de. Curso de Direito Processual Civil – Vol. 3: Processo de Execução. 19. ed. Salvador: JusPodivm, 2023.
45 THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.
CONCLUSÃO
A análise desenvolvida ao longo deste trabalho permitiu compreender que a penhora “on-line”, implementada por meio do Sistema BacenJud e, atualmente, pelo Sisbajud, é um dos maiores avanços tecnológicos no processo de execução civil brasileiro. Sua criação está superando morosidade judicial e garantir a efetividade da tutela jurisdicional, assegurando ao credor meios mais céleres e eficazes de satisfação do crédito.
A Lei nº 11.382/2006 foi determinante para a consolidação da penhora eletrônica no ordenamento jurídico, a lei visa maior segurança e transparência refernte a comunicação do Poder Judiciário e as instituições financeiras. Entretanto, o sistema tem se aprimorado na execução por quantia certa contra devedor solvente, ainda enfrenta entraves práticos e jurídicos, como o risco de bloqueios indevidos, dificuldades técnicas e questionamentos sobre a violação do sigilo bancário e o princípio da menor onerosidade para o devedor.
A efetividade processual não pode se sobrepor às garantias constitucionais das partes, especialmente ao devido processo legal, à dignidade da pessoa humana e ao contraditório, são esses princípios fundamentais e basilares. Assim, a penhora “on-line” deve ser aplicada de forma equilibrada, respeitando os limites ético-jurídicos da execução e evitando que o avanço tecnológico se transforme em instrumento de arbitrariedade. Em síntese, conclui-se que o BacenJud e o Sisbajud configuram ferramentas indispensáveis à modernização da justiça e à concretização do acesso efetivo ao direito. No entanto, a busca pela eficiência deve caminhar lado a lado com a observância dos direitos fundamentais, sendo necessária a constante atualização legislativa e técnica para aperfeiçoar os mecanismos de bloqueio eletrônico e garantir uma execução justa, célere e proporcional.
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THEODORO JÚNIOR, Humberto. Curso de Direito Processual Civil – Vol. II: Processo de Execução e Cumprimento de Sentença. 64. ed. Rio de Janeiro: Forense, 2023.

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