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RESUMO – INTRODUÇÃO À HISTÓRIA ARQUITETURA CAPÍTULO 19 - Revisão e Ruptura com o Classicismo REVOLUÇÃO SOCIAL E REVOLUÇÃO CIENTÍFICA + RUPTURA COM O CLASSICISMO A Revolução Francesa de 1789 marcou a transição entre a Idade do Humanismo e a Idade Contemporânea, sendo influenciada por transformações sociais, culturais e científicas. O Iluminismo, com sua defesa da razão e do progresso, impulsionou a burguesia a buscar mudanças econômicas e políticas, culminando na Revolução Industrial. Esse período de revoluções – incluindo a independência dos EUA e a emancipação ibero-americana – resultou na ascensão da burguesia liberal. Paralelamente, a Revolução Científica questionou métodos e conhecimentos tradicionais, promovendo uma revisão da ordem política, social e econômica. Na arquitetura, isso levou a uma ruptura com o classicismo, pois a análise histórica revelou que as regras clássicas eram convenções variáveis. Isso resultou no neoclassicismo, que manteve a aparência clássica, mas sob uma nova perspectiva ideológica e funcional. Esse distanciamento da linguagem arquitetônica abriu caminho para os historicismos e ecletismos do século XIX. 1. Revolução Francesa e sua ligação com o Iluminismo · A Revolução Francesa foi um marco histórico influenciado pela difusão das ideias iluministas. · O Iluminismo pregava razão, ciência e progresso como ferramentas para reorganizar a sociedade e o governo. · A burguesia, influenciada por esses ideais, buscava reformas políticas e econômicas, mas era limitada pelo antigo regime feudal. 2. Conexão com a Revolução Industrial e o papel da burguesia · A Revolução Industrial, iniciada na segunda metade do século XVIII, foi uma resposta às mudanças econômicas e à necessidade de novos investimentos. · A burguesia passou de progressista e empreendedora para conservadora e financeira, garantindo sua posição dominante até a ascensão da classe trabalhadora. 3. Impacto da Revolução Científica · Houve uma revisão dos métodos científicos, baseando-se na razão e na experimentação. · A ciência passou a questionar pressupostos antigos, incluindo as bases políticas, sociais e econômicas. 4. Ruptura com o classicismo na arquitetura · A busca pelo conhecimento levou a uma reavaliação do classicismo arquitetônico, considerado até então como modelo absoluto. · Estudos arqueológicos e históricos mostraram que as regras clássicas eram convenções culturais e não verdades universais. 5. Surgimento do Neoclassicismo · Apesar da crise do classicismo, sua estética permaneceu por convenções ideológicas e funcionais. · O Neoclassicismo teve três vertentes: revolucionária, acadêmica e romântica. · A mudança não estava nas formas arquitetônicas em si, mas na percepção de que a linguagem arquitetônica era apenas um meio de comunicação e não um valor absoluto. 6. Consequências para a arquitetura do século XIX · A crise no classicismo abriu caminho para historicismos e ecletismos, explorando diferentes estilos arquitetônicos no século XIX. Esse período foi um momento de profundas mudanças, onde ciência, política, economia e cultura se transformaram mutuamente, moldando o mundo moderno. A TRIPLA MANIFESTAÇÃO NEOCLÁSSICA A tripla manifestação do neoclassicismo se desenvolveu a partir da busca pela essência da arquitetura. Inspirados pelo racionalismo e pelas ideias iluministas, arquitetos como Boullée e Ledoux idealizaram formas geométricas puras e cidades utópicas, caracterizando o neoclassicismo revolucionário. Na Espanha, a revisão do classicismo ocorreu no contexto do neoclassicismo acadêmico, com destaque para a Academia de Belas Artes de São Fernando e a obra de Juan de Villanueva, como o Museu do Prado. Já o neoclassicismo romântico reinterpretou a herança clássica com flexibilidade, como visto na Igreja da Madeleine em Paris. Esse estilo se espalhou pela Europa e América, estruturando tanto edifícios públicos quanto residências burguesas. Com sua racionalidade e simplificação formal, o neoclassicismo foi o último estilo arquitetônico unificado do Ocidente antes da diversidade estilística do século XIX. 1. Neoclassicismo revolucionário · Influenciado pelo Iluminismo e pelo pensamento racionalista. · Arquitetos como Boullée e Ledoux buscaram a essência da arquitetura na geometria pura (cubo, esfera, cilindro). · Projetos de cidades ideais e monumentos abstratos, como o cenotáfio de Newton. 2. Neoclassicismo acadêmico · Desenvolvido na Espanha no contexto da Academia de Belas Artes de São Fernando. · Obra marcante: Museu do Prado, de Juan de Villanueva, que sintetiza elementos palacianos, basilicais e rotundas. 3. Neoclassicismo romântico · Maior liberdade na interpretação das formas clássicas. · Exemplo: Igreja da Madeleine, que combina o exterior de um templo greco-romano com um interior inspirado em termas romanas. · Influência em diversas cidades europeias, como Berlim (Schinkel) e Londres (Regent’s Street). 4. Disseminação do classicismo e impacto na arquitetura · O classicismo foi adaptado a diferentes contextos urbanos e sociais. · Arquitetura residencial padronizada, com fachadas simples e simétricas, consolidando o neoclassicismo como o "último estilo unitário do Ocidente". Esse neoclassicismo influenciou profundamente a arquitetura do século XIX, estruturando desde monumentos até edifícios residenciais, antes de dar lugar a estilos mais diversos e fragmentados. RECUPERAÇÃO E REVISÃO DO CONCEITO DE TIPO A revolução científica influenciou diretamente a arquitetura ao introduzir modelos de pensamento baseados na catalogação e análise sistemática. Assim como a biologia e a química classificaram e compreenderam os elementos da natureza, a arquitetura passou a organizar suas edificações em tipologias (religiosa, civil, militar, pública, privada). Essa sistematização foi impulsionada pela necessidade de adaptação a novos programas arquitetônicos surgidos na Revolução Industrial (mercados, teatros, hospitais, bibliotecas, etc.). Quatremère de Quincy desenvolveu a distinção entre tipo (modelo conceitual) e modelo (exemplo concreto), enquanto Durand propôs uma abordagem mais flexível e metodológica, rompendo com as limitações dos tipos e permitindo a adaptação da arquitetura a qualquer contexto. 1. Influência da Revolução Científica na Arquitetura · O pensamento racionalista levou à necessidade de classificar e organizar a arquitetura. · Inspirada na biologia (Lineu e Buffon) e na química (Lavoisier), a arquitetura buscou catalogar e decompor suas formas. 2. Surgimento da Tipologia Arquitetônica · Classificação dos edifícios por função: religiosa, civil, militar, pública ou privada. · Exemplos: a Praça da Concórdia e o Teatro de Bordeaux demonstram como os arquitetos revisaram e aprimoraram conceitos espaciais. 3. Quatremère de Quincy e a Sistemática Tipológica · Diferença entre tipo (conceito abstrato) e modelo (exemplo específico). · O tipo estabelece uma relação direta entre forma e função, permitindo um estudo estruturado da arquitetura. 4. Limitações da Tipologia e a Resposta de Durand · A complexidade crescente da cidade industrial tornou os tipos arquitetônicos tradicionais insuficientes. · Durand rompe com o sistema tipológico e propõe uma abordagem mais flexível, baseada na decomposição e análise arquitetônica. Esse período marcou a transição entre um pensamento arquitetônico estático, baseado na repetição de modelos históricos, e um pensamento dinâmico, capaz de responder às novas demandas da sociedade industrial. CAPÍTULO 20 - A Composição Arquitetônica A COMPOSIÇÃO BÁSICA: DURAND E SUAS LIÇÕES DE ARQUITETURA Jean-Nicolas-Louis Durand rompe com a abordagem tipológica idealista e propõe um método arquitetônico racional baseado na composição e na decomposição dos elementos da arquitetura. Ele entende a arquitetura como um sistema pragmático e utilitário, onde a composição é a chave para unir conveniência (firmitas) e economia, resultando naturalmente na estética (venustas). Durand classifica os elementos arquitetônicos (paredes, coberturas, colunas, portas, escadas) e os combina paraformar espaços primários (cômodos, pátios, pórticos), que se integram em conjuntos maiores, muitas vezes organizados dentro de uma "grande caixa". A composição segue princípios geométricos, com figuras simples e um sistema modular baseado em eixos e retículas para garantir proporção, organização e eficiência construtiva. Seu método não impõe um único estilo, permitindo múltiplas soluções para um mesmo programa arquitetônico e promovendo o ecletismo. A abordagem de Durand influenciou profundamente a arquitetura do século XIX, consolidando-se como um modelo de ensino e prática arquitetônica. METODOLOGIA E TIPOLOGIA: A SÍNTESE BEAUX-ARTS A doutrina de Durand, apesar da dualidade entre a École des Beaux-Arts e a École Polytechnique, influenciou fortemente a composição arquitetônica do século XIX, levando a uma síntese metodológica que combinava a ênfase tipológica com a flexibilidade compositiva. A arquitetura desse período evolui do conceito rígido de tipo para uma abordagem mais abstrata e flexível, onde a organização espacial é baseada em eixos, massas e recintos. Com a adoção da metodologia de Durand pela École des Beaux-Arts, surge um novo sistema que incorpora conceitos como decoro, linguagem e caráter para dar identidade e significado à obra arquitetônica. 1. Do Tipo à Composição Abstrata · Inicialmente, o século XIX busca uma relação entre tipo e programa, mas percebe suas limitações. · Surge uma abordagem mais flexível, onde a definição das partes substitui a mímese do tipo. · A composição arquitetônica se baseia nos conceitos de eixo, massa, parte e projeto. 2. Sistema Beaux-Arts: Integração de Método e Expressividade · Quatremère de Quincy adiciona novos elementos à metodologia de Durand para evitar que a arquitetura se torne apenas um problema de organização funcional. · Introduz-se o decoro, que garante coerência entre linguagem e identidade arquitetônica. · O caráter próprio da obra se torna um princípio essencial, conectando forma e história. 3. A Busca pela Forma e a Importância da História · O caráter arquitetônico assume dois aspectos principais: · Formal: mantém uma lógica organizacional e evita anarquia estilística. · Histórico: utiliza a tradição como referência para garantir identidade à arquitetura. · Isso permite um controle tipológico, mas sem restringir a variedade estilística. Conclusão O século XIX consolida uma arquitetura que combina método racional e expressividade artística, integrando a abordagem científica de Durand com a sensibilidade histórica e estilística da École des Beaux-Arts. Essa síntese resulta em um sistema arquitetônico que equilibra ordem compositiva e liberdade formal, influenciando profundamente o ensino e a prática da arquitetura ao longo do século. O COMPOSICIONALISMO: DA ÉCOLE DES BEAUX-ARTS À WAGNERSCHULE O sistema Beaux-Arts teve um papel decisivo na docência da arquitetura na Europa e nos EUA, com um ensino baseado na prática de atelier e princípios como simetria e monumentalidade. No entanto, essa abordagem foi criticada pelo Movimento Moderno. Ao longo do século XIX, surgiram diversos tratados que sistematizavam a composição arquitetônica, como os textos de Jean Rondelet, François Léonce Reynaud, Charles Blanc e especialmente Viollet-le-Duc, que influenciou a arquitetura espanhola ao enfatizar a racionalidade construtiva. Havia duas principais abordagens compositivas na época: 1. Tradicional (paladiana) – edifícios unitários, compactos e simétricos. 2. Perspectiva inglesa – uso de volumes assimétricos projetando-se para o exterior. No final do século XIX, Julien Guadet tentou sintetizar essas ideias em uma visão racional e funcional, mas permitindo liberdade criativa. Como contraponto, a escola austríaca de Otto Wagner reformulou o ensino Beaux-Arts, hierarquizando elementos arquitetônicos e relacionando projeto urbano e detalhamento. Essa abordagem influenciou a sistematização anglo-saxã do início do século XX, antecipando a modularidade e intercambialidade do Movimento Moderno. 1. Beaux-Arts como ensino dominante · Baseava-se na prática de atelier. · Defendia a monumentalidade e a simetria. · Influenciou fortemente a arquitetura europeia e americana. 2. Críticas do Movimento Moderno · Rejeitava a monumentalidade e os princípios clássicos. · Buscava novas formas racionais e funcionais. 3. Duas principais abordagens compositivas · Tradicional (Paladiana): edificações simétricas e compactas. · Perspectiva inglesa: uso de volumes assimétricos para dinamismo visual. 4. Síntese de Julien Guadet · Tentou unificar os métodos anteriores. · Propôs uma arquitetura racional, mas sem abrir mão da criatividade. 5. Otto Wagner e a reformulação do ensino · Criou um sistema hierárquico de projeto, do urbanismo ao detalhe. · Trabalhou a monumentalidade, mas de maneira renovada. · Influenciou a arquitetura moderna com a ideia de intercambialidade de elementos. 6. Influência no século XX · As ideias compositivas foram incorporadas no ensino da arquitetura nos EUA e Reino Unido. · Textos como Civic Art e The Principles of Architectural Composition ajudaram a transição para o Movimento Moderno.