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TECNOLOGIAS DIGITAIS COMO FERRAMENTAS PEDAGÓGICAS NO ENSINO DA MATEMÁTICA: DESAFIOS E POSSIBILIDADES
Aluno do Curso de Licenciatura em Matemática da UNISA, RA 5045941, Polo Nossa Senhora das Graças, Módulo 16, jadergarcia05@gmail.com.
Prof. Orientador, Doutor: Ricardo Fernando de Souza, rfsouza@prof.unisa.br
TECHNOLOGIES AS PEDAGOGICAL TOOLS IN MATHEMATICS TEACHING: CHALLENGES AND POSSIBILITIES
RESUMO: Este artigo analisa o uso de tecnologias digitais como ferramentas pedagógicas no ensino de matemática, abordando suas contribuições para a aprendizagem significativa, os desafios enfrentados pelos professores e as possibilidades de inovação metodológica. A pesquisa foi realizada por meio de revisão bibliográfica e entrevistas com docentes da rede pública de Manaus. O estudo também discute temas como gamificação, inclusão digital, redes sociais, ensino híbrido, inteligência artificial e políticas públicas. Os resultados indicam que, embora existam barreiras estruturais e pedagógicas, o uso de tecnologias pode transformar a prática docente e melhorar o desempenho dos alunos.
Palavras-chave: Educação Matemática. Tecnologias Digitais. Ensino. Inovação. Aprendizagem.
ABSTRACT: This article analyses the use of digital Technologies as pedagogical tools in mathematics education, addressing their contributions to meaningful learning, the challenges faced by teachers, and the possibilities for methodological innovation. The research was conducted through bibliographic review and interviews with public school teachers in Manaus. The study also discusses topics such as gamification, digital inclusion, social media, hybrid learning, artificial intelligence, and public policies. Results indicate that, despite structural and pedagogical barriers, the use of technologies can transform teaching practices and improve student performance.
Keywords: Mathematics Education. Digital Technologies. Teaching. Innovation. Learning.
2
	
1 INTRODUÇÃO
O avanço das tecnologias digitais tem transformado os processos de ensino e aprendizagem em diversas áreas do conhecimento, incluindo a matemática. Recursos como softwares educativos, plataformas interativas, inteligência artificial e ambientes virtuais de aprendizagem ampliam as possibilidades pedagógicas, tornando o ensino mais dinâmico, personalizado e acessível.
A Base Nacional Comum Curricular (BNCC, 2018) destaca a cultura digital como uma das competências gerais a serem desenvolvidas na educação básica. Isso reforça a necessidade de integrar tecnologias ao cotidiano escolar. No ensino da matemática, essa integração favorece a construção de conceitos abstratos, a resolução de problemas e o desenvolvimento do raciocínio lógico por meio de simulações, jogos e visualizações gráficas.
As ferramentas digitais também permitem adaptar os conteúdos às necessidades individuais dos estudantes. Essa personalização promove maior engajamento, autonomia e o desenvolvimento de habilidades cognitivas e socioemocionais. Quando utilizadas de forma consciente e planejadas, essas tecnologias contribuem para ambientes educacionais mais inclusivos, colaborativos e eficazes, alinhados às demandas da sociedade contemporânea.
Apesar dos benefícios, a implementação efetiva desses recursos ainda enfrenta desafios. Entre eles estão a formação docente, a infraestrutura escolar e a resistência a mudanças metodológicas.
Este artigo propõe uma reflexão sobre o uso de tecnologias digitais como ferramentas pedagógicas no ensino da matemática. Busca-se analisar suas potencialidades, limitações e os caminhos possíveis para uma aplicação eficaz e significativa no contexto educacional atual.
A escolha desse tema se justifica pela crescente demanda por inovação nas práticas pedagógicas e pela necessidade de preparar os alunos para um mundo cada vez mais digital. A matemática, por sua natureza abstrata, pode ser beneficiada amplamente por esse raciocínio de recursos tecnológicos que, por sua vez, favoreçam a visualização, a experimentação e a interatividade.
Estudos recentes (Silva; Silva, 2025; Santos, 2024) apontam que o uso de tecnologias digitais no ensino da matemática pode melhorar o desempenho dos alunos, aumentar o interesse intuitivo dos alunos pela disciplina e facilitar a compreensão de conteúdos complexos. No entanto, muitos professores ainda se sentem inseguros quanto ao uso desses recursos, seja por falta de formação específica, seja por limitações estruturais das escolas.
Com base nesse contexto, o problema de pesquisa é: quais são as potencialidades e os desafios do uso de tecnologias digitais no ensino da matemática na rede pública de Manaus?
O objetivo geral do estudo é analisar as potencialidades e desafios do uso de tecnologias digitais no ensino da matemática, com foco nas percepções e experiências dos professores da rede pública de Manaus.
O presente trabalho caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, exploratória e descritiva. A metodologia envolveu uma revisão bibliográfica de autores relevantes da Educação Matemática e Tecnologias Educacionais, e um estudo de campo por meio de entrevistas semiestruturadas com cinco professores de matemática da rede pública de Manaus. Os dados das entrevistas foram analisados a partir da técnica de Análise de Conteúdo, conforme proposto por Bardin (2011).
2 REFERENCIAL TEÓRICO
2.1 A BNCC E A CULTURA DIGITAL
Conforme estabelece a Base Nacional Comum Curricular (BNCC), a competência geral relativa à cultura digital orienta que os estudantes devem compreender, utilizar e criar tecnologias digitais de informação e comunicação de maneira crítica, significativa, reflexiva e ética, nas diversas práticas sociais — incluindo as escolares —, com vistas a comunicar-se, acessar e disseminar informações, produzir conhecimentos, resolver problemas e exercer protagonismo e autoria na vida pessoal e coletiva (Brasil, 2018).
No ensino da matemática, a BNCC propõe uma abordagem que valoriza a resolução de problemas, o raciocínio lógico e a construção de significados. A integração das tecnologias digitais nesse contexto permite que os alunos explorem conceitos abstratos por meio de simulações, jogos, visualizações gráficas e outras ferramentas interativas. Como destaca Valente (2014), “o uso das tecnologias digitais no ensino da matemática deve ir além da substituição do papel e lápis por dispositivos eletrônicos; é necessário promover uma mudança na forma como o conhecimento é construído”.
Segundo Borba e Villarreal (2005), as tecnologias digitais influenciam não apenas as formas de ensinar, mas também “as maneiras de pensar e aprender matemática”, criando novas possibilidades epistemológicas. Assim, a cultura digital, prevista pela BNCC, é um eixo essencial para promover uma aprendizagem significativa e contextualizada.
 2.2 TECNOLOGIAS DIGITAIS NO ENSINO DA MATEMÁTICA
A matemática, por sua natureza abstrata, pode se beneficiar amplamente do uso de tecnologias digitais. Softwares como GeoGebra, Matific, Khan Academy, entre outros, oferecem recursos visuais e interativos que facilitam a compreensão de conteúdos complexos, como funções, geometria, estatística e álgebra.
Valente (2014) afirma que “o uso das tecnologias digitais no ensino da matemática deve ir além da substituição do papel e lápis por dispositivos eletrônicos; é necessário promover uma mudança na forma como o conhecimento é construído” (Valente, 2014, p. 45). Segundo Almeida (2020), “as tecnologias digitais permitem que os alunos visualizem conceitos matemáticos de forma dinâmica, promovendo maior compreensão e engajamento”. Além disso, plataformas adaptativas ajustam o nível de dificuldade das atividades conforme o desempenho dos alunos, favorecendo a personalização da aprendizagem.
O uso de jogos digitais também tem se mostrado eficaz no ensino da matemática, pois estimula a resolução de problemas, o raciocínio lógico e a tomada de decisões. Kenski (2012) afirma que “os jogos educativos, quando bem planejados, podem ser ferramentas poderosaspara o desenvolvimento de competências cognitivas e socioemocionais”.
O software GeoGebra, especificamente, tem sido amplamente estudado como um recurso potente. Ele permite aos alunos a manipulação de objetos geométricos e gráficos de funções em tempo real, facilitando a experimentação e a descoberta. Conforme Oliveira e Cunha (2021), o GeoGebra contribui para a aprendizagem dos alunos, especialmente em conteúdos nos quais eles apresentam grande dificuldade, como funções do 1º grau. O objetivo de utilizar tecnologias é auxiliar os alunos na compreensão dos componentes matemáticos, cabendo ao professor encontrar a melhor forma de integrá-las à aula.
2.3 AMBIENTES VIRTUAIS DE APRENDIZAGEM E ENSINO HÍBRIDO
Os Ambientes Virtuais de Aprendizagem (AVA), como Moodle, Google Classroom e outras plataformas educacionais, têm se consolidado como espaços importantes para o ensino híbrido e remoto. Eles permitem à organização de conteúdos, a realização de atividades, a comunicação contínua entre alunos e professores e o acompanhamento do progresso individual.
No ensino da matemática, os AVAs podem ser utilizados para disponibilizar vídeos explicativos, exercícios interativos, fóruns de discussão e projetos colaborativos. Essa diversidade de recursos contribui para tornar o processo de aprendizagem mais dinâmico e significativo. Como observa Valente (2014), “os ambientes virtuais ampliam as possibilidades de interação e colaboração entre os participantes do processo educativo”.
O modelo de Ensino Híbrido (ou Blended Learning) tem se mostrado particularmente promissor, pois combina momentos presenciais com atividades online, permitindo que o aluno tenha maior controle sobre o tempo, o lugar e o ritmo de seus estudos. Esta metodologia, frequentemente aliada a metodologias ativas, promove o engajamento e a personalização, conforme ressaltado pela pesquisa na área. Ao integrar as tecnologias digitais em um modelo híbrido, o professor de matemática pode criar percursos de aprendizagem mais flexíveis e adaptáveis, respondendo à diversidade da sala de aula.
2.4 GAMIFICAÇÃO COMO ESTRATÉGIA DE ENGAGAMENTO
A gamificação, definida como o uso de elementos e mecânicas de jogos em contextos não-lúdicos, como o educacional, tem ganhado destaque como uma metodologia ativa capaz de aumentar o engajamento e a motivação dos alunos. No ensino da matemática, a aplicação de rankings, recompensas (medalhas, badges) e narrativas lúdicas transforma a percepção dos estudantes sobre a disciplina.
Estudos empíricos demonstram a eficácia da gamificação. Em um contexto de comparação entre aulas tradicionais e aulas gamificadas, o uso dessa estratégia apresentou melhores resultados na maioria das questões aplicadas, reforçando o desenvolvimento de habilidades críticas e a personalização do aprendizado. A gamificação se consolida, assim, como uma metodologia poderosa com potencial para transformar a interação dos estudantes com conteúdos matemáticos, especialmente em ambientes virtuais.
2.5 INTELIGÊNCIA ARTIFICIAL E MEDIAÇÃO PEDAGÓGICA
A Inteligência Artificial (IA) tem ganhado espaço na educação como ferramenta para personalizar o ensino. Sistemas baseados em IA conseguem identificar padrões de aprendizagem, dificuldades específicas e sugerir intervenções pedagógicas adequadas.
No ensino da matemática, isso se traduz em plataformas que ajustam o nível de dificuldade dos exercícios, oferecem explicações adicionais e monitoram o progresso dos alunos em tempo real. Essa abordagem favorece a inclusão, pois atende às necessidades individuais e promove maior equidade no acesso ao conhecimento. A IA pode ser considerada um software educacional quando direcionada ao processo de ensino e aprendizagem, sendo citada pelos próprios alunos como um recurso auxiliar para a resolução de problemas (Photomath, Symbolab).
Segundo Almeida (2020), “a IA pode ser uma aliada poderosa na construção de trajetórias de aprendizagem personalizadas, desde que seu uso seja orientado por princípios pedagógicos claros e éticos”. Assim, a IA contribui para a inclusão e equidade no ensino, oferecendo oportunidades de aprendizagem mais justa e adaptada às necessidades de cada estudante.
2.6 TECNOLOGIA SOB A ÓTICA VYGOTSKYANA: MEDIAÇÃO INSTRUMENTAL
As tecnologias digitais, além de ferramentas de conteúdo, são também instrumentos de mediação. A teoria Sócio Histórico-Cultural de Vygotsky propõe que o aprendizado é despertado quando ocorre uma mudança no ambiente de interação social. Nesse sentido, as Tecnologias Digitais de Informação e Comunicação (TDIC) se encaixam como instrumentos mediadores da aprendizagem.
Valente (2014) já apontava que as tecnologias devem ir além da simples substituição de métodos, promovendo uma mudança na forma como o conhecimento é construído. Essa perspectiva encontra ressonância em Vygotsky, que via nos signos e nos sistemas simbólicos os mediadores que, quando internalizados, contribuem para o desenvolvimento mental do indivíduo.
As TDIC, ao serem produtos humanos impregnados de humanidade, e o ser humano, ao estar impregnado de tecnologia, criam uma interdependência onde o conhecimento produzido é condicionado pelas novas tecnologias (Borba, 2001, citado por Araujo & Benassi, 2005). Portanto, a integração da tecnologia na sala de aula deve ser um ato consciente, transformando o meio e o método do professor para adequá-lo ao novo contexto social e cultural dos nativos digitais. A mediação tecnológica, assim, não é um acessório, mas um princípio central na educação contemporânea, que deve ser articulado com a prática investigativa e crítica do professor.
2.7 INCLUSÃO, INTERAÇÃO DE COMPETÊNCIAS
As tecnologias digitais no meio moderno também desempenham um papel importante na promoção da inclusão educacional. Recursos como leitores de tela, vídeos com tradução em Libras, jogos adaptados e plataformas acessíveis permitem que alunos com diferentes necessidades participem ativamente do processo de aprendizagem.
Além disso, o uso de tecnologias favorece a interação entre os estudantes em, estimulando o trabalho em grupo dos alunos, a troca de ideias e o desenvolvimento de competências sócio emocionais, como empatia, colaboração e comunicação.
No ensino da matemática em qualquer etapa, essas competências são essenciais para resolver problemas de forma criativa, argumentar com base em dados e tomar decisões fundamentadas. De acordo com Borba, Scucuglia e Gadanidis (2018), a aprendizagem matemática mediada por tecnologias é um processo coletivo e interativo, em que o aluno se torna sujeito ativo da construção do conhecimento. Como reforça Moran (2015), “a tecnologia, quando bem utilizada, pode humanizar o processo educativo, promovendo inclusão, diálogo e construção coletiva do conhecimento”.
3 METODOLOGIA
Este estudo caracteriza-se como uma pesquisa qualitativa, de natureza exploratória e descritiva. A abordagem qualitativa foi escolhida por permitir uma compreensão aprofundada das percepções e experiências dos professores em relação ao uso das tecnologias digitais no ensino da matemática.
O universo da pesquisa foi composto por cinco professores de matemática da rede pública de Manaus, selecionados por conveniência e acessibilidade. Para a coleta de dados, foram realizadas entrevistas semiestruturadas, que permitiram aos docentes expor livremente suas práticas e desafios.
As entrevistas foram transcritas e analisadas por meio da técnica de Análise de Conteúdo, conforme as diretrizes de Laurence Bardin (2011). O método de Bardin envolve três fases principais para garantir o rigor científico e a objetividade dos resultados:
1. Pré-análise: Fase de organização, que inclui a leitura flutuante do material, a escolha dos documentos (transcrições) e a formulação de hipóteses e objetivos, estabelecendo o corpus da pesquisa. Nessa fase, as entrevistas transcritas foram preparadas para a "edição", garantindo a fidelidade dos dados brutos e a pertinência dos materiais em relação ao tema.
2. Exploração do material: Inicia-se com a codificação, que é oprocesso de transformação dos dados brutos em unidades de análise significativas, por meio da identificação de temas e padrões recorrentes. As categorias de análise foram definidas a partir dos objetivos da pesquisa: recursos utilizados, desafios enfrentados, percepções sobre o impacto das tecnologias e sugestões de melhoria.
3. Tratamento dos resultados: inferência e interpretação: Fase final em que os resultados brutos são tornados significativos e válidos, permitindo ao pesquisador realizar inferências e interpretações fundamentadas nas categorias estabelecidas.
O estudo também incluiu uma revisão bibliográfica de autores relevantes na área de Educação Matemática e Tecnologias Educacionais, utilizada para fundamentar o referencial teórico e discutir os achados empíricos. A triangulação dos dados – entre teoria, achados de campo e análise de conteúdo – permitiu uma análise mais robusta e confiável dos resultados. A pesquisa respeitou os princípios éticos, com consentimento informado dos participantes e garantia de anonimato, conforme os procedimentos metodológicos do rigor científico.
4 RESULTADOS E DISCUSSÃO
4.1 ESTUDO DE CASO: PROFESSORES DA REDE PÚBLICA
As entrevistas realizadas com os cinco professores de matemática da rede pública de Manaus revelaram percepções diversas sobre o uso de tecnologias digitais em sala de aula. Todos os participantes reconhecem que as ferramentas tecnológicas podem tornar o ensino mais dinâmico e acessível. O software GeoGebra foi citado como um dos recursos mais utilizados para visualização de gráficos e geometria, sendo valorizado por sua capacidade de oferecer uma abordagem visual a conceitos abstratos.
O YouTube é amplamente empregado para complementar explicações e apresentar conteúdos de forma audiovisual. Segundo um dos entrevistados, “os alunos se envolvem mais quando utilizamos vídeos e aplicativos, pois estão acostumados com esse tipo de linguagem”. No entanto, os docentes também apontaram dificuldades, como a falta de infraestrutura nas escolas e a ausência de formação específica para o uso pedagógico das tecnologias. A maioria acredita que, com apoio institucional e capacitação, é possível integrar as tecnologias de forma eficaz ao currículo.
De acordo com Melo e Polillo Filho (2025), o uso de tecnologias digitais no ensino da matemática amplia as possibilidades de aprendizagem, favorecendo a compreensão de conceitos abstratos e estimulando maior participação dos estudantes. Silva e Silva (2025) acrescentam que tais recursos contribuem para práticas pedagógicas inclusivas, permitindo a personalização da aprendizagem. Pereira (2021) ressalta, contudo, que a efetividade dessas ferramentas depende de investimentos em infraestrutura e formação docente, sem os quais o potencial pedagógico das tecnologias digitais não se concretiza.
4.2 ANÁLISE DAS PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
As práticas pedagógicas observadas demonstram que o uso das tecnologias está diretamente relacionado ao planejamento e à intencionalidade do professor. Os docentes que utilizam plataformas digitais, jogos e vídeos relatam maior engajamento dos alunos e melhor desempenho nas avaliações. A personalização do ensino, por meio de atividades adaptadas ao ritmo de cada estudante, foi apontada como um dos principais benefícios. 
Segundo Kenski (2012), “a tecnologia, quando integrada ao projeto pedagógico, amplia as possibilidades de aprendizagem e promove a autonomia do aluno”. Os professores também destacaram a importância da mediação docente para orientar o uso das ferramentas e garantir que os objetivos educacionais sejam alcançados. A colaboração entre os alunos, estimulada por ambientes virtuais, foi outro aspecto positivo mencionado. As práticas mais eficazes são aquelas que combinam recursos tecnológicos com metodologias ativas, como resolução de problemas e aprendizagem baseada em projetos.
Além dos benefícios observados, é importante destacar que o uso das tecnologias digitais também apresenta desafios, como a necessidade de tempo para planejamento, a resistência de alguns docentes e a desigualdade de acesso dos alunos fora do ambiente escolar. Valente (1999) ressalta que a tecnologia só se torna significativa quando integrada a práticas pedagógicas inovadoras, enquanto Borba e Penteado (2010) alertam para o risco de um uso superficial, sem impacto real na aprendizagem. Nesse sentido, a avaliação mediada por recursos digitais surge como possibilidade de acompanhar o progresso dos estudantes de forma mais individualizada. Por fim, a formação continuada dos professores e o apoio institucional são fundamentais para que essas práticas se consolidem e promovam uma educação matemática mais inclusiva e eficaz.
4.3 INTEGRAÇÃO DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NA EDUCAÇÃO MATEMÁTICA
Entre os desafios identificados estão a falta de acesso à internet, a escassez de equipamentos nas escolas e a resistência de alguns professores à adoção de novas tecnologias. A ausência de políticas públicas consistentes e de formação continuada também foi apontada como um obstáculo. Segundo Moran (2007), “a inovação pedagógica depende de condições estruturais e de uma cultura institucional que valorize a experimentação”. Por outro lado, os docentes reconhecem que as tecnologias oferecem inúmeras possibilidades, como a ampliação do repertório didático, a personalização da aprendizagem e o estímulo à criatividade. [...]
4.4 FORMAÇÃO DOCENTE E PRÁTICAS PEDAGÓGICAS
A formação docente constitui elemento central para a integração efetiva das tecnologias digitais no ensino da matemática. Sem uma preparação adequada, os professores tendem a reproduzir metodologias tradicionais, limitando o potencial transformador das ferramentas digitais. Nesse sentido, a formação inicial e continuada deve contemplar não apenas o domínio técnico dos recursos, mas também a reflexão crítica sobre sua utilização pedagógica.
Segundo Valente (2014), “a apropriação das tecnologias pelos professores depende de processos formativos que articulem teoria e prática, permitindo que os docentes experimentem e ressignifiquem suas metodologias”. Além disso, Kenski (2012) destaca que a formação deve estar alinhada ao projeto pedagógico da instituição, favorecendo a construção de práticas inovadoras e contextualizadas.
A adoção de metodologias ativas, como a sala de aula invertida e a aprendizagem baseada em projetos, pode potencializar o uso das tecnologias digitais, promovendo maior engajamento e autonomia dos estudantes. Moran (2015) ressalta que “as metodologias ativas, quando apoiadas por recursos digitais, ampliam as possibilidades de interação e colaboração, tornando o processo de aprendizagem mais significativo”.
Nesse contexto, a formação docente deve ser entendida como um processo contínuo, que envolve atualização permanente, troca de experiências e reflexão coletiva. Políticas públicas voltadas para a capacitação de professores, aliadas a investimentos em infraestrutura, são fundamentais para que as tecnologias digitais sejam incorporadas de forma crítica e criativa, contribuindo para uma educação matemática mais inclusiva e conectada com as demandas contemporâneas.
4.5 PROPOSTA DE INTERVENÇÃO PEDAGÓGICA: ARTICULANDO TEORIA E PRÁTICA
Em consonância com o modelo de TCC que visa a intervenção pedagógica, a pesquisa sugere que a superação dos desafios em Manaus reside na criação de sequências didáticas flexíveis que utilizem recursos de baixo custo ou gratuitos, aliadas a estratégias de ensino híbrido. A intervenção deve ser baseada no princípio da mediação instrumental de Vygotsky, onde a tecnologia é vista como um instrumento que transforma a relação do aluno com o conhecimento.
Exemplos De Ações Propostas:
	Ação Pedagógica
	Recurso Tecnológico
	Metodologia Ativa
	Objetivo de Aprendizagem
	Ciclos de Resolução de Problemas
	GeoGebra (offline/online)
	Peer Instruction (Instrução por Pares)
	Visualização e manipulação de funções e geometria plana.
	Maratonas de Conteúdo
	Gamificação via aplicativos (Kahoot!, Matific ou similar)
	Aprendizagem Baseadaem Jogos
	Revisão e fixação de conceitos básicos (álgebra, equações) com foco em engajamento e recompensas.
	Aulas Invertidas Personalizadas
	AVA (Google Classroom/Moodle) e links do YouTube
	Sala de Aula Invertida
	Disponibilização prévia de vídeos e materiais (fóruns de discussão), liberando tempo de aula para tutoria e resolução de dúvidas específicas.
	Avaliação Diagnóstica Adaptativa
	Sistemas de IA (plataformas adaptativas de exercícios)
	Personalização
	Identificação automática de lacunas de aprendizagem do aluno e sugestão de reforço individualizado (Almeida, 2020).
Essas propostas visam demonstrar que a falta de recursos robustos não deve paralisar a inovação. Ao focar em metodologias ativas mediadas por tecnologia (mesmo com recursos simples como o YouTube e o GeoGebra instalado localmente), o professor pode promover a autonomia e o pensamento crítico, alinhando a prática docente às exigências da BNCC (2018) e às diretrizes curriculares do curso. 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS
Este estudo conclui que as tecnologias digitais representam uma oportunidade valiosa para inovar o ensino da matemática, tornando-o mais interativo, contextualizado e inclusivo. Os resultados indicam que, embora existam desafios estruturais e pedagógicos complexos na rede pública de Manaus, o uso de ferramentas como softwares, aplicativos, plataformas digitais e redes sociais pode potencializar a aprendizagem dos alunos, especialmente ao favorecer a visualização de conceitos abstratos e o raciocínio lógico.
A formação docente é um fator decisivo para o sucesso da integração tecnológica, exigindo políticas públicas que garantam capacitação contínua e suporte institucional. A gamificação, o ensino híbrido e a inteligência artificial são abordagens promissoras que devem ser exploradas com responsabilidade e intencionalidade pedagógica, sempre buscando articular a teoria da aprendizagem (como a mediação instrumental de Vygotsky) com a prática em sala de aula.
A pesquisa evidencia que a integração das tecnologias digitais no ensino da matemática não se limita à disponibilização de ferramentas, mas envolve a transformação das práticas pedagógicas e da cultura escolar. A utilização de ambientes virtuais de aprendizagem (AVA), simuladores matemáticos e recursos de realidade aumentada favorece a visualização de conceitos abstratos, contribuindo para o desenvolvimento do raciocínio lógico e da capacidade de resolução de problemas. A personalização do ensino, proporcionada por softwares adaptativos e sistemas de inteligência artificial, permite identificar dificuldades individuais e propor intervenções pedagógicas mais eficazes, alinhadas ao ritmo e ao estilo de aprendizagem de cada estudante.
No entanto, este estudo reconhece as suas limitações, especialmente o tamanho reduzido e a natureza de conveniência da amostra (cinco professores em Manaus), o que restringe a generalização dos resultados. Apesar disso, a pesquisa reforça a importância de políticas educacionais que incentivem a inovação tecnológica de forma sustentável, incluindo investimento em infraestrutura e práticas de inclusão digital. A integração reflexiva e planejada das tecnologias no ensino da matemática não apenas potencializa a aprendizagem, mas também contribui para formar cidadãos críticos, criativos e preparados para os desafios do século XXI.
Sugere-se, para estudos futuros, a realização de pesquisas-ação com amostras maiores, ou a implementação e avaliação prática das propostas de intervenção pedagógica baseadas no ensino híbrido e na gamificação, a fim de gerar dados empíricos robustos sobre o impacto dessas metodologias no desempenho dos alunos da rede pública de Manaus.
REFERÊNCIAS
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 BORBA, Marcelo de Carvalho; PENTEADO, Miriam Godoy. Informática e Educação Matemática. Belo Horizonte: Autêntica Editora, 2010. Disponível em: https://books.google.com/books/about/Inform%C3%A1tica_e_Educa%C3%A7%C3%A3o_Matem%C3%A1tica.html?id=zwPGDQAAQBAJ. Acesso em: 14 nov. 2025. 
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MELO, Thiago Brañas de; POLILLO FILHO, Guilherme. O uso de tecnologias digitais no ensino de matemática: uma análise de artigos com atividades empíricas na base SciELO. Revista Ponto de Vista, Viçosa, v. 14, n. 2, 2025. Disponível em: https://periodicos.ufv.br/RPV/article/view/21370. Acesso em: 14 nov. 2025.
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VALENTE, José Armando. Informática na Educação: teoria e prática. Campinas: UNICAMP/NIED, 1999. Disponível em: https://www.scielo.br/j/epec/a/fhhSv6RNtSs78jvd8KV7kXr/?format=pdf. Acesso em: 14 nov. 2025.

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