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Marcio Araujo Oliveira
MARKETING 3.0 
E A ERA DIGITAL
Sumário
INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3
DESENVOLVIMENTO �������������������������������������� 4
MARKETING 3�0 ��������������������������������������������� 7
EMPRESAS DIANTE OS NOVOS DESAFIOS 
DA ERA DIGITAL ������������������������������������������� 11
UM OLHAR PARA O FUTURO ����������������������� 14
A PRIVACIDADE E A POSSIBILIDADE DE 
SEGMENTAÇÃO ������������������������������������������� 16
CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 24
REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & 
CONSULTADAS �������������������������������������������� 26
2
INTRODUÇÃO
Olá, estudante! Seja bem-vindo(a).
Este módulo apresentará o conceito do Marketing 
Digital, tema fundamental para que você – e as 
empresas – entenda este momento da história, 
em que há uma mudança no perfil do consumidor. 
Também estudaremos questões relacionadas à 
privacidade dos dados. Nesse tema você verá:
 y A evolução do Marketing
 y Os desafios da nova era digital
 y Convergência digital
Agora é com você!
Leia o material e acesse as indicações de leituras 
e referências bibliográficas. É importante que você 
tenha disciplina em seus estudos e aproveite ao 
máximo todo o conteúdo disponibilizado.
Bons estudos!
3
DESENVOLVIMENTO
No livro Marketing 3�0, Kotler apresenta uma evo-
lução do marketing na qual afirma que ele está 
muito mais relacionado aos valores, uma mistura 
de marketing colaborativo, cultural e espiritual. 
As pessoas não devem mais ser tratadas apenas 
como consumidoras, “os profissionais de marke-
ting as tratam como seres humanos plenos: com 
mente, coração e espírito [...]. Buscam não apenas 
satisfação espiritual, nos produtos e serviços que 
escolhem”. (Kotler, et al., 2010, p. 4) 
Essa mudança no perfil do consumidor se dá, 
principalmente, com o surgimento das novas 
tecnologias de informação e comunicação. Ante-
riormente, você aprendeu sobre o grande impacto 
que esses meios técnicos tiveram na percepção 
entre espaço e tempo, em diversos aspectos das 
vidas humanas. Conforme você percebeu, a cada 
nova invenção tecnológica, há uma mudança nas 
relações entre empresas e consumidores. Essas 
mudanças apareceram com muita intensidade 
com as tecnologias de comunicação e informa-
ção surgidas nas últimas décadas. Como afirma 
Thompson:
Todos os meios técnicos têm uma relação com 
os aspectos de espaço e de tempo da vida social, 
mas o desenvolvimento da tecnologia da tele-
4
comunicação, na segunda metade do século 19, 
foi particularmente significativo a este respeito. 
(THOMPSON, 2008, p.58)
Pense em quantas tecnologias existem hoje e 
que não existiam há 20 anos. Hoje é possível, por 
exemplo, você trabalhar como profissional autô-
nomo, oferecendo os seus serviços ou até mesmo 
os seus bens, em plataformas com alcance global. 
Você pode produzir e distribuir conteúdo, vender 
qualquer objeto ou, até mesmo, alugar o seu carro 
ou a sua casa para que outra pessoa utilize-os 
temporariamente. Tudo isso de forma rápida e fácil, 
utilizando plataformas de economia compartilhada.
Figura 1: Aplicativo do UBER é uma das plataformas da 
economia compartilhada.
Fonte: Freepik.
5
Quer entender mais sobre plataformas como o Uber, 
Airbnb, Ebay, entre outras? Leia o livro Economia Com-
partilhada – como pessoas e plataformas da Peers 
Inc. estão reinventando o capitalismo. Robin Chase é 
cofundadora da Zipcar. Ela conta no livro como foi a 
sua trajetória à frente da empresa e faz uma leitura dos 
desafios de empreender nos dias atuais.
Essas mudanças no acesso a novos aparatos 
tecnológicos criaram diferentes cenários de rela-
cionamento econômico e cultural, influenciam a 
maneira como você vê e entende o mundo. Essas 
mudanças exigem também de empresas, que co-
meçam a mudar a sua maneira de se relacionar 
com os consumidores.
SAIBA MAIS
6
MARKETING 3.0
Para Kotler, “a nova onda de tecnologia é formada 
por três grandes forças: computadores e celulares 
baratos, Internet de baixo custo e fonte aberta. A 
tecnologia permite que os indivíduos se expressem 
e colaborem entre si”. (Kotler, et al., 2010, p.7)
Se você analisar textos de diferentes autores que 
fazem uma leitura dos dias atuais, em muitos mo-
mentos, existe uma interessante conversação entre 
as ideias apresentadas; porém, em outros momentos, 
há um distanciamento conceitual entre diferentes 
autores, que tentam explicar o atual momento da 
história. Um ponto interessante de intercessão é 
como as empresas (e também os governos) preci-
sam evidenciar as ações de maneira horizontal, não 
vertical. “Para ter sucesso, as empresas precisam 
entender que os consumidores apreciam cada vez 
mais a cocriação, a ‘comunização’ e o desenvolvi-
mento da personalidade da marca”. (KOTLER, et 
al., 2010). Algo muito próximo do que Maffesoli 
chama de “lei dos irmãos e horizontalidade”. Porém, 
Maffesoli apresenta uma visão crítica:
É a convocada horizontalidade pós-moderna (a lei 
dos irmãos ou imanação) maximizada pela evolução 
tecnológica que substitui a verticalidade moderna 
(a lei do pai). Os sentidos se fazem e são experen-
ciados no momento presente, e através de uma 
7
maximização do sensorial, do presente, das relações 
sociais, tudo passa a ter sentido. É o momento do 
Google, Facebook, Twitter, Wikipedia, YouTube. É o 
momento da viralidade nos meios de comunicação 
social virtual. Aliás, a metáfora do vírus revela um 
contraponto interessante à assepsia e sanidade 
obstinadamente galgadas na modernidade, como 
nos indica Maffesoli (ibid.). Na net, se propaga a 
figura do fractal, do fragmentado, do barroco, e os 
jovens passam a buscar a realização através do on-
-line na vivência de pequenas utopias intersticiais. 
(PEREIRA, 2013, p.2)
Ou seja, Maffesoli lembra que existe uma dicoto-
mia entre a modernidade com seu monoteísmo de 
valores versus a pós-modernidade pagã, barroca e 
difusa, mostrando que o cenário atual é complexo 
e cheio de desafios. Mas, será que a Cocriação – 
“termo criado por C. K. Prahalad para descrever a 
nova abordagem à inovação” (Kotler, et al., 2010, 
p. 37) e sugerido por Kotler – juntamente com a 
Comunização podem ser caminhos viáveis para as 
empresas em tempos de tanta incerteza merca-
dológica? Outra questão importante: será que as 
empresas estão abertas para entender e aceitar 
as reais necessidades de todos os usuários?
[...] a participação popular requer a existência de 
canais de participação aberto e desobstruídos. 
8
Porém não basta a abertura de canais, há que se 
incentivar e facilitar a participação ampliada da 
população por meio de uma metodologia que a favo-
reça enquanto um processo que vai crescendo em 
qualidade participativa. A qualidade participativa diz 
respeito ao nível (do mais elementar ou avançado) 
em que se concretiza a participação, mas, também 
à maneira como ela é conduzida; se é autônoma e 
compartilha do poder decisório ou se é controlada 
e manipulada por lideranças ou pelo poder público, 
se for o caso. (PERUZZO, 2010, p.237)
É importante lembrar que, durante o século 20, 
o capital físico sempre necessitou de grandes 
investimentos na infraestrutura das corporações 
e, de certa maneira, esses investimentos orienta-
vam as estratégias das empresas. Em economias 
geridas pelo Estado, esse investimento orientava a 
produção em função dos objetivos da burocracia 
estatal. Nos dois casos, o processo de colaboração, 
de liberdade individual em opinar, era diminuído 
em função dos interesses e da complexidade dos 
requerimentos de capital de produção.
Porém, atualmente, podemos citar diversos exemplos 
colaborativos e participativos que estão surgindo 
com o advento das novas tecnologias. O software 
livre – que tem como grande exemplo o sistema 
operacional Linux – ou mesmo a Wikipédia, uma 
9
biblioteca colaborativa que pode ser encarada como 
concorrente da Enciclopédia Britânica (Oliverio, 
2012, p.39). Fica, então, uma questão: o que leva 
milhares de pessoasa se dedicar à produção de 
algo em função de uma marca, como sugere Kotler?
Acesse o Podcast 1 em módulos
10
EMPRESAS DIANTE OS NOVOS 
DESAFIOS DA ERA DIGITAL
As empresas precisam ser transparentes com 
relação às suas ações – tanto interna como ex-
ternamente –, além de entender e respeitar as 
diferenças econômicas, sociais, religiosas, polí-
ticas e educacionais dos mais diversos públicos. 
Yanaze afirma que “em suas relações com todos 
os públicos, a empresa deve esforçar-se por criar o 
que denominamos de fatos comunicáveis, ou seja, 
ações ou realizações que sejam merecedoras de 
menção e de referencia”. (YANAZE, 2011, p. 334)
Uma atitude que não esteja alinhada com os valores 
da empresa estragará toda a história. Os consumi-
dores detectam facilmente quando uma missão de 
marca não é autêntica. E os empregados detectam 
com facilidade ainda maior falsos valores nas prá-
ticas da empresa. (KOTLER, p.31)
Dessa maneira, é importante acrescentar a afir-
mação de Kunsch:
No composto da comunicação organizacional inte-
grada, a comunicação institucional é a responsável 
direta, por meio da gestão estratégica das relações 
públicas, pela construção e formatação de uma 
imagem e identidade corporativas fortes e positivas 
de uma organização. (KUNSCH, 2003, p. 164)
11
Esse composto está diretamente relacionado aos 
inputs, throughputs e outputs, como pode ser ob-
servado na obra de Yanaze (2011, p. 54-55):
 – Input é aquilo que se coloca dentro da empresa, 
como os recursos financeiros, os recursos huma-
nos e os recursos materiais, além de informações, 
tecnologia e know-how.
 – Throughput é o que se produz por intermédio 
de, ou por meio de, que podem ser os processos, 
os sistemas e as políticas da empresa, além da 
cultura organizacional, do clima empresarial e da 
logística.
 – Output é o que sai, o resultado de todo o pro-
cesso, ou seja, o que pode ser visto como os 4 Ps 
do marketing: produtos (que podem ser bens ou 
serviços), preço (ou remuneração), distribuição (ou 
vendas) e, finalmente, a comunicação.
Dessa maneira, a importância do alinhamento das 
ações de uma empresa está relacionada ao fato 
de que, cada vez mais, os consumidores e também 
os empregados estão analisando se realmente 
determinada empresa apresenta em suas práticas 
os valores que propaga.
Alguns empregados ignoram seus valores corpora-
tivos ou os veem como algo que foi desenvolvido 
apenas para relações públicas. Alguns empregados, 
que realmente seguem esses valores, decepcionam-
12
-se porque outros os ignoram. Nesses casos, as 
empresas não estão praticando o Marketing 3�0� No 
Marketing 3�0, as empresas precisam convencer 
tanto os clientes quanto os empregados a levar 
a sério seus valores”. (KOTLER, et al., 2010, p.81)
Outro ponto é a transparência das práticas da 
empresa. Não adianta uma empresa se declarar 
como defensora do meio ambiente se não adota 
nenhuma ação efetiva para isso, ou se as ações 
adotadas são simplesmente para passar uma 
imagem de defensora do meio ambiente.
Em 2017, a empresa Uber enfrentou uma tremenda crise 
em todo o mundo.
Em janeiro, durante uma greve de taxistas, o Uber foi 
acusado de tentar lucrar com a greve. Isso gerou uma 
campanha contra a empresa, na qual a hashtag #deleteuber 
apareceu em diversas redes sociais. Em fevereiro, surgiu 
na web um vídeo em que Travis Kalanick – fundador e 
CEO da empresa – discute com um motorista sobre a 
diminuição do repasse aos afiliados.
Após o boicote e o surgimento do vídeo, uma ex-
-funcionária publicou um texto na internet acusando a 
empresa de ser conivente com assédio e sexismo no 
ambiente de trabalho. Surgiram também denúncias de 
ambiente de trabalho “agressivo”. Todos esses fatos 
quase decretaram o fim do Uber.
SAIBA MAIS
13
UM OLHAR PARA O FUTURO
Você já refletiu sobre quais serão as tendências 
tecnológicas para os próximos anos? Alguns pon-
tos já estão claros, outros ainda dependem das 
políticas adotadas, em empresas como Google 
e tecnologias que ainda nem foram inventadas.
Se você analisar, atualmente, perceberá um forte 
foco no uso de dispositivos móveis conectados à 
internet. Dessa maneira, o mercado aponta para 
o uso de geolocalização, inteligência artificial, 
realidade virtual e o Big Data, para analisar o com-
portamento do usuário.
Figura 2: Big data Fonte.
Fonte: Image de pressfoto por Freepik.
Acesse o Podcast 2 em módulos
14
Qual a sua opinião sobre a privacidade de dados? A 
maioria das pessoas com quem converso, diz que não se 
preocupam com isso, pois não têm nada para esconder. O 
documentário indicado abaixo tem a resposta para essa 
pergunta e também apresenta questões relacionadas 
à privacidade dos dados e à liberdade de expressão na 
rede. Assista ao vídeo e reflita: Você deseja uma internet 
livre ou controlada?
Documentário: Sujeito a termos e condições (2013; 
1h20min.)
Disponível em: www.netflix.com/title/70279201. Acesso 
em: 23 fev. 2019.
SAIBA MAIS
15
http://www.netflix.com/title/70279201
A PRIVACIDADE E A 
POSSIBILIDADE DE 
SEGMENTAÇÃO
A humanidade está em um caminho sem volta para 
um futuro extremamente conveniente, com uma 
infinidade de gadgets interessantes e, em troca, 
oferece-se a privacidade e informações pessoais. 
Imagine que você dará suas informações e privaci-
dade para as grandes empresas criarem produtos 
e serviços mais significativos. Você aceitaria? De 
certa maneira, quando utilizamos o Google ou 
Facebook, por exemplo, já estamos aceitando 
essa regra, pois, qual o modelo de negócio dessas 
ferramentas? Você tem um serviço gratuito e não 
paga nada por isso. Por outro lado, você fornece 
seus dados e isso tem um grande valor.
Empresas têm se especializado na análise de dados 
da web e também das empresas. Uma análise de 
dados na web, por exemplo, é sintética, ela não é 
o mundo ou emula o mundo, mas analisa fenôme-
nos da humanidade e oferece os resultados para 
análise. A tecnologia vem para melhorar a eficiên-
cia no trabalho, dessa maneira, ferramentas que 
analisam dados buscam entender o ecossistema 
e oferecer o resultado de uma forma organizada 
para uma análise mais aprofundada por parte dos 
16
pesquisadores. Hoje é possível encontrar ferramen-
tas que oferecem informações tanto para o macro 
quanto para o micro ecossistema do planeta. Por 
exemplo, você pode segmentar uma campanha 
na Internet somente para consumidores da sua 
cidade ou mesmo o seu bairro, escolhendo quem 
visualizará os seus anúncios pela idade, formação 
acadêmica, perfil profissional, ou até mesmo pela 
cor do cabelo e marca do smartphone ou tablet.
É só observar o carro autônomo do Google que 
funciona sem motorista. Isso só é possível em 
função da grande quantidade de dados que estão 
disponíveis e podem ser cruzados; essa mudança 
tem relação ao fato que estamos cada vez mais 
rastreáveis. O nosso desejo em participar de (quase) 
todas as novidades que surgem no mundo digital 
dão a empresas como Google um imenso poder.
Esse poder está no fato de que, muitas vezes, as 
empresas de tecnologias têm tantos dados sobre 
você que acabam conhecendo-o melhor do que você 
mesmo. Os smartphones, por exemplo, já registram 
os lugares que você visitou durante determinado 
período de tempo e essa informação, certamente, 
não está disponível somente para você. As empresas 
criadoras desses sistemas operacionais também 
têm acesso. Isso possibilita uma segmentação 
cada vez maior do comportamento das pessoas.
17
Hoje, enormes quantidades de informações digi-
tais sobre pessoas e seus vários agrupamentos e 
conexões estão sendo produzidas pela revolução, 
na tecnologia de computadores, a transformação 
analógica para digital de registros e dispositivos 
estáticos em fontes de dados fáceis de acessar, 
a competição entre governos para compartilhar 
dados e executar experimentos de política aleató-
ria, a nova tecnologia aprimorou as formas pelas 
quais as pessoas interagem e as muitas entidades 
comerciais que criam e monetizam novas formasde coleta de dados. (KING, 2011, tradução nossa)
Afunilando mais a segmentação é que se chega ao 
behavioral targeting – ou segmentação comporta-
mental. Esse tipo de segmentação parte do princípio 
de que temos vários comportamentos durante o 
dia. Por exemplo, você pode ser um executivo, um 
esportista, pai, consumidor, tudo em um único dia. 
Ou seja, as pessoas não são de determinada forma, 
mas sim estão de determinada forma. A proposta 
desse tipo de segmentação pode ser utilizada para 
oferecer determinado produto ou serviço, no exato 
momento em que você estiver mais predisposto 
a adquiri-lo. Ou analisar a sua qualidade de vida 
e indicar melhores práticas para que você tenha 
uma saúde melhor.
Acesse o Podcast 3 em módulos
18
Ainda no exemplo acima, sobre venda, uma pessoa 
recebe milhares de anúncios por dia, mas nunca 
passa mais de cinco segundos olhando para 
qualquer desses anúncios, desse modo, é natural 
que o anunciante procure formas mais efetivas 
e inovadoras para se destacar nessa imensidão 
de informação. Ao analisar o comportamento do 
consumidor e entender qual é o melhor momento 
para oferecer determinado produto, um grande 
número de empresas utiliza a análise comporta-
mental como uma solução mais assertiva.
Os mundos virtuais que, por sua natureza, capturam 
um registro completo do comportamento individual, 
oferecem amplas oportunidades de pesquisa/ex-
perimentação que, de outra forma, seria impossível 
ou inaceitável. Da mesma forma, os sites de redes 
sociais oferecem uma oportunidade única para 
entender o impacto da posição de uma pessoa na 
rede em tudo, desde seus gostos até seu estado de 
espírito, enquanto o Processamento de Linguagem 
Natural oferece maior capacidade de organizar e 
analisar grandes quantidades de texto da Internet e 
outras fontes. (LAZER, et al., 2009, tradução nossa)
Atualmente, é possível acompanhar o compor-
tamento on-line de uma pessoa para determinar 
exatamente o que ela precisa, o que consome, 
como se comporta ou o que está interessada em 
19
adquirir. Isso é feito por meio do endereço de IP, 
análise dos dados disponíveis na web ou cookies, 
que reúnem informações, tais como palavras-chave 
que uma pessoa pesquisa em uma ferramenta de 
busca, as páginas que a pessoa e visitou e quanto 
tempo ela gasta em cada página. Essas informa-
ções são analisadas e cruzadas com tantas outras 
informações que disponibilizamos o tempo todo 
na rede.
De fato, parece que estamos no meio de uma colisão 
maciça entre aumentos sem precedentes na pro-
dução e disponibilidade de dados sobre indivíduos 
e os direitos de privacidade de seres humanos em 
todo o mundo, a maioria dos quais também são 
efetivamente sujeitos de pesquisa. (KING, 2011, 
tradução nossa).
Depois de uma empresa recolher dados durante 
um período prolongado de tempo, tornam-se evi-
dentes as tendências. Por exemplo, uma empresa 
pode perceber que as pessoas entre 20 e 30 anos 
de idade são mais propensas a comprar um deter-
minado produto do que seus colegas mais velhos.
Uma das possibilidades que o Data Science pode 
oferecer é a capacidade de cruzamento e segmen-
tação de dados para assuntos específicos e isso 
pode ser utilizado em diversas áreas, não só no 
20
comércio, como também na identificação de doen-
ças, tendências comportamentais ou ferramentas 
– como carros autônomos, citado anteriormente.
Acesse o Podcast 4 em módulos
Você conhece o Marco Civil da Internet? O professor 
Ronaldo Lemos foi o primeiro a citar a necessidade de 
um Marco Civil para a Internet e participou ativamente da 
criação desse documento. A discussão sobre o Marco 
Civil começa em 2007, sendo que aprovação do texto 
aconteceu apenas em 2014. 
Este e-book analisa a criação do Marco Civil e a sua apli-
cação. Para entender um pouco mais sobre a importância 
desse documento, leia o tópico “Uma questão preliminar: 
regular ou não regular?” que começa na página 14.
Disponível em: https://itsrio.org/wp-content/uploa-
ds/2017/02/marco_civil_construcao_aplicacao.pdf
Acesso em: 12 fev. 2019.
Imagine que, em um futuro próximo, você está em 
um bar e o Google Glass detecta, pela retina dos 
seus olhos, que você bebeu além da conta. Seria 
irresponsabilidade, além de ser ilegal, você pegar 
o carro e dirigir até sua casa, mas você não vai 
precisar fazer isso, pois o Google Car ou o carro 
SAIBA MAIS
21
https://itsrio.org/wp-content/uploads/2017/02/marco_civil_construcao_aplicacao.pdf
https://itsrio.org/wp-content/uploads/2017/02/marco_civil_construcao_aplicacao.pdf
do Uber o levará até a sua residência, sem que 
você precise dirigir.
Figura 3: A privacidade dos dados.
Fonte: Image de rawpixel.com por Freepik.
Essas novidades podem ser interessantes para a 
grande maioria das pessoas, mas para que o Google 
Glass e os carros autônomos possam identificar 
as suas necessidades e atendê-las, é necessário 
que você dê permissão para que essas ferramen-
tas possam analisar uma grande quantidade de 
dados sobre você. É claro que isso significa que 
você terá de abrir mão da sua privacidade, afinal, 
cada dispositivo interage de forma diferente com 
o usuário, monitorando as suas preferências e as 
armazenando tudo na nuvem. A capacidade de 
segmentação será incomparável ao que vemos 
22
hoje. E, acredite, os exemplos citados acima são 
apenas uma pequena ponta do iceberg.
Acesse o Podcast 5 em módulos
Como base nas informações desta unidade e olhando 
para os serviços gratuitos oferecidos na Internet, qual 
análise você faz da seguinte afirmação: “se você não 
está pagando por um produto, é sinal de que o produto 
é você.”
REFLITA
23
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Nesta unidade, você analisou como autores atuais 
apresentam leituras sobre o comportamento do 
consumidor e sua relação com as empresas.
Essa relação passa a não ser mais de um simples 
usuário, como também de um parceiro que suge-
re, critica, e pode (ou não) se engajar pela marca. 
Além de mudar a relação com os consumidores, 
as empresas também precisam ser transparentes 
em suas práticas e ações. Por exemplo, se a ban-
deira de uma empresa é a conservação do meio 
ambiente, essa prática deve aparecer no seu dia a 
dia, na relação com os funcionários e fornecedores. 
Discutimos também a questão da privacidade dos 
dados – tema que tem aparecido com frequência, 
nos últimos anos, sendo muito importante para 
quem trabalha com a Internet. O ponto principal, 
hoje, não é o fato de o usuário não deixar nenhum 
dado na Internet, mas sim como o usuário pode 
escolher o que se pode ou não fazer com seus 
dados pessoais na Internet.
Essa mudança na perspectiva de privacidade tem 
impactado os sites e anunciantes a serem mais 
claros sobre a captação e a exploração das infor-
mações dos usuários em diferentes websites.
24
O Brasil aprovou, em 2014, o Marco Civil da Internet, 
que define diretos e deveres dos usuários da rede 
mundial de computadores. Mais recentemente, em 
2018, a União Europeia aprovou o Regulamento 
Geral de Proteção de Dados (GPDR, na sigla em 
inglês), que define limites para a utilização de 
dados dos usuários.
Por ser um tema que afeta grandes empresas 
em todo o planeta, a discussão da privacidade 
de dados na Internet deve avançar nos próximos 
anos. Caso você trabalhe com Marketing Digital, 
é importante que acompanhe essa discussão e 
mantenha-se atualizado.
Entender rapidamente as mudanças na comunica-
ção on-line e no comportamento de consumo das 
pessoas fará de você um profissional diferenciado 
em um mercado tão competitivo.
25
Referências Bibliográficas 
& Consultadas
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Social Sciences. Science AAAS: Science. Volume 
331, 2011.
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contemporâneas. São Paulo: Saraiva, 2003.
LAZER, D. et al. Computacional SocialScience. 
Science AAAS: Science. Volume 323, 2009.
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SANTOS, M. A Natureza do Espaço: Técnica 
e Tempo, Razão e Emoção. 4. ed. São Paulo: 
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THOMPSON, J. B. A mídia e a modernidade: uma 
teoria social da mídia. 10 ed. Petrópolis: Vozes, 
2008. 
YANAZE, M. H. Gestão de Marketing e 
Comunicação: avanços e aplicações. São Paulo: 
Saraiva, 2011.
	Introdução
	Desenvolvimento
	Marketing 3.0
	Empresas diante os novos desafios da era digital
	Um olhar para o futuro
	A privacidade e a possibilidade de segmentação
	Considerações finais
	Referências Bibliográficas & Consultadas

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