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Marcio Araujo Oliveira MARKETING 3.0 E A ERA DIGITAL Sumário INTRODUÇÃO ������������������������������������������������� 3 DESENVOLVIMENTO �������������������������������������� 4 MARKETING 3�0 ��������������������������������������������� 7 EMPRESAS DIANTE OS NOVOS DESAFIOS DA ERA DIGITAL ������������������������������������������� 11 UM OLHAR PARA O FUTURO ����������������������� 14 A PRIVACIDADE E A POSSIBILIDADE DE SEGMENTAÇÃO ������������������������������������������� 16 CONSIDERAÇÕES FINAIS ���������������������������� 24 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS & CONSULTADAS �������������������������������������������� 26 2 INTRODUÇÃO Olá, estudante! Seja bem-vindo(a). Este módulo apresentará o conceito do Marketing Digital, tema fundamental para que você – e as empresas – entenda este momento da história, em que há uma mudança no perfil do consumidor. Também estudaremos questões relacionadas à privacidade dos dados. Nesse tema você verá: y A evolução do Marketing y Os desafios da nova era digital y Convergência digital Agora é com você! Leia o material e acesse as indicações de leituras e referências bibliográficas. É importante que você tenha disciplina em seus estudos e aproveite ao máximo todo o conteúdo disponibilizado. Bons estudos! 3 DESENVOLVIMENTO No livro Marketing 3�0, Kotler apresenta uma evo- lução do marketing na qual afirma que ele está muito mais relacionado aos valores, uma mistura de marketing colaborativo, cultural e espiritual. As pessoas não devem mais ser tratadas apenas como consumidoras, “os profissionais de marke- ting as tratam como seres humanos plenos: com mente, coração e espírito [...]. Buscam não apenas satisfação espiritual, nos produtos e serviços que escolhem”. (Kotler, et al., 2010, p. 4) Essa mudança no perfil do consumidor se dá, principalmente, com o surgimento das novas tecnologias de informação e comunicação. Ante- riormente, você aprendeu sobre o grande impacto que esses meios técnicos tiveram na percepção entre espaço e tempo, em diversos aspectos das vidas humanas. Conforme você percebeu, a cada nova invenção tecnológica, há uma mudança nas relações entre empresas e consumidores. Essas mudanças apareceram com muita intensidade com as tecnologias de comunicação e informa- ção surgidas nas últimas décadas. Como afirma Thompson: Todos os meios técnicos têm uma relação com os aspectos de espaço e de tempo da vida social, mas o desenvolvimento da tecnologia da tele- 4 comunicação, na segunda metade do século 19, foi particularmente significativo a este respeito. (THOMPSON, 2008, p.58) Pense em quantas tecnologias existem hoje e que não existiam há 20 anos. Hoje é possível, por exemplo, você trabalhar como profissional autô- nomo, oferecendo os seus serviços ou até mesmo os seus bens, em plataformas com alcance global. Você pode produzir e distribuir conteúdo, vender qualquer objeto ou, até mesmo, alugar o seu carro ou a sua casa para que outra pessoa utilize-os temporariamente. Tudo isso de forma rápida e fácil, utilizando plataformas de economia compartilhada. Figura 1: Aplicativo do UBER é uma das plataformas da economia compartilhada. Fonte: Freepik. 5 Quer entender mais sobre plataformas como o Uber, Airbnb, Ebay, entre outras? Leia o livro Economia Com- partilhada – como pessoas e plataformas da Peers Inc. estão reinventando o capitalismo. Robin Chase é cofundadora da Zipcar. Ela conta no livro como foi a sua trajetória à frente da empresa e faz uma leitura dos desafios de empreender nos dias atuais. Essas mudanças no acesso a novos aparatos tecnológicos criaram diferentes cenários de rela- cionamento econômico e cultural, influenciam a maneira como você vê e entende o mundo. Essas mudanças exigem também de empresas, que co- meçam a mudar a sua maneira de se relacionar com os consumidores. SAIBA MAIS 6 MARKETING 3.0 Para Kotler, “a nova onda de tecnologia é formada por três grandes forças: computadores e celulares baratos, Internet de baixo custo e fonte aberta. A tecnologia permite que os indivíduos se expressem e colaborem entre si”. (Kotler, et al., 2010, p.7) Se você analisar textos de diferentes autores que fazem uma leitura dos dias atuais, em muitos mo- mentos, existe uma interessante conversação entre as ideias apresentadas; porém, em outros momentos, há um distanciamento conceitual entre diferentes autores, que tentam explicar o atual momento da história. Um ponto interessante de intercessão é como as empresas (e também os governos) preci- sam evidenciar as ações de maneira horizontal, não vertical. “Para ter sucesso, as empresas precisam entender que os consumidores apreciam cada vez mais a cocriação, a ‘comunização’ e o desenvolvi- mento da personalidade da marca”. (KOTLER, et al., 2010). Algo muito próximo do que Maffesoli chama de “lei dos irmãos e horizontalidade”. Porém, Maffesoli apresenta uma visão crítica: É a convocada horizontalidade pós-moderna (a lei dos irmãos ou imanação) maximizada pela evolução tecnológica que substitui a verticalidade moderna (a lei do pai). Os sentidos se fazem e são experen- ciados no momento presente, e através de uma 7 maximização do sensorial, do presente, das relações sociais, tudo passa a ter sentido. É o momento do Google, Facebook, Twitter, Wikipedia, YouTube. É o momento da viralidade nos meios de comunicação social virtual. Aliás, a metáfora do vírus revela um contraponto interessante à assepsia e sanidade obstinadamente galgadas na modernidade, como nos indica Maffesoli (ibid.). Na net, se propaga a figura do fractal, do fragmentado, do barroco, e os jovens passam a buscar a realização através do on- -line na vivência de pequenas utopias intersticiais. (PEREIRA, 2013, p.2) Ou seja, Maffesoli lembra que existe uma dicoto- mia entre a modernidade com seu monoteísmo de valores versus a pós-modernidade pagã, barroca e difusa, mostrando que o cenário atual é complexo e cheio de desafios. Mas, será que a Cocriação – “termo criado por C. K. Prahalad para descrever a nova abordagem à inovação” (Kotler, et al., 2010, p. 37) e sugerido por Kotler – juntamente com a Comunização podem ser caminhos viáveis para as empresas em tempos de tanta incerteza merca- dológica? Outra questão importante: será que as empresas estão abertas para entender e aceitar as reais necessidades de todos os usuários? [...] a participação popular requer a existência de canais de participação aberto e desobstruídos. 8 Porém não basta a abertura de canais, há que se incentivar e facilitar a participação ampliada da população por meio de uma metodologia que a favo- reça enquanto um processo que vai crescendo em qualidade participativa. A qualidade participativa diz respeito ao nível (do mais elementar ou avançado) em que se concretiza a participação, mas, também à maneira como ela é conduzida; se é autônoma e compartilha do poder decisório ou se é controlada e manipulada por lideranças ou pelo poder público, se for o caso. (PERUZZO, 2010, p.237) É importante lembrar que, durante o século 20, o capital físico sempre necessitou de grandes investimentos na infraestrutura das corporações e, de certa maneira, esses investimentos orienta- vam as estratégias das empresas. Em economias geridas pelo Estado, esse investimento orientava a produção em função dos objetivos da burocracia estatal. Nos dois casos, o processo de colaboração, de liberdade individual em opinar, era diminuído em função dos interesses e da complexidade dos requerimentos de capital de produção. Porém, atualmente, podemos citar diversos exemplos colaborativos e participativos que estão surgindo com o advento das novas tecnologias. O software livre – que tem como grande exemplo o sistema operacional Linux – ou mesmo a Wikipédia, uma 9 biblioteca colaborativa que pode ser encarada como concorrente da Enciclopédia Britânica (Oliverio, 2012, p.39). Fica, então, uma questão: o que leva milhares de pessoasa se dedicar à produção de algo em função de uma marca, como sugere Kotler? Acesse o Podcast 1 em módulos 10 EMPRESAS DIANTE OS NOVOS DESAFIOS DA ERA DIGITAL As empresas precisam ser transparentes com relação às suas ações – tanto interna como ex- ternamente –, além de entender e respeitar as diferenças econômicas, sociais, religiosas, polí- ticas e educacionais dos mais diversos públicos. Yanaze afirma que “em suas relações com todos os públicos, a empresa deve esforçar-se por criar o que denominamos de fatos comunicáveis, ou seja, ações ou realizações que sejam merecedoras de menção e de referencia”. (YANAZE, 2011, p. 334) Uma atitude que não esteja alinhada com os valores da empresa estragará toda a história. Os consumi- dores detectam facilmente quando uma missão de marca não é autêntica. E os empregados detectam com facilidade ainda maior falsos valores nas prá- ticas da empresa. (KOTLER, p.31) Dessa maneira, é importante acrescentar a afir- mação de Kunsch: No composto da comunicação organizacional inte- grada, a comunicação institucional é a responsável direta, por meio da gestão estratégica das relações públicas, pela construção e formatação de uma imagem e identidade corporativas fortes e positivas de uma organização. (KUNSCH, 2003, p. 164) 11 Esse composto está diretamente relacionado aos inputs, throughputs e outputs, como pode ser ob- servado na obra de Yanaze (2011, p. 54-55): – Input é aquilo que se coloca dentro da empresa, como os recursos financeiros, os recursos huma- nos e os recursos materiais, além de informações, tecnologia e know-how. – Throughput é o que se produz por intermédio de, ou por meio de, que podem ser os processos, os sistemas e as políticas da empresa, além da cultura organizacional, do clima empresarial e da logística. – Output é o que sai, o resultado de todo o pro- cesso, ou seja, o que pode ser visto como os 4 Ps do marketing: produtos (que podem ser bens ou serviços), preço (ou remuneração), distribuição (ou vendas) e, finalmente, a comunicação. Dessa maneira, a importância do alinhamento das ações de uma empresa está relacionada ao fato de que, cada vez mais, os consumidores e também os empregados estão analisando se realmente determinada empresa apresenta em suas práticas os valores que propaga. Alguns empregados ignoram seus valores corpora- tivos ou os veem como algo que foi desenvolvido apenas para relações públicas. Alguns empregados, que realmente seguem esses valores, decepcionam- 12 -se porque outros os ignoram. Nesses casos, as empresas não estão praticando o Marketing 3�0� No Marketing 3�0, as empresas precisam convencer tanto os clientes quanto os empregados a levar a sério seus valores”. (KOTLER, et al., 2010, p.81) Outro ponto é a transparência das práticas da empresa. Não adianta uma empresa se declarar como defensora do meio ambiente se não adota nenhuma ação efetiva para isso, ou se as ações adotadas são simplesmente para passar uma imagem de defensora do meio ambiente. Em 2017, a empresa Uber enfrentou uma tremenda crise em todo o mundo. Em janeiro, durante uma greve de taxistas, o Uber foi acusado de tentar lucrar com a greve. Isso gerou uma campanha contra a empresa, na qual a hashtag #deleteuber apareceu em diversas redes sociais. Em fevereiro, surgiu na web um vídeo em que Travis Kalanick – fundador e CEO da empresa – discute com um motorista sobre a diminuição do repasse aos afiliados. Após o boicote e o surgimento do vídeo, uma ex- -funcionária publicou um texto na internet acusando a empresa de ser conivente com assédio e sexismo no ambiente de trabalho. Surgiram também denúncias de ambiente de trabalho “agressivo”. Todos esses fatos quase decretaram o fim do Uber. SAIBA MAIS 13 UM OLHAR PARA O FUTURO Você já refletiu sobre quais serão as tendências tecnológicas para os próximos anos? Alguns pon- tos já estão claros, outros ainda dependem das políticas adotadas, em empresas como Google e tecnologias que ainda nem foram inventadas. Se você analisar, atualmente, perceberá um forte foco no uso de dispositivos móveis conectados à internet. Dessa maneira, o mercado aponta para o uso de geolocalização, inteligência artificial, realidade virtual e o Big Data, para analisar o com- portamento do usuário. Figura 2: Big data Fonte. Fonte: Image de pressfoto por Freepik. Acesse o Podcast 2 em módulos 14 Qual a sua opinião sobre a privacidade de dados? A maioria das pessoas com quem converso, diz que não se preocupam com isso, pois não têm nada para esconder. O documentário indicado abaixo tem a resposta para essa pergunta e também apresenta questões relacionadas à privacidade dos dados e à liberdade de expressão na rede. Assista ao vídeo e reflita: Você deseja uma internet livre ou controlada? Documentário: Sujeito a termos e condições (2013; 1h20min.) Disponível em: www.netflix.com/title/70279201. Acesso em: 23 fev. 2019. SAIBA MAIS 15 http://www.netflix.com/title/70279201 A PRIVACIDADE E A POSSIBILIDADE DE SEGMENTAÇÃO A humanidade está em um caminho sem volta para um futuro extremamente conveniente, com uma infinidade de gadgets interessantes e, em troca, oferece-se a privacidade e informações pessoais. Imagine que você dará suas informações e privaci- dade para as grandes empresas criarem produtos e serviços mais significativos. Você aceitaria? De certa maneira, quando utilizamos o Google ou Facebook, por exemplo, já estamos aceitando essa regra, pois, qual o modelo de negócio dessas ferramentas? Você tem um serviço gratuito e não paga nada por isso. Por outro lado, você fornece seus dados e isso tem um grande valor. Empresas têm se especializado na análise de dados da web e também das empresas. Uma análise de dados na web, por exemplo, é sintética, ela não é o mundo ou emula o mundo, mas analisa fenôme- nos da humanidade e oferece os resultados para análise. A tecnologia vem para melhorar a eficiên- cia no trabalho, dessa maneira, ferramentas que analisam dados buscam entender o ecossistema e oferecer o resultado de uma forma organizada para uma análise mais aprofundada por parte dos 16 pesquisadores. Hoje é possível encontrar ferramen- tas que oferecem informações tanto para o macro quanto para o micro ecossistema do planeta. Por exemplo, você pode segmentar uma campanha na Internet somente para consumidores da sua cidade ou mesmo o seu bairro, escolhendo quem visualizará os seus anúncios pela idade, formação acadêmica, perfil profissional, ou até mesmo pela cor do cabelo e marca do smartphone ou tablet. É só observar o carro autônomo do Google que funciona sem motorista. Isso só é possível em função da grande quantidade de dados que estão disponíveis e podem ser cruzados; essa mudança tem relação ao fato que estamos cada vez mais rastreáveis. O nosso desejo em participar de (quase) todas as novidades que surgem no mundo digital dão a empresas como Google um imenso poder. Esse poder está no fato de que, muitas vezes, as empresas de tecnologias têm tantos dados sobre você que acabam conhecendo-o melhor do que você mesmo. Os smartphones, por exemplo, já registram os lugares que você visitou durante determinado período de tempo e essa informação, certamente, não está disponível somente para você. As empresas criadoras desses sistemas operacionais também têm acesso. Isso possibilita uma segmentação cada vez maior do comportamento das pessoas. 17 Hoje, enormes quantidades de informações digi- tais sobre pessoas e seus vários agrupamentos e conexões estão sendo produzidas pela revolução, na tecnologia de computadores, a transformação analógica para digital de registros e dispositivos estáticos em fontes de dados fáceis de acessar, a competição entre governos para compartilhar dados e executar experimentos de política aleató- ria, a nova tecnologia aprimorou as formas pelas quais as pessoas interagem e as muitas entidades comerciais que criam e monetizam novas formasde coleta de dados. (KING, 2011, tradução nossa) Afunilando mais a segmentação é que se chega ao behavioral targeting – ou segmentação comporta- mental. Esse tipo de segmentação parte do princípio de que temos vários comportamentos durante o dia. Por exemplo, você pode ser um executivo, um esportista, pai, consumidor, tudo em um único dia. Ou seja, as pessoas não são de determinada forma, mas sim estão de determinada forma. A proposta desse tipo de segmentação pode ser utilizada para oferecer determinado produto ou serviço, no exato momento em que você estiver mais predisposto a adquiri-lo. Ou analisar a sua qualidade de vida e indicar melhores práticas para que você tenha uma saúde melhor. Acesse o Podcast 3 em módulos 18 Ainda no exemplo acima, sobre venda, uma pessoa recebe milhares de anúncios por dia, mas nunca passa mais de cinco segundos olhando para qualquer desses anúncios, desse modo, é natural que o anunciante procure formas mais efetivas e inovadoras para se destacar nessa imensidão de informação. Ao analisar o comportamento do consumidor e entender qual é o melhor momento para oferecer determinado produto, um grande número de empresas utiliza a análise comporta- mental como uma solução mais assertiva. Os mundos virtuais que, por sua natureza, capturam um registro completo do comportamento individual, oferecem amplas oportunidades de pesquisa/ex- perimentação que, de outra forma, seria impossível ou inaceitável. Da mesma forma, os sites de redes sociais oferecem uma oportunidade única para entender o impacto da posição de uma pessoa na rede em tudo, desde seus gostos até seu estado de espírito, enquanto o Processamento de Linguagem Natural oferece maior capacidade de organizar e analisar grandes quantidades de texto da Internet e outras fontes. (LAZER, et al., 2009, tradução nossa) Atualmente, é possível acompanhar o compor- tamento on-line de uma pessoa para determinar exatamente o que ela precisa, o que consome, como se comporta ou o que está interessada em 19 adquirir. Isso é feito por meio do endereço de IP, análise dos dados disponíveis na web ou cookies, que reúnem informações, tais como palavras-chave que uma pessoa pesquisa em uma ferramenta de busca, as páginas que a pessoa e visitou e quanto tempo ela gasta em cada página. Essas informa- ções são analisadas e cruzadas com tantas outras informações que disponibilizamos o tempo todo na rede. De fato, parece que estamos no meio de uma colisão maciça entre aumentos sem precedentes na pro- dução e disponibilidade de dados sobre indivíduos e os direitos de privacidade de seres humanos em todo o mundo, a maioria dos quais também são efetivamente sujeitos de pesquisa. (KING, 2011, tradução nossa). Depois de uma empresa recolher dados durante um período prolongado de tempo, tornam-se evi- dentes as tendências. Por exemplo, uma empresa pode perceber que as pessoas entre 20 e 30 anos de idade são mais propensas a comprar um deter- minado produto do que seus colegas mais velhos. Uma das possibilidades que o Data Science pode oferecer é a capacidade de cruzamento e segmen- tação de dados para assuntos específicos e isso pode ser utilizado em diversas áreas, não só no 20 comércio, como também na identificação de doen- ças, tendências comportamentais ou ferramentas – como carros autônomos, citado anteriormente. Acesse o Podcast 4 em módulos Você conhece o Marco Civil da Internet? O professor Ronaldo Lemos foi o primeiro a citar a necessidade de um Marco Civil para a Internet e participou ativamente da criação desse documento. A discussão sobre o Marco Civil começa em 2007, sendo que aprovação do texto aconteceu apenas em 2014. Este e-book analisa a criação do Marco Civil e a sua apli- cação. Para entender um pouco mais sobre a importância desse documento, leia o tópico “Uma questão preliminar: regular ou não regular?” que começa na página 14. Disponível em: https://itsrio.org/wp-content/uploa- ds/2017/02/marco_civil_construcao_aplicacao.pdf Acesso em: 12 fev. 2019. Imagine que, em um futuro próximo, você está em um bar e o Google Glass detecta, pela retina dos seus olhos, que você bebeu além da conta. Seria irresponsabilidade, além de ser ilegal, você pegar o carro e dirigir até sua casa, mas você não vai precisar fazer isso, pois o Google Car ou o carro SAIBA MAIS 21 https://itsrio.org/wp-content/uploads/2017/02/marco_civil_construcao_aplicacao.pdf https://itsrio.org/wp-content/uploads/2017/02/marco_civil_construcao_aplicacao.pdf do Uber o levará até a sua residência, sem que você precise dirigir. Figura 3: A privacidade dos dados. Fonte: Image de rawpixel.com por Freepik. Essas novidades podem ser interessantes para a grande maioria das pessoas, mas para que o Google Glass e os carros autônomos possam identificar as suas necessidades e atendê-las, é necessário que você dê permissão para que essas ferramen- tas possam analisar uma grande quantidade de dados sobre você. É claro que isso significa que você terá de abrir mão da sua privacidade, afinal, cada dispositivo interage de forma diferente com o usuário, monitorando as suas preferências e as armazenando tudo na nuvem. A capacidade de segmentação será incomparável ao que vemos 22 hoje. E, acredite, os exemplos citados acima são apenas uma pequena ponta do iceberg. Acesse o Podcast 5 em módulos Como base nas informações desta unidade e olhando para os serviços gratuitos oferecidos na Internet, qual análise você faz da seguinte afirmação: “se você não está pagando por um produto, é sinal de que o produto é você.” REFLITA 23 CONSIDERAÇÕES FINAIS Nesta unidade, você analisou como autores atuais apresentam leituras sobre o comportamento do consumidor e sua relação com as empresas. Essa relação passa a não ser mais de um simples usuário, como também de um parceiro que suge- re, critica, e pode (ou não) se engajar pela marca. Além de mudar a relação com os consumidores, as empresas também precisam ser transparentes em suas práticas e ações. Por exemplo, se a ban- deira de uma empresa é a conservação do meio ambiente, essa prática deve aparecer no seu dia a dia, na relação com os funcionários e fornecedores. Discutimos também a questão da privacidade dos dados – tema que tem aparecido com frequência, nos últimos anos, sendo muito importante para quem trabalha com a Internet. O ponto principal, hoje, não é o fato de o usuário não deixar nenhum dado na Internet, mas sim como o usuário pode escolher o que se pode ou não fazer com seus dados pessoais na Internet. Essa mudança na perspectiva de privacidade tem impactado os sites e anunciantes a serem mais claros sobre a captação e a exploração das infor- mações dos usuários em diferentes websites. 24 O Brasil aprovou, em 2014, o Marco Civil da Internet, que define diretos e deveres dos usuários da rede mundial de computadores. Mais recentemente, em 2018, a União Europeia aprovou o Regulamento Geral de Proteção de Dados (GPDR, na sigla em inglês), que define limites para a utilização de dados dos usuários. Por ser um tema que afeta grandes empresas em todo o planeta, a discussão da privacidade de dados na Internet deve avançar nos próximos anos. Caso você trabalhe com Marketing Digital, é importante que acompanhe essa discussão e mantenha-se atualizado. Entender rapidamente as mudanças na comunica- ção on-line e no comportamento de consumo das pessoas fará de você um profissional diferenciado em um mercado tão competitivo. 25 Referências Bibliográficas & Consultadas KING, G. Ensuring the Data-Rich Future of the Social Sciences. Science AAAS: Science. Volume 331, 2011. KOTLER, P.; K., H.; S., I. Marketing 3.0 - As forças que estão definindo o novo marketing centrado no ser humano. Elsevier Editora, 2010. KUNSCH, M. M. K. O. Relações públicas: histórias, teorias e estratégias nas organizações contemporâneas. São Paulo: Saraiva, 2003. LAZER, D. et al. Computacional SocialScience. Science AAAS: Science. Volume 323, 2009. LEMOS, A. O Imaginário da Cibercultura. 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Introdução Desenvolvimento Marketing 3.0 Empresas diante os novos desafios da era digital Um olhar para o futuro A privacidade e a possibilidade de segmentação Considerações finais Referências Bibliográficas & Consultadas