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Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal PRÁTICA FORENSE PENAL Wilian Sapito Jr AULA 02 - PRISÃO PREVENTIVA: 1. Conceito: O que é a Prisão Preventiva? Trata-se de modalidade de prisão processual decretada exclusivamente por juiz competente quando presentes os pressupostos e as hipóteses previstas em lei (Arts. 312 e 313, ambos do CPP). Possui natureza cautelar, uma vez que visa a tutela da sociedade, da investigação criminal e garantir a aplicação da pena. Por se tratar de medida cautelar, pressupõe a coexistência do fumus bonis iuris (ou fumus comissi delicti) e do periculum in mora (ou periculum libertatis). Pense na Prisão Preventiva como uma medida de emergência dentro do processo. Ela não serve para punir antecipadamente, mas sim como um instrumento cautelar, decretado por um juiz, para proteger o processo e a sociedade. Sua natureza é de urgência, visando garantir que a investigação ocorra sem interferências e que uma futura pena possa ser aplicada. Para que essa "medida de emergência" seja acionada, precisamos da coexistência de dois elementos essenciais do latim jurídico: Fumus Comissi Delicti: A "fumaça da prática do crime". Não é preciso ter a certeza de uma condenação, mas sim indícios fortes de autoria e a prova de que o crime existiu (materialidade). Periculum Libertatis: O "perigo que a liberdade do acusado representa". Não basta a suspeita do crime; é preciso demonstrar que, se o indivíduo continuar Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal solto, ele representa um risco concreto à ordem pública, à investigação ou à aplicação da lei. Como repercute na esfera da liberdade do acusado, que constitui direito e garantia fundamental do cidadão, a possibilidade de decretação da prisão preventiva encontra embasamento também no artigo 5º, especificamente no inciso LXI, da Constituição Federal/88, que permite a prisão provisória, antes do trânsito em julgado da sentença condenatória, desde que precedida de ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. PARA REMEMORAR: A própria Constituição Federal, em seu artigo 5º, inciso LXI, autoriza essa prisão excepcional, mas com uma regra de ouro: só pode ocorrer por ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente. ATENÇÃO SAPITINHOS E SAPITINHAS! Guardem isso: "ordem escrita e fundamentada". Sem uma decisão judicial que explique detalhadamente o porquê da prisão, ela é ilegal. Acabou o tempo do "prende e depois vê o que faz". Desta forma, somente é possível decretar a prisão preventiva por “ordem escrita e fundamentada da autoridade judiciária competente”. Como o mandado de prisão é cumprido? O artigo 283, § 2º, do CPP diz que a prisão pode ocorrer a qualquer hora. Mas calma! A inviolabilidade do domicílio (Art. 5º, XI, CF/88) impõe limites: • Durante o dia: A polícia pode entrar na casa para cumprir o mandado, mesmo sem consentimento do morador. • Durante a noite: A polícia NÃO PODE invadir a casa. Ela pode cercar o local e aguardar o amanhecer para efetuar a prisão. A única exceção é se o Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal morador consentir com a entrada. Se a polícia invadir à noite sem permissão, a prisão se torna ilegal e deverá ser relaxada. OBS: O critério cronológico leva em consideração um aproximado de horários em que o sol nasce e se põe, predominantemente fixado pela doutrina das 6h às 18h, buscando solidez em sua definição. Então, nessa faixa de horário (6h às 18h) temos o dia. Entre as 18h e 6h do dia seguinte, temos o conceito de noite. 1.2 Legitimação: Quem pode pedir a Prisão Preventiva? Com a mudança trazida pelo Pacote Anticrime (Lei nº 13.964/2019), uma regra ficou absolutamente clara: O JUIZ NÃO PODE MAIS DECRETAR A PRISÃO PREVENTIVA DE OFÍCIO (POR CONTA PRÓPRIA). Ele precisa ser provocado. • Durante a Investigação Policial: Requerimento do Ministério Público. Representação da Autoridade Policial (Delegado). • Durante a Ação Penal: Requerimento do Ministério Público. Requerimento do Querelante (no caso de ação penal privada). Requerimento do Assistente de Acusação. Se um juiz decretar a prisão sem um desses pedidos formais, a prisão é ilegal, cabendo o seu relaxamento imediato. 1.3 Pressupostos: Os Pilares Obrigatórios da Preventiva (Art. 312 do CPP): Para que a prisão seja válida, ela precisa estar apoiada em dois pilares. Se faltar um deles, a estrutura desmorona. Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal 1.3.1. Fumus Comissi Delicti (A Fumaça do Crime) Este é o pilar da suspeita qualificada. O juiz precisa verificar se existem: • Prova da materialidade do crime: Há provas de que um crime de fato ocorreu? (Ex: o corpo da vítima, o laudo de arrombamento). • Indício suficiente de autoria: Há elementos que ligam o suspeito ao crime? (Ex: reconhecimento por testemunhas, imagens de câmeras). Ponto importante: O artigo 312 fala em "crime". Logo, não cabe prisão preventiva para contravenções penais. 1.3.2. Periculum Libertatis (O Perigo da Liberdade) Este é o pilar do risco concreto. Além da prova da materialidade e indícios suficientes de autoria, afigura-se necessária a presença de perigo decorrente do estado de liberdade do acusado, conforme passou a constar expressamente na parte final do artigo 312 do CPP, a partir da nova redação dada pela Lei n. 13.964/2019. Além disso, a decisão que decretar a prisão preventiva deve ser motivada e fundamentada em receio de perigo e existência concreta de fatos novos ou contemporâneos que justifiquem a aplicação da medida adotada (CPP, art. 312, § 2º). Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal Trata-se da consolidação na lei da orientação jurisprudencial no sentido da impossibilidade de decretação da prisão preventiva com base na gravidade em abstrato do delito. Portanto, não se afigura possível ao Magistrado fundamentar decisão de decreto da prisão preventiva com base na gravidade em abstrato do delito, bem como em relação a fatos pretéritos, que não estão presentes, portanto, no momento da decisão. Assim, não constitui, por exemplo, fundamentação idônea decretar prisão preventiva do réu por eventual ameaça proferida um ano antes da decisão. Não basta a suspeita, é preciso demonstrar que a liberdade do réu gera um perigo real, enquadrado em uma das seguintes hipóteses: a) Garantia da ordem pública: • O que é? Evitar que o agente, solto, continue a cometer crimes (risco de reiteração criminosa) ou que sua liberdade cause uma grave intranquilidade social devido à sua periculosidade, demonstrada pelo modus operandi (a forma como o crime foi cometido). • Exemplo Prático: Um indivíduo é acusado de cometer uma série de assaltos com extrema violência, aterrorizando um bairro inteiro. Sua prisão se justifica para cessar a onda de crimes e devolver a paz à comunidade. • Cuidado: A gravidade "em abstrato" do crime (ex: "todo homicídio é grave") ou o clamor da mídia não são, por si sós, fundamentos válidos. O juiz deve apontar elementos do caso concreto: “A gravidade em abstrato do crime não autoriza a prisão preventiva. O juiz deve analisar a gravidade de acordo com as circunstâncias do caso concreto. Se não fosse assim, todo crime de homicídio ou de roubo, por serem abstratamente graves, autorizariam a prisão preventiva compulsória”.Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal b) Conveniência da instrução criminal: O que é? Proteger a coleta de provas. A prisão é decretada para impedir que o réu ameace testemunhas, destrua documentos ou combine versões com comparsas. É empregada quando houver risco efetivo para a instrução criminal e não meras suspeitas ou presunções. Ou seja, simples receio ou medo da vítima ou testemunha em relação ao acusado, não autoriza o decreto da prisão preventiva. • Exemplo Prático: O réu envia uma mensagem a uma testemunha- chave dizendo: "É melhor você não se lembrar de nada no seu depoimento". Isso é um ato concreto que atrapalha a busca pela verdade e justifica a prisão. • Não cabe prisão preventiva com fundamento na conveniência da instrução criminal quando se pretende interrogar ou compelir o acusado a participar de algum ato probatório (acareação, reconstituição ou reconhecimento), sobretudo pela violação ao direito ao silêncio. • Atenção: Uma vez encerrada a fase de instrução (coleta de provas), este motivo deixa de existir. Se a prisão foi decretada apenas por isso, ela deve ser revogada. c) Garantia da aplicação da lei penal: • O que é? Simples e direto: impedir a fuga do réu para que ele não escape de uma eventual condenação. • Exemplo Prático: O acusado, após o crime, vende seu carro, sua casa, e é flagrado tentando obter um passaporte falso para viajar para um país sem acordo de extradição. Há atos concretos que demonstram a intenção de fugir. Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal • Todavia, o risco de fuga não pode ser presumido. Tem de estar fundado em circunstâncias concretas. Logo, não havendo nenhum elemento concreto, mas mera suspeita de fuga, não há motivo suficiente para o decreto da prisão preventiva. ATENÇÃO SAPITINHOS E SAPITINHAS: Mera suspeita de fuga não autoriza a preventiva! Não ter residência fixa ou emprego, por si só, não significa que a pessoa vai fugir. d) Garantia da ordem econômica: O que é? Visa impedir que criminosos de "colarinho branco" continuem a praticar desfalques e fraudes que causem enormes prejuízos ao sistema financeiro e à sociedade. Nesse caso, busca-se, com a decretação da prisão preventiva, impedir que o agente, causador de seríssimo abalo à situação econômico-financeira de uma instituição financeira ou mesmo de órgão do Estado, permaneça em liberdade, demonstrando à sociedade a impunidade reinante nessa área. • Exemplo Prático: O diretor de uma instituição financeira que, mesmo sob investigação, continua a desviar milhões através de empresas de fachada. e) Descumprimento de obrigações impostas por força de outras medidas cautelares: • O que é? A prisão é a ultima ratio (o último recurso). Antes dela, o juiz pode aplicar medidas mais brandas (art. 319 do CPP), como tornozeleira eletrônica ou proibição de contato com a vítima. Se o réu descumpre essas medidas, ele "esgota a confiança" do juízo, que pode então decretar a preventiva. • Exemplo Prático: O juiz determinou que o réu não podia frequentar bares. Ele é flagrado em um bar. O juiz pode, em vez de prender, adicionar outra Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal medida (ex: recolhimento noturno). Se ele descumprir novamente, a prisão preventiva se torna uma opção concreta. 1.4. Condições de Admissibilidade (Art. 313 do CPP): O Segundo Filtro Não se mostra suficiente a presença de um dos fundamentos da prisão preventiva, devendo, além disso, ser decretada somente em determinadas espécies de infração penal ou sob certas circunstâncias. Trata-se das condições de admissibilidade previstas no artigo 313 do Código de Processo Penal. Ou seja, mesmo que os pilares do art. 312 estejam presentes, a preventiva só será "admitida" se o caso passar por mais este filtro. A lei restringe seu cabimento a certas situações: a) Nos crimes dolosos punidos com pena privativa de liberdade máxima superior a 4 (quatro) anos: • A lógica: Se a pena máxima é de até 4 anos, o réu, se condenado, provavelmente iniciaria o cumprimento em regime aberto ou teria a pena substituída por restritiva de direitos. Seria um contrassenso mantê-lo preso preventivamente se, ao final, ele não ficaria em regime fechado. São inúmeros os crimes que, em razão deste inciso, não comportam prisão preventiva, tais como furto simples (Art. 155 do CP), apropriação indébita (Art. 168 do CP), receptação simples (Art. 180 do CP), descaminho (Art. 334 do CP), dentre outros. Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal No caso de concurso material de crimes, somam-se as penas para fins de prisão preventiva. Nos casos de concurso formal de crimes e crime continuado, considera-se a causa de aumento no máximo e a de diminuição no mínimo. Em qualquer caso, se a pena máxima for superior a 04 anos, poderá, em tese, ser decretada a prisão preventiva. Tratando-se de causas de aumento de pena e de diminuição da pena, deve-se considerar a quantidade que mais aumente ou que menos diminua, respectivamente, a fim de se chegar à pena máxima cominada ao delito. • Exemplo 01 (Furto Noturno): O furto simples (pena máx. 4 anos) não admite preventiva. Mas se for praticado à noite (causa de aumento de 1/3), a pena máxima sobe para 5 anos e 4 meses, ultrapassando o limite e, portanto, admitindo a preventiva. • Exemplo 02 (Tentativa de Estelionato): O estelionato tem pena máxima de 5 anos. Na tentativa, a pena é reduzida (de 1/3 a 2/3). Se aplicarmos a menor redução (1/3), a pena máxima cai para 3 anos e 4 meses. Neste caso, a pena ficou abaixo do limite, não admitindo a preventiva por este inciso. b) Se o réu for reincidente em crime doloso: • A lógica: A lei é mais rigorosa com quem já foi condenado definitivamente por um crime doloso e volta a delinquir. • Exemplo: Um agente já condenado por roubo (crime doloso) agora pratica um furto simples (pena máx. 4 anos). Embora o furto simples não se encaixe na regra da letra "a", a preventiva se torna possível porque ele é reincidente em crime doloso. Convém ressaltar que, se for reincidente, mas não em crime doloso (registra contra si sentença condenatória transitada em julgado por crime culposo Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal e depois pratica crime doloso), somente será possível decretar a prisão preventiva se a pena máxima cominada ao delito superar 04 (quatro) anos, se previsto um dos fundamentos do artigo 312 do Código de Processo Penal. c) Se o crime envolver violência doméstica e familiar (contra a mulher, criança, idoso, enfermo ou pessoa com deficiência), para garantir a execução das medidas protetivas de urgência. Além das medidas protetivas previstas na Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), a nova redação do artigo 313 do Código de Processo Penal incluiu os casos de violência doméstica, não só em relação à mulher, mas à criança, adolescente, idoso, enfermo ou qualquer pessoa com deficiência. Essas medidas protetivas estão previstas no artigo 22 da Lei nº 11.340/2006 (Lei Maria da Penha), artigos 43 a 45, todos do Estatuto do Idoso (Lei nº 10.741/2003), e artigos 98 a 101, todos do ECA (Lei nº 8069/90). Convém registrar que, neste caso, a prisão preventiva será decretada apenas para garantir a execução das medidas protetivas de urgência, indicando, assim, a necessidade de imposição anterior das cautelares protetivasde urgência. • A lógica: Proteger vítimas em situação de vulnerabilidade é uma prioridade máxima. • Exemplo: Em um caso de ameaça (pena máx. de 6 meses) no contexto da Lei Maria da Penha, a preventiva não caberia pelos outros incisos. Contudo, se o agressor descumpre uma medida protetiva de afastamento, o juiz pode decretar sua prisão para garantir a segurança da vítima, com base neste inciso. Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal 1.5. Fundamentação (Art. 315 do CPP): O "Dever de Casa" do Juiz A Lei 13.964/2019, decorrente do chamado Pacote Anticrime, alterou substancialmente o artigo 315 do CPP. Em consonância ao disposto no art. 5º, LXI, e art. 93, IX, ambos da Constituição Federal, segundo os quais toda decisão deve ser fundamentada, o legislador ordinário incluiu parâmetros para balizar o decreto da prisão preventiva. Após reforçar a necessidade da contemporaneidade dos fatos que justificam a prisão, o artigo 315 do CPP elenca um rol exemplificativo de decisão que não será considerada devidamente fundamentada, e, portanto, nula, nos termos do artigo 564, V, do CPP. O Pacote Anticrime foi muito claro aqui. Não basta decidir, é preciso explicar muito bem. Uma decisão que decreta a prisão preventiva não se considera fundamentada (e, portanto, é nula) se o juiz: • I – Limitar-se a citar a lei: Dizer apenas "decreto a prisão com base no art. 312 do CPP" é o mesmo que não dizer nada. É preciso conectar a lei ao fato. • II – Usar conceitos vagos: Expressões como "alta periculosidade do agente" ou "clamor social" precisam ser justificadas com elementos concretos do processo. • III – Usar motivos genéricos: Argumentos que serviriam para qualquer outro caso do mesmo crime (ex: "o tráfico de drogas abala a sociedade"). A fundamentação deve ser sobre aquele réu específico. • IV – Não enfrentar todos os argumentos da defesa: Se o advogado alegou que o réu tem emprego e residência fixa, o juiz precisa dizer por que, mesmo com isso, a prisão ainda é necessária. Avenida Joaquim Nabuco, nº. 1270 – Bairro: Centro, CEP 69020-030. Fone: (92) 3212-5082. CURSO DE DIREITO Prática Forense Penal • V – Limitar-se a citar uma súmula ou jurisprudência: É preciso mostrar que o caso em julgamento é, de fato, igual ao precedente invocado. • VI – Deixar de seguir jurisprudência invocada pela parte sem explicar o porquê: Se a defesa cita uma decisão do STJ que se aplica ao caso, o juiz não pode simplesmente ignorá-la. ATENÇÃO SAPITINHOS E SAPITINHAS: Uma decisão com esses vícios é nula (Art. 564, V, do CPP), tornando a prisão ilegal, devendo ser relaxada! 1.6. A Revisão Nonagesimal: Introduzida pelo Pacote Anticrime (Lei 13.964/2019), a revisão nonagesimal, prevista no parágrafo único do artigo 316 do Código de Processo Penal, impõe ao órgão emissor da decisão o dever de reavaliar a necessidade da manutenção da prisão preventiva a cada 90 dias, mediante decisão fundamentada, sob pena de tornar a prisão ilegal. Essa medida funciona como um mecanismo de controle contra a prolongação excessiva da custódia cautelar, forçando o magistrado a verificar periodicamente se os motivos originais da prisão e seus fundamentos ainda persistem de forma concreta e contemporânea. ATENÇÃO SAPITINHOS E SAPITINHAS: É crucial notar que, segundo o entendimento consolidado do Supremo Tribunal Federal, o mero esgotamento do prazo de 90 dias não acarreta a revogação automática da prisão, mas sim o direito do acusado de ter sua situação reanalisada imediatamente pelo juízo competente.