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[ECA] 05 Procedimentos específicos, Competência, Sentença e Recursos

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Procedimento judiciais no ECA
Audiência de apresentação e remissão
- Haverá a oitiva do adolescente e dos pais ou responsáveis.
- Nesta audiência é possível a concessão da remissão judicial pelo juiz, cumulada ou não com medida. O MP não precisa concordar, porém deve ser ouvido previamente, sob pena de nulidade.
§ 1º Se a autoridade judiciária entender adequada a remissão, ouvirá o representante do Ministério Público, proferindo decisão.
Inf. STF – Remissão e Necessidade de Oitiva do Ministério Público
É imprescindível a manifestação do Ministério Público para a concessão, pelo magistrado, de remissão extintiva em procedimento judicial de apuração de ato infracional. Com base nessa orientação, a Turma indeferiu habeas corpus no qual se sustentava a possibilidade de outorga desse benefício ao paciente sem a prévia oitiva do parquet. Asseverou-se que tal ausência implicaria nulidade do ato, conforme preceituam os artigos 186, § 1º, e 204, do ECA (“Art. 186. Comparecendo o adolescente, seus pais ou responsável, a autoridade judiciária procederá à oitiva dos mesmos, podendo solicitar opinião de profissional qualificado. § 1º Se a autoridade judiciária entender adequada a remissão, ouvirá o representante do Ministério Público, proferindo decisão. ... Art. 204. A falta de intervenção do Ministério Público acarreta a nulidade do feito, que será declarada de ofício pelo juiz ou a requerimento de qualquer interessado”).
HC 96659/MG, rel. Min. Gilmar Mendes, 28.9.2010. (HC-96659)
- Esta remissão judicial pode importar na extinção ou suspensão do processo. 
- Haverá extinção quando:
1. não for cumulada com medida socioeducativa não restritiva de liberdade ou 
2. quando a medida cumulada não necessitar de acompanhamento (recurso cabível será a apelação). 
- Haverá suspensão quando for cumulada com medida socioeducativa que necessite de acompanhamento, ou seja, que não se esgote em si mesma (recurso cabível será agravo). Neste caso haverá suspensão do processo durante cumprimento da medida.
- Em caso de suspensão por remissão, se a medida não for cumprida o processo retoma seu andamento, podendo ser aplicada medida socioeducativa, inclusive de internação, por sentença.
Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para:
II - conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo;
- Mas cuidado que compete ao MP conceder a remissão como forma de exclusão do processo. Mas a remissão concedida pelo MP é forma de EXCLUSÃO do processo e só é possível ANTES DE INICIADO O PROCEDIMENTO JUDICIAL...
Art. 126. Antes de iniciado o procedimento judicial para apuração de ato infracional, o representante do Ministério Público poderá conceder a remissão, como forma de exclusão do processo, atendendo às circunstâncias e conseqüências do fato, ao contexto social, bem como à personalidade do adolescente e sua maior ou menor participação no ato infracional.
Parágrafo único. Iniciado o procedimento, a concessão da remissão pela autoridade judiciária importará na suspensão ou extinção do processo.
Art. 201. Compete ao Ministério Público:
I - conceder a remissão como forma de exclusão do processo;
	Memorize!!!
- MP → conceder a remissão como forma de EXCLUSÃO do processo - Antes de iniciado o procedimento judicial.
- Juiz → conceder a remissão como forma de SUSPENSÃO ou EXTINÇÃO do processo - Iniciado o procedimento judicial.
- Remissão pelo MP (EXCLUSÃO) Não tem "processo". Seria uma espécie de Transação Penal (art. 77 da lei 9099/95).
- Remissão pelo Juiz (EX(T)INÇÃO) (T)em processo. Seria uma espécie de SUSPENSÃO condicional do processo (art. 89 da Lei 9099/95) que posteriormente, se cumpridas as condições, leva à extinção do feito. Mas é possível a remissão com a extinção de imediato do processo.
- Se na audiência o adolescente confessa ato infracional grave nos termos do artigo 122 ECA, não é possível, de logo, a aplicação da medida de internação (súmula 342 do STJ).
Súmula 342 STJ – No procedimento para aplicação de medida sócio-educativa, é nula a desistência de outras provas em face da confissão do adolescente.
- Somente pode ser aplicada medida não restritiva de liberdade na audiência se for cumulada com remissão (não haverá medida privativa de liberdade), caso contrario se faz necessária a audiência em continuação na qual haverá produção de provas.
- Recebida a representação o juiz designará a audiência de apresentação do adolescente (184 a 186 do ECA).
- Tanto o adolescente como seus pais e responsáveis serão citados para comparecer a essa audiência e na falta de pais ou responsáveis o juiz poderá nomear curador para acompanhar adolescente em audiência. Se for acompanhado por defensor técnico (defensor público, p ex) supre a falta dos pais e do curador, pois neste caso o defensor técnico cumpre as funções de defensor e curador.
- Se o menor não for localizado para esta audiência, será suspenso o processo, expedindo o mandado de busca e apreensão do adolescente e a audiência só será realizada quando o menor for localizado.
- Se o adolescente estiver internado provisoriamente o juiz requisita sua apresentação em juízo.
- Na audiência o juiz:
Ouve o adolescente e seus pais ou responsáveis;
Solicita, se necessário, parecer da equipe técnica;
Se cabível, pode conceder a remissão ouvindo o MP;
- A vítima não pode habilitar assistente de acusação no ECA (STJ REsp 1044203).
STJ RESP 1044203 - ATO INFRACIONAL. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ASSISTENTE DE ACUSAÇÃO. INTERPOSIÇÃO DE RECURSO. IMPOSSIBILIDADE. AUSÊNCIA DE PREVISÃO LEGAL. APLICAÇÃO DAS REGRAS DO CÓDIGO DE PROCESSO CIVIL. PRECEDENTE DO STJ. RECURSO ESPECIAL DESPROVIDO.
1. A Lei 8.069/90, em seu art. 198 (capítulo referente aos recursos), prevê a aplicação subsidiária das regras do Código de Processo Civil, motivo pelo qual não cabe estender a aplicação dos arts. 268 a 273 do Código de Processo Penal, que trata da figura do assistente da acusação, ao procedimento contido no ECA.
2. "Considerando o caráter de lei especial do Estatuto da Criança e do Adolescente, na qual não há qualquer referência à figura do assistente da acusação, ele é parte ilegítima para interpor recurso de apelação, por falta de previsão legal" (REsp 605.025/MG, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ de 21/11/05).
3. Recurso especial desprovido.
- Sumula 342 do STJ: Na audiência, se o adolescente confessar o ato a defesa não pode desistir do procedimento e da produção de provas, para observar o contraditório e a ampla defesa (a defesa não pode dispor do direito de defesa. A defesa técnica é um direito irrenunciável).
- Se o adolescente confessa o ato infracional não se aplicará a atenuante da confissão espontânea no ECA (STF HC 102158).
STJ HC 102158 - HABEAS CORPUS. ESTATUTO DA CRIANÇA E DO ADOLESCENTE. ATOS INFRACIONAIS EQUIPARADOS AOS DELITOS DE HOMICÍDIO QUALIFICADO E HOMICÍDIO QUALIFICADO TENTADO. SEMILIBERDADE. CONFISSÃO ESPONTÂNEA. ART. 65, INCISO III, DO CP. INAPLICABILIDADE.
A atenuante da confissão espontânea prevista no art. 65, inciso III, alínea d, do Código Penal, não é aplicável às medidas sócio-educativas previstas no Estatuto da Criança e do Adolescente, porquanto não guardam qualquer correlação lógica. Ordem denegada.
- Se nesta audiência não for concedida a remissão, o juiz marcará uma audiência em continuação (uma audiência de instrução e julgamento).
- Antes da audiência em continuação será aberto o prazo para defesa prévia no prazo de 03 dias contados na audiência de apresentação (arrolando as testemunhas).
Audiência em continuação (de instrução e julgamento)
- Serão ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa (nesta ordem). A inversão na ordem ocorrerá nulidade relativa.
- Haverá debates de 20 minutos para cada parte, prorrogáveis por mais 10 a critério do juiz.
- Depois haverá a sentença.
Obs: Nenhum adolescente poderá ser processado sem defesa técnica. Apesar do artigo 186, §2º do ECA dispor que o juiz só é obrigado a nomear defensor para adolescente sem advogado se o ato infracional que praticou estiver sujeito a internaçãoou regime de semi-liberdade, o artigo 207 do ECA c/c 111, III, diz que nenhum adolescente pode ser processado sem defensor.
Audiência em continuação
- Na audiência de apresentação o juiz pode entender que é possível a aplicação de medida, porém, como não pode ser aplicada de logo, designará a audiência em continuação.
§ 2º Sendo o fato grave, passível de aplicação de medida de internação ou colocação em regime de semi-liberdade, a autoridade judiciária, verificando que o adolescente não possui advogado constituído, nomeará defensor, designando, desde logo, audiência em continuação, podendo determinar a realização de diligências e estudo do caso.
- Haverá 3 dias para defesa prévia no qual arrola as testemunhas e, só após, haverá a audiência em continuação.
§ 3º O advogado constituído ou o defensor nomeado, no prazo de três dias contado da audiência de apresentação, oferecerá defesa prévia e rol de testemunhas.
- Na audiência em continuação haverá a apresentação do relatório do caso e haverá a colheita da prova.
- Não há previsão no ECA sobre a forma como que se ouve as testemunhas, aplicando-se o CPP. Haverá os debates e depois dos debates a sentença.
§ 4º Na audiência em continuação, ouvidas as testemunhas arroladas na representação e na defesa prévia, cumpridas as diligências e juntado o relatório da equipe interprofissional, será dada a palavra ao representante do Ministério Público e ao defensor, sucessivamente, pelo tempo de vinte minutos para cada um, prorrogável por mais dez, a critério da autoridade judiciária, que em seguida proferirá decisão.
Sentença
- Comprovada a autoria e materialidade a representação será julgada procedente.
Art. 189. A autoridade judiciária não aplicará qualquer medida, desde que reconheça na sentença:
I - estar provada a inexistência do fato;
II - não haver prova da existência do fato;
III - não constituir o fato ato infracional;
IV - não existir prova de ter o adolescente concorrido para o ato infracional.
- Depois da verificação da autoria e materialidade o magistrado passa a apurar qual a medida socioeducativa é necessária para suprir o deficit socioeducativo existente. Nesta ocasião optará por medida em meio aberto ou restritiva de liberdade.
- O defensor sempre deverá ser intimado destas decisões e o adolescente deve ser pessoalmente intimado nos casos de medidas restritivas de liberdade, ou seja, medidas restritivas de liberdade o defensor e o adolescente deverão ser intimados e medidas não restritivas somente o defensor será intimado. O prazo para recurso conta da última intimação e prevalecerá o interesse de quem deseje recorrer.
Art. 190. A intimação da sentença que aplicar medida de internação ou regime de semi-liberdade será feita:
I - ao adolescente e ao seu defensor;
II - quando não for encontrado o adolescente, a seus pais ou responsável, sem prejuízo do defensor.
§ 1º Sendo outra a medida aplicada, a intimação far-se-á unicamente na pessoa do defensor.
- Na fase judicial se faz necessária a presença de advogado em todo o procedimento.
- Na audiência de apresentação deve ser garantido ao adolescente prévia entrevista com o seu defensor.
- Se o advogado não comparecer em juízo para audiência, o ato não deixa de ser realizado, havendo nomeação de defensor ad hoc.
Fase interna com o MP Representação Audiência de apresentação Defesa prévia (3 dias contados da apresentação) Audiência em continuação Sentença
- A sentença pode ser de improcedência da representação (equivalente a sentença absolutória) disposta no artigo 189, I a IV do ECA.
- Pode ser uma sentença de procedência da representação (equivalente a uma sentença condenatória), podendo o juiz aplicar medida sócio-educativas do ECA mais as protetivas. Podem ser aplicadas cumulativamente estas medidas no caso de concurso de infrações (STJ HC 99565).
STJ HC 99565 – HABEAS CORPUS. ECA. REPRESENTAÇÃO PELA PRÁTICA DE ATOS INFRACIONAIS EQUIPARADOS AOS DELITOS DE USO E TRÁFICO DE ENTORPECENTES, RECEPTAÇÃO SIMPLES, RECEPTAÇÃO QUALIFICADA E TENTATIVA DE ROUBO DUPLAMENTE QUALIFICADO. IMPOSIÇÃO DE 4 MEDIDAS SOCIOEDUCATIVAS DE INTERNAÇÃO. INADMISSIBILIDADE DO PLEITO DE UNIFICAÇÃO. PRECEDENTES DO STJ. PARECER DO MPF PELA DENEGAÇÃO DA ORDEM. ORDEM DENEGADA.
1. A pretensão de unificação das medidas socioeducativas impostas, como decorrência da pratica de diversos atos infracionais, é contrária aos arts. 99 e 113 do ECA, que autorizam a aplicação de medidas cumulativamente.
2. O entendimento deste STJ firmou-se no sentido de que o prazo de 3 anos previsto no art. 121, § 3o. da Lei 8.069/90 é contado separadamente para cada medida socioeducativa de internação aplicada por fatos distintos (RHC 12.187/RS, Rel. Min. FELIX FISCHER, DJU 04.03.02).
3. Parecer do MPF pela denegação da ordem.
4. Ordem denegada.
Competência
- Competência:
a) territorial – art. 147
b) em razão da matéria – art. 148
c) administrativa – art. 149
Do juiz 
Do Juiz
Art. 146. A autoridade a que se refere esta Lei é o Juiz da Infância e da Juventude, ou o juiz que exerce essa função, na forma da lei de organização judiciária local.
Competência territorial
- A regra para o julgamento dos processos que envolvem menor de 18 anos é o domicílio dos pais ou responsáveis ou onde se encontrar o menor se não tiver pais ou responsáveis.
- Entretanto, o juiz competente para julgar menor pela prática de ato infracional é do local do cometimento do ato infracional. Esta mesma regra se aplica ao CT.
- A execução das medidas poderá ser delegada à autoridade competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde sediar-se a entidade que abrigar a criança ou adolescente.
- A competência do art. 147 é denominada de Princípio do juízo imediato.
Art. 147. A competência será determinada:
I - pelo domicílio dos pais ou responsável;
II - pelo lugar onde se encontre a criança ou adolescente, à falta dos pais ou responsável.
§ 1º. Nos casos de ato infracional, será competente a autoridade do lugar da ação ou omissão, observadas as regras de conexão, continência e prevenção.
§ 2º A execução das medidas poderá ser delegada à autoridade competente da residência dos pais ou responsável, ou do local onde sediar-se a entidade que abrigar a criança ou adolescente.
§ 3º Em caso de infração cometida através de transmissão simultânea de rádio ou televisão, que atinja mais de uma comarca, será competente, para aplicação da penalidade, a autoridade judiciária do local da sede estadual da emissora ou rede, tendo a sentença eficácia para todas as transmissoras ou retransmissoras do respectivo estado.
	Atenção!!!
- Se no curso de um processo os pais ou responsáveis se mudam, mesmo já havendo a contestação é possível o deslocamento do processo para o juízo do novo domicílio dos pais ou responsáveis, desde que haja o superior interesse da criança. STJ
Competência em razão da matéria
Competência absoluta do juiz da infância e juventude
- O art. 148 são de competência absoluta do juiz da infância e da juventude.
- Nas alíneas do art. 148 são de competência exclusiva do juízo da vara da infância, mas o parágrafo único há competências relativas (cuidado).
Art. 148. A Justiça da Infância e da Juventude é competente para:
I - conhecer de representações promovidas pelo Ministério Público, para apuração de ato infracional atribuído a adolescente, aplicando as medidas cabíveis;
II - conceder a remissão, como forma de suspensão ou extinção do processo;
III - conhecer de pedidos de adoção e seus incidentes;
IV - conhecer de ações civis fundadas em interesses individuais, difusos ou coletivos afetos à criança e ao adolescente, observado o disposto no art. 209;
V - conhecer de ações decorrentes de irregularidades em entidades de atendimento, aplicando as medidas cabíveis;
VI - aplicar penalidades administrativas nos casos de infrações contra norma de proteção à criança ou adolescente;
VII - conhecer de casos encaminhados pelo Conselho Tutelar, aplicando as medidas cabíveis.
	Atenção!!!
- Para apurar ato infracional não importa se o ato infracional é equiparadoa um delito federal se é de competência do júri, ato infracional vai para o juiz da infância e da juventude. Não vai para o juiz federal nem para o tribunal do júri.
- Para as ações civis públicas tem que observar o art. 109 da CF, ou seja, mesmo que tenha menor é possível que o processo tramite na justiça federal e do trabalho.
	Cuidado!!!
- Adoção de criança e adolescente → juízo da infância e juventude (nacional ou internacional).
- Adoção de adulto → vara de família.
- Pessoas de 18 a 21 anos aplica-se o ECA excepcionalmente:
a)	adoção se o adotando quando adolescente já estava sob a guarda ou tutela do adotante, essa ação de adoção tramitará no juízo da infância e juventude, mesmo já sendo maior de 18 anos.
b)	apurar infrações administrativas
	Atenção!!!
- Os crimes contra o menor não são julgados pelo juízo da infância e juventude, mas alguns estados, através de lei estadual, preveem essa competência, ou seja, ampliam a competência o juízo da infância e juventude. Isso é admitido pelo STF e STJ.
Competência relativa do juiz da infância e juventude
- O § único do art. 148 só é utilizado nas situações do art. 98 do ECA.
- Situações de risco do menor (art. 98)
Art. 98. As medidas de proteção à criança e ao adolescente são aplicáveis sempre que os direitos reconhecidos nesta Lei forem ameaçados ou violados:
I - por ação ou omissão da sociedade ou do Estado;
II - por falta, omissão ou abuso dos pais ou responsável;
III - em razão de sua conduta.
- Portanto, o art. 148 em regra é do juiz comum, entretanto, se estiverem presente uma das situações do art. 98 acima (situações de risco), as situações do art. 148 serão da competência do juízo da infância e juventude.
Art. 148, Parágrafo único. Quando se tratar de criança ou adolescente nas hipóteses do art. 98, é também competente a Justiça da Infância e da Juventude para o fim de:
a) conhecer de pedidos de guarda e tutela;
b) conhecer de ações de destituição do pátrio poder poder familiar, perda ou modificação da tutela ou guarda; (Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
c) suprir a capacidade ou o consentimento para o casamento;
d) conhecer de pedidos baseados em discordância paterna ou materna, em relação ao exercício do pátrio poder poder familiar;(Expressão substituída pela Lei nº 12.010, de 2009) Vigência
e) conceder a emancipação, nos termos da lei civil, quando faltarem os pais;
f) designar curador especial em casos de apresentação de queixa ou representação, ou de outros procedimentos judiciais ou extrajudiciais em que haja interesses de criança ou adolescente;
g) conhecer de ações de alimentos;
h) determinar o cancelamento, a retificação e o suprimento dos registros de nascimento e óbito.
Ex.: Ação de alimento, emancipação, guarda se processa na vara de família, mas se existir uma situação de risco como abuso por um dos pais, a competência será do juízo da infância e juventude.
- Cuidado que adoção é sempre do juízo da infância e da juventude, independe de situação de risco.
Competência administrativa
- O art. 149 tem também outras competências do juízo da infância e juventude que é expedir portarias e baixar alvarás.
- O inciso I do art. 149 a criança participa, mesmo que sem o pai ou responsável.
- O inciso II do art. 149, não basta a autorização do pai, tem que ter uma portaria ou autorização por meio de alvará judicial para que a criança participe.
Art. 149. Compete à autoridade judiciária disciplinar, através de portaria, ou autorizar, mediante alvará:
I - a entrada e permanência de criança ou adolescente, desacompanhado dos pais ou responsável, em:
a) estádio, ginásio e campo desportivo;
b) bailes ou promoções dançantes;
c) boate ou congêneres;
d) casa que explore comercialmente diversões eletrônicas;
e) estúdios cinematográficos, de teatro, rádio e televisão.
II - a participação de criança e adolescente em:
a) espetáculos públicos e seus ensaios (e programa televisivo)
b) certames de beleza.
§ 1º Para os fins do disposto neste artigo, a autoridade judiciária levará em conta, dentre outros fatores:
a) os princípios desta Lei;
b) as peculiaridades locais;
c) a existência de instalações adequadas;
d) o tipo de freqüência habitual ao local;
e) a adequação do ambiente a eventual participação ou freqüência de crianças e adolescentes;
f) a natureza do espetáculo.
§ 2º As medidas adotadas na conformidade deste artigo deverão ser fundamentadas, caso a caso, vedadas as determinações de caráter geral.
- Baixar portaria → A portaria disciplina a entrada e permanência de crianças e adolescentes – art. 149, I e alíneas. disciplinar determinadas situações. 
Ex.: ingresso de criança em estádio de futebol.
- Expedir alvará → O alvará autoriza a criança ou adolescente a participar de algum evento – art. 149, II. É voltado para uma criança ou adolescente específico 
Ex.: autoriza a participação em determinado evento. Participar de uma gravação de novela é necessário um alvará específico.
- A portaria que impõe o toque de recolher para crianças e adolescentes foi declarada inconstitucional pelo STJ.
Normas gerais sobre o rito das ações na vara da infância
1ª Aplicação subsidiária da lei processual.
2ª Prioridade absoluta na tramitação, atendendo o princípio da prioridade absoluta.
3ª Eventuais multas aplicadas serão revertidas ao conselho municipal dos direitos da criança e do adolescente nos termos do artigo 154 ECA.
4ª A retirada da criança e do adolescente de sua família exige procedimento contencioso com a observância do devido processo legal.
Procedimentos específicos
Perda e suspensão do poder familiar
- Prazo de resposta: 10 dias (e não de 15 dias).
- O réu poderá requerer a nomeação de advogado diretamente em cartório (no prazo de resposta).
- Não incide o efeito material da revelia (artigo 161, §1º do ECA).
- Este procedimento tem prazo máximo de 120 dias de duração.
Obs: Em ação para destituição do poder familiar promovida pelo MP não é obrigatória a intervenção da defensoria como curadora do menor, pois já há um órgão de proteção deste no caso, que é o MP.
Inf. STJ – DESTITUIÇÃO DO PODER FAMILIAR. AÇÃO AJUIZADA PELO MP. DEFENSORIA PÚBLICA. INTERVENÇÃO.
A Turma firmou entendimento de que é desnecessária a intervenção da Defensoria Pública como curadora especial do menor na ação de destituição de poder familiar ajuizada pelo Ministério Público. Na espécie, considerou-se inexistir prejuízo aos menores apto a justificar a nomeação de curador especial. Segundo se observou, a proteção dos direitos da criança e do adolescente é uma das funções institucionais do MP, consoante previsto nos arts. 201 a 205 do ECA. Cabe ao referido órgão promover e acompanhar o procedimento de destituição do poder familiar, atuando o representante do Parquet como autor, na qualidade de substituto processual, sem prejuízo do seu papel como fiscal da lei. Dessa forma, promovida a ação no exclusivo interesse do menor, é despicienda a participação de outro órgão para defender exatamente o mesmo interesse pelo qual zela o autor da ação. Destacou-se, ademais, que não há sequer respaldo legal para a nomeação de curador especial no rito prescrito pelo ECA para ação de destituição. De outra parte, asseverou-se que, nos termos do disposto no art. 9º do CPC, na mesma linha do parágrafo único do art. 142 do ECA, as hipóteses taxativas de nomeação de curador especial ao incapaz só seriam possíveis se ele não tivesse representante legal ou se colidentes seus interesses com os daquele, o que não se verifica no caso dos autos. Sustentou-se, ainda, que a natureza jurídica do curador especial não é a de substituto processual, mas a de legitimado excepcionalmente para atuar na defesa daqueles a quem é chamado a representar. Observou-se, por fim, que a pretendida intervenção causaria o retardamento do feito, prejudicando os menores, justamente aqueles a quem se pretende proteger. Precedente citado: Ag 1.369.745-RJ, DJe 13/12/2011. REsp 1.176.512-RJ, Rel. Min. Maria Isabel Gallotti, julgado em 1º/3/2012.
Procedimento de destituição de tutela- Trata-se de um procedimento de remoção de tutores/curadores do CPC.
Colocação em família substituta
- Havendo necessidade de destituição do poder familiar será possível a cumulação de pedidos.
- Conforme o STF não é possível pedido implícito de destituição (cumulação própria sucessiva).
- Eventualmente poderá haver procedimento de jurisdição voluntária. Neste caso o pedido pode ser formulado diretamente em cartório, sendo desnecessária a atuação de advogado.
- O consentimento dos pais para colocação em família substituta deve ser ratificado em juízo após a devida orientação da equipe técnica.
- Prazo de resposta também será de 10 dias, aplicando-se as regras previstas para perda de poder familiar.
Apuração de irregularidades em entidade de atendimento
- O procedimento pode ser iniciado:
Por portaria da autoridade judiciária.
Por representação do MP ou Conselho Tutelar.
- Prazo de resposta em 10 dias.
Obs: Questiona-se se depende de advogado para oferecer resposta.
- Antes de aplicar eventual pena ou medida, pode, o juiz, fixar prazo para remoção das irregularidades. Se sanada julga-se extinta o processo. Em caso negativo aplica-se a penalidade administrativa.
- As penalidades estão previstas no artigo 97 do ECA.
Obs: Há penas diversas para entidades governamentais e não governamentais.
Procedimento para apuração de infração administrativa
- Pode iniciar por:
Representação do Conselho Tutelar ou do MP.
Auto de infração lavrado por servidor efetivo ou voluntário credenciado.
- As infrações administrativas se encontram tipificadas no artigo 145 e ss. e geralmente decorrem da inobservância de um dever.
- Prazo de resposta de 10 dias a contar:
Da cientificação da lavratura do auto de infração.
Da data da intimação quando por oficial de justiça ou por correio.
Tratando-se de edital, 30 dias após a publicação.
Habilitação de pretendentes à adoção
- Inserida pela L. 12010/09.
Procedimento para habilitação Inscrição no cadastro Procedimento de adoção
- Este procedimento é relacionado à adoção nacional (não englobando a internacional). Na adoção internacional a habilitação se faz perante às autoridades centrais de adoção.
Art. 197-A.  Os postulantes à adoção, domiciliados no Brasil, apresentarão petição inicial na qual conste:
- Não há necessidade de advogado na ocasião.
- Quando houver requerimento por mais de uma pessoa deverá haver união entre ambas.
- Deve apresentar certidão de antecedentes. Nesta ocasião o crime que impede a adoção deve com ela se correlacionar.
- A existência de processos cíveis pendentes não é óbice à habilitação da adoção, salvo quando se relaciona com a destituição de poder familiar ou equivalente.
Observações
- O STJ entendeu que a competência para ações do ECA é do local onde o menor se encontre, ou seja, o local onde houver maior possibilidade de contato com o menor.
Inf. STJ – CC. ECA.
A competência territorial nas ações que envolvam medidas protetivas e discussão sobre o poder familiar é do juízo do domicílio dos pais ou responsáveis ou, ainda, do lugar onde se encontre a criança ou adolescente quando da falta dos seus responsáveis (art. 147 do ECA). Na interpretação do dispositivo citado, deve-se considerar o interesse do menor associado ao princípio do juízo imediato, segundo o qual se prefere o juízo que tem maior possibilidade de interação com a criança e seus responsáveis. No caso, a genitora autorizou que a menor morasse provisoriamente em outro estado-membro a pedido da avó paterna. Após a morte da avó, a criança voltou a residir com sua genitora. Nesse contexto, o juízo competente não é o da comarca onde a criança vivia com a avó, mas sim o da comarca onde mãe e filha residem. CC 117.135-RS, Rel. Min. Raul Araújo, julgado em 14/3/2012.
Recursos
Generalidades
- Aplica-se a legislação processual civil com as adaptações do ECA.
- É possível a interposição de todos os recursos previstos do CPC.
- Há isenção de preparo recursal, salvo para pessoas jurídicas (STJ).
- Aplica-se ao ECA o sistema recursal do CPC (art. 198 ECA).
- O STJ pacificou o entendimento que se aplica o prazo em dobro para o MP recorrer (não é unânime na doutrina, pois para alguns violaria a igualdade processual do art. 111, II do ECA).
- A apelação no ECA, em regra, só tem efeito devolutivo, podendo o juiz conferir efeito suspensivo sempre que houver perigo de dano ou de difícil reparação (198, VI do ECA). A sentença pode ser aplicada desde logo, diferentemente do CPP que entende que embora não tenham efeito suspensivo, a sentença não pode ser executada antes do julgamento do recurso, pois ainda não haveria trânsito em julgado (STJ RHC 21380/RS).
STJ RHC 21380 - RECURSO ORDINÁRIO EM HABEAS CORPUS. ATO INFRACIONAL INFRACIONAL EQUIPARADO AO DELITO DE ATENTADO VIOLENTO AO PUDOR. APLICAÇÃO DE MEDIDA SOCIOEDUCATIVA DE INTERNAÇÃO, POR PRAZO INDETERMINADO. RECURSO DE APELAÇÃO RECEBIDO SEM EFEITO SUSPENSIVO. REGRA PREVISTA NO ART. 198, VI, DO ECA. POSSIBILIDADE. CONSTRANGIMENTO ILEGAL NÃO-CONFIGURADO. PRECEDENTES. RECURSO IMPROVIDO.
1. A jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça é no sentido de que "o recurso de apelação terá, em regra, efeito devolutivo, podendo, entretanto, ser atribuído efeito suspensivo em casos excepcionais, quando houver perigo de dano irreparável ou de difícil reparação" (RHC 20.530/SP, Rel. Min. GILSON DIPP, Quinta Turma, DJ de 2/3/07).
2. O Estatuto da Criança e do Adolescente não exige o trânsito em julgado da sentença para que se inicie o cumprimento da medida socioeducativa aplicada, conforme preceitua a primeira parte do inciso VI do art. 198 do ECA.
3. Para que o magistrado aplique a exceção prevista na segunda parte do referido dispositivo legal, a defesa deve apresentar os motivos pelos quais o cumprimento da medida imposta ao menor causará perigo de dano irreparável ou de difícil reparação. Dessa forma, não havendo nenhuma justificativa para o recebimento da apelação no efeito suspensivo, deve-se aplicar a regra.
4. Recurso improvido.
- É cabível habeas corpus e revisão criminal em favor do menor, pois não são recursos, sendo ações autônomas de impugnação.
Prazos
- Prazo para recursos 10 dias, salvo os embargos de declaração (5 dias).
- Este prazo não se aplica a ACP para defesa de interesses difusos de criança e adolescente.
Efeitos da apelação
- Antes da L. 12.010/09: A apelação era recebida somente em seu efeito devolutivo, salvo na adoção internacional e, a critério do juiz, para evitar dano grave.
- Após a L. 12.010/09: Como o ECA não trata da matéria aplica-se a regra do CPC, de modo que os recursos passaram a ter efeito devolutivo e suspensivo, salvo existindo previsão específica como ocorre nos artigos 199-A e 199-B do ECA.
- Mitigações doutrinárias ao efeito suspensivo:
a)	Princípio da intervenção precoce: A intervenção dos adolescentes tem que ser rápida não pode esperar o julgamento do recurso.
b)	Princípio do superior interesse do menor: Não condiz com o que o adolescente queira, mas o que de fato será melhor, p ex, aplicação de medida de internação.
- Na apelação é admitido juízo de retratação.

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