Prévia do material em texto
HIPERLIPIDEM IA Anorexia Letargia Oligodipsia Hipoglicemia Incoordenação Fraqueza Cólica intermitente Diminuição da motilidade intestinal Diminuição da produção de fezes Diarreia(fases finais) Pirexia Taquipneia Icterícia Membranas mucosas congestas e edema subcutâneo ventral Tipo de hiperlipidemia Concentração sérica de triglicerídeos(mg/dL) Lipemia macroscópica Infiltração de gordura em órgãos Doença clínica Raças afetadas Hipertrigliceridemia >100 Não Não Não Todas Hiperlipidemia <500 Não Não Não Todas Hipertrigliceridemia severa >500 Não Raro Raro Cavalos de raças de grande porte Hiperlipemia >500 Sim Sim Sim Predisposição: pôneis(destaque a raça Shetland), cavalos miniaturas e asininos. Raro: cavalos de raças de grande porte CARACTERÍSTICAS DOS TIPOS DE HIPERLIPIDEMIAS DESCRITAS EM CAVALOS triglicerídeos proteínas, carboidratos e colesterol metabolizado ou convertido glicose lipoproteínas ácidos graxos acetato lipoproteínas de baixa densidade (LDL) lipoproteína lipase (LPL) ácidos graxos livres(AGL) balanço energético negativo Mackenzie(2011) relatou que a causa aparente mais comum que contribui para anormalidades no metabolismo energético em equídeos é a resistência à insulina. Em animais com algum ou todos os fatores de risco (infecção crônica, parasitose ou neoplasia, ou qualquer evento estressante, como transporte ou desmame), o desenvolvimento de um balanço energético negativo induz uma mobilização inadequada e excessiva das reservas de gordura periférica. O estresse aumenta a liberação de catecolaminas e de cortisol, o qual inibe a secreção e as ações da insulina, mas promove o catabolismo e a mobilização de substrato energético. O aumento da produção de catecolaminas no estresse e na doença regula positivamente a atividade da lipase hormônio-responsiva(HSL). A HSL é uma enzima que a quebra de triglicerídeos nos tecidos adiposos, resultando na liberação de glicerol, que é prontamente metabolizado ou convertido em glicose, e ácidos graxos livres (AGL), que são metabolizados no fígado via oxidação beta em triglicerídeos. Os triglicerídeos são acondicionados com proteínas, carboidratos e colesterol no retículo endoplasmático do hepatócito compondo as lipoproteínas de muito baixa densidade (VLDL), que primariamente contêm triglicerídeos, e lipoproteínas de alta densidade (HDL), que primariamente contêm proteína e fosfolipídeos. As VLDLs e HDLs são liberadas nos sinusóides hepáticos. Uma vez na circulação sistêmica, as VLDLs são captadas pelo tecido adiposo ou sua composição é alterada pelas lipoproteínas lipases (LPL) hidrolisam os triglicerídeos das VLDL, formando lipoproteínas de densidade intermediária (IDL), e os triglicerídeos são absorvidos pelas células dos tecidos periféricos. Como o organismo do animal está com uma mobilização desregulada de lipídios, há muita liberação de AGL, superprodução de triglicerídeos e a deposição excessiva de gordura nos tecidos. Isso porque o fígado utiliza poucos AGL para energia, e a via para a formação de corpos cetônicos não está bem desenvolvida em cavalos, resultando na produção de grandes quantidades de triglicerídeos. Essa mobilização pode sobrecarregar a capacidade do fígado de processar triglicerídeos em VLDL, levando ao acúmulo de triglicerídeos e à lipidose hepática. O aumento das concentrações circulantes de AGL e triglicerídeos pode complicar ainda mais os mecanismos homeostáticos normais que regulam o metabolismo energético, principalmente por interferir nas ações de insulina. Ao evitar que a insulina suprima a atividade da HSL, a taxa de lipólise tecidual aumenta, piorando a hipertrigliceridemia. insulina inibe cortisol e catecolaminas lipase hormônio- responsiva(HSL) lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL) VLDL HDL fígado tecido adiposo glicerol Os meios mais precisos de reconhecimento e identificação da doença incluem os achados sanguíneos. Por meio da coleta de sangue é possível observar de macroscopicamente a lipemia no plasma, que encontra-se com a coloração branca a amarelada após sua separação dos eritrócitos no tubo de coleta de exames, justificando o aumento das lipoproteínas. As alterações no resultado do exame hematológico não são específicas, mas podem demonstrar hemoconcentração, hiperfibrinogenemia, neutrofilia, neutropenia e desvio à esquerda. Lipidose hepática; Necrose hepatocelular; Evidências de coagulação intravascular disseminada (CID): hemorragias das serosas, trombos microscópicos em vários órgãos, infartos no miocárdio e rins; Êmbolos(pequenos) lipídicos no pulmão, miocárdio e encéfalo; SINAIS CLÍNICOS casos graves casos avançadosequina Fonte: MCKENZIE, 2011 ACHADOS NA NECROPSIA FISIOPATOGENIA DIAGNÓSTICO CAMARGO, MONICA A. DISLIPIDEMIAS EM ANIMAIS. PROGRAMA DE PÓS-GRADUAÇÃO EM CIÊNCIAS VETERINÁRIAS, UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL, 2017. 11 P. CRUZ, GABRIELA LOURENÇO DA. HIPERLIPEMIA EM EQUÍDEOS - REVISÃO DE LITERATURA. ORIENTADOR: MELINA MARIE YASUOKA. 2020. 22 F. TCC (GRADUAÇÃO) - CURSO DE CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA, UNIVERITAS UNG, UNIVERITAS UNG - DUTRA, GUARULHOS, 2020. DISPONÍVEL EM: HTTPS://REPOSITORIO.SEREDUCACIONAL.COM/PESQUISAOBRA.ASPX?OBRAID=27525&ORIGEMID=HOME. ACESSO EM: 20 DEZ. 2023. MCKENZIE, HAROLD. C. EQUINE HYPERLIPIDEMIAS. VETERINARY CLINICS EQUINE. VOL. 27, P. 59-72, 2011. MORALES, ABELARDO; LAMPREA, ANTONIO; MÉNDEZ, ANICETO. HIPERLIPEMIA EN ASNOS: ASPECTOS BÁSICOS PARA CONOCER EL SÍNDROME – MEDICINA VETERINARIA AL DÍA. 14 NOV. 2020. DISPONÍVEL EM: HTTPS://WWW.MEDICINAVETERINARIAALDIAWEB.COM/HIPERLIPEMIA-EN-ASNOS-ASPECTOS-BASICOS-PARA-CONOCER-EL-SINDROME/. ACESSO EM: 17 JAN. 2024. REZENDE, JACKELINE VIANA. HIPERLIPEMIA EM EQUÍDEOS: REVISÃO DE LITERATURA. ORIENTADOR: RENATA DE PINO ALBUQUERQUE MARANHÃO. 2014. 15 F. TCC (ESPECIALIZAÇÃO) - CURSO DE CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM RESIDÊNCIA EM MEDICINA VETERINÁRIA I, VETER - ESCOLA DE VETERINARIA, UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS, BELO HORIZONTE, 2014. DISPONÍVEL EM: HTTPS://REPOSITORIO.UFMG.BR/HANDLE/1843/48663. ACESSO EM: 20 DEZ. 2023 SANTOS, RENATO DE L.; ALESSI, ANTONIO C. PATOLOGIA VETERINÁRIA. RIO DE JANEIRO: GRUPO GEN, 2023. E-BOOK. ISBN 9788527738989. DISPONÍVEL EM: HTTPS://INTEGRADA.MINHABIBLIOTECA.COM.BR/#/BOOKS/9788527738989/. ACESSO EM: 05 JAN. 2024. STRONACH, ELEANOR. HYPERLIPIDEMIA AND HYPERLIPEMIA IN HORSES – CAUSES, SYMPTOMS & TREATMENT. LN: HORSE HEALTH. MAD BARN . [S.L.]. 14 FEV. 2022. DISPONÍVEL EM: HTTPS://MADBARN.COM/HYPERLIPIDEMIA-IN-HORSES/. ACESSO EM: 03 JAN. 2024. REFERÊNCIAS CONCEITOTRATAMENTO Os sinais clínicos da hiperlipidemia são inespecíficos, dependendo da causa base e da individualidade de cada animal, mas genericamente tem-se: A-Rim de burro com intensa palidez e edema. B-Corte histológico de rim de burro com acentuada degeneração hidrópica tubular. Coloração de rotina com hematoxilina e eosina (10X). Fonte: Morales et al.(2020). A-Fígado de muar(burro) com palidez, inchaço e infiltração gordurosa B-Corte histológico do fígado com acentuada degeneração hepatocelular gordurosa intracitoplasmática com deslocamento excêntrico do núcleo,com tendência à coalescência. Coloração de rotina com hematoxilina e eosina (20X). Fonte: Morales et al.(2020). Burro com síndrome de hiperlipidemia. Depressão, letargia e edema abdominal ventral. Fonte: Morales et al.(2020). Dislipidemias representam desordens no metabolismo lipídico associadas a níveis anômalos de lipídios circulantes. Em cavalos, as dislipidemias são caracterizadas pelo acúmulo de lipídios circulantes na forma de triglicerídeos. McKenzie(2011) destrinchou as dislipidemias equinas em: Os níveis elevados de triglicerídeos no sangue ocorrem durante períodos de balanço energético negativo , incluindo intervalos prolongados entre as refeições; alimentação restrita; doenças que causam perda de apetite e aumento da demanda energética como gravidez e lactação. Burro com edema abdominal ventral. Fonte: Morales et al.(2020). As concentrações plasmáticas de triglicerídeos devem ser medidascomo parte da avaliação bioquímica de rotina em pôneis, cavalos miniatura, ou jumentos por sua predisposição para hiperlipemia, hipoglicemia e resistência a insulina. Cavalos hospitalizados também devido ao estresse, doença e hipofagia. A azotemia também é frequente e pode refletir tanto fatores pré- renais ou disfunção renal secundária à lipidose. Plasma lipêmico (esquerdo) e plasma normal (direito). Fonte: Toribio(2011). Já o aumento da bilirrubina, ácidos biliares e enzimas hepatocelulares podem indicar o comprometimento ou envolvimento hepático. UNIVERSIDADE FEDERAL RURAL DE PERNAMBUCO DEPARTAMENTO DE MEDICINA VETERINÁRIA CURSO DE MEDICINA VETERINÁRIA DISCIPLINA: PATOLOGIA ESPECIAL DOS ANIMAIS DOMÉSTICOS- SV3 DOCENTES: PROFA. DRA. MARCIA DE FIGUEIREDO PEREIRA PROF. DR. VALDEMIRO AMARO DA SILVA JUNIOR DISCENTE: MARIA FERNANDA MAIA DE SANTANA Rezende (2014) enfatizou que o tratamento da hiperlipidemia equina se baseia no suporte nutricional, na identificação e tratamento de doenças subjacentes, na redução da lipólise e na depuração de lipídeos na circulação. A alimentação desempenha um papel crucial, revertendo o balanço energético negativo, elevando as concentrações de glicose sanguínea, estimulando a liberação de insulina e inibindo a mobilização de gordura para os tecidos periféricos.Outras terapias, como o uso de heparina sódica e insulina, estão em discussão entre especialistas. A prevenção eficaz da hiperlipidemia requer a minimização de situações estressantes e de balanço energético negativo em animais predispostos. Fatores como transporte, mudanças na dieta e endoparasitismo devem ser cuidadosamente gerenciados. Em éguas, gestação e lactação propiciam o balanço energético negativo, apresentando desafios significativos, especialmente em animais hospitalizados com enfermidades gastrointestinais que necessitam de nutrição enteral. Outra medida preventiva vital concentra-se em animais suscetíveis à resistência à insulina, comumente associada à obesidade. pâncreas lipólise estresse lipoproteínas de alta densidade (HDL) lipoproteínas de densidade intermediária (IDL) tecidos periféricos circulação sistêmica corpos cetônicos fosfolipídios ésteres de colesterol AGL VLDL + tecidos periféricos estimula mobilização do tecido adiposo como forma de reserva de energia inibeestimula estimula FISIOPATOGENIA A hiperlipidemia também pode ocorrer em cavalos com sobrepeso/obesidade, parasitoses, condições estressantes, sepse, endotoxemia e doenças primárias como pneumonia, diarreias entre outras condições que debilitam o animal. PREVENÇÃO http://www.docente.ufrpe.br/mfpereira http://www.docente.ufrpe.br/71901450449