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0 UFRGS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO – EAD CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE – UAB/CAPES Luciana Ferreira Zilke A EFICÁCIA DA GESTÃO DO CONTROLE DA DENGUE NO MUNICÍPIO DE AUGUSTO PESTANA Panambi 2012 1 Luciana Ferreira Zilke A EFICÁCIA DA GESTÃO DO CONTROLE DA DENGUE NO MUNICÍPIO DE AUGUSTO PESTANA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em Gestão em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul-UAB/CAPES, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Gestão em Saúde. Orientadora: Prof. Dr. Ana Mercedes Sarria Icaza Tutora: Lena Maris Mazzotti Ribeiro Panambi 2012 2 Luciana Ferreira Zilke A EFICÁCIA DA GESTÃO DO CONTROLE DA DENGUE NO MUNICÍPIO DE AUGUSTO PESTANA Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de Especialização em Gestão em Saúde da Universidade Federal do Rio Grande do Sul- UAB/CAPES, como requisito parcial para a obtenção do título de Especialista em Gestão em Saúde. Conceito Final: Aprovada em ____ de ________de 2012. BANCA EXAMINADORA ______________________________ ______________________________ ______________________________ ______________________________ Orientadora: Prof.ª Ana Mercedes Sarria Icaza 3 Agradecimentos Aos meus pais por todo o esforço e amor a mim dispensados, ao meu “namorido” pela cumplicidade e apoio e ao meu bebê amado, que cada vez que eu desanimava me dava um “chutinho” de incentivo! 4 RESUMO O estudo realizado teve como objetivo verificar a eficácia do controle da gestão do controle da Dengue no município de Augusto Pestana. Para tanto, foram analisados os documentos relativos ao trabalho realizado na Secretaria Municipal de Saúde e a Assistência Social do município, partindo deste pressuposto foi realizada uma revisão sobre os conceitos principais relativos à doença em si e ao trabalho de campo do agente de combate a endemias, sem esquecer os mecanismos que orientam as ações de responsabilidade do gestor municipal e da comunidade. Com a análise dos dados, foi possível diagnosticar a eficácia das ações, elaborando ainda algumas recomendações percebidas após a conclusão do estudo, no intuito de colaboração com a Instituição, retribuindo a confiança para com o pesquisador. Palavras-chave: Eficácia. Controle. Responsabilidade. Recomendações. 5 ABSTRACT The study aimed to verify the effectiveness of management control of control of dengue in the municipality of Augusto Pestana, to do so, the documents relating to work done in the Municipal Health and Social Care in the city. Under this assumption, we performed a review of key concepts related to the disease itself and the field work of the agent to combat endemic diseases, not to mention the mechanisms that guide the actions of the responsibility of the municipal manager and the community. With the data analysis was possible to diagnose the effectiveness of actions, elaborating further recommendations, perceived after the conclusion of the study in order to collaborate with the institution, returning confidence to the researcher. Keywords: Efficiency. Control. Responsibility. Recommendations. 6 LISTA DE TABELAS TABELA 1 - DADOS DO TRABALHO DE CAMPO NO ANO DE 2009 ..................... 26 TABELA 2 - DADOS COLETADOS NA PESQUISA EM PONTOS ESTRATÉGICOS EM 2009 .................................................................................................................... 26 TABELA 3 - DADOS COLETADOS NO TRABALHO DE CAMPO NO ANO DE 2010 .................................................................................................................................. 27 TABELA 4 - DADOS RELATIVOS AO TRABALHO DE LEVANTAMENTO DE ÍNDICE E TRATAMENTO EM 2010 .......................................................................... 28 TABELA 5 - DADOS COLETADOS NA PESQUISA DE PONTOS ESTRATÉGICOS EM 2010 .................................................................................................................... 28 TABELA 6 - DADOS COLETADOS NO TRABALHO DE CAMPO EM 2011 ............. 29 TABELA 7 - DADOS COLETADOS NO TRABALHO DE LEVANTAMENTO DE ÍNDICE E TRATAMENTO EM 2011 .......................................................................... 29 TABELA 8 - DADOS COLETADOS NA PESQUISA DE PONTOS ESTRATÉGICOS EM 2011 .................................................................................................................... 30 TABELA 9 - DADOS DE PESQUISA VETORIAL ESPECIAL REALIZADA EM 201130 7 SUMÁRIO 1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................ 9 1.2 JUSTIFICATIVA .................................................................................................. 10 1.3 OBJETIVOS ........................................................................................................ 10 1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................. 10 1.3.2 Objetivos específicos .................................................................................... 11 2 REVISÃO TEÓRICA .............................................................................................. 12 2.1 HISTÓRICO DA DENGUE NO BRASIL .............................................................. 12 2.1.1 Histórico da Dengue no RS ........................................................................... 13 2.1.2 Programas desenvolvidos no Brasil para o Combate a Dengue. ............. 14 2.1.3 O que é Dengue e como combater ............................................................... 15 2.1.4 Entendendo o trabalho de controle vetorial. .............................................. 18 2.1.5 Dengue: Risco para a Saúde Pública ........................................................... 21 2.1.6 O papel dos gestores e da comunidade no controle da Dengue ............. 21 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 24 3.1 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ........................................................ 24 3.2 COLETA DE DADOS ........................................................................................... 24 3.2.1 Dados coletados Sobre o controle da dengue no município de Augusto Pestana .................................................................................................................... 24 3.2.2 Dados coletados sobre o ano de 2009 através do SISFAD ........................ 25 3.2.3 Dados coletados sobre o ano de 2010 através do SISFAD ........................ 27 3.2.4 Dados coletados sobre o ano de 2011 através do SISFAD ........................ 29 3.2.5 Trabalho educativo realizado no município entre os anos de 2009 e 2011 30 8 4 DISCUSSÃO SOBRE O TRABALHO REALIZADO DE ACORDO COM OS DADOS COLETADOS .............................................................................................. 32 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 35 REFERÊNCIAS......................................................................................................... 38 ANEXOS ...................................................................................................................40 9 1 INTRODUÇÃO 1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA Para realização deste estudo científico será analisado o trabalho de controle da Dengue realizado na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social do município de Augusto Pestana. Atualmente a Dengue é um dos maiores problemas de saúde pública do Brasil, envolvendo no seu controle os municípios, o Estado e a União, cada um na sua parcela de comprometimento relativo ao controle e erradicação do mosquito transmissor. Muitos exemplos são vistos nos meios de comunicação relativos a estratégias de enfrentamento de epidemias de Dengue, sendo que as mais bem sucedidas combinam esforços do poder público através de ações que demandam disponibilização de pessoal para trabalho de campo e também para trabalho educativo e de prevenção nos diversos setores da sociedade, seja nas escolas, nas associações de moradores, clubes sociais e de serviços, enfim, nos locais em que se pode atingir uma grande parcela da população organizada através de grupos. Sendo assim, é mais que notório a necessidade da população em geral agir como protagonista no controle da Dengue, pois o poder público fornece o mínimo necessário que quando combinado com a conscientização e ação em massa se multiplica e faz surtir efeito extremamente benéfico para todos. Por outro lado, quando há inércia do poder público e antagonismo da população no combate e controle da Dengue, o resultado é o aumento no número de focos do mosquito transmissor e em casos extremos a ocorrência de surtos epidêmicos. Neste cenário, busca-se responder através do estudo proposto a seguinte pergunta: Qual a eficácia das ações desenvolvidas pelo poder público no controle da dengue em Augusto Pestana e qual a participação da comunidade neste processo? 10 A eficácia de controle da Dengue se mostra na presença ou não do mosquito Aedes aegypti, pois ações eficazes são aquelas que eliminam os focos de água parada e impedem a proliferação do mosquito transmissor. Estas ações refletem o trabalho conjunto da comunidade e também do poder público, através do gestor municipal e o trabalho dos agentes de epidemiologia. Neste sentido, será necessário buscar informações que respondam esta pergunta e que talvez seja capaz de sugerir transformações nas ações diárias do trabalho de campo do agente de combate a Dengue, ocasionando um retorno tanto para o estudante que consegue atingir o seu objetivo, quanto para a organização estudada. 1.2 JUSTIFICATIVA O presente estudo se justifica pela necessidade de se verificar a eficácia das ações desenvolvidas em âmbito municipal, através do trabalho do gestor municipal e da comunidade no controle da Dengue. Existem muitos mecanismos na área de gestão em saúde que podem ser mais bem trabalhados para alcance da tão almejada eficácia nos serviços de saúde, sejam eles legislativos, no tocante à criação de documentos legais que podem auxiliar nas ações de fiscalização, principalmente quando as ações de conscientização já não surtem mais efeitos, como os mecanismos relacionados à gestão de pessoal, capacitando os trabalhadores da área de saúde para desenvolver adequadamente as atividades rotineiras, dando-lhes meios dignos para desenvolvimento das ações, relativos à capacitação técnica, disponibilização de material para trabalho de campo e também de suporte para sua locomoção dentro de sua área de atuação. Este conjunto de mecanismos somados e em sintonia resultam em ações eficazes em prol da melhoria da qualidade de vida da população. 1.3 OBJETIVOS 1.3.1 Objetivo Geral Avaliar a eficácia das ações realizadas em âmbito municipal no controle da Dengue. 11 1.3.2 Objetivos específicos Pesquisar as ações desenvolvidas no trabalho de campo realizado pelo agente de combate a endemias, além de observar o desempenho do papel do gestor municipal e da comunidade em geral no controle da Dengue. Evidenciar possíveis problemas de gestão e recomendar melhorias no trabalho de combate a Dengue no município. 12 2 REVISÃO TEÓRICA 2.1 HISTÓRICO DA DENGUE NO BRASIL A Dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 80 milhões de pessoas se infectem anualmente, em 10 países, de todos os continentes, exceto a Europa. Cerca de 550.000 doentes necessitam de hospitalização e 20.000 morrem em consequência da Dengue (BRASIL, 2002a). Em nosso país, as condições socioambientais favoráveis à expansão do Aedes aegypti possibilitaram uma dispersão desse vetor, desde sua reintrodução em 1976, que não conseguiu ser controlada com os métodos tradicionalmente empregados no combate às doenças transmitidas por vetores, em nosso país e no continente. Programas, essencialmente centrados no combate químico, com baixíssima, ou mesmo nenhuma participação da comunidade, sem integração Intersetorial e com pequena utilização do instrumental epidemiológico mostraram-se incapazes de conter um vetor com altíssima capacidade de adaptação ao novo ambiente criado pela urbanização acelerada e pelos novos hábitos (BRASIL, 2002a) Em 1996, o Ministério da Saúde decide rever a estratégia empregada contra o Aedes aegypti e propõe o Programa de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa). Ao longo do processo de implantação desse programa observou-se a inviabilidade técnica de erradicação do mosquito a curto e médio prazo. O PEAa, mesmo não atingindo seus objetivos teve méritos ao propor a necessidade de atuação multissetorial e prever um modelo descentralizado de combate à doença, com a participação das três esferas de governo, Federal, Estadual e Municipal (BRASIL, 2002a). Em 15 de dezembro de 1999, é criada a Portaria MS nº 1.399/99, que regulamenta a NOB / SUS 01/96 no que se refere às competências da União, estados, municípios e Distrito Federal, na área de epidemiologia e controle de doenças, define a sistemática de financiamento e dá outras providências. A criação desta portaria vem de encontro à organização e financiamento das ações, inclusive de controle da Dengue (BRASIL, 2002). 13 No andamento das ações administrativas para organização do cenário de controle e prevenção que vemos hoje, é instituído em 24 de julho de 2002 o Programa Nacional de Combate a Dengue (Brasil, 2002a). O Programa Nacional de Combate a Dengue procura incorporar as lições das experiências nacionais e internacionais de controle da Dengue, enfatizando a necessidade de mudança nos modelos anteriores, fundamentalmente em alguns aspectos essenciais: 1) a elaboração de programas permanentes, uma vez que não existe qualquer evidência técnica de que erradicação do mosquito seja possível, a curto prazo; 2) o desenvolvimento de campanhas de informação e de mobilização das pessoas, de maneira a se criar uma maior responsabilização de cada família na manutenção de seu ambiente doméstico livre de potenciais criadouros do vetor; 3) o fortalecimento da vigilância epidemiológica e entomológica para ampliar a capacidade de predição e de detecção precoce de surtos da doença; 4) a melhoria da qualidade do trabalho de campo de combate ao vetor; 5) a integração das ações de controle da dengue na atenção básica, com a mobilização do Programa de Agentes Comunitários de Saúde (Pacs) e Programa de Saúde da Família (PSF); 6) a utilização de instrumentos legais que facilitem o trabalho do poder público na eliminação de criadouros em imóveis comerciais, casas abandonadas, etc.; 7) a atuação multissetorial por meio do fomento à destinação adequada de resíduos sólidos e a utilização de recipientes seguros para armazenagem de água; e 8) o desenvolvimento de instrumentos mais eficazes de acompanhamento e supervisão das açõesdesenvolvidas pelo Ministério da Saúde, estados e municípios (BRASIL, 2002a). 2.1.1 Histórico da Dengue no RS Em 1995, após várias décadas sem a presença do vetor, foi registrado foco de Aedes aegypti no Rio Grande do Sul, no município de Caxias do Sul. A partir de então, a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) executou o combate e eliminação do vetor na referida área e implantou a vigilância entomológica no território gaúcho, sob sua coordenação (Brasil, 2008). Após este acontecimento as ações de vigilância entomológica precisaram ser retomadas e no ano de 2000 começou a acontecer o processo de 14 descentralização das ações, que eram feitas apenas pela Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) foram descentralizadas aos municípios, sendo que em 1995 19 municípios faziam vigilância e em 2007 os 496 municípios do RS já possuíam as ações descentralizadas (Brasil, 2008). No ano de 2008 foi lançado o Plano de Contingência para Dengue no Estado do RS. 2.1.2 Programas desenvolvidos no Brasil para o Combate a Dengue. Como abordado anteriormente, em âmbito nacional figura o Programa Nacional de Combate a Dengue (PNCD), que é o Plano Nacional de Controle da Dengue, preparado pelo Ministério da Saúde para integração de esforços federais, estaduais e municipais para controle de vetores e combate a surtos e epidemias. Em nosso Estado adotamos também o Plano de Contingência para Dengue no Estado Do Rio Grande do Sul. Este Plano propõe estratégias e a organização de ações que deverão ser incorporadas e desenvolvidas em caráter permanente em todo o território gaúcho e dar suporte aos municípios em caso de epidemias que extrapolem a sua capacidade operacional. Também se propõe a servir de modelo para elaboração dos Planos Municipais de Contingência (Brasil, 2080). Percebe-se que o poder público está estruturando suas ações para assim dar respaldo para que os municípios trabalhem no controle da Dengue, haja vista que uma vez com o problema instalado é muito difícil erradicar o vetor, então e necessário o comprometimento em ações de prevenção. Ações de vigilância epidemiológica são importantes e são garantidas através de planos e programas, bem como da legislação específica. A portaria do Ministério da Saúde no 1399/99 em seu artigo primeiro cria a Programação Pactuada e Integrada das Ações de Vigilância em Saúde. Programação Pactuada Integrada de Vigilância em Saúde – PPI-VS, é o conjunto de atividades, de metas e recursos financeiros, pactuado entre a Secretaria de Vigilância em Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde – SES e Secretarias Municipais de Saúde – SMS, relativos a área de epidemiologia e controle de doenças e ações básicas de vigilância sanitária (Brasil, 1999). A informação é um instrumento essencial para a tomada de decisões. Nesta perspectiva, representa imprescindível ferramenta para a vigilância epidemiológica, 15 por constituir fator desencadeador do processo “informação-decisão-ação”, tríade que sintetiza a dinâmica de suas atividades que, como se sabe, devem ser iniciadas assim a partir da informação de um indício ou suspeita de caso de alguma doença ou agravo (Brasil, 2005). 2.1.3 O que é Dengue e como combater A identificação precoce dos casos de Dengue é de vital importância para a tomada de decisões e a implementação de medidas de maneira oportuna, visando principalmente ao controle da doença. A organização dos serviços de saúde, tanto na área de vigilância epidemiológica quanto na prestação de assistência médica, é essencial para reduzir a letalidade das formas graves e conhecer o comportamento da Dengue, sobretudo em períodos de epidemia (Brasil, 2005a). A doença recebeu o nome de Dengue por deixar o paciente em estado de moleza, cansaço, prostração, característicos dos sintomas predominantes. Doença febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como se apresente: infecção inaparente, dengue clássico (DC), febre hemorrágica da dengue (FHD) ou síndrome do choque da dengue (SCD). Ocorre e disseminam-se especialmente nos países tropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti, principal mosquito vetor (BRASIL, 2005). A fonte da infecção e reservatório vertebrado é o ser humano. Foi descrito na Ásia e na África um ciclo selvagem envolvendo macacos. A espécie Aedes aegypti é a mais importante na transmissão da doença e também pode ser transmissora da febre amarela urbana. O Aedes albopictus, já presente nas Américas, com ampla dispersão nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, é o vetor de manutenção da dengue na Ásia, mas até o momento não foi associado à transmissão da dengue nas Américas (Brasil, 2005). A transmissão se faz pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, no ciclo ser humano - Aedes aegypti - ser humano. Após um repasto de sangue infectado, o mosquito está apto a transmitir o vírus depois de 8 a 12 dias de incubação extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é interrompido e o mosquito, imediatamente, se alimenta num próximo. Não há 16 transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com pessoa sadia, nem por intermédio de água ou alimento (Brasil, 2005). No Dengue Clássico a primeira manifestação é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, dor retroorbital, náuseas, vômitos, exantema, prurido cutâneo. Hepatomegalia dolorosa pode ocorrer, ocasionalmente, desde o aparecimento da febre. Alguns aspectos clínicos dependem da idade do paciente. Desse modo, dor abdominal generalizada tem sido observada mais frequentemente entre crianças e manifestações hemorrágicas como petéquias, epistaxe, gengivorragia e metrorragia têm sido relatadas mais frequentemente entre adultos, ao fim do período febril. A doença tem duração de 5 a 7 dias, mas o período de convalescença pode ser acompanhado de grande debilidade física, e prolongar-se por várias semanas ( Brasil, 2005). Os sintomas iniciais da Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) são semelhantes aos do Dengue Clássico (DC), porém há um agravamento do quadro no terceiro ou quarto dias de evolução, com aparecimento de manifestações hemorrágicas e colapso circulatório. Outras manifestações hemorrágicas incluem petéquias, equimoses, epistaxe, gengivorragia, hemorragia em diversos órgãos (gastrintestinal, intracraniana, etc.) e hemorragia espontânea pelos locais de punção venosa. Nos casos graves de FHD, o choque geralmente ocorre entre o 3º e 7º dias de doença, geralmente precedido por dor abdominal. O choque é decorrente do aumento de permeabilidade vascular, seguida de hemoconcentração e falência circulatória. É de curta duração e pode levar a óbito em 12 a 24 horas ou à recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada. Caracterizam-se por pulso rápido e fraco, com diminuição da pressão de pulso e arterial, extremidades frias, pele pegajosa e agitação. Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações neurológicas, como convulsões e irritabilidade (Brasil, 2005). O controle da dengue na atualidade é uma atividade complexa, tendo em vista os diversos fatores externos ao setor saúde, que são importantes determinantes na manutenção e dispersão tanto da doença quanto de seu vetor transmissor. Dentre esses fatores, destacam-se o surgimento de aglomerados urbanos, inadequadas condições de habitação, irregularidade no abastecimento de água, destinação imprópria de resíduos, o crescente transito de pessoas e cargas 17 entre países e as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global (Brasil, 2009). Para alcançar a sustentabilidade definitiva nas ações de controle, é imprescindível à criação de um grupo executivo intersetorial que deverá contar com o envolvimento dos setores de planejamento, de abastecimentode água e de coleta de resíduos sólidos, que darão suporte ao controle da dengue promovido pelo setor saúde. No âmbito do setor saúde, é necessário buscar a articulação sistemática da vigilância epidemiológica e entomológica com a atenção básica, integrando suas atividades de maneira a potencializar o trabalho e evitar a duplicidade das ações, considerando especialmente o trabalho desenvolvido pelos Agentes Comunitários de Saúde (ACS) e pelos Agentes de Controle de Endemias (ACE) (Brasil, 2009). Logo que se tenha conhecimento da suspeita de casos de dengue, deve-se organizar ações de bloqueio na área provável de transmissão, visando a diminuição da população adulta de mosquitos. A adoção de medidas de controle não deve aguardar resultados de exames laboratoriais para confirmação dos casos suspeitos. A integração das atividades de vigilância epidemiológica e controle vetorial são de fundamental importância para o sucesso do controle da doença. É necessário que o repasse de informações da localização dos casos suspeitos para a vigilância entomológica ocorra da forma mais ágil possível, viabilizando ações de bloqueio em momento oportuno. Ações de esclarecimento à população, através de meios de comunicação de massa (rádio e televisão), visitas domiciliares pelos agentes de endemias/saúde e palestras nas comunidades devem ser organizadas. Conhecimento sobre o ciclo de transmissão, gravidade da doença e situação de risco devem ser veiculadas, assim como medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e telas nas portas e janelas (Brasil, 2005). Um componente importante, mas frequentemente pouco valorizado no combate aos vetores, é o manejo do ambiente não apenas através daquelas ações integradas à pesquisa de focos e tratamento químico, tal como a eliminação e remoção de criadouros no ambiente domiciliar, mas, também, pela coleta do lixo urbano regular ou através de mutirões de limpeza, o que, na prática, tem sido feito apenas na vigência de epidemias (BRASIL, 2001). 18 2.1.4 Entendendo o trabalho de controle vetorial. O controle de vetores compreende duas atividades básicas: vigilância entomológica e combate ao vetor. Geralmente, essas atividades são realizadas por ciclos de trabalho com periodicidade bimestral, o que equivale a seis visitas anuais ao mesmo imóvel. As ações de controle vetorial devem ser planejadas para serem executadas de forma permanente, promovendo a articulação sistemática com todos os setores do município (educação, saneamento, limpeza urbana etc.). O planejamento das atividades e condição essencial para a definição das necessidades de pessoal, equipamentos e insumos, o que vai permitir a aquisição, em tempo hábil, dos materiais utilizados na rotina do agente, assim como equipamentos de proteção individual (EPI), uniformes, crachás de identificação, etc. (BRASIL, 2009). Na organização das atividades de campo o agente é o responsável por uma zona fixa de 800 a 1.000 imóveis, visitados em ciclos bimensais nos municípios infestados por Aedes aegypti. Ele tem como obrigação básica: descobrir focos, destruir e evitar a formação de criadouros, impedir a reprodução de focos e orientar a comunidade com ações educativas (BRASIL, 2001). O reconhecimento geográfico é atividade prévia e condição essencial para a programação das operações de campo, de pesquisa entomológica e tratamento químico (BRASIL, 2001). É o primeiro passo para o planejamento das atividades de controle vetorial e consiste na identificação e numeração de quarteirões, bem como na localização e especificação do tipo de imóvel dentro de cada quarteirão. Sua atualização deve ser realizada após o encerramento das atividades de cada ciclo (BRASIL, 2009). Na vigilância e controle de vetores, a visita domiciliar, realizada pelo agente e pelo supervisor, é uma atividade fundamental para verificar a presença de criadouros, orientar os residentes sobre a eliminação dos mesmos e sobre medidas preventivas, identificação de foco e tratamento (biológico, químico, mecânico etc.) (BRASIL, 2009). Nas localidades não infestadas, far-se-á a delimitação de foco quando a vigilância entomológica detectar a presença do vetor. É, portanto, uma atividade exclusiva de municípios não infestados (estrato IV). Na delimitação de foco, a 19 pesquisa larvária e o tratamento focal devem ser feitos em 100% dos imóveis incluídos em um raio de até 300 metros a partir do foco inicial, detectado em um ponto estratégico ou armadilha, bem como a partir de um levantamento de índice (LI) ou pesquisa vetorial espacial (PVE) positiva (BRASIL, 2001). São locais onde ha concentração de depósitos do tipo preferencial para a desova da fêmea do Aedes aegypti ou especialmente vulneráveis a introdução do vetor. Exemplos: cemitérios, borracharias, ferros-velhos, depósitos de sucata ou de materiais de construção, garagens de ônibus e de outros veículos de grande porte. As atividades de vigilância nesses locais devem ser realizadas com periodicidade quinzenal. A aplicação residual e/ou focal deve ser realizada mensalmente ou quando detectada a presença de focos (BRASIL, 2009). É feito por meio de pesquisa larvária, para conhecer o grau de infestação, dispersão e densidade por Aedes aegypti e/ou Aedes albopictus nas localidades. O LI terá periodicidade bimensal nas localidades infestadas ou quadrimensais naquelas não infestadas (BRASIL, 2001). Pesquisa larvária é a inspeção de formas imaturas (larvas e pupas) em todos os depósitos do imóvel. Para vistoria do recipiente, utiliza-se o pesca-larva com o objetivo de coletar uma amostra de larvas e pupas do recipiente. Para facilitar a atividade e encontrar mais facilmente os imaturos de Aedes aegypti, utiliza-se uma fonte luminosa, que pode ser um espelho direcionado ao sol ou uma lanterna (BRASIL, 2009). De uma maneira geral, são utilizadas armadilhas para coleta de ovos (ovitrampa) e para coleta de larvas (larvitrampa), colocadas, estrategicamente, em localidades negativas ou com baixa infestação ou em áreas estratégicas, como portos e aeroportos, com a finalidade de monitorar a infestação. Não se recomenda a adição de produtos químicos as armadilhas (BRASIL, 2009). O Levantamento de Índice Rápido (LIRAa) foi desenvolvido em 2002, para atender a necessidade dos gestores e profissionais que operacionalizam o programa de controle de dengue de dispor de informações entomológicas em um ponto no tempo (antes do início do verão) antecedendo o período de maior transmissão, com vistas ao fortalecimento das ações de combate vetorial nas áreas de maior risco (BRASIL, 2009). Esse levantamento é amostral, ou seja, não há necessidade de todas as casas serem visitadas. O resultado deste são índices de infestação predial e são 20 divididos da seguinte forma: inferiores a 1% (estão em condições satisfatórias), de 1% a 3,9% (estão em situação de alerta) e superior a 4% (há risco de surto de dengue) (BRASIL, 2009a). Os indicadores entomológicos passíveis de serem construídos por meio dos dados obtidos nesses levantamentos são aqueles que são utilizados na rotina dos programas de combate vetorial, quais sejam: índices de Infestação Predial (IIP), Breteau (IB) e de Tipo de Recipiente (ITR) (BRASIL, 2009). O índice de infestação predial é a relação expressa em porcentagem entre o numero de imóveis positivos e o numero de imóveis pesquisados (BRASIL, 2009). O índice de tipo de recipiente indica a proporção de recipientes positivos por tipo de criadouro (Brasil, 2009). O índice de breteau, expresso em números absolutos, estabelece uma relação entre recipientes positivos e imóveis e, embora forneça mais informações, não aponta dados sobre a produtividade dos depósitos (BRASIL, 2009). Pesquisa vetorial especial é a procura eventual de Aedes aegypti em função de denúncia da sua presença em áreas não infestadase, no caso de suspeita de dengue ou febre amarela, em área até então sem transmissão. No caso de denúncia da presença do vetor, a pesquisa é atividade complementar, não devendo interferir no trabalho de rotina de combate (BRASIL, 2001). O tratamento focal consiste na aplicação de um produto larvicida nos depósitos positivos para formas imaturas de mosquitos, que não possam ser eliminados mecanicamente. No imóvel com um ou mais depósitos com formas imaturas, todos os depósitos com água que não puderem ser eliminados serão tratados. Em áreas infestadas bem delimitadas, desprovidas de fonte de abastecimento coletivo de água, o tratamento focal deve atingir todos os depósitos de água de consumo vulneráveis à oviposição do vetor (BRASIL, 2001). Estrato I: áreas com transmissão de dengue clássico pelo menos por dois anos, consecutivos ou não, com circulação simultânea ou sucedânea de mais de um sorotipo, com risco de ocorrência da febre hemorrágica por dengue, e/ou ocorrência de casos de FHD; estrato II: áreas com transmissão de dengue clássico; estrato III: áreas infestadas pelo Aedes aegypti e estrato IV: áreas não infestadas (sem o vetor) (BRASIL, 2001). 21 2.1.5 Dengue: Risco para a Saúde Pública A identificação precoce dos casos de Dengue é de vital importância para a tomada de decisões e para a implementação de medidas de maneira oportuna, visando principalmente ao controle da doença. A organização de serviços de saúde, tanto na área de vigilância epidemiológica quanto na prestação de assistência médica, é essencial para reduzir a letalidade das formas graves e conhecer o comportamento da dengue, sobretudo em períodos de epidemia. Nessas situações, é mandatória a efetivação de um plano de contingência que contemple as necessidades de recursos humanos e financeiros e a identificação de unidades de referência (BRASIL, 2005a). Tratar de uma população apresentando casos de dengue, ameaçada por um ambiente com a presença do mosquito, deixa de ser um problema médico e passa a ser um problema social, exigindo como resposta políticas públicas capazes de viabilizar a reconstrução da segurança da comunidade (BRASIL, 2009b). 2.1.6 O papel dos gestores e da comunidade no controle da Dengue Tradicionalmente, o combate ao Aedes aegypti foi desenvolvido seguindo as diretrizes da erradicação vertical, onde a participação comunitária não era considerada como atividade essencial. No entanto, a abordagem ampla e a participação comunitária são fundamentais e imprescindíveis (BRASIL, 2001). O controle da dengue exige um esforço de todos os profissionais de saúde, gestores e população. Não se combate a dengue sem parcerias, é preciso envolver outros setores da administração do município, como limpeza urbana, saneamento, educação, turismo, meio ambiente, entre outros. É preciso que as ações para o controle da dengue garantam a participação efetiva de cada morador na eliminação de criadouros já existentes ou de possíveis locais para reprodução do mosquito (BRASIL, 2009 a). Os profissionais de saúde têm como desafio atual trabalhar para o desenvolvimento da consciência sanitária dos gestores municipais dos sistemas de saúde, para que passem a priorizar as ações de saúde pública e trabalhem na 22 perspectiva de desenvolvimento da vigilância da saúde, que tem como um dos seus pilares de atuação a vigilância epidemiológica de problemas de saúde prioritários, em cada espaço geográfico (BRASIL, 2010). Não somente os Agentes Comunitários de Saúde, mas todos os profissionais das Equipes Saúde da Família têm importante papel e contribuição no desenvolvimento destas ações. É preciso que o combate à dengue seja planejado em conjunto. Os gestores municipais e os profissionais devem estabelecer fluxos e protocolos de atendimento, garantindo os exames laboratoriais e realizando o encaminhamento de casos graves, quando necessário, se responsabilizando por ele (BRASIL, 2009 a). A participação comunitária é mais facilmente obtida e preservada se ela puder observar a eficiência dos serviços públicos de saúde. As visitas domiciliares pelos agentes de saúde devem ser realizadas coma periodicidade necessária para renovar o apelo aos cuidados (BRASIL, 2009 b). O controle da dengue na atualidade e uma atividade complexa, tendo em vista os diversos fatores externos ao setor saúde, que são importantes determinantes na manutenção e dispersão tanto da doença quanto de seu vetor transmissor. Dentre esses fatores, destacam-se o surgimento de aglomerados urbanos, inadequadas condições de habitação, irregularidade no abastecimento de água, destinação imprópria de resíduos, o crescente transito de pessoas e cargas entre países e as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. Tendo em vista esses aspectos, e fundamental, para o efetivo enfrentamento da dengue, a implementação de uma política baseada na intersetorialidade, de forma a envolver e responsabilizar os gestores e a sociedade. Tal entendimento reforça o fundamento de que o controle vetorial e uma ação de responsabilidade coletiva e que não se restringe apenas ao setor saúde e seus profissionais (BRASIL, 2009). A organização da referência dos pacientes na rede de assistência faz parte das atribuições do sistema municipal e estadual de saúde e requer normas, rotinas e fluxos definidos e pactuados entre os gestores (BRASIL, 2009a). Existem várias estratégias de trabalho que buscam estimular o indivíduo, os grupos ou a comunidade a assumir consciente, criativa e criticamente a responsabilidade sobre suas condições de saúde. O maior enfoque deverá ser dado à ação participativa, cujos componentes básicos devem ser trabalhados com bastante flexibilidade, haja vista que no desenvolvimento do processo os mesmos 23 podem ocorrer isolados, articulados ou concomitantes, considerando-se a dinâmica da realidade social (BRASIL, 2010). É de vital importância a participação da comunidade, como produtora e administradora das ações realizadas, e a parceria e o apoio da equipe de saúde. O assumir responsabilidades deve ser um aprendizado contínuo, partindo do exercício da participação através dos seus grupos organizados e/ou a organizar, a exemplo de grupos de trabalho, comitês, comissões, escolas, igrejas, dentre outros (BRASIL, 2010). Em se tratando de amparo legal às ações, podemos citar trechos da legislação brasileira que assegura a efetividade e o poder do gestor ou servidor público de desempenhar o seu trabalho normalmente conforme a legislação vigente. O gestor do Sistema Único de Saúde responsável pela execução das ações de campo de combate ao vetor transmissor da Dengue deverá, quando constatada a situação de que trata o artigo anterior, intensificar as ações preconizadas pelo no Programa Nacional de Controle da Dengue, em especial a realização das visitas domiciliares para eliminação do mosquito e de seus criadouros em todos os imóveis da área aferida, bem como a mobilização social para as ações preventivas (BRASIL, 2006). Para se livrar desse “animal de estimação” existe um jeito: toda a comunidade, sem exceção, tem que concordar em colaborar com as medidas preventivas para acabar com o mosquito. Basta que um domicílio não o faça e a meta não será atingida. Essa é, para algumas comunidades, uma barreira quase intransponível. Para outras, alcançar tal grau de solidariedade que envolve a todos constitui um motivo de orgulho, por terem construído uma comunidade segura para si e para seus filhos. Um mérito reconhecido pelo mais exigente dos examinadores – o próprio mosquito que, com a sua ausência, atesta, com toda a segurança, essa qualidade (BRASIL, 2009 b). 24 3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 3.1 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS A região de estudo engloba o município de Augusto Pestana, localizado na Região Noroeste do Estadodo Rio Grande do Sul e que apresenta uma população de 7273 mil habitantes. A pesquisa desenvolvida será documental, realizada na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social de Augusto Pestana, através de busca de informações em fontes secundárias, ou seja, em documentos disponíveis na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social e em relatórios gerados pelos sistemas de informação disponíveis, que irão apresentar os dados quantitativos relativos à produção mensal do trabalho de campo do agente de combate a endemias. Dados de sites oficiais do Ministério da Saúde também poderão servir de suporte para a avaliação da eficácia das ações no controle da Dengue. Em relação à época escolhida para a análise, serão objeto de estudo os dados produzidos a partir do ano em que surgiram focos do mosquito transmissor da Dengue, ou seja, a partir do ano de surgimento do mosquito transmissor da Dengue no município, até o ano de 2011. A coleta de dados será realizada pela própria autora da pesquisa, com autorização do Secretário Municipal de Saúde e Assistência Social, conforme anexo E, durante os meses de fevereiro e março de 2012. 3.2 COLETA DE DADOS 3.2.1 Dados coletados Sobre o controle da dengue no município de Augusto Pestana Os dados sobre Dengue foram coletados na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social, diretamente no setor de vigilância ambiental, tendo como fonte principal os registros impressos e os dados fornecidos pelo programa SISFAD – 25 Sistema de Informação em Febre Amarela e Dengue. O período escolhido para a pesquisa foi a partir do ano de 2009, quando, conforme registro no boletim constante no anexo A, apareceu pela primeira vez amostra de larvas do principal transmissor da Dengue, o mosquito Aedes aegypti. 3.2.2 Dados coletados sobre o ano de 2009 através do SISFAD Em 2009 no início de março, foram coletadas através de pesquisa larvária, as primeiras larvas do mosquito transmissor da dengue, através do trabalho desenvolvido com a instalação de armadilhas (larvitrampa). Neste período, conforme pactuação com a 17ª Coordenadoria Regional de Saúde, o trabalho a ser desenvolvido pelo município seria a visita quinzenal nos pontos estratégicos, combinada com a visita semanal nas armadilhas presentes em 16 pontos da zona urbana. Uma vez descoberta, as larvas do mosquito transmissor em armadilhas, o município não é considerado positivo, mas devem-se realizar visitas nas residências ao entorno da armadilha positiva para determinar a necessidade de realizar o trabalho de levantamento de índices. Durante este trabalho, foi confirmada a presença numa residência de larvas do Aedes aegypti e a partir daí a estratificação do município passou de IV para III. Com a presença de larvas, confirmada na zona urbana, o trabalho de campo a ser realizado é um LI+T, que na verdade é o levantamento de índices de infestação, combinado com o tratamento dos focos de água parada. Este trabalho é bimensal, ou seja, toda a cidade deve ser visitada em ciclos bimestrais, e os depósitos que não podem ser eliminados mecanicamente, através do trabalho braçal do agente devem ser tratados quimicamente. Ações de conscientização da população através de palestras, divulgação de informações nos meios de comunicação e mutirões de limpeza aconteceram concomitantemente. Durante o ano de 2009 existia apenas um Agente de Combate a Endemias exclusivo para o trabalho de controle da Dengue. Abaixo estão relacionados os dados relativos ao ano de 2009: 26 Tabela 1 - Dados do trabalho de campo no ano de 2009 Número de imóveis cadastrados no Registro Geral: Sem informação Número de armadilhas: 16 Número de quarteirões: Sem informação LI+T: Sem informação Fonte SISFAD No trabalho de pesquisa em pontos estratégicos (de acordo com os anexos B e C correspondentes à listagem de pontos estratégicos do município), foram feitas 272 visitas, com os dados abaixo sobre depósitos inspecionados: Tabela 2 - Dados coletados na pesquisa em pontos estratégicos em 2009 Dep. Inspecionados A1 A2 B C D1 D 2 E TOTAL Quantidade 5 0 16 422 156 0 0 599 Dep. Com larvas Aedes albopictus 0 0 0 2 8 0 0 0 Fonte SISFAD Do total de depósitos inspecionados, 253 foram eliminados, ou seja, não voltarão a serem mais focos de água parada, pois sofreram tratamento químico ou mecânico por parte do agente ambiental. Os depósitos predominantes com água parada foram C e D1 (convenção do tipo de depósito no verso do boletim de registro diário, constante no anexo D). No trabalho de pesquisa em armadilhas foram feitas 752 visitas, nas quais 22 armadilhas se apresentaram produtivas para larvas, totalizando 22 amostras coletadas. Destas amostras, 125 larvas foram coletas, sendo 6 de Aedes aegypti, 27 de Aedes albopictus e 92 de outros insetos. 27 Em relação ao número de focos positivos, foram encontrados boletins que comprovaram a existência de 4 focos positivos em 2009. 3.2.3 Dados coletados sobre o ano de 2010 através do SISFAD No ano de 2010, o esquema de trabalho a ser realizado continuou a ser o mesmo, devido à estratificação do município que continuava infestado pelo mosquito Aedes aegypti, ou seja, 6 ciclos bimensais de LI+T e visitas em pontos estratégicos. O diferencial é que neste ano as armadilhas foram retiradas, haja vista que são adotadas apenas em município não infestados. Abaixo seguem os dados do trabalho de campo do ano de 2010: Tabela 3 - Dados coletados no trabalho de campo no ano de 2010 Número de imóveis cadastrados no Registro Geral: 1807 Número de pontos estratégicos: 15 Número de quarteirões: 118 Fonte: SISFAD No trabalho de levantamento de índice mais tratamento, foram inspecionados 2483 imóveis, sendo que em 21quarteirões foi encontrada a presença do Aedes aegypti; de todos os depósitos inspecionados, com coleta de amostra de larvas, 45 comprovaram a presença do Aedes aegypti. O total de amostras neste tipo de trabalho foi de 112, as quais apresentaram 346 larvas de Aedes aegypti. Em relação ao tipo de imóvel inspecionado, contabilizou-se 1380 residências, 280 comércios, 6 pontos estratégicos, 694 terrenos baldios e 154 outros. Dos imóveis trabalhados, 21 apresentaram amostras positivas para Aedes aegypti e 34 para outros tipos de larvas. Dos imóveis visitados 644 encontraram-se fechados, sendo que destes fechados, 24 foram recuperados. Em 1132 imóveis foram aplicados tratamento focal. 28 Tabela 4 - Dados relativos ao trabalho de levantamento de índice e tratamento em 2010 Dep. inspecionados A1 A2 B C D1 D 2 E TOTAL Quantidade 3 520 1696 1412 311 1308 233 5483 Dep. Com larvas Aedes albopictus 0 0 0 0 0 0 0 0 Dep. Com larvas Aedes aegypti 3 39 2 1 45 Fonte: SISFAD Dos depósitos citados anteriormente, 1940 foram eliminados, 3237 foram tratados. No trabalho de pesquisa em pontos estratégicos, foram realizadas 285 visitas de inspeção, sendo que em cinco pontos foram encontrados larvas de Aedes aegypti e em 28 foram encontradas larvas de outros insetos. Tabela 5 - Dados coletados na pesquisa de pontos estratégicos em 2010 Dep. inspecionados A1 A2 B C D1 D 2 E TOTAL Quantidade 1 280 295 351 708 61 17 1713 Dep. Aedes albopictus 0 0 0 0 0 0 0 0 Dep. Com larvas Aedes aegypti 0 0 0 2 5 0 0 7 Fonte: SISFAD Dos depósitos descritos na tabela anterior, 286 foram eliminados e 113 sofreram tratamento mecânico ou químico. Devido às denúncias de possíveis casos de Dengue, foi aberto no sistema de informação um ciclo para cadastrar o trabalho de pesquisa vetorial especial. Neste ciclo de trabalho foram visitados 34 imóveis, nos quais foram coletadas cinco amostras, com coleta de 32 larvas de Aedes aegypti, em três destes imóveis citados. Os tipos de depósitos predominantes foram A1 e C. No ano pesquisadoacima também foi informada a presença de um Agente de Combate a Endemias exclusivo para trabalho no combate a Dengue 29 3.2.4 Dados coletados sobre o ano de 2011 através do SISFAD Em 2011, o município ainda continuava positivo, como se pode perceber pelos dados abaixo. Tabela 6 - Dados coletados no trabalho de campo em 2011 Número de imóveis cadastrados no Registro Geral: 2052 Número de pontos estratégicos: 21 Número de quarteirões: 121 Fonte: SISFAD No ciclo de trabalho de Levantamento de Índice e Tratamento foram inspecionados 1620 imóveis, apresentando 12 quarteirões positivos para Aedes aegypti. Houve a coleta de 47 amostras, dentre as quais apresentaram 144 larvas de Aedes aegypti e 199 de outros insetos. Dos imóveis trabalhados, 14 foram positivos para Aedes aegypti, 246 estavam fechados e 781 receberam tratamento focal. Tabela 7 - Dados coletados no trabalho de levantamento de índice e tratamento em 2011 Dep. Inspecionados A1 A2 B 0 C 0 D1 0 D 2 0 E 0 TOTAL 0 Quantidade 251 486 1525 253 401 2150 522 5588 Dep. Com larvas Aedes aegypti 1 6 13 1 0 1 0 22 Fonte: SISFAD Dos depósitos inspecionados citados acima, 1285 foram eliminados, 2232 tratados. Na pesquisa em pontos estratégicos foram encontrados 44 quarteirões positivos para Aedes aegypti, apresentando 132 larvas do mosquito transmissor da dengue e 181 larvas de outros insetos. Dos 336 imóveis trabalhados, 15 foram positivos para larvas do mosquito transmissor da dengue e 20 apresentaram larvas de outros insetos. 30 Tabela 8 - Dados coletados na pesquisa de pontos estratégicos em 2011 Dep. inspecionados A1 0 A2 0 B 0 C 0 D1 0 D 2 0 E 0 TOTAL 0 Quantidade 150 424 2998 301 2793 1537 185 8388 Dep. Com larvas Aedes aegypti 0 7 2 1 9 0 0 19 Fonte: SISFAD Dos depósitos inspecionados acima 227 foram eliminados. Neste trabalho de inspeção em pontos estratégicos 50 imóveis foram tratados, 212 depósitos foram eliminados. Foram tratados 647 depósitos. Em 2011 foi necessária fazer uma pesquisa vetorial especial em 8 imóveis, não sendo encontrada nenhuma larva de Aedes aegypti. Tabela 9 - Dados de pesquisa vetorial especial realizada em 2011 Dep. Inspecionados A1 0 A2 0 B 0 C 0 D1 0 D 2 0 E 0 TOTAL Quantidade 0 0 6 0 0 6 0 12 Dep. Com larvas Aedes aegypti 0 0 0 0 0 0 0 0 Fonte: SISFAD De acordo com os boletins fornecidos pela 17ª Coordenadoria Regional de Saúde encontrados, ocorreram quatro focos positivos para Aedes aegypti em 2009, 30 focos positivos em 2010 e 28 focos positivos em 2011. Em 2011 o município ainda contava com um agente de campo exclusivo para o controle da Dengue. 3.2.5 Trabalho educativo realizado no município entre os anos de 2009 e 2011 O trabalho educativo, visando o controle da Dengue é feito pelos funcionários do setor de vigilância ambiental da Secretaria Municipal de Saúde com o auxílio de seus colegas do Programa de Saúde da Família. Conforme observado nos registros do setor de vigilância ambiental, anualmente acontecem palestras nas escolas para os alunos do ensino fundamental principalmente, além de distribuição de material informativo nas residências pelos 31 Agentes Comunitários de Saúde e Agente de Combate a Endemias. Convém salientar que existe uma boa sintonia entre o gestor municipal e os funcionários do setor de vigilância ambiental, no que se refere ao entendimento sobre a importância de confeccionar material informativo para a distribuição à população e também de fornecimento de material para o trabalho de campo, pois se observou a presença de grande variedade e quantidade de folders, banners, faixas e cartazes, que também são usados nos eventos promovidos com objetivo de prevenção da Dengue, além de os agentes de combate a endemias estarem devidamente identificados e com material de trabalho suficiente. Anualmente é realizado em nível nacional O Dia “D” de Combate a Dengue, sendo como atividade peculiar a realização de mutirões de limpeza na zona urbana e, no ano de 2010 foi realizada a troca de um kit de material escolar por embalagens não utilizadas nas residências, que poderiam vir a se tornar foco de água parada. Foram observadas fotos de atividades realizadas pela equipe da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social que explicaram algumas ações desenvolvidas, bem como evidenciaram o nível de participação da comunidade no controle da Dengue. 32 4 DISCUSSÃO SOBRE O TRABALHO REALIZADO DE ACORDO COM OS DADOS COLETADOS Os resultados serão apresentados a seguir, de acordo com os objetivos específicos do estudo. Na pesquisa desenvolvida em 2009, 2010 e 2011 observou-se que o município de Augusto Pestana não conseguiu atingir o número de visitas proposto, algo bastante preocupante, pois o trabalho de inspeção dos imóveis pelo Agente de Combate a Endemias é muito importante, justamente por poder combater química e mecanicamente os focos, além de alertar e buscar conscientizar a população sobre a importância de manter suas residências livre de focos de água parada. Existe uma grande quantidade de imóveis fechados, de acordo com os dados produzidos pelo trabalho de campo. Percebe-se também uma grande quantidade de uso de larvicida nos imóveis inspecionados nas visitas realizadas em pontos estratégicos. O tipo de depósito inspecionado com água parada também deve ser levado em conta, observa-se que a maioria ocorre nos tipos D1, D2, A1 e C. Não foi possível realizar uma análise relevante da maioria dos índices relacionados ao trabalho de campo realizado no controle da Dengue, pois os ciclos de levantamento de índice e tratamento não ocorreram dentro do prazo adequado, prejudicando assim o fornecimento e alimentação destes indicadores. O trabalho do gestor em relação à educação sobre o controle da Dengue está com um bom nível de comprometimento, pois investe em confecção de material informativo e disponibiliza que outros servidores públicos da SMS participem de palestras juntamente com os seus colegas da vigilância ambiental, além de fornecer material adequado ao agente de combate a endemias que trabalha nas atividades de campo. Porém, se observa a necessidade urgente de contratar mais agentes de trabalho de campo. Em relação ao trabalho educativo se percebe que é necessário reformular estratégias de ação, talvez abrangendo o público alvo das palestras educativas e buscando sensibilizar a comunidade para atuação em mutirões de limpeza dentro do município. 33 Nos registros de atividades de campo aparecem algumas fotos do trabalho realizado, evidenciando as palestras feitas para os alunos da rede municipal de ensino (anexo F). Durante estas palestras feitas pelo agente de combate a endemias são apresentados vídeos educativos e também apresentações em power point, somado a entrega de folder com bilhetes para os pais das crianças, quando a idade das mesmas é baixa e a multiplicação do aprendizado se mostra restrita. O agente de combate a endemias afirma que mesmo as crianças tendo pouca idade, as mesmas prestam atenção e conseguem passar adiante algumas orientações, sendo assim uma esperança, pois as visitas repetidas contribuem para a formação de uma consciência voltada para a prevenção. Outra maneira buscada para levar conscientização à população e adesão de grupos organizados nas atividades de controle de focos da Dengue é a realização de mutirões de limpeza em pontos estratégicos da zona urbana. Com este objetivo, aconteceu um mutirão com a ajuda dos pacientes do Centro de Atenção Psicossocial do Hospital São Francisco (conforme anexo G), contando com a participação dos pacientes que estavam em condições de ajudar, tendo como atividade a coleta de embalagens que poderiam se tornarfoco de água parada e também entrega de folhetos informativos nas residências pelas quais o mutirão passou. Outra atividade relatada foi a participação do 27º Grupo de Artilharia de Campanha de Ijuí, realizando coleta de embalagens que poderiam se tornar possíveis focos de água parada às margens da RS 522 e também entrega de folhetos com informações sobre a Dengue, porém, não havia registro fotográfico desta ação. Como se pode evidenciar nestas atividades de mutirões de limpeza, não ocorre a participação da população em geral, sendo que de acordo com o registro fotográfico (anexo H) e relato do agente de combate a endemias, os mutirões são feitos pelos funcionários da Secretaria, entre eles agentes comunitários de saúde, enfermeiros, técnicos de enfermagem e colegas da Secretaria Municipal de Obras. Outro ponto percebido de acordo com o registro fotográfico foi a falta de vestimenta adequada aos funcionários de outras áreas, sendo que apenas o agente de combate a endemias possuía vestimenta para este tipo de trabalho com identificação, mas o mais importante é que todos receberam luvas para proteção do contato com o lixo. 34 Outra atividade realizada com o intuito de reunir grande quantidade da população é a realização do Dia D de Combate a Dengue (conforme anexo I), sendo que neste dia toda a população é convidada a trocar embalagens inservíveis que possam se transformar em foco de água parada por um kit escolar. Conforme lista de presença feita no dia pelos agentes de combate a endemias, a atividade tem boa aceitação da comunidade, registrando um bom número de kits entregues e a consequente retirada de um grande volume de “lixo” das residências. Porém, ainda fica a preocupação dos agentes de combate a endemias com o lixo existente na zona rural do município, uma vez que não há coleta regular de lixo no meio rural. No meio rural também ocorreram atividades visando integrar a população no controle da Dengue, referentes a busca ativa de focos de água parada em pneus, por exemplo, devido a cultura de usá-los em cima da lona da silagem, sendo que neste trabalho o agente de combate a endemias visitou as residências junto com os Profissionais do Programa de Saúde da Família. Esta atividade aconteceu durante o período pesquisado e rendeu bons resultados, pois alguns produtores rurais eliminaram boa parte dos focos de água parada existente e ao mesmo tempo, as pessoas foram orientadas para manter a higiene de suas propriedades, dando destinação adequada aos resíduos sólidos. Conforme foto (anexo J), observamos que muitas residências no meio rural vivem quase que abandonadas pelos seus moradores, muitas vezes pelo fato de que os mesmos desconhecem a importância de manter bons hábitos de higiene e a orientação sobre prevenção da Dengue refletindo muitas melhorias nas condições de higiene do ambiente, não apenas eliminação de focos de água parada. Como se percebe, muitas são as ações desenvolvidas para buscar o apoio da comunidade no controle da Dengue, mas ainda assim a resposta não é muito abrangente, talvez novas estratégias devam ser pensadas, a gestão das ações deve ser mais bem desenhada, necessitando assim um entrosamento maior entre gestor e comunidade, não esquecendo o diálogo do gestor com os agentes de combate a endemias. 35 5 CONSIDERAÇÕES FINAIS Após o estudo realizado na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social de Augusto Pestana, visando verificar a eficácia da gestão do controle da Dengue no município, conclui-se que os objetivos propostos foram alcançados, pois a pesquisa sobre o tema foi concluída, proporcionando um enriquecimento intelectual ao estudante que aprendeu sobre as ações de controle da Dengue, sendo possível inclusive a formulação de recomendações sobre algumas ações que poderiam enriquecer o trabalho que já é realizado e melhorar ainda mais a prevenção de surtos da doença. O conhecimento adquirido com o estudo foi além do obtido através do trabalho de pesquisa realizado dentro da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social, pois permitiu conhecer melhor os mecanismos do trabalho de campo do agente de combate a endemias e sobre a responsabilidade no controle da Dengue atribuída ao gestor público e comunidade, sendo este aspecto descoberto em livros que abordam este tema específico, ficando comprovada a importância do envolvimento do estudante com a pesquisa, não bastando poucos instantes de dedicação, mas sim muitos dias de pesquisa, vontade e paciência para analisar dados numéricos, tabelas, arquivos fotográficos, leitura de informações em sistemas de informação, para que ao final tudo seja compilado, as respostas obtidas, sempre mantendo o foco do estudo científico, sem a pretensão de mudar ou questionar o que está sendo feito, mas tão somente sugerir, com base obtida ao longo da construção do trabalho, as ações que podem melhorar tudo o que está sendo feito, dando um retorno positivo à organização pesquisada. A revisão teórica desenvolvida neste trabalho proporcionou um maior entendimento sobre o assunto, sobre seus detalhes, tornando possível uma análise dos dados levantados, que acabaram evidenciando as várias nuances sobre o 36 problema de pesquisa. Observou-se que a preocupação do estudante é relevante, pois alguns aspectos de gestão da saúde estão sendo deixados a margem das atividades, muitas vezes ocasionando uma ineficácia das ações, seja por falta de abrangência das mesmas ou mesmo falta de conexão com a realidade que se apresenta. É iminente a necessidade de aproximação com a comunidade, buscando alternativas de sensibilização para gravidade do problema vivenciado, ou seja, a persistência da presença do mosquito transmissor da Dengue no município. Os dados coletados em relação ao rendimento do agente comprovam que é necessária a contratação, por parte do gestor, de mais agentes para equilibrar o seu rendimento em relação ao número de imóveis a serem inspecionados no município. Outra estratégia que poderia ser buscada pelo gestor, é a criação de um documento legal que assegurasse ao agente de combate a endemias sua entrada em imóveis fechados, principalmente naqueles em que não existam moradores, diminuindo assim a grande quantidade de imóveis fechados que aparecem nos registros do trabalho de campo. A grande quantidade de uso de larvicidas nos depósitos inspecionados nos pontos estratégicos também chama a atenção, pois que parece ser devido ao descaso destes proprietários de imóveis, permitindo que permaneçam focos de água parada em seus estabelecimentos. Talvez a intervenção de algum outro setor da Secretaria Municipal de Saúde com poder de fiscalização poderia surtir resultados mais positivos, tendo em vista que ações educativas não estão sendo suficientes. Ações como mutirões mais frequentes e ações efetivas para dar destinação adequada a pneus que não são mais utilizados devem ser pensadas, pois de acordo com os registros apresentados, a maioria dos depósitos encontrados com larvas é do tipo A1, B e D2. Mutirões de limpeza combinados com uma coleta de lixo eficiente e conscientização da população sobre destinação adequada do lixo doméstico surtiriam efeito. Em relação ao depósito do tipo C, bastante encontrado também, acredita-se que a divulgação de maneiras de como fechar bem as caixas de água e cisternas podem contribuir para a diminuição da presença de larvas, uma vez que em períodos de seca como este que vivemos no momento aumenta o armazenamento de água da chuva e pode agravar este problema. 37 Fica também como recomendação a análise de possibilidade de contratação de mais pessoal para trabalho de campo, visando uma maior e mais eficiente cobertura da área a ser trabalhada, aumentando a vigilância sobre o controle da Dengue, pois com mais agentes na rua talvez aprópria comunidade se sentiria “vigiada” e no comprometimento de fazer a sua parte com mais regularidade e eficiência. Sabe-se que existem muitos mecanismos que organizam os processos de contratação de funcionários públicos e muitas vezes surgem vários entraves administrativos para estas decisões que devem ser tomadas pelos gestores, portanto alternativas devem ser buscadas, assim como o aumento dos recursos disponíveis e captação de recursos estaduais e federais para este fim. Vigiar nunca é demais, prevenir é o melhor remédio, então, os esforços para garantir a eficácia do controle da Dengue no município de Augusto Pestana devem ser reforçados, tanto no que corresponde à responsabilidade do setor público quanto ao que cabe à comunidade em geral. 38 REFERÊNCIAS BRASIL. 1999. Portaria nº 1399, de 15 de dezembro de 1999. Estabelece procedimentos para elaboração, implementação e acompanhamento da Programação Pactuada e Integrada de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. BRASIL. 2001. Dengue – instruções para pessoal de combate o vetor. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Brasília. 84 p. BRASIL. 2002. Programa Nacional de Controle da Dengue: amparo legal à execução das ações de campo – imóveis fechados, abandonados ou com acesso não permitido pelo morador. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Brasília. 156 p. BRASIL. 2002a. Programa Nacional de Controle da Dengue – instituído em 24 de julho de 2002. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Brasília. 32 p. BRASIL. 2005. Guia de vigilância epidemiológica. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Brasília. 816 p. BRASIL. 2005a. Dengue – diagnóstico e manejo clínico. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Brasília, 24 p. BRASIL. 2006. Portaria nº 029, de 11 de julho de 2006. Define parâmetro que caracteriza situação de iminente perigo á saúde pública pela presença do mosquito transmissor da Dengue. Ministério da Saúde. BRASIL. 2008. Plano de Contingência para Dengue do Estado do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, 107 p. BRASIL. 2009. Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de Dengue. Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Brasília. 160 p. BRASIL. 2009a. O Agente Comunitário de Saúde no Controle da Dengue. Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília. 36 p. 39 BRASIL. 2009b. Construindo Comunidades Mais Seguras – preparando para a ação cidadã em defesa civil. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Florianópolis. 116 p. BRASIL. 2010. Guia de vigilância epidemiológica. Ministério da Saúde. Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Brasília. 816 p. 40 Anexos 41 ANEXO A – BOLETIM DE IDENTIFICAÇÃO DE VETORES DA DENGUE 42 ANEXO B – FICHA DE CONTROLE DA FEBRE AMARELA E DENGUE 43 ANEXO C – FICHA DE CONTROLE DOS PONTOS ESTRATÉGICOS 44 ANEXO D – RESUMO DO TRABALHO DE CAMPO 45 ANEXO E – AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DA PESQUISA 46 ANEXO F - PALESTRA FEITA PELA AGENTE DE COMBATE A ENDEMIAS PARA ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO. Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social 47 ANEXO G - MUTIRÃO DE LIMPEZA REALIZADO EM CONJUNTO COM OS PACIENTES DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL A/D II. Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social 48 ANEXO H – FUNCIONÁRIOS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE PARTICIPANDO DO MUTIRÃO DE LIMPEZA PARA COMBATE A DENGUE 49 ANEXO I – Foto do Dia D de Combate a Dengue Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social 50 ANEXO J- FOTO DE VISITA DOMICILIAR DO AGENTE DE COMBATE A ENDEMIAS COM OS PROFISSIONAIS DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA. Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social