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UFRGS - UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO GRANDE DO SUL 
ESCOLA DE ADMINISTRAÇÃO – EAD 
CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM GESTÃO EM SAÚDE – 
UAB/CAPES 
 
 
 
 
 
 
Luciana Ferreira Zilke 
 
 
 
 
A EFICÁCIA DA GESTÃO DO CONTROLE DA DENGUE NO 
MUNICÍPIO DE AUGUSTO PESTANA 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Panambi 
2012 
 
1 
 
Luciana Ferreira Zilke 
 
 
 
 
 
A EFICÁCIA DA GESTÃO DO CONTROLE DA DENGUE NO 
MUNICÍPIO DE AUGUSTO PESTANA 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso 
apresentado ao Curso de Especialização 
em Gestão em Saúde da Universidade 
Federal do Rio Grande do Sul-UAB/CAPES, 
como requisito parcial para a obtenção do 
título de Especialista em Gestão em Saúde. 
 
 
Orientadora: Prof. Dr. Ana Mercedes 
Sarria Icaza 
 
Tutora: Lena Maris Mazzotti Ribeiro 
 
 
 
 
 
 
Panambi 
2012 
 
2 
 
Luciana Ferreira Zilke 
 
 
 
A EFICÁCIA DA GESTÃO DO CONTROLE DA DENGUE NO MUNICÍPIO 
DE AUGUSTO PESTANA 
 
 
 
Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao 
Curso de Especialização em Gestão em Saúde da 
Universidade Federal do Rio Grande do Sul-
UAB/CAPES, como requisito parcial para a obtenção 
do título de Especialista em Gestão em Saúde. 
 
 
 
Conceito Final: 
Aprovada em ____ de ________de 2012. 
 
BANCA EXAMINADORA 
______________________________ 
 
 
______________________________ 
 
 
______________________________ 
 
 
______________________________ 
Orientadora: Prof.ª Ana Mercedes Sarria Icaza 
 
 
 
3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 Agradecimentos 
 
 
Aos meus pais por todo o esforço e 
amor a mim dispensados, ao meu 
“namorido” pela cumplicidade e 
apoio e ao meu bebê amado, que 
cada vez que eu desanimava me 
dava um “chutinho” de incentivo! 
 
 
4 
 
 
 
 
RESUMO 
 
O estudo realizado teve como objetivo verificar a eficácia do controle da gestão do 
controle da Dengue no município de Augusto Pestana. Para tanto, foram analisados 
os documentos relativos ao trabalho realizado na Secretaria Municipal de Saúde e a 
Assistência Social do município, partindo deste pressuposto foi realizada uma 
revisão sobre os conceitos principais relativos à doença em si e ao trabalho de 
campo do agente de combate a endemias, sem esquecer os mecanismos que 
orientam as ações de responsabilidade do gestor municipal e da comunidade. Com 
a análise dos dados, foi possível diagnosticar a eficácia das ações, elaborando ainda 
algumas recomendações percebidas após a conclusão do estudo, no intuito de 
colaboração com a Instituição, retribuindo a confiança para com o pesquisador. 
 
Palavras-chave: Eficácia. Controle. Responsabilidade. Recomendações. 
 
5 
 
 
 
 
 
 
 
 
ABSTRACT 
 
The study aimed to verify the effectiveness of management control of control of 
dengue in the municipality of Augusto Pestana, to do so, the documents relating to 
work done in the Municipal Health and Social Care in the city. Under this assumption, 
we performed a review of key concepts related to the disease itself and the field work 
of the agent to combat endemic diseases, not to mention the mechanisms that guide 
the actions of the responsibility of the municipal manager and the community. With 
the data analysis was possible to diagnose the effectiveness of actions, elaborating 
further recommendations, perceived after the conclusion of the study in order to 
collaborate with the institution, returning confidence to the researcher. 
 
Keywords: Efficiency. Control. Responsibility. Recommendations. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
6 
 
 
 
 
 
 
 
LISTA DE TABELAS 
 
TABELA 1 - DADOS DO TRABALHO DE CAMPO NO ANO DE 2009 ..................... 26 
TABELA 2 - DADOS COLETADOS NA PESQUISA EM PONTOS ESTRATÉGICOS 
EM 2009 .................................................................................................................... 26 
TABELA 3 - DADOS COLETADOS NO TRABALHO DE CAMPO NO ANO DE 2010
 .................................................................................................................................. 27 
TABELA 4 - DADOS RELATIVOS AO TRABALHO DE LEVANTAMENTO DE 
ÍNDICE E TRATAMENTO EM 2010 .......................................................................... 28 
TABELA 5 - DADOS COLETADOS NA PESQUISA DE PONTOS ESTRATÉGICOS 
EM 2010 .................................................................................................................... 28 
TABELA 6 - DADOS COLETADOS NO TRABALHO DE CAMPO EM 2011 ............. 29 
TABELA 7 - DADOS COLETADOS NO TRABALHO DE LEVANTAMENTO DE 
ÍNDICE E TRATAMENTO EM 2011 .......................................................................... 29 
TABELA 8 - DADOS COLETADOS NA PESQUISA DE PONTOS ESTRATÉGICOS 
EM 2011 .................................................................................................................... 30 
TABELA 9 - DADOS DE PESQUISA VETORIAL ESPECIAL REALIZADA EM 201130 
 
 
 
 
 
 
 
7 
 
 
 
 
 
 
 
SUMÁRIO 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO ......................................................................................................... 9 
1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA ................................................................................ 9 
1.2 JUSTIFICATIVA .................................................................................................. 10 
1.3 OBJETIVOS ........................................................................................................ 10 
1.3.1 Objetivo Geral ................................................................................................. 10 
1.3.2 Objetivos específicos .................................................................................... 11 
2 REVISÃO TEÓRICA .............................................................................................. 12 
2.1 HISTÓRICO DA DENGUE NO BRASIL .............................................................. 12 
2.1.1 Histórico da Dengue no RS ........................................................................... 13 
2.1.2 Programas desenvolvidos no Brasil para o Combate a Dengue. ............. 14 
2.1.3 O que é Dengue e como combater ............................................................... 15 
2.1.4 Entendendo o trabalho de controle vetorial. .............................................. 18 
2.1.5 Dengue: Risco para a Saúde Pública ........................................................... 21 
2.1.6 O papel dos gestores e da comunidade no controle da Dengue ............. 21 
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS .............................................................. 24 
3.1 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS ........................................................ 24 
3.2 COLETA DE DADOS ........................................................................................... 24 
3.2.1 Dados coletados Sobre o controle da dengue no município de Augusto 
Pestana .................................................................................................................... 24 
3.2.2 Dados coletados sobre o ano de 2009 através do SISFAD ........................ 25 
3.2.3 Dados coletados sobre o ano de 2010 através do SISFAD ........................ 27 
3.2.4 Dados coletados sobre o ano de 2011 através do SISFAD ........................ 29 
3.2.5 Trabalho educativo realizado no município entre os anos de 2009 e 2011
 30 
8 
 
4 DISCUSSÃO SOBRE O TRABALHO REALIZADO DE ACORDO COM OS 
DADOS COLETADOS .............................................................................................. 32 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS ................................................................................... 35 
REFERÊNCIAS......................................................................................................... 38 
ANEXOS ...................................................................................................................40 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
9 
 
 
 
 
1 INTRODUÇÃO 
 
1.1 DEFINIÇÃO DO PROBLEMA 
 
Para realização deste estudo científico será analisado o trabalho de controle 
da Dengue realizado na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social do 
município de Augusto Pestana. 
Atualmente a Dengue é um dos maiores problemas de saúde pública do 
Brasil, envolvendo no seu controle os municípios, o Estado e a União, cada um na 
sua parcela de comprometimento relativo ao controle e erradicação do mosquito 
transmissor. 
Muitos exemplos são vistos nos meios de comunicação relativos a 
estratégias de enfrentamento de epidemias de Dengue, sendo que as mais bem 
sucedidas combinam esforços do poder público através de ações que demandam 
disponibilização de pessoal para trabalho de campo e também para trabalho 
educativo e de prevenção nos diversos setores da sociedade, seja nas escolas, nas 
associações de moradores, clubes sociais e de serviços, enfim, nos locais em que 
se pode atingir uma grande parcela da população organizada através de grupos. 
Sendo assim, é mais que notório a necessidade da população em geral agir 
como protagonista no controle da Dengue, pois o poder público fornece o mínimo 
necessário que quando combinado com a conscientização e ação em massa se 
multiplica e faz surtir efeito extremamente benéfico para todos. 
Por outro lado, quando há inércia do poder público e antagonismo da 
população no combate e controle da Dengue, o resultado é o aumento no número de 
focos do mosquito transmissor e em casos extremos a ocorrência de surtos 
epidêmicos. 
Neste cenário, busca-se responder através do estudo proposto a seguinte 
pergunta: Qual a eficácia das ações desenvolvidas pelo poder público no controle da 
dengue em Augusto Pestana e qual a participação da comunidade neste processo? 
10 
 
A eficácia de controle da Dengue se mostra na presença ou não do mosquito 
Aedes aegypti, pois ações eficazes são aquelas que eliminam os focos de água 
parada e impedem a proliferação do mosquito transmissor. Estas ações refletem o 
trabalho conjunto da comunidade e também do poder público, através do gestor 
municipal e o trabalho dos agentes de epidemiologia. 
Neste sentido, será necessário buscar informações que respondam esta 
pergunta e que talvez seja capaz de sugerir transformações nas ações diárias do 
trabalho de campo do agente de combate a Dengue, ocasionando um retorno tanto 
para o estudante que consegue atingir o seu objetivo, quanto para a organização 
estudada. 
 
1.2 JUSTIFICATIVA 
 
O presente estudo se justifica pela necessidade de se verificar a eficácia das 
ações desenvolvidas em âmbito municipal, através do trabalho do gestor municipal e 
da comunidade no controle da Dengue. 
Existem muitos mecanismos na área de gestão em saúde que podem ser 
mais bem trabalhados para alcance da tão almejada eficácia nos serviços de saúde, 
sejam eles legislativos, no tocante à criação de documentos legais que podem 
auxiliar nas ações de fiscalização, principalmente quando as ações de 
conscientização já não surtem mais efeitos, como os mecanismos relacionados à 
gestão de pessoal, capacitando os trabalhadores da área de saúde para 
desenvolver adequadamente as atividades rotineiras, dando-lhes meios dignos para 
desenvolvimento das ações, relativos à capacitação técnica, disponibilização de 
material para trabalho de campo e também de suporte para sua locomoção dentro 
de sua área de atuação. Este conjunto de mecanismos somados e em sintonia 
resultam em ações eficazes em prol da melhoria da qualidade de vida da população. 
 
1.3 OBJETIVOS 
1.3.1 Objetivo Geral 
Avaliar a eficácia das ações realizadas em âmbito municipal no controle da 
Dengue. 
11 
 
1.3.2 Objetivos específicos 
Pesquisar as ações desenvolvidas no trabalho de campo realizado pelo 
agente de combate a endemias, além de observar o desempenho do papel do gestor 
municipal e da comunidade em geral no controle da Dengue. 
Evidenciar possíveis problemas de gestão e recomendar melhorias no 
trabalho de combate a Dengue no município. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
12 
 
2 REVISÃO TEÓRICA 
 
 2.1 HISTÓRICO DA DENGUE NO BRASIL 
 
A Dengue é um dos principais problemas de saúde pública no mundo. A 
Organização Mundial de Saúde (OMS) estima que 80 milhões de pessoas se 
infectem anualmente, em 10 países, de todos os continentes, exceto a Europa. 
Cerca de 550.000 doentes necessitam de hospitalização e 20.000 morrem em 
consequência da Dengue (BRASIL, 2002a). 
Em nosso país, as condições socioambientais favoráveis à expansão do 
Aedes aegypti possibilitaram uma dispersão desse vetor, desde sua reintrodução em 
1976, que não conseguiu ser controlada com os métodos tradicionalmente 
empregados no combate às doenças transmitidas por vetores, em nosso país e no 
continente. Programas, essencialmente centrados no combate químico, com 
baixíssima, ou mesmo nenhuma participação da comunidade, sem integração 
Intersetorial e com pequena utilização do instrumental epidemiológico mostraram-se 
incapazes de conter um vetor com altíssima capacidade de adaptação ao novo 
ambiente criado pela urbanização acelerada e pelos novos hábitos (BRASIL, 2002a) 
Em 1996, o Ministério da Saúde decide rever a estratégia empregada contra 
o Aedes aegypti e propõe o Programa de Erradicação do Aedes aegypti (PEAa). Ao 
longo do processo de implantação desse programa observou-se a inviabilidade 
técnica de erradicação do mosquito a curto e médio prazo. O PEAa, mesmo não 
atingindo seus objetivos teve méritos ao propor a necessidade de atuação 
multissetorial e prever um modelo descentralizado de combate à doença, com a 
participação das três esferas de governo, Federal, Estadual e Municipal (BRASIL, 
2002a). 
Em 15 de dezembro de 1999, é criada a Portaria MS nº 1.399/99, que 
regulamenta a NOB / SUS 01/96 no que se refere às competências da União, 
estados, municípios e Distrito Federal, na área de epidemiologia e controle de 
doenças, define a sistemática de financiamento e dá outras providências. A criação 
desta portaria vem de encontro à organização e financiamento das ações, inclusive 
de controle da Dengue (BRASIL, 2002). 
13 
 
No andamento das ações administrativas para organização do cenário de 
controle e prevenção que vemos hoje, é instituído em 24 de julho de 2002 o 
Programa Nacional de Combate a Dengue (Brasil, 2002a). 
O Programa Nacional de Combate a Dengue procura incorporar as lições 
das experiências nacionais e internacionais de controle da Dengue, enfatizando a 
necessidade de mudança nos modelos anteriores, fundamentalmente em alguns 
aspectos essenciais: 1) a elaboração de programas permanentes, uma vez que não 
existe qualquer evidência técnica de que erradicação do mosquito seja possível, a 
curto prazo; 2) o desenvolvimento de campanhas de informação e de mobilização 
das pessoas, de maneira a se criar uma maior responsabilização de cada família na 
manutenção de seu ambiente doméstico livre de potenciais criadouros do vetor; 3) o 
fortalecimento da vigilância epidemiológica e entomológica para ampliar a 
capacidade de predição e de detecção precoce de surtos da doença; 4) a melhoria 
da qualidade do trabalho de campo de combate ao vetor; 5) a integração das ações 
de controle da dengue na atenção básica, com a mobilização do Programa de 
Agentes Comunitários de Saúde (Pacs) e Programa de Saúde da Família (PSF); 6) a 
utilização de instrumentos legais que facilitem o trabalho do poder público na 
eliminação de criadouros em imóveis comerciais, casas abandonadas, etc.; 7) a 
atuação multissetorial por meio do fomento à destinação adequada de resíduos 
sólidos e a utilização de recipientes seguros para armazenagem de água; e 8) o 
desenvolvimento de instrumentos mais eficazes de acompanhamento e supervisão 
das açõesdesenvolvidas pelo Ministério da Saúde, estados e municípios (BRASIL, 
2002a). 
2.1.1 Histórico da Dengue no RS 
 
Em 1995, após várias décadas sem a presença do vetor, foi registrado foco 
de Aedes aegypti no Rio Grande do Sul, no município de Caxias do Sul. A partir de 
então, a Fundação Nacional de Saúde (FUNASA) executou o combate e eliminação 
do vetor na referida área e implantou a vigilância entomológica no território gaúcho, 
sob sua coordenação (Brasil, 2008). 
Após este acontecimento as ações de vigilância entomológica precisaram 
ser retomadas e no ano de 2000 começou a acontecer o processo de 
14 
 
descentralização das ações, que eram feitas apenas pela Fundação Nacional de 
Saúde (FUNASA) foram descentralizadas aos municípios, sendo que em 1995 19 
municípios faziam vigilância e em 2007 os 496 municípios do RS já possuíam as 
ações descentralizadas (Brasil, 2008). No ano de 2008 foi lançado o Plano de 
Contingência para Dengue no Estado do RS. 
2.1.2 Programas desenvolvidos no Brasil para o Combate a Dengue. 
 
Como abordado anteriormente, em âmbito nacional figura o Programa 
Nacional de Combate a Dengue (PNCD), que é o Plano Nacional de Controle da 
Dengue, preparado pelo Ministério da Saúde para integração de esforços federais, 
estaduais e municipais para controle de vetores e combate a surtos e epidemias. 
Em nosso Estado adotamos também o Plano de Contingência para Dengue 
no Estado Do Rio Grande do Sul. Este Plano propõe estratégias e a organização de 
ações que deverão ser incorporadas e desenvolvidas em caráter permanente em 
todo o território gaúcho e dar suporte aos municípios em caso de epidemias que 
extrapolem a sua capacidade operacional. Também se propõe a servir de modelo 
para elaboração dos Planos Municipais de Contingência (Brasil, 2080). 
Percebe-se que o poder público está estruturando suas ações para assim 
dar respaldo para que os municípios trabalhem no controle da Dengue, haja vista 
que uma vez com o problema instalado é muito difícil erradicar o vetor, então e 
necessário o comprometimento em ações de prevenção. 
Ações de vigilância epidemiológica são importantes e são garantidas através 
de planos e programas, bem como da legislação específica. A portaria do Ministério 
da Saúde no 1399/99 em seu artigo primeiro cria a Programação Pactuada e 
Integrada das Ações de Vigilância em Saúde. 
Programação Pactuada Integrada de Vigilância em Saúde – PPI-VS, é o 
conjunto de atividades, de metas e recursos financeiros, pactuado entre a Secretaria 
de Vigilância em Saúde, Secretarias Estaduais de Saúde – SES e Secretarias 
Municipais de Saúde – SMS, relativos a área de epidemiologia e controle de 
doenças e ações básicas de vigilância sanitária (Brasil, 1999). 
A informação é um instrumento essencial para a tomada de decisões. Nesta 
perspectiva, representa imprescindível ferramenta para a vigilância epidemiológica, 
15 
 
por constituir fator desencadeador do processo “informação-decisão-ação”, tríade 
que sintetiza a dinâmica de suas atividades que, como se sabe, devem ser iniciadas 
assim a partir da informação de um indício ou suspeita de caso de alguma doença 
ou agravo (Brasil, 2005). 
2.1.3 O que é Dengue e como combater 
 
A identificação precoce dos casos de Dengue é de vital importância para a 
tomada de decisões e a implementação de medidas de maneira oportuna, visando 
principalmente ao controle da doença. A organização dos serviços de saúde, tanto 
na área de vigilância epidemiológica quanto na prestação de assistência médica, é 
essencial para reduzir a letalidade das formas graves e conhecer o comportamento 
da Dengue, sobretudo em períodos de epidemia (Brasil, 2005a). 
A doença recebeu o nome de Dengue por deixar o paciente em estado de 
moleza, cansaço, prostração, característicos dos sintomas predominantes. Doença 
febril aguda, que pode ser de curso benigno ou grave, dependendo da forma como 
se apresente: infecção inaparente, dengue clássico (DC), febre hemorrágica da 
dengue (FHD) ou síndrome do choque da dengue (SCD). Ocorre e disseminam-se 
especialmente nos países tropicais, onde as condições do meio ambiente favorecem 
o desenvolvimento e a proliferação do Aedes aegypti, principal mosquito vetor 
(BRASIL, 2005). 
A fonte da infecção e reservatório vertebrado é o ser humano. Foi descrito 
na Ásia e na África um ciclo selvagem envolvendo macacos. A espécie Aedes 
aegypti é a mais importante na transmissão da doença e também pode ser 
transmissora da febre amarela urbana. O Aedes albopictus, já presente nas 
Américas, com ampla dispersão nas regiões Sudeste e Sul do Brasil, é o vetor de 
manutenção da dengue na Ásia, mas até o momento não foi associado à 
transmissão da dengue nas Américas (Brasil, 2005). 
A transmissão se faz pela picada dos mosquitos Aedes aegypti, no ciclo ser 
humano - Aedes aegypti - ser humano. Após um repasto de sangue infectado, o 
mosquito está apto a transmitir o vírus depois de 8 a 12 dias de incubação 
extrínseca. A transmissão mecânica também é possível, quando o repasto é 
interrompido e o mosquito, imediatamente, se alimenta num próximo. Não há 
16 
 
transmissão por contato direto de um doente ou de suas secreções com pessoa 
sadia, nem por intermédio de água ou alimento (Brasil, 2005). 
No Dengue Clássico a primeira manifestação é a febre alta (39° a 40°C), de 
início abrupto, seguida de cefaléia, mialgia, prostração, artralgia, anorexia, astenia, 
dor retroorbital, náuseas, vômitos, exantema, prurido cutâneo. Hepatomegalia 
dolorosa pode ocorrer, ocasionalmente, desde o aparecimento da febre. Alguns 
aspectos clínicos dependem da idade do paciente. Desse modo, dor abdominal 
generalizada tem sido observada mais frequentemente entre crianças e 
manifestações hemorrágicas como petéquias, epistaxe, gengivorragia e metrorragia 
têm sido relatadas mais frequentemente entre adultos, ao fim do período febril. A 
doença tem duração de 5 a 7 dias, mas o período de convalescença pode ser 
acompanhado de grande debilidade física, e prolongar-se por várias semanas ( 
Brasil, 2005). 
Os sintomas iniciais da Febre Hemorrágica da Dengue (FHD) são 
semelhantes aos do Dengue Clássico (DC), porém há um agravamento do quadro 
no terceiro ou quarto dias de evolução, com aparecimento de manifestações 
hemorrágicas e colapso circulatório. Outras manifestações hemorrágicas incluem 
petéquias, equimoses, epistaxe, gengivorragia, hemorragia em diversos órgãos 
(gastrintestinal, intracraniana, etc.) e hemorragia espontânea pelos locais de punção 
venosa. Nos casos graves de FHD, o choque geralmente ocorre entre o 3º e 7º dias 
de doença, geralmente precedido por dor abdominal. O choque é decorrente do 
aumento de permeabilidade vascular, seguida de hemoconcentração e falência 
circulatória. É de curta duração e pode levar a óbito em 12 a 24 horas ou à 
recuperação rápida, após terapia antichoque apropriada. Caracterizam-se por pulso 
rápido e fraco, com diminuição da pressão de pulso e arterial, extremidades frias, 
pele pegajosa e agitação. Alguns pacientes podem ainda apresentar manifestações 
neurológicas, como convulsões e irritabilidade (Brasil, 2005). 
O controle da dengue na atualidade é uma atividade complexa, tendo em 
vista os diversos fatores externos ao setor saúde, que são importantes 
determinantes na manutenção e dispersão tanto da doença quanto de seu vetor 
transmissor. Dentre esses fatores, destacam-se o surgimento de aglomerados 
urbanos, inadequadas condições de habitação, irregularidade no abastecimento de 
água, destinação imprópria de resíduos, o crescente transito de pessoas e cargas 
17 
 
entre países e as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global (Brasil, 
2009). 
Para alcançar a sustentabilidade definitiva nas ações de controle, é 
imprescindível à criação de um grupo executivo intersetorial que deverá contar com 
o envolvimento dos setores de planejamento, de abastecimentode água e de coleta 
de resíduos sólidos, que darão suporte ao controle da dengue promovido pelo setor 
saúde. No âmbito do setor saúde, é necessário buscar a articulação sistemática da 
vigilância epidemiológica e entomológica com a atenção básica, integrando suas 
atividades de maneira a potencializar o trabalho e evitar a duplicidade das ações, 
considerando especialmente o trabalho desenvolvido pelos Agentes Comunitários de 
Saúde (ACS) e pelos Agentes de Controle de Endemias (ACE) (Brasil, 2009). 
Logo que se tenha conhecimento da suspeita de casos de dengue, deve-se 
organizar ações de bloqueio na área provável de transmissão, visando a diminuição 
da população adulta de mosquitos. A adoção de medidas de controle não deve 
aguardar resultados de exames laboratoriais para confirmação dos casos suspeitos. 
A integração das atividades de vigilância epidemiológica e controle vetorial são de 
fundamental importância para o sucesso do controle da doença. É necessário que o 
repasse de informações da localização dos casos suspeitos para a vigilância 
entomológica ocorra da forma mais ágil possível, viabilizando ações de bloqueio em 
momento oportuno. Ações de esclarecimento à população, através de meios de 
comunicação de massa (rádio e televisão), visitas domiciliares pelos agentes de 
endemias/saúde e palestras nas comunidades devem ser organizadas. 
Conhecimento sobre o ciclo de transmissão, gravidade da doença e situação de 
risco devem ser veiculadas, assim como medidas de proteção individual, como o uso 
de repelentes e telas nas portas e janelas (Brasil, 2005). 
Um componente importante, mas frequentemente pouco valorizado no 
combate aos vetores, é o manejo do ambiente não apenas através daquelas ações 
integradas à pesquisa de focos e tratamento químico, tal como a eliminação e 
remoção de criadouros no ambiente domiciliar, mas, também, pela coleta do lixo 
urbano regular ou através de mutirões de limpeza, o que, na prática, tem sido feito 
apenas na vigência de epidemias (BRASIL, 2001). 
18 
 
2.1.4 Entendendo o trabalho de controle vetorial. 
 
O controle de vetores compreende duas atividades básicas: vigilância 
entomológica e combate ao vetor. Geralmente, essas atividades são realizadas por 
ciclos de trabalho com periodicidade bimestral, o que equivale a seis visitas anuais 
ao mesmo imóvel. As ações de controle vetorial devem ser planejadas para serem 
executadas de forma permanente, promovendo a articulação sistemática com todos 
os setores do município (educação, saneamento, limpeza urbana etc.). O 
planejamento das atividades e condição essencial para a definição das 
necessidades de pessoal, equipamentos e insumos, o que vai permitir a aquisição, 
em tempo hábil, dos materiais utilizados na rotina do agente, assim como 
equipamentos de proteção individual (EPI), uniformes, crachás de identificação, etc. 
(BRASIL, 2009). 
Na organização das atividades de campo o agente é o responsável por uma 
zona fixa de 800 a 1.000 imóveis, visitados em ciclos bimensais nos municípios 
infestados por Aedes aegypti. Ele tem como obrigação básica: descobrir focos, 
destruir e evitar a formação de criadouros, impedir a reprodução de focos e orientar 
a comunidade com ações educativas (BRASIL, 2001). 
O reconhecimento geográfico é atividade prévia e condição essencial para a 
programação das operações de campo, de pesquisa entomológica e tratamento 
químico (BRASIL, 2001). 
É o primeiro passo para o planejamento das atividades de controle vetorial e 
consiste na identificação e numeração de quarteirões, bem como na localização e 
especificação do tipo de imóvel dentro de cada quarteirão. Sua atualização deve ser 
realizada após o encerramento das atividades de cada ciclo (BRASIL, 2009). 
Na vigilância e controle de vetores, a visita domiciliar, realizada pelo agente 
e pelo supervisor, é uma atividade fundamental para verificar a presença de 
criadouros, orientar os residentes sobre a eliminação dos mesmos e sobre medidas 
preventivas, identificação de foco e tratamento (biológico, químico, mecânico etc.) 
(BRASIL, 2009). 
Nas localidades não infestadas, far-se-á a delimitação de foco quando a 
vigilância entomológica detectar a presença do vetor. É, portanto, uma atividade 
exclusiva de municípios não infestados (estrato IV). Na delimitação de foco, a 
19 
 
pesquisa larvária e o tratamento focal devem ser feitos em 100% dos imóveis 
incluídos em um raio de até 300 metros a partir do foco inicial, detectado em um 
ponto estratégico ou armadilha, bem como a partir de um levantamento de índice 
(LI) ou pesquisa vetorial espacial (PVE) positiva (BRASIL, 2001). 
São locais onde ha concentração de depósitos do tipo preferencial para a 
desova da fêmea do Aedes aegypti ou especialmente vulneráveis a introdução do 
vetor. Exemplos: cemitérios, borracharias, ferros-velhos, depósitos de sucata ou de 
materiais de construção, garagens de ônibus e de outros veículos de grande porte. 
As atividades de vigilância nesses locais devem ser realizadas com periodicidade 
quinzenal. A aplicação residual e/ou focal deve ser realizada mensalmente ou 
quando detectada a presença de focos (BRASIL, 2009). 
É feito por meio de pesquisa larvária, para conhecer o grau de infestação, 
dispersão e densidade por Aedes aegypti e/ou Aedes albopictus nas localidades. O 
LI terá periodicidade bimensal nas localidades infestadas ou quadrimensais 
naquelas não infestadas (BRASIL, 2001). 
Pesquisa larvária é a inspeção de formas imaturas (larvas e pupas) em 
todos os depósitos do imóvel. Para vistoria do recipiente, utiliza-se o pesca-larva 
com o objetivo de coletar uma amostra de larvas e pupas do recipiente. Para facilitar 
a atividade e encontrar mais facilmente os imaturos de Aedes aegypti, utiliza-se uma 
fonte luminosa, que pode ser um espelho direcionado ao sol ou uma lanterna 
(BRASIL, 2009). 
De uma maneira geral, são utilizadas armadilhas para coleta de ovos 
(ovitrampa) e para coleta de larvas (larvitrampa), colocadas, estrategicamente, em 
localidades negativas ou com baixa infestação ou em áreas estratégicas, como 
portos e aeroportos, com a finalidade de monitorar a infestação. Não se recomenda 
a adição de produtos químicos as armadilhas (BRASIL, 2009). 
O Levantamento de Índice Rápido (LIRAa) foi desenvolvido em 2002, para 
atender a necessidade dos gestores e profissionais que operacionalizam o programa 
de controle de dengue de dispor de informações entomológicas em um ponto no 
tempo (antes do início do verão) antecedendo o período de maior transmissão, com 
vistas ao fortalecimento das ações de combate vetorial nas áreas de maior risco 
(BRASIL, 2009). 
Esse levantamento é amostral, ou seja, não há necessidade de todas as 
casas serem visitadas. O resultado deste são índices de infestação predial e são 
20 
 
divididos da seguinte forma: inferiores a 1% (estão em condições satisfatórias), de 
1% a 3,9% (estão em situação de alerta) e superior a 4% (há risco de surto de 
dengue) (BRASIL, 2009a). 
Os indicadores entomológicos passíveis de serem construídos por meio dos 
dados obtidos nesses levantamentos são aqueles que são utilizados na rotina dos 
programas de combate vetorial, quais sejam: índices de Infestação Predial (IIP), 
Breteau (IB) e de Tipo de Recipiente (ITR) (BRASIL, 2009). 
O índice de infestação predial é a relação expressa em porcentagem entre o 
numero de imóveis positivos e o numero de imóveis pesquisados (BRASIL, 2009). O 
índice de tipo de recipiente indica a proporção de recipientes positivos por tipo de 
criadouro (Brasil, 2009). O índice de breteau, expresso em números absolutos, 
estabelece uma relação entre recipientes positivos e imóveis e, embora forneça mais 
informações, não aponta dados sobre a produtividade dos depósitos (BRASIL, 
2009). 
Pesquisa vetorial especial é a procura eventual de Aedes aegypti em função 
de denúncia da sua presença em áreas não infestadase, no caso de suspeita de 
dengue ou febre amarela, em área até então sem transmissão. No caso de denúncia 
da presença do vetor, a pesquisa é atividade complementar, não devendo interferir 
no trabalho de rotina de combate (BRASIL, 2001). 
O tratamento focal consiste na aplicação de um produto larvicida nos 
depósitos positivos para formas imaturas de mosquitos, que não possam ser 
eliminados mecanicamente. No imóvel com um ou mais depósitos com formas 
imaturas, todos os depósitos com água que não puderem ser eliminados serão 
tratados. Em áreas infestadas bem delimitadas, desprovidas de fonte de 
abastecimento coletivo de água, o tratamento focal deve atingir todos os depósitos 
de água de consumo vulneráveis à oviposição do vetor (BRASIL, 2001). 
Estrato I: áreas com transmissão de dengue clássico pelo menos por dois 
anos, consecutivos ou não, com circulação simultânea ou sucedânea de mais de um 
sorotipo, com risco de ocorrência da febre hemorrágica por dengue, e/ou ocorrência 
de casos de FHD; estrato II: áreas com transmissão de dengue clássico; estrato III: 
áreas infestadas pelo Aedes aegypti e estrato IV: áreas não infestadas (sem o vetor) 
(BRASIL, 2001). 
21 
 
2.1.5 Dengue: Risco para a Saúde Pública 
 
A identificação precoce dos casos de Dengue é de vital importância para a 
tomada de decisões e para a implementação de medidas de maneira oportuna, 
visando principalmente ao controle da doença. A organização de serviços de saúde, 
tanto na área de vigilância epidemiológica quanto na prestação de assistência 
médica, é essencial para reduzir a letalidade das formas graves e conhecer o 
comportamento da dengue, sobretudo em períodos de epidemia. Nessas situações, 
é mandatória a efetivação de um plano de contingência que contemple as 
necessidades de recursos humanos e financeiros e a identificação de unidades de 
referência (BRASIL, 2005a). 
Tratar de uma população apresentando casos de dengue, ameaçada por um 
ambiente com a presença do mosquito, deixa de ser um problema médico e passa a 
ser um problema social, exigindo como resposta políticas públicas capazes de 
viabilizar a reconstrução da segurança da comunidade (BRASIL, 2009b). 
2.1.6 O papel dos gestores e da comunidade no controle da Dengue 
 
Tradicionalmente, o combate ao Aedes aegypti foi desenvolvido seguindo as 
diretrizes da erradicação vertical, onde a participação comunitária não era 
considerada como atividade essencial. No entanto, a abordagem ampla e a 
participação comunitária são fundamentais e imprescindíveis (BRASIL, 2001). 
O controle da dengue exige um esforço de todos os profissionais de saúde, 
gestores e população. Não se combate a dengue sem parcerias, é preciso envolver 
outros setores da administração do município, como limpeza urbana, saneamento, 
educação, turismo, meio ambiente, entre outros. É preciso que as ações para o 
controle da dengue garantam a participação efetiva de cada morador na eliminação 
de criadouros já existentes ou de possíveis locais para reprodução do mosquito 
(BRASIL, 2009 a). 
Os profissionais de saúde têm como desafio atual trabalhar para o 
desenvolvimento da consciência sanitária dos gestores municipais dos sistemas de 
saúde, para que passem a priorizar as ações de saúde pública e trabalhem na 
22 
 
perspectiva de desenvolvimento da vigilância da saúde, que tem como um dos seus 
pilares de atuação a vigilância epidemiológica de problemas de saúde prioritários, 
em cada espaço geográfico (BRASIL, 2010). 
Não somente os Agentes Comunitários de Saúde, mas todos os 
profissionais das Equipes Saúde da Família têm importante papel e contribuição no 
desenvolvimento destas ações. É preciso que o combate à dengue seja planejado 
em conjunto. Os gestores municipais e os profissionais devem estabelecer fluxos e 
protocolos de atendimento, garantindo os exames laboratoriais e realizando o 
encaminhamento de casos graves, quando necessário, se responsabilizando por ele 
(BRASIL, 2009 a). 
A participação comunitária é mais facilmente obtida e preservada se ela 
puder observar a eficiência dos serviços públicos de saúde. As visitas domiciliares 
pelos agentes de saúde devem ser realizadas coma periodicidade necessária para 
renovar o apelo aos cuidados (BRASIL, 2009 b). 
O controle da dengue na atualidade e uma atividade complexa, tendo em 
vista os diversos fatores externos ao setor saúde, que são importantes 
determinantes na manutenção e dispersão tanto da doença quanto de seu vetor 
transmissor. Dentre esses fatores, destacam-se o surgimento de aglomerados 
urbanos, inadequadas condições de habitação, irregularidade no abastecimento de 
água, destinação imprópria de resíduos, o crescente transito de pessoas e cargas 
entre países e as mudanças climáticas provocadas pelo aquecimento global. Tendo 
em vista esses aspectos, e fundamental, para o efetivo enfrentamento da dengue, a 
implementação de uma política baseada na intersetorialidade, de forma a envolver e 
responsabilizar os gestores e a sociedade. Tal entendimento reforça o fundamento 
de que o controle vetorial e uma ação de responsabilidade coletiva e que não se 
restringe apenas ao setor saúde e seus profissionais (BRASIL, 2009). 
A organização da referência dos pacientes na rede de assistência faz parte 
das atribuições do sistema municipal e estadual de saúde e requer normas, rotinas e 
fluxos definidos e pactuados entre os gestores (BRASIL, 2009a). 
Existem várias estratégias de trabalho que buscam estimular o indivíduo, os 
grupos ou a comunidade a assumir consciente, criativa e criticamente a 
responsabilidade sobre suas condições de saúde. O maior enfoque deverá ser dado 
à ação participativa, cujos componentes básicos devem ser trabalhados com 
bastante flexibilidade, haja vista que no desenvolvimento do processo os mesmos 
23 
 
podem ocorrer isolados, articulados ou concomitantes, considerando-se a dinâmica 
da realidade social (BRASIL, 2010). 
É de vital importância a participação da comunidade, como produtora e 
administradora das ações realizadas, e a parceria e o apoio da equipe de saúde. O 
assumir responsabilidades deve ser um aprendizado contínuo, partindo do exercício 
da participação através dos seus grupos organizados e/ou a organizar, a exemplo de 
grupos de trabalho, comitês, comissões, escolas, igrejas, dentre outros (BRASIL, 
2010). 
Em se tratando de amparo legal às ações, podemos citar trechos da 
legislação brasileira que assegura a efetividade e o poder do gestor ou servidor 
público de desempenhar o seu trabalho normalmente conforme a legislação vigente. 
O gestor do Sistema Único de Saúde responsável pela execução das ações 
de campo de combate ao vetor transmissor da Dengue deverá, quando constatada a 
situação de que trata o artigo anterior, intensificar as ações preconizadas pelo no 
Programa Nacional de Controle da Dengue, em especial a realização das visitas 
domiciliares para eliminação do mosquito e de seus criadouros em todos os imóveis 
da área aferida, bem como a mobilização social para as ações preventivas (BRASIL, 
2006). 
Para se livrar desse “animal de estimação” existe um jeito: toda a 
comunidade, sem exceção, tem que concordar em colaborar com as medidas 
preventivas para acabar com o mosquito. Basta que um domicílio não o faça e a 
meta não será atingida. Essa é, para algumas comunidades, uma barreira quase 
intransponível. Para outras, alcançar tal grau de solidariedade que envolve a todos 
constitui um motivo de orgulho, por terem construído uma comunidade segura para 
si e para seus filhos. Um mérito reconhecido pelo mais exigente dos examinadores – 
o próprio mosquito que, com a sua ausência, atesta, com toda a segurança, essa 
qualidade (BRASIL, 2009 b). 
 
 
 
 
24 
 
3 PROCEDIMENTOS METODOLÓGICOS 
 
3.1 INSTRUMENTOS DE COLETA DE DADOS 
 
A região de estudo engloba o município de Augusto Pestana, localizado na 
Região Noroeste do Estadodo Rio Grande do Sul e que apresenta uma população 
de 7273 mil habitantes. 
A pesquisa desenvolvida será documental, realizada na Secretaria Municipal 
de Saúde e Assistência Social de Augusto Pestana, através de busca de 
informações em fontes secundárias, ou seja, em documentos disponíveis na 
Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social e em relatórios gerados pelos 
sistemas de informação disponíveis, que irão apresentar os dados quantitativos 
relativos à produção mensal do trabalho de campo do agente de combate a 
endemias. Dados de sites oficiais do Ministério da Saúde também poderão servir de 
suporte para a avaliação da eficácia das ações no controle da Dengue. 
Em relação à época escolhida para a análise, serão objeto de estudo os 
dados produzidos a partir do ano em que surgiram focos do mosquito transmissor da 
Dengue, ou seja, a partir do ano de surgimento do mosquito transmissor da Dengue 
no município, até o ano de 2011. A coleta de dados será realizada pela própria 
autora da pesquisa, com autorização do Secretário Municipal de Saúde e 
Assistência Social, conforme anexo E, durante os meses de fevereiro e março de 
2012. 
 
 
3.2 COLETA DE DADOS 
 
3.2.1 Dados coletados Sobre o controle da dengue no município de Augusto 
Pestana 
 
Os dados sobre Dengue foram coletados na Secretaria Municipal de Saúde 
e Assistência Social, diretamente no setor de vigilância ambiental, tendo como fonte 
principal os registros impressos e os dados fornecidos pelo programa SISFAD – 
25 
 
Sistema de Informação em Febre Amarela e Dengue. O período escolhido para a 
pesquisa foi a partir do ano de 2009, quando, conforme registro no boletim constante 
no anexo A, apareceu pela primeira vez amostra de larvas do principal transmissor 
da Dengue, o mosquito Aedes aegypti. 
 
3.2.2 Dados coletados sobre o ano de 2009 através do SISFAD 
 
Em 2009 no início de março, foram coletadas através de pesquisa larvária, 
as primeiras larvas do mosquito transmissor da dengue, através do trabalho 
desenvolvido com a instalação de armadilhas (larvitrampa). Neste período, conforme 
pactuação com a 17ª Coordenadoria Regional de Saúde, o trabalho a ser 
desenvolvido pelo município seria a visita quinzenal nos pontos estratégicos, 
combinada com a visita semanal nas armadilhas presentes em 16 pontos da zona 
urbana. Uma vez descoberta, as larvas do mosquito transmissor em armadilhas, o 
município não é considerado positivo, mas devem-se realizar visitas nas residências 
ao entorno da armadilha positiva para determinar a necessidade de realizar o 
trabalho de levantamento de índices. Durante este trabalho, foi confirmada a 
presença numa residência de larvas do Aedes aegypti e a partir daí a estratificação 
do município passou de IV para III. 
Com a presença de larvas, confirmada na zona urbana, o trabalho de campo 
a ser realizado é um LI+T, que na verdade é o levantamento de índices de 
infestação, combinado com o tratamento dos focos de água parada. Este trabalho é 
bimensal, ou seja, toda a cidade deve ser visitada em ciclos bimestrais, e os 
depósitos que não podem ser eliminados mecanicamente, através do trabalho braçal 
do agente devem ser tratados quimicamente. Ações de conscientização da 
população através de palestras, divulgação de informações nos meios de 
comunicação e mutirões de limpeza aconteceram concomitantemente. Durante o 
ano de 2009 existia apenas um Agente de Combate a Endemias exclusivo para o 
trabalho de controle da Dengue. Abaixo estão relacionados os dados relativos ao 
ano de 2009: 
 
 
26 
 
 
Tabela 1 - Dados do trabalho de campo no ano de 2009 
Número de imóveis cadastrados no 
Registro Geral: 
Sem informação 
Número de armadilhas: 16 
Número de quarteirões: Sem informação 
LI+T: Sem informação 
Fonte SISFAD 
 
No trabalho de pesquisa em pontos estratégicos (de acordo com os anexos 
B e C correspondentes à listagem de pontos estratégicos do município), foram feitas 
272 visitas, com os dados abaixo sobre depósitos inspecionados: 
 
Tabela 2 - Dados coletados na pesquisa em pontos estratégicos em 2009 
Dep. 
Inspecionados 
A1 A2 B C D1 D 2 E TOTAL 
Quantidade 5 0 16 422 156 0 0 599 
Dep. Com larvas 
Aedes 
albopictus 
0 0 0 2 8 0 0 0 
Fonte SISFAD 
Do total de depósitos inspecionados, 253 foram eliminados, ou seja, não 
voltarão a serem mais focos de água parada, pois sofreram tratamento químico ou 
mecânico por parte do agente ambiental. Os depósitos predominantes com água 
parada foram C e D1 (convenção do tipo de depósito no verso do boletim de registro 
diário, constante no anexo D). 
No trabalho de pesquisa em armadilhas foram feitas 752 visitas, nas quais 
22 armadilhas se apresentaram produtivas para larvas, totalizando 22 amostras 
coletadas. Destas amostras, 125 larvas foram coletas, sendo 6 de Aedes aegypti, 27 
de Aedes albopictus e 92 de outros insetos. 
27 
 
Em relação ao número de focos positivos, foram encontrados boletins que 
comprovaram a existência de 4 focos positivos em 2009. 
 
3.2.3 Dados coletados sobre o ano de 2010 através do SISFAD 
 
No ano de 2010, o esquema de trabalho a ser realizado continuou a ser o 
mesmo, devido à estratificação do município que continuava infestado pelo mosquito 
Aedes aegypti, ou seja, 6 ciclos bimensais de LI+T e visitas em pontos estratégicos. 
O diferencial é que neste ano as armadilhas foram retiradas, haja vista que são 
adotadas apenas em município não infestados. Abaixo seguem os dados do trabalho 
de campo do ano de 2010: 
 
Tabela 3 - Dados coletados no trabalho de campo no ano de 2010 
Número de imóveis cadastrados no 
Registro Geral: 
1807 
Número de pontos estratégicos: 15 
Número de quarteirões: 118 
Fonte: SISFAD 
No trabalho de levantamento de índice mais tratamento, foram 
inspecionados 2483 imóveis, sendo que em 21quarteirões foi encontrada a presença 
do Aedes aegypti; de todos os depósitos inspecionados, com coleta de amostra de 
larvas, 45 comprovaram a presença do Aedes aegypti. 
O total de amostras neste tipo de trabalho foi de 112, as quais apresentaram 
346 larvas de Aedes aegypti. Em relação ao tipo de imóvel inspecionado, 
contabilizou-se 1380 residências, 280 comércios, 6 pontos estratégicos, 694 
terrenos baldios e 154 outros. 
Dos imóveis trabalhados, 21 apresentaram amostras positivas para Aedes 
aegypti e 34 para outros tipos de larvas. Dos imóveis visitados 644 encontraram-se 
fechados, sendo que destes fechados, 24 foram recuperados. Em 1132 imóveis 
foram aplicados tratamento focal. 
 
28 
 
Tabela 4 - Dados relativos ao trabalho de levantamento de índice e tratamento em 
2010 
Dep. 
inspecionados 
A1 A2 B C D1 D 2 E TOTAL 
Quantidade 3 520 1696 1412 311 1308 233 5483 
Dep. Com 
larvas Aedes 
albopictus 
0 0 0 0 0 0 0 0 
Dep. Com 
larvas Aedes 
aegypti 
 3 39 2 1 45 
Fonte: SISFAD 
Dos depósitos citados anteriormente, 1940 foram eliminados, 3237 foram 
tratados. 
No trabalho de pesquisa em pontos estratégicos, foram realizadas 285 
visitas de inspeção, sendo que em cinco pontos foram encontrados larvas de Aedes 
aegypti e em 28 foram encontradas larvas de outros insetos. 
 
Tabela 5 - Dados coletados na pesquisa de pontos estratégicos em 2010 
Dep. 
inspecionados 
A1 A2 B C D1 D 2 E TOTAL 
Quantidade 1 280 295 351 708 61 17 1713 
Dep. Aedes 
albopictus 
0 0 0 0 0 0 0 0 
Dep. Com 
larvas Aedes 
aegypti 
0 0 0 2 5 0 0 7 
Fonte: SISFAD 
 Dos depósitos descritos na tabela anterior, 286 foram eliminados e 113 
sofreram tratamento mecânico ou químico. 
Devido às denúncias de possíveis casos de Dengue, foi aberto no sistema 
de informação um ciclo para cadastrar o trabalho de pesquisa vetorial especial. 
Neste ciclo de trabalho foram visitados 34 imóveis, nos quais foram coletadas cinco 
amostras, com coleta de 32 larvas de Aedes aegypti, em três destes imóveis citados. 
Os tipos de depósitos predominantes foram A1 e C. 
No ano pesquisadoacima também foi informada a presença de um Agente 
de Combate a Endemias exclusivo para trabalho no combate a Dengue 
 
29 
 
3.2.4 Dados coletados sobre o ano de 2011 através do SISFAD 
 
Em 2011, o município ainda continuava positivo, como se pode perceber 
pelos dados abaixo. 
 
Tabela 6 - Dados coletados no trabalho de campo em 2011 
Número de imóveis cadastrados no 
Registro Geral: 
2052 
Número de pontos estratégicos: 21 
Número de quarteirões: 121 
Fonte: SISFAD 
No ciclo de trabalho de Levantamento de Índice e Tratamento foram 
inspecionados 1620 imóveis, apresentando 12 quarteirões positivos para Aedes 
aegypti. 
Houve a coleta de 47 amostras, dentre as quais apresentaram 144 larvas de 
Aedes aegypti e 199 de outros insetos. Dos imóveis trabalhados, 14 foram positivos 
para Aedes aegypti, 246 estavam fechados e 781 receberam tratamento focal. 
 
Tabela 7 - Dados coletados no trabalho de levantamento de índice e tratamento em 
2011 
Dep. 
Inspecionados 
A1 A2 B 
0 
C 
0 
D1 
0 
D 2 
0 
E 
0 
TOTAL 
0 
Quantidade 251 486 1525 253 401 2150 522 5588 
Dep. Com 
larvas Aedes 
aegypti 
1 6 13 1 0 1 0 22 
Fonte: SISFAD 
Dos depósitos inspecionados citados acima, 1285 foram eliminados, 2232 
tratados. 
Na pesquisa em pontos estratégicos foram encontrados 44 quarteirões 
positivos para Aedes aegypti, apresentando 132 larvas do mosquito transmissor da 
dengue e 181 larvas de outros insetos. 
Dos 336 imóveis trabalhados, 15 foram positivos para larvas do mosquito 
transmissor da dengue e 20 apresentaram larvas de outros insetos. 
 
 
30 
 
Tabela 8 - Dados coletados na pesquisa de pontos estratégicos em 2011 
Dep. 
inspecionados 
A1 
0 
A2 
0 
B 
0 
C 
0 
D1 
0 
D 2 
0 
E 
0 
TOTAL 
0 
Quantidade 150 424 2998 301 2793 1537 185 8388 
Dep. Com 
larvas Aedes 
aegypti 
0 7 2 1 9 0 0 19 
Fonte: SISFAD 
Dos depósitos inspecionados acima 227 foram eliminados. 
Neste trabalho de inspeção em pontos estratégicos 50 imóveis foram 
tratados, 212 depósitos foram eliminados. Foram tratados 647 depósitos. 
Em 2011 foi necessária fazer uma pesquisa vetorial especial em 8 imóveis, 
não sendo encontrada nenhuma larva de Aedes aegypti. 
 
Tabela 9 - Dados de pesquisa vetorial especial realizada em 2011 
Dep. 
Inspecionados 
A1 
0 
A2 
0 
B 
0 
C 
0 
D1 
0 
D 2 
0 
E 
0 
TOTAL 
Quantidade 0 0 6 0 0 6 0 12 
Dep. Com 
larvas Aedes 
aegypti 
0 0 0 0 0 0 0 0 
Fonte: SISFAD 
De acordo com os boletins fornecidos pela 17ª Coordenadoria Regional de 
Saúde encontrados, ocorreram quatro focos positivos para Aedes aegypti em 2009, 
30 focos positivos em 2010 e 28 focos positivos em 2011. 
Em 2011 o município ainda contava com um agente de campo exclusivo 
para o controle da Dengue. 
3.2.5 Trabalho educativo realizado no município entre os anos de 2009 e 2011 
 
O trabalho educativo, visando o controle da Dengue é feito pelos 
funcionários do setor de vigilância ambiental da Secretaria Municipal de Saúde com 
o auxílio de seus colegas do Programa de Saúde da Família. 
Conforme observado nos registros do setor de vigilância ambiental, 
anualmente acontecem palestras nas escolas para os alunos do ensino fundamental 
principalmente, além de distribuição de material informativo nas residências pelos 
31 
 
Agentes Comunitários de Saúde e Agente de Combate a Endemias. Convém 
salientar que existe uma boa sintonia entre o gestor municipal e os funcionários do 
setor de vigilância ambiental, no que se refere ao entendimento sobre a importância 
de confeccionar material informativo para a distribuição à população e também de 
fornecimento de material para o trabalho de campo, pois se observou a presença de 
grande variedade e quantidade de folders, banners, faixas e cartazes, que também 
são usados nos eventos promovidos com objetivo de prevenção da Dengue, além de 
os agentes de combate a endemias estarem devidamente identificados e com 
material de trabalho suficiente. 
Anualmente é realizado em nível nacional O Dia “D” de Combate a Dengue, 
sendo como atividade peculiar a realização de mutirões de limpeza na zona urbana 
e, no ano de 2010 foi realizada a troca de um kit de material escolar por embalagens 
não utilizadas nas residências, que poderiam vir a se tornar foco de água parada. 
Foram observadas fotos de atividades realizadas pela equipe da Secretaria 
Municipal de Saúde e Assistência Social que explicaram algumas ações 
desenvolvidas, bem como evidenciaram o nível de participação da comunidade no 
controle da Dengue. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
32 
 
4 DISCUSSÃO SOBRE O TRABALHO REALIZADO DE ACORDO COM OS 
DADOS COLETADOS 
 
 
Os resultados serão apresentados a seguir, de acordo com os objetivos 
específicos do estudo. 
Na pesquisa desenvolvida em 2009, 2010 e 2011 observou-se que o 
município de Augusto Pestana não conseguiu atingir o número de visitas proposto, 
algo bastante preocupante, pois o trabalho de inspeção dos imóveis pelo Agente de 
Combate a Endemias é muito importante, justamente por poder combater química e 
mecanicamente os focos, além de alertar e buscar conscientizar a população sobre 
a importância de manter suas residências livre de focos de água parada. 
Existe uma grande quantidade de imóveis fechados, de acordo com os 
dados produzidos pelo trabalho de campo. Percebe-se também uma grande 
quantidade de uso de larvicida nos imóveis inspecionados nas visitas realizadas em 
pontos estratégicos. O tipo de depósito inspecionado com água parada também 
deve ser levado em conta, observa-se que a maioria ocorre nos tipos D1, D2, A1 e 
C. 
Não foi possível realizar uma análise relevante da maioria dos índices 
relacionados ao trabalho de campo realizado no controle da Dengue, pois os ciclos 
de levantamento de índice e tratamento não ocorreram dentro do prazo adequado, 
prejudicando assim o fornecimento e alimentação destes indicadores. 
O trabalho do gestor em relação à educação sobre o controle da Dengue 
está com um bom nível de comprometimento, pois investe em confecção de material 
informativo e disponibiliza que outros servidores públicos da SMS participem de 
palestras juntamente com os seus colegas da vigilância ambiental, além de fornecer 
material adequado ao agente de combate a endemias que trabalha nas atividades 
de campo. Porém, se observa a necessidade urgente de contratar mais agentes de 
trabalho de campo. 
Em relação ao trabalho educativo se percebe que é necessário reformular 
estratégias de ação, talvez abrangendo o público alvo das palestras educativas e 
buscando sensibilizar a comunidade para atuação em mutirões de limpeza dentro do 
município. 
33 
 
Nos registros de atividades de campo aparecem algumas fotos do trabalho 
realizado, evidenciando as palestras feitas para os alunos da rede municipal de 
ensino (anexo F). Durante estas palestras feitas pelo agente de combate a endemias 
são apresentados vídeos educativos e também apresentações em power point, 
somado a entrega de folder com bilhetes para os pais das crianças, quando a idade 
das mesmas é baixa e a multiplicação do aprendizado se mostra restrita. 
O agente de combate a endemias afirma que mesmo as crianças tendo 
pouca idade, as mesmas prestam atenção e conseguem passar adiante algumas 
orientações, sendo assim uma esperança, pois as visitas repetidas contribuem para 
a formação de uma consciência voltada para a prevenção. 
Outra maneira buscada para levar conscientização à população e adesão de 
grupos organizados nas atividades de controle de focos da Dengue é a realização 
de mutirões de limpeza em pontos estratégicos da zona urbana. Com este objetivo, 
aconteceu um mutirão com a ajuda dos pacientes do Centro de Atenção 
Psicossocial do Hospital São Francisco (conforme anexo G), contando com a 
participação dos pacientes que estavam em condições de ajudar, tendo como 
atividade a coleta de embalagens que poderiam se tornarfoco de água parada e 
também entrega de folhetos informativos nas residências pelas quais o mutirão 
passou. 
Outra atividade relatada foi a participação do 27º Grupo de Artilharia de 
Campanha de Ijuí, realizando coleta de embalagens que poderiam se tornar 
possíveis focos de água parada às margens da RS 522 e também entrega de 
folhetos com informações sobre a Dengue, porém, não havia registro fotográfico 
desta ação. 
Como se pode evidenciar nestas atividades de mutirões de limpeza, não 
ocorre a participação da população em geral, sendo que de acordo com o registro 
fotográfico (anexo H) e relato do agente de combate a endemias, os mutirões são 
feitos pelos funcionários da Secretaria, entre eles agentes comunitários de saúde, 
enfermeiros, técnicos de enfermagem e colegas da Secretaria Municipal de Obras. 
Outro ponto percebido de acordo com o registro fotográfico foi a falta de vestimenta 
adequada aos funcionários de outras áreas, sendo que apenas o agente de combate 
a endemias possuía vestimenta para este tipo de trabalho com identificação, mas o 
mais importante é que todos receberam luvas para proteção do contato com o lixo. 
34 
 
Outra atividade realizada com o intuito de reunir grande quantidade da 
população é a realização do Dia D de Combate a Dengue (conforme anexo I), sendo 
que neste dia toda a população é convidada a trocar embalagens inservíveis que 
possam se transformar em foco de água parada por um kit escolar. Conforme lista 
de presença feita no dia pelos agentes de combate a endemias, a atividade tem boa 
aceitação da comunidade, registrando um bom número de kits entregues e a 
consequente retirada de um grande volume de “lixo” das residências. Porém, ainda 
fica a preocupação dos agentes de combate a endemias com o lixo existente na 
zona rural do município, uma vez que não há coleta regular de lixo no meio rural. 
No meio rural também ocorreram atividades visando integrar a população no 
controle da Dengue, referentes a busca ativa de focos de água parada em pneus, 
por exemplo, devido a cultura de usá-los em cima da lona da silagem, sendo que 
neste trabalho o agente de combate a endemias visitou as residências junto com os 
Profissionais do Programa de Saúde da Família. Esta atividade aconteceu durante o 
período pesquisado e rendeu bons resultados, pois alguns produtores rurais 
eliminaram boa parte dos focos de água parada existente e ao mesmo tempo, as 
pessoas foram orientadas para manter a higiene de suas propriedades, dando 
destinação adequada aos resíduos sólidos. Conforme foto (anexo J), observamos 
que muitas residências no meio rural vivem quase que abandonadas pelos seus 
moradores, muitas vezes pelo fato de que os mesmos desconhecem a importância 
de manter bons hábitos de higiene e a orientação sobre prevenção da Dengue 
refletindo muitas melhorias nas condições de higiene do ambiente, não apenas 
eliminação de focos de água parada. 
Como se percebe, muitas são as ações desenvolvidas para buscar o apoio 
da comunidade no controle da Dengue, mas ainda assim a resposta não é muito 
abrangente, talvez novas estratégias devam ser pensadas, a gestão das ações deve 
ser mais bem desenhada, necessitando assim um entrosamento maior entre gestor 
e comunidade, não esquecendo o diálogo do gestor com os agentes de combate a 
endemias. 
 
 
 
 
 
35 
 
 
 
 
 
 
5 CONSIDERAÇÕES FINAIS 
 
Após o estudo realizado na Secretaria Municipal de Saúde e Assistência 
Social de Augusto Pestana, visando verificar a eficácia da gestão do controle da 
Dengue no município, conclui-se que os objetivos propostos foram alcançados, pois 
a pesquisa sobre o tema foi concluída, proporcionando um enriquecimento 
intelectual ao estudante que aprendeu sobre as ações de controle da Dengue, sendo 
possível inclusive a formulação de recomendações sobre algumas ações que 
poderiam enriquecer o trabalho que já é realizado e melhorar ainda mais a 
prevenção de surtos da doença. 
O conhecimento adquirido com o estudo foi além do obtido através do 
trabalho de pesquisa realizado dentro da Secretaria Municipal de Saúde e 
Assistência Social, pois permitiu conhecer melhor os mecanismos do trabalho de 
campo do agente de combate a endemias e sobre a responsabilidade no controle da 
Dengue atribuída ao gestor público e comunidade, sendo este aspecto descoberto 
em livros que abordam este tema específico, ficando comprovada a importância do 
envolvimento do estudante com a pesquisa, não bastando poucos instantes de 
dedicação, mas sim muitos dias de pesquisa, vontade e paciência para analisar 
dados numéricos, tabelas, arquivos fotográficos, leitura de informações em sistemas 
de informação, para que ao final tudo seja compilado, as respostas obtidas, sempre 
mantendo o foco do estudo científico, sem a pretensão de mudar ou questionar o 
que está sendo feito, mas tão somente sugerir, com base obtida ao longo da 
construção do trabalho, as ações que podem melhorar tudo o que está sendo feito, 
dando um retorno positivo à organização pesquisada. 
A revisão teórica desenvolvida neste trabalho proporcionou um maior 
entendimento sobre o assunto, sobre seus detalhes, tornando possível uma análise 
dos dados levantados, que acabaram evidenciando as várias nuances sobre o 
36 
 
problema de pesquisa. Observou-se que a preocupação do estudante é relevante, 
pois alguns aspectos de gestão da saúde estão sendo deixados a margem das 
atividades, muitas vezes ocasionando uma ineficácia das ações, seja por falta de 
abrangência das mesmas ou mesmo falta de conexão com a realidade que se 
apresenta. 
É iminente a necessidade de aproximação com a comunidade, buscando 
alternativas de sensibilização para gravidade do problema vivenciado, ou seja, a 
persistência da presença do mosquito transmissor da Dengue no município. 
Os dados coletados em relação ao rendimento do agente comprovam que é 
necessária a contratação, por parte do gestor, de mais agentes para equilibrar o seu 
rendimento em relação ao número de imóveis a serem inspecionados no município. 
Outra estratégia que poderia ser buscada pelo gestor, é a criação de um 
documento legal que assegurasse ao agente de combate a endemias sua entrada 
em imóveis fechados, principalmente naqueles em que não existam moradores, 
diminuindo assim a grande quantidade de imóveis fechados que aparecem nos 
registros do trabalho de campo. 
A grande quantidade de uso de larvicidas nos depósitos inspecionados nos 
pontos estratégicos também chama a atenção, pois que parece ser devido ao 
descaso destes proprietários de imóveis, permitindo que permaneçam focos de água 
parada em seus estabelecimentos. Talvez a intervenção de algum outro setor da 
Secretaria Municipal de Saúde com poder de fiscalização poderia surtir resultados 
mais positivos, tendo em vista que ações educativas não estão sendo suficientes. 
Ações como mutirões mais frequentes e ações efetivas para dar destinação 
adequada a pneus que não são mais utilizados devem ser pensadas, pois de acordo 
com os registros apresentados, a maioria dos depósitos encontrados com larvas é 
do tipo A1, B e D2. Mutirões de limpeza combinados com uma coleta de lixo 
eficiente e conscientização da população sobre destinação adequada do lixo 
doméstico surtiriam efeito. 
Em relação ao depósito do tipo C, bastante encontrado também, acredita-se 
que a divulgação de maneiras de como fechar bem as caixas de água e cisternas 
podem contribuir para a diminuição da presença de larvas, uma vez que em 
períodos de seca como este que vivemos no momento aumenta o armazenamento 
de água da chuva e pode agravar este problema. 
37 
 
Fica também como recomendação a análise de possibilidade de contratação 
de mais pessoal para trabalho de campo, visando uma maior e mais eficiente 
cobertura da área a ser trabalhada, aumentando a vigilância sobre o controle da 
Dengue, pois com mais agentes na rua talvez aprópria comunidade se sentiria 
“vigiada” e no comprometimento de fazer a sua parte com mais regularidade e 
eficiência. Sabe-se que existem muitos mecanismos que organizam os processos de 
contratação de funcionários públicos e muitas vezes surgem vários entraves 
administrativos para estas decisões que devem ser tomadas pelos gestores, 
portanto alternativas devem ser buscadas, assim como o aumento dos recursos 
disponíveis e captação de recursos estaduais e federais para este fim. 
Vigiar nunca é demais, prevenir é o melhor remédio, então, os esforços para 
garantir a eficácia do controle da Dengue no município de Augusto Pestana devem 
ser reforçados, tanto no que corresponde à responsabilidade do setor público quanto 
ao que cabe à comunidade em geral. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
38 
 
 
 
 
 
REFERÊNCIAS 
BRASIL. 1999. Portaria nº 1399, de 15 de dezembro de 1999. Estabelece 
procedimentos para elaboração, implementação e acompanhamento da 
Programação Pactuada e Integrada de Vigilância em Saúde. Ministério da Saúde. 
 
BRASIL. 2001. Dengue – instruções para pessoal de combate o vetor. 
Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Brasília. 84 p. 
 
BRASIL. 2002. Programa Nacional de Controle da Dengue: amparo legal à 
execução das ações de campo – imóveis fechados, abandonados ou com 
acesso não permitido pelo morador. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de 
Saúde. Brasília. 156 p. 
 
BRASIL. 2002a. Programa Nacional de Controle da Dengue – instituído em 24 de 
julho de 2002. Ministério da Saúde. Fundação Nacional de Saúde. Brasília. 32 p. 
 
BRASIL. 2005. Guia de vigilância epidemiológica. Ministério da Saúde. 
Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). 
Brasília. 816 p. 
 
BRASIL. 2005a. Dengue – diagnóstico e manejo clínico. Ministério da Saúde. 
Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). 
Brasília, 24 p. 
 
BRASIL. 2006. Portaria nº 029, de 11 de julho de 2006. Define parâmetro que 
caracteriza situação de iminente perigo á saúde pública pela presença do 
mosquito transmissor da Dengue. Ministério da Saúde. 
 
 
BRASIL. 2008. Plano de Contingência para Dengue do Estado do Rio Grande do 
Sul. Porto Alegre, 107 p. 
 
BRASIL. 2009. Diretrizes Nacionais para Prevenção e Controle de Epidemias de 
Dengue. Secretaria de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). 
Brasília. 160 p. 
 
BRASIL. 2009a. O Agente Comunitário de Saúde no Controle da Dengue. 
Secretaria de Vigilância em Saúde. Brasília. 36 p. 
 
39 
 
 
BRASIL. 2009b. Construindo Comunidades Mais Seguras – preparando para a 
ação cidadã em defesa civil. Secretaria Nacional de Defesa Civil. Florianópolis. 
116 p. 
 
BRASIL. 2010. Guia de vigilância epidemiológica. Ministério da Saúde. Secretaria 
de Vigilância em Saúde (Série A. Normas e Manuais Técnicos). Brasília. 816 p. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
40 
 
 
 
 
 
 
 
Anexos 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
41 
 
 
ANEXO A – BOLETIM DE IDENTIFICAÇÃO DE VETORES DA DENGUE 
 
 
 
42 
 
ANEXO B – FICHA DE CONTROLE DA FEBRE AMARELA E DENGUE 
 
 
 
43 
 
ANEXO C – FICHA DE CONTROLE DOS PONTOS ESTRATÉGICOS 
 
 
 
44 
 
ANEXO D – RESUMO DO TRABALHO DE CAMPO 
 
 
 
45 
 
ANEXO E – AUTORIZAÇÃO PARA REALIZAÇÃO DA PESQUISA 
 
 
 
 
 
46 
 
ANEXO F - PALESTRA FEITA PELA AGENTE DE COMBATE A ENDEMIAS 
PARA ALUNOS DA REDE MUNICIPAL DE ENSINO. 
 
Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
47 
 
ANEXO G - MUTIRÃO DE LIMPEZA REALIZADO EM CONJUNTO COM OS 
PACIENTES DO CENTRO DE ATENÇÃO PSICOSSOCIAL A/D II. 
 
 Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
48 
 
ANEXO H – FUNCIONÁRIOS DA SECRETARIA MUNICIPAL DE SAÚDE 
PARTICIPANDO DO MUTIRÃO DE LIMPEZA PARA COMBATE A DENGUE 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
49 
 
ANEXO I – Foto do Dia D de Combate a Dengue 
 
 Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
50 
 
ANEXO J- FOTO DE VISITA DOMICILIAR DO AGENTE DE COMBATE A 
ENDEMIAS COM OS PROFISSIONAIS DO PROGRAMA DE SAÚDE DA FAMÍLIA. 
 
Fonte: arquivo de fotos da Secretaria Municipal de Saúde e Assistência Social

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