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CONTROLE DE ENDEMIAS AULA 3 Profª Raquel Jaqueline Farion 2 CONVERSA INICIAL A vigilância epidemiológica é uma ferramenta essencial para a atuação do agente de controle de endemias (ACE) e do agente comunitário de saúde (ACS) no controle das doenças endêmicas. Para tanto, a qualificação é imprescindível, preparando você para realizar uma investigação epidemiológica, orientar e implantar as medidas de controle correspondentes a cada doença, além de estar atento a todos os casos suspeitos e encaminhá-los para a Unidade Básica de Saúde (UBS). Esperamos que este material traga conhecimento e auxilie no desenvolvimento das atividades relacionadas à vigilância epidemiológica, fundamentais para o controle das endemias. TEMA 1 – VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA A epidemiologia é a principal ciência que auxilia no planejamento e na execução das ações de prevenção e promoção à saúde. Está intimamente relacionada ao processo saúde-doença da população (Organização Pan- Americana da Saúde, 2010). A vigilância epidemiológica foi estabelecida pela Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990, como um “conjunto de ações que proporcionam o conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade de recomendar e adotar as medidas de controle e prevenção de doenças ou agravos” (Brasil, 1990). As equipes de saúde das unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) têm uma grande responsabilidade no desenvolvimento das ações de vigilância em saúde. Cada profissional tem sua função específica e funções que são comuns a toda a equipe (Brasil, 2017). O ACS e o ACE são profissionais importantes, pois representam um elo entre a comunidade e os serviços de saúde (Figura 1). Sua atuação deve ser de maneira integrada com a equipe da UBS no enfrentamento dos principais problemas de saúde da comunidade, o que reflete bons resultados nos controles das doenças, além de evitar a duplicidade de ações. Juntos enfrentam os principais problemas de saúde-doença da comunidade (Brasil , 2009b). Ao realizar uma visita domiciliar, pode ser que você identifique um 3 criadouro de mosquitos da dengue em que não é possível realizar a destruição mecânica. Assim, é preciso utilizar o larvicida, o que faz com que seja necessário entrar em contato com o ACE para planejar e realizar essa ação. Esse fato mostra que a integração desses profissionais é fundamental na execução das atividades diárias de controle de doenças (Brasil, 2016). Figura 1 – O agente de saúde e a comunidade Crédito: Melitas/Shutterstock. TEMA 2 – INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA Segundo o Ministério da Saúde (2021), a investigação epidemiológica é uma atividade que se inicia quando acontece a suspeita de uma doença de notificação compulsória. O procedimento se inicia com o preenchimento da Ficha Individual de Notificação (FIN), instrumento que deve ser preenchido pelos profissionais de saúde do serviço de saúde onde o usuário foi atendido pela primeira vez com sintomas de alguma doença de notificação compulsória. O acompanhamento de cada doença exige o seguimento de um fluxo para o desenvolvimento das ações da vigilância epidemiológica, deve ser realizado pela UBS da região em que o usuário reside e necessita do fornecimento das seguintes informações: identificação da fonte da infecção, modo de transmissão, grupos expostos aos fatores de risco, além de informações complementares, até o encerramento do caso. Cabe ao ACS realizar a visita domiciliar de 4 acompanhamento com a equipe da UBS, além de implantar as medidas de controle descritas no próximo tópico. TEMA 3 – MEDIDAS DE CONTROLE Esta etapa vai abordar as medidas de controle das doenças endêmicas tratadas em conteúdos anteriores. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 2009b), de modo geral as ações a serem desenvolvidas pelo ACS para o controle de doenças são: • identificar sinais e sintomas dos agravos/doenças e orientar os casos suspeitos para procurarem a UBS para diagnóstico e tratamento de acordo com as orientações da Secretaria Municipal de Saúde; • orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção individual, familiar e da comunidade para a prevenção das doenças; • planejar e programar as ações de controle de doenças em conjunto com o agente comunitário de endemias e a equipe da UBS; • promover reuniões com a comunidade com o objetivo de incentivar a realização das ações de prevenção e controle de dengue, malária, esquistossomose e tracoma, bem como conscientizar quanto à importância de que todas as residências de uma área infestada por vetores sejam trabalhadas (atuar em cooperação com o ACE); • incentivar e mobilizar a comunidade para desenvolver ações simples de manejo ambiental para controle de vetores (insetos, roedores, moscas, entre outros); • atuar nas residências, informando seus moradores sobre as doenças, seus sintomas e riscos, os agentes transmissores e as medidas de prevenção. TEMA 4 – MEDIDAS DE CONTROLE DAS ARBOVIROSES 4.1 Dengue, zika e chikungunya Conforme dispõe a Portaria n. 1.061, de 18 de maio de 2020 (Brasil, 2020), dengue, zika e chikungunya são doenças de notificação compulsória, ou seja, todo caso suspeito e/ou confirmado deve ser obrigatoriamente notificado ao serviço de vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). 5 Quanto às ações voltadas para o Aedes, é importante orientar quanto às medidas individuais que devem ser tomadas para controle da transmissão, como o uso de telas e repelentes pelos pacientes durante o período de viremia, a fim de se evitar novas transmissões, em especial para os familiares e vizinhos. É importante destacar a realização das ações de bloqueio diante dos primeiros casos suspeitos na localidade, com orientação à comunidade, aplicação de adulticida e controle casa a casa no perímetro do local provável de infecção (LPI) Brasil (2009b). 4.2 Ações do Agente de Controle de Endemias (ACE) • Reconhecer o território e manter atualizado o cadastro dos imóveis, por intermédio do reconhecimento geográfico, identificando pontos estratégicos (PE). • Identificar focos realizando a pesquisa larvária nos domicílios, bem como em armadilhas e em PE, conforme orientação técnica. • Ao encontrar objetos que possam ser criadouros do mosquito transmissor da dengue, orientar e observar a destruição ou a vedação de objetos, acompanhado pelo responsável pelo imóvel. • Realizar pesquisa larvária em pontos estratégicos (PE), em ciclos quinzenais, com tratamento focal e/ou residual, quando indicado tecnicamente. Identificar criadouros contendo formas imaturas do mosquito. • Realizar a aplicação de larvicidas, quando indicado, nos recipientes que não puderem ser removidos, destruídos, descartados, cobertos ou manejados, de forma que se tornem incapazes de permitir a reprodução do vetor, além do controle mecânico dos criadouros. • Intensificar as ações de controle visando à diminuição da população adulta de mosquitos, realizando a aplicação espacial de inseticidas com equipamento costal na ocorrência dos primeiros casos notificados. • Registrar, nos formulários específicos e de forma completa e correta, as informações referentes às atividades executadas, para alimentar o sistema de informações vetoriais. • Realizar vistoria e tratar os imóveis identificados pelo ACS quando for necessário o uso de larvicida, bem como os lugares de difícil acesso 6 informados pelo ACS. • Ao identificar um caso suspeito de dengue, encaminhá-lo à UBS responsável pelo território, conforme o fluxo da Secretaria Municipal de Saúde. • Divulgar sinais e sintomas da complicação das doenças transmitidas pelo Aedes. • Transmitir alerta dos profissionais de saúde à populaçãosobre a necessidade de eliminação dos criadouros e os perigos da automedicação. • Orientar a população a procurar a UBS ao surgirem os primeiros sintomas. • Promover atividades educativas mobilizando a comunidade para o desenvolvimento de ações de prevenção e controle da dengue em todo o território. • Notificar os casos suspeitos de dengue, informando a equipe da UBS. • Acompanhar os índices de infestação por Aedes aegypti nas áreas afetadas e as medidas de controle até a melhoria a situação. • Identificar situações que possam impedir a execução das ações necessárias durante as visitas domiciliares e comunicá-las ao supervisor. As visitas domiciliares realizadas pelos agentes de saúde, a fim de se reduzir o número dos imóveis fechados ou não visitados, devem observar o momento de maior permanência das famílias nas residências. Em algumas situações, é necessário planejar essas visitas para horários diferenciados, como em feriados e fins de semana. • Abordar os responsáveis pelos imóveis residenciais e não residenciais e conscientizá-los sobre a importância da verificação da existência de larvas ou mosquitos transmissores da dengue, realizando acompanhamento e vistoria no imóvel e observando possíveis criadouros. • Ao encontrar objetos que possam ser criadouros do mosquito transmissor da dengue, orientar e observar a destruição ou a vedação desses objetos, acompanhado pelo responsável pelo imóvel. • Participar de ações integradas com as equipes de saúde locais em apoio às ações de bloqueio de casos e eliminação de criadouros. (Brasil, 2009b) 7 4.3 Ações do Agente Comunitário de Saúde (ACS) • Realizar busca ativa de casos suspeitos sintomáticos que não procuraram o serviço de saúde. • Ao identificar um caso suspeito de dengue, encaminhá-lo à UBS responsável pelo território, conforme o fluxo da Secretaria Municipal de Saúde. • Divulgar sinais e sintomas de complicação das doenças transmitidas pelo Aedes. • Transmitir alerta dos profissionais de saúde à população sobre a necessidade de eliminação dos criadouros e os perigos da automedicação. • Orientar a população a procurar a UBS ao surgirem os primeiros sintomas. • Divulgar para a comunidade informações sobre sinais e sintomas da doença, bem como sobre o agente transmissor, os fatores de risco e as medidas de prevenção. • Abordar os responsáveis pelos imóveis residenciais e não residenciais e conscientizá-los sobre a importância da verificação da existência de larvas ou mosquitos transmissores da dengue, realizando acompanhamento e vistoria no imóvel e observando possíveis criadouros. • Ao vistoriar domicílios e encontrar objetos que possam ser criadouros do mosquito transmissor da dengue, orientar e observar a destruição ou a vedação desses objetos, acompanhado pelo responsável pelo imóvel. • Mobilizar a comunidade e estimular os moradores a adotar as medidas de prevenção de forma espontânea e rotineira. • Conduzir o ACE aos locais de difícil acesso que necessitem do uso de larvicidas. • Promover atividades educativas, mobilizando a comunidade para o desenvolvimento de ações de prevenção em todo o território. • Notificar a equipe da UBS e o ACE sobre os locais de criadouros de larvas e/ou do mosquito transmissor da dengue que necessitem de tratamento químico/biológico, bem como de outras ações da vigilância em saúde. • Comunicar a equipe da UBS e ao ACE os imóveis fechados e as recusas à visita. 8 • Notificar os casos suspeitos de dengue em ficha específica e informar a equipe da UBS. • Participar de ações integradas com as equipes de saúde locais em apoio às ações de bloqueio de casos e eliminação de criadouros. • Identificar os casos suspeitos e confirmados de dengue realizando visitas domiciliares de acompanhamento. • Acompanhar os índices de infestação por Aedes aegypti nas áreas afetadas e as medidas de controle até a melhoria da situação. • Registrar, nos formulários específicos e de forma completa e correta, as informações referentes às atividades executadas, para alimentar o sistema de informações vetoriais. • Encaminhar ao setor competente a ficha de notificação de dengue, conforme a rotina da UBS. • Vistoriar pontos estratégicos e tratá-los com aplicação de larvicida, caso necessário. As ações citadas são fundamentais para o controle da dengue, porém o controle depende de esforço de todos e da participação ativa de todos os setores da sociedade, bem como dos profissionais de saúde, gestores e população. 4.4 Cuidados no interior do domicílio • Quando houver plantas, deve-se evitar o uso de pratos nos vasos. Quando utilizados, não se deve deixar acumular água. Os vasos devem ser lavados semanalmente, com esponja ou bucha e sabão, para eliminar completamente os ovos do mosquito, ou ser preenchidos com areia até a borda. • Os recipientes que servem de bebedouros para os animais devem ser lavados com escova, esponja ou bucha, e a água deve ser trocada pelo menos uma vez por semana. • Qualquer recipiente com depósito de água deve estar bem fechado, sem nenhuma fresta (exemplos: potes, tambores, filtros, tanques e outros). 4.5 Cuidados fora do domicílio • Manter as calhas e lajes das casas limpas e sem depósito de água. • Quando houver piscina, a água deve estar sempre tratada com produtos 9 específicos. • Caixas d’água, poços, latões e tambores devem ser mantidos bem fechados. • As garrafas devem ser mantidas vazias e com a boca voltada para baixo. • Eliminar a água de plantas como bambus, bananeiras, bromélias, gravatás, babosa, espada-de-são-jorge, dentre outras. • Os pneus inutilizados devem ficar em locais protegidos da água da chuva ou devem ser destinados para reciclagem. • Verificar nos terrenos baldios se existem recipientes, pneus, latas ou qualquer outro objeto que possa acumular água. • Identificar a existência de casas desocupadas e terrenos vazios e localizar os donos para verificar se existem criadouros do Aedes aegypti. 4.6 Cuidados com o lixo • Não jogar lixo em terrenos baldios. • Manter o lixo tampado e seco até seu recolhimento para destinação adequada. • Tampar as garrafas antes de colocá-las no lixo. • Separar copos descartáveis, tampas de garrafas, latas, embalagens plásticas, enfim tudo o que possa acumular água. Colocá-los em sacos plásticos bem fechados e colocar no lixo. 10 Figura 2 – Representação gráfica da infestação do Aedes aegypti nas cidades Crédito: KajaNi/Shutterstock. TEMA 5 – MEDIDAS DE CONTROLE DE DOENÇAS VETORIAIS 5.1 Leishmaniose As medidas de proteção preconizadas consistem basicamente em diminuir o contato direto entre humanos e flebotomíneos através de medidas de proteção individual. • Uso de repelentes quando houver exposição a ambientes onde os vetores habitualmente possam ser encontrados. • Restrição de exposição nos horários de atividade do vetor (crepúsculo e noite). • Uso de mosquiteiros de malha fina, bem como a telagem de portas e janelas. • Manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e terrenos, a fim de alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de criadouros para formas imaturas do vetor. • Poda de árvores, de modo a aumentar a insolação, a fim de diminuir o 11 sombreamento do solo e evitar as condições favoráveis (temperatura e umidade) ao desenvolvimento de larvas de flebotomíneos. • Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir a aproximação de mamíferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis fontes de infecção para os flebotomíneos. • Limpeza periódica dos abrigos de animais domésticos. • Manutenção de animais domésticos distantes do intradomicílio durante a noite, de modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para esse ambiente. Os agentes devem divulgar para a população informaçõessobre a ocorrência de leishmaniose na região e alertar a respeito dos sinais clínicos e dos serviços para o diagnóstico, bem como informar sobre as medidas preventivas para a eliminação dos prováveis criadouros do vetor. 5.2 Esquistossomose 5.2.1 Ações do ACS relacionadas ao controle da esquistossomose • Orientar as medidas de proteção individual: evitar o contato com água contaminada por cercarias durante atividades profissionais ou de lazer, como banhos, pescas, lavagem de roupa e louça ou plantio de culturas irrigadas. • Realizar tratamento dos portadores para reduzir a carga parasitária e impedir o aparecimento de formas graves, supervisionando a tomada em dose única da medicação para esquistossomose, quando indicada. • Agendar o controle de cura, que consiste na realização de três exames de fezes em dias seguidos, após o quarto mês de tratamento. • Investigar a existência de casos na família e comunidade, a partir de caso confirmado por meio do exame parasitológico de fezes, conforme planejamento e programação da UBS. • Distribuir recipientes de coleta de material para exame parasitológico de fezes. • Orientar a população sobre a forma de evitar locais que possam oferecer risco para a formação de criadouros de caramujos. • Comunicar à UBS a existência de criadouros de caramujos. • Encaminhar ao ACE os casos em que houver necessidade do uso de 12 equipamentos e produtos específicos, como moluscocidas. 5.3 Doença de Chagas A prevenção desta doença está diretamente relacionada ao mecanismo de transmissão. Assim, deve-se orientar a população para: • manter quintais limpos, evitando acúmulo de materiais, e manter criações de animais afastadas da residência; • não confeccionar coberturas para as casas com folhas de palmeira; • vedar frestas e rachaduras nas paredes e usar telas em portas e janelas; • adotar medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e roupas de mangas longas durante a realização de atividades noturnas, bem como o uso de mosquiteiros ao dormir. Quando o morador encontrar os insetos vetores da Doença de Chagas (triatomíneos) no domicílio: • não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto; • proteger a mão com luva ou saco plástico; • os insetos deverão ser acondicionados preferencialmente vivos em recipientes plásticos com tampa de rosca para evitar a fuga; • amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, anexo ou silvestre) deverão ser acondicionadas, separadamente, em frascos rotulados com as seguintes informações: data, nome do responsável pela coleta, local de captura e endereço; • realizar ações de educação em saúde às populações que vivem em áreas afetadas ou sob risco. 5.4 Malária O objetivo principal é reduzir a possibilidade da picada do mosquito transmissor de malária. Para isso, recomendam-se as medidas a seguir. • Usar cortinados e mosquiteiros sobre a cama ou a rede, se possível impregnados com inseticidas de longa duração. Além de ser uma medida de proteção individual, tem efeito comunitário de controle vetorial quando adotada pela maior parte da comunidade envolvida. • Usar telas em portas e janelas e, quando disponível, ar-condicionado. 13 • Evitar frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, como beira de rio ou áreas alagadas, do final da tarde até o amanhecer, pois nesses horários há maior número de mosquitos transmissores de malária em circulação. • Proteger as áreas do corpo que o mosquito possa picar, com o uso de calças e camisas de mangas compridas. • Usar repelentes, preferencialmente à base de DEET (N,N-dimetil-meta- toluamida) ou de icaridina, nas partes descobertas do corpo. Esses repelentes também podem ser aplicados sobre as roupas. O uso deve seguir as indicações do fabricante em relação à faixa etária e à frequência de aplicação e deve ser observada a existência de registro em órgão competente. Em crianças menores de dois anos de idade, não é recomendado o uso de repelente sem orientação médica. Para crianças entre dois e 12 anos, usar concentrações de até 10% de DEET, no máximo três vezes ao dia. 5.4.1 Ações relacionadas ao controle da malária Em zona urbana – na cidade: • promover o acompanhamento dos pacientes em tratamento, reforçando a importância de concluí-lo; • investigar a existência de casos na comunidade, a partir de pessoas que apresentem algum sintoma da doença. 5.5 Febre amarela A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a doença. Além das campanhas de vacinação, é necessário informar a população sobre a ocorrência da doença e como evitá-la. A febre amarela que temos hoje no Brasil é a de transmissão silvestre pelos vetores Haemagogus e Sabethes. Prevenir esses mosquitos é impossível porque fazem parte da natureza e são seres silvestres. A reprodução desses mosquitos está mais ligada ao ambiente silvestre. Já o mosquito Aedes aegypti é o transmissor da febre amarela nas cidades. Por isso, para evitar a transmissão de dengue e febre amarela devemos combater os focos de acúmulo de água, locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. 14 5.6 Tracoma 5.6.1 Ações do ACS relacionadas ao controle do tracoma • Identificar pessoas com queixa de cílios tocando o globo ocular, lacrimejamento, sensação de cisco no olho, coceira, sensibilidade à luz e secreção com pus e orientar que procurem a UBS. • Acompanhar as pessoas em tratamento e orientá-las quanto à importância da necessidade de terminá-lo. • Orientar quanto à necessidade de lavar a face várias vezes ao dia. Enfatizar a importância do uso individual de objetos pessoais, como toalhas, fronhas, lençóis e redes, entre outros, bem como de evitar dormir em camas com várias pessoas e dividir lençóis e toalhas. • Intensificar as orientações para incentivo às práticas de cuidados corporais e de higiene facial das crianças, em especial nas escolas, creches e comunidades mais vulneráveis. • Realizar busca de casos, em domicílio, escolas, creches, orfanatos, entre outros, após a notificação de um caso em sua área. • Identificar casos suspeitos e encaminhá-los à UBS. • Acompanhar os demais profissionais da equipe de saúde nas visitas de controle de casos positivos após o tratamento para avaliação da evolução. • 1ª visita de controle do caso – deve ser realizada seis meses após início do tratamento. • 2ª visita de controle do caso – deve ser realizada 12 meses após o início do tratamento. • Desenvolver ações educativas, disponibilizando informações sobre formas de transmissão, prevenção e controle do tracoma em sua área de abrangência. • Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de higiene. Orientar quanto à lavagem frequente do rosto das crianças e melhorias de hábitos no cuidado com o corpo, em especial nas escolas, creches e comunidades mais vulneráveis, envolvendo professores e toda a comunidade. 15 NA PRÁTICA 1. Cite quatro ações que devem ser desenvolvidas pelo ACE no controle da dengue. • Identificar focos realizando a pesquisa larvária nos domicílios, bem como em armadilhas. • Destruir objetos que possam ser criadouros de mosquito transmissor da dengue, orientar e observar a destruição ou vedação desses objetos, acompanhado pelo responsável pelo imóvel. • Realizar pesquisa larvária em pontos estratégicos (PE) em ciclos quinzenais. • Realizar a aplicação de larvicidas, quando indicado, nos recipientes que não puderem ser removidos. 2. Cite as medidas de proteção individual para evitar a esquistossomose Evitar o contato com água contaminada por cercarias durante atividades profissionais ou de lazer, como banhos, pescas, lavagem de roupa e louça ou plantio de culturas irrigadas. 3. Cite duas medidas de proteção individual para evitar a malária • Uso de telas mosqueteirasno domicílio e ao redor da cama. • Uso de repelente. FINALIZANDO Esperamos que esta etapa tenha deixado você mais seguro, agora que já conhece as doenças endêmicas e como controlá-las. 16 REFERÊNCIAS ALONSO, C. M. C.; BÉGUIN, P. D.; DUARTE, F. J. C. M. Trabalho dos agentes comunitários de saúde na Estratégia Saúde da Família: metassíntese. Rev. Saúde Pública, v. 52, n. 14, 2018. BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 set. 1990. _______. Ministério da Saúde. Guia prático do agente comunitário de saúde. Brasília: Ministério da Saúde, 2009a. (Série Normas e Manuais Técnicos) _______. O agente comunitário de saúde no controle da dengue. Brasília: Ministério da Saúde, 2009b. (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) _______. Ministério da Saúde. Curso para instrutores do curso introdutório presencial para agentes comunitários de saúde (ACS). Brasília: EDUFRN; Ministério da Saúde, 2016. _______. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.436, de 21 de setembro de 2017. _______. Lei n. 13.595, de 5 de janeiro de 2018. Diário Oficial da União, Poder Legislativo, Brasília, DF, 18 abr. 2018. _______. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.061, de 18 de maio de 2020. _______. Ministério da Saúde. Guia de vigilância em saúde: volume único. 5. ed. Brasília: Ministério da Saúde, 2021. LACERDA, J. T. de; BOTELHO, L. J.; COLUSSI, C. F. Planejamento na atenção básica. Florianópolis: Universidade Federal de Santa Catarina, 2012. Disponível em: <https://ares.unasus.gov.br/acervo/handle/ARES/1167>. Acesso em: 05 jul. 2022. MAGALHÃES, K. A. et al. A visita domiciliária do agente comunitário de saúde a famílias com idosos frágeis. Ciência & Saúde Coletiva, v. 20, n. 12, p. 3787-96, 2015. ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Módulos de princípios de epidemiologia para o controle de enfermidades. Módulo 4: vigilância em saúde pública. Brasília: Organização Pan-Americana da Saúde; Ministério da Saúde, 2010. STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, 17 serviços e tecnologia. Brasília: Unesco; Ministério da Saúde, 2002. VENDRUSCOLO, C.; PRADO, M. L.; KLEBA, M. E. Reorientação do ensino no SUS: para além do quadrilátero, o prisma da educação. Revista Reflexão e Ação, v. 24, n. 3, p. 246-60, 2016.