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Controle de Endemias e Vigilância

Apostila sobre vigilância epidemiológica e controle de endemias para ACS e ACE; explica conceitos de vigilância, investigação epidemiológica (uso da Ficha Individual de Notificação e fluxo da UBS), integração entre ACS/ACE e medidas de controle domiciliares e comunitárias.

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CONTROLE DE ENDEMIAS 
AULA 3 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Profª Raquel Jaqueline Farion 
 
 
 
2 
CONVERSA INICIAL 
A vigilância epidemiológica é uma ferramenta essencial para a atuação do 
agente de controle de endemias (ACE) e do agente comunitário de saúde (ACS) 
no controle das doenças endêmicas. 
Para tanto, a qualificação é imprescindível, preparando você para realizar 
uma investigação epidemiológica, orientar e implantar as medidas de controle 
correspondentes a cada doença, além de estar atento a todos os casos suspeitos 
e encaminhá-los para a Unidade Básica de Saúde (UBS). 
Esperamos que este material traga conhecimento e auxilie no 
desenvolvimento das atividades relacionadas à vigilância epidemiológica, 
fundamentais para o controle das endemias. 
TEMA 1 – VIGILÂNCIA EPIDEMIOLÓGICA 
A epidemiologia é a principal ciência que auxilia no planejamento e na 
execução das ações de prevenção e promoção à saúde. Está intimamente 
relacionada ao processo saúde-doença da população (Organização Pan-
Americana da Saúde, 2010). 
A vigilância epidemiológica foi estabelecida pela Lei n. 8.080, de 19 de 
setembro de 1990, como um “conjunto de ações que proporcionam o 
conhecimento, a detecção ou prevenção de qualquer mudança nos fatores 
determinantes e condicionantes de saúde individual ou coletiva, com a finalidade 
de recomendar e adotar as medidas de controle e prevenção de doenças ou 
agravos” (Brasil, 1990). 
As equipes de saúde das unidades de Atenção Primária à Saúde (APS) 
têm uma grande responsabilidade no desenvolvimento das ações de vigilância 
em saúde. Cada profissional tem sua função específica e funções que são 
comuns a toda a equipe (Brasil, 2017). 
O ACS e o ACE são profissionais importantes, pois representam um elo 
entre a comunidade e os serviços de saúde (Figura 1). Sua atuação deve ser de 
maneira integrada com a equipe da UBS no enfrentamento dos principais 
problemas de saúde da comunidade, o que reflete bons resultados nos controles 
das doenças, além de evitar a duplicidade de ações. Juntos enfrentam os 
principais problemas de saúde-doença da comunidade (Brasil , 2009b). 
Ao realizar uma visita domiciliar, pode ser que você identifique um 
 
 
3 
criadouro de mosquitos da dengue em que não é possível realizar a destruição 
mecânica. Assim, é preciso utilizar o larvicida, o que faz com que seja necessário 
entrar em contato com o ACE para planejar e realizar essa ação. Esse fato 
mostra que a integração desses profissionais é fundamental na execução das 
atividades diárias de controle de doenças (Brasil, 2016). 
Figura 1 – O agente de saúde e a comunidade 
 
 
Crédito: Melitas/Shutterstock. 
TEMA 2 – INVESTIGAÇÃO EPIDEMIOLÓGICA 
Segundo o Ministério da Saúde (2021), a investigação epidemiológica é 
uma atividade que se inicia quando acontece a suspeita de uma doença de 
notificação compulsória. O procedimento se inicia com o preenchimento da Ficha 
Individual de Notificação (FIN), instrumento que deve ser preenchido pelos 
profissionais de saúde do serviço de saúde onde o usuário foi atendido pela 
primeira vez com sintomas de alguma doença de notificação compulsória. 
O acompanhamento de cada doença exige o seguimento de um fluxo para 
o desenvolvimento das ações da vigilância epidemiológica, deve ser realizado 
pela UBS da região em que o usuário reside e necessita do fornecimento das 
seguintes informações: identificação da fonte da infecção, modo de transmissão, 
grupos expostos aos fatores de risco, além de informações complementares, até 
o encerramento do caso. Cabe ao ACS realizar a visita domiciliar de 
 
 
4 
acompanhamento com a equipe da UBS, além de implantar as medidas de 
controle descritas no próximo tópico. 
TEMA 3 – MEDIDAS DE CONTROLE 
Esta etapa vai abordar as medidas de controle das doenças endêmicas 
tratadas em conteúdos anteriores. Segundo o Ministério da Saúde (Brasil, 
2009b), de modo geral as ações a serem desenvolvidas pelo ACS para o controle 
de doenças são: 
• identificar sinais e sintomas dos agravos/doenças e orientar os casos 
suspeitos para procurarem a UBS para diagnóstico e tratamento de 
acordo com as orientações da Secretaria Municipal de Saúde; 
• orientar a comunidade quanto ao uso de medidas de proteção individual, 
familiar e da comunidade para a prevenção das doenças; 
• planejar e programar as ações de controle de doenças em conjunto com 
o agente comunitário de endemias e a equipe da UBS; 
• promover reuniões com a comunidade com o objetivo de incentivar a 
realização das ações de prevenção e controle de dengue, malária, 
esquistossomose e tracoma, bem como conscientizar quanto à 
importância de que todas as residências de uma área infestada por 
vetores sejam trabalhadas (atuar em cooperação com o ACE); 
• incentivar e mobilizar a comunidade para desenvolver ações simples de 
manejo ambiental para controle de vetores (insetos, roedores, moscas, 
entre outros); 
• atuar nas residências, informando seus moradores sobre as doenças, 
seus sintomas e riscos, os agentes transmissores e as medidas de 
prevenção. 
TEMA 4 – MEDIDAS DE CONTROLE DAS ARBOVIROSES 
4.1 Dengue, zika e chikungunya 
Conforme dispõe a Portaria n. 1.061, de 18 de maio de 2020 (Brasil, 
2020), dengue, zika e chikungunya são doenças de notificação compulsória, ou 
seja, todo caso suspeito e/ou confirmado deve ser obrigatoriamente notificado 
ao serviço de vigilância epidemiológica da Secretaria Municipal de Saúde (SMS). 
 
 
5 
Quanto às ações voltadas para o Aedes, é importante orientar quanto às 
medidas individuais que devem ser tomadas para controle da transmissão, como 
o uso de telas e repelentes pelos pacientes durante o período de viremia, a fim 
de se evitar novas transmissões, em especial para os familiares e vizinhos. É 
importante destacar a realização das ações de bloqueio diante dos primeiros 
casos suspeitos na localidade, com orientação à comunidade, aplicação de 
adulticida e controle casa a casa no perímetro do local provável de infecção (LPI) 
Brasil (2009b). 
4.2 Ações do Agente de Controle de Endemias (ACE) 
• Reconhecer o território e manter atualizado o cadastro dos imóveis, por 
intermédio do reconhecimento geográfico, identificando pontos 
estratégicos (PE). 
• Identificar focos realizando a pesquisa larvária nos domicílios, bem como 
em armadilhas e em PE, conforme orientação técnica. 
• Ao encontrar objetos que possam ser criadouros do mosquito transmissor 
da dengue, orientar e observar a destruição ou a vedação de objetos, 
acompanhado pelo responsável pelo imóvel. 
• Realizar pesquisa larvária em pontos estratégicos (PE), em ciclos 
quinzenais, com tratamento focal e/ou residual, quando indicado 
tecnicamente. Identificar criadouros contendo formas imaturas do 
mosquito. 
• Realizar a aplicação de larvicidas, quando indicado, nos recipientes que 
não puderem ser removidos, destruídos, descartados, cobertos ou 
manejados, de forma que se tornem incapazes de permitir a reprodução 
do vetor, além do controle mecânico dos criadouros. 
• Intensificar as ações de controle visando à diminuição da população 
adulta de mosquitos, realizando a aplicação espacial de inseticidas com 
equipamento costal na ocorrência dos primeiros casos notificados. 
• Registrar, nos formulários específicos e de forma completa e correta, as 
informações referentes às atividades executadas, para alimentar o 
sistema de informações vetoriais. 
• Realizar vistoria e tratar os imóveis identificados pelo ACS quando for 
necessário o uso de larvicida, bem como os lugares de difícil acesso 
 
 
6 
informados pelo ACS. 
• Ao identificar um caso suspeito de dengue, encaminhá-lo à UBS 
responsável pelo território, conforme o fluxo da Secretaria Municipal de 
Saúde. 
• Divulgar sinais e sintomas da complicação das doenças transmitidas pelo 
Aedes. 
• Transmitir alerta dos profissionais de saúde à populaçãosobre a 
necessidade de eliminação dos criadouros e os perigos da 
automedicação. 
• Orientar a população a procurar a UBS ao surgirem os primeiros sintomas. 
• Promover atividades educativas mobilizando a comunidade para o 
desenvolvimento de ações de prevenção e controle da dengue em todo o 
território. 
• Notificar os casos suspeitos de dengue, informando a equipe da UBS. 
• Acompanhar os índices de infestação por Aedes aegypti nas áreas 
afetadas e as medidas de controle até a melhoria a situação. 
• Identificar situações que possam impedir a execução das ações 
necessárias durante as visitas domiciliares e comunicá-las ao supervisor. 
As visitas domiciliares realizadas pelos agentes de saúde, a fim de se 
reduzir o número dos imóveis fechados ou não visitados, devem observar 
o momento de maior permanência das famílias nas residências. Em 
algumas situações, é necessário planejar essas visitas para horários 
diferenciados, como em feriados e fins de semana. 
• Abordar os responsáveis pelos imóveis residenciais e não residenciais e 
conscientizá-los sobre a importância da verificação da existência de larvas 
ou mosquitos transmissores da dengue, realizando acompanhamento e 
vistoria no imóvel e observando possíveis criadouros. 
• Ao encontrar objetos que possam ser criadouros do mosquito transmissor 
da dengue, orientar e observar a destruição ou a vedação desses objetos, 
acompanhado pelo responsável pelo imóvel. 
• Participar de ações integradas com as equipes de saúde locais em apoio 
às ações de bloqueio de casos e eliminação de criadouros. 
(Brasil, 2009b) 
 
 
 
7 
4.3 Ações do Agente Comunitário de Saúde (ACS) 
• Realizar busca ativa de casos suspeitos sintomáticos que não procuraram 
o serviço de saúde. 
• Ao identificar um caso suspeito de dengue, encaminhá-lo à UBS 
responsável pelo território, conforme o fluxo da Secretaria Municipal de 
Saúde. 
• Divulgar sinais e sintomas de complicação das doenças transmitidas pelo 
Aedes. 
• Transmitir alerta dos profissionais de saúde à população sobre a 
necessidade de eliminação dos criadouros e os perigos da 
automedicação. 
• Orientar a população a procurar a UBS ao surgirem os primeiros 
sintomas. 
• Divulgar para a comunidade informações sobre sinais e sintomas da 
doença, bem como sobre o agente transmissor, os fatores de risco e as 
medidas de prevenção. 
• Abordar os responsáveis pelos imóveis residenciais e não residenciais e 
conscientizá-los sobre a importância da verificação da existência de larvas 
ou mosquitos transmissores da dengue, realizando acompanhamento e 
vistoria no imóvel e observando possíveis criadouros. 
• Ao vistoriar domicílios e encontrar objetos que possam ser criadouros do 
mosquito transmissor da dengue, orientar e observar a destruição ou a 
vedação desses objetos, acompanhado pelo responsável pelo imóvel. 
• Mobilizar a comunidade e estimular os moradores a adotar as medidas de 
prevenção de forma espontânea e rotineira. 
• Conduzir o ACE aos locais de difícil acesso que necessitem do uso de 
larvicidas. 
• Promover atividades educativas, mobilizando a comunidade para o 
desenvolvimento de ações de prevenção em todo o território. 
• Notificar a equipe da UBS e o ACE sobre os locais de criadouros de larvas 
e/ou do mosquito transmissor da dengue que necessitem de tratamento 
químico/biológico, bem como de outras ações da vigilância em saúde. 
• Comunicar a equipe da UBS e ao ACE os imóveis fechados e as recusas 
à visita. 
 
 
8 
• Notificar os casos suspeitos de dengue em ficha específica e informar a 
equipe da UBS. 
• Participar de ações integradas com as equipes de saúde locais em apoio 
às ações de bloqueio de casos e eliminação de criadouros. 
• Identificar os casos suspeitos e confirmados de dengue realizando visitas 
domiciliares de acompanhamento. 
• Acompanhar os índices de infestação por Aedes aegypti nas áreas 
afetadas e as medidas de controle até a melhoria da situação. 
• Registrar, nos formulários específicos e de forma completa e correta, as 
informações referentes às atividades executadas, para alimentar o 
sistema de informações vetoriais. 
• Encaminhar ao setor competente a ficha de notificação de dengue, 
conforme a rotina da UBS. 
• Vistoriar pontos estratégicos e tratá-los com aplicação de larvicida, caso 
necessário. 
As ações citadas são fundamentais para o controle da dengue, porém o 
controle depende de esforço de todos e da participação ativa de todos os setores 
da sociedade, bem como dos profissionais de saúde, gestores e população. 
4.4 Cuidados no interior do domicílio 
• Quando houver plantas, deve-se evitar o uso de pratos nos vasos. 
Quando utilizados, não se deve deixar acumular água. Os vasos devem 
ser lavados semanalmente, com esponja ou bucha e sabão, para eliminar 
completamente os ovos do mosquito, ou ser preenchidos com areia até a 
borda. 
• Os recipientes que servem de bebedouros para os animais devem ser 
lavados com escova, esponja ou bucha, e a água deve ser trocada pelo 
menos uma vez por semana. 
• Qualquer recipiente com depósito de água deve estar bem fechado, sem 
nenhuma fresta (exemplos: potes, tambores, filtros, tanques e outros). 
4.5 Cuidados fora do domicílio 
• Manter as calhas e lajes das casas limpas e sem depósito de água. 
• Quando houver piscina, a água deve estar sempre tratada com produtos 
 
 
9 
específicos. 
• Caixas d’água, poços, latões e tambores devem ser mantidos bem 
fechados. 
• As garrafas devem ser mantidas vazias e com a boca voltada para baixo. 
• Eliminar a água de plantas como bambus, bananeiras, bromélias, 
gravatás, babosa, espada-de-são-jorge, dentre outras. 
• Os pneus inutilizados devem ficar em locais protegidos da água da chuva 
ou devem ser destinados para reciclagem. 
• Verificar nos terrenos baldios se existem recipientes, pneus, latas ou 
qualquer outro objeto que possa acumular água. 
• Identificar a existência de casas desocupadas e terrenos vazios e localizar 
os donos para verificar se existem criadouros do Aedes aegypti. 
4.6 Cuidados com o lixo 
• Não jogar lixo em terrenos baldios. 
• Manter o lixo tampado e seco até seu recolhimento para destinação 
adequada. 
• Tampar as garrafas antes de colocá-las no lixo. 
• Separar copos descartáveis, tampas de garrafas, latas, embalagens 
plásticas, enfim tudo o que possa acumular água. Colocá-los em sacos 
plásticos bem fechados e colocar no lixo. 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
10 
Figura 2 – Representação gráfica da infestação do Aedes aegypti nas cidades 
 
Crédito: KajaNi/Shutterstock. 
TEMA 5 – MEDIDAS DE CONTROLE DE DOENÇAS VETORIAIS 
5.1 Leishmaniose 
As medidas de proteção preconizadas consistem basicamente em 
diminuir o contato direto entre humanos e flebotomíneos através de medidas de 
proteção individual. 
• Uso de repelentes quando houver exposição a ambientes onde os vetores 
habitualmente possam ser encontrados. 
• Restrição de exposição nos horários de atividade do vetor (crepúsculo e 
noite). 
• Uso de mosquiteiros de malha fina, bem como a telagem de portas e 
janelas. 
• Manejo ambiental por meio de limpeza de quintais e terrenos, a fim de 
alterar as condições do meio que propiciem o estabelecimento de 
criadouros para formas imaturas do vetor. 
• Poda de árvores, de modo a aumentar a insolação, a fim de diminuir o 
 
 
11 
sombreamento do solo e evitar as condições favoráveis (temperatura e 
umidade) ao desenvolvimento de larvas de flebotomíneos. 
• Destino adequado do lixo orgânico, a fim de impedir a aproximação de 
mamíferos comensais, como marsupiais e roedores, prováveis fontes de 
infecção para os flebotomíneos. 
• Limpeza periódica dos abrigos de animais domésticos. 
• Manutenção de animais domésticos distantes do intradomicílio durante a 
noite, de modo a reduzir a atração dos flebotomíneos para esse ambiente. 
Os agentes devem divulgar para a população informaçõessobre a 
ocorrência de leishmaniose na região e alertar a respeito dos sinais clínicos e 
dos serviços para o diagnóstico, bem como informar sobre as medidas 
preventivas para a eliminação dos prováveis criadouros do vetor. 
5.2 Esquistossomose 
5.2.1 Ações do ACS relacionadas ao controle da esquistossomose 
• Orientar as medidas de proteção individual: evitar o contato com água 
contaminada por cercarias durante atividades profissionais ou de lazer, 
como banhos, pescas, lavagem de roupa e louça ou plantio de culturas 
irrigadas. 
• Realizar tratamento dos portadores para reduzir a carga parasitária e 
impedir o aparecimento de formas graves, supervisionando a tomada em 
dose única da medicação para esquistossomose, quando indicada. 
• Agendar o controle de cura, que consiste na realização de três exames de 
fezes em dias seguidos, após o quarto mês de tratamento. 
• Investigar a existência de casos na família e comunidade, a partir de caso 
confirmado por meio do exame parasitológico de fezes, conforme 
planejamento e programação da UBS. 
• Distribuir recipientes de coleta de material para exame parasitológico de 
fezes. 
• Orientar a população sobre a forma de evitar locais que possam oferecer 
risco para a formação de criadouros de caramujos. 
• Comunicar à UBS a existência de criadouros de caramujos. 
• Encaminhar ao ACE os casos em que houver necessidade do uso de 
 
 
12 
equipamentos e produtos específicos, como moluscocidas. 
5.3 Doença de Chagas 
A prevenção desta doença está diretamente relacionada ao mecanismo 
de transmissão. Assim, deve-se orientar a população para: 
• manter quintais limpos, evitando acúmulo de materiais, e manter criações 
de animais afastadas da residência; 
• não confeccionar coberturas para as casas com folhas de palmeira; 
• vedar frestas e rachaduras nas paredes e usar telas em portas e janelas; 
• adotar medidas de proteção individual, como o uso de repelentes e roupas 
de mangas longas durante a realização de atividades noturnas, bem como 
o uso de mosquiteiros ao dormir. 
Quando o morador encontrar os insetos vetores da Doença de Chagas 
(triatomíneos) no domicílio: 
• não esmagar, apertar, bater ou danificar o inseto; 
• proteger a mão com luva ou saco plástico; 
• os insetos deverão ser acondicionados preferencialmente vivos em 
recipientes plásticos com tampa de rosca para evitar a fuga; 
• amostras coletadas em diferentes ambientes (quarto, sala, cozinha, anexo 
ou silvestre) deverão ser acondicionadas, separadamente, em frascos 
rotulados com as seguintes informações: data, nome do responsável pela 
coleta, local de captura e endereço; 
• realizar ações de educação em saúde às populações que vivem em áreas 
afetadas ou sob risco. 
5.4 Malária 
O objetivo principal é reduzir a possibilidade da picada do mosquito 
transmissor de malária. Para isso, recomendam-se as medidas a seguir. 
• Usar cortinados e mosquiteiros sobre a cama ou a rede, se possível 
impregnados com inseticidas de longa duração. Além de ser uma medida 
de proteção individual, tem efeito comunitário de controle vetorial quando 
adotada pela maior parte da comunidade envolvida. 
• Usar telas em portas e janelas e, quando disponível, ar-condicionado. 
 
 
13 
• Evitar frequentar locais próximos a criadouros naturais de mosquitos, 
como beira de rio ou áreas alagadas, do final da tarde até o amanhecer, 
pois nesses horários há maior número de mosquitos transmissores de 
malária em circulação. 
• Proteger as áreas do corpo que o mosquito possa picar, com o uso de 
calças e camisas de mangas compridas. 
• Usar repelentes, preferencialmente à base de DEET (N,N-dimetil-meta-
toluamida) ou de icaridina, nas partes descobertas do corpo. Esses 
repelentes também podem ser aplicados sobre as roupas. O uso deve 
seguir as indicações do fabricante em relação à faixa etária e à frequência 
de aplicação e deve ser observada a existência de registro em órgão 
competente. Em crianças menores de dois anos de idade, não é 
recomendado o uso de repelente sem orientação médica. Para crianças 
entre dois e 12 anos, usar concentrações de até 10% de DEET, no 
máximo três vezes ao dia. 
5.4.1 Ações relacionadas ao controle da malária 
Em zona urbana – na cidade: 
• promover o acompanhamento dos pacientes em tratamento, reforçando a 
importância de concluí-lo; 
• investigar a existência de casos na comunidade, a partir de pessoas que 
apresentem algum sintoma da doença. 
5.5 Febre amarela 
 A única forma de evitar a febre amarela silvestre é a vacinação contra a 
doença. Além das campanhas de vacinação, é necessário informar a população 
sobre a ocorrência da doença e como evitá-la. 
A febre amarela que temos hoje no Brasil é a de transmissão silvestre 
pelos vetores Haemagogus e Sabethes. Prevenir esses mosquitos é impossível 
porque fazem parte da natureza e são seres silvestres. A reprodução desses 
mosquitos está mais ligada ao ambiente silvestre. Já o mosquito Aedes aegypti 
é o transmissor da febre amarela nas cidades. Por isso, para evitar a transmissão 
de dengue e febre amarela devemos combater os focos de acúmulo de água, 
locais propícios para a criação do mosquito transmissor da doença. 
 
 
14 
5.6 Tracoma 
5.6.1 Ações do ACS relacionadas ao controle do tracoma 
• Identificar pessoas com queixa de cílios tocando o globo ocular, 
lacrimejamento, sensação de cisco no olho, coceira, sensibilidade à luz e 
secreção com pus e orientar que procurem a UBS. 
• Acompanhar as pessoas em tratamento e orientá-las quanto à 
importância da necessidade de terminá-lo. 
• Orientar quanto à necessidade de lavar a face várias vezes ao dia. 
Enfatizar a importância do uso individual de objetos pessoais, como 
toalhas, fronhas, lençóis e redes, entre outros, bem como de evitar dormir 
em camas com várias pessoas e dividir lençóis e toalhas. 
• Intensificar as orientações para incentivo às práticas de cuidados 
corporais e de higiene facial das crianças, em especial nas escolas, 
creches e comunidades mais vulneráveis. 
• Realizar busca de casos, em domicílio, escolas, creches, orfanatos, entre 
outros, após a notificação de um caso em sua área. 
• Identificar casos suspeitos e encaminhá-los à UBS. 
• Acompanhar os demais profissionais da equipe de saúde nas visitas de 
controle de casos positivos após o tratamento para avaliação da evolução. 
• 1ª visita de controle do caso – deve ser realizada seis meses após início 
do tratamento. 
• 2ª visita de controle do caso – deve ser realizada 12 meses após o início 
do tratamento. 
• Desenvolver ações educativas, disponibilizando informações sobre 
formas de transmissão, prevenção e controle do tracoma em sua área de 
abrangência. 
• Mobilizar a comunidade para desenvolver medidas simples de higiene. 
Orientar quanto à lavagem frequente do rosto das crianças e melhorias de 
hábitos no cuidado com o corpo, em especial nas escolas, creches e 
comunidades mais vulneráveis, envolvendo professores e toda a 
comunidade. 
 
 
 
15 
NA PRÁTICA 
1. Cite quatro ações que devem ser desenvolvidas pelo ACE no controle 
da dengue. 
• Identificar focos realizando a pesquisa larvária nos domicílios, bem como 
em armadilhas. 
• Destruir objetos que possam ser criadouros de mosquito transmissor da 
dengue, orientar e observar a destruição ou vedação desses objetos, 
acompanhado pelo responsável pelo imóvel. 
• Realizar pesquisa larvária em pontos estratégicos (PE) em ciclos 
quinzenais. 
• Realizar a aplicação de larvicidas, quando indicado, nos recipientes que 
não puderem ser removidos. 
2. Cite as medidas de proteção individual para evitar a esquistossomose 
Evitar o contato com água contaminada por cercarias durante atividades 
profissionais ou de lazer, como banhos, pescas, lavagem de roupa e louça ou 
plantio de culturas irrigadas. 
3. Cite duas medidas de proteção individual para evitar a malária 
• Uso de telas mosqueteirasno domicílio e ao redor da cama. 
• Uso de repelente. 
 
FINALIZANDO 
Esperamos que esta etapa tenha deixado você mais seguro, agora que já 
conhece as doenças endêmicas e como controlá-las. 
 
 
 
16 
REFERÊNCIAS 
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comunitários de saúde na Estratégia Saúde da Família: metassíntese. Rev. 
Saúde Pública, v. 52, n. 14, 2018. 
BRASIL. Lei n. 8.080, de 19 de setembro de 1990. Diário Oficial da União, 
Poder Legislativo, Brasília, DF, 20 set. 1990. 
_______. Ministério da Saúde. Guia prático do agente comunitário de saúde. 
Brasília: Ministério da Saúde, 2009a. (Série Normas e Manuais Técnicos) 
_______. O agente comunitário de saúde no controle da dengue. Brasília: 
Ministério da Saúde, 2009b. (Série F. Comunicação e Educação em Saúde) 
_______. Ministério da Saúde. Curso para instrutores do curso introdutório 
presencial para agentes comunitários de saúde (ACS). Brasília: EDUFRN; 
Ministério da Saúde, 2016. 
_______. Ministério da Saúde. Portaria n. 2.436, de 21 de setembro de 2017. 
_______. Lei n. 13.595, de 5 de janeiro de 2018. Diário Oficial da União, Poder 
Legislativo, Brasília, DF, 18 abr. 2018. 
_______. Ministério da Saúde. Portaria n. 1.061, de 18 de maio de 2020. 
_______. Ministério da Saúde. Guia de vigilância em saúde: volume único. 5. 
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ORGANIZAÇÃO PAN-AMERICANA DA SAÚDE. Módulos de princípios de 
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STARFIELD, B. Atenção primária: equilíbrio entre necessidades de saúde, 
 
 
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serviços e tecnologia. Brasília: Unesco; Ministério da Saúde, 2002. 
VENDRUSCOLO, C.; PRADO, M. L.; KLEBA, M. E. Reorientação do ensino no 
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