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GERIATRIA E GERONTOLOGIA CONCEITOS Profª. Ione Loureiro 1 Prof.ª adjunta curso de graduação de enfermagem Unigranrio Enfermeira (Unigranrio); Fundadora e RT do Cura.Qi Instituto; Mestre em administração (Unigranrio) Especialista em enfermagem dermatológica (UGF); Especialista em geriatria e gerontologia (UERJ); Especialista em acupuntura (Unesa); Especialista em tanatologia (unyleya). Gerontologia ambiental O estudo e sua compreensão transcende e envolve micro, meso e macroambientes, quais sejam: - Micro - ambiente doméstico e privado, os arranjos de moradia e a satisfação residencial; - Mesoambientes - contextos institucionais e; - Macroambientes - estudo das transações com os contextos urbanos/rurais, questões de vizinhança, segurança, acessibilidade e políticas públicas. 2 Desafios da gerontologia ambiental • Wahl & Oswald (2010) destacam as três grandes questões e desafios com os quais o campo está envolvido: • 1º desafio: compreender como os indivíduos (à medida que envelhecem) manejam as oportunidades e restrições nas condições ambientais sociofísicas. • 2º desafio: necessidade de esclarecimento quanto as conexões entre as dimensões objetivas e subjetivas na relação dos indivíduos idosos com o ambiente. • 3º desafio: examinar as contribuições das transações pessoa-ambiente para os diferentes estados (normal, patológico ou bem-sucedido) e respostas (bem-estar, autonomia, identidade, saúde física e mental) em termos de envelhecimento. 3 TEORIAS DO ENVELHECIMENTO Há várias... 4 Teorias Combinadas São teorias que tratam o envelhecimento de forma ampla, considerando o processo em forma de rede. Imagem: Freepik, 2024 5 As teorias combinadas apresentam quatro postulados, quais sejam: A) o envelhecimento é um fenômeno universal, que ocorre com todos os indivíduos da mesma espécie, apresentando- se, todavia, em diferentes níveis; B) o envelhecimento sobrevém de fatores endógenos, não dependendo de fatores extrínsecos; C) o envelhecimento é progressivo, manifestando-se ao longo da vida útil do indivíduo; e, D) o envelhecimento é basicamente prejudicial, logo seus fatores associados não oferecem vantagens para o indivíduo. (Nascimento, 2020) 6 O processo de envelhecimento “normal”, caracteriza-se por alterações físicas, funcionais e psicológicas que acontecem de forma gradual e discreta no decorrer da vida de uma pessoa (NERI, 2017; PAPALÉO NETTO, 2017). SENESCÊNCIA 7 O envelhecimento é um processo contínuo, gradual de alterações naturais que começam na idade adulta. Durante o final da idade adulta, muitas funções corporais começam a declinar-se gradualmente. Obs.: Não há idade específica para as pessoas envelhecerem. OMS (2022) Imagem: Pixabay (2023) Imagem: Intituto Holos (2023) 8 O que é envelhecimento saudável • O envelhecimento saudável se refere à postergação ou à redução dos efeitos indesejáveis do envelhecimento. Tendo como objetivos: • Manter a saúde física e mental; • Evitar distúrbios; • Permanecer ativo, com independência e autonomia. OMS (2022) Imagem: Com ciência (2021) Imagem: Pixabay (2023) 9 O envelhecimento pode ser definido em três subdivisões: primário, secundário e terciário. O envelhecimento primário (geneticamente determinado) - presente em todos os indivíduos, independe de condições ambientais ou da presença de patologia. O envelhecimento secundário refere-se a doenças. Interação entre fatores externos e o fator primário. Os estudos têm mostrado que a relação dos fatores ambientais pode acelerar os processos básicos de envelhecimento. Vamos pensar em nossos DSS... O envelhecimento terciário, também chamado de terminal, é retratado pelo acúmulo do processo de envelhecimento em associação às patologias próprias da idade. Este é o período de declínio acentuado das funções físicas e cognitivas. Almeida; Valentim; Diegenbach (2004) 10 Senilidade Doenças associadas ao processo de envelhecimento, ou seja, aquelas doenças que são mais comuns nas idades mais avançadas, e que acontecem com maior intensidade e acabam comprometendo a capacidade funcional quando não estão devidamente controladas/acompanhadas. 11 Imagem: Freepik (2025) Ex. de doenças que podem ser provocadas pela senilidade: • Doenças cardiovasculares, como a hipertensão arterial sistêmica; • AVC; • Demências. 12Imagem: Freepik (2025) Senilidade compreende as doenças associadas com o processo de envelhecimento e que, acabam comprometendo a capacidade funcional das pessoas idosas. 13 Autonomia, dependência e independência Autonomia: noção de exercício do autogoverno, associado ao da liberdade individual, privacidade, livre escolha, autorregulação e independência moral, que, em resumo, é a manutenção da vontade própria do indivíduo. Independência e dependência: relacionados à capacidade funcional do indivíduo, ou seja, a manutenção dessas funções pode significar sobreviver sem ajuda para as atividades do dia a dia. (LEMOS; MEDEIROS, 2017) 14 O termo capacidade funcional: manutenção da capacidade de realizar atividades de vida diária, aquelas realizadas com o corpo, como vestir-se, alimentar-se, fazer a higiene pessoal, usar o vaso sanitário e ter o controle de fezes e urina; e atividades mais complexas, como fazer compras, cuidar do próprio dinheiro, tomar medicamentos e utilizar transporte, ou seja, atividades fundamentais e suficientes para uma vida independente e autônoma. Assim, para pessoas idosas, a realização das atividades de vida diária pode significar a manutenção de sua sobrevivência, mantendo-as participativas na gestão e no autocuidado com a saúde e no desenvolvimento de tarefas domésticas. (BRASIL, 2018b; FERREIRA et al., 2012) 15 O desafio para nossa sociedade é maximizar a independência e a autonomia das pessoas idosas, a fim de que elas possam cuidar de si mesmas e realizar atividades consideradas importantes para a sobrevivência. 16 Imagem: Freepik (2025) Vamos ver um pouco das alterações que acontecem no corpo com o passar do tempo... 17 ALTERAÇÕES FISIOLÓGICAS NO PROCESSO DE ENVELHECIMENTO 18 Principais alterações: - Alterações antropométricas: modifica o seu estado de normalidade e influencia negativamente o funcionamento das capacidades funcionais e as atividades da vida diária. As mudanças ocorrem nas dimensões físicas, como peso, altura e composição corporal. A diminuição da estatura – estreitamento dos discos vertebrais causam compressão, ocasionado pela perda de água que os torna secos e finos, como consequência, ocorre o encurtamento da coluna vertebral, resultando em uma deformidade e no surgimento da cifose. Imagem: Domínio público. 19 Alterações articulares As articulações do pulso, tornozelo, ombro, cotovelo, quadril e joelho perdem líquido sinovial, que gera a diminuição da amplitude dos movimentos, ou seja, eles tornam-se mais curtos e menos flexíveis. Alterações musculares Os músculos se tornam mais flácidos e finos, especialmente em MMSS, MMII, pescoço, quadril e joelhos (quadril e joelho ficam mais rígidos). IMC Alto- evidência de prevalência para doenças cardiovasculares e diabetes. Baixo- risco de morte por câncer, doenças respiratórias e infecciosas. Imagem: Domínio público. 20 Há então: Diminuição da massa corporal – perda da massa magra, aumento da gordura e diminuição da massa óssea. Mulheres - propensão maior ao sobrepeso do que na masculina, pois o pico de IMC nelas ocorre por volta dos 60 aos 70 anos. Homens – o pico de IMC ocorre entre os 45 e 49 anos. 21 Elaboração Própria (2023). Fonte: Ladeira; Maia; Guimarães (2017) Imagem: Domínio público. 22 Alterações musculares Declínio da força muscular e da flexibilidade. Elaboração Própria (2023). Fonte: Ladeira; Maia; Guimarães (2017) 23 24 Imagem: Acervo próprio, 2022. Doenças articulares ou artropatias. Atingem principalmente as articulações periféricas, e têm acometido 16,2% da população brasileira,principalmente as pessoas com idade mais avançada; 75% com mais de 65 anos de idade e 10% da população acima de 60 anos possuem limitação física. Compreende-se como conceito de doença degenerativa, o desequilíbrio na cartilagem hialina, que propõe as manifestações clínicas de variável intensidade no acometimento da função. Imagem: Domínio público. 25 Imagem: acervo pessoal, 2024. Imagem: Mafalda, 2024. 26 Como percebido, o idoso sofre alterações importantes em sua estrutura corporal; Dor crônica – alerta de patologia (atenção!!!) Estima-se que cerca de 100 milhões no mundo tem dor crônica. E está relacionado às articulações e ao sistema musculoesquelético. Imagem: depositphotos Ladeira; Maia; Guimarães (2017) 27 A dor deve ser relacionada ao sistema musculoesquelético, e os critérios sintomáticos devem ser considerados como fatores preditores de comprometimento funcional, utilizados como pré-diagnósticos para a incapacidade e prevenção no controle das doenças crônicas osteoarticulares. Dor = Limitação no funcionamento das AVDIs e AVDs A perda da capacidade funcional leva à diminuição das habilidades físicas. Foto: Domínio público. Ladeira; Maia; Guimarães (2017) 28 Vídeos: Acervo pessoal, 2022. 29 SISTEMA NERVOSO CENTRAL De forma geral, o envelhecimento do sistema nervoso central (SNC) provoca alterações estruturais, funcionais e bioquímicas que repercutem no desempenho cognitivo, motor e sensorial do idoso. Entre as principais mudanças, destacam-se: • Redução do volume cerebral e da massa encefálica: ocorre principalmente em áreas como córtex cerebral e hipocampo, associadas à memória e ao aprendizado. • Perda neuronal progressiva: embora não seja uniforme em todas as regiões, há diminuição de neurônios e sinapses, o que impacta na transmissão de informações. • Redução da velocidade de condução nervosa: causada pela degeneração da mielina e menor eficiência na comunicação entre neurônios. Ladeira; Maia; Guimarães (2017)30 • Redução da plasticidade neural: a capacidade de adaptação e formação de novas conexões sinápticas diminui, afetando a aprendizagem e a recuperação de lesões. • Alterações vasculares: menor fluxo sanguíneo cerebral e maior risco de microlesões isquêmicas, impactando funções cognitivas. • Acúmulo de produtos de desgaste celular: como lipofuscina (formada por restos de lipídios oxidados e proteínas provenientes da atividade metabólica celular - Quanto maior o depósito de lipofuscina, menor a eficiência metabólica celular). E depósitos de proteínas anormais (ex.: beta-amiloide), que podem contribuir para declínio cognitivo e doenças neurodegenerativas. 31 Diminuição de neurotransmissores: como dopamina, serotonina, acetilcolina e noradrenalina, o que contribui para alterações de humor, sono, memória e movimento. Dopamina: Menor densidade de receptores dopaminérgicos. Consequências: lentificação dos movimentos, rigidez, déficit de memória, menor motivação e risco aumentado para doenças como Parkinson e depressão. Serotonina: Distúrbios do sono (insônia, sono fragmentado).Alterações de humor (depressão, ansiedade).Alterações de apetite. Maior vulnerabilidade a transtornos afetivos e cognitivos. Acetilcolina: Déficit de memória e aprendizado. Lentificação cognitiva. Relação direta com doença de Alzheimer, que apresenta redução significativa da atividade colinérgica. Noradrenalina: Redução da liberação de noradrenalina e da sensibilidade dos receptores. Menor resposta adrenérgica → redução da capacidade de adaptação cardiovascular em situações de estresse. Consequências clínicas: Hipotensão postural (queda de pressão ao se levantar). Menor tolerância ao estresse físico e emocional. Alterações de atenção e cognição. Maior risco de fadiga e instabilidade hemodinâmica. 32 Alterações Cardíacas Estruturais Rigidez arterial → perda da elasticidade das grandes artérias (aorta, carótidas), aumentando a pós-carga. Hipertrofia ventricular esquerda → consequência do maior esforço para vencer a rigidez vascular. Calcificação e espessamento das valvas → especialmente aórtica e mitral, predispondo a estenoses e insuficiências. Acúmulo de lipofuscina nas células miocárdicas (pigmento de desgaste). 33 Funcionais Disfunção diastólica → menor relaxamento ventricular, dificultando o enchimento. Redução da reserva cardíaca → o débito cardíaco máximo em esforço é menor. Alterações no sistema de condução → fibrose do nó sinusal e do sistema His- Purkinje, predispondo a arritmias e bloqueios. Redução da sensibilidade barorreflexa → maior risco de hipotensão ortostática. 34 Alterações Cardíacas Alterações Cardíacas Hemodinâmicas Pressão arterial sistólica aumentada → devido à rigidez arterial (hipertensão sistólica isolada é comum em idosos). Maior variabilidade da pressão arterial → menor capacidade de adaptação a mudanças posturais ou esforços. 35 Alterações Cardíacas Consequências Clínicas Intolerância ao esforço físico e fadiga precoce. Maior predisposição à insuficiência cardíaca (especialmente com fração de ejeção preservada – ICFEP). Risco aumentado de arritmias (fibrilação atrial, bradicardia sinusal, bloqueios AV). Maior incidência de doenças valvares (estenose aórtica, insuficiência mitral).Tendência a episódios de hipotensão ortostática e quedas. 36 Alterações Cardíacas Alterações gastrointestinais boca: Atrofia da mucosa pode levar à diminuição do paladar, aumentando aparecimento de lesões com mais facilidade. Redução na produção de saliva e, consequentemente, a produção de ptialina (amilase salivar) é prejudicada, dificultando a fase inicial do processo de digestão de carboidratos. esôfago: a inervação intrínseca do esôfago é reduzida significativamente gerando peristalses assincrônicas, desencadeando um processo de disfagia e refluxo gastroesofágico. Ladeira; Maia; Guimarães (2017) Imagem: dreamstime Imagem: dreamstime 37 • estômago: Alterações nas principais secreções gástricas, como a pepsina e a produção de fator intrínseco. Essas alterações levam à diminuição de proteção da mucosa gástrica, tornando-a mais susceptível a lesões e modificações epiteliais. Fígado: Apresenta alteração Morfológica (redução do tamanho do órgão) e funcional (redução de suas atividades excretoras e a metabolização de substâncias). vesícula biliar: Seu esvaziamento torna-se mais lento em função da diminuição da sensibilidade pela Colecistocinina (estimula a liberação de bile e secreção de enzimas hepáticas), aumentando, consequentemente, a incidência de cálculos biliar. Ladeira; Maia; Guimarães (2017) Imagem: dreamstime 38 • Pâncreas: Alterações funcionais (secreção de insulina e lipase lentificadas). intestino delgado: Redução da absorção de nutrientes, como as vitaminas D e B1, ácido fólico e lipídeos, devido à redução das vilosidades intestinais e da superfície da mucosa. Ladeira; Maia; Guimarães (2017) Imagem: dreamstime 39 • Intestino grosso: Alterações morfológica e funcional (enfraquecimento muscular e às alterações nas mucosas, predispondo ao surgimento de divertículos, neoplasias e constipação intestinal). • Reto e ânus: Alterações musculares do esfíncter externo, alterações do colágeno e redução de força muscular, que, consequentemente, diminuem a capacidade de retenção fecal volumosa, acarretando incontinência fecal no idoso. Ladeira; Maia; Guimarães (2017) 40 • Alterações genitourinárias Redução progressiva da função renal (fisiológico). Que pode ser agravado com a existência de patologias como hipertensão arterial e diabetes mellitus. Alteração vesical e as alterações morfológicas Atrofia da uretra, enfraquecimento da musculatura pélvica e perda de elasticidade uretral e de colo vesical podem contribuir para o surgimento de incontinência urinária e urgência miccional. Ladeira; Maia; Guimarães (2017) 41 Imagem: Dreamstime, 2022. Marco do envelhecimento feminino Menopausa • conceito de menopausa – surgeem 1816, onde Gardanne publica artigo denominado “Conselho às mulheres que entram na idade crítica”. “La ménopausie”(