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Pa la vr a da R ei to ra “É a educação que faz o futuro parecer um lugar de esperança e transformação”. (Marianna Moreno) “Sejam todos e todas bem-vindos ao EaD do Centro Universitário Fametro” O Centro Universitário Fametro acredita que o papel de uma instituição de ensino é formar não apenas profissionais, mas também formar profissionais no Ensino Superior, com valores éticos, humanísticos e com respeito ao meio ambiente capazes de contribuir para o desenvolvimento da nossa Amazônia. A Fametro, portanto, tem premissas claras a cumprir como instituição de ensino de qualidade. Praticar o ensino, pesquisa e extensão é a sua principal bandeira. A Fametro, ao longo das últimas duas décadas, vem se consolidando como a melhor instituição de ensino do Norte, um espaço democrático e docentes com variadas visões de mundo. Somos uma instituição de ensino plural que avança a cada ano em busca sempre de desenvolver a economia da Amazônia. Nossa estrutura é moderna, estamos em diversos municípios levando uma educação inclusiva e de qualidade. Conheça o Centro Universitário Fametro e viva a experiência em estudar numa instituição com o corpo docente com mestres e doutores e de qualidade de ensino comprovada pelo MEC. Maria do Carmo Seffair Reitora UNIDADE I - RELACIONAMENTOS E NEGOCIAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE Etapas ou Fases do Processo de Negociação O Estilo do (a) Negociador Influência da Cultura nas Organizações Negociação: Táticas e Método de Harvard Ética nas Negociações Su m ár io 18 20 23 24 38 UNIDADE II - CONFLITOS: CAUSAS E ORIGENS EM SUAS RAMIFICAÇÕES Fatores causadores dos conflitos Comunicação não Violenta (CNV) O processo de CNV Conflito: contexto e origens no mundo corporativo Tipos de conflitos UNIDADE III - ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS Canais de Comunicação nas Organizações Fluxos de Comunicação nas Organizações Resolução de Conflitos Interpessoais Características do bom gestor no período pós-industrial Líder incisivo sem perder a humanidade 45 49 53 58 68 70 76 76 78 81 UNIDADE IV - LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES NO PERÍODO PÓS-INDUSTRIAL Teoria das lideranças Tipos de liderança Desafios do novo gestor: como administrar pessoas difíceis Soft Skills: um novo cenário, novas habilidades Referências 87 90 94 100 145 U ni da de 1 Videoaula 1 Videoaula 2 Videoaula 3 Videoaula 4 Videoaula 5 13 RELACIONAMENTOS E NEGOCIAÇÃO NA CONTEMPORANEIDADE A vida no período pós-industrial tem início após a Segunda Guerra Mundial, mar- cada por intensas transformações, tanto no modo de produção, como nas relações sociais. Um dos elementos que corroboram para isso é a comunicação. Nesse cenário, o capital intelectual assume um papel pre- ponderante, porque as habilidades e com- petências requeridas nesse período não são mais habilidades de domínio, e sim ha- bilidades colaborativas, culturais, entre as quais a comunicação é o “epicentro”. 14 Anotações: A profusão de novas tecnologias, em especial as tecnologias da informação e da comunicação (TICs), permitiram que a comunicação fosse mais fluida, aumentando não apenas a possibilidade de novos relacionamentos, mas também a forma como nos relacionamos. Com esse novo cenário comuni- cacional, propiciado pelo avanço da tecnologia, o nú- mero de interações entre as pessoas cresceu e, por consequência, aumentou o número de confrontos. Se por um lado o homem é um ser gregário, que gosta de viver em grupo, por outro lado, ele é movido por interesses. Muitas vezes, em uma rela- ção há interesses opostos, opiniões distintas, cho- que de culturas, tudo isso acaba gerando conflitos, o que suscita a necessidade de desenvolver a habi- lidade de conviver com eles e saber administrá-los, por essa razão, a habilidade em negociar torna-se fundamental. Dessa forma, negociar é uma forma de alcançar o que deseja através de um acordo, en- tretanto, o processo de negociação não é tão sim- ples, requer algumas habilidades, conhecimentos táticos, entre outras necessidades, por isso, vamos nos debruçar sobre Relacionamentos, Negociação e Gestão de Conflitos. 15 Anotações:Figura 01: Relacionamentos e Negociação na Contemporaneidade ID da imagem: 437808240 Na sociedade contemporânea, saber nego- ciar tornou-se uma habilidade fundamental para que o indivíduo possa ter êxito tanto em sua vida pessoal, quanto na vida profissional. Isso porque a sociedade atual exige de cada um de nós uma in- teração social muito maior do que num passado não muito distante. Mas, o que é negociar? O que define precisamente esse termo, essa habilidade tão necessária na atualidade? Quando pensamos na definição de negociação, logo nos vem à cabe- ça conceitos arraigados ao senso comum no que diz respeito ao termo, sendo assim, é importante lembrar que, conforme o dicionário Aulete (2012), negociar é realizar acordo, fazer pactos. Essas são algumas entre as diversas definições para o termo, que remete exatamente ao que precisamos conce- ber quando falamos de negociar no dia a dia. 16 Anotações: Em nosso cotidiano, estabelecemos os mais diferentes tipos de relacionamento e a essência de um bom relacionamento passa, necessariamente, pela habilidade de negociar. Desde sempre foi as- sim, hoje, isso ficou muito mais latente. Podemos dizer que os relacionamentos mudaram, tanto na quantidade de interações, como eles ocorrem. O conceito de relacionamento ou as formas como eles passaram a ocorrer, mudou sobrema- neira na era pós-moderna e isso foi impulsionado por uma série de fatores, sobretudo o avanço da In- ternet e das TICs (Tecnologias da Informação e da Comunicação). Elas permitiram a normalização de novas fórmulas de vínculos sociais, que se desen- volvem tanto na vida pública, quanto na vida priva- da. Diante desse contexto, uma pergunta nos faz refletir: o que é relacionamento na contemporanei- dade? Conforme o dicionário Aulete (2012, p. 1780), “relacionamento é a forma de conviver e/ou lidar com outros”. Entretanto, conviver e lidar com os outros requer novas habilidades e competências. Essas são requeridas pelo indivíduo e são resultan- tes dos novos espaços de convivência criados na sociedade contemporânea. Isso ocorre, porque a Internet e suas plataformas digitais amplificaram a voz de cada um; isto não significa desrespeitar os códigos de comunicação que as plataformas digi- tais disponibilizam, principalmente, os códigos de boa convivência social. Contudo, é importante considerar que nem todas as pessoas partilham dos mesmos códigos sociais, valores, etc., por isso, é preciso saber rela- cionar-se, negociar e administrar conflitos. Há que se ressaltar que a internet e suas plataformas, em 17 Anotações:especial as redes sociais, não apenas amplificam a voz das pessoas, mas também permite ubiquidade, e isso também interfere tanto nas relações pesso- ais, como nas profissionais. Considerando tanto as questões pessoais, quanto as sociais, quais são os fatores que interferem no processoambiente do trabalho? Os conflitos, como já foi dito, fazem parte da natureza humana, nem sempre são improdutivos, pelo contrário, eles nos levam ao avanço em diversos campos sociais. Desse modo, é difícil imaginar relações humanas sem confli- tos, porque sempre que houver interações haverá conflitos. A questão é como lidar com eles, como 65 Anotações:saber administrá-lo, a fim de que seus efeitos não sejam danosos às relações. Considerando o quan- to de prejuízo os conflitos podem gerar às relações, em especial no ambiente corporativo, onde há uma maior profusão deles, vamos abarcar nosso estudo a respeito de sua administração e possíveis resolu- ções. U ni da de 3 Videoaula 1 Videoaula 2 Videoaula 3 Videoaula 4 Videoaula 5 68 69 ADMINISTRAÇÃO DE CONFLITOS Quando se fala em administração de conflitos, o termo mais empregado é: Gestão de Conflitos. Contudo, é importan- te que façamos uma breve reflexão acerca do termo gestão e do termo liderança, isso porque ambos são comumente usados como sinônimos, e não o são. Nem sem- pre um bom gestor é um bom líder, e vice e versa. Conforme o dicionário Aulete (2012), “gestão é a ação de gerir, administrar e li- derança é a capacidade de liderar, de ser líder, ter ascendência”. 70 Anotações: Analisando os termos do ponto de vista se- mântico, ratifica-se que há uma diferença singular entre os termos, de modo que um bom gestor não será necessariamente um bom líder, porque ele pode não reunir os atributos necessários para tal, como por exemplo, a ascendência. Entretanto, um bom gestor deve reunir capacidades técnicas que lhes ofereçam subsídios para administrar conflitos. Entre essas habilidades que um bom gestor deve reunir, a fim de conduzir uma equipe, é a capacida- de de comunicação. Essa, em especial, a CNV, que pressupõe uma comunicação empática, certamen- te é um elemento crucial para a gestão de equipes e seus possíveis conflitos. Por outro lado, uma co- municação menos empática favorece não apenas o surgimento de conflitos, mas dificulta a gestão des- ses. Vale lembrar que os conflitos em uma empresa, muitas vezes, surgem decorrentes de problemas de comunicação. Seja através da comunicação formal ou informal, e em seus diferentes fluxos. CANAIS DE COMUNICAÇÃO DENTRO DAS ORGANIZAÇÕES. A comunicação certamente é um dos fatores críticos de sucesso de uma organização. No âmbito empresarial podemos dividi-la em: • Comunicação Mercadológica: aquela que cuida de produtos e serviços do ponto de vista comercial. • Comunicação Institucional: cuida da ima- gem da marca e da instituição. • Comunicação Interna: cuida do fluxo de comunicação dentro das organizações. 71 Anotações:Embora, todas as áreas da comunicação se- jam importantes para o sucesso de uma empresa, aqui nós vamos focar na comunicação interna, visto que é a área mais afetada pelos conflitos, seja tanto como ferramenta para sua gestão, bem como para a sua prevenção. Em primeiro lugar vamos esclare- cer que Comunicação Interna é diferente de Endo- marketing. Endomarketing é uma palavra formada pelo sufixo grego Endo, que quer dizer para dentro; e por Marketing, que significa trabalhar o mercado, neste caso, o mercado interno, nesse âmbito, quer dizer ações de marketing voltadas para o público in- terno. Já o termo Comunicação Interna diz respeito à gestão dos fluxos de comunicação e seus canais dentro de uma empresa. Toda empresa tem seus canais de comunica- ção formais e informais, e quais são eles? Os canais formais dizem respeito aos canais oficiais da em- presa, ou seja, aqueles aos quais as empresas, os utilizam, a fim de transmitir uma determinada men- sagem. Como por exemplo, intranet, murais, jornais empresariais, etc. No que diz respeito ao uso des- ses canais como ferramentas dentro das empre- sas, é que eles nem sempre comunicam, nem sem- pre estabelecem uma relação, um diálogo. A comunicação é, eminentemente, um pro- cesso relacional, de negociação, em que é neces- sário que as partes envolvidas, emissor e recep- tor, estejam predispostas para que a comunicação ocorra de forma efetiva. Mas, muitas vezes perce- bemos que as empresas apenas informam, e não comunicam. Se as empresas se comunicassem de fato, estabelecendo um processo relacional, em que a comunicação não violenta (CNV) fosse o mo- 72 Anotações: delo comunicacional escolhido, provavelmente, ha- veria menos conflito. Para tanto, seria interessante, por exemplo, que as empresas além de estabelecer um proces- so de CNV, dessem voz aos canais informais de co- municação, aqueles canais não oficiais, mas que tem importância no dia a dia corporativo. O bate- -papo que acontece nos corredores da empresa ou as conversas durante o almoço, esses e outros são canais de comunicação informais da empresa, nos quais muitos temas importantes são discuti- dos, porém, essas conversas não são reconhecidas como diálogos produtivos. Imagine um “chão de fábrica” em que muitas conversas acontecem sobre temas importantes de uma empresa, um espaço, no qual a sabedoria dos seus colaboradores é expressa durante as falas. Trata-se de um espaço riquíssimo para construção de conhecimento e de estreitamento de relações. Contudo, o que mais vemos no universo corporati- vo são empresas que não dão voz a esses canais, e perdem a oportunidade de evitar ruídos de comuni- cação, de fazer melhor a gestão de conflitos e, por consequência, de otimizarem seus resultados cor- porativos. Os conflitos dentro de uma organização seriam minimizados sobremaneira se os canais de comunicação fossem mais bem trabalhados, assim como se os fluxos de comunicação fossem tratados de forma equânime. 73 Anotações: Fluxos de Comunicação dentro das Organizações A comunicação interna de uma empresa deve privilegiar a fluidez do processo de comunicação e que ele ocorra sem barreiras em todos os níveis hie- rárquicos, a fim de manter um bom clima organiza- cional, o que diminui as possibilidades de conflitos dentro da equipe. Em uma empresa há diferentes fluxos de comunicação, cada um com suas carac- terísticas e importância, porém, normalmente, há o privilégio de um em detrimento ao outro. Alguns fluxos de comunicação e o papel que cada um de- sempenha em uma empresa são: Fluxo Ascendente: quando a comunicação tem o fluxo de baixo para cima, ou seja, ela tem como origem os níveis hierárquicos mais baixos. É a comunicação emitida pelos colaboradores do menor escalão em direção aos gestores que, nesse caso, são os receptores da mensagem. Fluxo Lateral: comunicação realizada entre os pares, processo no qual os emissores e recepto- res são os colaboradores. Fluxo Descendente: este é o fluxo mais co- mum dentro do universo corporativo, no qual a co- municação é emitida pela gestão e os receptores são os colaboradores. Ao pensarmos nos fluxos de comunicação e fazemos um recorte de como as empresas se portam com relação a eles, percebemos que in- dependente de porte de empresa ou segmento de atuação, o fluxo descendente é majoritário nas em- presas. Quando o assunto é Comunicação Empre- 74 Anotações: sarial, percebemos que há um grande hiato entre o discurso e a prática. Na realidade, muitas empresas têm um Departamento de Comunicação que é su- butilizado, pois é utilizado apenas como suporte e não como ferramenta estratégica dentro das orga- nizações. Os conflitos nascem, em boa parte, do choque de ideias, interesses e opiniões. Notem que, esses fatores causadores dos conflitos, funcionam como uma catarse, que está diretamente relacionada ao processo comunicacional. Dado a sua importância e a relevância aqui, nesse contexto, vale fazer um pequeno recorte e explicar, mesmo que sucinta- mente, o processo de catarse. Catarse na psico- logia tem a ver com liberação daquilo que estava reprimido, representado pelo medo ou pela raiva dentro de cada um de nós. Resoluções de Conflitos Interpessoais Os conflitos têm diversos fatores comoele- mentos causadores, assim como os caminhos para as suas soluções, contudo, vale ressalvar que “a raiz de um conflito pode ser diversa, mas, em última instância, sempre há um fator do comportamen- to humano” (BURBRIDGE; BURBRIDGE, 2012, p.25). Burbridge e Burbridge (2012, p.30) afirmam que “o conflito mal gerenciado é um dos maiores gerado- res de prejuízo desnecessários tanto para as orga- nizações quanto para os colaboradores”. Conside- rando os prejuízos que os conflitos podem gerar nas empresas, é preciso ter uma abordagem acerca de suas resoluções. A depender da situação, exis- tem três formas básicas para se lidar com conflitos 75 Anotações:no meio organizacional; usando poder, direitos ou interesses (BURBRIDGE; BURBRIDGE, 2012). Conforme a perspectiva dos autores supraci- tados, o poder pode ser utilizado pelo gestor a fim de chegar a um consenso através de sua autorida- de. No que tange ao aspecto do interesse, é pre- ciso verificar quais são os interesses envolvidos; por fim, no que diz respeito ao direito é necessário identificar a origem do conflito, e qual das partes tem o direito na contenda. As origens podem ser diversas, assim como as abordagens acerca das re- soluções, contudo, é o ponto convergente está na comunicação. Entre algumas resoluções possíveis está a Comunicação Eficaz, por isso, é preciso esti- mular uma comunicação interna nas organizações, de modo que ela estimule a proposição de ideias e opiniões. No entanto, para isso ocorrer de forma efetiva, é preciso que a Cultura Organizacional es- teja alinhada ao discurso. Deste modo, se as pessoas pudessem de fato expressar seus pontos de vista, opiniões, medos, etc., ou seja, se fossem estimuladas à comunica- ção não violenta nas empresas, e que houvesse não apenas preocupação com o conteúdo, mas sim com as pessoas e com as suas sensações e percepções, a comunicação seria muito mais efetiva na gestão de conflitos nas organizações. A CNV pode corro- borar bastante nesse processo, visto que um bom líder precisa, antes de tudo, conseguir influenciar as pessoas, porém, para isso, é preciso adquirir a confiança delas sendo empático. Nos dias atuais, a empatia é uma necessidade, ser empático é uma habilidade essencial que o líder precisa desenvol- ver para conduzir equipes. Conforme Scott (2018, p. 76 Anotações: 07), ”as pessoas têm muita dúvida no que diz respei- to ao papel do chefe. O que eles fazem de fato? Antes de tudo, eles conduzem as equipes aos resultados”. Entretanto, eles não atingem os resultados sozi- nhos, eles conduzem equipes para que isso ocorra. Em conformidade com o autor, para alcançar esses objetivos, as responsabilidades do chefe podem ser divididas em três atividades: orientação, desenvolvi- mento de equipe e resultados. Orientação: orientar uma pessoa é uma tarefa árdua para um gestor, por- que é uma atividade que envolve aspectos emocio- nais conforme nos coloca (SCOTT, 2018, p.08): Quando se fala de “orientação”, muitas vezes se usa a expressão “dar feedba- ck”. As pessoas têm horror de dar fe- edback, tanto os elogios, que podem parecer condescendentes, como, sobretudo, as críticas. E se quem es- tiver recebendo o feedback ficar na defensiva? E se começar a gritar? E se a pessoa não entender a crítica ou não souber o que fazer para resolver o problema? Embora o discurso corporativo preconize que é importante separar o profissional do pessoal, nesse momento é quase impossível fazer essa dis- sociação. Desenvolvimento de Equipe: o sucesso de um bom líder está relacionado, entre outras coi- sas, à formação e ao desenvolvimento de uma equi- pe, visto que, além de fazer a sua gestão, é preciso ainda mantê-la motivada. 77 Anotações:Criar uma equipe coesa implica en- contrar as pessoas certas para as funções certas: saber quem contra- tar, quem demitir e quem promover. E, depois que você finalmente con- segue colocar as pessoas certas nas funções certas, como mantê-las mo- tivadas (SCOTT, 2018, p. 09). Alcançar resultados, talvez, seja o principal papel de um gestor, contudo, isso não será possível sem as pessoas. É preciso conseguir orientá-las e desenvolver equipes para tal. Muitos gestores vivem frustrados ao ver que atingir resultados parece ser uma tarefa mais difícil do que deveria. Dobramos o tamanho da equipe, mas os resultados não dobraram; na ver- dade, até pioraram. O que aconteceu? Às vezes simplesmente não consegui- mos avançar e minha equipe fica pre- sa em eternas discussões se eu não fizer nada. Por que as pessoas pare- cem incapazes de se decidir? Outras vezes, porém, a impressão é que elas avançam rápido demais: estouramos o prazo porque a equipe se recusou a parar para um planejamento básico e se pôs a atirar para todos os lados. Por que as pessoas não conseguem pensar antes de agir? E há, ainda, as situações em que as pessoas pare- cem trabalhar no piloto automático, fazendo a mesma coisa que fizeram no trimestre anterior [...] (SCOTT, 2018, p. 10). 78 Anotações: Estas constatações feitas pelo autor só refor- çam o quanto é difícil alcançar resultados em uma empresa, sobretudo, porque eles perpassam às questões técnicas, há um componente fundamen- tal que é o comportamento humano. Daí a confir- mação de que, para se alcançar os resultados, é ne- cessário “ser um líder incisivo, porém, sem perder a humanidade”. CARACTERÍSTICAS DO BOM GESTOR NO PERÍODO PÓS-INDUSTRIAL Ser um bom gestor não é uma tarefa fácil, tampouco simples. Scott (2018) enumera três ativi- dades essenciais no dia a dia, entretanto, alega que as pessoas, de um modo geral, não se atentam ao que é mais relevante de fato para ser bom gestor: foco nos relacionamentos. Portanto: Se você lidera uma grande organiza- ção, pode não ter condições desenvol- ver um relacionamento com todas as pessoas, porém tem como conhecer seus subordinados diretos. Entretan- to, são vários os obstáculos pelo ca- minho: acima de tudo, a dinâmica de poder, mas também o medo de con- frontos, a preocupação com os limites do que é apropriado ou “profissional”, o medo de perder a autoridade, a falta de tempo [...] (SCOTT, 2018. p. 26). A rotina e a cultura corporativa, talvez, sejam grandes entraves para que os gestores foquem nos 79 Anotações:relacionamentos no dia a dia. De um modo geral, durante a jornada de trabalho acabam se envolven- do com as mais diversas atividades profissionais, de modo que falta tempo para investir nos relacio- namentos com seus colaboradores e pares. Isso ocorre também por uma questão cultural, haja vista que nem sempre as partes envolvidas estão aber- tas a desenvolver um bom relacionamento. Ambas questões são preponderantes no de- senvolvimento dos relacionamentos, porque mui- tos gestores acreditam que tarefas de sua rotina são mais importantes que os relacionamentos. Acreditam ainda que a entrega de um relatório, o cumprimento de uma meta, a apresentação para um superior tem mais relevância do que relaciona- mento, sendo que é preciso compreender que as coisas não são excludentes. Nesse caso, não cabe uma dicotomia entre relacionamentos e resultados. Na verdade, são coisas interdependentes, mas, há gestores que não compreendem isso. Assim como a rotina afeta o desenvolvimento de relacionamentos profissionais, a cultura organi- zacional também dificulta, pois existem gestores com a visão de que se ele propuser uma conversa amistosa, poderá implicar na perda de sua autori- dade. Por outro lado, há o receio de que o seu dis- tanciamento corrobora para construir uma ima- gem de um gestor autoritário. É possível ser líder incisivo sem perder a humanidade. O fato do líder/ gestor buscar uma relação mais próxima aos seus subordinados não significa perder a autoridade. Para tanto, alguns cuidados podem ser tomados, a fim de evitar quaisquer situações conflituosas: 80 Anotações: • O líder/gestor deve evitar, por exemplo, ser padrinho de casamento ou de um fi- lho de um colaborador.Imagine se um dia ele tiver que demitir esse colaborador, ele estará demitindo não “apenas um colabo- rador”, mas alguém de um vínculo mais próximo. Isto pode ocasionar algum cons- trangimento ou fazer com que ele reveja sua decisão profissional em detrimento ao vínculo; • Marcar encontro social fora do horário de expediente com apenas parte da equipe e publicá-lo. A outra parte da equipe que não foi convidada se sentiu desprestigia- da. Nesse caso, se não for possível reunir a todos, o melhor é evitar esses eventos. Isso evita intrigas desnecessárias. Esses são exemplos de algumas situações a serem evitadas pelo gestor que, na maioria das ve- zes, não agregará nada, e ainda poderá resultar em prejuízos de relacionamento. Há diversas formas mais interessantes e assertivas de começar um bom relacionamento com seus colaboradores. Uma delas é começar conhecendo um pouco de cada um deles. Embora vivamos em ambientes coletivos, sobretudo no ambiente corporativo, cada pessoa carrega suas histórias, sonhos e, principalmente, suas características. Um bom começo é se aproxi- mar de seus colaboradores, de forma individualiza- da e procurar desenvolvê-los. Scott (2018) narra um episódio, no qual uma colaboradora da Google fez uma apresentação na qual além de sua gestora imediata, o CEO da empre- 81 Anotações:sa também estava presente. A apresentação era sobre um produto específico da Google, a colabo- radora ficou tensa, mas conseguiu fazer a apresen- tação e “dar o seu recado”. Ao término da reunião, a colaboradora passou pelo corredor onde fica a sala do CEO, nesse momento bateu à porta e falou sobre os resultados dos produtos. Ele vibrou. Depois essa colaboradora compartilhou com a gestora sobre a reação do CEO da empresa. Na sequência, a ges- tora imediata da colaboradora fala sobre sua apre- sentação, o quanto foi eficaz, mas que ela deveria procurar um profissional para melhorar um vício de linguagem que ela cometeu durante a apresenta- ção. Essa forma direta, porém, respeitosa de orien- tar faz da gestora uma líder empática, mais huma- na, mesmo precisando ser incisiva. UM LÍDER INCISIVO SEM PERDER A HUMANIDADE. De todas as medidas relevantes a serem to- madas para obter excelentes resultados, a mais importante será contar com uma equipe impecável (FERRAZ, 2018. p.15). Para formar uma equipe im- pecável capacidade de alcançar excelentes resul- tados, de se tornar uma equipe de alta performan- ce, é imprescindível ter um bom líder à sua frente. Um bom líder, aquele (a) que consegue ser conciso sem perder a humanidade precisa, antes de tudo, ser empático. Lembrando, apenas a empatia está relacionada à capacidade de se colocar no lugar do outro, de sentir como o outro. 82 Anotações: Empatia Assertiva Pode parecer redundante ou até ingênuo, quando usamos o termo “empatia assertiva”, termo cunhado por Scott (2018), visto que ser empático, por si só, já parece ser algo assertivo, mas quando o autor refere-se ao fato de ser empático asserti- vamente, significa colocar-se no lugar do outro e fazer que precisa ser feito, ainda que seja difícil. A empatia diz respeito ao fato de se importar com as pessoas e, ao mesmo tempo confrontá-las direta- mente. Transpondo isso para o universo corpora- tivo, vamos imaginar que, muitas vezes, um bom gestor precisa tecer críticas a um colaborador ou cobrá-lo por um trabalho, mas ele precisa fazer isso se importando com o outro. Em diversas situações cotidianas, uma líder precisa chamar a atenção de um colaborador. A questão é saber fazer, de modo que o líder se im- porte com o outro de verdade. Há ainda outro as- pecto que precisa ser ponderado: as críticas, uma vez que as pessoas reagem de maneiras diferentes. É muito comum ouvirmos relatos de treinadores de diferentes modalidades esportivas que, duran- te uma partida ou uma competição, precisavam orientar seu esportista. Contudo, há competidores que ao serem criticados reagem bem, e conseguem melhorar a performance durante a competição e entregar o resultado esperado. Outros, sentem-se intimidados e acabam “desmoronando” e não con- seguem ter performance. Podemos ter como fator gerador, tanto a forma de comunicação adotada pelo treinador ou a perso- nalidade e a percepção do receptor, nesse caso o 83 Anotações:(a) esportista. Scott (2018) traz um bom exemplo de como os esportistas se comportam e reagem de formas diferentes quando o tema é crítica. A auto- ra diz, André Iguodala, jogador do time de basquete profissional Golden State Warriors, explicou o mo- tivo da disposição de confrontar os colegas ser tão importante para o sucesso. O segredo para vencer, segundo ele, é mostrar aos excelentes jogadores o que eles poderiam ter feito melhor, mesmo depois de eles ganharem um jogo, especialmente, quando eles ganham um jogo. O exemplo mostra o limiar do que a autora chama de empatia assertiva e agressividade ofen- siva. Ambas as formas de se comunicar e liderar pessoas convergem na sinceridade. Enquanto na empatia assertiva confronta a pessoa importando- -se com ela, na agressividade ofensiva, tecem-se as críticas sem se importar com a outra parte. As- sim, considerando que as pessoas reagem de forma diferente às diversas formas de liderança, é de se imaginar que há diferentes perfis de líderes. U ni da de 4 Videoaula 1 Videoaula 2 Videoaula 3 Videoaula 4 Videoaula 5 86 87 LIDERANÇA NAS ORGANIZAÇÕES NO PERÍODO PÓS-INDUSTRIAL TEORIA DA LIDERANÇA Antes de falar de tipos de líderes, é preciso abordar a teoria das lideranças que ajudam a compreender os diferen- tes tipos de líderes. Considerando que hoje em dia o papel do líder ou gestor vai muito além das questões burocráticas, o líder atual precisa ser assertivo, mas não pode perder o aspecto humano em sua relação diária com seus subordina- dos. Considerando as necessidades do líder atual, bem como a historicidade do seu papel, é preciso debruçar, pelo menos, um pouco sobre a Teoria das Li- deranças, a fim de obter um pouco mais 88 Anotações: de subsídios para compreender o perfil de cada lí- der. Ela nos oferece suporte para compreensão de onde vem cada tipo de líder e os seus “porquês”. Conforme o portal IBC (2018), há algumas Teorias de Liderança que são mais comuns e recorrentes, mesmo nos dias atuais, a saber: Teoria Situacional: preconiza que o líder ideal é aquele que tem a capacidade de se adaptar às di- versas situações e cenários corporativos para usar um termo muito em uso, podemos dizer que é um líder de grande capacidade de resiliência. Uma lide- rança desse tipo é capaz de entregar resultados em diferentes cenários e com diferentes equipes. Teoria dos Traços: de acordo com essa teo- ria, algumas pessoas já nascem com algumas ca- racterísticas mais propensas à liderança. Adeptos a essa teoria defendem que antes de escolher um líder, deveria haver testes para verificar se o (a) candidato (a) possuem os traços essenciais para se tornar um bom líder: inteligência, aspectos físicos e personalidade. Teoria do Carisma: esta teoria preconiza que um bom líder precisa, antes de tudo, de carisma a fim estabelecer vínculos com sua equipe e a con- duzir aos objetivos e metas da empresa, e que isso ocorra de forma espontânea. Teoria do Comportamento: contrária à teoria dos traços, essa teoria entende que um bom líder é formado a partir de capacitações, treinamentos, tudo orientado tanto para sua formação, bem como para as necessidades da empresa. Com base no que as principais Teorias de Li- derança preconizam, é possível deduzir que algu- mas delas seriam mais ou menos efetivas nos dias 89 Anotações:atuais. Atualmente, ainda é possível alcançar metas com equipes lideradas de forma rígida, porém, é provável que isso ocorra em um curto período, visto que na prática, equipes assim conduzidas tendem a serem consideradas inócuas. O líder contemporâneo tem que ter em mente que ser incisivo e empático não é algodicotômico, é possível conciliar essas duas características tão necessárias no processo de liderança atual. Aliás, essa dicotomia é uma questão cultural, por isso, há uma demanda de capacitação para que líderes que ainda tenham esse perfil para superar essa barrei- ra. Alguns fatores fazem com que essa dicotomia, que é estar entre o incisivo e humana, seja definida como: • Pressão por alcançar metas e objetivos; • Empregabilidade, pois o líder associa a en- trega de resultados à manutenção de seu emprego; • Fatores culturais, como ambiência em que o líder se desenvolveu; • Formação acadêmica; • Cultura organizacional, pois há empresas que estão arraigadas ao formato mais di- tatorial de liderança. Os fatores apontados, além de questões de cunho pessoal, ajudam a moldar o tipo de líder. Po- rém, é preciso sempre levar em conta que muitos desses fatores, como, a cultura, são elementos di- nâmicos e que se alteram com o passar dos anos e a influência do ambiente. Ou seja, a tipologia do líder pode alterar com o passar dos anos. Considerando todos os esses aspectos que corroboram na cons- 90 Anotações: trução da personalidade do líder, Eduardo Ferraz (2018), Consultor de Gestão, compilou quais são os principais tipos de líderes. Ferraz (2018) não apenas compilou os perfis de diferentes tipos de líderes, mas também, seus pontos de atenção e como cada tipo pode ser apli- cado no dia a dia. Entretanto, reforça que o enfoque é nas lideranças de equipes enxutas em empresas de pequeno porte. Contudo, ao debruçarmos so- bre o tema, tipos de lideranças, vamos nos deparar com outros tipos de liderança e em diferentes por- tes de empresas. Para o autor, existem alguns tipos mais comuns de lideranças, é importante que cada profissional que ocupa um cargo desse identifique qual é o seu tipo, não para fazer uma troca de estilo e, sim, melhorar pontos de atenção ou otimizar ca- racterísticas positivas. Para identificar o tipo de li- derança, o autor revela que costuma usar o sistema de análise DISC (dominância, influência, estabilida- de e conformidade), porém, nem sempre é possível essa técnica, sobretudo quando o tempo for exíguo. TIPOS DE LIDERANÇA Protetor “A pessoa com esse estilo em maior intensida- de costuma ser gentil, acolhedora e interessada no bem-estar de seus subordinados. Quando a equipe é madura e responsável, esse perfil de liderança tende a apresentar bons resultados, pois todos se sentem protegidos e respeitados” (FERRAZ, 2018, p. 32). A grande questão nesse tipo de liderança, talvez, seja o ponto de equilíbrio, pois muitos cola- 91 Anotações:boradores podem confundir proteção com fragili- dade. Caso haja algum subordinado na equipe que incorre nessa má interpretação, será necessário o “líder protetor” ajustar sua forma de liderança. Lem- brando apenas que as formas de liderar não são imutáveis, elas podem sofrer ajustes quando ne- cessário. Trator Esse tipo de líder vai de encontro do líder pro- tetor, ou seja, é praticamente o oposto. Esse tipo de liderança corresponde aquilo que o termo denota alguém determinado em busca de seus resultados. Esse estilo caracteriza as pessoas exigentes, determinadas e francas em seu relacionamento profissional. Quando a equipe responde bem a esse tipo de pressão, esse tipo de liderança pode produzir bons resultados, pois todos sentem que há um comando claro (FERRAZ, 2018, p.37). O ponto de atenção deste tipo de liderança é quando o lado fraco do líder torna-se agressivo. Ser franco é, na maioria das vezes, contrário a uma co- municação não violenta. A franqueza está relacio- nada a dizer o que precisa ser dito, sem se importar muito com o outro, nesse caso, é preciso exercitar a empatia assertiva. 92 Anotações: Centralizador É o tipo de liderança caracterizada por pesso- as sistemáticas, que gostam de ter controle sobre tudo, são conservadoras e metódicas. Essas ca- racterísticas denotam um líder organizado, o que é bom, por outro lado, um líder que dá pouco espaço para o “novo” e para a ascensão da equipe. Essa pessoa costuma ser organizada, sistemática e conservadora, o que pode trazer bons resultados quando a equipe responde bem a esse estilo, pois as tomadas de decisão são se- guras e ponderadas, mas pode apre- sentar problemas quando a líder parte para o microgerenciamento, exigindo que as pessoas façam o trabalho sem- pre da forma que ele quer sem dar es- paços para sugestões ou melhorias (FERRAZ, 2018, p. 46). A grande questão para este tipo de liderança é a falta de flexibilidade e agilidade, muitas vezes, uma equipe precisa inovar, mudar processos, com uma liderança centralizadora esses processos são mais lentos. Empreendedor O que é ser empreendedor(a). Empreendedor pode ser considerado a capacidade de identificar problemas e oportunidades e, a partir daí, alavancar um negócio ou projeto. De forma análoga, podemos dizer que o líder com esse perfil são pessoas ambi- ciosas, tem facilidade em delegar, etc. 93 Anotações:Os problemas começam quando o gestor abdica da gestão do dia a dia, deixando a equipe com a sensação de abandono e de que ele está sempre ausente. Nesse caso, o líder terá de ajustar seu estilo para não perder a referência, participando mais da ges- tão, mas sem perder tempo com tare- fas corriqueiras (FERRAZ, 2018, p. 46). O ponto de atenção é quando o líder com este perfil passa a delegar demais, dando a sensação de que deixou a equipe desprovida de liderança. É pre- ciso ter cuidado para não gerar atenção, e delegar com equilíbrio. Misto: nem sempre as pessoas têm um úni- co estilo enquanto líder, muitas pessoas mesclam diferentes estilos. O estilo misto, normalmente, é uma combinação entre o estilo centralizador e o estilo trator. Cerca de 30% dos indivíduos apresentam uma mescla de dois a três estilos, que variam conforme o contexto profissional. A pessoa pode apresen- tar, por exemplo, equilíbrio entre o estilo trator e o centralizador, e, eventualmente, quando a oportu- nidade de um bom negócio se apresenta, assumir o papel empreendedor por alguns períodos. Alguns podem apresentar os estilos centralizador e pro- tetor equilibrados, mas, quando pressionados, de- monstram o estilo trator (FERRAZ, 2018, p. 50). Sendo assim, ao se referir em estilo misto, é saber quando o líder irá, ou deverá apropriar-se de um dos estilos de forma mais assertiva. Pois, há momentos em que o estilo trator é mais apropria- do, por exemplo, quando se necessita cumprir uma 94 Anotações: meta muita alta. Por outro lado, existem situações em que o estilo centralizador é mais adequado, como quando a equipe precisa de alguém que tome a frente das decisões, que conduza os processos de tomada de decisão de forma centralizada. O que é possível notar é que no Brasil ainda há um grande hiato entre a prática e o discurso corpo- rativo. Muitas empresas propalam o discurso politi- camente correto, entretanto, as lideranças não são justas, não são equânimes. Aproximar o discurso à prática, certamente, é um dos principais desafios do líder atual, não apenas a fim de torná-lo mais humano, mas, por consequência, mais próximo ao cumprimento das metas organizacionais. Lidar com ser humano é muito difícil, o que torna essa tarefa ainda mais árdua é a pluralidade de comportamentos, as diferentes origens, etnias, culturas, etc. Mas, inevitavelmente, independente do histórico de cada um, numa equipe de trabalho sempre, ou na maioria das vezes, haverá pessoas difíceis, isso demanda habilidades e competências do líder. DESAFIOS DO NOVO GESTOR: COMO ADMINISTRAR PESSOAS DIFÍCEIS A rotina de um líder é pautada por desafios, mas, certamente, a gestão de pessoas, talvez, seja o maior deles e muitos devem se perguntar se não seria a entrega de resultado o maior deles. Essa in- dagação leva uma resposta: para se chegar a resul- tados é preciso contar com pessoas e, geralmente, as pessoas são fáceis de lidar. Um dos principais95 Anotações:desafios para o líder, é saber administrar pessoas diferentes, lidar com suas ambições, interesses e frustrações, sobretudo, porque o sucesso do tra- balho dele está atrelado ao desempenho dos seus subordinados. Ainda é preciso motivar cada inte- grante da equipe, o que não é fácil. Dependendo do porte da empresa, a plurali- dade de pessoas é muito grande. Há pessoas com as mais distintas características, umas mais fáceis, outras mais difíceis de lidar. Mas, o que é uma pes- soa difícil? Considerar alguém como uma pessoa di- fícil depende muito do ponto de vista e de alguns fa- tores, entre eles, cultural. Contudo, em que medida os fatores culturais podem corroborar para que uma pessoa seja considerada difícil? Essa indagação é muito importante, principalmente, se considerar- mos o fenômeno da globalização e, por consequên- cia, a formação de equipes bastante miscigenadas no mundo corporativo. A formação de equipes com pessoas de diferentes culturas pode corroborar para uma percepção distorcida acerca do perfil do profissional e de sua personalidade. Para compreender melhor essa abordagem, basta imaginar que num país em que há uma maior rigidez nas relações, onde há menos expressões de afetividade, ser franco e sincero é algo trivial. Des- se modo, uma pessoa franca não seria considerada uma pessoa difícil. Mas, o que caracteriza uma pes- soa difícil de lidar? Pessoas difíceis podem ter ca- racterísticas diferentes, entretanto, algumas mais comuns, a saber: • Enxergam o problema sempre no outro; • Focam no problema, e não na solução; • Normalmente, são resistentes às mudan- 96 Anotações: ças; • Dificuldade em se relacionar; • Pouca habilidade em comunicação; • Tem dificuldade em ser empático (a); • São pessoas pouco receptivas às críticas; • Dificuldade em lidar em equipe e receber comandos; • Colocam no outro a responsabilidade por sua felicidade; • Não se colocam como parte da equipe quando o erro ocorre; • Procuram colocar suas ideias pela imposi- ção, e não pelo diálogo; • São pessoas que reclamam de tudo e a todo tempo. A tarefa de gerir pessoas não é algo simples, requer algumas habilidades do líder, que precisa estar em consonância com as demandas do merca- do corporativo. Hoje o líder dá suporte, remove obs- táculos para que a equipe possa agir. O líder tradicional era responsável por resultados. Hoje ele é membro da equipe. Ele compartilha o que é bom e o que é ruim [...] (SANDERBERG, KYRILOS, 2020, p. 27) Conforme os autores, o líder precisa saber remover obstáculos, porém, no que diz respeito às pessoas, não é necessariamente demiti-las, mesmo quando há problemas com a equipe. Na maioria das vezes, é preciso desenvolvê-las, sobretudo àquelas de comportamento mais difícil, o que requer algu- 97 Anotações:mas habilidades. Entre as habilidades necessárias, está a empatia, o líder deve ser empático, procurar identificar e compreender quais são as razões que fazem com que o profissional tenha um comporta- mento difícil. Outro ponto importante é o suporte de um profissional da mente, a ajuda de um psicólogo ou coaching pode ajudar no desenvolvimento de pro- fissionais com comportamento difícil. Lidar com pessoas difíceis requer inteligência emocional por parte do líder, há que se ter equilíbrio para não cair em provocações e resolver a situação como profis- sional e não levar a questões pessoais. A comunicação verbal e não verbal é outro ponto que merece atenção, tanto para líder e lide- rado na relação cotidiana, sobretudo, quando uma das partes tem comportamento difícil. A comuni- cação tem a capacidade de ressignificar. A lingua- gem corporal pode produzir significados indeseja- dos, por isso, é preciso ter muita atenção com essa modalidade de comunicação. Assim como a comu- nicação verbal, seja ela escrita ou falada, é capaz também de produzir resultados ruins. Acima de tudo ele precisa ser um bom comunicador, ser capaz de transmi- tir suas ideias de maneira muito cla- ra. Para que ele possa dar a liberdade para a equipe trabalhar, é preciso que ela tenha a convicção de que soube passar os objetivos, para que a equi- pe explique qual o motivo daquilo que está sendo feito (SARDENBERG, KYRILOS, 2020, p.28). O verdadeiro líder precisa saber inspirar as 98 Anotações: pessoas, conduzi-las aos objetivos desejados. Uma equipe corporativa é como uma equipe esportiva, na qual os objetivos coletivos devem sobrepor-se aos individuais. Quando se alcançam os objetivos coletivos, por consequência os talentos individu- ais se destacam, aí surgem as oportunidades. Cabe ao líder conduzir a equipe para esse caminho. Para tanto é preciso saber motivar os comandados; e isso não é fácil, pois a motivação é um processo que envolve aspectos internos e externos. A pessoa precisa automotivar-se, ter vontade de transpor obstáculos, alcançar metas e objetivos. Por outro lado, a motivação é afetada por fatores externos, questões, como salário, clima organiza- cional, entre outras, afetam a motivação do colabo- rador. Desse modo, é muito mais provável que um líder que consiga conduzir uma equipe motivada, tenha mais chance de obter bons resultados. “Os resultados são muito mais robustos quando se con- segue inspirar e motivar a equipe, em vez de trazer a ordem de cima para baixo, como era feito antiga- mente” (SARDENBERG &KYRILLOS, 2018, p. 30). Corroborando com Sardenberg e Kyrillos (2018), é importante ressalvar que, embora seja mais efetivo liderar a equipe através da inspiração e da motivação, o fluxo de comunicação descen- dente ainda muito é recorrente no ambiente orga- nizacional, isso não só atrapalha os resultados da empresa, bem como expõe a empresa ao risco de conflitos. A comunicação é uma ferramenta fundamen- tal para a liderança, por isso, um bom líder precisa ser assertivo em sua forma de comunicar com seus colaboradores. Contudo, muitos líderes sabem des- sa necessidade, mesmo assim negligenciam aspec- 99 Anotações:tos fundamentais no processo comunicacional ao conduzir suas equipes. Um desses erros é negligen- ciar a audiência, por exemplo, numa equipe temos pessoas que recebem melhor determinado tipo de comunicação, umas são mais visuais, outras audi- tivas e outras sinestésicas. Na comunicação sem- pre é preciso considerar a condição do receptor, do contrário ela será inócua. Há muito tempo as escolas de comunicação estudam como um fenômeno, como um processo social e, nesse sentido, vamos encontrar diferen- tes abordagens da comunicação e seus efeitos. No início, acreditava-se, por exemplo, que diferentes receptores recebiam a informação do mesmo jei- to; depois, verificou-se que não, que na verdade, a comunicação produz efeitos de acordo com a com a condição e capacidade de cada um em produzir significado. Ciente disso, quanto à comunicação pode produzir resultados diferentes usando o mes- mo discurso, o líder atual precisa maximizar a sua capacidade de comunicação. “O quarto fator é o rapport, que é você estabelecer conexão com o outro, desenvolver empatia, saber o que aquela pessoa está pensando naque- le momento e realmente se envolver com ela. O inimigo do rapport é a ten- dência de julgar. Você vê uma pessoa de cabeça pra baixo e já pensa: “ela fugindo da situação, não está me dan- do a atenção”. E pode não ser nada disso! É importante buscar contato sem julgamento” [..] (SARDENBERG & KYRYLLOS, 2020, p.32). 100 Anotações: SOFT SKILLS: UM NOVO CENÁRIO, NOVAS HABILIDADES A comunicação está entre as competências as quais Santos (2020) denomina como Soft Skills1, que tem a ver com as competências essenciais para os novos tempos. Essa premissa serve tanto para quem ocupa ou não cargo de liderança. Antigamen- te, era importante dominar habilidades técnicas e motoras, habilidades que geram domínio, etc. Ago- ra, essas habilidades e competências não fazem tanto sentido. As competências essenciais para o profissional desses novostempos estão relaciona- das basicamente às questões comportamentais e culturais, sobretudo no que diz respeito aos rela- cionamentos. Entre essas habilidades estão a habi- lidade cultural, de produzir conhecimento, habilida- des colaborativas, etc. O profissional de sucesso desses novos tem- pos não é aquele que domina determinado conhe- cimento e, sim, aquele que compartilha o que sabe, que é capaz de integrar equipes de forma colabora- tiva. Nesse sentido, a inteligência emocional é uma importante aliada para o seu desenvolvimento pro- fissional. A fim de reforçar a importância de práti- cas colaborativas nos dias atuais, percebe quantas plataformas wikis2estão disponíveis na Rede. A ana- logia com as plataformas wikis serve para reforçar e ratificar o quanto o pensamento de Santos (2020) 1 Soft Skills: habilidades que estão relacionadas à capacida- de de relação e interação com o outro. 2 Plataformas wikis: são plataformas colaborativas em que o conhecimento é produzido com a contribuição coletiva. Há diversos exemplos desse tipo de plataforma, a Wikipédia é um desses exemplos. 101 Anotações:converge com as demandas tanto do mundo cor- porativo, como das demandas sociais. Por isso, é possível afirmar que o (a) profissional que não con- seguir adaptar-se às necessidades da Soft Skills, dificilmente terá êxito em sua carreira. Período pós-industrial: a síntese de um mundo em transformação O período pós-industrial é marcado pelas in- tensas transformações, um período em que os vínculos sociais tornaram-se mais fugazes, o pes- quisador polonês Bauman (1999) denomina esse pe- ríodo como “Modernidade Líquida”. Nesse período, os laços e os vínculos ficaram mais frágeis, os rela- cionamentos mais efêmeros. O advento da internet, sobretudo das Redes Sociais, ressignificou o con- ceito de laço de relacionamento, visto que as redes sociais possibilitaram um aumento significativo do capital social das pessoas, por outro lado, de forma paradoxal, aumentaram o distanciamento entre as pessoas. A internet, ao mesmo tempo em que apro- xima, afasta as pessoas, gera oportunidades e ex- põe a desigualdade. Diante desse cenário que, ao mesmo tempo, nos parece um cenário de ótimas perspectivas den- tro de uma lógica otimista, nos parece caótico se imaginarmos o quanto as transformações são cé- leres e exige dos indivíduos o desenvolvimento de novas competências e habilidades. Neste contexto, no qual os relacionamentos ficarão cada vez mais fugazes, o profissional do futuro precisará desen- volver habilidades que o permitam conviver diante desse cenário em que as interações aumentaram 102 Anotações: significativamente e, por consequência, o número de conflitos também. E como conviver harmonicamente nesse con- texto em que há um grande número de interações, de conflitos, de choques culturais e de opiniões, sobretudo no ambiente corporativo, onde a inci- dência de conflitos é maior? Será necessário que cada pessoa desenvolva habilidades colaborativas e culturais, pois se o número de interações aumen- tou e a possibilidade de estabelecer novas cone- xões também, saber se comunicar efetivamente é fundamental. A comunicação, talvez, seja o principal su- porte para que as pessoas possam se relacionar melhor, mitigar e administrar melhor os conflitos. Tanto nas relações físicas, como nas relações me- diadas por plataformas digitais, o domínio das cha- madas Soft Skills, é fundamental para a manutenção e sucesso dos relacionamentos. Em uma sociedade em que as interações ocorrem de forma tão célere e tão plural, saber negociar é base para manuten- ção da relação familiar, da resolução de conflitos no ambiente corporativo, bem como para as relações comerciais entre empresa e cliente. No que diz respeito às negociações há dife- rentes estratégias e táticas, diferentes interesses, mas como foi estudado, em um mundo em que es- tamos expostos a todo tempo devido à profusão de plataformas digitais, é preciso manter a ética. Esse período histórico da humanidade aproxima e expõe as pessoas, sendo assim, a ética deve pautar os re- lacionamentos e as negociações, pois ela nos nor- teia com relação aos padrões morais. O mundo “se apequenou” diante de tantos avanços tecnológicos, 103 Anotações:desse modo, as transações internacionais aumen- taram sobremaneira, e essas transações, normal- mente, são realizadas por empresas globais que, por sua vez, têm culturas diferentes. A exposição de colaboradores que integram as equipes dessas empresas, inevitavelmente incorre no aumento de conflitos. Além das questões culturais, os conflitos podem ter diferentes causas, por isso, é preciso saber administrá-lo. Conflitos podem ocorrer em qualquer ambiente, seja ele familiar, corporativo, religioso, etc. O importante é saber compreender as suas origens e como administrá-lo. Conforme Castells (2000), a internet representa para o mundo o que a eletricidade foi outrora, uma grande revolu- ção, sem precedentes. Isso muda completamente o jogo. O fato é que, o mundo pós-industrial expõe e exige uma capacidade relacional jamais vista. Nego- ciar é fundamental nesse cenário, porque só através da negociação é possível chegar a um acordo com re- lação aquilo que se deseja e, desse modo, minimizar o número e os efeitos dos conflitos. Pensando nisso, é possível afirmar que na sociedade pós-industrial o que determinará cada vez mais a capacidade de adaptação de cada um, não é o conhecimento das habilidades de domínio e, sim, as que integram o ser ao seu meio de forma mais efetiva. 104 Anotações:de relaciona- mento e negociação? Entre os fatores mais preponderantes pode- mos citar a Comunicação. Sobretudo, vale lembrar que comunicar é um ato relacional, de negociação, isso porque ela só acontecerá se as partes envol- vidas no processo, emissor e receptor, estiverem predispostas para tal. Do ponto de vista antropo- lógico nós, seres humanos, somos um ser cultural, somos gregários e gostamos de conviver em grupo, e como tal, sentimos a necessidade de comparti- lhar as nossas experiências, daí a importância da comunicação nas relações humanas cotidianas. Desde os primórdios, nós negociamos, por di- ferentes motivos e situações, o fato é que negociar faz parte das relações humanas e as habilidades de negociação sempre foram úteis na resolução de conflitos. É importante salientar que a origem e as motivações desses conflitos e, por consequência, as estratégias para as suas resoluções mudaram ao longo da história humana, mas é inegável que no cerne das suas soluções está o processo de nego- ciação. Há sempre necessidade de negociação em todo relacionamento, por isso, é bom aprender a negociar, visando o crescimento e desenvolvimen- to, para que haja satisfação de todas as partes que se manteve no processo da negociação que produz benefícios seja positivo ou negativo que demoram 18 Anotações: entre os participantes da negociação. A informação é o primeiro elemento de um processo de negocia- ção, o tempo tem a sua importância na negociação e o poder é algo que muda e também alcança os ob- jetivos das pessoas (ADMINISTRADORES, 2015). Com relação à informação, vale dizer que ela não é sinônimo de comunicação, embora pareçam as mesmas coisas, elas não o são. De forma sucin- ta, podemos compreendê-la como a ordenação de um dado, já a comunicação se trata de um processo de tornar algo comum, de compartilhamento e, an- tes de tudo, é um processo relacional. Nesse sentido, podemos dizer que ter infor- mações é fundamental num processo de nego- ciação, é preciso conhecer aspectos importantes inerentes ao seu interlocutor como objetivos, ca- racterísticas pessoais, postura em processos de negociações anteriores, etc. Tudo isso serve como subsídio para que o processo de negociação possa ser mais efetivo, porque de posse dessas informa- ções, é possível que a comunicação seja mais flu- ída, o que favorece a negociação. Negociar é um processo e requer um planejamento, com o intuito de mitigar os riscos e, por consequência, ter maio- res chances de êxito. Etapas ou Fases do Processo de Negociação Abertura: é importante estabelecer uma si- tuação favorável, de empatia, em que as partes se coloquem no lugar do outro, além de compreender que a negociação só será exitosa, se as partes en- volvidas atingirem seus objetivos. Logo, deve-se deixar claro no início e definir como cada parte po- 19 Anotações:derá ganhar com a consecução dos objetivos. Nes- te sentido, negociação não quer dizer oposição e, sim, um processo em que todos podem ganhar se bem conduzidos. Para tanto, é preciso estar dis- posto para tal. Exploração: nesta fase é importante conhe- cer um pouco mais do seu interlocutor, da outra parte envolvida no processo, por isso, é fundamen- tal estabelecer um clima favorável, porque nesse momento isso contribuirá para saber aquilo que se necessita. Nesse momento, é preciso colocar em prática as habilidades comunicacionais que, entre outras coisas, pressupõe que seja um bom ouvinte, crie um diálogo fluido, evitando ruídos de comuni- cação. Deve-se perceber também quais são as ca- racterísticas do seu interlocutor, no que diz respei- to à comunicação, assim, haverá mais possibilidade de êxito na obtenção de informações daquilo que se precisa. Argumentação: nesta etapa, a capacidade de comunicação estará à prova, uma que se discu- te sobre o desejado, objetivos e interesses. Para construir um bom argumento é preciso seguir a se- guinte ordem: • Analisar o cenário que envolve a negocia- ção, sempre se pautando por dados reais, nunca em questões subjetivas; • Buscar informações; • Ser empático (a); • Ser coerente e objetivo; • Manter o foco no objetivo da negociação. Podem-se acrescentar outros aspectos im- portantes para construção do argumento, visto que negociar é um processo dinâmico. 20 Anotações: Alternativas de solução: uma negociação, normalmente, envolve flexibilidade das partes en- volvidas no processo, por isso, é importante ter diferentes alternativas para chegar a um acordo, pelo menos, razoável para todos. Com isso, as pos- sibilidades de frustração irão diminuir, pois haverá maior controle sobre os resultados, haja vista que diferentes cenários e desfechos foram traçados. Fechamento da proposta: alguns vendedores perdem a venda por não saberem perceber qual é o momento certo para isso. E por que isso ocorre? Entre as causas mais comuns estão os aspectos re- lacionados à comunicação, como por exemplo, não saber ouvir, não compreender as linguagens verbal e não verbal que ocorrem durante negociação, etc. Encerramento: certificar-se de que todos os pontos importantes da negociação foram contem- plados. Fazer uma análise comparando o que foi traçado como objetivo no início da negociação e o que foi alcançado. Traçar os prós e contras e, se for o caso, usar o processo como experiência para fu- turas negociações. O ESTILO DO NEGOCIADOR O sucesso de uma negociação depende de uma série de fatores, entre eles conhecer o perfil do interlocutor com quem se negocia. É preciso saber não apenas quais são os seus objetivos, mas qual é o seu estilo enquanto negociador. De acordo com Junqueira (1988), podem ser agrupados em quatro estilos básicos, segundo o seu comportamento do- minador ou condescendente, formal ou informal: 21 Anotações:catalisador, apoiador, controlador e analítico, uti- lizando os quatro elementos da confiança, dentro do processo de negociação e comunicação. Consi- derando os estilos colocados por Junqueira (1988), traçamos um breve perfil acerca de cada estilo de negociador, a saber: Controlador: o negociador que tem essa ca- racterística, de ser uma pessoa controladora, nor- malmente é ávido por resultados, por isso, procu- ra chegar ao objetivo da forma mais rápida. O seu discurso, normalmente, é muito incisivo, vai direto ao assunto, possui objetividade, organização e con- cisão. Devido ao seu perfil, às vezes pode ser visto como alguém mais frio que, não é necessariamen- te verdade. Nesse caso, o importante é que se está conduzindo um processo de negociação, e seu in- terlocutor tem esse perfil (controlador) é importan- te agir com objetividade, procurar usar uma lingua- gem clara, expondo os objetivos e pontos de vista. Analítico: uma pessoa analítica se caracteri- za por ser alguém que gosta de tomar decisões ba- seadas em dados e em informações. Um negocia- dor com esse perfil procura subsídios, a fim de ser assertivo nas negociações, preocupa-se com de- talhes. Às vezes, é visto como procrastinador por- que busca por dados e informações podem tornar alguns processos um pouco mais lentos. Inovador – Criativo: o negociador inovador é, por excelência, uma pessoa comunicativa, alguém muito criativo e empreendedor. Contudo, essas características, muitas vezes, fazem com que as pessoas o vejam como alguém imaturo, superficial, sem foco na negociação. Por exemplo, em uma ne- gociação, e o interlocutor tem esse perfil, deve-se 22 Anotações: ser amistoso, comunicativo e receptivo ao diálogo, contudo, é preciso conduzir o processo para não perder o foco e o objetivo da negociação. Apoiador: este negociador tem como carac- terística essencial, o respeito às relações humanas, gosta de trabalhar em equipe e evita desgastes com seus pares. Procura ser empático e cortês com os outros. Devido a esse perfil “mais humanitário”, às vezes é visto como alguém pouco capaz de entregar resultados. Em uma negociação em que seu inter- locutor tem esse perfil, seja empático,procure va- lorizar as pessoas que fazem parte da negociação, contudo, procure ser focado nos objetivos, tente conduzir o processo para que não se perca tempo e recursos durante o processo. O estilo do negocia- dor é, de fato, algo preponderante no processo de negociação, por isso, ao nos debruçarmos sobre o tema, nos deparamos com outras abordagens ao seu respeito: • Colaborativo/amigável: é caracterizado pela atenção aos objetivos e interesses da outra parte e pelo esforço para que isso se satisfaça. Pode variar do complacen- te, isto é, aquele que esquece os próprios objetivos em detrimento da vantagem de outrem. • Colaborativo-assertivo: é aquele que considera e valoriza os objetivos e interes- ses dos outros, mas procura igualmente maximizar a realização dos seus próprios. • Competitivo/racional: é o estilo do indi- víduo que coloca seus pontos de vista em destaque e menospreza os interesses e objetivos dos outros. Caracterizado usual- 23 Anotações:mente pela agressividade, procura ganhar a qualquer custo (AMATO, Apud SAAVEDRA & SANTOS, 2007). Destaca-se que as dife- rentes abordagens tratam de aspectos de personalidade e, considerando que ne- gociar é uma habilidade eminentemente humana, podemos inferir que as questões comportamentais afetam sobremaneira o processo de negociação. Conforme Albre- cht e Albrecht (1995), o ponto de partida para a análise dos estilos de negociação é a personalidade, apesar de não ser su- ficiente. E, se a personalidade é o ponto de partida de uma negociação, conforme aponta o autor, questões culturais afetam a negociação. A INFLUÊNCIA DA CULTURA DAS NEGOCIAÇÕES Em um processo de negociação, o fator cultu- ral exerce uma importante influência, porque a cul- tura molda hábitos e comportamentos e, de certo modo, influencia no estilo do negociador. A cultura consiste em modelos de comportamentos, modos de percepção, sistemas de valores que resultam dos esforços passados de uma sociedade para se adaptar ao ambiente, apreendida por socialização e compartilhada por indivíduos de uma mesma iden- tidade cultural (GODINHO; MACIOSKI, 2005). A identidade de um povo está relacionada à sua formação cultural, constituída de hábitos e cos- 24 Anotações: tumes que, por sua vez, influenciada pela ambiência e pelo compartilhamento, moldam comportamen- tos. Sendo assim, há que se imaginar que no âmbito das negociações pessoas egressas de diferentes culturas, provavelmente, terão diferentes estilos enquanto negociadores. Em um mundo globaliza- do em que transações internacionais ocorrem com certa frequência, o choque cultural torna-se mais proeminente, pois não há como separar o negocia- dor de sua essência enquanto indivíduo. De acordo com Godinho e Macioski (2005), o maior risco nas negociações é o da falta de en- tendimento com os negociadores, imposto pela diversidade cultural, pelo conflito dos métodos de negociações, de personalidades, ou de estilos de negociação. Essa análise acerca da influência cul- tural no processo de negociação pode ser também contextualizada ao Brasil. Além dessa questão das diferenças culturais, há ainda que se reforçar a grande presença de empresas multinacionais no território brasileiro, o que torna imperativo a neces- sidade de adaptação dos diferentes estilos de ne- gociação. O estilo do negociador reflete diretamen- te no tipo de negociação que será desenvolvida, e de que forma ela será conduzida. NEGOCIAÇÃO: TIPOS E TÁTICAS Considerando que negociar é uma habilida- de humana, podemos inferir que a cada processo de negociação os traços de personalidade se farão presentes e irá influenciar o tipo de negociação a ser estabelecido. No universo das negociações 25 Anotações:existem dois tipos de abordagens mais comuns: dis- tributiva e integrativa. Cada uma delas tem aspectos muito pontuais e requerem aplicação de técnicas de negociação que o processo seja assertivo. Negociação Distributiva É o tipo de negociação em que uma parte perderá em detrimento da outra. Nesse tipo de ne- gociação, as partes nunca se satisfazem de forma igualitária, competem pela distribuição de um valor fixo, sendo que o mais importante nessa modalida- de é obter mais vantagem. O valor de um bem é divi- dido entre dois ou mais negociadores, de modo que se um ganha, os outros necessariamente perdem. Também conhecida como ganha-perde nas nego- ciações distributivas há apenas uma questão a ser negociada: um produto ou serviço deve ser trocado por um valor X. Como geralmente não há acordo so- bre o montante desse valor, o clima predominante é de competição (CLUBE DOS NEGOCIADORES, 2018). A negociação distributiva é o tipo de negocia- ção mais comum em nosso dia a dia, aquelas em que as pessoas são mais expostas em suas diversas rela- ções, seja ela pessoal ou comercial. Isso pode ocor- rer, por exemplo, na compra de um produto, em que o consumidor busca pelo melhor preço, aquele que esteja mais adequado às suas expectativas; enquan- to o vendedor busca vender pelo maior preço possí- vel, aquele que lhe traga maior lucratividade. Embora seja um tipo de negociação com o qual as pessoas estão acostumadas em seus co- tidianos, nem todos, ou na verdade, poucos se preparam adequadamente para uma negociação 26 Anotações: distributiva. Conforme o portal Clube dos Negocia- dores (2018), normalmente, as pessoas partem para uma negociação distributiva sem limites definidos, acabam gastando mais do que deviam, no caso dos compradores; ou têm que se satisfazer com menos do que gostariam, no caso dos vendedores. Considerando que o sucesso de uma negocia- ção não depende apenas de uma parte, é preciso aplicar técnicas para que o resultado da negocia- ção produza os resultados desejados, ou pelo me- nos, o mais próximo dele. Alguns cuidados contri- buem nesse tipo de abordagem: • Procure não oferecer muitos dados e in- formações para o seu interlocutor, para que ele não os utilize em seu favor durante o processo de negociação. Por exemplo, se você quer vender uma casa por um de- terminado preço final, procure evitar que a outra parte saiba esse dado com preci- são, pois ele poderá usá-lo em seu favor durante a negociação. Caso você esteja disposto a fazer concessões, não informe, deixe que isso ocorra no transcorrer do processo. • Tente não oferecer no início da negocia- ção tudo aquilo que está disposto a con- ceder como benefícios. Caso isso ocorra, você ficará sem margens para fazer novas concessões durante o processo de nego- ciação. 27 Anotações: Negociação Integrativa Diferentemente da negociação distributiva, a negociação integrativa não tem um valor fixo, o ob- jeto da negociação pode se alterar conforme o pro- cesso de negociação se desenvolve. A negociação integrativa consiste num processo de negociação em que haja consenso, no qual as partes envolvidas sejam beneficiadas. Entretanto, para que as duas partes saiam satisfeitas, é preciso que as duas par- tes estejam dispostas a ceder em prol de um obje- tivo exitoso dos dois lados. Esse tipo de abordagem é mais comum em negociações que envolvem rela- cionamentos de médio ou longo prazo, ou seja, em situações que não basta apenas lucrar no presente e, sim, fazer a manutenção da relação a fim de ne- gociações futuras. Esse tipo de abordagem pode ser usado tanto na relação entre empresas e clien- tes finais, como entre empresas e empresas. Veja os exemplos abaixo: 1- Imagine que uma empresa de TV de por as- sinatura oferece um pacote para um cliente com vantagens tanto no produto, como no preço. En- tretanto, para que o cliente possa usufruir desses benefícios, ele precisa assinar um contrato de, pelo menos, doze meses. Desse modo, as duas partes saem beneficiadas na negociação. 2- Duas empresas mantêm uma relação co- mercial, uma ocupando a função de fornecedora de insumos e a outra como compradora. Para que a empresa fornecedora possa manter a relação comercial com o seu cliente ele precisa ceder,por outro lado, a empresa compradora também precisa ceder, mesmo que seja por meio da fidelização para 28 Anotações: que ela possa ter os benefícios desejados. Dessa forma, as duas empresas mantêm a relação comer- cial através de uma abordagem integrativa, em que ambas estão dispostas a ceder e lucram, ou obtêm aquilo que desejam. Para a abordagem ser bem-su- cedida, é preciso cuidar de alguns detalhes, entre eles: • Procure encontrar soluções as quais não precise ceder demais em prol do resulta- do final. Isso vale tanto para você, quanto para o seu interlocutor. Por isso, é preci- so ter muito claros quais são seus obje- tivos, até onde você ceder e, se possível, saiba também o mesmo da outra parte. De acordo com o Blog da Fia (2018), seja qual for o tipo de abordagem escolhida para o processo de negociação, é preciso tomar alguns cuidados, a fim de maximizar os re- sultados do processo. Obtenha Informações: o processo de nego- ciação é similar ao processo comunicacional, por isso, quanto mais informações tiver sobre o produ- to ou serviço, o discurso será mais seguro, o que irá conferir credibilidade junto ao interlocutor. Um dos fatores mais importantes no processo de negocia- ção é o poder, e somente se conseguirá se o discur- so for convincente. Defina limites: tenha claro quais são os limi- tes de concessões que pode fazer. Lembre-se, não faça concessões além dos seus limites apenas para fechar uma negociação. Mesmo que seja uma nego- ciação integrativa, na qual as duas partes ganham, é preciso definir limites. Caso perceba que a nego- 29 Anotações:ciação resultou infrutífera, talvez seja melhor bus- car uma alternativa. Conheça o interlocutor: em um processo de negociação é fundamental que se conheça o seu interlocutor, seu estilo, personalidade, etc., enfim, características que irão ajudar a compor a sua es- tratégia de negociação e definir qual a abordagem poderá ser mais assertiva. Antecipe as objeções: pense na negociação como um roteiro, pense em possíveis objeções que poderão ser colocadas por seu interlocutor, a partir daí crie argumentos para que possa “combatê-las” sem ser surpreendido. Ouça: em todo processo comunicacional, sa- ber ouvir é uma grande vantagem competitiva. Ao escutar seu interlocutor, poderá saber um pouco mais dele, o estilo de negociação mais apropriado para aquele momento. Aliás, mais do que saber ou- vir, é preciso saber interpretar tanto a linguagem verbal, como a não verbal. Fique atento aos gestos, a linguagem corporal diz muito sobre o outro. Compartilhe informações: durante o pro- cesso de negociação é importante compartilhar informações com seu interlocutor, porque o fará sentir mais confiança, perceberá que o tem como parceiro e não como oponente. Isso é fundamen- tal para uma negociação bem-sucedida, o sentido de parceria. Contudo, há que ter cuidado para não passar mais informações do que é necessário para estabelecer esse vínculo de confiança. Lembre-se: informação é um elemento fundamental no proces- so de negociação, por isso, cuide para não revelar informações-chaves. Dê o primeiro valor: quando falamos em dar o primeiro valor, significa apresentar a primeira 30 Anotações: proposta, pois isso servirá como parâmetro na ne- gociação. Deve-se estar certo de qual resultado deseja obter com a negociação, desse modo, ao apresentar o primeiro valor, ele deve precisar dar margem para descontos. Seja enfático para fechar o negócio: muitas vezes, alguns negócios não são fechados, porque uma das partes não percebe o momento ideal para isso. Percepção é muito importante nas negocia- ções. Se seu interlocutor se mostra favorável aos termos discutidos e sinaliza disposição para fechar o negócio, essa é hora de ser assertivo, enfático e conduzir o processo de negociação para o seu fe- chamento. Desde que o desfecho esteja a seu con- tento, é claro. Ainda segundo o portal da Fia (2018), há alguns fatores que contribuem para no processo de nego- ciação, tais como: Não o subestime. Procure focar nas qualida- des daquilo que está ofertando, não desmereça as escolhas anteriores de seu interlocutor. Não falar mais do que o necessário, não deixar que de imediato seu interlocutor saiba qual é o seu objetivo final. Não falar de dificuldades, procurar não expressar a esse respeito durante a negocia- ção, pois se o fizer, seu interlocutor poderá enten- der como fraqueza, e você ficará numa condição inferior na negociação. Os processos de negociação podem ser mais morosos ou mais rápidos, mais ou menos exitosos, desgastantes, de qualquer modo é preciso evitar erros e passar pelos obstáculos. Nesse sentido, a fim de maximizar o êxito em negociações, o por- tal Recursos Humanos aponta alguns obstáculos a 31 Anotações:serem evitados. Uma negociação onde se leva pre- juízo resultando numa quebra de relacionamento. Uma má negociação produz consequências futu- ras. Onde há muitas variáveis torna-se imprevisível os resultados (PORTAL RH, 2015). Ciente de que é importante tomar alguns cuidados com relação ao processo de negociação para que ele seja exitoso, vale a pena estabelecer algumas táticas de nego- ciação. TÁTICAS DE NEGOCIAÇÃO E MÉTODO DE HARVARD DE NEGOCIAÇÃO Quando falamos em tática, seja em negocia- ção ou em quaisquer outras áreas da vida, estamos falando da parte prática da estratégia. No âmbito das negociações do mundo corporativo, o Método de Harvard, certamente é um dos mais difundidos e aplicados devido a sua efetividade. O Método de Harvard tem alguns preceitos que fogem às pre- missas mais comuns em modelos de negociação. Isso, porque os métodos convencionais de nego- ciação, normalmente, acreditam que num proces- so de negociação é preciso que uma parte saia em desvantagem na negociação para que a outra possa ganhar. O método da negociação baseada em princípios, desenvolvido no Projeto de Negociação de Harvard, consiste em decidir as questões a partir de seus méritos, e não através de um processo de regateio centrado no que cada lado se diz disposto a fazer e não fazer. Ele 32 Anotações: sugere que você procure benefícios mútuos sempre que possível e que, quando seus interesses entrarem em conflito, você insista em que o resul- tado se baseie em padrões justos, in- dependentes da vontade de qualquer dos lados. O método da negociação baseada em princípios é rigoroso quanto aos méritos e brando com as pessoas. Não emprega truques nem a assunção de posturas. (FISHER; URY; PATTON, 2005, p.15). O Método de Harvard foi desenvolvido pelos pesquisadores FISHER; URY e PATTON, e tem como alicerce quatro pilares que são suas premissas principais: Pessoas: de acordo com o Método de Har- vard, para o sucesso de um processo de negociação é fundamental separar as pessoas dos problemas. Fazendo isso será possível estabelecer uma rela- ção mais empática com a outra parte e compreen- der quais são as suas emoções. Compreender quais são as emoções e percepções da outra parte são elementos importantes durante a negociação. Vale a pena criar um clima mais empático, para tanto, é preciso saber escutar a outra parte, ser flexível e não estabelecer um clima de competição e, sim, de colaboração. Uma tática importante que pode cor- roborar com essa necessidade de se estabelecer um clima mais amistoso, é conhecer melhor a ou- tra parte, assim saberá quais são as principais ca- racterísticas, gostos, aspectos culturais, inclusive seus interesses. Interesses: estão relacionados ao que se bus- 33 Anotações:ca com negociação, aquilo que se deseja. Para cada interesse, adota-se uma posição, por isso, é impor- tante ao iniciar um processo de negociação, saber quais são os interesses das partes envolvidas. Con- forme Fischer e Ury (apud MARASCHIM et al, 2018, p. 21), “o problema básico em uma negociação não é o conflito de posições, mas de necessidades, dese- jos, preocupações e temores”. É importante lembrar que nós negociamos, porquetemos algum tipo de interesse, isso vale para a vida pessoal e corporativa. Ou seja, tanto pessoas, como empresas negociam porque têm algum tipo de interesse, caso contrário, provavelmente não haveria negociação, porque esta é uma forma de se alcançar aquilo que se deseja através de um acordo. Partindo desse ponto de vista, que negociamos pelo fato de temos interesses, o Método de Harvard classifica os interesses em: comuns, opostos ou diferentes. No que tange a essa classificação, podemos dizer que as partes envolvidas numa negociação podem assumir interesses opostos, por exemplo, uma parte quer vender um produto pelo melhor pre- ço, enquanto a outra parte deseja o maior desconto possível. Pode ainda haver interesses em comum, suponha que moradores de um mesmo condomínio negociem o uso de uma área comum, o interesse final é comum às partes. O método aponta que os interesses podem ser diferentes, como por exem- plo, imagine que as duas partes de um processo de negociação por imóvel, sendo que uma parte tem interesse em comprar para alugar, enquanto a ou- tra parte tem interesse em comprar para morar. Por isso, conforme Fischer e Ury (Apud MA- 34 Anotações: RASCHIM et al 2018, p.24) “é preciso começar pelo interesse em comum, porque essa atitude cria um clima mais empático para começar a negociação, e um clima amistoso é sempre favorável para se al- cançar os objetivos”. Ainda segundo o autor é inte- ressante fazer uma listagem dos interesses envol- vidos, pois além de ser um processo de coleta de informações, essencial em um processo de nego- ciação, cria-se também um escalonamento de prio- ridades e interesses. Opções: é importante ter um planejamento com diferentes opções para diferentes cenários que podem acontecer no transcorrer da negociação. É importante ter opções dentro do seu limite, diante de seus interesses. Lembrando apenas que, o Método de Harvard pressupõe que as duas partes têm interesses que podem ser comuns, opostos ou diferentes, mas é importante que saiam satisfeitas do processo de negociação. Critérios: assim como as outras premissas, é fundamental no Método de Harvard é a definição de critérios claros e objetivos, isso evita desde o início desconfianças que podem gerar falta de credibili- dade durante o processo de negociação. Quando as pessoas têm a clareza de quais são os critérios que estão norteando a negociação, estabelece-se uma confiança mútua. Transparência é fundamental no processo de negociação. Informação, Tempo e Poder Para que uma negociação seja bem-sucedi- da é preciso cuidar desses elementos, informação, tempo e poder, que os especialistas consideram 35 Anotações:essenciais numa negociação, pois eles servem não apenas como subsídios no processo de negociação, mas também fazem parte da estratégica. Informação: ter informação é essencial para o sucesso de uma negociação. Contudo, há que se fazer uma pequena ressalva: dado e informação não são sinônimos. Sucintamente, podemos dizer que dados são elementos estatísticos não ordena- dos, enquanto a informação são os dados estatísti- cos ordenados. Trata-se de uma pequena ressalva, porém muito importante, pois é a partir da ordena- ção dos dados e de sua ressignificação que irão tor- ná-los informações que, por sua vez, tornar-se-ão subsídios para o negociador. Poder: de acordo com Hilsforf (apud SAAVE- DRA & SANTOS, 2007), poder é a capacidade de in- fluenciar o pensamento e comportamento do outro em busca do acordo. Ainda segundo Hilsforf (Apud SAAVEDRA; SANTOS, 2007), poder é tudo aquilo que leva o negociador a conquistar seu objetivo final. Informação, “[...] é tudo aquilo que reduz a incerte- za”. Desse modo, podemos deduzir que informação é poder, pois ela reduz as incertezas, e quem a tem, tem o poder. Tempo: o “timing” em uma negociação tam- bém é um fator decisivo para o sucesso do proces- so. É preciso saber usar o tempo a seu favor, não apenas no que diz respeito ao tempo que leva para encerrar o processo de negociação, mas também ao tempo que se investe para se obter mais infor- mações. Isso porque informação é poder, desse modo, podemos inferir que tempo também é poder, pois a parte que administrar melhor o tempo pode- rá obter mais informações que servirão como sub- 36 Anotações: sídios na negociação. Conseguir ter sob controle os elementos in- formação (intrínseca ao poder), poder e tempo são fundamentais para o êxito de um processo de nego- ciação, mas vale lembrar que um bom negociador precisa ter algumas características que o fazem um negociador eficiente e que saiba utilizar esses ele- mentos. Sendo assim, surge um dilema: o que faz um negociador ser eficiente? Vale a pena conceituar o que é ser eficiente, para que não haja quaisquer dúvidas semânticas. Conforme o dicionário Aulete (2012, p.526) eficiente quer dizer que produz o efeito esperado, que rea- liza bem a tarefa oferecendo bons resultados, etc. E, ao recorrermos à bibliografia sobre o tema, ne- gociador eficiente, vamos encontrar diferentes abordagens para discorrer sobre o perfil desse profissional. Contudo, vale ressalvar que, mesmo encontrando diferentes abordagens, alguns pontos são mais comuns. Experientes: possuem autoestima elevada; são assertivos; têm clareza de propósitos; alto poder de concentração; não cedem rapidamente em pon- tos importantes; comunicam com efetividade suas ideias. Saem-se bem de perguntas e provocações; conduzem com habilidade e tato as conversações e apresentam alternativas convincentes; trabalham com a lógica e a razão das decisões e também com pensamentos, sentimentos e opiniões. Profissionais: possuem grande conhecimen- to da natureza humana; sabem como podem ser as reações das pessoas; lidam bem com as diferenças individuais, as emoções, comportamentos, moti- vações e o ceticismo das pessoas; promovem a re- 37 Anotações:moção da inércia, da resistência, dos hábitos e dos condicionamentos do outro para atingir seus obje- tivos; descobrem maneiras de contornar situações de conflito. Superam o imediatismo do pensamento de curto prazo do outro; sabem que a maioria das pessoas não consegue adiar as recompensas, por isso, querem ganhar sempre e rápido. Talentosos: têm boa visão do futuro; são in- cansáveis na busca de seus objetivos; possuem uma curiosidade infindável frente ao novo e um desejo constante de novos conhecimentos; sabem que devem estar sempre bem preparados para en- frentar os desafios de cada nova reunião; buscam, de forma contínua e permanente, atingir seu grau máximo de desempenho (HILSDORF, apud SAAVE- DRA &S ANTOS, p. 106). Independente das diferentes abordagens sobre o que é um negociador eficiente, podemos concluir que um negociador eficiente reúne tanto habilidades e competências técnicas, como com- portamentais. É preciso que o (a) profissional tenha conhecimentos técnicos acerca do produto e ou serviços, e ao mesmo tempo reúna característi- cas inerentes à sua personalidade que favoreçam a condução de um processo negocial. Mas, em quais situações e momento que ne- gociamos? Sempre. Sempre estamos negociando, seja no universo corporativo, familiar, entre amigos, etc. A verdade é que estamos sempre negociando. Isso porque a vida pós-moderna nos coloca em choque a todo o momento, vivenciamos situações conflitantes cotidianamente, de forma direta ou indireta. Destaca-se que, independentemente do tipo de negociação, se é no âmbito familiar ou cor- porativo, se os interesses são opostos ou comuns, 38 Anotações: etc., o fato é que toda negociação deve ser pautada pela ética, pois é ela que deve nortear nossas ações dentro dos padrões morais. ÉTICA NAS NEGOCIAÇÕES A ética está presente em todas as esferas de nossas vidas, desse modo, ela está nas atividades profissionais, assim como ocorre nas negociações. Cada profissão em tese, tem seu código de ética, que determina qual é a conduta a ser seguida pe- los profissionais que atuam no setor. Mas,antes de abordarmos o conceito de ética nas negociações, é fundamental conceituar o que é Ética e Moral, a fim de dirimir quaisquer dúvidas acerca de erros con- ceituais, considerando que são dois termos inter- dependentes, mas que são coisas diferentes. Ética: é a ciência da conduta humana, diz res- peito ao agir perante a sociedade. Ela pode ser en- tendida ainda como o julgamento diante dos padrões da sociedade morais de determinada sociedade. Moral: enquanto a ética norteia a conduta hu- mana dentro de determinada sociedade, a moral estabelece quais são os padrões de comportamen- to aceitáveis dentro dessa sociedade conforme há- bitos e costumes. Notem que, são conceitos que estão imbricados, mas não são sinônimos. Por isso, é fundamental compreender suas sutis diferenças. Reitera-se que, tanto a Ética como a Moral têm di- versas abordagens e aplicações no seio da socie- dade, tanto do ponto de vista filosófico ou cientí- fico, por isso, não é nossa intenção esgotar aqui um tema tão amplo e, sim, defini-los, mesmo que de forma sucinta, a fim de servir de suporte para o 39 Anotações:nosso objeto de estudo. O processo de negociação é uma atividade relacional que, normalmente, existem duas partes envolvidas, sendo que elas podem ter objetivos co- muns ou opostos, posições diferentes; mas é sabi- do que a negociação é a única de conseguir aquilo de se deseja através de um acordo. Desse modo, por ser uma atividade que envolve relacionamento, a ética deve ser o fio condutor a fim de que se esta- beleça confiança mútua durante o processo. Para tanto, é preciso definir quais são os pon- tos que delimitam o que é a ética nas negociações, porque ética e negociação são conceitos que sus- citam uma contradição. Muitos profissionais do mercado corporativo, acadêmicos e pesquisado- res, defendem que a ética e a dinâmica das nego- ciações se chocam enquanto conceitos, pois infe- lizmente, no campo das negociações, muitas vezes, algumas táticas podem ser consideradas antiética. Muitos acreditam que o comportamento ético pode prejudicar negociadores, já que podem colocá-los em condições de inferioridade. Por outro lado, há uma corrente de acadêmi- cos e profissionais que acreditam que a ética pode, sim, estar presente nas negociações, sobretudo do ponto de vista da honestidade. Essa corrente de pensamento acredita que é possível ser honesto em quaisquer situações. Contudo, se recorrermos a alguns métodos de negociação, em especial o Método de Harvard, podemos inferir que é possível aplicar a ética dentro de um processo de negocia- ção. Por isso, elencamos abaixo alguns tópicos que podem ser considerados fundamentais para manu- tenção de uma prática ética nas negociações: 40 Anotações: • Honestidade; • Honestidade; • Reciprocidade; • Sinceridade; • Clareza na definição dos interesses. 41 Anotações: U ni da de 2 Videoaula 1 Videoaula 2 Videoaula 3 Videoaula 4 Videoaula 5 44 45 CONFLITOS: ORIGENS E CONSEQUÊNCIAS CONFLITOS: ORIGENS E CONSEQUÊNCIAS Negociar nos dias atuais, talvez, não seja um diferencial e, sim, uma neces- sidade. É preciso saber negociar diaria- mente, porque o mundo contemporâneo nos coloca em conflito a cada instante. Isso, porque o cotidiano na sociedade contemporânea favorece o surgimento de conflitos, visto que cada vez mais es- tamos envolvidos em situações nas quais a oposição de ideias e interesses ocorrem com certa frequência e alguns fatores corroboram ainda mais para a formação 46 Anotações: desse cenário entre eles, como: o aumento signifi- cativo dos canais de comunicação, permitindo que as pessoas explorem seus pensamentos, objetivos e interesses, que nem sempre, convergem com o do outro, o que desencadea conflitos. No mundo corporativo isso é ainda mais re- corrente, porque nesse tipo de ambiente a cultura e os comportamentos dos indivíduos são mais he- terogêneos, o que torna as relações, muitas vezes, mais tensas. Desse modo, a habilidade em saber negociar se torna preponderante como estratégia para a Gestão de Conflitos. Mas, é importante res- saltar que nem sempre o conflito é algo prejudicial. Na sociedade, devido aos aspectos culturais tende- mos a fazer essa associação, porém, nem sempre traduzem a realidade. Às vezes, é preciso que haja o conflito para por meio dele surgir a solução que, entre outras possibilidades, pode representar o al- cance de um determinado objetivo, o qual até pode- ria ser alcançado sem o conflito, no entanto, de for- ma mais amorosa e generosa. Por isso, no ambiente corporativo, o foco não deve estar no problema, no conflito em si, mas, em como lidar com ele. Fatores mais comuns que ocasionam os conflitos Os conflitos dentro de uma empresa podem ser tanto pessoais, como profissionais e, podem ter diferentes causas, elencamos aqui algumas en- tre as mais comuns: Objetivos e metas inatingíveis ou mal esta- belecidos: objetivos e metas mal planejados, mui- tas vezes, são motivos de conflitos nas empresas. 47 Anotações:Isso ocorre, porque eles são traçados sem levar em consideração a opinião das partes envolvidas, sem considerar as possibilidades reais do seu cumpri- mento, o que gera muito estresse e crise entre co- laboradores e gestores. Divergências culturais: cada pessoa carrega consigo uma carga cultural, que envolve hábitos e costumes arraigados ao longo de sua vida, sobre- tudo, influenciados pela ambiência que fez parte de sua história. Esses valores e hábitos são confronta- dos no dia a dia corporativo, o que gera confronto. Liderança e ambiente tóxico: um dos papéis mais importantes do líder é desenvolver pessoas, mas sabemos que nem sempre ocorre. Pelas mais diversas razões muitos “gestores” sonegam essa atribuição em detrimento aos seus interesses pes- soais. Criam um ambiente hostil e tóxico, a fim de alcançarem seus objetivos profissionais e pesso- ais, aliás, em grande medida objetivos pessoais. Quando os gestores agem dessa forma, o clima or- ganizacional fica comprometido, instaura-se um ambiente tóxico muito propício aos conflitos, em que todos perdem. Interesses pessoais acima dos interesses coletivos: é claro que todos têm objetivos pesso- ais, contudo, em uma empresa, não se pode nem se deve sobrepor-se aos objetivos coletivos. Mudanças no ambiente organizacional: de um modo geral, as pessoas são resistentes às mu- danças, porque o desconhecido traz um certo des- conforto. Por isso, habilidades muito requeridas são a resiliência e a capacidade de adaptação. Vale lembrar que resiliência é um termo empregado na Física e o que o mundo se apropriou, porém, não de 48 Anotações: forma tão precisa, porque resiliência na Física está relacionada à capacidade da matéria voltar ao seu estado inicial, e no mundo corporativo, ou seja, às vezes não é possível voltar ao estado original. Falhas na Comunicação: se o processo de co- municação não for efetivo, ou seja, se houver falhas em uma das suas etapas, surgirão ruídos que po- derão desencadear em conflitos. Em um ambiente organizacional, infelizmente, isso é muito comum. Vale lembrar que, assim como o processo de nego- ciação, o processo comunicacional é um processo relacional, ele não se desenvolve com a presença apenas de uma parte. Desse modo, é preciso saber quais são os elementos que compõem o processo comunicacional e suas funções: Emissor: aquele que emite a mensagem. Meio: por onde a mensagem irá passar. Receptor: aquela pessoa que irá receber a mensagem. Para que esse processo funcione bem, o emissor deve usar códigos (linguagem) adequados, de modo que o receptor consiga decodificá-los e compreender a mensagem, assim como a men- sagem deve ser transmitida por meio de um canal adequado. É importante levar em consideração que, na comunicação, cada canal tem um papel di- ferente e que deve ser usado conforme as suas ca- racterísticas. Por exemplo, se um gestor quer dar um feedback ao seu colaborador, o melhor canal é uma conversafranca, na qual os códigos devem ser claros e inteligíveis para o receptor compreender o que está sendo colocado e o que se espera dele. 49 Anotações:Infelizmente, nas organizações, muitos confli- tos têm na comunicação a sua origem, porque não foi considerada a condição de cada elemento no processo de comunicação. Um obstáculo para que a comunicação seja fluída nos dias atuais é que as pessoas se tornaram, de um modo geral, maus ou- vintes. O mundo acelerado faz com que as pessoas não parem, de fato, para escutar as outras, e isso torna o processo comunicacional ineficaz. Diante disso, surge a necessidade de uma comunicação mais empática, mais compassiva que se importe com o outro e que fortaleça os relacionamentos. Assim, no cenário cotidiano, surge a emergência de uma nova forma de entender a comunicação, deno- minada comunicação não violenta (CNV) que pode ser uma aliada importante para a resolução de con- flitos. COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA De acordo com o portal da FIA (2018), o termo foi criado por Marshall Rosenberg por volta de 1960, nos Estados Unidos, num período em que segrega- ção racial era muito latente no país, um cenário de grande conflito social. Como resolver questões tão “explosivas” que envolvem um conflito dessa natu- reza? A solução de um cenário de conflito social como esse, antes de tudo, passa pela habilidade de saber negociar e, principalmente, pela instaura- ção de uma comunicação empática, aquela na qual cada indivíduo busca se colocar no lugar do outro. Essa comunicação é o que Rosenberg chama de Comunicação Não Violenta. 50 Anotações: Para entender melhor esse conceito de comu- nicação, creio que seja importante nos “despir” de um conceito mais superficial que define a comuni- cação como: “tornar algo comum”. Não que, seman- ticamente, essa definição seja errônea, mas é, no mínimo, imprecisa, visto que o processo comuni- cacional é um processo de negociação, relacional, algo para além de tornar comum alguma coisa, um fato, etc. A emergência de uma comunicação mais empática, menos “violenta”, é fruto das tensões so- ciais que ocorrem no ambiente familiar, corporati- vo, escolar, etc. Enquanto estudava os fatores que afetam a nossa capacidade de nos mantermos compassivos, fiquei im- pressionado com o papel crucial da linguagem e das palavras. Desde en- tão notei uma abordagem específica da comunicação -falar e ouvir- que nos leva a nos entregarmos de cora- ção, ligando-nos a nós mesmos e aos outros de maneira tal que permite que a nossa compaixão natural floresça. Denomino essa abordagem Comuni- cação Não-Violenta, usando o termo “não-violenta” na mesma acepção que lhe atribuía Gandhi (ROSENBERG, 2012, p. 21). Considerando as colaborações de Rosenberg (2012), acerca do papel da comunicação na manu- tenção das relações humanas pautadas pela com- paixão e pela empatia, podemos concluir que a re- solução de conflitos pode ser facilitada por meio de 51 Anotações:uma comunicação não-violenta. Vive-se em uma sociedade em que é muito mais importante o ter do que o ser, o que torna uma verdadeira mercan- tilização das relações. Isso leva a exacerbação da competitividade, as pessoas passam a buscar o ter sem se importarem muito com o outro, com seus sentimentos, e nesse ciclo a compaixão e a empatia vão se arrefecendo. Toda essa exacerbação pelo ter acaba por nos levar a uma pressão enorme, que é fruto de uma cultura enraizada nas empresas, sobretudo na- quelas de origem estrangeiras. Isto gera conflitos, porque as pessoas querem alcançar os objetivos da organização e, por consequência, alcançarem seus objetivos individuais, só que muitas vezes, ou na maioria delas, sem se preocupar com o outro. Nesse contexto, o ambiente corporativo é um local no qual essa situação é potencializada. O ambien- te corporativo, para muitos, representa muito mais do que um trabalho, uma fonte de renda, etc., para outros, por não dizer a maioria, representa a sua identidade social. Desse modo, na sociedade con- temporânea o emprego tem a ver com a identidade social de cada um. Isto pode ser facilmente constatado quando uma pessoa está desempregada, uma de suas re- ações mais imediatas é se sentir envergonhada, como se tivesse feito algo errado. O que ocorre é que o trabalho “confere certa identidade” ao indi- víduo. Por exemplo, se é um advogado (a), logo as pessoas tendem a associá-lo à profissão, e assim é com o médico, com o professor, o engenheiro, etc. Desse modo, o ambiente corporativo assume um papel para além do que deveria ser, e torna-se 52 Anotações: um espaço no qual sonhos são realizados ou frus- trados. Esses espaços que representam e materia- lizam os sonhos de uma sociedade contemporânea, é ao mesmo tempo o espaço perfeito para confli- tos, pois nele são reunidas pessoas, culturas, ideias e interesses diferentes. Nesse cenário de tensões, as relações se tornam muito menos compassivas e empáticas, tornam-se mais agressivas, o que inva- riavelmente acaba em conflitos. Como mudar para que não haja conflitos? Uma das possibilidades é através da comunicação, especificamente, através da Comunicação Não-Violenta. A CNV acredita que toda forma de comunica- ção humana tem por objetivo demonstrar interes- ses universais. Ou seja, existe uma reivindicação por trás de toda mensagem que emitimos, mesmo que esteja encoberta por gritos, agressões verbais ou físicas. Em geral, a violência é resultado de im- posições da cultura dominante, que gera ambiente com grande pressão e competitividade. Diante des- se cenário, o mais comum é que as pessoas reajam de um jeito negativo, tentando se defender e mos- trar suas falhas (FIA, 2019). A CNV se diferencia do modelo tradicional de comunicação, porque o seu enfoque não está “ape- nas” na mensagem e, sim, como ela é transmitida. Há uma preocupação com o outro, com os efeitos que a mensagem pode gerar. Nesse sentido, Ro- senberg (2012, p .22) afirma que “à medida que va- mos substituindo velhos padrões de defesa, recuo ou ataque diante de julgamentos e críticas[...] os relacionamentos passam a ter um novo enfoque”. 53 Anotações:O PROCESSO DA CNV (COMUNICAÇÃO NÃO VIOLENTA) E como funciona o processo de comunicação não violenta? De que forma ela pode ajudar a su- perar conflitos no cotidiano? Em primeiro lugar, é preciso compreender que o processo começa pela internalização de um processo de comunicação mais holístico, em que a mensagem não pode ser dissociada do seu contexto e da condição emocio- nal tanto do emissor, como do receptor. A fim de estruturar o processo, Rosenberg (2012) definiu os pilares da CNV: • Observação: é preciso notar (observar) o quanto e o que o outro está falando me agrada ou não, no sentido de compreen- der até que ponto a mensagem traz bene- fícios para mim, só que despido de pré-jul- gamentos, ou valores pré-concebidos. • Sentimento: que sentimentos a mensa- gem nos provoca. Como se reage a ela, quais sensações emanam dessa comuni- cação. Ficamos tristes, alegres, frustra- dos, etc.? • Necessidades: o passo seguinte é identi- ficar porque reagimos dessa maneira. Por- que nossas emoções foram afetadas de tal maneira. • Pedido: o último pilar tem a ver com um pedido que vá ao encontro da necessida- de, e que venha apaziguar as sensações causadas pela mensagem. 54 Anotações: Para que serve a CNV e quais são seus principais benefícios A principal questão é tornar a CNV um valor intrínseco às relações sociais, é internalizá-la como um processo arraigado em cada um e, principalmen- te, compreender que ela pode ser usada para deixar as relações do cotidiano mais amenas, empáticas através de uma comunicação compassiva. Os benefícios e aplicações da CNV são inúme- ros, seguem abaixo alguns deles: • Humanização de equipes, em especial aquelas que prestam atendimento em ser- viços públicos; • Mediação de conflitos; • Fortalecimento da cultura organizacional; • Aumento da empatia nas relações;• Gestão de crises; • Fortalecimento de uma gestão mais hu- manizada; • Mediação de conflitos escolares; • Redução dos índices das agressões físicas e verbais; • Ferramenta para redução das tensões fa- miliares. Para compreender melhor esses benefícios, o exemplo abaixo mostra como os pilares da CNV se articulam e tornam a comunicação mais empática, como propõe essa forma de comunicação. Exemplo: um gestor avisa a um colaborador que o prazo para entregar um relatório está termi- nando. (observação: como o colaborador é afetado pela mensagem). O colaborador se sente pressio- 55 Anotações:nado (sentimento). O gestor diz que está pressio- nando devido à importância do relatório (necessi- dade). Então, o colaborador solicita ajuda ao gestor para que ele possa finalizar o relatório no prazo, alegando que tem dificuldades para concluir o tra- balho (pedido). O gestor coloca-se no lugar do co- laborador e examina as causas de sua dificuldade. Apesar de todo o benefício e resultados que a CNV pode gerar, vale dizer que ela não é um processo de fórmula única, pré-estabelecida e imutável. É pre- ciso ter consciência de que a CNV deve ser adapta- da aos contextos aos quais ela está sendo utilizada. É importante dizer que a CNV não con- siste numa fórmula preestabelecida: antes ela se adapta a várias situações e estilos pessoais e culturais. Embora eu, por conveniência, me refiro à CNV como um “processo” ou “linguagem”, é possível realizar todas as quatro eta- pas do processo sem pronunciar uma só palavra”. (ROSENBERG, 2012, p. 27) Reforçando aquilo que diz o autor, a CNV pre- cisa ser aplicada dentro do contexto em que o diá- logo ocorre, porque muitas vezes o contexto afeta tanto o emissor, como o receptor. Nesse sentido, podemos afirmar que a CNV pode ser amplamente aplicada para a solvência de conflitos, a título de exemplo percebam que situações de conflitos fa- miliares são diferentes de conflitos corporativos. Os vínculos são distintos e, principalmente, os ob- jetivos são distintos, por isso, a colocação de Ro- senberg ao afirmar que a CNV não se constitui em uma fórmula preestabelecida é tão relevante. 56 Anotações: Ainda no que tange ao uso da CNV, é impor- tante ressalvar que as pessoas a utilizam de formas diferentes, e umas com maior ou menor grau de profundidade. Nesse processo, saber ouvir é funda- mental, porém, é preciso saber escutar verdadeira- mente. Quantas vezes conversamos com pessoas no cotidiano e percebemos que elas estão disper- sas, olhando para outro lado, estão fazendo tudo, menos dando a devida atenção ao discurso. Isso é exatamente contrário ao pressuposto básico da CNV, que é fundamentalmente uma comunicação pautada pela empatia. O processo comunicacional é algo aprendido e afetado pela cultura dominante, assim como não nascemos com certos juízos mo- rais ou valores, internalizam-nos à medida que va- mos nos tornando mais velhos. No que diz respeito à linguagem, tudo depende muito da maneira que fomos educados com relação a ela. Se tivéssemos sido criados falando uma linguagem que facilitasse expri- mir compaixão, teríamos aprendido a articular diretamente nossas neces- sidades e nossos valores, ao invés de insinuarem que algo é ou está errado quando eles não são atendidos (RO- SENSEBERG, 2012, p. 40). Reforçando a fala do autor, no que diz respeito à forma como fomos educados em termos de lingua- gem, é possível afirmar que se tivéssemos apren- dido a ser mais empáticos e sinceros em nossos processos comunicacionais, certamente teríamos menos conflitos em nossas relações. Os conflitos estão presentes em nosso dia a dia, fazem parte da 57 Anotações:natureza, só que precisamos mudar o foco para que possamos resolvê-los de modo menos desgastante possível. O homem é o único ser capaz de produzir cultura, desse modo, devemos usar a linguagem como parte fundamental para gestão de conflitos. Os conflitos sempre existirão, porque é parte da condição humana. É uma ilusão ou inocente achar que, por exemplo, num ambiente corporativo não haverá conflitos, não há como isso acontecer. Conflitos são naturais e, em muitos casos, necessários. Muitas vezes, eles são o motor que impulsiona as mudanças. No entanto, muitos con- flitos são desnecessários e destroem valores, cau- sando prejuízo para as empresas e pessoas que nela trabalham. O principal desafio dos gestores é identificar os produtivos e os contra produtivos, visando sempre gerenciá-los (BURBRIDGE; BUR- BRIDGE, 2012). Entretanto, vale dizer que fazer a gestão de conflitos não é tarefa fácil, isso porque envolve aspectos emocionais e, muitas vezes, os conflitos estão relacionados a comportamentos ar- raigados. Os conflitos, muitas vezes, são potencia- lizados pelos aspectos culturais aqui reforçados. O indivíduo nasce e cresce com suas crenças e valo- res, normalmente aprendidos no ambiente familiar e de repente os vê serem questionados ou julgados a partir do momento em que ele passa a ter dife- rentes interações sociais, em especial no ambiente corporativo. Queremos dar maior enfoque ao universo cor- porativo no que diz respeito à necessidade de uma comunicação mais empática no dia a dia, entretan- to, fazemos apenas um pequeno recorte, a fim de reforçar a necessidade desse tipo de comunicação 58 Anotações: como mecanismo de solução de conflitos em todas as searas da vida. Para tanto, pense no exemplo de um casamento, uma relação em que duas pesso- as que durante uma boa parte de suas vidas tive- ram diferentes aprendizados, são pessoas egressas de diferentes culturas, e vão morar sob um mesmo teto, colocando em choque seus valores, etc. Se não houver uma comunicação empática, a relação será marcada por conflitos. Agora transponha isso para uma relação profissional cotidiana, em que o jogo de poder e interesses são mais exacerbados, tudo fica ainda mais potencializado. Por isso, no que tange à administração de conflitos, Chiavenato (2004, p. 418 apud CUELLAR et.al, 2015, p. 07) afirma que: “uma qualidade importante no administrador é sua quali- dade de administrar conflitos”. CONFLITOS: CONTEXTO E ORIGENS Administrar conflitos são, de fato, alguns dos maiores desafios do gestor, visto que implica em questões relacionadas à comunicação, objetivos, interesses, cultura, entre outros. Contudo, é neces- sário lembrar que eles não estão presentes apenas no ambiente corporativo, eles fazem parte de nos- sas vidas, bons ou ruins, eles estão lá. Por isso, de- ve-se saber olhar para eles, e compreender que são inerentes às relações humanas, e que podem trazer benefícios. Sim, os conflitos podem gerar benefí- cios também. Considerando que são inerentes às relações humanas, podemos ter uma atitude proa- tiva, a fim de evitá-los ou minimizá-los, como por exemplo, através da adoção de uma comunicação não violenta. 59 Anotações:Quando falamos em gestão de conflitos, não estamos nos referindo apenas ao ambiente corpo- rativo, ou de questões relacionadas ao trabalho. A palavra gestão leva ao senso comum, de associar gestão a trabalho. O termo está relacionado ao tra- balho sim, mas o seu emprego cabe em quaisquer situações e esferas de nossas vidas. Conforme o di- cionário Aulete (2012, p. 710) gestão quer dizer ato de gerir, administrar ou ainda, medidas para melho- rar a gestão da empresa. Atualmente, deparamo-nos com uma série de doenças chamadas “doenças modernas”, fru- to da rotina estressante que essa vida urbana im- põe. O ambiente corporativo é o local em que essas doenças se proliferam, uma delas é a síndrome de Burnout, que também é conhecida como síndrome do esgotamento profissional, ocasionada normal- mente pelo estresse, esgotamento físico ou mental e situações de desgaste no ambiente de trabalho. E o que são situações desgastantes no ambiente de trabalho? Podemos fazer uma série de presunções acerca do que sejam essas situações, mas é pos- sível imaginar, sem muita chance de errar, que são situaçõesque resultam em conflitos. Esses confli- tos podem ter as mais diferentes causas quando falamos em ambiente de trabalho. Pode ser, por exemplo, uma relação conflituosa entre gestor e colaborador ou a disputa por promoção entre pa- res, visibilidade, etc. No ambiente de trabalho os conflitos podem ser ocasionados pela disputa de poder, por resul- tados, por diferenças entre gêneros, etc. Segundo o dicionário Aulete (2012, p. 376), conflito signifi- ca a divergência de ideias, sentimentos ou interes- 60 Anotações: ses. Oposição entre duas forças ou personagens. De acordo com Chiavenato (2004, p. 416, apud CUELLAR, et.al, 2015, p. 08), a palavra conflito está ligada ao desacordo, discórdia, divergência, disso- nância, controvérsia ou antagonismo. “O homem não nasceu para ser solitário e, sim, para viver em um contexto social de interações humanas” (GO- RETTI, 2017, p.137). O homem é um ser gregário por essência, um ser cultural, e essa necessidade de vi- ver um grupo aliada à sua capacidade de produzir cultura, fomenta as situações conflituosas dadas às interações sociais. Toda relação humana, seja ela econô- mica, social ou política, é uma relação de forças, que podem ser convergen- tes ou opostas. Quando convergentes, as forças tornam harmônicas as rela- ções; quando opostas surgem os con- flitos (GORETTI, 2017, p. 135). As relações humanas são marcadas pelo inte- resse, dos mais diversos possíveis, e quando estes não são satisfeitos, muitas vezes, ocorrem os con- flitos. Vale lembrar que, quanto maior a expectativa, maior a frustração. Vejamos o que ocorre hoje com advento das Redes Sociais e o seu ”poder de gerar capital social”. Há plataformas em que as pessoas se relacionam apenas por interesses, estabelecem vínculos aos quais perpassam os interesses so- ciais, e acabam criando vínculos de amizades que são na verdade constituídos com fins econômicos. Existe ainda uma questão importante, nesse caso, que está relacionada à ideia de pertencimento, para que ela se sinta parte de um grupo, ou mostre 61 Anotações:ser detentora de um grande capital social por meio de amigos e seguidores. Isso acaba por gerar um conflito interno. Desse modo, podemos inferir que os conflitos não são apenas externos, mas internos também. Tipos de Conflitos De acordo com Chiavenato, 2004 (apud CUELLAR et al, 2015), existem vários tipos de con- flitos, mas podemos fazer uma subdivisão entre os dois principais: internos e externos. Os conflitos de ordem interna dizem respeito a como as pessoas lidam com as críticas, dilemas, cobranças, etc., e como isso afeta o seu desenvolvimento. Já os con- flitos internos em uma empresa podem estar rela- cionados, por exemplo, às relações que a pessoa mantém com seus gestores ou com seus pares. Um colaborador pode se sentir menos prestigiado na sua área de atuação, achar que sua opinião não é levada em consideração por seu gestor ou pensar que seus pares o excluem de projetos, ou até mes- mo de eventos sociais. Tudo isso pode desencade- ar conflitos internos dependendo de como a pessoa lida com determinadas situações. Ainda na infância, no período da pré-adoles- cência, muitas pessoas nos perguntam: “o que você vai ser quando crescer”? Neste momento, já se co- meçam a desenvolver os primeiros conflitos. Inicia- -se aí uma pressão sobre a criança. E essa pressão só cresce, e quando vai para o mundo do trabalho sente a necessidade de dar certo de atender às ex- pectativas sociais, ou melhor, alcançar aquilo que a sociedade chama de sucesso, e que, muitas ve- 62 Anotações: zes, sem saber, persegue-se. Faça você mesmo uma reflexão: quantos conflitos internos são gerados por não conseguir lidar com as cobranças, seus dilemas? Já os conflitos externos se dividem em dife- rentes níveis: interpessoal, intergrupal, intergrupal, interorganzacional e interorganzacional. Esses ti- pos de conflitos podem ocorrer devido aos interes- ses distintos, questões culturais, questões com- portamentais, etc. O ambiente corporativo é um local perfeito para o surgimento desse tipo de con- flito, pois, se do ponto de vista interno ele é capaz de gerar uma série de conflitos por não sabermos lidar com cobranças, dilemas, etc., o que as dispu- tas externas, interesses, confronto de ideias, entre outros motivos, não serão capazes de fazer. Desta forma, é inevitável relacionar o surgi- mento dos conflitos como resultado das interações humanas em sociedade (GORETTI, 2017, p.136). Corroborando com o autor, o ambiente corporativo com tantas interações, o surgimento de conflitos é inevitável. Os conflitos interpessoais são os mais recorrentes no ambiente corporativo, isso porque é um local onde há diversas interações e, muitas ve- zes, o confronto de ideias e interesses. Esses con- flitos podem ser divididos em diferentes níveis: Conflito percebido: ocorre quando há a iden- tificação de diferença entre as partes e a identifi- cação do conflito pela interferência realizada para bloquear o alcance dos objetivos. É o chamado con- flito latente. Conflito experienciado: parte do pressupos- to onde o conflito provoca sentimentos de hostili- dade, raiva, medo, descrédito entre as partes. Ele é conhecido como conflito velado, porque não se manifesta com clareza. 63 Anotações:Conflito manifestado: o conflito é expres- so através do comportamento ativo ou passivo e é chamado também de conflito aberto, uma vez que se manifesta de forma concreta, sem disfarce (CHIAVENATO Apud CUELLAR et.al.2015). Os conflitos em uma organização podem ter diferentes causas como choque de opiniões, mu- danças bruscas, escassez de recursos, entre ou- tros. Contudo, há uma fase que antecede o conflito em si. De maneira análoga, é como se fosse a ten- são que antecede uma guerra. Os conflitos têm uma dinâmica também parecida. Conforme Chiavenato (2015) existem condições que são inerentes e criam as percepções entre pessoas e grupos predispondo o conflito. Essas condições são as razões que an- tecedem os conflitos, e ainda para o autor existem quatro condições: Ambiguidade de papel: as expectativas são claras e confusas e também incertas. As pessoas se sentem como quem faz as coisas erradas e o seu trabalho torna-se um propósito incompatível. Objetivos concorrentes: com o crescimento das organizações, os grupos vêm se especializando cada vez mais. Em decorrência deste, as tarefas re- alizadas tornam-se diferentes assim como a forma de pensar e agir afetando as diferentes partes do ambiente. Esse tópico diz respeito à diferenciação. Recursos compartilhados: os recursos que a organização disponibiliza são limitados e escassos. É necessário que essa pequena quantidade seja distribuída entre os grupos, porém, para que o gru- po aumente sua posse por esses recursos o outro terá que perder provocando a percepção de objeti- vos e interesses diferentes. 64 Anotações: Interdependência de atividade: nas organi- zações, as pessoas e os grupos dependem uns dos outros para realizar suas atividades. A interdepen- dência acontece quando um grupo não pode reali- zar ou alcançar seus objetivos a menos que o outro realize a sua parte. Dessa maneira, quando o grau de interdependência é alto surgem as oportunida- des para que um grupo prejudique o trabalho dos demais. Os conflitos se não forem devidamente ad- ministrados, podem ocasionar uma série de prejuí- zos à empresa, como: • Suscitar um clima organizacional ruim; • Gerar desgaste para a imagem da organi- zação; • Potencializar a instauração de uma gestão autoritária; • Dificultar o cumprimento das metas orga- nizacionais; • Criar desgastes entre pares e gestores; • Acirrar as diferenças entre os indivíduos; • Aumentar o índice de afastamento do tra- balho e de doenças relacionadas a ele. Os prejuízos listados são apenas alguns entre os diversos que os conflitos no ambiente corpo- rativo podem gerar. Como minimizar os impactos que os conflitos podem ocasionar, em especial no