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UNIPÓS – UNIDADE DE PÓS-GRADUAÇÃO E PESQUISA ISEL INSTITUTO SUPERIOR DE EDUCAÇÃO PROFESSORA LÚCIA DANTAS MESTRADO EM EDUCAÇÃO JOSÉ DEMONTIER GUEDES DIDÁTICA APLICADA EM SALA DE AULA E OS EFEITOS DO PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA ÀS DROGAS E À VIOLÊNCIA (PROERD) NA PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. AURORA-CE. 2015 JOSÉ DEMONTIER GUEDES DIDÁTICA APLICADA EM SALA DE AULA E OS EFEITOS DO PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA ÀS DROGAS E À VIOLÊNCIA (PROERD) NA PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. Aluno: José Demontier Guedes Orientador: Prof. Dr. Marcus Nascimento Coelho Co-Orientador: Prof. Ms. Álvaro Carvalho Dias da Silva UNISABER Faculdade e Colégio/ISEL AURORA-CE. 2015 Dissertação apresentada e defendida como requisito para obtenção de título de Mestre em Ciências da Educação. GUEDES, José Demontier. Didática aplicada em sala de aula e os efeitos do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) na prevenção ao uso de drogas: um relato de experiência. Dissertação (Mestrado) – UNISABER Faculdade/ISEL, 2015. Orientador: Prof. Dr. Marcus Nascimento Coelho Co-Orientador: Prof. Ms. Álvaro Carvalho Dias da Silva p.161 1. Marco teórico. 4. Marco metodológico. 5. Resultados da pesquisa. 6. Considerações finais. I Título. DIDÁTICA APLICADA EM SALA DE AULA E OS EFEITOS DO PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA ÀS DROGAS E À VIOLÊNCIA (PROERD) NA PREVENÇÃO AO USO DE DROGAS: UM RELATO DE EXPERIÊNCIA. ALUNO: JOSÉ DEMONTIER GUEDES ORIENTADOR: PROF. DR. MARCUS NASCIMENTO COELHO CO-ORIENTADOR: PROF. MS. ÁLVARO CARVALHO DIAS DA SILVA Esta dissertação foi avaliada e aprovada pelo COMITÊ EXAMINADOR Aurora – CE, em ___/ ____/ _____. _______________________________________ Dr. Marcus Nascimento Coelho _______________________________________ Dr. Charlie Rangel _______________________________________ Dra. Maria Aparecida Alves AURORA-CE. 2015 ___________________________________ Dissertação apresentada e defendida para obtenção do título de Mestre em Ciências da Educação pela UNISABER Faculdade/ISEL. ___________________________________ DEDICATÓRIA Dedico este trabalho à minha família, por entender, em diversos momentos na construção deste, minha ausência no seio familiar. Sei que não me faltou incentivo para alcançar tal objetivo, no entanto, pela necessidade de avançar nas pesquisas, inúmeras vezes, isolei-me para concentrar atenção em sua conclusão. Assim, ofereço este trabalho com muito amor e carinho a minha mãe e, de modo muito especial, a minha esposa e a meu filho pela disposição, paciência e compreensão em todos os momentos em que precisei da colaboração deles. AGRADECIMENTOS Agradeço inicialmente ao Grande Arquiteto do Universo (GADU), principal Criador de tudo que existe, pelas condições necessárias para realizar este trabalho e por me levar a acreditar no meu potencial, não permitindo desistir desse objetivo. In memoriam, à minha Avó Generosa Guedes, pela forma como me orientou para a vida e me conduziu para ser um cidadão. Hoje vejo o quanto foi importante seguir seus conselhos, pois tudo que alcancei partiu de seus ensinamentos. É com muita sinceridade que agradeço também aos meus orientadores, Dr. Marcos Nascimento Coelho, pelas instruções iniciais para o desenvolvimento deste trabalho e ao Prof. Álvaro Carvalho Dias da Silva, por me conduzir no processo de conclusão desta dissertação. A todos os meus alunos do PROERD, pois com eles aprendi muito sobre como lidar com as diversidades, ao passo que contribuía com a construção da cidadania de todos eles. Aos companheiros Instrutores do PROERD na Região do Cariri, pela compreensão, auxílio e participação nos trabalhos sociais que desenvolvemos. Ao Capitão da Polícia Militar do Ceará, Agra Filho, por me incluir no quadro de Instrutores do Programa, dando-me a oportunidade de realizar esse trabalho de prevenção às drogas e proporcionar-me um melhor desempenho profissional. Por último, e não menos importante, ao também Capitão da Polícia Militar do Ceará, José Adailton da Silva, quando Comandante do 5º Batalhão de Polícia Comunitária – BPCOM e ao 1º Tenente José Rosendo da Silva Filho, responsável pelo Comando da 1ª Cia/5ºBPCOM, pela confiança e por acreditarem no valor do trabalho preventivo quanto ao uso de drogas, dando-me as condições necessárias para o pleno desenvolvimento das ações de prevenção à frente do PROERD na região. PARA REFLETIR "Um dia você aprende... Que amar não significa apoiar-se, e que companhia nem sempre significa segurança... Começa a aceitar suas derrotas com a cabeça erguida e olho adiante... Que não importa o quanto se importe, algumas pessoas simplesmente não se importam... E aceita que não importa quão boa seja uma pessoa, ela vai feri-lo de vez em quando e você precisa perdoá-la... Que se levam anos para se construir confiança e apenas segundos para destruí-la... Que verdadeiras amizades continuam a crescer mesmo a longas distâncias... E o que importa não é o que você tem na vida, mas quem você tem... Descobre que as pessoas com quem você mais se importa na vida são tomadas de você muito depressa... Por isso devemos deixar os que amamos com palavras amorosas, pode ser a última vez que os vejamos... Que, em algumas vezes, a pessoa de quem você espera o chute, quando você cai, é uma das poucas que o ajudam a levantar... Que só porque alguém não o ama do jeito que você quer que ame não significa que esse alguém não o ama com tudo o que pode... Que o tempo não é algo que possa voltar atrás... Que realmente é forte, e que pode ir muito mais longe... E aprende que a vida tem valor e que você tem valor diante da vida...”. William Shakespeare “Não devemos apenas falar aos jovens o que fazer para ficar longe das drogas, mas o que nós podemos fazer para ajudá-los a conseguir”. http://pensador.uol.com.br/autor/william_shakespeare/ LISTA DE FIGURAS Figura 01: Efeitos do cigarro no organismo Figura 02: Tabaco e gravidez Figura 03: Fumantes passivos Figura 04: Relação de substâncias tóxicas, solventes ou inalantes, que prejudicam o funcionamento do corpo e da mente Figura 05: Estilos de respostas, ações e expressão corporal para dizer não às ofertas de drogas Figura 06: Etapas do procedimento para iniciar uma pesquisa Figura 07: Quadro estatístico dos municípios que compõem a Região Metropolitana do Cariri Figura 08: Resumo geral da aplicação do questionário LISTA DE GRÁFICOS Gráfico 01 – Uso na vida de drogas psicotrópicas entre estudantes das 27 capitais brasileiras Gráfico 02 – Uso na vida de drogas psicotrópicas entre estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero Gráfico 03 – Uso na vida de drogas psicotrópicas entre estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária Gráfico 04 – Uso na vida de álcool ente os estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero Gráfico 05 – Uso na vida de álcool entre os estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária Gráfico 06 – Uso na vida de tabaco (cigarro) ente os estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero Gráfico 07 – Uso na vida de tabaco (cigarro)maconha e os anfetamínicos tiveram menor índice de uso em 2010. Gráfico 02 – Uso na vida de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack) ente os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero, comparando-se os anos de 2004 e 2010. http://www.obid.senad.gov.br/ 43 FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Na comparação quanto ao gênero, o uso de drogas psicotrópicas em 2004 foi de 23,5% (masculino) e 21,7% (feminino). Em 2010 o resultado foi 24,9% (masculino) e 23,7% (feminino). Portanto, houve um aumento entre ambos os sexos no ano de 2010. Gráfico 03 – Uso na vida de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack) ente os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Em relação à faixa etária, o índice de uso de drogas psicotrópicas teve como resultados respectivamente para 2004 e 2010 uma porcentagem de 12,6% e 9,2% para idades de 10 a 12 anos, 23.2% e 20,3% de 13 a 15 anos, 29,6% e 40,3% entre 16 a 18 anos, 34,9% e 46,0% a partir dos 19 anos. Como avaliação significativa, nas faixas etárias entre 10 e 15 anos houve uma diminuição no índice de uso em 2010. http://www.obid.senad.gov.br/ http://www.obid.senad.gov.br/ 44 Gráfico 04 – Uso na vida de álcool entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. O uso na vida de álcool em relação ao gênero - os resultados apontam que, de modo geral, o índice em 2010 de 59,3% foi menor que 2004 com 65,2%. Para o público masculino e feminino, os dados também estiveram abaixo no relatório de 2010, masculino 57,2% e feminino 61,4%. Pelos dados apresentados, percebe-se que os homens estão usando menos álcool que as mulheres quanto ao uso na vida. Gráfico 05 – Uso na vida de álcool entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. http://www.obid.senad.gov.br/ http://www.obid.senad.gov.br/ 45 Quanto à faixa etária, os números foram menores no ano de 2010 entre as idades de 10 a 12 anos com 27,9% comparando com 41,2% em 2004 e 13 a 15 anos equivalendo a 60,3%, com um total de 69,5 % de 2004. No entanto houve um aumento significativo dos 16 até mais de 19 anos, chegando até os 86,3% o índice de uso dessa substância. Gráfico 06 – Uso na vida de tabaco (cigarro) entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Para o uso de tabaco (cigarros) em relação ao gênero, os resultados mostram sempre menor em 2010 que 2004. Os números são de 17,1% para o público masculino comparando com 25,2% em 2004 e 18,6% para o feminino sendo que em 2004 foi de 24,7%. Gráfico 07 – Uso na vida de tabaco (cigarro) entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária, comparando-se os anos de 2004 e 2010. http://www.obid.senad.gov.br/ 46 FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Quanto à faixa etária para o uso de tabaco (cigarros), os números também correspondem a um índice menor de uso. Entre 10 a 12 anos a porcentagem foi de 4,1% em 2010, sendo que as demais faixas etárias, de 13 a 19 anos em diante variam de 16,0% a 40,4%, estando sempre abaixo do índice de 2004. Diante dos resultados do uso de tabaco, percebe-se que além dos trabalhos de prevenção desenvolvidos para evitar o uso dessa substância, também pode-se relacionar ao fato de não haver propagandas na mídia, fato este que ajuda a diminuir a influência para o consumo. Gráfico 08 – Uso no ano de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack) entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br http://www.obid.senad.gov.br/ http://www.obid.senad.gov.br/ 47 Os dados aqui apresentados expressam o uso de drogas psicotrópicas no ano pelo público alvo especificado e tem como resultado o seguinte: a porcentagem de uso no ano para 2010 é de 9,9%, sendo este bem menor que 2004 com um índice de 19,6%. Em relação a cada tipo de droga, foi menor em 2010 para solventes/inalante (4,9%), maconha (3,7%), ansiolíticos (2,1%), anfetamínicos (1,6%) e crack (0,4%). Portanto, apenas a cocaína teve índice acima da média com 1,9 em 2010 para 1,7 de 2004. Portanto, observando o gráfico apresentado, percebe-se que na trajetória de 2004 a 2010 o índice de uso de drogas no ano, em relação ao contexto geral, diminuiu consideravelmente. Gráfico 09 – Uso no ano de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack) entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Se no contexto geral o uso de drogas psicotrópicas foi menor em 2010, analisando os dados em relação ao gênero, o índice de usuários também foi abaixo da média de 2004, com 10,3% para o masculino e 9,4% para o feminino. Esses dados correspondem a uma diferença de 50% menor que 2004. Gráfico 10 – Uso no ano de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack) entre os estudantes de ensino http://www.obid.senad.gov.br/ 48 fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Esse gráfico apresenta menor índice de consumo de drogas psicotrópicas no ano de 2010 para todas as faixas etárias. Gráfico 11 – Uso no ano de álcool e tabaco entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Referindo-se ao uso de álcool e tabaco no ano de 2004 e 2010 respectivamente, os dados apresentados mostram claramente que há uma discrepância significativa entre o consumo dessas substâncias, sendo em 2004 com http://www.obid.senad.gov.br/ http://www.obid.senad.gov.br/ 49 63,3% para o álcool e 15,7% para o tabaco, enquanto que em 2010 tem-se uma porcentagem menor de 41,1% para o álcool e 9,8% para o tabaco.Brasil (2010) através desse relato mostra ter havido diminuição de 49,5% no uso de drogas ilícitas, tanto da rede pública quanto particular de ensino no país. Os dados ainda mostram que em comparação à última pesquisa realizada em 2004, também houve redução no consumo de drogas lícitas, tabaco e bebidas alcóolicas. Quanto ao consumo de álcool, a redução foi de 35,1% e ao tabaco de 37,6%. Portanto, comparando as pesquisas entre os anos de 2004 e 2010, comprova-se que houve realmente uma diminuição significativa do índice de uso de drogas lícitas e ilícitas entre os estudantes. Os dados apresentados pelos gráficos através do Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID) servirão de base para apresentar a pesquisa de campo realizada com alunos do ensino fundamental (5º ao 9º ano), de faixa etária entre de 10 a 16 anos aproximadamente, os quais foram entrevistados sobre o trabalho desenvolvido pelo PROERD nas escolas bem como o uso de drogas. Para tanto, os dados da pesquisa serão divulgados nos resultados posteriormente. 50 CAPÍTULO 2 - PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE DROGAS Para Melo (2012) a prevenção é um dos principais instrumentos no combate ao uso de drogas. Por se tratar da prevenção ao uso de drogas, percebe-se claramente a importância de levar os jovens a refletir sobre os efeitos e consequências dessas substâncias, sejam elas lícitas ou ilícitas, buscando envolvê-los no processo de aprendizagem e mantê-los longe de quaisquer entorpecentes que possam ocasionar-lhes alterações no corpo e na mente. Nesta perspectiva, acrescenta-se que se torna necessário um trabalho efetivo e contínuo de prevenção ao uso de drogas entre os jovens que ainda não tenham tido contato com tais substâncias, pois desse modo pode-se manter a redução do índice de usuários conforme estatística que será apresentada posteriormente. Loos (2003, p. 145) expõe que as atividades de prevenção ao uso de drogas devem ser desenvolvidas de “forma sistêmica e contínua” para viabilizar o processo de comunicação social. Diz ainda que estas ações de prevenção, se de forma específica e “voltada para a transmissão de informações, servem de base para a criação de atitudes, valores e consolidação do comportamento” (LOOS, 2012, p. 145). Assim, acredita-se que a prevenção se insere em um contexto mais amplo de educação, com direcionamento exatamente para uma abordagem construtiva entre o facilitador e o público alvo, podendo estabelecer uma relação de aceitação ao que é proposto. Silva (2014) compartilha dizendo que a prevenção deve ser praticada por pessoas preparadas, pois uma intervenção mal feita poderá trazer danos à comunidade e reduzir os benefícios. Complementa falando que o uso indevido de drogas psicoativas deve ser prevenido utilizando métodos e técnicas cientificamente adequadas a cada público alvo, em cada situação e em determinado momento. O autor ainda nos alerta sobre alguns princípios que devem ser observados para a realização do trabalho preventivo, dentre os quais se destaca: o processo de prevenção deve ser reflexivo, contínuo, paciente, consistente, provocante no intuito de despertar respostas criativas no público alvo, inovador, agradável para proporcionar o prazer pelo conhecimento nos participantes, devendo também ser 51 multidisciplinar, além de envolver a família e a escola na discussão para garantir que os jovens permaneçam longe das drogas (SILVA, 2014). Cita-se em Brasil (2015) a Lei 11.343 de 23 de agosto de 2006, que institui o Sistema Nacional de Políticas Públicas sobre Drogas, no Capítulo I, Art. 18 que trata da prevenção diz que “constituem atividades de prevenção do uso indevido de drogas aquelas direcionadas para a redução de fatores de vulnerabilidade e risco, e para a promoção e o fortalecimento dos fatores de proteção” (BRASIL, 2015). Acrescenta ainda no Art. 19 que as atividades de prevenção do uso indevido de drogas devem observar os seguintes princípios e diretrizes: “estabelecer a implantação de políticas de formação continuada na área de prevenção do uso indevido de drogas para profissionais de educação nos 03 (três) níveis de ensino (fundamental, médio e superior)” (BRASIL, 2015). É nessa perspectiva que se pode observar na citada lei a real preocupação com a prevenção e não apenas com a repressão ao tráfico de entorpecentes. Visando oficializar e reforçar o trabalho de prevenção às drogas no Ceará, o Governo do Estado (2006) resolve institucionalizar o Proerd na Polícia Militar do Ceará, dando-lhe amplos poderes para o pleno desenvolvimento do programa através do Decreto nº 28. 232 de 04 de maio de 2006. Pelo que foi exposto até o momento, quanto ao programa de prevenção e a forma como ele é desenvolvido, é notório que a prevenção é o caminho mais curto para manter os jovens estudantes conscientes dos malefícios que as drogas podem causar e direcioná-los a resistirem às ofertas além de diminuir a procura. Percebe- se assim que prevenir é algo essencial e que deve ser realizado de forma contínua, com atividades que possam despertar nos alunos uma visão crítica da situação, ao mesmo tempo em que se deve conduzi-los à rejeição do uso de substâncias nocivas à sua saúde. Portanto, o programa de prevenção (PROERD) visa combater tendências aliciadoras no ambiente escolar, ajudando jovens a perceber que tem escolhas e que podem ser felizes sem o uso de drogas, podendo estes desenvolver novos e bons relacionamentos. Com base no Decreto Governamental referenciado anteriormente, o município de Caririaçu, onde o programa foi implantado no ano de 2004 em parceria entre a Secretaria de Educação e Polícia Militar, o qual será um dos municípios a ser investigados sobre a atuação e desenvolvimento nas escolas de ensino fundamental, o trabalho foi fortalecido com a Lei municipal nº 450 de 25 de junho de 52 2009, a qual dispõe sobre a implantação e regulamentação do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência no município, estabelecendo regras e normas para o desenvolvimento do programa. Pelo que foi discutido até o momento, percebe-se que a prevenção é fundamental para proporcionar aos jovens a reflexão sobre os possíveis efeitos maléficos do uso de drogas, e esta terá melhor efeito se iniciar no ambiente escolar através do processo educativo. 2.1. A PREVENÇÃO COMO UM PROCESSO EDUCATIVO Brandão (1995, p. 6) apud Braz (2008) define educação como “o processo de desenvolvimento da capacidade física, intelectual ou moral da criança e do ser humano em geral, visando à sua melhor integração individual e social". Para esta definição, pode-se perceber que educar não é um simples processo de repassar informações, mas constitui o envolvimento do educando em todos os aspectos, ou seja, deve-se trabalhar tanto a parte estrutural orgânica quanto a capacidade de administração do conhecimento e, além disso, o envolvimento sociocultural do individuo, buscando com isso, garantir sua interação e a participação ativa em todo o processo educativo. Para tanto, o autor ainda completa ressaltando que a “educação é um processo contínuo que envolve o desenvolvimento integral de todas as faculdades humanas; o conjunto das normas pedagógicas aplicadas ao desenvolvimento geral do corpo e do espírito” (BRANDÃO, 1995, p. 34, APUD BRAZ 2008). Assim, ele conclui dizendo que educação se dá pelo respeito, conhecimento e atitude. Em relação ao combate às drogas através da educação, Braz (2008) relata o seguinte: Para combater o uso de drogas e a violência, a melhor solução para o problema inclusive não é nada inovador, porém é um caminho muito mais fácil, barato e menos traumático: a educação. E isso não é só responsabilidade da escola, mas principalmente dos pais. Com uma verdadeira educação que combine ensinoteórico e valores morais e éticos (saber o que é certo e errado e quais os limites da liberdade de cada um), bem como que aproxime a escola das famílias, incentivando os pais a contribuir verdadeiramente para a aprendizagem de seus filhos, aí sim ter- se-á uma real política contra as drogas e outros males sociais. (BRAZ, 2008, p. 8). 53 Nessa linha de pensamento do autor, verifica-se que é de grande importância a participação dos pais, pois o envolvimento deles torna-os conhecedores de suas responsabilidades na construção de uma educação de qualidade e eficaz para o tema em questão, levando-os a contribuir na educação preventiva dos filhos para manterem-nos longe das drogas, além de, segundo o autor, aproximar mais os pais da escola e melhorar o relacionamento entre eles. O tema drogas não deve ser tratado visando apenas à droga em si, mas deve ser levada em consideração a relação dos jovens com o meio, seus familiares e o contexto social, pois desse modo a intervenção pode ser mais eficaz e pode despertar neles a consciência de que podem viver melhor sem drogas, além de reforçar os laços afetivos em suas relações. Para melhor exemplificar esse relato, Braz (2008, p. 9) diz que “na medida em que a utilização da droga está diretamente ligada ao prazer, à transgressão, à falta de autoestima, dentre outros fatores, faz-se necessário rever as motivações dos usuários”. Cassimiro (2009) concorda com Braz (2008) quando acrescenta que o trabalho preventivo pode evitar que o individuo venha ser usuário de drogas. Assim a autora comenta que “para que as ações preventivas possam ser bem sucedidas, é essencial que elas se orientem por ideias que considerem as necessidades e características biopsicossociais da população a que esta se destina” (CASSIMIRO, 2009, p. 20). Portanto, pelos comentários dos autores, pode-se concluir que a prevenção é mais ampla do que se pode imaginar, pois são vários os fatores que contribuem para que se possa manter o público alvo longe das drogas e proporcionar uma melhor qualidade de vida. Moreira e Nagem (2009) contribuem com o debate ao dizer que muitos autores concordam que o ambiente escolar é de fundamental importância, se desenvolver estratégias na prevenção ao uso indevido de drogas. Diante disso, Zanelatto & Zanelatto (2004) apud Moreira e Nagem (2009, p. 4) afirmam que “a família e a escola são ressaltados como os dois estruturadores básicos da identidade do jovem, sendo locais ideais para iniciar ações preventivas”. Por conta disso é que o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), objeto principal nesta dissertação, busca trabalhar a pirâmide Família, Escola e Polícia, com ações descentralizadas e com a participação de todos, 54 visando garantir o envolvimento nos trabalhos preventivos de resistência ao uso de drogas. Pizinato (2006) apud Moreira e Nagem (2009, p. 4) reforça a importância do trabalho de prevenção como o programa do PROERD, quando diz que, “de acordo com vários pesquisadores, os programas bem sucedidos de prevenção procuram empregar uma combinação de estratégias e não ações isoladas”. Nesse sentido, certamente que as escolas se qualificam como o lugar certo para se desenvolver essas estratégias, pois é o habitat ideal em que se podem atender os jovens e garantir a participação de todos no processo preventivo. 2.2. TIPOS DE PREVENÇÃO Noto e Galduróz (1999) vêm afirmar que existem diferentes tipos de prevenção no Brasil. Os autores ainda acrescentam que “as ações preventivas ao uso indevido de drogas podem acontecer em diferentes níveis, dependendo da população-alvo e do perfil da intervenção” (NOTO E GALDURÓZ 1999, p. 5). Cassimiro (2009) também contribui destacando a prevenção primária, prevenção secundária e a prevenção terciária como os tipos de prevenção mais conhecidas. Estudos da Organização Mundial de Saúde - OMS (1992) apud Noto e Galduróz (1999) definem os tipos de prevenção como: Prevenção primária: É o conjunto de ações que procuram evitar a ocorrência de novos casos de uso abusivo de psicotrópicos ou até mesmo um primeiro uso. Esse tipo de intervenção pode ser realizada dentro de diferentes enfoques, sendo a divulgação de informações o mais conhecido. Prevenção secundária: É o conjunto de ações que procuram evitar a ocorrência de complicações para as pessoas que fazem uso ocasional de drogas e que apresentam um nível relativamente baixo de problemas. Essas ações buscam sensibilizar as pessoas a respeito dos riscos, favorecendo a mudança de comportamento através do aprendizado de novas atitudes e escolhas mais responsáveis. Prevenção terciária: É o conjunto de ações que, a partir de um problema existente, procura evitar prejuízos adicionais e/ou reintegrar na sociedade os indivíduos com problemas sérios. Na prática, essas ações envolvem o identificar e o lidar com casos emergenciais (como síndrome de abstinência, overdose, tentativas de suicídio, etc.) e/ou com pacientes portadores de problemas que necessitam encaminhamento (hepatite, Aids, cirrose, entre outros). Também envolvem a orientação familiar e o auxílio na reabilitação social dos usuários. (NOTO E GALDURÓZ 1999, p. 6). Nesse contexto, pode-se observar que os tipos de prevenção especificados pelos autores se distinguem pela forma de abordar o tema e o modo como este é 55 desenvolvido mediante os objetivos propostos. Desse modo, cada nível proporciona uma abordagem diferenciada para melhorar a qualidade de vida do individuo, desde evitar o uso até ajudá-lo a lidar com o vício e evitar maiores prejuízos. Em relação à prevenção primária, Cassimiro (2009) comenta que: [...] a intervenção primária destina-se a duas faixas etárias: 1) Jovens, dando-se atenção aos problemas da infância e da adolescência em todos os seus aspectos (fisiológicos, psicológicos e socioculturais) e, desse modo, incluindo todos os jovens e não somente aqueles que se consideram como susceptíveis ao uso da droga; e 2) Adultos, fornecendo a estes os conhecimentos básicos que lhes permitam orientar aos jovens, levando-os a refletir sobre a questão e a se engajarem, assumindo o papel de educadores. (CASSIRO, 2009, p. 21-22). Quanto à prevenção secundária, a autora diz o seguinte: A prevenção secundária, um prolongamento da primária, só deve ser aplicada nos casos em que a primeira não teve êxito e o consumo de drogas já está ocorrendo. Tendo como objetivo evitar que o jovem possa evoluir para um estado de dependência da droga, essa é uma intervenção especializada, que se destina aos que manifestam sinais de dificuldade com os psicotrópicos, como nos casos do jovem que está consumindo drogas por curiosidade ou se encontra com dificuldades pessoais, familiares e/ou sociais, em razão do consumo intermitente no qual, apesar de ainda não ser um dependente, existe o risco de se tornar mais um (CASSIRO, 2009, p. 23). Ao falar da prevenção terciária, relata que: A prevenção terciária, por sua vez, pressupõe-se que a dependência do uso de drogas já esteja instalada. Tem como objetivo central evitar a recaída após o tratamento, buscando dar ao usuário novas oportunidades de engajamento na escola, na família, enfim, no pequeno grupo de amigos e pessoas com as quais mantém relações afetivas, visando sua reintegração no meio social e trabalhando em três etapas distintas: antes, durante e depois do tratamento. (CASSIRO, 2009, p. 23). . Pela abordagem que Cassimiro (2009) faz aos tipos de prevenção, observa- se que é algo sequenciado, pois cada tipo de intervenção proporciona uma abordagem diferenciada de acordo com o objetivo, usuário e perspectivas futuras em relação a cada abordagem. Embora esses tipos de prevenção apareçam como estratégia eficaz para evitar ou diminuir o uso de drogas, Noto e Galduróz (1999, p. 7) acrescentam que “estruturação e, especialmente,a integração dos diferentes níveis de intervenção constituem-se o grande desafio para o futuro”. 56 Sendo o PROERD um Programa que visa evitar o uso de drogas pelos jovens atendidos, destaca-se a prevenção primária por ser esta a base do trabalho desenvolvido pelos Policiais Instrutores. 2.3. PREVENÇÃO PRIMÁRIA Greco Filho e Rassi (2007) apud Cassimiro (2009, p. 21) afirmam que a prevenção primária tem por objetivo anteceder-se ao problema e para tanto deve atentar para alguns pontos, tais como: “ser precoce; estar inserida em uma visão mais ampla da educação para a saúde e se apoiar nos chamados educadores naturais, em especial os pais e os professores”. Esse tipo de prevenção é o conjunto de ações que procuram evitar a ocorrência de novos casos de uso de psicotrópicos ou até mesmo um primeiro uso (OMS, 1992 APUD NOTO E GALDURÓZ, 1999, p. 148). Destacam duas vertentes da prevenção primária, o modelo do amedrontamento, o qual dito não muito eficaz e o modelo de informações científicas, sendo este muito usado nos últimos anos. Além destes, outros modelos buscam fortalecer as atitudes saudáveis, podendo-se destacar a oferta de alternativas esportivas e culturais. Quanto ao modelo de amedrontamento, muito usado atualmente por campanhas publicitárias, Cassimiro (2009) comenta: O modelo do amedrontamento, o segundo, defende a tese, de que as campanhas de informação que mostrassem de forma clara e contínua somente os aspectos negativos das drogas seriam suficientes e eficientes para persuadir às pessoas a não usarem e até a deixarem de usar drogas, crença que está atualmente bastante abalada, em especial no que se refere às populações mais jovens. Os opositores desse modelo diziam que o valor dos resultados desta linha de educação desmorona diante da simples constatação de que os jovens se sentem atraídos por comportamentos que envolvam desafio e perigo, enquanto a parcela dos jovens que tem ou teve experiência com drogas, podem confrontar suas próprias experiências com as informações unilaterais fornecidas neste tipo de educação, gerando a falta de credibilidade para este modelo de amedrontamento. (PINSKY E BESSA, 2004 APUD CASSIMIRO, 2009, p. 25). Ao abordar o modelo do conhecimento científico, o qual não demonstra tanta eficácia, mas que ainda é muito usado por programa educativos, a autora relata: O modelo do conhecimento científico, que surge da crítica ao modelo anterior, propõe a oferta de informações sobre drogas de modo imparcial e científico, para que, a partir delas, os jovens possam tomar decisões bem fundamentadas e racionais sobre o uso das drogas. Esse modelo, apesar de seu caráter científico, apresentou resultados desanimadores em todas as 57 avaliações até aqui realizadas sobre a sua eficácia, sendo vários os autores a constatarem que, apesar de uma grande parcela dos jovens assimilarem corretamente as informações recebidas, isto não se traduzia na diminuição da porcentagem dos usuários de drogas e havendo, em alguns casos, até um aumento dos níveis de consumo. A explicação para este fato é a de que as informações sobre as drogas: geram maior nível de conhecimento formal sobre as mesmas entre os usuários, mas não induzem a uma mudança de atitude; enquanto que, dentre os não usuários esse conhecimento acaba por diminuir o temor em relação aos seus efeitos, diminuindo o medo e a tensão e criando uma atitude favorável ao uso. (PINSKY E BESSA, 2004 APUD CASSIMIRO, 2009, p. 26). Mediante esses modelos percussores da prevenção primária, conclui-se que ainda não há um modelo específico e totalmente eficaz, pois para o desenvolvimento das ações educacionais na prevenção, os programas costumam utilizar um pouco de cada um desses modelos. O fato é que para se chegar a uma abordagem eficiente, devem-se utilizar todas as estratégias disponíveis e sincronizar as ações para que os jovens possam interagir e integrar o sistema de prevenção com maiores esclarecimentos e envolvimento social, cultural e afetivo. Quanto ao questionamento anterior, Cassimiro (2009, p. 27) lembra que “no papel do Estado na determinação de políticas públicas que proponham os programas de prevenção ao uso indevido de drogas não se observa ainda, um direcionamento específico aos objetivos que se quer atingir nesse campo”. Apesar de todos esses modelos, Noto e Galduróz (1999) falam que o critério mais importante para escolher o modelo adequado é conhecer e respeitar as características da comunidade onde se pretende atuar. Portanto, é nesse contexto que o Proerd se encaixa, pois tem a proposta de trabalhar o individuo, levando-o a refletir sobre suas decisões e avaliar suas atitudes, estimulando a reflexão sobre a qualidade de vida sem o uso de drogas. Diante disso, Brasil (2010), Noto e Galduróz (1999) relatam que o objetivo da prevenção primária é evitar que o uso se instale ou retardar o seu início. Brasil (2010, p. 139) “atualmente fala-se em níveis de prevenção universal, seletiva e indicada”: Prevenção universal, que são programas destinados à população em geral, supostamente sem qualquer fator associado ao risco; prevenção seletiva com ações voltadas para população com um ou mais fatores associados ao risco de uso de substâncias; prevenção indicada, especificamente com intervenções voltadas para pessoas identificadas como usuárias ou em comportamento de risco, relacionados direto ou indiretamente ao uso de drogas. (BRASIL, 2010, p. 139). 58 Em meio aos diferentes níveis de prevenção citados, reporta-se ao nível de prevenção universal, pois está mais diretamente relacionado ao trabalho desenvolvido pelo Proerd, com ações direcionadas à comunidade, ambiente escolar e nos meios de comunicação, através de um planejamento com objetivo comum, atuando de forma coordenada, para que o processo de mobilização ocorra mais facilmente. Canguilhem (1990) Apud Arantes (2008, p. 192) traz a questão de que “aceitar um determinado conceito ou ideia de saúde implica escolher certas intervenções sobre o corpo e a vida dos sujeitos”. Em análise a esta abordagem, pode-se refletir sobre a necessidade de implantar uma ação preventiva tanto na vida pessoal como social do sujeito, sendo esta denominada inicialmente de prevenção primária, a partir de uma mudança de hábitos ou práticas, proporcionando um entendimento focado no individuo e seu comportamento. Diante desses questionamentos, Carlini (2013, p. 8) alega que “para diminuir este índice e manter os jovens longe das drogas, deve-se analisar a situação, definir objetivos e montar um plano de ação, podendo, desse modo, aumentar consideravelmente as chances de sucesso”. Na perspectiva da autora, veicula-se uma maior probabilidade para diminuir os fatores de risco e vulnerabilidade entre os jovens. 2.4. FATORES DE RISCO E VULNERABILIDADE Para Paulilo (2000) o crescimento do consumo de substâncias químicas aponta para a existência de um mercado de drogas clandestino que produz, distribui e comercializa seu produto. Sobre os fatores de risco ela acrescenta: Os jovens têm sido apontados, no mundo todo, como grupo mais suscetível não só a AIDS, mas também as drogas. Parte-se da ideia de ser esta faixa etária mais suscetível a comportamentos de risco, de um modo geral. Isso decorre das características comuns a esta fase da vida, apontadas por diferentes áreas do conhecimento. Citamos algumas: momento de transitoriedade e, portanto, de ambiguidade (nem criança, nem adulto); autonomia e responsabilidade relativas; conflito com o mundo adulto (necessidade de opor-se para autoafirmar-se no processo de construção de identidade); crise potencial com emergência de um novo corpo, nova imagem de si mesmo e vivência da sexualidade; sentimento de vulnerabilidade e potencialidade para autodestruição; ansiedade frente às exigências pouco definidas e às demandas difíceisde serem cumpridas em relação à família, trabalho, lazer e consumo. (PAULILO 2000, p. 41). 59 O que a autora traz em relação aos fatores de risco que cercam os jovens nos remete à ideia de que esse grupo específico está vulnerável ao uso de drogas. Assim, vem cada vez mais comprovar a importância do trabalho preventivo para essa faixa etária. Portanto, jovens necessitam deste apoio através da informação para ficarem longe das drogas e valorizarem a vida, buscando outros meios de satisfazerem seus desejos e/ou estabelecer vínculos afetivos saudáveis, na busca pela identidade. Além da abordagem anterior, Paulilo (2000) ainda diz que como categoria sociohistórica, a juventude apresenta diversidades na sua forma de existir, o que a coloca em diferentes graus de vulnerabilidade em relação às drogas. Para ela, isso acontece porque as diferenças de classe, de região, de estilos coexistem, ao mesmo tempo, com características comuns a esta faixa etária. É nessa perspectiva que a organização e distribuição de drogas deste meio comercial expõem ainda as relações sociais e econômicas que garantem a continuidade do tráfico. “Não cabe aqui adotar, portanto, a postura ingênua de considerar o uso de drogas como decorrente apenas de mero ato volitivo do indivíduo, mas mostra-se evidente a inter-relação e a interdependência existente no usuário” (PAULILO 2000, p. 54). Como conclusão destes fatos, a autora ainda afirma que dentro desta abordagem da vulnerabilidade, “resta-nos, finalmente, sublinhar o peso da vulnerabilidade programática ou institucional existente em nosso país, cujo reflexo é o não acesso da maioria dos jovens a programas de informação e de prevenção na rede de educação e nos serviços de saúde” (PAULILO, 2000, p. 58). Por esse motivo, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – PROERD, através dos Policias Instrutores não esperam que os jovens venham até eles, mas antecipa-se indo de encontro aos mesmos em seu habitat, a escola, para fortalecer os fatores de proteção. 2.5. FATORES DE PROTEÇÃO Castro e Rosa (2004) abordam que vários são os fatores de proteção que norteiam os jovens quanto ao uso de drogas. É válido saber que para cada fator de 60 risco existe um fator de proteção capaz de ajudá-los a resistir às ofertas de drogas, bem como prepará-los para progredir na vida de forma saudável. Para melhor compreender e tornar-se conhecedor desses fatores de proteção, Castro (2004) apresenta os vários tipos de fatores de proteção que podem ajudar os jovens a ficar longe das drogas: Fatores individuais de proteção: correspondem as habilidades sociais, cooperação, habilidades para resolver problemas, vínculos positivos com pessoas, instituições e valores, autonomia e autoestima desenvolvida. Fatores familiares de proteção: Pais que acompanham as atividades dos filhos, estabelecimento de regras de conduta claras, envolvimento afetivo com a vida dos filhos e respeito aos ritos familiares; Fatores escolares de proteção: Realização pessoal, possibilidades de desafios e expansão da mente, descoberta de possibilidades e “talentos” pessoais, prazer em aprender, descoberta e construção de projeto de vida, vínculos afetivos com professores e colegas, oportunidades de participação e decisão, ligações fortes com a escola, boa inserção e adaptação ao ambiente e bom desempenho escolar. Fatores sociais de proteção: Respeito às leis locais, credibilidade da mídia, oportunidade de trabalho e lazer, informações adequadas sobre as drogas e seus efeitos, clima comunitário afetivo, consciência comunitária e mobilização social; Fatores relacionados à droga de proteção: Informações contextualizadas sobre os efeitos, regras e controle para o consumo. (CASTRO, 2004, p.3-7). Em meio aos fatores de proteção discutidos, destaca-se o familiar, pois: [...] é função da família, proporcionar que a criança aprenda a lidar com limites e frustrações logo cedo. Crianças que crescem num ambiente com regras claras, geralmente, são mais seguras e sabem o que devem ou não fazer para agradar. Quando se defrontam com um limite, sabem lidar com a frustração, por terem desenvolvido recursos próprios para superá-la (CASTRO, 2004, p. 04). Deste modo, ressalta-se que os modelos de programas de prevenção devem ser desenvolvidos com filosofias definidas, que ofereçam aos alunos informações precisas e que possam despertar neles, a criticidade, diante dos fatos apresentados. Quanto aos programas de prevenção a autora completa: [...] devem quando dirigidos à família, valorizar o vínculo familiar, relações familiares, técnicas de comunicação, etc.; devem quando para ensino fundamental e médio aumentar as habilidades sociais; proporcionar aos alunos sentimentos positivos de autoestima; oferecer aos alunos habilidades de resistência às pressões negativas; ser vantajosos do ponto de vista do custo-benefício; ser específicos para as diferentes idades e culturas. (CASTRO, 2004, p. 07). A discussão anterior esclarece alguns fatos quanto ao uso de drogas entre os jovens, especificamente questões como a atuação do Proerd na instituição 61 escolar e a importância da prevenção primária para levar os jovens a uma reflexão sobre sua qualidade de vida e a forma de como enfrentar os fatores de risco e vulnerabilidade existentes nessa faixa etária. Além disso, os fatores de proteção busca ajudar a conquista da autonomia e formação da identidade, orientando-os como se protegerem das ofertas de drogas e da própria vontade de consumi-las. 62 CAPÍTULO 3 - O PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA ÀS DROGAS E À VIOLÊNCIA (PROERD): HISTÓRICO, LIÇÕES E ATUAÇÃO DO POLICIAL COMO FACILITADOR. 3.1. BREVE HISTÓRICO DO PROERD Proerd (2014) relata que esse Programa é uma adaptação brasileira do programa norte-americano Drug Abuse Resistence Education (D.A.R.E.) ou DARE América, surgido em 1983 na Cidade de Los Angeles, Estados Unidos, criado por psicólogos, pedagogos e policiais especialistas em prevenção, através de uma parceria entre o Distrito Escolar Unificado e o Departamento de Polícia daquela cidade. Loos (2003) afirma que, no Brasil, o programa foi implantado em 1992, pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ), a qual tinha interesse em desenvolver um projeto de prevenção relacionado aos diversos aspectos das drogas. Surgiu então a denominação de PROERD (Programa Educacional de Resistência às Drogas). De acordo com Ceará (2015), em seguida, no ano de 1993, o programa foi recepcionado pela Polícia Militar de São Paulo (PMSP) e passou a se chamar “Programa Educacional de Resistência às Drogas e a Violência”, sendo incluído o tema violência, porém mantendo a sigla PROERD. Ceará (2015) ainda afirma que o Programa é desenvolvido atualmente pelas Polícias Militares de todo o Brasil e que, para o desenvolvimento, o PROERD possui como material didático o livro do estudante e o manual do instrutor, os quais servem de base para auxiliar os alunos e instrutores. Segundo Loos (2003), o objetivo desse trabalho consiste em prevenir o uso e abuso de drogas, lícitas e ilícitas, bem como a violência entre estudantes, ajudando-os a reconhecer às pressões do dia a dia e a desenvolver habilidades de resistência diante de fatores que possam colocar a saúde em risco. Para tanto, Hermeto contribui dizendo: [...] agimos de modo a aumentar o prazer e diminuir a dor. Queremos pensar e nos comportar do jeito que nos faça sentir melhor. Todo prazer e a dor derivam de nossos esforços para satisfazer algumas necessidades, tais como: sobrevivência, amor, pertencimento, poder, liberdade e satisfação. (HERMETO, 2012, p. 241). 63 No Estado do Ceará, o Programa teve início em março de 2001, por iniciativa do Presidenteda SOAPOL (Associação dos Amigos da Polícia Militar do Ceará), o Coronel Professor PM da reserva Remunerada Francisco Austregésilo Rodrigues Lima (CEARÁ, 2015). No ensejo foram formados os primeiros 27 instrutores, pela equipe de mentores PROERD de Santa Catarina e São Paulo. Sobre o trabalho cooperativo do PROERD, em Ceará (2015) retrata: O programa consiste, assim, em uma ação conjunta da Polícia Militar, através do Policial PROERD; da Escola, através de professores, especialistas e estudantes; e Família, representada pelos pais e pela comunidade de modo geral. Todos unidos no sentido de prevenir e reduzir o uso indevido de drogas e a violência entre estudantes, bem como ajudar os estudantes a reconhecerem as pressões e a influência diária para usarem drogas e praticarem a violência, e a resistirem a elas (CEARÁ, 2015). Ao falar do trabalho cooperativo do PROERD, o autor faz menção a parcerias entre a Família, Escola e a Polícia Militar, fato explícito no símbolo oficial do Programa, o qual se encontra nos anexos. Essa parceria proporciona aos alunos melhores condições para dizerem não às ofertas de drogas. Assim, a união de todos os segmentos ajudam os estudantes a reconhecerem as pressões e a influência do cotidiano para uso de drogas, bem como a resistirem a elas. Castro (2010, p. 9) ressalta que o “problema do uso indevido de drogas está disseminado em todos os lugares. Escolas, clubes, condomínios, comunidades, todos enfrentam essa questão. Muitas vezes, por não se saber como abordar o problema, não se toma iniciativa para tentar resolvê-lo”. A autora ainda comenta sobre a participação conjunta no processo de prevenção, dizendo: Considerando que são muitos e variados os fatores que causam os problemas com o abuso de drogas, uma ação isolada não é suficiente. São necessárias ações conjuntas, em diferentes níveis, realizadas e dirigidas para os diversos grupos que compõem a comunidade. Na definição das estratégias de prevenção, é preciso considerar que as palavras e as informações não bastam. É importante que todas as pessoas envolvidas tenham oportunidade de refletir sobre seus comportamentos e sobre suas opções de vida, procurando identificar os caminhos para uma vida mais saudável (CASTRO, 2010, p. 9). Nesse ponto a autora nos traz a questão de que, para proporcionar a prevenção de forma eficaz, apenas falar não adiantará, sendo necessário também que o agente de prevenção tenha bons hábitos e que se possa colocar como 64 exemplo, além de levar a todos a reflexão sobre os comportamentos para o bem- estar biopsicossocial. É nessa linha de pensamento que os instrutores do PROERD se destacam, pois os policiais instrutores, para prestarem um atendimento de qualidade, colocam- se como modelo positivo de vida para os estudantes, evitando o uso de substâncias químicas e a prática de violência, bem como enaltecendo a família e os bons costumes em meio à sociedade. Conclui-se então que o modelo de prevenção adotada pelo Programa é uma abordagem eclética, pois combina pontos positivos de várias filosofias para proporcionar uma prevenção significativa e com resultados positivos. A partir de 2004, com a formação de novos Policiais Instrutores para o quadro, entre os quais fui incluído, o PROERD passa a ter maior abrangência na Região do Cariri. O trabalho é direcionado para a prevenção do uso de drogas, bem como para redução da violência entre os estudantes. Para tanto, busca-se verificar a atuação do programa em relação ao público alvo assistido, ou seja, alunos cursando o 5º ano do ensino fundamental, sobre a prevenção do uso de substâncias químicas e a redução da vulnerabilidade dos fatores de risco, quanto às ofertas de drogas para os estudantes. O público alvo do Programa, especificado anteriormente, destaca-se por estar numa fase crítica da vida, pois é nessa faixa etária que as ofertas de drogas e a curiosidade podem surgir. Portanto, despertar nos jovens atendidos pelo PROERD uma consciência de saúde e paz, buscando conduzi-los a resistirem às ofertas de substâncias que prejudiquem lhes a saúde física e mental permite a eles entrar na fase da adolescência com uma grande probabilidade de não se envolverem com drogas. Diante desse contexto, a perspectiva que os trabalhos do PROERD proporcionam é o de prevenir esses jovens do uso de drogas, desenvolvendo um trabalho através de Policiais Militares, denominados Educadores Sociais. O atendimento feito pelo PROERD vem aumentando a cada ano mediante a solicitação de muitos estabelecimentos de ensino, os quais aprovam a causa e o modo como o Programa é aplicado em sala de aula. Para mostrar a abrangência do Programa, faz-se um comparativo entre os alunos atendidos entre os anos de 2013 e 2014. 65 Gráfico 12: Quadro geral do PROERD no ano de 2013. FONTE: Instrutores PROERD da Região Metropolitana do Cariri. Disponível: Polícia Militar do Ceará, 1ª CIA/5ºBPCOM. Pelo que o gráfico retrata, há um número crescente de estudantes atendidos por município. Sendo as cidades de Juazeiro do Norte, Barbalha e Crato as maiores da região, o número de alunos atendidos pelos Instrutores do PROERD no ano de 2013 é superior aos demais. Gráfico 13: Resumo geral de Instrutores (Educadores Sociais), município, escolas e alunos atendidos em 2013. FONTE: Instrutores PROERD da Região Metropolitana do Cariri. Disponível: Polícia Militar do Ceará, 1ª CIA/5ºBPCOM. 10 16 130 11945 EDUCADORES SOCIAIS MUNICÍPIOS ESCOLAS ALUNOS DADOSGERAIS 66 Na situação acima, os dados mostram que apenas 10 Educadores Sociais conseguiram atender no ano de 2013 um total de 11.945 alunos, perfazendo uma média de mais de 1.100 alunos por Instrutor. Gráfico 14: Total de escolas e alunos atendidos pelos Instrutores do PROERD na Região Metropolitana do Cariri por municípios no ano de 2014. FONTE: Instrutores PROERD da Região Metropolitana do Cariri. Disponível: Polícia Militar do Ceará, 1ª CIA/5ºBPCOM. De acordo com a última estatística, o gráfico representa atendimento, no ano de 2014, a um total de 8.090 estudantes em 105 escolas. A abrangência do Programa na Região Metropolitana do Cariri se dá pelo fato de que muitos municípios passam a aderir ao programa. Fazendo um comparativo entre os municípios atendidos nos anos de 2013 e 2014, Juazeiro do Norte é o que apresenta maior número de estudantes capacitados com um total de 3.215 em 2013 em relação a 4.385 de 2014. Esses números superam os demais por se tratar do maior município dessa região com maior número de escolas. Outro fato importante sobre o PROERD é o mascote, o Leão Daren, que representa oficialmente o Programa e é atração para os estudantes. Goiás (2014) apresenta o histórico do Leão Daren dizendo que foi escolhido um leão como mascote do Proerd, por ser um animal forte, com presença, que tem coragem e 67 domina seu território, além de proteger sua prole dos inimigos e a droga é um inimigo da sociedade. Goiás (2014) traz a história legítima sobre a escolha do leão como mascote: O DARE América iniciou uma pesquisa em todo o país para identificar qual seria o próximo porta-voz do DARE. Procuramos em todos os lugares à procura de alguém (a figura de um mascote) que se posicionasse de maneira enérgica, corajosa, amável e que não tinha medo de tomar posição contra as drogas e a violência. Alguém, então, sugeriu o mascote Daren por ser considerado o mais apropriado para o trabalho. O Daren sempre disse "NÃO" às drogas e tem ajudado as crianças do mundo todo a tomar a mesma decisão. Se alguém tentou induzir você a fazer más escolhas, o Daren estará lá para fornecer a força e a coragem necessária para que você faça a escolha certa: pararesistir às drogas e violência! No DARE América nós acreditamos que todos os jovens poderão e irão viver uma vida livre das drogas, tal como o Daren, com a mesma coragem de dizer não às drogas, não às gangues e não à violência. (GOIÁS, 2014). A figura do Leão Daren é algo inovador nesse programa de prevenção, pois busca-se com isso uma melhor interação com os jovens, haja vista que são estudantes com idade entre 09 e 12 anos, os quais ficam encantados com a presença do mascote nos eventos proporcionados pelo PROERD, o qual aparece de forma padronizada, vestido de policial. Para conhecimento, ele será apresentado nos anexos. De acordo com o livro do estudante PROERD utilizado no Estado do Ceará, o currículo do 5º ano especificados em Ceará (2015) são 10 (dez) lições ministradas pelo Policial Militar Instrutor durante um semestre letivo em sala de aula, em conjunto com o professor, nas quais são discutidos temas como: Introdução ao Programa e o modelo de tomada de decisão Proerd (Defina, Analise, Atue e Avalie), para estimular o aluno a pensar antes de qualquer escolha, podendo decidir pela melhor opção, ou seja, a que trará melhores resultados; Efeitos e consequências das drogas com informações sobre (cigarro, maconha, álcool e inalantes); Prevenção e posicionamento contra o bullying; As bases da amizade e pressão de grupo; Decidindo de forma confiante e as maneiras de dizer não às drogas; Lidando com a pressão pessoal para resistir ao uso de drogas; Conversa em família Proerd para proporcionar o diálogo entre pais e filhos. 68 Para melhor conhecimento sobre o desenvolvimento destes temas em sala de aula e o livro do estudante referenciado, posteriormente, será descrito com detalhes cada um deles, assim como os objetivos definidos para cada lição. Visando a uma melhor identificação do material, estará disponível nos anexos a capa do livro para visualização. O desfecho do Proerd se dá com uma formatura, diante de toda a comunidade, pais, autoridades civis e militares e convidados em geral, momento em que os alunos assumem o compromisso pessoal de resistir às ofertas de drogas (juramento PROERD) e recebem um certificado de conclusão do curso, o qual será exibido nos anexos. 3.2. DESENVOLVIMENTO DAS LIÇÕES PROERD Pelo que já foi comentando anteriormente sobre o currículo do PROERD para o 5º ano, busca-se com esse trabalho a autonomia e o empoderamento dos alunos quanto à necessidade de resistir às ofertas de drogas para uma melhor qualidade de vida. Diante disso, apresenta-se a seguir com detalhes cada lição, com os conteúdos trabalhados e seus objetivos para levar aos estudantes a reflexão sobre manter-se longe das drogas, dando preferência ao comportamento do individuo, ou seja, trabalhar o alunado levando-o a observar os fatores de risco, vulnerabilidade e os fatores de proteção, já abordados, para uma vida mais saudável. Para tanto, Brasília (2005) detalha os objetivos de cada lição e Ceará (2012) apresenta com eficiência as atividades correspondentes a eles. O livro do estudante Proerd utilizado no Ceará trouxe, a partir de 2012, inovações no currículo, com inclusão de duas lições sobre o bullying, tendo como objetivo diminuir a prática de violência entre os estudantes, e uma atividade para os pais, denominado conversa em família Proerd, para ajudar na relação familiar entre pais e filhos. Essa atividade visa levar aos pais o conhecimento sobre os temas das lições ministradas em sala de aula e proporcionar a aproximação e a prática do diálogo entre eles, haja vista que em alguns casos os pais são ausentes em relação ao acompanhamento escolar de seus filhos. Para mostrar o passo a passo do curso Proerd e esclarecer com detalhes cada atividade, apresenta-se a seguir o desenvolvimento de todas as lições em sala 69 de aula, através das atividades, conforme se destaca nos temas abaixo. (BRASÍLIA, 2005; CEARÁ, 2012). 3.2.1. Lição 01: Introdução ao Programa. Brasília (2005) traz como finalidade desta lição apresentar o programa do PROERD aos alunos e pais, dando as boas-vindas e informando sobre as regras e normas estabelecidas durante a convivência em sala e no curso em geral. Acrescenta-se que os objetivos específicos dessa aula é levar ao conhecimento dos alunos o significado da sigla PROERD; entender o propósito do programa; compreender os passos do Modelo de Tomada de Decisão PROERD e reconhecer a importância de pensar antes de fazer suas escolhas. Em Brasília (2005) mostra-se que a estrutura desta lição é desenvolvida através das seguintes atividades: Atividade 01: Apresentação do Policial PROERD aos alunos. Nessa atividade busca-se informar aos estudantes que o Programa é um trabalho cooperativo, desenvolvido pela Polícia Militar em parceria com as escolas e famílias para prevenir o uso e abuso de drogas entre os estudantes. Atividade 02: Combinados PROERD, para que todos tenham uma boa relação em sala de aula. Os pais devem estar cientes para que venham a conhecer o desenvolvimento das aulas e sua contribuição no processo. É importante mostrar aos alunos que os combinados é um conjunto de regras que irá ajudar na convivência de todos com o Policial e que precisam ser cumpridas para o bom andamento das atividades. Atividade 03: A caixinha Proerd. Será explicado aos alunos que essa atividade tem como objetivo proporcionar-lhes fazer perguntas sem ser identificados, estabelecendo um momento de tirar dúvidas mediante assuntos que despertem a curiosidades deles e que não serão trabalhadas durante as atividades da lição. Esse momento é feito antes de começar a aula e é realizado de forma dinâmica cerca de 5 minutos antes de cada lição a ser ministrada até o final do curso. Atividade 04: Apresentação dos alunos para que o Policial os conheça e possa saber das suas expectativas diante do curso que está iniciando. 70 Atividade 05: Tomando decisões positivas. Esse momento proporciona aos alunos pensarem em atividades positivas em que não seja necessário usar drogas. Dessa forma, eles podem perceber que momentos prazerosos e felizes na vida não precisam de drogas, de modo que usando poderá comprometer sua saúde e felicidade. Atividade 06: Apresentação do Modelo de Tomada de Decisão PROERD. Esse modelo levará os alunos a tomar decisões e fazer escolhas saudáveis para evitar o uso de drogas, resistindo às ofertas, através de quatro passos (Defina, Analise, Atue e Avalie). Nesta atividade abre-se uma discussão diante de estudo de casos contidos no livro do estudante, levando-os a refletir sobre os problemas e qual a decisão saudável a ser tomada. Consta em Ceará (2012) os passos desse modelo: 1º passo Defina – identificação do problema; 2º passo: Analise – pense nas opções que você tem e quais as consequências positivas e negativas de cada uma delas; 3º passo: Atue – decida pela melhor opção, a que trará melhores resultados; 4º passo: Avalie – revise sua decisão: Porque você acha que fez uma boa escolha? Você tomaria essa decisão no futuro? (CEARÁ, 2012, p. 9). . Atividade 07: Exercitando o Modelo de tomada de Decisão PROERD. Aqui o Policial provoca respostas dos alunos para saber se eles realmente estão sabendo analisar a situação para tomar decisões seguras e saudáveis diante do caso em estudo. Deve-se enfatizar que esse modelo pode ser usado na vida diária dos estudantes, para que eles tenham o hábito de pensar antes de qualquer decisão. Atividade 08: Anotações no livro do estudante PROERD. Essa atividade corresponde fazer anotações de resumo da aula para registrar o aprendizado dos estudantes acerca do assunto. É como se fosse um diário de anotações do próprio aluno, que deixa escrito o que aprendeu em cada aula e no final do curso ele pode revisar para construir a redação de final de curso, exigidopara a formatura. Essa atividade é realizada ao final de cada aula ministrada pelo Policial Instrutor. Atividade 09: Conversa em família PROERD. Essa atividade busca proporcionar um diálogo entre pais e filhos sobre os temas trabalhados nas lições. Sabendo da dificuldade que alguns pais têm de estabelecer esse momento com seus filhos, o Programa no Ceará incluiu essa atividade para facilitar a aproximação e levar aos pais o conhecimento sobre os temas estudados em sala de aula. Nessa 71 perspectiva, todas as aulas terão essa atividade, pois mesmo que em alguns momentos esse diálogo não aconteça, com a insistência, pode-se estimular os pais a participar desse processo educativo e preventivo na vida dos filhos. Para uma melhor compreensão sobre a relação familiar e o fortalecimento da prática dialógica entre pais e filhos, Silva (2013), pesquisando sobre o tema, apresenta os seguintes resultados: Nas respostas obtidas nos dados coletados, vemos que os pais têm uma relação de diálogo com grande maioria dos filhos, onde 57,50% Concordam plenamente com a afirmação e 22,50% Concordam, sendo apenas a minoria de 20% que Discordam ou estão Neutros (sem opinião). Vemos aqui que se procede o que Ribeiro (2005, p.81) nos passa que “a prevenção deveria começar com os pais e ter continuidade com a escola e os pais, e ainda, que os pais poderiam ser mais bem preparados pela própria escola, para abordar o tema com seus filhos”, já que o filhos passam maior parte de suas vidas entre ambos – família e escola – dessa forma, estas deveriam se unir para que a prevenção seja mais coerente, pois como aponta Maluf (et.al., 2002, p.29) “os pais não sabem quando, como e o que falar para seus filhos. A escola pode auxiliá-los fornecendo informações sobre drogas, orientando-os sobre o papel deles na prevenção e dando dicas práticas de atitudes a serem tomadas.” (SILVA, 2013, p. 81). Para chegar a estes resultados, Silva (2013) trabalhou com a seguinte afirmação: “Tenho uma relação de diálogo com meus pais, sempre converso com eles sobre tudo, e esses já tinham buscado informar-se sobre o perigo das drogas” (SILVA, 2013, p. 81). Na pesquisa sobre o diálogo em família, Ribeiro (2005) apud Silva (2013) relata que a maioria afirmou ter boa relação de diálogo com os pais. Portanto, há de se concordar que a prevenção realmente se deve iniciar em casa e ser reforçada na escola mediante projetos preventivos, podendo-se destacar, nesse caso, o PROERD, por ser um Programa que atende o aluno em seu habitat (a escola) e se estende por um período de um semestre, trabalhando não somente questões sobre drogas, mas a relação afetiva entre eles, seus pares e familiares. 3.2.2. Lição 02: Informações sobre o cigarro. Pelo que se descreve em Brasília (2005) esta lição tem como objetivo levar os alunos a identificar os efeitos prejudiciais do cigarro. Como objetivos específicos, busca também analisar a veracidade da crença sobre o uso de cigarro, comparar estatisticamente o uso dessa substância entre os jovens adolescentes e reconhecer 72 como o Ministério da Saúde adverte para que as pessoas percebam o quanto o cigarro é prejudicial à saúde. Em Ceará (2012) esses objetivos estão contextualizados através das seguintes atividades: Atividade 01: Estatística sobre o uso de cigarros entre os jovens. Nesta atividade busca-se discutir com os estudantes a quantidade de jovens entre suas idades que usam cigarros frequentemente através de suas opiniões, mostrando a eles, através de dados, mediante pesquisa nacional pelo Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID). Desse modo, eles acessam, através de dados reais, o questionamento de que, ao contrário do que muitos pensam, a maioria dos jovens não usa essa substância. Atividade 02: Efeitos e fatos sobre o cigarro. Tem como finalidade informar aos estudantes os efeitos na saúde causados pelo uso de cigarros, mostrando também fatos importantes sobre essa droga, tais como a questão da dependência, índice de usuários no Brasil, os riscos e outras questões importantes para que eles possam se posicionar diante da discussão em sala de aula. Atividade 03: Situações problemas com cigarro: Utilizando o Modelo de Tomada de Decisão Proerd, faz-se um estudo de caso sobre ofertas e uso dessa droga para que os alunos analisem e posicionem-se diante do caso em questão, levando-os a pensar sobre o assunto e opinando sobre possíveis ofertas ou procura pelo cigarro. Atividade 04: Rótulos de advertência: Análise dos anúncios do Ministério da Saúde sobre o uso dessa substância contida nas carteiras de cigarros para estimular os alunos a criar frases de advertência para que possam ser multiplicadores em seu convívio com pessoas fumantes. 3.2.3. Lição 03: Informações sobre a maconha. Esta lição tem como objetivo levar os alunos a reconhecer os efeitos prejudiciais da maconha e praticar o Modelo de Tomada de Decisão Proerd nas situações problemas discutidas em sala (BRASÍLIA, 2005). Diante desses objetivos, Ceará (2012) traz a sequência da lição anterior sobre o cigarro, pois há uma estreita relação com a maconha pelo fato das duas drogas serem consumidas através do fumo. Mesmo com a relação que se 73 estabelece, percebe-se que as duas drogas se distinguem pelos efeitos e legalidade no Brasil. Por Ceará (2012) as atividades a seguir são distribuídas da seguinte forma: Atividade 01: Efeitos e fatos sobre a maconha: Aqui objetiva-se informar e discutir, através do conhecimento prévio dos estudantes sobre os efeitos do uso de maconha na saúde e mostrar os fatos relacionados ao uso dessa droga. Atividade 02: Aprendizagem dos alunos: Mediante a discussão em sala, os alunos são direcionados a pesquisar sobre o assunto e posteriormente relatar através de exercícios o aprendizado obtido. Atividade 03: Situações problemas sobre uso de maconha: Discutir com os alunos a necessidade de se posicionar sobre o uso da maconha, analisando os casos propostos em sala, buscando direcioná-los a uma decisão segura e saudável para todos, mediante a criticidade de cada participante. 3.2.4. Lição 04: Informações sobre as bebidas alcoólicas. Nessa lição os alunos deverão “identificar os efeitos do álcool no corpo e cérebro, além de analisar as crenças pessoais sobre o uso da bebida alcoólica, reconhecer e corrigir concepções errôneas sobre o álcool” (BRASILIA, 2005, p. 25). Em Ceará (2012) as atividades são as seguintes: Atividade 01: Pesquisa sobre o uso de álcool entre os jovens. Procura-se saber nessa atividade a opinião dos alunos sobre o uso de bebidas alcoólicas por jovens adolescentes e, em seguida, apresenta-se a eles a pesquisa nacional de acordo com as estatísticas do momento. Atividade 02: Efeitos e fatos sobre as bebidas alcoólicas. Sabendo dos efeitos, os alunos entenderão sobre os malefícios do álcool e os problemas que essa substância pode causar ao usuário. Também poderão analisar as consequências e se posicionarem acerca da situação. Atividade 03: Aplicando o conhecimento da atividade anterior, exercitando no verdadeiro ou falso. Com esse exercício os estudantes irão praticar seu conhecimento e mostrar o quanto estão por dentro do assunto. Atividade 04: Situações problema com a bebida alcoólica. Como é de costume em todas as lições, os alunos praticam o modelo de tomada de decisão 74 para analisar criticamente o caso em estudo e se posicionarem a favor ou contra, de modo que possam compreender e decidir sobre o que é melhor para eles e entender qual decisão os manterá seguros para recusar a oferta de álcool. 3.2.5. Lição 05: Informações sobre os inalantes. Pelo que relata-se em Brasília (2005, p. 29), a lição que fala dos inalantes tem o objetivo de levar os alunos a “identificar os efeitos prejudiciais dessa substânciasobre o organismo”. A lição também faz uma relação com a anterior sobre o álcool, abordando as propagandas das bebidas alcoólicas com o objetivo de fazer com que os alunos reconheçam e descrevam os efeitos das propagandas apresentadas pela mídia para influenciar os jovens ao consumo. Nessa perspectiva, Ceará (2012), no livro do estudante PROERD utilizado no Estado, distribui as atividades em dois pontos importantes: Atividade 01: Efeitos e fatos dos inalantes. Nessa atividade aproveita-se para discutir com os alunos o que essa substância causa no organismo e quais os perigos relacionados ao uso. Também, levar o conhecimento sobre os inalantes, pois convivem com essa substância nas próprias casas. Assim, segundo Ceará (2012, p. 32), “os inalantes incluem um conjunto de produtos de uso doméstico”. Atividade 02: Discussão sobre as propagandas. Essa atividade, que faz uma relação com a anterior sobre a bebida alcoólica, aborda as propagandas exibidas pela mídia televisionada, a qual procura incentivar pessoas ao uso de álcool. Desse modo, procura-se despertar nos alunos um olhar crítico em relação aos comerciais de TV, para que vejam o que realmente está por trás das informações, ou seja, os publicitários não mostram as reais consequências do uso das bebidas alcoólicas e, com isso, através de muitas técnicas, procuram atrair os jovens para consumir tal substância. 3.2.6. Lição 06: Prevenção contra o bullying. Em meio à tanta violência nas escolas entre os estudantes, Ceará (2012) tem incluso no currículo do 5º ano duas lições sobre o bullying para reduzir o índice de violência entre os jovens e despertar neles as vantagens de se relacionar em harmonia e respeitar uns aos outros. 75 Para Palácios e Rego (2006, p. 3), bullying é um “termo que tem sido utilizado para designar uma prática perversa de humilhações sistemáticas de crianças e adolescentes no ambiente escolar”. Os autores ainda relatam que o “bullying tem sido, inclusive, objeto de política explícita de combate em estabelecimentos de ensino” (PALÁCIOS E REGO, 2006, p. 3). Sobre a violência moral, mais presente nos casos de bullying, os autores comentam: [...] a violência moral, denominada assédio moral... [...] "refere-se a um comportamento ofensivo, humilhante, que desqualifica ou desmoraliza, repetido e em excesso, através de ataques vingativos, cruéis e maliciosos que objetivam rebaixar um indivíduo ou grupo de trabalhadores.” (PALÁCIOS E REGO, 2006, p. 3). Ao comentar sobre a violência moral, mostra-se que a característica do bullying é de humilhação, vantagem do agressor sobre a vítima e sensação de poder por quem o pratica. Assim, percebe-se que a violência física pode ser uma consequência desse ato de desmoralizar o individuo que sofre o bullying. Sobre o assédio moral, Palácios e Rego (2006, p. 3) ainda acrescentam o seguinte: “o assédio moral não tem nada a ver com uma administração rigorosa ou exigente, mas tem a ver, cada vez mais, com uma forma perversa de administrar que tem sido assustadoramente, tolerada”. Em relação à identificação do bullying, os autores relatam: O bullying pode ser identificado por meio de algumas ações, como ressalta a Abrapia 3 : "colocar apelidos, ofender, zoar, gozar, encarnar, sacanear, humilhar, fazer sofrer, discriminar, excluir, isolar, ignorar, intimidar, perseguir, assediar, aterrorizar, amedrontar, tiranizar, dominar, agredir, bater, chutar, empurrar, ferir, roubar, quebrar pertences". Estudo realizado por essa associação em 2002 mostrou, em pesquisa realizada em 11 escolas no Rio de Janeiro com alunos da 5ª à 8ª série, que 16,9% dos alunos foram vítimas de bullying, 10,9% foram vítimas e autores, e 12,7% foram somente autores no último ano. (PALÁCIOS E REGO, 2006, p. 3). De acordo com o estudo acima citado, o número de vítimas ainda é maior que o número de agressores. Além dessa classificação, os autores ainda expõe outra classe que é a de serem vítimas e autores de bullying. No entanto, essa ainda é menor que sendo somente vítima. Portanto, conclui-se que há maior vulnerabilidade daqueles que sofrem bullying. Quanto à questão do esforço para combater a prática de bullying nas escolas, Palácios e Rego (2006) opinam: 76 É inegável que existe um grande esforço em muitas escolas para combater o trote violento, especialmente após os trágicos acontecimentos ocorridos na virada do século. Da mesma forma, são louváveis e também contribuem para o apoio ao estudante os serviços de apoio psicológico e educacional que se multiplica em várias escolas. Mas será que o problema está sendo adequadamente considerado apenas com esse tipo de intervenção? Decerto que não. Em primeiro lugar, o bullying é um tema praticamente ausente nas discussões em nossos congressos e em nossa revista, sugerindo que o que falta inicialmente é reconhecer o problema como um problema ou ao menos disseminar essa percepção. É verdade que temos falado com alguma frequência do trote, mas ainda parece haver um longo caminho a percorrer. (PALÁCIOS E REGO, 2016, p. 4). Na opinião dos autores, mesmo havendo os esforços para combater o bullying nas escolas, estes ainda fazem falta nas discussões científicas, necessitando de ações mais enérgicas e multidisciplinares com direcionamentos específicos para o problema em questão. Para Rocha (2013, p. 193) bullying é “humilhar, excluir, descriminar, dar apelidos ofensivos, espalhar mentiras no mundo real ou virtual, tudo isso é inaceitável”. Em relação a esse bullying virtual que a autora cita, denomina-se de cyberbullying. Falando da origem da palavra bullying e atuação desse ato, Rocha (2013) a caracteriza como: A palavra bullying tem origem no termo inglês bully que significa: brigão, mandão, valentão, caracterizada por atos agressivos negativos como: oprimir, humilhar, ameaçar, intimidar, e ridicularizar, realizados de maneiras repetitivas, seja verbalmente ou fisicamente exercido por um ou mais agressores contra um ou mais colegas. (ROCHA, 2013, p. 193). Valente (2012) apud Rocha (2013, p. 193) falam da descrição da palavra bully relatando que esta “é utilizada para descrever uma pessoa que usa a força para intimidar ou agredir outra mais fraca”. Ainda aborda sobre a forma de atuação do bullying pelo agressor e o objetivo dessa ação: O bullying atua de forma consciente, através de altitudes antissociais em que o agressor tem como objetivo, causar dor e angustia a vitima, levando a uma queda de rendimento em qualquer contexto que este atue, transformando a saúde do sujeito passivo em doença psicossomática, numa relação de desigualdade de força e/ou poder. (VALENTE, 2012 APUD ROCHA, 2013, p. 193). O comentário dos autores nos remete à sensação de que a violência do bullying, mesmo sendo algo muito sério, ainda é praticada de forma banal por agressores, os quais aparentam não ter a menor consciência da gravidade desse 77 ato, ou a ignora, colocando em primeiro plano suas vontades e o desejo de serem melhores que os outros, ou seja, ganhar status entre os membros de seu grupo. Rocha (2013) fala das características do bullying dizendo que: Para ser dada como bullying, a agressão física ou moral deve apresentar quatro características. São elas: intenção do autor em ferir o alvo, repetição da agressão, presença de público espectador e concordância do alvo com relação à ofensa. Para que seja considerada bullying, a agressão deve ocorrer entre pares. (ROCHA, 2013, p. 193). Pela definição que a autora traz, percebe-se claramente a gravidade desse ato, pois compromete tanto os fatores emocionais quanto a estrutura física da vítima, haja vista que as agressões acontecem por meio do assédio moral ou agressões físicas. Quanto ao sujeito passivo, aquele que sofre bullying, mas não tem a coragem de denunciar com medo das ameaças do agressor, Rocha(2013) retrata: Por outro lado o sujeito passivo, ou seja, o alvo dos agressores que geralmente são aquelas pessoas que possuem baixa autoestima, pouco sociável e quase inexistente de capacidade de se autodefender ou de fazer cessar estes atos prejudiciais contra si, acarretando uma possível erotização de insegurança para pedir ajuda. Sendo assim, o sujeito passivo sofre uma das piores consequências, ou seja, enfrentar o medo e pedir ajuda, podendo inclusive incorrer em morte, como nos casos de suicídio. (ROCHA, 2013, p. 193). Partindo desse pressuposto, pode-se imaginar o tamanho do sofrimento da vítima de bullying, pois além de sofrer as agressões não tem a liberdade de denunciar por conta das ameaças contra sua vida. Rocha (2013, p. 194) apresenta o resultado de “uma pesquisa através da Associação Brasileira Multiprofissional de Proteção à Infância e Adolescência (ABRAPIA) e revela que 41,6% das vítimas nunca procuraram ajuda ou falaram sobre o problema, nem mesmo com os colegas”. No Brasil, uma pesquisa realizada em 2010 com alunos de escolas públicas e particulares revelou que as humilhações típicas do bullying são comuns em alunos de 5ª e 6ª ano. As três cidades brasileiras com maiores incidências dessas práticas são: Brasília, Belo Horizonte e Curitiba (CAMARGO, 2010 APUD ROCHA, 2013 p. 194). Ceará (2012) traz a contribuição de que os autores, dizendo que o agressor tem o papel de assediar a vítima, enquanto aqueles que escutam ou olham e não 78 fazem a denúncia, são apenas meros expectadores. O autor também coloca que existem os seguidores dos agressores que, em muitos casos, ajudam-no e em outros ficam aplaudindo, ou seja, servindo de plateia diante da humilhação. A partir disso, traz a figura do bom cidadão, sendo aquele que denuncia tal agressão ou mesmo intervém para ajudar a vítima. Para tanto, em Ceará (2012) na primeira lição sobre o bullying, contida no livro do estudante Proerd utilizado no Estado do Ceará, os alunos são direcionados para aprender o que realmente caracteriza o bullying e especifica nas atividades a seguir: Atividade 01: Uma palavrinha a respeito do bullying. Percebendo que há muita dúvida entre os estudantes sobre esse tema, Ceará (2012) descreve como conteúdo, o que realmente caracteriza o bullying, quando acontece, onde e como é praticado, além de identificar quem pratica e por que eles fazem isso. Atividade 02: Caça-palavras. Visa trabalhar a percepção do aluno e levá-lo a melhorar seu vocabulário acerca do bullying quando começa a procurar por palavras que o influenciam a ser um aluno respeitoso e bem como saber se livrar das agressões dos outros colegas, além de identificar se ele mesmo está praticando esse tipo de violência com os outros na escola. Atividade 03: Desafio da história. Essa lição compreende a apresentação de uma história sobre o bullying, explicando passo a passo o papel de todos os envolvidos, enaltecendo o papel de um bom cidadão, o qual não pratica e ajuda aqueles que estão sofrendo bullying. Desse modo, o aluno aprende quem realmente são os agressores e o que fazer para se livrar deles, apoiar e ajudar os outros colegas que estão sofrendo a violência por parte de outros companheiros. Entrevista a um bom cidadão. Para saber quem realmente pode ser um bom cidadão, solicita-se que eles façam uma entrevista a uma pessoa adulta que faz o bem e que não gosta de prejudicar ninguém. Com essa entrevista, o aluno adquire conhecimento e percebe as vantagens de ajudar aqueles que necessitam de um apoio e ser ouvido diante de suas angústias. 3.2.7. Lição 07: Posicione-se contra o bullying É de extrema importância que os estudantes saibam como se posicionar contra o bullying. Por conta disso, esta lição visa, através do modelo de tomada de 79 decisão Proerd, levar os alunos a pensar antes de qualquer prática de violência com seus pares. Para tanto, segundo Ceará, (2012) essa preparação se dá pelas seguintes atividades: Atividade 01: Posicionando-se contra o bullying. No desenvolvimento dessa atividade os alunos irão verificar o quanto eles se posicionam na prática de bullying, além de expor a forma como agirão diante dos questionamentos feitos pela atividade, através de questões comuns do dia-a-dia no ambiente escolar. Ceará (2012) aborda 20 (vinte) questões mais relevantes para saber lidar com o bullying: 1. Ficar do lado de seu melhor amigo se ele fosse vítima do Bullying? 2. Pedir a alguém para parar de agredir outro aluno que não tem nenhum amigo? 3. Dedar para a professora alguém que agride os outros? 4. Impedir que um grupo de alunos agredisse outro aluno mais jovem? 5. Convidar uma nova garota ou garoto para brincar ou jogar durante o intervalo? 6. Contar a seus pais ou a um parente que você está sendo vítima do Bullying? 7. Pedir que alguém pare de agredir um aluno que você não gosta? 8. Dizer algo para um menino que está provocando uma menina de um jeito maldoso? 9. Pedir que um de seus amigos pare de agredir um novo aluno da escola? 10. Pedir para que alguém, de quem você foi vítima de Bullying no passado, pare de agredir outro aluno? 11. Pedir para que alguém, que é popular, parar de agredir outro aluno? 12. Defender um aluno que não gosta de você, mas que é vítima de Bullying? 13. Pedir que um aluno mais velho pare de dizer atrocidades a um aluno de sua idade? 14. Socorrer um aluno que está sendo vítima do Bullying por parte de um grupo maior de alunos? 15. Contar ao seu professor que você está sendo vítima do Bullying por parte de outro aluno? 16. Pedir que um dos alunos populares pare de caçoar alguém que você não conhece bem? 17. Dizer algo a uma garota que está espalhando fofocas sobre outro (a) aluno (a)? 18. Dizer algo a um garoto que está espalhando fofocas sobre outro (a) aluno (a)? 19. Relatar ao professor alguém que sempre agride ou está agredindo um aluno novo? 20. Ajudar a parar com o Bullying em sua escola? (CEARÁ, 2012, p. 39). Na conclusão dessa atividade, os estudantes pontuam cada questão e, ao final, o resultado corresponderá ao comportamento dos alunos quanto ao posicionamento na escola, com referência à prática de bullying. Em relação à pontuação, se estabelece um limite de 100 pontos e se os resultados forem maiores que a metade o alunos estarão no caminho certo para combater o bullying em sua escola, mas caso seja menor, precisa melhorar em suas ações para proporcionar mais segurança para ele e seus colegas (CEARÁ, 2012). Portanto, conclui-se que esta atividade leva o estudante a pensar sobre sua postura diante do bullying e desperta-lhe a reflexão sobre o que está fazendo ou o que podem fazer para diminuir determinados atos violentos na escola em que estuda. 80 Atividade 02: Pronto para ação? Para solucionar os casos de bullying pré- estabelecidos por Ceará (2012), os alunos devem utilizar o modelo de tomada de decisão Proerd para analisar a situação e agir de forma coerente na resolução de conflitos. Muitas vezes os pais pedem ajuda na escola para ajudar no comportamento do filho, seja ele agressivo ou passivo diante de uma situação de bullying. Pensando nisso, consta em Ceará (2012) a inclusão de uma atividade de conversa em família Proerd para que pais e filhos possam conversar sobre bullying e que ambos descubram a melhor maneira de lidar com determinadas situações. 3.2.8. Lição 08: As bases da amizade Visando estabelecer a harmonia entre os estudantes, Ceará (2012) tem em seu livro de atividades uma lição que trata das bases para uma boa amizade, a qual ajuda os estudantes a identificar quem realmente são seus amigos e se estes também correspondem a um comportamento de harmonia e paz com seus colegas. Falando de amizade, Bukowski et. al., 1996 e Hartup, 1989 apud Souza e Hutz, 2008 comenta sobre o uso da palavra amigo: O uso da palavra amigo iniciaente os estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa etária Gráfico 08 – Uso no ano de drogas psicotrópicas entre estudantes das 27 capitais brasileiras Gráfico 09 – Uso no ano de drogas psicotrópicas entre estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com o gênero Gráfico 10 – Uso no ano de drogas psicotrópicas entre estudantes das 27 capitais brasileiras, de acordo com a faixa Gráfico 11 – Uso no ano de álcool e tabaco entre os estudantes das 27 capitais brasileiras Gráfico 12 - Quadro geral do PROERD no ano de 2013 Gráfico 13 - Resumo geral de Instrutores (Educadores Sociais), município, escolas e alunos atendidos em 2013 Gráfico 14 - Total de escolas e alunos atendidos pelos Instrutores do PROERD na Região Metropolitana do Cariri, por municípios, no ano de 2014 Gráfico 15 - Relação afetiva com os pais Gráfico 16 - O diálogo com os pais Gráfico 17 - A participação dos pais no acompanhamento escolar Gráfico 18 - Percentual de entrevistados que moram com o pai Gráfico 19 - Percentual de entrevistados que moram com a Mãe Gráfico 20 - Percentual de entrevistados que moram com o pai e a mãe Gráfico 21 - Percentual de famílias com casos de uso de bebida alcoólica Gráfico 22 - Percentual de famílias com casos de uso de cigarro Gráfico 23 - Percentual de famílias com casos de uso de substância ilícita Gráfico 24 - Avaliação da escola em o entrevistado que estuda Gráfico 25 - Avaliação do interesse dos pelos estudos Gráfico 26 - Avaliação da frequência às aulas Gráfico 27 - Avaliação da participação nas atividades em sala de aula Gráfico 28 - Relação do aluno com o Policial Instrutor em sala de aula Gráfico 29 - Técnicas utilizadas pelo Policial Instrutor em sala de aula Gráfico 30 - A organização do Policial nos trabalhos em sala de aula Gráfico 31 - Comunicação do Policial com os alunos em sala Gráfico 32 - Relação afetiva do Policial com os alunos Gráfico 33 - Interesse pelas aulas do Proerd Gráfico 34 - Contribuição do curso Proerd para a vida pessoal Gráfico 35 - Contribuição do curso Proerd na relação com seus pais Gráfico 36 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: Policial fardado Gráfico 37 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: atividades do livro Proerd Gráfico 37 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: fardamento do programa Gráfico 38 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: Técnicas de ensino do Policial (jogos, vídeos, mágicas, músicas, brincadeiras etc.) Gráfico 39 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais do Cigarro Gráfico 40 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais do Álcool Gráfico 41 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais da Maconha Gráfico 42 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais de inalantes Gráfico 43 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais do Crack Gráfico 44 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais da Cocaína Gráfico 45 - Frequência relativa de não participantes do Proerd que afirmaram ter feito uso de drogas Gráfico 46 - Frequência relativa de participantes do Proerd que afirmaram ter feito uso de drogas LISTA DE ABREVIATURAS E SIGLAS D.A.R.E. Drug Abuse Resistance Education EUA - Estados Unidos da América OBID - Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas OMS – Organização Mundial de Saúde ONU – Organização das Nações Unidas PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência RMC - Região Metropolitana do Cariri SENAD - Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas SIT - Sistema de Informações Territoriais SOAPOL - Associação dos Amigos da Polícia Militar do Ceará TCLE - Termo de Consentimento Livre e Esclarecido TCPE - Termo de Consentimento Pós-Esclarecido UNESCO - Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura do Brasil UNODC - Organização das Nações Unidas: Escritório contra Drogas e Crime LISTA DE TABELAS Tabela 1- Relação familiar Tabela 2 - Uso de drogas pelo grupo familiar Tabela 3 - Relação do aluno entrevistado com a escola Tabela 4 - Avaliação do policial instrutor do Proerd Tabela 5- Avaliação do curso Proerd Tabela 6 - Avaliação do curso Proerd: apreensão da atenção nas aulas do Proerd Tabela 7 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais de drogas Tabela 8 - Percentual de entrevistados que afirmaram ter feito uso de drogas RESUMO O presente estudo visa discutir a atuação do PROERD - Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, mediante o seu desenvolvimento e relato de experiência do Policial Instrutor. A pesquisa tece comentários sobre a prevenção do uso de drogas, em relação aos fatores de proteção e redução da vulnerabilidade. Para tanto, além de abordar os aspectos de relacionamento e convívio familiar, busca-se também mostrar a abordagem do Programa na prevenção, realizando um estudo sobre a prática pedagógica do instrutor e o quanto o PROERD influencia na decisão de evitar a procura por drogas e resistência às ofertas aos estudantes. O Programa atua especificamente na prevenção primária, levando o conhecimento acerca dos malefícios que as drogas podem causar e as técnicas para manter-se afastado. Embora o PROERD esteja presente em diversos municípios e escolas da Região do Cariri, no Estado do Ceará, faz-se necessário desenvolver um estudo sobre a sua atuação, para possibilitar a ampliação para outras instituições de ensino menos favorecidas e identificar o Programa como de relevante interesse social. A pesquisa tem como objetivo caracterizar o PROERD e sua atuação nas escolas, partindo da escuta de estudantes atendidos por ele, em relação a sua participação no curso e também daqueles que não tiveram a oportunidade de participar das instruções. Desse modo, obtém-se a identificação da postura dos alunos em relação à resistência ao uso de drogas. A realização deste estudo possibilita uma melhor compreensão do Programa nas relações de convívio familiar e na relação dos alunos com a escola e seus pares. O método da pesquisa foi quantitativo, com levantamento de dados através de questionário com questões fechadas. Os resultados obtidos devem concordar ou não com as hipóteses levantadas sobre a atuação do Programa referente à qualidade de vida dos participantes. Palavras-chave: Drogas. Prevenção. Proerd. ABSTRACT This study aims to discuss the role of PROERD - Educational Program of Resistance to Drugs and Violence, through its development and experience report of the Police Instructor. The research comments on the prevention of drug use in relation to protective factors and reducing vulnerability. Therefore, in addition to addressing the aspects of relationships and family life, we seek to also show the program's approach to prevention, conducting a study on the pedagogical instructor practice and how much PROERD influences the decision to avoid the demand for drugs and resistance to offers to students. The program acts specifically on primary prevention, bringing knowledge about the harm that drugs can cause and techniques to keep clear. Although PROERD to serve various municipalities and schools Cariri Region in the State of Ceará, it is necessary to develop a study about the experience of it to allow expansion to other disadvantaged educational institutionsaos quatro anos de idade; melhor amigo, a partir da infância média e adolescência. A amizade infantil caracteriza-se por afeto, divertimento e reciprocidades: mútua consideração, cooperação, bom manejo de conflito, benefícios equivalentes em trocas sociais; gostar um do outro, ou seja, desejar passar mais tempo na companhia prazerosa um do outro. As amizades de crianças mais velhas e adolescentes incluem lealdade, confiança e intimidade, requerem interesses comuns e comprometimento, tanto para manter os amigos como para formar novas amizades. (BUKOWSKI ET AL., 1996 E HARTUP, 1989 APUD SOUZA E HUTZ, 2008, p. 261). Pelo que os autores relatam sobre a palavra amigo, acredita-se que uma verdadeira amizade é aquela em que as pessoa têm consideração uma pela outra, demonstram certo companheirismo, uma ajuda a outra quando necessário e sabem guardar segredos. Geralmente na infância a amizade torna-se mais natural, ou seja, não é muito comum na infância haver fingimento entre dois amigos, pois ambos agem com naturalidade diante dos fatos e até mesmo perante os conflitos vivenciados por eles. 81 Souza e Hutz (2008, p. 261) complementam dizendo que “as pessoas buscam relacionamentos motivados por necessidades e preocupações vigentes em cada estágio da vida”. As definições de amizade podem variar de acordo com critérios como idade, sexo, estado civil, religião, status profissional, escolaridade, etnia e raça (FEHR, 1996, APUD DUARTE E SOUZA, 2010, p. 272). Fehr (1996) apud Duarte e Souza (2010, p. 272) define amizade como “um relacionamento pessoal e voluntário entre duas pessoas que se gostam e procuram a companhia uma da outra, proporcionando ajuda e intimidade”. Para esses autores a reciprocidade entre os amigos ajuda no desenvolvimento relacional deles. Estudando um pouco mais esses autores, eles trazem em seu discurso que “as amizades facilitam a tolerância a medos e ansiedades, ajudam a suportar situações estressantes e proporcionam senso de identificação e exclusividade” (FEHR, 1996, APUD DUARTE E SOUZA, 2010, p. 272). Duarte e Souza (2010) ainda trazem algo sobre as categorias da amizade através de estudos universitários. Em um estudo com 207 universitários, Parks e Floyd (1996) investigaram o significado de proximidade com um amigo resultando em treze categorias que apontam como características de boas amizades: autorrevelação, confiança, ajuda, afetividade, respeito, aceitação, contato físico não-sexual, frequência de interação, duração do relacionamento, além de interesses e atividades compartilhadas pelos amigos. Os autores observaram que, nas amizades femininas e masculinas de homens e de mulheres, as características de autorrevelação, trocas afetivas, ajuda instrumental e aconselhamento, interesses e atividades compartilhados, confiança, frequência de interação, duração do relacionamento, aceitação, respeito e contato físico não-sexual são fundamentais no estudo deste relacionamento. (DUARTE E SOUZA, 2010, p. 273). Nesse questionamento dos autores, observa-se que uma verdadeira amizade está inclusa em várias categorias, as quais passam a confirmar o real valor que ela tem. Assim pode-se perceber o quanto essas categorias são importantes para um bom relacionamento entre os amigos e que elas vão ao encontro plenamente do trabalho desenvolvido pelo PROERD na lição sobre amizade. Quanto à lição das bases da amizade, os objetivos específicos apresentados por Brasília (2005) é o de identificar as qualidades de um bom amigo e reconhecer a importância do uso do diálogo para construir e manter relacionamentos saudáveis. Além destes, busca-se segundo Brasília (2005) aplicar o modelo de tomada de decisão PROERD para reagir à pressão do grupo. 82 Como atividades para desenvolver a lição, distribui-se em Ceará (2012) da seguinte forma: Atividade 01: Selecionando os amigos. Nessa atividade os estudantes irão selecionar os locais, alguns propostos pelo autor e outros descritos pelos próprios alunos, e relacionar onde existem amigos. Este momento denomina-se de universo de amizades. Vale lembrar que antes da resolução acontece um debate entre o Policial instrutor e alunos sobre as características positivas de um verdadeiro amigo, pois assim fica mais fácil eles identificarem quem são seus amigos de verdade. Após esse momento de compreensão e identificação de seus amigos, inicia- se outro debate sobre como se deve saber quando alguém não é seu amigo, pois é importante que o estudante saiba diferenciar para que não seja enganado por falsos amigos, inclusive para uso de drogas ou prática de violência. Atividade 02: A pressão de grupo. Desenvolvida através de um estudo de caso onde os alunos identificarão momentos em que há pressão dos membros do grupo para o uso de drogas. Após o debate sobre o caso, os alunos posicionar-se- ão diante das ofertas para o uso de drogas mediante a pressão do grupo. Para que os alunos tenham o conhecimento sobre as pressões do grupo, Ceará (2012) apresenta e estimula um debate com eles sobre os tipos de pressão. Para melhor esclarecimento, o autor mostra a seguir quais são essas pressões e como acontece. 1. Pressão Positiva: quando alguém insiste que você faça alguma coisa que não vai lhe prejudicar se você fizer. Exemplo: “Ah, vamos treinar mais uma vez”? 2. Pressão Amigável: quando alguém que é ou não seu amigo, faz uma simples oferta de forma amigável, educada. Exemplo: “Você gostaria de experimentar”? Nós vamos nos divertir muito! 3. Pressão Indireta: é uma pressão para utilizar drogas, sem, contudo, constituir uma oferta direta. Exemplo: “Vamos à festa”. Eu sei que vai ter uma cervejinha. 4. Pressão Provocadora: quando alguém provoca para que faça algo que não quer fazer, tentando ferir os seus sentimentos. Exemplo: “Vamos, não seja um covarde”! 5. Pressão Pesada: quando alguém ameaça você, física ou emocionalmente, numa tentativa de fazer com que você faça algo que não quer fazer. Exemplo: “Se você não fizer isso, vai se arrepender: te pego lá fora”! ou “Não vou ser mais seu amigo.” (CEARÁ, 2012, p. 47). A pressão do grupo apresentada pelo autor e a forma como esta pode acontecer, mostra o quanto é importante perceber quando há certa influência de outras pessoas para se fazer algo, pois muitas vezes somos pressionados e não percebemos como isso acontece. 83 Por esse motivo, o PROERD tem sido um Programa bastante conceituado e facilmente implantado nos estabelecimentos de ensino, pois de acordo com o histórico apresentado no início desse capítulo, e pelo tempo em ele está sendo desenvolvido na região do cariri, o trabalho é visto como sendo de extrema relevância pela abordagem em relação ao uso de drogas, priorizando o debate interativo e participativo, evitando que o Policial instrutor seja um mero repassador de conteúdos e, mais que isso, atue como facilitador em sala de aula buscando a integração de todos na construção do conhecimento. 3.2.9. Lição 09: Decidindo de forma confiante. Para Brasília (2005) não basta ter o conhecimento, deve-se saber utilizá-lo para garantir o seu bem-estar e livrar-se das más influências. Diante disso, o autor traz como objetivos específicos dessa lição conhecer e aplicar as maneiras de dizer não às drogas; identificar os estilos de respostas diante da ação/reação na resistência ao uso de drogas e reconhecer a importância de ser confiante quando recusar uma oferta. Nesse contexto, mostra-se como isso é possível através das atividades abaixo: Atividade 01: Maneiras de estar no controle. Mostra-se aos alunos que se devem evitar as situações de risco para garantir a própria segurança em questões de ofertas ao uso de drogas. Para tanto, são apresentadas a eles algumas maneiras de como executar tal procedimento, expondo o seguinte: “Se você conhece os lugares onde as pessoas, geralmente, usamdrogas, evite frequentar esses lugares” (CEARÁ, 2012, p. 48). Também se faz uma menção à questão de andar sempre com amigos que não usam drogas. Sabendo que nem sempre se pode evitar uma situação de risco, Ceará (2012) descreve algumas maneiras que podem ajudar a sair de uma situação perigosa e cita exemplos de cada uma delas, bem como a forma de posicionamento (respostas). 1. Afastando-se: “Tenho uns cigarros. “Diga não e afaste-se”. Quer um?” 2. Dando um gelo “Ei, quer fumar?” “Simplesmente ignore a pessoa” 3. Recusando amistosamente “Quer uma cerveja?” “Não, obrigado”. 4. Dando uma razão “Quer uma cervejinha?” “Não, obrigado. Não quero ficar tonto”. 5. Mudando de assunto “Vamos fumar um baseado?” “Você viu o filme de ontem na TV?”. 6. Recusando repetidamente (disco arranhado). “Quer um 84 cigarro?” “Não”. “Ah, vai, aceite um!”. “Não”. “Só uma tragada?” “Não”. 7. Usando o bom humor “Quer um baseado?” “Não. Preciso de todos os meus neurônios.” (CEARÁ, 2012, p. 48). O que traz o autor em relação às maneiras de dizer não as drogas pode ajudar os alunos a saberem como se posicionar e responder de forma clara e objetiva às ofertas, podendo evitar a pressão do grupo. Atividade 02: Estilos de respostas. Não basta saber dizer não às drogas, pois há a necessidade de convencer quem está ofertando de que realmente não se irá aceitar, evitando a insistência (CEARÁ, 2012). Sendo assim, através do quadro a seguir, o autor apresenta os estilos de respostas que podem deixar clara e definitiva a recusa, bem como garantir a segurança na hora de recusar. Figura 05: Estilos de respostas, ações e expressão corporal para dizer não às ofertas de drogas. ESTILOS DE RESPOSTAS ESTILOS AÇÕES EXPRESSÃO CORPORAL Inseguro (Passivo) Não declara aos demais os seus direitos. Faz o que os outros mandam. Deixa que os outros lhe façam coisas que não gosta. Responde com insegurança. Mantêm postura curvada. Mantêm-se cabisbaixo. Fala muito baixo. Parece nervoso. Não olha nos olhos. Roe unhas. Exigente (Agressivo) Ignora os direitos dos outros. Faz as pessoas sentirem-se mal. Não cumpre com suas responsabilidades. Responde com agressividade. Adota uma postura arrogante. Fala em tom alto e agressivo. Fala com dedo em riste. Anda de nariz empinado. Fixa o olhar com ar de superioridade. Confiante (Seguro) Declara seus próprios direitos. Respeita os direitos dos outros. Cumpre com suas reponsabilidades. Responde com segurança Mantêm postura ereta. Fala claramente. Estabelece bom contato visual. Demonstra calma e confiança. FONTE: Livro do Estudante PROERD (CEARÁ, 2012, p. 48). A ilustração do autor quanto aos estilos de respostas no quadro acima mostra claramente como os alunos devem colocar em prática o conhecimento 85 adquirido. Procura também, diferenciar a forma correta e não correta de agir diante de uma oferta. Em Brasília (2005) se esclarece que os alunos devem enfatizar sempre o modo confiante e seguro, pois este dá uma maior garantia para sair da situação de risco, evitando ser violento e não permitindo que a timidez o influencie ao uso. 3.2.10. Lição 10: Ação pessoal. Este conteúdo corresponde à última lição do currículo PROERD para o 5º ano utilizado pelo Programa no Estado do Ceará atualmente. Como objetivos específicos, enfatiza-se em Brasília (2005) que os estudantes deverão aplicar o modelo de tomada de decisão em situações de pressão interna, ou seja, vencer suas próprias vontades diante do desejo de fazer algo que não condiz com uma vida saudável, em destaque a própria vontade de usar drogas. Segundo o autor, os alunos precisam entender que, além das pressões do grupo, existem as pressões internas e procura-se conduzi-los a reconhecer que estas influenciam em nossas decisões. Como atividades finais para o curso PROERD, Ceará (2012) traz as seguintes atividades: Atividade 01: Lidando com a pressão pessoal. Essa atividade proporciona um debate sobre as pressões positivas e negativas sobre si próprio. Casos como este requerem maior atenção nas decisões, pois, em Brasília (2005) percebe-se que geralmente acontece quando não tem ninguém por perto, deixando o individuo vulnerável diante de suas próprias escolhas. De acordo com Ceará (2012) busca-se trabalhar essa questão pelo Modelo de Tomada de Decisão PROERD, através de estudo de casos que trazem muito explicitamente essa questão e levam os alunos a refletir sobre suas vontades e qual a melhor decisão a tomar para garantir que permaneçam longe de drogas e evite atos violentos. Atividade 02: Orientação para redação PROERD. Em Brasília (2005) está descrito como objetivo principal dessa lição que os alunos possam escrever uma redação de conclusão de curso, expressando sua satisfação em participar do PROERD, informar o que aprendeu durante as aulas e como planejam utilizar o conhecimento adquirido no futuro. 86 Para orientar os alunos no processo de construção do texto, descreve-se algumas orientações, as quais estão em destaque a seguir: 1. Introdução: que novos conhecimentos e habilidades o PROERD ajudou a desenvolver para fazer escolhas. 2. Desenvolvimento: Detalhes sobre o que aprendeu. Qual a importância desse conhecimento e o impacto que isso pode ter na vida. 3. Conclusão: É um resumo do compromisso assumido. (CEARÁ, 2012, p. 53). Diante das orientações do autor para a construção da redação final do aluno que cursou o PROERD, é notório que serve para direcionar os estudantes em seu pensamento, para que este venha mostrar seu aprendizado e suas perspectivas para o futuro. Para nortear essas orientações, consta em Ceará (2012 alguns pontos para que os alunos falem do seu compromisso pessoal de manter-se longe das drogas e da violência. Nesse sentido, traz as seguintes questões: “Como se sente em relação ao PROERD? O que aprendeu com o PROERD que poderá ajudar na decisão de ficar longe de drogas e evitar a violência? Por que é importante essa decisão?” (CEARÁ, 2012, p. 53). Atividade 03: Pratique. Jogo PROERD. Esse jogo tem como objetivo revisar as lições estudadas durante o curso e, identificar maneiras saudáveis de expressar as opiniões, desejos e sentimentos para recusar as ofertas de drogas (BRASÍLIA, 2005). Ceará (2012) mostra que o jogo é bastante divertido, pois permite trabalhar em grupo, com uma sequência de três rodadas, estimula a participação através de brincadeiras e praticar o que aprendeu nas aulas. Pelo que está exposto em Ceará (2012, p. 55) o jogo aborda questões que leva o aluno a recusar as ofertas de drogas, justificando sua resposta e dizendo o que prefere no lugar de aceitar drogas. Para a realização do jogo, Brasília (2005) coloca situações problema em que os alunos se posicionarão para decidir pela melhor escolha, aquela que trará melhores resultados. Atividade 04: Orientação para formatura do PROERD. Em Brasília (2005, p. 53) a formatura de final de curso acontece para “reconhecer o esforço individual e prestigiar a realização pessoal de todos os participantes”. Busca-se também, reforçar os conhecimentos e as habilidades adquiridas, através da leitura das redações para o público convidado e assumir o compromisso 87 pessoal de ficar longe das drogas e da violência através do juramento PROERD (BRASÍLIA, 2005). Ceará (2012, p. 56) mostra o passo a passo para o comportamento dos alunos na solenidade de formatura PROERD. Como compromisso pessoal dos alunos, o autor apresenta a seguir o juramento PROERD: Ao concluir o curso Proerd, juro ser fiel aos ensinamentos que recebi, resistindo às drogas e à violência, cumprindo minhas obrigações e fazendo valer meus direitos. Juro respeitar e ajudar meus semelhantes, honrando minha Pátria, para que possamoster uma sociedade mais sadia, justa e feliz. Juro! (CEARÁ, 2012, p. 57). Observa-se que o juramento PROERD o qual o autor descreve é uma forma de lembrar aos alunos da responsabilidade que devem assumir consigo mesmos em relação à resistência do uso de drogas para que logo depois possam receber o certificado pela participação no curso. Ao final do evento, conforme está descrito em Brasília (2005), faz-se uma apresentação da canção do PROERD com a participação de todos os formandos como forma de demonstrar a alegria e satisfação de todos. Visando despertar a atenção dos alunos para as atividades contidas no manual do estudante, são exibidas gravuras que correspondem ao tema das aulas e em alguns momentos os alunos são direcionados a pintar, mostrando suas habilidades com a arte. Nos anexos será exibida a letra da canção do PROERD, a qual faz referência aos temas das aulas. 3.3. MINHA EXPERIÊNCIA COMO INSTRUTOR DO PROERD A aula do PROERD tem sido bastante atrativa para os alunos. Por ser um encontro por semana, o Policial instrutor busca desenvolver os trabalhos utilizando várias técnicas de aprendizagem para facilitar que os alunos aprendam o conteúdo e tenham melhor rendimentos nas atividades. Além disso, desperta neles o interesse pelo tema em estudo e aquisição do conhecimento específico sobre drogas e violência. Apesar do Programa direcionar os métodos e orientar as técnicas de ensino através do manual do instrutor, sabe-se que se faz necessário verificar as reais 88 necessidades dos alunos, observando a realidade de cada sala de aula e proporcionar a eles uma melhor aprendizagem. Nessa perspectiva, Brasília (2005) aborda os critérios para o desenvolvimento do curso e relata: Com base nas pesquisas e teorias resumidas acima, um conjunto de critérios foi formado para orientar o desenvolvimento e a organização dos aspectos-chave deste programa educacional. Enquanto o currículo do curso tem a intenção de ser essencialmente o mesmo para todo o país, as estratégias e os materiais podem ser adaptados para o contexto cultural e social de cada escola conforme as necessidades específicas. Isto significa que os instrutores podem precisar, em certas ocasiões, selecionar materiais e atividades alternativas, assim como métodos que acreditem que sejam mais apropriados para seus alunos, desde que permaneçam coerentes com os propósitos e critérios deste projeto. (BRASÍLIA, 2005, p. 8). Esses critérios que o autor relata dá ao instrutor a liberdade para inovar suas aulas de acordo com as necessidades dos alunos para proporcionar uma melhor aprendizagem. Sabe-se que cada localidade, escola e sala de aula apresentam suas particularidades e realidades diferenciadas. Diante disso, se faz viável utilizar de várias técnicas para melhorar a qualidade do trabalho e levar aos alunos o conhecimento de forma mais prática. É nesse sentido, que será apresentado a seguir, minha experiência como Instrutor do PROERD e a metodologia utilizada em sala de aula junto as diferentes técnicas de ensino para envolver os alunos no processo de prevenção ao uso de drogas. Minha trajetória no PROERD começou no mês de maio do ano de 2004, quando, através de um processo seletivo, tive a oportunidade de fazer parte do quadro de Instrutores e em 2006 participei do curso de Mentor. Mediante uma capacitação de 80 horas aulas, fui habilitado para desenvolver as atividades do Programa em sala de aula e formação de novos policiais instrutores. Como Pedagogo, ao longo dos anos de experiência à frente do PROERD, busquei analisar da participação e comprometimento dos alunos em relação nos trabalhos. Partindo desse pressuposto, percebi a necessidade de levar para sala de aula novas técnicas com o objetivo de dá um melhor direcionamento as atividades e envolver os estudantes no processo educativo. Vale lembrar que, mesmo com essas inovações, o método e a fidelidade ao direcionamento que o Programa proporciona aos policiais foram seguidos fielmente. 89 As atividades contidas no livro do estudante apresentadas anteriormente e as técnicas propostas no manual do instrutor, em Brasília (2005), com as dinâmicas previstas, momentos de interação, qualidade nos debates para discutir o tema, momento lúdico com a canção do PROERD e os trabalhos artísticos através de teatros, geram um clima de descontração e motiva os alunos a participarem das aulas, pois foram elaborados para a faixa etária específica deles. De acordo com cada tema e atividade, a aula do PROERD é desenvolvida com várias técnicas, dentre as quais apresento a seguir aquelas que fazem parte da minha prática pedagógica como instrutor na Região do Cariri. Partindo das atividades contidas no livro do estudante, através da explanação verbal apresento o tema da aula e procuro saber o conhecimento prévio dos alunos sobre o assunto em estudo. Desse modo, evito apenas repassar o conteúdo, mas procuro partir do conhecimento prévio dos estudantes, das suas experiências de vida e do meio em que vivem. Na sequência, após discutirmos sobre o tema da lição, passo algumas atividades, as quais estão contidas no livro para resolverem em sala, dando suas opiniões utilizando o Modelo de Tomada de Decisão PROERD, com o objetivo de reforçar o aprendizado, estabelecer o pensamento crítico do aluno, além de levar a reflexão diante da discussão realizada. Para conduzir de forma satisfatória o processo instrutivo, buscando envolver os estudantes nos trabalhos, proporcionar-lhes o engajamento nas atividades, despertar o interesse pelo tema e facilitar o acesso ao conhecimento, utilizo várias técnicas que podem estabelecer um feedback significativo entre alunos e instrutor com uma comunicação clara e objetiva. As técnicas utilizadas por mim em sala de aula e os objetivos de cada uma delas, estão descritas a seguir: Dinâmicas: Momento lúdico no início da aula para descontrair os alunos e proporcionar melhor interação entre eles e o Instrutor. Aproveitando as perguntinhas da caixinha PROERD, as dinâmicas, que são variadas, são desenvolvidas a cada pergunta para que seja respondida nos cinco primeiros minutos da aula. Estudo de casos: Os casos debatidos em sala estão contidos no livro do estudante. No entanto, aproveito os relatos dos alunos sobre os casos que eles mesmos trazem como exemplos, pois trabalhando a realidade deles fica mais fácil compreender o conteúdo. 90 Os questionamentos dos casos em estudo são discutidos através do Modelo de Tomada de Decisão PROERD, com exemplos práticos e análise dos resultados diante de cada escolha que eles podem citar, para levá-los a refletir sobre a melhor decisão. Apresentação de vídeos: Os vídeos são apresentados para reforçar o conteúdo teórico discutidos em sala e mostrar a realidade diante de cada questão. Geralmente esses vídeos são desenhos que falam sobre o uso de drogas e retratam vantagens de viver de forma saudável, sem o uso delas. Atividades em grupo e individual: Após debater o tema e mostrar os vídeos, realizo atividades individuais e em grupos de acordo com o que está proposto no livro do estudante. Muitas vezes passo algo extra, como fazer relatório do vídeo que assistiram e etc. Teatros: Trabalha a criatividade e o talento dos alunos através de atividades teatrais, nas quais eles encenam situações para resistir ao uso de drogas. Essa proposta curricular está no manual do instrutor e tem como objetivo levar o aluno a ser mais participativo, interagir com outros colegas e desenvolver habilidades artísticas, como também a simular situações que podem vir a acontecer, ou seja, é uma preparação para saber lidar com os riscos e a pressão dos colegas. Mágicas contextualizadas com o tema da aula para revisão de conteúdo: O uso de mágicas é uma metodologia inovadora que tem o objetivo de direcionara atenção dos alunos para o Instrutor, e este por sua vez mostra um truque de mágica e contextualiza com o tema da aula para facilitar a compreensão do assunto. Adianto que é uma técnica bastante interessante, pois pelo tempo que venho trabalhando com mágicas em minhas aulas percebo que o efeito é positivo, porque as utilizo para revisar o conteúdo ao final de cada aula contextualizando-as com o tema abordado. Jogos pedagógicos sobre drogas: Com o objetivo de garantir que os alunos terminem o curso do PROERD conscientes do seu papel na sociedade e preparados para resistirem ao uso de drogas, elaborei alguns jogos sobre drogas para trabalhar com eles em sala e incentiva-los a serem multiplicadores do conhecimento, dividindo o aprendizado com os colegas através destes jogos. A seguir farei uma breve apresentação dos jogos com os respectivos objetivos: 91 - Dominó educativo sobre drogas: o dominó educativo foi desenvolvido com o objetivo de reforçar o aprendizado sobre o tema drogas, estimulando através de uma metodologia dinâmica e facilitadora uma aprendizagem positiva e ativa sobre o tema. - Baralho educativo sobre drogas: O baralho educativo sobre drogas foi elaborado para promover um estudo mais dinâmico sobre o tema, objetivando estimular os jovens a ler sobre o assunto. Também tem como objetivo envolver os pais no processo de prevenção, pois sabendo que alguns pais gostam de jogar baralho em casa, os estudantes levam o baralho para casa e jogam juntos. - Jogo de trilhas (DROGASFORA): foi elaborado para revisar as lições do PROERD ministradas pelo Policial Militar Instrutor ao final do curso. A missão dos jogadores é chegar a um mundo sem drogas, superando todos os obstáculos que existe na trilha e resistir sempre às ofertas de drogas. As questões podem ser elaboradas de acordo com o conteúdo ministrado. - Dama da prevenção: foi desenhada com o objetivo de despertar nos jogadores a necessidade de investir em sua própria vida, fazendo escolhas positivas e saudáveis para resistir às ofertas de drogas. Os jogos quando incluídos na educação além de trabalhar o raciocínio e a capacidade de elaborar estratégia na criança, também proporciona a obediência a determinadas regras. Falando em regras, kishimoto (2011, p. 4) diz que “a experiência de regras em todos os jogos é uma característica marcante”. A autora faz uma menção ao baralho com a época do Renascimento e diz que: O baralho adquire nessa época o estatuto de jogo educativo pelas mãos do padre franciscano, Thomas Murner. Percebendo que seus estudantes não entendem a dialética apresentada por textos espanhóis, edita uma nova dialética em imagens, sob a forma de jogo de cartas, engajando os alunos em um aprendizado mais dinâmico. (KISHIMOTO, 2011, p. 16). Quando a autora refere-se ao baralho como um jogo dinâmico, de certa forma comprova o quanto este jogo pode ajudar no entendimento do conteúdo e motiva o aluno a participar mais do processo de aprendizagem. Kishimoto (2011, p. 16) ainda relata que o jogo educativo surgiu no século XVI, sendo um suporte para as atividades didáticas e facilitando a aquisição de conhecimentos. Como função educativa, o jogo ensina qualquer coisa que complete 92 o individuo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo (CAMPAGNE, 1989 APUD KISHIMOTO 2011, p. 19). Yozo (1996, p. 13) falando sobre jogos contribui dizendo que “o lúdico representa o processo de aprendizagem e descoberta do ser humano”. Yozo (1996) ainda acrescenta: Com o jogo aprendem-se regras, limites e obtêm-se objetivos claros, de forma voluntária e prazerosa. Acredito que a habilidade e o conhecimento podem ser adquiridos de dois modos: “jogando”, isto é, enquanto participante de jogos, sendo esta a melhor forma de aprendizagem prática e, consequentemente, desenvolvendo a nossa sensopercepção e comunicação, acrescidos dos instrumentos necessários a uma aplicação adequada. (YOZO, 1996, p. 13). Pelo que traz Yogo (1996) é notório que o jogo realmente proporciona grandes inovações para a educação e, de forma lúdica e criativa, o aluno se envolve cada vez mais nas atividades escolares ao ponto que há melhor interação entre os estudantes. A título de conhecimento, os jogos pedagógicos citados estarão disponíveis nos anexos. Músicas com coreografias: Geralmente, sempre que dá tempo, ao final da aula, faço um breve ensaio da canção do PROERD com os alunos, pois a letra fala um pouco de cada tema das lições ministradas no curso. Além disso, há a coreografia que trabalha a função motora deles com a sincronia de movimentos, e constitui um momento de descontração para que a aula termine com muita alegria, gerando expectativa para o próximo encontro. Além das técnicas referenciadas anteriormente desenvolvo algumas atividades fora da sala de aula, para trabalhar com os alunos o comportamento em eventos públicos, organização, segurança ao se expor em determinado ambiente e uma visão geral das normas sociais de conduta. Vejam abaixo quais são e os objetivos: Gincanas interativas: serve para engajar os alunos em atividades de prevenção, levando-os a praticarem algumas tarefas e possibilitar a realização de algo. Disciplina de ordem unida policial militar: Proporciona trabalhar a formação coletiva e a escuta ativa para execução de movimentos uniformes. Essa técnica é uma instrução que ajuda os estudantes primeiro ouvir para depois executar o que se pede. Tais movimentos podem ser: a marcha uniforme; virar para um lado e para 93 outro; ficar numa postura corporal confortável e desenvolver habilidades para obedecer a regras, haja vista que só devem fazer tais movimentos quando solicitados. É um momento bastante participativo, pois os alunos demonstram gostar da instrução. Caminhadas da prevenção: Busca-se levar uma mensagem a comunidade sobre a necessidade de evitar o uso de drogas. As crianças, de forma organizada, sob a coordenação do instrutor e colaboradores, saem às ruas dizendo não as drogas e a violência. Desfiles cívicos: Por ser um momento de civilidade em todo o país, os alunos são agrupados de forma organizada e uniformizados para desfilar em via pública, levando a mensagem de respeito à pátria e apresentar o programa à sociedade. Para maiores detalhes, exponho na lista de anexos fotos dos eventos citados. Pelo que se observa em relação às atividades aplicadas pelo Programa, é importante acrescentar que para o PROERD, não é interessante apenas repassar o conteúdo para os alunos, pois se utiliza de uma metodologia problematizadora para facilitar a discussão e a construção do conhecimento. De acordo com Brasil (2012) a problematização é elemento central que pressupõe a leitura crítica da realidade com todas as suas contradições buscando explicações que ajudem a transformá-la. Sua ênfase é no sujeito práxico, que se transforma na ação de problematizar, possibilitando a formulação de conhecimento com base na vivência de experiências significativas como potências de transformação do contexto vivido, produzindo conhecimento e cultura. (BRASIL, 2012, p. 10). Pelo que traz esta citação de Brasil (2012) as abordagens não deve apenas ter caráter informativo, mas ser problematizada para levar o público alvo a pensar sobre o problema e saber direcionar suas decisões visando o seu bem-estar e do grupo o qual faz parte, proporcionando o diálogo e uma boa convivência. Falando sobre o diálogo e a convivência em grupo, Brasil (2012) diz o seguinte: O diálogo não torna as pessoas iguais, mas possibilita nos reconhecermos como diversos e crescermos um com o outro; pressupõe o reconhecimento da multiculturalidade e amplia nossa capacidade em perceber, potencializar e conviver na diversidade. (BRASIL, 2012, p. 15). 94 Portanto, o autor mostra através de suas palavras que aconstrução do conhecimento deve ser de forma coletiva, ou seja, com a participação de todos para que haja melhores resultados. 3.4. O POLICIAL MILITAR INSTRUTOR DO PROERD COMO FACILITADOR De acordo com o manual do facilitador, descrito por Brasília (2005) o Policial Instrutor deve atuar em sala de aula como mediador das discussões e, diante disso, relata o seguinte: O currículo atualizado do Proerd traz como diferencial o novo papel do Instrutor que passa agora a ser um ”facilitador” da construção coletiva do conhecimento, um “mediador” da aprendizagem, indo assim, ao encontro das mais atuais teorias pedagógicas. Na metodologia proposta pelo Proerd, o Instrutor faz a mediação das discussões dos grupos, corrigindo equívocos com novos questionamentos aos alunos, buscando que eles, em interação com seus pares, encontrem a solução. Cabe ao Instrutor instigar, estimular os alunos para construírem juntos, um novo conhecimento, valorizando e colocando em primeiro plano as discussões dos alunos nas atividades realizadas nas equipes. (BRASÍLIA, 2005, p. 5). Em relação a essa nova postura do Policial Instrutor do PROERD em sala de aula, acredita-se que trará melhores resultados na discussão com os alunos referentes ao tema da aula, pois proporciona melhor interação entre os estudantes e os envolvem cada vez mais no debate. Sendo o Instrutor um mediador, passa a coordenar a discussão direcionando aos alunos perguntas que possam facilitar-lhes o posicionamento para a construção do conhecimento coletivo. Brasília (2005) caracterizando o papel do facilitador, relata o seguinte: O facilitador é a pessoa que ajuda um grupo a alcançar um determinado propósito, tal como aprender um conceito ou um objetivo, demonstrando habilidade, avaliando necessidades, examinando questões, fazendo planos ou chegando a decisões. É tarefa do facilitador extrair dos membros do grupo o fundamental da aula e tornar o trabalho mais fácil. Facilitar significa tornar menos difícil. Um bom facilitador desenvolve a capacidade de escutar a si próprio e, ao mesmo tempo, escutar quando a palavra é dada aos outros. O facilitador deve estar disposto a abrir mão de um pouco de seu poder, a confiar no processo e a ter certeza no fato de que os participantes podem dar continuidade ao trabalho com sucesso sem terem que ser gerenciados a cada passo. O facilitador eficiente usa as habilidades que forem necessárias para ajudar o grupo a alcançar o objetivo da aula. O objetivo é claramente exposto no início e se torna a força motriz da aula. (BRASÍLIA, 2005, p. 7). 95 Dentre as qualificações que se coloca para o facilitador, acredita-se que, agindo dessa forma, fica mais fácil a aquisição do conhecimento, pois os alunos são estimulados a participarem da aula, podendo despertar neles a motivação para estarem cada vez mais presentes. Pela minha experiência como Instrutor desde o ano de 2004, vejo que isto é fato, porque agindo dessa forma percebo o quanto os alunos se envolvem com os trabalhos do Programa e percebe-se a expectativa e a satisfação deles em estar participando do curso. Os resultados da pesquisa, com alunos que participarão do PROERD, serão apresentados a seguir e mostrarão com propriedade meu posicionamento referente à satisfação deles em participar do Programa. Para que o Policial Instrutor do PROERD seja um bom facilitador e desenvolva com eficiência a missão de levar, discutir e construir com os alunos o conhecimento necessário para permanecerem longe de drogas necessita adquirir algumas habilidades essenciais, as quais estão descritas abaixo por Brasília (2005). Mantêm um clima propício à participação, a escuta, entendimento, aprendizagem e criatividade; Escutam ativamente; Ajudam o grupo a estabelecer e cumprir os seus próprios objetivos; Oferecem estrutura e orientação para aumentar a probabilidade de que os objetivos serão cumpridos; Mantêm o grupo concentrado em seus objetivos; Incentivam o diálogo e a interação entre os participantes; Sugerem e direcionam processos que dão autonomia e mobilizam o grupo a realizar o trabalho; Tiram proveito das diferenças entre os membros do grupo em prol do bem- comum de todo o grupo; Permanecem neutros com relação ao conteúdo e ativos na sugestão e direcionamento do processo; Protegem os membros do grupo e suas ideias para que não sejam atacadas ou ignoradas; Usam habilidades de facilitação para lançar mão da bagagem de conhecimento, experiência e criatividade do grupo; Selecionam, organizam e resumem as contribuições do grupo ou fazem com que o grupo o faça; Ajudam o grupo a chegar a um consenso saudável, a definir e comprometer-se com os próximos passos e a chegarem a uma conclusão em tempo hábil. (BRASÍLIA, 2005, p. 8). Diante do que traz Brasília (2005) ao abordar as habilidades do facilitador, torna-se previamente necessário que o Policial Instrutor seja capacitado para exercer tal didática em sala de aula, pois assim poderá trabalhar de forma objetiva e participativa com os estudantes. Portanto, pelo que já fora abordado sobre o tema facilitação, tem-se como resultado que é uma técnica que pode trazer melhores resultados nas discussões. Nessa perspectiva, ao comportar-se como facilitador em sala de aula, o Policial desenvolve um trabalho qualitativo e significativo para a aprendizagem dos 96 estudantes, além de proporcionar-lhes a oportunidade de construir o conhecimento necessário para evitar a procura e resistir às ofertas de drogas. 97 CAPÍTULO 4 - MARCO METODOLÓGICO A pesquisa faz referência ao Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) e caracteriza-se pela importância do conhecimento e aferição ao desenvolvimento do Programa. Utilizou-se o método quantitativo com levantamento de dados para uma avaliação qualitativa visando conhecer a didática aplicada pelos Policiais Instrutores do PROERD em sala de aula na prevenção às drogas e o efeito que o curso tem na vida dos estudantes. Para Gil (2002), esse tipo de pesquisa se dá pela solicitação de informações a um grupo de pessoas acerca do problema estudado para obtenção das conclusões correspondentes aos dados coletados. 4.1. INFORMAÇÕES GERAIS SOBRE O CAMPO O levantamento de dados para a análise foi realizada em Escolas do Ensino Fundamental nos municípios de Altaneira (E.E.F. 18 de dezembro), Aurora (E.E.F. Romão Sabiá), Barbalha (E.E.F. Josefa Alves), Caririaçu (E.E.F. Arara Azul), Crato (Colégio Municipal Pedro Felício) e Juazeiro do Norte (Colégio Mundo Mágico). Todos estes municípios pertencem a Região do Cariri, sendo que alguns se destacam por fazer parte da subdivisão denominada como Região Metropolitana do Cariri (RMC), criada a partir de uma necessidade econômica, através de Lei Complementar Estadual nº 78 sancionada em 29 de junho de 2009, publicado no diário oficial do Estado do Ceará, com a inclusão de outros municípios (CEARÁ, 2014). De acordo com Ceará (2009) a Região Metropolitana do Cariri está localizada no Estado do Ceará sendo composta por 09 (nove) municípios, Juazeiro do Norte, Barbalha, Crato, Caririaçu, Missão Velha, Farias Brito, Nova Olinda, Santana do Cariri e Jardim. A figura abaixo mostra alguns dados estatísticos dos municípios que estão situados na Região Metropolitana do Cariri: Figura 07: Quadro estatístico dos municípios que compõe a RMC. http://pt.wikipedia.org/wiki/29_de_junho http://pt.wikipedia.org/wiki/2009 98 . FONTE: Sistema de Informações Territoriais – SIT Disponível: http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Cariri. As características da Região Metropolitana do Cariri apresentadas anteriormente mostra que essa é uma regiãodesenvolvida, pois com uma renda per capta de mais de 07 (sete) milhões está em um grau de desenvolvimento favorável ao crescimento. Para mostrar a localização e abrangência da RMC apresenta-se como anexo mapa da região. 4.2. POPULAÇÃO E AMOSTRA DA PESQUISA O público alvo entrevistado na pesquisa foram alunos cursando o 6º (sexto), 7º (sétimo), 8º (oitavo) e 9º (nono) anos do Ensino Fundamental, dentre os quais 229 frequentaram ativamente o curso do PROERD, quando cursavam o 5º (quinto) ano. Um grupo controle foi criado com alunos da mesma faixa etária que não participaram do PROERD, totalizando uma amostra de 164 estudantes. Desse Município Área (km²) I DH População 1º jul 2014 PIB 2011(R$) PIB per capita 2011(R$) Barbalha 569,508 ,683 58.347 499. 981, 000 8.934,61 Caririaçu 623,564 ,578 26.840 107. 559, 000 4.069,12 Crato 1.176,467 ,713 127.657 1. 022, 157, 000 8.329,39 Farias Brito 503,622 ,633 18.937 83. 741, 000 4.423,24 Jardim 552,424 ,614 27.069 107. 518, 000 4.025,39 Juazeiro do Norte 248,832 ,694 263.704 2. 249, 645, 000 8.897,47 Missão Velha 645,703 ,622 35.150 171. 811, 000 4.993,93 Nova Olinda 284,401 ,625 15.048 74. 981, 000 5.198,33 Santana do Cariri 855,563 ,612 17.457 87. 217, 000 5.072,22 TOTAL 5.460,084 ,642 590.209 R$ 4.404.610.000 R$ 7.732,59 http://pt.wikipedia.org/wiki/Regi%C3%A3o_Metropolitana_do_Cariri http://pt.wikipedia.org/wiki/Barbalha http://pt.wikipedia.org/wiki/Cariria%C3%A7u http://pt.wikipedia.org/wiki/Crato http://pt.wikipedia.org/wiki/Farias_Brito http://pt.wikipedia.org/wiki/Jardim_(Cear%C3%A1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Juazeiro_do_Norte http://pt.wikipedia.org/wiki/Juazeiro_do_Norte http://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%A3o_Velha http://pt.wikipedia.org/wiki/Miss%C3%A3o_Velha http://pt.wikipedia.org/wiki/Nova_Olinda_(Cear%C3%A1) http://pt.wikipedia.org/wiki/Santana_do_Cariri http://pt.wikipedia.org/wiki/Santana_do_Cariri 99 modo, o total geral da amostra foi de 393 estudantes da rede pública e particular de ensino, conforme está distribuído no quadro a baixo: Figura 08: Resumo geral da aplicação do questionário. . A amostra foi por quotas, pois é um tipo de amostragem que representa proporcionalmente parte da população em estudo para investigação. Assim, os dados serão comparados e posteriormente verificados de acordo com os objetivos pretendidos. Segundo Dalfovo (2008, p. 4) “a população de uma pesquisa é como um conjunto que se pretende estudar e o indivíduo uma peça deste conjunto”. Apesar ainda de alguns autores classificarem amostra também como população, a amostra tem como corpo uma fração da população delineada na pesquisa. É por esse motivo que a pesquisa foi delineada para estudantes do PROERD, visando com isso, transmitir um panorama acerca dos trabalhos desenvolvido pelos Policiais Instrutores. Para tanto, a coleta de dados consistiu em analisar o quanto a amostra de estudantes avaliaram a atuação do Programa, após as instruções repassadas pelos Policiais Militares Instrutores e o quanto o PROERD influenciou na decisão de MUNICÍPIOS ESCOLAS SÉRIES ALUNOS PARTICIPOU DO PROERD NÃO PARTICIPOU DO PROERD (grupo controle) Altaneira E.E.F. 18 de dezembro 6º 7º 8º 9º (anos) 60 ----- Aurora E.E.F. Romão Sabiá 49 ----- Barbalha E.E.F. Josefa Alves ------ 65 Caririaçu E.E.F. Arara Azul 60 ----- Crato Colégio Municipal Pedro Felício ------ 99 Juazeiro do Norte Colégio Mundo Mágico 60 ------ 06 Municípios 06 Escolas 04 Séries 229 Alunos 164 Alunos 100 resistir ao uso de drogas. Isso será possível quando compararmos as respostas dos estudantes participantes e não participantes do curso em relação ao uso. É, portanto, pelo fato de verificar a atuação do Programa mediante uma didática facilitadora no trabalho preventivo, realizado nas unidades escolares, que a pesquisa teve como amostra principal estudantes que já foram atendidos pelo programa e estudantes que nunca participaram dele. 4.3. DESEMPENHO DA PESQUISA Visando à veracidade da entrevista, visitou-se o habitat dos entrevistados, ou seja, a escola, para garantir que os participantes fossem realmente a amostra fidedigna referente à comprovação dos fatos que se investigou na pesquisa. Para Gatti (2004, p. 14) a análise de dados quantitativos constitui-se em um trabalho que propicia “a informação que não pode ser diretamente visualizada a partir de uma massa de dados, poderá sê-lo se tais dados sofrerem algum tipo de transformação que permita uma observação de outro ponto de vista”. É nessa perspectiva que os dados colhidos durante a entrevista foram transformados em dados estatísticos para permitir a visualização geral dos fatos, os quais objetivaram a pesquisa. Gil (2002) visando esclarecer um pouco mais sobre esse tipo de pesquisa faz uma comparação entre o levantamento e o estudo de campo: O estudo de campo apresenta algumas vantagens em relação principalmente aos levantamentos. Como são desenvolvidos no próprio local em que ocorrem os fenômenos, seus resultados costumam ser mais fidedigno. Como não requer equipamentos especiais para a coleta de dados, tende a ser mais econômico. E como o pesquisador apresenta nível maior de participação, torna-se maior a probabilidade de os sujeitos oferecerem respostas mais confiáveis. (GIL, 2002, p. 53). Em relação à fidelidade dos dados obtidos, Gatti (2004) e Gil (2002) concluem que a pesquisa com base em métodos quantitativos pode facilitar a obtenção de resultados pela forma participativa como é conduzida. É nesse pensamento que se pode acreditar que a pesquisa realizada no campo traz maior segurança, pois para se chegar aos dados apresentados posteriormente, buscou-se, diretamente o contato com a amostra. 101 Campos (2014), em seu discurso, diz que os resultados da pesquisa devem, sempre que possível, ser analisados e expostos em gráfico e tabela para melhor esclarecimento dos leitores. Foi nesse sentido que tal método foi utilizado, e, com a finalidade de tornar a pesquisa clara e objetiva, tais resultados serão apresentados posteriormente. Xavier (2012), ao abordar a questão do planejamento de ações numa pesquisa, vem contribuir relatando que o pesquisador deve organizar o tempo de acordo com as atividades propostas em sua linha de pesquisa. Pelo que traz o autor, concluo dizendo que as atividades foram elaboradas e desenvolvidas levando em consideração a disponibilidade, a livre participação e os fatores socioambientais do público entrevistado. 4.4. INSTRUMENTO DE ANÁLISE DA PESQUISA O instrumento de análise para a pesquisa foi o PROERD, por atender crianças e adolescentes na prevenção às drogas na própria escola. O Programa é constituído de um trabalho de resistência ao uso de drogas para levar às crianças uma reflexão crítica acerca do tema e, com isso, manter-se longe dessas substâncias. Partindo da experiência do autor e visando possibilitar uma melhor compreensão sobre o Programa, os trabalhos foram desenvolvidos com a finalidade de mostrar a didática utilizada nas aulas pelo Policial Instrutor e verificar o quanto o programa está sendo significativo na vida dos que participam do curso. Com uma variedade de técnicas pedagógicas que permitem aos alunos interagir com o facilitador, ao mesmo tempo em que os estimulam a participar dos debates, busca-se estabelecer um melhor desempenho nas ações de prevenção através do programa em estudo. 5.5. PROCEDIMENTOS PARA A COLETA DE DADOS Com o objetivo de proporcionar a veracidade da pesquisa, os equipamentos para coleta e análise dos dados foram pré-organizados de acordo com o referencial teórico para que os resultados estejam em consonância com o que realmente se quer alcançar em termos de atuaçãodo Programa em destaque. 102 Inicialmente cogitou-se a possibilidade de que o PROERD teria grande influência na vida dos estudantes para que eles permanecessem longe de drogas. A partir dessa hipótese, buscou-se verificar a veracidade dessa informação. Para tanto, observou-se o campo de atuação para ver a possibilidade de realizar as entrevistas necessárias, mediante questionário que comtemplasse os objetivos da pesquisa e chegar a um resultado. Como análise do campo, acreditou-se que este deveria abranger grande parte da região do cariri, pois o PROERD tem atuação em quase todos os municípios. Na sequência, foram programadas visitas de acordo com a ordem a seguir, em escolas, para entrevistar alunos que participaram do Programa: Colégio Mundo Mágico (Juazeiro do Norte); E.E.F. 18 de dezembro (Altaneira); E.E.F. Arara Azul (Caririaçu); E.E.F. Romão Sabiá (Aurora). Logo após, para ser o grupo controle, foram entrevistados nas escolas alunos que não tiveram a oportunidade de participar do PROERD: E.E.F. Josefa Alves (Barbalha) e o Colégio Municipal Pedro Felício (Crato). Para coletar os dados e efetivar a pesquisa, utilizou-se questionário com questões fechadas para respostas práticas e objetivas, avaliado e aprovado por especialistas antes de sua aplicação. Com o objetivo de chegar aos resultados propostos, o instrumento foi aplicado mediante apresentação de Termo de Consentimento Livre e Esclarecido aos Diretores, bem como assinatura de Termo de Consentimento Pós-Esclarecido. O questionário foi distribuído por sessões, de acordo com os temas abaixo: Tema 1: Questões sociais e familiares dos estudantes; Tema 2: Relação dos alunos com a escola em que estuda; Tema 3: Autoavaliação dos temas das aulas do PROERD; Tema 4: Avaliação do Policial Instrutor; Tema 5: Avaliação do curso; Tema 6: Uso de substâncias químicas, para estabelecer um comparativo entre os que participaram e não participaram do Programa. Quivy e Campenhoudt (1995) abordam as etapas do procedimento para iniciar uma pesquisa e mostra na figura a seguir: 103 Figura 06: Etapas do procedimento para iniciar uma pesquisa. FONTE: Manual de investigação em ciências Sociais (QUIVY, CAMPENHOUDT, 1995, p. 14) As etapas apresentadas pelos autores representam o caminho inicial de uma pesquisa. Este planejamento leva o pesquisador a um direcionamento prático e linear para alcançar os objetivos pretendidos. 5.6. TÉCNICAS E ANÁLISE DE DADOS Os dados coletados através do questionário foram digitados no programa Microsoft Office Excel e transformados em dados estatísticos pelo Programa Stata (11.0) Analysis and satatical Software. Copyright 1996–2015 StataCorp LP, o qual serviu para organizar e mostrar dados quantitativos. Logo após submeteu-se à confecção de figuras e gráficos para ilustrar os resultados. Para Pocinho (2014, p. 7) “ao verificar a provável (probabilidades) verdade de uma hipótese, a Estatística estabelece o nível de erro ao aceitar ou rejeitar uma hipótese”. Para a autora, a Estatística é um dos mais poderosos instrumentos na 104 busca da verdade científica, e o principal instrumento para generalizar conclusões da parte para o todo (POCINHO, 2014, p. 7). Nesse sentido, o programa estatístico utilizado nesta pesquisa destaca-se pela capacidade de transformar dados para análise estatística. Partindo deste pressuposto, mediante a apuração dos dados estatísticos, interpretou-se cada dado, para, depois, compará-los entre si, buscando verificar se os resultados apresentados assemelham-se às hipóteses levantadas em relação ao Programa do PROERD. Nessa perspectiva, apresentam-se a seguir os resultados para maiores esclarecimentos. 105 4. RESULTADOS E DISCUSSÃO A pesquisa teve como fonte de investigação alunos que participaram do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), para avaliar o quanto o Programa contribuiu para qualidade de vida dos estudantes entrevistados. Para tanto, foi feito uma análise do perfil da vida familiar e escolar de cada um para averiguar a situação relacional e saber se houve influência na participação e interesse pelas aulas do PROERD. Os alunos que participaram das instruções tiveram a oportunidade de avaliar o Policial Instrutor e o curso. No entanto, em relação ao uso de drogas, buscou-se comparar dados dos que participaram e também de outros jovens que não tiveram a oportunidade de participar do PROERD. Esse fato se deu através de um grupo controle, pois desse modo os resultados obtidos podem ser comparados e validados. Para chegar aos resultados que serão apresentados posteriormente, o público entrevistado foi selecionado de forma estratégica, de modo que fosse possível colher a amostra abrangendo a grande parte da região, a qual tem cerca de 80% dos municípios atendidos pelo Programa do PROERD. Os objetivos propostos no início desse trabalho sobre apresentar a didática aplicada pelos Policiais Militares Instrutores da Região do Cariri/Ce foram realizados e avaliados pelos estudantes que puderam mostrar o nível de satisfação referente à abordagem e técnicas utilizadas pelos Policias facilitadores. Além disso, a contribuição do PROERD na redução da vulnerabilidade e fortalecimento dos fatores de proteção dos alunos pôde ser avaliada e mostrada através de dados comprobatórios, diante da aplicação do instrumento de pesquisa. Nessa perspectiva, por esse modelo investigativo, pode-se confirmar que as hipóteses e os objetivos pretendidos nessa investigação foram alcançados, pois a partir das tabelas e gráficos a seguir, a descrição dos resultados e os números obtidos retratam a realidade do PROERD na região. As tabelas estão divididas por temas, e à medida que são apresentados os gráficos correspondentes a cada uma delas, mostram detalhadamente, através de cada tema, os reais resultados da pesquisa. Seguem então, a seguir, as tabelas e os gráficos que correspondem aos resultados da pesquisa: 106 Tabela 7- Relação familiar Variável Grupo Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total Relação afetiva com os pais Excelente 32.03 50.66 43.16 Ótimo 31.37 21.15 25.26 Bom 28.10 20.26 23.42 Regular 5.88 6.61 6.32 Ruim 2.61 1.32 1.84 O diálogo com seus pais Excelente 19.35 22.12 21.00 Ótimo 26.45 36.73 32.55 Bom 28.39 27.88 28.08 Regular 22.58 10.18 15.22 Ruim 3.23 3.10 3.15 A participação dos Excelente 31.17 41.26 37.14 Ótimo 19.48 25.11 22.81 pais no Bom 25.32 20.18 22.28 acompanhamento Regular 16.88 9.87 12.73 Escolar Ruim 7.14 3.59 5.04 Mora com o Pai Não 40.24 37.12 38.42 Sim 59.76 62.88 61.58 Mora com a Mãe Não 14.63 10.92 12.47 Sim 85.37 89.08 87.53 Mora com o Pai e Mãe Não 16,36 12,58 14,13 Sim 83,64 87,42 85,87 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Esta tabela descreve, inicialmente, a relação familiar dos estudantes, enfatizando a participação dos pais na convivência em família e na educação dos filhos. Os gráficos que correspondem a essa investigação fazem uma subdivisão, com dados específicos dos temas contidos na tabela, destacando, em cada gráfico, os valores de maior referência de forma comparativa. Gráfico 15 - Relação afetiva com os pais FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 32,03 31,37 28,1 5,88 2,61 50,66 21,15 20,26 6,61 1,32 43,16 25,26 23,42 6,32 1,84 0 10 20 30 40 50 60 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total % 107 O gráfico mostra a relação afetiva dos alunos com os pais. Numa escala que vai de excelente, ótimo, bom, regular e ruim, aquelesque participaram do Proerd superou com 50,66%, enquanto os que não tiveram instruções no programa corresponderam a 32,03%. Nessa classificação, desconsideram-se o regular e o ruim, pois tiveram dados insignificantes. Gráfico 16 - O diálogo com seus pais FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Ao abordar o diálogo com os pais, percebe-se que a maior avaliação foi a variável correspondente ao ótimo. Para tanto, os que participaram do Proerd tiveram maior índice de avaliação com 36,73% e quem não participou com 26,45%. Gráfico 17 - A participação dos pais no acompanhamento escolar FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 19,35 26,45 28,39 22,58 3,23 22,12 36,73 27,88 10,18 3,1 21 32,55 28,08 15,22 3,15 0 10 20 30 40 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total % 31,17 19,48 25,32 16,88 7,14 41,26 25,11 20,18 9,87 3,59 37,14 22,81 22,28 12,73 5,04 0 10 20 30 40 50 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total % 108 Quanto ao acompanhamento escolar, a variável excelente foi a que teve maior avaliação dos alunos, pois para quem participou do Proerd a porcentagem foi de 41,26% e para quem não participou 31,17%. Gráfico 18 - Percentual de entrevistados que mora com o pai FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Na questão da moradia, relataram morar com o pai 62,88% dos alunos que foram do Proerd e 59,76% para os que não estiveram no Proerd. Gráfico 19 - Percentual de entrevistados que moram com a Mãe FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 40,24 37,12 38,42 59,76 62,88 61,58 0 20 40 60 80 100 120 Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total % Não Sim 14,63 10,92 12,47 85,37 89,08 87,53 0% 10% 20% 30% 40% 50% 60% 70% 80% 90% 100% Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total % Não Sim 109 Em relação à moradia com a mãe, disseram morar com a mãe 89,08% dos alunos que foram do Proerd e 85,37% para os que não estiveram no Proerd. Gráfico 20 - Percentual de entrevistados que moram com Pai e Mãe FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Quanto a morar com o pai e a mãe, foram 87,42% dos alunos que fizeram Proerd e 83,64% para os que não participaram. Tabela 8 - Uso de drogas pelo grupo familiar Variável Grupo Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total Alguém de sua casa faz uso de bebidas alcoólicas? Raramente 19.02 18.94 18.97 De vez em quando 38.65 35.68 36.92 Com frequência 6.13 8.37 7.44 Não faz uso 36.20 37.00 36.67 Alguém de sua casa faz uso de cigarros? Raramente 7.41 6.61 6.94 De vez em quando 14.81 10.57 12.34 Com frequência 21.60 18.94 20.05 Não faz uso 56.17 63.88 60.67 Alguém de sua casa faz uso de substâncias ilícitas? Raramente 0.63 0.00 0.26 De vez em quando 2.50 0.44 1.29 Com frequência 1.88 0.00 0.78 Não faz uso 95.00 99.56 97.67 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Os dados contidos na tabela 2 retratam a questão de uso de drogas pelo grupo familiar, com a finalidade de se observar o quanto os alunos estão expostos 16,36 12,58 14,13 83,64 87,42 85,87 0% 20% 40% 60% 80% 100% Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total % Não Sim 110 às drogas, sejam elas lícitas ou ilícitas. A seguir os gráficos deste tema estarão subdivididos por tipo de drogas. Gráfico 21 - Percentual de famílias com casos de bebidas alcoólicas FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Em relação ao uso de bebidas alcoólicas pelo grupo familiar dos alunos, destacam-se as variáveis: raramente; de vez em quando; com frequência; não faz uso. Como resultados, percebe-se no gráfico que aqueles não participantes do Proerd tiveram como maior índice 38,65% para a variável de vez em quando. Quanto aos que já foram do Proerd o maior índice foi não faz uso, com 37%. Portanto, há maior probabilidade de que os alunos que participaram do Proerd atuem como multiplicadores contra o uso de drogas no seio familiar. Gráfico 22 - Percentual de famílias com casos de uso de cigarros FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 19,02 18,94 18,97 38,65 35,68 36,92 6,13 8,37 7,44 36,2 37 36,67 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) Raramente De vez em quando Com frequência Não faz uso 7,41 6,61 6,94 14,81 10,57 12,34 21,6 18,94 20,05 56,17 63,88 60,67 0 10 20 30 40 50 60 70 Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) Raramente De vez em quando Com frequência Não faz uso 111 No caso do uso de cigarros pela família dos alunos, utilizando as mesmas variáveis: raramente; de vez em quando; com frequência; não faz uso, os resultados mostram que a variável não faz uso superou todas as outras, destacando um percentual de 63,88 para os familiares daqueles que participaram do Proerd e 56,17 para o grupo familiar de quem não foi do Proerd. Gráfico 23 - Percentual de famílias com casos de uso de substâncias ilícitas FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa No uso de drogas ilícitas por parte do grupo familiar dos alunos, destaca-se a variável não faz uso com 99,56% para os familiares dos que foram do Proerd e 95% para a família dos alunos que não participaram do curso Proerd. As demais variáveis: raramente; de vez em quando; com frequência, foram desconsideradas, por não apresentarem dados significativos. Pelos dados que foram apresentados até o momento sobre a relação familiar, participação no acompanhamento escolar e quanto ao uso de drogas lícitas e ilícitas entre os familiares dos alunos, percebe-se que, para os estudantes que participaram do Proerd, os números são avaliados com maior índice de positividade do que para os alunos não participantes do curso. Diante disso, conclui-se existir uma relação positiva desse grupo de alunos com seus pais, haja vista que são orientados pelo Policial Militar Instrutor do Proerd para atuarem como multiplicadores na prevenção às drogas. Assim, pode-se constatar a importância do curso do Proerd na relação familiar. 2,5 0,44 1,29 1,88 0 0,78 95 99,56 97,67 0 20 40 60 80 100 120 Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) Raramente De vez em quando Com frequência Não faz uso 112 Tabela 9 - Relação do aluno entrevistado com a escola Variável Grupo Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total Avaliação da escola que estuda Excelente 23.72 21.15 22.19 Ótimo 23.72 30.84 27.94 Bom 35.26 32.16 33.42 Regular 14.10 14.54 14.36 Ruim 3.21 1.32 2.09 Interesse pelos estudos Excelente 19.35 37.89 30.37 Ótimo 27.10 32.16 30.10 Bom 40.65 22.91 30.10 Regular 9.03 6.17 7.33 Ruim 3.87 0.88 2.09 Excelente 43.23 62.56 54.71 Frequência nas aulas Ótimo 24.52 18.94 21.20 Bom 23.87 14.54 18.32 Regular 6.45 3.08 4.45 Ruim 1.94 0.88 1.31 Participação nas atividades em sala de aula Excelente 25.64 40.09 34.20 Ótimo 21.15 27.75 25.07 Bom 28.85 18.06 22.45 Regular 19.23 13.22 15.67 Ruim 5.13 0.88 2.61 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa A tabela 3 apresenta os dados da investigação sobre a relação dos alunos entrevistados com a escola em que estudam atualmente. Esse tema tem o objetivo de mostrar o quanto os estudantes se interessam pelos estudos, podendo ser este um fato importante para explicar a participação deles no curso do Proerd. Os resultados serão abordados nos gráficos a seguir, os quais estão subdivididos entre os tópicos destacados na tabela.Gráfico 24 - Avaliação da escola em que estudam FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 23,72 23,72 35,26 14,1 3,21 21,15 30,84 32,16 14,54 1,32 22,19 27,94 33,42 14,36 2,09 0 10 20 30 40 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) 113 Avaliando a escola em que estudam, os alunos puderam expressar sua opinião sobre sua satisfação pelo ambiente escolar a que pertencem. As variáveis para esse tema foram: excelente; ótimo; bom; regular; ruim. As opções: excelente, ótimo e bom destaca-se com maior índice de avaliação. No entanto, tem-se maior ênfase na variável bom com 35,26% para os que não participaram do Proerd e 32,16% para aqueles que tiveram instruções no curso do Proerd. As variáveis: regular e ruim foram desconsideradas por não apresentarem dados significativos. Gráfico 25 - Avaliação do interesse pelos estudos FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Sobre a avaliação do interesse pelos estudos, utilizando as mesmas variáveis do gráfico anterior, houve maior relevância para alunos não participantes do Proerd na variável bom com 40,65% e, para os estudantes com instruções através do programa o índice foi de 37,89 para a variável excelente. Gráfico 26 - Avaliação da frequência nas aulas FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 19,35 27,1 40,65 9,03 3,87 37,89 32,16 22,91 6,17 0,88 30,37 30,1 30,1 7,33 2,09 0 10 20 30 40 50 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) 43,23 24,52 23,87 6,45 1,94 62,56 18,94 14,54 3,08 0,88 54,71 21,2 18,32 4,45 1,31 0 20 40 60 80 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) 114 Ao investigar a frequência no ensino regular na escola em que o aluno estuda, percebe-se que houve significativa diferença entre as variáveis. Aqueles alunos que não participaram do Proerd avaliaram sua participação como excelente com 43,23%. Sobre os estudantes que foram instruídos pelo Programa, os dados foram de 62,56%, os quais também consideram excelente sua frequência escolar. Vale ressaltar nesse ponto que, em dia de aulas do Proerd, há poucas faltas nas salas de aula, motivo pelo qual a pesquisa traz esse diferencial. Gráfico 27 - Avaliação da participação nas atividades em sala de aula FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Quanto à participação nas atividades em sala de aula, os dados foram bem distribuídos entre as variáveis, e no gráfico observa-se um percentual preocupante de 5,13% para a variável ruim. As outras variáveis mostraram a satisfação dos alunos pelas atividades de sala de aula. 40,09% dos alunos que participaram do Proerd consideram excelente sua participação nas atividades, enquanto para os que não participaram do curso Proerd, a porcentagem é de 28,85% na variável bom. Concluindo, percebe-se que alunos do Proerd são bastante participativos nas aulas, fato este comprovado por mim, como está descrito no capítulo que fala da minha experiência como Instrutor do Proerd. Portanto, o professor que estimular os alunos a participarem das aulas pode melhorar ainda mais a participação dos alunos no processo educativo. 25,64 21,15 28,85 19,23 5,13 40,09 27,75 18,06 13,22 0,88 34,2 25,07 22,45 15,67 2,61 0 5 10 15 20 25 30 35 40 45 Excelente Ótimo Bom Regular Ruim Não Participante do Proerd (%) Participante do Proerd (%) Total (%) 115 Tabela 10 - Avaliação do policial instrutor do Proerd Variável Grupo Participante do Proerd (%) Relação do aluno com o Policial Instrutor em sala de aula Excelente 55.56 Ótimo 23.56 Bom 18.22 Regular 2.22 Ruim 0.44 Técnicas utilizadas Policial Instrutor em sala de aula Excelente 47.14 Ótimo 23.79 Bom 21.59 Regular 7.49 Ruim 0.00 Excelente 54.19 A organização do Policial nos trabalhos em sala de aula Ótimo 24.67 Bom 14.54 Regular 4.85 Ruim 1.76 Comunicação do Policial com os alunos em sala Excelente 56.89 Ótimo 23.11 Bom 16.00 Regular 1.33 Ruim 2.67 Relação afetiva do Policial com os alunos Excelente 51.11 Ótimo 25.78 Bom 17.33 Regular 4.00 Ruim 1.78 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Esta tabela apresenta uma avaliação sobre o Policial Instrutor do Proerd. Abordam-se aqui questões como a relação do Policial com os alunos, as técnicas usadas para ministrar as aulas, a organização do Instrutor com o material, a comunicação entre ele e alunos e a afetividade. Os gráficos a seguir, os quais estão subdivididos por questões, vêm detalhar o passo a passo dessa avaliação e busca informar o quanto os alunos se relacionam com o Policial em sala de aula, ao mesmo tempo em que o Instrutor busca levar novas técnicas para favorecer o desenvolvimento das aulas. 116 Gráfico 28 - Relação do aluno com o Policial Instrutor em sala de aula FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Quando verificada a relação do aluno com o Policial Instrutor, usando as variáveis: excelente; ótimo; bom; regular; ruim, observa-se nos dados contidos no gráfico, que a maioria dos estudantes considera esta relação excelente, com 56% de aprovação. Assim, este percentual supera todas as demais variáveis, tornando positiva a relação entre ambos. Gráfico 29 - Técnicas utilizadas pelo Policial Instrutor em sala de aula FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 56% 24% 18% 2% 0% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 47% 24% 22% 7% 0% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 117 Quanto às técnicas que o Policial utiliza em sala de aula para debater com os alunos o conteúdo das lições Proerd, percebe-se que estas são avaliadas de forma positiva pelos alunos. Utilizando as mesmas variáveis, o maior percentual foi a variável excelente com 47%. Desse modo, Gráfico 30 - A organização do Policial nos trabalhos em sala de aula FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa A organização do Policial nos trabalhos em sala de aula é de fundamental importância para a condução do processo preventivo, pois dela depende que os alunos acompanhem de forma sequenciada o conteúdo e passe a interagir com o Instrutor. Diante disso, ao investigar se essa realidade é reconhecida pelos alunos, procurou-se saber o quanto eles acham o Policial organizado. Como resposta, a avaliação na variável excelente superou todas as outras, totalizando 54%. Em conclusão a esta informação, mostra-se que os dados apresentados pelos alunos confirmam que o Instrutor do Proerd é organizado em seus trabalhos na educação preventiva. Fato este que o torna um educador compromissado e preparado. 54% 25% 14% 5% 2% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 118 Gráfico 31 - Comunicação do Policial com os alunos em sala FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa O processo de comunicação entre Instrutor e aluno deve ser claro e objetivo para facilitar a compreensão do conteúdo. Nessa avaliação, através das variáveis propostas, o percentual foi de 57% excelente. Portando, comprova-se que existe uma comunicação favorável à aquisição do conhecimento entre Policial e alunos. Gráfico 32 - Relação afetiva do Policial com os alunos FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 57% 23% 16% 1% 3% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 51% 26% 17% 4% 2% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 119 Para que os alunos confiem nas instruções repassadas pelo Policial do Proerd, é necessário que haja uma relação de respeito e afetividade entre eles, pois, deste modo, haverá melhor interação nosdebates. Ao avaliar essa relação afetiva no tratamento do Policial com os alunos, a maioria deles disse ser excelente, totalizando um percentual de 51%. As demais variáveis foram descritas, mas não superam esse valor, que é dobrado diante das outras. Tabela 11- Avaliação do curso Proerd Variável Grupo Participante do Proerd (%) Interesse pelas aulas do Proerd Excelente 58.04 Ótimo 28.57 Bom 11.61 Regular 1.34 Ruim 0.45 Contribuição do curso Proerd para sua vida pessoal Excelente 52.44 Ótimo 28.89 Bom 16.44 Regular 1.33 Ruim 0.89 Excelente 44.64 Contribuição do curso Proerd na relação com seus pais Ótimo 33.48 Bom 16.52 Regular 3.13 Ruim 2.23 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Nesta tabela estão expostos os dados colhidos referentes à avaliação dos alunos para o curso do Proerd. Foram avaliados alguns pontos importantes, tais como: o quanto o programa despertou o interesse dos alunos para as aulas, a contribuição do curso para a vida pessoal dos alunos e a contribuição na relação com os pais. Abaixo os gráficos mostram os resultados da pesquisa. 120 Gráfico 33 - Interesse pelas aulas do Proerd FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Quanto à avaliação do curso do Proerd, o gráfico mostra, através das variáveis: excelente; ótimo; bom; regular; ruim, que grande parte dos alunos avalia o curso como excelente, com 58% das opiniões dos entrevistados e como ótimo com 29%. As demais varáveis foram citadas, mas bem abaixo destes percentuais. Gráfico 34 - Contribuição do curso Proerd para sua vida pessoal FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 58% 29% 12% 1% 0% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 53% 29% 16% 1% 1% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 121 Em ralação à contribuição do curso para a vida pessoal dos alunos, os dados trazem que 53% consideraram excelente, 29% dizem que foi ótimo e 16% relataram ser bom. As outras variáveis, regular e ruim, tiveram 1%, sendo insignificante diante da percepção dos alunos. Gráfico 35 - Contribuição do curso Proerd na relação com seus pais FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Quando foi abordada a contribuição do curso do Proerd na relação com os pais, a resposta foi 45% excelente, 33% ótimo e 17% bom. Portanto, caracteriza-se o curso como importante na contribuição para relação familiar dos alunos. Tabela 12 - Avaliação do curso Proerd: apreensão da atenção nas aulas do Proerd Variável Grupo Participante do Proerd (%) Policial fardado Não 57.64 Sim 42.36 Atividades do livro Proerd Não 50.66 Sim 49.34 Fardamento do Programa Proerd Não 60.70 Sim 39.30 Técnicas do Policial: jogos, mágicas, músicas, brincadeiras, etc. Não 38.86 Sim 61.14 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 45% 33% 17% 3% 2% Excelente Ótimo Bom Regular Ruim 122 A tabela acima teve como objetivo avaliar o interesse dos alunos pelas aulas do Proerd, a qual traduz a oportunidade vivida pelos participantes de identificar o que realmente lhes chamou atenção durante os trabalhos desenvolvidos pelo Policial Instrutor em sala. Na sequência, os gráficos detalham com precisão cada item descrito. Gráfico 36 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: Policial fardado FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Este gráfico relata com precisão o quanto o Instrutor fardado atrai a atenção dos alunos, pois alguns deles ainda não tiveram esse contato com um Policial. No entanto o percentual de resposta para sim, em relação ao Policial fardado foi de 42% e para não com 58%. Gráfico 37 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: atividades do livro Proerd FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 58% 42% Não Sim 51% 49% Não Sim 123 Em relação às atividades do livro do estudante Proerd, responderam que elas apreenderam a atenção com a variável sim 49% e para não 51%. Gráfico 37 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: fardamento do programa FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa O fardamento do Proerd, adquirido pelos alunos, geralmente é algo muito desejado por eles. Porém, percebe-se que avaliaram com a variável sim sobre ser algo atrativo somente um percentual de 39% e responderam não 61%. Gráfico 38 - Apreensão da atenção nas aulas do Proerd: Técnicas de ensino do Policial (jogos, vídeos, mágicas, músicas, brincadeiras, etc.). FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 61% 39% Não Sim 39% 61% Não Sim 124 Quando avaliada as técnicas utilizadas pelo Policial Instrutor, os alunos disseram ser algo que apreende a atenção deles com a variável sim em um percentual de 61% e responderam que não apreende a atenção um total de 39%. Diante desse resultado, percebe-se claramente que uma aula dinâmica, com técnicas atrativas proporciona aos alunos maior interação e envolvimento na discussão do tema. Assim, mediante dados apresentados pelo gráfico, ser um facilitador para o conhecimento, buscando envolver os estudantes nos debates de sala, utilizando algo que possa atrair a atenção de todos, produz melhores resultados na participação e aprendizagem. Portanto, “o facilitador ajuda um grupo a alcançar um determinado propósito, tal como aprender um conceito ou um objetivo, demonstrando habilidade, avaliando necessidades, examinando questões, fazendo planos ou chegando a decisões” (BRASILIA, 2005, p. 7). Tabela 7 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais de drogas Variável Tinha Conhecimento Feminino (%) Masculino (%) Total Cigarro Não 31.19 26.09 28.57 Sim 68.81 73.91 71.43 Álcool Não 30.00 28.95 29.46 Sim 70.00 71.05 70.54 Maconha Não 73.83 53.15 63.30 Sim 26.17 46.85 36.70 Inalantes Não 78.50 76.79 77.63 Sim 21.50 23.21 22.37 Crack Não 74.77 57.66 66.06 Sim 25.23 42.34 33.94 Cocaína Não 79.44 58.93 68.95 Sim 20.56 41.07 31.05 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 125 Ao iniciar o curso do Proerd faz-se necessário medir o conhecimento prévio dos alunos quanto aos temas das lições, com o intuito de compreender-lhes a realidade. Para tanto, a tabela acima traz dados referentes aos efeitos prejudiciais das drogas antes do curso. A seguir, os gráficos descreverão, com detalhes, os resultados acerca do conhecimento prévio dos alunos em relação a cada tipo de droga, classificando por gênero (masculino e feminino), especificando o quanto eles já sabiam destes assuntos. Gráfico 39 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais do Cigarro FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Em relação ao conhecimento sobre os efeitos prejudiciais do cigarro antes do curso Proerd, os alunos do sexo masculino alegaram ter mais conhecimento com 73,91% e do sexo feminino foi de 68,81%. Quanto ao que não tinha muita informação o resultado foi baixo, masculino com 26,09% e feminino com 31,19%. Mesmo com o impedimento de divulgar, na mídia, as propagandas de cigarro, os estudantes demonstram ter conhecimento sobre o assunto, fato que pode ajudar na prevenção de resistir às ofertas e proporcionar uma melhor qualidade de vida a eles e a seus familiares. 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) 31,19 26,09 28,57 68,81 73,91 71,43 Não Sim 126 Gráfico 40 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais do Álcool FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Sobre o conhecimento prévio das bebidas alcoólicas, o gráfico mostra que grande parte dos alunos já sabia algo sobre esse tipo deand identify the program as relevant social interest . The research aimed to characterize the PROERD and its performance in schools, starting from the listening students served by the same regarding your participation and also those who have not had the opportunity to participate in the instructions. Thus, it results in the identification of the attitude of students for resistance to drug use. This study provides a better understanding of the program in family life relationships and the relationship of students with school and peers. The research method was quantitative with data collection through a questionnaire with closed questions. The results should agree or disagree with the assumptions made about the program's performance regarding the quality of life of the participants. Keywords: Drugs. Prevention. Proerd. SUMÁRIO INTRODUÇÃO .......................................................................................................... 18 CAPÍTULO 1 - DROGAS: DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, EFEITOS E CONSQUÊNCIAS ..................................................................................................... 23 1.1. Definição de drogas ...................................................................................... 23 1.2. Classificação das drogas .............................................................................. 24 1.3. Efeitos e consequências das drogas ............................................................ 25 CAPÍTULO 2 - PREVENÇÃO AO USO INDEVIDO DE DROGAS ........................... 50 2.1. A prevenção como um processo educativo .................................................. 52 2.2. Tipos de prevenção ...................................................................................... 54 2.3. Prevenção primária ....................................................................................... 56 2.4. Fatores de risco e vulnerabilidade ................................................................ 58 2.5. Fatores de proteção ...................................................................................... 59 CAPÍTULO 3 - PROGRAMA EDUCACIONAL DE RESISTÊNCIA ÀS DROGAS E À VIOLÊNCIA - PROERD ............................................................................................ 62 3.1. Breve histórico do PROERD ......................................................................... 62 3.2. Desenvolvimento das lições PROERD ......................................................... 68 3.3. Minha experiência como Instrutor do PROERD ........................................... 87 3.4. O Policial Militar Instrutor como facilitador .................................................... 94 CAPÍTULO 4 - MARCO METODOLÓGICO .............................................................. 97 4.1. Informações gerais sobre o campo............................................................... 97 4.2. População e amostra da pesquisa................................................................ 98 4.3. Desempenho da pesquisa .......................................................................... 100 4.4. Instrumento de análise da pesquisa ........................................................... 101 4.5. Procedimentos para a coleta de dados ...................................................... 101 4.6. Técnica e análise de dados ........................................................................ 103 5. RESULTADOS E DISCUSSÃO ........................................................................ 105 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS .............................................................................. 132 7. REFERÊNCIAS ................................................................................................ 135 8. APÊNDICES ..................................................................................................... 140 9. ANEXOS ........................................................................................................... 146 18 INTRODUÇÃO O discurso sobre a prevenção ao uso de drogas tem estimulado o debate em diversos segmentos da sociedade, especialmente nas instituições de ensino, palco de uma diversidade de indivíduos, os quais passam a receber informações para o exercício da cidadania e valorização da vida. Nesse contexto, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) se destaca pela atuação no ambiente escolar, por estar diariamente presente nas atividades educacionais dos alunos. O PROERD atua na prevenção ao uso de drogas em escolas públicas e particulares de Ensino Fundamental, em diferentes turmas, no entanto, tem maior atuação na faixa etária entre 09 e 12 anos, especificamente no 5º ano. O objetivo principal do programa é instruir estudantes para resistir às ofertas de drogas, com ênfase na prevenção primária. O tema em destaque foi escolhido para realizar um estudo sobre este programa de prevenção na capacitação de alunos, através de informações precisas sobre os efeitos prejudiciais das drogas, buscando alertar quanto aos riscos que estas podem causar aos usuários. Busca-se também divulgar as ações do Programa e apresentar resultados da sua atuação na prevenção às drogas, na Região do Cariri no Estado do Ceará, mediante pesquisa com alunos que participaram do curso e um grupo controle com jovens que não foram agraciados com a instrução do PROERD. Com isso, almeja-se conhecer melhor o Programa e a sua possível ampliação para outros municípios, podendo atender um maior número de estudantes no trabalho preventivo que, a meu ver, é a melhor forma para evitar o uso de drogas. Estudos apresentados abordam que a criminalidade está diretamente relacionada ao tráfico de drogas, e esse, por sua vez, está atingindo principalmente os adolescentes, que começam muito cedo a usar algum tipo de entorpecentes (MASSARDI, 2013). Afirma Brasil (2010) que, devido à implantação de políticas de prevenção em escolas e na sociedade, percebe-se que ultimamente, houve uma redução do uso de drogas entre os estudantes. Ele ainda acrescenta que essas políticas se dão através da capacitação de profissionais da educação, ações preventivas junto à comunidade, fortalecimento da rede de proteção social, dentre outras iniciativas que visam reduzir o índice de usuários. 19 Por conta disso, apresenta-se a prevenção como uma estratégia na resistência às ofertas de drogas, proporcionando o empoderamento e o conhecimento prévio sobre o tema, além de levar o individuo a refletir sobre as possíveis ofertas. Diante disso, faz-se o seguinte questionamento: Antes que as drogas sejam ofertadas, os jovens sabem das reais consequências? O conhecimento torna-os mais preparados para evitar o contato com as drogas? Nesse sentido, a pesquisa visa contribuir na elaboração de estratégias que possam fortalecer a tomada de decisão e a escolha de comportamentos positivos, levando os estudantes a pensar sobre a situação, analisar as escolhas, decidir de forma confiante e avaliar sua postura diante de situações que exijam maior reflexão sobre determinadas questões. É nessa linha de pensamento que o PROERD pode ajudar na identificação de comportamentos que possam comprometer a saúde física e mental dos indivíduos, quanto ao uso de drogas, atuando na tomada de decisão para decidir pela opção que lhes trará melhores resultados, através de ações conjuntas, despertando neles uma postura crítica diante do uso de drogas, podendo reduzir a vulnerabilidade e fortalecer a sua autonomia para resistir às ofertas. Pelo que foi discutido, pode-se perceber a necessidade de ampliar o debate sobre a prevenção, haja vista que é um assunto o qual trará questionamentos acerca do uso de substâncias químicas, pois, pelo que estádroga lícita. Os do sexo masculino que responderam sim tiveram um percentual de 71,05%, do sexo feminino o resultado para quem disse sim foi de 70%, estando bem próximos nos percentuais. Portanto, acredita-se que, pelo fato de ser uma droga muito presente no grupo familiar, comprovada anteriormente, o contato com ela fica mais acessível. Gráfico 41 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais da Maconha FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 0 20 40 60 80 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) 30 28,95 29,46 70 71,05 70,54 Não Sim 0 20 40 60 80 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) 73,83 53,15 63,3 26,17 46,85 36,7 Não Sim 127 Sobre a maconha, responderam na variável sim do sexo masculino 46,85% e do sexo feminino 26,17%. Em relação a variável não, do sexo masculino foi 53,15% e feminino com 73,83%. Nessa relação, percebe-se o contrário, talvez pelo fato de que a maconha é uma droga ilícita e não é comum o uso no grupo familiar. Gráfico 42 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais de Inalantes FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Por não ter muita relevância no meio social, os inalantes são substâncias pouco conhecida dos alunos, pois em relação a variável sim, relataram ter conhecimento do sexo masculino 23,21% e do sexo feminino 21,5%. No caso de não conhecer, os homens tiveram 76,79% e as mulheres 78,5%. Diante disso, observa-se que há necessidade de intensificar o debate sobre inalantes, pois segundo Ceará (2012) são substâncias prejudiciais à saúde e que podem comprometer a qualidade de vida. Gráfico 43 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais do Crack 0 10 20 30 40 50 60 70 80 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) 78,5 76,79 77,63 21,5 23,21 22,37 Não Sim 128 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa O tema crack atualmente tem sido palco de grandes debates. Por conta disso buscou-se verificar o conhecimento dos alunos sobre esta substância antes do curso do Proerd, objetivando saber se os alunos estão bem informados. A pesquisa mostrou que não, pois responderam saber algo 42,34% dos homens e 25,23% das mulheres. Pode-se constatar nessa porcentagem que as mulheres estão sabendo bem menos que os homens. Essa informação nos remete à possibilidade de intensificar ainda mais as informações sobre esse tipo de droga, especialmente para as mulheres. Gráfico 44 - Conhecimento dos alunos antes do curso do Proerd sobre os efeitos prejudiciais da Cocaína FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 0 20 40 60 80 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) 74,77 57,66 66,06 25,23 42,34 33,94 Não Sim 0 20 40 60 80 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) 79,44 58,93 68,95 20,56 41,07 31,05 Não Sim 129 Ao perguntar sobre o conhecimento da cocaína, os índices foram baixos para a variável sim, pois meninos tiveram um percentual de 41,07% e as meninas 20,56%. Comparando aos índices de não saber, homens com 58,93% e mulheres 79,44%, percebe-se que as mulheres tiveram menos oportunidade de obter informações sobre a droga citada. Como é uma droga ilícita, torna-se mais difícil o acesso a ela. No entanto, pela evidencia da mídia sobre o crack, não era pra ter essa diferença de informações. Então, diante de tais resultados, conversar sobre o crack é uma necessidade na educação preventiva. Tabela 8 - Percentual de entrevistados que afirmaram ter feito uso de drogas Tipo de droga Não participante do Proerd Participante do Proerd Feminino (%) Masculino (%) Total (%) Feminino (%) Masculino (%) Total (%) Bebida alcoólica 14,63 14,63 29,27 3,06 3,06 6,11 Cigarro 4,27 7,32 11,59 0,44 0,87 1,31 Maconha 1,22 2,44 3,66 0,00 0,00 0,00 Cocaína 0,61 0,00 0,61 0,00 0,00 0,00 Crack 0,61 0,00 0,61 0,00 0,00 0,00 FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Esta tabela faz um comparativo sobre o uso de drogas entre os alunos que participaram do Proerd e outros que não tiveram a oportunidade de participar. O resultado apresentado através dos dados coletados é importante para mostrar a eficiência do Programa na prevenção do uso de drogas. Para visualizar melhor os números percentuais, fez-se uma distribuição por tipo de drogas e posição de alunos sobre a participação no curso do Proerd. A seguir os gráficos distribuem os percentuais de acordo com as respostas dos alunos por gênero. 130 Gráfico 45 - Frequência relativa de não participante do Proerd que afirmaram ter feito uso de drogas FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa Os dados que correspondem a este gráfico mostram a frequência em relação ao uso de drogas por alunos que não participaram do curso do Proerd. Foi feita uma divisão por gênero para comparar o índice entre homens e mulheres, além de especificar os tipos de drogas usadas. Na amostra, do sexo feminino, a bebida alcoólica foi a droga mais usada, com 14,63%. Em segundo lugar o cigarro com 4,27%. Logo após, veio à maconha com 1,22%, cocaína 0,61% e o crack com 0,61%. Para o sexo masculino, também o álcool superou as demais drogas com um percentual de 14,63%, igualando-se às mulheres. Quanto ao cigarro, houve um total de 7,32%, seguido da maconha com 2,44%, cocaína e crack com 0%. Quanto ao uso de cocaína e crack, as mulheres superaram o índice dos homens. Gráfico 46 - Frequência relativa de participante do Proerd que afirmaram ter feito uso de drogas FONTE: Elaboração a partir de dados da pesquisa 14,63 14,63 29,27 4,27 7,32 11,59 1,22 2,44 3,66 0,61 0 0,61 0,61 0 0,61 0 5 10 15 20 25 30 35 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) Bebida alcoólica Cigarro Maconha Cocaína Crack 3,06 3,06 6,11 0,44 0,87 1,31 0 0 0 0 0 0 0 0 0 0 2 4 6 8 Feminino (%) Masculino (%) Total (%) Bebida alcoólica Cigarro Maconha Cocaína Crack 131 Quando investigados os alunos que participaram do Proerd, os dados foram totalmente contrários daqueles que não participaram. Pois quanto ao uso de bebidas alcoólicas, as mulheres tiveram um percentual de 3,06%, cigarro 0,44%, maconha, cocaína e crack 0%. Em relação aos homens, para as bebidas alcoólicas o percentual foi de 3,06%, o mesmo percentual das mulheres e um pouco mais quanto ao cigarro com 0,87%. Para a maconha, cocaína e crack também foram de 0%. Portanto, percebe-se que houve uma diferença significativa quanto ao uso de drogas entre os alunos que participaram e não do curso Proerd. 132 6. CONSIDERAÇÕES FINAIS Na construção deste trabalho buscou-se evidenciar o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) como um precursor na prevenção ao uso de drogas. Este Programa destaca-se pela forma como é desenvolvido nas instituições de ensino, através de um modelo dinâmico de educar e prevenir. As ações são voltadas para jovens em seu habitat, a escola, e atua principalmente na prevenção primária, ou seja, evitar o uso de drogas para aqueles que ainda não experimentaram ou simplesmente provaram em um determinado momento da vida. Na tentativa de prevenir os estudantes para não consumirem nenhuma substância nociva à sua saúde, os Policiais Instrutores do PROERD procuram envolver no processo o núcleo gestor da escola, selecionando turmas, marcando reuniões, organizando material didático, dentre outras atribuições. Também os professores, estimulando-os a acompanhar as aulas e, junto ao policial, proporcionar aos educando um momento de troca de experiência através das aulas expositivas.Os pais participam de reuniões e de atividades específicas contidas no livro do estudante para, junto aos filhos, debaterem o assunto estudado no dia, e proporcionarem o diálogo entre os membros da família. Não fica de fora a comunidade local, sendo esta envolvida no processo de prevenção através de trabalhos informativos e de pesquisa a ser realizados pelos alunos em suas localidades de moradia, além dos eventos externos, tais como: caminhadas da prevenção, desfile cívico, tendas da prevenção e gincanas. As ações do Programa visa proporcionar a interação de todos na resistência ao uso de drogas. Assim, o Policial Militar Instrutor atua como facilitador, visando estabelecer uma relação de confiança para levar aos discentes o conhecimento sobre o assunto, ao mesmo tempo em que visa o empoderamento destes para uma vida mais saudável. Diante da pesquisa realizada nesta dissertação e dos resultados coletados, conforme está descrito nas tabelas e gráficos apresentados anteriormente, destaca- se o desempenho positivo do PROERD pelo fato de ser uma versão brasileira do programa DARE (Drug Abuse Resistence Education), implantada inicialmente nos Estados Unidos e, atualmente, desenvolvida em mais de quarenta países 133 conveniados. Essa “iniciativa é considerada pela ONU como um dos maiores programas de prevenção às drogas e à violência do mundo” (BAHIA, 2014). Referindo-se à aplicação do Programa, esta tem como fundamento despertar a reflexão sobre o uso de substâncias químicas através da problematização, debater sobre maneiras saudáveis de viver, trabalhar as relações afetivas entre os estudantes, resistir às pressões de grupo e incentivar o respeito às normas sociais. A condução desse processo acontece pala instrução didática em sala de aula, com uma metodologia facilitadora e a participação de todos os atores inseridos na sociedade. A meta alcançada neste trabalho partiu do objetivo de apresentar a didática aplicada pelos Policias Instrutores do Programa na prevenção ao uso de drogas em instituições de Ensino Fundamental da Região do Cariri/CE., para despertar nos educandos a necessidade de resistir às ofertas de drogas. A realização deste feito foi possível a partir do conhecimento da atuação do Proerd nas escolas, possibilitando verificar a contribuição deste para os fatores de proteção e redução da vulnerabilidade quanto ao uso de drogas, bem como apresentar um comparativo entre aqueles que participaram do curso e os que não tiveram a oportunidade de fazê-lo. Os objetivos foram alcançados mediante a investigação dos seguintes aspectos relacionais, relatados pelos estudantes: Relação familiar Uso de drogas pelo grupo familiar Relação com a escola Avaliação do Policial Instrutor do PROERD Avaliação do curso Apreensão da atenção nas aulas Conhecimento prévio dos temas das aulas ao participar do curso Ofertas de drogas Uso de drogas após o término do curso Uso de drogas por aqueles que não participaram do PROERD Como resultados descritos, o Programa se superou em todos os quesitos, especialmente no comparativo quanto ao uso de drogas pelos que estiveram ou não no Proerd, sendo este um dos maiores objetivos do Programa. Pelos dados coletados, o percentual sobre o uso de drogas, lícitas e ilícitas, para quem foi aluno 134 do Proerd registrou um resultado bem abaixo daqueles que ainda não cursaram. Assim, portanto, mostra-se a eficácia deste instrumento de prevenção na resistência ao uso de drogas. As avaliações dos alunos mostraram o real valor que o Proerd alcança na educação preventiva, vindo a justificar o porquê de este programa estar em plena execução, desde sua criação no ano de 1983, nos Estados Unidos, 1992 no Brasil e 2001 no Estado do Ceará. Almejando a divulgação da pesquisa, os resultados serão apresentados para a Coordenação Estadual do PROERD no Estado do Ceará, escolas parceiras, congressos, seminários e outros eventos de característica científica. Nesta perspectiva, busca-se ampliar cada vez mais o raio de atuação do Programa, para tender o maior número de municípios no Estado. Tendo em vista a necessidade de disseminar, cada vez mais, as ações preventivas, faz-se necessário envolver outros profissionais e instituições na resistência ao uso de drogas. Para tanto, pelo que foi discutido, sugere-se como recomendações: Capacitar os profissionais de educação, especialmente os professores, para atuarem como facilitadores na prevenção às drogas. Criar grupos de agentes multiplicadores na prevenção às drogas no ensino médio. Propor aos gestores municipais a implantação do Programa em todas as escolas da rede pública municipal de ensino. Capacitar pais de alunos para lidar com a problemática das drogas. Apresentar os resultados com dados das ações na área de prevenção na mídia local para informar a comunidade. Criar mecanismos de acolhimento para jovens usuários de drogas. Viabilizar parceria entre educação, saúde e assistência social. Realizar parcerias com instituições de ensino superior. Envolver o Conselho Tutelar nas ações preventivas em ambientes educacionais. Como objeto de estudo, além de conhecer, avaliar e validar os resultados do trabalho desenvolvido pelos Instrutores do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, a pesquisa visa contribuir para ampliação do PROERD em outros municípios e manter crianças e adolescentes longe de drogas. 135 7. REFERÊNCIAS ARANTES, Rosalba Cassuci. et. al. 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Opções de lazer no bairro onde você mora. 5. A participação dos pais no acompanhamento escolar. Marque a opção que corresponde a sua realidade 6. Qual sua religião? 1. Católica ( ) 2. Evangélica ( ) 3. Outras ( ) ______________________ 7. Você participa de atividades como: (missa, culto, estudos bíblicos, catecismo, etc.). 1. Mais de uma vez por semana ( ) 2. Uma vez por semana ( ) 3. Uma vez ao mês ( ) 4. Raramente ( ) 5. Nunca ( ) 141 8. Com quem você mora? 1. Pai ( ) 2. Mãe ( ) 3. Avó ( ) 4. Avô ( ) 5. Tios ( ) 6. Irmãos ( ) 7. Padrasto ( ) 8. Madrasta ( ) 9. Outros ( ) 9. Alguém de sua casa faz uso de bebidas alcoólicas? 1. Raramente ( ) 2. De vez em quando ( ) 3. Com frequência ( ) 4. Não faz uso ( ) 10. Alguém de sua casa faz uso de cigarros? 1. Raramente ( ) 2. De vez em quando ( ) 3. Com frequência ( ) 4. Não faz uso ( ) 11. Alguém de sua casa faz uso de substâncias ilícitas (maconha, crack, cocaína etc.)? 1. Raramente ( ) 2. De vez em quando ( ) 3. Com frequência ( ) 4. Não faz uso ( ) II – RELAÇÃO COM A ESCOLA Atribua os conceitos a seguir para os itens abaixo 1 = Excelente 2 = Ótimo 3 = Bom 4 = Regular 5 = Ruim QUESTÕES CONCEITOS 1. Sua avaliação da escola em que estuda. 2. Seu interesse pelos estudos. 3. Sua frequência às aulas. 4. Sua participação nas atividades em sala de aula. III – AUTOAVALIAÇÃO SOBRE OS TEMAS DAS AULAS DO PROERD Tema 01: Drogas: efeitos e consequências Escolha uma das alternativas em cada item abaixo para validar sua resposta 1. Antes do curso Proerd você tinha conhecimento sobre os efeitos prejudiciais dessas drogas? 1. Cigarros Sim Não 2. Álcool Sim Não 3. Maconha Sim Não 4. Inalantes Sim Não 5. Crack Sim Não 6. Cocaína Sim Não 142 Tema 02: As bases da amizade - Bullying – Decidindo de forma confiante 2. Antes do curso Proerd você sabia: 1. Como escolher seus amigos Sim Não 2. Como acontece o bullying Sim Não 3. Analisar suas decisões Sim Não IV – AVALIAÇÃO DO POLICIAL INSTRUTOR DO PROERD Atribua os conceitos a seguir para os itens abaixo 1 = Excelente 2 = Ótimo 3 = Bom 4 = Regular 5 = Ruim QUESTÕES CONCEITOS 1. Sua relação com o Policial Instrutor em sala de aula 2. Técnicas utilizadas (vídeos, músicas, mágicas, jogos, dinâmicas, etc.). 3. A organização do Policial nos trabalhos em sala de aula 4. Comunicação do Policial com os alunos em sala 5. Relação afetiva do Policial com os alunos V – AVALIAÇÃO DO CURSO PROERD Atribua os conceitos a seguir para os itens abaixo 1 = Excelente 2 = Ótimo 3 = Bom 4 = Regular 5 = Ruim QUESTÕES CONCEITOS 1. Seu interesse pelas aulas do Proerd 2. Contribuição do curso Proerd para sua vida pessoal 3. Contribuição do curso Proerd na relação com seus pais Marque quantas alternativas quiser nas questões abaixo 4. O que mais chamou atenção nas aulas do Proerd? 1. Policial fardado ( ) 2. Atividades do livro Proerd ( ) 3. Fardamento do Programa Proerd ( ) 4. Técnicas do Policial: jogos, mágicas, músicas, brincadeiras, etc. ( ) 5. Outros ( ) _______________________________________________________________ 5. Depois do curso Proerd alguém lhe ofereceu algumas dessas drogas? 1. Bebida alcoólica ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 143 2. Cigarros ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 3. Maconha ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 4. Cocaína ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 5. Crack ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) VI – Se você tem alguma crítica ou sugestão do curso do Proerd, escreva abaixo: 144 APÊNDICE B QUESTIONÁRIO 02 ATUAÇÃO DO CURSO PROERD NA PREVENÇÃO ÀS DROGAS (Questionário para quem não participou do Proerd) Prezados estudantes, Você está participando de uma avaliação do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – PROERD para averiguarmos a atuação e contribuição do programa na aquisição do conhecimento, para reflexão e fortalecimento do poder de decisão na resistência ao uso de drogas. CABEÇALHO Município: Escola: Série: Sexo: Idade: I – QUESTÕES SOCIAIS E FAMILIARES Atribua os conceitos a seguir para alguns itens abaixo 1 = Excelente 2 = Ótimo 3 = Bom 4 = Regular 5 = Ruim QUESTÕES CONCEITOS 1. Relação afetiva com os pais. 2. O diálogo com seus pais. 3. Renda familiar para as necessidades financeiras. 4. Opções de lazer no bairro onde você mora. 5. A participação dos pais no acompanhamento escolar. Marque a opção que corresponde a sua realidade 6. Qual sua religião? 1. Católica ( ) 2.Evangélica ( ) 3. Outras ( ) ______________________ 7. Você participa de atividades como: (missa, culto, estudos bíblicos, catecismo, etc.). 1. Mais de uma vez por semana ( ) 2. Uma vez por semana ( ) 3. Uma vez ao mês ( ) 4. Raramente ( ) 5. Nunca ( ) 145 8. Com quem você mora? 1. Pai ( ) 2. Mãe ( ) 3. Avó ( ) 4. Avô ( ) 5. Tios ( ) 6. Irmãos ( ) 7. Padrasto ( ) 8. Madrasta ( ) 9. Outros ( ) 9. Alguém de sua casa faz uso de bebidas alcoólicas? 1. Raramente ( ) 2. De vez em quando ( ) 3. Com frequência ( ) 4. Não faz uso ( ) 10. Alguém de sua casa faz uso de cigarros? 1. Raramente ( ) 2. De vez em quando ( ) 3. Com frequência ( ) 4. Não faz uso ( ) 11. Alguém de sua casa faz uso de substâncias ilícitas (maconha, crack, cocaína, etc.)? 1. Raramente ( ) 2. De vez em quando ( ) 3. Com frequência ( ) 4. Não faz uso ( ) II – RELAÇÃO COM A ESCOLA Atribua os conceitos a seguir para os itens abaixo 1 = Excelente 2 = Ótimo 3 = Bom 4 = Regular 5 = Ruim QUESTÕES CONCEITOS 1. Sua avaliação da escola que estuda. 2. Seu interesse pelos estudos. 3. Sua frequência nas aulas. 4. Sua participação nas atividades em sala de aula. III – USO DE SUBSTÂNCIAS QUÍMICAS Responda a pergunta a seguir e classifique sua decisão ao lado 6. Algum dia alguém já lhe ofereceu algumas dessas drogas? 1. Bebidaalcoólica ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 2. Cigarros ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 3. Maconha ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 4. Cocaína ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 5. Crack ( ) Você aceitou? Sim ( ) Não ( ) 146 ANEXO 01 Capa do livro do estudante PROERD Atualmente é este o livro utilizado nas aulas do PROERD no Estado do Ceará para instruir os estudantes quanto a resisitir ao uso de drogas. 147 ANEXO 02 Certificado do estudante concludente do curso do PROERD O certificado PROERD é entregue na formatura de conclusão de curso após o aluno fazer o juramento assumindo o compromissso pessoal de ficar longe das drogas. 148 ANEXO 03 Logo oficial do PROERD Esta logo é oficial do PROERD e universal, pois a pirâmide Família, Escola e Polícial é prioridade. O trablaho acontece de forma cooperativa. 149 ANEXO 04 Imagem do Leão Daren mascote do Programa (Ceará e EUA) O mascote PROERD vestido com a farda de Policial do Ceará para proporcionar a alegria das crianças em eventos. O mascote com a farda de Policila dos Estados Unidos. 150 ANEXO 05 Letra da canção do PROERD CANÇÃO DO PROERD Existe um programa Que vai lhe ajudar Existe um amigo Que vai lhe ensinar Que o problema “DROGAS” Merece atenção E para manter-se a salvo É preciso dizer NÃO Proerd é um Programa Proerd é a Solução Lutando contra as drogas Ensinando a dizer NÃO Cultivando o amor próprio Controlando a tensão Pensando nas consequências Resistindo à pressão Como amar a própria vida E às DROGAS dizer NÃO Quem lhe ensina é um amigo Mas é sua a decisão Proerd é um Programa Proerd é a Solução Lutando contra as drogas Ensinando a dizer NÃO Letra e música 3° SGT Cláudio Coutinho dos Santos Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro Refrão Refrão 151 ANEXO 06 Dominó educativo sobre drogas O domonó educativo é utilizado para revisar o conteúdo sobre os tipos de drogas 152 ANEXO 07 Baralho educativo sobre drogas O baralho é um jogo preparado para os pais, pois podem jogar com os filhos em casa. 153 ANEXO 08 Trilha DROGASFORA O trilha Drogasfora é utilizado no final do curso para revisão geral do conteúdo ministrado. Ganha o jogo quem primeiro chegar a um mundo sem drogas. 154 ANEXO 09 Dama da prevenção A dama da prevenção é um jogo que representa os caminhos para uma vida saudável. 155 ANEXO 10 Fotos de aulas do PROERD Aula expositiva utilizando o livro do estudante PROERD Aula de vídeo com desenhos sobre drogas e a contextualização do conteúdo com truques de mágica 156 ANEXO 11 Fotos de eventos externos do PROERD Formatura do PROERD no ginásio poliesportivo em Juazeirodo Norte Formatura e caminhada da prevenção 157 ANEXO 12 Mapa da Região Metropolitana do Cariri Mapa da Região Metropolitana do Cariri para identificação dos municípios que a compõe. 158 ANEXO 14 Termos de consentimento livre e esclarecimento para as escolas TERMO DE CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO Estimado (a) Diretor (a) da Escola ________________________________________ Como parte da dissertação do meu Mestrado em Ciências da Educação, Eu, ____________________________, CPF ________________, Mestrando pela UNISABER Faculdade, estou finalizando este trabalho científico com uma pesquisa sobre a atuação do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência – PROERD nas escolas, que tem como objetivos apresentar a didática utilizada pelos Policiais Instrutores do Programa e verificar a sua contribuição para os fatores de proteção e redução da vulnerabilidade quanto ao uso de drogas, bem como apresentar um comparativo entre aqueles que não tiveram a oportunidade de participar do curso. Para isso, está sendo desenvolvido um estudo que consta na aplicação de um questionário com os alunos que cursam do sexto ao nono ano. Sua participação consistirá em tornar possível aplicar o questionário no interior da escola. Posteriormente, serão analisados os dados dos alunos e transformados em dados estatísticos para confecção de tabelas e gráficos e utilizados, exclusivamente, para fins da pesquisa, mas estes poderão ser apresentados em eventos de natureza cientifica e/ou publicados. O procedimento não apresentará nenhum constrangimento para os estudantes, pois eles não serão identificados. O questionário é composto de cinco sessões, conforme descritas a seguir: 1ª Sessão: Questões sociais e familiares; 2ª Sessão: Relação do aluno com a escola; 159 3ª Sessão: Autoavaliação dos temas das aulas, para quem participou do PROERD; 4ª Sessão: Avaliação do Policial Instrutor, para quem participou do curso; 5ª Sessão: Avaliação do curso do PROERD e uso de drogas. As respostas assinaladas pelo aluno serão aceitas, não tendo, portanto julgamento de certo ou errado. Além disso, solicito a permissão para que seja utilizado o nome da escola na pesquisa, além de fotos da fachada dela para esboçar a autenticidade da informação. Saliento que sua participação nessa pesquisa é voluntária e: a) Tem a liberdade de recusar-se a autorizar a participação dos alunos nesta pesquisa ou de retirar o consentimento em qualquer fase, sem penalização ou prejuízo à vida acadêmica dos alunos; b) Não terá nenhum ônus financeiro ou acadêmico; c) Não receberá nenhum beneficio financeiro ou acadêmico. Agradeço a colaboração e me coloco à disposição para esclarecer qualquer dúvida que por ventura venha a surgir pelo telefone _______________ ou e-mail: _______________________________ Caso autorize a participação da Escola e dos alunos nesta pesquisa, preencha e assine o Termo de Consentimento Pós-Esclarecido que se segue, recebendo uma cópia dele. __________________________________________ Local e data __________________________________________ Assinatura do Pesquisador 160 ANEXO 15 Termos de consentimento pós-esclarecido das diretoras TERMO DE CONSENTIMENTO PÓS-ESCLARECIDO Pelo presente instrumento que atende às exigências legais, Eu______________________________________________________, Diretor (a) da Escola __________________________ portador do Cadastro de Pessoa Física (CPF) número __________________________, declaro que, após leitura minuciosa do TCLE, tive a oportunidade de fazer perguntas e esclarecer dúvidas que foram devidamente explicadas pelo pesquisador. Ciente dos serviços, e não restando quaisquer dúvidas a respeito do lido e explicado, firmo meu CONSENTIMENTO LIVRE E ESCLARECIDO em autorizar voluntariamente a participação da escola e dos alunos na pesquisa sobre a atuaçãodo PROERD na prevenção as drogas, assinando o presente documento em duas vias de igual teor e valor. ___________________________________ Local e data __________________________________________________ Assinatura do Diretor da escola ou representante legal 161 ANEXO 16 Laudo das análises do texto dissertativosendo abordado, o trabalho preventivo aparece como necessário para instruir os jovens e prepará-los para evitar o uso de substâncias nocivas à saúde. A escola destaca-se como um local de ensinamentos, de estudos, instruções e saberes. É para a escola que cada ser humano traz consigo a vontade de aprender, e com isso adquire competências, habilidades e capacidades, as quais lhes permitirão realizar-se como pessoa, como cidadão e como trabalhador. É nessa perspectiva que se faz necessária uma abordagem preventiva quanto ao uso de drogas no ambiente escolar, para que os estudantes não percam esse foco de construção do conhecimento e fortaleçam cada vez mais suas habilidades e expectativas de vida. Considera-se que o ambiente escolar é apropriado para o desenvolvimento de estratégias preventivas ao uso indevido de drogas. Se por um lado, as práticas preventivas voltadas para adolescentes e jovens desenvolvidas nas escolas já estão consolidadas, de outro às iniciativas voltadas para o público infantil ainda estão caminhando lentamente. As poucas iniciativas que existem carecem de pesquisas 20 científicas, investimentos em capacitação de educadores e recursos didáticos adequados. Melo (2013) faz uma consideração aos fatores de risco no ambiente escolar em relação ao uso de drogas. Ele aborda questões como baixo rendimento escolar, falta de vínculo com a aprendizagem e exclusão social. Neste argumento supracitado, pode-se concluir que a prevenção é algo essencial e que deve ter início no seio familiar e na escola, para fortalecer vínculos afetivos, minimizar os prejuízos quanto ao rendimento das atividades escolares e proporcionar aos jovens oportunidades para exercer sua cidadania. Nunes (2012) também contribui abordando as ações constantes e abrangentes para fortalecer o instrumento de capacitação e o trabalho de prevenção, envolvendo família, escola e comunidade. O que o autor traz em seu discurso faz uma referência quanto à identificação dos fatores de risco para os jovens, buscando orientá-los a partir da lógica de que é melhor evitar do que curar. Essa lógica refere-se ao trabalho preventivo, objetivando antecipar-se às ofertas de drogas na vida dos jovens, levando-os a adquirir a capacidade de resistência através da aquisição de conhecimentos específicos sobre o assunto, pelo fortalecimento da autoestima, substituição do medo pela afirmação da saúde integral, do bem-estar completo do adolescente como um ser autônomo, capaz de tomar decisões seguras, sem correr os riscos proporcionados pelo uso de drogas. Nessa abordagem, percebe-se que a prevenção consiste em algo essencial e que deve realizar-se de forma contínua, com atividades que possam despertar nos jovens uma visão crítica da situação, ao mesmo tempo em que deve conduzi-los a resistir às ofertas de drogas. Portanto, a pesquisa implicará numa produção acerca do desenvolvimento do programa de prevenção em destaque, visando minimizar tendências aliciadoras no ambiente escolar, ajudando os jovens a perceber que há escolhas e que estes podem ser felizes sem o uso de drogas, podendo adquirir novos e bons relacionamentos. O direcionamento acontece através de técnicas de ensino específicas, aplicadas pelos Policias Militares Instrutores, os quais atuam como facilitadores do conhecimento, ou seja, utiliza-se uma didática interativa e reflexiva para envolver os participantes do curso no processo preventivo. Nesse contexto, o trabalho é desenvolvido através da explanação verbal, atividades de leitura e reflexão de 21 textos, apresentação de vídeos, músicas com coreografias, mágicas contextualizadas ao tema, jogos pedagógicos sobre drogas e estudo de casos propostos no material utilizado no programa ou relatados a partir da experiência dos próprios alunos. Braz (2008) relata que o PROERD procura conduzir o aluno na aquisição do conhecimento e a desenvolver habilidades como: entender conceitos básicos sobre as drogas e os efeitos danosos que o uso pode causar e as consequências que resultam delas; identificação das principais fontes de pressões sociais e de formas não violentas de lidar com a raiva e de resolução de desentendimentos; distinção das influências persuasivas dos meios de comunicação e, assim, tomar a decisão positiva para valorizar a vida. O autor ainda acrescenta que o PROERD, com a missão de educar em seu perfeito habitat, a sala de aula, focaliza a prevenção às drogas e a educação para a paz, e trabalha cooperativamente em parceria com a família, a escola e a Polícia Militar, com a finalidade de formar cidadãos responsáveis e conscientes. Por esse instrumento de prevenção, o PROERD caracteriza-se pela abordagem diretiva, interativa, reflexiva e eficiente, podendo despertar nos jovens uma consciência crítica referente ao uso de drogas, estabelecendo vínculos e buscando proporcionar melhor qualidade de vida para eles e seus familiares, levando os jovens a refletir que não usando drogas há maior possibilidade para uma vida mais saudável, com menos prejuízo para si, para seus familiares e para sociedade. Como argumentação crítica, busca-se saber: a didática aplicada em sala de aula pelos Instrutores do Programa facilita o processo de ensino-aprendizagem na prevenção ao uso de drogas? Além disso, fortalece o poder de decisão dos estudantes para recusar as ofertas? Assim, acredita-se que o PROERD estabelece vínculos que podem ajudar os alunos a fazer escolhas positivas, e que estes são mais conscientes dos prejuízos do uso de substâncias químicas. Pela discussão que se segue, o trabalho tem como objetivo geral apresentar a didática aplicada pelos Policias Instrutores do Programa na Região do Cariri e os efeitos deste na prevenção ao uso de drogas. Quanto aos objetivos específicos da pesquisa, busca-se conhecer o PROERD e sua atuação nas escolas, partindo da escuta dos estudantes atendidos pelo programa em relação a sua participação no curso e verificar a contribuição dele para os fatores de proteção e redução da 22 vulnerabilidade, quanto ao uso de drogas, bem como apresentar um comparativo com aqueles que não tiveram a oportunidade de participar do curso. O presente trabalho científico foi dividido em capítulos para proporcionar o entendimento necessário diante das ações, desenvolvimento do PROERD e objetivo da pesquisa. No primeiro capítulo, é feito um estudo sobre as drogas, aborda-se a definição de algumas delas, cuja descrição faz parte do currículo do Programa, bem como a classificação, de acordo com os efeitos no cérebro e as consequências do uso. Na sequência, o segundo capítulo destaca a prevenção como tema principal deste trabalho. Também se discutem questões, como os tipos de prevenção, enfatizando a prevenção primária, pois é o foco das ações do Programa. Além disso, os fatores de risco, vulnerabilidade e proteção são destaques nessa abordagem, para analisarmos o quanto a prevenção é importante e eficaz na resistência ao uso de drogas. Posteriormente, o terceiro capítulo apresenta o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), o qual serviu de motivação para a pesquisa proposta nesse trabalho. Para tanto, descreve-se um breve histórico do Programa e o desenvolvimento dos temas e lições ministradas para os alunos em sala de aula. Sendo um Programa desenvolvido pelas Polícias Militares e, exclusivamente, um Policial Militar Instrutor, destaca-se a atuação deste Policial como facilitador na construção do conhecimento. Em meio a essas circunstâncias, apresenta-se um relato de experiência da prática pedagógica do Policial Instrutor em sala de aula, relatando as técnicas utilizadas para envolver os alunos no debate dos temas discutidos nas lições ministradas. No quarto capítulo, que relata a metodologia utilizada para a realização deste trabalho científico,está descrito o delineamento da pesquisa com os objetivos do estudo e todas as informações necessárias para se chegar aos resultados propostos. Por fim, encerra-se o trabalho com as considerações finais, ressaltando-se, entretanto, ser este um tema que não se encerra nesta dissertação. 23 CAPÍTULO 1 - DROGAS: DEFINIÇÃO, CLASSIFICAÇÃO, EFEITOS E CONSEQUÊNCIAS. O uso abusivo de drogas é algo que aflige a sociedade. As pessoas acabam tornando-se vítimas, mesmo sem usar estas substâncias. As drogas não prejudicam somente a vida de quem as usa, mas passa a comprometer a paz familiar e social. 1.1. DEFINIÇÃO DE DROGAS Para o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), drogas é qualquer substância que não seja alimento e que altere o funcionamento do corpo e da mente (PROERD, 2014). Diante desta definição, ao falar de drogas, fala-se de algo que pode comprometer a saúde física e mental do ser humano. O Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID) relata que, segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), o termo drogas abrange “qualquer substância não produzida pelo organismo que tem a propriedade de atuar sobre um ou mais de seus sistemas, produzindo alterações em seu funcionamento” (BRASIL, 2010, p. 91). Comparando as definições dos autores, percebe-se que ambas abordam questões causadoras de alterações físicas e psíquicas no individuo usuário, independente de qual substância, ou seja, não precisa conter exatamente um componente específico, apenas a certeza de que, se não for algo benéfico, necessário ao organismo, pode trazer sérios danos à saúde. De acordo com Brasil (2013, p. 7) na edição que aborda as drogas psicotrópicas, “o termo droga teve origem na palavra droog (holândes antigo) que significa folha seca, isso porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais”. Segundo o autor, atualmente, a medicina define droga como “qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento” (BRASIL, 2013, p. 7). O autor desta edição ainda define drogas psicotrópicas como “aquelas que atuam sobre o cérebro, alterando de alguma maneira o psiquismo” (BRASIL, 2013, p. 7). 24 1.2. CLASSIFICAÇÃO DAS DROGAS Em Brasil (2013) as drogas estão classificadas em três grupos, de acordo com a atividade que exercem em nosso cérebro. No primeiro grupo estão as depressoras da atividade do Sistema Nervos Central (SNC), as quais atuam no cérebro fazendo-o trabalhar mais lento, destacando-se: [...] o álcool; soníferos ou hipnóticos (drogas que promovem o sono), sendo estas os barbitúricos, alguns benzodiazepínicos; ansiolíticos (acalmam e inibem a ansiedade). As principais drogas pertencentes a esta classificação são os benzodiazepínicos. Ex.: diazepam, lorazepam etc. Além dessas, cita- se também os opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência). Ex.: morfina, heroína, codeína, meperidina etc. Também estão nesta classe os inalantes ou solventes: colas, tintas, removedores, etc. (BRASIL, 2013, p. 9). No segundo grupo, as estimulantes da atividade do SNC. Essas também atuam no cérebro, passando a acelerar o funcionamento. Destaca-se entre estas: “os anorexígenos (diminuem a fome). As principais drogas pertencentes a essa classificação são as anfetaminas. Ex.: dietilpropriona, fenproporex etc. Além disso, estão nessa classe a cocaína, crack e merla” (BRASIL, 2013, p. 9). Em relação ao terceiro grupo estão as perturbadoras da atividade do SNC, que, ao atingir o cérebro, fazem com que ele trabalhe de forma desordenada. Geralmente são de origem natural e, segundo Brasil (2013, p. 9) pode ser a “mescalina (do cacto mexicano). THC (da maconha). Psilocibina (de certos cogumelos). Lírio (trombeteira, zabumba ou saia-branca). De origem sintética LSD- 25. "Êxtase". Anticolinérgicos, com o Artane e Bentyl”. Todas estas substâncias citadas foram classificadas mediante estudos comprobatórios e divulgados pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas, através do manual sobre drogas psicotrópicas. Mediante esta classificação, ainda pode-se acrescentar que as drogas dividem-se em lícitas, o tabaco (cigarro) e álcool (bebidas alcoólicas), as quais são liberadas para o comércio e consumo para maiores de 18 anos. Em outra classificação estão as ilícitas, representada pela maconha, cocaína e crack, dentre outras proibidas por lei. 25 Visando um melhor esclarecimento acerca dessas substâncias químicas, apresenta-se a seguir um estudo sobre algumas dessas drogas, cuja descrição faz parte do currículo do PROERD. 1.3. EFEITOS E CONSEQUÊNCIAS DAS DROGAS 1.3.1. Tabaco De acordo com o Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas, “o tabaco é uma planta cujo nome científico é Nicotiana Tabacum, da qual é extraída uma substância de efeito estimulante chamada nicotina” (BRASIL, 2010). Pelas informações do autor, o tabaco aparece como um estimulador da atividade mental, sendo a nicotina a substância que leva o indivíduo a ficar dependente dele. No entanto, sabe-se que nele ainda existem mais de 4.700 substâncias catalogadas, das quais algumas são consideradas cancerígenas. Em destaque a nicotina, que é a principal causa de dependência do cigarro, conforme está explícito a seguir: A nicotina é uma substância psicoativa de produção e comércio lícitos, mas a venda para menores de 18 anos é proibida por lei. Fumar também gera dependência. O monóxido de carbono (CO) tem afinidade com a hemoglobina (HB) presente nos glóbulos vermelhos do sangue, que transportam oxigênio para todos os órgãos do corpo. A ligação do CO com a hemoglobina forma o composto chamado carboxihemoglobina, o qual prejudica a oxigenação sanguínea e, consequentemente, de alguns órgãos, causando doenças como a aterosclerose, doença inflamatória crônica nos vasos sanguíneos. (BRASIL, 2010). Pelo que observamos nesse comentário, as consequências do uso de tabaco no organismo é algo nocivo à saúde, pois além de causar a dependência, há o comprometimento de alguns órgãos, passa a prejudicar o funcionamento do organismo e pode ocasionar o aparecimento de doenças graves, tais como câncer, as do tipo vascular, cardíacas, dentre outras. Em relação aos efeitos no organismo, de acordo com Proerd (2014), o cigarro pode causar os seguintes efeitos: Problemas respiratórios, dificuldades de respirar e tontura; Doença cardíaca, tais como a taquicardia que acelera os batimentos cardíacos; Vários tipos de câncer, pulmão, boca, gengiva, bexiga, rim e laringe; 26 Prejuízo dos dentes, deixando-os amarelados, podendo ocasionar mau hálito e perda deles; Envelhecimento precoce, ressecando a pele causando enrugamento; Atraso no desenvolvimento do corpo, principalmente nos jovens, pois estes estão em fase de crescimento. Figura 1: Efeitos do cigarro no organismo Fonte: The Tabaco Atlas – World Healtch Organization. Disponível em: www.obid.senad.gov.br A figura 1 faz uma relação clara dos efeitos causados pelo cigarro em alguns órgãos, para facilitar a compreensão e proporcionar o entendimento necessário a uma reflexão sobre o hábito de fumar. Diante disso, pode-se verificar a gravidade das substâncias do cigarro e o quanto é prejudicial à saúde. 27 Quanto a fumar na gravidez, os efeitos são prejudiciais tanto para a grávida quanto para o feto. Desse modo, há grande probabilidade de causar aborto ou parto prematuro. Figura 2: Tabaco e gravidez Fonte: The Tabaco Atlas – World Healtch Organization. Disponível em: www.obid.senad.gov.br A figura 2 relata as consequências do uso de cigarros por grávidas, destacando os efeitosdo cigarro na mãe e no feto. Pelo que se pode observar, essa substância, mesmo sendo lícita, traz graves danos ao usuário. 28 Figura 3: Fumantes passivos Fonte: The Tabaco Atlas – World Healtch Organization. Disponível em: www.obid.senad.gov.br A figura 3 mostra que a fumaça do cigarro não tem prejudicado somente aqueles que fumam, pois adultos e crianças que convivem com fumantes também correm os mesmos riscos de adquirirem doenças, esses são chamados de fumantes passivos, uma vez que, mesmo não estando diretamente com o cigarro, inalam a fumaça e estão vulneráveis ao mesmo quadro crônico provocado por essa 29 substância. A figura 3, além de nominar as causas do uso dessa droga, indica na silhueta do corpo humano quais os órgãos afetados, para facilitar a compreensão de seus efeitos. 1.3.2. Álcool Em Brasil (2010) classifica-se o álcool como uma droga depressora da atividade mental, pois diminui a atividade cerebral. Para ele, essa substância ocasiona vários danos à saúde, as famílias e à sociedade em geral. O álcool é uma substância lícita, porém proibida para menores de 18 anos. Mesmo com essa restrição, essa droga tem uso exorbitante na sociedade. Quanto aos efeitos na saúde, Proerd (2014) faz algumas considerações para alertar tanto aqueles que ainda não fazem uso, quanto os que já a consomem: O álcool causa perda da coordenação motora, comprometendo o equilíbrio e o desenvolvimento motor do indivíduo usuário; Causa perda da concentração, levando o sujeito a certa inquietação; Diminui os reflexos e a capacidade de julgamento; Ocasiona lapsos de memória; Perda do autocontrole, podendo desenvolver um comportamento agressivo; Mudança na fala, dificultando a compreensão; Causam doenças como a cirrose, através da dilatação do fígado, cardiovasculares, cardiorrespiratórias e o coma alcoólico; O consumo aumenta o risco de acidentes de trânsito e no trabalho; Pode comprometer vários órgãos, como o pâncreas, estômago, fígado e, principalmente, o cérebro; Jovens em fase de crescimento que fazem uso de bebidas alcoólicas podem ter seu desenvolvimento afetado; O álcool causa dependência. Formigoni (2012), numa reportagem na Revista Mente e Cérebro, aborda o fato de que, quando as pessoas não sentem os efeitos desagradáveis do álcool, passam a aumentar a dosagem, podendo surgir o risco de se tornar um dependente. A autora ainda traz o questionamento de que a ingestão de bebidas alcoólicas por crianças aumenta as chances de dependência, conforme relato abaixo: 30 Há evidências de que ocorra neuroadaptações (tentativa do organismo de se adaptar ao efeito da droga) que aumenta o efeito estimulante do álcool, tornando-o mais prazeroso e incentivando ainda mais o seu uso. Além disso, o consumo de álcool pode provocar redução do corpo caloso-região que une os dois hemisférios cerebral, inibindo o desenvolvimento neurocognitivo normal e levando a problemas de aprendizagem e memória. (FORMIGONI, 2012, p. 64). Pelo que traz a autora, é válido concluir que os prejuízos do uso de álcool em crianças podem causar alterações e comprometer o desenvolvimento dela e condicioná-la a consumir por conta dos fatores ambientais que a influenciam. Está em Brasil (2013) que “aqueles que começam a beber ainda jovem percebem que depois de alguns drinques, em geral, ficam mais relaxados e alegres” (BRASIL 2013, p. 12). Esse pensamento ocasiona um risco para o usuário do álcool, pois a sensação de relaxamento o estimula a aumentar o consumo. Sobre as fases do álcool, o autor traz o seguinte: Os efeitos da bebida alcoólica acontecem em duas fases. Na primeira delas o álcool age como um estimulante, e deixa a pessoa mais eufórica e desinibida, mas, à medida que as doses vão aumentando e o tempo vai correndo, passa-se à segunda fase, na qual começam a surgir os efeitos depressores do álcool, levando à diminuição da coordenação motora, dos reflexos e deixando a pessoa sonolenta. (BRASIL, 2013, p. 12). Isso comprova por que motivo há reincidência no uso do álcool, pois enquanto as primeiras doses trazem esta sensação estimulante, quando o relaxamento chega, o sujeito já está fora da sua consciência e não sabe mais medir os prejuízos. Esse questionamento se justifica pelo que o autor vem dizer referente à quantidade de bebida no sangue. [...] quanto mais se beber, maior será o cansaço. Quanto mais alta a concentração de álcool no sangue (chamada de alcoolemia), mais a bebida atua como depressora e não como estimulante. As bebidas variam quanto à quantidade de álcool puro que contêm. O teor alcoólico de cada tipo de bebida: cerveja e chope – 4% a 6%, vinho – 12%, licores – 15% a 30% e destilados (pinga, vodka, conhaque, whisky) – 45% a 50%. (BRASIL, 2013, p. 13). O fato de o teor alcoólico ser maior em algumas, não implica que se pode fazer uso deliberadamente, pois mesmo menor seu teor, o álcool traz transtornos ao ser humano. Em relação à alcoolemia, que corresponde ao teor de álcool no sangue citado anteriormente, torna-se objeto de fiscalização por meio da Lei 11.705/2008, nominada como “Lei Seca”. Para Brasil (2013), esta Lei resultou em alterações no 31 Código de Trânsito Brasileiro, adicionando penalidades para os condutores de veículos que dirigirem sob a influência dessa substância. Em relação às penalidades da Lei seca, faz-se o seguinte relato: O motorista que tiver qualquer concentração de álcool por litro de sangue estará sujeito às penalidades administrativas, como: multa, apreensão do veículo e suspensão do direito de dirigir por doze meses (art. 165 da Lei 9503/1997). O motorista que apresentar concentração de álcool igual ou superior a 0.6 g/l de sangue sofrerá pena de detenção de seis meses a três anos, além das penalidades administrativas. A alcoolemia, ou teor de álcool no sangue, varia dependendo da altura, peso e sexo de quem bebeu. Uma lata de cerveja pode significar risco de acidente e multa para uma pessoa e não muito problema para outra. A maneira mais precisa de conhecermos nossa alcoolemia é por meio de exames laboratoriais. Outra forma é por meio de popularmente chamados bafômetros, que são os etilômetros, usados pela Polícia para verificar a concentração de álcool por litro de ar expelido dos pulmões. (BRASIL, 2013, p. 31). Portanto, deduz-se que o álcool, mesmo sendo uma substância lícita, para maiores de 18 anos, não quer dizer que se deve consumir, pois as complicações podem surgir causando reais transtornos à vida do usuário e à sociedade em geral. 1.3.3. Maconha A maconha é conhecida cientificamente como Cannabis Sativa. Brasil (2010, p. 98) informa que “suas folhas e inflorescências secas podem ser fumadas ou ingeridas”. A concentração da substância THC (tetra-hidrocarabinol) é responsável pela maioria dos efeitos nocivos ao usuário e podem ser caracterizados, de acordo com o que Lopes e Ribeiro abordam a seguir: Os efeitos mentais da Cannabis variam conforme o contexto psicológico e fisiológico do usuário. Podem ser diferentes, ou até mesmo opostos, conforme seu estado de humor antes de consumi-la. Isso se deve à variação na composição relativa dos diferentes componentes ativos da maconha (os canabinoides) e da forma como eles se interagem com os circuitos neuronais, mas depende também da experiência anterior do individuo e da via de administração da droga (que em geral é fumada, mas pode ser ingerida). É comum, por exemplo, que alterações mentais não sejam sentidas nas primeiras vezes. Também é frequente que a primeira ocorrência consciente seja lembrada como a mais forte de todas as “viagens.” (LOPES E RIBEIRO, 2012, p. 32). Os autores discutem sobre a questão de que os efeitos da maconha, mesmo causando alterações orgânicas e psicológicas no ser humano, podem variar de acordo com a quantidadee com o individuo, podendo ser imediatos ou tardios. 32 Abordam-se em Proerd (2014) os efeitos prejudiciais da maconha, fazendo algumas considerações: Fumar maconha causa problemas respiratórios, podendo contrair resfriados com mais frequências e alterações nas vias aéreas superiores; A maconha afeta o cérebro, podendo levar à perda da memória recente, perda da concentração e diminuição da capacidade de calcular distância; Apresenta risco de câncer e pode levar a dependência; Comparada ao tabaco, a maconha contém entre 50% a 70% de produtos químico a mais do que ele. Pelo exposto, percebe-se que a maconha não é inofensiva, pois mesmo havendo algum benefício para o ser humano, essa droga ocasiona sérios danos à saúde física e mental. Por conta disso, é que no Brasil, a maconha ainda é uma droga proibida. Ainda sobre os efeitos da maconha, Brasil (2013) acrescenta: [...] é melhor dividir os efeitos que a maconha produz em físicos (ação sobre o próprio corpo ou partes dele) e psíquicos (ação sobre a mente). Esses efeitos sofrerão mudanças de acordo com o tempo de uso que se considera, ou seja, os efeitos são agudos (isto é, quando decorrem apenas algumas horas após fumar) e crônicos (consequências que aparecem após o uso continuado por semanas, ou meses ou mesmo anos). (BRASIL, 2013, p. 45-46). Consta em Brasil (2013) que são poucos os efeitos físicos e agudos, os olhos avermelhados, conhecido cientificamente pela medicina como hiperemia das conjuntivas, e a boca seca, sendo este outro sintoma do uso da maconha e conhecida na medicina por xerostomia. Além desses efeitos também acontece à taquicardia, ou seja, o coração acelera seus batimentos cardíacos. Em relação aos efeitos psíquicos agudos, acrescenta-se ainda em Brasil (2013) que vai depender da droga (qualidade e quantidade) e do usuário (sua sensibilidade). Mesmo que algumas pessoas tenham a maconha como uma droga que causa relaxamento e sensação de bem-estar, os efeitos referentes ao uso da droga podem comprometer a qualidade de vida. Lopes e Ribeiro, (2012) concordam com Brasil (2013) dizendo que não importa a predisposição para transtornos psicóticos, mas argumentam que usuários sem experiência podem ter mais complicações, levando a episódios agudos e de ansiedade. 33 Carlini (2012) relata que “estudos nas últimas épocas mostram que propriedades da maconha podem ser úteis na produção de medicamentos contra náuseas, dor ou até na moderação do apetite” (CARLINI, 2012, p. 39). Mesmo com a concepção de que a drogas ocasiona benefícios ao ser humano, deve-se haver o cuidado adequado para que a droga não seja consumida de forma banal e aumente os transtornos físicos e psíquicos. O que Carlini traz sobre a questão da liberação da maconha nos faz refletir sobre o assunto atentando para as reais necessidades do remédio feito à base dessa droga. Assim ela relata: Atualmente um grande laboratório farmacêutico inglês planeja lançar um produto à base de delta – 9 – THC e alguns outros princípios isolados da maconha, para uso na forma de spray nasal, no tratamento daquele tipo de dor, inclusive da esclerose múltipla. Veto internacional. É difícil discutir os aspectos medicinais, dada à proibição imposta pelas Nações Unidas ao uso médico da maconha. De fato a maconha está condenada pela Convenção Única de Entorpecentes da ONU, de 1961, e seu uso médico não é aprovado. (CARLINI, 2012, p. 42). Argumentando esse posicionamento sobre a liberação da maconha, pode-se refletir sobre os reais benefícios, no entanto, pergunta-se: haverá realmente o controle no plantio e cultivo da maconha? Como está a questão da liberação em outros países? Pontos como estes devem ser discutidos com bastante veemência, ou seja, os debates devem ser intensificados para que não haja, posteriormente, uma epidemia de jovens usuários. No entanto, o assunto é palco de muitos debates e alguns países já aderem à liberação, conforme está explícito no relato da autora. [...] lentamente a situação está mudando. Os governos de países como o Canadá, Alemanha, Suíça, Reino Unido e Holanda já abriram em seus respectivos ministérios da Saúde, a Agência da Cannabis Medicinal, satisfazendo assim a Convenção de 1961. Com isso, existem plantações legais de maconha naqueles países, e a planta pode ser distribuída ou comercializada, exclusivamente para uso em pacientes (nas indicações já citadas para o delta – 9 – THC). Além disso, a Holanda já comunicou que pretende exportar cigarros de maconha, exclusivamente para uso terapêutico. (CARLINI, 2012, p. 42). Pelo que foi discutido até o momento sobre a maconha, acredita-se que os debates referentes à sua liberação no Brasil ainda serão palco de grandes discussões, pois pela ilegalidade da droga no país, torna-se mais difícil chegar a uma conclusão. 1.3.4. Cocaína 34 Conforme foi abordado anteriormente, a cocaína está classificada como uma droga estimulante do sistema nervoso central, a qual aumenta a atividade cerebral. Essa droga é uma “substância natural, extraída das folhas de uma planta encontrada exclusivamente na América do Sul, a Erythroxylon, coca” (BRASIL, 2013, p. 36). O uso de cocaína pode ser de várias formas: injetada, cheirada ou fumada, sendo esta última o crack, pois se constitui sob a forma de base. Algumas dessas formas trazem efeitos mais intensos e podem modificar comportamentos. Em Brasil (2013) destaca-se: A tendência do usuário é aumentar a dose da droga na tentativa de sentir efeitos mais intensos. Porém, essas quantidades maiores acabam por levar o usuário a comportamento violento, irritabilidade, tremores e atitudes bizarras devido ao aparecimento de paranoia (chamada entre eles de “noia”). Esse efeito provoca um grande medo nos craqueiros, que passam a vigiar o local onde usam a droga e a ter uma grande desconfiança uns dos outros, o que acaba levando-os a situações extremas de agressividade. Eventualmente, podem ter alucinações e delírios. A esse conjunto de sintomas dá-se o nome de “psicose cocaínica”. Além dos sintomas descritos, o craquero e o usuário de merla perdem de forma muito marcante o interesse sexual. (BRASIL, 2015, p. 38). Aqui há um esclarecimento referente ao uso da cocaína, pois o autor expõe a questão da intensidade do uso e da busca do usuário pelo prazer. Na busca pelo intenso prazer, surge a desconfiança que proporciona violência entre os usuários e a sociedade em geral, pois a perda da consciência ocasiona alterações comportamentais significativas na vida do sujeito. A contribuição que consta em Brasil (2013) vem esclarecer que o uso de cocaína no Brasil “varia conforme sexo e idade: 5,4% entre homens e 1,2% entre mulheres, com faixa etária entre 25 e 34 anos de idade, com uma porcentagem de 5,2%. Entre os adolescentes de 12 a 17 anos, 0,5% relatam já terem experimentado essa droga” (BRASIL 2013, p. 21). O autor ainda destaca aos efeitos que a cocaína causa em outras partes do corpo, tais como: Aumento do batimento cardíaco, pelo fato de ser uma droga estimulante; Maior intensidade na atividade cerebral e corporal; Aumento da pressão arterial; Risco de overdose, pela quantidade de drogas no organismo; 35 Dependência, pelo fato do individuo ter a droga como alívio para seus problemas, levando a um ciclo vicioso, aumentando o risco de transtornos mais graves; Risco de contrair doenças, como a hepatite e AIDS através de seringas compartilhadas quando usada de forma injetável; Alucinações, delírios e estados psicóticos. Além desses problemas, muitos outros podem surgir com o uso da cocaína, pois essa droga é considerada de extremo risco pelo poder de absorção do organismo e os efeitos que ela causa. Brasil (2010) contribui dizendo que ainda outros efeitos também fazem parte do uso de cocaína, tais como: sensação intensae euforia de poder; excitação, hiperatividade e falta de apetite. O autor ainda relata que também existem evidências de que o uso de cocaína pode levar a AVE (acidente vascular encefálico) e infarto do miocárdio. Selma (2012) sobre os efeitos psicóticos relata o seguinte: A indução a estados psicóticos tem sido frequentemente relatada em caos de intoxicação crônica por cocaína, sob a forma de ideias delirantes persecutórias associadas com alucinações auditivas e/ou visuais. As psicoses cocaínicas com ideias delirantes esquizofreniformes em geral eclodem após consumo de doses altas e repetidas. Os riscos aumentam em razão das impurezas. Na ponta do tráfico – a venda ao consumidor final – não é incomum o acréscimo de pó de mármore, pó de vidro moído, maisena e areia, entre outras substâncias, o que pode provocar sérios problemas clínicos, quando não a morte por sufocação ou colapso das vias aéreas. Neste caso não se trata de overdose, mas do efeito de adulterantes acrescentados. (SELMA, 2012, p. 59). Pode-se, diante desse argumento, perceber que essa droga pura traz efeitos nocivos à saúde do usuário, quanto mais quando misturada a outras substâncias. Assim, é mais uma questão a se preocupar. Por ser uma droga de alto poder de vício e dependência, a cocaína, quando em fase de abstinência, também provoca distúrbios graves no individuo, fato este abordado por Selma (2012), quando coloca que a “interrupção abrupta do consumo, situação conhecida como abstinência, é comum provocar crises de depressão, ansiedade, fadiga, alterações do humor e sonolência” (SELMA, 2012, p. 59). 1.3.5. Crack 36 Define-se crack como uma “mistura de cloridrato de cocaína em pó, bicarbonato de sódio ou amônia e água destilada, que resulta em pequenos grãos, podendo ser fumado em cachimbos e/ou outros meios improvisados” (BRASIL, 2010, p. 104). Para o autor o nome se dá pelo barulho quando a pedra é queimada. Sobre os efeitos do crack, ele acrescenta o seguinte: A duração dos efeitos do crack é muito rápida. Em média, em torno de 5 minutos, enquanto após injetar ou cheirar, duram de 20 a 45 minutos. Essa curta duração dos efeitos faz com que o usuário volte a utilizar a droga com mais frequência que as outras vias (praticamente de 5 em 5 minutos), levando-o à dependência muito mais rapidamente que os usuários da cocaína por outras vias (nasal, endovenosa) e a um investimento monetário muito maior. [...] o usuário tem uma sensação de grande prazer, intensa euforia e poder. É tão agradável que, logo após o desaparecimento desse efeito (e isso ocorre muito rapidamente, em 5 minutos), ele volta a usar a droga, fazendo isso inúmeras vezes, até acabar todo o estoque que possui ou o dinheiro para consegui-la. A essa compulsão para utilizar a droga repetidamente dá-se o nome popular de “fissura”, que é uma vontade incontrolável de sentir os efeitos de “prazer” que a droga provoca. A “fissura” no caso do crack e da merla é avassaladora, já que os efeitos da droga são muito rápidos e intensos. (BRASIL, 2015, p. 37). A forma como o autor fala do crack leva a perceber o quanto essa droga prejudica o ser humano, pois seu alto poder de dependência, conforme relata o autor, torna o individuo mais vulnerável. Diante disso, conclui-se que o melhor remédio contra o crack é evitá-lo, ou seja, resistir ao primeiro uso, para não ingressar no caminho das drogas e prejudicar sua vida. Ribeiro (2012) diz que o crack provoca a liberação de grandes quantidades de dopamina no cérebro, levando a efeitos dez vezes mais intensos. O fácil acesso a drogas e o potencial de dependência que tem o crack facilita o uso exacerbado da droga. Nesse contexto, o prazer intenso leva o individuo a buscar cada vez mais essa substância. Em relação à liberação de dopamina, Ribeiro (2012) conclui que ela permanece na fenda sináptica, o que aumenta e prolonga o prazer. Traz ainda que “o uso contínuo diminui a dopamina na sinapse, ocasionando ansiedade, irritabilidade, sintomas depressivos e a vontade de consumir a droga novamente” (RIBEIRO, 2012, p. 54). Sobre as consequências do uso do crack, Brasil (2010, p. 106) classifica quanto aos danos físicos e psíquicos: Intoxicação: aceleração do coração, aumento da pressão arterial, agitação psicomotora, aumento da temperatura do corpo, sudorese e tremor muscular; 37 Dependência: a estimativa é de 5% a 12% dos que experimentam a droga, estando esse consumo relacionado a problemas pessoas, familiares e sociais; Abstinência: inicia-se de 5 a 10 minutos após o consumo. Como sintomas cita-se a fadiga, desgaste físico, prostração, tristeza, depressão intensa, inquietação, ansiedade, irritabilidade e fissura pela droga; Efeitos no corpo: o pulmão aparece como um dos principais órgãos expostos ao crack. Nas vias aéreas, pode causar tosse com escarro, dor no peito, asma, dentre outros. Enfim, o autor refere-se ao crack como sendo uma droga que pode “resultar numa série de variedade de manifestações neurológicas, bem como o acidente vascular cerebral (derrames), dor de cabeça, tontura, inflamações dos vãos cerebrais, atrofia cerebral e convulsões” (BRASIL, 2010, p. 106-107). Ao abordar o tema da internação compulsória para usuários de crack, Ribeiro (2012) diz que “a eficácia da internação é baixa, pois menos de 2% dos dependentes abandonam a droga por meio dessa abordagem” (RIBEIRO, 2012, p. 54). De acordo com esses dados, pode-se fazer o seguinte questionamento: Será que a internação compulsória ainda não é o melhor meio para diminuir o uso de dependentes de crack no país? A partir daí e diante dos resultados, as políticas públicas devem adotar medidas mais eficazes, ou seja, trabalhar o sujeito não apenas através de cuidados paliativos, mas priorizando o fator pessoal, cultural e principalmente o social. 1.3.6. Inalantes Os solventes ou inalantes podem ser produtos industriais ou de limpeza, sendo estes inalados para obter algum prazer ou mesmo por acaso dependendo do produto. O autor acrescenta que “quase todos os solventes ou os inalantes se tornaram drogas de uso recreativo, embora não tenham sido fabricados com esse propósito” (BRASIL, 2013, p. 31). Essas substâncias citadas pelo autor são caracterizadas como produtos voláteis, ou seja, podem ser evaporados com facilidade e há necessidade de 38 aquecê-los. Quanto ao modo de abstração pelo organismo, é feito pelas vias aéreas através do nariz e boca. Brasil (2013, p. 32) mostra abaixo os principais produtos que são inalados como drogas e seu produto volátil: Figura 04: Relação de substâncias tóxicas, solventes ou inalantes, que prejudica o funcionamento do corpo e da mente. SOLVENTES VOLÁTEIS Tolueno, hexano, acetato de etila, benzeno, tricloroetileno e diclorometano. Colas, vernizes, esmaltes, tintas, removedores, líquidos corretivos, gasolina, tinta spray, fixador de cabelos e desodorante. GASES Butano, propano e fréon. Gás de isqueiro, cozinha e geladeira. ÉTER, CLOROFÓRMIO E ÓXIDO NITROSO Anestésicos ÉTER, CLOROFÓRMIO E ACETATO DE ETILA Lança-perfume e “cheirinho da loló” FONTE: Cartilha sobre maconha, cocaína e inalantes. Disponível: www.senad.gov.br Abordando o consumo de inalantes no país, Brasil (2013) apresenta os seguintes dados abaixo: Cerca de 6% dos brasileiros já inalaram algum produto solvente ou inalante (cola, benzina, éter, gasolina, acetona). Esse dado varia conforme o sexo e a idade: entre homens, 10,3% já usaram e entre mulheres, 3,3%. Os solventes ou inalantes são, em geral, a primeira droga usada por adolescentes, depois de álcool e tabaco. O preço acessível e a grande disponibilidade também tornam os inalantes muito usados entre crianças e adolescentes em situação de rua. Os jovens adultos série: Por Dentro do 39 Assunto, 30 tendem a usá-los naforma de lança-perfume ou “loló” (mistura de éter com aromatizantes). Esses produtos são fabricados com o intuito de serem usados para obter alterações de consciência, sem nenhuma utilidade industrial ou combustível. (BRASIL, 2013, p. 29 e 30). Pela argumentação do autor percebe-se claramente que há certa facilidade para o uso de solventes ou inalantes, haja vista que essas substâncias são bastante acessíveis aos jovens. Também traz uma informação importante, referente ao consumo, que é o de maior índice de usuários serem homens e que no contexto geral apenas 6% da população brasileira provou alguma dessas substâncias. Ceará (2012, p. 32) contribui com algumas informações sobre os inalantes nas lições do PROERD, abordando os efeitos na saúde e os fatos relacionados a essas substâncias: Afetam o coração; Levam à perda dos sentidos e do olfato, enjoos, sangramento nasal, desenvolvem problemas no fígado, pulmões e rins. Pode causar feridas no nariz e na boca, diarreia e asfixia. Ocasiona desgaste muscular, com redução de massa e resistência muscular. Pode ocorrer à morte súbita por asfixia, aspiração do vômito ou parada cardíaca. Depressão grave. Os inalantes incluem um conjunto de produtos de uso doméstico. Mesmo com todos esses efeitos nocivos á saúde do usuário, Ceará (2012) concorda com Brasil (2013) sobre a maioria dos brasileiros nunca terem experimentado inalantes. Apesar de esse índice ser muito baixo, deve-se ficar sempre alerta para que os jovens não venham a consumir essas substâncias, pois o fácil acesso a elas deve ser motivo de preocupação em toda a sociedade. Os tipos de drogas citadas nesse trabalho correspondem aos tipos de drogas abordadas no curso PROERD, as quais são debatidas com os alunos para que possam entender como elas agem no organismo e compreender que é necessário evitar o uso para uma melhor qualidade de vida. Redondo e Faria (2009) complementa dizendo que em geral estas substâncias podem tornar o sujeito dependente mesmo agindo em diferentes sistemas neurotransmissores e completa: 40 [...] o consumo delas em longo prazo força o organismo a mudar para se adaptar. Por isso, o organismo começa a tolerar os efeitos da droga, que parece enfraquecer a cada dose sucessiva, aí, então para obter os mesmos efeitos, é necessário que o usuário aumente a dosagem. Dessa forma, o organismo adquire certa tolerância às drogas, que pode se dar de várias maneiras. Por exemplo, o cérebro pode aprender a compensar os efeitos, utilizando neurônios que não foram afetados; por outro lado, também a droga pode acabar modificando a comunicação química entre os neurônios; além disso, pode acontecer de a pessoa se tornar menos sensível a drogas, mas à medida que ela destrói certos tecidos e/ou com o envelhecimento, ocorre uma reversão súbita da tendência e, consequentemente, a pessoa fica muito sensível à droga. (REDONDO E FARIA, 2009, p. 235). Diante de tantas substâncias com efeitos nocivos à saúde, reforça-se a importância do trabalho preventivo, pois antes que estas venham ser consumidas pelos jovens, faz-se necessário que estes tenham o conhecimento para resistir às ofertas e à procura, podendo evitar transtornos e garantir uma melhor qualidade de vida. Sendo assim, este trabalho deve ter início em casa com os pais e continuado na escola, pois é nessa faixa etária que indivíduos passam a ser alvo daqueles que almejam o aliciamento de novos usuários para consumir e repassar drogas, objetivando a prevalência do tráfico. Abordando o tema drogas no Brasil, Silva (2013) comenta que é preciso compreender sobre o uso abusivo de drogas entre os estudantes brasileiros. Para tanto, o autor apresenta suas considerações em relação às substâncias psicotrópicas consumidas pelos alunos no país e afirma que “torna-se necessário conhecer e compreender as raízes do problema” (SILVA, 2013, p. 29). Silva (2013) também faz um relato sobre levantamentos epidemiológicos confiáveis: Levantamentos epidemiológicos confiáveis precisam ser realizados para que, não só indiquem a magnitude do consumo de drogas, como também, identifiquem as condições de risco e os grupos afetados. Esses estudos nos permitem a realização de diagnósticos contribuindo para elaboração de políticas públicas que respondam á demanda gerada pelo uso abusivo de drogas. (SILVA, 2013, p. 29). Nessa perspectiva, acredita-se que é de extrema importância identificar esses fatores, pois dessa forma realizam-se atividades de prevenção ao uso de drogas com maior confiabilidade nos resultados, além de poder traçar um plano de ação mais eficaz. 41 Na mesma linha de pesquisa, o autor ainda faz referência aos órgãos governamentais do Brasil que realizaram estudos sobre o consumo de drogas no país: No Brasil, importantes levantamentos epidemiológicos sobre consumo de drogas entre estudantes têm sido realizado. Nesse estudo observamos alguns dados obtidos pela Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas (Senad), do Observatório Brasileiro de informações sobre drogas (Obid), da Organização da Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura do Brasil (UNESCO), além de dados analisados da pesquisa realizada pela Organização das Nações Unidas: Escritório contra Drogas e Crime (UNODC). A abrangência desses estudos é fundamental para analisarmos o comportamento dos alunos relativo às drogas, pois possibilitam conhecer a realidade do país. (SILVA, 2013, p. 29). De acordo com o comentário de Silva (2013), percebe-se que vários órgãos estão engajados para colher dados sobre o uso de drogas entre os estudantes, tanto para conhecer a realidade do país, quanto para realizar melhores ações preventivas. Mostrando os números da pesquisa que retrata o índice de envolvimento com drogas no Brasil, Silva (2013) conclui que, entre os anos de 2001 a 2005, houve aumento no uso de substâncias psicotrópicas, conforme explica a seguir: De 2001 para 2005, houve aumento nas estimativas de uso na vida de álcool, tabaco, maconha, solventes, benzodiazepínicos, cocaína, estimulantes, barbitúricos, esteroides, alucinógenos e crack e diminuição nas de orexígenos, xaropes, opiáceos e anticolinérgicos. (SILVA, 2013, p. 30). De modo geral, o que Silva (2013) traz demonstra que algumas dessas drogas tiveram seu consumo acrescido durante o período especificado e que necessitam de maior atenção quanto ao trabalho preventivo, pois são responsáveis por grande parte dos problemas entre jovens usuários, além de terem uma estreita relação com o índice de violência. Diante de uma nova pesquisa realizada através do VI Levantamento Nacional sobre o Consumo de Drogas entre Estudantes do Ensino Fundamental e Médio da Rede Pública e Privada nas Capitais Brasileiras, pelo Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas (OBID), concluído em 2010, faz-se uma comparação do uso de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack), álcool e tabaco (cigarro) quanto ao uso na vida e uso no ano, tanto no contexto geral quanto em relação ao gênero e faixa 42 etária, entre os anos de 2004 e 2010. Para ilustrar os resultados da pesquisa, apresentam-se a seguir gráficos de acordo com cada finalidade desta. Gráfico 01: Uso na vida de drogas psicotrópicas (solventes/inalantes, maconha, ansiolíticos, cocaína, anfetamínicos e crack) entre os estudantes de ensino fundamental e médio da rede pública e privada das 27 capitais brasileiras, comparando-se os anos de 2004 e 2010. FONTE: Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas (OBID, 2010). Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Nesse gráfico os índices apontam menor número de usuários na vida no ano de 2004 com 22,6% enquanto que em 2010 aparece com um índice superior de 24,2%, porém alguns tipos de drogas, como solventes/inalantes,