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UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA – CCT CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES RELATÓRIO DO PROJETO PROERD: ALFABETIZANDO PARA PREVENIR CONTRA AS DROGAS Orientadora Profª. Ma. Luciana Maria de Souza Macêdo Juazeiro do Norte – Ceará 2017 UNIVERSIDADE REGIONAL DO CARIRI – URCA CENTRO DE CIÊNCIAS E TECNOLOGIA CURSO DE LICENCIATURA EM MATEMÁTICA FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES RELATÓRIO DO PROJETO PROERD: ALFABETIZANDO PARA PREVENIR CONTRA AS DROGAS Relatório apresentado ao curso de Licenciatura em Matemática, da Universidade Regional do Cariri – URCA, como requisito parcial para obtenção da aprovação na disciplina Prática de Ensino II: Psicologia da Aprendizagem em Matemática. Orientadora Profª. Ma. Luciana Maria de Souza Macêdo Juazeiro do Norte – Ceará 2017 FOLHA DE AVALIAÇÃO Relatório do Projeto PROERD: Alfabetizando para Prevenir Contra as Drogas apresentado em ________ de _________________ de __________, com nota igual à ________ pela Comissão Examinadora constituída pelos professores: __________________________________ Luciana Maria de Souza Macêdo (Orientadora) __________________________________ Nome – Professor(a) convidado(a) (Convidado) “Se uma pessoa não pode aprender da maneira que é ensinada, é melhor ensiná-la da maneira que ela pode aprender.” (Marion Welchmann) SUMÁRIO 1. INTRODUÇÃO .......................................................................................................................6 2. AS DROGAS ...........................................................................................................................8 2.1. Panorama sobre as Drogas .................................................................................................8 3. ASPECTOS PREVENCIONAIS DE RESISTÊNCIA AS DROGAS ....................................12 3.1. Níveis Prevencionais ..................................................................................................13 3.2. PROERD .........................................................................................................................14 3.3. A Importância da Escola na Luta Contra as Drogas ........................................................17 4. ALFABETIZANDO PARA PREVENIR ...............................................................................20 4.1. Ludicidade .......................................................................................................................20 5. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA ..........................................................................................23 6. RELATOS DA EXPERIÊNCIA ............................................................................................24 6.1. Critérios para escolhas das crianças.................................................................................29 6.2. Caracterização das Crianças ............................................................................................30 6.3. Análise do Diagnóstico Inicial ........................................................................................30 6.4. Metodologia ....................................................................................................................31 6.5. O Material Utilizado ........................................................................................................32 6.6. Realização do Projeto ......................................................................................................33 6.7. Análise do Diagnóstico Final ..........................................................................................34 7. DIÁRIO DAS OFICINAS......................................................................................................36 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS .................................................................................................37 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ...................................................................................40 10. ANEXOS .............................................................................................................................43 6 1. INTRODUÇÃO Diga-me eu esquecerei, ensina-me e eu poderei lembrar, envolva-me e eu aprenderei. Benjamim Franklin Atualmente, o uso de drogas e, por consequência, a prática da violência são dois potenciais problemas que vem trazendo transtornos à sociedade, pois à medida que o uso de drogas aumenta, a violência cresce proporcionalmente. Nessa diretriz, surge o PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, que atua de acordo com o artigo 18 da Lei nº. 11.343/06, onde a prevenção é constituída de atividades direcionadas para reduzir os fatores de vulnerabilidade e risco, buscando fortalecer os fatores de proteção. Intervindo, especificamente nas escolas públicas e privadas, o PROERD consegue abranger também a família, que é a base prevencional mais importante nesse contexto, ensinando a resistir à oferta de drogas e fortalecendo o vínculo familiar. Nesse sentido, o projeto visa contribuir na elaboração de estratégias que possam fortalecer a tomada de decisão e a escolha de comportamentos positivos, levando os estudantes a pensar sobre a situação, analisar as escolhas, decidir de forma confiante e avaliar sua postura diante de situações que exijam maior reflexão sobre determinadas questões. É nessa linha de pensamento que o PROERD pode ajudar na identificação de comportamentos que possam comprometer a saúde física e mental dos indivíduos, quanto ao uso de drogas, atuando na tomada de decisão para decidir pela opção que lhes trará melhores resultados, através de ações conjuntas, despertando neles uma postura crítica diante do uso de drogas, podendo reduzir a vulnerabilidade e fortalecer a sua autonomia para resistir às ofertas. No atual cenário, a escola destaca-se como um local de ensinamentos, de estudos, instruções e saberes. É para a escola que cada ser humano traz consigo a vontade de aprender, e com isso adquire competências, habilidades e capacidades, as quais lhes permitirão realizar-se como pessoa, como cidadão e profissional. É nessa perspectiva que se faz necessária uma abordagem preventiva quanto ao uso de drogas 7 no ambiente escolar, para que os estudantes não percam esse foco de construção do conhecimento e fortaleçam cada vez mais suas habilidades e expectativas de vida. Mesmo diante das dificuldades encontradas por uma grande parte dos alunos em assimilar os conteúdos por alguma deficiência tanto no contexto pedagógico ou físico, é possível explorar outras características qualitativas para viabilizar o processo de aprendizagem através de diversas ferramentas, as quais foram utilizadas nesse projeto. Nesse aspecto o projeto se desenvolveu através de técnicas de ensino específicas, utilizando uma didática interativa e reflexiva para envolver os participantes no processo preventivo. Assim, além da explanação verbal e atividades de leitura do cotidiano escolar, foram utilizadas apresentação de vídeos, músicas com coreografias, mágicas contextualizadas ao tema, teatros, desenhos, jogos pedagógicos sobre drogas e estudo de casos propostos no material utilizado no programa ou relatados a partir da experiência dos próprios alunos. Por fim, o direcionamento desse projeto, implicará numa produção acerca do desenvolvimento do programa de prevenção em destaque, visando minimizar tendências aliciadoras no ambiente escolar,É Possível Prevenir a Violência? Reflexões a Partir do Campo de Saúde Pública. Ciência & Saúde Coletiva, vol. 4, n.º 1, Rio de Janeiro – RJ, 1999. OBID. Observatório Brasileiro de Informações Sobre Drogas. Brasília, 2007. Disponível em: www.obid.senad.gov.br. Acesso em 20 de maio de 2017. Organização Mundial da Saúde (2001). Transtornos devido ao uso de substâncias. Em Organização Pan-Americana da Saúde & Organização Mundial da Saúde (Orgs.). Relatório sobre a saúde no mundo. Saúde Mental: nova concepção, nova esperança (pp. 67-68). Brasília: Gráfica Brasil. PEREIRA, Lucia Helena Pena. Bioexpressão: a caminho de uma educação lúdica para a formação de educadores, 2005, 388p. Tese (doutorado) - Programa de Pós-Graduação em Educação, Faculdade de Educação, Universidade Federal da Bahia, Salvador, 2005. PROERD. Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência. Histórico do programa. Disponível em:. Acesso em 20 de maio 2017. http://www.obid.senad.gov.br/ http://www.proerdbrasil.com.br/oproerd/oprograma.htm 42 SANTANDER, Elismar. Em defesa da vida: um programa de prevenção contra o uso de drogas na escola, na família e na comunidade. 1.ed. São Paulo: Paulus, 2003. SENAD. Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas. Drogas Psicotrópicas. Esplanada dos Ministérios, Bloco T, Anexo II, 2º andar, sala 207. Brasília DF. 5ª edição - 1ª reimpressão 2011. Disponível em: www.senad.gov.br. SILVA, Edson Edalcio Aragão. Princípios da prevenção ao abuso de drogas. Conselho Estadual de Políticas sobre drogas do Ceará. Fortaleza, 2014. SILVEIRA, Dartiu Xavier; MOREIRA, Fernanda Gonçalves. (org.) Panorama Atual de drogas e dependências. São Paulo: Atheneu, 2006. TIBA, Içami. Juventude e Drogas: Anjos caídos - Para pais e educadores. São Paulo: Integrare,2007. UNODC (UNITED NATIONS OFFICE ON DRUGS AND CRIME). World Drug Report (2012). N.E.12.XI.1. New York: United Nations publication, 2012. VERGARA. Rodrigo. Drogas: O que fazer a respeito. In: Revista Super Interessante, n° 172. ed. Abril, São Paulo, 2002. p. 40 a 50. VIEIRA, V. A. As tipologias, variações e características da pesquisa de marketing. Revista FAE, v.5, n.1, jan/abr p.61-70, Curitiba, 2002. YOZO, Ronaldo Yudi K. 100 jogso para grupos: uma abordagem psicodramática para empresas, escolas e clínicas. São Paulo, Ágora, 1996. http://www.senad.gov.br/ 43 10. ANEXOS ANEXO 01 INSTITUCIONALIZAÇÃO DO PROERD NA POLÍCIA MILITAR DO CEARÁ (Bol. do Cmdº Geral nº. 126, de 05 de julho de 2006) Decreto nº 28.232, de 04 de maio de 2006. Institucionaliza na Polícia Militar do Ceará, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) e dá outras providências. O Governador do Estado do Ceará, no uso das atribuições que lhe confere o art.88, incisos IV, VI e IX da Constituição Estadual e, considerando que o Estado, como pessoa jurídica de direito público interno, tem o "munus" de proporcionar o bem-estar geral da sociedade; Considerando que o programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) recebe o apoio da Polícia Militar do Ceará (PMCE), no que pertine a pessoal e instalações; Considerando a necessidade de estabelecer parceria com segmentos da sociedade civil, para a consecução de recursos indispensáveis à manutenção e ampliação do PROERD. Decreta: Art.1º Fica institucionalizado, na Polícia Militar do Ceará (PMCE), o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), a ser administrado pela PMCE. Art.2º O PROERD funcionará nas dependências de Organização Policial Militar. Parágrafo Único - A Polícia Militar do Ceará apoiará o programa com os meios necessários para o seu pleno funcionamento. Art.3º Os cursos ministrados pelo PROERD serão proferidos por policiais militares fardados, devidamente qualificados para o exercício da missão, sem ônus para os discentes. 44 Art.4º A coordenação do PROERD, no Estado do Ceará, ficará a cargo de um oficial superior da Corporação, do serviço ativo ou da inatividade, designado pelo Comandante-Geral da PMCE. Parágrafo único - A função de Coordenação do PROERD tem o caráter de voluntariado e não será remunerada. Art.5º Fica autorizado a Polícia Militar do Ceará a manter convênios com pessoas jurídicas de direito público (governamentais) ou de direito privado (não governamentais) com vistas a conseguir os recursos necessários para a manutenção e ampliação do PROERD em todo o Estado do Ceará, observando-se as formalidades legais. Parágrafo Único - Os recursos de que trata o caput deste artigo serão depositados em conta única do Fundo de Defesa Social (FDS) e serão movimentados pelo órgão responsável pelas finanças da corporação. Art.6º Compete ao órgão responsável pelas finanças da corporação, o controle e a prestação de contas dos recursos adquiridos de conformidade com o disposto no art.5º deste Decreto. Art.7º O Comandante-Geral da PMCE, por meio de Portaria, normatizará a estrutura e o funcionamento do PROERD, no prazo de 30 (trinta) dias, a contar da publicação deste Decreto. Art.8º Este Decreto entrará em vigor na data de sua publicação, revogando-se as disposições em contrário. Palácio Iracema do Estado do Ceará, em Fortaleza-CE, aos 04 de maio de 2006. Lúcio Gonçalo de Alcântara - Governador do Estado do Ceará; Marcus Augusto Vasconcelos Coelho - Secretário da Administração em exercício; Théo Espíndola Basto - Secretário da Segurança Pública e Defesa Social. (Transc. do Diário Oficial do Estado do Ceará n.º 085, datado de 08/05/2006). 45 ANEXO 02 PROTOCOLO DE PARCERIA ENTRE A ESCOLA E A POLÍCIA Polícia Militar do Ceará PROTOCOLO DE PARCERIA Nº ___/2017-PROERD A Polícia Militar do Ceará por meio da Coordenação Institucional do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência - CoIP, institucionalizado por meio do Decreto Estadual nº 28.232, de 04 de maio de 2006, publicado no DOE de 08 de maio de 2006, regulamentado pela Portaria nº 292/2011, publicada no BCG nº 185, de 27 de setembro de 2011, alterada pela Portaria nº 412/2011 – GC, publicada no BCG nº 211, de 07/11/2011, Representado por ________________________________________________, Matrícula Funcional nº _________________, na Função de Comandante do Núcleo da 1ªCia/5ºBPCOM, denominada Entidade Policial e a Escola __________________________________________________,CNPJ nº ___________________, localizada_____________________________________, no Município de ______________________________/Ceará, representada por _________________________________,na função de_______________, CPF nº ________________________ a partir de agora denominada de Entidade Escolar, firmam o presente protocolo para o fim e nas condições abaixo dissecadas. CLÁUSULA PRIMEIRA - Do Objeto Constitui objeto do presente Protocolo, a parceria entre a Polícia Militar do Ceará, por meio da Coordenação Institucional do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência e a Entidade Escolar acima qualificada, visando a estabelecer PROTOCOLO DE PARCERIA Estabelece competências, responsabilidades e outras diretrizes na aplicação do Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência - PROERD. 46 competências, responsabilidades e outras diretrizes das partes, na aplicação do PROERD. CLÁUSULA SEGUNDA – Das Responsabilidades Para a execução do objeto do presente Instrumento, caberá: I - À Coordenação Institucional do PROERD: a) Designar educador social dentre os policiais militares devidamente habilitados para a aplicação do currículo PROERD. b) Assegurar a disponibilidade do educador social para o atendimento dos planos de aulas referentes à carga-horáriado currículo/PROERD. II - À Entidade Escolar: a) Disponibilizar, semanalmente, em dia específico, no mínimo 01 (uma) hora-aula, por turma, dentro do horário regulamentar, para a aplicação do currículo/PROERD. b) Fornecer todos os meio auxiliares necessários para a aplicação das aulas do PROERD. c) Garantir a presença do docente da turma em que estiver sendo aplicado o programa, durante a presença do educador social do PROERD, a fim de, com este, operacionalizar a regência das atividades didáticas. d) Oferecer suporte pedagógico para gerenciamento de problemas de natureza disciplinar durante as aulas do PROERD. e) Planejar, divulgar e coordenar reuniões com os pais e/ou responsáveis dos discentes de acordo com solicitação do educador social. f) Planejar, divulgar, coordenar e disponibilizar suportes técnico e material para realização das formaturas de término de curso do PROERD, em consonância com o educador social e em conformidade com as diretrizes da CoIP. g) Enviar à CoIP relação nominal de todos os alunos do PROERD em conformidade com formulário padrão da CoIP. h) Confeccionar os certificados dos alunos concludentes de acordo com o padrão PROERD/Ceará, remetendo-os em tempo hábil à CoIP, devendo observar o que dispõe a alínea “a” da Cláusula 6 do presente Protocolo. 47 CLÁUSULA TERCEIRA - Do Prazo O presente protocolo terá vigência de 01 (um) semestre letivo ou período necessário para a aplicação do currículo PROERD, podendo ser prorrogado por iguais e sucessivos períodos, mediante aditivos entre as partes, a partir de iniciativa formal da Entidade Escolar. PARÁGRAFO ÚNICO: por aditivo, entende-se a emissão de ofício da Entidade Escolar, solicitando a continuidade do Programa nas condições acertadas no presente Protocolo de Parceria, bem como informando a quantidade de alunos a ser contemplada. CLÁUSULA QUARTA - Do Livro do Estudante a) O livro padrão do estudante PROERD será fornecido pela Entidade Escolar gratuitamente aos discentes, podendo ser estabelecido acordo entre esta, pais e outras organizações quanto a sua forma de aquisição. b) Somente a CoIP poderá autorizar a reprodução do livro do estudante e da marca PROERD. c) Quando na reprodução do livro padrão do estudante PROERD por parte da Entidade Escolar, será admitido impressão de logomarca de natureza publicitária, vedada aquela que remeta à ideia de consumo de álcool, drogas, violência ou comportamento contrário à proposta d o PROERD. d) Havendo disponibilidade de livro de estudante, a CoIP poderá efetivar doação à Entidade Escolar. CLÁUSULA QUINTA - Das Formaturas Os protocolos dos cerimoniais de lançamento e formatura do PROERD serão padronizados pela CoIP, permitindo-se adaptações, desde que sejas remetidas previamente à CoIP para a devida apreciação. CLÁUSULA SEXTA - Do Certificado a) Os Certificados confeccionados pela Entidade Escolar serão rigorosamente de acordo com o padrão PROERD/Ce, ficando vedada a exposição de logomarca comercial de caráter publicitário. b) A certificação de concludente do PROERD é exclusiva da CoIP. c) Havendo disponibilidade de certificado, a CoIP poderá efetivar doação à Entidade 48 Escolar. d) Somente será certificado o aluno que alcançar no mínimo 75 % (setenta e cinco por cento) de presença nas aulas do PROERD. CLÁUSULA SÈTIMA - Disposições Finais a) As aulas do PROERD serão ministradas obrigatoriamente por policial militar fardado com uniforme padrão da Polícia Militar do Ceará, não sendo permitido qualquer outro tipo combinação de peças diversas daquelas do uniforme regulamentar da PMCE. b) As aulas do PROERD serão ministradas obrigatoriamente pelo policial militar desarmado, ficando vedado qualquer tipo de exposição de arma aos discentes. c) Nenhum aluno do PROERD poderá ser impedido de frequentar as aulas do Programa sem a prévia anuência conjunta da CoIP, da Entidade Escolar e do educador social. d) A data e horário de formatura dos concludentes serão definidos pelo educador social e a Entidade Escolar, ouvida a CoIP. devendo ocorrer obrigatoriamente durante o semestre letivo em que foram ministradas as aulas. e) É vedado à Entidade Escolar ocupar os horários disponibilizados às aulas do PROERD com outras atividades do calendário escolar, salvo mediante prévio acerto com o educador social e desde que não comprometa a programação de seu planejamento e cronograma. f) A Entidade Escolar deverá informar à CoIP qualquer descumprimento às diretrizes, das quais tratam o presente Protocolo, por parte do educador social. g) Dúvidas e situações diversas serão administradas pela CoIP. E, por estarem de acordo, as partes firmam o presente Protocolo de parceria. Juazeiro do Norte - Ce, .......... de ............................ de 2017. ........................................................................................... Assinatura do Comandante ........................................................................................... Representante da Entidade Escolar 49 ANEXO 03 Capa do Livro do Estudante PROERD Atualmente é este o livro utilizado nas aulas do PROERD no Estado do Ceará para instruir os estudantes quanto a resistir ao uso de drogas. O Livro é distribuído gratuitamente pela Polícia Militar do Ceará as crianças que participam do PROERD. 50 ANEXO 04 PRINCIPAIS MÁGICAS CONTEXTUALIZADAS DESCRIÇÃO MÁGICA EFEITO ARGOLA Uma pequena corrente fechada passa pelo centro da argola e em um passe mágico a argola fica presa na corrente. AS 3 CORDAS Três cordas de tamanhos diferentes (uma pequena, uma média e uma grande) transformam-se em três cordas do mesmo tamanho. Depois de um estalar de dedos, elas retornam ao tamanho inicial. BARALHO SUMIU Um baralho junto com a caixa é introduzido dentro de uma caixa preta e ao virar a caixa, o baralho inteiro desaparece. BOLHA DE SABÃO O mágico inicia fazendo bolhas de sabão. 51 De repente, ele materializa uma das bolhas, transformando-a em bola de cristal. CIGARRO DIMINUTE O mágico exibe tubo de metal e um cigarro. Diz que é um novo método para diminuir a nicotina do cigarro. Insere o cigarro, fecha o tubo e diz algumas palavras mágicas. Ao abrir, o cigarro está do tamanho de um palito de fósforo. CANETA QUE FURA NOTA Uma caneta transpassa uma cédula de dinheiro emprestada por um espectador. Uma vez a caneta retirada, a cédula de dinheiro está intacta e não apresenta nenhum traço de furo ou rasgo. CARTEIRA DE FOGO Uma carteira comum que pega fogo na hora em que o mágico quiser e não queima nada que estiver dentro dela. CELULAR DENTRO DA BEXIGA O mágico pede o celular do espectador 52 emprestado, pega uma bexiga. Então, o mágico enche a bexiga e com um passe mágico o celular vai parar dentro da bexiga. FINGER TIP - FP COMUM O lenço desaparece e reaparece na mão do mágico. Também é possível fazer transformação de cédulas de dinheiro, dentre outras. LIVRO ESCOLA MÁGICA O mágico mostra um livro e começa a folhear todas as páginas, só que as mesmas estão em branco. Faz um passe mágico e folheia novamente e aparecem figuras em preto e branco em todas as páginas. Com outro passe mágico, folheia e todas as figuras ficaram coloridas. PRODUÇÃO DE FLORES O mágico abre um saco de papel que está dobrado, e mostra totalmente vazio. Uns passes mágicos e uma bolsa de plástico com flores no seu interior é retirada de dentro. Mas não termina aí, pois ele retira mais uma. Duas bolsas saem de dentro do saco e logo depois uma terceira bolsa é retirada. REI NA GRADE Uma carta de baralho representando o reis 53 de copa é colocado dentro de uma grade. Misteriosamente, o rei desaparece da prisão e vai parar em seu castelo, ou seja,o rei desaparece da grade, e vai parar dentro da caixinha. VASO EM FLOR O mágico mostra um vasinho, inteiramente vazio, e uma varinha mágica. Com um gesto mágico, uma flor linda aparece plantada no vaso. Durante o curso do PROERD as mágicas foram produzidas conforme o efeito descritivo e contextualizadas de acordo com assunto que estava sendo abordado. 54 ANEXO 05 Letra da Canção do PROERD 55 ANEXO 06 Dominó Educativo Sobre Drogas O dominó educativo é utilizado para revisar o conteúdo sobre os tipos de drogas 56 ANEXO 07 Baralho Educativo Sobre Drogas O baralho é um jogo preparado para os pais, pois podem jogar com os filhos em casa, onde cada criança, objeto desse estudo, recebeu gratuitamente. 57 ANEXO 08 Trilha DROGASFORA O trilha Drogasfora é utilizado no final do curso para revisão geral do conteúdo ministrado. Ganha o jogo quem primeiro chegar a um mundo sem drogas. 58 ANEXO 09 Dama da Prevenção A dama da prevenção é um jogo que representa os caminhos para uma vida saudável. 59 ANEXO 10 Desenhos feitos pelos alunos 60 61 Mostra uma das formas dos alunos expressarem aquilo que estudaram durante as aulas do PROERD. 62 ANEXO 11 Desenhos para Colorir 63 ANEXO 12 Coreografia da Canção do PROERD Momento da coreografia do PROERD com a presença do mascote do PROERD.] 64 ANEXO 14 Cine-PROERD Aulas de video, uma forma de contribuir na fixação do conteúdo.ajudando os jovens a perceber que há escolhas e que estes podem ser felizes sem o uso de drogas, podendo adquirir novos e bons relacionamentos. 8 2. AS DROGAS Não preciso me drogar para ser um gênio; Não preciso ser um gênio para ser humano; Mas preciso do seu sorriso para ser feliz. Charles Chaplin Será comida dos deuses ou pasto do diabo? Bálsamo da vida ou pura toxina mortal? Fica uma incógnita sobre a resposta certa ou absoluta, pois o assunto é complexo e requer o aval de várias áreas, médicas, psicológicas, históricas, econômicas e culturais. O fato é que as drogas se tornaram definitivamente o mal do século, que contaminam e envolve toda a sociedade, principalmente sua juventude. Em conformidade com a proposta deste projeto, essa seção será dedicada ao estudo dos principais aspectos do consumo de drogas para melhor compreendermos a problemática e justificativa do estudo. Primeiramente, apresenta-se de forma panorâmica uma visão geral e abrangente sobre as drogas e, posteriormente, quais as medidas preventivas para coibir tal uso. 2.1. Panorama sobre as Drogas Para o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD), drogas é qualquer substância que não seja alimento e que altere o funcionamento do corpo e da mente (PROERD, 2014). Diante desta definição, ao falar de drogas, fala-se de algo que pode comprometer a saúde física e mental do ser humano. A palavra droga, em linhas gerais, pode ser interpretada a partir do pressuposto de que qualquer substância não produzida pelo organismo exerça alterações no funcionamento do corpo e da mente. Contudo, elas são também chamadas de psicoativas ou psicotrópicas (derivam-se de origem grega, traduzida como aquilo que age sobre a mente) tem ação no sistema nervoso central modificando o funcionamento cerebral, induzindo estímulos de euforia, sonolência, apatia, bem como potencializando variações de humor, e alterações de percepção sobre a realidade (OBID, 2007). 9 De maneira geral, as drogas se classificam em lícitas (permitidas para maiores de 18 anos) e ilícitas (proibidas por lei). Vergara faz a seguinte distinção: Do ponto de vista legal e jurídico, existem as drogas livres, que qualquer um pode comprar sem controle (álcool e cigarro); as de uso controlado (que podem ser compradas com receitas médicas); e as ilegais. O que impressiona é que não existe nenhum critério técnico que justifica a inclusão das substâncias em uma ou outra categoria (VERGARA 2002, p.44). Tendo em vista a opinião do autor em relação às drogas livres, que qualquer um pode comprar sem controle algum no tocante ao álcool e cigarro, é um tanto quanto exagerada, pois é evidente a proibição e a restrição da venda e do consumo para menores de 18 anos. Existe também outra classificação de interesse didático que são as depressoras, estimulantes e perturbadoras, que não iremos explorá-las. Segundo a Senad (2011), a questão entre o lícito e o ilícito é muito contraditória no meio social, marcado pela diversidade de opiniões a respeito de danos e benefícios. Por trás disso surgem os meios de comunicação, que hora noticia as consequências do tráfico e uso de drogas e, ao mesmo tempo dissemina sofisticadas propagandas incentivando o consumo de bebidas alcoólicas. O aliciamento para jovens consumir drogas tem se fortalecido não apenas através da televisão, mas também de músicas, revistas, jornais, outdoors, internet e o ambiente de convívio. Contudo, resta um questionamento sobre as chamadas drogas lícitas que no decorrer do tempo foram inseridas culturalmente a ponto de nem serem consideradas como drogas, no entendimento de muitas pessoas, a exemplo: o álcool e o tabaco, que são aceitas pela sociedade, configuradas as mais consumidas no Brasil conforme mostra a Figura 1: Drogas mais usadas - % de uso na Vida Fonte: II Levantamento Domiciliar realizado pelo SENAD. 10 Vale ressaltar que as drogas trazem consigo todo um histórico que vem acompanhando o desenvolvimento humano há muito tempo, adquirindo diferentes significados ao longo dos anos, transformando a cada dia a vida de seus usuários, a exemplo dos povos antigos que associado à integração social e ao bem comum local, usava substâncias psicoativas naturais em caráter ritualístico e espiritual (SENAD, 2011) No entanto, com o passar dos tempos, com a industrialização e a farmacologia as substâncias foram sendo modificadas e ampliadas, transformando seus princípios ativos na busca de medicamentos que diminuíssem sofrimentos físicos e transtornos psicológicos. Ao mesmo tempo, nas últimas décadas, o uso de substâncias psicoativas legais e ilegais, teve consequências bastante negativas em nível individual e social, estando diretamente relacionado ao aumento da criminalidade, assim como também da violência. Conforme a Organização Mundial da Saúde estima-se que quase dois terços das mortes prematuras e um terço da totalidade de doenças em adultos são associados a doenças ou comportamentos que começaram na sua juventude, como o abuso de drogas, principalmente o álcool e tabaco (OMS, 2006). Esse fato é visível e afeta diferentes grupos sociais, independente de classe socioeconômica, idade, raça, etnia, sexo. Em fim, vem se espalhando sem fronteiras e a passos largos pelos diversos espaços geográficos. Já o Brasil encontra-se em um patamar do qual não deve se orgulhar jamais. Segundo relatório da ONU (Organização das Nações Unidas), o país é o segundo maior mercado das Américas, com 870 mil usuários, atrás apenas dos Estados Unidos, com cerca de seis milhões de consumidores. Estes dados foram divulgados em 2005 (última pesquisa feita no Brasil sobre a quantidade de usuários de entorpecentes), e desta pesquisa para cá as coisas não mudaram muito, pois com base no relatório da mesma instituição (ONU) divulgado em Junho de 2012, o número de usuários de cocaína e crack, por exemplo, vêm crescendo a cada dia no Brasil de forma bem acelerada. O relatório mundial sobre drogas do Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crimes (UNODC, 2014) mostra que, mesmo sendo o consumo relativamente estável no mundo. Cerca de 243 milhões de pessoas, ou seja, 05% da população terrena existente, entre 15 e 64 anos, usaram drogas ilícitas em 2012. E que os usuários problemáticos somam por volta de 27 milhões, cerca de 0,6% da população adulta de todo o mundo. Segundo o chefe da UNODC, Yury Fedotov, há um sustentável controle 11 de uso de drogas, sendo necessário um firme comprometimento internacional para este controle, com foco na prevenção, tratamento, reabilitação social e na integração. Figura 2: Dados relativos à atual pesquisa sobre consumo as drogas no mundo de 2014. Fonte: ONU (2014) Em meio a tantos índices preocupantes, o Ministério da Saúde através de diversas medidas com o intuito de inibir o consumo abusivo, principalmente do álcool e do tabaco, sendo que o segundo proíbe a veiculação de propagandas na mídia e acrescenta a exposição dos males estampados nos rótulos. Outra tentativa de diminuir o consumo para os referidos produtos foi atribuir impostos mais caros aos fabricantes, mas mesmo assim, observa-se um crescimento vertiginoso em relação ao consumo, que consequentemente tem aumentado o número de mortes e violências e custado muito caro aos cofres públicos, principalmente na área da saúde e da segurança. 12 3. ASPECTOS PREVENCIONAIS DE RESISTÊNCIA AS DROGAS A prevenção não depende só da inteligência nem da quantidade de informação recebida, mas do crédito dado a essa informação. Tiba (2007) Prevenir quer dizer: "prever; dispor de modo que evite (dano ou mal); realizar antecipadamente; atalhar; avisar, informar com antecedência;preparar-se; precaver-se 1 ”. A prevenção refere-se a um termo muito antigo que eram constituídas por práticas religiosas. Cavalcanti tece: Poderíamos dizer que, em geral, a prevenção refere-se a toda iniciativa coletiva visando à sobrevivência da espécie. Na realidade é um conceito recente e poderíamos dizer que as primeiras instituições na história que estiveram na sua vanguarda foram as religiosas (CAVALCANTI, 2001, p.34). De forma geral, a prevenção é consenso de todos e possibilita uma melhor qualidade de vida para as pessoas, proporcionando melhores perspectivas e motivação para a vida em vários aspectos sociais, familiares, profissionais e afetivos. Porém, a mesma deve ser compreendida como uma ação concreta e envolver a parceria e a cooperação entre os diferentes segmentos da sociedade. Essas ações devem abranger todas as pessoas, sendo essencialmente planejadas e direcionadas, conforme afirmam Silveira e Moreira (2006), no sentido de diminuir problemas de saúde associados ao consumo de drogas, quando este existirem para que não piorem. Além dessa perspectiva citada pelo autor, preconizam outras ações que possam antecipar as chances do surgimento de um problema através do conhecimento das causas, efeitos e consequências. Segundo Santander (2003, p.13) “prevenção contra as drogas é comprovadamente o método mais eficaz para reduzir e evitar o uso e o abuso de substâncias psicotrópicas”. Fazer essa prevenção e preparar o adolescente para não se 1 ROCHA, Ruth. Minidicionário Ruth Rocha – Amplamente Ilustrado. 10. ed. São Paulo: Scipione, 2001. 747 p. 2 Disponível em: . Acesso em: 17/05/2017. 3 BAHIA. Secretaria da Segurança Pública. Revista segurança: Um pacto para o futuro, um pacto para toda a vida. Edição 01, relatório 2014. Disponível em: http://www.ssp.ba.gov.br/programas/#post-145. 13 deixar envolver com o tráfico de drogas é educá-lo para uma vida saudável e digna, oferecendo-lhe condições para que possa reconhecer o risco e evitar o convívio com essas substâncias que podem causar dependência física e psíquica. 3.1. Níveis Prevencionais Segundo o OBID – Observatório Brasileiro de Informações sobre Drogas preceitua as intervenções preventivas da seguinte forma: Prevenção primária – O objetivo é evitar que o uso de drogas se instale ou retardar o seu início. Prevenção secundária – Destina-se às pessoas que já experimentaram drogas ou usam-nas moderadamente e tem como objetivo evitar a evolução para usos mais frequentes e prejudiciais. Isso implica um diagnóstico e o reconhecimento precoce daqueles que estão em risco de evoluir para usos mais prejudiciais. Prevenção terciária – Diz respeito às abordagens necessárias no processo de recuperação e reinserção dos indivíduos que já têm problemas com o uso ou que apresentam dependência 2 . No entanto, limitaremos apenas na Prevenção primária, por ser o objeto de estudo deste projeto. Conforme visto essa intervenção objetiva evitar quaisquer atos destinados a instalação do uso de drogas, ou até mesmo, prorrogar esse início ao máximo possível, possibilitando a redução do risco de surgimento de novos casos. Nessa perspectiva, diversos programas e estratégicas de prevenção no combate às drogas, buscam influenciar e orientar no comportamento das pessoas antecipando o consumo de drogas e aos fatores sociais a ela relacionadas. Tais estratégicas são essenciais na diminuição pela procura da droga, motivado por diversos fatores que são alvos dessas intervenções a serem realizadas em todos os espaços sociais: igrejas, escolas, associações, famílias, etc. Assim, cada programa deve se adequar pedagogicamente para atender cada segmento da sociedade o mais cedo possível. As propostas voltadas a esse nível de prevenção busca sensibilizar a comunidade através da integração com diversos órgãos 2 Disponível em: . Acesso em: 17/05/2017. 14 comprometidos nas suas ações. Nesse sentido, as atividades são desenvolvidas de forma educativas, culturais, profissionalizantes, esportivas, recreativas e outras que promova a saúde e a inserção dos jovens no seio da comunidade. 3.2. PROERD O PROERD – Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência é uma versão brasileira do programa que teve a sua origem na cidade de Los Angeles, Califórnia - EUA, em 1983 denominado de Drug Abuse Resistance Education – D.A.R.E, desenvolvido pelo Departamento de Polícia de Los Angeles (L.A.P.D.) em parceria com o Distrito Escolar Unificado de Los Angeles (L.A.U.S.D.). Nestes poucos mais de 30 (trinta) anos, a ideologia do programa foi desenvolvido e expandido internacionalmente, e é desenvolvido em mais de 50 países (MERRILL et al., 2006). Essa disseminação, em síntese, reside em levar informações para desenvolver habilidades em crianças e adolescentes, para fazerem escolhas seguras e dizer não às drogas e à violência (D.A.R.E., 2008b). A iniciativa das ações desenvolvidas pelo PROERD mundialmente fez do programa como sendo um dos maiores programas de prevenção às drogas e a violência do mundo reconhecida pela ONU, segundo afirmou a Secretária de Segurança Pública do Estado da Bahia 3 . A propagação do PROERD aqui no Brasil se iniciou pela Polícia Militar do Estado do Rio de Janeiro (PMERJ) em 1992, sendo o primeiro Estado a implantar o programa com o apoio direto da Missão Diplomática dos EUA. Em seguida, o Programa Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, em 1993 foi recepcionado pelo Estado de São Paulo, do qual recebeu este nome que se configura até hoje em todo território nacional. Daí em diante, o PROERD cada vez mais foi ganhando força e conquistando novos espaços, assim, ampliou suas fronteiras e em pouco tempo o 3 BAHIA. Secretaria da Segurança Pública. Revista segurança: Um pacto para o futuro, um pacto para toda a vida. Edição 01, relatório 2014. Disponível em: http://www.ssp.ba.gov.br/programas/#post-145. Acesso em: 17/05/2017. 15 programa atingiu todos os Estados da Federação Brasileira, sendo que no Ceará iniciou em 2001 4 , e só a partir de 2004 passou a atuar na Região do Cariri, Sul do Estado. É importante ressaltar, que os currículos aplicados para determinado grupo ser atendido, segue um padrão internacional, porém, cada Estado define as suas leis e diretrizes para atuação do Programa. Um exemplo disso é o Decreto nº 28.232, de 04 de maio de 2006, institucionalizado na Polícia Militar do Ceará conforme Anexo 01. Outro exemplo seria a parceria estabelecida entre a Polícia e a Escola, junto às secretarias de educação, como pode ser visto no Anexo 02 o Protocolo de Parceria, que constitui o fortalecimento da prevenção e sela o compromisso nestas instituições de ensino. Conforme pode ser visto através da Figura 3, o programa consiste da ação conjunta da polícia (que ministra o curso), a escola (local onde funciona) e a família (base estrutural de apoio), cujo trinômio fortalece o vínculo entre ambos e cria uma rede protetiva contra as drogas e a violência. Figura 2: Símbolo do PROERD Fonte: PROERD BRASIL Disponível em: http://www.proerdbrasil.com.br Analisando profundamente este símbolo e fazendo um recorte para visualizar os detalhes através da Figura 3, pode-se perceber que a família representa a base que sustenta os outros pilares, sendo a principal instituição responsável pela prevenção primária que acontece antes mesmo da criança ter contato com a escola e, 4 Disponível em: .Acesso em: 17/05/2017. http://www.proerdbrasil.com.br/ 16 consequentemente, após as instruções decorrentes ao trabalho de resistência as drogas e violência pelos policiais a continuidade recai sobre a responsabilidade da base familiar. Figura 3: Trinômio da Prevenção Fonte: PROERD BRASIL Disponível em: http://www.proerdbrasil.com.br A preparação e capacitação dos agentes educadores são feitas sobre rigoroso critério seletivo, para que o policial possa atuar como facilitador em sala de aula. A preparação é fundamental na prevenção primária, que segundo Silva (2014) possa trazer benefícios à comunidade. O autor acrescenta ainda a respeito dos princípios que devem ser observados durante o desenvolvimento do trabalho preventivo, que são eles: a reflexão, inovação, continuidade, dinamismo, criatividade, paciência, algo que promova a interação multidisciplinar em um ambiente alegre e saudável. O PROERD atende um público diversificado possuindo um currículo específico para educação infantil, ensino fundamental I e II e até para pais que tem por objetivo: Emponderar jovens estudantes com ferramentas que lhes permitam evitar influências negativas em questões afetas às drogas e violência, promovendo os fatores de proteção e suas habilidades de resistência. Estabelecer relações positivas entre alunos e policiais militares, professores, pais, responsáveis legais e outros líderes da comunidade escolar. Permitir aos estudantes enxergarem os policiais militares como servidores, transcendendo a atividade de policiamento tradicional e estabelecendo um relacionamento fundamentado na confiança e humanização. Estabelecer uma linha de comunicação entre a Polícia Militar e o público infanto-juvenil. Replicar informações e Políticas Públicas relacionadas à prevenção de drogas e violência. 17 Abrir um diálogo permanente entre a "Escola, a Polícia Militar e a Família", para discutir questões correlatas ao eixo drogas 5 . Assim, o PROERD é desenvolvido pelo policial militar que vai fardado a escola uma vez por semana, e junto com a presença da professora da turma ministra as lições proposta pelo currículo, munido de diversas técnicas que atraem a atenção da criança na busca de desenvolver uma consciência crítica e compreender os problemas relacionados às drogas e a violência. O programa culmina com uma produção textual (redação), produzido pelos próprios alunos que narram e descrevem sobre o que aprenderam durante as aulas do PROERD. E, por fim acontece o encerramento com uma formatura preparada especialmente para os alunos contando com a presença e a participação dos pais e convidados, onde os alunos são submetidos a um juramento, assumindo um compromisso pessoal para manter-se longe das drogas e da violência, e logo em seguida recebem um certificado de conclusão do curso. 3.3. A Importância da Escola na Luta Contra as Drogas A educação tem a função de libertar, de abrir a mente, de conscientizar e fazer com que as pessoas reflitam sobre suas ações e tomem seu lugar de protagonista de suas próprias histórias... Paulo Freire (1999) Segundo Loos (2003), a prevenção deve ser desenvolvida através de atividades contínuas e sistemáticas, a fim de proporcionar informações que possam ser associadas ao caráter comportamental e de valores. Seibel e Júnior apud Cassimiro 6 propõem que: 5 Fonte: Coordenação Estadual Proerd da PMMG. Disponível em:. Acesso em: 20/05/2017. 6 CASSIMIRO, Regina Magda Alves. A Importância da Prevenção na Luta Contra as Drogas. 2009. 49 f. Trabalho de Conclusão de Curso (Especialização) – Academia Nacional de Polícia, Brasília, 2009. 18 (...) a melhor maneira de abordar o problema do uso e abuso de drogas entre os jovens é a prevenção. E quando se fala em atuar com jovens, a escola é sempre lembrada como o local de excelência onde esta tarefa deve se desenvolver (SEIBEL e JÚNIOR apud CASSIMIRO, 2001, p.43). Na ótica dos estudiosos é evidente a importância de prevenir diretamente nas escolas por se tratar de um ambiente propício e multidisciplinar onde são desenvolvidas várias atividades. Por isso, educação se preconiza como ferramenta essencial no sentido de fortalecer e desenvolver autodefesas psicológicas nos indivíduos. Apesar de a escola ter esse papel fundamental no combate as drogas, é preciso destacar que a mesma também tem se tornado vítima nesses últimos tempos dos problemas afligidos pelas drogas, o que será discutido no próximo item e, consequentemente, o que tem sido feito diante dessa situação caótica. Associar educação e prevenção ao uso de drogas é um enfoque relativamente recente. Estudos sob o prisma histórico apontam que, só após a Segunda Guerra Mundial, com o aumento do consumo de substâncias psicoativas, a área da educação passou a integrar de forma mais ativa na solução do problema do abuso. No começo os programas situavam-se na ideia de maléficos das drogas. Acreditava-se que através de informações sobre os efeitos maléficos poderia afastar os jovens dos entorpecentes. Porém a experiência mostrou a ineficácia do projeto, ficou constatado que as informações dadas de forma repressiva sem contestação provocam curiosidades. Desde então, um novo caminho é traçado pelos países industrializados do Ocidente em busca de uma educação preventiva, um método que posso solidificar os enfoques, visando uma abordagem mais afetiva em educação, que leva em conta a dimensão psicossocial do educando (EDWARDS, 1982). Fazendo com que a informação deixe de ser o alvo central dos programas de prevenção, passando a torná-la um dos componentes de uma estratégia mais ampla. Transcorridos mais de trinta anos, a educação preventiva continua sendo alvo de novas pesquisas, tendo sempre como ponto de partida as experiências iniciais já relatadas. Se de um lado houve um crescimento bastante significativo no consumo, por outro, foram mobilizados esforços mundiais visando incrementar nas escolas a prevenção ao abuso de drogas. Assim a prevenção traz em seu bojo a intenção de intervir antes que o consumo aconteça, promovendo um estilo de vida consciente e saudável nos alunos. Seu fundamento é educar para a saúde. Tem como foco a formação do caráter, a tomada de 19 decisão, a adesão aos princípios da vida, o conhecimento da natureza e do efeito de certas substâncias psicoativas. Transformando o sujeito no homem que escolhe, que responde por suas escolhas, que consegue se adaptar às situações e, ao mesmo tempo, construir sua realidade com autonomia. Ao contrário, a mera adaptação transforma o homem num ente passivo, minimizando as suas possibilidades de escolhas. FREIRE (1999, p.53) nos aponta que “quando o homem que se salva seguindo as prescrições, afoga-se no anonimato nivelador da massificação, sem esperança e sem fé, domesticado e acomodado, já não é sujeito. Rebaixa-se a puro objeto”. A educação, por isso, é o instrumento mais valioso a que o homem deve ter acesso, pois por meio dela, poderá abrir seus horizontes para o leque de possibilidades diante de sua existência, exercitando assim, a plenitude da liberdade. 20 4. ALFABETIZANDO PARA PREVENIR Educação não transforma o mundo. Educação muda pessoas. Pessoas transformam o mundo. Paulo Freire (2008) A abordagem afetiva exige uma metodologia que transforme o aluno em co- participe das experiências de aprendizagem. Dentro dessa abordagem, os métodos ativos foram avaliados como os mais adequados no desenvolvimento de atitudes relacionadas a prevenção ao uso de drogas por promoverem a clarificação de valores, a interpretaçãodos conflitos, a definição e solução de problemas, a tomada de decisões. Verificando que a exposição não de forma arbitrária, mas buscando desenvolver o potencial autônomo do educando possibilita a clarificação de valores auxiliando no processo de escolha de determinada situação, como por exemplo, experimentar ou recusar drogas. No planejamento preventivo, as decisões são tomadas levando-se em conta o estudo da realidade e do público alvo. No caso do projeto “PROERD: Alfabetizando para Prevenir Contra as Drogas”, sua eficácia só poderá ser medida a longo prazo, já que seu público alvo segue sua jornada de evolução e desenvolvimento, porém, as etapas concretizadas serviu de subsídio para um mapeamento da influência da informação preventiva nesse processo. As técnicas utilizadas nesse projeto atuaram diretamente no ensino e na aprendizagem dos alunos. Genericamente, as técnicas estão relacionadas a didática empregada pelo educador, que dispõe de diversos recursos materiais e humanos para melhor conduzir o dinamismo que o ensino e a aprendizagem exige respectivamente. 4.1. Ludicidade A ludicidade foi o meio desenvolvido para ajudar as crianças com dificuldades na aprendizagem, por ser uma atividade dinâmica que estimula o desenvolvimento cognitivo, físico, psicológico e facilita a aprendizagem. 21 A educação sempre foi a melhor forma de padronizar o conhecimento e formar valores a partir de intervenções relativas ao modelo e a especificidade. Paulo Freire auxilia como: [...] é esta percepção do homem e da mulher como seres “programados para aprender” e, portanto, para ensinar, para conhecer, para intervir, que me fez entender a prática educativa como um exercício constante em favor da produção e do desenvolvimento da autonomia de educadores e educandos (FREIRE, 1996, p. 18). Em virtude do dinamismo que constitui o ensino e a aprendizagem no mundo moderno, é comum a dificuldade entre alguns educadores perceberem a importância da ludicidade como veiculo nesse processo de desenvolvimento social, emocional e intelectual de seus alunos. Por meio da ludicidade se busca alcançar os objetivos propostos no planejamento, que irá envolver um conjunto de fatores e possibilidades que desenvolverão as competências de aprender, conhecer, conviver, estimular a criatividade, relações interpessoais e de companheirismo, os quais irão explorar o exercício de percepção, concentração e socialização. Quando disseminado na escola integralmente, o lúdico se torna uma ferramenta essencial na mediação do conhecimento manifestada pela criatividade e potencialidades que a criança vai descobrindo, enquanto trabalha com materiais concretos ao seu alcance. Com um olhar mais crítico e perceptivo o lúdico é uma estratégia insubstituível para ser usada como estímulo na construção do conhecimento intelectual e no direcionamento para o aperfeiçoamento das diferentes habilidades operatórias, além disso, é uma ferramenta essencial para o progresso pessoal e realizações de objetivos institucionais. Por, a palavra lúdico advir do latim ludus que significa brincar, nesse contexto, se atribuem as práticas relacionados a jogos, brinquedos e divertimentos. Por sua vez, a definição da função lúdica ultrapassa seus limites primários e vai além da questão semântica. Para Anne Almeida 7 “a evolução semântica da palavra ‘lúdico’, entretanto, não parou apenas nas suas origens e acompanhou as pesquisas de psicomotricidade. O 7 Profª. Esp. Anne Almeida Licenciada em Educação Física pelas Faculdades Montenegro - Ibicaraí, Bahia; Especialista em Educação Física Escolar pela Universidade Salgado de Oliveira – RJ. Professora da Rede Estadual em Itabuna Bahia: Colégios: Eraldo Tinoco Melo e Colégio Modelo - Luís Eduardo Magalhães. Docente Das Faculdades Montenegro nos cursos de Educação Física e Pedagogia; 22 lúdico passou a ser reconhecido como traço essencial de psicofisiologia do comportamento humano”. Embora, muitos educadores tenha dificuldade na percepção do universo lúdico, atualmente, tornou-se objeto de interesse de pesquisadores e estudiosos, o que vem favorecendo na compreensão de sua totalidade e na potencialização do conhecimento. Portanto, muitos educadores necessitam em caráter emergencial, desenvolver a capacidade lúdica que está vinculada na relação professor e aluno a fim de diminuir as possíveis resistências em consequência do tradicionalismo. Assim, se faz necessário a atualização dos professores, cujas práticas pedagógicas devem ser repensadas a partir da didática do lúdico no processo de construção do conhecimento no ensino-aprendizagem. 23 5. IDENTIFICAÇÃO DA ESCOLA O projeto se desenvolveu em diversas escolas, porém foi escolhida para essa análise a seguinte escola: Dados de Identificação Escola: E.E.F. Tabelião Vicente Pereira da Silva Endereço: Av. Dr. Floro Bartolomeu, 1203 – São Miguel Cidade: Juazeiro do Norte/CE Fone/Fax: (088) 3512-5897 // 3511-8137 E-mail: eeftabvicentepereira2009@hotmail.com Nível e Modalidade de Ensino: 5º Ano / FUNDAMENTAL I tel:(088)%203512-5897 24 6. RELATOS DA EXPERIÊNCIA A vocação histórica não é sina, mas, possibilidade. E não há possibilidade que não se exponha à negação, a impossibilidade. E vice-versa, a coisa hoje impossível pode ser possível um dia. In: À sombra da mangueira Paulo Freite (1921-1997) A aula do PROERD tem sido bastante atrativa para os alunos. Por ser um encontro por semana, num total de dez encontros, foram desenvolvidos os trabalhos utilizando várias técnicas metodológicas para facilitar que os alunos avaliados com dificuldades de aprendizagem pela professora, compreendam o conteúdo e tenham melhor rendimentos nas atividades. Além disso, o desafio de despertar neles o interesse pelo tema em estudo e aquisição do conhecimento específico sobre drogas e violência. Apesar do Programa direcionar os métodos e orientar as técnicas de ensino através do manual do instrutor, sabe-se que se faz necessário verificar as reais necessidades dos alunos, observando a realidade de cada sala de aula e proporcionar a eles uma melhor aprendizagem. Nessa perspectiva, Brasília (2005) aborda os critérios para o desenvolvimento do curso e relata: Com base nas pesquisas e teorias resumidas acima, um conjunto de critérios foi formado para orientar o desenvolvimento e a organização dos aspectos- chave deste programa educacional. Enquanto o currículo do curso tem a intenção de ser essencialmente o mesmo para todo o país, as estratégias e os materiais podem ser adaptados para o contexto cultural e social de cada escola conforme as necessidades específicas. Isto significa que os instrutores podem precisar, em certas ocasiões, selecionar materiais e atividades alternativas, assim como métodos que acreditem que sejam mais apropriados para seus alunos, desde que permaneçam coerentes com os propósitos e critérios deste projeto.( BRASÍLIA, 2005, p. 8). Esses critérios que o autor relata dá ao instrutor a liberdade para inovar suas aulas de acordo com as necessidades dos alunos para proporcionar uma melhor aprendizagem. Sabe-se que cada localidade, escola e sala de aula apresentam suas particularidades e realidades diferenciadas. Diante disso, se faz viável utilizar de várias técnicas para melhorar a qualidade do trabalho e levar aos alunos o conhecimento de forma mais prática. 25 É nesse sentido, que será apresentado a seguir, minha experiência como Instrutor do PROERD e a metodologia utilizada em sala de aula junto as diferentes técnicas de ensino para envolver os alunos no processo de prevençãoao uso de drogas. A minha trajetória como educador em sala de aula é desde 2008, e especificamente no PROERD, atuo desde 2011, o que me permitiu direcionar as atividades de acordo com as necessidades dos alunos. Partindo desse pressuposto, percebi a importância de levar para sala de aula novas técnicas com o objetivo de dá um melhor direcionamento as atividades e envolver os estudantes no processo educativo. Vale lembrar que, mesmo com essas inovações, o método e a fidelidade ao direcionamento que o Programa proporciona aos policiais foram seguidos fielmente. Consequentemente, foram trabalhados os dez temas (ver Anexo) propostos pelo programa em dez encontros, em parceria com a professora, a qual diagnosticou as principais dificuldades de aprendizagem de alguns alunos, em especial quatro que precisavam de uma atenção e cuidado diferenciado. Um deles com síndrome down, outro com disgrafia, o terceiro com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e o quarto que possuía certo receio e raiva da polícia, devido o pai está preso por tráfico de drogas. Apesar de serem casos totalmente diferentes, a priori, foi buscar conquistar a confiança de todos para depois da sequência ao cronograma proposto. Partindo das atividades contidas no livro do estudante, através da explanação verbal apresento o tema da aula e procuro saber o conhecimento prévio dos alunos sobre o assunto em estudo. Desse modo, evito apenas repassar o conteúdo, mas procuro partir do conhecimento prévio dos estudantes, das suas experiências de vida e do meio em que vivem. Logo após a essa sondagem, discutimos sobre o tema da lição, passo algumas atividades, as quais estão contidas no livro para resolverem em sala, dando suas opiniões utilizando o Modelo de Tomada de Decisão PROERD, com o objetivo de reforçar o aprendizado, estabelecer o pensamento crítico do aluno, além de levar a reflexão diante da discussão realizada. Porém, como não foi possível trabalhar com os referidos alunos separados do restante da sala de aula, busquei o auxílio de algumas ferramentas que possibilitaram resultados bastante significativos. Na condução do processo instrutivo, busquei envolver os estudantes nos trabalhos, proporcionar-lhes o engajamento nas atividades, despertar o interesse pelo tema e facilitar o acesso ao conhecimento, utilizo várias técnicas que podem estabelecer 26 um feedback significativo entre alunos e instrutor com uma comunicação clara e objetiva. As técnicas utilizadas por mim em sala de aula e os objetivos de cada uma delas, estão descritas a seguir: Dinâmicas: Momento lúdico no início da aula para descontrair os alunos e proporcionar melhor interação entre eles e o Instrutor. Aproveitando as perguntinhas da caixinha PROERD, as dinâmicas, que são variadas, são desenvolvidas a cada pergunta para que seja respondida nos cinco primeiros minutos da aula. Estudo de casos: Os casos debatidos em sala estão contidos no livro do estudante. No entanto, aproveito os relatos dos alunos sobre os casos que eles mesmos trazem como exemplos, pois trabalhando a realidade deles fica mais fácil compreender o conteúdo. Os questionamentos dos casos em estudo são discutidos através do Modelo deTomada de Decisão PROERD, com exemplos práticos e análise dos resultados diante de cada escolha que eles podem citar, para levá-los a refletir sobre a melhor decisão. Apresentação de vídeos: Os vídeos são apresentados para reforçar o conteúdo teórico discutidos em sala e mostrar a realidade diante de cada questão. Geralmente esses vídeos são desenhos que falam sobre o uso de drogas e retratam vantagens de viver de forma saudável, sem o uso delas. Atividades em grupo e individual: Após debater o tema e mostrar os vídeos, realizo atividades individuais e em grupos de acordo com o que está proposto no livro do estudante. Muitas vezes passo algo extra, como fazer relatório do vídeo que assistiram e etc. Teatros: Trabalha a criatividade e o talento dos alunos através de atividades teatrais, nas quais eles encenam situações para resistir ao uso de drogas. Essa proposta curricular está no manual do instrutor e tem como objetivo levar aluno a ser mais participativo, interagir com outros colegas e desenvolver habilidades artísticas, como também a simular situações que podem vir a acontecer, ou seja, é uma preparação para saber lidar com os riscos e a pressão dos colegas. Mágicas contextualizadas com o tema da aula para revisão de conteúdo: O uso de mágicas é uma metodologia inovadora que tem o objetivo de direcionar a atenção dos alunos para o Instrutor, e este por sua vez mostra um truque de mágica e contextualiza com o tema da aula para facilitar a compreensão do assunto. Adianto que é uma técnica bastante interessante, pois pelo tempo que venho trabalhando com 27 mágicas em minhas aulas percebo que o efeito é positivo, porque as utilizo durante a explanação e para revisar o conteúdo ao final de cada aula contextualizando-as com o tema abordado. Atividades para colorir e para desenhar: Desenvolve as habilidades motoras dos alunos, e por ser uma arte livre, favorece na criatividade dos alunos. Disciplina de ordem unida policial militar: Proporciona trabalhar a formação coletiva e a escuta ativa para execução de movimentos uniformes. Essa técnica é uma instrução que ajuda os estudantes primeiro ouvir para depois executar o que se pede. Tais movimentos podem ser: a marcha uniforme; virar para um lado e para outro; ficar numa postura corporal confortável e desenvolver habilidades para obedecer a regras, haja vista que só devem fazer tais movimentos quando solicitados. É um momento bastante participativo, pois os alunos demonstram gostar da instrução. Músicas com coreografias: Geralmente, sempre que dá tempo, ao final da aula, faço um breve ensaio da canção do PROERD com os alunos, pois a letra fala um pouco de cada tema das lições ministradas no curso. Além disso, há a coreografia que trabalha a função motora deles com a sincronia de movimentos, e constitui um momento de descontração para que a aula termine com muita alegria, gerando expectativa para o próximo encontro. Jogos pedagógicos sobre drogas: Com o objetivo de garantir que os alunos terminem o curso do PROERD conscientes do seu papel na sociedade e preparados para resistirem ao uso de drogas, elaborei alguns jogos sobre drogas para trabalhar com eles em sala e incentiva-los a serem multiplicadores do conhecimento, dividindo o aprendizado com os colegas através destes jogos. A seguir farei uma breve apresentação dos jogos com os respectivos objetivos: - Dominó educativo sobre drogas: o dominó educativo foi desenvolvido com o objetivo de reforçar o aprendizado sobre o tema drogas, estimulando através de uma metodologia dinâmica e facilitadora uma aprendizagem positiva e ativa sobre o tema. - Baralho educativo sobre drogas: O baralho educativo sobre drogas foi elaborado para promover um estudo mais dinâmico sobre o tema, objetivando estimular os jovens a ler sobre o assunto. Também tem como objetivo envolver os pais no processo de prevenção, pois sabendo que alguns pais gostam de jogar baralho em casa, os estudantes levam o baralho para casa e jogam juntos. 28 - Jogo de trilhas (DROGASFORA): foi elaborado para revisar as lições do PROERD ministradas pelo Policial Militar Instrutor ao final do curso. A missão dos jogadores é chegar a um mundo sem drogas, superando todos os obstáculos que existe na trilha e resistir sempre às ofertas de drogas. As questões podem ser elaboradas de acordo com o conteúdo ministrado. - Dama da prevenção: foi desenhada com o objetivo de despertar nos jogadores a necessidade de investir em sua própria vida, fazendo escolhas positivas e saudáveis para resistir às ofertas de drogas. Os jogos quando incluídos na educação além de trabalhar o raciocínioe a capacidade de elaborar estratégia na criança, também proporciona a obediência a determinadas regras, Kishimoto (2011, p.4) afirma que “a experiência de regras em todos os jogos é uma característica marcante”. A autora faz uma menção ao baralho com a época do Renascimento e diz que: O baralho adquire nessa época o estatuto de jogo educativo pelas mãos do padre franciscano, Thomas Murner. Percebendo que seus estudantes não entendem a dialética apresentada por textos espanhóis, edita uma nova dialética em imagens, sob a forma de jogo de cartas, engajando os alunos em um aprendizado mais dinâmico. (KISHIMOTO, 2011, p.16). Quando a autora refere-se ao baralho como um jogo dinâmico, de certa forma comprova o quanto este jogo pode ajudar no entendimento do conteúdo e motiva o aluno a participar mais do processo de aprendizagem. Kishimoto (2011, p.16) ainda relata que o jogo educativo surgiu no século XVI, sendo um suporte para as atividades didáticas e facilitando a aquisição de conhecimentos. Como função educativa, o jogo ensina qualquer coisa que complete o individuo em seu saber, seus conhecimentos e sua apreensão do mundo (CAMPAGNE, 1989 APUD KISHIMOTO 2011, p. 19) Yozo (1996, p.13) falando sobre jogos contribui dizendo que “o lúdico representa o processo de aprendizagem e descoberta do ser humano”. Ainda acrescenta que: Com o jogo aprendem-se regras, limites e obtêm-se objetivos claros, de forma voluntária e prazerosa. Acredito que a habilidade e o conhecimento participante de jogos, sendo esta a melhor forma de aprendizagem prática e, consequentemente, desenvolvendo a nossa sensopercepção e comunicação, acrescidos dos instrumentos necessários a uma aplicação adequada. (YOZO, 1996, p.13). 29 É notório que o jogo realmente proporciona grandes inovações para a educação e, de forma lúdica e criativa, o aluno se envolve cada vez mais nas atividades escolares ao ponto que há melhor interação entre os estudantes. A título de conhecimento, os jogos pedagógicos citados estarão disponíveis nos anexos. Pelo que se observa em relação às atividades aplicadas pelo Programa, é importante acrescentar que para o PROERD, não é interessante apenas repassar o conteúdo para os alunos, pois se utiliza de uma metodologia problematizadora para facilitar a discussão e a construção do conhecimento. De acordo com Brasil (2012) a problematização é elemento central que pressupõe a leitura crítica da realidade com todas as suas contradições buscando explicações que ajudem a transformá-la. Sua ênfase é no sujeito práxico, que se transforma na ação de problematizar, possibilitando a formulação de conhecimento com base na vivência de experiências significativas como potências de transformação do contexto vivido, produzindo conhecimento e cultura. (BRASIL, 2012, p.10) Dessa forma as abordagens não deve apenas ter caráter informativo, mas ser problematizada para levar o público alvo a pensar sobre o problema e saber direcionar suas decisões visando o seu bem-estar e do grupo o qual faz parte, proporcionando o diálogo e uma boa convivência. Falando sobre o diálogo e a convivência em grupo, Brasil (2012) diz o seguinte: O diálogo não torna as pessoas iguais, mas possibilita nos reconhecermos como diversos e crescermos um com o outro; pressupõe o reconhecimento da multiculturalidade e amplia nossa capacidade em perceber, potencializar e conviver na diversidade. (BRASIL, 2012, p.15). Portanto, em razão do que o autor mostra através de suas palavras que a construção do conhecimento deve ser de forma coletiva, ou seja, com a participação de todos para que haja melhores resultados. 6.1. Critérios para escolhas das crianças 30 Apesar de serem trabalhadas duas turmas de 5º anos (manhã e tarde) num total de 64 alunos, os critérios para seleção dessa pequena amostra, levou em consideração o diagnóstico inicial repassado pelas professoras verbalmente, onde a partir daí foram selecionadas e observadas durante todo o desenvolvimento do curso. Contudo, este estudo foi baseado no processo evolutivo de quatro alunos, mesclados entre os gêneros masculinos e femininos, dentre os quais, todos participaram efetivamente do curso do PROERD. 6.2. Caracterização das Crianças Essa fase contou com o relato das professoras e direção da escola, as quais enfatizaram os principais problemas em relação à aprendizagem das crianças selecionadas. Como já citado anteriormente, essas crianças possuíam síndrome de down, disgrafia, Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH) e outra com problemas pelo fato de o pai está preso, a qual a tornava uma criança rebelde. O que foi observado também, é que todas essas crianças são moradoras de áreas de risco, de baixa renda, vulneráveis aos mais diversos problemas sociais, entre eles às drogas e à violência. 6.3. Análise do Diagnóstico Inicial Levantadas tais preocupações, a análise foi feita a partir da verificação de todos os recursos pedagógicos utilizados em sala de aula aplicada aos alunos em quatro níveis: na representação de conceitos; como recurso ilustrativo de determinados temas; como estratégia motivacional e por fim, como instrumento constitutivo de laços afetivos entre educador e aluno. Essa verificação foi analisada comparando o grau de influência proporcionada por esse conjunto de ferramentas, diante do mesmo quadro de estudantes que passaram por experiências similares acompanhando o processo evolutivo de cada uma delas. 31 Na coleta de informações é imprescindível mergulhar no ambiente, locus empírico da pesquisa, através de sucessivas aproximações contatadas desde os alunos e professores estendendo até aos funcionários, buscando sempre o diálogo para uma sólida familiarização nas relações interpessoais. Em conformidade com André (2005), a metodologia é aplicada por meio de imersão do pesquisador na realidade investigada e deve ser atingida por observação sistemática e contínua dos atores envolvido. Assim sendo, se faz necessário um critério rigoroso em relação ao diagnóstico inicial, pelo fato de querer mostrar as técnicas utilizadas em sala de aula no trabalho de prevenção às drogas, a fim de verificar a participação e a interação dos estudantes com os temas das aulas. Os resultados da análise de conteúdo devem refletir os objetivos da pesquisa e ter como apoio indícios manifestos e mensuráveis no âmbito das comunicações obtidas (...) É, portanto, com base no conteúdo manifesto explícito que se inicia o processo de análise. (...) o que está escrito, falado e mapeado relativamente desenhado e/ou simbolicamente citado sempre será o ponto de partida para classificação do conteúdo manifesto (COHEN e FRANCO, 2005, p. 24). A avaliação nesse aspecto oferece dados para uma mensuração da eficiência e eficácia do que está sendo desenvolvido em sala de aula, por ser um meio investigativo em conformidade com a absorção e as expectativas de todo o corpo escolar envolvido. A avaliação como técnica e estratégia investigativa é um processo sistêmico de fazer perguntas sobre o mérito e a relevância de determinado assunto, proposta ou programa. (...) Toda avaliação útil, ética e tecnicamente adequada acompanha o desenrolar de uma proposta e subsidia a correção de rumos e a reorientação de estratégias de ação. Seu sentido ético alia-se a seu valor técnico e de responsabilidade social. (MINAYO et al, 2005, p. 19,20). Assim sendo, podemos concluir que a avaliação não é uma ação isolada, mas a integração entre avaliadores e avaliados, em busca do aperfeiçoamento e do comprometimento em todo o processo. 6.4. Metodologia 32 A proposta metodológica apresentada neste projeto originou-se da inegável importância que a escola tem na formação do indivíduo. O processo de verificação utilizadoatravés da avaliação para constatar o desenvolvimento das técnicas aplicadas como auxílio na prevenção em sala de aula permite compreender o resultado final da pesquisa em sua complexidade, onde a mesma será desenvolvida através do método qualitativo uma vez que, se ocupam de variáveis que não podem ser medidas, apenas observadas como cita Bauer (2002, p.23) “lida com interpretação das realidades sociais” e afirmam Asinelli e Luz (1999, p.31) é aplicada em “processos de descobrimento”. A ênfase qualitativa no processo de investigação educacional tem sido particularmente útil ao evidenciar a profecia “auto-realizadora” (BOGDAN & BIKLEN, 1994, p.49), possibilitando alterações no desempenho dos alunos pelas expectativas dos professores. Nesse aspecto, em detrimento ao quantitativo explícito de quatro alunos para acompanhamento do processo de aprendizagem dos mesmos, se deu a partir de um levantamento de dados para uma avaliação qualitativa visando conhecer a didática aplicada pelo Instrutor do PROERD em sala de aula na prevenção às drogas e o efeito que essas técnicas desenvolvidas influenciaram significativamente vida dos estudantes, objeto deste estudo. Na continuidade temporal desse projeto, conforme os objetivos definidos e os problemas levantados no diagnóstico inicial, especificamente, quanto à natureza do objetivo, o estudo tece caráter descritivo (VIEIRA, 2002), na medida em que se podem mostrar os conceitos e as mensagens motivacionais no combate as drogas deixadas por causa das diversas técnicas destinadas ao tema e, o nível de influência na fixação de ideias para os alunos resistirem às ofertas de drogas. Ainda na proposta metodológica, o estilo da pesquisa observacional, atendeu a literatura de estudo de caso por haver interação do pesquisador com os sujeitos, no intuito de descobrir os valores, opiniões e atitudes dos sujeitos. 6.5. O Material Utilizado Além da própria estrutura física que a escola dispõe, foram utilizados vários recursos enumerados abaixo: 33 1 – Quadro branco e quadro negro; 2 – Livro do estudante (Cartilha PROERD); 3 – Folhas de ofícios; 4 – Data show; 5 – Caixa de som; 6 – Notebook; 7 – Caixinha de perguntas PROERD; 8 – Jogos específicos para o tema; 9 - Mágicas 6.6. Realização do Projeto A realização do projeto se deu com a parceria feita entre a escola e a polícia, através de um protocolo (ver Anexo 3). Após firmadas e concordadas as partes, este seguiu as seguintes fases para sua realização na escola: elaboração, execução e avaliação. Em seguida a Figura 5 idealiza o processo de Planejamento preventivo: Figura 5: Etapas do Planejamento Preventivo No projeto em questão, após ser decidido o objeto de análise , tornou-se necessário encontrar em que medida seria possível incorporá-la ao currículo pedagógico. 34 Por sua vez, a tarefa da pedagogia é assegurar a natureza das finalidades sociais e políticas da educação numa determinada sociedade. Cabe, ainda, criar condições metodológicas e organizativas para viabilizar a educação. Buscou-se assim através do projeto de prevenção em questão, demonstrar um “caminho”, ou melhor dizendo, uma alternativa que a princípio se fez viável tanto por estimular a reflexão quanto o próprio incentivo a leitura. Sendo oportuno frisar que, apesar dos resultados obtidos neste estudo ser parciais, mostraram que a leitura pode ser uma aliada na construção de uma educação mais reflexiva e consciente, alcançando as metas em direção de uma cultura da prevenção. 6.7. Análise do Diagnóstico Final Risco, como qualquer outro conhecimento, traduz valores em disputa, não sendo, portanto, estático e objetivo, mas constantemente construído e negociado como parte de interações sociais e de construção de sentidos. SR. Carvalho (2004) A investigação se procedeu no sentido de verificar o conhecimento prévio dos educandos acerca da problemática das drogas, e consequentemente a sobre o assunto. Tomando como ponto de partida a vulnerabilidade recorrente que cada aluno enfrenta no seu cotidiano, que estes têm em casa e pelo apoio e incentivo da escola sobre o problema em questão. Como a proposta do projeto foca apenas na alfabetização individual da criança para que seja possível preveni-las do uso de drogas e da violência, o resultado final do diagnóstico ficou restrito ao nível evolutivo de aprendizagem em que cada criança conseguiu assimilar o conteúdo trabalhado em sala de aula pelo instrutor. Ainda, pudemos contar com os testemunhos das professoras e pais em termos de comportamentos, motivações, envolvimentos e reflexão por parte dos alunos sobre a importância do tema trabalhado com eles em sala de aula. Cada dinâmica, video, música, mágica, desenho e etc., influenciaram significativamente cada uma delas. O que através da verbalização não se atingia como objetivo a alcançar, as outras estratégias supriam gradativamente cada dificuldade 35 encontrada pelos alunos, ao ponto deles poderem expressar da sua maneira e através do seu olhar e comportamento, como tinham aprendido algo que parecia tão complexo para eles. Algumas produções feitas pelos alunos citados se encontram em anexo como fruto desse resultado. 36 7. DIÁRIO DAS OFICINAS As atividades foram desenvolvidas de acordo com o currículo educacional do PROERD desenvolvida no Ensino Fundamental I – 5º Ano, de acordo com a ordem exposta abaixo. SESSÃO DISCIPLINA 01/15 Apresentação do PROERD ao Corpo Escolar (Diretrizes do programa; material necessário; horário; apresentação do Instrutor). 02/15 Apresentação do PROERD aos Pais (A importância do Proerd na relação familiar; Desenvolvimento das atividades). 03/15 Lição 01 (Introdução ao Programa). 04/15 Lição 02 (O cigarro). 05/15 Lição 03 (A maconha). 06/15 Lição 04 (O álcool). 07/15 Lição 05 (Os inalantes). 08/15 Lição 06 (Prevenção contra o bullying). 09/15 Lição 07 (Posicionando-se contra o bullying). 10/15 Lição 08 (As bases da amizade). 11/15 Lição 09 (Decidindo de forma confiante). 12/15 Lição 10 (Ação pessoal e orientação para a redação). 13/15 Encontro Complementar 01 (Jogo Proerd). 14/15 Encontro Complementar 02 (Orientações para a formatura, canção do Proerd; Hino Nacional e do Estado do Ceará). 15/15 Formatura (Juramento Proerd e entrega de certificados). 37 8. CONSIDERAÇÕES FINAIS foi a magnitude político-social que a questão das drogas assumiu e a urgência de soluções no espaço social que impuseram outras leituras para o campo das drogas. (...) o estilo interdisciplinar de pesquisa que acabou por se impor foi uma exigência não apenas de ordem teórica e clínica, mas de ordem política, ética, antropológica e social. In. Mal-estar na atualidade J.Birman (2000) Ao finalizar este projeto, que teve como foco principal a inserção de diversas ferramentas como proposta pedagógica na educação preventiva contra as drogas e à violência, através das aulas PROERD, buscou alfabetizar os envolvidos, direcionando as ações concretas de forma fictícia, com base numa experiência e investigação científica. Partindo do entendimento da experiência interna do sujeito que a vivencia e da compreensão de conceitos fundamentais a este trabalho, buscou na ludicidade a fundamentação necessária para a construção deste projeto. A expressão mais autêntica do ser educador capaz de facilitar e transformar a compreensão dos alunos em algo benéfico, se caracteriza pela espontaneidade, que se manifesta através de um maior fluxo interno de energia, de vitalidade e de disponibilidade para as constantes mudanças que recai sobre a responsabilidade de prevenir as drogas e, consequentemente,de forma mais abrangente a violência. Em síntese, foi colocada em evidência a importância das atividades lúdicas, dinâmicas e impactantes, levando em consideração sua subjetividade e, principalmente, sua expressividade enquanto técnica facilitadora no processo de ensino-aprendizagem. Nesse raciocínio, fez-se necessário compreender esta metodologia com certa profundidade teórica para, então, entendermos as possíveis implicações desta expressividade na prática. Outro atenuante foi observado na atenção, memória, motivação, afetividade, interatividade e a capacidade de demonstrar aquilo que aprenderam de acordo com suas possibilidades, devido o uso contínuo de ferramentas, enquanto técnica facilitadora, na formação cognitiva e aprendizagem dos alunos. 38 Assim, todos os aspectos tratados neste estudo se refletem diretamente nas manifestações ligadas ao que às técnicas podem contribuir na vida de uma pessoa e avaliar as práticas metodológicas utilizadas na área de ensino no PROERD. Considerar isto nos permite entender algumas das singularidades, limitações e potencialidades que podem ser aperfeiçoadas diante da crise de identidade enfrentadas por cada profissional da arte de educar. E a partir destas descobertas, não se pretende afirmar que estas estratégias são a única solução de todos os problemas relacionados ao déficit de aprendizagem pelos alunos, mas é estabelecer uma possibilidade algorítmica com o propósito maior de refletir sobre si mesmo e um olhar voltado para a criança. Sobretudo, podemos ainda afirmar que o professor, ao reconhecer os seus limites, conseguirá lidar melhor com os limites dos alunos e, ao passo em que este reconhecer suas potencialidades, poderá, também, compartilhar suas aptidões e, assim, de alguma forma contribuir para a formação das crianças. Diante das constatações realizadas, Pereira (2005) corrobora com a hipótese de que as transformações mais profundas durante a prática pedagógica requerem uma mudança de atitude e novas posturas de vida dos educadores, não somente o que diz respeito a mudanças cognitivas por causa de novos conhecimentos adquiridos, mas também uma mudança que reflete no emocional, espiritual e corporal, sendo uma aprendizagem integrada das várias dimensões do ser humano. É possível crer que através deste estudo sobre a experiência didática a cada dia aperfeiçoada, nos abre um caminho dentro do cotidiano escolar para a integração dos vários aspectos do ser humano – cognitivo, lúdico, emocional e outras habilidades proporcionadas pelo o uso da técnica, possibilita a cada envolvido (educador e alunos) se conhecer um pouco mais, se relacionar melhor, criar vínculo afetivo, o que implica lidar melhor com as dificuldades no processo ensino-aprendizagem, possibilitando uma expressividade mais espontânea e criativa. Assim, o educador que vivencia o novo no seu cotidiano escolar e investe em inovações metodológicas, buscando sempre qualificar-se, reconhece a importância do “conhecer para prevenir” e proporcionam a seus alunos uma consciência mais sólida, crítica e duradoura, atributos essenciais para a resistência das drogas. Ao passo que, um educador rígido, com ações obsoletas, que não se entrega às atividades capazes de atingir a totalidade dos alunos, que não tem disponibilidade criativa, que não gosta de 39 investir na sua própria capacitação, terá maiores dificuldades em fazer um trabalho autêntico, diferenciado e impactante. Cagliari (2002) esclarece algo interessante acerca dos métodos, que o fato do professor não possuir um método preestabelecido, isso não quer dizer que o ensino seguirá navegando a deriva, pois o educador não deve se limitar a um único método, e sim passar a ser atuante em sala de aula e, deixar a condição se ser um simples observador. “Quando o professor é bom conhecedor da matéria que leciona, ele tem um jeito particular de ensinar, assim como os alunos têm seus jeitos de aprender.” (CAGLIARI, 2002, p. 108). Ainda que um método específico seja privilegiado ou adotado em quaisquer circunstâncias, mesmo assim, este e os materiais didáticos não conseguirão atender plenamente aos objetivos, às características e às necessidades do contexto pedagógico de ensino nas políticas de prevenção. Cabe, portanto, ao educador, em menor ou maior nível, fazer escolhas e adotar estratégias e procedimentos adequados, sensatos e produtivos. Finalmente, espera-se que este projeto gere possibilidades para ampliar os estudos relevantes para o entendimento dos processos pedagógicos, a seleção e a organização dos conteúdos que se estabelecem no cotidiano escolar nos contextos comunicativos em geral. 40 9. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ANDRÉ, M. E. Estudo de caso em pesquisa e avaliação educacional. Brasília: Líber, 2005. ASINELLI-LUZ, Araci; LUZ, Gastão Octávio Franco. Manual de apoio às atividades em pesquisa. Curitiba, 1999. Documento não publicado. BAUER, Martin W.; GASKELL, George (Ed.). 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