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TÓPICOS DE PSICOLOGIA
E EDUCAÇÃO
TÓPICOS DE PSICOLOGIA
E EDUCAÇÃO
JOSÉ DEMONTIER GUEDES (ORG)
FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES (ORG)
EDITORA
Dedico este trabalho à minha família
pelo incentivo e compreensão em todos os momentos
em que precisei da colaboração deles
para concluir essa obra literária.
Copyright © 2018 - Todos os direitos reservados
Organizadores:
José Demontier Guedes
Francisco Robson de Brito
Coordenação:
José Demontier Guedes
Projeto Gráfico e Diagramação:
Alfredo Freire Temóteo
Revisão
Dalva Patrícia de Alencar
Nota do Editor - Em tempo: As irregulares variações de espaçamento e
tipograficas presentes neste livro se devem a ausência total de hifens por
opçao do autor.
Impresso nas Oficinas Gráficas da Editora Mentor
Rua José Carvalho, 150 - Centro - Crato/CE
Tel.: (88) 3523 3180 - 99958 6715
editoramentor@sapo.pt
Quanto mais um indivíduo é compreendido e
aceito, maior tendência tem para abandonar as falsas
defesas que empregou para enfrentar a vida, e para
progredir num caminho construtivo.
Carl Rogers
Sumário
Capítulo I
A Profissão Policial Militar e o Estresse ................. 17
Capítulo II
Transtorno da Ansiedade Generalizada ................. 41
Capítulo III
Contribuição do Psicodiagnóstico
na Depressão Infantil ............................................ 57
Capítulo IV
Magicoterapia:
O Uso de Mágicas Contextualizadas
Como Instrumento para Auxiliar na Ludoterapia ........ 79
Capítulo V
A Gestão Democrática Participativa
Através de Uma Leitura do Conto:
O Menino Que Virou Lobisomem ....................... 97
A Psicologia tem grande influência no processo educacional
entre os estudantes e professores, pois se insere significativamente
na instituição escolar realizando acompanhamento e intervenções
nas relações interpessoal e comportamental, principalmente na
relação professor/aluno/coordenação. Desse modo, ressalta-se
como suporte significativo para o desenvolvimento educacional.
Gatti (1997)¹ comenta que há evidências de que a
Psicologia, desde seu surgimento, foi configurando-se como
principal sustentáculo teórico para as práticas educativas.
Diante do que relata o autor, justifica-se a necessidade do
estudo da Psicologia Educacional como disciplina em curso de
graduação, tendo como objetivo discutir o desenvolvimento
educacional dos estudantes. Cunha (2000)² acrescenta que
a Psicologia desperta a reflexão sobre práticas educativas,
fornecendo recursos teóricos metodológicos para educação
escolarizada.
Sabendo da relação da Psicologia para a Educação
escolar, ressalta-se a construção de subsídios teóricos e
práticos na tarefa de ensinar e aprender, visando eficácia
na prática educativa. Sendo a aprendizagem um processo
Apresentação
Capítulo VI
Princípios E Métodos da Gestão Escolar .............. 115
Capítulo VII
Matemágica:
O Segredo da Matemática na Sala de Aula ........... 129
Capítulo VIII
A Qualidade do Ensino Público no Brasil ............ 147
Capítulo IX
A Família na Escola:
A Importância da Participação dos Pais na Escola ..... 159
Capítulo X
O Relacionamento Interpessoal
em uma Instituição de Ensino .............................. 171
17
A função Policial Militar destaca-se por ser uma atividade que
alia cobrança institucional, disciplina rígida e alto risco ocupacional.
Diante disso, esses profissionais podem se deparar com situações que
provoquem danos à própria vida e/ou de outras pessoas. Observa-
se que as ações cotidianas do trabalho policial exige controle das
emoções e decisões rápidas em meio à obediência aos manuais de
instrução e à legislação. Por isso, percebem-se, no exercício dessa
profissão, situações de estresse ocupacional que podem desencadear
consequências danosas à saúde física e mental do Policial Militar.
Atualmente, o discurso sobre a profissão Policial Militar
tem estimulado o debate em diversos segmentos da sociedade,
sendo este o palco de uma diversidade de indagações, favoráveis
e contrárias ao pleno exercício da profissão e a conduta deste
profissional, tanto em objeto de serviço quanto na folga.
Estudos mostram que “a qualidade de vida destes profissionais
é comprometida pela excessiva tensão emocional, ocasionada pelo
possível estresse da profissão” (FLESCH, 2015; MINAYO, SOUZA,
CONSTANTINO, 2007). Sendo assim, o suporte psicológico se faz
cognitivo para refletir, adquirir, memorizar e utilizar
conhecimentos, a Psicologia da Aprendizagem destaca-se
como organizadora desse processo.
A presente obra discute sobre a relação entre Psicologia
e Educação, através de artigos, escritos por vários autores, com
temas de ambas as áreas de conhecimentos, divididos em
capítulos.
O trabalho teve influência de autores especializados
nesse estudo, os quais afirmam a importância da interação entre
as áreas. Mesmo com saberes independentes, há a necessidade
de interagirem-se para favorecer a eficácia da prática pedagógica
do educador e o aperfeiçoamento da aprendizagem significativa
dos educandos, através da compreensão de funções cognitivas,
fundamentais para o processo de ensinar e aprender.
Espera-se, portanto, que o estudo dessas competências
desperte nos leitores a reflexão acerca dos temas em destaque
e a possibilidade de melhorias no sistema de ensino e
aprendizagem.
A Profissão Policial Militar
e o Estresse
José Demontier Guedes
Capítulo I
José Demontier Guedes
Psicólogo, Mestre em Ciências da
Educação; Organizador deste livro.
18 19
necessário para acolher os policiais militares e proporcionar a eles o
controle emocional diante da tomada de decisão.
A presente pesquisa parte da necessidade de conhecer a
função exercida pela Polícia Militar na manutenção da segurança
pública. Muitos são os questionamentos sobre o trabalho dessa
instituição, porém poucos reconhecem o verdadeiro significado
das ações dos policiais militares em meio a tanta violência. Nesse
sentido, se a sociedade reconhecer o relevante trabalho que a Polícia
Militar desenvolve através dos agentes de segurança, espera-se que
possa compreender o quanto é difícil desempenhar essa função
e, dessa forma perceber a necessidade de contribuir para o pleno
exercício da cidadania mediante apoio a esses profissionais.
Diariamente, a mídia mostra o quanto o índice de violência
tem aumentado nas comunidades. Diante disso, pela necessidade
social da presença de policiais militares nas ruas para garantir a
ordem pública, acredita-se que é indispensável à existência da
corporação Polícia Militar, pois são inúmeros os benefícios que
esta agrega à sociedade, dentre eles destacam-se o direito de ir e
vir sem a perturbação de atos ilícitos, exercício da cidadania e a
segurança individual e coletiva do cidadão.
Valla (2015), mostrando a relevância científica da polícia a
caracteriza como uma das funções da Administração Pública, que
tem por habitat o seio do Direito Administrativo.
O autor acrescenta que “publicistas famosos, desde as primeiras
tentativas de sistematização deste importante ramo do Direito,
têm dedicado páginas e mais páginas à Polícia, pois é junto desses
estudiosos que as instituições encarregadas de exercer a atividade
policial encontram as linhas mestras de sua doutrina” (VALLA, 2015).
O argumento do autor reflete sobre o desenvolvimento de
competências, habilidades e capacidades que lhes permitirão realizar-se
como pessoa, como cidadão e como profissional responsável pela
ordem pública. No entanto, para que essa realização aconteça,
o indivíduo precisa estar consciente de suas funções como
profissional e das condições de executá-las. É nessa perspectiva
que se faz necessária uma abordagem preventiva quanto ao
estresse ocupacional para que os policiais militares fortaleçam,
cada vez mais, suas habilidades e expectativas de vida, visando o
favorecimento de vínculos afetivos para minimizar os conflitos e
desenvolver novos e bons relacionamentosOTTAVIANO, Vinícius Sampaio. O Transtorno da Ansiedade Generalizada. Transtornos
Psíquicos. Psicologado artigos. 2012. Disponível em:
SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes ansiosas: medo e ansiedade além dos limites. Rio de
Janeiro. Objetiva, 2011.
SIEGEL, Daniel. A mente em descobrimento. Lisboa : Instituto Piaget, 1990. p. 398.
- Graduada em Matemática;
- Graduada em Psicologia;
- Pós-Graduada em Neuropsicodiagnóstico
(Avaliação Psicológica)
- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar
e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
Lucilene Maria dos Santos
56 57
A depressão Infantil é um problema crescente na nossa
população, sendo considerada uma patologia que pode trazer sérios
prejuízos ao desenvolvimento da criança e interferir nos aspectos
físico, afetivos, comportamentais, cognitivos e sociais (SCHWAN;
RAMIRES, 2011).
Os problemas de saúde mental perturbam o funcionamento
adaptativo das crianças tanto quanto dos adultos, causando um
impacto negativo sobre as relações familiares e sociais. A infância,
período de inocência, despreocupação marcada pela alegria de
viver, para muitas crianças é substituída pela aflição e desespero
causando muito sofrimento (DUMAS, 2011).
Os problemas psicológicos infantis não devem ser
tratados como transitório ou sem gravidade, uma vez que pode
interferir em todo o desenvolvimento da criança (CRUVINEL;
BORUCHOVITCH, 2003). Nesse direcionamento, a intervenção
necessária possibilita à criança uma vida saudável, minimizando
os riscos ao seu desenvolvimento. O psicodiagnóstico é uma
avaliação psicológica feita com propósitos clínicos, com finalidade
Contribuição do Psicodiagnóstico
na Depressão Infantil
Lucilene Maria dos Santos
Capítulo III
58 59
de produzir, orientar, monitorar e encaminhar ações e intervenções
sobre a pessoa avaliada (CUNHA, 2000).
Sendo assim, compreender o que é a depressão infantil,
suas características e formas de manifestações, torna-se necessário
para buscar intervenções precoces considerando que essa patologia
pode afetar o desenvolvimento biopsicossocial da criança.
A temática visa a contribuir com a psicologia por somar
conhecimentos em relação a área, pois embora disponham na literatura
vários estudos sobre a depressão infantil, o estudo amplia o psicodiagnóstico
enquanto avaliação e intervenção como alternativa que pode contribuir
para melhor qualidade de vida da criança com depressão.
O estudo possibilita uma reflexão em relação a depressão
infantil e intervenções psicodiagnósticas como alternativas para
reduzir possíveis efeitos negativos no desenvolvimento da criança.
Frente a estas informações, por meio de uma revisão de
literatura, questiona-se: Quais as contribuições do psicodiagnóstico
na depressão infantil? O objetivo deste estudo é compreender
a importância do psicodiagnóstico na avaliação da depressão
infantil e o impacto deste transtorno sobre o desenvolvimento da
criança, através de uma revisão de literatura. Esta pesquisa torna-
se relevante, pois possibilita maior esclarecimento e reúne dados
importantes referentes a esta patologia.
Destacamos como objetivos compreender o conceito de
depressão infantil; refletir possibilidades de intervenção através do
psicodiagnóstico; e conhecer alguns instrumentos disponíveis e
eficazes para a realização da avaliação psicológica em crianças.
O estudo se encontra organizado da seguinte forma:
Inicialmente aborda a evolução da psicopatologia e depressão
infantil. Em seguida traz conceito de depressão e sua forma de
evolução na criança. No terceiro tópico, traz a contribuição do
psicodiagnóstico e instrumentos utilizados na avaliação da depressão
infantil. Ao final são apresentadas as discussões, considerando o
psicodiagnóstico e sua contribuição para a depressão infantil.
ASPECTOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho é de natureza exploratória descritiva
onde foi utilizada a pesquisa de cunho bibliográfico, por melhor
atender o andamento dos objetivos propostos para o estudo.
Para Marconi e Lakatos (2010), a pesquisa bibliográfica é o
levantamento de toda a bibliografia já publicada em livros, revistas,
artigos, que tem a finalidade de fazer com que o pesquisador entre
em contato direto com todo o material escrito sobre o assunto e
envolve muitos procedimentos como localizar e obter documentos
pertinentes ao tema, sempre atento ao objeto de estudo. Tendo
por base suas próprias palavras a pesquisa bibliográfica pode ser
definida como:
Um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados,
revestidos de importância por serem capazes de fornecer dados
atuais e relevantes relacionados com o tema. O estudo da
literatura pertinente pode ajudar a planificação do trabalho, evitar
duplicações e certos erros, e representa uma fonte indispensável
de informações podendo até orientar as indagações (LAKATOS;
MARCONI 2003, p. 158).
A pesquisa foi realizada no período de março do decorrente
ano, onde foi utilizado o banco de dados de Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), selecionando
de forma criteriosa o material mais relevante e pertinente ao tema.
O aprimoramento da pesquisa constituiu-se pela busca de descritores
chaves, incluindo os termos: depressão infantil associado à infância;
depressão infantil associado à avaliação psicológica; e psicodiagnóstico
60 61
e depressão infantil. Como critérios de inserção foram considerados
textos no formato artigo, idioma português, no período dos últimos
dez anos. Foram selecionados artigos por estarem mais diretamente
relacionados ao tema. A partir dos artigos foram percebidas três
categorias: Sinais e sintomas, relações familiares e depressão e
Instrumentos utilizados na avaliação da depressão infantil.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Infância
De acordo com Pacheco (2001) a partir da segunda metade
do século XIX surgiu à primeira ideia de uma psicologia científica
do desenvolvimento infantil e iniciaram relevantes pesquisas
direcionadas a explicar o desenvolvimento físico e mental na
infância. Surgiu também a construção e aplicação dos primeiros
testes mentais com a motivação de separar na escola, crianças de
acordo com a capacidade intelectual.
Contudo, embora esses desenvolvimentos representassem
progressos importantes eles têm pouco impacto na psicopatologia.
Até início do século XX, as obras que tratam das diversas patologias
deram mais ênfase aos adultos que as crianças. Dessa forma o estudo
de fenômenos depressivos e transtornos de humor em crianças e
adolescente só começaram a serem estudados ao longo dos anos
70, pois achavam que esses transtornos eram raros antes da idade
adulta. O autor relata que se o estudo da psicopatologia avançou
lentamente em relação às crianças, isso ocorreu por diversas razões
políticas, sociais e filosóficas.
Assim acredita que pesquisas poderão contribuir para
compreensão das dificuldades e intervenções necessárias, visando
o desenvolvimento da criança (DUMAS, 2011). Estudos apontam
que a maior parte dos transtornos que se iniciam durante infância
tem repercussões prolongadas sobre o comportamento da criança
e sobre o funcionamento afetivo, cognitivo e social e podem se
estender até a idade adulta.
No século XXI a ampliação da psicologia do desenvolvimento
torna a produção nessa área muito importante para elaboração de
programas e intervenção na prevenção e promoção da saúde. Há
uma busca de subsídios teóricos e metodológicos por profissionais
de diversas áreas em relação ao desenvolvimento harmônico do
indivíduo e um dos desafios é encontrar uma linguagem que
facilite a comunicação entre profissionais de diferentes áreas de
atuação (MOTA, 2005).
Para Levin (2007, p 11), o mundo da criança mudou como
também as expectativas e as exigências sobreela. “As crianças da
atualidade tem outro jeito de brincar, imaginar, sofrer, pensar e
construir sua realidade infantil”. Para Dumas (2011), a infância
período de inocência, despreocupação marcada pela alegria de
viver é apenas um mito, pois para muitas crianças a aflição e
o desespero substituem a alegria causando muito sofrimento.
Durante muito tempo crianças com depressão infantil não
dispuseram de cuidados profissionais adequados, pois seus
sintomas eram considerados como manifestação de uma fase
normal do desenvolvimento e não como sinais de transtornos
graves (DUMAS, 2011).
Calderaro e Carvalho (2005) relatam que é possível observar
logo nos primeiros meses de vida manifestações relacionada
a transtornos mentais e de conduta. É necessário levar em
consideração a vulnerabilidade genética na etiologia da depressão.
É de fundamental importância à avaliação precoce da criança com
depressão para definição do tratamento mais adequado. Cunha
(2000) ressalta a importância da atenção dedicada à criança nos
primeiros anos, que são formadores da personalidade, pois, são
62 63
mais vulneráveis a alterações e quanto mais cedo à intervenção,
maior a probabilidade de desenvolver-se de modo equilibrado. Os
cuidados dedicados à criança faz com que ela se desenvolva de
forma saudável.
Segundo Schneider e Ramires (2007, p.43):
A qualidade dos cuidados recebidos na primeira infância
é decisiva para o desenvolvimento saudável da criança. A
capacidade de percepção, a memoria, o desenvolvimento
da linguagem, da atividade simbólica e das estruturas
de pensamento, todas essas são dimensões sensíveis á
qualidade desses cuidados.
De acordo com Cruvinel; Boruchovitch (2003), a depressão
infantil já dispõe de tratamentos eficazes, e que a indicação ao uso
de medicação é somente em casos severos, pois a psicoterapia tem se
mostrado eficiente com trabalhos que envolvem a família e a escola.
Para que o tratamento seja adequado é importante uma avaliação
criteriosa dos sintomas apresentados levando em consideração todo
o contexto familiar e social e se há ocorrência de comorbidades com
algum outro transtorno psiquiátrico (LIMA, 2004).
Depressão Infantil
A depressão infantil é uma patologia que pode trazer sérios
prejuízos ao desenvolvimento da criança e interferir nos aspectos
físicos, afetivos, comportamentais, cognitivos e sociais (SCHUWAN;
RAMIRES, 2011). Durante algum tempo a depressão era característica
apenas do adulto, no campo da psiquiatria despertou interesse
somente a partir da década de 1960 quando surgiram relatos de
manifestações precoce dos quadros depressivos. No final dos anos
70 houve grande destaque, estudiosos e pesquisadores começaram a
pensar e a investigar a sintomatologia da depressão infantil.
A depressão na infância afeta múltiplas funções e causa
significativos danos psicossociais. Caracteriza-se pela ligação
de inúmeros sinais e sintomas, dentre eles os mais relevantes são
a tristeza e a irritabilidade, podendo variar de acordo com a
intensidade, podendo surgir ainda queixas somáticas, preocupações
anormais da infância, medo de separação e da morte, além de
acentuada ansiedade (BALHS, 2002). O aparecimento de sintomas
depressivos na criança tem sido associado a comprometimentos no
funcionamento cognitivo e emocional considerado uma condição
pouco favorecedora para o seu desenvolvimento (CRUVINEL;
BORUCHOVITCH, 2004).
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos
Mentais-DSM V (2015) define depressão como um transtorno de
humor ou afeto, caracterizado pelo humor triste e perda de interesse
em quase todas as atividades do dia a dia. Pode ser classificado em
leve, moderado e grave de acordo com a intensidade dos sintomas.
Neste manual a depressão infantil se assemelha à depressão no adulto,
dessa forma, os mesmos critérios para o diagnóstico de depressão no
adulto podem ser utilizados para avaliar a depressão na criança.
O DSM V (2015) cita os sintomas de depressão como: humor
deprimido na maior parte do dia falta de interesse nas atividades diárias,
alteração de sono e apetite, falta de energia, alteração na atividade
motora, sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada,
dificuldade para se concentrar, pensamentos ou tentativas de suicídio.
De acordo com a Classificação de Transtornos Mentais e de
Comportamento da CID 10 (1993) a depressão pode variar entre leve,
moderado e grave e o indivíduo sofrerá de humor deprimido, perda
de interesse e prazer, energia e atividades diminuídas, cansaço e fadiga,
concentração e atenção reduzidas, visões desoladas e pessimistas do
futuro, ideias suicidas, sono perturbado, apetite diminuído. Para
episódios depressivos de todos os três graus de gravidade, uma
duração de duas semanas é requerida para o diagnóstico.
64 65
A diferenciação entre os episódios depressivos, leves,
moderados e graves baseiam em julgamento clínico que envolve
o número, tipo e gravidade dos sintomas presentes. Os sintomas
causam prejuízos significativos na área social, ocupacional e em outras
áreas importantes da vida do indivíduo. Especificamente, uma criança
deprimida pode apresentar humor irritável ao invés de tristeza; ou
ainda revelar uma diminuição do rendimento escolar em função do
prejuízo na capacidade para pensar e concentrar (DSM V, 2015).
As síndromes depressivas têm como elementos mais
relevantes o humor triste e o desânimo, e apresentam-se em
agrupamentos de sinais e sintomas, tendo como principais elementos
os sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e
cognitivos, relativos a autovaloração, a vontade e á psicomotricidade.
O indivíduo poderá apresentar tristeza, sentimento de melancolia,
choro fácil, desânimo, pessimismo em relação a tudo, sentimento de
incapacidade e autodepreciação, lentificação psicomotora, mutismo,
recusa a alimentação e interação pessoal (DALGALARRONDO, 2008).
De acordo com Miller (2003) as crianças com depressão
podem sofrer de dificuldades relacionadas ao pensamento, às
emoções, ao comportamento e aos processos psicológicos. Assim
poderão surgir dificuldades como falta de concentração, indecisão,
pensamentos mórbidos, sentimento de culpa excessiva, variação
emocional, irritabilidade, interesse reduzido nas atividades,
agitação ou letargia, fadiga, falta ou excesso de energia, muito ou
pouco sono, falta ou excesso de apetite. A criança geralmente se
isola e evita o contato, havendo perda de interesse por atividades de
rotina como brincar, estudar e como consequência o rendimento
escolar também diminui, evidenciando desinteresse, falta de
concentração e dificuldades de raciocínio.
Para Fichtner (1997) a depressão infantil causa prejuízo ao
desenvolvimento infantil que pode ser no nível físico, cognitivo,
psicomotor e psicossocial. Andriola e Cavalcante (1999) corroboram
de pensamento quando afirma que a depressão infantil é uma
perturbação orgânica que engloba variáveis biopsicossociais. Bahls
(2002) relata que existência de história familiar, como a depressão
em um dos pais é considerado o principal fator de risco, seguidos
por estressores ambientais, abuso físico e sexual, perda de pais ou
amigos íntimos. Estudos apontam que crianças com transtorno
depressivo apresentam uma condição clínica grave, crônica e
recorrente acompanhada por outros transtornos associados.
Calderaro e Carvalho (2005) relatam os problemas para diagnosticar
esta patologia, pois os sintomas se manifestam de forma diversa,
associados às comorbidades dificultando o reconhecimento.
De acordo com Fichtner (1997) as manifestações da depressão
infantil podem revelar-se através de sintomas psicofisiológicos, como
encoprese, dor de cabeça, alergias entre outros. Para Dumas (2011),
esse transtorno costuma estar associado a diversas patologias e seus
sintomas são semelhantes ao longo do desenvolvimento humano,
mas, não são idênticos em todas as idades e nem se apresentam
todos ao mesmo tempo e com a mesmaintensidade, manifestam-se
em um contexto desenvolvimental que não pode ser ignorado e os
distingue dos fenômenos depressivos da idade adulta.
Segundo Balhs (2000) os transtornos comórbidos mais
comuns em crianças são os transtornos de ansiedade, transtornos
de conduta, transtorno desafiador opositor e o transtorno de
déficit de atenção. De acordo com Dumas (2011) os sintomas da
depressão infantil afetam o funcionamento da criança e perturbam
sua relação com o meio. Os sintomas como irritabilidade,
culpabilidade, agitação ou desaceleração psicomotora, falta
de energia e de interesse nas atividades das quais as crianças
participavam habitualmente, estão entre os mais frequentes.
Ressalta ainda que se manifestam em episódios recorrentes
que podem alterar vários períodos do desenvolvimento e nos casos
mais graves, prosseguir na idade adulta. Na criança os sintomas
66 67
depressivos modificam de acordo com a faixa etária, e como ela
apresenta dificuldade em verbalizar seus sentimentos é necessário
observar as formas de comunicação pré-verbal como mudanças
ríspidas de comportamento, expressão facial, postura entre outros
(BAPTISTA; GOLFETO, 2000).
Sendo assim, a probabilidade de um desenvolvimento atípico
será proporcional ao número de problemas comportamentais. A
presença da sintomatologia na criança pode interferir negativamente
nas atividades associadas à cognição e a emoção, podendo
desenvolver padrões de comportamentos que se tornarão resistentes
a mudanças caso a criança não seja tratada a tempo. Por isso, o
diagnóstico precoce é imprescindível para o tratamento e mudança
de comportamento mais rápida (ANDRIOLA; CAVALCANTE, 1999).
Segundo Calderaro e Carvalho (2005), as crianças
depressivas apresentam dificuldade em entender explicações e
concentrar-se, pois o comprometimento emocional interfere nas
questões cognitivas, envolvem-se normalmente em situações de
perigo como forma de chamar atenção das pessoas para que percebam
seu sofrimento. Ressaltam que os sinais da depressão infantil são
variados, as manifestações da doença podem estar também na criança
agressiva e hiperativa, que pais devem ficar atentos às mudanças de
comportamento dos filhos, pois, é importante a detecção precoce
dos sintomas para evitar desenvolver quadros graves.
A depressão infantil está aumentando, e embora seja
reconhecida como uma patologia considera-se que ela tem sido pouco
diagnosticada e em consequência disso, poucos pacientes recebem o
tratamento. Por constituir uma doença grave e que possui recorrência
na idade adulta, uma avaliação adequada pode conduzir a intervenção
necessária. Para Cunha (2000) o processo de intervenção tem como
finalidade proporcionar a criança condições apropriadas para o
desenvolvimento, transformando também o ambiente. É importante
ao se estabelecer uma investigação clínica, considerar várias fontes de
informações (pais, professores, amigos), (BAHLS, 2002).
Psicodiagnóstico e Depressão Infantil
O psicodiagnóstico nasceu da psicologia clínica,
influenciado pelo modelo médico. Era realizado por meio de
avaliações psicométricas, onde eram valorizados os aspectos
técnicos desconsiderando características importantes relacionadas
ao contexto total (CUNHA, 2000).
Nas ultimas décadas houve uma evolução do processo
psicodiagnóstico que inicialmente referia-se apenas a avaliação
e investigação psicológica, com finalidade de encaminhamento.
A evolução dessa prática clínica levou a uma nova concepção de
psicodiagnóstico que inclui a intervenção terapêutica além da
vertente diagnóstica, buscando integrar avaliação e intervenção
(BARBIERI, 2002).
Nesse sentido, a avaliação psicológica passou a ser bem
mais abrangente, considerando diversos fatores em seu processo
de estudo e análise dos sujeitos. A avaliação psicológica é de
uso exclusivo do psicólogo, regulamentada pelo código de ética
profissional e realizada através de instrumentos de coletas de dados,
tais como testes ou técnicas que são importantes ferramentas que
podem contribuir com o plano de trabalho do profissional e
legitima a atuação do psicólogo (CUNHA, 2000).
De acordo com Cunha (2000) o Psicodiagnóstico surgiu
como consequência do advento da psicanálise que ofereceu novo
enfoque para o entendimento e a classificação dos transtornos
mentais. Sendo assim, inaugurou uma nova visão da avaliação
psicológica, realizado sempre com o objetivo de obter uma
compreensão profunda e completa da personalidade do paciente.
Trinca (1983) ressalta que o psicodiagnóstico do tipo compreensivo,
objetiva uma análise psicológica globalizada do paciente por ser uma
68 69
abordagem dinâmica elaborada em função de fatores emergentes e
relevantes da situação sendo único a cada caso clínico.
O psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica feita
com propósitos clínicos, com a finalidade de produzir, orientar e
encaminhar ações e intervenções sobre a pessoa avaliada. É qualificado
como um processo científico que utiliza testes psicológicos aplicados
com finalidades específicos para testar hipóteses iniciais com foco
na existência ou não de psicopatologia. No plano de avaliação
é selecionada e administrada uma bateria de testes, e dados são
colhidos e inter-relacionados com a história de vida clínica e pessoal
do sujeito. Os passos do processo psicodiagnóstico consistem em
determinar motivos do encaminhamento, definir hipóteses iniciais e
objetivos de exames, estabelecer um plano de avaliação e um contrato
de trabalho com o sujeito, administrar testes e outros instrumentos
psicológicos, levantar dados quantitativos e qualitativos, integrar
todos os dados significativos para o objetivo do exame, comunicar
resultados, propor soluções e encerrar o processo (CUNHA, 2000).
O psicodiagnóstico designa uma série de situações que inclui
entre outros aspectos o de encontrar um sentido para o conjunto das
informações disponíveis destacando o mais relevante e significativo da
personalidade e refere-se a um momento da vida do sujeito, constitui
hipótese diagnóstica (TRINCA, 1984). O psicodiagnóstico não implica
apenas a aplicação e uso de provas e testes, mas a investigação de
aspectos biológicos, ambientais e sócioculturais importantes para
aquisição de informações fundamentais no processo terapêutico e
relevantes a atuação profissional (ANDRADE, 1998).
O estudo e o diagnóstico da depressão em criança não são
simples, por razões conceituais, metodológicas e desenvolvimentais
(DUMAS, 2011). Contudo o diagnóstico eficaz considera as
dificuldades, capacidades e aptidões do paciente, além de auxiliá-
lo na busca de recursos para compreensão do problema, visando à
resolução de seus conflitos e dificuldades (ANDRADE, 1998).
De acordo com Cruvinel (2008), a diversidade nas
manifestações da forma de depressão e sua associação com outras
patologias dificultam a elaboração de critérios diagnósticos e esta
dificuldade existe também em relação ao desenvolvimento de
instrumentos utilizados nesse processo. Cunha (2000) considera que
nenhum teste isolado pode proporcionar uma avaliação compreensiva
de uma pessoa como um todo. Para tanto são utilizadas baterias de
testes ou conjunto de instrumentos que podem ser incluídos no
processo psicodiagnóstico e que são organizadas a partir de um plano de
avaliação de acordo com a especificidade do caso individual. Escolher
o instrumento mais adequado ao público avaliado, ao contexto e aos
objetivos amplos da avaliação é de fundamental importância.
Um plano de avaliação envolve a organização de uma bateria
de testes que deve permitir obter respostas confiáveis para as questões
colocadas e atender objetivos propostos. A bateria de testes pode
incluir testes psicométricos e técnicas projetivas. As técnicas projetivas
são instrumentos complementares de avaliação de personalidade e não
exclusivos para análise de características depressivas. Entre as possíveis
estratégias existem vários instrumentos que podemser utilizados no
psicodiagnóstico da depressão infantil, alguns serão descritos a seguir.
No psicodiagnóstico infantil a entrevista lúdica é uma técnica
de avaliação clínica que fornece informações significativas e permite
compreender o pensamento infantil. Consiste em oferecer à criança
a oportunidade de brincar como deseje com todo material lúdico da
sala. Através do brincar elas exprimem suas fantasias descobrindo-
se e revelando-se, exercitando sua capacidade simbólica. Após
entrevista com os pais, mantem-se o primeiro contato com a criança
que pode ser por meio da entrevista lúdica (CUNHA, 2000).
O teste H-T-P permite a visão subjetiva que o indivíduo
possui sobre si mesmo e sobre o ambiente no qual está inserido.
Possibilita a investigação de diferentes aspectos significativos da
personalidade, por meio da definição e caracterização da produção
70 71
gráfica dos três desenhos: casa, árvore e pessoa. Esta técnica observa,
por meio dos desenhos e do inquérito, como o sujeito percebe
o seu meio e como reage diante dele, pois durante a aplicação é
considerado o conjunto de dados coletados: conteúdos verbais e
gestuais. Destina-se a crianças a partir dos 8 anos, adolescentes e
adultos. A aplicação varia em geral de 30 a 90 minutos, pode ser
aplicado individual ou coletivamente, porém a coleta individual é
mais recomendada (HAMMER, 1991).
Desenhos de Família com Estórias (D-F-E): Tem como
finalidade identificar processos psíquicos conscientes e inconscientes
informando sobre a psicodinâmica familiar. É um procedimento
que associa a produção gráfica (desenho) com a apercepção
temática (relato da história). É solicitada a elaboração de quatro
produções gráficas, sendo a primeira o desenho de uma família
qualquer, a segunda uma família que gostaria de ter, a terceira,
uma família em que alguém não está bem; e a quarta a própria
família. Ao final de cada uma dessas produções, são solicitadas à
criança que conte uma história sobre seu desenho. É possível ao
aplicador elaborar algumas perguntas, como um inquérito diante
de aspectos que necessitem de mais algum esclarecimento diante
da história contada (TARDIVO; TRINCA, 2000).
O Teste das Pirâmides Coloridas de Pfister é um
instrumento destinado à avaliação da personalidade. O público-
alvo abrange desde crianças de sete anos até idosos. No entanto,
não é indicado para pessoas com dificuldades para distinguir cores.
De acordo com as instruções do teste, por meio de quadrículos
coloridos em 10 cores subdivididas em 24 tonalidades, o avaliando
deve formar três pirâmides que lhe pareçam bonitas de acordo com
sua vontade, o que é seguido por um inquérito. A aplicação é rápida
cerca de 15 minutos, e a iluminação do ambiente de testagem deve
ter luz natural. Os estudos de validade apontaram que o Pfister é
utilizado para o diagnóstico de alcoolistas, esquizofrênicos, pessoas
com síndrome do pânico, pessoas com transtorno obsessivo
compulsivo e com depressão (VILLEMOR, 2005).
O teste Rorschach trata-se de uma técnica clínica, no campo
da percepção e projeção. O objetivo é informar sobre a estrutura
da personalidade do avaliado. O público alvo abrange crianças a
partir de cinco anos de idade, como em adultos, com tempo de
aplicação entre 40 e 60 minutos em adultos, e 30 e 45 minutos em
crianças. É composto de dez pranchas com borrões de tinta. Cinco
pranchas possuem manchas em preto e branco, duas apresentam
também a cor vermelha e as três outras são policromadas. O
avaliado é instruído a dizer, para cada prancha, o que a mancha
lhe parece, sugere ou o faz lembrar. O resultado indica focos de
possíveis conflitos (TORRES, 2010). Observa-se que o número de
instrumentos disponíveis para avaliação da depressão Infantil é
pequeno e não são exclusivos para a avaliação da depressão. Daí a
importância do uso conjunto de diversas estratégias de avaliação.
Foram localizados trinta e nove artigos e selecionados
apenas sete, dentre os quais alguns serviram para conteúdo. A
partir dos artigos e utilizando dos descritores, transformou-os em
categorias para serem analisados. Os resultados e discussões são
apresentados de acordo com as categorias a seguir.
Sinais e Sintomas
Sobre a categoria sinais e sintomas da depressão foram
selecionados três artigos: Cruvinel e Boruchovitch (2011) trazem
em seus estudos pesquisas sobre a regulação emocional de crianças
com e sem sintomas depressivos através do Inventário de Depressão
Infantil CDI. Verificaram como as crianças com depressão infantil
lidam com suas emoções e quais estratégias utilizadas para regulação
ou enfrentamentos, especialmente com as emoções de tristeza, raiva,
medo e alegria. Observaram que crianças com sintomas depressivos
sentem mais tristeza e raiva e apresentam menor percepção da
72 73
tristeza, medo e alegria. Em relação à raiva, usam mais estratégias
de controle de comportamento. Tendem a relatar menor uso de
estratégias para melhorar a tristeza. Nos seus estudos concluíram
que crianças com sintomas depressivos apresentam dificuldade na
percepção e monitoramento desses sintomas. Acrescentam ainda
que a forma como a criança administra suas emoções pode aumentar
ou diminuir o risco para depressão. Quanto ao uso do instrumento
CDI, tem sido um inventário muito utilizado em investigações da
depressão com crianças brasileiras.
Calderaro e Carvalho (2005) apresentaram estudos sobre
manifestações depressivas em crianças. Os sintomas que mais apareceram
foram: comportamento ambivalente, agressividade, indisciplina,
problemas recorrentes de saúde, dificuldade na aprendizagem,
distúrbio do sono, exposição a fatores de risco, comportamento
retraído, enurese, mudança súbita no comportamento, atraso na
linguagem, autoagressividade, autoestima rebaixada, hiperatividade,
ansiedade, distúrbios alimentares, irritabilidade, presença constante
de escoriações pelo corpo, cefaleia e comportamento bizarro. A
hereditariedade pode ser fator importante, mas não determinante
único no aparecimento da patologia. A depressão pode interferir
em atividades fundamentais da vida e nas fases de desenvolvimento
da criança. Autores alertam para as manifestações da depressão em
crianças e ressaltam a importância do psicodiagnóstico, enquanto
intervenção precoce que pode amenizar sintomas e sofrimentos.
Serrão, Klein e Gonçalves (2007) investigaram a prevalência
do sono e da depressão em crianças em idade escolar. Ressaltam que
a depressão ocorre sob a forma de inúmeros sintomas e é vista como
resultado da interação de uma série de condições ambientais. Alguns
estudos relacionam problemas de insônia a várias desordens psíquicas
na criança, além de considerarem fator de risco para o desenvolvimento
da depressão. Os resultados mostram uma associação positiva e
significativa entre a perturbação do sono e índice de depressão.
De acordo com os autores acima citados são vários os fatores
que podem causar a depressão tendo, portanto característica
multifatorial. Faz-se necessário um olhar vigilante em relação aos
comportamentos instáveis apresentados pela criança em vários
ambientes, pois estes problemas de comportamentos podem
indicar algum desenvolvimento atípico.
Relações Familiares e Depressão
Nesta categoria de relações familiares e depressão foi selecionado
apenas um artigo. Teodoro, Cardoso e Freitas (2010) abordam em
seus estudos a afetividade e conflito familiar e sua relação com a
depressão em crianças e adolescentes. Destacam a importância que
as relações familiares para o desenvolvimento cognitivo e emocional
dos membros. Assim como a relação saudável da criança com seus
pais como fator importante na prevenção dessa patologia. Este
ambiente é reconhecido como de fundamental importância para a
socialização primária e formação da identidade da criança.
De acordo com Teodoro, Cardoso e Freitas (2010) a família
com relacionamento adequado como sendo fator de proteção para
o aparecimento de algumas patologias.As interações familiares
conflituosas são tidas como fator de risco para o aparecimento
da depressão. Concluíram que as famílias com nível mais elevado
de conflito se encontram entre aquelas mais vulneráveis. Um
contexto familiar adequado tem sido considerado importante
fator de proteção para as crianças.
Instrumentos Utilizados na Avaliação da Depressão Infantil
Em relação à categoria instrumentos utilizados na verificação
da depressão infantil foram selecionados três artigos.
Carvalho e Ramires (2013) desenvolveram um estudo sobre
o processo do brincar em crianças com indicadores de depressão ou
74 75
cujas mães apresentavam depressão. Verificaram que há diferenças
entre o brincar de crianças deprimidas e não deprimidas, onde são
observados sintomas comportamentais como agitação ou retardo
psicomotor, menor competência social, brincadeiras solitárias
e interações negativas com seus pares e perda de concentração.
Em relação a jogos simbólicos, estas crianças não conseguem se
envolver com os jogos revelando baixo nível de fantasia.
Verificou-se que filhos de mães depressivas jogaram com
menos frequência, de forma mais inibida e ansiosa e mais agressiva
com seus pares. Foi observada redução no nível de jogo simbólico
dessas crianças, dificuldade de explorar novos cenários e interagir. Essas
crianças internalizam de modo diferente visões de si mesma e dos outros
quando as mães não se envolvem no jogo simbólico. Há indicações
de que o tratamento lúdico para crianças possibilita um ambiente
seguro sendo um fator determinante para que as crianças consigam
ressignificar seus conflitos e traumas (CARVALHO E RAMIRES , 2013).
Coutinho, Carolino e Medeiros (2008) Em seus estudos
tiveram como objetivo adaptar e verificar evidencia de validade
de construto e consistência Interna do Inventário de Depressão
Infantil (CDI) para cidade de São Luiz do Maranhão. Este
instrumento foi elaborado por Kovaks em 1983 e propõe mensurar
sintomas depressivos em crianças de 7 a 17 anos, por meio de
autoaplicação. A pesquisa mostrou que o CDI é adequado para
identificar sintomas gerais da depressão.
Coutinho, et.al (2014) Verificaram aspectos de validade,
fidedignidade e normatização do Inventário de Depressão Infantil
(CDI) em uma população de crianças e adolescentes de Teresina-
PI. Este instrumento vem sendo descrito como mais utilizado
para avaliar sintomas depressivos em crianças e adolescentes no
contexto clínico e de pesquisa. Este é uma adaptação do Inventário
de Depressão de Beck. Autores concluíram que o instrumento
possui parâmetro psicométricos aceitáveis e reforçam sua validade
e utilidade na identificação de sintomas depressivos.
Observa-se que são vários os instrumentos e técnicas que
podem ser utilizadas no processo terapêutico. No atendimento
á criança o lúdico precisa se fazer presente constituindo-se como
importante no fornecimento de informações e bem estar da criança.
Winnicott (1985, p. 163) atribui uma série de eventos
psicológicos ao brincar. A brincadeira segundo este autor “fornece
uma organização para a iniciação de relações emocionais e assim
propicia o desenvolvimento de contatos sociais.” A criança
experimenta emoções podendo organizá-las.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A partir do estudo realizado foi possível perceber o impacto
negativo da depressão infantil sobre as várias áreas do desenvolvimento,
alterando o comportamento e causando vários prejuízos a criança. No
entanto sabe-se pela literatura atual que se estas crianças forem avaliadas
adequadamente e submetidas a intervenções, sofrimentos poderão
ser amenizados. Reconhecer os sinais e sintomas dessa patologia é
fundamental para que a criança receba a atenção adequada, o que
possibilitará o encaminhamento precoce, minimizando o sofrimento
e prevenindo contra o agravamento do quadro.
O psicodiagnóstico pode se configurar como um importante
instrumento avaliativo e interventivo ajudando nesse processo. O
estudo pode contribuir para melhor compreensão da sintomatologia
dessa patologia, colaborando para prática preventiva através das
informações sobre os fatores psicossociais envolvidos. Espera-se
que as informações e reflexões produzidas nesse estudo possibilite
o despertar de novos interesses pela temática.
76 77
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- Graduada em Matemática;
- Graduada em Psicologia;
- Pós-Graduada em Neuropsicodiagnóstico
(Avaliação Psicológica)
Lucilene Maria dos Santos
78 79
O discurso sobre o processo terapêutico tem estimulado
o debate entre os profissionais de psicologia, especialmente no
atendimento clínico, palco de uma diversidade de indivíduos, os
quais procuram respostas para seus conflitos, sejam eles internos
ou externos, e, diante disso, passam a receber atenção mediante o
processo de escuta objetivando a valorização da vida.
Nesse contexto, desenvolver a autonomia dos sujeitos a
fim de levar a reflexão mediante determinados comportamentos
e demandas trazidas por eles, passa a ser o foco principal da
psicoterapia para estabelecer uma relação confiável, facilitar o
vínculo e favorecer o processo de terapêutico.
A interação entre paciente e terapeuta é citada por Souza (2012)
como um momento confortável e sem constrangimentos, possibilitando
uma relação de confiança. De acordo com o autor, este é um processo
de acolhimento e reflexão, influenciando diretamente no sucesso do
tratamento, que dependerá do manejo do terapeuta, para criar uma
Magicoterapia:
O Uso De Mágicas Contextualizadas
Como Instrumento
Para Auxiliar Na Ludoterapia
José Demontier Guedes
Francisco Robson de Brito Gonçalves
Capítulo IV
80 81
aliança e o fortalecimento do individuo mediante a colaboração de
ambos com utilização de técnicas psicológicas adequadas em cada caso.
O presente artigo pretende ressaltar reflexões para atuação
do psicólogo na terapia infantil, enfatizando a necessidade de
trabalhar com novas técnicas, pois se sabe que, em alguns casos, há
certa dificuldade em extrair das crianças suas reais queixas, as quais
são informadas pelos pais ou responsáveis.
Nesse sentido, buscou-se também, divulgar a magicoterapia
como instrumento de análise no atendimento infantil para
possibilitar a possível ampliação deste e alcançar uma maior
interação nas sessões, além de propor aos profissionais da área da
psicologia, outros meios de comunicar-se com as crianças.
A pesquisa visa ainda contribuir na elaboração de estratégias que
possam fortalecer a tomada de decisão e a escolha de comportamentos
positivos, levando os indivíduos a pensar sobre a situação, analisar as
escolhas, decidir de forma confiante e avaliar sua postura diante de
situações que exijam maior reflexão sobre determinadas questões. Nessa
linha de pensamento a magicoterapia pode ajudar na identificação das
queixas e facilitar a observação de comportamentos e patologias que
possam comprometer a saúde física e mental dos pacientes, buscando
reduzir a vulnerabilidade e fortalecer a autonomia dos sujeitos.
Assim, percebe-se que as inovações no processo de terapia infantil
é algo essencial e que deve ter início na clínica, para que possa fortalecer
vínculos afetivos, minimizar os prejuízos quanto ao rendimento nos
atendimentos e proporcionar aos pacientes oportunidades para exercer
sua autonomia e melhorar a qualidade de vida.
Partindo desse pressuposto, objetiva-se inserir a mágica
como instrumento para facilitar a comunicação entre terapeuta e
paciente, partindo da análise da percepção das crianças diante da
técnica utilizada, visando despertar o interesse pelo tema através da
contextualização com apresentação de truques para estimular o relato
sobre a queixa.
Durante a pesquisa inúmeras atividades com utilização
de mágicas foram realizadas, tanto no atendimento clínico, como
também em sala de aula, através de instruções educacionais com
crianças na faixa etária de 09 a 12 anos.
Por esse instrumento lúdico, veicula-se a possibilidade de uma
abordagem diretiva e eficiente, podendo despertar nos terapeutas a
consciência de inovações, a fim de promover a criatividade para que a
criança sinta-se segura diante da complexidade de informações e, com
isso, expressar de forma espontânea as queixas a serem investigadas.
No decorrer dessa pesquisa, observou-se que os recursos
levados ao encontro das crianças as tornam mais atentas e aptas a
distinguir e compreender melhor os questionamentos propostos
na terapia. Nessa perspectiva, a análise feita por Karling (1991)
ainda sobre esse tema, é que há o favorecimento da estruturação
da aprendizagem cognitiva, compreensão e, principalmente a
comunicação possibilitando um vínculo afetivo.
UMA ABORDAGEM LÚDICA NA TERAPIA
Winnicott (1995) considera o lúdico prazeroso. Luckesi (1999)
vê as atividades lúdicas como uma satisfação pela entrega da atenção ao
prazer, afirmando ainda que há uma inter-relação entre o inconsciente
e o mundo externo na construção da identidade pessoal e coletiva. Para
o autor, é uma forma de garantir a liberdade da criatividade humana.
Observa-se que ambos os autores percebem a capacidade
do indivíduo absorver o conhecimento de forma intensa, em todos
os sentidos, através de um clima agradável e entusiástico. São esses
aspectos que favorecem um forte teor emocional de envolvimento
capaz de gerar um estado vibrante de euforia.
Nesse contexto, observa-se que as atividades lúdicas possibilitam
de forma pragmática o desenvolvimento pessoal, social e cultural, além
82 83
da incorporação de valores e assimilação de novos conhecimentos.
Assim, o terapeuta auxilia a criança a manter-se equilibrada entre o real
e o imaginário por ela vivenciada de forma prazerosa.
Para Luria (1992) as funções mentais superiores surgem da
interação entre os fatores biológicos com os fatores culturais, que
ocorrem nesse processo evolutivo de cada ser humano.
Quanto à evolução para o desenvolvimento humano, a Psicologia
do Desenvolvimento aborda o tema através de diferentes autores:
• Segundo a teoria defendida pelos Ambientalistas, destacando
Skinner e Watson (behavioristas), as crianças nascem como tabulas rasa,
assim como uma folha de papel em branco, que em meio ao ambiente
inserida vão aprendendo por processos de reforço ou imitação.
• Ao contrário dos Ambientalistas, os teóricos Inatistas, assim
como Chomsky, tem a concepção que as crianças já nascem com a
capacidade de desenvolvimento em virtude de terem tudo na sua
estrutura biológica, pois segundo essa teoria, nada é aprendido no
ambiente, e sim apenas acelerado por este.
• Já os Construcionistas, como o emblemático Piaget, têm como
princípio de que o desenvolvimento de um indivíduo se dá pela interação
entre o desenvolvimentobiológico e as aquisições da criança com o meio.
Sobre a ótica Sociointeracionista, cujo precursor é Vygotsky, parte da
ideia de que o desenvolvimento humano consiste nas trocas sociais entre
parceiros, através da mediação e interação entre ambos.
• Para os teóricos Evolucionistas, motivados pela teoria
de Fodor, afirmam que o desenvolvimento humano é o produto
de uma interação de processos genéticos e ecológicos, os quais
envolvem experiências individuais de cada indivíduo, conforme as
características humanas e suas variações antes mesmo do nascimento.
• Para a perspectiva Psicanalítica, figurado por Freud,
Klein, Winnicott e Erikson, busca compreender o desenvolvimento
humano através do consciente e inconsciente da criança, priorizando
seus conflitos internos na infância até o término do ciclo vital.
Assim, acredita-se que para entender a evolução e a
complexidade do desenvolvimento humano, é preciso ter uma postura
sistêmica capaz de integrar os múltiplos subsistemas do individuo.
A MÁGICA COMO BASE DE UM ESTUDO CIENTÍFICO
Atualmente, a mágica é vista como um entretenimento.
No Brasil, a profissão de Mágico, está implicitamente na Lei
Nacional nº 6.533, de 24 de maio de 1978, regulamentada pelo
Decreto nº 82.385, de 05 de outubro de 1978. Apesar da data
de regulamentação, ao contrário do que muitos pensam, o dia do
Mágico é comemorado no dia 31 de janeiro, que segundo a história,
faz jus a data de falecimento de são João Bosco, que se beneficiava
dessa arte, por trabalhar como mágico, acrobata e malabarista, sendo
homenageado e considerado como sendo o padroeiro dos mágicos.
Um pressuposto importante para uma boa apresentação
da mágica se trata da conciliação dos mecanismos técnicos com a
capacidade intrapessoal peculiar a cada pessoa, para que este possa
ser desenvolvido e o espectador se identifique com o que o mágico
está fazendo. “É como se fosse uma metáfora, uma imagem de algo
em sua realidade” (ÁVILA, 2012, p. 20).
Quanto aos locais de uso desta técnica, atualmente, com os
aspectos inovadores advindo com os avanços tecnológicos, as mágicas
acompanharam vertiginosamente essas mudanças em relação às
apresentações. Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre as
apresentações ocorrem em lugares especiais cheios de efeitos em um cenário
arrojado. Com isso, o espaço de apresentação saiu dos palcos e ganhou as
ruas e assim, qualquer lugar passou a ser adequado para uma apresentação
que busca aparentemente fazer coisas impossíveis acontecerem.
Por conta disso, o uso da mágica contextualizada na
terapia se realiza como um ambiente inovador capaz de despertar
surpresas e expectativas diante do inesperado, possibilitando então,
a interação mediante atenção do paciente pelo truque.
84 85
Uma reportagem na revista Scientific American Brasil traz
um debate importante quanto ao uso desta técnica, relacionada à
questão do uso da mágica e dos truques iludirem o cérebro.
Gravenor (2014) revela o interesse de neurocientistas por
esta técnica. Ele relata que os neurocientistas estão se familiarizando
com os métodos da mágica ao submeter à própria mágica ao
estudo científico, demonstrando, em alguns casos, pela primeira
vez, como alguns de seus métodos atuam no cérebro.
Estudos feitos até agora sobre a mágica confirmam o
que se conhece sobre a cognição e a atenção a partir de trabalhos
anteriores na psicologia experimental (GRAVENOR, 2014).
Em pesquisa, o autor ainda acrescenta que os métodos da
mágica também podem ser colocados em prática para “induzir”
pacientes a se concentrarem nas partes mais importantes de sua
terapia, evitando distrações que provocam confusão e desorientação.
O autor ainda acrescenta que a mágica é caracterizada como base
de estudos neurológicos para melhor entender o cérebro e as bases
neurais das funções cognitivas. Nessa perspectiva, conclui-se que
as informações implícitas também são importantes tanto para a
percepção de um truque quanto para sua reconstrução.
O USO DE MÁGICAS COMO ARTE NA LUDOTERAPIA
Axline (1984) diz que a ludoterapia é baseada na
autoexpressão da criança. Pois dá a oportunidade da mesma se
libertar de seus sentimentos e problemas através do brinquedo,
sendo este o modo de falar das crianças, que naturalmente vai
expressando seus anseios e dificuldades. Segundo a autora,
a ludoterapia pode ser direta, quando o terapeuta assume a
responsabilidade de orientação e interpretação, e não direta,
quando a responsabilidade e a direção ficam para as crianças.
Libertando-se desses sentimentos através do brinquedo, ela
se conscientiza deles, esclarece-os, enfrenta-os, aprende
a controlá-los ou os esquece. Quando ela atinge certa
estabilidade emocional, percebe sua capacidade para se
realizar como individuo e pensar por si mesma, tomar suas
próprias decisões, tornar-se psicologicamente mais madura
e, assim, tornar-se pessoa (AXLINE, 1984, p. 28).
A autora, em relação à sala de ludoterapia conclui:
A sala de ludoterapia é um lugar de crescimento. A criança é a
pessoa mais importante, onde ela está no comando da situação
e de si mesma. Onde ninguém lhe diz o que fazer ou nem critica
o que faz, ninguém a importuna, faz sugestões, estimula-a ou
intromete-se em seu mundo particular, subitamente ela sente
que pode abrir suas asas, pode olhar diretamente para dentro
de si mesma, pois é aceita completamente. É uma experiência
única para a criança descobrir de repente que as sugestões,
ordens, recriminações, restrições, críticas, desaprovações,
ajudas e instruções dos adultos desapareceram. Tudo isso é
substituído pela aceitação completa e pela situação permissiva
que lhe possibilita ser ela mesma (AXLINE, 1984, p. 28-29).
Nesse processo, o terapeuta deve ser um bom observador.
Na ludoterapia, a criança é aceita como ela é, e não como as pessoas
querem que ela seja.
Nessa linha de estudo, os brinquedos aparecem como peça
fundamental para o processo psicoterápico, pois estes, conforme a
autora são o meio natural de autoexpressão da criança.
De acordo com os autores citados nessa pesquisa, o
terapeuta deve interagir com a criança para obter maior rendimento
do processo psicoterápico. Esse tipo de relacionamento é feito entre
o terapeuta e a criança, permitindo que ela revele seu verdadeiro
eu, conseguindo sua aceitação e sua autoconfiança.
86 87
Winnicott (1995) relata que é no brincar que a criança
e o adulto fluem sua liberdade de criação. Acrescenta que a
psicoterapia é efetuada na superposição de duas áreas lúdicas,
paciente e terapeuta. Diante disso, destaca-se o brincar porque é
desse modo que a criança manifesta sua criatividade.
A partir dos comentários dos autores, houve a possibilidade
de introduzir na ludoterapia uma nova técnica, o uso de mágicas
como ferramenta norteadora no processo ludoterápico. Essa
ferramenta proporciona o entretenimento entre terapeuta e
paciente. Desse modo, a mágica é considerada uma arte lúdica e
interativa entre o facilitador e o público.
Segundo Valladares (2008) a arte é inerente ao ser humano
e, é um meio de expressão, comunicação e de linguagem.
Percebe-se então que a mágica, contextualizada a realidade
da criança, gera expectativa e desperta na mesma o interesse pelo
tema e a leva ao mundo da imaginação.
Assim, na contextualização da mágica com a ludoterapia,
atuando de forma direta com o objetivo de envolver o público alvo
no processo de interação com o terapeuta, busca-se a reconstrução
da história e o relato espontâneo sobre a queixa apresentada.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Como Educadores Sociais do PROERD – Programa
Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, os autores
deste artigo vem atuando na prevenção ao uso de drogas em escolas
públicas e privadas no Estado do Ceará, objetivando manter crianças
e adolescentes longe das drogas para garantir uma melhor qualidade
de vida.
Para tanto, utiliza-se uma metodologia dinâmica, através
de estudo de caso, jogos pedagógicos sobre drogas,e nos últimos
anos a inclusão do uso de mágicas contextualizadas para melhorar
a atenção dos jovens perante as explicações do conteúdo e facilitar
o processo de ensino-aprendizagem.
Nessa perspectiva, os resultados foram satisfatórios, nos
quais, percebeu-se maior engajamento dos alunos nas atividades
e um número considerável de participações nos debates, pois ao
contextualizar o tema das aulas com as mágicas, os estudantes
ficavam mais alerta, mesmo que motivados a descobrir o segredo dos
truques utilizados, porém ouviam claramente as explicações e, que
muitas vezes atuavam como atores principais, ou seja, com posturas
transformadoras, fortalecendo os espaços para o diálogo, gerando a
promoção de oportunidades para se expressarem de forma criativa.
Diante do sucesso nas aulas desenvolvidas pelo Programa
PROERD, e como estudante do Curso de Psicologia, mediante
as sessões de terapia infantil nos
estágios, foi utilizada a mágica
na tentativa de diversificar o
atendimento psicoterápico.
Exemplificando o uso desta
técnica, foi utilizada a mágica,
“rei na grade”, contextualizada
com a queixa de uma criança em
atendimento. Simulou-se que o rei
aparece livre antes de iniciar o truque, no entanto, ao não cumprir com
suas obrigações e adotando uma postura contrária ao seu posto de rei,
acabara sendo privado de sua autoridade e de coisas que gosta de fazer.
Desse modo, ao se comparar ao rei, o sujeito passa a perceber
que para conquistar algo de seu interesse, deve-se adequar-se a realidade
em que está inserida e estabelecer métodos para garantir sua autonomia.
Em outro momento, como nova experiência, a mágica
utilizada foi “a caixinha de surpresa”, onde esta aparentemente vazia,
verificada pela criança, começa a sair vários tipos de lenços coloridos,
88 89
os quais representam a probabilidade
de algo continuar acontecendo, mesmo
não sendo percebido.
Desse modo, também
contextualizada com a queixa da criança,
mostrando para ela a necessidade de refletir
sobre sua atual situação, procurando
mudar determinados comportamentos,
quando for o caso e,realizar o que puder
para sentir-se bem, sabendo que a situação pode se agravar, mesmo
quando não percebemos algo que comprometa o bem-estar.
Para concluir, buscou-se levar a criança a entender que é
importante falar sobre seus problemas e limitações, pois assim,
pode-se evitar o agravamento e melhorar a qualidade de vida.
Pelas experiências apresentadas, através da utilização de
mágicas, observou-se que estas foram significativas para o processo de
interação e comunicação entre paciente e terapeuta, visto que além da
atenção demonstrada pelas crianças na hora da realização dos truques,
houve o interesse pelo tema, opinando sobre o desfecho das histórias
e, consequentemente, ficaram mais à vontade para se expressar.
A inclusão desta técnica na terapia trouxe expectativas
para as próximas sessões, haja vista que ao chegar perguntavam se
haveria mágicas.
É importante esclarecer, que, o uso de mágicas não será
informado durante a sessão, visto que a mágica deve aparecer
como uma ferramenta secundária que veiculará como um fator
surpresa para que a criança fique atenta a cada passo da terapia e
não figure apenas como ouvinte passivo durante todo o processo.
METODOLOGIA
A pesquisa foi desenvolvida qualitativamente por meio
de variáveis que não podem ser medidas, apenas observadas,
como cita Bauer (2002, p.23) “lida com interpretação das
realidades sociais”.
O desdobramento deste trabalho ocorreu pela análise de
experiências do uso de mágicas aplicadas em público infantil, tanto
na educação quanto em sessão de psicoterapia e coletas de dados,
mediante entrevistas, ocorrendo também a revisão bibliográfica
sobre o tema em discussão.
Com relação à verificação dos resultados obtidos, Minayo (2005)
diz que, além das atividades previstas, deve-se investigar a percepção,
a qual consiste se os resultados finais esperados foram alcançados. As
possíveis mudanças em função da técnica utilizada na terapia deve ter
um direcionamento na medida específica para determinado resultado,
criando possibilidades de retificar e reorientar as ações.
O aperfeiçoamento do estudo deu-se em cumprir os
elementos habitualmente especificados pelos objetivos requeridos
quanto à natureza do tema. Para tanto, vivenciou-se a própria
experiência pertinente ao tema proposto, sendo a sala de Ludoterapia
o habitat principal para a comprovação dos fatos, ora citados.
Assim, conclui-se que a avaliação deste processo com as
técnicas inovadoras, no caso a mágica, não é uma ação isolada, mas a
integração entre avaliadores e avaliados, em busca do aperfeiçoamento
e do comprometimento numa sessão de psicoterapia. Para tanto
Gatti (2004, p. 14) acrescenta que a análise dos resultados mediante
a informação que não pode ser diretamente visualizada, poderá, se
tais dados sofrer algum tipo de transformação que permita uma
observação de outro ponto de vista.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa teve como fonte de investigação a inclusão da
mágica na terapia infantil e o quanto esta contribui para facilitar o
processo de comunicação entre paciente e terapeuta.
90 91
Como resultados mais precisos da utilização desta técnica,
será exposto a seguir, uma pesquisa realizada entre os jovens que
tiveram instruções educacionais com utilização da mágica e sem a
utilização do uso de mágicas.
A pesquisa foi realizada com alunos do Ensino
Fundamental II, de 6º e 8º ano, que participaram do Programa
Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD)
quando estes, ainda cursavam o 5º ano, entre os quais tiveram
oportunidades similares no que tange aos conteúdos de prevenção
explícitos, porém com experiências diferentes quanto ao uso das
técnicas aplicadas em sala de aula pelo Policial Francisco Robson
de Brito Gonçalves, Instrutor do Proerd no Estado do Ceará,
o qual buscou mostrar o quanto a mágica, além de melhorar a
comunicação, também facilita a assimilação do conteúdo.
O gráfico a seguir mostra que, em relação à aprendizagem,
o uso de mágicas foi o que mais chamou atenção dos alunos.
FONTE: dados da pesquisa
Observa-se no gráfico que o uso de técnicas variadas
chama atenção dos alunos e desperta o interesse para aprender
conteúdos diversos, assim como propõe Karling (1991), diversas
técnicas de ensino podem ser utilizadas, para descobrir situações e
conseguir motivar seus alunos a estudarem com prazer. Conclui-
se, portanto, que um número elevado de 98 alunos se encantou
com as mágicas, correspondendo a 78% dos que tiveram aulas
com mágicas.
Ao contrário, o grupo de alunos que não tiveram aulas
com mágicas não atingiram o mesmo perfil daqueles que tiveram
a mágica como ferramenta de ensino.
Assim, Ávila (2012) afirma:
É a sensação do encanto, da maravilha, causada particularmente
por presenciar um fenômeno completamente distante do
mundo real. Abrem-se portas para um mundo completamente
diferente, no qual não existem leis nem regras, no qual as
pessoas podem acreditar em qualquer coisa, sem medo de
ser criticadas. A mágica aproxima a mente de possibilidades
infinitas de uma criança... (ÁVILA, 2012, p.16).
O uso da mágica não corresponde apenas ao fato de
chamar atenção, mas de abrir a mente para novas ideias e uma
forma especial e única de enxergar as coisas. Complementando que
o uso de truques de mágica pode promover elevados momentos de
ensino, desenvolvimento social e emocional, além de saúde e bem-
estar nas crianças em terapia.
Outro dado importante foi que há evidências com
relação à pesquisa de que corrobora com o fato da mágica possuir
características impressionantes, contribuindo também para uma
maior compreensão daquilo que está sendo explanado.
92 93
Sobre este fato, o gráfico a seguir diferencia estes jovens quanto
ao comportamento durante uma aula com utilização de mágicas.
FONTE: dados da pesquisa
Quanto ao gráfico comportamental, entre ambosos casos,
a atenção por parte dos alunos que tiveram aulas com mágicas
foram maiores que as aulas sem mágicas. O resultado, também,
influenciou em outras variáveis, uma vez que nas aulas sem mágicas
se comprova um número maior de alunos que se mantiveram
dispersos através de conversas, não prestando atenção, bem como
o sentimento de indiferença.
Com relação a este estudo, Vygotsky (2001) postulou a
possibilidade de transformar o mundo concreto pelo emprego
de ferramentas, estabelecendo condições para mudar suas ações e
transformar qualitativamente sua consciência.
Reforça-se então o objetivo desta investigação, que é
identificar a percepção das crianças quanto à contextualização do
uso de mágicas para facilitar o processo terapêutico. Assim, afirma-
se ser a mágica uma ferramenta importante, que contextualiza com
o conteúdo abordado, a criança deixa de ser um expectador para se
tornar um ator ativo durante todo processo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No processo de construção desta pesquisa, buscou-se
evidenciar a importância da ludoterapia mediante a inclusão de
mágicas, para levar a criança a melhorar a comunicação com o
terapeuta, levando-a, a refletir sobre sua realidade, trabalhando
o seu interior, objetivando reduzir ou remover determinadas
queixas.
Neste contexto, o terapeuta atua como facilitador visando
estabelecer uma relação de confiança para despertar, naturalmente,
na criança em atendimento, a necessidade de comunicar-se com
o terapeuta, visando o empoderamento do conhecimento para
melhorar a qualidade de vida.
As ações visaram proporcionar a interação de todos os
envolvidos no processo psicoterápico. Diante da pesquisa realizada
e dos resultados apresentados, conforme está descrito nos gráficos e
comentados, destaca-se o desempenho positivo do uso da mágica.
Para tanto, a meta alcançada partiu da necessidade de
investigar e comprovar que a mágica pode fazer a diferença na
ludoterapia, pois esta passa a ser um atrativo para as crianças, sendo
capaz de despertar nelas a necessidade de falar de suas queixas e
ajudar o terapeuta a intervir com mais precisão.
Como objeto de estudo, visando conhecer, analisar, avaliar
e validar os resultados da pesquisa, o trabalho desenvolvido poderá
contribuir para ampliar a discussão sobre o tema entre outros
profissionais.
Pelo que foi discutido, a mágica destacou-se como uma
estratégia eficaz na educação, podendo esta fazer também a
diferença em terapias infantis. Porém, não se pode afirmar algo
conclusivo, necessitando de maiores investigações e experiências
para comprovação total dos fatos, partindo do entendimento
interno do sujeito que a vivencia.
94 95
As técnicas de utilização da mágica são planejadas de
acordo com a demanda de cada caso e as intervenções com os
truques acontecem na medida em que o terapeuta achar necessário
utilizar.
Em síntese, foi colocada em evidência a importância da
arte mágica, ao integrar totalmente às atividades lúdicas, dinâmicas
e impactantes, levando em consideração sua subjetividade e,
principalmente, sua expressividade enquanto técnica facilitadora
no processo terapêutico. No entanto, faz-se necessário compreender
esta metodologia com certa profundidade teórica para, então,
entendermos as possíveis implicações desta expressividade na prática.
Diante das informações e dos dados apresentados, as
observações e experiências com esta técnica foram suficientes para
diagnosticar, de fato, influências para o aproveitamento da mágica
como uma ferramenta inovadora na terapia infantil.
Então, todos os aspectos tratados neste estudo, se refletem
diretamente nas manifestações ligada à mágica como contribuição
na vida de uma pessoa, em especial as crianças em terapia, sendo
este a discussão central da pesquisa.
Partindo desse pressuposto, não se pretende afirmar que a
mágica é a solução plena para superar as dificuldades na terapia,
mas aparece como uma possibilidade e propósito de refletir
sobre si mesmo, com um olhar voltado para a criança e esta, por
sua vez, identificar no terapeuta um suporte para a construção
da autonomia, com uma comunicação espontânea diante dos
questionamentos e queixas apresentadas.
Pelas argumentações debatidas neste estudo, Pereira
(2008) corrobora com a hipótese de que as transformações mais
profundas requerem uma mudança de atitude e novas posturas de
vida.
Portanto, é possível acreditar que através deste estudo sobre
a experiência prática com o uso de mágica, abre-se um caminho
dentro do cotidiano psicoterápico para a integração dos vários
aspectos do ser humano, sejam eles: cognitivo, lúdico, emocional e
outras habilidades proporcionadas pelo uso da técnica, possibilita a
cada indivíduo (paciente e terapeuta) se conhecer um pouco mais,
se relacionar melhor, criar vínculo afetivo, o que implica lidar
melhor com as dificuldades no processo de terapia, possibilitando
uma expressividade mais espontânea e criativa.
Finalmente, espera-se que este tema gere inquietações para
ampliar a discussão acerca do uso da mágica, não apenas como
arte, mas como outras modalidades que sejam relevantes para o
entendimento do processo terapêutico e, enfim, no contexto de
comunicação em geral.
Recomenda-se, então, o uso da mágica como recurso
alternativo na psicoterapia infantil, podendo ser estendida a
outros públicos, haja vista que a mágica é uma técnica atrativa
para qualquer faixa etária.
REFERÊNCIAS
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WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro. Imago Editora Ltda. 1995.
- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar
e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
- Mestre em Ciências da Educação;
- Pós-Graduado em Matemática e Física;
- Tecnólogo em Eletromecânica;
- Graduando em Matemática.
Francisco Robson de Brito Gonçalves
O cargo de gestor (a) deve destacar-se com posturas que
estejam inseridas em uma gestão democrática e participativa. Tal
ação está prevista tanto na ConstituiçãoFederal que prevê que
o ensino seja gratuito e de qualidade e com isso, objetivando
sempre melhorias e avanço na educação, e esse posicionamento
está também inserido nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação
Nacional (LDB) em que vislumbrado tais afirmações no título IV
do atrigo 9º, bem como no Plano Nacional da Educação (PNE) e
nos demais documentos oficiais que regem o ensino.
Ao assumir tal postura o mesmo torna-se fio condutor
de uma democratização educacional, configurando-se como um
ser ativo, responsivo, consciente da sua função na construção de
uma educação de qualidade, logo esta sua ação irá garantir que a
escola seja um espaço onde, sobretudo o estudante consiga alargar
seu leque de conhecimentos tornando-se um cidadão crítico,
participativo sujeito da construção de sua própria história.
Desta forma, o gestor (a) ao desenvolver um olhar
comprometido ao que se refere o processo educacional, irá sentir-se
A Gestão Democrática Participativa
Através de Uma Leitura do Conto:
O Menino Que Virou Lobisomem
Marta Kécia Fernandes Damasceno
Capítulo V
98 99
motivado e irá motivar toda sua equipe gestora para trabalhar em prol de
obter bons resultados, colocando os funcionários cientes dos problemas
e buscando deles também as possíveis soluções. Sobre este viés de
pensamento, e ao refletirmos sobre os grandes índices de alunos com
dificuldades em leitura, apontados como um dos principais problemas
de nossas escolas o nosso trabalho visa apresentar a professores e alunos
em formação bem como aqueles docentes que em sua prática diária são
sensíveis ao perceber o déficit de aprendizagem no que tange níveis de
leitura mais minuciosos que na maioria das vezes não são abordados em
sala de aula.
Este artigo irá comtemplar três níveis de leitura: o narrativo,
o discursivo e o fundamental através da análise de um conto popular
como forma de alargar os conhecimentos dos alunos, como também
mostrar o valor histórico enraizado na cultura de uma sociedade,
servindo assim, como suporte e/ou ferramenta de trabalho para
práticas de compreensão textual. O conto escolhido para realizar a
análise foi: O menino que virava lobisomem.
A perspectiva teórica utilizada foi através dos estudos da
semiótica de Greimasiana. O autor russo constitui um percurso
gerador da significação composto por três níveis, o narrativo,
o discursivo e o fundamental, níveis esses que darão subsídios
importantes para análise em questão.
Para fundamentar a pesquisa, de cunho qualitativo, foi utilizado
o livro de Nõth; Panorama da semiótica - Platão a Peirce (2003);
Fiorin, Elementos de análise do discurso (2014); A renovação de um
conto, Patrini (2005); O fazer semiótico do conto popular nordestino:
intersubjetividade e consciente coletivo, Lima Arrais (2011); artigo das
autoras: Matte, Lara,(2009) Um panorama da Semiótica Greimasiana.
Que foi muito pertinente para realização desse trabalho.
Nessa conjuntura, compreende-se que as práticas educativas
realizadas pelos discentes por meio dessa modalidade de ensino
oportunizam variadas formas de comunicação e interação. É
através dessa troca mútua de saberes que estamos produzindo,
reproduzindo, aprendendo e apreendendo o funcionamento da
linguagem (BRASIL, 1998).
Logo, objetivamos apriore com este trabalho apresentar
níveis de leitura e análises com o intuito de facilitar o aprendizado
possibilitando com isso um maior número de alunos proficientes nesta
modalidade da língua. Em seguida iremos escolher um conto regional
para ser analisado. E depois aplicar os três níveis de leitura ao conto
escolhido partindo dos pressupostos teóricos da analise Greimasiana e
por fim dedicamos em melhor desenvolver as competências necessárias
de leitura proporcionando uma maior desenvoltura dos alunos.
O conto popular é narrativo que para Patrini (2005, p.17),
retrata a “memória da comunidade – formas de ver o mundo,
esperanças, medos anseios de transcendências – possibilitando
sua transferência às novas gerações”. Em consonância disso o
conto: O menino que virou lobisomem foi também levantado
da comunidade, através da memória de Maria Oliveira Lopes,
por meio da gravação em áudio (gravador de voz, disponível
no aparelho Samsung) a mesma foi convidada a participar como
voluntário(a) no estudo e pra fins éticos, foi elaborado um
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que está em
conformidade com a resolução nº466/12 do CNS, informamos
que a pesquisa apresenta como risco mínimo o constrangimento
ao redigir o texto e expor suas produções.
É, portanto, de extrema relevância deter o conhecimento
sobre este conteúdo quando se está inserido a frente de uma escola
em que é perceptível a dificuldade do alunado em extrair os sentidos
e significados dos textos, uma vez que o mesmo pode ser de grande
valia para a construção de um programa de ensino/aprendizagem
mais compreensível para o alunado pouco interessado na significação
da vida, do mundo e da realidade vivida ou vivenciada por ele.
100 101
Pensando nisso, este trabalho foi organizado em três partes.
A primeira delas contempla o primeiro nível de leitura o narrativo,
a segunda volta-se para o nível discursivo e o ultimo para o nível
fundamental. Através deste tripé é obtida uma compreensão
textual mais profícua.
METODOLOGIA
Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa em que
se configura pela análise do discurso, uma vez que recorre para
semiótica greimasiana com a finalidade de analisar o sujeito, o tempo
e o espaço e o discurso. Colaboram, nesse sentido, os princípios que
representam preeminência do enunciado e da enunciação.
Logo, analise aqui realizada é de natureza qualitativa
de caráter exploratório em que se realizou uma entrevista. A
entrevista por sua vez preocupou-se em compreender e relatar
os processos enunciativos no discurso de Maria Oliveira Lopes.
De acordo com Minayo (2001), esse tipo de estudo empenha-se,
portanto, com as peculiaridades do meio vivido, com a verdadeira
realidade, deixando de lado a quantidade, sua inquietação é focada
para relações sociais. Assim, a pesquisa qualitativa aproxima-se do
mundo das interpretações, dos significados de crenças e valores.
SOBRE O GÊNERO ESCOLHIDO
Conhecendo o conto
Etimologicamente a palavra conto vem do latim e significa “conta”
Aurélio (2010, p.192) que corresponde a uma narrativa curta não se sabe
ao certo a gênese da criação de um conto, contudo, o conto popular, em
sua maioria são narrativas pequenas, contendo poucos personagens que
enunciam de formas diferentes e espontâneas por cada contador.
No Brasil, os contos recebem vários nomes como: histórias
da Dona Carochinha; histórias de Troncoso; Historias das mil e
umas noites e etc. O conto popular reveste-se de uma metamorfose
que cada contador em determinada região tem guardado na sua
mente formas diferenciadas de um conto, que segundo Arrais
pode-se ver o conto na voz enunciador como:
Na voz de um contador-enunciador, essas narrativas nos
permitem entrar em contado com o fazer popular que se
efetiva a partir de ritos sustentados nas representações
simbólicas de cada região. São saberes engendrados a
partir da mescla cultural adquirido e (re) criados na prática
cotidiana da enunciação, em que as relações pessoais são
imprimíveis para riqueza do discurso. (ARRAIS, 2011, p.15-16)
E, através da enunciação e da discursivização que passamos
então a conhecer os dizeres, e realidades do outro e (re) significar
sentidos. O conto em análise encaixa-se no gênero conto popular
que foi enunciado por Maria Oliveira Lopes, natural do sitio
Santa Cruz, Aurora/CE. O conto foi coletado no dia 28 de janeiro
de 2018 às 12h47min., colhido por Marta Kécia Fernandes
Damasceno graduanda do curso de licenciatura plena em Letras -
Língua Portuguesa através da gravação em áudio.
Resumo do conto
O menino que virava lobisomem é uma narrativa curta
que apresenta a história de uma mãe que aconselha o seu filhoentre o policial militar,
família, comunidade e superiores no ambiente de trabalho.
O objetivo desse trabalho é contribuir com a instituição polícia
militar na elaboração de estratégias que possam fortalecer as decisões e a
escolha de comportamentos positivos, despertando, nas comunidades,
a reflexão sobre a necessidade de intervenção de policiais militares
sobre seus problemas, para que possam analisar suas escolhas e decidir
de forma confiante. Além disso, despertar neles a avaliação da postura
diante de situações que requerem reflexão sobre determinadas ações.
Para tanto, deve-se atuar na identificação e correção de comportamentos
que possam comprometer a saúde física e mental quanto ao estresse
ocupacional, através de ações conjuntas para perceber a presença do
fator estressor e, consequentemente, reduzir a vulnerabilidade bem
como fortalecer a autoestima e autonomia desses profissionais.
METODOLOGIA
A elaboração do presente trabalho ocorreu através da revisão
de literatura, mediante pesquisa exploratória precedida de reflexões
e questionamentos acerca do tema. A proposta foi de trabalhar
com as concepções da corporação polícia militar e a observação
comportamental dos policiais através de trabalhos publicados.
Minayo (2007) relata que se deve valorizar a subjetividade do
Policial Militar e ter como base o estudo exploratório-descritivo. O autor
focaliza os aspectos inerentes à qualidade de vida desse profissional,
20 21
tentando ao mesmo tempo conhecê-los. O desenvolvimento do tema
consistiu na elaboração de um banco de dados sobre a profissão Policial
Militar e o estresse, o qual proporcionou a construção do trabalho.
Para chegar aos resultados, foi estabelecida uma avaliação
dos questionamentos dos teóricos estudados pela análise de textos,
através de artigos, livros, revistas científicas (Scielo, Bireme e Lilacs)
e endereços eletrônicos (Google acadêmico e Instituições militares),
com período de referência entre 2000 e 2017. A literatura
pesquisada foi relacionada ao tema com as seguintes palavras-
chave: Polícia Militar, Estresse e Qualidade de vida.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos na pesquisa tiveram como referência
13 (treze) artigos científicos, 05 (cinco) livros, 01 (uma) dissertação
de mestrado, 01 (uma) monografia de curso de especialização, 01
(um) manual de aplicação de teste de estresse para adultos, 02
(duas) pesquisas publicadas sobre o estresse entre os profissionais
de segurança pública, 01(uma) lei específica referente ao código
disciplinar do Policial e Bombeiro Militar e 01 (um) trabalho
apresentado em Congresso. A escassez de literatura sobre o tema
impediu a inclusão de outros periódicos para ampliar a discussão.
A pesquisa das fases do estresse em policiais militares citada por
Flesch (2015) reflete o risco que a profissão policial militar representa
mediante confronto direto com indivíduos que praticam atos ilícitos,
e conclui alegando que esta ocasiona o elevado nível de estresse nesses
profissionais, podendo comprometer a qualidade de vida.
Diante dos resultados apresentados há uma porcentagem
significativa desses profissionais que apresentam ou podem
apresentar problemas psicológicos, vindo a necessitar de tratamento
ou mesmo mudança no estilo de vida. Além das abordagens
psicológicas para aprender a lidar com o estresse, o tratamento
envolve outras formas de diminuir ou evitar a situação estressora,
tais como: atividade física regular, técnicas de relaxamento,
respiração profunda e orientação alimentar.
Analisando o contexto geral da pesquisa, percebeu-se que é
de extrema necessidade intensificar os estudos quanto ao estresse
ocupacional em policiais militares, pois estes profissionais, além
de se preocuparem em resguardar a própria vida em ocorrências
policiais, preocupam-se, em primeiro plano, com as vidas alheias,
pois esta é sua missão diante da função que exercem.
Atividades da polícia militar para manter a ordem pública
Egon Bittner citado por Valla (2015) define a Polícia como uma
organização que tem a legitimidade de intervir quando algo contrário
às leis está acontecendo. Nesse sentido, a essência da ação policial está
centrada na decisão, ou seja, escolher alternativas de ações para eliminar
a causa contingente ou reduzir os seus efeitos (VALLA, 2015).
Para Valla (2015) a Polícia Militar, como Corporação, insere-
se entre as instituições que exercem poder de polícia administrativa,
praticando atos administrativos de polícia, notadamente ordens
e proibições, que envolvem não apenas a atuação estritamente
preventiva, mas, igualmente, a fiscalização e o combate aos abusos
e às rebeldias em relação às mesmas ordens e proibições.
A Polícia Militar que, além de ser a mais visível a todos,
é, também, a primeira linha de defesa da sociedade contra o
crime. Destacam-se, nessa área, suas funções de policiamento
ostensivo e de contenção de movimentos multitudinários. Por
conta disso, a Polícia Militar deve agir energicamente, mas
sempre dentro dos limites legais. Por fim, o autor conclui
que é importante salientar que a Polícia Militar, geralmente
22 23
age sobre coisas e atividades de forma preventiva ou repressiva
imediata. Está voltada para o caráter coletivo de sua atuação, tais
como: combate à criminalidade urbana, controle e repressão de
tumultos, guarda e segurança de instalações públicas estaduais,
controle de trânsito, resgates, combate a incêndios, além de
outras atribuições.
Função da polícia militar na sociedade
A Polícia Militar é uma Organização fardada, organizada
militarmente, subordinada ao Governador do Estado, através
da Secretaria da Segurança Pública e do Comando Geral da
Corporação. Presta seus serviços dentro do rigoroso cumprimento
do dever legal, tendo como amparo constitucional o artigo 144,
inciso V, § 5º e 6º e nas diversas Leis Estaduais que vêm dando
amparo legal à atividade fim que é a defesa da vida, da integridade
física e da dignidade da pessoa humana (FERRI, 2017).
Segundo o autor, considera-se que a Polícia Militar tem
papel de relevância na sociedade, uma vez que se destaca, também,
como força pública estadual, primando pelo zelo, honestidade e
correção de propósitos com a finalidade de proteger o cidadão, a
sociedade e os bens públicos e privados. Além disso, as ações são
voltadas para coibir os ilícitos penais.
Visão da sociedade sobre a polícia militar
A atual conjuntura social, pela qual passa a sociedade
brasileira, diferencia-se de tempos passados. Devido ao aumento
da violência difusa na sociedade e da criminalidade, as sociedades
contemporâneas se caracterizam por um descompasso crescente
em relação às políticas públicas de segurança, de cunho social e
de infraestrutura. Ao se deparar com essa situação, os estudiosos
da área de segurança pública chegam a questionar a eficiência
da organização do trabalho que a Polícia Militar emprega
(SILVA, 2008).
Nesse contexto, o autor supracitado destaca que é visível
a percepção de insegurança pública, sendo esta uma situação
preocupante e assustadora nas grandes cidades, uma vez que
acontece por conta do elevado índice de violência existente
no país.
Gouveia (1999) citado por Silva (2008) afirma que ao
se depararem com esse fenômeno social, cotidiano e crítico, os
militares estaduais, principalmente os que desempenham uma
atividade-fim na linha de frente, com o propósito inibitório
da violência, especificamente os de policiamento ostensivo
ficam expostos a um conjunto de exigências, advindas tanto da
organização do trabalho policial quanto das características da
sociedade contemporânea. Nesse sentido, há cobranças quanto ao
trabalho desenvolvido pelo Policial Militar para manter a ordem
pública e a população protegida da ação de malfeitores.
Visão da realidade sobre a polícia militar
Frequentemente, a atividade da polícia militar é considerada
como “desumana” por parte dos próprios profissionais (SILVA, 2008).
O autor citapara o bem, ela, ao pedir que o filho fosse deixar a comida do pai
na roça disse: não mexa na comida de seu pai, o filho por sua vez
102 103
não escutou o que mãe falou, comeu toda a carne do pai, e colocou
toda culpa na mãe, o pai que estava com muita fome ao abrir o
recipiente e ver que só tinha ossos ficou furioso, foi direto para
casa, e sem querer saber a veracidade dos fatos, matou sua esposa.
Segmentação para quem fez
Este conto destina-se para aplicabilidade em aulas de
língua portuguesa direcionados para alunos do 3º ano do ensino
médio organizado em três momentos de leitura, momentos
esses que permite ao aluno interpretar melhor não só o conto,
mas a vida, dando-lhes condições de construir sentidos. Com
isso segue o conto na íntegra para realização dos três momentos
de leitura.
O menino que virou lobisomem
Quando eu era criança minha mãe sempre pedia para eu
ser uma menina obediente, pois crianças desobedientes ou que
mentiam a mãe tinham o poder de rogar pragas, diante disso ela
me contou a seguinte história:
Uma vez, há algum tempo atrás, a mãe pediu ao filho para
deixar a comida do pai na roça, e disse o seguinte:
− Filho vá deixar a comida do seu pai na roça, mas não
mexa nela não, do jeito que eu mandar você entregue a ele. O
filho, no meio do caminho abriu a bacia que tava a comida do pai
e comeu toda carne que tinha lá, deixando somente os ossos para
o pai. O pai que tava varado de fome quando abriu a bacia e que
viu só os ossos ficou furioso, e perguntou:
− Menino cadê a carne? Sua mãe só mandou osso para mim?
O menino com o medo do pai, e sem querer levar a culpa disse:
− Pai chegou um homem lá em casa e mãe deu toda carne
para ele, e mandou só os ossos para o senhor. O pai indignado
não pensou duas vezes, pegou sua roçadeira e foi direto para casa.
Chegando lá disse:
− Vou matar você! Como pode? Eu passo o dia trabalhando,
enquanto você passa o dia em casa com outro homem e ainda
tem a coragem de só mandar osso para mim? A mãe ainda quis se
explicar, mas ele não lhe dava chance. E o menino que presenciou
tudo e sabia que mãe ia morrer por causa dele, não teve coragem
de falar nada. Antes de morrer a mãe olhou para o filho e disse:
− Tanto que eu te pedi para você não me desobedecer, por
sua causa eu vou morrer, mas você meu filho vai virar lobisomem,
vai correr sete província, durante sete anos, para nunca mais me
desobedecer. E assim aconteceu a praga da mãe se realizou e na
primeira noite de lua cheia o menino virou lobisomem.
Depois que minha mãe me contou essa história, quando
eu pensava em fazer alguma coisa que ela não quisesse eu lembrava
logo do menino, sentia medo e não fazia mais.
Acervo pessoal colhido da memória de Maria Oliveira Lopes
APLICANDO OS NÍVEIS DE LEITURA
Primeiro nível de leitura o narrativo
Segmentação da versão do conto: o menino que virou
lobisomem.
Sg1: Ida do filho à roça para levar a comida do pai
Sg2: Desobediência do filho
Sg3: Comeu a carne do pai
Sg4: Mentira do filho
Sg5: Decisão do pai
Sg6: Praga da mãe
Sg7: Realização da praga
104 105
Sujeito semiótico 1:
O sujeito semiótico 1(S1), nomeado de mãe tem como
objeto de valor o conselho ao filho, é modalizado por um querer-
fazer. O oponente de (S1) é a desobediência do filho. Sendo o (S1)
destinado por um desejo.
O programa principal de S1 é:
Pode-se vislumbrar na formula que o (S1) começa e
termina distante do seu objeto de valor. Apesar da mãe orientar o
filho, o mesmo não atende.
Sujeito Semiótico 2:
O sujeito Semiótico 2(S2) nomeado de filho tem como
objeto de valor a carne do pai modalizado pelo querer fazer comer
a carne do pai. O oponente de (S1) é a mãe, o (S2) é destinado
por uma vontade de querer comer e tem como adjuvante o desejo.
O programa principal de S2 é:
Percurso:
Para orientar o filho a mãe o aconselha, pedindo-lhe para
não ser desobediente, com isso ela lhe dar um voto de confiança,
pedindo-lhe para ir deixar a comida ao pai.
Percurso:
106 107
Através da formula vislumbramos que o sujeito Semiótico
2 inicia distante do seu objeto de valor e finaliza-se adjunto do seu
objeto de valor.
O Sujeito Semiótico 3
O Sujeito Semiótico 3 (S3) nomeado de pai tem como
objeto de valor a comida destinador por um querer fazer alimentar-
se. O (S3) Tem como oponente o filho, é destinado pela fome e
tem como adjuvante a esposa.
O programa principal de S3 é:
Percurso:
Através da formula vislumbramos que (S3) inicia e termina
distante do seu objeto de valor, decorrente da desobediência do filho.
Sujeito Semiótico 4:
O sujeito semiótico 4 (S4), nomeado de pai tem como
objeto de valor matar a esposa, é modalizado por um quere-fazer
matar. Sendo o (S4) destinado por um desejo de vingança e tem
como adjuvante a mentira do filho.
O programa principal de S4 é:
Percurso:
Através da formula vislumbramos que (S4) inicia-se a
principio distante do seu objeto de valor, porém, depois da mentira
do filho o sujeito semiótico (S4) impulsionado pelo desejo de
vingança, passa-se a ser conjunto do seu objeto de valor.
108 109
Segundo nível de leitura o discursivo
O menino que virava lobisomem: contado por um iniciador
chamado de “eu” narrado em primeira pessoa em que podemos
caracterizá-lo como uma figura feminina pois na narrativa ela diz:
Lopes 2018“ minha mãe sempre pedia para eu ser uma menina
obediente”, fundamentado na ideia de que obediência era uma
virtude imprescindível.
O “eu” relata um pouco da sua história, contando que
quando criança, sua mãe contava historias relacionando-as com
os ensinamentos de vida, e que estes deveriam ser aprendidos
desde cedo, com isso nos repassa que o gênero feminino deve
estar sempre subordinado, e propício à obediência, querendo
nos dizer que durante toda sua trajetória de vida sempre foi
uma pessoa subordinada, suprimindo suas vontades, desejos
e anseios, mas para ela isto não era um problema, portanto,
pode-se perceber que ela defende a ideia da obediência, e para
validar a sua história ela delega a voz a três papéis temáticos, a
mãe, o filho e o pai.
Mãe é um papel temático, que tem a função de ser genitora
da vida, que cria seus filhos e protege sinônimo de aconchego,
de porto seguro, de amor incondicional, ser de uma fortaleza
exorbitante, que são atribuídas inúmeras responsabilidades de
administrar conduzir toda sua família.
Já no conto o papel temático de mãe que atribuído pelo
enunciador caracteriza-se como um ser vulnerável subordinado aos
quereres do filho e do marido e se levarmos em conta uma análise
diacrônica mais acentuada nos deparamos o quanto as mulheres
são vítimas da supremacia masculina, sem voz ativa sujeita a um
ambiente extremamente machista, é perceptível um descaso em
relação ao ser feminino, no qual o pai prefere acreditar no filho,
resulta na sua morte.
O filho é um papel temático, que designa como uma
extensão da relação de dois seres passando a ser fruto do amor de
duas pessoas, sendo ele estimado e amado no qual são repassados para
esse ser crenças, valores éticos e morais de acordo com sua cultura.
Os pais esperam que seus filhos sejam pessoas de bem, esforçados,
dedicados e que os respeitem que acatem seus ensinamentos, Os
pais sempre querem e fazem o melhor para seus filhos, portanto,
compete a ele respeitar os valores adquiridos pelos seus antecessores,
tendo em vista, serem indivíduos aptos a viverem em sociedade.
No conto, o enunciador atribui o papel temático desempenhado
pelo filho aquele infringe a regras da mãe, contrapondo-se ao
pedido (conselho) dela, o detentor da desobediência, que teve como
consequência o término de vida da mãe. “Tanto que eu te pedi para
você não me desobedecer, por sua causa eu vou morrer.(Lopes, 2018)
O pai é um papel temático importante no ninho familiar
que assim como mãe compete ajudar na criação da família,
protegendo, direcionando, acompanhando o desempenho familiar,
caracteriza-se na maioria das vezes como ser forte, adjetivando-secomo o escudo guardião, do berço familiar.
No conto, o enunciador, atribui ao pai um homem uma
superioridade absoluta, cujo ódio declarado por ele quando diz:
Lopes, 2018: “Vou matar você!” assume o ápice do machismo,
quando obtido através de uma dissolução da verdade, assumindo
uma visão preconceituosa sobre a sua esposa. Ambos, o pai e filho,
são vistos negativamente neste conto.
O enunciador encontra-se distante do tempo da enunciação,
tempo do então, onde encontra-se em um passado perfeito, Lopes,
2018 “quando eu era criança, me pedia, eu fosse”, o vá designa o tempo
presente dentro do conto, determinando que o menino vá naquele
exato momento. Encontra-se também um tempo cronológico
manifestado em: primeira noite de lua cheia. Que no conto foi o
110 111
tempo indicativo pela mãe para realização da praga, e nos remete a
pensar os mistérios da noite.
Assim como ocorre dois tempos também temos dois espaços
o linguístico e geográfico manifestando-se através o do enunciador
temos o Lá e o Aqui que corresponde ao tempo do conto, o enunciador
através de flashback revive a memória de um Lá desordenado fixado
no passo e Aqui reconstruído em novo espaço que é contado. O aqui
geográfico presente no conto em: A roça, no meio do caminho, em
casa. Reconhecível facilmente pelo leitor.
Outras observações dizem respeito aos temas e figuras. Com
maior proeminência sobressai no conto à temática da obediência
que significa aquele que escuta com atenção Aurélio (2010, p. 525),
qualificando como virtude de comportamento, aquele que acata as
ordens, é considerado como o ato de respeitar, honrar e obedecer. E
refletindo no agir do filho, caracteriza como oposto do que se espera
dele. E a figura que nos remete a obediência é mãe, que vive subordinada
as ordens da esposa e mesmo ela sendo uma mulher não fugia de suas
incumbências foi terrivelmente exterminada em ato cruel.
Terceiro nível de leitura o fundamental
Verifica-se aqui neste último nível de leitura uma tensão
dialética entre obediência e desobediência que instala uma relação
conflituosa na família. A obediência implica não-obediência e
faz emergir um respeito, traço importante no berço familiar. Já a
desobediência com não-desobediência faz emergir o desrespeito,
acarretando um ciclo não-virtuoso e consequentemente
problemático, pois sabemos que a família é a célula mãe, e caso
haja um desequilíbrio por algum de seus constituintes todos irão
padecer, ou, em algum deles irá recair toda responsabilidade, que
no conto recai sobre mãe. Veja o octógono com atenção descrita:
A gestão comprometida
Levando em consideração olhar diferenciado de um gestor(a)
que tem como princípios básicos ações modificadoras em sala de
aula é necessário que não só ele, mas toda equipe esteja empenhada
em contribuir com um ensino de qualidade. E para que tais
aspirações sejam colocadas em prática faz-se necessário a princípio
orientar, capacitar os profissionais dando-lhes oportunidade bem
como condições de trabalho para desenvolver tais níveis de leitura,
tendo como enfoque uma abordagem inovadora e significativa
capaz de transformar e/ou modificar as subjetivadas dos alunos.
112 113
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Depois das reflexões diante do conto popular vimos que
ele faz parte de memorial cultural de um povo no qual sua origem é
incerta, e são passados de geração a geração representado pela visão
de mundo do enunciador, transmitindo sempre uma mensagem, e
uma nova forma de ver o mundo.
Através do primeiro nível leitura o narrativo percebe-se
que cada um de nós somos sujeitos atraídos por um objeto de
valor e impulsionados na maior parte por um querer- fazer onde
contamos com adjuvantes e/ou oponentes.
Já no nível discursivo concebe uma maior compreensão
do sentido característico do enunciador e da sua história, é através
do discurso, do dito, é que sobressai as situações em se produz o
dizer, suas ideologias, convicções e suas crenças. O conto retrata
de forma explícita um machismo desmedido, mas, não só o conto
é perceptível, como também o narrador-contador que de certa
forma aceita e repassa essa concepção.
E no último nível de leitura, o fundamental, mostra a relação
que se estabelece entre a tensão temática e seus correspondentes, o
contrário, e o contraditório de seu contrário fazendo emergir um
não-contrario, e um não contrário de seu contraditório. Nesses
emaranhados de relações são trabalhadas como parte do processo
da significação que se deve compreender.
Portanto, é através dessa busca constante que o gestor deve
manifestar um querer modificador de suas atribuições fazendo o
seu diferencial em conduzir seu grupo de trabalho a desenvolver
no discente a capacidade de ir além da interpretação inicial,
mas, de construir e reconstruir saberes e sentidos e significados,
pensando nisso este trabalho foi proposto com intuito de despertar
nos alunos inúmeros processos de produção de conhecimentos,
levando-os consequentemente a melhor desenvolver seu cognitivo,
habilidades e atitudes.
REFERÊNCIAS
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e inconsciente coletivo. 2011 Teses (Pós-Graduação). Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa.
BRASIL, Lei de Diretrizes e B. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996.
BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, códigos e suas tecnologias.
Brasília: MEC/SEE, 1998. Curitiba: Positivo, 2010. 2222 p. ISBN 978-85-385-4198-1.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed.
FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 2º. São Paulo. Editora Contexto, 2014.
GREIMAS, Algirdas Julian; FONTANILLE, Jacques. Semiótica das paixões: dos estados de coisas
aos estados de alma.São Paulo: Ática, 1993.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 7 ed. São Paulo:
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MATTE, Ana Cristina Fricke; LARA, Glaucia Muniz Poença. UM PANORAMA DA
SEMIÓTICA GREIMASIANA. Alfa Revista de Linguistica, São Paulo, v. 53, p.329-350,
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Acesso em: 05 out. 2016.
MINAYO, Maria Cecília Sousa; (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis:
Vozes, 2001
NOTH, Winfried. Panorama da semiótica: de Platão a Peicer/3º. ed. São Paulo. Editora
Annablume, 2003.
PATRINI, Maria de Loudes. A renovação do conto. São Paulo: Cortez, 2005, p17.
- Graduada em Letras
- Pós-Graduada em Gestão Escolar e Coord. Pedagógica
- Experiência em produção textual, discurso, leitura e
produção de gênero.
Marta Kécia Fernandes Damasceno
114 115
Este trabalho busca explorar meios de melhorias para
construção e organização de ideais que facilitem e desenvolvam
um trabalho de qualificação na escola atual, visa esclarecer resposta
de professores, pais, e alunos que buscam uma escola de qualidade
e uma aprendizagem diferenciada. Tem como objetivo principal
contemplar de forma coerente a funcionabilidade do gestor e as
principais discussões, visando fortalecer a administração da instituição
de ensino escolar, pois o alunado não aprende apenas em sala de aula,
na educação formal, mas também de forma informal fora da escola.
Neste conteúdo estão programadas algumas técnicas de
ensino que poderão ser utilizadas durante toda trajetória do ano
letivo com tópicos que organizam a vida escolar da direção e mantém
regras de convivência entre a equipe. Durante o estudo e pesquisa
sobre o tema abordado, relação gestor e escola, foi procurado manter
o foco e rever alguns objetivos que a gestão explora em geral para o
domínio da cultura dos indivíduos que nela habitam.
Esses são os principais focos do artigo, mostrar as melhores
maneiras e técnicas escolares construindo sempre pilares que possam
Princípios E Métodos
da Gestão Escolar
Josefa Nadjela Aquino de Souza
Capítulo VI
116 117
fortalecer e desenvolver produtividade no ensino usandomeios
tecnológicos que facilitam e mostram variedades de melhor usar a
tecnologia e assim distribuir com facilidade o que se aprende e pratica.
Nas últimas décadas, várias mudanças foram inseridas
na sociedade e em todo mundo, hoje a escola está cada vez mais
engajada no meio tecnológico. Essa nova era distribui uma forma
de trabalho facilitador para organização do gestor e de sua equipe.
Com o fenômeno da globalização, todos estão sendo
desafiados a ter participação dessa nova realidade, que é
potencializada aos meios de comunicação e informação. É
importante que o líder foque na aprendizagem e que esteja
disposto para enfrentar novos desafios que surgirem no caminho,
com mudança em tempo real, onde o ser humano adapta-se da
tecnologia como ferramenta para melhor trabalhar e distribuir
suas ideias e descobertas.
O DESENVOLVIMENTO DO GESTOR NA ESCOLA ATUAL
A escola, ao longo dos anos, vem se transformando
paulatinamente. O lado tradicional ainda está sendo utilizado para
alfabetização nas instituições de ensino da rede pública tendo como
principal objetivo o desenvolvimento do indivíduo. Sem dúvida, tem
passado por um processo de grandes descobertas, devido às mudanças
trazidas com as novas tecnologias que, muitas vezes, são facilitadoras no
ato de ensinar e junto com o modo tradicional fortalece a curiosidade
do alunado procurando adquirir o melhor resultado, com aulas que
despertem o interesse do aluno no decorrer do ano letivo.
Nos primórdios, a escola diretiva autoritária, contava com o
total apoio do governo, que ajudava para as melhorias na aprendizagem
com intenção de diminuir o analfabetismo escolar, mas com o passar do
tempo os gestores descobriram novas formas de trabalho, ampliando
em sala novos conteúdos e métodos de ensino que fossem transmitidos
da melhor maneira. Em todos os aspectos educacionais aconteceram
fartas transformações em relação ao gestor, os novos meios de trabalho
tiveram total relevância no desenvolvimento escolar.
Durante a trajetória escolar o principal conceito da gestão
consiste no sistema de organização interna da escola, envolvendo
todas as práticas escolares, tendo como principal objetivo garantir
o empenho na instituição de ensino. As instituições escolares
vêm sendo pressionadas para melhor rever seu papel diante das
transformações que ocorrem de fato com os avanços dos meios
de informações que facilitam nos processos, tanto de adaptação
quanto de aprendizagem. Mediante essas transformações o gestor
responsável por toda escola, deve sempre estar preparado para esses
processos de comutação, que de forma direta ou indireta chegam
até o ambiente educacional. O gestor por sua vez tem que estar
sempre atento aos novos desafios que afetam as demandas escolares
por exigirem dele novas atenções e conhecimentos e habilidades.
Segundo Libâneo:
A escola necessária para fazer frente a essas realidades e a
que prevê informação cultural e cientifica que possibilita o
contato dos alunos com a cultura aquela cultura provida pela
ciência, pela técnica pela linguagem, pela estética, pela ética:
Especialmente uma escola de qualidade é aquela que inclui
uma escola contra a exclusão econômica política, cultura
pedagógica. (LIBANEO, 2004, p. 07).
Fundamentada na citação acima, não existe escola perfeita e sim
pessoas que lutam para chegarem a uma solução que inclui o ser humano
como o reflexo do trabalho para melhor chegar ao resultado almejado
pelos constituintes da escola, que procuram deixar de lado qualquer
tipo de exclusão a cultura ou qualquer outra forma de abrangimento,
dando espaço ao membro gestor e aos docentes e discentes a terem o
118 119
privilégio de se pronunciar e despejar suas ideias, onde todos possam
expressar suas realidades e assim conviver em harmonia, para assim
manter e melhorar os resultados no decorrer do ano letivo.
José Carlos Libâneo comenta que para a escola exercer seu
papel na constituição da democracia social política é necessária
seguir os seguintes objetivos:
Promover o desenvolvimento de capacidade cognitiva, ope-
rativa e sócias dos alunos (processos mentais estratégicos de
aprendizagem, competência do pensar pensamentos críticos).
Por meio dos conteúdos escolares. 2. Promover as condições
para o fortalecimento da subjetividade e da identidade cultural
dos alunos, incluindo o desenvolvimento da criatividade, sensi-
bilidade, da imaginação. 3. Preparar para o trabalho e para a so-
ciedade tecnológica e comunicacional, implicando preparação
tecnológica (saber tomar decisões, fazer analises globalizantes,
interpretar informação de toda natureza, ter atitude de pesquisa,
saber trabalhar junto etc.) 4. Formar para cidadania crítica, isto
é formar um cidadãos trabalhador capaz de interferir critica-
mente na realidade na realidade para transformá-la e não ape-
nas formar para integrar o mercado de trabalho. 5. Desenvolver
a formação para valores éticos, isto é, formação de qualidade
morais, traços de caráter, atitudes, convicções humanistas e hu-
manitárias.(LIBANEO, 2001 a 2004, p. 7 e 8).
Sendo assim, a escola deseja tornar os alunos seres pensantes
capazes de expressar suas ideias, e demonstrar seus valores, perante
a sociedade democrática, portanto promovendo para o indivíduo o
domínio do conhecimento e habilidades de pensamentos. Mostrando
que, todos são capazes, respeitando em modo geral toda a cultura e
também a individualidade. Propõe que a escola contemporânea seja
usada para melhor ingressar o aluno no meio social e comunicacional,
pois assim o gestor está ajudando ao aluno de forma individual
tornando-se em seres que estão expondo seus valores e critérios de
decisões e ações onde estão envolvidos todos os problemas do mundo
e da economia, do comunismo das relações humanas envolvendo
questões raciais, de gênero, das minorias culturais. Então relacionados
a todos os itens é de total importância que a escola de forma geral
tenha total atenção na aprendizagem pondo-se como foco principal
o projeto curricular da instituição, que, sem dúvida, tem que estar
preparada para as inovações, oferecer serviços e resultados. Assim está
sendo imposto um desafio a esse lugar de ensino do terceiro milênio.
Segundo Libâneo:
É preciso considerar, além disso que os alunos trazem para
a escola e para as salas de aula um conjunto de significados,
valores, crenças, modos de agir, resultante de aprendizagens
informais, que muitos autores chamam de cultura paralela ou
currículo extraescolar. Fazem parte dessa cultura paralela o
cinema, a tv, os vídeos, as conversas entre adultos e entre os
amigos, as revistas populares, o rádio, de onde os alunos ex-
traem sua forma de ver o mundo, as pessoas, as diferentes
culturas, povos etc. A organização escolar e os professores
precisam saber como articular essas culturas, ajudar os alunos
a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura
cotidiana, de modo que adquiram instrumentos conceituais,
formas do pensar e de sentir, para interpretar a realidade e
intervir nela.” (LIBANEO, 2004, p.11).
Alicerçada na opinião de Libâneo aqui citada, é
importante rever todas as situações que estão relacionadas a novos
meios culturais e sociais, trazendo sempre o diferencial, para que
sejam sempre bem vistos os trabalhos e as melhores maneiras de
individualismo e cultura de gênero. Uma das principais funções
para a escola é interagir e articular-se com práticas sociais. Assim
a relação entre o gestor e alunos desenvolve um ato de confiança
e ajuda na medrar da aprendizagem, torna a socialização entre
membros, dispostos ao diálogo diário para a inovação de maneiras
120 121
de convivência, pois os meios que cada um traz para a escola tem
o mesmo sentido, são apenas expostos por costumes diferentes.
MÉTODOS UTILIZADOS PARA UM BOM DESENVOLVIMENTO
NA GESTÃO
O Gestor é um membro importante na escola, pois traz
com ele todo processo de responsabilidade escolar. Trata-se portanto
de umaárea onde todos os dias tem-se coisas novas a aprender para
que a atuação desse diretor seja sempre vista com compromisso
coletivo e defesa para o ambiente escolar. A relação gestor e aluno
estão relacionados ao Projeto Político Pedagógico conhecido como o
PPP. A escola precisa sempre criar mecanismos que estejam ligados a
comunidade escolar na organização e gestão. Durante o período escolar
são elaborados os planejamentos, no PPP são expostas atividades que
devem ser aplicadas com toda comunidade escolar. Essa comunidade
é composta por professores, alunos, funcionários e pais.
Segundo a legislação direta, Artigo 12 da Lei nº 9.394 de
20 de Dezembro de 1996:
Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e
as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar
e executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal
e seus recursos materiais e financeiros; III - assegurar o cumpri-
mento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; IV - velar pelo
cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V - prover
meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI -
articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos
de integração da sociedade com a escola; VII - informar os pais
e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos,
bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica; VII -
informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for
o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento
dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica
da escola. (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009); VIII -
notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente
da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público
a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima
de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. (Incluído
pela Lei nº 10.287, de 2001). (VIEIRA 2008 p.43).
Como explicitado acima, o gestor por sua vez tem que
sempre esclarecer relações de convivência e atualidades com os
dirigentes que estão engajados na instituição de ensino. Assim
seguindo as regras da LDB, que foi criada para garantir a toda
população em geral ter o total acesso à educação gratuita e de
qualidade, para valorizar os profissionais da educação, estabelecer o
dever da união do estado e dos municípios com educação pública.
Lei de diretrizes está nas escolas colocando em práticas o ensino
para melhor ser a administração escolar, em geral favorecendo ao
gestor e alunos. Para que melhor seja a aprendizagem do indivíduo.
Estão aqui alguns tópicos de favorecimento ao convívio
escolar: Proporcionar nas instituições de ensino o melhor
relacionamento entre os membros; sobre os problemas evidenciados
procurar obter o melhor resultado; desenvolver soluções para as
propostas inovadoras; conhecer as melhores técnicas de trabalho;
estabelecer regras entre todos os participantes da escola; manter
sempre a escola como centro da sociedade para que todos estejam
engajados nas mudanças de paradigmas; mencionar sempre que
preciso alianças e parcerias com outras unidades escolares.
Manter sempre a escola como foco para um
desenvolvimento de qualidade ajuda sem sombras de dúvida ao
gestor e toda sua equipe, o gestor escolar tem que se conscientizar
de que ele não faz nada sozinho, pois todos os problemas da escola
deve ter participação dos engajados colocar sempre no caminho a
descentralização, ou seja, o compartilhamento das responsabilidades
122 123
com todos que fazem parte da escola é importante, a participação
de todos é essencial para o desenvolvimento educacional.
Como o gestor deve agir na escola em caso de inclusão
Como sabemos todos temos uma cultura, vivências e
necessidades que devem ser respeitados. Alunos com necessidades
educativas especiais até pouco tempo atrás, não podiam frequentar as
escolas regulares do ensino público, mas surgiram leis na perspectiva
da educação como direito de todos. A comunidade escolar tem como
obrigação orientar os alunos que todos são iguais e não há diferença
alguma de crença, raça ou cor ou deficiência que faça com que o
tratamento e os direitos sejam diferentes.
A ideia de inclusão está firmada no princípio da equipolência
e heterogeneidade, de acordo com as propostas de uma sociedade
democrática e justa. De acordo com Carvalho (2007), a Educação
Inclusiva defende uma escola aberta a todos, uma vez que nossa
sociedade é plural e democrática, oferecendo subsídios e iguais
oportunidades para que os alunos ingressem, permaneçam e,
principalmente, participem do processo de aprendizagem, sendo
construtores do seu próprio conhecimento. Sendo assim a gestão
escolar democrática onde existe a participação de todos ali envolvidos
transforma a escola em um lugar mais ativo, é necessário o diálogo com
todos que fazem parte daquela educação, mediado pelo gestor onde
todos possam enfrentar as dificuldades existentes com a educação.
No artigo da LDB 58, O Legislador diz que haverá, quando
necessário, serviço de apoio especializado, na escola regular,
para entender as peculiaridades da clientela de educação
especial. (LDB, artigo 58, 1996).
Como citado a cima, na Lei de Diretrizes, está sendo
esclarecido que em toda escola regular deve ter acompanhamento
aos portadores de deficiências especiais. Pois com relação ao
nível de cada escola o gestor entra com seu papel de educador,
e trabalha com cada aluno uma maneira de melhor obter o
respeito de todos, classificar maneiras que eles sintam-se à
vontade e sejam bem tratados na atual instituição valorizando
os diferentes níveis de cada um, lembrando que todos tem seu
espaço na escola que a recebe.
No artigo 59 da LDB diz que o sistema de ensino assegurará
aos educacionais com necessidades especiais.
Valorizando esse ponto que o sistema assegura, cabe dizer
que é essencial o acompanhamento do gestor e da família, assim
pode se trabalhar esse mecanismo completo, trazendo para a escola
o apoio total dos que fazem parte do processo de vida do sujeito.
E importante sim que o gestor passe a envolver todos agregados e
toda a comunidade escolar para obter o menor preconceito possível.
Embora saibam que existem outros preconceitos, a família deve ter
total acompanhamento nesse processo.
Convidar aqueles que (de alguma forma) têm esperado para
entrar e pedir-lhes para ajudar a desenhar novos sistemas
que encorajem todas as pessoas a participar da completude
de suas capacidades – como companheiros e como membros
(MANTOAN, 2005, p.137).
É notado que está acontecendo uma nova reestruturação do
sistema educacional, propondo as escolas que vá de encontro com as
dessemelhanças humanas. Ferreira e Guimarães (2003) afirmam que foi
na Idade Moderna o homem passa a ser entendido como animal racional
e trabalha para atingir a igualdade. Nesse novo ambiente escolar existe
uma democratização em que novos grupos sociais se formam e novos
conhecimentos são adquiridos, desligando com o velho modelo escolar,
e obtendo a inclusão escolar o seu objetivo maior.
Sobre o tema foi citado:
124 125
As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas
portadoras de deficiência requerem atenção especial. É preciso
tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à educação
aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como
parte do sistema educativo (BRASIL, 1990, p. 4).
A Política Nacional de Educação Especial visa à inserção do
aluno deficiente integrado à sala de regular, no qual afirma que as
crianças têm a mesma condição de acompanhar o ensino comum da
mesma forma dos alunos não deficiente.
GESTÃO E COORDENAÇÃO
Essas duas funções andam lado a lado no processo
educacional, pois a relação e parceria são importantes para o trabalho
ter a produtividade necessária. Esse envolvimento, e foco a escola não
pode deixar de ter, pois o coordenador pedagógico deve garantir uma
autonomia na organização do trabalho, ou melhor, total influência,pois além de ajudar ao diretor colabora com o trabalho dos professores.
Na escola, além de tudo ele vive o conflito de, ao mesmo tempo,
ser professor e coordenador; ligar-se ao diretor assessorando-o
no comprimento de tarefas administrativas-burocráticas de
que esse se ocupa e ao professor, que dele espera ´´receitas
milagrosas´´ para fazer pedagógicas. (FERNANDES 2002, p. 117).
O Coordenador como exposto na citação tem uma relação de
muito apoio com os professores e diretores, sem contar que a falta de
condições de trabalho é grande, mas mesmo assim estabelecem uma
relação de apoio aos colegas, com propostas no processo de ensino-
aprendizagem para os professores e para os diretores. A família tem
um papel forte para o desenvolvimento, como já bastante discutido
a escola não funciona sozinha apenas com o diretor, tem que haver
sem dúvidas outras propostas estabelecidas pelo atual coordenador
onde oriente e busque verificar a necessidade de cada escola e fazer
funcionar o seu papel com total responsabilidade e compromisso.
Provoca a pensar-se em outra Óptica para deslocar, eixo das
verdades, elaboradas a seguinte questão: por que atribuímos
ao diretor a capacidade de fazer o supervisor avançar ou
regredir na sua atuação? Certamente porque o cotidiano desse
profissional sofre influência constante na gestão escolar, como
se texto, diretamente ligado a relação de poder entre gestor
e coordenador pedagógico. Talvez esse diagnostico esteja
pautado na nomeação político-partidária, na falta de formação
gestores e até na carência conceitual dos gestores sobre as
ações dos coordenador pedagógico, desencadeando a postura
de diretor meramente reativo. (MEDINA, 2008 p. 16).
Um bom diretor precisar saber ouvir, interpretar, observar,
somente haverá melhorias na aprendizagem se todos tiverem
sintonizado no trabalho escolar. Nesse caso sempre é válido que o
diretor deixe um pouco dos seus conhecimentos ao coordenador, para
quando estiver ausente haja um represente na direção escolar que tenha
total habilidade, quando algo aconteça na unidade. Pois no mesmo
instante não falte um representante a altura para qualquer problema
que possa acontecer na ausência do diretor, isso se chama trabalho em
equipe. Sabe-se que todos têm sua função, mas mesmo assim podem
surgir dúvidas algumas tarefas que colaboram com saberes diferente
e ideias para melhor ser direcionados os atuantes trabalhos diários e
importantes esse convívio entre o diretor e coordenador.
Para Luck:
Portanto, quando se pensar em algum setor da escola, deve-
se pensar em suas relações com os demais setores, bem
como a comunidade. Sendo assim, aborda-se a coordenação
pedagógica e sua estreita relação com a gestão, conceitos e
126 127
reflexões em torno do trabalho da coordenação, que sofre
diuturnamente influências de diferentes tipos de gestões
escolares (LUCK, 2007 p.10).
Segundo as palavras de Luck, a escola tem que estar sempre se
movimentando, organizando e revendo formas de melhor se encaixar
e acompanhar o trabalho de todos das diferentes funções que cada ser
está exercendo em outros setores da escola. Setores esses que ajudam
no estabelecimento e desenvolvimento equilibrado da escola.
Pensando sobre o que foi exposto anteriormente, é
exatamente por isso que o coordenador deve estar presente em
tudo que diz respeito à direção, para assim adquirir conhecimento
e melhor explorar sua função. Pois o coordenador pode e deve
ajudar ao diretor no funcionamento das atividades diárias, assim a
escola nunca estará sem propostas pedagógicas, mantendo cada um
fazendo sua função mas com o mérito de não deixar de ajudar com
ideias e com criatividade que sejam vinculadas ao bem do aluno.
Pois esse compromisso se traduz de forma coletiva na ação dos
envolvidos no processo educacional fortalecendo melhorias nos
princípios de boa convivência do gestor e coordenador. Usando
o mesmo objetivo, valores, e princípios para um trabalho de
qualidade e com estratégias de desenvolvimento para aprendizagem
do aluno.
RESULTADOS DA PESQUISA
Em relação à gestão, pode-se falar que está em um processo
democrático, que se faz com a participação de todos para um bem
comum, que é melhorar do aprendizado, e da escola em geral. Uma das
maiores dificuldades encontradas e percebidas durante essa pesquisa,
foi a falta de recursos para melhor administrar a unidade escolar,
mesmo com esse e outros impasses a comunidade escolar trabalha de
forma eficiente procurando atender a toda clientela ali matriculada.
Sobre o coordenador, pode-se sopesar de suma importância
sua presença na escola, dando suporte aos docentes, alunado e pais.
Incumbe a este intervir no processo de organização, planejamento
e nas atividades do cotidiano escolar.
Apesar do pouco contato com a escola para realização desse
trabalho, foi visto pelas pesquisas literárias realizadas o empenho
e dedicação dos profissionais atuantes desde os professores até o
núcleo gestor e todos que fazem parte da unidade o empenho e
dedicação dessas pessoas que disponibilizam seu tempo, atenção e
cuidado para melhorar a educação.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As incumbências do gestor como diretor escolar são de fácil
acesso, pois estão descritas em inúmeros documentos, livros e leis,
porém só consegue enxergar esse profissional com tantas dificuldades
e imprevistos rotineiros quem está ali na prática, acompanhando
cada detalhe. A maioria desses embaraços são árduos de serem
superados, com isso gestor deve ter consciência do seu papel no
espaço escolar, sempre refletindo e avaliando seus deveres.
O diretor escolar como líder de sua equipe e pré-posto da unidade
educativa perante a comunidade deve sempre realizar um trabalho
coletivo, estando sempre aberto a diálogos dentro e fora da escola. As
suas atitudes tanto de liderança como democráticas são reveladas a partir
de suas próprias concepções sobre educação, ensino e mudança.
O responsável pela direção escolar tem como função
conseguir efetivar o trabalho educacional servindo-se de
pouquíssimo para realizar muito, superar as dificuldades com falta
de materiais e funcionários, as necessidades e contribuições dos
pais além de estar presente no trabalho pedagógico criando meios
e estratégias para o bom desenvolver da escola.
128 129
Portanto esse trabalho deve ser feito com confiança e
perseverança, para que a comunidade em geral entenda que juntos
podem transformar a realidade da escola, excedendo as faltas e
dificuldades que não são poucas e a transformando num lugar de
aprendizado prazeroso, transformador e produtivo.
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Atlas, 1988.
CARVALHO, R.E. Removendo barreiras para a aprendizagem. 7. ed. Porto Alegre: Mediação, 2007.
DIREITONET, O Direito à Educação Especial Disponível em acesso em: 07 de junho de 2018.
FERREIRA, M. E. C; GUIMARÃES, M. Educação Inclusiva. Rio de Janeiro: DP & A, 2003.
LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Disponível em: .
LÍBANO, José Carlos. Organização e gestão escolar. Teoria e pratica. Editora alternativa. 1 Edição
2001 5 Edição 2005.
LUCK, Heloisa. A escola participativa. O trabalho do gestor escolar. 5 ed. Rio de Janeiro. DP & A, 2001.
MANTOAN, M. T. E. e Colaboradores. A Integração de Pessoas com Deficiência: contribuições para
uma reflexão sobre o tema Ed. Memnon. Edições Científicas Ltda.: Ed. SENAC, São Paulo, 1997.
ORSOLON, Luzia Angelina Marino. O coordenador/formador como um dos agentes de
transformação da/na escola. In: ALMEIDA, Laurinda Ramalho de.
PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza (orgs.). O coordenador pedagógico e o espaço da mudança.
São Paulo: Loyola, 2001, p. 17-25. Medina 2008 p. 16).
SOARES, Andrey Felipe. Gestão escolar e coordenação pedagógica: uma relação complexa.MEDINA 2008.
A educação é uma atividade que está intimamente ligada
com a comunicação. Por essa razão, as propostas pedagógicas
devem auxiliar nesse processo de ensino-aprendizagem, que
sejam capazes de falar a linguagem para qualquer público, desde
o mais exigente até o mais leigo de acordo com os variados
temas inerentes a educação em todos os níveis.
Na Educação Matemática também não é diferente, e
atualmente, encontra-se em um momento no qual as estatísticas
não são otimistas em relação ao contexto de aprendizagem. O
ápice, até então conduz refletir sobre a importância do quê, por
quê e como ensinar os conhecimentos especificamente trabalhados
em sala de aula, processo esse que transcorre com muita dificuldade
para a maioria dos professores de matemática.
Apesar do grande avanço lúdico já conquistado nos dias
de hoje no Ensino da Matemática como um todo, se faz necessário
buscar meios precisos que possam suprir as lacunas geradas pelo
Matemágica:
O Segredo da Matemática na Sala de Aula
Francisco Robson de Brito Gonçalves
Ricardo Souza e Silva
Capítulo VII
- Licenciada em Pedagogia
- Pós-Graduada em Gestão Escolar
xe Coordenação Pedagógica
Josefa Nadjela Aquino de Souza
130 131
comodismo e a tão falada zona de conforto, responsáveis pelo
repetitivo ato de ensinar.
Nesse contexto, a necessidade de moldar as condicionantes
que atuam na formação intelectual de aprendizagem, pode-se destacar
a criatividade, mesmo sabendo que se trata de um fenômeno complexo,
e pouco explorado, sobretudo no ambiente educacional, na qual o
professor tem o dever de promovê-la na formação de seus alunos.
Baseando-se sobre essa nova tendência, objetivamos
avaliar a mágica inserida num contexto matemático como uma
forma de motivar, assimilar e desenvolver a criatividade diante
das adversidades encontradas pelo educador, mediante a tais
circunstâncias emergenciais nas ministrações matemáticas.
A ideia foi apresentada aos alunos de graduação do 5º Semestre
do Curso de Licenciatura em Matemática durante a ministração
de um minicurso na Universidade Regional do Cariri – URCA na
disciplina de Prática III – Filosofia da Educação Matemática.
MATEMÁGICAS: TRUQUE OU MÁGICA?
Embora, ambas as palavras truque e mágica sejam vistas
como sinônimos para muitos autores há uma sutil diferença. Para
Ávila (2012) a utilização da palavra truque para se referir como
uma mágica é tanto, quanto pejorativa. Na realidade o truque está
relacionado com a habilidade técnica empregada pela destreza das
mãos e a mágica em si é o efeito produzido que irá interferir na
emoção e nos sentimentos das pessoas, pois a mágica não acontece
nas mãos do mágico e sim na mente das pessoas, ao contrário do
truque (ÁVILA, 2012).
Transformar um truque em um efeito mágico é
fundamental para dar sentido as definições distintas a que o
truque se propõe, pois necessita de um propósito para que fique
marcado o fenômeno único de encanto. Talvez, seja essa a razão
que a matemática encanta muita gente, pois muitos truques de
mágica baseiam-se em conceitos matemáticos.
Nesse caso, a matemática será utilizada como um truque
e a mágica será o efeito que produzirá na mente dos alunos, uma
vez que ela irá despertar o interesse para desvendar seus segredos.
A MÁGICA NO ENSINO DA MATEMÁTICA
“Se uma pessoa não pode aprender da maneira que é ensinada,
é melhor ensiná-la da maneira que pode aprender”.
Marion Welchmann
A concepção da mágica, como instrumento lúdico, tem
como objetivo a racionalização dos aspectos não intencionais
provocados pelo professor (MORALES, 2006). O autor ainda
informa que a aceitação efetiva é incondicional, sendo esta um
conjunto posterior aos atributos que o professor deve ter como a
competência e dominar o conteúdo.
Torrance (1987) afirma que é factível se educar a refletir
criativamente, utilizando-se de vários métodos, sendo a função
cognitiva e emocional o melhor deles, possibilitando uma estrutura
adequada e motivação necessária para dar oportunidades para o
envolvimento prático e interativo entre professores e alunos. O autor
ainda complementa que tais condições motivadoras e facilitadoras
são essenciais para estimular a criatividade, principalmente quando
o professor é determinado a se envolver no processo.
Para Wechsler (2001, 2002), um professor criativo é aquele
que está acessível a novas experiências e, assume uma postura de
132 133
facilitador, quebrando paradigmas da educação tradicional devido
a sua ousadia, curiosidade, confiança e paixão pelo que faz.
De acordo com essas perspectivas a ludicidade tem se
tornado um meio para o professor atingir esses objetivos. Assim,
essas atividades emergem de uma elaboração livre e exploram a
criatividade e desenvolvem o processo cognitivo de aprendizagem.
A mágica, se bem utilizada, pode ser relevante para
contribuir com a matemática, pois desperta interesse em quem a
contempla. O seu emprego favorece o entretenimento e conciliada
com os aspectos de desenvolvimento educacional irá proporcionar
uma formação mais consistente ao discente por proporcionar
atividades de socialização e estímulos.
Naturalmente, o uso da Matemágica será o fio condutor
na troca de informações e racionalização dos conteúdos, atuando
na contextualização que a própria disciplina proporciona visando
um bom desenvolvimento do ambiente educacional propiciando
a alegria e a surpresa. A alegria torna o ambiente prazeroso e a
surpresa causa expectativas que são sempre renovadas.
Na sequência, a Matemágica foi apresentada como
recurso pedagógico para o Ensino da Matemática com o intuito
de construir e analisar alguns truques simples que pudessem
mostrar uma Matemática divertida e chamar a atenção para
seu estudo, mostrando o efeito e a sua revelação. Os truques
apresentados foram os seguintes: Cartelas Mágicas, Quadrado
Mágico, Memória Fotográfica, Descobrindo a Idade,
Descobrindo o Dia de Nascimento, Surpresa Matemática.
TRUQUES MATEMÁGICOS
A utilização da mágica como recurso pedagógico no
Ensino da Matemática, se caracteriza pelo uso de inúmeros
truques, porém serão analisados os efeitos e revelados os segredos
dos truques escolhidos durante o minicurso.
Cartelas Mágicas
EfEito
O mágico mostra seis cartelas (figura 1) e pede para o
espectador pensar em um número de 1 a 63. Após o espectador
dizer em quais cartelas o número pensado está o mágico revela
qual foi o número pensado.
Figura 1
134 135
Vamos supor que o espectador fale que a sua idade
ou o número pensado está nas cartelas 1 e 4 de acordo com
a sequência de cartelas expostas. Logo, o mágico revela que o
número pensado foi 33.
Segredo
O número pensado é equivalente ao somatório dos
números pertencentes a primeira linha e primeira coluna de
cada cartela que contém o número escolhido. Como no exemplo
acima o número pensado foi 33 dispostos nas cartelas 1 e 4, basta
somar os números respectivamente da primeira linha e primeira
coluna que são: 1 + 32 = 33.
Quadrado Mágico 4x4
Efeito
O mágico pede para o espectador falar um número maior que
20. Em seguida o mágico desenha uma tabela 4x4 e começa a enumerá-
la aleatoriamente. Depois de preencher toda a tabela, o mágico pede
para o espectador somar a primeira coluna de forma que o resultado é
igual ao número que o espectador escolheu. Sucessivamente, a soma é
feita com cada coluna e linha separadamente, de forma que o resultado
da soma equivale ao número escolhido. Não satisfeito o mágico pede
para o espectador somar as diagonais e o resultado incrivelmente é
igual ao número escolhido. Para impressionar o espectador o mágico
pede que o mesmo some outras combinações da tabela que ainda
assim, o resultado do número equivale ao que o espectador havia
escolhido, conforme demonstração abaixo.
Vamos supor que o espectador escolheu o número 30.
Daí o mágico elaborou a seguinte tabela e preencheu da seguinte
forma, conforme visto na figura 2:
Sucessivamente, para finalizar, omágico faz a seguinte
combinação de números para serem somados conforme os números
destacados nas figuras 3 e 4, onde incrivelmente o resultado é o
mesmo número escolhido pelo espectador.
Segredo
Existem várias possibilidades para a construção do
quadrado mágico, porém será revelada apenas a que foi
136 137
utilizada no exemplo de forma bem simples e sem o formalismo
matemático.
Figura 5
x = número escolhido – 20
No caso do exemplo o número
escolhido foi 30, então x = 30 – 20 = 10
Substitui o valor de x nos outros
casos e obtém os números.
Os outros número são valores fixos
que podem ser facilmente memorizados.
Figura 6
“O” e vice-versa. Assim que é feito essa troca, imediatamente o
mágico advinha o local exato onde foi feita a inversão pelo espectador.
Não satisfeito, o mágico faz novos preenchimentos no
tabuleiro e transforma numa matriz 7x7 e pede para o espectador
repetir o procedimento sem o mágico ver, e novamente, num passe
de mágica, ele advinha o local exato que foi invertido.
Segredo
O mágico deve completar o tabuleiro formando as matrizes
de maneira que a quantidade de símbolos feita pelo espectador
resulte em quantidade de pares tanto nas linhas, quanto nas colunas.
Contudo, pode existir um problema em relação ao preenchimento
do símbolo que vai completar a diagonal, conforme exemplo
abaixo:
O mágico deve completar o tabuleiro formando as matrizes de maneira que a
quantidade de símbolos feita pelo espectador resulte em quantidade de pares tanto nas
linhas, quanto nas colunas. Contudo, pode existir um problema em relação ao
preenchimento do símbolo que vai completar a diagonal, conforme exemplo abaixo:
Figura 7
Observe que o preenchimento pelo mágico se daria da seguinte forma nas
linhas e colunas, conforme consta na figura 7, porém a diagonal da matriz que contém o
símbolo de “?” ficaria como?
Para ajustar essa casa, devemos supor que a “O” seja o número 1 e “X” seja -1,
consequentemente, iremos fazer o produto, veja:
Figura 8
Logo, o valor da casa que irá completar a
diagonal deverá ser o produto total de toda a matriz 5x5 destacada nas cores pretas.
O X X O X X
O O O O O O
O X X O O O
X O O O X O
X O X X X O
O O X X X ?
1 -1 -1 1 -1 -1
1 1 1 1 1 1
1 -1 -1 1 1 1
-1 1 1 1 -1 1
-1 1 -1 -1 -1 1
1 1 -1 -1 -1 -1
Memória Fotográfica
Efeito
O mágico desenha um tabuleiro no quadro de maneira
que fique destacada uma matriz 5x5 e pede para que o espectador
preencha a matriz como se tivesse preenchendo um jogo da velha, ou
seja, colocando “X” ou “O” da maneira que ele desejar. Terminado
esse procedimento, numa
tentativa de deixar o tabuleiro
ainda mais complexo, o mágico
acrescenta mais símbolos “X”
e “O”, transformando numa
matriz 6x6, assim descrito na
figura 6.
Logo após, o mágico
fica de costas e pede que o
espectador inverta um dos
símbolos, por exemplo, onde
tem o símbolo “X” trocar por
Figura 7
Observe que o preenchimento pelo mágico se daria da
seguinte forma nas linhas e colunas, conforme consta na figura
7, porém a diagonal da matriz que contém o símbolo de “?”
ficaria como?
138 139
Para ajustar essa casa, devemos supor que a “O” seja
o número 1 e “X” seja -1, consequentemente, iremos fazer o
produto, veja:
Segredo
Para realizar esse truque deve-se seguir rigorosamente o
passo a passo descrito no efeito e se possível com o auxílio de
uma calculadora. Após o espectador revelar o resultado final da
operação, o mágico subtrai 365 e soma ao restante 115. O mágico
deve lembrar que os últimos dois números do resultado final do
cálculo darão a idade da pessoa, enquanto o primeiro número, ou
números, denotará o mês de nascimento, ficando fácil descobrir
o ano que a pessoa nasceu.
Para descobrir o ano de nascimento, basta apenas subtrair
a idade do ano atual. Vamos ver na prática como funciona:
Se uma pessoa tem 21 anos e nasceu em fevereiro, as
operações são as seguintes:
Multiplica-se 2 por 2 e soma-se 5, multiplica-se o
resultado por 50, soma-se a idade, subtrai 365, soma-se 115,
sendo que o mágico só fará as duas últimas operações, as demais
é o participante.
Seguindo as instruções passo a passo, fica:
2 x 2 = 4
4 + 5 = 9
9 x 50 = 450
450 + 21 = 471
471 – 365 = 106
106 + 115 = 221
Como o resultado foi 221, logo o primeiro número 2
corresponde o mês que a pessoa nasceu e, os outros dois números,
no caso 21, correspondem a idade da pessoa. Como o ano atual é
2017, basta fazer 2017 – 21 = 1996.
Portanto, o resultado é fevereiro de 1996.
O mágico deve completar o tabuleiro formando as matrizes de maneira que a
quantidade de símbolos feita pelo espectador resulte em quantidade de pares tanto nas
linhas, quanto nas colunas. Contudo, pode existir um problema em relação ao
preenchimento do símbolo que vai completar a diagonal, conforme exemplo abaixo:
Figura 7
Observe que o preenchimento pelo mágico se daria da seguinte forma nas
linhas e colunas, conforme consta na figura 7, porém a diagonal da matriz que contém o
símbolo de “?” ficaria como?
Para ajustar essa casa, devemos supor que a “O” seja o número 1 e “X” seja -1,
consequentemente, iremos fazer o produto, veja:
Figura 8
Logo, o valor da casa que irá completar a
diagonal deverá ser o produto total de toda a matriz 5x5 destacada nas cores pretas.
O X X O X X
O O O O O O
O X X O O O
X O O O X O
X O X X X O
O O X X X ?
1 -1 -1 1 -1 -1
1 1 1 1 1 1
1 -1 -1 1 1 1
-1 1 1 1 -1 1
-1 1 -1 -1 -1 1
1 1 -1 -1 -1 -1
Figura 8
Logo, o valor da casa que irá completar a diagonal deverá
ser o produto total de toda a matriz 5x5 destacada nas cores pretas.
1.1. Descobrindo a Idade
Efeito
Inicialmente a pessoa selecionada para participar deve
pensar no número do mês do seu nascimento, por exemplo:
janeiro 1, fevereiro 2, e assim por diante. Após isto irá pegar esse
valor e calcular o dobro. Em seguida deverá somar 5 ao resultado
da etapa anterior. Na sequência da soma realizada multiplicará o
valor obtido por 50 e, então, soma ao total da sua idade atual.
Feito isso, o mágico pede que apenas o espectador revele
qual foi o resultado final. Em posse desse número, o mágico
informa a idade do espectador, o mês de nascimento e o ano que
a pessoa nasceu.
140 141
Descobrindo o Dia do Nascimento
Efeito
Com apenas o ano de nascimento o mágico revela o dia
que a pessoa nasceu.
Segredo
Para pessoas nascidas no século 20 (os adultos e adolescentes
dos nossos dias), o procedimento de cálculo do dia da semana do
nascimento é o seguinte. O ano em que a pessoa nasceu tem a
forma 19xy, sendo x o dígito das dezenas e y o dígito das unidades.
Suponhamos que a pessoa nasceu no dia d do mês m, do ano 19xy
(a data tem a forma d / m / 19xy). Vamos representar por xy, o
número correspondente às dezenas e unidades do ano em questão,
ou seja, xy quer dizer 10x + y, ou ainda, 19xy − 1900. Para calcular
o dia da semana da data informada, o mágico calcula mentalmente
o número s = [xy / 4] + xy + d + m*, descartando todos os
múltiplos de sete contidos no número. Ou seja, ele calcula o resto
da divisão de [xy / 4] + xy + d + m* por 7. O significado de m* será
explicado adiante.
Neste cálculo, [xy / 4] significa o quociente da divisão de
xy por 4, ou seja, a parte inteira da fração xy / 4.
O número m* é obtido de m por uma tabela de conversões,
mostrada abaixo.
Nos anos bissextos, e somente nestes, para o mês de janeiro
devemos tomar m* = 0, e para o mês de fevereiro, m* = 3. São anos
bissextos os anos em que xy é múltiplo de 4. Mas não são bissextos os
anos múltiplos de 100, exceto os que são também múltiplos de 400.
Por exemplo, 1984 e 1996 são bissextos, 1900 não é,
mas 2000 é. Por exemplo, se a pessoa nasceu em 14 de abril de
1982, o mágico calcula [82 / 4] = 80 / 4 = 20, e então 20 + 82
+ 14+ 0 (0 é a chave do mês de abril), o cálculo podendo ser
feito menosprezando os múltiplos de 7. Passo a passo, tomando-
se inicialmente 20, “setes fora”, obtemos 6. Considerando agora
82, “setes fora” obtemos 5. Já 14, “setes fora”, torna-se 0. Ficamos
então com 6 + 5 = 11, e “setes fora” obtemos 4.
Conclusão: o dia da semana é uma quarta-feira.
A conversão do resultado final é simples: 1 = “primeira-
feira” = domingo, 2 = segunda-feira, 3 = terça-feira, 4 = quarta-
feira, 5 = quinta-feira, 6 = sextafeira, 7 (“setes fora” = 0) é sábado.
Para datas de 2000 em diante, ainda subtraímos 1 ao final. Para
datas nos anos 18xy, acrescentamos 2 ao final.
segunda-feira, 3 = terça-feira, 4 = quarta-feira, 5 = quinta-feira, 6 = sextafeira,
7 ("setes fora" = 0) é sábado. Para datas de 2000 em diante, ainda subtraímos 1 ao final.
Para datas nos anos 18xy, acrescentamos 2 ao final.
MÊS m m*
Janeiro 1 1
Fevereiro 2 4
Março 3 4
Abril 4 0
Maio 5 2
Junho 6 5
Julho 7 0
Agosto 8 3
Setembro 9 6
Outubro 10 1
Novembro 11 4
Dezembro 12 6
Tabela 2
Um procedimento de memorização pode ser criado para a tabela acima. O procedimento
é o seguinte. Janeiro é o mês número 1. Fevereiro tem 4 dias de carnaval
142 143
Um procedimento de memorização pode ser criado para
a tabela acima. O procedimento é o seguinte. Janeiro é o mês
número 1. Fevereiro tem 4 dias de carnaval. Em março temos
o fechamento de 1/4 do ano. Em abril temos o dia da mentira,
que merece nota 0. No mês de maio temos o dia das mães no
2o domingo. Em junho temos a festa de São Pedro (Pedro tem 5
letras). Em julho zeramos o calendário escolar.
Em seguida vêm três coisas na sequência: sexta-feira 13
de agosto, o dia 6 de setembro que poucos sabem, mas é o dia do
Hino Nacional e em outubro, quando há 1º turno de eleições, é
no dia 1. Já que 4 de novembro, se comemora o dia do Inventor,
invente uma para o mês de dezembro.
A aritmética deste truque é fundamentada no fato de que
ao passar de um ano ao seguinte, em relação aos dias da semana,
o dia 1º de janeiro movesse para frente em um dia, exceto ao
passar por um ano bissexto, quando mover-se para frente dois
dias. Anos comuns tem 52 semanas e 1 dia. Anos bissextos tem
52 semanas e 2 dias.
Surpresa Matemática
Efeito
O mágico pede que o espectador informe uma milhar
qualquer, ou seja, com quatro algarismos. Em seguida, o mágico
escreve uma previsão em um pedaço de papel guardando-o
no seu bolso. Depois, o mágico pede que o espectador escreva
outro número de quatro algarismos. Agora é a vez do mágico, e
este escreve outro número de quatro algarismos. Na sequência,
o mágico pede que mais uma vez, ele escreva outros números
formando uma milhar. E para finalizar, o mágico acrescenta mais
outro número de quatro algarismos. “O mágico, então, pede que
o espectador faça a soma desses números e o espectador ao fazer
a soma acha justamente o número que o mágico escreveu como
previsão” (ALMEIDA, 2014, p.16).
Vamos supor que o número fornecido inicialmente pelo
espectador foi 3827. Então, o mágico em segredo, escreve uma
previsão (23825) em um pedaço de papel guardando-o em
seguida.
Dessa maneira, por exemplo, a sequência das parcelas se
sucederam:
3 8 2 7 Número inicial
5 0 4 1 Espectador escreve
4 9 5 8 Mágico escreve
2 5 3 6 Espectador escreve
+ 7 4 6 3 Mágico escreve
----------------
2 3 8 2 5 Previsão do Mágico
1.1.1. Segredo
Segredo
Quando o espectador falar o número escolhido, para o
mágico fazer a previsão, basta subtrair o número por 2 e colocar
este mesmo 2 na frente do número subtraído, no caso o número
escolhido foi 3827. Subtraindo esse número por 2, obtemos o
número 3825. Agora é só acrescentar o numeral 2 na frente e
terá a seguinte previsão: 23825. A medida que o espectador
for escrevendo os números, o mágico irá escrevendo as parcelas
144 145
mágicas de forma que a soma da parcela do espectador com a
parcela mágica seja igual a 9999. Como no exemplo o espectador
escreveu a parcela 5041, a parcela mágica será 4958, pois 5041
+ 4958 = 9999, e assim será na outra parcela mágica de acordo
com o número que o espectador atribuir.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em conformidade com os objetivos estabelecidos neste
estudo de acordo com a proposta do uso da Matemática como
um truque para tornar num efeito mágico, o minicurso realizado
atendeu todas as expectativas.
Durante a aplicação dos truques matemágicos, apesar
da Matemática ser um tema recorrente para os estudantes de
Licenciatura em Matemática, percebeu-se que o conteúdo
trabalhado despertou o interesse e a interatividade no momento
da aplicação aos participantes.
Para a maioria dos graduandos, alguns truques
foram inéditos e os mesmos ficaram surpresos, querendo
respectivamente, desvendar os segredos matemáticos por trás de
cada truque apresentado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao finalizar este estudo, que teve como foco a inserção
de mágicas contextualizando com a Matemática, evidentemente
não se tem a presunção de findar este artigo esgotando todas as
possibilidades pedagógicas no Ensino da Matemática.
Em síntese, foi colocada em evidência a importância
da arte mágica, como entrega total às atividades que podem
acompanhar a Matemática através de dinâmicas impactantes,
enquanto técnica facilitadora no processo de ensino-
aprendizagem, a fim de conquistar cada vez mais o interesse
dos alunos por essa disciplina.
Nesse raciocínio, faz-se necessário compreender que
esta metodologia precisa ser planejada e estudada com certa
profundidade teórica para, então, entendermos as possíveis
implicações desta expressividade na prática. Todavia, a partir
destas descobertas, não se pretende afirmar que a mágica aplicada
no Ensino da Matemática será a solução de todos os problemas
relacionados ao déficit de aprendizagem pelos alunos, mas sim,
estabelecer uma possibilidade algorítmica com o propósito maior
de refletir sobre si mesmo e um olhar voltado para a criança.
É possível crer que através deste estudo sobre a
experiência didática a cada dia aperfeiçoada, nos abrirá um
caminho dentro do cotidiano escolar para a integração dos vários
aspectos do ser humano – cognitivo, lúdico, emocional e outras
habilidades proporcionadas pelo o uso da técnica, a qual irá
possibilitar aos envolvidos (educador e alunos) se conhecerem
um pouco mais, se relacionarem melhor, criar vínculo afetivo,
o que implica lidar melhor com as dificuldades no processo
ensino-aprendizagem, possibilitando uma expressividade mais
espontânea e criativa.
Finalmente, espera-se que este artigo gere possibilidades
para ampliar os estudos acerca do uso da mágica, não apenas como
arte, mas como outras modalidades que sejam relevantes para o
entendimento dos processos pedagógicos, fazendo parte da seleção
e da organização dos conteúdos que se estabelecem no cotidiano
escolar no campo da Matemática.
146 147
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Vagner Lopes. Matemágica – A arte da matemática. Maceió, AL: s.c.p.,
2014. p. 219.
ÁVILA, Guilherme. A arte mágica: a percepção em perspectiva. Brasília: Kiron, 2012.
p. 216.
MORALES, Pedro. A relação professor-aluno: o que é, como se faz. São Paulo: a
edições Loyola, 6 ed., 2006, p. 167.
TORRANCE, E. P. Teaching for creativity. In: ISAKSEN, S. G. (Org.). Frontiers of
creativity research: beyond the basics. Buffalo, N. Y: Bearly Limited, 1987, p. 189-215.
WECHSLER. S. M. A educação criativa: possibilidade para descobertas. In: CASTANHO,
S.; CASTANHO, M. E. (Org.). Temas e textos em metodologia do ensino superior.
Campinas: Papirus, 2001, p. 165-170.
- Mestre em Ciências da Educação;
- Pós-Graduado em Matemática e Física;
- Tecnólogo em Eletromecânica;
- Graduando em Matemática.
Francisco Robson de Brito Gonçalves
Graduando em Matemática.
Ricardo Souza e Silva
A Qualidade
do Ensino Público no BrasilAo longo dos anos, o Sistema Educacional do Brasil
tem passado por mudanças que gerou reflexões em relação
ao ensino. Dentre essas mudanças destaca-se a expansão da
escolarização básica, a qual proporcionou um aumento no
índice de alunos frequentando as escolas. No entanto, há
questionamentos quanto à eficácia da educação brasileira, pois
a mesma apresenta um histórico de inovações ao mesmo tempo
em que expande os problemas, seja na aprendizagem, seja no
convívio entre os estudantes na escola.
Nessa perspectiva, visando entender as mudanças e
qualificá-las como eficazes ou não, compara-se o modelo de
educação de Karl Mannheim ao modelo atual, pois acreditamos
que este tem uma estreita relação com a educação atual. O
mesmo passa a ideia de que se deve utilizar a sociologia como
embasamento teórico para a compreensão da situação
educacional moderna. Diante disso, Rodrigues (2007), diz que
para Mannheim o pensamento social não pode explicar a vida
humana, mas apenas expressá-la. Nesse sentido, visa-se com
José Demontier Guedes
Francisco Robson Gonçalves de Brito
Capítulo VIII
148 149
isso que as pessoas passem a compreender melhor a sociedade
para sentir-se participante ativo da mesma.
É notório afirmar que o desenvolvimento educacional
do ser humano acontece não somente pela educação escolar, mas
também através da relação desses indivíduos com o meio social, ou
seja, leva-nos a crer que sozinho o sujeito não sobreviverá, restando
a ele a interação com meio para melhorar seu desempenho,
desenvolver suas potencialidades e promover o processo de
autonomia. Por conta disso, não se pode julgar a educação como
principal responsável pelo insucesso do sistema, uma vez que esta
depende de outros fatores para garantir um melhor desempenho
dos seres humanos e estabelecer uma relação saudável na sociedade.
Para melhor entender esse processo, Meksenas (2002)
diz que a educação nasce quando se transmite e se assegura as
outras pessoas o conhecimento de crenças, técnicas e hábitos
que um grupo social já desenvolveu, a partir de suas experiências
de sobrevivência. Diante desse pensamento, acredita-se que a
educação nasce quando o ser humano percebe a necessidade de
utilizar suas práticas diárias ao seu semelhante.
A educação é de grande importância para o desenvolvimento
da humanidade, pois é através dela que surgem as conquistas, ao
mesmo tempo em que proporciona uma evolução na sociedade
devida a interação entre os seres e o armazenamento de informações
por conta do conhecimento adquirido, de modo que há garantias
para que outras pessoas tenham acesso às informações que
contribuirão para seu sucesso e o bem-estar da sociedade.
Portanto, é nesse contexto que a escola deve ter seu papel
centrado na percepção crítica do individuo, levando-o a crer que
ele é um ser capaz de aprender e ensinar, crença essa que pode
provocar transformações e conduzi-lo a ver a educação como
fundamental para o desenvolvimento social.
O FATOR SOCIOLÓGICO E EDUCACIONAL PARA
MANNHEIM
Karl Mannheim (1893-1947) foi um Pensador húngaro,
nascido em Budapeste, de cultura alemã, influenciado pelo
marxista Georg Lukács. Foi professor na Universidade de
Hildelberg, Alemanha, até 1933. Para ele, a educação só pode ser
compreendida a partir dos acontecimentos sociais da época em
que se desenvolve, a fim de que se adeque aos padrões vigentes
organizacionais e interativos (MANNHEIM, 1971).
Nessa linha de estudo percebe-se que Mannheim buscava
compreender o pensamento de uma situação dentro de um contexto
histórico-sócio do individuo. Essa abordagem foi defendida por
Hunger, referindo-se a Mannheim:
A proposta de seu estudo era elaborar um método sociológico
para compreender o problema de como os homens pensam,
no seu funcionamento efetivo na vida pública e na política,
como resultado da ação coletiva. Tinha como objetivo
apresentar um método adequado à descrição e análise desse
tipo de pensamento e de suas mudanças para formular os
problemas correlatos e abrir caminho à compreensão crítica
do fenômeno. (HUNGER, 1999, p. 23).
Com essa abordagem, percebe-se que a democracia como
um plano linear, que visa uma estruturação social igualitária, a
partir de um entendimento mais dinâmico e interativo que leve
a uma resposta para melhor compreender o individuo no meio
social, pois defendia uma democracia de bem-estar social, com um
desenvolvimento racional no processo de convivência.
A partir daí, surge à educação como instrumento social,
caracterizando-se por um dinamismo sociológico, o qual se propõe
150 151
a alterações ocasionadas pelos indivíduos constituintes. Partindo
dessa abordagem, Mannheim (1971, p. 34), diz tratar-se do “processo
de socialização dos indivíduos para uma sociedade harmoniosa,
democrática, porém controlada, planejada, mantida pelos próprios
indivíduos que a compõe”. Nessa mesma perspectiva, Rodrigues
(2007) comenta sobre a percepção da importância da sociologia
na modernidade, para o estudo dos fenômenos educacionais,
justamente porque a vida baseada na tradição estava se esgotando.
Tradição esta que visava apenas o ajustamento dos educandos às
ordens sociais previamente estabelecidas.
Diante desses questionamentos, percebe-se que os
processos educacionais eram realizados de forma inconsciente,
levando o individuo a uma alienação no processo de aprendizagem,
no entanto procura-se através desses fatos, desmistificar essa
abordagem com uma crença de que a educação deve ter um
direcionamento consciente, levando o sujeito a perceber-se
ativamente do meio social em que está inserido, bem como das
mudanças proporcionadas pelas transformações do cotidiano.
Portanto, acredita-se que a sociologia pode servir de base para
melhorar o desempenho educacional, pois a ideia central dessa
abordagem reflete claramente no pensamento de Mannheim,
quando Rodrigues (2007) fala da compreensão das dificuldades
desta Era e como a educação sadia pode contribuir para a
regeneração da sociedade e do homem. Ele explica melhor essa
colocação ao reportar-se que:
A principal contribuição de todas as que a moderna democracia
é capaz de oferecer é a possibilidade de que todas as camadas
sociais venham a contribuir com o processo educacional. E a
sociologia é a disciplina, em sua visão, capaz de fazer a síntese
dessas contribuições. Por isso é tão importante, para ele, que a
sociologia sirva de base à pedagogia. (RODRIGUES, 2007, p.83).
É por esse motivo que o autor não desvincula a
sociologia do sistema educacional, pois o mesmo vem se
transformando a cada ano e merece uma atenção especial
referente às causas sociais, as quais estão inseridas culturalmente
na educação e podem promover o total exercício da cidadania
entre os indivíduos, levando-os a construir uma sociedade mais
consciente e participativa.
O ENSINO PÚBLICO BRASILEIRO NA ATUALIDADE
A educação é considerada um dos setores mais importantes
para o desenvolvimento de um país e especificamente do ser
humano. É através dela que são repassados os conhecimentos
necessários que levam os indivíduos a melhorar a qualidade de
vida e consequentemente elevar o índice de crescimento de uma
nação. No entanto, apesar do reconhecimento, são notórios os
problemas existentes na prestação dos serviços educacionais em
todos os níveis de ensino, principalmente no fundamental, que
representa a base de uma educação de qualidade.
Mesmo com todos os esforços para melhorar a educação
pública no Brasil, muitos são os desafios que a norteiam,
podendo-se destacar questões como: a falta de motivação do
corpo discente para os estudos, a violência entre os estudantes,
professores lutando por melhores condições de trabalho,
precariedade na estrutura física de alguns estabelecimentos
de ensino, dentre outros fatores que comprometem o sistema
educacional brasileiro.
Segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística -
IBGE (2009), o Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65países avaliados. Mesmo com o programa social que incentivou
152 153
a matrícula de 98% de crianças entre 06 e 12 anos, 731 mil
crianças ainda estão fora da escola. O analfabetismo funcional de
pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009
(IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização
ainda não conseguem ler; 20% dos jovens que concluem o ensino
fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam
o uso da leitura e da escrita. Em meio a tudo isso ainda existe a
questão dos professores recebem menos que o piso salarial.
Os dados abaixo mostram a situação da educação
brasileira quanto ao ranking em relação a outros países,
alfabetização, conclusão do ensino médio e a taxa de evasão
escolar. Um documento divulgado recentemente mostra que
apesar de ter avançado nas últimas duas décadas, o Brasil ainda
tem um IDH menor que a média dos países da América Latina
e Caribe. O país está na posição 85ª do ranking, que leva em
conta a expectativa de vida, o acesso ao conhecimento e a renda
per capita. Esses dados podem ser comprovados de acordo com
a tabela a seguir:
Meksenas (2002), afirma que, em uma visão funcionalista,
a educação nas sociedades tem a tarefa de mostrar que os interesses
individuais só se realizam plenamente através dos interesses
sociais. Tal afirmação comprova a importância da sociologia no
âmbito educacional, pois é através da educação que o individuo é
socializado e a partir daí desenvolve suas potencialidade.
Verdadeiramente considera-se como um dos grandes
desafios encontrados atualmente no sistema educacional do
Brasil, as várias mudanças existentes nesse setor, pois as mesmas
institucionalizam diversas concepções de ensino e, com isso,
dificulta a busca por uma escola democrática que valorize a
diversidade cultural dos educandos e o reconhecimento do
trabalho desenvolvido pelo educador. Sendo assim, no que se refere
à melhoria da qualidade na escola brasileira, principalmente no
final do século XX, Nosella (2002), ressalta quanto à necessidade
de superação da política educacional populista e corporativista
introduzida no ensino brasileiro. A escola brasileira precisaria rever
questões como: o resgate da qualidade de formação do profissional
da educação, a expansão da escolarização pelo sistema supletivo,
especialmente aqueles em horários noturnos, dentre outros, tendo
a obrigação de, simultaneamente, fazer uma constante avaliação
que certamente garantirá a qualidade do ensino.
Nessa concepção, pode-se acreditar que atualmente a escola,
proporciona a efetivação referente aos direitos sociais, oferece
alternativas para inclusão daqueles considerados excluídos, vir a
ter a oportunidade de se reintegrarem-se de forma participativa,
na universalização dos direitos sociais e promoção da cidadania.
Em relação ao índice de analfabetismo no país, segundo o
IBGE (censo de 2010), há uma queda nos últimos dez anos (2000
a 2010). Em 2000, o número de analfabetos correspondia a
países, alfabetização, conclusão do ensino médio e a taxa de evasão escolar.
Um documento divulgado recentemente mostra que apesar de ter avançado nas últimas
duas décadas, o Brasil ainda tem um IDH menor que a média dos países da América
Latina e Caribe. O país está na posição 85ª do ranking, que leva em conta a expectativa
de vida, o acesso ao conhecimento e a renda per capita. Esses dados podem ser
comprovados de acordo com a tabela a seguir:
Fonte: Pnud/ONU.
Meksenas (2002), afirma que, em uma visão funcionalista, a educação nas
sociedades tem a tarefa de mostrar
País
Posição
no
ranking
IDH População
alfabetizada
População com
pelo menos ensino
médio completo
Taxa de
evasão escolar
Noruega 1º 0,955 100% 95,2% 0,5%
Austrália 2º 0,938 100% 92,2% Não informada
Estados
Unidos 3º 0,937 100% 94,5% 6,9%
Holanda 4º 0,921 100% 88,9% Não informada
Alemanha 5º 0,920 100% 96,5% 4,4%
Chile 40º 0,819 98,6% 74% 2,6%
Argentina 45º 0,811 97,8% 56% 6,2%
Uruguai 51º 0,792 98,1% 49,8% 4,8%
México 61º 0,775 93,1% 53,9% 6%
Brasil 85º 0,730 90,3% 49,5% 24,3%
154 155
13,63% da população (15 anos ou mais de idade). Esse índice
caiu para 9,6% em 2010. Ou seja, um grande avanço, embora
ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo
no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das
crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.
Considera-se que essa queda deve-se aos investimentos
feitos no sistema educacional do país nos últimos anos, havendo
maior preocupação por parte dos Governos Federal, Estaduais e
Municipais nesta área. Um dos fatores que contribuiu bastante
para diminuição da evasão escolar foram os programas de bolsa
educação, programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs),
Bolsa Família, dentre outros que tem contribuído para a retirada
de milhares de crianças do trabalho infantil para ingressarem
nos bancos escolares, bem como a qualificação profissional de
adolescentes, proporcionando um avanço educacional do Brasil.
Além desses programas, com uma política de valorização
de professores mais eficaz, podem-se melhorar os índices e obter
melhores resultados. Sendo assim, com os dados acima, pode-se
concluir que houve um crescimento no nível de escolaridade da
população brasileira, sendo este um fator de extrema importância
para o desenvolvimento social do país.
Outros dados da evolução na educação brasileira podem
ser comparados de acordo com os seguintes índices: taxa de
abandono (2008) 4,8%; taxa de reprovação (2008) 12,1%; taxa
de aprovação (2008) 83,1%; matrículas na Educação Básica
(2009) 52.580.452; população adulta com Ensino Fundamental
concluído (2010) 54,9%; crianças entre 5 e 6 anos que frequentam
a escola (2010) 91,1%; jovens entre 11 e 13 anos que frequentam
a escola nas séries finais do Ensino Fundamental (2010) 84,9%;
jovens entre 15 e 17 anos com Ensino Fundamental completo
(2010) 57,2%; jovens entre 18 e 20 anos com Ensino Médio
completo (2010) 41%. (Fonte: MEC/Inep/Pnud).
Pelo que foi exposto anteriormente e diante desses dados,
o que se pode concluir é que o sistema educacional brasileiro vem
ao longo dos anos tentando melhorar o desempenho educacional,
mas mesmo com tantas desaprovações e comparações não muito
meritórias, ainda consegue-se perceber alguns avanços através
dos dados mostrados, e, por menor que sejam eles, é de grande
importância para o desenvolvimento do país.
Como comprovação desse argumento, cita-se a criação
da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aprovada em
1996, a qual veio proporcionar um avanço na educação brasileira,
pois a mesma proporcionou avanço nesse setor. Esta lei tem
como objetivo tornar a escola um espaço de participação social,
procurando valorizar a democracia, o respeito, a pluralidade
cultural e a formação do cidadão. Com sua criação a escola
proporcionou um maior e melhor significado para os estudantes.
Recentemente, na perspectiva de melhorar cada vez mais a
educação e garanti-la como direito e dever de todo cidadão brasileiro,
foi criado a Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013, a qual alterou
a LDB, instituindo o ensino obrigatório no Brasil entre 04 e 17
anos de idade. Esta lei também estabeleceu as três fases do ensino:
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A escola, além de transmitir os conhecimentos entre as
gerações, procura também promover a integração social. Nesse sentido
percebe-se que a educação tem mudado de paradigma ao longo dos
anos, apesar da persistência de alguns problemas. Nessa trajetória do
156 157
sistema educacional do país, vimos claramente que não é fácil promover
o desenvolvimento nesse setor, o mesmo engloba vários setores sociais
e coloca-se como a base para os demais, haja vista que tudo depende
de uma educação de qualidade. Partindo desse pressuposto, vincula-se
ainda mais a educação como instrumento social, fato este defendido
por Mannheim em seusum estudo realizado com policiais militares de
Porto Alegre-RS, por Amador em 1999, sobre o qual verificou que
existe o pressuposto de que o policial militar tem de exercer suas
atividades com “total” controle.
Segundo o pesquisador, esse controle deve ser empreendido
de forma constante e permanente, através de ações exatas, devido
às características peculiares da própria organização do trabalho.
A dicotomia entre o pensar e o executar pode abrir espaço
para a ação truculenta e arbitrária das relações entre os policiais
24 25
militares na sociedade (SILVA, 2008). Fatos como este contribuem
para o aumento da insegurança da população, chegando a
desenvolver uma imagem negativa dos policiais.
Para Moreira (2016), os conflitos tidos como negativos
destacados pela sociedade por parte de policiais militares ganharam
definições e significações diferenciadas nas pesquisas sobre
desenvolvimento humano, especificamente quando relacionados
à questão da violência.
Em resumo, a Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada
à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura
baseada na tolerância, na solidariedade e no compartilhamento do
cotidiano (MOREIRA, 2016).
Características e o perfil psicológico do policial militar
ao ingressar na corporação
De acordo com Ricotta (2017) deve-se levar em conta
algumas características para o perfil do policial militar, entre
as quais destacam-se: inteligência adequada para a função,
relacionamento interpessoal, resistência à fadiga psicofísica,
controle do nível de ansiedade, domínio psicomotor, capacidade
de improvisação, controle emocional, controle da agressividade,
baixa impulssividade, boa memória auditiva e visual, flexibilidade
na conduta, criatividade, autocrítica, iniciativa, capacidade de
assimiliação, disposição para o trabalho, capacidade de liderar e
mediar conflitos e boa fluência verbal para se comunicar.
Diante dessas características, a autora destaca que quando
cada um desses profissionais “trabalha na sua dimensão singular e
pessoal de forma coerente, bem direcionado, acaba por contribuir
para o processo de evolução da sociedade como um todo, pois
eleva o seu patamar crítico para outro nível” (RICOTTA, 2017).
Para Reis (2010, p. 23), “representar um perfil através de uma
imagem, em um espaço onde estão sendo discutidas as categorias
relacionadas à profissão escolhida, implica expor, ou ainda testar a
aceitabilidade de uma opinião, de uma impressão sobre tal profissão”.
O profissional formado no curso da Polícia Militar deve ter
uma conduta respeitável, ser justo e imparcial, amar a verdade e a
responsabilidade como fundamentos da dignidade pessoal, respeitar
a dignidade de qualquer cidadão, praticar permanentemente
o espírito de cooperação, proceder de maneira ilibada, acatar
as autoridades civis, observar as normas de boa educação e não
utilizar seu cargo para obter facilidades pessoais.
A formação do policial militar e os valores éticos
O Policial Militar ao ingressar na corporação assume o
compromisso de desenvolver a profissão com ética e postura
exemplar diante da sociedade, tendo como princípios a hierarquia
e disciplina mediante cumprimento de normas estabelecidas no
estatuto disciplinar próprio da instituição.
No texto inicial do regulamento disciplinar nas disposições
gerais destaca-se o art. 1º. que trata do Regulamento Disciplinar
da Polícia Militar do Ceará, o qual especifica as transgressões
disciplinares e estabelece normas relativas à amplitude, aplicação
das punições e classificação do comportamento do policial militar
(MELO, 2012, CAPITULO I – DAS GENERALIDADES).
A disciplina militar de que trata o autor refere-se ao fiel
cumprimento dos deveres do militar quanto às leis, regulamentos, norma
e ordens impostas pelos superiores da corporação. Apesar da legalidade da
cobrança quanto a postura do policial militar, percebe-se o aumento do
índice de estresse entre esses profissionais, pois além da pressão interna há
também a pressão da sociedade para o pleno atendimento das necessidades
dela, que, muitas vezes, não compreende os limites do policial.
26 27
Apesar disso, de acordo com o estatuto disciplinar dos
militares, o profissional é responsável pelas decisões e atos, sendo
assim, as consequências das decisões do policial militar bem como
o desfecho das ocorrências que atender dependerão dele.
Silva (2013, p. 12) contribui quando informa que “o que define
o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade
que dela decorre, pois, quanto maior a sua importância, maior a
responsabilidade que dela provém em face dos outros”.
Ao falar sobre posturas éticas, Catâneo (2010, p. 65) enfatiza
que “o bem de todos constitui-se numa opção de moralidade, de
comportamento prático fundado na ética. Assim, acredita-se que
o desejo de muitos de “se dar bem” não pode sobrepor-se ao bem”.
Discutindo o estresse
Zerbini (2007) diz que o estresse é uma reação do organismo
com componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais.
Estas reações se manifestam quando acontece a necessidade
de uma adaptação a um evento de importância ou situação de
pressão. Deste modo, a atuação dos policiais militares em meio às
ocorrências atendidas por eles, pode proporcionar um alto índice
de estresse ocupacional.
Sobre a ação do estresse, “a principal ação é a quebra do
equilíbrio interno que ocorre em decorrência da ação exacerbada
do sistema nervoso simpático e da desaceleração do sistema nervoso
parassimpático em momentos de tensão” (ZERBINI, 2007, p. 2).
Para melhor compreender o posicionamento da autora,
seguem as fases no processo de desenvolvimento do estresse:
a primeira é a fase de alerta, que se inicia quando a pessoa se
confronta inicialmente com um estressor, entrando num processo
de produtividade. Em seguida, vem à fase de resistência, quando o
estressor é de longa duração ou a sua intensidade é demasiada para a
resistência da pessoa. Por último, ocorre a fase de exaustão, quando
há uma queda acentuada no mecanismo de defesa do indivíduo,
afetando-o em corpo, mente, sentimentos e comportamentos.
Em relação ao que foi discutido sobre o estresse, percebe-se
que é uma situação de incômodo excessivo para o policial militar,
podendo também comprometer a integridade de terceiros pelo
desequilíbrio emocional, podendo ocasionar sérios danos quanto ao
desempenho da função.
Diariamente os policiais vivem no enfrentamento das
possíveis e diversas formas de violência que assolam a sociedade,
por conta disto, há cobranças de resultados tanto por parte da
população quanto pelas autoridades. Neste contexto, Zerbini (2007)
acrescenta que isto ocasiona o desgaste físico, psicológico e social
destes profissionais, levando à desmotivação no desenvolvimento
de suas funções e no convívio diário com seus familiares. Pelo
exposto, entende-se então que, tal processo compromete e aliena
esse profissional, sujeitando-o a uma situação de adoecimento.
Benevides-Pereira (2002) acrescenta que os profissionais
que atuam perante o contato direto com assistência a outras
pessoas estão mais propensos a desenvolverem estresse, tais como
a Síndrome de Burnout. Esta síndrome tem como sintomas a falta
de atenção e concentração, déficits de memória, baixa autoestima,
labilidade emocional, impaciência, dificuldades comportamentais
associadas com irritabilidade, aumento de agressividade,
dificuldade para relaxar, consumo de substâncias, isolamento,
sentimento de onipotência, falta de interesse pelo trabalho, ironia,
cinismo e risco de suicídio (BENEVIDES-PEREIRA, 2002, p. 2).
Esta síndrome caracteriza-se pelo estado de tensão emocional e
estresse crônico provocado por condições de trabalho, sejam estas físicas,
emocionais e psicológicas desgastantes. O estudioso ainda acrescenta
que esta síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão
exige envolvimento interpessoal direto e intenso (VARELA, 2011).
28 29estudos na sociologia.
Admitindo-se a educação como promoção para interação
social, parte-se do ponto de que se faz necessário a elaboração de
um projeto político pedagógico que venha suprir as necessidades
individuais e coletivas do público vigente, garantindo-lhes o
desenvolvimento de suas potencialidades bem como autonomia
para o desenvolvimento intelectual e sua inserção na sociedade.
O setor educacional, em todos os aspectos fortalece e
fomenta a responsabilidade de diferentes setores do governo
na condução de processos voltados para o empoderamento e
autonomia dos sujeitos, bem como passa a ser determinante para
a convivência e permanência da vida em sociedade. Nesse sentido,
representa também um desafio, pois planeja invocar a produção de
novos saberes, novas práticas e novas estruturas de poder e saber,
estando esses fatores relacionados ao sentido da capacidade de
realização de desejos coletivos e não do individualismo.
Embora a concepção de educação positiva e interativa
ainda esteja um pouco vaga ou limitada para expressar a extensão
e a concretude das iniciativas implementadas no sistema
educacional, sem dúvida nenhuma há um demonstrativo de
grande utilidade operacional no sentido de orientar e envolver
a sociedade nos projetos políticos pedagógicos voltados para
promover a aquisição do conhecimento e a interação social entre os
indivíduos, objetivando garantir uma melhor educação para todos
e consequentemente um país melhor no sentido de conhecimento
e convivência.
REFERÊNCAS
HANGER, D. Educação Física, esporte e lazer à luz da sociologia do conhecimento de Mannheim.
In Conexões: Revistada Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v. 1, n. 2, p. 21-32, dez. 1999.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2009/2010 – Disponível em: http://www.
brasilescola.com/educacao/educacao-no-brasil.htm. Acesso em: 04 de outubro de 2013.
MEKSENAS, Paulo. Sociologia da educação: introdução ao estudo da escola no processo de
transformação social. 10ª ed. São Paulo: Loyola, 2002.
NOSELLA, Paolo. Gaudêncio Frigotto (org). Educação e crise do trabalho: perspectivas de
final de século. 6ª ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 6ª ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
BRASIL. Situação da Educação Brasileira. Ranking em relação a outros países, alfabetização,
conclusão do ensino médio e a taxa de evasão escolar. Disponível em: http://educacao.uol.com.
br/noticias/2013/03/14/brasil-tem-3-maior-taxa-de-evasao-escolar-entre-100-paises-diz-pnud.
htm. Acesso em: 04 de outubro de 2013.
WELLER, Wivian. A atualidade do conceito de gerações de Karl Mannheim. Artigo 2005.
Disponível em: www.scielo.com.br. Acesso em: 03 de outubro de 2013.
- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar
e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
- Mestre em Ciências da Educação;
- Pós-Graduado em Matemática e Física;
- Tecnólogo em Eletromecânica;
- Graduando em Matemática.
Francisco Robson de Brito Gonçalves
158 159
A qualidade da escola e a participação da família é condição
essencial na inclusão e democratização das oportunidades no
Brasil, oferecer uma educação básica de qualidade é um desafio no
desenvolvimento do país e que consolide a cidadania através de todos.
Os atuais marcos legais para oferta da educação neste país
na Lei de Diretriz e Bases da Educação Nacional (Nº 9394/96)
representa um divisor na construção básica brasileira.
Uma separação mais acentuada entre os papéis da escola e
da família passou a acontecer a partir de meados do século
XX, quando a escola foi assumindo a responsabilidade pelo
desenvolvimento de conteúdos formais e à família cabia seguir
zelando pela educação moral, cultural e religiosa de suas
crianças (VILA, 2003; HILL; TAYLOR, 2004, p.161-164).
Por isso, considera que a família e a escola assumam
responsabilidades e que contemplem no que diz respeito à
educação das crianças e jovens. Nesse trabalho é inserida uma
temática muito discutida, mas ainda com grandes discrepâncias e
vazios para serem resolvidos.
A FAMÍLIA NA ESCOLA:
A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO
DOS PAIS NA ESCOLA
Francisco Rubens Macedo de Queiroz
Capítulo IX
160 161
É de fundamental importância que os pais se integrem na
vida escolar ativa dos seus filhos, de forma a conseguirem dar todo
o apoio e desenvolvimento no seu crescimento escolar.
A escola é um local onde os pais confiam à educação dos
seus filhos e encontram nela o apoio para as suas vidas, sendo
mesmo um elemento indispensável na educação de seus filhos.
Progresso entre a vida escolar e familiar é de extrema
importância, dar mais atenção a esta parceria, é a partir dessa
parceria que se constrói uma estrutura segura para que os alunos
consigam se desenvolver em sua amplitude educacional um papel
na sociedade mais segura e motivadora.
Precisa-se compreender que a educação não é uma função
exclusiva da escolar, esta associada com diferentes agentes formadores
do universo do educando que vai proporcionar formação adequada.
A proposta deste estudo é perceber a ausência da instituição
familiar na educação dos seus filhos, percebe-se que a carência de
ambientes familiares adequados e comprometidos com a formação
das crianças desde o início.
Este estudo tenta contemplar a origem da família e
a importância da interação entre essa e a Escola no processo
Pedagógico, para uma educação de qualidade.
Nos dias de hoje, o desenvolvimento das crianças na
escola é extremamente importante, porque se as crianças forem
bem acompanhadas no seu processo escolar em parceria com os
pais, serão com certeza uns cidadãos com uma formação de vida
e escolar muito melhor.
O ambiente familiar, a relação com a escola e a
descontinuidade entre ambas são aspetos fundamentais que propicia
as evasões escolares e consequentemente a violência nas escolas.
A escola, por sua vez, se relaciona com as famílias de forma
a exigir delas complementaridade com relação às suas expectativas,
atribuindo aos alunos a responsabilidade por suas próprias dificuldades.
No entanto, e de acordo com outros autores PEREIRA (2008,
p.27), apresentam a ideia de que o ambiente familiar pode ser favorável
ou desfavorável no desenvolvimento e na capacidade de aprender.
Partindo desse princípio, pretende-se nesse artigo verificar como é
que essa questão entre família e escola é colocada no dia-a-dia.
A FAMÍLIA
A Família derivada do latim “famulus”, que quer dizer
“escravo doméstico”. Essa origem, segundo ENGELS (2012, p.304)
vem é da Roma Antiga, para dar nome a um grupo social que surgiu
entre as tribos ao serem abduzidas na agricultura e escravidão. Este
termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo
social que surgiu entre as tribos latinas.
A família vem sendo transformada através dos tempos,
o acompanhando e as mudanças religiosas, econômicas e
socioculturais no contexto atual, é um espaço que deve ser
continuamente renovado e reconstruído.
Conforme JARDIM (2006, p.20) atualmente, na maior
parte das famílias as mulheres são responsáveis pelo sustento do
seu lar, a vida econômica passou a ser instável e os valores morais
passaram a ser transitórios.
É importante que os pais demonstrem interesse em tudo
no que diz respeito à escola do filho, para que ele perceba que
estudar é algo prazeroso e indispensável para a vida.
A participação dos pais na educação formal dos filhos
deve se proceder da maneira constante e consciente, integrando-se
ao processo educacional, participando ativamente das atividades da
escola. Essa interação só tem a enriquecer e facilitar o desempenho
escolar da criança.
162 163
Com a abertura do mercado de trabalho as mulheres se
tornaram autônomas financeiramente, elas acabaram por ter
autonomia na criação e no sustento dos filhos, podendo muitasvezes dispensar a participação dos pais. Através desse avanço de
característica contemporâneo, essa tendência se tornou responsável
por uma série de problemas para a instituição familiar. Nota-se,
novamente um afastamento da participação dos pais e da própria
instituição familiar do compromisso educativo dos filhos.
Diante desta realidade, os pais devem deixar bem claro
para os filhos a importância de frequentar a escola, mostrando as
vantagens oferecidas pela mesma.
A FAMÍLIA BRASILEIRA
Após a chegada da Família Real no Brasil, a família passou
a ter papel primordial na educação e desenvolvimento do país. O
modelo dos colonizadores europeus se impôs como modelo social
da família, FREITAS (2011, p.18).
De acordo com o autor, a família pode se definir como uma
célula da sociedade. Através de seus valores formam-se cidadãos do
bem e é a partir da sua educação que vai se desenvolver socialmente
e culturalmente.
De acordo com a análise de BOCK sobre a importância da
família no desenvolvimento do indivíduo, sugere que:
A família, do ponto de vista do individuo e da cultura, é
um grupo tão importante que, na sua ausência, dizemos
que a criança ou o adolescente preciso de uma família
substituta ou devem ser abrigados em uma instituição que
cumpra suas funções materna e paterna, isto é, as funções
de cuidados para a posterior participação na coletividade.
(BOCK 2004, p.249).
A partir da revolução industrial a família passou por
profundas transformações. No Brasil os efeitos da industrialização
foram sentidos principalmente na década de 1950, período em
que a indústria cresceu vertiginosamente.
A relação entre pais e filhos passa a se dar dentro de um
contexto em que o pai necessita na busca do sustento de seu lar, se
ausentar do mesmo por longos períodos, fazendo com que a mãe
passe a ocupar o papel principal de educadora.
Recentemente, em muitas famílias as mulheres que são as
responsáveis pelo seu sustento dos filhos, a vida econômica tornou-
se altamente instável e os valores morais passaram a ser transitórios.
A ESCOLA
A escola, conforme FREITAS (2011, p.01) foi criada para
servir a sociedade e assim, prestar contas do seu trabalho, de como
faz e como conduz a aprendizagem das crianças.
Para tanto, necessita criar mecanismos para que a família acompanhe
a vida escolar de seus filhos favorecendo um melhor aprendizado.
As interações entre a família e a escola vêm passando por
modificações constantes, embora as mudanças ocorridas na família
aconteçam de forma muito mais rápida.
Hoje, vemos que as escolas não passam por tantas
dificuldades financeiras, embora os recursos à maioria das vezes
sejam mal empregados e desviados pelos administradores públicos.
Porém, apesar disso, são encontrados muitos problemas
relacionados à dificuldade de aprendizagem como: indisciplina,
a falta de formação adequada para os professores, incentivo com
melhoria no a prendisado de forma multidisciplinar, pais que não
participam da vida escolar dos filhos e muitos outros.
164 165
A ATUAL ESCOLA BRASILEIRA
Ultimamente a situação da escola não é das melhores,
é comum ouvir falar de situações em que envolve os alunos
como: problemas de indisciplina, dificuldades de aprendizagem,
vandalismo, entre outros.
Portanto, essa acepção do comportamento educativo não
acarreta na vida produtiva da escola, mas são nestas instituições que
esses problemas surgem trazidos obviamente por estudantes com
problemas oriundos de casa e que tem refletido na vida escolar.
Os respectivos comportamentos são problemas que poderiam
ser amenizados se escola e família trabalhassem efetivamente juntos,
associados ao poder público e a uma cultura educativa. De uma maneira
geral, sobre o papel da família na educação da criança e do adolescente,
afirma NÉRICI (1972, p.12) “A educação deve orientar a formação do
homem para ele poder ser o que é da melhor forma possível.”
Observar-se que as famílias e as escolas jogam a responsabilidade
um para o outro, no qual os professores atribuem a culpa dos problemas
aos pais que não cumprem suas obrigações de educar os seus filhos, e
também não ajudam e nem participam da vida escolar deles.
Já por outro lado, as famílias culpam os professores que
são despreparados e a gestão escolar que não faz o que é preciso
para melhorar o aprendizado dos seus filhos.
A INFLUÊNCIA DA GESTÃO ESCOLAR NO PROCESSO
EDUCACIONAL
É fundamental compreender a questão da gestão
democrática para além do seu aspecto conceitual. Não se trata apenas de
uma concepção de sociedade que prima pela democracia como princípio
fundamental, mas do entendimento de que a democratização da gestão
é condição estruturante para a qualidade e efetividade da educação para
que ocorra a intermediação entre a família e a escola.
Na medida em que possibilita a escola criar vínculos com
a comunidade onde está inserido pautar o seu currículo com a
realidade local, na qual é conferindo a proposta pedagógica por
envolver as diferentes propostas de corresponsabilidade pela
aprendizagem e desenvolvimentos dos estudantes.
A gestão democrática pressupõe da participação
efetiva de vários segmentos da comunidade escolar: pais,
professores, estudantes e funcionários. Nesses casos, as decisões
são tomadas previamente e os objetivos da participação também
são delimitados antes dela ocorrer, segundo BORDIGNON e
GRACINDO (2004, p.147).
Em todos os aspectos da organização da escola, a
participação incide diretamente nas mais diferentes etapas da
gestão escolar (planejamento, aplicação e avaliação) seja no que diz
respeito à construção do projeto e processos pedagógicos quanto às
questões de natureza burocrática.
Podem-se citar alguns princípios da Gestão Democrática:
• Descentralização: A administração, as decisões, as
ações devem ser elaboradas e executadas de forma não
hierarquizada;
• Participação: Devem participar todos os envolvidos no
cotidiano escolar (professores, estudantes, funcionários,
pais ou responsáveis, pessoas que participam de projetos
na escola, e toda a comunidade ao redor da escola);
• Transparência: Qualquer decisão e ação tomada ou
implantada na escola tem que ser de conhecimento de todos;
• Compromisso com o ensino: Comprometimento com
a carga horária, com material didático, com o reforço
166 167
escolar, com o regimento escolar, com o PPP, com o
conselho escolar, com o grêmio estudantil, com o conselho
de sala e acima de tudo com o aprendizado dos discentes.
Contudo, pode-se afirmar que em a cultura e a postura
democrática na escola e o sentido público da prática social são os
alicerceis de uma gestão democrática.
RELAÇÃO ESCOLA/FAMÍLIA
A família, sendo à base de uma formação completa do
indivíduo, tendo papel decisivo na formação de caráter, deve ter
participação direta na educação das crianças.
É fundamental que aconteça essa parceria entre escola e
família, e que juntos possam alcançar o objetivo em comum, de
formar cidadãos que saibam como viverem no mundo atual. De
acordo com PEREIRA (2008, p.29), “a Relação entre a Escola e a
Família tem vindo a ser alvo de todo um conjunto de atenções:
através de notícias nos meios de comunicação, de discursos de
políticos, da divulgação de projetos de investigação e de nova
legislação”.
Percebe-se que no atual momento em que vive a educação,
a falta de envolvimento, participação, apoio e limites das famílias
para com as crianças, torna impossível uma educação de qualidade.
A escola é uma instituição de caráter socializador, que não
pode negar e nem ignorar os acontecimentos e transformações
sociais que ocorre devido à facilidade de informação que os
alunos têm em mãos como a tecnologia, no qual se encontra em
todos os lugares.
Cabe nas escolas a iniciativa de propostas de interação entre
as famílias e estas instituições de ensino, assim como as famílias
também tem que fazer sua parte, pois só assim é que a educação
pode começar afluir no sentido positivono aprendizado.
Os alunos de hoje não são iguais aqueles em que o
sistema educacional foi criado, eles hoje aprendem e processam as
informações de forma rápida distinta da geração anterior.
De acordo com MATTOS (2013, p.217), nos últimos 30
anos têm sido observados que as salas de aula obtiveram poucas
mudanças no que se refere a sua forma e conteúdo.
Os métodos de ensinar dos professores também precisam
ser revistos, esses profissionais não são os donos das verdades
que acreditam serem, hoje não podem mais serem desta formar,
as crianças que eram receptoras passivas de todo conhecimento
transmitido pelos professores hoje com acesso a outras formas de
transmissão de conhecimento, assistem as aulas com uma visão
mais critica desses conhecimentos transmitidos.
Entretanto, esse não pode mais ser o único papel do
professor, que deve sim, agir como intermediário e com
interdisciplinaridade, devem se prepara para as transformações
que ocorre no cotidiano.
As instituições escolares contemporâneas procuram se
adaptar a algumas mudanças, principalmente com a inserção
da tecnologia na forma de ensinar e demonstra conteúdos, mas
suas principais dificuldades se encontram na transformação das
instituições sociais, dentre as quais se encontram à família.
A escola tem a responsabilidade de acompanhar os avanços
do conhecimento científico, contudo, deve fornecer e promover todo
o conhecimento de forma que esse esforço leve em consideração os
aspectos particulares da situação social e cultural do dia a dia, e que
influenciam de forma decisiva o equilíbrio familiar. Dentro dessa
perspectiva se destaca a preocupação da educação vir a ser um produto,
gerada para promover a competitividade, a medida que está relacionada
a capacidade de inovação, segundo ÁLVAREZ, (2013, p.140-165).
168 169
Das tarefas mais importantes que a escola tem em realizar,
embora difícil de serem aplicadas, é preparar tanto os pais como
professores e alunos a terem uma boa convivência e superar as
dificuldades como os conflitos interpessoais, no qual contribui
para o processo de desenvolvimento do indivíduo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A democratização escolar se baseia em princípios democráticos,
em especial na democracia participativa, dando direitos de participação
de todos como: pais, estudantes, professores e funcionários.
Esse ambiente de ensino coloca os alunos como atores
centrais do processo educacional, os educadores participam
facilitando as atividades de acordo com os interesses dos estudantes.
Na democrática todos têm direitos de decisão sobre o seu
destino, compartilhando das responsabilidades e das decisões que
podem alterar a posição de cada um no coletivo, no qual a escola
tem que partir desse princípio incluindo gestores, educadores,
funcionários, estudantes e pais.
A família e a escola constituem os dois principais
ambientes de desenvolvimento humano nas sociedades ocidentais
contemporâneas.
Para tanto, a fim de manter uma relação harmoniosa e
alcançar resultados educacionais satisfatórios, faz-se necessário à
parceria entre a instituição escolar e a instituição familiar.
Assim, é fundamental que sejam aplicadas políticas que
assegurem a aproximação entre os dois contextos, de maneira a
reconhecer suas peculiaridades e também similaridades, sobretudo
no tocante aos processos de desenvolvimento e aprendizagem, não
só em relação ao aluno, mas também a todas as pessoas envolvidas,
faz-se necessário a parceria entre a instituição escolar e a instituição
familiar. O trabalho entre pais e professores é cooperativo, levando
em conta que todos têm muito a aprender uns com os outros. As
crianças são muito beneficiadas por esse modelo, vez que vinculo
entre escola e comunidade que acaba formando uma grande
família ABUCHAIM (2009, p.39).
Para isso a escola precisa manter um diálogo com a
família, buscando da a informação aos pais sobre a importância
da participação dos mesmos para o desenvolvimento de seu filho.
E, contudo isso a família e a escola devem caminhar de
mãos dadas com o objetivo de qualificar a educação oferecida
pelas as instituições, trazendo estratégias que venham promover as
necessidades vivenciadas neste contexto.
Um dos maiores desafios da escola hoje é pensar a sua
função social nessa sociedade globalizada, que está imersa a
diversas informações. Apesar dos entraves a escola ainda tem
um grande valor e é vista como importante no meio social
MORAN (2004, p. 347-356).
REFERÊNCIAS
0ABUCHAIM, Beatriz de Oliveira. Patio - Educação infantil. São Paulo: Artmed, 2009.
ÁLVAREZ, A. La irada empresarial de la educación. A propósito del informe Compartir.
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BOCK, AnaMaria Bahia, “Uma introdução ao estudo da psicologia”, 2004.
BORDIGNON, G.; GRACINDO, R. V. Gestão da educação: o município e a escola. In:
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ENGELS, F. A origem da família, da sociedade privada e do Estado. Tradução: Leandro
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participación de los padres y madres en la escuela. Barcelona: Editorial GRÀO, 2003. p.
27-38.
Capítulo X
- Graduado em Engenharia Química;
- Doutorado e Mestrado em Engenharia Química.
Francisco Rubens Macedo de Queiroz
Nos nossos dias atuais, o mundo sofre mudanças que
ocorrem numa velocidade acelerada, aumentando a competição
entre as pessoas. O convívio social tem se tornado cada vez mais
complicado e procurando melhorar as relações interpessoais,
devemos inicialmente tentar compreender, que cada indivíduo
tem sua forma de pensar e personalidade própria, que é construída
ao longo de sua vida.
Os traços morais de personalidade do mesmo são
influenciados pelo ambiente familiar em que vive, nos aspectos
culturais da sociedade em que está inserido, pela idade, entre
outros fatores. Devemos entender que somos pessoas diferentes
uns dos outros, pensamos e agimos de forma única.
Este trabalho será focado na área educação, tratando
da importância das Relações Interpessoais no âmbito
escolar, visando solucionar eventuais problemas na relação
aluno-professor-gestor.
O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL EM
UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO
Geórgia Pinheiro Lima Nunes
172 173
Entendemos que o equilíbrio é a dose correta para que
se obtenham os melhores resultados em tudo, e no ambiente de
trabalho não é diferente, sabemos que a boa relação entre professor
e aluno é um dos princípios fundamentais para se desenvolver
equilíbrio no sucesso do ensino de aprendizagem.
Percebemos que as relações interpessoais e a aprendizagem
possuem característica em comum e para que venham acontecer
é necessário pelo menos duas pessoas, portanto em um ambiente
escolar ela se faz fundamental devido os grandesdesafios
cotidianos que a escola enfrenta.
Percebe-se que uma das maiores dificuldades
encontradas por professores e profissionais da educação
é justamente imaginar como podem mudar sua forma de
pensar, mas uma vez superada essa dificuldade inicial, torna-
se possível perceber outras alternativas e que é possível sim
, como por exemplo, através diálogo, à livre expressão de
sentimentos e ideias, ao tratamento respeitoso, à dignidade e
tantos outros aspectos que contribuem para a configuração de
ambiente escolar harmonioso e de bom convívio.
Percebemos também que cabe ao gestor a função de
trabalhar com os conflitos e as diferenças de personalidades,
sabendo que cada indivíduo traz para o convívio social e
escolar suas peculiaridades e culturas, então o gestor deve estar
preparado para buscar alternativas que atendam o interesse
de todos, e principalmente entender que o sucesso escolar
depende da participação efetiva de todos os profissionais,
incluindo vigias, merendeiras, pessoal de apoio, agentes
administrativos, enfim estabelecer um convívio de harmonia e
conscientização em prol de uma educação de qualidade.
O trabalho tem como objetivo analisar a importância
do desenvolvimento interpessoal como ferramenta estratégica
para o desenvolvimento da instituição. Além disso, busca-
se investigar as diretrizes normativas educacionais que
norteiam o desenvolvimento das atividades da instituição
no tocante ao relacionamento interpessoal, vindo a verificar
e registrar as ações e políticas de gestão voltadas para o
relacionamento interpessoal no contexto organizacional para
diagnosticar a repercussão do relacionamento interpessoal no
desenvolvimento das atividades da instituição no trabalho em
equipe quanto ao desenvolvimento da comunicação interna
na organização e propor mecanismos para um eficiente
relacionamento interpessoal na instituição.
REVISÃO DE LITERATURA
As relações interpessoais na escola dizem respeito às
ligações estabelecidas entre os elementos de toda a comunidade
escolar.
Conhecer pessoas, processos de grupos, cultura organiza-
cional e o modo como esses processos interagem entre si,
passou a ser uma exigência essencial de qualquer gestor que
almeje sucesso no mundo dos negócios e das organizações”
(QUADROS; TREVISAN, 2009, p.15).
De acordo com os estudos de Martinelli e Schiavoni
(2009) as relações interpessoais na escola passam pela ligação
existente entre Gestores, professores e alunos e comunidade
escolar, tendo em conta que todas as partes têm as suas próprias
percepções uma acerca da outra, a si mesmas e entre si.
174 175
Assim, é comum que, quando informados acerca de
uma alta performance em relação a: um aluno, a professores,
ou a escola como referência fiquem, também, com expectativas
altas acerca dos mesmos, ainda que as mesmas possam não
ter sido confirmadas previamente (Martinelli, & Schiavoni,
2009). Contudo, esta informação prévia, pode levar a uma
atitude mais positiva dos gestores em relação aos professores,
professores em relação aos alunos e o todo em relação a escola,
o que, consequentemente leva a que esta tenha, realmente, mais
sucesso e produtividade, bem como maior índice de felicidade
(MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
Dentro das organizações e com muita frequência, em de-
terminado conflito entre duas partes, as duas pretendem
um tipo de solução que a outra não quer aceitar, sendo que
ambas as partes dependem uma da outra para ser atingido
um acordo” (MCINTYRE, 2007, p. 298).
Os estudos de Leite (2012) vieram confirmar estas teorias ao
falar da importância da construção de relações interpessoais entre
professores e alunos, na medida em que as mesmas têm um teor
afetivo, no ramo da pedagogia, diretamente ligado à forma como
os professores lecionam os conteúdos existentes nos programas.
Ao contrário, quando a relação entre professores e a alunos
não se mostra tão positiva, a mesma também acaba por se refletir
no rendimento dos segundos, pela negativa (MARTINELLI &
SCHIAVONI, 2009).
Vários são os fatores que podem impedir um bom
rendimento do grupo, como o seu tamanho, o grau de
motivação de seus membros, a falta de coesão, dificul-
dades de comunicação e até mesmo normas restritivas
ao seu bom funcionamento. Algumas providências são
eficazes quanto ao bom funcionamento de um grupo, a
saber: favorecer a integração das pessoas, observar a li-
derança voltada para a tarefa, tanto quanto os fatores de
manutenção do grupo que dizem respeito as questões
sociais; classificar papéis e expectativas; intensificar
os valores e respeito as normas; bem como favorecer,
sempre, uma maior coesão das pessoas.” (QUADROS;
TREVISA, 2009, p.6)
A significância das relações interpessoais na escola,
construídas entre gestores, professores e alunos, estende-se
mesmo aos contextos em que os mesmos não estão na presença
uns dos outros, ou seja, um professor que, de alguma forma marca
os seus alunos, é sempre recordado mesmo sem ser face a face
(LEITE, 2012). A razão de ser deste fenômeno é a forma como um
professor estabelece regras e utiliza determinadas estratégias de
ensino, as quais trazem repercussões para as relações das crianças,
de modo geral, especialmente no que diz respeito ao processo de
aprendizagem (LEITE, 2012).
Para além das expetativas entre ambas as partes, outras
variáveis influenciam significativamente as relações interpessoais
na escola, sendo elas o sexo, a raça, a etnia, os grupos sociais,
a personalidade, a aparência, a forma de falar e de escrever
e até mesmo o lugar que cada aluno escolhe em sala de aula
(MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
Assim, segundo Martinelli e Schiavioni (2009) também se
estendem as influências de diferentes variáveis no que diz respeito
às relações interpessoais estabelecidas entre alunos uma vez que é
comum, nestas idades que as mesmas se construam em função da
aceitação de um novo elemento num grupo. Devido à possibilidade
176 177
de aceitação ou não dos elementos, a dinâmica existente em sala de
aula diferente de ambiente para ambiente.
Quando as relações interpessoais são caracterizadas pela
pouca clareza, criam espaço para suspeitas, mal-entendido
e desconfiança, desencadeando emoções de medo e raiva
nos indivíduos” (MOSCOVICI, 1985, p. 77).
Verifica-se, habitualmente, que os grupos de alunos que
melhor conseguem estabelecer relações interpessoais no meio
escolar, também são aqueles que apresentam maior taxa de sucesso
acadêmico (MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
A aceitação entre elementos, em cada grupo, acontece com
base em comportamentos mais amigáveis, afetuosos e interativos,
pelo que, quando a aceitação não é tão bem conseguida, a interação
é mais conflituosa, provocativa, tendencialmente agressiva, com
mais propensão para discussões imaturas, e menos competências
sociais (MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
A revisão da literatura levada a cabo por Leite (2012)
permite-nos compreender como a questão do afeto em relação
à escola, pode influenciar as relações interpessoais dentro
da mesma, pelo que, consequentemente se traduz no afeto
positivo ou negativo entre os alunos e o resto da comunidade
escolar, tanto em relação aos professores como em relação aos
programas letivos.
Como tal, as mesmas razões que levam à identificação dos
alunos com os professores e o ambiente escolar, são as que também
levam estes alunos a adquirir um afeto positivo no que diz respeito
aos programas a estudar (LEITE, 2012).
Isto porque o conceito de mediação pedagógica não se re-
fere a ideias metafóricas, mas a relações concretamente es-
tabelecidas e vivenciadas, em sala de aula, que podem ser
acessadas pelo olhar do pesquisador através, obviamente,
de metodologias adequadas às características dos fenôme-
nos estudados. (LEITE, 2012).
Analisa-se que é extremamente necessário termos uma
relação interpessoal eficiente dentro das instituições de ensino para
que esta consiga atingir seus objetivos em todos os setores.
Arelação interpessoal pode ser trabalhada e desenvolvida
sempre, pois é através dela que todos os que trabalham por um bem
comum, trocam suas experiências, desenvolvem o conhecimento
da sua equipe de trabalho estreitando as relações e aumentando o
interesse pelo trabalho em equipe.
Diante disso, acredita-se que deve-se promover ações
dentro da instituição tendo como objetivo maior a integração de
todos os membros como: núcleo gestor, professores, funcionários
e alunos para desenvolver a comunicação interna, debater
problemas, visando também o conhecimento e para que juntos
possam caminhar em um objetivo comum para o bem de todos.
METODOLOGIA
A metodologia que será utilizada é uma pesquisa
bibliográfica de natureza qualitativa e explicativa.
A pesquisa abordada neste estudo alia duas tensões ao
mesmo tempo. Por um lado, é atraída a uma sensibilidade geral,
interpretativa, e, por outro, por concepções da experiência
humana e de sua análise mais restrita a uma visão humanista.
Pesquisa qualitativa é multimetodológica quanto ao seu foco,
envolvendo abordagens interpretativas e naturalísticas dos
178 179
assuntos. Isto significa que o pesquisador qualitativo estuda coisas
em seu ambiente natural, tentando dar sentido ou interpretar
os fenômenos, segundo o significado que as pessoas lhe
atribuem (DENZIN & LINCOLN, 1994, p.2). Esta definição ressalta
a importância do uso da multimetodológica como também o
estudo de caso, experiências pessoas, entrevistas, observações
dentre outras que caracteriza o pesquisador qualitativo.
De acordo com Gil (2008), as pesquisas descritivas
possuem como objetivo a descrição das características de uma
população, fenômeno ou de uma experiência. Entretanto,
as pesquisas descritivas geralmente assumem a forma de
levantamentos. Quando o aprofundamento da pesquisa descritiva
permite estabelecer relações de dependência entre variáveis, é
possível generalizar resultados.
Segundo Gil (2007, p. 43), uma pesquisa explicativa pode
ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação
de fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja
suficientemente descrito e detalhado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No momento atual as pessoas caracterizam-se como o
principal diferencial das organizações. O individuo passou a ser
visto pelos administradores como uma peça importante para
alcançar o sucesso e estar à frente dos concorrentes.
A sociedade exige de todos os órgãos públicos uma
maior eficiência no alcance dos resultados e no atendimento
das necessidades do público alvo. Os usuários dos serviços estão
mais exigentes, desejam serviços de qualidade. Nesse contexto os
profissionais que trabalham nas organizações públicas são peças
chave para que as empresas públicas adaptem-se as mudanças e
atendam as exigências e necessidades dos usuários.
No desempenho dos funcionários ou servidores o
relacionamento no trabalho exerce grande influência. Para que o
indivíduo desempenhe suas funções de forma eficiente é importante
que ele mantenha boas relações com os demais indivíduos da
organização. Ao desempenhar seu trabalho e atingir os resultados
esperados os servidores mantém constantes relações com os outros
tornando assim as relações no ambiente de trabalho fundamentais
para o alcance dos objetivos organizacionais.
Tendo em vista essa realidade, foi importante desenvolver
um estudo sobre as relações interpessoais no ambiente de trabalho
de uma escola pública, pois perceber e analisar como ocorrem as
relações interpessoais no ambiente de trabalho escolar torna-se
importante para melhorar o desempenho dos servidores e alcançar
os objetivos e metas da organização.
Em especial o estudo teve grande importância também
porque foi realizado na organização em que a pesquisadora
trabalha, permitindo a mesma perceber como ocorrem as relações
interpessoais no seu ambiente de trabalho.
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- Graduada em Gestão de Recursos Humanos
Geórgia Pinheiro Lima NevesFlesch (2015) contribui ao falar que o processo laboral
pode levar o ser humano ao sofrimento, ou seja, ao estresse.
Assim, conhecer suas possíveis causas se torna imprescindível
para modificá-lo, possibilitando reelaborar contingências mais
adaptativas ao processo de trabalho.
Assim sendo, a autora publica que o conceito de
estresse remete a uma dimensão biopsicossocial, levando em
conta os estímulos externos, como trabalho e relações sociais,
e estímulos internos que correspondem ao pensamento e
emoções, incluindo a resposta que o organismo emite frente a
esta estimulação (FLESCH, 2015).
O estresse ainda pode ser definido como qualquer
situação de tensão aguda ou crônica que produz uma mudança
no comportamento físico e no estado emocional do indivíduo e
uma resposta de adaptação psicofisiológica que pode ser negativa
ou positiva no organismo. Pesquisadores sobre a temática estresse
ocupacional relatam que “tanto o agente estressor quanto seus
efeitos sobre o indivíduo podem ser descritos como situações
desagradáveis que provocam dor, sofrimento e desprazer”
(MOLINA, 1996, p.18 apud FLESCH, 2015, p. 3).
Flesch (2015) posicionando-se sobre esta abordagem,
destaca o estresse ocupacional, pois este se torna comum à medida
que a instituição também seja caracterizada como estressada, pois
se uma pessoa se estressa no trabalho, ela também pode influenciar
os colegas, e assim, aos poucos, todos os funcionários podem
apresentar sintomas de estresse.
Para Limongi-França (2002 apud FLESCH, 2015) o estresse
no trabalho envolve uma situação na qual o sujeito interpreta seu
local de trabalho como ameaçador frente a sua necessidade de
crescimento pessoal e profissional.
Diante do relato dos autores acredita-se que o estresse
ocupacional envolve uma relação particular entre o indivíduo, seu
ambiente de trabalho e as demais situações a que está submetido.
Afirmam Sampaio e Galasso, (2002 apud FLESCH, 2015) que o
estresse pode ser concebido como um risco associado de formas
variadas a todos os tipos de trabalho, e assim, podendo causar
prejuízos à saúde e ao desempenho das funções.
Destacando a profissão policial militar, Aguiar (2007) diz
que os profissionais desta instituição estão envolvidos nos mais
diversos tipos de conflitos, de modo que nem sempre possuem
autorização para resolvê-los por limitação institucional legal. Sendo
assim, desencadeia no policial um estado de frustração, incerteza,
conflito e insatisfação no trabalho, sendo que todos estes fatores
estão ligados diretamente ao estresse ocupacional.
Especificamente sobre a função desempenhada pelo policial
militar, Costa et. al. (2007) diz que envolve alto risco, levando-se
em conta que estes profissionais lidam diariamente com a violência
e a brutalidade. Em razão disso, o autor ainda complementa ao
enfatizar que a literatura considera esta profissão como uma das
que mais sofre de estresse, tendo em vista o trabalho exercido
mediante forte tensão através do enfrentamento de situações que
lhes submetem, além de outros fatores conflitantes até o risco de
morte. Estudo realizado por Minayo, Souza e Constantino (2007)
os quais investigaram as características socioeconômicas, qualidade
de vida, condições de trabalho e de saúde de policiais militares
e civis, ficou evidenciada que os policiais são as maiores vítimas
do desempenho de suas atividades, sobretudo os militares, pelas
funções operacionais que exercem.
Na pesquisa citada por Flesch (2015) logo a seguir, autores
comprovam que conflitos enfrentados pelos policiais em sua
atividade profissional são causadores de grande sofrimento mental,
podendo com isso, desencadear possíveis atos violentos.
Sobre a agressividade em policiais militares, Flesch (2015) cita
o estudo realizado por Oliveira e Santos (2010) com 24 policiais. Para
30 31
a autora, encontraram 91,7% dos policiais militares que se percebiam
estressados sempre, ou às vezes, sendo que 41,7% relataram já terem
agido impulsivamente em alguma ocorrência e 62,5% afirmaram
que, às vezes, percebiam-se agressivos no trabalho.
Pelos dados do estudo apresentado, percebe-se que o
estresse está presente em grande parte do cotidiano dos Policiais
Militares, e que este compromete a qualidade de vida, levando-os
a comportamentos agressivos. Conforme pesquisa realizada sobre
as fases do estresse, avaliada através do Inventário de Sintomas
de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), os dados mostram um
percentual elevado, os quais podem ser verificados através do
gráfico a seguir (FLESCH, 2015, p. 14).
O gráfico mostra que 80% dos profissionais estressados
encontravam-se na fase 02 do estresse (fase de resistência),
enquanto que 13,3% estavam na fase 01 do estresse (fase de alerta)
e 6,67% se encontrava na fase 04 de estresse (fase de exaustão).
Mediante dados
apresentados pela
pesquisa, torna-se
evidente que futuras
intervenções fazem-se
necessárias na medida
em que a fase 02
(fase de resistência
do estresse) apresenta
sintomas como
desgaste generalizado
e prejuízos com a
memória. Assim,
“se os estressores
forem retirados ou
aprendermos a lidar
com eles, os sintomas desaparecem, mas do contrário, se o
estressor permanecer, as dificuldades começam a aparecer passando
a comprometer a qualidade de vida do sujeito” (LIPP, 2000 apud
FLESCH, 2015, p. 15).
Dentre os sujeitos avaliados com estresse, percebe-se que
apenas 13,3% encontravam-se na fase 01 de alerta, sendo esta uma
fase positiva. O estresse em doses moderadas se torna benéfico, na
medida em que nas situações de tensão produzimos a adrenalina
(ou dopamina) responsável pelo aumento de energia, ânimo,
entusiasmo e vigor. Ao produzir adrenalina, o indivíduo fica em
alerta e pronto para lutar ou fugir de situações mais difíceis (LIPP,
2000, apud FLESCH, 2015, p. 15-16).
Quanto às fases mais comprometedoras do estresse, a
fase 02 (fase de resistência) teve o maior índice avaliativo com
80%, pois é uma fase conflituosa onde o organismo procura
reestabelecer o equilíbrio para evitar maior desgaste emocional.
Na fase de quase exaustão, a fase 03, não foi classificada nenhum
participante, no entanto houve 6,27% que se encontrava na fase
04 (exaustão), compreendida como o último nível do estresse e
também o mais perigoso.
Em resumo, sendo a fase de exaustão a mais comprometedora
do equilíbrio emocional, conclui-se que a pessoa só entra nessa
última fase após muito estresse, ficando sem energia, com falta de
concentração e dificuldade para trabalhar, podendo surgir doenças
graves, ou até mesmo a morte súbita em alguns casos.
Reis (2015) apresenta a pesquisa intitulada “Vitimização
e risco entre profissionais do sistema de segurança pública”, que
foi realizada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas e com a
Secretaria Nacional de Segurança Pública.
Para caracterização da pesquisa, o autor ouviu 10.323
policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, agentes
penitenciários e integrantes do Corpo de Bombeiros e da Guarda
Fonte:
(FLESCH, 2015, p.14 apud OLIVEIRA E SANTOS, 2010).
Gráfico 1:
Fases do estresse do cotidiano de policiais
militares submetidos à pesquisa
32 33
Municipal em todos os estados do país. O estudo foi realizado
entre os dias 18 de junho e 08 de julho de 2015.
Na pesquisa Reis (2015) aborda relatos de Samira Bueno,
diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública,
a qual argumenta ser este um cenário triste. Mas, segundo ela,
trata-se de um dado esperado, pois a percepção de discriminação
que o policial tem está intimamente ligada à desconfiança da
população. Como resultados, chegou-se a conclusão de que
somente 30% afirmam confiar na polícia. O autor justifica que
isso ocorre porque desde 1988, com o advento da constituição,
que tecnicamente rompe com o momento autoritário do país,
muito pouco se mudou no modelo de segurança pública.
As pessoas se afastam dos policiais porque eles são tidos
como violentos. Por contadisso, Reis (2015) acrescenta que as
instâncias responsáveis direta ou indiretamente pela segurança
pública precisam pensar em mecanismos de modernização.
Dentre os diversos dados da pesquisa, nos interessa
destacar o índice de distúrbios psicológicos entre os agentes
de segurança entrevistados. Um dado que merece destaque é o
de que 16,4% dos policiais foram diagnosticados com algum
distúrbio psicológico (REIS, 2015). Para o autor este número
é considerado elevado, pois o percentual diz respeito apenas
aos diagnosticados, sendo que pelo contingente geral os dados
devem ser muito maiores, e ainda comenta que as estruturas de
atendimento psicológico são precárias, pois, quando existem,
limitam-se as capitais e regiões metropolitanas.
Psicologia: serviços essenciais para reduzir e minimizar os
prejuízos causados pelo estresse
Acredita-se que ao proporcionar a esses profissionais da
Segurança Pública a oportunidade de um acompanhamento
psicológico pode-se contribuir para a melhoria da qualidade
de vida, bem como prestar um serviço que retrate os anseios da
comunidade. Os serviços aqui propostos podem ser ofertados em
duas modalidades: o plantão psicológico para casos emergenciais e
psicoterapias para tratar demandas mais graves até a reconstituição
da qualidade de vida. A seguir, destaca-se cada um desses serviços.
O plantão psicológico como escuta ao policial militar
O plantão psicológico, segundo Schenferd (2011), tem
como uma de suas funções o treino da escuta que está relacionado
à capacidade de captar aquilo que o paciente busca naqueles
cinquenta minutos em que a relação paciente–terapeuta se
estabelece. Nesse sentido, a habilidade de escutar faz-se necessário
para que haja uma boa compreensão da queixa central e o
estabelecimento do vínculo com o paciente para proporcionar o
andamento do processo terapêutico.
Para Mahfoud (1987), cabe ao psicólogo proporcionar ao
paciente uma compreensão a respeito de si mesmo e de seu papel
diante da problemática que o levou a procurar pelo plantão.
É verdade que o plantão caracteriza-se pelo atendimento em
situações de crise e guarda peculiaridades não só sob o olhar numa
perspectiva clínica, mas também quando encarada em relação a
sua forma e seu conteúdo (SCHENFERD, 2011).
No processo de atendimento para o plantão psicológico, o
foco é a queixa, no entanto o tempo do atendimento será limitado,
diferentemente do formato tradicional na psicoterapia que se estende
até as reais necessidades do paciente. É o “tipo de serviço, exercido por
profissionais que se mantêm a disposição de quaisquer pessoas que
deles necessitem, em períodos de tempo previamente determinados e
ininterruptos” (MAHFOUD, 1987, p. 75). Essa “intervenção psicológica
apresenta características específicas para cada um dos envolvidos
34 35
e, por isso, é citada como ‘a vivência de um desafio’, dada a sua
complexidade” (PAPARELLI E MARTINS, 2007, p. 66).
Desse modo, os autores acrescentam que de maneira
resumida, o plantão se caracteriza por três pontos de vista: o
da instituição, da qual se exige a sistematização dos serviços,
com a organização e o planejamento do espaço físico, os
recursos disponíveis (humanos ou materiais, rede de apoio
externo e outros); o do profissional, cuja exigência se refere à
“disponibilidade” ao novo, ao não planejado, ao inusitado, à
possibilidade de acolher a demanda daquele que o procura, e o
do cliente, que constitui uma referência, um porto seguro para
a sua necessidade (MAHFOUD, 1987).
Sobre os atendimentos no serviço, Paparelli e Martins
(2007) mostram que ocorre em três fases: o acolhimento da
demanda, numa entrevista inicial, para detecção da queixa
e dos elementos trazidos pelo paciente; acompanhamento
do processo de intervenções de tempo limitado, com um
limite máximo de dez sessões; desfecho e encerramento do
caso, que poderá resultar na alta do processo terapêutico
e/ou no encaminhamento a outras instâncias internas ou
externas.
Considerando a importância do plantão, pode-se atribuir
ao serviço que se estabeleça ao Policial Militar, o início da reflexão
acerca da queixa que o defina como estressado.
A psicoterapia como auxílio nas necessidades do policial militar
A psicoterapia distingue-se quanto aos seus objetivos e
fundamentos teóricos, bem como quanto à frequência das sessões,
ao tempo de duração, ao treinamento exigido dos terapeutas e
às condições pessoais que cada método exige de seus eventuais
candidatos (CORDIOLI 2008, p. 21.).
Para o autor, a psicoterapia diferencia-se de outras práticas
por ser uma atividade colaborativa entre cliente e terapeuta.
Entende-se que a psicoterapia proporciona um momento
interacional entre terapeuta e paciente, facilitando e auxiliando
nas possíveis intervenções.
Rogers citado por Hermeto e Martins (2012, p. 132) contribui
com o debate dizendo que “a vida plena é um processo, não um
estado de ser, pois, segundo ele, para aproveitar a vida é preciso” ser
totalmente aberto a experiências; viver o momento presente; confiar
em si mesmo; assumir responsabilidades pelas próprias escolhas e
tratar a si e aos outros com consideração positiva incondicional.
A capacidade de se manter presente no momento atual,
já que o “eu” e a personalidade são criados pela experiência,
necessita estar totalmente aberto às possibilidades oferecidas em
cada momento e permitir que as experiências construam o “eu”.
(HERMETO, 2012, p. 133).
Acredita-se que a melhor maneira de organizar o “eu” é
admitir a fluidez da vida e evitar moldar a si próprio, ou seja, deve-
se procurar dar um sentido real a vida e aceitar a realidade atual.
Neste sentido, pode-se ter a psicoterapia como a reconstituição
do comportamento reflexivo e avaliativo nas demandas policiais
cotidianas vividas pelos profissionais da Polícia Militar.
Avaliação psicológica como hipótese diagnóstica
para os conflitos do policial militar
Sabendo que a psicoterapia pode trazer melhores resultados
em pacientes que apresentam alguma patologia, Dalgalarrondo
(2008) afirma que esta avaliação psicológica é feita, inicialmente,
por uma entrevista. Nesse momento inicial o paciente interage
com o terapeuta relatando as possíveis queixas que o atormentam
e o que realmente busca na terapia. Assim, a entrevista passa a
36 37
ser uma ferramenta importante no processo psicoterapêutico e de
suporte para o policial militar.
“A entrevista psicopatológica permite a realização dos dois
principais aspectos da avaliação: a anamnese, o histórico dos sinais e dos
sintomas que o paciente apresenta ao longo de sua vida, seus antecedentes
pessoais, familiares e no meio social” (DALGALARRONDO, 2008, p. 61).
Cordioli (2008) corrobora com Dalgalarrondo (2008) e
apresenta os resultados das psicoterapias como um importante
recurso para o tratamento dos transtornos mentais e outros
problemas emocionais.
O psicodiagnóstico como avaliação do comportamento
do policial militar
Cunha (2000) enfatiza que o psicodiagnóstico é uma
avaliação psicológica com propósitos clínicos, e que não abrange
todos os modelos de avaliação psicológicas quanto às diferenças
individuais. Desse modo, essas avaliações são realizadas mediante
os testes projetivos. Nesse contexto, o autor complementa dizendo
que o psicodiagnóstico é um processo científico, limitado no
tempo, que utiliza técnicas com o uso de testes psicológicos para
identificar e avaliar aspectos específicos.
Para o autor, uma avaliação psicológica pode ter vários
objetivos, dentre os quais merece destaque a avaliação do estado
mental do sujeito para a promoção à saúde e à prevenção.
Pelo estudo realizado sobre os serviços de psicologia para
o acolhimento e tratamento psicológico, reflete a necessidade de
um acompanhamento especializado com os Policiais Militares em
virtude desses estarem diretamente ligados a situações de estresse,
pelas decisões imediatas que devem ter diante de ocorrências que
venham a causar danos a vidadele ou de terceiros. A atenção a esses
profissionais pode evitar o surgimento do Transtorno Disruptivos
do Controle de Impulsos e da Conduta, pois este tipo de transtorno
pode ser desencadeado pelo nível elevado de estresse.
Segundo os DSM-5, o Transtorno Disruptivos do Controle
de Impulsos e da Conduta incluem condiçoes que envolvem
problemas de autocontrole de emoções e de comportamentos. “É
caracterísico desse transtorno comportamento agressivo, destruição
de propriedade, conflito significativos do individuo com normas
sociais ou figuras de autoridade” (DSM-5, p. 461).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na construção deste trabalho buscou-se evidenciar a
profissão policial militar e suas necessidades para o desempenho
profissional. Na tentativa de compreendê-los no exercício da profissão
e relacionar o comportamento a situações de estresse, procurou-se,
além das pesquisas bibliográficas, compreender o comportamento
quanto à função em exercício para melhor direcionar o processo de
estudo e conhecimento quanto à saúde mental, mediante o estresse
ocupacional, sendo este a maior causa de conflitos e distúrbios
psicológicos, conforme relata os autores referenciados.
Os resultados descritos após pesquisa mostram que é
necessário desenvolver ações direcionadas a esses profissionais,
pois na maioria das vezes não se deslocam para procurar ajuda
psicológica, talvez por preconceito da profissão, questões
financeiras ou por não perceber a necessidade do serviço.
Buscando disseminar cada vez mais as ações no atendimento
psicológico na corporação Policial Militar, faz-se necessário envolver
todos os membros da instituição, pois o estresse ocupacional neste
caso eleva-se em conjunto na relação entre os pares.
38 39
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- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar
e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
40 41
A ansiedade é um sentimento desagradável, vago,
indefinido, que na sua psicopatologia apresenta diferentes
sensações, tais como: frio no estômago, aperto no peito, coração
acelerado, etc. Essas reações são normais, naturais e necessárias
para a autopreservação do individuo, esperada em determinadas
situações. Conforme SIEGEL, 1990, a maioria das pessoas
experimenta algum grau de conflito entre os desejos internos e as
realidades externas. Porém, por vezes, estes desejos fazem parte
de estados de espíritos bastantes distintos, que permanecem fora
da consciência de muitos indivíduos. Mesmo sem consciência,
a mente pode experimentar o desequilibrio emocional de tais
conflitos como o começo da ansiedade.
Com relação a sua normalidade, a ansiedade é uma reação
normal, dita bio-adaptativa, ou seja, é uma resposta do corpo
a algum tipo de estressor externo, por exemplo, diante de uma
ameaça (um predador), o organismo deve reagir aumentando
seu ritmo para que este possa se preparar para a fuga. O ritmo
cardíaco aumenta, há contração de vasos periféricos para que
Transtorno da Ansiedade
Generalizada
José Demontier Guedes
Lucilene Maria dos Santos
Capítulo II
42 43
se concentre sangue em áreas vitais, a respiração aumenta sua
frequência. Portanto, todas estas reações são normais e preparam
o indivíduo para enfrentar o estressor externo. É uma sensação
difusa, desagradável de apreensão acompanhada por várias
sensações físicas.
Quando essas reações passam a ser em estado prolongadoa ansiedade é patológica, que se caracteriza por sua duração
e intensidade maior que o esperado para a situação. Nessa
condição o Transtorno da Ansiedade Generalizada costuma
ser considerada uma doença crônica, onde uma preocupação
exagerada que abrange diversos eventos ou atividade da vida
cotidiana vem acompanhado de sintomas como: irritabilidade,
tensões musculares, perturbações, dentre outros, comprometendo
o funcionamento da vida social e profissional, gerando grande
sofrimento. A ansiedade se torna patológica em dois momentos:
quando o corpo reage excessivamente a um estímulo, ou seja,
quando a ansiedade é desproporcional ao estímulo e transforma
uma reação adaptativa em reação desadaptativa, ou mesmo
quando ela aparece relacionada a estímulos que normalmente não
gerariam ansiedade. Outro momento é quando ocorre ansiedade
na ausência de estímulo deflagrador. Os transtornos de ansiedade
mais comuns são: Síndrome do pânico, fobia social, agorafobia,
transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de estresse
pós-traumático e transtorno de ansiedade generalizada (SIEGEL,
1990).
A ansiedade patológica caracteriza-se pela intensidade
prolongada à situação precipitante, tornando difícil o controle
dos sintomas físicos, causando prejuízo na atividade social,
dificultando e impossibilitando a adaptação. Ao contrário da
ansiedade normal, a patológica paralisa o indivíduo, trazendo
prejuízos ao seu bemestar. Ainda com relação ao normal e
patológico, veremos a seguir algumas diferenças. A preocupação
normal, não interfere nas atividades diárias e responsabilidades,
mesmo que as preocupações sejam desagradáveis, não causam
sofrimento significativo, fácil de ser controlada, limitada a
um número específico de pequenas preocupações realistas,
durabilidade de um curto período de tempo. Quanto à
preocupação patológica, interfere significativamente no
trabalho, atividades ou vida social, difícil de controlar, são
perturbadoras e estressantes, preocupa-se com todo o tipo de
coisa e tende a esperar o pior e estão presentes quase todos os
dias, por pelo menos seis meses (DALGALARRONDO, 2008).
Quando os sentimentos de ansiedade que são respostas
humanas naturais passam a ser pensamentos, causam um
adoecimento, caracterizada posteriormente por diversos e
multifacetados sinais e sintomas como: indisposição, inquietação,
insônia, irritabilidades, dificuldade de concentração e alarmam-
se com facilidade, esses se apresentam como sintomas psíquicos
e como sintomas físicos, podem-se destacar os tremores,
taquicardia, sudorese de mãos e pés, tensão muscular, dores de
cabeça, dentre outros (SILVA, 2011).
Sendo assim faz-se necessário o estudo das funções
psíquicas de forma isolada em suas alterações, esses fenômenos
estão relacionados e interligados. Essa separação dá-se
apenas didaticamente, pois o homem é um ser global, um
universo complexo na totalidade das suas múltiplas funções,
interagindo e interagido pelos estímulos internos e externos,
como podemos compreender quando Paulo Dalgalarrondo,
afirma que “não existem funções psíquicas isoladas e alterações
psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela
função”, assim sendo, diz Dalgalarrondo “é sempre a pessoa na
sua totalidade que adoece”. Quando a Psicopatologia estuda o
homem, fundamentada no encontro dos seres, na interpretação
de Dalgalarrondo, a significação ou o sentido dos sinais e
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sintomas estão ligados aos contextos mentais onde eles surgem
e como se manifestam, para, a partir daí proceder à indicação
de perturbações nas funções e subjacentes transtornos, que
atingiram a personalidade como um todo modificando a sua
estrutura e o seu modo de existir. Sendo, portanto, necessário a
significação dos fenômenos para que a descrição dos sintomas
não seja considerada mecânica e sem nenhuma reflexão.
De acordo com Dalgalarrondo, a demarcação de um
campo dá-se todas as vezes que se volta para a realidade, e
nesse campo delimita-se um foco, ou a parte mais nítida da
consciência e a parte periférica, menos nítida. Existem alterações
normais e alterações patológicas da consciência. O sono
natural, por exemplo, que se caracteriza por um estado especial
da consciência, que acontece de forma recorrente e cíclica nos
organismos superiores, sendo um estado comportamental e uma
fase fisiológica normal e necessária do organismo. Associado
ao sono se tem o fenômeno psicológico, sonho que também
é considerada uma alteração normal da consciência. Porém,
as alterações da consciência se dão por processos fisiológicos
normais, e por processos patológicos, essas alterações podem
ser observadas em quadros neurológicos e psicológicos onde
o nível de consciência diminui de forma contínua e gradual,
indo do estado normal, vigil, desperto, até o estado de coma
profundo, onde não se observa nenhum sinal de atividade
consciente. Essa alteração patológica quantitativa da consciência
pode ocorrer em diferentes graus, como uma obnubilação ou
turvação da consciência, considerado de leve a moderado ou o
sopor que já é um estado de maior turvação até o coma que o
grau mais profundo de rebaixamento do nível da consciência.
Ele também classifica síndromes psicopatológicas associadas
ao rebaixamento do nível de consciência, como o delirium.
Síndrome confusicional aguda, onde o paciente apresenta-se
confuso em relação ao pensamento e ao discurso. Nesses
quadros ocorre um rebaixamento leve moderado do nível da
consciência, acompanhado de desorientação temporoespacial,
dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus
variáveis agitação ou lentificação psicomotora, discurso ilógico
e confusão, ilusão e/ou alucinações visuais.
Segundo William James 1952, atenção é o caminho que
dá direcionamento a consciência, o estado de aglomeração, da
ação mental sobre determinado objeto. Podemos discernir dois
tipos básicos, voluntária e espontânea. Podendo a mesma possuir
duas formas, externa e interna. Suas alterações são chamadas de
hipoprosexia e hiperprosexia, sendo que as mesmas consistem
em estados de atenção diferenciados, ou seja, opostos. Enquanto
a primeira apresenta perda básica da capacidade de concentração
a outra por sua vez, consiste em um estado de concentração
exacerbada. De acordo com Dalgalarrondo, a atenção quase
sempre está alterada nos transtornos mentais graves tais como:
transtorno do humor, transtorno obsessivo compulsivo (TOC),
transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), dentre
outros. Dessa forma a atenção associa-se ao transtorno de
ansiedade generalizada de maneira a depender do direcionamento
da consciência que esse indivíduo vai concentrar.
Para Dalgalarrondo, orientação é a capacidade de situar-se
quanto a si mesmo e ao ambiente, requerendo a interação de vários
processos, tais como: atenção, percepção, memória, pensamento,
consciência, dentre outros. A orientação pode ser Autopsíquica, em
relação a si mesmo e Alopsíquica, relacionada ao mundo, externo
ao sujeito, podendo ser temporal, a qual indica se o paciente está
situado no tempo. Esta exige um maior desenvolvimento do
individuo, sendo mais facilmente prejudicada por transtornos da
consciência. Nesse contexto cita-se também a orientação espacial,
relacionada à percepção do espaço.
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Quanto às desorientações podem ser: por redução do
nível de consciência, déficit de memória de fixação, apatia,
delirante, oligofrênica, histeria, desagregação e desorientação
quanto à própria idade.
Diante dessas desorientações podem ocorrer diversos
transtornos, dos quais destacamos alguns deles: confusão
mental, alteração da atenção, da concentração e da capacidade
dos estímulos ambientais, dificuldade de fixar na memória as
informações ambientais básicas, desorientação devido a uma
marcante alteração do humor e da vontade, vivências delirantes,
déficit intelectual por incapacidade ou dificuldade de reconhecer
e interpretar normas sociais, fenômeno da possessãohistérica ou
desdobramento da personalidade, dentre outros.
Desse modo, quando relacionamos esses transtornos da
desorientação ao transtorno da ansiedade generalizada, pode-
se perceber uma relação em comum, a excessiva ansiedade do
individuo, devido a sua hipervigilância, que é um estado de alerta
e a perturbação do sono, o leva a uma constante irritabilidade,
deixando-o esgotado, tanto fisicamente como psicologicamente,
causando possíveis alterações na consciência e atenção, levando-o
ficar desorientado. De certo modo, altera a noção do tempo, do
espaço e possivelmente de si mesmo. Isso pode acontecer por
conta do estado permanente de vigilância e ansiedade que leva o
mesmo perder os parâmetros normais da realidade, tornando-o
refém de um sentimento que insiste em dominá-lo.
No que se refere à sensopercepção, existem alterações
quantitativas que se configura a hiperestesia que no sentido
psicopatológico é a condição na qual as percepções encontram-
se anormalmente aumentadas em sua intensidade ou duração. Já
a hipoestesia é observada em alguns pacientes com transtornos
depressivos, que tem como consequência a percepção do mundo
à sua volta como mais escuro, as cores tornam-se mais pálidas e
sem brilho, os alimentos não têm mais sabor, e os odores perdem
sua intensidade.
A ilusão faz parte das alterações qualitativas da
sensopercepção que são as mais importantes para a psicopatologia,
caracteriza-se pela percepção deformada, alterada, de um
objeto real e presente. As alucinações também fazem parte
dessas alterações, podendo ser auditivas, divididas em simples
e complexas; cenestésicas ocorrem em alguns pacientes que
apresentam sensações incomuns e claramente anormais em
diferentes partes do corpo, como sentir o cérebro encolhendo ou
o fígado despedaçando; cinestésicas são vivenciadas pelo paciente
como sensações alteradas de movimentos do corpo, como
sentir o corpo afundando, as pernas encolhendo ou um braço
se elevando. Com relação à alucinose é o fenômeno pelo qual
o paciente percebe tal alucinação como estranha à sua pessoa,
embora veja a imagem ou ouça a voz ou o ruído, falta a crença
que comumente o alucinado tem em sua alucinação.
Em quase todos os transtornos da ansiedade está presente a
lembrança obsessiva que é uma alteração qualitativa da memória.
É um sintoma mais comum na ansiedade (TAG) que surge com
muita intensidade e frequência. Destacamos aqui a memória
cognitiva (psicológica), a qual afirma Dalgalarrondo que esta é
uma atividade diferenciada do sistema nervoso, permitindo ao
individuo fazer registros, conservações e evocações a qualquer
momento quanto aos dados que são aprendidos através da
experiência.
Quanto às alterações quantitativas também podemos
destacar as hiperminésias, que é uma aceleração geral do ritmo
psíquico que influencia na memória. A amnésia, que há uma
perda da capacidade de memorização e a mesma divide-se em
anterógrada ou retrógrada. As alterações qualitativas destacam-se:
ilusão mnêmica, que é um acréscimo de elementos falsos a
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um núcleo verdadeiro de memória, inclui coisas novas em um
conto da história diante da percepção da própria pessoa sem se
dar conta do fato. Também as alucinações mnêmicas que é a
recordação de algo que nunca ocorreu.
No processo ansioso surgem alterações relacionadas ao
campo do afeto, porque a ansiedade gera sofrimentos intensos
ligados aos fatos vindouros e angustia com relação a fatos
passados, desta forma a labilidade e incontinência afetiva se
comprometam ocasionando distúrbios do conteúdo dos afetos.
O curso e a forma do pensamento serão muito afetados
durante o transtorno de ansiedade generalizada, uma vez que para
estruturar o pensar faz-se necessário relacionar todas as funções
psíquicas, que certamente comprometem-se nesse transtorno, e
assim passam a desempenhar funções alteradas na estruturação
dos conceitos, juízos, raciocínio e conteúdos do pensamento,
que surgirão de formas desintegradas ou mal condensadas pela
presença constante de pensamento obsessivo.
METODOLOGIA
Para a elaboração desse trabalho adotou-se uma pesquisa
exploratória, precedida de pesquisas proveniente de textos de diversos
autores, através de artigos, livros, revistas científicas e endereços
eletrônicos, relacionados ao tema com as seguintes palavras-
chave: (transtorno, ansiedade e funções psíquicas). Os resultados
obtidos proporcionaram um conhecimento prévio sobre o assunto,
viabilizando questionamentos e aprendizado. Para tanto, o ano base
dessa pesquisa ocorreram num período entre 2000 e 2012 até os
dias atuais, comparando informações entre os autores para efetuar a
elaboração do presente trabalho. Diante disso, foi feito um estudo
preliminar do principal objetivo da pesquisa.
O desenvolvimento do tema consistiu na construção de
um banco de dados sobre o Transtorno da Ansiedade Generalizada
e as funções psíquicas, como o mesmo age e interfere na qualidade
de vida das pessoas visando aS obtenção de conhecimentos
específicos sobre o assunto em questão. Outras obras e artigos
são citados apenas quando relevantes ao tema em questão. Os
textos de referência foram analisados, comparados e avaliados na
íntegra, dentro do escopo do presente estudo. Portanto, o foco
da análise se detém nas relações intrafamiliares e interpessoais,
contextualizadas socioculturalmente.
DISCUSSÃO
Para que seja feito o diagnóstico da ansiedade generalizada é
preciso que outros transtornos de ansiedade como o pânico e a fobia
social tenham sido descartados. Faz-se necessário que a ansiedade
excessiva dure por mais de seis meses, porque o fator determinante
é o tempo de duração dos sintomas. Os fatores principais para
a distinção entre ansiedade normal e ansiedade generalizada são:
o nível de ansiedade e a justificativa para a mesma, sendo, pois,
anormal se ela levar a consequências negativas.
Pela multiplicidade dos sintomas é de extrema importância
que o médico não faça o diagnóstico do TAG precipitadamente,
mas um diagnóstico de exclusão, investigando se o quadro ansioso
não é fruto de outras doenças que desencadeiam as mesmas
sensações físicas e psíquicas do TAG. Para tanto, é necessário
exames clínicos, porém dando maior importância a anaminese do
paciente (DALGALARRONDO, 2008).
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As opções terapêuticas para o tratamento da ansiedade
é iniciado com utilização de benzodiazepínicos, principalmente
o alprazolam, para o tratamento farmacológico. Sua notável
segurança e eficácia estabelecida representam um avanço
importante nesta área particularmente difícil da terapêutica. A
buspirona, ansiolítico azaspirona, com demonstrada em vários
estudos. Seu diferencial está na ausência de dependência física,
adicção, síndrome de abstinência, abuso e interação com o
álcool. Nos betabloqueadores, o uso de propranol, um agente
betabloqueador periférico reduz os sintomas autônomos. Mesmo
diante de tudo isso, o tratamento farmacológico isolado através
dessas substâncias não é eficaz em todas as formas de ansiedade,
porque age apenas na supressão dos sintomas, não atuando sobre
a causa dos transtornos (DUGAS, 2004).
O leque de possibilidades medicamentosas juntamente
com o progresso ocorrido no campo da terapia psicológica de
apoio foi significativo para a redução desse transtorno, pois a
terapia cognitivo-comportamental (TCC) provou ser capaz de
mudar os esquemas de pensamento que aprisiona essas pessoas
aos seus próprios medos, além de alterar o seu comportamento
(atitudes) diante dos fatores de ansiedade que desencadeiam.
Para que essa terapia seja eficaz, será necessário estabelecer
o diagnóstico e as possibilidades terapêuticas apropriadas
(ANGELOTT, 2007).
É possível melhorar muito a qualidade de vida das pessoas,
pela sua satisfação após a conquista do bemestar. No entanto
é importante que o paciente priorize e procure uma terapia de
manutenção, porque essa prática é muito eficaz na prevenção de
recaídas. Algumas terapias alternativastambém são orientadas
para aliviar o sofrimento do paciente, entre essas se destacam
atividades físicas, técnicas de relaxamento, lazer, leitura e outras.
O enfrentamento das situações desagradáveis que provoca
ansiedade ajuda a conviver de forma natural com os eventos.
Dalgalarrondo, 2008 fala que os critérios de normalidade
e de doença em psicopatologia são diversificados, a orientação
filosófica ideológica, pragmática, aliadas aos critérios de
subjetividade, frequência e intensidade conduzem a orientação
para estabelecer o tratamento mais adequado para cada forma
específica de ansiedade e para cada paciente.
Segundo Silva 2011, o desconforto dos transtornos de
ansiedade são sentidos por todos os indivíduos em diferentes
graus. As mulheres são duas vezes mais acometidas pela ansiedade
generalizada do que os homens. A prevalência desse transtorno
na população é relativamente alta, Em geral a prevalência é de
aproximadamente 30% do sexo feminino comparado a 19% do
sexo masculino, são muitos os fatores que podem contribuir para
essas diferenças, como no período menstrual em que ocorrem
muitas mudanças hormonais, vários estudos demonstram uma
associação entre esse período com o aumento da vulnerabilidade
aos sintomas da ansiedade, em que as mulheres experimentam
uma piora desses sintomas, outro período de indefensibilidade é
o pós-parto e também o da menopausa, podendo desempenhar
papel importante na ocorrência deste transtorno. Outro fator são
as múltiplas tarefas realizadas pelas mulheres nas quais ela precisa
ser mãe, esposa, trabalhar fora e apesar das mudanças deste novo
século com todas suas conquistas ainda enfrentam exigências
maiores e salários menores. Com essas inúmeras pressões e
descriminações ocasionando assim maior probabilidade de
desenvolver quadro de ansiedade.
A tese de doutorado de Canguilhem publicada em 1943
sobre normal e patológico tinha como objetivo básico criticar as
influências do positivismo fundamentado por Comte através das
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idéias de Broussais, e entender como a medicina estabelece o
conceito do normal e patológico.
Na critica as ideias de Comte na qual ele não acreditava que
a relação entre o normal e o patológico se dava através de variações
quantitativas, que correspondia a ocorrências mais frequentes,
sendo assim o normal e patológico não passaria de uma variação
quantitativa, um fenômeno em que está presente, em excesso ou
em falta. Tudo isso é muito contraditório, pois nem tudo que está
presente em quantidade maior significa normal, um exemplo é que
quase todas as pessoas têm cárie dentaria nem por isso podemos
considerar normal ou mesmo características que são raras como
mutações não podem ser consideradas doentias.
Canguilhem considerou uma série de lacuna nesta proposta
de Comte, a falta de critérios para reconhecer a normalidade de
um fenômeno. Concordava com Leriche nas quais as variações
seriam de ordem qualitativa.
Deu início as suas análises nas duas frases de Leriche: “A saúde
e a vida no silêncio dos órgãos e a doença é aquilo que perturba
os homens no exercício normal de sua vida e em suas ocupações
e, sobretudo, aquilo que os faz sofrer.” O que canguilhem define
como normal é entendido como algo individual, subjetivo, se um
sujeito vive no seu meio e se relaciona com os outros vive sua rotina
diária e dentro de suas limitações consegue ser ativo e realiza suas
tarefas, mesmo que para umas determinadas tarefas seja fácil, para
outros mais difíceis, até mesmo a doença é considerada normal,
faz parte da natureza humana, desde que o ser humano busque
uma melhora e não se entregue as dificuldades, ou seja, lute, se
estabeleça, tenha vigor e flexibilidade.
Diante disso, o homem faz a sua dor e a sua doença,
julgando se estas deixaram de ser normais ou se voltaram a sê-lo.
Voltar a ser normal é retomar uma atividade interrompida, não ser
inválido para ela, CANGUILHEM (1943). Também buscou sempre
estabelecer uma distinção entre normalidade e saúde. Ele afirmou
que a normalidade enquanto norma de vida é uma categoria
mais ampla, que engloba a saúde e o patológico como distintas
subcategorias, numa visão de conjunto. Nesse sentido, tanto a
saúde quanto a doença são normais.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Todos nós desde o nascimento temos medos e ansiedades,
normal da natureza humana e necessária para sobrevivência da
espécie. Temos essas reações quando detectamos alguma situação
de perigo, o nosso organismo se prepara para luta ou fuga. Este
medo e ansiedade estão presentes em todas as nossas ações, nos
serve como proteção, sendo necessário e preciso.
Como vimos o transtorno de ansiedade generalizada é
caracterizada por estados permanentes de ansiedade e medo, sem
identificar do que está com medo, vive em continuo estado de
alerta e inquietude, é uma ansiedade crônica que leva a pessoa a se
preocupar com tudo ou qualquer coisa desnecessária, ou seja, uma
ansiedade ou medo excessivo.
Com relação ao que Canguilhem (1943) define a doença
como um estado normal do ser humano. Assim, uma pessoa com
transtorno de ansiedade generalizada que tivesse consciência do seu
transtorno e procurasse uma ajuda profissional, seria considerada
uma pessoa normal, se ocorresse o contrário, e não soubesse lidar
com o transtorno, se entregasse, sem procurar ajuda profissional,
seria um estado patológico.
Até a década de 80, havia a crença de que os medos e
preocupações durante as fases da vida eram transitórios e benignos.
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Reconhece-se hoje que podem constituir transtornos frequentes,
causando sofrimento e disfunção ao individuo. A identificação
precoce dos transtornos de ansiedade pode evitar repercussões
negativas na vida do individuo, tais como o absenteísmo e a
evasão escolar, no caso das crianças e adolescentes.
O medo normal e a apreensão ansiosa são respostas
emocionais do organismo diante do perigo. Portanto, ansiedade
é um alerta do sistema biológico ao preparar o corpo para reagir,
mental e fisicamente, às situações potencialmente ameaçadoras.
Os sinais corporais (tremores, boca seca, etc.) surgem provocados
pela percepção de objetos ou de sinais externos percebidos como
perigosos ou internos.
Podemos descrever a ansiedade produtiva (sadia) como
sendo um estado de alerta e prontidão para agir adequada e
produtivamente. Uma vez disparado o medo, o organismo, antes
calmo, transforma-se num organismo animado e/ou agitado.
O medo (ansiedade) leva o indivíduo a agir: atacar, fugir ou
ficar “fingindo de morto”. Estas ações buscam aliviar o estado
emocional desagradável provocado pelo medo. A resposta
automática do organismo ao medo diminui ou desaparece
quando a emoção termina: antes e depois de falar em público,
aproximar-se da primeira namorada, primeira transa, esperar
e/ou iniciar uma prova, concurso, disputa, etc. Geralmente,
terminada a ação, terminam os sinais e sintomas da ansiedade.
Portanto, pode-se concluir que a ansiedade patológica se
manifesta da mesma forma como a ansiedade normal, ou seja,
de múltiplas maneiras, tanto fisicamente como mentalmente.
Além de amplamente variáveis, os sintomas mudam ao longo do
tempo e oscilam permitindo que a pessoa se sinta completamente
bem em algumas ocasiões e pior noutras. Nos períodos que os
pacientes estão livres dos sintomas, o que pode durar de horas a
dias, os pacientes acreditam que ficaram recuperados.
REFERÊNCIAS
ANGELOTT, Gildo. Terapia Cognitivo-Comportamental. Editora e Gráfica LTDA. São Paulo,
2007. Pág. 53.
COELHO, Maria Thereza Ávila Dantas; FILHO, Naomar de Almeida. Normal – Patológico, Saúde
– Doença: Revisando Canguilhem. PHYSIS: Revista Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, 1999.
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2ª ed.
Porto Alegre. Artmed, 2008.
DUGAS, Machel. Transtorno da Ansiedade Generalizada. 2004. Disponível em:
JAMES William. The Principes of Pychology. London: Encyclopaedia Britannica, 1952.