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TÓPICOS DE PSICOLOGIA 
E EDUCAÇÃO
TÓPICOS DE PSICOLOGIA 
E EDUCAÇÃO
JOSÉ DEMONTIER GUEDES (ORG)
FRANCISCO ROBSON DE BRITO GONÇALVES (ORG)
EDITORA
Dedico este trabalho à minha família 
pelo incentivo e compreensão em todos os momentos 
em que precisei da colaboração deles 
para concluir essa obra literária.
Copyright © 2018 - Todos os direitos reservados 
Organizadores:
José Demontier Guedes
Francisco Robson de Brito 
Coordenação:
José Demontier Guedes 
Projeto Gráfico e Diagramação:
Alfredo Freire Temóteo
Revisão
Dalva Patrícia de Alencar
Nota do Editor - Em tempo: As irregulares variações de espaçamento e 
tipograficas presentes neste livro se devem a ausência total de hifens por 
opçao do autor.
Impresso nas Oficinas Gráficas da Editora Mentor
Rua José Carvalho, 150 - Centro - Crato/CE
Tel.: (88) 3523 3180 - 99958 6715 
editoramentor@sapo.pt
Quanto mais um indivíduo é compreendido e 
aceito, maior tendência tem para abandonar as falsas 
defesas que empregou para enfrentar a vida, e para 
progredir num caminho construtivo.
Carl Rogers
Sumário
Capítulo I
A Profissão Policial Militar e o Estresse ................. 17
Capítulo II
Transtorno da Ansiedade Generalizada ................. 41
Capítulo III
Contribuição do Psicodiagnóstico 
na Depressão Infantil ............................................ 57
Capítulo IV
Magicoterapia: 
O Uso de Mágicas Contextualizadas 
Como Instrumento para Auxiliar na Ludoterapia ........ 79
Capítulo V
A Gestão Democrática Participativa 
Através de Uma Leitura do Conto: 
O Menino Que Virou Lobisomem ....................... 97
A Psicologia tem grande influência no processo educacional 
entre os estudantes e professores, pois se insere significativamente 
na instituição escolar realizando acompanhamento e intervenções 
nas relações interpessoal e comportamental, principalmente na 
relação professor/aluno/coordenação. Desse modo, ressalta-se 
como suporte significativo para o desenvolvimento educacional.
Gatti (1997)¹ comenta que há evidências de que a 
Psicologia, desde seu surgimento, foi configurando-se como 
principal sustentáculo teórico para as práticas educativas. 
Diante do que relata o autor, justifica-se a necessidade do 
estudo da Psicologia Educacional como disciplina em curso de 
graduação, tendo como objetivo discutir o desenvolvimento 
educacional dos estudantes. Cunha (2000)² acrescenta que 
a Psicologia desperta a reflexão sobre práticas educativas, 
fornecendo recursos teóricos metodológicos para educação 
escolarizada. 
Sabendo da relação da Psicologia para a Educação 
escolar, ressalta-se a construção de subsídios teóricos e 
práticos na tarefa de ensinar e aprender, visando eficácia 
na prática educativa. Sendo a aprendizagem um processo 
Apresentação
Capítulo VI
Princípios E Métodos da Gestão Escolar .............. 115
Capítulo VII
Matemágica: 
O Segredo da Matemática na Sala de Aula ........... 129
Capítulo VIII
A Qualidade do Ensino Público no Brasil ............ 147
Capítulo IX
A Família na Escola: 
A Importância da Participação dos Pais na Escola ..... 159
Capítulo X
O Relacionamento Interpessoal 
em uma Instituição de Ensino .............................. 171
17
A função Policial Militar destaca-se por ser uma atividade que 
alia cobrança institucional, disciplina rígida e alto risco ocupacional. 
Diante disso, esses profissionais podem se deparar com situações que 
provoquem danos à própria vida e/ou de outras pessoas. Observa-
se que as ações cotidianas do trabalho policial exige controle das 
emoções e decisões rápidas em meio à obediência aos manuais de 
instrução e à legislação. Por isso, percebem-se, no exercício dessa 
profissão, situações de estresse ocupacional que podem desencadear 
consequências danosas à saúde física e mental do Policial Militar. 
Atualmente, o discurso sobre a profissão Policial Militar 
tem estimulado o debate em diversos segmentos da sociedade, 
sendo este o palco de uma diversidade de indagações, favoráveis 
e contrárias ao pleno exercício da profissão e a conduta deste 
profissional, tanto em objeto de serviço quanto na folga.
Estudos mostram que “a qualidade de vida destes profissionais 
é comprometida pela excessiva tensão emocional, ocasionada pelo 
possível estresse da profissão” (FLESCH, 2015; MINAYO, SOUZA, 
CONSTANTINO, 2007). Sendo assim, o suporte psicológico se faz 
cognitivo para refletir, adquirir, memorizar e utilizar 
conhecimentos, a Psicologia da Aprendizagem destaca-se 
como organizadora desse processo. 
 A presente obra discute sobre a relação entre Psicologia 
e Educação, através de artigos, escritos por vários autores, com 
temas de ambas as áreas de conhecimentos, divididos em 
capítulos. 
O trabalho teve influência de autores especializados 
nesse estudo, os quais afirmam a importância da interação entre 
as áreas. Mesmo com saberes independentes, há a necessidade 
de interagirem-se para favorecer a eficácia da prática pedagógica 
do educador e o aperfeiçoamento da aprendizagem significativa 
dos educandos, através da compreensão de funções cognitivas, 
fundamentais para o processo de ensinar e aprender.
Espera-se, portanto, que o estudo dessas competências 
desperte nos leitores a reflexão acerca dos temas em destaque 
e a possibilidade de melhorias no sistema de ensino e 
aprendizagem.
A Profissão Policial Militar 
e o Estresse
José Demontier Guedes
Capítulo I
José Demontier Guedes
Psicólogo, Mestre em Ciências da 
Educação; Organizador deste livro.
18 19
necessário para acolher os policiais militares e proporcionar a eles o 
controle emocional diante da tomada de decisão. 
A presente pesquisa parte da necessidade de conhecer a 
função exercida pela Polícia Militar na manutenção da segurança 
pública. Muitos são os questionamentos sobre o trabalho dessa 
instituição, porém poucos reconhecem o verdadeiro significado 
das ações dos policiais militares em meio a tanta violência. Nesse 
sentido, se a sociedade reconhecer o relevante trabalho que a Polícia 
Militar desenvolve através dos agentes de segurança, espera-se que 
possa compreender o quanto é difícil desempenhar essa função 
e, dessa forma perceber a necessidade de contribuir para o pleno 
exercício da cidadania mediante apoio a esses profissionais.
Diariamente, a mídia mostra o quanto o índice de violência 
tem aumentado nas comunidades. Diante disso, pela necessidade 
social da presença de policiais militares nas ruas para garantir a 
ordem pública, acredita-se que é indispensável à existência da 
corporação Polícia Militar, pois são inúmeros os benefícios que 
esta agrega à sociedade, dentre eles destacam-se o direito de ir e 
vir sem a perturbação de atos ilícitos, exercício da cidadania e a 
segurança individual e coletiva do cidadão. 
Valla (2015), mostrando a relevância científica da polícia a 
caracteriza como uma das funções da Administração Pública, que 
tem por habitat o seio do Direito Administrativo.
O autor acrescenta que “publicistas famosos, desde as primeiras 
tentativas de sistematização deste importante ramo do Direito, 
têm dedicado páginas e mais páginas à Polícia, pois é junto desses 
estudiosos que as instituições encarregadas de exercer a atividade 
policial encontram as linhas mestras de sua doutrina” (VALLA, 2015).
O argumento do autor reflete sobre o desenvolvimento de 
competências, habilidades e capacidades que lhes permitirão realizar-se 
como pessoa, como cidadão e como profissional responsável pela 
ordem pública. No entanto, para que essa realização aconteça, 
o indivíduo precisa estar consciente de suas funções como 
profissional e das condições de executá-las. É nessa perspectiva 
que se faz necessária uma abordagem preventiva quanto ao 
estresse ocupacional para que os policiais militares fortaleçam, 
cada vez mais, suas habilidades e expectativas de vida, visando o 
favorecimento de vínculos afetivos para minimizar os conflitos e 
desenvolver novos e bons relacionamentosOTTAVIANO, Vinícius Sampaio. O Transtorno da Ansiedade Generalizada. Transtornos 
Psíquicos. Psicologado artigos. 2012. Disponível em: 
SILVA, Ana Beatriz Barbosa. Mentes ansiosas: medo e ansiedade além dos limites. Rio de 
Janeiro. Objetiva, 2011.
SIEGEL, Daniel. A mente em descobrimento. Lisboa : Instituto Piaget, 1990. p. 398.
- Graduada em Matemática;
- Graduada em Psicologia;
- Pós-Graduada em Neuropsicodiagnóstico 
(Avaliação Psicológica)
- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar 
 e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
Lucilene Maria dos Santos
56 57
A depressão Infantil é um problema crescente na nossa 
população, sendo considerada uma patologia que pode trazer sérios 
prejuízos ao desenvolvimento da criança e interferir nos aspectos 
físico, afetivos, comportamentais, cognitivos e sociais (SCHWAN; 
RAMIRES, 2011). 
Os problemas de saúde mental perturbam o funcionamento 
adaptativo das crianças tanto quanto dos adultos, causando um 
impacto negativo sobre as relações familiares e sociais. A infância, 
período de inocência, despreocupação marcada pela alegria de 
viver, para muitas crianças é substituída pela aflição e desespero 
causando muito sofrimento (DUMAS, 2011). 
Os problemas psicológicos infantis não devem ser 
tratados como transitório ou sem gravidade, uma vez que pode 
interferir em todo o desenvolvimento da criança (CRUVINEL; 
BORUCHOVITCH, 2003). Nesse direcionamento, a intervenção 
necessária possibilita à criança uma vida saudável, minimizando 
os riscos ao seu desenvolvimento. O psicodiagnóstico é uma 
avaliação psicológica feita com propósitos clínicos, com finalidade 
Contribuição do Psicodiagnóstico 
na Depressão Infantil
Lucilene Maria dos Santos
Capítulo III
58 59
de produzir, orientar, monitorar e encaminhar ações e intervenções 
sobre a pessoa avaliada (CUNHA, 2000). 
Sendo assim, compreender o que é a depressão infantil, 
suas características e formas de manifestações, torna-se necessário 
para buscar intervenções precoces considerando que essa patologia 
pode afetar o desenvolvimento biopsicossocial da criança. 
A temática visa a contribuir com a psicologia por somar 
conhecimentos em relação a área, pois embora disponham na literatura 
vários estudos sobre a depressão infantil, o estudo amplia o psicodiagnóstico 
enquanto avaliação e intervenção como alternativa que pode contribuir 
para melhor qualidade de vida da criança com depressão. 
O estudo possibilita uma reflexão em relação a depressão 
infantil e intervenções psicodiagnósticas como alternativas para 
reduzir possíveis efeitos negativos no desenvolvimento da criança. 
Frente a estas informações, por meio de uma revisão de 
literatura, questiona-se: Quais as contribuições do psicodiagnóstico 
na depressão infantil? O objetivo deste estudo é compreender 
a importância do psicodiagnóstico na avaliação da depressão 
infantil e o impacto deste transtorno sobre o desenvolvimento da 
criança, através de uma revisão de literatura. Esta pesquisa torna-
se relevante, pois possibilita maior esclarecimento e reúne dados 
importantes referentes a esta patologia. 
Destacamos como objetivos compreender o conceito de 
depressão infantil; refletir possibilidades de intervenção através do 
psicodiagnóstico; e conhecer alguns instrumentos disponíveis e 
eficazes para a realização da avaliação psicológica em crianças.
O estudo se encontra organizado da seguinte forma: 
Inicialmente aborda a evolução da psicopatologia e depressão 
infantil. Em seguida traz conceito de depressão e sua forma de 
evolução na criança. No terceiro tópico, traz a contribuição do 
psicodiagnóstico e instrumentos utilizados na avaliação da depressão 
infantil. Ao final são apresentadas as discussões, considerando o 
psicodiagnóstico e sua contribuição para a depressão infantil.
ASPECTOS METODOLÓGICOS
O presente trabalho é de natureza exploratória descritiva 
onde foi utilizada a pesquisa de cunho bibliográfico, por melhor 
atender o andamento dos objetivos propostos para o estudo. 
Para Marconi e Lakatos (2010), a pesquisa bibliográfica é o 
levantamento de toda a bibliografia já publicada em livros, revistas, 
artigos, que tem a finalidade de fazer com que o pesquisador entre 
em contato direto com todo o material escrito sobre o assunto e 
envolve muitos procedimentos como localizar e obter documentos 
pertinentes ao tema, sempre atento ao objeto de estudo. Tendo 
por base suas próprias palavras a pesquisa bibliográfica pode ser 
definida como:
Um apanhado geral sobre os principais trabalhos já realizados, 
revestidos de importância por serem capazes de fornecer dados 
atuais e relevantes relacionados com o tema. O estudo da 
literatura pertinente pode ajudar a planificação do trabalho, evitar 
duplicações e certos erros, e representa uma fonte indispensável 
de informações podendo até orientar as indagações (LAKATOS; 
MARCONI 2003, p. 158).
A pesquisa foi realizada no período de março do decorrente 
ano, onde foi utilizado o banco de dados de Coordenação de 
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES), selecionando 
de forma criteriosa o material mais relevante e pertinente ao tema. 
O aprimoramento da pesquisa constituiu-se pela busca de descritores 
chaves, incluindo os termos: depressão infantil associado à infância; 
depressão infantil associado à avaliação psicológica; e psicodiagnóstico 
60 61
e depressão infantil. Como critérios de inserção foram considerados 
textos no formato artigo, idioma português, no período dos últimos 
dez anos. Foram selecionados artigos por estarem mais diretamente 
relacionados ao tema. A partir dos artigos foram percebidas três 
categorias: Sinais e sintomas, relações familiares e depressão e 
Instrumentos utilizados na avaliação da depressão infantil. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO 
Infância
De acordo com Pacheco (2001) a partir da segunda metade 
do século XIX surgiu à primeira ideia de uma psicologia científica 
do desenvolvimento infantil e iniciaram relevantes pesquisas 
direcionadas a explicar o desenvolvimento físico e mental na 
infância. Surgiu também a construção e aplicação dos primeiros 
testes mentais com a motivação de separar na escola, crianças de 
acordo com a capacidade intelectual. 
Contudo, embora esses desenvolvimentos representassem 
progressos importantes eles têm pouco impacto na psicopatologia. 
Até início do século XX, as obras que tratam das diversas patologias 
deram mais ênfase aos adultos que as crianças. Dessa forma o estudo 
de fenômenos depressivos e transtornos de humor em crianças e 
adolescente só começaram a serem estudados ao longo dos anos 
70, pois achavam que esses transtornos eram raros antes da idade 
adulta. O autor relata que se o estudo da psicopatologia avançou 
lentamente em relação às crianças, isso ocorreu por diversas razões 
políticas, sociais e filosóficas. 
Assim acredita que pesquisas poderão contribuir para 
compreensão das dificuldades e intervenções necessárias, visando 
o desenvolvimento da criança (DUMAS, 2011). Estudos apontam 
que a maior parte dos transtornos que se iniciam durante infância 
tem repercussões prolongadas sobre o comportamento da criança 
e sobre o funcionamento afetivo, cognitivo e social e podem se 
estender até a idade adulta. 
No século XXI a ampliação da psicologia do desenvolvimento 
torna a produção nessa área muito importante para elaboração de 
programas e intervenção na prevenção e promoção da saúde. Há 
uma busca de subsídios teóricos e metodológicos por profissionais 
de diversas áreas em relação ao desenvolvimento harmônico do 
indivíduo e um dos desafios é encontrar uma linguagem que 
facilite a comunicação entre profissionais de diferentes áreas de 
atuação (MOTA, 2005). 
Para Levin (2007, p 11), o mundo da criança mudou como 
também as expectativas e as exigências sobreela. “As crianças da 
atualidade tem outro jeito de brincar, imaginar, sofrer, pensar e 
construir sua realidade infantil”. Para Dumas (2011), a infância 
período de inocência, despreocupação marcada pela alegria de 
viver é apenas um mito, pois para muitas crianças a aflição e 
o desespero substituem a alegria causando muito sofrimento. 
Durante muito tempo crianças com depressão infantil não 
dispuseram de cuidados profissionais adequados, pois seus 
sintomas eram considerados como manifestação de uma fase 
normal do desenvolvimento e não como sinais de transtornos 
graves (DUMAS, 2011).
Calderaro e Carvalho (2005) relatam que é possível observar 
logo nos primeiros meses de vida manifestações relacionada 
a transtornos mentais e de conduta. É necessário levar em 
consideração a vulnerabilidade genética na etiologia da depressão. 
É de fundamental importância à avaliação precoce da criança com 
depressão para definição do tratamento mais adequado. Cunha 
(2000) ressalta a importância da atenção dedicada à criança nos 
primeiros anos, que são formadores da personalidade, pois, são 
62 63
mais vulneráveis a alterações e quanto mais cedo à intervenção, 
maior a probabilidade de desenvolver-se de modo equilibrado. Os 
cuidados dedicados à criança faz com que ela se desenvolva de 
forma saudável. 
Segundo Schneider e Ramires (2007, p.43):
A qualidade dos cuidados recebidos na primeira infância 
é decisiva para o desenvolvimento saudável da criança. A 
capacidade de percepção, a memoria, o desenvolvimento 
da linguagem, da atividade simbólica e das estruturas 
de pensamento, todas essas são dimensões sensíveis á 
qualidade desses cuidados. 
De acordo com Cruvinel; Boruchovitch (2003), a depressão 
infantil já dispõe de tratamentos eficazes, e que a indicação ao uso 
de medicação é somente em casos severos, pois a psicoterapia tem se 
mostrado eficiente com trabalhos que envolvem a família e a escola. 
Para que o tratamento seja adequado é importante uma avaliação 
criteriosa dos sintomas apresentados levando em consideração todo 
o contexto familiar e social e se há ocorrência de comorbidades com 
algum outro transtorno psiquiátrico (LIMA, 2004).
Depressão Infantil 
 A depressão infantil é uma patologia que pode trazer sérios 
prejuízos ao desenvolvimento da criança e interferir nos aspectos 
físicos, afetivos, comportamentais, cognitivos e sociais (SCHUWAN; 
RAMIRES, 2011). Durante algum tempo a depressão era característica 
apenas do adulto, no campo da psiquiatria despertou interesse 
somente a partir da década de 1960 quando surgiram relatos de 
manifestações precoce dos quadros depressivos. No final dos anos 
70 houve grande destaque, estudiosos e pesquisadores começaram a 
pensar e a investigar a sintomatologia da depressão infantil.
A depressão na infância afeta múltiplas funções e causa 
significativos danos psicossociais. Caracteriza-se pela ligação 
de inúmeros sinais e sintomas, dentre eles os mais relevantes são 
a tristeza e a irritabilidade, podendo variar de acordo com a 
intensidade, podendo surgir ainda queixas somáticas, preocupações 
anormais da infância, medo de separação e da morte, além de 
acentuada ansiedade (BALHS, 2002). O aparecimento de sintomas 
depressivos na criança tem sido associado a comprometimentos no 
funcionamento cognitivo e emocional considerado uma condição 
pouco favorecedora para o seu desenvolvimento (CRUVINEL; 
BORUCHOVITCH, 2004). 
O Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos 
Mentais-DSM V (2015) define depressão como um transtorno de 
humor ou afeto, caracterizado pelo humor triste e perda de interesse 
em quase todas as atividades do dia a dia. Pode ser classificado em 
leve, moderado e grave de acordo com a intensidade dos sintomas. 
Neste manual a depressão infantil se assemelha à depressão no adulto, 
dessa forma, os mesmos critérios para o diagnóstico de depressão no 
adulto podem ser utilizados para avaliar a depressão na criança. 
O DSM V (2015) cita os sintomas de depressão como: humor 
deprimido na maior parte do dia falta de interesse nas atividades diárias, 
alteração de sono e apetite, falta de energia, alteração na atividade 
motora, sentimento de inutilidade ou culpa excessiva ou inadequada, 
dificuldade para se concentrar, pensamentos ou tentativas de suicídio. 
De acordo com a Classificação de Transtornos Mentais e de 
Comportamento da CID 10 (1993) a depressão pode variar entre leve, 
moderado e grave e o indivíduo sofrerá de humor deprimido, perda 
de interesse e prazer, energia e atividades diminuídas, cansaço e fadiga, 
concentração e atenção reduzidas, visões desoladas e pessimistas do 
futuro, ideias suicidas, sono perturbado, apetite diminuído. Para 
episódios depressivos de todos os três graus de gravidade, uma 
duração de duas semanas é requerida para o diagnóstico. 
64 65
A diferenciação entre os episódios depressivos, leves, 
moderados e graves baseiam em julgamento clínico que envolve 
o número, tipo e gravidade dos sintomas presentes. Os sintomas 
causam prejuízos significativos na área social, ocupacional e em outras 
áreas importantes da vida do indivíduo. Especificamente, uma criança 
deprimida pode apresentar humor irritável ao invés de tristeza; ou 
ainda revelar uma diminuição do rendimento escolar em função do 
prejuízo na capacidade para pensar e concentrar (DSM V, 2015). 
As síndromes depressivas têm como elementos mais 
relevantes o humor triste e o desânimo, e apresentam-se em 
agrupamentos de sinais e sintomas, tendo como principais elementos 
os sintomas afetivos, instintivos e neurovegetativos, ideativos e 
cognitivos, relativos a autovaloração, a vontade e á psicomotricidade. 
O indivíduo poderá apresentar tristeza, sentimento de melancolia, 
choro fácil, desânimo, pessimismo em relação a tudo, sentimento de 
incapacidade e autodepreciação, lentificação psicomotora, mutismo, 
recusa a alimentação e interação pessoal (DALGALARRONDO, 2008). 
De acordo com Miller (2003) as crianças com depressão 
podem sofrer de dificuldades relacionadas ao pensamento, às 
emoções, ao comportamento e aos processos psicológicos. Assim 
poderão surgir dificuldades como falta de concentração, indecisão, 
pensamentos mórbidos, sentimento de culpa excessiva, variação 
emocional, irritabilidade, interesse reduzido nas atividades, 
agitação ou letargia, fadiga, falta ou excesso de energia, muito ou 
pouco sono, falta ou excesso de apetite. A criança geralmente se 
isola e evita o contato, havendo perda de interesse por atividades de 
rotina como brincar, estudar e como consequência o rendimento 
escolar também diminui, evidenciando desinteresse, falta de 
concentração e dificuldades de raciocínio. 
Para Fichtner (1997) a depressão infantil causa prejuízo ao 
desenvolvimento infantil que pode ser no nível físico, cognitivo, 
psicomotor e psicossocial. Andriola e Cavalcante (1999) corroboram 
de pensamento quando afirma que a depressão infantil é uma 
perturbação orgânica que engloba variáveis biopsicossociais. Bahls 
(2002) relata que existência de história familiar, como a depressão 
em um dos pais é considerado o principal fator de risco, seguidos 
por estressores ambientais, abuso físico e sexual, perda de pais ou 
amigos íntimos. Estudos apontam que crianças com transtorno 
depressivo apresentam uma condição clínica grave, crônica e 
recorrente acompanhada por outros transtornos associados. 
Calderaro e Carvalho (2005) relatam os problemas para diagnosticar 
esta patologia, pois os sintomas se manifestam de forma diversa, 
associados às comorbidades dificultando o reconhecimento. 
De acordo com Fichtner (1997) as manifestações da depressão 
infantil podem revelar-se através de sintomas psicofisiológicos, como 
encoprese, dor de cabeça, alergias entre outros. Para Dumas (2011), 
esse transtorno costuma estar associado a diversas patologias e seus 
sintomas são semelhantes ao longo do desenvolvimento humano, 
mas, não são idênticos em todas as idades e nem se apresentam 
todos ao mesmo tempo e com a mesmaintensidade, manifestam-se 
em um contexto desenvolvimental que não pode ser ignorado e os 
distingue dos fenômenos depressivos da idade adulta. 
Segundo Balhs (2000) os transtornos comórbidos mais 
comuns em crianças são os transtornos de ansiedade, transtornos 
de conduta, transtorno desafiador opositor e o transtorno de 
déficit de atenção. De acordo com Dumas (2011) os sintomas da 
depressão infantil afetam o funcionamento da criança e perturbam 
sua relação com o meio. Os sintomas como irritabilidade, 
culpabilidade, agitação ou desaceleração psicomotora, falta 
de energia e de interesse nas atividades das quais as crianças 
participavam habitualmente, estão entre os mais frequentes. 
Ressalta ainda que se manifestam em episódios recorrentes 
que podem alterar vários períodos do desenvolvimento e nos casos 
mais graves, prosseguir na idade adulta. Na criança os sintomas 
66 67
depressivos modificam de acordo com a faixa etária, e como ela 
apresenta dificuldade em verbalizar seus sentimentos é necessário 
observar as formas de comunicação pré-verbal como mudanças 
ríspidas de comportamento, expressão facial, postura entre outros 
(BAPTISTA; GOLFETO, 2000). 
Sendo assim, a probabilidade de um desenvolvimento atípico 
será proporcional ao número de problemas comportamentais. A 
presença da sintomatologia na criança pode interferir negativamente 
nas atividades associadas à cognição e a emoção, podendo 
desenvolver padrões de comportamentos que se tornarão resistentes 
a mudanças caso a criança não seja tratada a tempo. Por isso, o 
diagnóstico precoce é imprescindível para o tratamento e mudança 
de comportamento mais rápida (ANDRIOLA; CAVALCANTE, 1999). 
Segundo Calderaro e Carvalho (2005), as crianças 
depressivas apresentam dificuldade em entender explicações e 
concentrar-se, pois o comprometimento emocional interfere nas 
questões cognitivas, envolvem-se normalmente em situações de 
perigo como forma de chamar atenção das pessoas para que percebam 
seu sofrimento. Ressaltam que os sinais da depressão infantil são 
variados, as manifestações da doença podem estar também na criança 
agressiva e hiperativa, que pais devem ficar atentos às mudanças de 
comportamento dos filhos, pois, é importante a detecção precoce 
dos sintomas para evitar desenvolver quadros graves. 
A depressão infantil está aumentando, e embora seja 
reconhecida como uma patologia considera-se que ela tem sido pouco 
diagnosticada e em consequência disso, poucos pacientes recebem o 
tratamento. Por constituir uma doença grave e que possui recorrência 
na idade adulta, uma avaliação adequada pode conduzir a intervenção 
necessária. Para Cunha (2000) o processo de intervenção tem como 
finalidade proporcionar a criança condições apropriadas para o 
desenvolvimento, transformando também o ambiente. É importante 
ao se estabelecer uma investigação clínica, considerar várias fontes de 
informações (pais, professores, amigos), (BAHLS, 2002).
Psicodiagnóstico e Depressão Infantil 
O psicodiagnóstico nasceu da psicologia clínica, 
influenciado pelo modelo médico. Era realizado por meio de 
avaliações psicométricas, onde eram valorizados os aspectos 
técnicos desconsiderando características importantes relacionadas 
ao contexto total (CUNHA, 2000). 
Nas ultimas décadas houve uma evolução do processo 
psicodiagnóstico que inicialmente referia-se apenas a avaliação 
e investigação psicológica, com finalidade de encaminhamento. 
A evolução dessa prática clínica levou a uma nova concepção de 
psicodiagnóstico que inclui a intervenção terapêutica além da 
vertente diagnóstica, buscando integrar avaliação e intervenção 
(BARBIERI, 2002). 
Nesse sentido, a avaliação psicológica passou a ser bem 
mais abrangente, considerando diversos fatores em seu processo 
de estudo e análise dos sujeitos. A avaliação psicológica é de 
uso exclusivo do psicólogo, regulamentada pelo código de ética 
profissional e realizada através de instrumentos de coletas de dados, 
tais como testes ou técnicas que são importantes ferramentas que 
podem contribuir com o plano de trabalho do profissional e 
legitima a atuação do psicólogo (CUNHA, 2000). 
De acordo com Cunha (2000) o Psicodiagnóstico surgiu 
como consequência do advento da psicanálise que ofereceu novo 
enfoque para o entendimento e a classificação dos transtornos 
mentais. Sendo assim, inaugurou uma nova visão da avaliação 
psicológica, realizado sempre com o objetivo de obter uma 
compreensão profunda e completa da personalidade do paciente. 
Trinca (1983) ressalta que o psicodiagnóstico do tipo compreensivo, 
objetiva uma análise psicológica globalizada do paciente por ser uma 
68 69
abordagem dinâmica elaborada em função de fatores emergentes e 
relevantes da situação sendo único a cada caso clínico. 
O psicodiagnóstico é uma avaliação psicológica feita 
com propósitos clínicos, com a finalidade de produzir, orientar e 
encaminhar ações e intervenções sobre a pessoa avaliada. É qualificado 
como um processo científico que utiliza testes psicológicos aplicados 
com finalidades específicos para testar hipóteses iniciais com foco 
na existência ou não de psicopatologia. No plano de avaliação 
é selecionada e administrada uma bateria de testes, e dados são 
colhidos e inter-relacionados com a história de vida clínica e pessoal 
do sujeito. Os passos do processo psicodiagnóstico consistem em 
determinar motivos do encaminhamento, definir hipóteses iniciais e 
objetivos de exames, estabelecer um plano de avaliação e um contrato 
de trabalho com o sujeito, administrar testes e outros instrumentos 
psicológicos, levantar dados quantitativos e qualitativos, integrar 
todos os dados significativos para o objetivo do exame, comunicar 
resultados, propor soluções e encerrar o processo (CUNHA, 2000). 
O psicodiagnóstico designa uma série de situações que inclui 
entre outros aspectos o de encontrar um sentido para o conjunto das 
informações disponíveis destacando o mais relevante e significativo da 
personalidade e refere-se a um momento da vida do sujeito, constitui 
hipótese diagnóstica (TRINCA, 1984). O psicodiagnóstico não implica 
apenas a aplicação e uso de provas e testes, mas a investigação de 
aspectos biológicos, ambientais e sócioculturais importantes para 
aquisição de informações fundamentais no processo terapêutico e 
relevantes a atuação profissional (ANDRADE, 1998). 
O estudo e o diagnóstico da depressão em criança não são 
simples, por razões conceituais, metodológicas e desenvolvimentais 
(DUMAS, 2011). Contudo o diagnóstico eficaz considera as 
dificuldades, capacidades e aptidões do paciente, além de auxiliá-
lo na busca de recursos para compreensão do problema, visando à 
resolução de seus conflitos e dificuldades (ANDRADE, 1998). 
De acordo com Cruvinel (2008), a diversidade nas 
manifestações da forma de depressão e sua associação com outras 
patologias dificultam a elaboração de critérios diagnósticos e esta 
dificuldade existe também em relação ao desenvolvimento de 
instrumentos utilizados nesse processo. Cunha (2000) considera que 
nenhum teste isolado pode proporcionar uma avaliação compreensiva 
de uma pessoa como um todo. Para tanto são utilizadas baterias de 
testes ou conjunto de instrumentos que podem ser incluídos no 
processo psicodiagnóstico e que são organizadas a partir de um plano de 
avaliação de acordo com a especificidade do caso individual. Escolher 
o instrumento mais adequado ao público avaliado, ao contexto e aos 
objetivos amplos da avaliação é de fundamental importância. 
Um plano de avaliação envolve a organização de uma bateria 
de testes que deve permitir obter respostas confiáveis para as questões 
colocadas e atender objetivos propostos. A bateria de testes pode 
incluir testes psicométricos e técnicas projetivas. As técnicas projetivas 
são instrumentos complementares de avaliação de personalidade e não 
exclusivos para análise de características depressivas. Entre as possíveis 
estratégias existem vários instrumentos que podemser utilizados no 
psicodiagnóstico da depressão infantil, alguns serão descritos a seguir.
No psicodiagnóstico infantil a entrevista lúdica é uma técnica 
de avaliação clínica que fornece informações significativas e permite 
compreender o pensamento infantil. Consiste em oferecer à criança 
a oportunidade de brincar como deseje com todo material lúdico da 
sala. Através do brincar elas exprimem suas fantasias descobrindo-
se e revelando-se, exercitando sua capacidade simbólica. Após 
entrevista com os pais, mantem-se o primeiro contato com a criança 
que pode ser por meio da entrevista lúdica (CUNHA, 2000). 
O teste H-T-P permite a visão subjetiva que o indivíduo 
possui sobre si mesmo e sobre o ambiente no qual está inserido. 
Possibilita a investigação de diferentes aspectos significativos da 
personalidade, por meio da definição e caracterização da produção 
70 71
gráfica dos três desenhos: casa, árvore e pessoa. Esta técnica observa, 
por meio dos desenhos e do inquérito, como o sujeito percebe 
o seu meio e como reage diante dele, pois durante a aplicação é 
considerado o conjunto de dados coletados: conteúdos verbais e 
gestuais. Destina-se a crianças a partir dos 8 anos, adolescentes e 
adultos. A aplicação varia em geral de 30 a 90 minutos, pode ser 
aplicado individual ou coletivamente, porém a coleta individual é 
mais recomendada (HAMMER, 1991). 
Desenhos de Família com Estórias (D-F-E): Tem como 
finalidade identificar processos psíquicos conscientes e inconscientes 
informando sobre a psicodinâmica familiar. É um procedimento 
que associa a produção gráfica (desenho) com a apercepção 
temática (relato da história). É solicitada a elaboração de quatro 
produções gráficas, sendo a primeira o desenho de uma família 
qualquer, a segunda uma família que gostaria de ter, a terceira, 
uma família em que alguém não está bem; e a quarta a própria 
família. Ao final de cada uma dessas produções, são solicitadas à 
criança que conte uma história sobre seu desenho. É possível ao 
aplicador elaborar algumas perguntas, como um inquérito diante 
de aspectos que necessitem de mais algum esclarecimento diante 
da história contada (TARDIVO; TRINCA, 2000). 
O Teste das Pirâmides Coloridas de Pfister é um 
instrumento destinado à avaliação da personalidade. O público-
alvo abrange desde crianças de sete anos até idosos. No entanto, 
não é indicado para pessoas com dificuldades para distinguir cores. 
De acordo com as instruções do teste, por meio de quadrículos 
coloridos em 10 cores subdivididas em 24 tonalidades, o avaliando 
deve formar três pirâmides que lhe pareçam bonitas de acordo com 
sua vontade, o que é seguido por um inquérito. A aplicação é rápida 
cerca de 15 minutos, e a iluminação do ambiente de testagem deve 
ter luz natural. Os estudos de validade apontaram que o Pfister é 
utilizado para o diagnóstico de alcoolistas, esquizofrênicos, pessoas 
com síndrome do pânico, pessoas com transtorno obsessivo 
compulsivo e com depressão (VILLEMOR, 2005). 
O teste Rorschach trata-se de uma técnica clínica, no campo 
da percepção e projeção. O objetivo é informar sobre a estrutura 
da personalidade do avaliado. O público alvo abrange crianças a 
partir de cinco anos de idade, como em adultos, com tempo de 
aplicação entre 40 e 60 minutos em adultos, e 30 e 45 minutos em 
crianças. É composto de dez pranchas com borrões de tinta. Cinco 
pranchas possuem manchas em preto e branco, duas apresentam 
também a cor vermelha e as três outras são policromadas. O 
avaliado é instruído a dizer, para cada prancha, o que a mancha 
lhe parece, sugere ou o faz lembrar. O resultado indica focos de 
possíveis conflitos (TORRES, 2010). Observa-se que o número de 
instrumentos disponíveis para avaliação da depressão Infantil é 
pequeno e não são exclusivos para a avaliação da depressão. Daí a 
importância do uso conjunto de diversas estratégias de avaliação. 
Foram localizados trinta e nove artigos e selecionados 
apenas sete, dentre os quais alguns serviram para conteúdo. A 
partir dos artigos e utilizando dos descritores, transformou-os em 
categorias para serem analisados. Os resultados e discussões são 
apresentados de acordo com as categorias a seguir.
Sinais e Sintomas
Sobre a categoria sinais e sintomas da depressão foram 
selecionados três artigos: Cruvinel e Boruchovitch (2011) trazem 
em seus estudos pesquisas sobre a regulação emocional de crianças 
com e sem sintomas depressivos através do Inventário de Depressão 
Infantil CDI. Verificaram como as crianças com depressão infantil 
lidam com suas emoções e quais estratégias utilizadas para regulação 
ou enfrentamentos, especialmente com as emoções de tristeza, raiva, 
medo e alegria. Observaram que crianças com sintomas depressivos 
sentem mais tristeza e raiva e apresentam menor percepção da 
72 73
tristeza, medo e alegria. Em relação à raiva, usam mais estratégias 
de controle de comportamento. Tendem a relatar menor uso de 
estratégias para melhorar a tristeza. Nos seus estudos concluíram 
que crianças com sintomas depressivos apresentam dificuldade na 
percepção e monitoramento desses sintomas. Acrescentam ainda 
que a forma como a criança administra suas emoções pode aumentar 
ou diminuir o risco para depressão. Quanto ao uso do instrumento 
CDI, tem sido um inventário muito utilizado em investigações da 
depressão com crianças brasileiras. 
Calderaro e Carvalho (2005) apresentaram estudos sobre 
manifestações depressivas em crianças. Os sintomas que mais apareceram 
foram: comportamento ambivalente, agressividade, indisciplina, 
problemas recorrentes de saúde, dificuldade na aprendizagem, 
distúrbio do sono, exposição a fatores de risco, comportamento 
retraído, enurese, mudança súbita no comportamento, atraso na 
linguagem, autoagressividade, autoestima rebaixada, hiperatividade, 
ansiedade, distúrbios alimentares, irritabilidade, presença constante 
de escoriações pelo corpo, cefaleia e comportamento bizarro. A 
hereditariedade pode ser fator importante, mas não determinante 
único no aparecimento da patologia. A depressão pode interferir 
em atividades fundamentais da vida e nas fases de desenvolvimento 
da criança. Autores alertam para as manifestações da depressão em 
crianças e ressaltam a importância do psicodiagnóstico, enquanto 
intervenção precoce que pode amenizar sintomas e sofrimentos. 
Serrão, Klein e Gonçalves (2007) investigaram a prevalência 
do sono e da depressão em crianças em idade escolar. Ressaltam que 
a depressão ocorre sob a forma de inúmeros sintomas e é vista como 
resultado da interação de uma série de condições ambientais. Alguns 
estudos relacionam problemas de insônia a várias desordens psíquicas 
na criança, além de considerarem fator de risco para o desenvolvimento 
da depressão. Os resultados mostram uma associação positiva e 
significativa entre a perturbação do sono e índice de depressão.
De acordo com os autores acima citados são vários os fatores 
que podem causar a depressão tendo, portanto característica 
multifatorial. Faz-se necessário um olhar vigilante em relação aos 
comportamentos instáveis apresentados pela criança em vários 
ambientes, pois estes problemas de comportamentos podem 
indicar algum desenvolvimento atípico. 
Relações Familiares e Depressão
Nesta categoria de relações familiares e depressão foi selecionado 
apenas um artigo. Teodoro, Cardoso e Freitas (2010) abordam em 
seus estudos a afetividade e conflito familiar e sua relação com a 
depressão em crianças e adolescentes. Destacam a importância que 
as relações familiares para o desenvolvimento cognitivo e emocional 
dos membros. Assim como a relação saudável da criança com seus 
pais como fator importante na prevenção dessa patologia. Este 
ambiente é reconhecido como de fundamental importância para a 
socialização primária e formação da identidade da criança. 
De acordo com Teodoro, Cardoso e Freitas (2010) a família 
com relacionamento adequado como sendo fator de proteção para 
o aparecimento de algumas patologias.As interações familiares 
conflituosas são tidas como fator de risco para o aparecimento 
da depressão. Concluíram que as famílias com nível mais elevado 
de conflito se encontram entre aquelas mais vulneráveis. Um 
contexto familiar adequado tem sido considerado importante 
fator de proteção para as crianças.
Instrumentos Utilizados na Avaliação da Depressão Infantil
Em relação à categoria instrumentos utilizados na verificação 
da depressão infantil foram selecionados três artigos. 
Carvalho e Ramires (2013) desenvolveram um estudo sobre 
o processo do brincar em crianças com indicadores de depressão ou 
74 75
cujas mães apresentavam depressão. Verificaram que há diferenças 
entre o brincar de crianças deprimidas e não deprimidas, onde são 
observados sintomas comportamentais como agitação ou retardo 
psicomotor, menor competência social, brincadeiras solitárias 
e interações negativas com seus pares e perda de concentração. 
Em relação a jogos simbólicos, estas crianças não conseguem se 
envolver com os jogos revelando baixo nível de fantasia. 
Verificou-se que filhos de mães depressivas jogaram com 
menos frequência, de forma mais inibida e ansiosa e mais agressiva 
com seus pares. Foi observada redução no nível de jogo simbólico 
dessas crianças, dificuldade de explorar novos cenários e interagir. Essas 
crianças internalizam de modo diferente visões de si mesma e dos outros 
quando as mães não se envolvem no jogo simbólico. Há indicações 
de que o tratamento lúdico para crianças possibilita um ambiente 
seguro sendo um fator determinante para que as crianças consigam 
ressignificar seus conflitos e traumas (CARVALHO E RAMIRES , 2013).
Coutinho, Carolino e Medeiros (2008) Em seus estudos 
tiveram como objetivo adaptar e verificar evidencia de validade 
de construto e consistência Interna do Inventário de Depressão 
Infantil (CDI) para cidade de São Luiz do Maranhão. Este 
instrumento foi elaborado por Kovaks em 1983 e propõe mensurar 
sintomas depressivos em crianças de 7 a 17 anos, por meio de 
autoaplicação. A pesquisa mostrou que o CDI é adequado para 
identificar sintomas gerais da depressão.
Coutinho, et.al (2014) Verificaram aspectos de validade, 
fidedignidade e normatização do Inventário de Depressão Infantil 
(CDI) em uma população de crianças e adolescentes de Teresina- 
PI. Este instrumento vem sendo descrito como mais utilizado 
para avaliar sintomas depressivos em crianças e adolescentes no 
contexto clínico e de pesquisa. Este é uma adaptação do Inventário 
de Depressão de Beck. Autores concluíram que o instrumento 
possui parâmetro psicométricos aceitáveis e reforçam sua validade 
e utilidade na identificação de sintomas depressivos.
Observa-se que são vários os instrumentos e técnicas que 
podem ser utilizadas no processo terapêutico. No atendimento 
á criança o lúdico precisa se fazer presente constituindo-se como 
importante no fornecimento de informações e bem estar da criança.
Winnicott (1985, p. 163) atribui uma série de eventos 
psicológicos ao brincar. A brincadeira segundo este autor “fornece 
uma organização para a iniciação de relações emocionais e assim 
propicia o desenvolvimento de contatos sociais.” A criança 
experimenta emoções podendo organizá-las. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS 
A partir do estudo realizado foi possível perceber o impacto 
negativo da depressão infantil sobre as várias áreas do desenvolvimento, 
alterando o comportamento e causando vários prejuízos a criança. No 
entanto sabe-se pela literatura atual que se estas crianças forem avaliadas 
adequadamente e submetidas a intervenções, sofrimentos poderão 
ser amenizados. Reconhecer os sinais e sintomas dessa patologia é 
fundamental para que a criança receba a atenção adequada, o que 
possibilitará o encaminhamento precoce, minimizando o sofrimento 
e prevenindo contra o agravamento do quadro. 
O psicodiagnóstico pode se configurar como um importante 
instrumento avaliativo e interventivo ajudando nesse processo. O 
estudo pode contribuir para melhor compreensão da sintomatologia 
dessa patologia, colaborando para prática preventiva através das 
informações sobre os fatores psicossociais envolvidos. Espera-se 
que as informações e reflexões produzidas nesse estudo possibilite 
o despertar de novos interesses pela temática. 
76 77
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- Graduada em Matemática;
- Graduada em Psicologia;
- Pós-Graduada em Neuropsicodiagnóstico 
(Avaliação Psicológica)
Lucilene Maria dos Santos
78 79
O discurso sobre o processo terapêutico tem estimulado 
o debate entre os profissionais de psicologia, especialmente no 
atendimento clínico, palco de uma diversidade de indivíduos, os 
quais procuram respostas para seus conflitos, sejam eles internos 
ou externos, e, diante disso, passam a receber atenção mediante o 
processo de escuta objetivando a valorização da vida. 
Nesse contexto, desenvolver a autonomia dos sujeitos a 
fim de levar a reflexão mediante determinados comportamentos 
e demandas trazidas por eles, passa a ser o foco principal da 
psicoterapia para estabelecer uma relação confiável, facilitar o 
vínculo e favorecer o processo de terapêutico. 
A interação entre paciente e terapeuta é citada por Souza (2012) 
como um momento confortável e sem constrangimentos, possibilitando 
uma relação de confiança. De acordo com o autor, este é um processo 
de acolhimento e reflexão, influenciando diretamente no sucesso do 
tratamento, que dependerá do manejo do terapeuta, para criar uma 
Magicoterapia: 
O Uso De Mágicas Contextualizadas 
Como Instrumento 
Para Auxiliar Na Ludoterapia
José Demontier Guedes
Francisco Robson de Brito Gonçalves
Capítulo IV
80 81
aliança e o fortalecimento do individuo mediante a colaboração de 
ambos com utilização de técnicas psicológicas adequadas em cada caso. 
 O presente artigo pretende ressaltar reflexões para atuação 
do psicólogo na terapia infantil, enfatizando a necessidade de 
trabalhar com novas técnicas, pois se sabe que, em alguns casos, há 
certa dificuldade em extrair das crianças suas reais queixas, as quais 
são informadas pelos pais ou responsáveis. 
Nesse sentido, buscou-se também, divulgar a magicoterapia 
como instrumento de análise no atendimento infantil para 
possibilitar a possível ampliação deste e alcançar uma maior 
interação nas sessões, além de propor aos profissionais da área da 
psicologia, outros meios de comunicar-se com as crianças.
A pesquisa visa ainda contribuir na elaboração de estratégias que 
possam fortalecer a tomada de decisão e a escolha de comportamentos 
positivos, levando os indivíduos a pensar sobre a situação, analisar as 
escolhas, decidir de forma confiante e avaliar sua postura diante de 
situações que exijam maior reflexão sobre determinadas questões. Nessa 
linha de pensamento a magicoterapia pode ajudar na identificação das 
queixas e facilitar a observação de comportamentos e patologias que 
possam comprometer a saúde física e mental dos pacientes, buscando 
reduzir a vulnerabilidade e fortalecer a autonomia dos sujeitos. 
Assim, percebe-se que as inovações no processo de terapia infantil 
é algo essencial e que deve ter início na clínica, para que possa fortalecer 
vínculos afetivos, minimizar os prejuízos quanto ao rendimento nos 
atendimentos e proporcionar aos pacientes oportunidades para exercer 
sua autonomia e melhorar a qualidade de vida.
Partindo desse pressuposto, objetiva-se inserir a mágica 
como instrumento para facilitar a comunicação entre terapeuta e 
paciente, partindo da análise da percepção das crianças diante da 
técnica utilizada, visando despertar o interesse pelo tema através da 
contextualização com apresentação de truques para estimular o relato 
sobre a queixa.
Durante a pesquisa inúmeras atividades com utilização 
de mágicas foram realizadas, tanto no atendimento clínico, como 
também em sala de aula, através de instruções educacionais com 
crianças na faixa etária de 09 a 12 anos.
Por esse instrumento lúdico, veicula-se a possibilidade de uma 
abordagem diretiva e eficiente, podendo despertar nos terapeutas a 
consciência de inovações, a fim de promover a criatividade para que a 
criança sinta-se segura diante da complexidade de informações e, com 
isso, expressar de forma espontânea as queixas a serem investigadas.
No decorrer dessa pesquisa, observou-se que os recursos 
levados ao encontro das crianças as tornam mais atentas e aptas a 
distinguir e compreender melhor os questionamentos propostos 
na terapia. Nessa perspectiva, a análise feita por Karling (1991) 
ainda sobre esse tema, é que há o favorecimento da estruturação 
da aprendizagem cognitiva, compreensão e, principalmente a 
comunicação possibilitando um vínculo afetivo.
UMA ABORDAGEM LÚDICA NA TERAPIA 
Winnicott (1995) considera o lúdico prazeroso. Luckesi (1999) 
vê as atividades lúdicas como uma satisfação pela entrega da atenção ao 
prazer, afirmando ainda que há uma inter-relação entre o inconsciente 
e o mundo externo na construção da identidade pessoal e coletiva. Para 
o autor, é uma forma de garantir a liberdade da criatividade humana. 
Observa-se que ambos os autores percebem a capacidade 
do indivíduo absorver o conhecimento de forma intensa, em todos 
os sentidos, através de um clima agradável e entusiástico. São esses 
aspectos que favorecem um forte teor emocional de envolvimento 
capaz de gerar um estado vibrante de euforia.
Nesse contexto, observa-se que as atividades lúdicas possibilitam 
de forma pragmática o desenvolvimento pessoal, social e cultural, além 
82 83
da incorporação de valores e assimilação de novos conhecimentos. 
Assim, o terapeuta auxilia a criança a manter-se equilibrada entre o real 
e o imaginário por ela vivenciada de forma prazerosa. 
Para Luria (1992) as funções mentais superiores surgem da 
interação entre os fatores biológicos com os fatores culturais, que 
ocorrem nesse processo evolutivo de cada ser humano.
Quanto à evolução para o desenvolvimento humano, a Psicologia 
do Desenvolvimento aborda o tema através de diferentes autores:
• Segundo a teoria defendida pelos Ambientalistas, destacando 
Skinner e Watson (behavioristas), as crianças nascem como tabulas rasa, 
assim como uma folha de papel em branco, que em meio ao ambiente 
inserida vão aprendendo por processos de reforço ou imitação. 
• Ao contrário dos Ambientalistas, os teóricos Inatistas, assim 
como Chomsky, tem a concepção que as crianças já nascem com a 
capacidade de desenvolvimento em virtude de terem tudo na sua 
estrutura biológica, pois segundo essa teoria, nada é aprendido no 
ambiente, e sim apenas acelerado por este. 
• Já os Construcionistas, como o emblemático Piaget, têm como 
princípio de que o desenvolvimento de um indivíduo se dá pela interação 
entre o desenvolvimentobiológico e as aquisições da criança com o meio. 
Sobre a ótica Sociointeracionista, cujo precursor é Vygotsky, parte da 
ideia de que o desenvolvimento humano consiste nas trocas sociais entre 
parceiros, através da mediação e interação entre ambos. 
• Para os teóricos Evolucionistas, motivados pela teoria 
de Fodor, afirmam que o desenvolvimento humano é o produto 
de uma interação de processos genéticos e ecológicos, os quais 
envolvem experiências individuais de cada indivíduo, conforme as 
características humanas e suas variações antes mesmo do nascimento. 
• Para a perspectiva Psicanalítica, figurado por Freud, 
Klein, Winnicott e Erikson, busca compreender o desenvolvimento 
humano através do consciente e inconsciente da criança, priorizando 
seus conflitos internos na infância até o término do ciclo vital.
Assim, acredita-se que para entender a evolução e a 
complexidade do desenvolvimento humano, é preciso ter uma postura 
sistêmica capaz de integrar os múltiplos subsistemas do individuo.
A MÁGICA COMO BASE DE UM ESTUDO CIENTÍFICO
Atualmente, a mágica é vista como um entretenimento. 
No Brasil, a profissão de Mágico, está implicitamente na Lei 
Nacional nº 6.533, de 24 de maio de 1978, regulamentada pelo 
Decreto nº 82.385, de 05 de outubro de 1978. Apesar da data 
de regulamentação, ao contrário do que muitos pensam, o dia do 
Mágico é comemorado no dia 31 de janeiro, que segundo a história, 
faz jus a data de falecimento de são João Bosco, que se beneficiava 
dessa arte, por trabalhar como mágico, acrobata e malabarista, sendo 
homenageado e considerado como sendo o padroeiro dos mágicos.
Um pressuposto importante para uma boa apresentação 
da mágica se trata da conciliação dos mecanismos técnicos com a 
capacidade intrapessoal peculiar a cada pessoa, para que este possa 
ser desenvolvido e o espectador se identifique com o que o mágico 
está fazendo. “É como se fosse uma metáfora, uma imagem de algo 
em sua realidade” (ÁVILA, 2012, p. 20).
Quanto aos locais de uso desta técnica, atualmente, com os 
aspectos inovadores advindo com os avanços tecnológicos, as mágicas 
acompanharam vertiginosamente essas mudanças em relação às 
apresentações. Ao contrário do que muitos pensam, nem sempre as 
apresentações ocorrem em lugares especiais cheios de efeitos em um cenário 
arrojado. Com isso, o espaço de apresentação saiu dos palcos e ganhou as 
ruas e assim, qualquer lugar passou a ser adequado para uma apresentação 
que busca aparentemente fazer coisas impossíveis acontecerem.
Por conta disso, o uso da mágica contextualizada na 
terapia se realiza como um ambiente inovador capaz de despertar 
surpresas e expectativas diante do inesperado, possibilitando então, 
a interação mediante atenção do paciente pelo truque. 
84 85
Uma reportagem na revista Scientific American Brasil traz 
um debate importante quanto ao uso desta técnica, relacionada à 
questão do uso da mágica e dos truques iludirem o cérebro. 
Gravenor (2014) revela o interesse de neurocientistas por 
esta técnica. Ele relata que os neurocientistas estão se familiarizando 
com os métodos da mágica ao submeter à própria mágica ao 
estudo científico, demonstrando, em alguns casos, pela primeira 
vez, como alguns de seus métodos atuam no cérebro.
Estudos feitos até agora sobre a mágica confirmam o 
que se conhece sobre a cognição e a atenção a partir de trabalhos 
anteriores na psicologia experimental (GRAVENOR, 2014).
Em pesquisa, o autor ainda acrescenta que os métodos da 
mágica também podem ser colocados em prática para “induzir” 
pacientes a se concentrarem nas partes mais importantes de sua 
terapia, evitando distrações que provocam confusão e desorientação. 
O autor ainda acrescenta que a mágica é caracterizada como base 
de estudos neurológicos para melhor entender o cérebro e as bases 
neurais das funções cognitivas. Nessa perspectiva, conclui-se que 
as informações implícitas também são importantes tanto para a 
percepção de um truque quanto para sua reconstrução.
O USO DE MÁGICAS COMO ARTE NA LUDOTERAPIA
Axline (1984) diz que a ludoterapia é baseada na 
autoexpressão da criança. Pois dá a oportunidade da mesma se 
libertar de seus sentimentos e problemas através do brinquedo, 
sendo este o modo de falar das crianças, que naturalmente vai 
expressando seus anseios e dificuldades. Segundo a autora, 
a ludoterapia pode ser direta, quando o terapeuta assume a 
responsabilidade de orientação e interpretação, e não direta, 
quando a responsabilidade e a direção ficam para as crianças. 
Libertando-se desses sentimentos através do brinquedo, ela 
se conscientiza deles, esclarece-os, enfrenta-os, aprende 
a controlá-los ou os esquece. Quando ela atinge certa 
estabilidade emocional, percebe sua capacidade para se 
realizar como individuo e pensar por si mesma, tomar suas 
próprias decisões, tornar-se psicologicamente mais madura 
e, assim, tornar-se pessoa (AXLINE, 1984, p. 28).
A autora, em relação à sala de ludoterapia conclui:
A sala de ludoterapia é um lugar de crescimento. A criança é a 
pessoa mais importante, onde ela está no comando da situação 
e de si mesma. Onde ninguém lhe diz o que fazer ou nem critica 
o que faz, ninguém a importuna, faz sugestões, estimula-a ou 
intromete-se em seu mundo particular, subitamente ela sente 
que pode abrir suas asas, pode olhar diretamente para dentro 
de si mesma, pois é aceita completamente. É uma experiência 
única para a criança descobrir de repente que as sugestões, 
ordens, recriminações, restrições, críticas, desaprovações, 
ajudas e instruções dos adultos desapareceram. Tudo isso é 
substituído pela aceitação completa e pela situação permissiva 
que lhe possibilita ser ela mesma (AXLINE, 1984, p. 28-29). 
Nesse processo, o terapeuta deve ser um bom observador. 
Na ludoterapia, a criança é aceita como ela é, e não como as pessoas 
querem que ela seja.
Nessa linha de estudo, os brinquedos aparecem como peça 
fundamental para o processo psicoterápico, pois estes, conforme a 
autora são o meio natural de autoexpressão da criança. 
De acordo com os autores citados nessa pesquisa, o 
terapeuta deve interagir com a criança para obter maior rendimento 
do processo psicoterápico. Esse tipo de relacionamento é feito entre 
o terapeuta e a criança, permitindo que ela revele seu verdadeiro 
eu, conseguindo sua aceitação e sua autoconfiança.
86 87
Winnicott (1995) relata que é no brincar que a criança 
e o adulto fluem sua liberdade de criação. Acrescenta que a 
psicoterapia é efetuada na superposição de duas áreas lúdicas, 
paciente e terapeuta. Diante disso, destaca-se o brincar porque é 
desse modo que a criança manifesta sua criatividade.
A partir dos comentários dos autores, houve a possibilidade 
de introduzir na ludoterapia uma nova técnica, o uso de mágicas 
como ferramenta norteadora no processo ludoterápico. Essa 
ferramenta proporciona o entretenimento entre terapeuta e 
paciente. Desse modo, a mágica é considerada uma arte lúdica e 
interativa entre o facilitador e o público. 
Segundo Valladares (2008) a arte é inerente ao ser humano 
e, é um meio de expressão, comunicação e de linguagem. 
Percebe-se então que a mágica, contextualizada a realidade 
da criança, gera expectativa e desperta na mesma o interesse pelo 
tema e a leva ao mundo da imaginação. 
Assim, na contextualização da mágica com a ludoterapia, 
atuando de forma direta com o objetivo de envolver o público alvo 
no processo de interação com o terapeuta, busca-se a reconstrução 
da história e o relato espontâneo sobre a queixa apresentada.
RELATO DE EXPERIÊNCIA
Como Educadores Sociais do PROERD – Programa 
Educacional de Resistência às Drogas e à Violência, os autores 
deste artigo vem atuando na prevenção ao uso de drogas em escolas 
públicas e privadas no Estado do Ceará, objetivando manter crianças 
e adolescentes longe das drogas para garantir uma melhor qualidade 
de vida. 
Para tanto, utiliza-se uma metodologia dinâmica, através 
de estudo de caso, jogos pedagógicos sobre drogas,e nos últimos 
anos a inclusão do uso de mágicas contextualizadas para melhorar 
a atenção dos jovens perante as explicações do conteúdo e facilitar 
o processo de ensino-aprendizagem. 
Nessa perspectiva, os resultados foram satisfatórios, nos 
quais, percebeu-se maior engajamento dos alunos nas atividades 
e um número considerável de participações nos debates, pois ao 
contextualizar o tema das aulas com as mágicas, os estudantes 
ficavam mais alerta, mesmo que motivados a descobrir o segredo dos 
truques utilizados, porém ouviam claramente as explicações e, que 
muitas vezes atuavam como atores principais, ou seja, com posturas 
transformadoras, fortalecendo os espaços para o diálogo, gerando a 
promoção de oportunidades para se expressarem de forma criativa. 
Diante do sucesso nas aulas desenvolvidas pelo Programa 
PROERD, e como estudante do Curso de Psicologia, mediante 
as sessões de terapia infantil nos 
estágios, foi utilizada a mágica 
na tentativa de diversificar o 
atendimento psicoterápico.
Exemplificando o uso desta 
técnica, foi utilizada a mágica, 
“rei na grade”, contextualizada 
com a queixa de uma criança em 
atendimento. Simulou-se que o rei 
aparece livre antes de iniciar o truque, no entanto, ao não cumprir com 
suas obrigações e adotando uma postura contrária ao seu posto de rei, 
acabara sendo privado de sua autoridade e de coisas que gosta de fazer. 
Desse modo, ao se comparar ao rei, o sujeito passa a perceber 
que para conquistar algo de seu interesse, deve-se adequar-se a realidade 
em que está inserida e estabelecer métodos para garantir sua autonomia. 
Em outro momento, como nova experiência, a mágica 
utilizada foi “a caixinha de surpresa”, onde esta aparentemente vazia, 
verificada pela criança, começa a sair vários tipos de lenços coloridos, 
88 89
os quais representam a probabilidade 
de algo continuar acontecendo, mesmo 
não sendo percebido.
Desse modo, também 
contextualizada com a queixa da criança, 
mostrando para ela a necessidade de refletir 
sobre sua atual situação, procurando 
mudar determinados comportamentos, 
quando for o caso e,realizar o que puder 
para sentir-se bem, sabendo que a situação pode se agravar, mesmo 
quando não percebemos algo que comprometa o bem-estar.
Para concluir, buscou-se levar a criança a entender que é 
importante falar sobre seus problemas e limitações, pois assim, 
pode-se evitar o agravamento e melhorar a qualidade de vida. 
Pelas experiências apresentadas, através da utilização de 
mágicas, observou-se que estas foram significativas para o processo de 
interação e comunicação entre paciente e terapeuta, visto que além da 
atenção demonstrada pelas crianças na hora da realização dos truques, 
houve o interesse pelo tema, opinando sobre o desfecho das histórias 
e, consequentemente, ficaram mais à vontade para se expressar. 
A inclusão desta técnica na terapia trouxe expectativas 
para as próximas sessões, haja vista que ao chegar perguntavam se 
haveria mágicas. 
É importante esclarecer, que, o uso de mágicas não será 
informado durante a sessão, visto que a mágica deve aparecer 
como uma ferramenta secundária que veiculará como um fator 
surpresa para que a criança fique atenta a cada passo da terapia e 
não figure apenas como ouvinte passivo durante todo o processo. 
METODOLOGIA 
A pesquisa foi desenvolvida qualitativamente por meio 
de variáveis que não podem ser medidas, apenas observadas, 
como cita Bauer (2002, p.23) “lida com interpretação das 
realidades sociais”. 
O desdobramento deste trabalho ocorreu pela análise de 
experiências do uso de mágicas aplicadas em público infantil, tanto 
na educação quanto em sessão de psicoterapia e coletas de dados, 
mediante entrevistas, ocorrendo também a revisão bibliográfica 
sobre o tema em discussão.
Com relação à verificação dos resultados obtidos, Minayo (2005) 
diz que, além das atividades previstas, deve-se investigar a percepção, 
a qual consiste se os resultados finais esperados foram alcançados. As 
possíveis mudanças em função da técnica utilizada na terapia deve ter 
um direcionamento na medida específica para determinado resultado, 
criando possibilidades de retificar e reorientar as ações.
O aperfeiçoamento do estudo deu-se em cumprir os 
elementos habitualmente especificados pelos objetivos requeridos 
quanto à natureza do tema. Para tanto, vivenciou-se a própria 
experiência pertinente ao tema proposto, sendo a sala de Ludoterapia 
o habitat principal para a comprovação dos fatos, ora citados.
Assim, conclui-se que a avaliação deste processo com as 
técnicas inovadoras, no caso a mágica, não é uma ação isolada, mas a 
integração entre avaliadores e avaliados, em busca do aperfeiçoamento 
e do comprometimento numa sessão de psicoterapia. Para tanto 
Gatti (2004, p. 14) acrescenta que a análise dos resultados mediante 
a informação que não pode ser diretamente visualizada, poderá, se 
tais dados sofrer algum tipo de transformação que permita uma 
observação de outro ponto de vista. 
RESULTADOS E DISCUSSÃO
A pesquisa teve como fonte de investigação a inclusão da 
mágica na terapia infantil e o quanto esta contribui para facilitar o 
processo de comunicação entre paciente e terapeuta.
90 91
 Como resultados mais precisos da utilização desta técnica, 
será exposto a seguir, uma pesquisa realizada entre os jovens que 
tiveram instruções educacionais com utilização da mágica e sem a 
utilização do uso de mágicas. 
A pesquisa foi realizada com alunos do Ensino 
Fundamental II, de 6º e 8º ano, que participaram do Programa 
Educacional de Resistência às Drogas e à Violência (PROERD) 
quando estes, ainda cursavam o 5º ano, entre os quais tiveram 
oportunidades similares no que tange aos conteúdos de prevenção 
explícitos, porém com experiências diferentes quanto ao uso das 
técnicas aplicadas em sala de aula pelo Policial Francisco Robson 
de Brito Gonçalves, Instrutor do Proerd no Estado do Ceará, 
o qual buscou mostrar o quanto a mágica, além de melhorar a 
comunicação, também facilita a assimilação do conteúdo.
O gráfico a seguir mostra que, em relação à aprendizagem, 
o uso de mágicas foi o que mais chamou atenção dos alunos.
FONTE: dados da pesquisa
Observa-se no gráfico que o uso de técnicas variadas 
chama atenção dos alunos e desperta o interesse para aprender 
conteúdos diversos, assim como propõe Karling (1991), diversas 
técnicas de ensino podem ser utilizadas, para descobrir situações e 
conseguir motivar seus alunos a estudarem com prazer. Conclui-
se, portanto, que um número elevado de 98 alunos se encantou 
com as mágicas, correspondendo a 78% dos que tiveram aulas 
com mágicas. 
Ao contrário, o grupo de alunos que não tiveram aulas 
com mágicas não atingiram o mesmo perfil daqueles que tiveram 
a mágica como ferramenta de ensino.
Assim, Ávila (2012) afirma:
É a sensação do encanto, da maravilha, causada particularmente 
por presenciar um fenômeno completamente distante do 
mundo real. Abrem-se portas para um mundo completamente 
diferente, no qual não existem leis nem regras, no qual as 
pessoas podem acreditar em qualquer coisa, sem medo de 
ser criticadas. A mágica aproxima a mente de possibilidades 
infinitas de uma criança... (ÁVILA, 2012, p.16).
O uso da mágica não corresponde apenas ao fato de 
chamar atenção, mas de abrir a mente para novas ideias e uma 
forma especial e única de enxergar as coisas. Complementando que 
o uso de truques de mágica pode promover elevados momentos de 
ensino, desenvolvimento social e emocional, além de saúde e bem-
estar nas crianças em terapia.
Outro dado importante foi que há evidências com 
relação à pesquisa de que corrobora com o fato da mágica possuir 
características impressionantes, contribuindo também para uma 
maior compreensão daquilo que está sendo explanado. 
92 93
Sobre este fato, o gráfico a seguir diferencia estes jovens quanto 
ao comportamento durante uma aula com utilização de mágicas.
FONTE: dados da pesquisa
Quanto ao gráfico comportamental, entre ambosos casos, 
a atenção por parte dos alunos que tiveram aulas com mágicas 
foram maiores que as aulas sem mágicas. O resultado, também, 
influenciou em outras variáveis, uma vez que nas aulas sem mágicas 
se comprova um número maior de alunos que se mantiveram 
dispersos através de conversas, não prestando atenção, bem como 
o sentimento de indiferença.
Com relação a este estudo, Vygotsky (2001) postulou a 
possibilidade de transformar o mundo concreto pelo emprego 
de ferramentas, estabelecendo condições para mudar suas ações e 
transformar qualitativamente sua consciência.
Reforça-se então o objetivo desta investigação, que é 
identificar a percepção das crianças quanto à contextualização do 
uso de mágicas para facilitar o processo terapêutico. Assim, afirma-
se ser a mágica uma ferramenta importante, que contextualiza com 
o conteúdo abordado, a criança deixa de ser um expectador para se 
tornar um ator ativo durante todo processo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No processo de construção desta pesquisa, buscou-se 
evidenciar a importância da ludoterapia mediante a inclusão de 
mágicas, para levar a criança a melhorar a comunicação com o 
terapeuta, levando-a, a refletir sobre sua realidade, trabalhando 
o seu interior, objetivando reduzir ou remover determinadas 
queixas. 
Neste contexto, o terapeuta atua como facilitador visando 
estabelecer uma relação de confiança para despertar, naturalmente, 
na criança em atendimento, a necessidade de comunicar-se com 
o terapeuta, visando o empoderamento do conhecimento para 
melhorar a qualidade de vida.
As ações visaram proporcionar a interação de todos os 
envolvidos no processo psicoterápico. Diante da pesquisa realizada 
e dos resultados apresentados, conforme está descrito nos gráficos e 
comentados, destaca-se o desempenho positivo do uso da mágica. 
Para tanto, a meta alcançada partiu da necessidade de 
investigar e comprovar que a mágica pode fazer a diferença na 
ludoterapia, pois esta passa a ser um atrativo para as crianças, sendo 
capaz de despertar nelas a necessidade de falar de suas queixas e 
ajudar o terapeuta a intervir com mais precisão.
Como objeto de estudo, visando conhecer, analisar, avaliar 
e validar os resultados da pesquisa, o trabalho desenvolvido poderá 
contribuir para ampliar a discussão sobre o tema entre outros 
profissionais. 
Pelo que foi discutido, a mágica destacou-se como uma 
estratégia eficaz na educação, podendo esta fazer também a 
diferença em terapias infantis. Porém, não se pode afirmar algo 
conclusivo, necessitando de maiores investigações e experiências 
para comprovação total dos fatos, partindo do entendimento 
interno do sujeito que a vivencia.
94 95
As técnicas de utilização da mágica são planejadas de 
acordo com a demanda de cada caso e as intervenções com os 
truques acontecem na medida em que o terapeuta achar necessário 
utilizar. 
Em síntese, foi colocada em evidência a importância da 
arte mágica, ao integrar totalmente às atividades lúdicas, dinâmicas 
e impactantes, levando em consideração sua subjetividade e, 
principalmente, sua expressividade enquanto técnica facilitadora 
no processo terapêutico. No entanto, faz-se necessário compreender 
esta metodologia com certa profundidade teórica para, então, 
entendermos as possíveis implicações desta expressividade na prática.
Diante das informações e dos dados apresentados, as 
observações e experiências com esta técnica foram suficientes para 
diagnosticar, de fato, influências para o aproveitamento da mágica 
como uma ferramenta inovadora na terapia infantil.
Então, todos os aspectos tratados neste estudo, se refletem 
diretamente nas manifestações ligada à mágica como contribuição 
na vida de uma pessoa, em especial as crianças em terapia, sendo 
este a discussão central da pesquisa.
Partindo desse pressuposto, não se pretende afirmar que a 
mágica é a solução plena para superar as dificuldades na terapia, 
mas aparece como uma possibilidade e propósito de refletir 
sobre si mesmo, com um olhar voltado para a criança e esta, por 
sua vez, identificar no terapeuta um suporte para a construção 
da autonomia, com uma comunicação espontânea diante dos 
questionamentos e queixas apresentadas.
Pelas argumentações debatidas neste estudo, Pereira 
(2008) corrobora com a hipótese de que as transformações mais 
profundas requerem uma mudança de atitude e novas posturas de 
vida.
Portanto, é possível acreditar que através deste estudo sobre 
a experiência prática com o uso de mágica, abre-se um caminho 
dentro do cotidiano psicoterápico para a integração dos vários 
aspectos do ser humano, sejam eles: cognitivo, lúdico, emocional e 
outras habilidades proporcionadas pelo uso da técnica, possibilita a 
cada indivíduo (paciente e terapeuta) se conhecer um pouco mais, 
se relacionar melhor, criar vínculo afetivo, o que implica lidar 
melhor com as dificuldades no processo de terapia, possibilitando 
uma expressividade mais espontânea e criativa.
Finalmente, espera-se que este tema gere inquietações para 
ampliar a discussão acerca do uso da mágica, não apenas como 
arte, mas como outras modalidades que sejam relevantes para o 
entendimento do processo terapêutico e, enfim, no contexto de 
comunicação em geral.
Recomenda-se, então, o uso da mágica como recurso 
alternativo na psicoterapia infantil, podendo ser estendida a 
outros públicos, haja vista que a mágica é uma técnica atrativa 
para qualquer faixa etária.
REFERÊNCIAS
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um manual prático. Tradução: Pedrinho A. Guareschi. Petrópolis: vozes, 2002. Tradução de: 
Qualitative Researching With Text, Image and Sound.
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LURIA, A. R. A construção da mente. Tradução Marcelo Brandão Cipolla. São Paulo, SP: Ícone, 1992. 
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WINNICOTT, D. W. O brincar e a realidade. Rio de Janeiro. Imago Editora Ltda. 1995.
- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar 
 e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
- Mestre em Ciências da Educação;
- Pós-Graduado em Matemática e Física;
- Tecnólogo em Eletromecânica;
- Graduando em Matemática.
Francisco Robson de Brito Gonçalves
O cargo de gestor (a) deve destacar-se com posturas que 
estejam inseridas em uma gestão democrática e participativa. Tal 
ação está prevista tanto na ConstituiçãoFederal que prevê que 
o ensino seja gratuito e de qualidade e com isso, objetivando 
sempre melhorias e avanço na educação, e esse posicionamento 
está também inserido nas Leis de Diretrizes e Bases da Educação 
Nacional (LDB) em que vislumbrado tais afirmações no título IV 
do atrigo 9º, bem como no Plano Nacional da Educação (PNE) e 
nos demais documentos oficiais que regem o ensino. 
Ao assumir tal postura o mesmo torna-se fio condutor 
de uma democratização educacional, configurando-se como um 
ser ativo, responsivo, consciente da sua função na construção de 
uma educação de qualidade, logo esta sua ação irá garantir que a 
escola seja um espaço onde, sobretudo o estudante consiga alargar 
seu leque de conhecimentos tornando-se um cidadão crítico, 
participativo sujeito da construção de sua própria história. 
Desta forma, o gestor (a) ao desenvolver um olhar 
comprometido ao que se refere o processo educacional, irá sentir-se 
A Gestão Democrática Participativa 
Através de Uma Leitura do Conto: 
O Menino Que Virou Lobisomem
Marta Kécia Fernandes Damasceno 
Capítulo V
98 99
motivado e irá motivar toda sua equipe gestora para trabalhar em prol de 
obter bons resultados, colocando os funcionários cientes dos problemas 
e buscando deles também as possíveis soluções. Sobre este viés de 
pensamento, e ao refletirmos sobre os grandes índices de alunos com 
dificuldades em leitura, apontados como um dos principais problemas 
de nossas escolas o nosso trabalho visa apresentar a professores e alunos 
em formação bem como aqueles docentes que em sua prática diária são 
sensíveis ao perceber o déficit de aprendizagem no que tange níveis de 
leitura mais minuciosos que na maioria das vezes não são abordados em 
sala de aula. 
Este artigo irá comtemplar três níveis de leitura: o narrativo, 
o discursivo e o fundamental através da análise de um conto popular 
como forma de alargar os conhecimentos dos alunos, como também 
mostrar o valor histórico enraizado na cultura de uma sociedade, 
servindo assim, como suporte e/ou ferramenta de trabalho para 
práticas de compreensão textual. O conto escolhido para realizar a 
análise foi: O menino que virava lobisomem. 
 A perspectiva teórica utilizada foi através dos estudos da 
semiótica de Greimasiana. O autor russo constitui um percurso 
gerador da significação composto por três níveis, o narrativo, 
o discursivo e o fundamental, níveis esses que darão subsídios 
importantes para análise em questão.
Para fundamentar a pesquisa, de cunho qualitativo, foi utilizado 
o livro de Nõth; Panorama da semiótica - Platão a Peirce (2003); 
Fiorin, Elementos de análise do discurso (2014); A renovação de um 
conto, Patrini (2005); O fazer semiótico do conto popular nordestino: 
intersubjetividade e consciente coletivo, Lima Arrais (2011); artigo das 
autoras: Matte, Lara,(2009) Um panorama da Semiótica Greimasiana. 
Que foi muito pertinente para realização desse trabalho. 
Nessa conjuntura, compreende-se que as práticas educativas 
realizadas pelos discentes por meio dessa modalidade de ensino 
oportunizam variadas formas de comunicação e interação. É 
através dessa troca mútua de saberes que estamos produzindo, 
reproduzindo, aprendendo e apreendendo o funcionamento da 
linguagem (BRASIL, 1998).
Logo, objetivamos apriore com este trabalho apresentar 
níveis de leitura e análises com o intuito de facilitar o aprendizado 
possibilitando com isso um maior número de alunos proficientes nesta 
modalidade da língua. Em seguida iremos escolher um conto regional 
para ser analisado. E depois aplicar os três níveis de leitura ao conto 
escolhido partindo dos pressupostos teóricos da analise Greimasiana e 
por fim dedicamos em melhor desenvolver as competências necessárias 
de leitura proporcionando uma maior desenvoltura dos alunos.
O conto popular é narrativo que para Patrini (2005, p.17), 
retrata a “memória da comunidade – formas de ver o mundo, 
esperanças, medos anseios de transcendências – possibilitando 
sua transferência às novas gerações”. Em consonância disso o 
conto: O menino que virou lobisomem foi também levantado 
da comunidade, através da memória de Maria Oliveira Lopes, 
por meio da gravação em áudio (gravador de voz, disponível 
no aparelho Samsung) a mesma foi convidada a participar como 
voluntário(a) no estudo e pra fins éticos, foi elaborado um 
Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE) que está em 
conformidade com a resolução nº466/12 do CNS, informamos 
que a pesquisa apresenta como risco mínimo o constrangimento 
ao redigir o texto e expor suas produções.
É, portanto, de extrema relevância deter o conhecimento 
sobre este conteúdo quando se está inserido a frente de uma escola 
em que é perceptível a dificuldade do alunado em extrair os sentidos 
e significados dos textos, uma vez que o mesmo pode ser de grande 
valia para a construção de um programa de ensino/aprendizagem 
mais compreensível para o alunado pouco interessado na significação 
da vida, do mundo e da realidade vivida ou vivenciada por ele.
100 101
Pensando nisso, este trabalho foi organizado em três partes. 
A primeira delas contempla o primeiro nível de leitura o narrativo, 
a segunda volta-se para o nível discursivo e o ultimo para o nível 
fundamental. Através deste tripé é obtida uma compreensão 
textual mais profícua.
METODOLOGIA
Este trabalho caracteriza-se como uma pesquisa em que 
se configura pela análise do discurso, uma vez que recorre para 
semiótica greimasiana com a finalidade de analisar o sujeito, o tempo 
e o espaço e o discurso. Colaboram, nesse sentido, os princípios que 
representam preeminência do enunciado e da enunciação.
Logo, analise aqui realizada é de natureza qualitativa 
de caráter exploratório em que se realizou uma entrevista. A 
entrevista por sua vez preocupou-se em compreender e relatar 
os processos enunciativos no discurso de Maria Oliveira Lopes. 
De acordo com Minayo (2001), esse tipo de estudo empenha-se, 
portanto, com as peculiaridades do meio vivido, com a verdadeira 
realidade, deixando de lado a quantidade, sua inquietação é focada 
para relações sociais. Assim, a pesquisa qualitativa aproxima-se do 
mundo das interpretações, dos significados de crenças e valores. 
SOBRE O GÊNERO ESCOLHIDO 
Conhecendo o conto
Etimologicamente a palavra conto vem do latim e significa “conta” 
Aurélio (2010, p.192) que corresponde a uma narrativa curta não se sabe 
ao certo a gênese da criação de um conto, contudo, o conto popular, em 
sua maioria são narrativas pequenas, contendo poucos personagens que 
enunciam de formas diferentes e espontâneas por cada contador.
 No Brasil, os contos recebem vários nomes como: histórias 
da Dona Carochinha; histórias de Troncoso; Historias das mil e 
umas noites e etc. O conto popular reveste-se de uma metamorfose 
que cada contador em determinada região tem guardado na sua 
mente formas diferenciadas de um conto, que segundo Arrais 
pode-se ver o conto na voz enunciador como: 
Na voz de um contador-enunciador, essas narrativas nos 
permitem entrar em contado com o fazer popular que se 
efetiva a partir de ritos sustentados nas representações 
simbólicas de cada região. São saberes engendrados a 
partir da mescla cultural adquirido e (re) criados na prática 
cotidiana da enunciação, em que as relações pessoais são 
imprimíveis para riqueza do discurso. (ARRAIS, 2011, p.15-16)
E, através da enunciação e da discursivização que passamos 
então a conhecer os dizeres, e realidades do outro e (re) significar 
sentidos. O conto em análise encaixa-se no gênero conto popular 
que foi enunciado por Maria Oliveira Lopes, natural do sitio 
Santa Cruz, Aurora/CE. O conto foi coletado no dia 28 de janeiro 
de 2018 às 12h47min., colhido por Marta Kécia Fernandes 
Damasceno graduanda do curso de licenciatura plena em Letras - 
Língua Portuguesa através da gravação em áudio.
Resumo do conto
 O menino que virava lobisomem é uma narrativa curta 
que apresenta a história de uma mãe que aconselha o seu filhoentre o policial militar, 
família, comunidade e superiores no ambiente de trabalho.
O objetivo desse trabalho é contribuir com a instituição polícia 
militar na elaboração de estratégias que possam fortalecer as decisões e a 
escolha de comportamentos positivos, despertando, nas comunidades, 
a reflexão sobre a necessidade de intervenção de policiais militares 
sobre seus problemas, para que possam analisar suas escolhas e decidir 
de forma confiante. Além disso, despertar neles a avaliação da postura 
diante de situações que requerem reflexão sobre determinadas ações. 
Para tanto, deve-se atuar na identificação e correção de comportamentos 
que possam comprometer a saúde física e mental quanto ao estresse 
ocupacional, através de ações conjuntas para perceber a presença do 
fator estressor e, consequentemente, reduzir a vulnerabilidade bem 
como fortalecer a autoestima e autonomia desses profissionais. 
METODOLOGIA
A elaboração do presente trabalho ocorreu através da revisão 
de literatura, mediante pesquisa exploratória precedida de reflexões 
e questionamentos acerca do tema. A proposta foi de trabalhar 
com as concepções da corporação polícia militar e a observação 
comportamental dos policiais através de trabalhos publicados. 
Minayo (2007) relata que se deve valorizar a subjetividade do 
Policial Militar e ter como base o estudo exploratório-descritivo. O autor 
focaliza os aspectos inerentes à qualidade de vida desse profissional, 
20 21
tentando ao mesmo tempo conhecê-los. O desenvolvimento do tema 
consistiu na elaboração de um banco de dados sobre a profissão Policial 
Militar e o estresse, o qual proporcionou a construção do trabalho. 
Para chegar aos resultados, foi estabelecida uma avaliação 
dos questionamentos dos teóricos estudados pela análise de textos, 
através de artigos, livros, revistas científicas (Scielo, Bireme e Lilacs) 
e endereços eletrônicos (Google acadêmico e Instituições militares), 
com período de referência entre 2000 e 2017. A literatura 
pesquisada foi relacionada ao tema com as seguintes palavras-
chave: Polícia Militar, Estresse e Qualidade de vida.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Os resultados obtidos na pesquisa tiveram como referência 
13 (treze) artigos científicos, 05 (cinco) livros, 01 (uma) dissertação 
de mestrado, 01 (uma) monografia de curso de especialização, 01 
(um) manual de aplicação de teste de estresse para adultos, 02 
(duas) pesquisas publicadas sobre o estresse entre os profissionais 
de segurança pública, 01(uma) lei específica referente ao código 
disciplinar do Policial e Bombeiro Militar e 01 (um) trabalho 
apresentado em Congresso. A escassez de literatura sobre o tema 
impediu a inclusão de outros periódicos para ampliar a discussão. 
A pesquisa das fases do estresse em policiais militares citada por 
Flesch (2015) reflete o risco que a profissão policial militar representa 
mediante confronto direto com indivíduos que praticam atos ilícitos, 
e conclui alegando que esta ocasiona o elevado nível de estresse nesses 
profissionais, podendo comprometer a qualidade de vida. 
Diante dos resultados apresentados há uma porcentagem 
significativa desses profissionais que apresentam ou podem 
apresentar problemas psicológicos, vindo a necessitar de tratamento 
ou mesmo mudança no estilo de vida. Além das abordagens 
psicológicas para aprender a lidar com o estresse, o tratamento 
envolve outras formas de diminuir ou evitar a situação estressora, 
tais como: atividade física regular, técnicas de relaxamento, 
respiração profunda e orientação alimentar.
Analisando o contexto geral da pesquisa, percebeu-se que é 
de extrema necessidade intensificar os estudos quanto ao estresse 
ocupacional em policiais militares, pois estes profissionais, além 
de se preocuparem em resguardar a própria vida em ocorrências 
policiais, preocupam-se, em primeiro plano, com as vidas alheias, 
pois esta é sua missão diante da função que exercem. 
Atividades da polícia militar para manter a ordem pública
Egon Bittner citado por Valla (2015) define a Polícia como uma 
organização que tem a legitimidade de intervir quando algo contrário 
às leis está acontecendo. Nesse sentido, a essência da ação policial está 
centrada na decisão, ou seja, escolher alternativas de ações para eliminar 
a causa contingente ou reduzir os seus efeitos (VALLA, 2015). 
Para Valla (2015) a Polícia Militar, como Corporação, insere-
se entre as instituições que exercem poder de polícia administrativa, 
praticando atos administrativos de polícia, notadamente ordens 
e proibições, que envolvem não apenas a atuação estritamente 
preventiva, mas, igualmente, a fiscalização e o combate aos abusos 
e às rebeldias em relação às mesmas ordens e proibições. 
A Polícia Militar que, além de ser a mais visível a todos, 
é, também, a primeira linha de defesa da sociedade contra o 
crime. Destacam-se, nessa área, suas funções de policiamento 
ostensivo e de contenção de movimentos multitudinários. Por 
conta disso, a Polícia Militar deve agir energicamente, mas 
sempre dentro dos limites legais. Por fim, o autor conclui 
que é importante salientar que a Polícia Militar, geralmente 
22 23
age sobre coisas e atividades de forma preventiva ou repressiva 
imediata. Está voltada para o caráter coletivo de sua atuação, tais 
como: combate à criminalidade urbana, controle e repressão de 
tumultos, guarda e segurança de instalações públicas estaduais, 
controle de trânsito, resgates, combate a incêndios, além de 
outras atribuições.
Função da polícia militar na sociedade
A Polícia Militar é uma Organização fardada, organizada 
militarmente, subordinada ao Governador do Estado, através 
da Secretaria da Segurança Pública e do Comando Geral da 
Corporação. Presta seus serviços dentro do rigoroso cumprimento 
do dever legal, tendo como amparo constitucional o artigo 144, 
inciso V, § 5º e 6º e nas diversas Leis Estaduais que vêm dando 
amparo legal à atividade fim que é a defesa da vida, da integridade 
física e da dignidade da pessoa humana (FERRI, 2017).
Segundo o autor, considera-se que a Polícia Militar tem 
papel de relevância na sociedade, uma vez que se destaca, também, 
como força pública estadual, primando pelo zelo, honestidade e 
correção de propósitos com a finalidade de proteger o cidadão, a 
sociedade e os bens públicos e privados. Além disso, as ações são 
voltadas para coibir os ilícitos penais. 
Visão da sociedade sobre a polícia militar
A atual conjuntura social, pela qual passa a sociedade 
brasileira, diferencia-se de tempos passados. Devido ao aumento 
da violência difusa na sociedade e da criminalidade, as sociedades 
contemporâneas se caracterizam por um descompasso crescente 
em relação às políticas públicas de segurança, de cunho social e 
de infraestrutura. Ao se deparar com essa situação, os estudiosos 
da área de segurança pública chegam a questionar a eficiência 
da organização do trabalho que a Polícia Militar emprega 
(SILVA, 2008).
Nesse contexto, o autor supracitado destaca que é visível 
a percepção de insegurança pública, sendo esta uma situação 
preocupante e assustadora nas grandes cidades, uma vez que 
acontece por conta do elevado índice de violência existente 
no país. 
Gouveia (1999) citado por Silva (2008) afirma que ao 
se depararem com esse fenômeno social, cotidiano e crítico, os 
militares estaduais, principalmente os que desempenham uma 
atividade-fim na linha de frente, com o propósito inibitório 
da violência, especificamente os de policiamento ostensivo 
ficam expostos a um conjunto de exigências, advindas tanto da 
organização do trabalho policial quanto das características da 
sociedade contemporânea. Nesse sentido, há cobranças quanto ao 
trabalho desenvolvido pelo Policial Militar para manter a ordem 
pública e a população protegida da ação de malfeitores. 
Visão da realidade sobre a polícia militar
Frequentemente, a atividade da polícia militar é considerada 
como “desumana” por parte dos próprios profissionais (SILVA, 2008). 
O autor citapara o bem, ela, ao pedir que o filho fosse deixar a comida do pai 
na roça disse: não mexa na comida de seu pai, o filho por sua vez 
102 103
não escutou o que mãe falou, comeu toda a carne do pai, e colocou 
toda culpa na mãe, o pai que estava com muita fome ao abrir o 
recipiente e ver que só tinha ossos ficou furioso, foi direto para 
casa, e sem querer saber a veracidade dos fatos, matou sua esposa.
Segmentação para quem fez
Este conto destina-se para aplicabilidade em aulas de 
língua portuguesa direcionados para alunos do 3º ano do ensino 
médio organizado em três momentos de leitura, momentos 
esses que permite ao aluno interpretar melhor não só o conto, 
mas a vida, dando-lhes condições de construir sentidos. Com 
isso segue o conto na íntegra para realização dos três momentos 
de leitura.
O menino que virou lobisomem
Quando eu era criança minha mãe sempre pedia para eu 
ser uma menina obediente, pois crianças desobedientes ou que 
mentiam a mãe tinham o poder de rogar pragas, diante disso ela 
me contou a seguinte história: 
Uma vez, há algum tempo atrás, a mãe pediu ao filho para 
deixar a comida do pai na roça, e disse o seguinte: 
− Filho vá deixar a comida do seu pai na roça, mas não 
mexa nela não, do jeito que eu mandar você entregue a ele. O 
filho, no meio do caminho abriu a bacia que tava a comida do pai 
e comeu toda carne que tinha lá, deixando somente os ossos para 
o pai. O pai que tava varado de fome quando abriu a bacia e que 
viu só os ossos ficou furioso, e perguntou:
− Menino cadê a carne? Sua mãe só mandou osso para mim? 
O menino com o medo do pai, e sem querer levar a culpa disse: 
− Pai chegou um homem lá em casa e mãe deu toda carne 
para ele, e mandou só os ossos para o senhor. O pai indignado 
não pensou duas vezes, pegou sua roçadeira e foi direto para casa. 
Chegando lá disse: 
− Vou matar você! Como pode? Eu passo o dia trabalhando, 
enquanto você passa o dia em casa com outro homem e ainda 
tem a coragem de só mandar osso para mim? A mãe ainda quis se 
explicar, mas ele não lhe dava chance. E o menino que presenciou 
tudo e sabia que mãe ia morrer por causa dele, não teve coragem 
de falar nada. Antes de morrer a mãe olhou para o filho e disse: 
− Tanto que eu te pedi para você não me desobedecer, por 
sua causa eu vou morrer, mas você meu filho vai virar lobisomem, 
vai correr sete província, durante sete anos, para nunca mais me 
desobedecer. E assim aconteceu a praga da mãe se realizou e na 
primeira noite de lua cheia o menino virou lobisomem.
Depois que minha mãe me contou essa história, quando 
eu pensava em fazer alguma coisa que ela não quisesse eu lembrava 
logo do menino, sentia medo e não fazia mais.
Acervo pessoal colhido da memória de Maria Oliveira Lopes 
APLICANDO OS NÍVEIS DE LEITURA
Primeiro nível de leitura o narrativo 
Segmentação da versão do conto: o menino que virou 
lobisomem.
Sg1: Ida do filho à roça para levar a comida do pai
Sg2: Desobediência do filho 
Sg3: Comeu a carne do pai 
Sg4: Mentira do filho 
Sg5: Decisão do pai
Sg6: Praga da mãe 
Sg7: Realização da praga 
104 105
Sujeito semiótico 1:
O sujeito semiótico 1(S1), nomeado de mãe tem como 
objeto de valor o conselho ao filho, é modalizado por um querer-
fazer. O oponente de (S1) é a desobediência do filho. Sendo o (S1) 
destinado por um desejo.
O programa principal de S1 é:
Pode-se vislumbrar na formula que o (S1) começa e 
termina distante do seu objeto de valor. Apesar da mãe orientar o 
filho, o mesmo não atende.
Sujeito Semiótico 2:
O sujeito Semiótico 2(S2) nomeado de filho tem como 
objeto de valor a carne do pai modalizado pelo querer fazer comer 
a carne do pai. O oponente de (S1) é a mãe, o (S2) é destinado 
por uma vontade de querer comer e tem como adjuvante o desejo.
O programa principal de S2 é:
Percurso:
Para orientar o filho a mãe o aconselha, pedindo-lhe para 
não ser desobediente, com isso ela lhe dar um voto de confiança, 
pedindo-lhe para ir deixar a comida ao pai.
Percurso:
106 107
Através da formula vislumbramos que o sujeito Semiótico 
2 inicia distante do seu objeto de valor e finaliza-se adjunto do seu 
objeto de valor.
O Sujeito Semiótico 3 
O Sujeito Semiótico 3 (S3) nomeado de pai tem como 
objeto de valor a comida destinador por um querer fazer alimentar-
se. O (S3) Tem como oponente o filho, é destinado pela fome e 
tem como adjuvante a esposa.
O programa principal de S3 é:
Percurso:
Através da formula vislumbramos que (S3) inicia e termina 
distante do seu objeto de valor, decorrente da desobediência do filho.
Sujeito Semiótico 4:
O sujeito semiótico 4 (S4), nomeado de pai tem como 
objeto de valor matar a esposa, é modalizado por um quere-fazer 
matar. Sendo o (S4) destinado por um desejo de vingança e tem 
como adjuvante a mentira do filho.
O programa principal de S4 é:
Percurso:
Através da formula vislumbramos que (S4) inicia-se a 
principio distante do seu objeto de valor, porém, depois da mentira 
do filho o sujeito semiótico (S4) impulsionado pelo desejo de 
vingança, passa-se a ser conjunto do seu objeto de valor.
108 109
Segundo nível de leitura o discursivo
O menino que virava lobisomem: contado por um iniciador 
chamado de “eu” narrado em primeira pessoa em que podemos 
caracterizá-lo como uma figura feminina pois na narrativa ela diz: 
Lopes 2018“ minha mãe sempre pedia para eu ser uma menina 
obediente”, fundamentado na ideia de que obediência era uma 
virtude imprescindível.
 O “eu” relata um pouco da sua história, contando que 
quando criança, sua mãe contava historias relacionando-as com 
os ensinamentos de vida, e que estes deveriam ser aprendidos 
desde cedo, com isso nos repassa que o gênero feminino deve 
estar sempre subordinado, e propício à obediência, querendo 
nos dizer que durante toda sua trajetória de vida sempre foi 
uma pessoa subordinada, suprimindo suas vontades, desejos 
e anseios, mas para ela isto não era um problema, portanto, 
pode-se perceber que ela defende a ideia da obediência, e para 
validar a sua história ela delega a voz a três papéis temáticos, a 
mãe, o filho e o pai.
Mãe é um papel temático, que tem a função de ser genitora 
da vida, que cria seus filhos e protege sinônimo de aconchego, 
de porto seguro, de amor incondicional, ser de uma fortaleza 
exorbitante, que são atribuídas inúmeras responsabilidades de 
administrar conduzir toda sua família.
Já no conto o papel temático de mãe que atribuído pelo 
enunciador caracteriza-se como um ser vulnerável subordinado aos 
quereres do filho e do marido e se levarmos em conta uma análise 
diacrônica mais acentuada nos deparamos o quanto as mulheres 
são vítimas da supremacia masculina, sem voz ativa sujeita a um 
ambiente extremamente machista, é perceptível um descaso em 
relação ao ser feminino, no qual o pai prefere acreditar no filho, 
resulta na sua morte.
O filho é um papel temático, que designa como uma 
extensão da relação de dois seres passando a ser fruto do amor de 
duas pessoas, sendo ele estimado e amado no qual são repassados para 
esse ser crenças, valores éticos e morais de acordo com sua cultura. 
Os pais esperam que seus filhos sejam pessoas de bem, esforçados, 
dedicados e que os respeitem que acatem seus ensinamentos, Os 
pais sempre querem e fazem o melhor para seus filhos, portanto, 
compete a ele respeitar os valores adquiridos pelos seus antecessores, 
tendo em vista, serem indivíduos aptos a viverem em sociedade. 
No conto, o enunciador atribui o papel temático desempenhado 
pelo filho aquele infringe a regras da mãe, contrapondo-se ao 
pedido (conselho) dela, o detentor da desobediência, que teve como 
consequência o término de vida da mãe. “Tanto que eu te pedi para 
você não me desobedecer, por sua causa eu vou morrer.(Lopes, 2018)
O pai é um papel temático importante no ninho familiar 
que assim como mãe compete ajudar na criação da família, 
protegendo, direcionando, acompanhando o desempenho familiar, 
caracteriza-se na maioria das vezes como ser forte, adjetivando-secomo o escudo guardião, do berço familiar. 
No conto, o enunciador, atribui ao pai um homem uma 
superioridade absoluta, cujo ódio declarado por ele quando diz: 
Lopes, 2018: “Vou matar você!” assume o ápice do machismo, 
quando obtido através de uma dissolução da verdade, assumindo 
uma visão preconceituosa sobre a sua esposa. Ambos, o pai e filho, 
são vistos negativamente neste conto.
O enunciador encontra-se distante do tempo da enunciação, 
tempo do então, onde encontra-se em um passado perfeito, Lopes, 
2018 “quando eu era criança, me pedia, eu fosse”, o vá designa o tempo 
presente dentro do conto, determinando que o menino vá naquele 
exato momento. Encontra-se também um tempo cronológico 
manifestado em: primeira noite de lua cheia. Que no conto foi o 
110 111
tempo indicativo pela mãe para realização da praga, e nos remete a 
pensar os mistérios da noite.
Assim como ocorre dois tempos também temos dois espaços 
o linguístico e geográfico manifestando-se através o do enunciador 
temos o Lá e o Aqui que corresponde ao tempo do conto, o enunciador 
através de flashback revive a memória de um Lá desordenado fixado 
no passo e Aqui reconstruído em novo espaço que é contado. O aqui 
geográfico presente no conto em: A roça, no meio do caminho, em 
casa. Reconhecível facilmente pelo leitor. 
Outras observações dizem respeito aos temas e figuras. Com 
maior proeminência sobressai no conto à temática da obediência 
que significa aquele que escuta com atenção Aurélio (2010, p. 525), 
qualificando como virtude de comportamento, aquele que acata as 
ordens, é considerado como o ato de respeitar, honrar e obedecer. E 
refletindo no agir do filho, caracteriza como oposto do que se espera 
dele. E a figura que nos remete a obediência é mãe, que vive subordinada 
as ordens da esposa e mesmo ela sendo uma mulher não fugia de suas 
incumbências foi terrivelmente exterminada em ato cruel. 
Terceiro nível de leitura o fundamental
Verifica-se aqui neste último nível de leitura uma tensão 
dialética entre obediência e desobediência que instala uma relação 
conflituosa na família. A obediência implica não-obediência e 
faz emergir um respeito, traço importante no berço familiar. Já a 
desobediência com não-desobediência faz emergir o desrespeito, 
acarretando um ciclo não-virtuoso e consequentemente 
problemático, pois sabemos que a família é a célula mãe, e caso 
haja um desequilíbrio por algum de seus constituintes todos irão 
padecer, ou, em algum deles irá recair toda responsabilidade, que 
no conto recai sobre mãe. Veja o octógono com atenção descrita:
A gestão comprometida 
Levando em consideração olhar diferenciado de um gestor(a) 
que tem como princípios básicos ações modificadoras em sala de 
aula é necessário que não só ele, mas toda equipe esteja empenhada 
em contribuir com um ensino de qualidade. E para que tais 
aspirações sejam colocadas em prática faz-se necessário a princípio 
orientar, capacitar os profissionais dando-lhes oportunidade bem 
como condições de trabalho para desenvolver tais níveis de leitura, 
tendo como enfoque uma abordagem inovadora e significativa 
capaz de transformar e/ou modificar as subjetivadas dos alunos.
112 113
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Depois das reflexões diante do conto popular vimos que 
ele faz parte de memorial cultural de um povo no qual sua origem é 
incerta, e são passados de geração a geração representado pela visão 
de mundo do enunciador, transmitindo sempre uma mensagem, e 
uma nova forma de ver o mundo.
Através do primeiro nível leitura o narrativo percebe-se 
que cada um de nós somos sujeitos atraídos por um objeto de 
valor e impulsionados na maior parte por um querer- fazer onde 
contamos com adjuvantes e/ou oponentes.
Já no nível discursivo concebe uma maior compreensão 
do sentido característico do enunciador e da sua história, é através 
do discurso, do dito, é que sobressai as situações em se produz o 
dizer, suas ideologias, convicções e suas crenças. O conto retrata 
de forma explícita um machismo desmedido, mas, não só o conto 
é perceptível, como também o narrador-contador que de certa 
forma aceita e repassa essa concepção.
E no último nível de leitura, o fundamental, mostra a relação 
que se estabelece entre a tensão temática e seus correspondentes, o 
contrário, e o contraditório de seu contrário fazendo emergir um 
não-contrario, e um não contrário de seu contraditório. Nesses 
emaranhados de relações são trabalhadas como parte do processo 
da significação que se deve compreender.
Portanto, é através dessa busca constante que o gestor deve 
manifestar um querer modificador de suas atribuições fazendo o 
seu diferencial em conduzir seu grupo de trabalho a desenvolver 
no discente a capacidade de ir além da interpretação inicial, 
mas, de construir e reconstruir saberes e sentidos e significados, 
pensando nisso este trabalho foi proposto com intuito de despertar 
nos alunos inúmeros processos de produção de conhecimentos, 
levando-os consequentemente a melhor desenvolver seu cognitivo, 
habilidades e atitudes.
REFERÊNCIAS
ARRAIS, Maria Nazareth de Lima. O fazer semiótico do conto popular nordestino: intersubjetividade 
e inconsciente coletivo. 2011 Teses (Pós-Graduação). Universidade Federal da Paraíba. João Pessoa.
BRASIL, Lei de Diretrizes e B. Lei nº 9.394/96, de 20 de dezembro de 1996.
BRASIL. MEC. Parâmetros Curriculares Nacionais. Linguagens, códigos e suas tecnologias. 
Brasília: MEC/SEE, 1998. Curitiba: Positivo, 2010. 2222 p. ISBN 978-85-385-4198-1.
FERREIRA, Aurélio Buarque de Holanda. Dicionário da língua portuguesa. 5. ed.
FIORIN, José Luiz. Elementos de análise do discurso. 2º. São Paulo. Editora Contexto, 2014.
GREIMAS, Algirdas Julian; FONTANILLE, Jacques. Semiótica das paixões: dos estados de coisas 
aos estados de alma.São Paulo: Ática, 1993.
MARCONI, M. A.; LAKATOS, E. M. Fundamentos de metodologia científica. 7 ed. São Paulo: 
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MATTE, Ana Cristina Fricke; LARA, Glaucia Muniz Poença. UM PANORAMA DA 
SEMIÓTICA GREIMASIANA.  Alfa Revista de Linguistica, São Paulo, v. 53, p.329-350, 
2009. Bimestral. Disponível em: . 
Acesso em: 05 out. 2016.
MINAYO, Maria Cecília Sousa; (Org.). Pesquisa social: teoria, método e criatividade. Petrópolis: 
Vozes, 2001
NOTH, Winfried. Panorama da semiótica: de Platão a Peicer/3º. ed. São Paulo. Editora 
Annablume, 2003.
PATRINI, Maria de Loudes. A renovação do conto. São Paulo: Cortez, 2005, p17.
- Graduada em Letras
- Pós-Graduada em Gestão Escolar e Coord. Pedagógica
- Experiência em produção textual, discurso, leitura e 
produção de gênero.
Marta Kécia Fernandes Damasceno
114 115
Este trabalho busca explorar meios de melhorias para 
construção e organização de ideais que facilitem e desenvolvam 
um trabalho de qualificação na escola atual, visa esclarecer resposta 
de professores, pais, e alunos que buscam uma escola de qualidade 
e uma aprendizagem diferenciada. Tem como objetivo principal 
contemplar de forma coerente a funcionabilidade do gestor e as 
principais discussões, visando fortalecer a administração da instituição 
de ensino escolar, pois o alunado não aprende apenas em sala de aula, 
na educação formal, mas também de forma informal fora da escola. 
Neste conteúdo estão programadas algumas técnicas de 
ensino que poderão ser utilizadas durante toda trajetória do ano 
letivo com tópicos que organizam a vida escolar da direção e mantém 
regras de convivência entre a equipe. Durante o estudo e pesquisa 
sobre o tema abordado, relação gestor e escola, foi procurado manter 
o foco e rever alguns objetivos que a gestão explora em geral para o 
domínio da cultura dos indivíduos que nela habitam.
 Esses são os principais focos do artigo, mostrar as melhores 
maneiras e técnicas escolares construindo sempre pilares que possam 
Princípios E Métodos 
da Gestão Escolar
Josefa Nadjela Aquino de Souza 
Capítulo VI
116 117
fortalecer e desenvolver produtividade no ensino usandomeios 
tecnológicos que facilitam e mostram variedades de melhor usar a 
tecnologia e assim distribuir com facilidade o que se aprende e pratica. 
Nas últimas décadas, várias mudanças foram inseridas 
na sociedade e em todo mundo, hoje a escola está cada vez mais 
engajada no meio tecnológico. Essa nova era distribui uma forma 
de trabalho facilitador para organização do gestor e de sua equipe. 
Com o fenômeno da globalização, todos estão sendo 
desafiados a ter participação dessa nova realidade, que é 
potencializada aos meios de comunicação e informação. É 
importante que o líder foque na aprendizagem e que esteja 
disposto para enfrentar novos desafios que surgirem no caminho, 
com mudança em tempo real, onde o ser humano adapta-se da 
tecnologia como ferramenta para melhor trabalhar e distribuir 
suas ideias e descobertas. 
O DESENVOLVIMENTO DO GESTOR NA ESCOLA ATUAL
A escola, ao longo dos anos, vem se transformando 
paulatinamente. O lado tradicional ainda está sendo utilizado para 
alfabetização nas instituições de ensino da rede pública tendo como 
principal objetivo o desenvolvimento do indivíduo. Sem dúvida, tem 
passado por um processo de grandes descobertas, devido às mudanças 
trazidas com as novas tecnologias que, muitas vezes, são facilitadoras no 
ato de ensinar e junto com o modo tradicional fortalece a curiosidade 
do alunado procurando adquirir o melhor resultado, com aulas que 
despertem o interesse do aluno no decorrer do ano letivo.
Nos primórdios, a escola diretiva autoritária, contava com o 
total apoio do governo, que ajudava para as melhorias na aprendizagem 
com intenção de diminuir o analfabetismo escolar, mas com o passar do 
tempo os gestores descobriram novas formas de trabalho, ampliando 
em sala novos conteúdos e métodos de ensino que fossem transmitidos 
da melhor maneira. Em todos os aspectos educacionais aconteceram 
fartas transformações em relação ao gestor, os novos meios de trabalho 
tiveram total relevância no desenvolvimento escolar.
Durante a trajetória escolar o principal conceito da gestão 
consiste no sistema de organização interna da escola, envolvendo 
todas as práticas escolares, tendo como principal objetivo garantir 
o empenho na instituição de ensino. As instituições escolares 
vêm sendo pressionadas para melhor rever seu papel diante das 
transformações que ocorrem de fato com os avanços dos meios 
de informações que facilitam nos processos, tanto de adaptação 
quanto de aprendizagem. Mediante essas transformações o gestor 
responsável por toda escola, deve sempre estar preparado para esses 
processos de comutação, que de forma direta ou indireta chegam 
até o ambiente educacional. O gestor por sua vez tem que estar 
sempre atento aos novos desafios que afetam as demandas escolares 
por exigirem dele novas atenções e conhecimentos e habilidades. 
Segundo Libâneo:
A escola necessária para fazer frente a essas realidades e a 
que prevê informação cultural e cientifica que possibilita o 
contato dos alunos com a cultura aquela cultura provida pela 
ciência, pela técnica pela linguagem, pela estética, pela ética: 
Especialmente uma escola de qualidade é aquela que inclui 
uma escola contra a exclusão econômica política, cultura 
pedagógica. (LIBANEO, 2004, p. 07).
Fundamentada na citação acima, não existe escola perfeita e sim 
pessoas que lutam para chegarem a uma solução que inclui o ser humano 
como o reflexo do trabalho para melhor chegar ao resultado almejado 
pelos constituintes da escola, que procuram deixar de lado qualquer 
tipo de exclusão a cultura ou qualquer outra forma de abrangimento, 
dando espaço ao membro gestor e aos docentes e discentes a terem o 
118 119
privilégio de se pronunciar e despejar suas ideias, onde todos possam 
expressar suas realidades e assim conviver em harmonia, para assim 
manter e melhorar os resultados no decorrer do ano letivo. 
José Carlos Libâneo comenta que para a escola exercer seu 
papel na constituição da democracia social política é necessária 
seguir os seguintes objetivos:
Promover o desenvolvimento de capacidade cognitiva, ope-
rativa e sócias dos alunos (processos mentais estratégicos de 
aprendizagem, competência do pensar pensamentos críticos). 
Por meio dos conteúdos escolares. 2. Promover as condições 
para o fortalecimento da subjetividade e da identidade cultural 
dos alunos, incluindo o desenvolvimento da criatividade, sensi-
bilidade, da imaginação. 3. Preparar para o trabalho e para a so-
ciedade tecnológica e comunicacional, implicando preparação 
tecnológica (saber tomar decisões, fazer analises globalizantes, 
interpretar informação de toda natureza, ter atitude de pesquisa, 
saber trabalhar junto etc.) 4. Formar para cidadania crítica, isto 
é formar um cidadãos trabalhador capaz de interferir critica-
mente na realidade na realidade para transformá-la e não ape-
nas formar para integrar o mercado de trabalho. 5. Desenvolver 
a formação para valores éticos, isto é, formação de qualidade 
morais, traços de caráter, atitudes, convicções humanistas e hu-
manitárias.(LIBANEO, 2001 a 2004, p. 7 e 8). 
Sendo assim, a escola deseja tornar os alunos seres pensantes 
capazes de expressar suas ideias, e demonstrar seus valores, perante 
a sociedade democrática, portanto promovendo para o indivíduo o 
domínio do conhecimento e habilidades de pensamentos. Mostrando 
que, todos são capazes, respeitando em modo geral toda a cultura e 
também a individualidade. Propõe que a escola contemporânea seja 
usada para melhor ingressar o aluno no meio social e comunicacional, 
pois assim o gestor está ajudando ao aluno de forma individual 
tornando-se em seres que estão expondo seus valores e critérios de 
decisões e ações onde estão envolvidos todos os problemas do mundo 
e da economia, do comunismo das relações humanas envolvendo 
questões raciais, de gênero, das minorias culturais. Então relacionados 
a todos os itens é de total importância que a escola de forma geral 
tenha total atenção na aprendizagem pondo-se como foco principal 
o projeto curricular da instituição, que, sem dúvida, tem que estar 
preparada para as inovações, oferecer serviços e resultados. Assim está 
sendo imposto um desafio a esse lugar de ensino do terceiro milênio. 
Segundo Libâneo:
É preciso considerar, além disso que os alunos trazem para 
a escola e para as salas de aula um conjunto de significados, 
valores, crenças, modos de agir, resultante de aprendizagens 
informais, que muitos autores chamam de cultura paralela ou 
currículo extraescolar. Fazem parte dessa cultura paralela o 
cinema, a tv, os vídeos, as conversas entre adultos e entre os 
amigos, as revistas populares, o rádio, de onde os alunos ex-
traem sua forma de ver o mundo, as pessoas, as diferentes 
culturas, povos etc. A organização escolar e os professores 
precisam saber como articular essas culturas, ajudar os alunos 
a fazerem as ligações entre a cultura elaborada e a sua cultura 
cotidiana, de modo que adquiram instrumentos conceituais, 
formas do pensar e de sentir, para interpretar a realidade e 
intervir nela.” (LIBANEO, 2004, p.11).
 Alicerçada na opinião de Libâneo aqui citada, é 
importante rever todas as situações que estão relacionadas a novos 
meios culturais e sociais, trazendo sempre o diferencial, para que 
sejam sempre bem vistos os trabalhos e as melhores maneiras de 
individualismo e cultura de gênero. Uma das principais funções 
para a escola é interagir e articular-se com práticas sociais. Assim 
a relação entre o gestor e alunos desenvolve um ato de confiança 
e ajuda na medrar da aprendizagem, torna a socialização entre 
membros, dispostos ao diálogo diário para a inovação de maneiras 
120 121
de convivência, pois os meios que cada um traz para a escola tem 
o mesmo sentido, são apenas expostos por costumes diferentes.
MÉTODOS UTILIZADOS PARA UM BOM DESENVOLVIMENTO 
NA GESTÃO 
O Gestor é um membro importante na escola, pois traz 
com ele todo processo de responsabilidade escolar. Trata-se portanto 
de umaárea onde todos os dias tem-se coisas novas a aprender para 
que a atuação desse diretor seja sempre vista com compromisso 
coletivo e defesa para o ambiente escolar. A relação gestor e aluno 
estão relacionados ao Projeto Político Pedagógico conhecido como o 
PPP. A escola precisa sempre criar mecanismos que estejam ligados a 
comunidade escolar na organização e gestão. Durante o período escolar 
são elaborados os planejamentos, no PPP são expostas atividades que 
devem ser aplicadas com toda comunidade escolar. Essa comunidade 
é composta por professores, alunos, funcionários e pais.
Segundo a legislação direta, Artigo 12 da Lei nº 9.394 de 
20 de Dezembro de 1996:
Os estabelecimentos de ensino, respeitadas as normas comuns e 
as do seu sistema de ensino, terão a incumbência de: I - elaborar 
e executar sua proposta pedagógica; II - administrar seu pessoal 
e seus recursos materiais e financeiros; III - assegurar o cumpri-
mento dos dias letivos e horas-aula estabelecidas; IV - velar pelo 
cumprimento do plano de trabalho de cada docente; V - prover 
meios para a recuperação dos alunos de menor rendimento; VI - 
articular-se com as famílias e a comunidade, criando processos 
de integração da sociedade com a escola; VII - informar os pais 
e responsáveis sobre a frequência e o rendimento dos alunos, 
bem como sobre a execução de sua proposta pedagógica; VII - 
informar pai e mãe, conviventes ou não com seus filhos, e, se for 
o caso, os responsáveis legais, sobre a frequência e rendimento 
dos alunos, bem como sobre a execução da proposta pedagógica 
da escola. (Redação dada pela Lei nº 12.013, de 2009); VIII - 
notificar ao Conselho Tutelar do Município, ao juiz competente 
da Comarca e ao respectivo representante do Ministério Público 
a relação dos alunos que apresentem quantidade de faltas acima 
de cinquenta por cento do percentual permitido em lei. (Incluído 
pela Lei nº 10.287, de 2001). (VIEIRA 2008 p.43).
Como explicitado acima, o gestor por sua vez tem que 
sempre esclarecer relações de convivência e atualidades com os 
dirigentes que estão engajados na instituição de ensino. Assim 
seguindo as regras da LDB, que foi criada para garantir a toda 
população em geral ter o total acesso à educação gratuita e de 
qualidade, para valorizar os profissionais da educação, estabelecer o 
dever da união do estado e dos municípios com educação pública. 
Lei de diretrizes está nas escolas colocando em práticas o ensino 
para melhor ser a administração escolar, em geral favorecendo ao 
gestor e alunos. Para que melhor seja a aprendizagem do indivíduo. 
Estão aqui alguns tópicos de favorecimento ao convívio 
escolar: Proporcionar nas instituições de ensino o melhor 
relacionamento entre os membros; sobre os problemas evidenciados 
procurar obter o melhor resultado; desenvolver soluções para as 
propostas inovadoras; conhecer as melhores técnicas de trabalho; 
estabelecer regras entre todos os participantes da escola; manter 
sempre a escola como centro da sociedade para que todos estejam 
engajados nas mudanças de paradigmas; mencionar sempre que 
preciso alianças e parcerias com outras unidades escolares.
Manter sempre a escola como foco para um 
desenvolvimento de qualidade ajuda sem sombras de dúvida ao 
gestor e toda sua equipe, o gestor escolar tem que se conscientizar 
de que ele não faz nada sozinho, pois todos os problemas da escola 
deve ter participação dos engajados colocar sempre no caminho a 
descentralização, ou seja, o compartilhamento das responsabilidades 
122 123
com todos que fazem parte da escola é importante, a participação 
de todos é essencial para o desenvolvimento educacional. 
Como o gestor deve agir na escola em caso de inclusão
Como sabemos todos temos uma cultura, vivências e 
necessidades que devem ser respeitados. Alunos com necessidades 
educativas especiais até pouco tempo atrás, não podiam frequentar as 
escolas regulares do ensino público, mas surgiram leis na perspectiva 
da educação como direito de todos. A comunidade escolar tem como 
obrigação orientar os alunos que todos são iguais e não há diferença 
alguma de crença, raça ou cor ou deficiência que faça com que o 
tratamento e os direitos sejam diferentes. 
A ideia de inclusão está firmada no princípio da equipolência 
e heterogeneidade, de acordo com as propostas de uma sociedade 
democrática e justa. De acordo com Carvalho (2007), a Educação 
Inclusiva defende uma escola aberta a todos, uma vez que nossa 
sociedade é plural e democrática, oferecendo subsídios e iguais 
oportunidades para que os alunos ingressem, permaneçam e, 
principalmente, participem do processo de aprendizagem, sendo 
construtores do seu próprio conhecimento. Sendo assim a gestão 
escolar democrática onde existe a participação de todos ali envolvidos 
transforma a escola em um lugar mais ativo, é necessário o diálogo com 
todos que fazem parte daquela educação, mediado pelo gestor onde 
todos possam enfrentar as dificuldades existentes com a educação. 
No artigo da LDB 58, O Legislador diz que haverá, quando 
necessário, serviço de apoio especializado, na escola regular, 
para entender as peculiaridades da clientela de educação 
especial. (LDB, artigo 58, 1996).
Como citado a cima, na Lei de Diretrizes, está sendo 
esclarecido que em toda escola regular deve ter acompanhamento 
aos portadores de deficiências especiais. Pois com relação ao 
nível de cada escola o gestor entra com seu papel de educador, 
e trabalha com cada aluno uma maneira de melhor obter o 
respeito de todos, classificar maneiras que eles sintam-se à 
vontade e sejam bem tratados na atual instituição valorizando 
os diferentes níveis de cada um, lembrando que todos tem seu 
espaço na escola que a recebe. 
No artigo 59 da LDB diz que o sistema de ensino assegurará 
aos educacionais com necessidades especiais. 
Valorizando esse ponto que o sistema assegura, cabe dizer 
que é essencial o acompanhamento do gestor e da família, assim 
pode se trabalhar esse mecanismo completo, trazendo para a escola 
o apoio total dos que fazem parte do processo de vida do sujeito. 
E importante sim que o gestor passe a envolver todos agregados e 
toda a comunidade escolar para obter o menor preconceito possível. 
Embora saibam que existem outros preconceitos, a família deve ter 
total acompanhamento nesse processo. 
Convidar aqueles que (de alguma forma) têm esperado para 
entrar e pedir-lhes para ajudar a desenhar novos sistemas 
que encorajem todas as pessoas a participar da completude 
de suas capacidades – como companheiros e como membros 
(MANTOAN, 2005, p.137).
 É notado que está acontecendo uma nova reestruturação do 
sistema educacional, propondo as escolas que vá de encontro com as 
dessemelhanças humanas. Ferreira e Guimarães (2003) afirmam que foi 
na Idade Moderna o homem passa a ser entendido como animal racional 
e trabalha para atingir a igualdade. Nesse novo ambiente escolar existe 
uma democratização em que novos grupos sociais se formam e novos 
conhecimentos são adquiridos, desligando com o velho modelo escolar, 
e obtendo a inclusão escolar o seu objetivo maior. 
Sobre o tema foi citado:
124 125
As necessidades básicas de aprendizagem das pessoas 
portadoras de deficiência requerem atenção especial. É preciso 
tomar medidas que garantam a igualdade de acesso à educação 
aos portadores de todo e qualquer tipo de deficiência, como 
parte do sistema educativo (BRASIL, 1990, p. 4).
A Política Nacional de Educação Especial visa à inserção do 
aluno deficiente integrado à sala de regular, no qual afirma que as 
crianças têm a mesma condição de acompanhar o ensino comum da 
mesma forma dos alunos não deficiente.
GESTÃO E COORDENAÇÃO 
Essas duas funções andam lado a lado no processo 
educacional, pois a relação e parceria são importantes para o trabalho 
ter a produtividade necessária. Esse envolvimento, e foco a escola não 
pode deixar de ter, pois o coordenador pedagógico deve garantir uma 
autonomia na organização do trabalho, ou melhor, total influência,pois além de ajudar ao diretor colabora com o trabalho dos professores. 
Na escola, além de tudo ele vive o conflito de, ao mesmo tempo, 
ser professor e coordenador; ligar-se ao diretor assessorando-o 
no comprimento de tarefas administrativas-burocráticas de 
que esse se ocupa e ao professor, que dele espera ´´receitas 
milagrosas´´ para fazer pedagógicas. (FERNANDES 2002, p. 117).
O Coordenador como exposto na citação tem uma relação de 
muito apoio com os professores e diretores, sem contar que a falta de 
condições de trabalho é grande, mas mesmo assim estabelecem uma 
relação de apoio aos colegas, com propostas no processo de ensino-
aprendizagem para os professores e para os diretores. A família tem 
um papel forte para o desenvolvimento, como já bastante discutido 
a escola não funciona sozinha apenas com o diretor, tem que haver 
sem dúvidas outras propostas estabelecidas pelo atual coordenador 
onde oriente e busque verificar a necessidade de cada escola e fazer 
funcionar o seu papel com total responsabilidade e compromisso.
Provoca a pensar-se em outra Óptica para deslocar, eixo das 
verdades, elaboradas a seguinte questão: por que atribuímos 
ao diretor a capacidade de fazer o supervisor avançar ou 
regredir na sua atuação? Certamente porque o cotidiano desse 
profissional sofre influência constante na gestão escolar, como 
se texto, diretamente ligado a relação de poder entre gestor 
e coordenador pedagógico. Talvez esse diagnostico esteja 
pautado na nomeação político-partidária, na falta de formação 
gestores e até na carência conceitual dos gestores sobre as 
ações dos coordenador pedagógico, desencadeando a postura 
de diretor meramente reativo. (MEDINA, 2008 p. 16). 
Um bom diretor precisar saber ouvir, interpretar, observar, 
somente haverá melhorias na aprendizagem se todos tiverem 
sintonizado no trabalho escolar. Nesse caso sempre é válido que o 
diretor deixe um pouco dos seus conhecimentos ao coordenador, para 
quando estiver ausente haja um represente na direção escolar que tenha 
total habilidade, quando algo aconteça na unidade. Pois no mesmo 
instante não falte um representante a altura para qualquer problema 
que possa acontecer na ausência do diretor, isso se chama trabalho em 
equipe. Sabe-se que todos têm sua função, mas mesmo assim podem 
surgir dúvidas algumas tarefas que colaboram com saberes diferente 
e ideias para melhor ser direcionados os atuantes trabalhos diários e 
importantes esse convívio entre o diretor e coordenador. 
 Para Luck:
Portanto, quando se pensar em algum setor da escola, deve-
se pensar em suas relações com os demais setores, bem 
como a comunidade. Sendo assim, aborda-se a coordenação 
pedagógica e sua estreita relação com a gestão, conceitos e 
126 127
reflexões em torno do trabalho da coordenação, que sofre 
diuturnamente influências de diferentes tipos de gestões 
escolares (LUCK, 2007 p.10).
Segundo as palavras de Luck, a escola tem que estar sempre se 
movimentando, organizando e revendo formas de melhor se encaixar 
e acompanhar o trabalho de todos das diferentes funções que cada ser 
está exercendo em outros setores da escola. Setores esses que ajudam 
no estabelecimento e desenvolvimento equilibrado da escola. 
Pensando sobre o que foi exposto anteriormente, é 
exatamente por isso que o coordenador deve estar presente em 
tudo que diz respeito à direção, para assim adquirir conhecimento 
e melhor explorar sua função. Pois o coordenador pode e deve 
ajudar ao diretor no funcionamento das atividades diárias, assim a 
escola nunca estará sem propostas pedagógicas, mantendo cada um 
fazendo sua função mas com o mérito de não deixar de ajudar com 
ideias e com criatividade que sejam vinculadas ao bem do aluno. 
Pois esse compromisso se traduz de forma coletiva na ação dos 
envolvidos no processo educacional fortalecendo melhorias nos 
princípios de boa convivência do gestor e coordenador. Usando 
o mesmo objetivo, valores, e princípios para um trabalho de 
qualidade e com estratégias de desenvolvimento para aprendizagem 
do aluno.
RESULTADOS DA PESQUISA
Em relação à gestão, pode-se falar que está em um processo 
democrático, que se faz com a participação de todos para um bem 
comum, que é melhorar do aprendizado, e da escola em geral. Uma das 
maiores dificuldades encontradas e percebidas durante essa pesquisa, 
foi a falta de recursos para melhor administrar a unidade escolar, 
mesmo com esse e outros impasses a comunidade escolar trabalha de 
forma eficiente procurando atender a toda clientela ali matriculada.
Sobre o coordenador, pode-se sopesar de suma importância 
sua presença na escola, dando suporte aos docentes, alunado e pais. 
Incumbe a este intervir no processo de organização, planejamento 
e nas atividades do cotidiano escolar.
Apesar do pouco contato com a escola para realização desse 
trabalho, foi visto pelas pesquisas literárias realizadas o empenho 
e dedicação dos profissionais atuantes desde os professores até o 
núcleo gestor e todos que fazem parte da unidade o empenho e 
dedicação dessas pessoas que disponibilizam seu tempo, atenção e 
cuidado para melhorar a educação. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
As incumbências do gestor como diretor escolar são de fácil 
acesso, pois estão descritas em inúmeros documentos, livros e leis, 
porém só consegue enxergar esse profissional com tantas dificuldades 
e imprevistos rotineiros quem está ali na prática, acompanhando 
cada detalhe. A maioria desses embaraços são árduos de serem 
superados, com isso gestor deve ter consciência do seu papel no 
espaço escolar, sempre refletindo e avaliando seus deveres.
O diretor escolar como líder de sua equipe e pré-posto da unidade 
educativa perante a comunidade deve sempre realizar um trabalho 
coletivo, estando sempre aberto a diálogos dentro e fora da escola. As 
suas atitudes tanto de liderança como democráticas são reveladas a partir 
de suas próprias concepções sobre educação, ensino e mudança.
O responsável pela direção escolar tem como função 
conseguir efetivar o trabalho educacional servindo-se de 
pouquíssimo para realizar muito, superar as dificuldades com falta 
de materiais e funcionários, as necessidades e contribuições dos 
pais além de estar presente no trabalho pedagógico criando meios 
e estratégias para o bom desenvolver da escola.
128 129
Portanto esse trabalho deve ser feito com confiança e 
perseverança, para que a comunidade em geral entenda que juntos 
podem transformar a realidade da escola, excedendo as faltas e 
dificuldades que não são poucas e a transformando num lugar de 
aprendizado prazeroso, transformador e produtivo. 
REFERÊNCIAS
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil. São Paulo: Atlas, 1988.
CARVALHO, R.E. Removendo barreiras para a aprendizagem. 7. ed. Porto Alegre: Mediação, 2007.
DIREITONET, O Direito à Educação Especial Disponível em acesso em: 07 de junho de 2018.
FERREIRA, M. E. C; GUIMARÃES, M. Educação Inclusiva. Rio de Janeiro: DP & A, 2003.
LDB. Lei de Diretrizes e Bases da Educação. Disponível em: . 
LÍBANO, José Carlos. Organização e gestão escolar. Teoria e pratica. Editora alternativa. 1 Edição 
2001 5 Edição 2005.
LUCK, Heloisa. A escola participativa. O trabalho do gestor escolar. 5 ed. Rio de Janeiro. DP & A, 2001.
MANTOAN, M. T. E. e Colaboradores. A Integração de Pessoas com Deficiência: contribuições para 
uma reflexão sobre o tema Ed. Memnon. Edições Científicas Ltda.: Ed. SENAC, São Paulo, 1997.
ORSOLON, Luzia Angelina Marino. O coordenador/formador como um dos agentes de 
transformação da/na escola. In: ALMEIDA, Laurinda Ramalho de.
PLACCO, Vera Maria Nigro de Souza (orgs.). O coordenador pedagógico e o espaço da mudança. 
São Paulo: Loyola, 2001, p. 17-25. Medina 2008 p. 16).
SOARES, Andrey Felipe. Gestão escolar e coordenação pedagógica: uma relação complexa.MEDINA 2008.
A educação é uma atividade que está intimamente ligada 
com a comunicação. Por essa razão, as propostas pedagógicas 
devem auxiliar nesse processo de ensino-aprendizagem, que 
sejam capazes de falar a linguagem para qualquer público, desde 
o mais exigente até o mais leigo de acordo com os variados 
temas inerentes a educação em todos os níveis.
Na Educação Matemática também não é diferente, e 
atualmente, encontra-se em um momento no qual as estatísticas 
não são otimistas em relação ao contexto de aprendizagem. O 
ápice, até então conduz refletir sobre a importância do quê, por 
quê e como ensinar os conhecimentos especificamente trabalhados 
em sala de aula, processo esse que transcorre com muita dificuldade 
para a maioria dos professores de matemática.
Apesar do grande avanço lúdico já conquistado nos dias 
de hoje no Ensino da Matemática como um todo, se faz necessário 
buscar meios precisos que possam suprir as lacunas geradas pelo 
Matemágica: 
O Segredo da Matemática na Sala de Aula
Francisco Robson de Brito Gonçalves
Ricardo Souza e Silva
Capítulo VII
- Licenciada em Pedagogia
- Pós-Graduada em Gestão Escolar 
xe Coordenação Pedagógica
Josefa Nadjela Aquino de Souza
130 131
comodismo e a tão falada zona de conforto, responsáveis pelo 
repetitivo ato de ensinar.
Nesse contexto, a necessidade de moldar as condicionantes 
que atuam na formação intelectual de aprendizagem, pode-se destacar 
a criatividade, mesmo sabendo que se trata de um fenômeno complexo, 
e pouco explorado, sobretudo no ambiente educacional, na qual o 
professor tem o dever de promovê-la na formação de seus alunos.
Baseando-se sobre essa nova tendência, objetivamos 
avaliar a mágica inserida num contexto matemático como uma 
forma de motivar, assimilar e desenvolver a criatividade diante 
das adversidades encontradas pelo educador, mediante a tais 
circunstâncias emergenciais nas ministrações matemáticas.
A ideia foi apresentada aos alunos de graduação do 5º Semestre 
do Curso de Licenciatura em Matemática durante a ministração 
de um minicurso na Universidade Regional do Cariri – URCA na 
disciplina de Prática III – Filosofia da Educação Matemática.
MATEMÁGICAS: TRUQUE OU MÁGICA?
Embora, ambas as palavras truque e mágica sejam vistas 
como sinônimos para muitos autores há uma sutil diferença. Para 
Ávila (2012) a utilização da palavra truque para se referir como 
uma mágica é tanto, quanto pejorativa. Na realidade o truque está 
relacionado com a habilidade técnica empregada pela destreza das 
mãos e a mágica em si é o efeito produzido que irá interferir na 
emoção e nos sentimentos das pessoas, pois a mágica não acontece 
nas mãos do mágico e sim na mente das pessoas, ao contrário do 
truque (ÁVILA, 2012).
Transformar um truque em um efeito mágico é 
fundamental para dar sentido as definições distintas a que o 
truque se propõe, pois necessita de um propósito para que fique 
marcado o fenômeno único de encanto. Talvez, seja essa a razão 
que a matemática encanta muita gente, pois muitos truques de 
mágica baseiam-se em conceitos matemáticos. 
Nesse caso, a matemática será utilizada como um truque 
e a mágica será o efeito que produzirá na mente dos alunos, uma 
vez que ela irá despertar o interesse para desvendar seus segredos.
A MÁGICA NO ENSINO DA MATEMÁTICA
“Se uma pessoa não pode aprender da maneira que é ensinada, 
é melhor ensiná-la da maneira que pode aprender”. 
Marion Welchmann 
A concepção da mágica, como instrumento lúdico, tem 
como objetivo a racionalização dos aspectos não intencionais 
provocados pelo professor (MORALES, 2006). O autor ainda 
informa que a aceitação efetiva é incondicional, sendo esta um 
conjunto posterior aos atributos que o professor deve ter como a 
competência e dominar o conteúdo.
Torrance (1987) afirma que é factível se educar a refletir 
criativamente, utilizando-se de vários métodos, sendo a função 
cognitiva e emocional o melhor deles, possibilitando uma estrutura 
adequada e motivação necessária para dar oportunidades para o 
envolvimento prático e interativo entre professores e alunos. O autor 
ainda complementa que tais condições motivadoras e facilitadoras 
são essenciais para estimular a criatividade, principalmente quando 
o professor é determinado a se envolver no processo.
Para Wechsler (2001, 2002), um professor criativo é aquele 
que está acessível a novas experiências e, assume uma postura de 
132 133
facilitador, quebrando paradigmas da educação tradicional devido 
a sua ousadia, curiosidade, confiança e paixão pelo que faz.
De acordo com essas perspectivas a ludicidade tem se 
tornado um meio para o professor atingir esses objetivos. Assim, 
essas atividades emergem de uma elaboração livre e exploram a 
criatividade e desenvolvem o processo cognitivo de aprendizagem. 
A mágica, se bem utilizada, pode ser relevante para 
contribuir com a matemática, pois desperta interesse em quem a 
contempla. O seu emprego favorece o entretenimento e conciliada 
com os aspectos de desenvolvimento educacional irá proporcionar 
uma formação mais consistente ao discente por proporcionar 
atividades de socialização e estímulos.
Naturalmente, o uso da Matemágica será o fio condutor 
na troca de informações e racionalização dos conteúdos, atuando 
na contextualização que a própria disciplina proporciona visando 
um bom desenvolvimento do ambiente educacional propiciando 
a alegria e a surpresa. A alegria torna o ambiente prazeroso e a 
surpresa causa expectativas que são sempre renovadas.
Na sequência, a Matemágica foi apresentada como 
recurso pedagógico para o Ensino da Matemática com o intuito 
de construir e analisar alguns truques simples que pudessem 
mostrar uma Matemática divertida e chamar a atenção para 
seu estudo, mostrando o efeito e a sua revelação. Os truques 
apresentados foram os seguintes: Cartelas Mágicas, Quadrado 
Mágico, Memória Fotográfica, Descobrindo a Idade, 
Descobrindo o Dia de Nascimento, Surpresa Matemática. 
TRUQUES MATEMÁGICOS 
A utilização da mágica como recurso pedagógico no 
Ensino da Matemática, se caracteriza pelo uso de inúmeros 
truques, porém serão analisados os efeitos e revelados os segredos 
dos truques escolhidos durante o minicurso.
Cartelas Mágicas
EfEito
O mágico mostra seis cartelas (figura 1) e pede para o 
espectador pensar em um número de 1 a 63. Após o espectador 
dizer em quais cartelas o número pensado está o mágico revela 
qual foi o número pensado.
Figura 1
134 135
Vamos supor que o espectador fale que a sua idade 
ou o número pensado está nas cartelas 1 e 4 de acordo com 
a sequência de cartelas expostas. Logo, o mágico revela que o 
número pensado foi 33.
Segredo
O número pensado é equivalente ao somatório dos 
números pertencentes a primeira linha e primeira coluna de 
cada cartela que contém o número escolhido. Como no exemplo 
acima o número pensado foi 33 dispostos nas cartelas 1 e 4, basta 
somar os números respectivamente da primeira linha e primeira 
coluna que são: 1 + 32 = 33.
Quadrado Mágico 4x4
Efeito
O mágico pede para o espectador falar um número maior que 
20. Em seguida o mágico desenha uma tabela 4x4 e começa a enumerá-
la aleatoriamente. Depois de preencher toda a tabela, o mágico pede 
para o espectador somar a primeira coluna de forma que o resultado é 
igual ao número que o espectador escolheu. Sucessivamente, a soma é 
feita com cada coluna e linha separadamente, de forma que o resultado 
da soma equivale ao número escolhido. Não satisfeito o mágico pede 
para o espectador somar as diagonais e o resultado incrivelmente é 
igual ao número escolhido. Para impressionar o espectador o mágico 
pede que o mesmo some outras combinações da tabela que ainda 
assim, o resultado do número equivale ao que o espectador havia 
escolhido, conforme demonstração abaixo.
Vamos supor que o espectador escolheu o número 30. 
Daí o mágico elaborou a seguinte tabela e preencheu da seguinte 
forma, conforme visto na figura 2:
Sucessivamente, para finalizar, omágico faz a seguinte 
combinação de números para serem somados conforme os números 
destacados nas figuras 3 e 4, onde incrivelmente o resultado é o 
mesmo número escolhido pelo espectador.
Segredo
Existem várias possibilidades para a construção do 
quadrado mágico, porém será revelada apenas a que foi 
136 137
utilizada no exemplo de forma bem simples e sem o formalismo 
matemático.
Figura 5
x = número escolhido – 20
No caso do exemplo o número 
escolhido foi 30, então x = 30 – 20 = 10
Substitui o valor de x nos outros 
casos e obtém os números.
Os outros número são valores fixos 
que podem ser facilmente memorizados.
Figura 6
“O” e vice-versa. Assim que é feito essa troca, imediatamente o 
mágico advinha o local exato onde foi feita a inversão pelo espectador. 
Não satisfeito, o mágico faz novos preenchimentos no 
tabuleiro e transforma numa matriz 7x7 e pede para o espectador 
repetir o procedimento sem o mágico ver, e novamente, num passe 
de mágica, ele advinha o local exato que foi invertido.
Segredo
O mágico deve completar o tabuleiro formando as matrizes 
de maneira que a quantidade de símbolos feita pelo espectador 
resulte em quantidade de pares tanto nas linhas, quanto nas colunas. 
Contudo, pode existir um problema em relação ao preenchimento 
do símbolo que vai completar a diagonal, conforme exemplo 
abaixo:
O mágico deve completar o tabuleiro formando as matrizes de maneira que a 
quantidade de símbolos feita pelo espectador resulte em quantidade de pares tanto nas 
linhas, quanto nas colunas. Contudo, pode existir um problema em relação ao 
preenchimento do símbolo que vai completar a diagonal, conforme exemplo abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 
 
Observe que o preenchimento pelo mágico se daria da seguinte forma nas 
linhas e colunas, conforme consta na figura 7, porém a diagonal da matriz que contém o 
símbolo de “?” ficaria como? 
Para ajustar essa casa, devemos supor que a “O” seja o número 1 e “X” seja -1, 
consequentemente, iremos fazer o produto, veja: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 
Logo, o valor da casa que irá completar a 
diagonal deverá ser o produto total de toda a matriz 5x5 destacada nas cores pretas. 
 
O X X O X X 
O O O O O O 
O X X O O O 
X O O O X O 
X O X X X O 
O O X X X ? 
 
1 -1 -1 1 -1 -1 
1 1 1 1 1 1 
1 -1 -1 1 1 1 
-1 1 1 1 -1 1 
-1 1 -1 -1 -1 1 
1 1 -1 -1 -1 -1 
 
Memória Fotográfica
Efeito 
O mágico desenha um tabuleiro no quadro de maneira 
que fique destacada uma matriz 5x5 e pede para que o espectador 
preencha a matriz como se tivesse preenchendo um jogo da velha, ou 
seja, colocando “X” ou “O” da maneira que ele desejar. Terminado 
esse procedimento, numa 
tentativa de deixar o tabuleiro 
ainda mais complexo, o mágico 
acrescenta mais símbolos “X” 
e “O”, transformando numa 
matriz 6x6, assim descrito na 
figura 6.
Logo após, o mágico 
fica de costas e pede que o 
espectador inverta um dos 
símbolos, por exemplo, onde 
tem o símbolo “X” trocar por 
Figura 7
Observe que o preenchimento pelo mágico se daria da 
seguinte forma nas linhas e colunas, conforme consta na figura 
7, porém a diagonal da matriz que contém o símbolo de “?” 
ficaria como?
138 139
Para ajustar essa casa, devemos supor que a “O” seja 
o número 1 e “X” seja -1, consequentemente, iremos fazer o 
produto, veja:
Segredo
Para realizar esse truque deve-se seguir rigorosamente o 
passo a passo descrito no efeito e se possível com o auxílio de 
uma calculadora. Após o espectador revelar o resultado final da 
operação, o mágico subtrai 365 e soma ao restante 115. O mágico 
deve lembrar que os últimos dois números do resultado final do 
cálculo darão a idade da pessoa, enquanto o primeiro número, ou 
números, denotará o mês de nascimento, ficando fácil descobrir 
o ano que a pessoa nasceu.
Para descobrir o ano de nascimento, basta apenas subtrair 
a idade do ano atual. Vamos ver na prática como funciona:
Se uma pessoa tem 21 anos e nasceu em fevereiro, as 
operações são as seguintes:
Multiplica-se 2 por 2 e soma-se 5, multiplica-se o 
resultado por 50, soma-se a idade, subtrai 365, soma-se 115, 
sendo que o mágico só fará as duas últimas operações, as demais 
é o participante. 
Seguindo as instruções passo a passo, fica:
2 x 2 = 4
4 + 5 = 9
9 x 50 = 450
450 + 21 = 471
471 – 365 = 106
106 + 115 = 221
Como o resultado foi 221, logo o primeiro número 2 
corresponde o mês que a pessoa nasceu e, os outros dois números, 
no caso 21, correspondem a idade da pessoa. Como o ano atual é 
2017, basta fazer 2017 – 21 = 1996.
Portanto, o resultado é fevereiro de 1996. 
O mágico deve completar o tabuleiro formando as matrizes de maneira que a 
quantidade de símbolos feita pelo espectador resulte em quantidade de pares tanto nas 
linhas, quanto nas colunas. Contudo, pode existir um problema em relação ao 
preenchimento do símbolo que vai completar a diagonal, conforme exemplo abaixo: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 7 
 
Observe que o preenchimento pelo mágico se daria da seguinte forma nas 
linhas e colunas, conforme consta na figura 7, porém a diagonal da matriz que contém o 
símbolo de “?” ficaria como? 
Para ajustar essa casa, devemos supor que a “O” seja o número 1 e “X” seja -1, 
consequentemente, iremos fazer o produto, veja: 
 
 
 
 
 
 
 
Figura 8 
Logo, o valor da casa que irá completar a 
diagonal deverá ser o produto total de toda a matriz 5x5 destacada nas cores pretas. 
 
O X X O X X 
O O O O O O 
O X X O O O 
X O O O X O 
X O X X X O 
O O X X X ? 
 
1 -1 -1 1 -1 -1 
1 1 1 1 1 1 
1 -1 -1 1 1 1 
-1 1 1 1 -1 1 
-1 1 -1 -1 -1 1 
1 1 -1 -1 -1 -1 
 
Figura 8
Logo, o valor da casa que irá completar a diagonal deverá 
ser o produto total de toda a matriz 5x5 destacada nas cores pretas.
1.1. Descobrindo a Idade
Efeito
Inicialmente a pessoa selecionada para participar deve 
pensar no número do mês do seu nascimento, por exemplo: 
janeiro 1, fevereiro 2, e assim por diante. Após isto irá pegar esse 
valor e calcular o dobro. Em seguida deverá somar 5 ao resultado 
da etapa anterior. Na sequência da soma realizada multiplicará o 
valor obtido por 50 e, então, soma ao total da sua idade atual.
Feito isso, o mágico pede que apenas o espectador revele 
qual foi o resultado final. Em posse desse número, o mágico 
informa a idade do espectador, o mês de nascimento e o ano que 
a pessoa nasceu.
140 141
Descobrindo o Dia do Nascimento
Efeito
Com apenas o ano de nascimento o mágico revela o dia 
que a pessoa nasceu.
Segredo
Para pessoas nascidas no século 20 (os adultos e adolescentes 
dos nossos dias), o procedimento de cálculo do dia da semana do 
nascimento é o seguinte. O ano em que a pessoa nasceu tem a 
forma 19xy, sendo x o dígito das dezenas e y o dígito das unidades. 
Suponhamos que a pessoa nasceu no dia d do mês m, do ano 19xy 
(a data tem a forma d / m / 19xy). Vamos representar por xy, o 
número correspondente às dezenas e unidades do ano em questão, 
ou seja, xy quer dizer 10x + y, ou ainda, 19xy − 1900. Para calcular 
o dia da semana da data informada, o mágico calcula mentalmente 
o número s = [xy / 4] + xy + d + m*, descartando todos os 
múltiplos de sete contidos no número. Ou seja, ele calcula o resto 
da divisão de [xy / 4] + xy + d + m* por 7. O significado de m* será 
explicado adiante. 
Neste cálculo, [xy / 4] significa o quociente da divisão de 
xy por 4, ou seja, a parte inteira da fração xy / 4. 
O número m* é obtido de m por uma tabela de conversões, 
mostrada abaixo. 
Nos anos bissextos, e somente nestes, para o mês de janeiro 
devemos tomar m* = 0, e para o mês de fevereiro, m* = 3. São anos 
bissextos os anos em que xy é múltiplo de 4. Mas não são bissextos os 
anos múltiplos de 100, exceto os que são também múltiplos de 400. 
Por exemplo, 1984 e 1996 são bissextos, 1900 não é, 
mas 2000 é. Por exemplo, se a pessoa nasceu em 14 de abril de 
1982, o mágico calcula [82 / 4] = 80 / 4 = 20, e então 20 + 82 
+ 14+ 0 (0 é a chave do mês de abril), o cálculo podendo ser 
feito menosprezando os múltiplos de 7. Passo a passo, tomando-
se inicialmente 20, “setes fora”, obtemos 6. Considerando agora 
82, “setes fora” obtemos 5. Já 14, “setes fora”, torna-se 0. Ficamos 
então com 6 + 5 = 11, e “setes fora” obtemos 4. 
Conclusão: o dia da semana é uma quarta-feira.
A conversão do resultado final é simples: 1 = “primeira-
feira” = domingo, 2 = segunda-feira, 3 = terça-feira, 4 = quarta-
feira, 5 = quinta-feira, 6 = sextafeira, 7 (“setes fora” = 0) é sábado. 
Para datas de 2000 em diante, ainda subtraímos 1 ao final. Para 
datas nos anos 18xy, acrescentamos 2 ao final.
segunda-feira, 3 = terça-feira, 4 = quarta-feira, 5 = quinta-feira, 6 = sextafeira, 
7 ("setes fora" = 0) é sábado. Para datas de 2000 em diante, ainda subtraímos 1 ao final. 
Para datas nos anos 18xy, acrescentamos 2 ao final. 
 
MÊS m m* 
Janeiro 1 1 
Fevereiro 2 4 
Março 3 4 
Abril 4 0 
Maio 5 2 
Junho 6 5 
Julho 7 0 
Agosto 8 3 
Setembro 9 6 
Outubro 10 1 
Novembro 11 4 
Dezembro 12 6 
Tabela 2 
Um procedimento de memorização pode ser criado para a tabela acima. O procedimento 
é o seguinte. Janeiro é o mês número 1. Fevereiro tem 4 dias de carnaval 
142 143
Um procedimento de memorização pode ser criado para 
a tabela acima. O procedimento é o seguinte. Janeiro é o mês 
número 1. Fevereiro tem 4 dias de carnaval. Em março temos 
o fechamento de 1/4 do ano. Em abril temos o dia da mentira, 
que merece nota 0. No mês de maio temos o dia das mães no 
2o domingo. Em junho temos a festa de São Pedro (Pedro tem 5 
letras). Em julho zeramos o calendário escolar. 
Em seguida vêm três coisas na sequência: sexta-feira 13 
de agosto, o dia 6 de setembro que poucos sabem, mas é o dia do 
Hino Nacional e em outubro, quando há 1º turno de eleições, é 
no dia 1. Já que 4 de novembro, se comemora o dia do Inventor, 
invente uma para o mês de dezembro.
A aritmética deste truque é fundamentada no fato de que 
ao passar de um ano ao seguinte, em relação aos dias da semana, 
o dia 1º de janeiro movesse para frente em um dia, exceto ao 
passar por um ano bissexto, quando mover-se para frente dois 
dias. Anos comuns tem 52 semanas e 1 dia. Anos bissextos tem 
52 semanas e 2 dias.
Surpresa Matemática
Efeito
O mágico pede que o espectador informe uma milhar 
qualquer, ou seja, com quatro algarismos. Em seguida, o mágico 
escreve uma previsão em um pedaço de papel guardando-o 
no seu bolso. Depois, o mágico pede que o espectador escreva 
outro número de quatro algarismos. Agora é a vez do mágico, e 
este escreve outro número de quatro algarismos. Na sequência, 
o mágico pede que mais uma vez, ele escreva outros números 
formando uma milhar. E para finalizar, o mágico acrescenta mais 
outro número de quatro algarismos. “O mágico, então, pede que 
o espectador faça a soma desses números e o espectador ao fazer 
a soma acha justamente o número que o mágico escreveu como 
previsão” (ALMEIDA, 2014, p.16).
Vamos supor que o número fornecido inicialmente pelo 
espectador foi 3827. Então, o mágico em segredo, escreve uma 
previsão (23825) em um pedaço de papel guardando-o em 
seguida.
Dessa maneira, por exemplo, a sequência das parcelas se 
sucederam:
 
3 8 2 7 Número inicial 
 5 0 4 1 Espectador escreve 
 4 9 5 8 Mágico escreve 
 2 5 3 6 Espectador escreve 
 + 7 4 6 3 Mágico escreve 
 ---------------- 
 2 3 8 2 5 Previsão do Mágico 
 
1.1.1. Segredo 
 
Segredo
Quando o espectador falar o número escolhido, para o 
mágico fazer a previsão, basta subtrair o número por 2 e colocar 
este mesmo 2 na frente do número subtraído, no caso o número 
escolhido foi 3827. Subtraindo esse número por 2, obtemos o 
número 3825. Agora é só acrescentar o numeral 2 na frente e 
terá a seguinte previsão: 23825. A medida que o espectador 
for escrevendo os números, o mágico irá escrevendo as parcelas 
144 145
mágicas de forma que a soma da parcela do espectador com a 
parcela mágica seja igual a 9999. Como no exemplo o espectador 
escreveu a parcela 5041, a parcela mágica será 4958, pois 5041 
+ 4958 = 9999, e assim será na outra parcela mágica de acordo 
com o número que o espectador atribuir.
RESULTADOS E DISCUSSÃO
Em conformidade com os objetivos estabelecidos neste 
estudo de acordo com a proposta do uso da Matemática como 
um truque para tornar num efeito mágico, o minicurso realizado 
atendeu todas as expectativas.
Durante a aplicação dos truques matemágicos, apesar 
da Matemática ser um tema recorrente para os estudantes de 
Licenciatura em Matemática, percebeu-se que o conteúdo 
trabalhado despertou o interesse e a interatividade no momento 
da aplicação aos participantes. 
Para a maioria dos graduandos, alguns truques 
foram inéditos e os mesmos ficaram surpresos, querendo 
respectivamente, desvendar os segredos matemáticos por trás de 
cada truque apresentado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Ao finalizar este estudo, que teve como foco a inserção 
de mágicas contextualizando com a Matemática, evidentemente 
não se tem a presunção de findar este artigo esgotando todas as 
possibilidades pedagógicas no Ensino da Matemática.
Em síntese, foi colocada em evidência a importância 
da arte mágica, como entrega total às atividades que podem 
acompanhar a Matemática através de dinâmicas impactantes, 
enquanto técnica facilitadora no processo de ensino-
aprendizagem, a fim de conquistar cada vez mais o interesse 
dos alunos por essa disciplina.
Nesse raciocínio, faz-se necessário compreender que 
esta metodologia precisa ser planejada e estudada com certa 
profundidade teórica para, então, entendermos as possíveis 
implicações desta expressividade na prática. Todavia, a partir 
destas descobertas, não se pretende afirmar que a mágica aplicada 
no Ensino da Matemática será a solução de todos os problemas 
relacionados ao déficit de aprendizagem pelos alunos, mas sim, 
estabelecer uma possibilidade algorítmica com o propósito maior 
de refletir sobre si mesmo e um olhar voltado para a criança. 
É possível crer que através deste estudo sobre a 
experiência didática a cada dia aperfeiçoada, nos abrirá um 
caminho dentro do cotidiano escolar para a integração dos vários 
aspectos do ser humano – cognitivo, lúdico, emocional e outras 
habilidades proporcionadas pelo o uso da técnica, a qual irá 
possibilitar aos envolvidos (educador e alunos) se conhecerem 
um pouco mais, se relacionarem melhor, criar vínculo afetivo, 
o que implica lidar melhor com as dificuldades no processo 
ensino-aprendizagem, possibilitando uma expressividade mais 
espontânea e criativa.
Finalmente, espera-se que este artigo gere possibilidades 
para ampliar os estudos acerca do uso da mágica, não apenas como 
arte, mas como outras modalidades que sejam relevantes para o 
entendimento dos processos pedagógicos, fazendo parte da seleção 
e da organização dos conteúdos que se estabelecem no cotidiano 
escolar no campo da Matemática.
146 147
REFERÊNCIAS
ALMEIDA, Vagner Lopes. Matemágica – A arte da matemática. Maceió, AL: s.c.p., 
2014. p. 219.
ÁVILA, Guilherme. A arte mágica: a percepção em perspectiva. Brasília: Kiron, 2012. 
p. 216.
MORALES, Pedro. A relação professor-aluno: o que é, como se faz. São Paulo: a 
edições Loyola, 6 ed., 2006, p. 167.
TORRANCE, E. P. Teaching for creativity. In: ISAKSEN, S. G. (Org.). Frontiers of 
creativity research: beyond the basics. Buffalo, N. Y: Bearly Limited, 1987, p. 189-215.
WECHSLER. S. M. A educação criativa: possibilidade para descobertas. In: CASTANHO, 
S.; CASTANHO, M. E. (Org.). Temas e textos em metodologia do ensino superior. 
Campinas: Papirus, 2001, p. 165-170.
- Mestre em Ciências da Educação;
- Pós-Graduado em Matemática e Física;
- Tecnólogo em Eletromecânica;
- Graduando em Matemática.
Francisco Robson de Brito Gonçalves
Graduando em Matemática.
Ricardo Souza e Silva
A Qualidade 
do Ensino Público no BrasilAo longo dos anos, o Sistema Educacional do Brasil 
tem passado por mudanças que gerou reflexões em relação 
ao ensino. Dentre essas mudanças destaca-se a expansão da 
escolarização básica, a qual proporcionou um aumento no 
índice de alunos frequentando as escolas. No entanto, há 
questionamentos quanto à eficácia da educação brasileira, pois 
a mesma apresenta um histórico de inovações ao mesmo tempo 
em que expande os problemas, seja na aprendizagem, seja no 
convívio entre os estudantes na escola.
Nessa perspectiva, visando entender as mudanças e 
qualificá-las como eficazes ou não, compara-se o modelo de 
educação de Karl Mannheim ao modelo atual, pois acreditamos 
que este tem uma estreita relação com a educação atual. O 
mesmo passa a ideia de que se deve utilizar a sociologia como 
embasamento teórico  para a compreensão da situação 
educacional moderna. Diante disso, Rodrigues (2007), diz que 
para Mannheim o pensamento social não pode explicar a vida 
humana, mas apenas expressá-la. Nesse sentido, visa-se com 
José Demontier Guedes
Francisco Robson Gonçalves de Brito
Capítulo VIII
148 149
isso que as pessoas passem a compreender melhor a sociedade 
para sentir-se participante ativo da mesma.
É notório afirmar que o desenvolvimento educacional 
do ser humano acontece não somente pela educação escolar, mas 
também através da relação desses indivíduos com o meio social, ou 
seja, leva-nos a crer que sozinho o sujeito não sobreviverá, restando 
a ele a interação com meio para melhorar seu desempenho, 
desenvolver suas potencialidades e promover o processo de 
autonomia. Por conta disso, não se pode julgar a educação como 
principal responsável pelo insucesso do sistema, uma vez que esta 
depende de outros fatores para garantir um melhor desempenho 
dos seres humanos e estabelecer uma relação saudável na sociedade.
Para melhor entender esse processo, Meksenas (2002) 
diz que a educação nasce quando se transmite e se assegura as 
outras pessoas o conhecimento de crenças, técnicas e hábitos 
que um grupo social já desenvolveu, a partir de suas experiências 
de sobrevivência. Diante desse pensamento, acredita-se que a 
educação nasce quando o ser humano percebe a necessidade de 
utilizar suas práticas diárias ao seu semelhante. 
A educação é de grande importância para o desenvolvimento 
da humanidade, pois é através dela que surgem as conquistas, ao 
mesmo tempo em que proporciona uma evolução na sociedade 
devida a interação entre os seres e o armazenamento de informações 
por conta do conhecimento adquirido, de modo que há garantias 
para que outras pessoas tenham acesso às informações que 
contribuirão para seu sucesso e o bem-estar da sociedade.
Portanto, é nesse contexto que a escola deve ter seu papel 
centrado na percepção crítica do individuo, levando-o a crer que 
ele é um ser capaz de aprender e ensinar, crença essa que pode 
provocar transformações e conduzi-lo a ver a educação como 
fundamental para o desenvolvimento social. 
O FATOR SOCIOLÓGICO E EDUCACIONAL PARA 
MANNHEIM
 Karl Mannheim (1893-1947) foi um Pensador húngaro, 
nascido em Budapeste, de cultura alemã, influenciado pelo 
marxista Georg Lukács. Foi professor na Universidade de 
Hildelberg, Alemanha, até 1933. Para ele, a educação só pode ser 
compreendida a partir dos acontecimentos sociais da época em 
que se desenvolve, a fim de que se adeque aos padrões vigentes 
organizacionais e interativos (MANNHEIM, 1971).
Nessa linha de estudo percebe-se que Mannheim buscava 
compreender o pensamento de uma situação dentro de um contexto 
histórico-sócio do individuo. Essa abordagem foi defendida por 
Hunger, referindo-se a Mannheim:
A proposta de seu estudo era elaborar um método sociológico 
para compreender o problema de como os homens pensam, 
no seu funcionamento efetivo na vida pública e na política, 
como resultado da ação coletiva. Tinha como objetivo 
apresentar um método adequado à descrição e análise desse 
tipo de pensamento e de suas mudanças para formular os 
problemas correlatos e abrir caminho à compreensão crítica 
do fenômeno. (HUNGER, 1999, p. 23).
Com essa abordagem, percebe-se que a democracia como 
um plano linear, que visa uma estruturação social igualitária, a 
partir de um entendimento mais dinâmico e interativo que leve 
a uma resposta para melhor compreender o individuo no meio 
social, pois defendia uma democracia de bem-estar social, com um 
desenvolvimento racional no processo de convivência.
 A partir daí, surge à educação como instrumento social, 
caracterizando-se por um dinamismo sociológico, o qual se propõe 
150 151
a alterações ocasionadas pelos indivíduos constituintes. Partindo 
dessa abordagem, Mannheim (1971, p. 34), diz tratar-se do “processo 
de socialização dos indivíduos para uma sociedade harmoniosa, 
democrática, porém controlada, planejada, mantida pelos próprios 
indivíduos que a compõe”. Nessa mesma perspectiva, Rodrigues 
(2007) comenta sobre a percepção da importância da sociologia 
na modernidade, para o estudo dos fenômenos educacionais, 
justamente porque a vida baseada na tradição estava se esgotando. 
Tradição esta que visava apenas o ajustamento dos educandos às 
ordens sociais previamente estabelecidas.
Diante desses questionamentos, percebe-se que os 
processos educacionais eram realizados de forma inconsciente, 
levando o individuo a uma alienação no processo de aprendizagem, 
no entanto procura-se através desses fatos, desmistificar essa 
abordagem com uma crença de que a educação deve ter um 
direcionamento consciente, levando o sujeito a perceber-se 
ativamente do meio social em que está inserido, bem como das 
mudanças proporcionadas pelas transformações do cotidiano. 
Portanto, acredita-se que a sociologia pode servir de base para 
melhorar o desempenho educacional, pois a ideia central dessa 
abordagem reflete claramente no pensamento de Mannheim, 
quando Rodrigues (2007) fala da compreensão das dificuldades 
desta Era e como a educação sadia pode contribuir para a 
regeneração da sociedade e do homem.  Ele explica melhor essa 
colocação ao reportar-se que:
A principal contribuição de todas as que a moderna democracia 
é capaz de oferecer é a possibilidade de que todas as camadas 
sociais venham a contribuir com o processo educacional. E a 
sociologia é a disciplina, em sua visão, capaz de fazer a síntese 
dessas contribuições. Por isso é tão importante, para ele, que a 
sociologia sirva de base à pedagogia. (RODRIGUES, 2007, p.83).
É por esse motivo que o autor não desvincula a 
sociologia do sistema educacional, pois o mesmo vem se 
transformando a cada ano e merece uma atenção especial 
referente às causas sociais, as quais estão inseridas culturalmente 
na educação e podem promover o total exercício da cidadania 
entre os indivíduos, levando-os a construir uma sociedade mais 
consciente e participativa.
O ENSINO PÚBLICO BRASILEIRO NA ATUALIDADE
A educação é considerada um dos setores mais importantes 
para o desenvolvimento de um país e especificamente do ser 
humano. É através dela que são repassados os conhecimentos 
necessários que levam os indivíduos a melhorar a qualidade de 
vida e consequentemente elevar o índice de crescimento de uma 
nação. No entanto, apesar do reconhecimento, são notórios os 
problemas existentes na prestação dos serviços educacionais em 
todos os níveis de ensino, principalmente no fundamental, que 
representa a base de uma educação de qualidade. 
Mesmo com todos os esforços para melhorar a educação 
pública no Brasil, muitos são os desafios que a norteiam, 
podendo-se destacar questões como: a falta de motivação do 
corpo discente para os estudos, a violência entre os estudantes, 
professores lutando por melhores condições de trabalho, 
precariedade na estrutura física de alguns estabelecimentos 
de ensino, dentre outros fatores que comprometem o sistema 
educacional brasileiro. 
Segundo o Instituo Brasileiro de Geografia e Estatística - 
IBGE (2009), o Brasil ocupa o 53º lugar em educação, entre 65países avaliados. Mesmo com o programa social que incentivou 
152 153
a matrícula de 98% de crianças entre 06 e 12 anos, 731 mil 
crianças ainda estão fora da escola. O analfabetismo funcional de 
pessoas entre 15 e 64 anos foi registrado em 28% no ano de 2009 
(IBOPE); 34% dos alunos que chegam ao 5º ano de escolarização 
ainda não conseguem ler; 20% dos jovens que concluem o ensino 
fundamental, e que moram nas grandes cidades, não dominam 
o uso da leitura e da escrita. Em meio a tudo isso ainda existe a 
questão dos professores recebem menos que o piso salarial.
Os dados abaixo mostram a situação da educação 
brasileira quanto ao ranking em relação a outros países, 
alfabetização, conclusão do ensino médio e a taxa de evasão 
escolar. Um documento divulgado recentemente mostra que 
apesar de ter avançado nas últimas duas décadas, o Brasil ainda 
tem um IDH menor que a média dos países da América Latina 
e Caribe. O país está na posição 85ª do ranking, que leva em 
conta a expectativa de vida, o acesso ao conhecimento e a renda 
per capita. Esses dados podem ser comprovados de acordo com 
a tabela a seguir:
Meksenas (2002), afirma que, em uma visão funcionalista, 
a educação nas sociedades tem a tarefa de mostrar que os interesses 
individuais só se realizam plenamente através dos interesses 
sociais. Tal afirmação comprova a importância da sociologia no 
âmbito educacional, pois é através da educação que o individuo é 
socializado e a partir daí desenvolve suas potencialidade.
Verdadeiramente considera-se como um dos grandes 
desafios encontrados atualmente no sistema educacional do 
Brasil, as várias mudanças existentes nesse setor, pois as mesmas 
institucionalizam diversas concepções de ensino e, com isso, 
dificulta a busca por uma escola democrática que valorize a 
diversidade cultural dos educandos e o reconhecimento do 
trabalho desenvolvido pelo educador. Sendo assim, no que se refere 
à melhoria da qualidade na escola brasileira, principalmente no 
final do século XX, Nosella (2002), ressalta quanto à necessidade 
de superação da política educacional populista e corporativista 
introduzida no ensino brasileiro. A escola brasileira precisaria rever 
questões como: o resgate da qualidade de formação do profissional 
da educação, a expansão da escolarização pelo sistema supletivo, 
especialmente aqueles em horários noturnos, dentre outros, tendo 
a obrigação de, simultaneamente, fazer uma constante avaliação 
que certamente garantirá a qualidade do ensino.
Nessa concepção, pode-se acreditar que atualmente a escola, 
proporciona a efetivação referente aos direitos sociais, oferece 
alternativas para inclusão daqueles considerados excluídos, vir a 
ter a oportunidade de se reintegrarem-se de forma participativa, 
na universalização dos direitos sociais e promoção da cidadania.
Em relação ao índice de analfabetismo no país, segundo o 
IBGE (censo de 2010), há uma queda nos últimos dez anos (2000 
a 2010). Em 2000, o número de analfabetos correspondia a 
países, alfabetização, conclusão do ensino médio e a taxa de evasão escolar. 
Um documento divulgado recentemente mostra que apesar de ter avançado nas últimas 
duas décadas, o Brasil ainda tem um IDH menor que a média dos países da América 
Latina e Caribe. O país está na posição 85ª do ranking, que leva em conta a expectativa 
de vida, o acesso ao conhecimento e a renda per capita. Esses dados podem ser 
comprovados de acordo com a tabela a seguir: 
Fonte: Pnud/ONU. 
 
Meksenas (2002), afirma que, em uma visão funcionalista, a educação nas 
sociedades tem a tarefa de mostrar 
País 
Posição 
no 
ranking 
IDH População 
alfabetizada 
População com 
pelo menos ensino 
médio completo 
Taxa de 
evasão escolar 
Noruega 1º 0,955 100% 95,2% 0,5% 
Austrália 2º 0,938 100% 92,2% Não informada 
Estados 
Unidos 3º 0,937 100% 94,5% 6,9% 
Holanda 4º 0,921 100% 88,9% Não informada 
Alemanha 5º 0,920 100% 96,5% 4,4% 
Chile 40º 0,819 98,6% 74% 2,6% 
Argentina 45º 0,811 97,8% 56% 6,2% 
Uruguai 51º 0,792 98,1% 49,8% 4,8% 
México 61º 0,775 93,1% 53,9% 6% 
Brasil 85º 0,730 90,3% 49,5% 24,3% 
154 155
13,63% da população (15 anos ou mais de idade). Esse índice 
caiu para 9,6% em 2010. Ou seja, um grande avanço, embora 
ainda haja muito a ser feito para a erradicação do analfabetismo 
no Brasil. Outro dado importante mostra que, em 2006, 97% das 
crianças de sete a quatorze anos frequentavam a escola.
Considera-se que essa queda deve-se aos investimentos 
feitos no sistema educacional do país nos últimos anos, havendo 
maior preocupação por parte dos Governos Federal, Estaduais e 
Municipais nesta área. Um dos fatores que contribuiu bastante 
para diminuição da evasão escolar foram os programas de bolsa 
educação, programas de Educação de Jovens e Adultos (EJAs), 
Bolsa Família, dentre outros que tem contribuído para a retirada 
de milhares de crianças do trabalho infantil para ingressarem 
nos bancos escolares, bem como a qualificação profissional de 
adolescentes, proporcionando um avanço educacional do Brasil.
Além desses programas, com uma política de valorização 
de professores mais eficaz, podem-se melhorar os índices e obter 
melhores resultados. Sendo assim, com os dados acima, pode-se 
concluir que houve um crescimento no nível de escolaridade da 
população brasileira, sendo este um fator de extrema importância 
para o desenvolvimento social do país. 
Outros dados da evolução na educação brasileira podem 
ser comparados de acordo com os seguintes índices: taxa de 
abandono (2008) 4,8%; taxa de reprovação (2008) 12,1%; taxa 
de aprovação (2008) 83,1%; matrículas na Educação Básica 
(2009) 52.580.452; população adulta com Ensino Fundamental 
concluído (2010) 54,9%; crianças entre 5 e 6 anos que frequentam 
a escola (2010) 91,1%; jovens entre 11 e 13 anos que frequentam 
a escola nas séries finais do Ensino Fundamental (2010) 84,9%; 
jovens entre 15 e 17 anos com Ensino Fundamental completo 
(2010) 57,2%; jovens entre 18 e 20 anos com Ensino Médio 
completo (2010) 41%. (Fonte: MEC/Inep/Pnud). 
Pelo que foi exposto anteriormente e diante desses dados, 
o que se pode concluir é que o sistema educacional brasileiro vem 
ao longo dos anos tentando melhorar o desempenho educacional, 
mas mesmo com tantas desaprovações e comparações não muito 
meritórias, ainda consegue-se perceber alguns avanços através 
dos dados mostrados, e, por menor que sejam eles, é de grande 
importância para o desenvolvimento do país.
Como comprovação desse argumento, cita-se a criação 
da LDB (Lei de Diretrizes e Bases da Educação), aprovada em 
1996, a qual veio proporcionar um avanço na educação brasileira, 
pois a mesma proporcionou avanço nesse setor. Esta lei tem 
como objetivo tornar a escola um espaço de participação social, 
procurando valorizar a democracia, o respeito, a pluralidade 
cultural e a formação do cidadão. Com sua criação a escola 
proporcionou um maior e melhor significado para os estudantes. 
Recentemente, na perspectiva de melhorar cada vez mais a 
educação e garanti-la como direito e dever de todo cidadão brasileiro, 
foi criado a Lei nº 12.796, de 04 de abril de 2013, a qual alterou 
a LDB, instituindo o ensino obrigatório no Brasil entre 04 e 17 
anos de idade. Esta lei também estabeleceu as três fases do ensino: 
Educação Infantil, Ensino Fundamental e Ensino Médio. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A escola, além de transmitir os conhecimentos entre as 
gerações, procura também promover a integração social. Nesse sentido 
percebe-se que a educação tem mudado de paradigma ao longo dos 
anos, apesar da persistência de alguns problemas. Nessa trajetória do 
156 157
sistema educacional do país, vimos claramente que não é fácil promover 
o desenvolvimento nesse setor, o mesmo engloba vários setores sociais 
e coloca-se como a base para os demais, haja vista que tudo depende 
de uma educação de qualidade. Partindo desse pressuposto, vincula-se 
ainda mais a educação como instrumento social, fato este defendido 
por Mannheim em seusum estudo realizado com policiais militares de 
Porto Alegre-RS, por Amador em 1999, sobre o qual verificou que 
existe o pressuposto de que o policial militar tem de exercer suas 
atividades com “total” controle. 
Segundo o pesquisador, esse controle deve ser empreendido 
de forma constante e permanente, através de ações exatas, devido 
às características peculiares da própria organização do trabalho.
A dicotomia entre o pensar e o executar pode abrir espaço 
para a ação truculenta e arbitrária das relações entre os policiais 
24 25
militares na sociedade (SILVA, 2008). Fatos como este contribuem 
para o aumento da insegurança da população, chegando a 
desenvolver uma imagem negativa dos policiais. 
Para Moreira (2016), os conflitos tidos como negativos 
destacados pela sociedade por parte de policiais militares ganharam 
definições e significações diferenciadas nas pesquisas sobre 
desenvolvimento humano, especificamente quando relacionados 
à questão da violência.
Em resumo, a Cultura de Paz está intrinsecamente relacionada 
à prevenção e à resolução não violenta dos conflitos. É uma cultura 
baseada na tolerância, na solidariedade e no compartilhamento do 
cotidiano (MOREIRA, 2016).
Características e o perfil psicológico do policial militar 
ao ingressar na corporação
De acordo com Ricotta (2017) deve-se levar em conta 
algumas características para o perfil do policial militar, entre 
as quais destacam-se: inteligência adequada para a função, 
relacionamento interpessoal, resistência à fadiga psicofísica, 
controle do nível de ansiedade, domínio psicomotor, capacidade 
de improvisação, controle emocional, controle da agressividade, 
baixa impulssividade, boa memória auditiva e visual, flexibilidade 
na conduta, criatividade, autocrítica, iniciativa, capacidade de 
assimiliação, disposição para o trabalho, capacidade de liderar e 
mediar conflitos e boa fluência verbal para se comunicar.
Diante dessas características, a autora destaca que quando 
cada um desses profissionais “trabalha na sua dimensão singular e 
pessoal de forma coerente, bem direcionado, acaba por contribuir 
para o processo de evolução da sociedade como um todo, pois 
eleva o seu patamar crítico para outro nível” (RICOTTA, 2017).
Para Reis (2010, p. 23), “representar um perfil através de uma 
imagem, em um espaço onde estão sendo discutidas as categorias 
relacionadas à profissão escolhida, implica expor, ou ainda testar a 
aceitabilidade de uma opinião, de uma impressão sobre tal profissão”. 
O profissional formado no curso da Polícia Militar deve ter 
uma conduta respeitável, ser justo e imparcial, amar a verdade e a 
responsabilidade como fundamentos da dignidade pessoal, respeitar 
a dignidade de qualquer cidadão, praticar permanentemente 
o espírito de cooperação, proceder de maneira ilibada, acatar 
as autoridades civis, observar as normas de boa educação e não 
utilizar seu cargo para obter facilidades pessoais.
A formação do policial militar e os valores éticos 
O Policial Militar ao ingressar na corporação assume o 
compromisso de desenvolver a profissão com ética e postura 
exemplar diante da sociedade, tendo como princípios a hierarquia 
e disciplina mediante cumprimento de normas estabelecidas no 
estatuto disciplinar próprio da instituição.
No texto inicial do regulamento disciplinar nas disposições 
gerais destaca-se o art. 1º. que trata do Regulamento Disciplinar 
da Polícia Militar do Ceará, o qual especifica as transgressões 
disciplinares e estabelece normas relativas à amplitude, aplicação 
das punições e classificação do comportamento do policial militar 
(MELO, 2012, CAPITULO I – DAS GENERALIDADES).
A disciplina militar de que trata o autor refere-se ao fiel 
cumprimento dos deveres do militar quanto às leis, regulamentos, norma 
e ordens impostas pelos superiores da corporação. Apesar da legalidade da 
cobrança quanto a postura do policial militar, percebe-se o aumento do 
índice de estresse entre esses profissionais, pois além da pressão interna há 
também a pressão da sociedade para o pleno atendimento das necessidades 
dela, que, muitas vezes, não compreende os limites do policial. 
26 27
Apesar disso, de acordo com o estatuto disciplinar dos 
militares, o profissional é responsável pelas decisões e atos, sendo 
assim, as consequências das decisões do policial militar bem como 
o desfecho das ocorrências que atender dependerão dele. 
Silva (2013, p. 12) contribui quando informa que “o que define 
o estatuto ético de uma determinada profissão é a responsabilidade 
que dela decorre, pois, quanto maior a sua importância, maior a 
responsabilidade que dela provém em face dos outros”. 
Ao falar sobre posturas éticas, Catâneo (2010, p. 65) enfatiza 
que “o bem de todos constitui-se numa opção de moralidade, de 
comportamento prático fundado na ética. Assim, acredita-se que 
o desejo de muitos de “se dar bem” não pode sobrepor-se ao bem”.
Discutindo o estresse
Zerbini (2007) diz que o estresse é uma reação do organismo 
com componentes psicológicos, físicos, mentais e hormonais. 
Estas reações se manifestam quando acontece a necessidade 
de uma adaptação a um evento de importância ou situação de 
pressão. Deste modo, a atuação dos policiais militares em meio às 
ocorrências atendidas por eles, pode proporcionar um alto índice 
de estresse ocupacional. 
Sobre a ação do estresse, “a principal ação é a quebra do 
equilíbrio interno que ocorre em decorrência da ação exacerbada 
do sistema nervoso simpático e da desaceleração do sistema nervoso 
parassimpático em momentos de tensão” (ZERBINI, 2007, p. 2).
Para melhor compreender o posicionamento da autora, 
seguem as fases no processo de desenvolvimento do estresse: 
a primeira é a fase de alerta, que se inicia quando a pessoa se 
confronta inicialmente com um estressor, entrando num processo 
de produtividade. Em seguida, vem à fase de resistência, quando o 
estressor é de longa duração ou a sua intensidade é demasiada para a 
resistência da pessoa. Por último, ocorre a fase de exaustão, quando 
há uma queda acentuada no mecanismo de defesa do indivíduo, 
afetando-o em corpo, mente, sentimentos e comportamentos. 
Em relação ao que foi discutido sobre o estresse, percebe-se 
que é uma situação de incômodo excessivo para o policial militar, 
podendo também comprometer a integridade de terceiros pelo 
desequilíbrio emocional, podendo ocasionar sérios danos quanto ao 
desempenho da função.
Diariamente os policiais vivem no enfrentamento das 
possíveis e diversas formas de violência que assolam a sociedade, 
por conta disto, há cobranças de resultados tanto por parte da 
população quanto pelas autoridades. Neste contexto, Zerbini (2007) 
acrescenta que isto ocasiona o desgaste físico, psicológico e social 
destes profissionais, levando à desmotivação no desenvolvimento 
de suas funções e no convívio diário com seus familiares. Pelo 
exposto, entende-se então que, tal processo compromete e aliena 
esse profissional, sujeitando-o a uma situação de adoecimento.
Benevides-Pereira (2002) acrescenta que os profissionais 
que atuam perante o contato direto com assistência a outras 
pessoas estão mais propensos a desenvolverem estresse, tais como 
a Síndrome de Burnout. Esta síndrome tem como sintomas a falta 
de atenção e concentração, déficits de memória, baixa autoestima, 
labilidade emocional, impaciência, dificuldades comportamentais 
associadas com irritabilidade, aumento de agressividade, 
dificuldade para relaxar, consumo de substâncias, isolamento, 
sentimento de onipotência, falta de interesse pelo trabalho, ironia, 
cinismo e risco de suicídio (BENEVIDES-PEREIRA, 2002, p. 2).
Esta síndrome caracteriza-se pelo estado de tensão emocional e 
estresse crônico provocado por condições de trabalho, sejam estas físicas, 
emocionais e psicológicas desgastantes. O estudioso ainda acrescenta 
que esta síndrome se manifesta especialmente em pessoas cuja profissão 
exige envolvimento interpessoal direto e intenso (VARELA, 2011). 
28 29estudos na sociologia.
Admitindo-se a educação como promoção para interação 
social, parte-se do ponto de que se faz necessário a elaboração de 
um projeto político pedagógico que venha suprir as necessidades 
individuais e coletivas do público vigente, garantindo-lhes o 
desenvolvimento de suas potencialidades bem como autonomia 
para o desenvolvimento intelectual e sua inserção na sociedade.
O setor educacional, em todos os aspectos fortalece e 
fomenta a responsabilidade de diferentes setores do governo 
na condução de processos voltados para o empoderamento e 
autonomia dos sujeitos, bem como passa a ser determinante para 
a convivência e permanência da vida em sociedade. Nesse sentido, 
representa também um desafio, pois planeja invocar a produção de 
novos saberes, novas práticas e novas estruturas de poder e saber, 
estando esses fatores relacionados ao sentido da capacidade de 
realização de desejos coletivos e não do individualismo.
Embora a concepção de educação positiva e interativa 
ainda esteja um pouco vaga ou limitada para expressar a extensão 
e a concretude das iniciativas implementadas no sistema 
educacional, sem dúvida nenhuma há um demonstrativo de 
grande utilidade operacional no sentido de orientar e envolver 
a sociedade nos projetos políticos pedagógicos voltados para 
promover a aquisição do conhecimento e a interação social entre os 
indivíduos, objetivando garantir uma melhor educação para todos 
e consequentemente um país melhor no sentido de conhecimento 
e convivência.
REFERÊNCAS
HANGER, D. Educação Física, esporte e lazer à luz da sociologia do conhecimento de Mannheim. 
In Conexões: Revistada Faculdade de Educação Física da UNICAMP, v. 1, n. 2, p. 21-32, dez. 1999.
IBGE – Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 2009/2010 – Disponível em: http://www.
brasilescola.com/educacao/educacao-no-brasil.htm. Acesso em: 04 de outubro de 2013.
MEKSENAS, Paulo. Sociologia da educação: introdução ao estudo da escola no processo de 
transformação social. 10ª ed. São Paulo: Loyola, 2002.
NOSELLA, Paolo. Gaudêncio Frigotto (org). Educação e crise do trabalho: perspectivas de 
final de século. 6ª ed. Petrópolis: Vozes, 2002.
RODRIGUES, Alberto Tosi. Sociologia da Educação. 6ª ed. Rio de Janeiro: Lamparina, 2007.
BRASIL. Situação da Educação Brasileira. Ranking em relação a outros países, alfabetização, 
conclusão do ensino médio e a taxa de evasão escolar. Disponível em: http://educacao.uol.com.
br/noticias/2013/03/14/brasil-tem-3-maior-taxa-de-evasao-escolar-entre-100-paises-diz-pnud.
htm. Acesso em: 04 de outubro de 2013.
WELLER, Wivian. A atualidade do conceito de gerações de Karl Mannheim. Artigo 2005. 
Disponível em: www.scielo.com.br. Acesso em: 03 de outubro de 2013. 
- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar 
 e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
- Mestre em Ciências da Educação;
- Pós-Graduado em Matemática e Física;
- Tecnólogo em Eletromecânica;
- Graduando em Matemática.
Francisco Robson de Brito Gonçalves
158 159
A qualidade da escola e a participação da família é condição 
essencial na inclusão e democratização das oportunidades no 
Brasil, oferecer uma educação básica de qualidade é um desafio no 
desenvolvimento do país e que consolide a cidadania através de todos. 
Os atuais marcos legais para oferta da educação neste país 
na Lei de Diretriz e Bases da Educação Nacional (Nº 9394/96) 
representa um divisor na construção básica brasileira.
 
Uma separação mais acentuada entre os papéis da escola e 
da família passou a acontecer a partir de meados do século 
XX, quando a escola foi assumindo a responsabilidade pelo 
desenvolvimento de conteúdos formais e à família cabia seguir 
zelando pela educação moral, cultural e religiosa de suas 
crianças (VILA, 2003; HILL; TAYLOR, 2004, p.161-164). 
Por isso, considera que a família e a escola assumam 
responsabilidades e que contemplem no que diz respeito à 
educação das crianças e jovens. Nesse trabalho é inserida uma 
temática muito discutida, mas ainda com grandes discrepâncias e 
vazios para serem resolvidos. 
A FAMÍLIA NA ESCOLA: 
A IMPORTÂNCIA DA PARTICIPAÇÃO 
DOS PAIS NA ESCOLA
Francisco Rubens Macedo de Queiroz
Capítulo IX
160 161
É de fundamental importância que os pais se integrem na 
vida escolar ativa dos seus filhos, de forma a conseguirem dar todo 
o apoio e desenvolvimento no seu crescimento escolar.
A escola é um local onde os pais confiam à educação dos 
seus filhos e encontram nela o apoio para as suas vidas, sendo 
mesmo um elemento indispensável na educação de seus filhos.
Progresso entre a vida escolar e familiar é de extrema 
importância, dar mais atenção a esta parceria, é a partir dessa 
parceria que se constrói uma estrutura segura para que os alunos 
consigam se desenvolver em sua amplitude educacional um papel 
na sociedade mais segura e motivadora.
Precisa-se compreender que a educação não é uma função 
exclusiva da escolar, esta associada com diferentes agentes formadores 
do universo do educando que vai proporcionar formação adequada.
A proposta deste estudo é perceber a ausência da instituição 
familiar na educação dos seus filhos, percebe-se que a carência de 
ambientes familiares adequados e comprometidos com a formação 
das crianças desde o início. 
Este estudo tenta contemplar a origem da família e 
a importância da interação entre essa e a Escola no processo 
Pedagógico, para uma educação de qualidade.
Nos dias de hoje, o desenvolvimento das crianças na 
escola é extremamente importante, porque se as crianças forem 
bem acompanhadas no seu processo escolar em parceria com os 
pais, serão com certeza uns cidadãos com uma formação de vida 
e escolar muito melhor. 
O ambiente familiar, a relação com a escola e a 
descontinuidade entre ambas são aspetos fundamentais que propicia 
as evasões escolares e consequentemente a violência nas escolas.
A escola, por sua vez, se relaciona com as famílias de forma 
a exigir delas complementaridade com relação às suas expectativas, 
atribuindo aos alunos a responsabilidade por suas próprias dificuldades.
No entanto, e de acordo com outros autores PEREIRA (2008, 
p.27), apresentam a ideia de que o ambiente familiar pode ser favorável 
ou desfavorável no desenvolvimento e na capacidade de aprender. 
Partindo desse princípio, pretende-se nesse artigo verificar como é 
que essa questão entre família e escola é colocada no dia-a-dia.
A FAMÍLIA 
A Família derivada do latim “famulus”, que quer dizer 
“escravo doméstico”. Essa origem, segundo ENGELS (2012, p.304) 
vem é da Roma Antiga, para dar nome a um grupo social que surgiu 
entre as tribos ao serem abduzidas na agricultura e escravidão. Este 
termo foi criado na Roma Antiga para designar um novo grupo 
social que surgiu entre as tribos latinas.
A família vem sendo transformada através dos tempos, 
o acompanhando e as mudanças religiosas, econômicas e 
socioculturais no contexto atual, é um espaço que deve ser 
continuamente renovado e reconstruído.
Conforme JARDIM (2006, p.20) atualmente, na maior 
parte das famílias as mulheres são responsáveis pelo sustento do 
seu lar, a vida econômica passou a ser instável e os valores morais 
passaram a ser transitórios.
É importante que os pais demonstrem interesse em tudo 
no que diz respeito à escola do filho, para que ele perceba que 
estudar é algo prazeroso e indispensável para a vida. 
A participação dos pais na educação formal dos filhos 
deve se proceder da maneira constante e consciente, integrando-se 
ao processo educacional, participando ativamente das atividades da 
escola. Essa interação só tem a enriquecer e facilitar o desempenho 
escolar da criança.
162 163
Com a abertura do mercado de trabalho as mulheres se 
tornaram autônomas financeiramente, elas acabaram por ter 
autonomia na criação e no sustento dos filhos, podendo muitasvezes dispensar a participação dos pais. Através desse avanço de 
característica contemporâneo, essa tendência se tornou responsável 
por uma série de problemas para a instituição familiar. Nota-se, 
novamente um afastamento da participação dos pais e da própria 
instituição familiar do compromisso educativo dos filhos.
Diante desta realidade, os pais devem deixar bem claro 
para os filhos a importância de frequentar a escola, mostrando as 
vantagens oferecidas pela mesma. 
A FAMÍLIA BRASILEIRA
Após a chegada da Família Real no Brasil, a família passou 
a ter papel primordial na educação e desenvolvimento do país. O 
modelo dos colonizadores europeus se impôs como modelo social 
da família, FREITAS (2011, p.18). 
De acordo com o autor, a família pode se definir como uma 
célula da sociedade. Através de seus valores formam-se cidadãos do 
bem e é a partir da sua educação que vai se desenvolver socialmente 
e culturalmente.
De acordo com a análise de BOCK sobre a importância da 
família no desenvolvimento do indivíduo, sugere que:
A família, do ponto de vista do individuo e da cultura, é 
um grupo tão importante que, na sua ausência, dizemos 
que a criança ou o adolescente preciso de uma família 
substituta ou devem ser abrigados em uma instituição que 
cumpra suas funções materna e paterna, isto é, as funções 
de cuidados para a posterior participação na coletividade. 
(BOCK 2004, p.249).
A partir da revolução industrial a família passou por 
profundas transformações. No Brasil os efeitos da industrialização 
foram sentidos principalmente na década de 1950, período em 
que a indústria cresceu vertiginosamente. 
A relação entre pais e filhos passa a se dar dentro de um 
contexto em que o pai necessita na busca do sustento de seu lar, se 
ausentar do mesmo por longos períodos, fazendo com que a mãe 
passe a ocupar o papel principal de educadora.
Recentemente, em muitas famílias as mulheres que são as 
responsáveis pelo seu sustento dos filhos, a vida econômica tornou-
se altamente instável e os valores morais passaram a ser transitórios.
A ESCOLA
A escola, conforme FREITAS (2011, p.01) foi criada para 
servir a sociedade e assim, prestar contas do seu trabalho, de como 
faz e como conduz a aprendizagem das crianças. 
Para tanto, necessita criar mecanismos para que a família acompanhe 
a vida escolar de seus filhos favorecendo um melhor aprendizado. 
As interações entre a família e a escola vêm passando por 
modificações constantes, embora as mudanças ocorridas na família 
aconteçam de forma muito mais rápida.
Hoje, vemos que as escolas não passam por tantas 
dificuldades financeiras, embora os recursos à maioria das vezes 
sejam mal empregados e desviados pelos administradores públicos. 
Porém, apesar disso, são encontrados muitos problemas 
relacionados à dificuldade de aprendizagem como: indisciplina, 
a falta de formação adequada para os professores, incentivo com 
melhoria no a prendisado de forma multidisciplinar, pais que não 
participam da vida escolar dos filhos e muitos outros.
164 165
A ATUAL ESCOLA BRASILEIRA
Ultimamente a situação da escola não é das melhores, 
é comum ouvir falar de situações em que envolve os alunos 
como: problemas de indisciplina, dificuldades de aprendizagem, 
vandalismo, entre outros. 
Portanto, essa acepção do comportamento educativo não 
acarreta na vida produtiva da escola, mas são nestas instituições que 
esses problemas surgem trazidos obviamente por estudantes com 
problemas oriundos de casa e que tem refletido na vida escolar. 
Os respectivos comportamentos são problemas que poderiam 
ser amenizados se escola e família trabalhassem efetivamente juntos, 
associados ao poder público e a uma cultura educativa. De uma maneira 
geral, sobre o papel da família na educação da criança e do adolescente, 
afirma NÉRICI (1972, p.12) “A educação deve orientar a formação do 
homem para ele poder ser o que é da melhor forma possível.” 
Observar-se que as famílias e as escolas jogam a responsabilidade 
um para o outro, no qual os professores atribuem a culpa dos problemas 
aos pais que não cumprem suas obrigações de educar os seus filhos, e 
também não ajudam e nem participam da vida escolar deles. 
Já por outro lado, as famílias culpam os professores que 
são despreparados e a gestão escolar que não faz o que é preciso 
para melhorar o aprendizado dos seus filhos.
A INFLUÊNCIA DA GESTÃO ESCOLAR NO PROCESSO 
EDUCACIONAL
É fundamental compreender a questão da  gestão 
democrática para além do seu aspecto conceitual. Não se trata apenas de 
uma concepção de sociedade que prima pela democracia como princípio 
fundamental, mas do entendimento de que a democratização da gestão 
é condição estruturante para a qualidade e efetividade da educação para 
que ocorra a intermediação entre a família e a escola.
Na medida em que possibilita a escola criar vínculos com 
a  comunidade  onde está inserido pautar o seu  currículo com a 
realidade local, na qual é conferindo a proposta pedagógica por 
envolver as diferentes propostas de corresponsabilidade pela 
aprendizagem e desenvolvimentos dos estudantes.
A  gestão democrática  pressupõe da participação 
efetiva de vários segmentos da  comunidade escolar: pais, 
professores,  estudantes  e funcionários. Nesses casos, as decisões 
são tomadas previamente e os objetivos da participação também 
são delimitados antes dela ocorrer, segundo BORDIGNON e 
GRACINDO (2004, p.147).
Em todos os aspectos da organização da escola, a 
participação incide diretamente nas mais diferentes etapas da 
gestão escolar (planejamento, aplicação e avaliação) seja no que diz 
respeito à construção do projeto e processos pedagógicos quanto às 
questões de natureza burocrática.
Podem-se citar alguns princípios da Gestão Democrática:
• Descentralização: A administração, as decisões, as 
ações devem ser elaboradas e executadas de forma não 
hierarquizada;
• Participação: Devem participar todos os envolvidos no 
cotidiano escolar (professores, estudantes, funcionários, 
pais ou responsáveis, pessoas que participam de projetos 
na escola, e toda a comunidade ao redor da escola);
• Transparência: Qualquer decisão e ação tomada ou 
implantada na escola tem que ser de conhecimento de todos;
• Compromisso com o ensino: Comprometimento com 
a carga horária, com material didático, com o reforço 
166 167
escolar, com o regimento escolar, com o PPP, com o 
conselho escolar, com o grêmio estudantil, com o conselho 
de sala e acima de tudo com o aprendizado dos discentes.
Contudo, pode-se afirmar que em a cultura e a postura 
democrática na escola e o sentido público da prática social são os 
alicerceis de uma gestão democrática.
RELAÇÃO ESCOLA/FAMÍLIA
A família, sendo à base de uma formação completa do 
indivíduo, tendo papel decisivo na formação de caráter, deve ter 
participação direta na educação das crianças. 
É fundamental que aconteça essa parceria entre escola e 
família, e que juntos possam alcançar o objetivo em comum, de 
formar cidadãos que saibam como viverem no mundo atual. De 
acordo com PEREIRA (2008, p.29), “a Relação entre a Escola e a 
Família tem vindo a ser alvo de todo um conjunto de atenções: 
através de notícias nos meios de comunicação, de discursos de 
políticos, da divulgação de projetos de investigação e de nova 
legislação”. 
Percebe-se que no atual momento em que vive a educação, 
a falta de envolvimento, participação, apoio e limites das famílias 
para com as crianças, torna impossível uma educação de qualidade.
A escola é uma instituição de caráter socializador, que não 
pode negar e nem ignorar os acontecimentos e transformações 
sociais que ocorre devido à facilidade de informação que os 
alunos têm em mãos como a tecnologia, no qual se encontra em 
todos os lugares. 
Cabe nas escolas a iniciativa de propostas de interação entre 
as famílias e estas instituições de ensino, assim como as famílias 
também tem que fazer sua parte, pois só assim é que a educação 
pode começar afluir no sentido positivono aprendizado. 
Os alunos de hoje não são iguais aqueles em que o 
sistema educacional foi criado, eles hoje aprendem e processam as 
informações de forma rápida distinta da geração anterior.
De acordo com MATTOS (2013, p.217), nos últimos 30 
anos têm sido observados que as salas de aula obtiveram poucas 
mudanças no que se refere a sua forma e conteúdo.
Os métodos de ensinar dos professores também precisam 
ser revistos, esses profissionais não são os donos das verdades 
que acreditam serem, hoje não podem mais serem desta formar, 
as crianças que eram receptoras passivas de todo conhecimento 
transmitido pelos professores hoje com acesso a outras formas de 
transmissão de conhecimento, assistem as aulas com uma visão 
mais critica desses conhecimentos transmitidos. 
Entretanto, esse não pode mais ser o único papel do 
professor, que deve sim, agir como intermediário e com 
interdisciplinaridade, devem se prepara para as transformações 
que ocorre no cotidiano. 
As instituições escolares contemporâneas procuram se 
adaptar a algumas mudanças, principalmente com a inserção 
da tecnologia na forma de ensinar e demonstra conteúdos, mas 
suas principais dificuldades se encontram na transformação das 
instituições sociais, dentre as quais se encontram à família. 
A escola tem a responsabilidade de acompanhar os avanços 
do conhecimento científico, contudo, deve fornecer e promover todo 
o conhecimento de forma que esse esforço leve em consideração os 
aspectos particulares da situação social e cultural do dia a dia, e que 
influenciam de forma decisiva o equilíbrio familiar. Dentro dessa 
perspectiva se destaca a preocupação da educação vir a ser um produto, 
gerada para promover a competitividade, a medida que está relacionada 
a capacidade de inovação, segundo ÁLVAREZ, (2013, p.140-165). 
168 169
Das tarefas mais importantes que a escola tem em realizar, 
embora difícil de serem aplicadas, é preparar tanto os pais como 
professores e alunos a terem uma boa convivência e superar as 
dificuldades como os conflitos interpessoais, no qual contribui 
para o processo de desenvolvimento do indivíduo.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
A democratização escolar se baseia em princípios democráticos, 
em especial na democracia participativa, dando direitos de participação 
de todos como: pais, estudantes, professores e funcionários. 
Esse ambiente de ensino coloca os alunos como atores 
centrais do processo educacional, os educadores participam 
facilitando as atividades de acordo com os interesses dos estudantes. 
Na democrática todos têm direitos de decisão sobre o seu 
destino, compartilhando das responsabilidades e das decisões que 
podem alterar a posição de cada um no coletivo, no qual a escola 
tem que partir desse princípio incluindo gestores, educadores, 
funcionários, estudantes e pais. 
A família e a escola constituem os dois principais 
ambientes de desenvolvimento humano nas sociedades ocidentais 
contemporâneas. 
Para tanto, a fim de manter uma relação harmoniosa e 
alcançar resultados educacionais satisfatórios, faz-se necessário à 
parceria entre a instituição escolar e a instituição familiar.
Assim, é fundamental que sejam aplicadas políticas que 
assegurem a aproximação entre os dois contextos, de maneira a 
reconhecer suas peculiaridades e também similaridades, sobretudo 
no tocante aos processos de desenvolvimento e aprendizagem, não 
só em relação ao aluno, mas também a todas as pessoas envolvidas, 
faz-se necessário a parceria entre a instituição escolar e a instituição 
familiar. O trabalho entre pais e professores é cooperativo, levando 
em conta que todos têm muito a aprender uns com os outros. As 
crianças são muito beneficiadas por esse modelo, vez que vinculo 
entre escola e comunidade que acaba formando uma grande 
família ABUCHAIM (2009, p.39). 
Para isso a escola precisa manter um diálogo com a 
família, buscando da a informação aos pais sobre a importância 
da participação dos mesmos para o desenvolvimento de seu filho. 
E, contudo isso a família e a escola devem caminhar de 
mãos dadas com o objetivo de qualificar a educação oferecida 
pelas as instituições, trazendo estratégias que venham promover as 
necessidades vivenciadas neste contexto. 
Um dos maiores desafios da escola hoje é pensar a sua 
função social nessa sociedade globalizada, que está imersa a 
diversas informações. Apesar dos entraves a escola ainda tem 
um grande valor e é vista como importante no meio social 
MORAN (2004, p. 347-356).
 
REFERÊNCIAS
0ABUCHAIM, Beatriz de Oliveira. Patio - Educação infantil. São Paulo: Artmed, 2009.
ÁLVAREZ, A. La irada empresarial de la educación. A propósito del informe Compartir. 
In: Revista Pedagogía y Saberes. n° 39. Universidad Pedagógica Nacional. Segundo semestre 
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BOCK, AnaMaria Bahia, “Uma introdução ao estudo da psicologia”, 2004.
BORDIGNON, G.; GRACINDO, R. V. Gestão da educação: o município e a escola. In: 
FERREIRA, N. S. C.; AGUIAR, M. A. da S. Gestão da Educação: impasses, perspectivas 
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27-38.
Capítulo X
- Graduado em Engenharia Química;
- Doutorado e Mestrado em Engenharia Química.
Francisco Rubens Macedo de Queiroz
Nos nossos dias atuais, o mundo sofre mudanças que 
ocorrem numa velocidade acelerada, aumentando a competição 
entre as pessoas. O convívio social tem se tornado cada vez mais 
complicado e procurando melhorar as relações interpessoais, 
devemos inicialmente tentar compreender, que cada indivíduo 
tem sua forma de pensar e personalidade própria, que é construída 
ao longo de sua vida.
Os traços morais de personalidade do mesmo são 
influenciados pelo ambiente familiar em que vive, nos aspectos 
culturais da sociedade em que está inserido, pela idade, entre 
outros fatores. Devemos entender que somos pessoas diferentes 
uns dos outros, pensamos e agimos de forma única.
Este trabalho será focado na área educação, tratando 
da importância das Relações Interpessoais no âmbito 
escolar, visando solucionar eventuais problemas na relação 
aluno-professor-gestor. 
O RELACIONAMENTO INTERPESSOAL EM 
UMA INSTITUIÇÃO DE ENSINO
Geórgia Pinheiro Lima Nunes
172 173
Entendemos que o equilíbrio é a dose correta para que 
se obtenham os melhores resultados em tudo, e no ambiente de 
trabalho não é diferente, sabemos que a boa relação entre professor 
e aluno é um dos princípios fundamentais para se desenvolver 
equilíbrio no sucesso do ensino de aprendizagem.
Percebemos que as relações interpessoais e a aprendizagem 
possuem característica em comum e para que venham acontecer 
é necessário pelo menos duas pessoas, portanto em um ambiente 
escolar ela se faz fundamental devido os grandesdesafios 
cotidianos que a escola enfrenta.
Percebe-se que uma das maiores dificuldades 
encontradas por professores e profissionais da educação 
é justamente imaginar como podem mudar sua forma de 
pensar, mas uma vez superada essa dificuldade inicial, torna-
se possível perceber outras alternativas e que é possível sim 
, como por exemplo, através diálogo, à livre expressão de 
sentimentos e ideias, ao tratamento respeitoso, à dignidade e 
tantos outros aspectos que contribuem para a configuração de 
ambiente escolar harmonioso e de bom convívio.
Percebemos também que cabe ao gestor a função de 
trabalhar com os conflitos e as diferenças de personalidades, 
sabendo que cada indivíduo traz para o convívio social e 
escolar suas peculiaridades e culturas, então o gestor deve estar 
preparado para buscar alternativas que atendam o interesse 
de todos, e principalmente entender que o sucesso escolar 
depende da participação efetiva de todos os profissionais, 
incluindo vigias, merendeiras, pessoal de apoio, agentes 
administrativos, enfim estabelecer um convívio de harmonia e 
conscientização em prol de uma educação de qualidade.
O trabalho tem como objetivo analisar a importância 
do desenvolvimento interpessoal como ferramenta estratégica 
para o desenvolvimento da instituição. Além disso, busca-
se investigar as diretrizes normativas educacionais que 
norteiam o desenvolvimento das atividades da instituição 
no tocante ao relacionamento interpessoal, vindo a verificar 
e registrar as ações e políticas de gestão voltadas para o 
relacionamento interpessoal no contexto organizacional para 
diagnosticar a repercussão do relacionamento interpessoal no 
desenvolvimento das atividades da instituição no trabalho em 
equipe quanto ao desenvolvimento da comunicação interna 
na organização e propor mecanismos para um eficiente 
relacionamento interpessoal na instituição.
REVISÃO DE LITERATURA
As relações interpessoais na escola dizem respeito às 
ligações estabelecidas entre os elementos de toda a comunidade 
escolar.
Conhecer pessoas, processos de grupos, cultura organiza-
cional e o modo como esses processos interagem entre si, 
passou a ser uma exigência essencial de qualquer gestor que 
almeje sucesso no mundo dos negócios e das organizações” 
(QUADROS; TREVISAN, 2009, p.15).
De acordo com os estudos de Martinelli e Schiavoni 
(2009) as relações interpessoais na escola passam pela ligação 
existente entre Gestores, professores e alunos e comunidade 
escolar, tendo em conta que todas as partes têm as suas próprias 
percepções uma acerca da outra, a si mesmas e entre si. 
174 175
Assim, é comum que, quando informados acerca de 
uma alta performance  em relação a: um aluno, a professores, 
ou a escola como referência fiquem, também, com expectativas 
altas acerca dos mesmos, ainda que as mesmas possam não 
ter sido confirmadas previamente (Martinelli, & Schiavoni, 
2009). Contudo, esta informação prévia, pode levar a uma 
atitude mais positiva dos gestores em relação aos professores, 
professores em relação aos alunos e o todo em relação a escola, 
o que, consequentemente leva a que esta tenha, realmente, mais 
sucesso e produtividade, bem como maior índice de felicidade 
(MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
Dentro das organizações e com muita frequência, em de-
terminado conflito entre duas partes, as duas pretendem 
um tipo de solução que a outra não quer aceitar, sendo que 
ambas as partes dependem uma da outra para ser atingido 
um acordo” (MCINTYRE, 2007, p. 298).
Os estudos de Leite (2012) vieram confirmar estas teorias ao 
falar da importância da construção de relações interpessoais entre 
professores e alunos, na medida em que as mesmas têm um teor 
afetivo, no ramo da pedagogia, diretamente ligado à forma como 
os professores lecionam os conteúdos existentes nos programas.
Ao contrário, quando a relação entre professores e a alunos 
não se mostra tão positiva, a mesma também acaba por se refletir 
no rendimento dos segundos, pela negativa (MARTINELLI & 
SCHIAVONI, 2009).
Vários são os fatores que podem impedir um bom 
rendimento do grupo, como o seu tamanho, o grau de 
motivação de seus membros, a falta de coesão, dificul-
dades de comunicação e até mesmo normas restritivas 
ao seu bom funcionamento. Algumas providências são 
eficazes quanto ao bom funcionamento de um grupo, a 
saber: favorecer a integração das pessoas, observar a li-
derança voltada para a tarefa, tanto quanto os fatores de 
manutenção do grupo que dizem respeito as questões 
sociais; classificar papéis e expectativas; intensificar 
os valores e respeito as normas; bem como favorecer, 
sempre, uma maior coesão das pessoas.” (QUADROS; 
TREVISA, 2009, p.6)
A significância das relações interpessoais na escola, 
construídas entre gestores, professores e alunos, estende-se 
mesmo aos contextos em que os mesmos não estão na presença 
uns dos outros, ou seja, um professor que, de alguma forma marca 
os seus alunos, é sempre recordado mesmo sem ser face a face 
(LEITE, 2012). A razão de ser deste fenômeno é a forma como um 
professor estabelece regras e utiliza determinadas estratégias de 
ensino, as quais trazem repercussões para as relações das crianças, 
de modo geral, especialmente no que diz respeito ao processo de 
aprendizagem (LEITE, 2012).
Para além das expetativas entre ambas as partes, outras 
variáveis influenciam significativamente as relações interpessoais 
na escola, sendo elas o sexo, a  raça, a  etnia, os grupos sociais, 
a  personalidade, a aparência, a forma de falar e de escrever 
e até mesmo o lugar que cada aluno escolhe em sala de aula 
(MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
Assim, segundo Martinelli e Schiavioni (2009) também se 
estendem as influências de diferentes variáveis no que diz respeito 
às relações interpessoais estabelecidas entre alunos uma vez que é 
comum, nestas idades que as mesmas se construam em função da 
aceitação de um novo elemento num grupo. Devido à possibilidade 
176 177
de aceitação ou não dos elementos, a dinâmica existente em sala de 
aula diferente de ambiente para ambiente.
Quando as relações interpessoais são caracterizadas pela 
pouca clareza, criam espaço para suspeitas, mal-entendido 
e desconfiança, desencadeando emoções de medo e raiva 
nos indivíduos” (MOSCOVICI, 1985, p. 77).
Verifica-se, habitualmente, que os grupos de alunos que 
melhor conseguem estabelecer relações interpessoais no meio 
escolar, também são aqueles que apresentam maior taxa de sucesso 
acadêmico (MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
A aceitação entre elementos, em cada grupo, acontece com 
base em comportamentos mais amigáveis, afetuosos e interativos, 
pelo que, quando a aceitação não é tão bem conseguida, a interação 
é mais conflituosa, provocativa, tendencialmente agressiva, com 
mais propensão para discussões imaturas, e menos competências 
sociais (MARTINELLI, & SCHIAVONI, 2009).
A revisão da literatura levada a cabo por Leite (2012) 
permite-nos compreender como a questão do afeto em relação 
à escola, pode influenciar as relações interpessoais dentro 
da mesma, pelo que, consequentemente se traduz no afeto 
positivo ou negativo entre os alunos e o resto da comunidade 
escolar, tanto em relação aos professores como em relação aos 
programas letivos.
Como tal, as mesmas razões que levam à identificação dos 
alunos com os professores e o ambiente escolar, são as que também 
levam estes alunos a adquirir um afeto positivo no que diz respeito 
aos programas a estudar (LEITE, 2012).
Isto porque o conceito de mediação pedagógica não se re-
fere a ideias metafóricas, mas a relações concretamente es-
tabelecidas e vivenciadas, em sala de aula, que podem ser 
acessadas pelo olhar do pesquisador através, obviamente, 
de metodologias adequadas às características dos fenôme-
nos estudados. (LEITE, 2012).
Analisa-se que é extremamente necessário termos uma 
relação interpessoal eficiente dentro das instituições de ensino para 
que esta consiga atingir seus objetivos em todos os setores.
Arelação interpessoal pode ser trabalhada e desenvolvida 
sempre, pois é através dela que todos os que trabalham por um bem 
comum, trocam suas experiências, desenvolvem o conhecimento 
da sua equipe de trabalho estreitando as relações e aumentando o 
interesse pelo trabalho em equipe.
Diante disso, acredita-se que deve-se promover ações 
dentro da instituição tendo como objetivo maior a integração de 
todos os membros como: núcleo gestor, professores, funcionários 
e alunos para desenvolver a comunicação interna, debater 
problemas, visando também o conhecimento e para que juntos 
possam caminhar em um objetivo comum para o bem de todos.
 
METODOLOGIA
A metodologia que será utilizada é uma pesquisa 
bibliográfica de natureza qualitativa e explicativa.
A pesquisa abordada neste estudo alia duas tensões ao 
mesmo tempo. Por um lado, é atraída a uma sensibilidade geral, 
interpretativa, e, por outro, por concepções da experiência 
humana e de sua análise mais restrita a uma visão humanista. 
Pesquisa qualitativa é multimetodológica quanto ao seu foco, 
envolvendo abordagens interpretativas e naturalísticas dos 
178 179
assuntos. Isto significa que o pesquisador qualitativo estuda coisas 
em seu ambiente natural, tentando dar sentido ou interpretar 
os fenômenos, segundo o significado que as pessoas lhe 
atribuem (DENZIN & LINCOLN, 1994, p.2). Esta definição ressalta 
a importância do uso da multimetodológica como também o 
estudo de caso, experiências pessoas, entrevistas, observações 
dentre outras que caracteriza o pesquisador qualitativo.
De acordo com Gil (2008), as pesquisas descritivas 
possuem como objetivo a descrição das características de uma 
população, fenômeno ou de uma experiência. Entretanto, 
as pesquisas descritivas geralmente assumem a forma de 
levantamentos. Quando o aprofundamento da pesquisa descritiva 
permite estabelecer relações de dependência entre variáveis, é 
possível generalizar resultados.
Segundo Gil (2007, p. 43), uma pesquisa explicativa pode 
ser a continuação de outra descritiva, posto que a identificação 
de fatores que determinam um fenômeno exige que este esteja 
suficientemente descrito e detalhado.
CONSIDERAÇÕES FINAIS
No momento atual as pessoas caracterizam-se como o 
principal diferencial das organizações. O individuo passou a ser 
visto pelos administradores como uma peça importante para 
alcançar o sucesso e estar à frente dos concorrentes. 
A sociedade exige de todos os órgãos públicos uma 
maior eficiência no alcance dos resultados e no atendimento 
das necessidades do público alvo. Os usuários dos serviços estão 
mais exigentes, desejam serviços de qualidade. Nesse contexto os 
profissionais que trabalham nas organizações públicas são peças 
chave para que as empresas públicas adaptem-se as mudanças e 
atendam as exigências e necessidades dos usuários. 
No desempenho dos funcionários ou servidores o 
relacionamento no trabalho exerce grande influência. Para que o 
indivíduo desempenhe suas funções de forma eficiente é importante 
que ele mantenha boas relações com os demais indivíduos da 
organização. Ao desempenhar seu trabalho e atingir os resultados 
esperados os servidores mantém constantes relações com os outros 
tornando assim as relações no ambiente de trabalho fundamentais 
para o alcance dos objetivos organizacionais. 
Tendo em vista essa realidade, foi importante desenvolver 
um estudo sobre as relações interpessoais no ambiente de trabalho 
de uma escola pública, pois perceber e analisar como ocorrem as 
relações interpessoais no ambiente de trabalho escolar torna-se 
importante para melhorar o desempenho dos servidores e alcançar 
os objetivos e metas da organização.
Em especial o estudo teve grande importância também 
porque foi realizado na organização em que a pesquisadora 
trabalha, permitindo a mesma perceber como ocorrem as relações 
interpessoais no seu ambiente de trabalho. 
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1994, 643p.
GIL, A. C. Como elaborar projetos de pesquisa. 4. ed. São Paulo: Atlas, 2007.
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LEITE, Sérgio Antônio da Silva. (2012). Temas em Psicologia, 20(2), 335-368. 
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MCINTYRE, Scott Elmes. Como as pessoas gerem o conflito nas organizações: Estratégias 
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TORQUATO, Gaudencio. Comunicação Interna: os desafios da integração. Disponível em: . Acesso em: 07 
out. 2017.
- Graduada em Gestão de Recursos Humanos
Geórgia Pinheiro Lima NevesFlesch (2015) contribui ao falar que o processo laboral 
pode levar o ser humano ao sofrimento, ou seja, ao estresse. 
Assim, conhecer suas possíveis causas se torna imprescindível 
para modificá-lo, possibilitando reelaborar contingências mais 
adaptativas ao processo de trabalho.
Assim sendo, a autora publica que o conceito de 
estresse remete a uma dimensão biopsicossocial, levando em 
conta os estímulos externos, como trabalho e relações sociais, 
e estímulos internos que correspondem ao pensamento e 
emoções, incluindo a resposta que o organismo emite frente a 
esta estimulação (FLESCH, 2015).
O estresse ainda pode ser definido como qualquer 
situação de tensão aguda ou crônica que produz uma mudança 
no comportamento físico e no estado emocional do indivíduo e 
uma resposta de adaptação psicofisiológica que pode ser negativa 
ou positiva no organismo. Pesquisadores sobre a temática estresse 
ocupacional relatam que “tanto o agente estressor quanto seus 
efeitos sobre o indivíduo podem ser descritos como situações 
desagradáveis que provocam dor, sofrimento e desprazer” 
(MOLINA, 1996, p.18 apud FLESCH, 2015, p. 3).
Flesch (2015) posicionando-se sobre esta abordagem, 
destaca o estresse ocupacional, pois este se torna comum à medida 
que a instituição também seja caracterizada como estressada, pois 
se uma pessoa se estressa no trabalho, ela também pode influenciar 
os colegas, e assim, aos poucos, todos os funcionários podem 
apresentar sintomas de estresse.
Para Limongi-França (2002 apud FLESCH, 2015) o estresse 
no trabalho envolve uma situação na qual o sujeito interpreta seu 
local de trabalho como ameaçador frente a sua necessidade de 
crescimento pessoal e profissional. 
Diante do relato dos autores acredita-se que o estresse 
ocupacional envolve uma relação particular entre o indivíduo, seu 
ambiente de trabalho e as demais situações a que está submetido. 
Afirmam Sampaio e Galasso, (2002 apud FLESCH, 2015) que o 
estresse pode ser concebido como um risco associado de formas 
variadas a todos os tipos de trabalho, e assim, podendo causar 
prejuízos à saúde e ao desempenho das funções.
Destacando a profissão policial militar, Aguiar (2007) diz 
que os profissionais desta instituição estão envolvidos nos mais 
diversos tipos de conflitos, de modo que nem sempre possuem 
autorização para resolvê-los por limitação institucional legal. Sendo 
assim, desencadeia no policial um estado de frustração, incerteza, 
conflito e insatisfação no trabalho, sendo que todos estes fatores 
estão ligados diretamente ao estresse ocupacional.
Especificamente sobre a função desempenhada pelo policial 
militar, Costa et. al. (2007) diz que envolve alto risco, levando-se 
em conta que estes profissionais lidam diariamente com a violência 
e a brutalidade. Em razão disso, o autor ainda complementa ao 
enfatizar que a literatura considera esta profissão como uma das 
que mais sofre de estresse, tendo em vista o trabalho exercido 
mediante forte tensão através do enfrentamento de situações que 
lhes submetem, além de outros fatores conflitantes até o risco de 
morte. Estudo realizado por Minayo, Souza e Constantino (2007) 
os quais investigaram as características socioeconômicas, qualidade 
de vida, condições de trabalho e de saúde de policiais militares 
e civis, ficou evidenciada que os policiais são as maiores vítimas 
do desempenho de suas atividades, sobretudo os militares, pelas 
funções operacionais que exercem. 
Na pesquisa citada por Flesch (2015) logo a seguir, autores 
comprovam que conflitos enfrentados pelos policiais em sua 
atividade profissional são causadores de grande sofrimento mental, 
podendo com isso, desencadear possíveis atos violentos.
Sobre a agressividade em policiais militares, Flesch (2015) cita 
o estudo realizado por Oliveira e Santos (2010) com 24 policiais. Para 
30 31
a autora, encontraram 91,7% dos policiais militares que se percebiam 
estressados sempre, ou às vezes, sendo que 41,7% relataram já terem 
agido impulsivamente em alguma ocorrência e 62,5% afirmaram 
que, às vezes, percebiam-se agressivos no trabalho.
Pelos dados do estudo apresentado, percebe-se que o 
estresse está presente em grande parte do cotidiano dos Policiais 
Militares, e que este compromete a qualidade de vida, levando-os 
a comportamentos agressivos. Conforme pesquisa realizada sobre 
as fases do estresse, avaliada através do Inventário de Sintomas 
de Stress para Adultos de Lipp (ISSL), os dados mostram um 
percentual elevado, os quais podem ser verificados através do 
gráfico a seguir (FLESCH, 2015, p. 14). 
O gráfico mostra que 80% dos profissionais estressados 
encontravam-se na fase 02 do estresse (fase de resistência), 
enquanto que 13,3% estavam na fase 01 do estresse (fase de alerta) 
e 6,67% se encontrava na fase 04 de estresse (fase de exaustão). 
Mediante dados 
apresentados pela 
pesquisa, torna-se 
evidente que futuras 
intervenções fazem-se 
necessárias na medida 
em que a fase 02 
(fase de resistência 
do estresse) apresenta 
sintomas como 
desgaste generalizado 
e prejuízos com a 
memória. Assim, 
“se os estressores 
forem retirados ou 
aprendermos a lidar 
com eles, os sintomas desaparecem, mas do contrário, se o 
estressor permanecer, as dificuldades começam a aparecer passando 
a comprometer a qualidade de vida do sujeito” (LIPP, 2000 apud 
FLESCH, 2015, p. 15). 
Dentre os sujeitos avaliados com estresse, percebe-se que 
apenas 13,3% encontravam-se na fase 01 de alerta, sendo esta uma 
fase positiva. O estresse em doses moderadas se torna benéfico, na 
medida em que nas situações de tensão produzimos a adrenalina 
(ou dopamina) responsável pelo aumento de energia, ânimo, 
entusiasmo e vigor. Ao produzir adrenalina, o indivíduo fica em 
alerta e pronto para lutar ou fugir de situações mais difíceis (LIPP, 
2000, apud FLESCH, 2015, p. 15-16).
Quanto às fases mais comprometedoras do estresse, a 
fase 02 (fase de resistência) teve o maior índice avaliativo com 
80%, pois é uma fase conflituosa onde o organismo procura 
reestabelecer o equilíbrio para evitar maior desgaste emocional. 
Na fase de quase exaustão, a fase 03, não foi classificada nenhum 
participante, no entanto houve 6,27% que se encontrava na fase 
04 (exaustão), compreendida como o último nível do estresse e 
também o mais perigoso. 
Em resumo, sendo a fase de exaustão a mais comprometedora 
do equilíbrio emocional, conclui-se que a pessoa só entra nessa 
última fase após muito estresse, ficando sem energia, com falta de 
concentração e dificuldade para trabalhar, podendo surgir doenças 
graves, ou até mesmo a morte súbita em alguns casos.
Reis (2015) apresenta a pesquisa intitulada “Vitimização 
e risco entre profissionais do sistema de segurança pública”, que 
foi realizada em parceria com a Fundação Getúlio Vargas e com a 
Secretaria Nacional de Segurança Pública. 
Para caracterização da pesquisa, o autor ouviu 10.323 
policiais militares, civis, federais, rodoviários federais, agentes 
penitenciários e integrantes do Corpo de Bombeiros e da Guarda 
Fonte: 
(FLESCH, 2015, p.14 apud OLIVEIRA E SANTOS, 2010).
Gráfico 1: 
Fases do estresse do cotidiano de policiais 
militares submetidos à pesquisa
32 33
Municipal em todos os estados do país. O estudo foi realizado 
entre os dias 18 de junho e 08 de julho de 2015.
Na pesquisa Reis (2015) aborda relatos de Samira Bueno, 
diretora-executiva do Fórum Brasileiro de Segurança Pública, 
a qual argumenta ser este um cenário triste. Mas, segundo ela, 
trata-se de um dado esperado, pois a percepção de discriminação 
que o policial tem está intimamente ligada à desconfiança da 
população. Como resultados, chegou-se a conclusão de que 
somente 30% afirmam confiar na polícia. O autor justifica que 
isso ocorre porque desde 1988, com o advento da constituição, 
que tecnicamente rompe com o momento autoritário do país, 
muito pouco se mudou no modelo de segurança pública. 
As pessoas se afastam dos policiais porque eles são tidos 
como violentos. Por contadisso, Reis (2015) acrescenta que as 
instâncias responsáveis direta ou indiretamente pela segurança 
pública precisam pensar em mecanismos de modernização.
Dentre os diversos dados da pesquisa, nos interessa 
destacar o índice de distúrbios psicológicos entre os agentes 
de segurança entrevistados. Um dado que merece destaque é o 
de que 16,4% dos policiais foram diagnosticados com algum 
distúrbio psicológico (REIS, 2015). Para o autor este número 
é considerado elevado, pois o percentual diz respeito apenas 
aos diagnosticados, sendo que pelo contingente geral os dados 
devem ser muito maiores, e ainda comenta que as estruturas de 
atendimento psicológico são precárias, pois, quando existem, 
limitam-se as capitais e regiões metropolitanas.
Psicologia: serviços essenciais para reduzir e minimizar os 
prejuízos causados pelo estresse
Acredita-se que ao proporcionar a esses profissionais da 
Segurança Pública a oportunidade de um acompanhamento 
psicológico pode-se contribuir para a melhoria da qualidade 
de vida, bem como prestar um serviço que retrate os anseios da 
comunidade. Os serviços aqui propostos podem ser ofertados em 
duas modalidades: o plantão psicológico para casos emergenciais e 
psicoterapias para tratar demandas mais graves até a reconstituição 
da qualidade de vida. A seguir, destaca-se cada um desses serviços.
O plantão psicológico como escuta ao policial militar
O  plantão psicológico,  segundo Schenferd (2011), tem 
como uma de suas funções o treino da escuta que está relacionado 
à capacidade de captar aquilo que o paciente busca naqueles 
cinquenta minutos em que a relação  paciente–terapeuta  se 
estabelece. Nesse sentido, a habilidade de escutar faz-se necessário 
para que haja uma boa compreensão da queixa central e o 
estabelecimento do vínculo com o paciente para proporcionar o 
andamento do processo terapêutico.
Para Mahfoud (1987), cabe ao psicólogo proporcionar ao 
paciente uma compreensão a respeito de si mesmo e de seu papel 
diante da problemática que o levou a procurar pelo plantão. 
É verdade que o plantão caracteriza-se pelo atendimento em 
situações de crise e guarda peculiaridades não só sob o olhar numa 
perspectiva clínica, mas também quando encarada em relação a 
sua forma e seu conteúdo (SCHENFERD, 2011). 
No processo de atendimento para o plantão psicológico, o 
foco é a queixa, no entanto o tempo do atendimento será limitado, 
diferentemente do formato tradicional na psicoterapia que se estende 
até as reais necessidades do paciente. É o “tipo de serviço, exercido por 
profissionais que se mantêm a disposição de quaisquer pessoas que 
deles necessitem, em períodos de tempo previamente determinados e 
ininterruptos” (MAHFOUD, 1987, p. 75). Essa “intervenção psicológica 
apresenta características específicas para cada um dos envolvidos 
34 35
e, por isso, é citada como ‘a vivência de um desafio’, dada a sua 
complexidade” (PAPARELLI E MARTINS, 2007, p. 66). 
Desse modo, os autores acrescentam que de maneira 
resumida, o plantão se caracteriza por três pontos de vista: o 
da instituição, da qual se exige a sistematização dos serviços, 
com a organização e o planejamento do espaço físico, os 
recursos disponíveis (humanos ou materiais, rede de apoio 
externo e outros); o do profissional, cuja exigência se refere à 
“disponibilidade” ao novo, ao não planejado, ao inusitado, à 
possibilidade de acolher a demanda daquele que o procura, e o 
do cliente, que constitui uma referência, um porto seguro para 
a sua necessidade (MAHFOUD, 1987).
Sobre os atendimentos no serviço, Paparelli e Martins 
(2007) mostram que ocorre em três fases: o acolhimento da 
demanda, numa entrevista inicial, para detecção da queixa 
e dos elementos trazidos pelo paciente; acompanhamento 
do processo de intervenções de tempo limitado, com um 
limite máximo de dez sessões; desfecho e encerramento do 
caso, que poderá resultar na alta do processo terapêutico 
e/ou no encaminhamento a outras instâncias internas ou 
externas.
Considerando a importância do plantão, pode-se atribuir 
ao serviço que se estabeleça ao Policial Militar, o início da reflexão 
acerca da queixa que o defina como estressado.
A psicoterapia como auxílio nas necessidades do policial militar
A psicoterapia distingue-se quanto aos seus objetivos e 
fundamentos teóricos, bem como quanto à frequência das sessões, 
ao tempo de duração, ao treinamento exigido dos terapeutas e 
às condições pessoais que cada método exige de seus eventuais 
candidatos (CORDIOLI 2008, p. 21.). 
Para o autor, a psicoterapia diferencia-se de outras práticas 
por ser uma atividade colaborativa entre cliente e terapeuta. 
Entende-se que a psicoterapia proporciona um momento 
interacional entre terapeuta e paciente, facilitando e auxiliando 
nas possíveis intervenções.
Rogers citado por Hermeto e Martins (2012, p. 132) contribui 
com o debate dizendo que “a vida plena é um processo, não um 
estado de ser, pois, segundo ele, para aproveitar a vida é preciso” ser 
totalmente aberto a experiências; viver o momento presente; confiar 
em si mesmo; assumir responsabilidades pelas próprias escolhas e 
tratar a si e aos outros com consideração positiva incondicional.
A capacidade de se manter presente no momento atual, 
já que o “eu” e a personalidade são criados pela experiência, 
necessita estar totalmente aberto às possibilidades oferecidas em 
cada momento e permitir que as experiências construam o “eu”. 
(HERMETO, 2012, p. 133). 
Acredita-se que a melhor maneira de organizar o “eu” é 
admitir a fluidez da vida e evitar moldar a si próprio, ou seja, deve-
se procurar dar um sentido real a vida e aceitar a realidade atual. 
Neste sentido, pode-se ter a psicoterapia como a reconstituição 
do comportamento reflexivo e avaliativo nas demandas policiais 
cotidianas vividas pelos profissionais da Polícia Militar. 
Avaliação psicológica como hipótese diagnóstica 
para os conflitos do policial militar
Sabendo que a psicoterapia pode trazer melhores resultados 
em pacientes que apresentam alguma patologia, Dalgalarrondo 
(2008) afirma que esta avaliação psicológica é feita, inicialmente, 
por uma entrevista. Nesse momento inicial o paciente interage 
com o terapeuta relatando as possíveis queixas que o atormentam 
e o que realmente busca na terapia. Assim, a entrevista passa a 
36 37
ser uma ferramenta importante no processo psicoterapêutico e de 
suporte para o policial militar. 
“A entrevista psicopatológica permite a realização dos dois 
principais aspectos da avaliação: a anamnese, o histórico dos sinais e dos 
sintomas que o paciente apresenta ao longo de sua vida, seus antecedentes 
pessoais, familiares e no meio social” (DALGALARRONDO, 2008, p. 61). 
Cordioli (2008) corrobora com Dalgalarrondo (2008) e 
apresenta os resultados das psicoterapias como um importante 
recurso para o tratamento dos transtornos mentais e outros 
problemas emocionais.
O psicodiagnóstico como avaliação do comportamento 
do policial militar
Cunha (2000) enfatiza que o psicodiagnóstico é uma 
avaliação psicológica com propósitos clínicos, e que não abrange 
todos os modelos de avaliação psicológicas quanto às diferenças 
individuais. Desse modo, essas avaliações são realizadas mediante 
os testes projetivos. Nesse contexto, o autor complementa dizendo 
que o psicodiagnóstico é um processo científico, limitado no 
tempo, que utiliza técnicas com o uso de testes psicológicos para 
identificar e avaliar aspectos específicos.
Para o autor, uma avaliação psicológica pode ter vários 
objetivos, dentre os quais merece destaque a avaliação do estado 
mental do sujeito para a promoção à saúde e à prevenção. 
Pelo estudo realizado sobre os serviços de psicologia para 
o acolhimento e tratamento psicológico, reflete a necessidade de 
um acompanhamento especializado com os Policiais Militares em 
virtude desses estarem diretamente ligados a situações de estresse, 
pelas decisões imediatas que devem ter diante de ocorrências que 
venham a causar danos a vidadele ou de terceiros. A atenção a esses 
profissionais pode evitar o surgimento do Transtorno Disruptivos 
do Controle de Impulsos e da Conduta, pois este tipo de transtorno 
pode ser desencadeado pelo nível elevado de estresse.
Segundo os DSM-5, o Transtorno Disruptivos do Controle 
de Impulsos e da Conduta incluem condiçoes que envolvem 
problemas de autocontrole de emoções e de comportamentos. “É 
caracterísico desse transtorno comportamento agressivo, destruição 
de propriedade, conflito significativos do individuo com normas 
sociais ou figuras de autoridade” (DSM-5, p. 461).
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Na construção deste trabalho buscou-se evidenciar a 
profissão policial militar e suas necessidades para o desempenho 
profissional. Na tentativa de compreendê-los no exercício da profissão 
e relacionar o comportamento a situações de estresse, procurou-se, 
além das pesquisas bibliográficas, compreender o comportamento 
quanto à função em exercício para melhor direcionar o processo de 
estudo e conhecimento quanto à saúde mental, mediante o estresse 
ocupacional, sendo este a maior causa de conflitos e distúrbios 
psicológicos, conforme relata os autores referenciados.
Os resultados descritos após pesquisa mostram que é 
necessário desenvolver ações direcionadas a esses profissionais, 
pois na maioria das vezes não se deslocam para procurar ajuda 
psicológica, talvez por preconceito da profissão, questões 
financeiras ou por não perceber a necessidade do serviço. 
Buscando disseminar cada vez mais as ações no atendimento 
psicológico na corporação Policial Militar, faz-se necessário envolver 
todos os membros da instituição, pois o estresse ocupacional neste 
caso eleva-se em conjunto na relação entre os pares. 
38 39
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- Psicólogo
- Pedagogo
- Mestre em Ciências da Educação
- Especialização em Português e Arte Educação
- Esp. em Neuropsicodiagnóstico – Avaliação Psicológica
- Experiência em Psicologia Escolar 
 e Docência do Ensino Superior
José Demontier Guedes
40 41
A ansiedade é um sentimento desagradável, vago, 
indefinido, que na sua psicopatologia apresenta diferentes 
sensações, tais como: frio no estômago, aperto no peito, coração 
acelerado, etc. Essas reações são normais, naturais e necessárias 
para a autopreservação do individuo, esperada em determinadas 
situações. Conforme SIEGEL, 1990, a maioria das pessoas 
experimenta algum grau de conflito entre os desejos internos e as 
realidades externas. Porém, por vezes, estes desejos fazem parte 
de estados de espíritos bastantes distintos, que permanecem fora 
da consciência de muitos indivíduos. Mesmo sem consciência, 
a mente pode experimentar o desequilibrio emocional de tais 
conflitos como o começo da ansiedade.
Com relação a sua normalidade, a ansiedade é uma reação 
normal, dita bio-adaptativa, ou seja, é uma resposta do corpo 
a algum tipo de estressor externo, por exemplo, diante de uma 
ameaça (um predador), o organismo deve reagir aumentando 
seu ritmo para que este possa se preparar para a fuga. O ritmo 
cardíaco aumenta, há contração de vasos periféricos para que 
Transtorno da Ansiedade 
Generalizada
José Demontier Guedes 
Lucilene Maria dos Santos
Capítulo II
42 43
se concentre sangue em áreas vitais, a respiração aumenta sua 
frequência. Portanto, todas estas reações são normais e preparam 
o indivíduo para enfrentar o estressor externo. É uma sensação 
difusa, desagradável de apreensão acompanhada por várias 
sensações físicas.
Quando essas reações passam a ser em estado prolongadoa ansiedade é patológica, que se caracteriza por sua duração 
e intensidade maior que o esperado para a situação. Nessa 
condição o Transtorno da Ansiedade Generalizada costuma 
ser considerada uma doença crônica, onde uma preocupação 
exagerada que abrange diversos eventos ou atividade da vida 
cotidiana vem acompanhado de sintomas como: irritabilidade, 
tensões musculares, perturbações, dentre outros, comprometendo 
o funcionamento da vida social e profissional, gerando grande 
sofrimento. A ansiedade se torna patológica em dois momentos: 
quando o corpo reage excessivamente a um estímulo, ou seja, 
quando a ansiedade é desproporcional ao estímulo e transforma 
uma reação adaptativa em reação desadaptativa, ou mesmo 
quando ela aparece relacionada a estímulos que normalmente não 
gerariam ansiedade. Outro momento é quando ocorre ansiedade 
na ausência de estímulo deflagrador. Os transtornos de ansiedade 
mais comuns são: Síndrome do pânico, fobia social, agorafobia, 
transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), transtorno de estresse 
pós-traumático e transtorno de ansiedade generalizada (SIEGEL, 
1990).
A ansiedade patológica caracteriza-se pela intensidade 
prolongada à situação precipitante, tornando difícil o controle 
dos sintomas físicos, causando prejuízo na atividade social, 
dificultando e impossibilitando a adaptação. Ao contrário da 
ansiedade normal, a patológica paralisa o indivíduo, trazendo 
prejuízos ao seu bemestar. Ainda com relação ao normal e 
patológico, veremos a seguir algumas diferenças. A preocupação 
normal, não interfere nas atividades diárias e responsabilidades, 
mesmo que as preocupações sejam desagradáveis, não causam 
sofrimento significativo, fácil de ser controlada, limitada a 
um número específico de pequenas preocupações realistas, 
durabilidade de um curto período de tempo. Quanto à 
preocupação patológica, interfere significativamente no 
trabalho, atividades ou vida social, difícil de controlar, são 
perturbadoras e estressantes, preocupa-se com todo o tipo de 
coisa e tende a esperar o pior e estão presentes quase todos os 
dias, por pelo menos seis meses (DALGALARRONDO, 2008).
Quando os sentimentos de ansiedade que são respostas 
humanas naturais passam a ser pensamentos, causam um 
adoecimento, caracterizada posteriormente por diversos e 
multifacetados sinais e sintomas como: indisposição, inquietação, 
insônia, irritabilidades, dificuldade de concentração e alarmam-
se com facilidade, esses se apresentam como sintomas psíquicos 
e como sintomas físicos, podem-se destacar os tremores, 
taquicardia, sudorese de mãos e pés, tensão muscular, dores de 
cabeça, dentre outros (SILVA, 2011). 
Sendo assim faz-se necessário o estudo das funções 
psíquicas de forma isolada em suas alterações, esses fenômenos 
estão relacionados e interligados. Essa separação dá-se 
apenas didaticamente, pois o homem é um ser global, um 
universo complexo na totalidade das suas múltiplas funções, 
interagindo e interagido pelos estímulos internos e externos, 
como podemos compreender quando Paulo Dalgalarrondo, 
afirma que “não existem funções psíquicas isoladas e alterações 
psicopatológicas compartimentalizadas desta ou daquela 
função”, assim sendo, diz Dalgalarrondo “é sempre a pessoa na 
sua totalidade que adoece”. Quando a Psicopatologia estuda o 
homem, fundamentada no encontro dos seres, na interpretação 
de Dalgalarrondo, a significação ou o sentido dos sinais e 
44 45
sintomas estão ligados aos contextos mentais onde eles surgem 
e como se manifestam, para, a partir daí proceder à indicação 
de perturbações nas funções e subjacentes transtornos, que 
atingiram a personalidade como um todo modificando a sua 
estrutura e o seu modo de existir. Sendo, portanto, necessário a 
significação dos fenômenos para que a descrição dos sintomas 
não seja considerada mecânica e sem nenhuma reflexão.
De acordo com Dalgalarrondo, a demarcação de um 
campo dá-se todas as vezes que se volta para a realidade, e 
nesse campo delimita-se um foco, ou a parte mais nítida da 
consciência e a parte periférica, menos nítida. Existem alterações 
normais e alterações patológicas da consciência. O sono 
natural, por exemplo, que se caracteriza por um estado especial 
da consciência, que acontece de forma recorrente e cíclica nos 
organismos superiores, sendo um estado comportamental e uma 
fase fisiológica normal e necessária do organismo. Associado 
ao sono se tem o fenômeno psicológico, sonho que também 
é considerada uma alteração normal da consciência. Porém, 
as alterações da consciência se dão por processos fisiológicos 
normais, e por processos patológicos, essas alterações podem 
ser observadas em quadros neurológicos e psicológicos onde 
o nível de consciência diminui de forma contínua e gradual, 
indo do estado normal, vigil, desperto, até o estado de coma 
profundo, onde não se observa nenhum sinal de atividade 
consciente. Essa alteração patológica quantitativa da consciência 
pode ocorrer em diferentes graus, como uma obnubilação ou 
turvação da consciência, considerado de leve a moderado ou o 
sopor que já é um estado de maior turvação até o coma que o 
grau mais profundo de rebaixamento do nível da consciência. 
Ele também classifica síndromes psicopatológicas associadas 
ao rebaixamento do nível de consciência, como o delirium. 
Síndrome confusicional aguda, onde o paciente apresenta-se 
confuso em relação ao pensamento e ao discurso. Nesses 
quadros ocorre um rebaixamento leve moderado do nível da 
consciência, acompanhado de desorientação temporoespacial, 
dificuldade de concentração, perplexidade, ansiedade em graus 
variáveis agitação ou lentificação psicomotora, discurso ilógico 
e confusão, ilusão e/ou alucinações visuais.
Segundo William James 1952, atenção é o caminho que 
dá direcionamento a consciência, o estado de aglomeração, da 
ação mental sobre determinado objeto. Podemos discernir dois 
tipos básicos, voluntária e espontânea. Podendo a mesma possuir 
duas formas, externa e interna. Suas alterações são chamadas de 
hipoprosexia e hiperprosexia, sendo que as mesmas consistem 
em estados de atenção diferenciados, ou seja, opostos. Enquanto 
a primeira apresenta perda básica da capacidade de concentração 
a outra por sua vez, consiste em um estado de concentração 
exacerbada. De acordo com Dalgalarrondo, a atenção quase 
sempre está alterada nos transtornos mentais graves tais como: 
transtorno do humor, transtorno obsessivo compulsivo (TOC), 
transtorno de déficit de atenção/hiperatividade (TDAH), dentre 
outros. Dessa forma a atenção associa-se ao transtorno de 
ansiedade generalizada de maneira a depender do direcionamento 
da consciência que esse indivíduo vai concentrar.
Para Dalgalarrondo, orientação é a capacidade de situar-se 
quanto a si mesmo e ao ambiente, requerendo a interação de vários 
processos, tais como: atenção, percepção, memória, pensamento, 
consciência, dentre outros. A orientação pode ser Autopsíquica, em 
relação a si mesmo e Alopsíquica, relacionada ao mundo, externo 
ao sujeito, podendo ser temporal, a qual indica se o paciente está 
situado no tempo. Esta exige um maior desenvolvimento do 
individuo, sendo mais facilmente prejudicada por transtornos da 
consciência. Nesse contexto cita-se também a orientação espacial, 
relacionada à percepção do espaço. 
46 47
Quanto às desorientações podem ser: por redução do 
nível de consciência, déficit de memória de fixação, apatia, 
delirante, oligofrênica, histeria, desagregação e desorientação 
quanto à própria idade. 
Diante dessas desorientações podem ocorrer diversos 
transtornos, dos quais destacamos alguns deles: confusão 
mental, alteração da atenção, da concentração e da capacidade 
dos estímulos ambientais, dificuldade de fixar na memória as 
informações ambientais básicas, desorientação devido a uma 
marcante alteração do humor e da vontade, vivências delirantes, 
déficit intelectual por incapacidade ou dificuldade de reconhecer 
e interpretar normas sociais, fenômeno da possessãohistérica ou 
desdobramento da personalidade, dentre outros. 
Desse modo, quando relacionamos esses transtornos da 
desorientação ao transtorno da ansiedade generalizada, pode-
se perceber uma relação em comum, a excessiva ansiedade do 
individuo, devido a sua hipervigilância, que é um estado de alerta 
e a perturbação do sono, o leva a uma constante irritabilidade, 
deixando-o esgotado, tanto fisicamente como psicologicamente, 
causando possíveis alterações na consciência e atenção, levando-o 
ficar desorientado. De certo modo, altera a noção do tempo, do 
espaço e possivelmente de si mesmo. Isso pode acontecer por 
conta do estado permanente de vigilância e ansiedade que leva o 
mesmo perder os parâmetros normais da realidade, tornando-o 
refém de um sentimento que insiste em dominá-lo.
No que se refere à sensopercepção, existem alterações 
quantitativas que se configura a hiperestesia que no sentido 
psicopatológico é a condição na qual as percepções encontram-
se anormalmente aumentadas em sua intensidade ou duração. Já 
a hipoestesia é observada em alguns pacientes com transtornos 
depressivos, que tem como consequência a percepção do mundo 
à sua volta como mais escuro, as cores tornam-se mais pálidas e 
sem brilho, os alimentos não têm mais sabor, e os odores perdem 
sua intensidade. 
A ilusão faz parte das alterações qualitativas da 
sensopercepção que são as mais importantes para a psicopatologia, 
caracteriza-se pela percepção deformada, alterada, de um 
objeto real e presente. As alucinações também fazem parte 
dessas alterações, podendo ser auditivas, divididas em simples 
e complexas; cenestésicas ocorrem em alguns pacientes que 
apresentam sensações incomuns e claramente anormais em 
diferentes partes do corpo, como sentir o cérebro encolhendo ou 
o fígado despedaçando; cinestésicas são vivenciadas pelo paciente 
como sensações alteradas de movimentos do corpo, como 
sentir o corpo afundando, as pernas encolhendo ou um braço 
se elevando. Com relação à alucinose é o fenômeno pelo qual 
o paciente percebe tal alucinação como estranha à sua pessoa, 
embora veja a imagem ou ouça a voz ou o ruído, falta a crença 
que comumente o alucinado tem em sua alucinação.
Em quase todos os transtornos da ansiedade está presente a 
lembrança obsessiva que é uma alteração qualitativa da memória. 
É um sintoma mais comum na ansiedade (TAG) que surge com 
muita intensidade e frequência. Destacamos aqui a memória 
cognitiva (psicológica), a qual afirma Dalgalarrondo que esta é 
uma atividade diferenciada do sistema nervoso, permitindo ao 
individuo fazer registros, conservações e evocações a qualquer 
momento quanto aos dados que são aprendidos através da 
experiência. 
Quanto às alterações quantitativas também podemos 
destacar as hiperminésias, que é uma aceleração geral do ritmo 
psíquico que influencia na memória. A amnésia, que há uma 
perda da capacidade de memorização e a mesma divide-se em 
anterógrada ou retrógrada. As alterações qualitativas destacam-se: 
ilusão mnêmica, que é um acréscimo de elementos falsos a 
48 49
um núcleo verdadeiro de memória, inclui coisas novas em um 
conto da história diante da percepção da própria pessoa sem se 
dar conta do fato. Também as alucinações mnêmicas que é a 
recordação de algo que nunca ocorreu. 
No processo ansioso surgem alterações relacionadas ao 
campo do afeto, porque a ansiedade gera sofrimentos intensos 
ligados aos fatos vindouros e angustia com relação a fatos 
passados, desta forma a labilidade e incontinência afetiva se 
comprometam ocasionando distúrbios do conteúdo dos afetos.
O curso e a forma do pensamento serão muito afetados 
durante o transtorno de ansiedade generalizada, uma vez que para 
estruturar o pensar faz-se necessário relacionar todas as funções 
psíquicas, que certamente comprometem-se nesse transtorno, e 
assim passam a desempenhar funções alteradas na estruturação 
dos conceitos, juízos, raciocínio e conteúdos do pensamento, 
que surgirão de formas desintegradas ou mal condensadas pela 
presença constante de pensamento obsessivo.
METODOLOGIA
Para a elaboração desse trabalho adotou-se uma pesquisa 
exploratória, precedida de pesquisas proveniente de textos de diversos 
autores, através de artigos, livros, revistas científicas e endereços 
eletrônicos, relacionados ao tema com as seguintes palavras-
chave: (transtorno, ansiedade e funções psíquicas). Os resultados 
obtidos proporcionaram um conhecimento prévio sobre o assunto, 
viabilizando questionamentos e aprendizado. Para tanto, o ano base 
dessa pesquisa ocorreram num período entre 2000 e 2012 até os 
dias atuais, comparando informações entre os autores para efetuar a 
elaboração do presente trabalho. Diante disso, foi feito um estudo 
preliminar do principal objetivo da pesquisa.
O desenvolvimento do tema consistiu na construção de 
um banco de dados sobre o Transtorno da Ansiedade Generalizada 
e as funções psíquicas, como o mesmo age e interfere na qualidade 
de vida das pessoas visando aS obtenção de conhecimentos 
específicos sobre o assunto em questão. Outras obras e artigos 
são citados apenas quando relevantes ao tema em questão. Os 
textos de referência foram analisados, comparados e avaliados na 
íntegra, dentro do escopo do presente estudo. Portanto, o foco 
da análise se detém nas relações intrafamiliares e interpessoais, 
contextualizadas socioculturalmente.
DISCUSSÃO
Para que seja feito o diagnóstico da ansiedade generalizada é 
preciso que outros transtornos de ansiedade como o pânico e a fobia 
social tenham sido descartados. Faz-se necessário que a ansiedade 
excessiva dure por mais de seis meses, porque o fator determinante 
é o tempo de duração dos sintomas. Os fatores principais para 
a distinção entre ansiedade normal e ansiedade generalizada são: 
o nível de ansiedade e a justificativa para a mesma, sendo, pois, 
anormal se ela levar a consequências negativas.
Pela multiplicidade dos sintomas é de extrema importância 
que o médico não faça o diagnóstico do TAG precipitadamente, 
mas um diagnóstico de exclusão, investigando se o quadro ansioso 
não é fruto de outras doenças que desencadeiam as mesmas 
sensações físicas e psíquicas do TAG. Para tanto, é necessário 
exames clínicos, porém dando maior importância a anaminese do 
paciente (DALGALARRONDO, 2008).
50 51
As opções terapêuticas para o tratamento da ansiedade 
é iniciado com utilização de benzodiazepínicos, principalmente 
o alprazolam, para o tratamento farmacológico. Sua notável 
segurança e eficácia estabelecida representam um avanço 
importante nesta área particularmente difícil da terapêutica. A 
buspirona, ansiolítico azaspirona, com demonstrada em vários 
estudos. Seu diferencial está na ausência de dependência física, 
adicção, síndrome de abstinência, abuso e interação com o 
álcool. Nos betabloqueadores, o uso de propranol, um agente 
betabloqueador periférico reduz os sintomas autônomos. Mesmo 
diante de tudo isso, o tratamento farmacológico isolado através 
dessas substâncias não é eficaz em todas as formas de ansiedade, 
porque age apenas na supressão dos sintomas, não atuando sobre 
a causa dos transtornos (DUGAS, 2004).
O leque de possibilidades medicamentosas juntamente 
com o progresso ocorrido no campo da terapia psicológica de 
apoio foi significativo para a redução desse transtorno, pois a 
terapia cognitivo-comportamental (TCC) provou ser capaz de 
mudar os esquemas de pensamento que aprisiona essas pessoas 
aos seus próprios medos, além de alterar o seu comportamento 
(atitudes) diante dos fatores de ansiedade que desencadeiam. 
Para que essa terapia seja eficaz, será necessário estabelecer 
o diagnóstico e as possibilidades terapêuticas apropriadas 
(ANGELOTT, 2007).
É possível melhorar muito a qualidade de vida das pessoas, 
pela sua satisfação após a conquista do bemestar. No entanto 
é importante que o paciente priorize e procure uma terapia de 
manutenção, porque essa prática é muito eficaz na prevenção de 
recaídas. Algumas terapias alternativastambém são orientadas 
para aliviar o sofrimento do paciente, entre essas se destacam 
atividades físicas, técnicas de relaxamento, lazer, leitura e outras. 
O enfrentamento das situações desagradáveis que provoca 
ansiedade ajuda a conviver de forma natural com os eventos.
Dalgalarrondo, 2008 fala que os critérios de normalidade 
e de doença em psicopatologia são diversificados, a orientação 
filosófica ideológica, pragmática, aliadas aos critérios de 
subjetividade, frequência e intensidade conduzem a orientação 
para estabelecer o tratamento mais adequado para cada forma 
específica de ansiedade e para cada paciente.
Segundo Silva 2011, o desconforto dos transtornos de 
ansiedade são sentidos por todos os indivíduos em diferentes 
graus. As mulheres são duas vezes mais acometidas pela ansiedade 
generalizada do que os homens. A prevalência desse transtorno 
na população é relativamente alta, Em geral a prevalência é de 
aproximadamente 30% do sexo feminino comparado a 19% do 
sexo masculino, são muitos os fatores que podem contribuir para 
essas diferenças, como no período menstrual em que ocorrem 
muitas mudanças hormonais, vários estudos demonstram uma 
associação entre esse período com o aumento da vulnerabilidade 
aos sintomas da ansiedade, em que as mulheres experimentam 
uma piora desses sintomas, outro período de indefensibilidade é 
o pós-parto e também o da menopausa, podendo desempenhar 
papel importante na ocorrência deste transtorno. Outro fator são 
as múltiplas tarefas realizadas pelas mulheres nas quais ela precisa 
ser mãe, esposa, trabalhar fora e apesar das mudanças deste novo 
século com todas suas conquistas ainda enfrentam exigências 
maiores e salários menores. Com essas inúmeras pressões e 
descriminações ocasionando assim maior probabilidade de 
desenvolver quadro de ansiedade.
A tese de doutorado de Canguilhem publicada em 1943 
sobre normal e patológico tinha como objetivo básico criticar as 
influências do positivismo fundamentado por Comte através das 
52 53
idéias de Broussais, e entender como a medicina estabelece o 
conceito do normal e patológico.
Na critica as ideias de Comte na qual ele não acreditava que 
a relação entre o normal e o patológico se dava através de variações 
quantitativas, que correspondia a ocorrências mais frequentes, 
sendo assim o normal e patológico não passaria de uma variação 
quantitativa, um fenômeno em que está presente, em excesso ou 
em falta. Tudo isso é muito contraditório, pois nem tudo que está 
presente em quantidade maior significa normal, um exemplo é que 
quase todas as pessoas têm cárie dentaria nem por isso podemos 
considerar normal ou mesmo características que são raras como 
mutações não podem ser consideradas doentias.
Canguilhem considerou uma série de lacuna nesta proposta 
de Comte, a falta de critérios para reconhecer a normalidade de 
um fenômeno. Concordava com Leriche nas quais as variações 
seriam de ordem qualitativa.
Deu início as suas análises nas duas frases de Leriche: “A saúde 
e a vida no silêncio dos órgãos e a doença é aquilo que perturba 
os homens no exercício normal de sua vida e em suas ocupações 
e, sobretudo, aquilo que os faz sofrer.” O que canguilhem define 
como normal é entendido como algo individual, subjetivo, se um 
sujeito vive no seu meio e se relaciona com os outros vive sua rotina 
diária e dentro de suas limitações consegue ser ativo e realiza suas 
tarefas, mesmo que para umas determinadas tarefas seja fácil, para 
outros mais difíceis, até mesmo a doença é considerada normal, 
faz parte da natureza humana, desde que o ser humano busque 
uma melhora e não se entregue as dificuldades, ou seja, lute, se 
estabeleça, tenha vigor e flexibilidade. 
Diante disso, o homem faz a sua dor e a sua doença, 
julgando se estas deixaram de ser normais ou se voltaram a sê-lo. 
Voltar a ser normal é retomar uma atividade interrompida, não ser 
inválido para ela, CANGUILHEM (1943). Também buscou sempre 
estabelecer uma distinção entre normalidade e saúde. Ele afirmou 
que a normalidade enquanto norma de vida é uma categoria 
mais ampla, que engloba a saúde e o patológico como distintas 
subcategorias, numa visão de conjunto. Nesse sentido, tanto a 
saúde quanto a doença são normais. 
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Todos nós desde o nascimento temos medos e ansiedades, 
normal da natureza humana e necessária para sobrevivência da 
espécie. Temos essas reações quando detectamos alguma situação 
de perigo, o nosso organismo se prepara para luta ou fuga. Este 
medo e ansiedade estão presentes em todas as nossas ações, nos 
serve como proteção, sendo necessário e preciso. 
Como vimos o transtorno de ansiedade generalizada é 
caracterizada por estados permanentes de ansiedade e medo, sem 
identificar do que está com medo, vive em continuo estado de 
alerta e inquietude, é uma ansiedade crônica que leva a pessoa a se 
preocupar com tudo ou qualquer coisa desnecessária, ou seja, uma 
ansiedade ou medo excessivo.
Com relação ao que Canguilhem (1943) define a doença 
como um estado normal do ser humano. Assim, uma pessoa com 
transtorno de ansiedade generalizada que tivesse consciência do seu 
transtorno e procurasse uma ajuda profissional, seria considerada 
uma pessoa normal, se ocorresse o contrário, e não soubesse lidar 
com o transtorno, se entregasse, sem procurar ajuda profissional, 
seria um estado patológico.
Até a década de 80, havia a crença de que os medos e 
preocupações durante as fases da vida eram transitórios e benignos. 
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Reconhece-se hoje que podem constituir transtornos frequentes, 
causando sofrimento e disfunção ao individuo. A identificação 
precoce dos transtornos de ansiedade pode evitar repercussões 
negativas na vida do individuo, tais como o absenteísmo e a 
evasão escolar, no caso das crianças e adolescentes.
O medo normal e a apreensão ansiosa são respostas 
emocionais do organismo diante do perigo. Portanto, ansiedade 
é um alerta do sistema biológico ao preparar o corpo para reagir, 
mental e fisicamente, às situações potencialmente ameaçadoras. 
Os sinais corporais (tremores, boca seca, etc.) surgem provocados 
pela percepção de objetos ou de sinais externos percebidos como 
perigosos ou internos.
Podemos descrever a ansiedade produtiva (sadia) como 
sendo um estado de alerta e prontidão para agir adequada e 
produtivamente. Uma vez disparado o medo, o organismo, antes 
calmo, transforma-se num organismo animado e/ou agitado. 
O medo (ansiedade) leva o indivíduo a agir: atacar, fugir ou 
ficar “fingindo de morto”. Estas ações buscam aliviar o estado 
emocional desagradável provocado pelo medo. A resposta 
automática do organismo ao medo diminui ou desaparece 
quando a emoção termina: antes e depois de falar em público, 
aproximar-se da primeira namorada, primeira transa, esperar 
e/ou iniciar uma prova, concurso, disputa, etc. Geralmente, 
terminada a ação, terminam os sinais e sintomas da ansiedade. 
Portanto, pode-se concluir que a ansiedade patológica se 
manifesta da mesma forma como a ansiedade normal, ou seja, 
de múltiplas maneiras, tanto fisicamente como mentalmente. 
Além de amplamente variáveis, os sintomas mudam ao longo do 
tempo e oscilam permitindo que a pessoa se sinta completamente 
bem em algumas ocasiões e pior noutras. Nos períodos que os 
pacientes estão livres dos sintomas, o que pode durar de horas a 
dias, os pacientes acreditam que ficaram recuperados. 
REFERÊNCIAS
ANGELOTT, Gildo. Terapia Cognitivo-Comportamental. Editora e Gráfica LTDA. São Paulo, 
2007. Pág. 53.
COELHO, Maria Thereza Ávila Dantas; FILHO, Naomar de Almeida. Normal – Patológico, Saúde 
– Doença: Revisando Canguilhem. PHYSIS: Revista Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, 1999.
DALGALARRONDO, Paulo. Psicopatologia e semiologia dos transtornos mentais. 2ª ed. 
Porto Alegre. Artmed, 2008.
DUGAS, Machel. Transtorno da Ansiedade Generalizada. 2004. Disponível em: 
JAMES William. The Principes of Pychology. London: Encyclopaedia Britannica, 1952.

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