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PÓLIPOS E NEOPLASIAS INTESTINAIS P R O F . I S A B E L L A P A R E N T E Estratégia MED Prof. Isabella Parente | Pólipos e Neoplasias Intestinais 2GASTROENTEROLOGIA PROF. ISABELLA PARENTE APRESENTAÇÃO: Olá, querido(a) aluno(a), Seja muito bem-vindo a mais um resumo de Gastroenterologia. Neste livro, tivemos um desafio particular: sumarizar um assunto bastante extenso e importante, os pólipos e neoplasias intestinais! A missão foi árdua, mas acho que conseguimos cumprir a meta e trazer conteúdo focado e de muita qualidade para que você consiga revisar de uma forma rápida os principais aspectos do terceiro tema mais prevalente nas provas da nossa amada "Gastro". Vamos juntos nessa?! Prof.ª Isabella Parente @estrategiamed /estrategiamed Estratégia MED t.me/estrategiamed @estrategiamed @profaisabella https://www.instagram.com/estrategiamed/ https://www.facebook.com/estrategiamed1 https://www.youtube.com/channel/UCyNuIBnEwzsgA05XK1P6Dmw https://t.me/estrategiamed https://t.me/estrategiamed https://www.tiktok.com/@estrategiamed https://www.instagram.com/profaisabella Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 3 GASTROENTEROLOGIA SUMÁRIO 1.0 PÓLIPOS INTESTINAIS 4 1.1 CONCEITOS BÁSICOS 5 1.2 SEQUÊNCIA ADENOMA-CARCINOMA 7 1.3 CLASSIFICAÇÃO DE HAGGITT 8 2.0 SÍNDROMES HEREDITÁRIAS ASSOCIADAS AO CÂNCER COLORRETAL 10 3.0 CÂNCER COLORRETAL 13 3.1 FATORES DE RISCO 14 3.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS 14 3.3 DIAGNÓSTICO 16 3.3.1 RASTREIO DO CÂNCER COLORRETAL 16 3.3.2 EXAME FÍSICO 20 3.3.3 EXAMES COMPLEMENTARES 20 3.4 ESTADIAMENTO 23 3.4.1 ESTADIAMENTO CLÍNICO 24 3.4.2 ESTADIAMENTO PATOLÓGICO 27 3.5 TRATAMENTO DO CÂNCER COLÔNICO LOCALIZADO 28 3.6 TRATAMENTO DO CÂNCER COLÔNICO METASTÁTICO 30 3.7 TRATAMENTO DO CÂNCER RETAL LOCALIZADO 31 3.7.1 TERAPIA NEOADJUVANTE 31 3.7.2 TRATAMENTO CIRÚRGICO 32 3.7.3 TERAPIA ADJUVANTE 35 3.8 TERAPIA DO CÂNCER RETAL METASTÁTICO 35 3.9 TRATAMENTO DAS METÁSTASES HEPÁTICAS 35 4.0 NEOPLASIAS DO INTESTINO DELGADO 40 5.0 LISTA DE QUESTÕES 41 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS 42 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS 44 Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 4 GASTROENTEROLOGIA 1.0 PÓLIPOS INTESTINAIS CAPÍTULO 26% 40% 19% 39,3% Poliposes adenomatosas Pólipos intes�nais não associados a síndromes Câncer colorretal hereditário não poliposo Poliposes hamartomatosas OS PÓLIPOS NA PROVA! Perceba a importância das síndromes que predispõem ao câncer colorretal nesse contexto: elas são responsáveis por 60% das questões sobre o tema. Impressionante, não é mesmo?! Perceba também que temos um “intruso” nesse gráfico: o câncer colorretal hereditário não poliposo, como o próprio nome já diz, não cursa com polipose. Mas, como as questões de prova frequentemente envolvem o seu diferencial diante de outras poliposes hereditárias que cursam com risco aumentado para câncer colorretal, optamos por não perder a excelente oportunidade de estudarmos essa entidade. Observe atentamente o gráfico a seguir. Ele representa o percentual do que é cobrado nas provas de Residência Médica e Revalida quando o assunto é “pólipo intestinal”: Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 5 GASTROENTEROLOGIA 1.1 CONCEITOS BÁSICOS Mas, afinal, o que são PÓLIPOS INTESTINAIS? PÓLIPO INTESTINAL: CONCEITO Pólipo intestinal é qualquer massa ou estrutura que se projeta no lúmen do intestino a partir da parede intestinal. Os pólipos nem sempre são benignos, alguns deles podem ser precursores de neoplasias malignas. Ademais, eles podem ser classificados de diferentes formas: • CLASSIFICAÇÃO QUANTO À SUA APARÊNCIA: PÓLIPOS SÉSSEIS X PEDUNCULADOS PÓLIPOS SÉSSEIS: pólipos achatados, base alargada e sem haste PÓLIPOS PEDUNCULADOS: Com uma haste e base mais fina, assumindo aparência “alongada” • CLASSIFICAÇÃO EM NEOPLÁSICOS x NÃO NEOPLÁSICOS: NÃO NEOPLÁSICO HIPERPLÁSICO INFLAMATÓRIO HAMARTOMATOSO NEOPLÁSICO ADENOMAS TUBULOVILOSO TUBULAR VILOSO Os pólipos não neoplásicos têm uma baixíssima chance de malignização. Já os pólipos neoplásicos podem ser benignos (adenomas) ou malignos (adenocarcinomas) e apresentam um maior risco de malignização, mesmo em se tratando de adenomas. Vamos falar brevemente sobre cada um deles?! Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 6 GASTROENTEROLOGIA • PÓLIPOS NÃO NEOPLÁSICOS • PÓLIPOS HIPERPLÁSICOS → Lesões infracentimétricas ( 75% de componente tubular. São os que têm menos células atípicas e, consequentemente, menor risco de malignização. • ADENOMAS TUBULOVILOSOS → Correspondem a 10-25% dos pólipos adenomatosos, apresentam 25 a 75% de componente viloso. Apresentam intermediária quantidade de células atípicas e taxa intermediária de malignização. • ADENOMAS VILOSOS → Correspondem a 5-10% dos pólipos adenomatosos, apresentam > 75% de componente viloso. São os que têm mais células atípicas e, consequentemente, maior risco de malignização. ATENÇÃO! Para as provas de Residência Médica, é essencial que o aluno saiba reconhecer as características que definem um ADENOMA AVANÇADO, ou seja, aqueles com risco aumentado de progressão para uma neoplasia maligna, no caso, um câncer colorretal. Trouxe-as a seguir: ADENOMAS AVANÇADOS (alto risco de malignização): Presença de componente viloso Tamanho > 10mm Presença de displasia de alto grau E sobre PÓLIPOS SERRILHADOS?! Você já ouviu falar? Fruto de uma observação mais recente nos estudos dos pólipos intestinais, mas que já vem sendo cobrado nas provas de Residência Médica, é o conhecimento sobre os chamados PÓLIPOS SERRILHADOS que, como o nome bem diz, destacam-se pela sua aparência. Os pólipos serrilhados ou serreados correspondem a um grupo heterogêneo de lesões que cursam com arquitetura serrilhada ou criptas em “dente de serra”. Podem ser incluídos nesse grupo pólipos ou adenomas serreados sésseis (P/ASS), adenomas serreados tradicionais (AST) e pólipos hiperplásicos (PH). Aparentemente, a sequência adenoma-carcinoma relacionada à via serrilhada é mais rápida do que a clássica, que estudaremos a seguir. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 7 GASTROENTEROLOGIA 1.2 SEQUÊNCIA ADENOMA-CARCINOMA Os adenomas formam-se quando o mecanismo normal de renovação celular intestinal é interrompido, originando células displásicas com potencial de tornarem-se invasivas (malignas). O carcinoma colorretal surge, em sua grande maioria, a partir da progressão de um pólipo inicialmente benigno que, por meio de alterações genéticas específicas, é conduzido a um processoet al. Guidelines for the management of hereditary colorectal cancer from the British Society of Gastroenterology (BSG)/ Association of Coloproctology of Great Britain and Ireland (ACPGBI)/ United Kingdom Cancer Genetics Group (UKCGG). MONAHAN, K.J. et al (ed). Gut 2019;0:1–34. 19. Moore, K. L., Dalley, A. F., Agur, A. M. R. 2018. Anatomia Orientada para Clínica, 8ª edição. Guanabara Koogan. 20. NAHAS, S.C.; NAHAS, C.S.R.; SOARES, D.F.M. “Adenocarcinoma colorretal”. In: ZATERKA, S.; EISIG, N.E. Tratado de gastroenterologia: da graduação à pós-graduação. 2 ed. São Paulo: Editora Atheneu, 2016. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 43 GASTROENTEROLOGIA 21. RAMSEY, S.D.; GRADY,. WM. Screening for colorectal cancer in patients with a family history of colorectal cancer or advanced polyps. LAMONT, J.T.; ELMORE, J.G.; GIVENS, J. (ed). UpToDate. Disponível em: www.uptodate.com. 22. REX, D.K. et al. Colorectal Cancer Screening: Recommendations for Physicians and Patients From the U.S. Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer. Gastroenterology 2017: 1-17. 23. ROBERTSON, D.J.; LEE, J.K. Recommendations on Fecal Immunochemical Testing to Screen for Colorectal Neoplasia: A Consensus Statement by the US Multi-Society Task Force on Colorectal Cancer. Gastroenterology 2016: 1-21. 24. RODRIGUEZ-BIGAS, M.A.; GROTHEY, A. Overview of the management of primary colon cancer. TANABE, K.K.; GOLDBERG, R.M; SAVARESE, D.M.F. (ed). UpToDate. Disponível em: www.uptodate.com. 25. SANFORD, D.E.; GOEDEGEBUURE, S.P.; EBERLEIN, T.J. “Biologia do Tumor e Marcadores Tumorais”. In: TOWNSEND, C.M.; BEAUCHAMP, R.D.; EVERS, B.M.; MATTOX, K.L. Sabiston Tratado de Cirurgia: a base biológica da prática cirúrgica. 20 ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2019. 26. SHAN, S.A.; PATEL, S.H. Hepatic resection for colorectal cancer liver metastasis. ASHLEY, S.W.; CHEN, W.; SARAVESE, D.M.F. (ed). UpToDate. Disponível em: www.uptodate.com. 27. Standring, Susan, Neil R. Borley and Henry Gray. 2008. Gray's Anatomy: The Anatomical Basis of Clinical Practice. [Edinburgh]: Churchill Livingstone/Elsevier. 28. SYNGAL, S. et al. ACG Clinical Guideline: Genetic Testing and Management of Hereditary Gastrointestinal Cancer Syndromes. Am J Gastroenterol 2015; 110:223–262. 29. Townsend, C. M., R. D. Beauchamp, B. M. Evers and K. L. Mattox. 2017. Sabiston Textbook of Surgery: The Biological Basis of Modern Surgical Practice, 20th edition. Elsevier Saunders. 30. VOEGEL, J.D. et al. The American Society of Colon and Rectal Surgeons Clinical Practice Guidelines for the Treatment of Colon Cancer. Dis Colon Rectum 2017; 60:999-1017. 31. WOLF, A.M et al. Colorectal Cancer Screening for Average-Risk Adults: 2018 Guideline Update From the American Cancer Society. CA CANCER J CLIN 2018;68:250–281. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 44 GASTROENTEROLOGIA 7.0 CONSIDERAÇÕES FINAIS CAPÍTULO Parabéns, meu caro/minha cara! Você acaba de finalizar mais um importante resumo de Gastroenterologia. Tenho certeza de que agora você se sente mais preparado para responder às principais questões envolvendo os pólipos e as neoplasias intestinais. Em caso de dúvida, pode contar comigo sempre! Um forte abraço, Prof.ª Isabella Parente Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 45 GASTROENTEROLOGIA https://med.estrategia.comde transformação epitelial até gerar o câncer invasivo. Ao processo por meio do qual um pólipo adenomatoso benigno vira um câncer, chamamos de “sequência adenoma- carcinoma”. A sequência adenoma-carcinoma ocorre por uma progressão ordenada de alterações moleculares/mutações genéticas distintas e cumulativas, da seguinte forma: 1º - Mutação no gene APC, um dos principais genes supressores de tumor, corresponde à mutação mais precoce, dando início à sequência adenoma-carcinoma; 2º - Ativação do K-RAS, um protoncogene, ou seja, gene que produz proteínas que promovem crescimento e proliferação celular; 3º - Mutação no gene DCC (deleted in colorectal carcinoma), um gene supressor de tumor; 4º - Mutação no gene p53, também um gene supressor de tumor, ocorre mais tardiamente na sequência adenoma-carcinoma. Figura 1. Representação ilustrativa da sequência adenoma-carcinoma com as mutações sequenciais nos genes APC, K-RAS, DCC e p53. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 8 GASTROENTEROLOGIA 1.3 CLASSIFICAÇÃO DE HAGGITT Haggitt propôs uma classificação para pólipos contendo câncer, levando em consideração a profundidade de invasão da neoplasia. Essa classificação apresenta nuances específicas, a depender do tipo de pólipo: se séssil ou pedunculado. Observe atentamente a figura a seguir. Perceba, neste caso, a relação entre o adenocarcinoma (em azul) e as camadas do intestino (mucosa, muscular da mucosa, submucosa, muscular própria e subserosa): ESTADIAMENTO DE HAGGITT Figura 2. Representação esquemática da classificação de Haggitt, tanto para pólipo séssil quanto para pólipo pedunculado. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 9 GASTROENTEROLOGIA E o que significa exatamente cada um dos níveis demonstrados na figura 2? Classificação de Haggitt Nível 0 Carcinoma não invade a muscular da mucosa (carcinoma in situ) Nível 1 Carcinoma invade a muscular da mucosa, penetra na submucosa, mas é limitado à cabeça do pólipo Nível 2 Carcinoma invade o colo do pólipo (junção entre a cabeça e a haste) Nível 3 Carcinoma invade qualquer parte da haste Nível 4 Carcinoma invade a submucosa, abaixo da haste, mas acima da muscular própria Um carcinoma é considerado invasivo caso as células malignas se estendam através da muscular da mucosa do pólipo. Lesões que se encontram confinadas à muscular da mucosa, sem ultrapassá-la, via de regra, não apresentariam chance de metástase. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 10 GASTROENTEROLOGIA Síndromes de câncer colorretal hereditárias Com polipose Sem polipose Pólipos adenomatosos Pólipos hamartomatosos Síndrome de CCR hereditário não poliposo Síndrome de polipose adenomatosa familiar e suas variantes Polipose associada ao MUTYH Síndrome de Cowden Síndrome de Bannayan- Riley- Ruvalcaba Polipose juvenil familiar Síndrome de Peutz- Jeghers Síndrome de Lynch Genética AD | Mutação no gene APC AR | Mutação no gene MUTYH AD | Mutação no gene PTEN AD | Mutação no gene PTEN AD | Mutação no gene SMAD4 e/ou BMPR1A AD | Mutação no gene STK1 AD | Mutação nos genes MLH1, MSH2, MSH6, PMS2 Manifestações clínicas gastrointestinais Variante clássica: > 100 pólipos adenomatosos colorretais. Pólipos duodenais e gástricos. Variante atenuada: 10 a 99 pólipos adenomatosos colorretais Pólipos adenomatosos colorretais, geralmenteou síndrome de Lynch) Tal síndrome deverá ser suspeita na presença de TODOS os três critérios abaixo: 1) Três ou mais familiares com cânceres associados à síndrome de Lynch, com confirmação histológica. Um deles deve ser parente de primeito grau dos outros dois. A presença de polipose adenomatosa familiar deve se excluída. 2) Duas gerações apresentando cânceres associados à síndrome de Lynch. 3) Um dos portadores de câncer deve ter tido a neoplasia maligna diagnosticada com idade inferior a 50 anos. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 13 GASTROENTEROLOGIA CAPÍTULO 3.0 CÂNCER COLORRETAL O câncer colorretal (CCR) é neoplasia maligna rastreável e de importância pela sua alta incidência e prevalência. Observe a tabela a seguir, que sumariza dados recentes de estatística brasileira (Instituto Nacional do Câncer – INCA): INCIDÊNCIA ESTIMADA DE NEOPLASIAS MALIGNAS 2020 (INCA) (excetuando câncer de pele não melanoma) HOMENS MULHERES 1º Próstata (29,2%) 1º Mama (29,7%) 2º Cólon e reto (9,1%) 2º Cólon e reto (9,2%) 3º Traqueia, brônquio e pulmão (7,9%) 3º Colo do útero (7,5%) 4º Estômago (5,9%) 4º Traqueia, brônquio e pulmão (5,6%) 5º Cavidade oral (5%) 5º Tireoide (5,4%) 6º Esôfago (3,9%) 6º Estômago (3,5%) 7º Bexiga (3,4%) 7º Ovário (3,0%) 8º Laringe (2,9%) 8º Corpo do útero (2,9%) 9º Leucemias (2,6%) 9º Linfoma não Hodgkin (2,4%) 10º Sistema nervoso central (2,6%) 10º Sistema nervoso central (2,3%) Percebeu que a neoplasia do trato gastrointestinal mais incidente em homens e mulheres é o câncer colorretal, seguida do câncer de estômago?! Trata-se da segunda neoplasia maligna mais incidente em homens e mulheres. Entendeu a importância do tema?! O CCR é neoplasia maligna mais comum nos idosos, incidindo, sobretudo, após os 60 anos, sendo a idade o seu principal fator de risco. Quanto ao gênero, acomete homens com frequência maior do que mulheres. Além disso, costuma afetar comumente regiões mais desenvolvidas. Dado preocupante diz respeito ao aumento da incidência do CCR em indivíduos mais jovens, homens e mulheres com menos de 50 anos. Embora não haja um motivo claro que justifique essa tendência, o aumento da obesidade e do sedentarismo tem sido apontado como causa provável. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 14 GASTROENTEROLOGIA 3.1 FATORES DE RISCO E PROTEÇÃO E PROTEÇÃO Existem inúmeros fatores de risco que parecem predispor ao desenvolvimento de câncer colorretal. A imagem ao lado sintetiza bem os principais deles e você pode desprender alguns minutos a apreciá-la: Figura 4. Ilustração de paciente idoso, obeso, sedentário, tabagista, etilista, típico protótipo do paciente de risco para câncer colorretal. Felizmente, existem também alguns fatores considerados fatores de proteção para o câncer colorretal. A tabela a seguir apresenta os principais fatores de risco e proteção do CCR. Que tal analisá-la calmamente?! CÂNCER COLORRETAL Fatores de risco Fatores de proteção • Dieta pobre em fibras • Dieta rica em gorduras e proteínas • Consumo de carne vermelha • Obesidade • Sedentarismo • Tabagismo • Etilismo • História familiar • Doença inflamatória intestinal • Radioterapia • Acromegalia • Colecistectomia • Dieta rica em fibras e vegetais • Atividades físicas regulares • Cálcio • Anti-inflamatórios • Aspirina • Ácido fólico • Terapia de reposição hormonal 3.2 MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS O câncer colorretal pode ser diagnosticado de três formas diferentes: por meio da sua sintomatologia, que iremos estudar agora; por meio de exames de rastreio, em indivíduos assintomáticos (iremos estudar no tópico sobre rastreio do CCR); por meio de complicações que levam o paciente à urgência. Ou seja, embora o CCR possa permanecer assintomático por anos, ele também pode apresentar-se com uma série de sinais e sintomas que nos devem levantar a suspeita clínica dessa importante neoplasia. E quando deveremos desconfiar de câncer colorretal? Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 15 GASTROENTEROLOGIA PRINCIPAIS SINTOMAS DO CÂNCER COLORRETAL Alteração de hábito intestinal: a alteração do hábito intestinal pode caracterizar-se por diarreia, constipação ou uma alternância das duas sintomatologias. Sangramento retal: câncer de cólon direito costuma apresentar sangramento mais escurecido (melena), ao passo que o câncer de cólon esquerdo e reto apresenta sangramento vermelho vivo. Perda de peso: neoplasias malignas, de uma forma geral, podem predispor à perda ponderal. No contexto do câncer colorretal, não é diferente. Anemia (microcítica e hipocrômica): ocorre pelo sangramento contínuo promovido pela lesão tumoral e, muitas vezes, é a partir da sua detecção em exames de rotina que se desconfia da possibilidade de CCR, sobretudo em idosos. Dor abdominal intermitente: a dor abdominal associada ao CCR é frequentemente inespecífica. Por esse motivo, muitas vezes pode passar quase que despercebida. Massa retal ou abdominal: 24,5% dos portadores de câncer de reto apresentam massa retal palpável, ao passo que massa abdominal é observada em 12,5% dos casos de CCR colônico. A maioria dos cânceres colorretais localiza-se à esquerda, de forma que 40% de todas as lesões malignas do cólon se situam no reto e cólon descendente distal, passíveis de serem vistas pela retossigmoidoscopia flexível. A localização do tumor é peça-chave para determinar a sua sintomatologia. Isso porque o cólon direito apresenta maiores dimensões e, por ele, as fezes passam mais líquidas, então tumores localizados à direita raramente obstruem. Em contrapartida, o cólon direito tende a sangrar mais, podendo gerar anemia. Observe a imagem a seguir, ela sintetiza os sinais/ sintomas segundo localização tumoral: Figura 5. Representação esquemática dos sintomas associados ao câncer localizado no cólon direito x câncer localizado no cólon esquerdo. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 16 GASTROENTEROLOGIA Quando pensamos nos tumores restritos ao RETO, acrescentamos os sintomas de TENESMO, DOR RETAL e REDUÇÃO DO CALIBRE DAS FEZES, que se tornam finas e longas (ou “fezes em fita”, em decorrência do estreitamento provocado pela presença da neoplasia). 3.3 DIAGNÓSTICO O câncer colorretal é uma das neoplasias malignas passíveis de rastreio. Além disso, é uma neoplasia que pode ser prevenida por meio da remoção de pólipos de alto risco. E o que significa isso?! Significa que há indicação de realização de exames com periodicidade regular a partir de certa idade, no intuito de avaliar a presença dessa neoplasia, mesmo em indivíduos assintomáticos. O rastreio do câncer colorretal é uma das questões mais exigidas nas provas de Residência Médica e, por esse motivo, iremos pormenorizá-lo a partir de agora. Nem preciso pedir para você ficar bem atento(a), correto?! 3.3.1 RASTREIO DO CÂNCER COLORRETAL Vários fatores podem determinar aumento no risco para CCR e alguns deles são tão significativos a ponto de interferir no rastreio para essa neoplasia. Afinal, quanto maior o risco, maior deve ser o nosso cuidado em detectar esse câncer. Os principais fatores a serem levados em consideração para determinação do adequado método de rastreio para o CCR estão descritos a seguir: Fatores que influenciam no rastreio do CCR: • Idade do paciente • Síndromes hereditárias associadas a CCR • História familiar ou pessoal de CCR • Presença de pólipos adenomatosos ou serrilhados • Doença inflamatória intestinal • Exposição à radioterapia abdominal Vamos entender agora como deve ser feito o rastreio do câncer colorretal segundo cada subgrupo: • População de risco médio Entende-se como população de risco médio as pessoas que não cursam com nenhuma das condições citadas no quadro anterior como predisponentesao CCR de forma a modificar o rastreio para essa condição. Na população de risco médio (em inglês, chamada de “average-risk”), indica-se o início do rastreio para CCR aos 50 anos. E que testes devem ser realizados para esse rastreio?! De forma geral, recomenda-se a realização de colonoscopia a cada 10 anos e de pesquisa de sangue oculto nas fezes (ou teste imuno-histoquímico fecal) anualmente, como exames de primeira linha na pesquisa do CCR. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 17 GASTROENTEROLOGIA Rastreio CCR – Resumo das recomendações População normal • Idade de início: 50 anos • Intervalo: Colonoscopia a cada 10 anos Pesquisa de sangue oculto nas fezes: anual Atenção! Em maio de 2021, foi publicado no JAMA recomendação da US Preventive Services Task Force que propõe redução da idade de início de rastreio da população de risco médio para 45 anos, com grau de evidência B. Esse novo guideline fomentou bastante discussão na comunidade médica. • História familiar positiva para CCR História familiar positiva para CCR em indivíduos com menos de 50 anos é o principal fator de risco relativo para surgimento de CCR em idade inferior aos 50 anos e, por esse motivo, deverá ser valorizada. Assim, algumas situações são possíveis: História familiar para câncer colorretal Detalhes da história familiar Idade de início do rastreio Como rastrear CCR ou adenoma em parente de 1º grau ≥ 60 anos 40 anos Colonoscopia a cada 10 anos e pesquisa de sangue oculto nas fezes anualmente CCR ou adenoma em dois parentes de 1º grau ou em 1 parente de 1º grau 10 adenomas 3 - 4 adenomas Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 21 GASTROENTEROLOGIA Por fim, a colonoscopia é o exame padrão-ouro para avaliação de pacientes com suspeita de CCR. Ao permitir uma ampla avaliação colônica, é excelente na detecção de tumores sincrônicos, além de permitir a biópsia das lesões tumorais e a retirada de pólipos. A sensibilidade da colonoscopia para adenomas de 6mm ou maiores varia de 75 a 93%. A taxa de “perda” (ou seja, de não diagnóstico) é maior em adenomas menores, sendo de 2% para adenomas de 10mm ou maiores e de 25% para aqueles 10μg/mL. Cintilografia óssea e tomografia computadorizada ou ressonância magnética do crânio Estão indicadas apenas na vigência de sintomas ósseos ou neurológicos. Exames laboratoriais Antígeno carcinoembrionário (CEA): leia mais sobre ele no quadro a seguir. Fosfatase alcalina: A anormalidade isolada mais comum associada às metástases hepáticas é uma elevação do nível sérico de fosfatase alcalina. ANTÍGENO CARCINOEMBRIONÁRIO (CEA) O CEA não é um marcador específico para o câncer colorretal, podendo ser encontrados níveis elevados em outras condições neoplásicas (linfomas, melanoma,câncer de tireoide, fígado, pâncreas, rim, estômago, próstata, bexiga, colo do útero, ovário) e não neoplásicas (por exemplo, úlcera péptica, diverticulite, gastrite, doença hepática, DPOC, diabetes). Os valores normais são estimados entre 3ug/mL e 5ug/mL, com níveis pouco mais elevados em tabagistas. Sua dosagem não tem valor para o rastreio/diagnóstico do CCR, em razão da baixa sensibilidade e especificidade. Entretanto, níveis acima de 10ug/mL ao diagnóstico sugerem maior possibilidade de metástases ou de tumor localmente muito avançado. Sua dosagem pré-operatória é recomendada pelo fato de seu valor prognóstico poder influir no planejamento terapêutico e no seguimento pós-operatório, ocasião em que uma elevação de seus níveis deve chamar a atenção para a possibilidade de metástase, em especial hepática, com sensibilidade de 64% e especificidade de 90%. Sabe-se ainda que esse antígeno se eleva sobretudo nas metástases hepáticas de maior volume. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 26 GASTROENTEROLOGIA • CÂNCER DO RETO Em se tratando de câncer do reto, caracterização precisa do tumor quanto à profundidade de penetração na parede intestinal é necessária, bem como com relação à proximidade dos esfíncteres anais e disseminação para linfonodos adjacentes, já que o estadiamento clínico T e N do câncer retal determina necessidade de tratamento neoadjuvante. ESTADIAMENTO CÂNCER DE RETO Exame proctológico Detecta cerca de 50% dos tumores retais, sendo imprescindível. Avalia distância do tumor à margem anal, o tamanho da lesão e a profundidade (lesões superficiais são mais móveis). Toque vaginal permite avaliação da parede posterior da vagina, septo retovaginal e fundo de saco. Ultrassom endorretal (figura 12) Avalia grau de invasão na parede intestinal e linfonodos satélites. Acurácia igual ou superior à RM na avaliação da profundidade do tumor, com algumas considerações: • Melhor acurácia para lesões iniciais (T1 e T2). • Limitado na avaliação de lesões maiores (T4). Ressonância magnética (RM) da pelve Boa capacidade para avaliar acometimento da fáscia mesorretal e envolvimento das estruturas pélvicas adjacentes. RM superior ao US endorretal para avaliar invasão da parede intestinal por lesões T3/T4. Tomografia de abdome, pelve e tórax Avaliação de disseminação hematogênica. Lembrar que nos tumores de reto baixo as metástases pulmonares podem surgir antes das hepáticas. Exames laboratoriais Antígeno carcinoembrionário (CEA): leia mais sobre ele no quadro anterior. Figura 12. Ultrassom endoscópico endorretal. (A) Representação esquemática das camadas da parede retal observadas no ultrassom endoscópico. (B) Ultrassom endorretal de paciente com tumor retal que invade a camada muscular e os tecidos perirretais. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 27 GASTROENTEROLOGIA 3.4.2 ESTADIAMENTO PATOLÓGICO O exame histopatológico do espécime ressecado fornece o estadiamento patológico (pTNM), que compõe a base para a consideração de tratamento adicional (adjuvante) e dados prognósticos. Tem importância fundamental a pesquisa de comprometimento das margens de ressecção proximal, distal e radial e a contagem dos linfonodos ressecados e acometidos. A tabela a seguir traz o estadiamento do CCR de acordo com a oitava edição do AJCC Cancer Staging Manual, de 2018: Sistema de estadiamento TNM da American Joint Committee on Cancer ESTÁDIO CARACTERÍSTICAS TUMOR PRIMÁRIO (T) TX Tumor primário não pode ser avaliado. T0 Nenhuma evidência de tumor primário. Tis Carcinoma in situ – intraepitelial ou invasão da lâmina própria, sem penetrar a muscular da mucosa. T1 Tumor invade a submucosa. T2 Tumor invade a muscular própria. T3 Tumor invade a muscular própria para dentro dos tecidos pericolorretais. T4a Tumor penetra a superfície do peritônio visceral. T4b Tumor invade diretamente ou adere a outros órgãos ou estruturas. LINFONODOS REGIONAIS (N) NX Os linfonodos regionais não podem ser avaliados. N0 Nenhuma metástase em linfonodo regional. N1 Metástase em um a três linfonodos regionais. N1a Metástase em um linfonodo regional. N1b Metástase em dois ou três linfonodos regionais. N1c O tumor deposita na subserosa, tecido mesentérico ou não peritonealizado pericólico ou perirretal, sem metástases para linfonodos regionais ou mesentério. N2 Metástase em quatro ou mais linfonodos regionais. N2a Metástase em quatro a seis linfonodos regionais. N2b Metástase em sete ou mais linfonodos regionais. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 28 GASTROENTEROLOGIA METÁSTASES A DISTÂNCIA (M) M0 Sem metástases a distância. M1 Metástases a distância. M1a Metástase confinada a um órgão ou local (fígado, pulmão, ovário), sem metástases peritoneais. M1b Metástase em dois ou mais órgãos ou locais, sem metástases peritoneais. M1c Metástases para a superfície peritoneal. Estadiar um paciente com câncer colorretal pode, inicialmente, parecer difícil, no entanto podemos resumir todo o estadiamento de forma bastante simplificada, da seguinte forma: ESTÁDIO I Pacientes com tumor limitado ao cólon, T1 ou T2. ESTÁDIO II Tumor localmente avançado, T3 ou T4, que pode invadir órgãos adjacentes, mas não acomete linfonodos regionais. ESTÁDIO III Linfonodos regionais estão acometidos (N positivo). ESTÁDIO IV Presença de metástases a distância (M positivo). 3.5 TRATAMENTO DO CÂNCER COLÔNICO LOCALIZADO A cirurgia é a única modalidade terapêutica potencialmente curativa para o câncer de cólon localizado, cujo objetivo é remover o tumor primário junto ao seu suprimento linfovascular, ou seja, a ressecção com intenção curativa do câncer colônico envolve uma COLECTOMIA SEGMENTAR ASSOCIADA À LINFADENECTOMIA REGIONAL. Pelo fato de os nódulos linfáticos do cólon acompanharem o suprimento arterial principal, a extensão do intestino ressecado depende de que vasos estão suprindo o segmento acometido pelo câncer. Ainda, RESSECÇÃO EM BLOCO de estruturas contíguas é indicada se houver fixação ou infiltração do tumor em um órgão ou estrutura potencialmente ressecável. A tabela orienta qual o procedimento mais adequado de acordo com a localização da lesão. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 29 GASTROENTEROLOGIA Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 30 GASTROENTEROLOGIA Importante ressaltar que, ao realizar a linfadenectomia, pelo menos 12 linfonodos deverão ser avaliados histologicamente. Caso contrário, recomenda-se a realização de quimioterapia adjuvante. Atualmente, a colectomia assistida por laparoscopia é preferida pela maioria dos cirurgiões para pacientes com câncer de cólon não obstruído ou perfurado e não localmente avançado, que não se submeteram à cirurgia abdominal extensa prévia. E para quem estaria indicada a quimioterapia adjuvante, ou seja, após a realização da cirurgia?! INDICAÇÕES DE QUIMIOTERAPIA ADJUVANTE Estádio III (envolve linfonodos) Todos os pacientes Estádio II pacientes selecionados com CCR e metástases ressecáveis no fígado e/ou pulmão podem ser curados cirurgicamente de sua doença. Dessa forma, o tratamento dos pacientes em estádio IV depende, entre muitos outros fatores, da localização e extensão das metástases. Assim, em pacientes com doença metastática ressecável, justifica-se abordagem cirúrgica agressiva, tanto para o tumor primário quanto para as metástases, sendo necessária a quimioterapia sistêmica em conjunto. Para os pacientes com doença em estádio IV considerada irressecável, o tratamento será paliativo e não curativo, e os objetivos da quimioterapia serão prolongar a sobrevida geral e manter a qualidade de vida pelo maior tempo possível. https://www.uptodate.com/contents/oxaliplatin-drug-information?search=c%C3%A2ncer+de+c%C3%B3lon&topicRef=2507&source=see_link Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 31 GASTROENTEROLOGIA Observe com carinho e atenção o fluxograma a seguir. Ele sintetiza o tratamento do câncer colônico! 3.7 TRATAMENTO DO CÂNCER RETAL LOCALIZADO CÂNCER DE CÓLON NÃO RETAL ALTO RISCO* CIRURGIA** + QT ADJUVANTE EC III (N+) EC I (T1 -T2, N0) BAIXO RISCO CIRURGIA** QT PALIATIVA EC II (T3 -T4, N0) EC IV (M+) METÁSTASES RESSECÁVEIS METÁSTASES IRESSECÁVEIS **Colectomia segmentar + Linfadenectomia regional *Figura 13. Representação esquemática da ressecção abdominoperineal ou procedimento de Miles. Observe que reto e ânus são ressecados e uma colostomia terminal é confeccionada. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 35 GASTROENTEROLOGIA 3.7.3 TERAPIA ADJUVANTE Depois da ressecção cirúrgica, as diretrizes atuais recomendam ainda a quimioterapia adjuvante para todos os pacientes que receberam radioquimioterapia neoadjuvante. O esquema preferido atualmente é o FOLFOX (o mesmo empregado para adjuvância no câncer do cólon estágio III), por 24 semanas. 3.8 TERAPIA DO CÂNCER RETAL METASTÁTICO Assim como vimos para o câncer colônico não retal, os pacientes com adenocarcinoma retal e com metástases a distância representam uma população heterogênea para a qual é difícil definir uma estratégia única. As estratégias de tratamento baseiam-se principalmente nos fatores relacionados com a lesão primária (sintomas, ressecabilidade), extensão das metástases (sítios, ressecabilidade) e com o paciente (capacidade de suportar uma cirurgia de maior porte). Uma estratégia dirigida para a intenção curativa pode ser adotada nos pacientes com tumor primário ressecável e doença metastática ressecável limitada. Para os pacientes com doença em estádio IV considerada irressecável, o tratamento será paliativo. Avalie cuidadosamente o fluxograma a seguir. Ele sumariza o tratamento do câncer de reto! ALTO RISCO* QRT NEOADJUVANTE + CIRURGIA + QT ADJUVANTE EC III (N+) EC I (T1 -T2, N0) CIRURGIA QT PALIATIVA EC II (T3 -T4, N0) EC IV (M+) METÁSTASES RESSECÁVEIS METÁSTASES IRESSECÁVEIS • Lesões T3/T4 e/ou N+ • Invasão do mesorreto • Proximidade com o aparelho esfincteriano CÂNCER DO RETO 3.9 TRATAMENTO DAS METÁSTASES HEPÁTICAS Mais da metade dos portadores de CCR desenvolverá metástases hepáticas em algum momento. Por outro lado, o CCR, mesmo com doença a distância, é uma das neoplasias que apresentou maior benefício com relação ao ganho de sobrevida quando adequadamente tratada. O tratamento cirúrgico é o único que comprovadamente propicia a possibilidade de cura para esses pacientes e é o tratamento de escolha para aqueles com metástases ressecáveis. As metástases hepáticas colorretais não tratadas correlacionam-se com prognóstico reservado, com sobrevida média de 6 a 12 meses. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 36 GASTROENTEROLOGIA As metástases hepáticas podem ser classificadas como sincrônicas ou metacrônicas, a depender do momento do seu diagnóstico: METÁSTASES SINCRÔNICAS: são aquelas diagnosticadas antes, ao mesmo tempo ou até seis meses após a detecção do tumor primário. Em 15 a 25% dos portadores de câncer colorretal, detectam-se metástases hepáticas já no diagnóstico do tumor primário. METÁSTASES METACRÔNICAS: são aquelas detectadas mais de seis meses após o diagnóstico do tumor primário. Cerca de 12 a 40% dos pacientes com CCR desenvolverão doença metastática hepática metacrônica. As lesões metacrônicas apresentam comportamento biológico e prognóstico mais favorável, com tendência a serem menos numerosas e menos frequentemente bilobares, quando comparadas às lesões sincrônicas. Os pacientes portadores de metástases hepáticas serão então classificados em portadores de doença inicialmente ressecável, doença potencialmente ressecável e doença considerada irressecável. A definição de ressecabilidade mais aceita atualmente é a possibilidade de exérese total das lesões (macro e microscópica), preservando pelo menos 20% a 25% de parênquima (em fígados não doentes) com efetiva drenagem biliar, vascularização e drenagem venosa. No entanto, a ressecção hepática sujeita os pacientes a estresse fisiológico substancial. Pacientes com comorbidades (doença hepática subjacente, doença cardiopulmonar extensa, idade avançada), embora tenham lesões ressecáveis, podem apresentar riscos proibitivos relacionados ao procedimento. As principais contraindicações à hepatectomia em portadores de metástases hepáticas do CCR são: CONTRAINDICAÇÕES À HEPATECTOMIA EM CCR COM METÁSTASES HEPÁTICAS Impossibilidade de controle do tumor primário; Presença de doença extra-hepática não ressecável, incluindo doença linfonodal ou peritoneal disseminada; Multinodularidade impedindo a ressecção total das lesões com preservação de volume adequado de parênquima hepático funcional; Lesões próximas ou invadindo grandes vasos, de modo que impeçam tecnicamente a ressecção ou comprometam a vascularização do remanescente hepático. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 37 GASTROENTEROLOGIA O tratamento da doença hepática metastática varia se estivermos diante de metástases sincrônicas ou metacrônicas. O manejo das metástases hepáticas sincrônicas do adenocarcinoma colorretal é complexo e controverso e, felizmente, pouco cobrado nas provas. Assim, neste resumo, vamos nos ater ao tratamento das metástases metacrônicas! • METÁSTASES METACRÔNICAS RESSECÁVEIS No algoritmo de tratamento das metástases hepáticas metacrônicas do câncer colorretal consideradas ressecáveis, existem dois caminhos possíveis: a ressecção cirúrgica imediata ou a utilização de terapia neoadjuvante (antes do procedimento cirúrgico). Para determinar que caminho o paciente irá seguir, devemos nos basear em critérios prognósticos, como é o caso do escore de Fong, descrito a seguir: Escore de risco clínico para pacientes com metástases hepáticas de CCR - Escore de Fong Critérios Pontos Intervalo livre de doença 1 1 Nível de CEA pré-operatório > 200 1 Maior metástase hepática > 5cm 1 Linfonodos positivos no tumor primário 1 RISCO PONTOS BAIXO 0 - 2 ALTO 3 - 5 Pacientes de alto risco serão submetidos à quimioterapia neoadjuvante, enquanto pacientes de baixo risco serão operados sem necessidade de quimioterapia prévia. • METÁSTASES METACRÔNICAS IRRESSECÁVEIS (OU POTENCIALMENTE RESSECÁVEIS) Para aquelas metástases inicialmente irressecáveis ainda há esperança! Algumas técnicas podem ser empregadas, individualmente ou combinadas, com o objetivo de tornar as lesões elegíveis para ressecção e, assim, oferecer possibilidade de cura ou ganho de sobrevida a esses pacientes. Vamos comentar brevemente sobre cada uma delas: QUIMIOTERAPIA: Essa abordagem foi denominada “quimioterapia de conversão”. Por meio dela, mesmo pacientes selecionados com metástases hepáticas inicialmente irressecáveis podem tornar-se elegíveis para ressecção se a resposta à quimioterapia for suficiente. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 38 GASTROENTEROLOGIA EMBOLIZAÇÃO PORTAL E HEPATECTOMIA EM DOIS TEMPOS: O parênquima hepático funcional insuficiente após ressecção é um dos principais limitantes à exérese das metástases. A embolização portal visa induzir atrofia do hemifígado a ser ressecado e hipertrofia compensatória do fígado remanescente, aumentando tanto a ressecabilidade quanto a segurança da cirurgia. Em um primeiro tempo, o fígado “residual” é completamente “limpo” de lesões por meio de ressecções e/ou técnicas ablativas. Figura 14. Volumetria do lobo hepático esquerdo antes e após embolização, demonstrando importante aumento de suas dimensões. A embolização é realizada acessando a veia porta de forma percutânea por acesso transparieto-hepático, permitindo progredir cateteres através dos quais se administram material embólico como cianoacrilato ou partículas, que vão ocluir a circulação portal no lobo que será removido na cirurgia e, dessa maneira, provocarão o estímulo para a hipertrofia do fígado remanescente, que será máxima dentro de 3-4 semanas. MÉTODOS ABLATIVOS: A ablação tumoral é uma alternativa à quimioterapia de conversão. A ablação por radiofrequência (RFA) é o método ablativo maisutilizado. Seu objetivo é induzir necrose coagulativa hipertérmica da lesão alvo, bem como de uma borda de parênquima hepático normal (cerca de 5 a 10mm). Para o tratamento das metástases hepáticas do câncer colorretal, a RFA pode ser utilizada como tratamento definitivo (quando a ressecção Segue-se com a embolização portal do hemifígado contralateral e consequente atrofia do fígado a ser ressecado e hipertrofia do futuro fígado remanescente. Espera-se cerca de quatro semanas para controle radiológico e, se houver crescimento adequado do remanescente hepático, indica-se uma segunda laparotomia para remover completamente as lesões metastáticas. A embolização portal deve ser empregada sempre que existir dúvida quanto ao volume de parênquima residual. não pode ser realizada); como um procedimento complementar à cirurgia e no tratamento das metástases recorrentes após ressecção. Apresenta melhor resultado nos casos em que existem no máximo três lesões e a maior delas apresenta diâmetro inferior a 3cm. Devido às altas taxas de recidiva local e às limitações anatômicas descritas, a radiofrequência não está indicada em pacientes com metástases ressecáveis. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 39 GASTROENTEROLOGIA Que tal finalizamos esse importante tema com o fluxograma de conduta frente às metástases metacrônicas?! IRRESECÁVEIS RESECÁVEL? HEPATECTOMIA ABLAÇÃO (RFA) ABLAÇÃO (RFA) QT DE CONVERSÃO E/OU EMBOLIZAÇÃO PORTAL RESSECÁVEIS AVALIAR FATORES DE MAU PROGNÓSTICO HEPATECTOMIA + QT ADJUVANTE HEPATECTOMIA + QT ADJUVANTE QT NEOADJUVANTE Exérese total com 20% - 25% de fígado remanescente Até 3 nódulos, até 3 cm, sem contato com grandes vasos ou ductos hepáticos METÁSTASES METACRÔNICAS DE CCR FONG 0-2 FONG 3-5 4 semanas* SIM Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 40 GASTROENTEROLOGIA 4.0 NEOPLASIAS DO INTESTINO DELGADO CAPÍTULO As neoplasias do intestino delgado são raras, correspondendo a apenas 3% de todas as neoplasias do trato gastrointestinal. Por esse motivo, esse tema é muito pouco cobrado nas provas. Embora os tumores que afetam o delgado possam ser benignos ou malignos, a maioria das questões sobre o tema envolve uma pergunta simples: Qual é o tumor maligno mais frequente do intestino delgado? Quanto aos tumores malignos que afetam o intestino delgado, uma curiosidade vem sendo observada: antigamente, os adenocarcinomas eram os tumores malignos mais incidentes no órgão, entretanto ultimamente os tumores neuroendócrinos têm apresentado um aumento tão expressivo que passam a figurar ATENÇÃO! Até a sua última edição (20ª), o Tratado de Cirurgia do Sabiston ainda considerava o adenocarcinoma como tumor maligno mais prevalente no intestino delgado (30-50% das neoplasias), estando o tumor neuroendócrino em segundo lugar (25-30%). Isso acaba reverberando nas questões de prova! Algumas bancas ainda têm considerado o ADENOCARCINOMA, e não o TUMOR NEUROENDÓCRINO, como a neoplasia maligna mais comum de delgado. Haja jogo de cintura, hein?! como neoplasias malignas mais frequentes em algumas partes do intestino delgado. A partir do ano 2000, os tumores neuroendócrinos ultrapassaram o adenocarcinoma em frequência, de forma que o adenocarcinoma passou a ser o segundo tumor mais comum, correspondendo a 33% das neoplasias malignas do delgado. Os tumores neuroendócrinos passaram a ocupar a primeira posição, correspondendo a 44% dessas neoplasias. Vale a ressalva que o adenocarcinoma é mais comum no intestino delgado proximal, como duodeno, ao passo que os TNE são mais comuns no íleo. Os TNE que afetam o intestino delgado foram estudados no livro específico sobre o tema: Tumores Neuroendócrinos. Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 41 GASTROENTEROLOGIA Baixe na Google Play Baixe na App Store Aponte a câmera do seu celular para o QR Code ou busque na sua loja de apps. Baixe o app Estratégia MED Preparei uma lista exclusiva de questões com os temas dessa aula! Acesse nosso banco de questões e resolva uma lista elaborada por mim, pensada para a sua aprovação. Lembrando que você pode estudar online ou imprimir as listas sempre que quiser. Resolva questões pelo computador Copie o link abaixo e cole no seu navegador para acessar o site Resolva questões pelo app Aponte a câmera do seu celular para o QR Code abaixo e acesse o app https://estr.at/CTHp https://estr.at/CTHp Estratégia MED Pólipos e Neoplasias Intestinais Prof. Isabella Parente | Resumo Estratégico | 2024 42 GASTROENTEROLOGIA 6.0 REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS CAPÍTULO 1. Brunicardi FC. C., D. K. Andersen, T. R. Billiar, D. L. Dunn, J. G. Hunter, J. B. Matthews and R. E. Pollock. 2014. Schwartz's Principles of Surgery, 10th edition, McGraw-Hill Education. 2. Cameron, J. L., Cameron, A. M. 2013. Terapêutica Cirúrgica. 10a edição, Elsevier. 3. Campos, F. G. C. M., Regadas, F. S., Pinho, M., 2012. Tratado de Coloproctologia. 2ª edição, Editora Atheneu. 4. 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