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Cirurgia Geral Trauma Torácico Cirurgia Geral CIRURGIA GERAL TRAUMA TORÁCICO Cirurgia Geral Trauma Torácico ÍNDICE 4 4 11 30 30 33 43 46 50 66 67 72 74 76 INTRODUÇÃO ANATOMIA DO TÓRAX AVALIAÇÃO PRIMÁRIA LESÕES QUE DEVEM SER IDENTIFICADAS NA AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 1. LESÃO DE ÁRVORE TRAQUEOBRÔNQUICA - 2. PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO - 3. PNEUMOTÓRAX ABERTO - 4. HEMOTÓRAX MACIÇO - 5. TAMPONAMENTO CARDÍACO AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA - 1. PNEUMOTÓRAX SIMPLES - 2. HEMOTÓRAX SIMPLES - 3. FRATURA DE ARCOS COSTAIS, ESTERNO E ESCÁPULA - 4. TÓRAX INSTÁVEL E CONTUSÃO PULMONAR CIR 2 Cirurgia Geral Trauma Torácico 83 84 89 90 95 98 102 - 5. CONTUSÃO CARDÍACA - 6. RUPTURA TRAUMÁTICA DE AORTA - 7. RUPTURA TRAUMÁTICA DE DIAFRAGMA - 8. RUPTURA ESOFÁGICA E A TAL DA ‘’TRANSIÇÃO TORACOABDOMINAL’’? CONTROLE DE DANOS E CIRURGIA NO TÓRAX Bibliografia CIR 3 Cirurgia Geral Trauma Torácico INTRODUÇÃO Pessoal, o trauma torácico é extremamente frequente e representa uma parcela bem importante das causas de morte no trauma. Contudo, a maioria dessas mortes poderiam ser evitadas na avaliação primária, no tão famoso ABCDE do trauma que vocês estão tão familiarizados e com certeza já têm tudo na ponta da língua! Por mais que pareça paradoxal, a maioria dos pacientes necessita de assistência médica, mas poucos casos requerem abordagem em centro cirúrgico. Medidas como drenagem pleural e suporte clínico serão responsáveis pela resolução de cerca de 85% dos traumas do tórax. ANATOMIA DO TÓRAX Como a maioria dos casos de trauma torácico são resolvidos com medidas simples (drenagem torácica), veremos alguns aspectos da anatomia do tórax que são relevantes para o atendimento ao trauma. As estruturas do tórax são protegidas por uma parede óssea- cartilaginosa de costelas, esterno, escápulas e coluna vertebral. Fraturas nesses ossos (principalmente dos primeiros arcos costais, escápulas e esterno) geralmente significam trauma de alta energia e chance de lesões intratorácicas associadas. • CIR 4 Cirurgia Geral Trauma Torácico Abaixo de todas as costelas passa o feixe vásculo-nervoso. As artérias intercostais são ramos diretos da aorta (sangram muito!), e os nervos fazem com que o paciente sinta MUITA dor associada a fratura ou manipulação de costelas. O tórax contém as cavidades pleurais e o mediastino, que estão em íntima relação, conforme a imagem abaixo. O mediastino contém grandes vasos, coração, esôfago, traquéia e timo. O esôfago fica no mediastino posterior. • • • CIR 5 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Visão anterior do tórax aberto. Fonte: Sobotta Atlas de Anatomia Humana, 23ª edição. Os nervos frênicos, responsáveis pela inervação diafragmática, descem lateralmente ao pericárdio . Isso será importante quando falarmos de toracotomia de reanimação. • CIR 6 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Pericárdio e grandes vasos relacionados à inervação diafragmática. Fonte: Sobotta Atlas de Anatomia Humana, 23ª edição. Quando estivermos diante de toracotomias à direita e à esquerda, temos que ter esses esquemas em mente: • CIR 7 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Visão do hemitórax direito. Fonte: DSTC - Definitive Surgical Trauma Care, 4ª edição. CIR 8 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Visão do hemitórax esquerdo. Fonte: DSTC - Definitive Surgical Trauma Care, 4ª edição. TRANSIÇÃO TORACOABDOMINAL Essa região engloba toda a área na qual o diafragma se movimenta durante a respiração, então um ferimento penetrante aqui pode atingir o tórax, o abdome, os dois, só o diafragma ou nada. A região é delimitada anteriormente pelo quarto espaço intercostal, lateralmente pelo sexto espaço intercostal, posteriormente pela ponta da escápula e inferiormente pelos rebordos costais e o xifoide. Os ferimentos penetrantes nessa zona apresentam uma chance de até 40% CIR 9 Cirurgia Geral Trauma Torácico de atingir o diafragma, podendo ou não estar associado às lesões pulmonares ou abdominais. Legenda: Transição toracoabdominal. Fonte: From Legome & Shockley, 2011. ZONA DE ZIEDLER É uma zona de perigo com probabilidade maior para lesões cardíacas (ventrículo direito, principalmente) no caso de ferimento penetrante. Essa região é delimitada pela linha paraesternal direita, clavícula esquerda, linha axilar média esquerda e rebordo costal. CIR 10 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Zona de Ziedler. Fonte: Rev Med Minas Gerais 2012; 22 (Supl 5): S32-S34. Pronto, agora que revisamos alguns fatores anatômicos mais direcionados ao trauma, vamos iniciar a avaliação dos nossos pacientes. AVALIAÇÃO PRIMÁRIA CIR 11 Cirurgia Geral Trauma Torácico O atendimento ao trauma torácico ocorre como em qualquer outro tipo de trauma, começando sempre pelo ABCDE. Na vida e na prova, iremos realizar o atendimento primário buscando identificar e tratar as lesões conforme a ordem de letalidade. Costumamos associar as lesões torácicas ao B - Breathing do ABCDE, mas existem várias outras estruturas no tórax que não fazem parte da ventilação e, portanto, podem entrar em outra letra no atendimento inicial (geralmente no A ou no C). Exemplo: O tamponamento cardíaco, apesar de acontecer no tórax e ser uma condição ameaçadora à vida, não é relacionado à ventilação, e sim ao choque. CIR 12 Cirurgia Geral Trauma Torácico Podemos organizar o pensamento para encaixar todas as possíveis lesões torácicas da seguinte forma: Lesões de mortalidade imediata (geralmente na cena). Exemplos: lesões não tamponadas de grandes vasos, lesões cardíacas graves. Lesões que identificamos na avaliação primária relacionadas à ventilação (lembrar das 4 lesões que matam e que temos que identificar no B): Pneumotórax aberto Pneumotórax hipertensivo Hemotórax maciço Lesão de traqueia ou brônquio proximal Lesões que identificamos na avaliação primária relacionadas ao choque (entram na letra C - apesar de alguns já terem aparecido no B): Tamponamento cardíaco - choque obstrutivo Hemotórax maciço - choque hemorrágico Pneumotórax hipertensivo - choque obstrutivo Lesões que identificamos na avaliação secundária: não representam ameaça iminente à vida, mas podem evoluir mal se não identificadas e tratadas. Identificamos as seguintes patologias por meio de exame físico completo na avaliação secundária, exames de imagem, endoscopia, broncoscopia, ecocardiografia, etc.: • • ◦ ◦ ◦ ◦ • ◦ ◦ ◦ • CIR 13 Cirurgia Geral Trauma Torácico Pneumotórax simples (lesões distais de árvore traqueobrônquica ou parênquima pulmonar) Hemotórax simples Fraturas de costelas Tórax instável Contusão pulmonar Contusão miocárdica Lesões de grandes vasos tamponadas Lesão de diafragma Lesão de esôfago. Na avaliação primária temos como ferramentas o exame físico do paciente e as medidas auxiliares à avaliação primária, que são RX tórax na sala do trauma e e-FAST. EXAME FÍSICO DA AVALIAÇÃO PRIMÁRIA Neste momento, o exame é rápido e guiado para o tórax: Inspeção: turgência jugular, desvio de traqueia, expansibilidade do tórax. ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ • CIR 14 Cirurgia Geral Trauma Torácico Palpação: presença de enfisema subcutâneo, crepitações em laringe ou costelas. Percussão: o som pulmonar normal é o som claro pulmonar. Hipertimpanismo indicará pneumotórax hipertensivo. Som maciço indica hemotórax. Ausculta: avaliar presença de murmúrio vesicular. RX DE TÓRAX Lembrando que, para fazer parte da avaliação primária, o RX tem que ser feito na sala de trauma e que não devemos aguardar o RX para identificar as lesões que matam no B. O RX ajudaráhttps://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/83 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/resuscitative-thoracotomy-technique/abstract/4 https://www.uptodate.com/contents/identification-and-management-of-tracheobronchial-injuries-due-to-blunt-or-penetrating-trauma/abstract/2 https://www.uptodate.com/contents/identification-and-management-of-tracheobronchial-injuries-due-to-blunt-or-penetrating-trauma/abstract/2 https://www.uptodate.com/contents/identification-and-management-of-tracheobronchial-injuries-due-to-blunt-or-penetrating-trauma/abstract/2 https://www.uptodate.com/contents/identification-and-management-of-tracheobronchial-injuries-due-to-blunt-or-penetrating-trauma/abstract/2 https://www.uptodate.com/contents/identification-and-management-of-tracheobronchial-injuries-due-to-blunt-or-penetrating-trauma/abstract/2 https://www.uptodate.com/contents/identification-and-management-of-tracheobronchial-injuries-due-to-blunt-or-penetrating-trauma/abstract/2 Sobre a Medway O único preparatório 100% focado em São Paulo A Medway é o único curso preparatório para a residência médica 100% focado nas instituições de São Paulo. Preparamos nosso material com didática padrão-ouro vinda de nossos professores especialistas que já foram residentes onde você quer passar. Nosso maior objetivo é ajudar nossos alunos a conquistarem a residência dos sonhos. E para isso, nos certificamos de estarmos juntos até o final. juntos até o final! Você em 1º lugar na residência dos seus sonhos! A sua aprovação pode ser a próxima a aparecer aqui! Seu nome na lista de aprovados Henrique Bosso 2º lugar na Unifesp em Oftalmologia Beatriz Aveiro 1º lugar no HIAE em Medicina Intensiva Raphaela Bastos 3º lugar na USP-RP em Dermatologiano diagnóstico de pneumotórax, hemotórax maciço, hérnia diafragmática, dentre outros. Vamos aproveitar o momento para conversar um pouco sobre a avaliação sistemática do RX de tórax. É muito importante dominá-la, tanto para a vida prática como para as provas, já que é muito frequente que apareça um RX nas questões. Em vários casos, a interpretação do exame é a chave para chegar na resposta correta. • • • CIR 15 Cirurgia Geral Trauma Torácico Antes de mais nada, temos que saber se o RX foi feito adequadamente. Em um bom RX, devemos ver um pouco do pescoço e as clavículas superiormente. No campo inferior, devemos ver as cúpulas diafragmáticas completamente. CIR 16 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sistematização da avaliação da radiografia de tórax. Fonte: Acervo Medway. A: Airway.• CIR 17 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sistematização da avaliação da radiografia de tórax - A: Airway. Fonte: Acervo Medway Avaliamos se elas estão centralizadas e pérvias com a visualização da coluna de ar e, em caso de intubação, se o tubo está posicionado na traqueia. Os desvios de traqueia podem nos sugerir um pneumotórax hipertensivo, e as alterações na coluna de ar traqueal podem indicar lesão de traqueia. B: Breathing.• CIR 18 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sistematização da avaliação da radiografia de tórax - B: Breathing. Fonte: Acervo Medway Observamos se o parênquima pulmonar se expande até o final da caixa torácica e dos seios costofrênicos. É nessa hora que devemos nos atentar para a presença de pneumotórax (área radiotransparente/preta, sem trama vascular), líquido pleural (no contexto do trauma, provavelmente será um hemotórax) e alterações de opacidade do parênquima (como sinais de infiltração no parênquima - fica “mais branco”, sugerindo contusão pulmonar ou condensações, sugerindo laceração). C: Circulação.• CIR 19 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sistematização da avaliação da radiografia de tórax - C: Circulação. Fonte: Acervo Medway. Neste momento, não é só o coração que nos interessa, mas sim o mediastino inteiro. Uma cardiomegalia até pode nos indicar um derrame pericárdico, mas geralmente, não é na radiografia que vamos visualizar melhor isso. O mais importante é observarmos o mediastino, pois o alargamento dessa estrutura, pode nos indicar trauma de aorta. D: Diafragma.• CIR 20 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sistematização da avaliação da radiografia de tórax - D: Diafragma. Fonte: Acervo Medway. Este passo serve não só para avaliar de maneira mais cuidadosa a presença de líquido pleural e apagamento do seio costofrênico, como também para avaliar se o diafragma mostra algum linha paraesternal direita (herniação de vísceras abdominais, por exemplo, para a cavidade torácica). E: Esqueleto.• CIR 21 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sistematização da avaliação da radiografia de tórax - E: Esqueleto. Fonte: Acervo Medway. Nosso enfoque será a presença de fraturas. Visualizamos as clavículas, cada arco costal e as escápulas. Duas coisas importantes: se vocês observarem uma fratura de arco costal, procurem ativamente se existem outros pontos de fratura, podendo caracterizar um tórax instável (mais tarde falaremos mais dele); atentem-se para o contorno da escápula, pois muitas vezes confundimos com uma linha de pneumotórax. F: Fat (avaliação da gordura). Observem ao redor de toda a caixa torácica se a gordura está presente ou se há presença de enfisema subcutâneo. Se observada essa alteração, é aconselhável voltar para o passo “E” e procurar fraturas que a justifiquem. G: Ghosts (artefatos). Encerramos nossa avaliação, observando se há imagens “fantasmas”, ou seja, que estão presentes, mas que não são do paciente. Geralmente, são artefatos como presença de dispositivos (drenos, tubos ou eletrodos de • • CIR 22 Cirurgia Geral Trauma Torácico monitorização) ou botão de camisa e adereços que o paciente estava usando durante o exame (e que não deveriam estar ali). E-FAST Como já vimos nos capítulos anteriores, o USG tem se tornado uma extensão do exame físico e um aliado importante na avaliação primária, ajudando a definir o foco de choque e descompensação do paciente. No tórax, faremos a janela pericárdica, que avalia presença de líquido no pericárdio e possibilidade de tamponamento cardíaco. O objetivo do FAST será identificar líquido no saco pericárdico (aparece preto) e presença de tamponamento cardíaco. Legenda: Janela subxifóide do FAST Fonte: https://www.philips.com.br/c-dam/b2bhc/br/ marketing/ultrasound/philips-guia-rapido-fast.pdf Além do tamponamento, podemos avaliar a presença de pneumotórax ou hemotórax por meio do USG. Pneumotórax• CIR 23 https://www.philips.com.br/c-dam/b2bhc/br/marketing/ultrasound/philips-guia-rapido-fast.pdf https://www.philips.com.br/c-dam/b2bhc/br/marketing/ultrasound/philips-guia-rapido-fast.pdf Cirurgia Geral Trauma Torácico As janelas pulmonares incluem ápices e bases bilateralmente, nas quais avaliamos se há deslizamento pleural. No pulmão normal, a pleura parietal desliza com a pleura visceral, e enxergamos no USG o movimento da pleura (“formiguinhas andando”). Legenda: Visão pulmonar com transdutor linear no tórax. As costelas são as estruturas pretas com sombra acústica posterior. A linha branca abaixo das costelas (seta) é a linha pleural, onde enxergamos o movimento. PARA VISUALIZAÇÃO ACESSE O VÍDEO FONTE. Fonte: vídeo Pneumotórax ao USG - YouTube - Canal “Jezreel”. CIR 24 https://www.youtube.com/watch?v=GwD0wAetmcA https://www.youtube.com/watch?v=GwD0wAetmcA Cirurgia Geral Trauma Torácico Quando há pneumotórax, há ar entre a pleura parietal e visceral, então elas não deslizam, por isso, não vemos a linha branca se movimentar com a respiração. Modo M O modo M no ultrassom é uma forma de visualização do mesmo local anatômico ao longo do tempo. Então focamos em um local, clicamos no botão do modo M e temos as imagens abaixo: Pulmão normal: sinal da praia. A parede torácica não tem movimento, então ao longo do tempo, não há mudança nas linhas em toda a porção marcada com azul na imagem abaixo. A linha pleural é a branca mais forte, identificada pela seta vermelha. No pulmão normal, abaixo da linha pleural há o movimento respiratório; portanto, no USG aparece como zona de interferência (marcada como verde). Aí fica parecendo a areia e o mar, por isso, sinal da praia. • CIR 25 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Sinal da Praia. A areia é a zona de “interferência” no USG devido ao movimento da pleura. Fonte: Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem, 2021. Pulmão com pneumotórax: sinal da estratosfera ou do código de barras. Novamente, a parede torácica não tem movimento, aparece constante, como linhas no modo M. A linha pleural continua sendo a mais branca (identificada pelas setas pretas). Com pneumotórax, não há movimento na pleura, então abaixo da pleura tem o mesmo • CIR 26 Cirurgia Geral Trauma Torácico aspecto da parede torácica: sem movimento, sem interferências, aparece como linhas retas, por isso sinal da estratosfera (várias camadas) ou sinal do código de barras. Legenda: Sinal da estratosfera ou sinal do código de barras. Fonte: Lichtenstein Annals of Intensive Care 2014, 4:1. CIR 27 Cirurgia Geral Trauma Torácico Em um caso de pneumotórax parcial, em alguma parte do parênquima ainda há contato da pleura parietal com a visceral. Às vezes, é possível ver justamente onde é o limite do pneumotórax: em uma parte da janela do USG, há deslizamento pleural, em outra, não. O ponto de limite entre pulmão normal e o pneumotóraxé chamado de PONTO PULMONAR. Essa imagem abaixo explica bem: CIR 28 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Ponto pulmonar. O ponto pulmonar (seta branca) é o limite entre pneumotórax e local onde o pulmão ainda tem contato com a parede do tórax. As setas vermelhas identificam as pleuras. Fonte: Homepage - USabcd. Hemotórax Podemos ver derrame pleural nas bases pulmonares (no trauma, é hemotórax até que se prove o contrário). Veremos, conforme a imagem abaixo, tendo como ponto de referência o diafragma, que aparece “branco”. Legenda: Derrame pleural a ultrassonografia. L: pulmão colapsado. D: Diafragma. Seta: derrame pleural. Fonte: Can J Anesth/J Can Anesth (2018) 65:360–370. • CIR 29 https://usabcd.org/ https://usabcd.org/ https://usabcd.org/ https://usabcd.org/ Cirurgia Geral Trauma Torácico LESÕES QUE DEVEM SER IDENTIFICADAS NA AVALIAÇÃO PRIMÁRIA 1. LESÃO DE ÁRVORE TRAQUEOBRÔNQUICA A lesão de traqueia e de brônquios é pouco frequente na prática, mas tem alto potencial de mortalidade e aparece de vez em quando nas provas. Lesões traqueais, no trauma contuso, ocorrem por mecanismo de desaceleração brusca, podendo haver secção entre um ponto fixo e um segmento móvel da árvore traqueobrônquica. Além disso, ferimentos penetrantes (e até mesmo uma intubação) podem provocar lesão de traquéia ou brônquios proximais (ou piorar uma lesão preexistente). CIR 30 Cirurgia Geral Trauma Torácico Simplificando a situação, o paciente com lesão de traquéia ou brônquio proximal tem um buraco na árvore traqueobrônquica. Se esse buraco estiver na traqueia ou próximo à carina (ainda dentro do mediastino, e não intrapleural), o paciente terá falha ventilatória, porque vai vazar muito ar pelo buraco, e não haverá ventilação e troca alveolar suficientes. O paciente terá enfisema subcutâneo extenso, pneumomediastino e pode ter hemoptise. Aí temos que pensar em garantir a via aérea do paciente: se a lesão for proximal, o tubo endotraqueal ou cânula de traqueostomia pode “tampar” essa lesão, e o paciente pode ventilar adequadamente. Geralmente, a intubação desses pacientes pode ser difícil, tendo em vista que há uma distorção anatômica provocada pelo hematoma paratraqueal e pelas lesões orofaríngeas associadas. Agora, se a lesão for mais baixa na traqueia, além do alcance da extensão do tubo, o paciente provavelmente não conseguirá ventilar mesmo intubado e precisará de cirurgia em caráter de emergência. Caso a lesão seja intrapleural, o paciente terá um “buraco gigante” vazando ar dentro da pleura e desenvolverá um pneumotórax hipertensivo. Aí o tratamento será o mesmo do pneumotórax hipertensivo (punção seguida de drenagem torácica). Muitas vezes, o vazamento de ar é tão intenso que se faz necessário passar um segundo dreno. Identificamos essa situação quando o paciente mantiver pneumotórax mesmo com dreno funcionante e escape aéreo importante no selo d’água. CIR 31 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Dreno de tórax à direita. Fonte: Acervo Medway. O diagnóstico definitivo de lesão de árvore traqueobrônquica é confirmado por broncoscopia, que será realizada quando o paciente estiver estável hemodinamicamente e com ventilação adequada. “E quando vamos operar?” Em pacientes graves que não ventilam, a abordagem deve ser imediata, por acesso cervical ou torácico. Já naqueles que apresentaram estabilidade (principalmente ventilatória) após as medidas adotadas, CIR 32 Cirurgia Geral Trauma Torácico podemos esperar a melhora do edema e da inflamação para o tratamento definitivo. 2. PNEUMOTÓRAX HIPERTENSIVO Nosso primeiro astro do capítulo. Todo mundo já ouviu falar de pneumotórax hipertensivo. As questões já estão super manjadas, e não podemos errar! Uma das causas mais comuns de pneumotórax hipertensivo é a ventilação mecânica com pressão positiva em doentes com lesão da pleura visceral. Mas, no trauma, ele também pode ser a complicação de um pneumotórax simples devido a um trauma penetrante ou contuso torácico, no qual não ocorre o fechamento da lesão do parênquima CIR 33 Cirurgia Geral Trauma Torácico pulmonar. Também pode ser resultado de lesões em ápice pleural nas punções para acesso venoso central. O fator hipertensivo do pneumotórax acontece quando há um vazamento de ar para o espaço pleural sem a possibilidade de retorno, gerando uma válvula unidirecional . Esse ar vai se acumulando até não ter mais pulmão para “empurrar” e acaba pressionando o mediastino e até o pulmão contralateral. A compressão dos grandes vasos, especialmente da veia cava, gera a diminuição do retorno venoso, e o choque obstrutivo se instala por diminuição no débito cardíaco. Legenda: Pneumotórax hipertensivo. Mecanismo de válvula unidirecional, gerando desvio contralateral do mediastino. Fonte: American College of Surgeons Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Suport - ATLS. 10ª ed, 2018 - pg.118. CIR 34 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Pneumotórax hipertensivo à esquerda. CIR 35 Cirurgia Geral Trauma Torácico Quando a gente visualiza o que aconteceu, fica mais fácil entender as manifestações clínicas clássicas que são: dispneia, dor torácica, taquicardia, choque, desvio de traqueia contralateral, ausência de murmúrio vesicular unilateral com HIPERTIMPANISMO à percussão e a famosa turgência jugular (distensão dos vasos cervicais). CIR 36 Cirurgia Geral Trauma Torácico Como essa situação é muito grave e pode gerar morte imediata, NÃO devemos pedir uma radiografia para confirmar o diagnóstico! Na vida e na prova, o diagnóstico é clínico, e, se atrasarmos o tratamento para esperar confirmação pelo RX, o paciente morre. Tratamento Primeiro temos que tirar o paciente da urgência, fazendo a descompressão imediata da cavidade torácica com jelco calibroso (nº 14, por exemplo) que, carinhosamente, chamamos de PUNÇÃO DE ALÍVIO. Em adultos, ela deve ser realizada no 5º espaço intercostal, entre as linhas axilares anterior e média. Não é mais no 2º espaço intercostal na linha hemiclavicular, porque a efetividade era mais baixa em adultos • CIR 37 Cirurgia Geral Trauma Torácico (devido à obesidade crescente e ao aumento da espessura da parede do tórax, a agulha não chegava até a pleura em muitos casos). Para crianças, ainda mantemos a punção no 2º espaço intercostal. Outra maneira simples de descomprimir o pneumotórax hipertensivo é a toracostomia digital (descompressãodigital), que nada mais é do que fazer uma incisão como se fosse drenar e explorar com o dedo, abrindo um buraco que permita que aquele ar escape. Essa técnica pode ser usada quando o abocath não chega ou quando entope (às vezes acontece), mas ela é mais trabalhosa e demorada. Legenda: Toracostomia digital. Já fazemos isso sempre durante a drenagem. Se a punção de alívio não resolver, temos que fazer a toracostomia digital rapidamente. Fonte: ATLS, 10ª edição. O mesmo raciocínio serve para drenar direto o paciente. Numa situação hipotética, se a gente já estivesse paramentado e com todos os materiais CIR 38 Cirurgia Geral Trauma Torácico prontos na nossa frente, não seria errado drenar direto, sem puncionar antes. Mas sabemos que essa não é a realidade e que pode demorar vários minutos até termos todos os materiais disponíveis e abertos na sala de trauma, então a punção salva o paciente, enquanto esperamos. Também é crucial entendermos que a punção de alívio não resolve o problema em definitivo, apenas transforma o pneumotórax hipertensivo em um pneumotórax simples, então SEMPRE devemos prosseguir após a descompressão - seja com abocath calibroso ou pela descompressão digital - com a DRENAGEM PLEURAL EM SELO D’ÁGUA. A drenagem torácica no trauma é feita no 5° espaço intercostal, entre as linhas axilar anterior e média. Lembrar sempre de drenar, furar, cutucar somente na borda superior da costela, porque o feixe vascular passa embaixo de cada arco costal. Legenda: Drenagem torácica em selo d’água. O tratamento definitivo do pneumotórax hipertensivo é a drenagem pleural. Fonte: Acervo Medway. CIR 39 Cirurgia Geral Trauma Torácico Vamos, então, ver bem certinho a respeito das etapas do tratamento em caso de pneumotórax hipertensivo: Descompressão imediata com abocath calibroso ou toracostomia digital, no 5º espaço intercostal (EIC), entre linha axilar anterior e média. PRONTO! Fazendo isso, você tira o paciente de emergência. Porém, ainda há a necessidade de drenagem torácica; Drenagem torácica fechada sob selo d’água. Passo a passo da drenagem de tórax: Posicione paciente em decúbito dorsal, com membro superior do lado afetado estendido acima do ombro; Identifique o local a ser incisado - 5 ao 6º EIC - entre a linha axilar anterior e média. Dica: use como referência o mamilo, geralmente seguindo uma linha reta até as linhas axilares anterior e média, cai no local bem certinho para a drenagem; Realize antissepsia local vigorosa para evitar infecções futuras; Coloque os campos estéreis em cima do paciente; Faça um botão anestésico na pele no local da incisão. Após, progrida a agulha no rebordo superior da costela, aspirando e injetando anestésico local. (Muitas vezes, já cai no espaço pleural, pois aspira o ar do pneumotórax na seringa.) Recue e anestesie o trajeto; Aproveite e arrume seu dreno, para a anestesia fazer efeito, com alguém colocando 500 mL de água purificada estéril no frasco. Prepare os materiais e fio para fixação. Faça medição do dreno - posicione em esterno até o local da incisão - a distância em cm é, em média, o 1. 2. a. b. c. d. e. f. CIR 40 Cirurgia Geral Trauma Torácico comprimento de dreno a ser alocado dentro da cavidade torácica; Faça uma incisão seguindo o rebordo costal, de um tamanho que consiga passar o dreno desejado, apenas na pele até aparecer o subcutâneo; Com uma pinça hemostática curva (Kelly), disseque o subcutâneo até acessar a pleura; após isso, mantenha a pinça fechada posicionada a 90º da pele, entre os espaços intercostais dissecados, e faça pressão até ouvir estalo da pleura parietal sendo perfurada e a pinça ser introduzida na cavidade pleural; Abra a pinça, recuando com ela aberta, a fim de aumentar o diâmetro do trajeto na parede torácica, permitindo a passagem do dreno selecionado; Pegue a ponta do dreno com a Kelly, insira perpendicularmente no local incisado e, depois, o direcione posteriormente e cranialmente. O dreno de tórax é fenestrado, e não pode haver fenestras para fora; Acople o dreno em um sistema de drenagem fechado, que deve estar abaixo do nível do paciente. Caso tenha fuga aérea (bolhas de ar borbulhando pelo sistema de água) e oscilação da coluna de água, você está no lugar certo; Fixe dreno com fio vicryl (ou Ethibond) 1.0, com ponto em U na pele e, posteriormente, faça uma “bailarina” com o fio restante ao redor do dreno; Curativo. g. h. i. j. k. l. m. CIR 41 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Posição do paciente para realização de drenagem torácica em selo d’água. Dreno de tórax em 5º EIC. Fonte: Acervo Medway Logo após a drenagem imediata, como vamos saber se o dreno está no espaço pleural? Tenham em mente que, ao drenar um pneumotórax hipertensivo, deve sair muito (mas muito) ar do espaço pleural. E isso faz com que haja bastante borbulhamento do nosso sistema fechado em selo d’água (fenômeno também conhecido como ‘’fuga aérea’’). Legenda: Fuga aérea em dreno de tórax. CIR 42 Cirurgia Geral Trauma Torácico 3. PNEUMOTÓRAX ABERTO Essa condição já é bem menos frequente na vida e nas provas, mas é tranquila para gente entender. O pneumotórax aberto acontece quando temos uma ferida grande na parede torácica, mais especificamente maior que ⅔ do diâmetro da traqueia, que altera o equilíbrio entre as pressões intratorácica e atmosférica. O ar, que sempre tende a ir para local com menor pressão, encontra menor resistência para entrar na cavidade torácica pelo ferimento, resultando em uma ventilação não efetiva. Pensaremos nessa lesão quando o enunciado descrever uma ferida soprante na parede torácica. CIR 43 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Fisiopatologia do pneumotórax aberto. Fonte: ATLS, 10ª edição. Quando o ar entra pelo ferimento da parede torácica, até pode haver um desvio do mediastino para o lado contralateral durante a inspiração, mas há retorno na expiração. Não vira um pneumotórax hipertensivo porque tem um “rombo” na parede torácica permitindo a saída de parte desse ar. O tratamento inicial consiste em ocluir a lesão com um curativo com o objetivo de “parar de entrar ar pelo lugar errado''. Simplesmente fechar a ferida impede que mais ar entre, mas não deixa o ar que já está preso sair. Então precisamos fazer um curativo de 3 pontas, que nada mais é que um curativo fechado em apenas três dos quatro lados, produzindo um efeito de válvula unidirecional. Assim, quando o paciente inspira, o curativo oclui a ferida, impedindo a entrada de ar pela mesma. E por que nós não fechamos os quatro bordos do curativo? Pois, ao fazer isso, faremos um pneumotórax hipertensivo - a menos que haja um dreno de CIR 44 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 Cirurgia Geral Trauma Torácico tórax normoposicionado dentro do espaço pleural (e longe do ferimento da parede torácica). Olhem a imagem abaixo: Legenda: Curativo de 3 pontas. Fonte: ATLS, 10ª edição. Quando inspiramos, temos uma diminuição da pressão intratorácica, para que o ar “de fora” possa entrar. Nesse momento, o ar que está “do lado de fora” tende a entrar pelo orifício do ferimento, mas o curativo de 3 pontas não deixa, porque “veda” a abertura. Já na expiração, temos um aumento da pressão intratorácica para “empurrar” o ar para fora. O ar vai tentar escapar pelo curativo e vai conseguir sair pelo lado aberto do curativo. Transformamos o curativo em uma válvula unidirecional e tiramos o paciente da emergência. Otratamento definitivo será a drenagem do tórax e a sutura da parede torácica no centro cirúrgico. CIR 45 Cirurgia Geral Trauma Torácico 4. HEMOTÓRAX MACIÇO Nosso segundo astro do capítulo rende muita confusão e angústia. Primeiro, devemos gravar a definição de hemotórax maciço, para não nos atrapalharmos com outras lesões que ainda vão aparecer nesse capítulo. Esse sangramento abundante na cavidade torácica pode ocorrer tanto em traumas penetrantes com lesão de parênquima pulmonar e vasos, quanto em traumas contusos (menos comum). Já que temos uma perda sanguínea tão importante, faz muito sentido pensar que o paciente pode evoluir com um choque hemorrágico. Nesses casos, o paciente vai apresentar murmúrio vesicular abolido ou muito diminuído unilateralmente e som MACIÇO à percussão. Mas a jugular estará COLABADA, já que o paciente está hipovolêmico. CIR 46 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Hemotórax volumoso à esquerda, com deslocamento do mediastino para a direita. Fonte: Acervo Medway. CIR 47 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Hemotórax à esquerda. Radiografia do paciente em ortostase. Se o traumatizado fizesse o RX sentado ou em ortostase, o hemotórax apareceria assim. Fonte: Trauma tórax Int. leal (slideshare.net). Seu tratamento deve ser certeiro e imediato! Devemos realizar uma descompressão imediata da cavidade torácica através da famosa drenagem de tórax em selo d’água, para evacuação do sangue e melhora da ventilação, aliada ao tratamento do choque hipovolêmico (reposição volêmica adequada e controle do foco de sangramento). CIR 48 https://es.slideshare.net/cigoto/trauma-trax-int-leal https://es.slideshare.net/cigoto/trauma-trax-int-leal Cirurgia Geral Trauma Torácico Lembrando que a reposição volêmica deve seguir os mesmos princípios que já vimos até o momento: Evitar excesso de cristaloides. Hemoconcentrados precoces. Atenção para os gatilhos de Protocolo de Transfusão Maciça. No caso de hemotórax maciço, um recurso que podemos lançar mão é a autotransfusão, porque o sangue do tórax a princípio não é contaminado e pode ser usado para repor o volume do paciente. Afinal, não existe reposição volêmica melhor do que o sangue total do próprio paciente! No entanto, o dispositivo que drena e filtra o sangue é caro e nem sempre disponível na imensa maioria dos hospitais. • • • CIR 49 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda Equipamento de autotransfusão. O sangue drenado do tórax passa por um sistema de filtro e é direcionado para a bolsa que será transfundida ao paciente. Fonte: Medline TRM9108411 C. A.T. S Plus Continuous AutoTransfusion System Reservoir, 40 Collection (40 Micron Filtr) -8 Per Case (devinemedical.com). ‘’Ok, realizei a drenagem torácica, e não veio de imediato 1500 mL de sangue. Então, NÃO é um hemotórax maciço?” Os critérios para diagnóstico de hemotórax maciço são: Drenagem torácica com saída imediata de 1500 mL de sangue pelo dreno; Drenagem torácica com saída de 200 mL/h por 2 a 4 horas. Qual a conduta diante desse caso? Bem, concordam que, se eu tenho um sangramento intenso, que não cessa e, principalmente se o trauma for penetrante, provavelmente há lesão de algum vaso importante. Nesses casos, deve ser realizada uma TORACOTOMIA DE EMERGÊNCIA, para achar o que sangra no tórax e controlar esse sangramento! Contudo, deve-se ter um cirurgião qualificado presente para a realização da mesma. 5. TAMPONAMENTO CARDÍACO • • CIR 50 https://www.devinemedical.com/Medline-TRM9108411-C-A-T-S-plus-Continuous-p/medline-trm9108411.htm https://www.devinemedical.com/Medline-TRM9108411-C-A-T-S-plus-Continuous-p/medline-trm9108411.htm https://www.devinemedical.com/Medline-TRM9108411-C-A-T-S-plus-Continuous-p/medline-trm9108411.htm https://www.devinemedical.com/Medline-TRM9108411-C-A-T-S-plus-Continuous-p/medline-trm9108411.htm https://www.devinemedical.com/Medline-TRM9108411-C-A-T-S-plus-Continuous-p/medline-trm9108411.htm https://www.devinemedical.com/Medline-TRM9108411-C-A-T-S-plus-Continuous-p/medline-trm9108411.htm Cirurgia Geral Trauma Torácico Chegamos à última condição que deve ser identificada logo na avaliação inicial. O tamponamento cardíaco, geralmente, está relacionado ao ferimento penetrante, principalmente localizados no famoso quadrilátero de Ziegler: Legenda: ferimentos penetrantes por arma branca (FABs) em região torácica, correspondente ao quadrilátero de Ziedler. Fonte: Acervo Medway CIR 51 Cirurgia Geral Trauma Torácico O trauma causa um sangramento do miocárdio (mais comum no ventrículo direito, pela posição mais anterior) ou de vasos adjacentes, e o sangue se acumula no pericárdio. Como essa estrutura é inelástica, uma pequena quantidade de líquido já é suficiente para restringir o movimento cardíaco, e isso gera falha do retorno venoso e diminuição do débito cardíaco. Novamente, se entendemos o mecanismo, as manifestações clínicas fazem sentido. A falha do retorno venoso gera TURGÊNCIA JUGULAR. O CIR 52 Cirurgia Geral Trauma Torácico acúmulo de sangue no pericárdio vai ABAFAR as bulhas cardíacas, e o baixo débito se reflete em HIPOTENSÃO . Pronto! Está apresentada a clássica TRÍADE DE BECK. Na prova, geralmente a tríade está presente; no entanto, na vida real ela aparece em menos da metade dos casos. Primeiro, porque a avaliação de hipofonese de bulhas pode ser difícil em um ambiente barulhento e de caos, como costumam ser os pronto-socorros. Além disso, geralmente, o paciente está também hipovolêmico, então a turgência jugular não vai aparecer. Também podemos encontrar a presença de pulso paradoxal (a diminuição > 10 mmHg da pressão sistêmica durante a inspiração espontânea), o sinal de Kussmaul (ingurgitamento jugular durante a inspiração, já que o ventrículo direito não consegue “receber” todo o sangue, deixando-o “represado”) e a atividade elétrica sem pulso (AESP). CIR 53 Cirurgia Geral Trauma Torácico É muito difícil fazer o diagnóstico somente pelo exame físico, portanto precisamos usar o FAST para identificar a presença de líquido pericárdico e tamponamento cardíaco. Legenda: Tamponamento cardíaco. A - coração normal. B - tamponamento cardíaco por ferimento penetrante e trauma contuso de coração, vasos da base e pericárdicos que permitem o saco pericárdio se encher de sangue. C - e-FAST com tamponamento cardíaco (líquido aparece como escuro, lâmina superior). Fonte: ATLS, 10ª edição. Legenda: Janela pericárdica positiva ao FAST. Na primeira imagem temos um FAST normal, com a visualização das 4 câmaras e nenhum líquido “periférico”. Na segunda, observamos a presença de líquido laminar comprimindo as câmaras cardíacas (setas). Fonte: Michael B. Stone, Patricia Henwood. CIR 54 Cirurgia Geral Trauma Torácico O tratamento para o tamponamento cardíaco é a TORACOTOMIA DE EMERGÊNCIA! Em caso de FAST positivo, está indicada a toracotomia para exploração e sutura da lesão. “E a punção de Marfan?” A punção de Marfan será raramente realizada, porque ela é uma medida temporária, não vai parar o sangramento e não resolve o problema, concordam? Pode ser usada em situação de extrema urgência, para esvaziar o pericárdio e ganhar tempo até irmos para o centro cirúrgico. Ela é feita com uma punção subxifoide usando uma agulha longa. Reforçando, ela é uma medida provisória, após diagnóstico de tamponamento pelo FAST, e idealmente realizada guiada pelo ultrassom. CIR 55 https://psfonttk.com/ponto-de-interrogacao-copiar/ https://psfonttk.com/ponto-de-interrogacao-copiar/ https://psfonttk.com/ponto-de-interrogacao-copiar/ https://psfonttk.com/ponto-de-interrogacao-copiar/ Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Pericardiocentesesubxifoidea. Entrar com a agulha entre o processo xifóide e o rebordo costal esquerdo, ângulo de 45 graus, mirando o ombro esquerdo. Fonte: UptoDate Emergency pericardiocentesis graphic 81442 versão 3.0 - acesso em 05/05/2022. CIR 56 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 57 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 58 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 59 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 60 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 61 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 62 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 63 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 64 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 65 Cirurgia Geral Trauma Torácico AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA Agora que descartamos as lesões que matam rapidamente, temos mais tempo para prosseguir a investigação para que nenhuma lesão potencialmente ameaçadora passe despercebida. Nessa hora, além de um exame físico mais detalhado, podemos realizar exames complementares, como radiografia de tórax fora da sala do trauma, eletrocardiograma, ecocardiograma, tomografia com contraste, CIR 66 Cirurgia Geral Trauma Torácico endoscopia… Tudo de acordo com a necessidade do paciente (mecanismo de trauma e suspeitas diagnósticas). O exame inicial quase sempre será a tomografia de tórax com contraste, lembrando que ela pode não ver lesões de diafragma e não detalha bem lesões de esôfago e árvore traqueobrônquica (só veremos os sinais indiretos, pneumomediastino, enfisema, pneumotórax; mas, em geral, não conseguimos identificar o local da lesão). Então, vamos detalhar as lesões potencialmente ameaçadoras no tórax: 1. PNEUMOTÓRAX SIMPLES CIR 67 Cirurgia Geral Trauma Torácico Nesse caso, é um pneumotórax não tão agudo quanto o hipertensivo a ponto de causar instabilidade hemodinâmica rapidamente, e nem um pneumotórax aberto. É mais insidioso, decorrente de traumas ou por pneumotórax espontâneo (rompimento de ‘’Blebs’’), possui exame físico mais tranquilo, sem alteração hemodinâmica importante e sem ingurgitamento de jugulares. Geralmente, é visto durante a avaliação secundária, por isso pode ser diagnosticado através de exame de imagem. Porém, seu diagnóstico também é clínico, apesar do exame físico não ser tão clássico. A laceração do parênquima pulmonar é a principal causa de pneumotórax. Ela pode ocorrer tanto no trauma contuso, quanto no penetrante. A presença de fratura de arcos costais deve alertar para a presença de pneumotórax. Clinicamente, ele vai se manifestar como diminuição do murmúrio vesicular unilateral, assimetria de expansibilidade torácica e timpanismo à percussão, além de enfisema subcutâneo, dispneia e dessaturação. Mas como não estamos falando de um hipertensivo, o quadro clínico pode ser bem sútil. A radiografia pode nos ajudar bastante, principalmente em pneumotórax pequenos e assintomáticos. O principal achado no E-FAST é a ausência do deslizamento pleural na avaliação dinâmica. CIR 68 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Pneumotórax simples à direita - para vocês ficarem craques nesse diagnóstico! Fonte: Prova de Residência UNICAMP 2021 - Acesso Direto. E o tratamento? Essa é fácil, como todos os problemas exclusivos de tórax, sem sangramentos maciços, até agora: DRENAGEM PLEURAL EM SELO D’ÁGUA. Em casos de pneumotórax pequeno (cardíacas e vertebrais por meio de tomografia. • • CIR 75 Cirurgia Geral Trauma Torácico 4. TÓRAX INSTÁVEL E CONTUSÃO PULMONAR Nem todo trauma torácico tem dreno (pela tristeza do cirurgião, que adora um dreninho de tórax…)! Muitas vezes, o trauma de tórax pode causar fraturas de costelas sem pneumo/hemotórax. Tórax instável Ocorre quando há no mínimo 2 costelas adjacentes fraturadas em 2 ou mais lugares, ou separação de um segmento costocondral, fazendo com que um segmento da parede torácica não tenha mais continuidade óssea com o resto da caixa torácica. Essa condição gera um sinal muito famoso, o movimento paradoxal do tórax, quando não há aquele • CIR 76 Cirurgia Geral Trauma Torácico movimento típico da caixa torácica - o pedaço flutuante não segue o mesmo padrão ventilatório. Na inspiração, temos uma diminuição da pressão intratorácica para que o ar “entre”; assim que o tórax se expande para o ar entrar, esse “pedaço flutuante” de tórax vai afundar. Na expiração, temos um aumento da pressão intratorácica para o ar “sair”; à medida que o tórax começa a se esvaziar, o segmento flutuante “sobe”. Legenda: Tórax instável por fratura de 3 arcos costais em 2 pontos. Fonte: ATLS, 10ª edição. CIR 77 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Tórax instável por separação de segmento costocondral. Fonte: ATLS, 10ª edição. O paciente terá dor intensa e poderá ter dificuldade ventilatória. Além disso, se o trauma foi grave a ponto de fazer esse estrago, o paciente poderá ter outras lesões intratorácicas associadas , como contusão pulmonar, contusão cardíaca, hemopneumotórax, etc. Contusão pulmonar Já a contusão pulmonar é quando sangue (como se fosse um hematoma nos próprios alvéolos) e outros fluidos se acumulam no tecido pulmonar após o trauma, interferindo diretamente na ventilação e na troca gasosa do paciente, podendo levar à hipóxia. • CIR 78 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Contusão pulmonar - sangue acumulado no alvéolo. O exame físico não é muito específico. Podemos observar a presença de lesões torácicas, como hematomas, crepitações e assimetrias. O paciente também pode apresentar dessaturação e alteração de frequência respiratória (taquipneia). A existência de fraturas de arcos costais é um grande indicativo de uma possível contusão pulmonar, pelo pressuposto mecanismo de alta energia. Mas, como já comentamos na aula de avaliação, em crianças as costelas ainda não completaram a calcificação, e a contusão pode ocorrer mesmo sem haver fratura de costela. A radiografia pode apresentar opacidade do parênquima, além das lesões associadas (fraturas de costelas, hemo ou pneumotórax). A tomografia é CIR 79 Cirurgia Geral Trauma Torácico muito sensível para o diagnóstico de contusão pulmonar. A gasometria irá nos auxiliar na avaliação de hipóxia e retenção de gás carbônico. Tanto para a contusão pulmonar quanto para o tórax instável, o tratamento se baseia em 4 pilares: I. Oxigenoterapia e suporte ventilatório O primeiro pilar será o suporte ventilatório. Ele será determinado de acordo com o grau de hipóxia e desconforto do paciente. Em casos de injúria leve, o cateter de O2 já é o suficiente para manter uma SatO2 > 90%. Em casos mais graves, podemos utilizar as máscaras reinalantes (Venturi). Principalmente quando há tórax instável, o paciente pode ter dificuldade ventilatória e se beneficiará de ventilação por pressão positiva (VNI, caso não haja contraindicações - instabilidade, trauma de face, rebaixamento do nível de consciência -, ou intubação orotraqueal com ventilação mecânica). A presença de comorbidades deve ser levada em conta, pois pode aumentar o risco de insuficiência respiratória secundária à contusão pulmonar. Por exemplo: pacientes com DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica) já são cronicamente hipoxêmicos, então apresentam alto risco de piora abrupta; pacientes idosos têm menor reserva fisiológica, maior chance de fadiga e complicações infecciosas, por isso, costumam ter evolução pior. II. Fisioterapia respiratória CIR 80 Cirurgia Geral Trauma Torácico O estímulo à expansão pulmonar é fundamental para evitar atelectasia e melhorar as trocas gasosas. A fisioterapia também ajuda no controle de secreção, e na diminuição da chance de infecção pulmonar secundária. Pode ser estimulada desde uma simples deambulação até o uso de espirômetros. III. Analgesia Apesar de parecer básico, é EXTREMAMENTE IMPORTANTE. Talvez seja a medida mais importante. A dor decorrente do trauma e da fratura de arcos costais gera restrição de movimento respiratório, o que piora ou promove atelectasia e, consequentemente, favorece a ocorrência de pneumonia. Como já comentado acima, a potência analgésica dependerá do grau de dor do paciente, indo desde analgésicos simples, opióides, medicamentos para dor neuropática, até necessidade de bloqueios intercostais ou cateter peridural. IV. Controle de fluidos Ora, se vocês lembrarem o que foi falado ali em cima a respeito da fisiopatologia da contusão pulmonar, perceberão que, se já há um aumento de fluidos em tecido pulmonar em decorrência do trauma, não devemos hiper-hidratar nosso paciente, pois a hidratação excessiva favorece o acúmulo de líquido intersticial e, consequentemente, piora a troca gasosa pela congestão pulmonar. Assim, o controle do balanço hídrico é fundamental. CIR 81 Cirurgia Geral Trauma Torácico CIR 82 Cirurgia Geral Trauma Torácico 5. CONTUSÃO CARDÍACA Aqui está uma lesão frequentemente esquecida por nós e também pouco explorada nas provas. Quando falamos em trauma cardíaco, logo lembramos do tamponamento cardíaco, que quase sempre é causado por trauma penetrante. No entanto, o trauma contuso (“pancada no coração”) pode causar contusão do miocárdio, trombose coronária e, mais raramente, lacerações de câmaras. As manifestações clínicas são variáveis: o paciente pode ter dor torácica, arritmias e choque cardiogênico. Geralmente, é um diagnóstico de exclusão em paciente com choque em que não identificamos outra causa. Na nossa cabeça de CIR 83 Cirurgia Geral Trauma Torácico cirurgião, raramente pensamos na contusão cardíaca como causa de choque. O diagnóstico depende primeiramente da suspeição e de uma avaliação complementar com eletrocardiograma e ecocardiograma. No eletrocardiograma podemos observar extrassístoles, fibrilação atrial, bloqueio de ramo direito, alterações de segmento ST. O ecocardiograma pode mostrar anomalias de motilidade de parede e, na presença de tamponamento, líquido no saco pericárdico. As enzimas cardíacas não ajudam muito, porque são inespecíficas para a lesão miocárdica. O tratamento é basicamente suporte clínico e manejo do choque. É fundamental a monitorização cardíaca por meio de ECG, principalmente nas primeiras 24h do trauma, pelo risco de arritmias. 6. RUPTURA TRAUMÁTICA DE AORTA Esse é mais um astro do trauma torácico nas provas de residência! A ruptura de aorta é a causa mais comum de morte súbita após colisões automobilísticas ou quedas de grandes alturas - isso porque o mecanismo de desaceleração brusca pode causaruma ruptura perto do ligamento arterioso da aorta. Mas quando o paciente consegue sobreviver até chegar no pronto-socorro, muitas vezes é possível tratá-lo com êxito. As lesões de aorta passíveis de tratamento são aquelas com ruptura incompleta. A manutenção da camada adventícia ou o tamponamento da lesão por hematoma mediastinal previnem a exsanguinação imediata CIR 84 Cirurgia Geral Trauma Torácico e podem permitir que o paciente siga assintomático por algumas horas após o trauma. Esse é um dos exemplos do porquê indicamos tomografia em pacientes assintomáticos de acordo com a cinemática do trauma. Caso haja um rompimento completo, o paciente evolui com exsanguinação na cena e vai a óbito, sem nem mesmo chegar ao hospital. Histórias de trauma de alta energia, desaceleração importante ou quedas de altura são associadas à lesão de aorta. O local mais comum de ruptura é próximo ao ligamento arterioso, porque é onde o arco aórtico está fixo e a aorta se rompe no momento da desaceleração. CIR 85 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: O ligamento arterioso é o resquício embrionário do canal arterial que possibilita a conexão da artéria pulmonar à aorta durante a circulação fetal. Fonte: https:// anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/6.7.jpg CIR 86 https://anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/6.7.jpg https://anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/6.7.jpg https://anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/6.7.jpg https://anatomiaonline.com/wp-content/uploads/2015/07/6.7.jpg Cirurgia Geral Trauma Torácico Se o paciente sobreviveu e chegou ao pronto-socorro, pode apresentar diferença de pulso e pressão entre os membros superiores, mas geralmente não terá sintomas muito óbvios. Por isso é fundamental termos essa lesão em mente a partir do mecanismo de trauma para fazermos o diagnóstico. CIR 87 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Radiografia com alargamento do mediastino superior, apagamento do botão aórtico e velamento do hemitórax esquerdo. Fonte: J. vasc. bras. v.4 n.3 Porto Alegre set. 2005. O RX de tórax pode apresentar sinais sugestivos, mas o diagnóstico deve ser confirmado por TOMOGRAFIA DE TÓRAX COM CONTRASTE. Se encontrada imagem sugestiva de hematoma mediastinal, deve ser realizada aortografia ou ecocardiograma transesofágico. O tratamento deve ser preferencialmente por via endovascular, pois o reparo aberto resulta em significativa morbimortalidade. Há risco de paraplegia durante a cirurgia devido a ligadura de ramos posteriores da aorta que irrigam a medula (artéria de Adamkiewicz - artéria espinal anterior). CIR 88 Cirurgia Geral Trauma Torácico Enquanto o reparo não é feito, devemos controlar o duplo produto FC x PA (tratamento igual ao da dissecção de aorta não traumática), se não houver outras lesões graves e mais urgentes que contraindiquem essas medidas (lesões hemorrágicas intra-abdominais ou TCE, por exemplo). 7. RUPTURA TRAUMÁTICA DE DIAFRAGMA Pacientes vítimas de colisões em alta velocidade podem fazer ruptura diafragmática, com herniação de conteúdo da cavidade abdominal para o tórax. O local mais comum de ruptura traumática diafragmática é no lado esquerdo, provavelmente porque o fígado protege o lado direito. O trauma contuso gera herniação imediata do conteúdo abdominal para o tórax, porque a lesão é mais extensa e há ruptura de fibras musculares diafragmáticas. Já no trauma penetrante com lesão do diafragma, as perfurações geralmente são pequenas, e pode levar anos até que ocorra a herniação. A tomografia não é suficiente para descartar essas lesões pequenas por trauma penetrante. CIR 89 Cirurgia Geral Trauma Torácico Legenda: Trauma de diafragma com herniação do estômago para a cavidade torácica. Fonte: American College of Surgeons Committee on Trauma. Advanced Trauma Life Suport - ATLS. 10ª edição. O tratamento da lesão contusa é a reconstrução por cirurgia. No caso de trauma penetrante na transição toracoabdominal, sempre investigaremos no intraoperatório de laparotomia ou toracotomia (caso o paciente tenha outras lesões cirúrgicas) ou por meio de laparoscopia ou toracoscopia (exclusivas para a pesquisa de perfuração de diafragma). 8. RUPTURA ESOFÁGICA CIR 90 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/AMERICAN%20COLLEGE%20OF%20SURGIONS%20COMMITTEE%20ON%20TRAUMA/1010 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 https://www.nescon.medicina.ufmg.br/biblioteca/pesquisa/simples/Advanced%20Trauma%20Life%20Suport%20-%20ATLS/1030 Cirurgia Geral Trauma Torácico Última das lesões potencialmente letais e bem incomum, a ruptura esofágica é mais incidente no trauma penetrante e é raramente relacionada ao trauma contuso. O quadro clínico imediato pode ser um pneumotórax ou derrame pleural (sem fraturas de arcos costais associadas), dor, choque desproporcional às lesões apresentadas ou até saída de conteúdo gástrico na drenagem torácica. Tardiamente, a ruptura esofágica se manifesta com mediastinite, quadro grave, com alta mortalidade. Nos exames complementares, a presença de pneumomediastino sem fraturas ou pneumotórax associados deve chamar a atenção. A tomografia pode ver pneumomediastino e líquido, mas raramente identifica o local da lesão. Para confirmar a hipótese pode ser realizado RX contrastado (contraste iodado via oral) e/ou endoscopia. CIR 91 Cirurgia Geral Trauma Torácico Figura 39. Pneumomediastino (setas). Fonte: Jornal Brasileiro de Pneumologia. 2019;45(4):e20190169, disponível em https://cdn.publisher.gn1.link/ jornaldepneumologia.com.br/pdf/2019_45_4_3019_english.pdf CIR 92 https://cdn.publisher.gn1.link/jornaldepneumologia.com.br/pdf/2019_45_4_3019_english.pdf https://cdn.publisher.gn1.link/jornaldepneumologia.com.br/pdf/2019_45_4_3019_english.pdf https://cdn.publisher.gn1.link/jornaldepneumologia.com.br/pdf/2019_45_4_3019_english.pdf https://cdn.publisher.gn1.link/jornaldepneumologia.com.br/pdf/2019_45_4_3019_english.pdf Cirurgia Geral Trauma Torácico Classificação das lesões de esôfago Tratamento • • CIR 93 Cirurgia Geral Trauma Torácico Depende do grau da lesão, status hemodinâmico do paciente, grau de contaminação Paciente instável: Controle de danos = controle de contaminação! Grampear esôfago, se possível. LAVAR e DRENAR! Paciente estável: Se lesão 24h ou presença de contaminação importante: chance da sutura abrir é praticamente 100%. DRENAR,controlar contaminação, excluir o segmento lesado por ostomias (esofagostomia cervical e gastro/jejunostomia). Programar reconstrução após suporte nutricional, geralmente após alguns meses. • ◦ ◦ ◦ • ◦ ▪ ▪ ▪ ◦ ▪ ▪ CIR 94 Cirurgia Geral Trauma Torácico E A TAL DA ‘’TRANSIÇÃO TORACOABDOMINAL’’? Não é porque foi deixado por último que esse assunto é menos importante, muito pelo contrário! Nos últimos anos, as questões a respeito de traumas em região toracoabdominal estão DESPENCANDO nas provas. Ou seja, não pode errar! Primeiramente: quais são os limites da transição toracoabdominal? Anterior - 4º EIC; Lateral - 6º EIC; Posterior - ponta da escápula; Inferior - rebordo costal e xifoide. Legenda: Limites da Transição Toracoabdominal. Fonte: From Legome & Shockley, 2011 • • • • CIR 95 Cirurgia Geral Trauma Torácico Os ferimentos penetrantes nessa região correspondem até 40% das lesões de diafragma, por isso, é importante dominar esse assunto. FAB’s ou FAF’s, na transição toracoabdominal, podem resultar em lesão abdominal, torácica, ou nenhum dos dois. Lesões abdominais em região de transição toracoabdominal podem atingir fígado, baço, estômago e intestino, podendo apresentar sintomas e gerar repercussões hemodinâmicas graves. Em até 10% dos casos, o paciente pode apresentar lesão diafragmática isolada. E, nesses casos, os exames de imagem não ajudarão como gostaríamos (mais uma vez, a tomografia não vê adequadamente o diafragma). Primeiramente, como em qualquer lesão, devemos avaliar se há estabilidade hemodinâmica e começamos sempre com o nosso ABCDE. Caso haja instabilidade hemodinâmica em paciente com ferimento penetrante em região toracoabdominal, existem quatro possibilidades: hemotórax maciço, pneumotórax hipertensivo, tamponamento cardíaco ou hemorragia intra-abdominal. Falaremos mais sobre abdome no próximo capítulo, porém, caso paciente esteja instável hemodinamicamente e com FAST positivo = laparotomia! Agora, caso haja E-FAST (FAST estendido para a região torácica) positivo, mesmo com drenagem torácica, e paciente persistir com instabilidade hemodinâmica, devemos prosseguir com toracotomia. Segue o fluxo: CIR 96 Cirurgia Geral Trauma Torácico Durante a avaliação torácica, devemos descartar hemo/pneumotórax e drenar caso haja algum presente. Devemos descartar necessidade de laparotomia de urgência (fiquem tranquilos, tudo isso será visto no próximo capítulo!). Descartada lesões importantes, e o paciente estando ESTÁVEL HEMODINAMICAMENTE, devemos realizar TC de tórax e abdome (a fim de descartar lesões parenquimatosas e intratorácicas). Contudo, lembrem-se que, após o exame de imagem, devemos realizar LAPAROSCOPIA, para avaliação do diafragma. Principalmente, se for à esquerda, pois do lado direito o fígado “protege” e, na maioria das vezes, podemos adotar condutas conservadoras. CIR 97 Cirurgia Geral Trauma Torácico CONTROLE DE DANOS E CIRURGIA NO TÓRAX Percebam que até agora falamos pouca coisa sobre procedimentos cirúrgicos no tórax. Isso porque, novamente, o dreno resolve a maioria dos casos de trauma torácico. Mas devemos conhecer as indicações de cirurgia, nas quais somente o dreno não é suficiente. CIR 98 Cirurgia Geral Trauma Torácico INDICAÇÕES DE CIRURGIA NO TÓRAX Paciente estável Traumas de esôfago (conforme discutido acima) ou lesões de árvore traqueobrônquica não passíveis de tratamento endoscópico. Pneumotórax aberto (já drenado): reconstrução da parede torácica em centro cirúrgico. Lesão de aorta: preferência para tratamento endovascular. Lesão de diafragma. Paciente estável com ferimento penetrante no tórax: cirurgia será necessária se: Exames (tomografia, EDA, RX contrastado, broncoscopia…) mostrarem lesão. Se vocês estiverem em local sem esses recursos e a suspeita de lesões for alta pelo trajeto do projétil ou faca: é obrigatório explorar cirurgicamente. Caso paciente esteja empalado: retirada sob visão direta no centro cirúrgico. Indicações mais tardias: Hemotórax retido (idealmente evacuação de coágulos por videotoracoscopia). • ◦ ◦ ◦ ◦ ◦ ▪ ▪ ▪ • CIR 99 Cirurgia Geral Trauma Torácico Fixação de costelas (não é consenso na literatura!). Paciente instável Aqui vale lembrar que, com paciente instável, adotaremos a “mentalidade” do controle de danos, estratégia para pacientes muito graves, que não aguentam uma cirurgia prolongada. Seleção dos pacientes: instáveis, in extremis, com diamante da morte; Abordagem cirúrgica abreviada. Os objetivos são os mesmos: controle de sangramento e controle de contaminação; Fechamento temporário do tórax (de forma semelhante ao curativo “sanduíche”); Reanimação em UTI; Abordagem definitiva em segundo momento. Controle de contaminação: Basicamente a única fonte de contaminação no tórax é o esôfago. A via aérea também é contaminada, mas em contexto de controle de danos, não pensaremos nela como fonte de contaminação imediata. Controlar lesão de esôfago (grampear ou fechar cotos se possível), LAVAR E DRENAR. • • • • • • • • CIR 100 Cirurgia Geral Trauma Torácico Pode haver contaminação de fonte abdominal caso haja lesão de diafragma e comunicação entre as cavidades abdominal e torácica. CIR 101 Cirurgia Geral Trauma Torácico Bibliografia AMERICAN COLLEGE OF SURGEONS COMMITTEE ON TRAUMA. Advanced Trauma Life Suport - ATLS, 10a edição MATTOX, Kenneth L. et al. Trauma. Editora: MacGraw – Hill, 7ª edição, 2010 O'Connor JV, Kufera JA, Kerns TJ, et al. Crash and occupant predictors of pulmonary contusion. J Trauma 2009; 66:1091. Raja AS, Mower WR, Nishijima DK, et al. Prevalence and Diagnostic Performance of Isolated and Combined NEXUS Chest CT Decision Criteria. Acad Emerg Med 2016; 23:863. Mangram A, Kozar RA, Gregoric I, et al. Blunt cardiac injuries that require operative intervention: an unsuspected injury. J Trauma 2003; 54:286. Ohrt-Nissen S, Colville-Ebeling B, Kandler K, et al. Indication for resuscitative thoracotomy in thoracic injuries-Adherence to the ATLS guidelines. A forensic autopsy based evaluation. Injury 2016; 47:1019. Balci AE, Eren N, Eren S, Ulkü R. Surgical treatment of post-traumatic tracheobronchial injuries: 14-year experience. Eur J Cardiothorac Surg 2002; 22:984. 1. 2. 3. 4. 5. 6. 7. CIR 102 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/17 https://www.uptodate.com/contents/initial-evaluation-and-management-of-blunt-thoracic-trauma-in-adults/abstract/59