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🏥 Gastrite + HP Morgana R. Duarte- TXI 1) Introdução Termo "gastrite": usado de forma ambígua e confusa por diferentes profissionais e leigos. Leigos e alguns clínicos: utilizam "gastriteˮpara descrever sintomas inespecíficos, hoje classificados como dispepsia funcional ou não ulcerosa. Endoscopistas: usam o termo para descrever alterações macroscópicas (hiperemia, enantema da mucosa), que não necessariamente indicam inflamação verdadeira. Alterações que podem ser causadas por hemorragia subepitelial, dilatação capilar e depleção de mucina. Patologistas: definem gastrite como a presença de inflamação aguda ou crônica da mucosa gástrica, observada ao exame histológico. Micrografia de gastrite. Coloração H&E. Gastrite HP 1 https://pt.wikipedia.org/wiki/Micrografia https://pt.wikipedia.org/wiki/Colora%C3%A7%C3%A3o_H%26E 💡 Contraste importante: mucosa aparentemente normal na endoscopia pode, ao exame histológico, apresentar inflamação extensa. 2) Classificação Gastrite HP 2 A) Gastrites agudas 1- Gastrite aguda por Helicobacter pylori Transmissão e patogênese: transmitido por via oral → a bactéria penetra o muco gástrico e entra em contato íntimo com as células epiteliais. Efeitos no epitélio: depleção de mucina, esfoliação celular e alterações regenerativas sinciciais. Resposta inflamatória inicial H. pylori libera agentes quimiotáticos que penetram o epitélio lesado e induzem a migração de polimorfonucleares para a lâmina própria. Ativação de mastócitos → desgranulação → liberação de substâncias que aumentam a permeabilidade vascular, expressão de moléculas de adesão nos endotélios e favorecem a migração de leucócitos. Gastrite HP 3 Mediadores imunes envolvidos: estímulo da produção de interleucina-8 IL8 pelo epitélio gástrico → potencializada por TNF-a e IL1. Estímulo imune é capaz de eliminar a infecção, exceto em algumas crianças. Evolução da infecção A fase aguda é curta 3 a 4 semanas): aumento progressivo de células inflamatórias crônicas, transição de gastrite aguda neutrofílica para gastrite ativa crônica. A primoinfecção geralmente é assintomática → quando sintomática 37 dias de incubação). Manifestações clínicas 1 a 2 semanas): dor ou mal-estar epigástrico, pirose, náuseas e vômitos, flatulência, sialorreia, halitose, cefaleia, astenia. Achados endocópicos: extremamente variáveis, desde enantema leve até erosões, úlceras ou lesões pseudotumorais. Na maioria dos casos, lesões se concentram no antro, podendo atingir o corpo gástrico. Diagnóstico laboratorial Histologia, teste respiratório com carbono-12 ou carbono-14, cultura, teste rápido da urease e sorologia (pode dar falso-negativo em infecção recente). Gastrite HP 4 Tratamento Realizado com esquemas usuais de erradicação. A hipocloridria pode facilitar a resposta ao tratamento. Às vezes, são necessários vários ciclos de tratamento. Se não tratada, a infecção persistente indefinidamente e leva à gastrite crônica histológica. 2- Gastrite flegmonosa aguda ou supurativa Definição e características gerais: entidade rara, podendo ocorrer inclusive em pacientes pediátricos. Caracteriza-se por: infecção bacteriana da muscularis mucosa e submucosa do estômago, com infiltração de células plasmáticas, linfócitos e polimorfonucleares. Gastrite HP 5 Mucosa gástrica geralmente pouco acometida. Inflamação costuma não ultrapassar o cárdia e o piloro. Etiologia e condições associadas Frequentemente complicação de doenças sistêmicas ou septicemia. Associada a: empiema, meningite e endocardite pneumocócica. Quando causada por germes formadores de gás, denomina-se gastrite enfisematosa. Fatores predisponentes: cirurgia gástrica prévia, hipocloridria, câncer gástrico, úlcera gástrica e gastrite pré-existente. Agentes infecciosos comuns: principalmente GRAM Streptococcus spp. Outros agentes relatados Pneumococcus spp., Staphylococcus spp., Proteus vulgaris, E. coli e Clostridium welchii (associado à formação de gás). Quadro clínico Evolução rápida. Sintomas frequentes: dor epigástrica intensa, náuseas, vômitos purulentos. Em alguns casos: sinais de irritação peritoneal. Leucocitose com desvio à esquerda é quase sempre presente. Amilase sérica geralmente normal. Diagnóstico Radiografia simples de abdome: pode mostrar gás na submucosa gástrica (sugere infecção por Clostridium welchii). Estudo contrastado do estômago: espessamento das pregas gástricas e redução da distensibilidade antral. Biópsia convencional: muitas vezes não é suficiente (mucosa poupada) → necessário material da submucosa gástrica. Diagnóstico frequentemente feito por: laparotomia exploradora ou autópsia (em casos fatais). Tratamento e prognóstico Gastrite HP 6 Inclui ATB de amplo espectro, drenagem cirúrgica ou endoscópica da parede gástrica. Em casos graves: pode ser necessária cirurgia de ressecção gástrica. Prognóstico: altamente letal, mortalidade geral de 67%. 3- Gastrite aguda hemorrágica/ erosiva aguda Também chamada de Lesão Aguda da Mucosa Gastroduodenal LAMGD. Conhecida como úlcera de estresse. Ocorre nas primeiras horas após grandes traumas ou doenças sistêmicas graves. Regiões mais afetadas: estômago proximal (mais comum) e eventualmente o antro gástrico, duodeno e esôfago distal. Características Características histológicas: lesões hemorrágicas puntiformes, alterações da superfície epitelial e edema da mucosa. Complicações clínicas: hemorragia digestiva alta, perda aguda de sangue (embora poucos apresentem instabilidade hemodinâmica). Pacientes críticos UTI estão em alto risco. Patogenia: mecanismos exatos não são totalmente compreendidos, provavelmente relacionados a alterações nos mecanismos de defesa da mucosa gastroduodenal. Dados epidemiológicos e endoscópicos Endoscopias até 72h após: traumatismo cranioencefálico ou queimaduras extensas (anormalidades gástricas 75% Metade dos casos com sinais de sangramento ativo ou recente. Sangramento gastrointestinal visível em 1,58,5% dos pacientes internados e até 15% se sem profilaxia adequada. Tratamento e profilaxia Indicações para profilaxia: pacientes em UTI com ventilação mecânica 48h e presença de pelo menos um fator de risco adicional. Gastrite HP 7 Objetivo do tratamento: reduzir incidência de sangramento visível em pacientes críticos. Opções terapêuticas IBPs (omeprazol, pantoprazol)- reduzem efetivamente a acidez gástrica, antagonistas dos receptores H2 (cimetidina) e antiácidos. B) Gastrites crônicas Formas mais prevalentes e relevantes para o patologista. Classificações anteriores focavam principalmente em aspectos morfológicos (topografia, morfologia, etiologia). Escala analógica visual: introduzida para uniformizar a graduação das lesões, distingue gastrite atrófica de não atrófica. Recomendações para biópsia: pelo menos 5 biópsias (pequena e grande curvatura, duas ou três da região do piloro, incisura angular e grande curvatura proximal). 1- Gastrite crônica associada a Helicobacter pylori Agente etiológico H. pylori está presente em 95% das gastrites crônicas. Coloniza preferencialmente a mucosa gástrica. Evoca resposta imune local e sistêmica, mas raramente é eliminado espontaneamente. Sempre está associada a gastrite histológica. Distribuição e evolução O antro é geralmente a primeira região acometida. Pode evoluir para gastrite do corpo gástrico ou pangastrite (todo o estômago). Padrões de evolução: Gastrite antral: secreção ácida normal ou aumentada, risco aumentado de úlcera duodenal. Gastrite de corpo gástrico: secreção ácida reduzida, destruição da mucosa oxíntica e tendência à metaplasia intestinal e carcinogênese. Gastrite HP 8 Achados histológicos Gastrite crônica superficial Atrofia glandular Metaplasia intestinal → substituição do epitélio gástrico por epitélio do ID ou cólon. Presença de células caliciformes, células absortivas, células de Paneth e células endócrinas. Consequênciase complicações Complicações: úlcera péptica duodenal, carcinoma gástrico tipo intestinal e linfoma gástrico MALT. 💡 Sequência evolutiva típica: infecção por H. pylori Gastrite crônica Atrofia glandular Metaplasia intestinal Câncer gástrico Fatores associados ao câncer gástrico: tanto a metaplasia intestinal quanto a atrofia da mucosa gástrica são fatores de risco. Tratamento Muitos pacientes com dispepsia funcional são tratados para H. pylori, mas com benefício sintomático modesto. Efeitos comprovados da erradicação: Reversão da gastrite ativa. Redução da doença ulcerosa péptica. Prevenção da progressão das lesões atróficas e metaplásicas. Não há evidência consistente da reversão da atrofia ou da metaplasia intestinal. 💡 A erradicação previne câncer apenas em pacientes sem lesões prévias (atróficas e metaplásicas). 2- Gastrite crônica autoimune Gastrite HP 9 Acomete preferencialmente o corpo e o fundo gástricos. Caracteriza-se por: atrofia seletiva das glândulas gástricas (parcial ou completa) e substituição do epitélio gástrico por mucosa tipo intestinal (metaplasia intestinal). Natureza autoimune: presença de anticorpos parietais, anticorpos antifator intrínseco 90% dos pacientes com anemia perniciosa). Associada a outras doenças autoimunes: ex: tireoidite autoimune. Pode ter base genética autossômica: anemia perniciosa é considerada a expressão final da gastrite autoimune. Consequências funcionais Hipocloridria ou acloridria (por destruição de células parietais). Redução da secreção de fator intrínseco (pode levar à deficiência de vitamina B12 e evoluir para anemia perniciosa). Hipergastrinemia (causada pela preservação funcional do antro, estímulo constante das células G. Manifestações clínicas Assintomática do ponto de vista gastrointestinal. Sintomas surgem em caso de anemia perniciosa: hematológicos (anemia megalobástica) e neurológicos (parestesias, alterações cognitivas). Diarreias frequentes podem indicar supercrescimento bacteriano. Maior suscetibilidade a infecções entéricas (devido à acloridria). Diagnóstico Endoscopia: mucosa lisa, brilhante e delgada, vasos da submucosa visíveis. a Realizar biópsias do corpo e do antro para confirmar topografia da lesão. Histologia: método padrão-ouro, mostra atrofia glandular + metaplasia intestinal no corpo gástrico. Exames laboratoriais Gastrite HP 10 a Gastrina sérica elevada: pode estar normal ou baixa se houver atrofia também no antro. b pH gástrico em jejum elevado (indicando acloridria). c Dosagem de pepsinogênios I e II: relação I/II reduzida → marcador de gastrite atrófica do corpo. d Anticorpos circulantes: anti-parietal e anti-fator intrínseco. Tratamento Condição Conduta principal Gastrite autoimune assintomática Não requer tratamento Anemia perniciosa Suplementação de B12 por via parenteral Deficiência de ferro Investigar neoplasias de estômago e cólon antes da reposição Diarreia e infecção entérica Considerar investigação de supercrescimento bacteriano Complicações potenciais Carcinoma gástrico: risco 35x maior em pacientes com anemia perniciosa. Tumores carcinoides gástricos: incidência 29%, com células ECL na microscopia e pólipos pequenos 1 cm), múltiplos, no corpo gástrico, na macroscopia. a Lesões pequenas e assintomáticas: podem ser removidas por endoscopia. b Tumores sintomáticos/avançados: indicação cirúrgica. c Antrectomia: indicada por alguns autores em casos de carcinoides múltiplos para abolir hipergastrinemia. Acompanhamento Sem conseso definitivo. Endoscopia de seguimento: indicada apenas se → lesões suspeitas ou displasia acentuada, história familiar de câncer gástrico ou região com alta prevalência de câncer gástrico. Gastrite HP 11 Displasia acentuada: pode indicar endoscopias anuais com biópsias. 3- Gastrites químicas Substitui termos, como: gastrite reativa, gastrite de refluxo, gastrite tipo C. Inclui casos associados: ao refluxo biliar, ao uso de certas drogas ou sem causa evidentes, mas com aspectos histológicos comuns. Aspectos histológicos comuns: hiperplasia foveolar, edema, vasodilatação, fibrose ocasional e pouca inflamação (componente inflamatório escasso). Gastrite química associada ao refluxo biliar Causa: refluxo enterogástrico (bile e secreções duodenais para o estômago) → mais comum após cirurgias gástricas. Pode ocorrer sem cirurgia gástrica, geralmente associada à colecistectomia. Incidência: incerta, estimativas sugerem até 9% dos pacientes operados. Manifestações clínicas: dor epigástrica (não melhora com antiácidos), vômitos biliosos, perda de peso, anemia (eventualmente por perda oculta nas fezes) e alguns sintomas pós prandiais (distensão abdominal, pirose e eructações pós- prandiais). Diagnóstico: baseado em sintomas + exclusão de outras causas (úlcera pós- operatória, obstrução pilórica, síndrome da alça eferente, síndrome do intestino irritável, doenças biliopancreáticas). Estudo de secreção gástrica: hipo ou acloridria, com baixa resposta à pentagastrina. Dosagem de gastrina sérica pode ser útil: descarta síndrome do antro retido, gastrinoma e hiperplasia de células G. Bilitec 2000: monitora a presença de bile no estômago/esôfago por 24h, melhor método diagnóstico para refluxo biliar (alcalino). Estudo de esvaziamento gástrico com métodos isotópicos pode ser indicado. Tratamento: clínico (geralmente pouco eficaz) → objetivo de reduzir a exposição da mucosa gástrica à bile. Gastrite HP 12 Sequestrantes de sais biliares: colestiramina/colestipol → ligam-se aos sais biliares, resultados insatisfatórios, efeitos adversos: constipação, flatulência, risco de bezoares em vagotomizados com estase gástrica. Outros agentes: antiácidos com alumínio e sucralfato, resultados ruins. Ácido ursodesoxicólico: torna a bile menos tóxicas, poucos estudos controlados. Procinéticos: metoclopramida/domperidona, resultados variáveis, efeito pode ser por melhora da motilidade, não da gastrite. Cirúrgico: indicado em casos refratários com sintomas severos (perda de peso, desnutrição), com objetivo de impedir o refluxo duodenogástrico). 4- Gastrite linfocítica Também chamada de gastrite varioliforme ou gastrite erosiva crônica (em algumas classificações endoscópicas). Caracterização: múltiplas nodulações, erosões centrais com hiperemia ao redor, diâmetro das erosões 0,51 cm), distribuídas em filas sobre pregas gástricas espessadas. Etiologia e mecanismos envolvidos: etiologia ainda desconhecida, hipóteses: mecanismo de hipersensibilidade, resposta imunológica a infecção por H. pylori, manifestações gástricas de doenças intestinais (doença celíaca, espru). Epidemiologia: entidade rara. Manifestações clínicas: maioria assintomática, quando presentes os sintomas são semelhantes à úlcera péptica, hemorragia digestiva alta (manifesta ou oculta) e dispepsia crônica (contínua ou intermitente). Diagnóstico: suspeita endoscópica pelo padrão macroscópico, confirmação histológica → 30 linfócitos intraepiteliais por 100 células epiteliais. Estômago normal: até 7 linfócitos/100 células. Gastrite HP 13 Evolução clínica: história natural variável → alguns se tornam assintomáticos em poucas semanas e outros mantêm sintomas dispépticos crônicos por anos. Tratamento: ainda sem tratamento específico estabelecido, alguns como bloqueadores dos receptores H2, cromoglicato de sódio, corticosteroides. 5- Gastrites granulomatosas não infecciosas Incidência: cerca de 0,3% de todas as gastrites. Definição: gastrites com infiltrado granulomatoso. Granuloma: reações inflamatória localizada e diversos estímulos, muitas vezes de etiologia indefinida. Causas possíveis: corpo estranho (fios de sutura, talco), infecções TB, sífilis, histoplasmose, esquistossomose mansônica), neoplasias (linfomas, carcinomas), doença idiopática (sarcoidose, doença de Crohn, gastrite granulomatosa isolada). Doença de Crohn Acometimento gastroduodenalé raro e geralmente acompanha a forma intestinal. Gastrite HP 14 Casos isolados são muito incomuns. Histologia: granulomas pequenos e escassos. Endoscopia: úlceras aftosas ou serpiginosas (especialmente no antro), mucosa com aspecto de "calçamento de ruaˮ(cobblestone), progressão pode causar afunilamento do antro e afetar o duodeno, fístulas são raras. Sintomas: geralmente ausentes, exceto em: obstrução da via de saída gástrica ou ulceração gástrica/duodenal. Tratamento: semelhante ao tratamento da doença intestinal (exceto formulações pH-dependentes) e em casos de obstrução realizar dilatação com balão ou cirurgia. Sarcoidose Sempre secundária à forma sistêmica da doença. Incidência nas gastrites granulomatosas: de 1 a 21%. Maioria dos casos: assintomática. Diagnóstico: presença de granulomas gástricos múltiplos, associados a sinais sistêmicos (adenomegalias hilares, doença fibronodular pulmonar, lesões ósseas líticas (falanges), anergia cutânea, teste de Kveim (+)). Endoscopia: nodularidade mucosa, lesões polipoides, erosões/ulcerações, rigidez da parede gástrica (simulando linite plástica). Critérios de presunção de sarcoidose gástrica Hipergamaglobulinemia Hipercalciúria Aumento da ECA (enzima conversora de angiotensina) Padrão restritivo em testes de função pulmonar Captação ativa de gálio na cintilografia Tratamento: baseado em corticoterapia, apesar da falta de ensaios clínicos → prednisona 2040 mg/dia, com desmame progressivo, duração variável conforme resposta clínica. Alternativa para refratários: metotrexato, azatioprina, clorambucil, infliximabe ou ciclosporina. Gastrite HP 15 6- Gastrite eosinofílica Subtipo de gastroenterite eosinofílica (condição rara). Caracteriza-se por infiltrado eosinofílico denso na parede do estômago e do intestino delgado. Etiologia: desconhecida, mas associada a alergias (atopia em 50% dos casos: urticária, asma, rinite), alimentos e parasitas. Formas de apresentação Forma mucosa (mais comum): acomete principalmente o antro gástrico. a Endoscopia: pregas espessadas, nodulações, úlceras e pólipos gástricos com eosinófilos e linfócitos. b Sintomas: náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal e perda de peso. Forma muscular: infiltra a camada muscular da parede gástrica, diagnóstico difícil com biópsia convencional, requer biópsias de espessura total. a Radiologia/endoscopia: estreitamento e rigidez antral, mucosa aparentemente normal. Forma serosa (mais rara): ascite eosinofilica como principal manifestação 1295% de eosinófilos no líquido. a Alergia alimentar pode estar presente, mas difícil de documentar. Diagnóstico Histologia: aumento de eosinófilos na parede gástrica, infiltração de eosinófilos nas glândulas gástricas, ausência de comprometimento de outros órgãos. Excluir outras causas de eosinofilia. Eosinofilia periférica: ausente em até 20% dos casos, quando presente 5 35% dos leucócitos. Outros achados laboratoriais: anemia ferropriva, hipoalbuminemia, hipogamaglobulinemia (por perda proteica intestinal). Investigação de alergias alimentares: exclusão de alimentos suspeitos, avaliação com imunoalergologista e testes cutâneos. Gastrite HP 16 Tratamento Primeira escolha: prednisona 2040 mg/dia) com desmame progressivo → eficaz para induzir e manter remissão prolongada. Outras opções: cromoglicato de sódio, anti-histamínicos, antiespasmóticos, cetotifeno (bloqueador H1 que pode ser uma alternativa aos corticoesteroides). Cirurgia: indicada em complicações (perfuração, estenose pilórica, doença refratária ao tratamento clínico). C) Outras gastrites infecciosas (exceto por H. pylori) Panorama geral: raras, aumentaram com a maior prevalência de AIDS e pacientes imunossuprimidos (quimioterapia, transplantes). Agentes: bactérias (não-H. pylori), vírus, fungos, parasitas. Tuberculose gástrica: rara, local mais acometido: antro gástrico. a Fatores que dificultam infecção gástrica: pH ácidos, curta permanência no estômago e ausência de folículos linfoides. b Diagnóstico: granulomas com necrose caseosa, bacilos álcool-ácido resistentes (em biópsias ou cirurgia), bacilo visível 20% dos casos → muitas vezes sugerida pela presença de TB em outros órgãos, mais comum em pacientes com AIDS. c Tratamento: esquema clássico antituberculoso, cirurgia apenas se houver obstrução gástrica. Sífilis gástrica: muito rara 1% dos casos de sífilis), pode surgir na sífilis primária (espiroquetemia) e secundária precoce, mas quase sempre assintomática. Gastrite HP 17 a Doença gástrica significativa: apenas em sífilis secundária tardia ou terciária. b Pode mimetizar: linite plástica, carcinoma gástrico ou linfoma. c Possíveis deformações: estômago em ampulheta, estenoses no antro (podendo atingir o duodeno). d Diagnóstico: biópsia com técnica de prata, imunofluorescência, campo escuro. e Tratamento: penicilina, melhora nos quadros precoces, eficácia incerta em quadros terciários. i AIDS: alta sensibilidade do treponema mantida, mas pode exigir tratamento mais prolongado. Citomegalovírus CMV: mais comum em imunossuprimidos AIDS, transplantados), pode surgir por reativação ou nova infecção (transfusão ou transplante). a Acometimento gastrointestinal superior é raro, mas frequentemente associado a infecção sistêmica. b Sintomas: náuseas, distensão abdominal, plenitude epigástrica pós- prandial, vômitos, disfagia. c Endoscopia: mucosa nodular, irregular, erosões e ulcerações. d Diagnóstico: sorologia (soroconversão ou IgM elevadas) e biópsia gástrica → células grandes com inclusões “olhos de corujaˮ (intranucleares com halo). e Tratamento: ganciclovir, foscarnet, valganciclovir. i Possíveis efeitos adversos: leucopenia, trombocitopenia, alterações hepáticas e do SNC. Gastropatia hipertrófica/ Doença de Ménétrier: também chamada de gastrite crônica hipertrófica, gastrite de pregas gigantes e gastropatia hipertrófica hipersecretora → entidade rara e específica, de etiologia obscura. a Tríade clássica: pregas gigantes no corpo e fundo gástricos + hipoalbuminemia (gastropatia perdedora de proteínas) + hiperplasia foveolar e atrofia glandular. Gastrite HP 18 i Variante hipersecretora: exige diferenciação com Sd. de Zollinger- Ellison. ii Associada ao H. pylori em alguns casos. iii Mais comum em homens 50 anos. b Quadro clínico: sintomas inespecíficos → mal-estar epigástrico, diarreia, perda de peso, edema (pela hipoalbuminemia), risco aumentado de eventos tromboembólicos. c Diagnóstico i Endoscopia/ radiologia: pregas rígidas 1 cm (especialmente fundo e corpo), não colapsam com ar, pode haver hiperemia, edema, friabilidade, erosões, úlceras. ii Histologia: hiperplasia foveolar, dilatação cistica, atrofia glandular. iii Função gástrica: hipocloridria (ácido gástrico 10 mmol/h pós- pentagastrina). iv Gastrinemia: normal (alta apenas na Zollinger-Ellison). v Perda proteica: pode ser medida com albumina marcada com Cr51 nas fezes. vi Ecoendoscopia: espessamento seletivo da mucosa/ submucosa. vii Diagnóstico diferencial: carcinoma infiltrativo, linfoma, amiloidose, Zollinger-Ellison, doenças granulomatosas. d Tratamento: se assintomático apenas dieta hipercalórica e hiperproteica. i Drogas (eficácia incerta): anti-H2, anticolinérgicos, ácido tranexâmico, prednisolona. ii Cirurgia: rara, indicada em → hipoproteinemia grave, sangramentos persistentes, obstrução pilórica, suspeita ou presença de câncer gástrico. Gastrite HP 19