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NJ Gastroenterologia Gastrites e gastropatias Conceito • Gastrite: lesão celular, processo regenerativo e infiltração inflamatória, associado a folículos linfoides hiperplasiados, invasão da mucosa ✦ Ex. H. Pylori • Gastropatia= injúria e regeneração epitelial, edema e vasodilatação não acompanhado de infiltrado linfocitário ✦ Ex. AINES Cla!ificação endoscópica das gastrites • Topografia: ✦ Pangastrite ✦ Gastrite de corpo ✦ Gastrite de antro • Categoria: ✦ Enatematosa ✦ Erosiva plana ✦ Erosiva elevada ✦ Atrófica ✦ Hemorrágica ✦ Refluxo ✦ Pregas ✦ Mucosas hiperplásicas • Grau de intensidade: ✦ Leve ✦ Moderada ✦ Severa 1 NJ Gastroenterologia Fisiopatologia 1. Mucosa normal sofre um dano ( fator genético ou lesão) 2. Se transforma em gastrite crônica 3. Gastrite atrófica 4. Metaplasia intestinal 5. Displasia 6. Câncer gástrico (intestinal) • Se tiver fator genético, pode evoluir diretamente da mucosa normal para o câncer gástrico (Difuso) Por H. Pylori 1. Mucosa normal sofre um dano ( fator genético ou lesão) 2. Se transforma em gastrite crônica 3. Gastrite atrófica 4. Defeitos genéticos e epigenéticas 5. Metaplasia intestinal 6. Sal, nitrosamidas pouca vitamina C 7. Displasia 8. Câncer gástrico (intestinal) Termos descritivos • Edema: Gastrite edematosa • Enatema: vermelhidão, "eritema da mucosa” • Friabilidade: facilidade da mucosa sangrar com facilidade • Exsudato: secreção branca aderida a mucosa, característico da H. Pylori • Erosão: perda de solução de continuidade da mucosa • Erosão plana: bem rasa, superficial, rente a mucosa • Erosão elevada: áreas elevadas, parece lesão polipóide, porém tem uma depressão central • Limiar entre erosão e úlcera são os milímetros de profundidade • Nodosidade: intensa hiperplasia dos folículos linfoides, típico de H. Pylori • Áreas de hemorragia intramural: uso de AINES, pequenas micro erosões puntiformes com saídas de secreção sanguinolenta Cla!ificação etiológica • Gastrite crônica • Gastrites infecciosas • Gastrites granulomatosas • Gastrites distintas • Gastropatias química e reativa • Gastropatias hiperplásicas Gastrite crônica • A maioria são desencadeadas pelo H. Pylori • Pangrastrite benigna: ✦ Mais frequente ✦ Maioria assintomática ~85% • Gastrite antral: ✦ Localizada só na região final do estômago ✦ Altos níveis de gastrina 2 NJ Gastroenterologia ✦ Alto infiltrado inflamatório ✦ Alta secreção de ácido ✦ Ulcera duodenal ~15% ✦ Enfraquecimento da proteção da mucosa pela intensa inflamação ✦ Sintomática ✦ Úlcera duodenal • Gastrite do corpo: ✦ Adenocarcinoma gástrico ~1% ✦ Baixa secreção de ácido ✦ Muito infiltrado inflamatório ✦ Atrofia que leva a ulcera gástrica e câncer gástrico 1. Gastrite por H. Pylori • Infecção adquirida na infância • A cada 10 brasileiros 7/8 são infectados, porém 85% são assintomáticos • Via de contaminação: fecal oral • Maioria assintomático • EDA inespecífica • Bx= infiltrado de neutrófilos e aumento das celulas inflamatórias da lâmina própria e folículos linfoides • Risco de ulceras, pólipos e neoplasias • Tratamento= IBP e antibióticos 2 .Gastrite atrófica metaplásica ambiental • Completa - tipo 1: (epitélio colônico) • Incompleta tipo - IIa, IIb, III: (epitélio de intestino delgado, maior risco de adenocarcinoma) • Acometimento do antro e do corpo • H. Pylori + em 85% • Fatores genéticos e ambientais • Fatores de risco para displasia e câncer gástrico • Tratamento = antibióticos para HP • Pacientes mais idosos 3. Gastrite atrófica metaplásica autoimune • Destruição autoimune de glândulas do corpo e do fundo do estômago • <5% dos casos • Anticorpos contra celulas parietais e fator intrínseco • Associação com outras doenças autoimunes • Deficiência de vitamina B12 e anemia perniciosa • H. Pylori cagA+/vacA+ • EDA • Risco de desenvolver tumor carcinóide • Risco para adenocarcinoma 3-18x • Não há tratamento específico ( tratar algum fator associado e acompanhamento) • Pacientes mais jovens 3 NJ Gastroenterologia Gastrites infecciosas • Comum em pacientes imunossuprimidos • Agentes causadores: ✦ Citomegalovírus (CMV) - inclusão citomegálica, vírus no centro da célula, afetam mais esôfago ✦ Herpes simples e varicela zoster - predileção maior pelo esôfago ✦ Gastrite flegmonosa (grave, necrotizante, S. aureus, pacientes sépticos, com ascite) e enfisematosa ✦ Micobactérias ✦ Sifilis ✦ Candidíase( placas brancacentas, aderidas a mucosa, diabéticos, corticoide, idosos), histoplasmose e aspergilose ✦ Criptosporidiose (HIV), estrongiloidíase e ascaridíase Gastrites granulomatosas • Granulomas não caseosos transmurais • Espessamento da parede e estreitamento da luz • Quadro de distensão e vômitos • Acomete mais o antro • Crohn e sarcoidose (componente genético e autoimune associado) • Tratamento = corticoide e cirurgia ( casos que não respondem) • Gastrites mais raras Gastrites distintas 1. Gastrite linfocítica: • Com infiltrado linfocitário, hiperplasia linfocítica na biópsia. • Associada a doença celíaca, doenca de Menetrier, colite colagenose • Sintomas e EDA inespecíficos • Gastrite varioliforme - variante ✦ Corpo e fundo ✦ Pustulosas, como uma conta de rosário, com uma depressão central ✦ Bx= > LIE/100cel ✦ Tratamento: Misoprostol 2. Gastrite eosinofílica: ✦ Sintomas parecidos com a linfocítica ✦ Intenso infiltrado de eosinófilos ✦ Alergia e eosinofilia periférica ✦ EDA = edema, enantema, espessamento da mucosa, úlcera, quadros obstrutivos, estreitamento da luz ✦ Má absorção e enteropatia perdedora de proteínas, déficit de crescimento, diarréia crônica ✦ Tratamento = corticoide ✦ Mucosa ingurgitada, estreitamento da luz ✦ Mais comum do que a linfocítica, frequente em pediátricos 4 NJ Gastroenterologia Gastropatias química e reativa • Gastropatia aguda hemorrágica ✦ Causas: ‣ AINES ‣ Álcool, cocaína, KCL, flúor, quimioterápicos, bifosfonatos ‣ Estresse - politraumatizados, ventilação mecânica em dieta zero, grandes cirurgias ‣ Predomínio em antro e duodeno ‣ Lesão aguda de mucosa gástrica (LAMG) - microerosões ‣ Tratamento: suspender a medicação + IBP • Gastropatia biliar: ✦ Refluxo do conteúdo bilioso ✦ Causas: Esfíncter pilórico incompetente ou pós operatório de reconstrução do transito ✦ Dor epigástrica, vômitos biliosos e perda de peso ✦ Risco para metaplasia e atrofia gástrica ✦ Exudato amarelo esverdeado aderido a mucosa, bilioso ✦ Não ha tratamento eficaz ‣ IBP, sulcralfato (faz uma barreira de gel, ajudando a diminuir as lesões pela bile) ‣ Mecanismo fisiopatológico é contrario • Gastropatia hipertensiva portal: ✦ Hipertensão porta leva ao aumento do fluxo sanguíneo no território porta, essa resistência leva ao aumento da pressão da circulação colateral —> veia porta dilatada, o aumento da pressão aumenta nos colaterais (V. Esplênica, V. Gástricas, V. Mesentéricas) —> aumento da V. Gástrica esquerda —> ingurgitamento da mucosa do estômago ✦ Hepatopatias crônicas 50% ‣ Ex. Cirrose ✦ Bx= congestão vascular com dilatação e tortuosidade das veias submucosa, fibrose perivascular ✦ Ingurgitamento dos vasos da submucosa do estômago (forma de mosaico, snake skin) ✦ Lesões em fava de mel ( vergões vermelhos, áreas pontilhadas) ✦ Pode ocorrer em outros pacientes além dos cirróticos como: disfunção renal, doenças reumatológicas ( esclerodermia), doença celíaca ✦ Tratamento= beta-bloqueador ( propanolol ou caverdilol) • Ectasia vascular antral (GAVE) ✦ Pode ocorrer em paciente com esclerodermia, doença celíaca ✦ São dilataçõesda mucosa ✦ Não somente em cirróticos 5 NJ Gastroenterologia ✦ Watermelon stomach - estrias vasculares dispostas como melancia convergindo na região pilórica Gastropatias hiperplásicas • Doença de Ménétrier • Extremamente raros • Pregas gigantes no corpo e fundo + hipoalbuminemia + hiperplasia foveolar • Etiologia desconhecida - H. Pylori e CMV • Associação com síndrome de Zollinger Ellison • Pólipos hiperplásicos - maior risco de transformação neoplásica • ‘Tratamento = antisecretores (IBP) + corticoides e cirurgia de ressecção dos pólipos 6 NJ Gastroenterologia Dispepsia funcional Definição • Dispepsia: “ má digestão” • Dor ou desconforto no andar superior do abdome, sem relação com esforço físico, com apresentação intermitente ou continua e duração mínima de 4 semanas Epidemiologia • 20-40% da população refere alguma queixa dispéptica • Causa de 40-60% das consultas em gastroenterologia • Mais comum no sexo feminino ( problemas psiquiátricos mais presentes do que os homens) • Grave problema de saúde pública - abstenção do trabalho • Consenso ROMA IV-2016 Cla!ificação ROMA IV • Critérios diagnósticos: 1. Queixas dispépticas durante últimos três meses e que se iniciaram, no mínimo, seis meses antes 2. É fundamental a presença de um ou mais dos sintomas: a) empachamento pós-prandial, b) saciedade precoce, c) dor epigástrico, d) queimação epigástrico 3. É fundamental a ausência de lesões estruturais: incluindo a realização de endoscopia digestiva alta que possam justificar os sintomas 1. Síndrome de desconforto pós-prandial • Sensação de plenitude com refeições regulares ou pequenas • Saciedade precoce • Náuseas pó-prandiais • Eructasses excessivas 2. Síndrome da dor epigástrica • Dor ou queimação epigástrico • Dor intermitente • Dor não é generalizada ou localizada em outra região do abdome • Não alivia com a eliminação de gases ou a defecação • Sem desordens da vesícula ou esfíncter de Oddi 7 NJ Gastroenterologia Causas • Digestivas pépticas: ✦ Dispepsia funcional ✦ Doença do refluxo gastro-esofágico • Digestivas não pépticas ✦ Gastropatias especificas ‣ ex. tuberculose, CMV, sarcoidose, doença de Crohn ✦ Neoplasias ‣ ex. gástrica, pancreática, de cólon ✦ Síndrome de má absorção ‣ Ex. Doença celíaca ✦ Colelitiase • Não digestivas: ✦ Doenças metabólicas ‣ Ex. diabetes, doenças da tireoide, hiperparatireoidismo, distúrbios eletrolíticas ✦ Doença coronariana ✦ Colagenoses ✦ Medicamentos ‣ AINES, ATB, xantinas, alendronato ✦ Doenças psiquiátricas Fisiopatologia • Hipersensibilidade visceral • Alteração da motilidade gástrica • Disfunção do eixo cérebro-tubo digestivo ( associação clinica com DRGE e SII) • Esvaziamento gástrico lento + hipomotilidade antral + relaxamento inadequado do fundo • Fatores psicossociais • Dieta -> Secreção acida -> inflamação da mucosa Avaliação clínica e propedêutica • Anamnese e exame fisico • Boa relação medico-paciente • Abordagem empírica X endoscopia precoce • Excluir parasitoses • Exames laboratoriais ✦ hemograma, VHS, glicemia, função tireoidiano ✦ Sumario de urina, sangue oculto nas fies • Testar H. Pylori (NNT=14) • Ultrassonografia e ressonância de abdome • Testes de esvaziamento gástrico • Endoscopia digestiva alta: ✦ Idade > 45 anos ✦ Mudança brusca dos sintomas ✦ História familiar de câncer gástrico ✦ Persistência dos sintomas após a terapia empírica ✦ Sinais de alarme: ‣ Perda de peso ‣ Vômitos persistentes ‣ Odinofagia e disfagia progressivas ‣ Hematêmese, ‣ Melena ‣ Massa abdominal palpável ‣ Icterícia ‣ Anemia ferropênica ‣ História familiar de cancro do TGI ‣ História prévia de cancro gástrico 8 NJ Gastroenterologia Tratamento • Mudança de estilo de vida • Evitar alimentos gordurosos, açúcares refinados, bebidas gaseificadas, café, álcool e fumo • Fracionamento das dietas • Psicoterápicas • Medicamentos - melhora 60% • Antiácidos hidróxido de magnésio e alumínio Síndrome da dor epigástrico: • Bloqueadores H2 (4-8 semanas) ✦ Cimetidina, famotidina e ranitidina • Inibidores da bomba de prótons (4-8 semanas) ✦ Omeprazol, Lanzoprazol, rabeprazol e esomeprazol Síndrome da angústia pós-prandial: • Procinéticos ✦ Metoclopramida, Bromoprida, Domperidona • Drogas antidepressivas e ansiolíticas (4-12 meses) ✦ Inibidores de recaptação de serotonina ✦ Antidepressivos tricíclicos • Novos fármacos ✦ Agonistas 5HT1 e 5HT4, análogos da somatostatina Tratamento H. Pylori: . IBP em dose padrão + amoxicilina 1g + claritromicina 500mg 2x ao dia - 14 dias 9 Gastrites e gastropatias Dispepsia funcional