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Exames laboratoriais básicos 2.1. Hemograma completo ● Nome do exame: Hemograma completo ● Categoria: Laboratorial básico ● O que avalia: ○ Série vermelha (eritrócitos, Hb, Ht, VCM, HCM, CHCM, RDW) ○ Série branca (leucócitos totais + diferencial: neutrófilos, linfócitos, monócitos, eosinófilos, basófilos) ○ Plaquetas ● Pergunta clínica que responde: ○ Há anemia? Qual o provável tipo/morfologia? ○ Há leucocitose / leucopenia? Sugere infecção, inflamação, doença hematológica? ○ Como está a plaqueta (risco de sangramento / trombose)? ● Principais indicações: ○ Quadro infeccioso (febre, mal-estar, foco de infecção) ○ Anemia (fadiga, palidez, sangramentos, doenças crônicas) ○ Sangramentos, púrpuras, pós-operatório ○ Avaliação de rotina em pacientes com comorbidades ● Como costuma vir alterado: ○ Infecção bacteriana aguda: leucocitose com neutrofilia e desvio à esquerda ○ Infecção viral: leucócitos normais ou leucopenia, linfocitose relativa ○ Anemia ferropriva: Hb baixa, VCM baixo, HCM baixo, RDW aumentado ○ Anemia megaloblástica: VCM alto ○ Doenças crônicas / renais: anemia normocítica normocrômica ○ Plaquetopenia: risco de sangramento, investigar causa (medicamentos, infecciosa, autoimune, medular etc.) ● Limitações / armadilhas: ○ Hemograma não define etiologia sozinho; SEMPRE precisa de contexto clínico. ○ Pequenas alterações isoladas podem ser transitórias. ○ Contagem pode ser afetada por hidratação, gestação, altitude, laboratório. ● Exemplo de uso: ○ Paciente com febre, tosse e expectoração → hemograma com leucocitose + neutrofilia apoia hipótese de pneumonia bacteriana. ○ Paciente com cansaço crônico e menstruações abundantes → Hb baixa, VCM baixo → anemia ferropriva provável. 2.2. Ureia e creatinina ● Nome do exame: Ureia sérica e creatinina sérica ● Categoria: Laboratorial básico – função renal ● O que avalia: ○ Creatinina: produto do metabolismo muscular, depurado pelos rins → estimativa da taxa de filtração glomerular (TFG). ○ Ureia: produto do metabolismo proteico, influenciado por dieta, catabolismo, hidratação, sangramento digestivo. ● Pergunta clínica que responde: ○ Como está a função renal global? ○ Há injúria renal aguda ou doença renal crônica? ● Principais indicações: ○ Avaliação pré-operatória ○ Monitorização em paciente séptico, desidratado, com uso de drogas nefrotóxicas ○ Pacientes com DM, HAS, DRC, IC ● Como costumam vir alteradas: ○ Insuficiência renal aguda ou crônica: creatinina elevada; ureia geralmente elevada também. ○ Desidratação / hipovolemia: ureia pode subir de forma mais acentuada que creatinina. ○ Doença hepática grave: ureia pode diminuir (fígado não produz adequadamente). ● Limitações / armadilhas: ○ Creatinina depende de massa muscular (idosos frágeis podem ter creatinina “normal” com TFG ruim). ○ Ureia sofre interferência de dieta proteica, sangramento digestivo, corticoide. ○ O ideal é calcular TFG estimada (CKD-EPI etc.), mas isso nem sempre é feito na rotina de prova. ● Exemplo de uso: ○ Paciente com vômitos intensos e diarreia → creatinina e ureia elevadas sugerem injúria renal pré-renal por desidratação. ○ Paciente com cirrose + creatinina subindo → suspeitar de piora de função renal, pensar em síndrome hepatorrenal. 2.3. Sódio e potássio séricos ● Nome: Sódio (Na⁺) e potássio (K⁺) séricos ● Categoria: Eletrólitos / função renal ● O que avaliam: ○ Sódio: principal cátion extracelular, relacionado ao estado de água corporal e osmolaridade. ○ Potássio: principal cátion intracelular, crucial para excitabilidade cardíaca e neuromuscular. ● Pergunta clínica: ○ Há distúrbio hidroeletrolítico grave que explique alteração de consciência, convulsões, arritmias? ● Principais indicações: ○ Pacientes em uso de diuréticos, IECA, BRA, espironolactona ○ Insuficiência renal, IC, cirrose, sepse ○ Sintomas como fraqueza, confusão, arritmia, convulsão ● Como costumam vir alterados: ○ Hiponatremia: pode cursar com cefaleia, náusea, convulsão (especialmente se queda rápida). ○ Hipernatremia: geralmente associada à desidratação importante. ○ Hipopotassemia: fraqueza, arritmias, uso de diurético tiazídico/de alça. ○ Hiperpotassemia: risco de arritmias graves, comum em DRC, uso de IECA/BRA, espironolactona. ● Limitações / armadilhas: ○ Pseudo-hipercalemia por hemólise da amostra. ○ Valores “limítrofes” devem ser sempre correlacionados com ECG (no potássio). ● Exemplo de uso: ○ Paciente com IC em uso de furosemida + espironolactona → monitorar Na⁺ e K⁺ periodicamente. ○ Paciente renal crônico com K⁺ 6,5 mEq/L → risco arrítmico, conduta urgente. 2.4. Glicemia de jejum e HbA1c ● Nome: Glicemia de jejum, hemoglobina glicada (HbA1c) ● Categoria: Metabolismo glicídico / endocrinologia ● O que avaliam: ○ Glicemia de jejum: valor pontual da glicose após jejum. ○ HbA1c: média da glicemia nos últimos ~3 meses (vida média da hemácia). ● Pergunta clínica: ○ Há diabetes mellitus, pré-diabetes ou controle inadequado do DM? ● Principais indicações: ○ Rastreio de DM em pacientes com fatores de risco (obesidade, HAS, história familiar). ○ Avaliação de controle glicêmico em diabéticos. ● Como costumam vir alteradas: ○ DM: glicemia de jejum ≥ 126 mg/dL em duas ocasiões, ou HbA1c ≥ 6,5% (de acordo com diretrizes). ○ Pré-diabetes: glicemia de jejum entre 100–125 mg/dL, HbA1c entre 5,7–6,4%. ● Limitações / armadilhas: ○ HbA1c pode ser alterada em anemias, hemoglobinopatias, gestação. ○ Situações agudas (infecção, corticoide) podem elevar glicemia sem ser DM crônico. ● Exemplo de uso: ○ Mulher de 43 anos com glicemia 119 mg/dL em consulta de rotina → pensar em pré-diabetes e seguir diretrizes (como você já viu nas questões). 2.5. TGO (AST) e TGP (ALT) ● Nome: TGO/AST (aspartato aminotransferase), TGP/ALT (alanina aminotransferase) ● Categoria: Enzimas hepáticas – lesão hepatocelular ● O que avaliam: ○ Enzimas intracelulares presentes em hepatócitos (e em outros tecidos no caso da TGO). ○ Aumentam quando há lesão de membrana celular e extravasamento enzimático. ● Pergunta clínica: ○ Há lesão hepatocelular significativa? ● Principais indicações: ○ Suspeita de hepatite aguda (viral, alcoólica, medicamentosa) ○ Rastreamento/seguimento de hepatopatias crônicas (MASLD/esteatose, hepatite crônica viral, autoimune etc.) ○ Uso de fármacos hepatotóxicos (estatinas, alguns antituberculosos, anticonvulsivantes, etc.) ● Como costumam vir alteradas: ○ Hepatites agudas: TGO/TGP bem elevadas (podem passar de 10x o limite superior). ○ Doença hepática alcoólica: TGO/TGP aumentadas com relação TGO/TGP > 2 muitas vezes. ○ Esteatose / MASLD: elevações leves a moderadas. ● Limitações / armadilhas: ○ TGO não é exclusiva do fígado (musculatura, coração). ○ Em cirrose avançada, TGO/TGP podem estar pouco elevadas ou quase normais, apesar de fígado bem comprometido. ● Exemplo de uso: ○ Paciente com dor em hipocôndrio direito + icterícia discreta → transaminases elevadas → compatível com padrão de lesão hepatocelular, integrar com FA, GGT, bilirrubina. 2.6. FA (fosfatase alcalina) e GGT ● Nome: Fosfatase alcalina (FA), gama-glutamiltransferase (GGT) ● Categoria: Marcadores de colestase ● O que avaliam: ○ Enzimas associadas a epitélio biliar e canalículos. ○ Elevam-se especialmente quando há colestase (intra ou extra-hepática). ● Pergunta clínica: ○ O padrão de alteração hepática é colestático? ● Principais indicações: ○ Icterícia com suspeita de obstrução biliar (coledocolitíase, neoplasia, estenose). ○ Diferenciar padrão hepatocelular x colestático. ● Como costumamvir alteradas: ○ Colestase: FA e GGT elevadas (muitas vezes mais que TGO/TGP). ○ Elevação isolada de GGT também pode aparecer em uso de álcool e algumas drogas. ● Limitações / armadilhas: ○ FA também está em osso (por isso gestantes, crianças em crescimento e doenças ósseas elevam FA). ○ Interpretação isolada de GGT é difícil; geralmente avalia-se em conjunto com outras enzimas. ● Exemplo de uso: ○ Paciente com icterícia + prurido + colúria + alvo de coledocolitíase → padrão colestático (FA, GGT, bilirrubina direta) + USG de abdome. 2.7. Bilirrubinas (total, direta, indireta) ● Nome: Bilirrubina total, direta (conjugada) e indireta (não conjugada) ● Categoria: Metabolismo hepático / icterícia ● O que avaliam: ○ Produtos da degradação da hemoglobina e seu metabolismo hepático. ○ Indireta: antes da conjugação no fígado. ○ Direta: após conjugação, pronta para excreção na bile. ● Pergunta clínica: ○ A icterícia é pré-hepática (hemolítica), hepática ou pós-hepática (obstrutiva)? ● Principais indicações: ○ Avaliação de icterícia em adultos e neonatos. ○ Avaliação de função e fluxo biliar. ● Como costumam vir alteradas: ○ Predomínio de indireta: hemólise, icterícia fisiológica do RN, síndrome de Gilbert. ○ Predomínio de direta: colestase / obstrução biliar, hepatite colestática. ● Limitações / armadilhas: ○ Em hepatopatias mistas, padrão pode ser misto (direta e indireta elevadas). ○ Em RN, interpretação tem particularidades (risco de kernicterus etc.). ● Exemplo de uso: ○ Adulto com icterícia + prurido + bilirrubina direta elevada + FA/GGT elevadas → padrão colestático, pensar em obstrução. 2.8. Albumina sérica ● Nome: Albumina sérica ● Categoria: Marcador de função de síntese hepática / estado nutricional ● O que avalia: ○ Principal proteína plasmática, produzida pelo fígado. ○ Relacionada à pressão oncótica plasmática e transporte de várias substâncias. ● Pergunta clínica: ○ O fígado está conseguindo sintetizar proteínas adequadamente? ○ Há risco de edema/ascite por queda da pressão oncótica? ● Principais indicações: ○ Cirrose, hepatopatias crônicas ○ Desnutrição, síndrome nefrótica, estados catabólicos ● Como costuma vir alterada: ○ Baixa na cirrose avançada: perda de função sintética hepática. ○ Baixa na síndrome nefrótica: perda urinária de proteínas. ● Limitações / armadilhas: ○ Não cai rapidamente em doenças agudas (meia-vida longa) → melhor para crônicas. ○ Valores baixos podem ser multifatoriais (fígado, rim, nutrição). ● Exemplo de uso: ○ Paciente com cirrose + hipoalbuminemia + ascite → baixa pressão oncótica favorece extravasamento de líquido para cavidade peritoneal (como você perguntou ontem). 2.9. TAP/INR ● Nome: Tempo de Atividade de Protrombina (TAP) / INR ● Categoria: Coagulação / função de síntese hepática ● O que avalia: ○ Via extrínseca da coagulação, dependente de fatores produzidos no fígado (II, VII, IX, X). ○ INR padroniza o TAP. ● Pergunta clínica: ○ Há déficit de síntese de fatores de coagulação (fígado, deficiência de vitamina K)? ○ O paciente está sob efeito adequado de anticoagulação com varfarina? ● Principais indicações: ○ Avaliar função hepática em cirrose/hepatite grave. ○ Monitorar varfarina. ○ Avaliar risco hemorrágico pré-operatório. ● Como costuma vir alterado: ○ INR elevado na cirrose avançada: pior prognóstico (Child-Pugh, MELD). ○ INR aumentado na varfarina: esperado, mas não pode passar demais. ● Limitações / armadilhas: ○ Depende de vitamina K (deficiência por colestase, uso de certos antibióticos). ○ Hipoalbuminemia e outros fatores também afetam risco de sangramento. 2.10. PCR e VHS ● Nome: Proteína C reativa (PCR), velocidade de hemossedimentação (VHS) ● Categoria: Marcadores inflamatórios ● O que avaliam: ○ PCR: proteína de fase aguda produzida pelo fígado, sobe rápido em inflamação aguda. ○ VHS: medida indireta, sobe mais lentamente. ● Pergunta clínica: ○ Há inflamação sistêmica importante? ○ O quadro está melhorando com o tratamento? ● Principais indicações: ○ Infecções agudas (pneumonia, pielonefrite, sepse). ○ Doenças inflamatórias crônicas (reumatológicas). ● Limitações / armadilhas: ○ Não diferencia causa (bacteriana, viral, autoimune). ○ Pode estar alta em várias condições (obesidade, neoplasia etc.). 2.11. EAS (urina tipo I) e urocultura ● Nome: EAS (urina tipo I), urocultura com antibiograma ● Categoria: Função urinária / infecção urinária ● O que avaliam: ○ EAS: aspecto geral da urina (densidade, pH, glicose, proteínas, leucócitos, nitrito, hemácias, cilindros, cristais). ○ Urocultura: crescimento de bactérias e sensibilidade a antibióticos. ● Pergunta clínica: ○ Há infecção urinária? Há proteinúria, hematuria, cilindros? ● Principais indicações: ○ Sintomas urinários (disúria, polaciúria, urgência). ○ Rastreamento de proteinúria em nefropatia. 2.12. Gasometria arterial (ápice) ● Nome: Gasometria arterial ● Categoria: Avaliação respiratória e metabólica ● O que avalia (resumindo): ○ pH, PaO₂, PaCO₂, HCO₃⁻, BE, lactato. ● Pergunta clínica: ○ Há insuficiência respiratória, acidose/alcalose metabólica ou respiratória? ● Principais indicações: ○ Dispneia moderada/grave, rebaixamento de nível de consciência, sepse, choque.