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Reumatologi� - �ame� Laboratoriai�: Reagentes de Fase Aguda: - A inflamação compreende uma série complexa e altamente variável de processos que representam o dano tissular causado por injúria ou infecção. - Os exames laboratoriais mais comumente usados pelos clínicos para saber a extensão da inflamação são aqueles que medem as reações de fase aguda. - Por definição, proteína de fase aguda é aquela cuja concentração aumenta ou diminui em resposta ao estímulo inflamatório. - Essas proteínas são sintetizadas pelo fígado em resposta às citocinas indutoras de inflamação e podem aumentar a concentração plasmática em pelo menos 25% em relação à concentração basal, durante o processo inflamatório. - Os níveis de reagentes de fase aguda não têm expressão uniforme, são relacionados ao estado patológico subjacente e regulados por diferentes combinações e interações de citocinas. - Estímulo inflamatório (injúria tissular) -> Liberação de citocinas (IL-6 e TNF) -> Ativação de hepatócitos (aumentar a síntese de PTNs de fase aguda). Exames: - VHS, PCR e Mucoproteínas: Todas as provas de atividade inflamatória servem para identificar inflamação e, portanto, não têm especificidade diagnóstica. - Ácido úrico; - ASLO; - Fator reumatóide; - Anti-CCP; - Fan. Velocidade de Hemossedimentação (VHS): - A VHS é a medida de inflamação mais usada na prática clínica e depende de várias características físicas e químicas do sangue, muitas delas não relacionadas à inflamação. - A medida da VHS é realizada colocando o sangue em um tubo milimetrado, e a taxa de queda dos eritrócitos é medida após determinado tempo, que, em geral, é de uma hora. - A técnica mais utilizada é a de Westergren, que utiliza um tubo milimetrado de 200mm e aceita valores de até 15mm para homens e 20mm para mulheres como limites superiores da normalidade. - Proteínas plasmáticas, especialmente o fibrinogênio, são capazes de reduzir as cargas eletrostáticas sobre a superfície das hemácias, facilitando a agregação das células, formação de “pilhas de eritrócitos-rouleaux” e sedimentação mais rápida. - Vários fatores estão envolvidos na aceleração da VHS, tais como a presença de globulinas séricas alfa, beta e gama. - Fatores ligados às hemácias também favorecem o rouleaux e acelerar a VHS. - Microcitose, policitemia e alterações morfológicas das hemácias (falcização, esferocitose) reduzem a agregação e diminuem VHS. - O uso de corticosteróides e anti-inflamatórios não hormonais também reduzem VHS. - Outras condições, tais como infecção, neoplasia, trauma, anemia, gestação, diabetes, hipercolesterolemia, doença renal terminal e doenças cardíacas aceleram a VHS. - Na febre reumática, o aumento da VHS e da PCR é um critério menor de diagnóstico. - A VHS apresenta alta sensibilidade para processo inflamatório, porém baixa especificidade. - Ela aumenta com a idade e varia com a raça, o que torna essa avaliação não exata. - A despeito disso, a VHS permanece um método fácil, de baixo custo e, por isso, tem um importante papel na prática clínica. - Fatores que influenciam o resultado: Anemia microcítica, aumento da albumina, da lecitina e do colesterol, além da gravidez. Uso clínico do VHS: - Screening grosseiro de atividade inflamatória; - Sem especificidade diagnóstica; - Importante para avaliar resposta terapêutica; - Tempo de turnover (vida média do fibrinogênio: 3-5 dias); - Valor de referência: (Homens: idade ) e÷ 2 (Mulheres: idade + 10 ). ÷ 2 - VHS > 100 é considerado muito alto e indicador de infecção bacteriana, doenças reumatológicas e neoplasias. Proteína C-Reativa (PCR): - A PCR é uma proteína de fase aguda cuja concentração sérica reflete uma inflamação em andamento. - É melhor que os outros testes de fase aguda na maioria das doenças. - É sintetizada pelos hepatócitos em resposta às citocinas pró-inflamatórias, estando presente em pequenas concentrações no plasma humano (<1mg/L). - Função: ativar o complemento, neutrófilos e macrófagos. - Aumenta 3-6h após o início da injúria; - Diminui 50% em 24h após o controle do evento (avalia resposta terapêutica). - Não sofre influência de fatores plasmáticos, hepáticos e eritrocitários. - Valores elevados: Doenças reumatológicas, infecções bacterianas e virais, IAM e neoplasias. - Os níveis de PCR aumentam mais de mil vezes durante uma infecção aguda e atingem o pico máximo em 2 a 3 dias, refletindo a extensão do processo inflamatório. - Se o estímulo for removido, os níveis de PCR cairão rapidamente, com uma meia-vida de aproximadamente 19 horas. - Métodos imunoenzimáticos e nefelometria são usados para quantificar a PCR. - A maioria dos adultos têm PCR < 0,3mg/dL, e concentrações superiores a 1mg/dL refletem doença inflamatória clinicamente importante. - Concentrações superiores a 10mg/dL caracterizam um aumento significativo e podem estar relacionadas às infecções bacterianas. - A PCR também está aumentada em serosites, neoplasias e traumas. - Diferenças populacionais nos níveis de PCR foram observados entre sexos e grupos raciais. - A PCR é um pouco maior nas mulheres. - A elevação de PCR em idosos pode representar desordens relacionadas à idade, cuja patogênese envolva inflamação de baixo grau, e isso é um complicador para a definição de níveis normais para essa faixa etária. - Elevações persistentes de PCR são observadas em estados inflamatórios crônicos, como ocorre na tuberculose pulmonar e neoplasias. - Entre as doenças reumáticas, observamos a elevação moderada da PCR na artrite reumatóide, vasculites sistêmicas e na maioria das doenças autoimunes. - PCR e VHS podem refletir atividade de doença e se correlacionar com o prognóstico das doenças, mas geralmente não auxiliam no diagnóstico diferencial. Mucoproteínas/ Alfa-1-Glicoproteína Ácida (GPA): - As mucoproteínas são uma fração heterogênea de glicoproteínas solúveis que pode ser separada por eletroforese em 5 subfrações, conhecidas pelo nome genérico de proteínas de fase aguda. - Utilização na febre reumática. - A normalização da mucoproteína constitui o melhor critério para a alta na febre reumática. - Pode ser encontrada no líquido sinovial. - Sua concentração no organismo humano aumenta ou diminui como resposta a estímulos inflamatórios sépticos e assépticos, agudos e crônicos, localizados ou sistêmicos como a tuberculose, DM, neoplasia, doença do colágeno, cirrose hepática, gota, psoríase e diversas doenças infecciosas. - Ela está diminuída na desnutrição, hepatopatias graves, enteropatias com perda proteica e na gravidez. - A elevada variabilidade analítica da quantificação da mucoproteína pelo método de Winzler recomenda que esse ensaio seja substituído pela dosagem da alfa-1-glicoproteína ácida (GPA). - A quantificação sérica de GPA é útil no diagnóstico e no acompanhamento dos processos agudos resultantes de múltiplas causas. Rastreamento de Autoanticorpos por Imunofluorescência Indireta em células HEP-2: - O termo fator antinúcleo (FAN) tende a ser substituído pelo termo anticorpos anticélulas em virtude de que o teste IFI- HEp- 2 permite a detecção de anticorpos contra outros componentes celulares além do núcleo, como o citoplasma e o aparelho mitótico. - Revela a existência de anticorpos contra antígenos nucleares - QUANDO SOLICITAR? - Suspeita de LUPUS (Rash malar, eritema em asa de borboleta). - 98% dos pacientes com LUPUS apresentam FAN +. - 5 a 10% da população apresenta FAN + sem apresentar LUPUS (principalmente idosos e portadores de doenças autoimunes). - A célula HEp- 2 é uma linhagem perene derivada de carcinoma de laringe humana. - Este é um teste útil para o rastreamento de uma vasta gama de autoanticorpos presentes em diversas doenças autoimunes sistêmicas. - O IFI -HEp- 2 oferece três tipos básicos de informação. - Primeiramente, um resultado positivo informa sobre a presença de um autoanticorpo na amostra. - A segunda informação refere-se à concentração sérica do anticorpo, o que é expresso pelo título da reação. - Finalmente, e de grande importância,o padrão de imunofluorescência informa sobre os possíveis autoanticorpos presentes na amostra. - De fato, o padrão de imunofluorescência reflete a distribuição espacial do antígeno reconhecido pelos autoanticorpos. - Para alguns autoantígenos, a distribuição é bastante característica, permitindo intuir sobre os mais prováveis autoanticorpos presentes na amostra. - Este é um importante direcionador dos próximos testes a serem executados. - O teste IFI- HEp -2 é relativamente simples do ponto de vista técnico, porém apresenta grande complexidade na etapa de interpretação, pois há grande dose de subjetividade e uma ampla gama de variáveis a serem consideradas. - O teste IFI -HEp -2 é extremamente sensível e pode detectar autoanticorpos em uma significativa parcela de indivíduos aparentemente saudáveis bem como em pacientes com doenças não autoimunes. - No Brasil, as estimativas situam a prevalência de IFI- HEp- 2 positivo em 13% da população geral e alguns estudos mostram frequência ainda maior em pacientes com doenças não autoimunes. - Nesses casos, não se trata de um teste falso- positivo, pois os autoanticorpos estão de fato presentes, já que uma parcela da população saudável apresenta autoanticorpos circulantes. - Para a interpretação do significado de um teste IFI- HEp- 2 positivo, deve -se considerar que, em geral, os títulos de IFI-HEp 2 são mais baixos nos indivíduos não autoimunes e mais altos nos enfermos autoimunes. - Porém este não é um parâmetro absoluto, havendo exceções nas duas extremidades. - A criteriosa análise do padrão de imunofluorescência também é um parâmetro valioso, pois alguns padrões tendem a ocorrer predominantemente, ou quase exclusivamente, em pacientes com doenças autoimunes sistêmicas, como por exemplo o nuclear homogêneo (AC 1) e o nuclear pontilhado grosso (AC 5). - Em contrapartida, o padrão nuclear pontilhado fino denso (AC 2), mesmo que em altos títulos, ocorre predominantemente em indivíduos sem qualquer evidência de autoimunidade sistêmica. - Estes são parâmetros úteis, mas não absolutos, devendo ser complementados pela criteriosa análise clínica e por testes adicionais para os autoanticorpos específicos relevantes no contexto. - Um teste IFI-HEp-2 negativo não descarta a possibilidade desses autoanticorpos. Evidência de Estreptococcia Prévia (ASLO): - Anticorpo Antiestreptolisina O, produzido após infecção com estreptococo do grupo A. - Indicação: Infecção por estreptococos nos últimos 2 meses; Clínica para FR (faixa etária entre 2-24 anos); Glomerulonefrite e Eritrema nodoso. - ASLO > 200 indica apenas que houve infecção prévia por estreptococo. - Diagnóstico de AR: ASLO + Clínica. - ASLO não serve para acompanhamento terapêutico. - A ASLO eleva- se no final da primeira semana; sendo assim, na ausência de títulos elevados da ASLO, é necessária a sua repetição após duas semanas pela possibilidade de detectar sua elevação. - Recomenda- se a utilização do limite superior da normalidade de cada laboratório para análise dos resultados. - Aproximadamente 20% dos pacientes com FR não cursam com ascensão da ASLO. Fator Reumatóide: - É um autoanticorpo direcionado contra a fração Fc da imunoglobulina G (IgG) humana, além de IgA e IgM. - Está presente em 80% dos pacientes com AR. - Títulos > 40% : relevância clínica (VR: <6). - O valor é diretamente proporcional à gravidade. - Condições que elevam o FR: LUPUS; Síndrome de Sjögren; Infecções agudas e crônicas (TB, hep. C e B); Esclerose sistêmica; Parasitoses; Sarcoidoses; Colite ulcerativa. - 5% da população tem FR + sem apresentar nenhuma doença!! - Atualmente é geralmente realizado por métodos de turbidimetria e nefelometria, permitindo resultados quantitativos e mais acurados em relação aos métodos de látex e Waaler Rose. - Sua sensibilidade para o diagnóstico de AR fica entre 65 e 73%, enquanto a especificidade por volta de 80%. - Pode estar presente em situações diversas de estímulo crônico do sistema imune, como diversas doenças autoimunes e infecções crônicas, assim como em idosos sadios (geralmente em baixos títulos). - Na AR, os títulos mais altos correlacionam-se com doença de pior prognóstico, erosões ósseas e manifestações extra- articulares. - Não existe recomendação para seu uso como maneira de monitorar a doença. - O fator reumatoide ocorre em 70 a 80% dos pacientes com AR, mas também ocorre em uma grande variedade de enfermidades autoimunes e não autoimunes, portanto tem especificidade clínica limitada. Anticorpos Antiproteínas Citrulinadas: - O teste mais usado é o anti- CCP (antipeptídeo cíclico citrulinado). - A citrulina é sintetizada quando há uma modificação na arginina, que passa a ser chamado de citrulina; - É um marcador precoce de AR; - Apresenta especificidade de 98%; - Apenas 20% apresenta a transformação da arginina em citrulina; - OBS.: Se der + confirma, porém se der - não descarta! - QUANDO SOLICITAR? - Pct com clínica de AR, mas com FR negativo. - Tem sensibilidade semelhante à do fator reumatoide, mas apresenta alta especificidade (acima de 90%), sendo portanto útil em situações de diagnóstico diferencial de poliartrites e outras situações que apresentem fator reumatoide positivo. - Também apresenta valor prognóstico, sendo preditor do desenvolvimento de doença erosiva e de pior prognóstico. - ACPA são encontrados em 70 -75% dos pacientes reumatóides e em baixa frequência em algumas outras condições clínicas, conferindo maior especificidade para o diagnóstico de AR. - ACPA podem ser detectados por vários métodos, mas o mais largamente utilizado é o de imunoensaio em fase sólida usando uma mistura de peptídeos citrulinados selecionados (anti -CCP 2). OBS: O ensaio de aglutinação baseia- se no princípio de que os anticorpos podem manter espacialmente próximos dois objetos recobertos por antígenos reconhecidos por esses anticorpos. Isto se deve à bivalência da molécula de imunoglobulina, com duas regiões Fab. Dessa forma, micropartículas ou células recobertas com um determinado antígenos serão aglutinadas quando expostas a anticorpos contra esse antígeno. Caso o anticorpo seja de classe IgM (usualmente sob forma de pentâmero), a aglutinação é tão extensa que pode ser identificada a olho nu. É o caso do fator reumatoide IgM, que permite a aglutinação visível de partículas de látex revestidas com agregados de IgG. Este é de fato o princípio do teste do látex para pesquisa do fator reumatoide.