Prévia do material em texto
PROCEDIMENTO OPERACIONAL PADRÃO (POP) Título: Acompanhamento Psicomotor de Pacientes com TEA – Psicomotricista Unidade: TEA - AME Área Responsável: Psicomotricidade Elaborado por: A ser definido Data de Elaboração: 13/05/2025 Revisão: 13/05/2026 1. OBJETIVO Estabelecer diretrizes padronizadas para o atendimento de acompanhamento psicomotor de pacientes com Transtorno do Espectro Autista (TEA), visando favorecer o desenvolvimento global do indivíduo por meio da integração entre aspectos motores, emocionais e cognitivos, respeitando suas singularidades e potencialidades. 2. CAMPO DE APLICAÇÃO Aplica-se aos profissionais psicomotricistas da unidade AME no acompanhamento terapêutico de pacientes com diagnóstico (ou suspeita) de TEA, em todas as faixas etárias. 3. REFERÊNCIAS · Diretrizes da Política Nacional de Saúde da Pessoa com Deficiência (Ministério da Saúde) · Código de Ética dos Profissionais de Psicomotricidade · DSM-5 – Critérios Diagnósticos do TEA · Referenciais da Psicomotricidade Relacional e Funcional · Classificação Internacional de Funcionalidade, Incapacidade e Saúde (CIF/OMS) · FONSECA, V. Manual de Observação Psicomotora, Significação Psiconeurológica dos Fatores Psicomotores. Porto Alegre: Artes Médicas, 1995. 371p. · FONSECA, V. Psicomotricidade: Filogênese, Ontogênese e Retrogênese. 2 ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 1998. 394p. · FONSECA, V. Faculdade de Motricidade. Construção de um modelo neuropsicológico de reabilitação psicomotora. 4. DEFINIÇÕES Psicomotricidade: abordagem terapêutica que considera o indivíduo como uma unidade psicossomática, atuando sobre a interação entre movimento, afetividade e cognição. Acompanhamento Psicomotor: processo terapêutico que visa promover o desenvolvimento global do paciente por meio de atividades motoras com intencionalidade terapêutica. TEA: Transtorno do Espectro Autista – condição neurológica caracterizada por dificuldades na comunicação, interação social e comportamentos repetitivos. 5. RESPONSABILIDADES · Psicomotricista: realizar o planejamento, condução e registro das sessões terapêuticas, além de acompanhar e avaliar a evolução psicomotora do paciente. · Equipe multidisciplinar: utilizar as informações psicomotoras no alinhamento do plano terapêutico integrado. 6. DESCRIÇÃO DO PROCEDIMENTO 6.1 Preparação do Ambiente · Organizar o espaço terapêutico com segurança, clareza e estímulos controlados (cores, sons, texturas). · Dispor de materiais lúdicos e psicomotores adequados à faixa etária e às necessidades sensoriais/motoras do paciente. · Garantir que o ambiente favoreça a expressão espontânea e o vínculo terapêutico. 6.2 Início da Sessão · Receber o paciente com acolhimento e previsibilidade. · Estabelecer o contato inicial respeitando o ritmo e os limites do paciente. · Reforçar o vínculo terapêutico por meio de rituais de abertura reconhecíveis. 6.3 Condução do Atendimento Psicomotor · Desenvolver atividades que envolvam esquema corporal, tônus, equilíbrio, lateralidade, coordenação motora global e fina. · Promover jogos e dinâmicas que estimulem a organização espacial e temporal. · Estimular expressões emocionais, iniciativa, criatividade e socialização, respeitando o tempo subjetivo do paciente. · Observar respostas afetivas, motoras e comportamentais durante as atividades. · Adaptar a sessão conforme a disponibilidade e autorregulação do paciente. 6.4 Envolvimento do Cuidador (quando indicado) · Compartilhar informações relevantes sobre o progresso psicomotor do paciente. · Orientar estratégias de estimulação e manejo em casa. · Registrar dúvidas, sugestões ou relatos do responsável. · Momento programado quadrimestral de feedback mais estruturado aos responsáveis. 6.5 Finalização da Sessão · Conduzir o encerramento com previsibilidade e acolhimento. · Reforçar positivamente os comportamentos funcionais e progressos. SUGIRO: Reforçar positivamente comportamentos funcionais e avanços psicomotores identificados · Registrar evolução clínica e aspectos observados que contribuam para o plano terapêutico individual. 7. CUIDADOS ESPECIAIS · Utilizar estratégias de regulação emocional quando o paciente apresentar sinais de sobrecarga. · Respeitar o silêncio e a não verbalidade como formas de comunicação e expressão. · Garantir constância na condução das sessões (horário, sequência, ambiente). · Observar atentamente sinais de dor, desconforto, medo ou evitação durante as atividades. · Evitar sobrecarga de estímulos sensoriais e respeitar os limites do paciente. (auditivos, visuais, táteis ou proprioceptivos, conforme perfil sensorial do paciente.) 8. REGISTROS · Prontuário individual do paciente · Ficha de evolução psicomotora por sessão · Plano terapêutico psicomotor individual (quando indicado) · Registro de orientações ao cuidador/família · Registro fotográfico ou audiovisual (com autorização), quando indicado, para fins de acompanhamento longitudinal. 9. INDICADORES DE QUALIDADE · Frequência e regularidade nos atendimentos · Evolução observada nas áreas psicomotoras (esquema corporal, lateralidade, coordenação, etc.) · Participação ativa e engajamento nas atividades · Satisfação do cuidador em relação à evolução do paciente e abordagem profissional · Adequação e revisão periódica do Plano Terapêutico Individual (PTI) · Nível de funcionalidade e autonomia em atividades psicomotoras adaptadas à idade