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Doença do Refluxo Gastroesofágico - DRGE 
Definição
Refluxo gastroesofágico RGE consiste na passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem 
regurgitação e/ou vômito
Pode ser um processo considerado normal, fisiológico, que ocorre várias vezes ao dia, após as refeições, 
em lactentes, crianças, adolescentes e adultos, ocasionando poucos ou nenhum sintomas.
Nos lactentes, é um evento fisiológico normal, que resolve espontaneamente até os dois anos de 
idade, na maioria dos casos.
O refluxo fisiológico do lactente raramente inicia antes de 1 semana de vida ou após os 6 meses.
 RGE pode também representar uma doença (doença do refluxo gastroesofágico  DRGE quando causa 
sintomas ou complicações
A presença do ácido no esôfago por muito tempo pode ocasionar sua inflamação (esofagite), que pode se 
manifestar com dor, queimação (azia) e provocar vômito com sangue. Há relatos de episódios de dor intensa, 
o que impede a criança de comer. Complicação!
Se o conteúdo retornar até a garganta ou a região de entrada do ar para respiração, a criança pode 
desenvolver uma pneumonia de aspiração. Complicação!
Epidemiologia
A prevalência da DRGE parece vir aumentando nos últimos anos. Epidemiologia baseada em questionários e 
varia entre 215%
Estudo mostra aumento de 34% de 2000 para 2005, mas parece haver também maior número de 
diagnósticos, principalmente nos adolescentes 
Diferença DRGE lactente e criança maior
A DRGE da maioria dos lactentes saudáveis é uma doença autolimitada, que vai melhorando com a idade e 
a maturação do lactente
A DRGE da criança maior e do adolescente são mais parecidas à doença do adulto, com curso mais crônico, 
períodos de piora e reagudizações e períodos de acalmia.
Grupos com maior risco
Crianças que têm problemas neurológicos, prematuros, obesos e portadores de doenças pulmonares, como a 
fibrose cística ou displasia broncopulmonar; malformações congênitas do sistema digestório (hérnia hiatal, 
Doença do Refluxo Gastroesofágico  DRGE 1
hérnia diafragmática, atresia esofágica, fístula traqueoesofágica)
Patogenia
PARA RELEMBRAR O esôfago, estômago e duodeno são vias de mão única para o trânsito do restante do 
tubo digestivo. A peristalse gástrica resulta em um aumento de pressão no qual a válvula do piloro abre a uma 
pressão menor que o esfíncter esofagiano.
A exata fisiopatologia do refluxo gastroesofágico patológico ainda não está esclarecida. POSSÍVEIS FATORES 
ENVOLVIDOS
O esfíncter inferior do esôfago, as fibras musculares do antro gástrico, o esvaziamento gástrico, os 
hormônios gastrintestinais e até mesmo as citoquinas liberadas pelo processo inflamatório ou pelo 
processo alérgico, devem estar envolvidos no processo de refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago.
Principal mecanismo que parece estar envolvido: O relaxamento transitório do esfíncter inferior do 
esôfago, que é uma queda abrupta da pressão do esfíncter inferior do esôfago, chegando ao nível da 
pressão do estômago, sem relação com a deglutição e sem retardo do esvaziamento gástrico
Em crianças, talvez a mudança dos padrões de alimentação, do padrão do posicionamento, com o 
aumento do uso de "carrinhos de bebê" e "bebês conforto" ao invés do tradicional "colo", ou ainda a 
popularização do uso de fraldas descartáveis, com a promessa de não vazar, levando ao aumento da 
pressão intra-abdominal e ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, são possíveis causas
Dados da literatura, sugerem que lactentes com refluxo gastroesofágico grave têm um retardo acentuado 
do esvaziamento gástrico e que a retenção gástrica pode contribuir para o desenvolvimento de sintomas 
pulmonares e que a função motora do fundo gástrico, quando anormal, pode ser um fator significante na 
patogênese do refluxo gastroesofágico
A sensibilização ao leite de vaca pode induzir disritmia gástrica grave e esvaziamento gástrico lento e, 
consequentemente, exacerbar o refluxo gastroesofágico
Quadro clínico
A azia (uma sensação de queimação atrás do esterno) é o sintoma mais evidente de refluxo gastroesofágico, 
pode ser acompanhada de regurgitação
dor de garganta, rouquidão, tosse ou uma sensação de nó na garganta (sensação de bolo na garganta) 
podem acontecer por causa da regurgitação
Em raras ocasiões, o conteúdo do estômago atinge os pulmões, causando tosse e/ou sibilos
Complicações do refluxo gastroesofágico
A exposição prolongada da parte inferior do esôfago à repetição do refluxo
Inflamação do esôfago. A inflamação do esôfago (esofagite ou esofagite erosiva) causa sintomas 
característicos da doença do refluxo gastroesofágico, porém, talvez mais graves. Odinofagia comum.
Úlceras (rupturas da superfície interna) do esôfago (esofagite erosiva) podem provocar dor torácica 
durante a deglutição, normalmente localizada atrás do esterno ou logo abaixo dele, similar à localização 
da azia
Estreitamento do esôfago (estenose esofágica). Causa dificuldade progressiva para engolir alimentos 
sólidos.
Alterações nas células que revestem o esôfago (esôfago de Barrett). Células anormais no esôfago que 
podem se tornar cancerosas.
Algumas pessoas apresentam hemorragia, sangue pode ser vomitado ou passar através do trato 
digestivo, resultando em fezes negras com aparência de borra de café (melena) ou fezes com sangue 
vermelho vivo.
Hemorragia leve de longa duração pode causar anemia ferropriva.
Os sintomas da DRGE variam conforme a idade do paciente e com a presença de complicações ou comorbidades
Doença do Refluxo Gastroesofágico  DRGE 2
Durante a avaliação clínica, deve-se atentar para a presença de sinais de alerta (‘red flagsʼ). Esses sinais têm 
o objetivo de identificar complicações da DRGE e de diagnosticar doenças subjacentes que estejam se 
apresentando com sinais e sintomas típicos da DRGE (regurgitação e vômito).
Diagnóstico
clínica + exame físico + exame complementar
obs: a história é suficiente para diagnóstico se for criança maior e adolescente com sintomas específicos 
de DRGE  em lactentes não, pois os sintomas são inespecíficos
objetivos exames complementares:
documentar presença de RGE ou de suas complicações
estabelecer relação entre RGE e os sintomas
avaliar eficácia do tto e excluir diagnósticos
Radiografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno - importante
não é adequada para diagnóstico de DRGE  avalia apenas o RGE pós-prandial imediato, não 
quantificando os episódios de refluxo
uso: avaliação anatômica do TG alto
indicação: quando suspeita de anormalidade anatômica (na presença de disfagia, vômitos biliosos ou 
suspeita de volvo, obstrução, estenose, membrana)
Cintilografia gastroesofágica importante
também só avalia o RGE pós-prandial imediato
vantagens: identificar o RGE mesmo após dieta com pH neutro, avaliar o esvaziamento gástrico e detectar 
a aspiração pulmonar
detecção de esvaziamento gástrico lento não confirma diagnóstico
se normal, não descarta aspiração pulmonar
indicação: suspeita clínica de retenção gástrica
não é indicada para DRGE em lactentes e crianças
USG esofagogástrica
vantagem: DDX com estenose hipertrófica de piloro
não é indicada de rotina no lactente nem na criança maior → não diferencia RGE de DRGE
phmetria esofágica
Doença do Refluxo Gastroesofágico  DRGE 3
vantagens: avaliar o paciente em condições mais fisiológicas e por longos períodos, quantificar o RGE e 
correlacionar os episódios de refluxo com os sinais e sintomas
limitação: não detecta episódios de refluxo não ácidos ou pouco ácidos  RGE pós-prandial de lactentes 
(dieta láctea) pode não ser detectado (leite neutraliza refluxo ácido)
indicação: avaliação de sintomas atípicos ou extradigestivos da DRGE, pesquisa de RGE oculto, avaliação 
da resposta ao tratamento clínico em pacientes portadores de esôfago de Barrett ou de DRGE de difícil 
controle, além de avaliação pré e pós-operatória do paciente com DRGE  sempre que não houver pH-
impedância, para correlacionar com sintomas ocasionados pelo ácido e definir seu papel na etiologia da 
DRGEe da esofagite e de determinar a eficácia da supressão ácida
Impedanciometria esofágica intraluminal
Vantagem: detecta movimento retrógrado de fluidos, sólidos e ar no esôfago, independente do pH
Atualmente, ela é utilizada com maior frequência em conjunto com a monitorização do pH, chamada pH-
impedanciometria
Indicação: correlacionar sintomas com refluxo ácido e não ácido, esclarecer o papel do refluxo ácido e 
não ácido na etiologia da esofagite, determinar a eficácia da terapia ácida e, principalmente, diferenciar 
NERD (doença do refluxo esofágico não erosivo) de esôfago hipersensível e azia funcional nos pacientes 
com endoscopias normais.
Manometria esofágica
vantagem: avalia motilidade do esôfago
indicação: pacientes com quadro sugestivo de dismotilidade esofágica (disfagia e odinofagia) → pode ser 
útil quando não há resposta à supressão ácida ou quando EDA negativa ou DDX com doenças que alteram 
a motilidade.
EDA com biópsia
vantagem: avaliação macro da mucosa esofágica e a coleta de material para estudo histopatológico + 
permite diagnóstico das complicações esofágicas da DRGE (esofagite, estenose péptica, esôfago de 
Barret)  DDX com outras doenças pépticas e não pépticas
esofagite na EDA quando há lesões na macroscopia (erosões ou úlceras) → as biópsias são mais para 
DDX
ausência de esofagite na EDA não exclui DRGE
Teste terapêutico com supressão ácida IBP
indicação: o novo guideline sugere apenas por 48 semanas para diagnóstico em crianças maiores com 
sintomas típicos → sintomas típicos: azia, dor epigástrica em queimação, tosse crônica principalmente 
relacionada à alimentação, náuseas e regurgitações, dor torácica e dispepsia.
Não deve ser usado para sintomas extraesofágicos
Exames Maxuell: muito importante  QUAL EXAME E O PORQUÊ Se for pedir um exame, pedir pHmetria 
com impedância
ATENTARSE AO USG E A RADIOGRAFIA COM CONSTRASTE  MAX QUER
Tratamento
Objetivos do tto
promoção de crescimento e ganho de peso adequados + alívio dos sintomas + cicatrização das lesões 
teciduais + prevenção da recorrência e complicações
Tratamento conservador
medidas comportamentais + educação de pais + dietéticas
não usar roupas apertadas
trocar as fraldas antes das mamadas
Doença do Refluxo Gastroesofágico  DRGE 4
evitar o uso de fármacos que exacerbam
orientar infusões lentas nas crianças com sondas nasogástricas
evitar o tabagismo → induz o relaxamento do EEI e aumenta os índices de asma, pneumonia, apneia e 
síndrome de morte súbita
evitar comidas gordurosas, com gás, ultraprocessados
não comer poucas horas antes de dormir → exceto se desnutrição severa
informar que fórmulas AR (antirregurgitação, e não anti-RGE não diminuem a frequência dos eps de 
refluxo
lactentes ou portadores de DRGE  posição supina para dormir
adultos e adolescentes → decúbito lateral E, com a cabeceira elevada
redução de peso em obesos
Tto medicamentoso
Não há um consenso real, ok? Mas os indicados são:
1 Antiácidos de contato, ou protetores de mucosa: para sintomas esporádicos ou diminuição da acidez noturna 
→ no geral, recomendados antes dos IBPs, segundo guideline Nice
Droga Doses Idade e peso
Antiácido com magnésio
ou alumínio
2,5 mL, 3 vezes/dia 5 mL, 3
vezes/dia  5 kg  5 kg
Alginato (neutralizante)
LíquidoSachês  10 mL
Comprimidos mastigáveis 10 mL, até 4 vezes/dia, após comerCrianças  12 anos
Sucralfato (citoprotetor)
Comprimidos de 1 g Flaconetes
de 2 g 10 mL
Crianças maiores de 6 anos: 1 g, 4 vezes/dia Lactentes e
crianças menoresde 6 anos: 2,5 mL, 4 vezes/dia
2 Procinéticos: sintomático, principalmente de vômitos e regurgitação → sem benefício para uso de rotina, pois:
aumentam o tônus do EEI e melhoram o esvaziamento gástrico MAS NÃO diminuem a frequência dos 
relaxamentos transitórios do EEI  principal mecanismo fisiopatológico do RGE
também NÃO são eficazes em induzir a cicatrização das lesões esofágicas e não apresentam efeito anti-RGE 
comprovado, mas sim antirregurgitação
Drogas Recomendadas?
Bromoprida, Metoclopramida e Domperidona Não!
3 Medicamentos que diminuem a secreção ácida IBP e inibidores H2 sintomático, sobretudo se há dor 
retroesternal e azia e/ou complicações → associados à ação do ácido no esôfago ou em outros órgãos, como os 
sintomas respiratórios
a. Antagonistas H2 inibem os receptores H2 de histamina nas células parietais gástricas → eficazes na 
cicatrização das lesões erosivas nos casos leves e moderados MAS o uso da Ranitidina foi suspenso pela FDA e 
Anvisa
b. IBP indicados nos casos de esofagite erosiva, estenose péptica ou esôfago de Barrett, bem como nas crianças 
que necessitam de um bloqueio mais efetivo da secreção ácida, como nas portadoras de doença respiratória 
crônica grave ou com problemas neurológicos → o uso crônico não diminui sua eficácia; devem ser usados 
sempre ANTES das refeições (efeitos colaterais)
4 reações idiossincráticas (cefaleia, diarreia, constipação, náusea), interações com outras drogas, 
hipergastrinemia e hipocloridria induzidas por drogas
● se descontinuado, não fazer de forma abrupta, pois há efeito rebote
Droga IBPs) Doses Dose máxima
Omeprazol 1 a 4 mg/kg/dia 80 mg
Lansoprazol 2 mg/kg/dia para lactentes 30 mg para pacientes com mais de 30 kg 60 mg
Esomeprazol 20 mg para pacientes de até 20 kg (lactentes 10 mg) 40 mg para
pacientes com mais de 20kg
40 mg
Pantoprazol 1 a 2 mg/kg/dia 40 m 40 mg
Doença do Refluxo Gastroesofágico  DRGE 5
Droga IBPs) Doses Dose máxima
Dexlansoprazol (testado em
adolescentes)
30 mg 60 mg
Recomendações gerais
Não usar bloqueador H2 ou IBP em lactentes normais com choro e irritabilidade OU como tto de 
regurgitações nos lactentes normais
Fazer cursos de 4 a 8 semanas de IBP para sintomas típicos (azia, dor retroesternal, pirose, dor 
epigástrica) em crianças
Não usar IBP em sintomas extraesofágicos, exceto na presença de sintomas típicos e/ou exame sugestivo 
de DRGE
Avaliar a eficácia do tto e a exclusão de causas alternativas (alergia a pt do leite) em crianças que não 
respondem ao teste terapêutico, bem feito, de 4 a 8 semanas
Tto cirúrgico quando?
Complicações que ameaçam a vida
Depois de avaliação apropriada para excluir outras doenças
Condições crônicas (fibrose cística, neuropatias), com risco importante de complicações
Necessidade de uso crônico de medicações para controle dos sintomas
Doença do Refluxo Gastroesofágico  DRGE 6
Alergia à proteína do leite de vaca
POR 
ÍNDICE
Definição e etiopatogenia
A alergia à proteína do leite de vaca APLV é a alergia alimentar mais comum na infância  Com a maior 
prevalência durante o primeiro ano de vida.
O leite de vaca é o alérgeno alimentar mais representativo para o grupo etário pediátrico, não apenas por ser o 
mais utilizado, como também pelo seu forte potencial alergênico  O mesmo contém mais de 20 componentes 
proteicos, dotados de diferentes graus de atividade antigênica.
ETIOPATOGENIA
A APLV pode ser dividida em primária (geralmente em crianças de famílias com antecedentes atópicos) ou 
secundária (ocorrendo após surtos de gastroenterocolite aguda ou consequente à deficiência transitória de IgA.
Na mucosa intestinal sensibilizada, a reação local resultante pode ser mediada através de uma ou mais das 
seguintes reações alérgicas classificadas por: tipo l, tipo III e tipo IV.
A reação do tipo l é uma reação mediada por IgE e os sintomas são resultantes da liberação de substâncias 
vasoativas por mastócitos ou basófilos, os quais possuem anticorpos IgE-específicos em suas membranas.
A reação do tipo III é caracterizada pela formação de complexos antígenos-anticorpos solúveis com ativação do 
complemento, desencadeando assim uma reação inflamatória. A reação do tipo IV é mediada por células T 
especificamente sensibilizadas  Este tipo de resposta imunológica na enteropatia induzida por leite de vaca 
ainda não foi investigado de modo sistemático. No entanto, estudos mostrando o encontro da transformação 
Rodrigo Brandão
Definição e etiopatogeniaETIOPATOGENIA
Quadro clínico
1 Não mediada por IgE  mais branda
Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar
2 Mediada por IgE
3 APLV mista:
Diagnóstico
APLV IgE-mediada
APLV não-IgE mediada
Tratamento 
Alergia à proteína do leite de vaca 1
linfoblástica e sensibilização da célula T induzidas pelas proteínas do leite de vaca sugerem que esse tipo de 
reação possa estar presente.
Estes mecanismos isolados ou combinadamente podem estar diversamente envolvidos em cada caso individual. 
Não se sabe quais os determinantes destas diferentes respostas alérgicas, atribuindo-se, no entanto, papel 
significante a fatores genéticos e ao grau de exposição a antígenos
Quadro clínico
1- Não mediada por IgE - mais branda
● Menos comum
● Pode demorar até 7 dias para se manifestar (tardia)
Sintomas Gastrointestinais:
● Vômitos
● Diarreia
● Cólicas abdominais
● Inchaço abdominal
Sintomas Respiratórios:
● Tosse
● Chiado no peito
● Congestão nasal
● Coriza
Alergia à proteína do leite de vaca 2
Síndrome da enterocolite induzida por proteína 
alimentar
A FPIES caracteriza-se pela presença de náuseas, vômitos intratáveis, hipotonia, palidez, apatia e 
diarreia com muco e sangue. Em geral, os sintomas iniciam-se 1 a 3 horas após a ingestão da proteína, 
podendo haver desidratação, acidose metabólica e choque hipovolêmico, o que direciona o diagnóstico 
equivocado de sepse.
Enteropatia induzida por proteína alimentar FPIES  quadro de má absorção
● Primeiros meses de vida
● Reação ocorre de dias até 1 mês após a ingesta
● Início insidioso
● Diarreia crônica
● Eritema perianal
● Distensão abdominal
● Vômito
● Perda de peso
2- Mediada por IgE
● Mais comum em crianças
● Manifestação de sintomas em até 2h após a ingesta de alimentos com a proteína do leite de vaca
● Grave
Sintomas Cutâneos:
● Urticária (erupção cutânea avermelhada e elevada)
● Eczema (pele seca, coceira e inflamada)
● Inchaço dos lábios, olhos ou face (angioedema)
Sintomas Respiratórios:
● Tosse
● Chiado no peito
● Congestão nasal
● Coriza
Sintomas Anafiláticos (raros, mas graves):
● Dificuldade respiratória súbita
● Queda da pressão arterial
● Palpitações
● Confusão
3- APLV mista:
● Eventos alérgicos relacionados aos dois tipos de APLV descritos acima, com reações alérgicas imediatas ou 
tardias. Podem ocorrer problemas respiratórios, dermatológicos e gastrointestinais
Diagnóstico
Suspeição diagnóstica
História clínica nutricional com recordatório alimentar
DDX intolerância à lactose, doença celíaca, gastroenterite aguda e retocolite ulcerativa inespecífica
Testes diagnósticos
Alergia à proteína do leite de vaca 3
APLV IgE-mediada
Teste de puntura (prick test)
Teste cutâneo de pesquisa de IgE (in vivo)
Útil para excluir APLV IgE-mediada (tem VPN alto, mas VPP baixo)
Positivo, se pápula 3 mm
Pode fechar dx, se:
Ocorre reação sistêmica grave (anafilática) com relação causa-efeito bem determinada
Fortemente positivo (pápula 8 mm)
 Identifica paciente com chances de se tornar tolerante, se pápula 5 mm
Teste sorológico (in vitro)
Detecta se existe anticorpo (sensibilização), mas não indica se ingesta gera sx
Solicitar, se prick test for inconclusivo
Positivo, se 15 KU/l 2a) ou 5 KU/l 2a)
Pode fechar dx (+ história), indicar melhor momento para TPO ou prognóstico (desenvolver tolerância x 
marcha atópica)
Identifica paciente com chances de se tornar tolerante, se 2 KU/l
APLV não-IgE mediada
Dx difícil, porque os sx são tardios e existem poucos testes disponíveis
Teste de contato (patch test)
Seria uma possibilidade, mas ainda não existe padronização
Hoje não é usado de rotina, funciona mais como guia
Dieta de eliminação
2 semanas sem ingerir o alimento suspeito da alergia (leite, no caso)
Muito útil na APLV não IgE-mediada
Se não houver melhora, ou não é APLV ou não foi feito direito
Se houve melhora (sem sx), ↑ suspeita e indica TPO
Teste de Provocação Oral TPO
Oferecer alimentos em doses crescentes e intervalos regulares, sob supervisão médica, para detecção de 
possíveis reações clínicas
Fazer em ambiente hospitalar, pelo risco de reação grave
Classificação
Aberto: médico e paciente/responsável sabem, não precisa de placebo (se  1a, fidedignidade = 
simples-cego)
Simples-cego: só o médico sabe se o paciente está ingerindo alimento ou placebo
 Duplo-cego e controlado por placebo: nem médico nem paciente/responsável sabem se é alimento 
ou placebo, quem faz o controle é uma 3ª pessoa (nutricionista)
É o padrão-ouro, mas custoso de fazer
○ Os pacientes com dx de APLV devem ser submetidos em intervalos de 612m, para determinar se 
desenvolveram tolerância
Endoscopia
○ Sx do TGI pedem avaliação alta ou baixa com Bx para firmar dx
○ Necessário fazer Bx de vários locais, pois áreas normais e alteradas ficam intercaladas
○ 15 eosinófilos/campo confirma esofagite/gastrite eosinofílica
Alergia à proteína do leite de vaca 4
Tratamento 
● Tratamento nutricional:
○ A base do tratamento é: exclusão de LV e derivados.
■ deve ser respaldada por um diagnóstico preciso, pois a retirada desse alimento pode colocar a criança, em 
especial na fase de lactente, em risco nutricional.
■ objetivo global: evitar o aparecimento de sintomas e proporcionar à criança melhor qualidade de vida e 
crescimento e desenvolvimento adequados.
○ A introdução da alimentação complementar em crianças com APLV deve seguir os mesmos princípios do 
preconizado para crianças saudáveis, salientando-se que não há restrição na introdução de alimentos contendo 
proteínas potencialmente alergênicas (p.ex. ovo, peixe, carne bovina, de frango ou porco) a partir do sexto mês 
em crianças amamentadas ao seio até essa fase ou que recebem fórmulas infantis.
■ Deve-se evitar apenas a introdução simultânea de dois ou mais alimentos fontes de proteínas.
○ O leite de outros mamíferos (p.ex.: cabra e ovelha), fórmulas parcialmente hidrolisadas, fórmulas poliméricas 
isentas de lactose não devem ser indicados para crianças com APLV.
■ A homologia entre as proteínas do LV e cabra é importante, podendo ocorrer reatividade clínica cruzada em 
92% dos casos.
○ Etapas a seguir após diagnóstico:
■ avaliação da condição nutricional ➝ em todas as consultas, com o objetivo de planejar e adequar o consumo 
alimentar às necessidades nutricionais da criança
■ dieta de exclusão do LV e derivados com substituição apropriada;
■ educação continuada para família e cuidadores;
Leitura e interpretação da rotulagem
Cuidado com ambientes de alto risco (p. ex. escolas, praças de alimentação, festas, entre outros)
● Orientação quanto a reações graves
● Promoção da qualidade de vida
● Orientação nutricional individualizada
○ Crianças em aleitamento materno
■ submete-se a mãe a dieta de exclusão de LV e derivados com orientação nutricional apropriada avaliando-se a 
necessidade de suplementação medicamentosa para viabilizar o atendimento às necessidades nutricionais, 
especialmente do cálcio 1.200 mg fracionado duas vezes ao dia)
○ Crianças que não estão em aleitamento materno
■ fórmulas à base de proteína isolada de soja; fórmulas à base de proteínas extensamente hidrolisadas 
(hidrolisados proteicos), compostas predominantemente por peptídeos (com peso molecular inferior a 3.000 
Daltons) e aminoácidos obtidos por hidrólise enzimática e/ou térmica e ultrafiltragem; e fórmulas ou dietas a base 
de aminoácidos ➝ devem ser mantidas, preferencialmente, até os dois anos de idade, sendo o mínimo 
recomendado até 12 meses.
Alergia à proteína do leite de vaca 5
Tratamento medicamentoso
○ são empregados em duas situações ➝ crise alérgica aguda ou em manifestações crônicas de alergia mediada 
por IgE
■ manifestações cutâneas (urticária e angioedema) ➝ a administração de anti-histamínicos anti-H1 por via oral
● Raramente é necessária a administração de adrenalina (solução milesimal) intramuscular, mas pode auxiliar na 
resolução da urticária.
■ Em reações anafiláticas ➝ é a adrenalina, os anti-histamínicosaliviam o prurido, a urticária/angioedema, mas 
não a substituem.
● via intramuscular, na coxa (vasto lateral) onde a absorção é mais rápida, na dose de 0,01 mg/kg, máximo 0,3 
mg, e repetida após 15 minutos em caso de não haver resposta.
● Após a aplicação de adrenalina, o paciente deve ser mantido em posição supina com elevação dos membros 
inferiores se ele tolerar, manter as vias aéreas pérvias, administrar oxigênio e viabilizar acesso venoso para 
reposição volêmica, preferencialmente com solução salina.
■ Não há medicamentos recomendados para prevenção de reações a ingestão de alimentos mediadas por IgE, 
não mediadas por IgE ou mistas.
● Uso de prebióticos, probióticos e simbióticos 
○ Prebióticos ➝ substâncias não digeríveis, em geral susceptíveis à fermentação, que oferecem um efeito 
fisiológico benéfico ao hospedeiro, pois estimulam o crescimento e a função de bactérias que compõe o 
microbioma
○ Probióticos ➝ microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades apropriadas, conferem 
benefício à saúde do hospedeiro
○ Simbióticos ➝ preparações ou produtos que contemplam probióticos e simbióticos
Alergia à proteína do leite de vaca 6

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