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Doença do Refluxo Gastroesofágico - DRGE Definição Refluxo gastroesofágico RGE consiste na passagem do conteúdo gástrico para o esôfago, com ou sem regurgitação e/ou vômito Pode ser um processo considerado normal, fisiológico, que ocorre várias vezes ao dia, após as refeições, em lactentes, crianças, adolescentes e adultos, ocasionando poucos ou nenhum sintomas. Nos lactentes, é um evento fisiológico normal, que resolve espontaneamente até os dois anos de idade, na maioria dos casos. O refluxo fisiológico do lactente raramente inicia antes de 1 semana de vida ou após os 6 meses. RGE pode também representar uma doença (doença do refluxo gastroesofágico DRGE quando causa sintomas ou complicações A presença do ácido no esôfago por muito tempo pode ocasionar sua inflamação (esofagite), que pode se manifestar com dor, queimação (azia) e provocar vômito com sangue. Há relatos de episódios de dor intensa, o que impede a criança de comer. Complicação! Se o conteúdo retornar até a garganta ou a região de entrada do ar para respiração, a criança pode desenvolver uma pneumonia de aspiração. Complicação! Epidemiologia A prevalência da DRGE parece vir aumentando nos últimos anos. Epidemiologia baseada em questionários e varia entre 215% Estudo mostra aumento de 34% de 2000 para 2005, mas parece haver também maior número de diagnósticos, principalmente nos adolescentes Diferença DRGE lactente e criança maior A DRGE da maioria dos lactentes saudáveis é uma doença autolimitada, que vai melhorando com a idade e a maturação do lactente A DRGE da criança maior e do adolescente são mais parecidas à doença do adulto, com curso mais crônico, períodos de piora e reagudizações e períodos de acalmia. Grupos com maior risco Crianças que têm problemas neurológicos, prematuros, obesos e portadores de doenças pulmonares, como a fibrose cística ou displasia broncopulmonar; malformações congênitas do sistema digestório (hérnia hiatal, Doença do Refluxo Gastroesofágico DRGE 1 hérnia diafragmática, atresia esofágica, fístula traqueoesofágica) Patogenia PARA RELEMBRAR O esôfago, estômago e duodeno são vias de mão única para o trânsito do restante do tubo digestivo. A peristalse gástrica resulta em um aumento de pressão no qual a válvula do piloro abre a uma pressão menor que o esfíncter esofagiano. A exata fisiopatologia do refluxo gastroesofágico patológico ainda não está esclarecida. POSSÍVEIS FATORES ENVOLVIDOS O esfíncter inferior do esôfago, as fibras musculares do antro gástrico, o esvaziamento gástrico, os hormônios gastrintestinais e até mesmo as citoquinas liberadas pelo processo inflamatório ou pelo processo alérgico, devem estar envolvidos no processo de refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago. Principal mecanismo que parece estar envolvido: O relaxamento transitório do esfíncter inferior do esôfago, que é uma queda abrupta da pressão do esfíncter inferior do esôfago, chegando ao nível da pressão do estômago, sem relação com a deglutição e sem retardo do esvaziamento gástrico Em crianças, talvez a mudança dos padrões de alimentação, do padrão do posicionamento, com o aumento do uso de "carrinhos de bebê" e "bebês conforto" ao invés do tradicional "colo", ou ainda a popularização do uso de fraldas descartáveis, com a promessa de não vazar, levando ao aumento da pressão intra-abdominal e ao refluxo do conteúdo gástrico para o esôfago, são possíveis causas Dados da literatura, sugerem que lactentes com refluxo gastroesofágico grave têm um retardo acentuado do esvaziamento gástrico e que a retenção gástrica pode contribuir para o desenvolvimento de sintomas pulmonares e que a função motora do fundo gástrico, quando anormal, pode ser um fator significante na patogênese do refluxo gastroesofágico A sensibilização ao leite de vaca pode induzir disritmia gástrica grave e esvaziamento gástrico lento e, consequentemente, exacerbar o refluxo gastroesofágico Quadro clínico A azia (uma sensação de queimação atrás do esterno) é o sintoma mais evidente de refluxo gastroesofágico, pode ser acompanhada de regurgitação dor de garganta, rouquidão, tosse ou uma sensação de nó na garganta (sensação de bolo na garganta) podem acontecer por causa da regurgitação Em raras ocasiões, o conteúdo do estômago atinge os pulmões, causando tosse e/ou sibilos Complicações do refluxo gastroesofágico A exposição prolongada da parte inferior do esôfago à repetição do refluxo Inflamação do esôfago. A inflamação do esôfago (esofagite ou esofagite erosiva) causa sintomas característicos da doença do refluxo gastroesofágico, porém, talvez mais graves. Odinofagia comum. Úlceras (rupturas da superfície interna) do esôfago (esofagite erosiva) podem provocar dor torácica durante a deglutição, normalmente localizada atrás do esterno ou logo abaixo dele, similar à localização da azia Estreitamento do esôfago (estenose esofágica). Causa dificuldade progressiva para engolir alimentos sólidos. Alterações nas células que revestem o esôfago (esôfago de Barrett). Células anormais no esôfago que podem se tornar cancerosas. Algumas pessoas apresentam hemorragia, sangue pode ser vomitado ou passar através do trato digestivo, resultando em fezes negras com aparência de borra de café (melena) ou fezes com sangue vermelho vivo. Hemorragia leve de longa duração pode causar anemia ferropriva. Os sintomas da DRGE variam conforme a idade do paciente e com a presença de complicações ou comorbidades Doença do Refluxo Gastroesofágico DRGE 2 Durante a avaliação clínica, deve-se atentar para a presença de sinais de alerta (‘red flagsʼ). Esses sinais têm o objetivo de identificar complicações da DRGE e de diagnosticar doenças subjacentes que estejam se apresentando com sinais e sintomas típicos da DRGE (regurgitação e vômito). Diagnóstico clínica + exame físico + exame complementar obs: a história é suficiente para diagnóstico se for criança maior e adolescente com sintomas específicos de DRGE em lactentes não, pois os sintomas são inespecíficos objetivos exames complementares: documentar presença de RGE ou de suas complicações estabelecer relação entre RGE e os sintomas avaliar eficácia do tto e excluir diagnósticos Radiografia contrastada de esôfago, estômago e duodeno - importante não é adequada para diagnóstico de DRGE avalia apenas o RGE pós-prandial imediato, não quantificando os episódios de refluxo uso: avaliação anatômica do TG alto indicação: quando suspeita de anormalidade anatômica (na presença de disfagia, vômitos biliosos ou suspeita de volvo, obstrução, estenose, membrana) Cintilografia gastroesofágica importante também só avalia o RGE pós-prandial imediato vantagens: identificar o RGE mesmo após dieta com pH neutro, avaliar o esvaziamento gástrico e detectar a aspiração pulmonar detecção de esvaziamento gástrico lento não confirma diagnóstico se normal, não descarta aspiração pulmonar indicação: suspeita clínica de retenção gástrica não é indicada para DRGE em lactentes e crianças USG esofagogástrica vantagem: DDX com estenose hipertrófica de piloro não é indicada de rotina no lactente nem na criança maior → não diferencia RGE de DRGE phmetria esofágica Doença do Refluxo Gastroesofágico DRGE 3 vantagens: avaliar o paciente em condições mais fisiológicas e por longos períodos, quantificar o RGE e correlacionar os episódios de refluxo com os sinais e sintomas limitação: não detecta episódios de refluxo não ácidos ou pouco ácidos RGE pós-prandial de lactentes (dieta láctea) pode não ser detectado (leite neutraliza refluxo ácido) indicação: avaliação de sintomas atípicos ou extradigestivos da DRGE, pesquisa de RGE oculto, avaliação da resposta ao tratamento clínico em pacientes portadores de esôfago de Barrett ou de DRGE de difícil controle, além de avaliação pré e pós-operatória do paciente com DRGE sempre que não houver pH- impedância, para correlacionar com sintomas ocasionados pelo ácido e definir seu papel na etiologia da DRGEe da esofagite e de determinar a eficácia da supressão ácida Impedanciometria esofágica intraluminal Vantagem: detecta movimento retrógrado de fluidos, sólidos e ar no esôfago, independente do pH Atualmente, ela é utilizada com maior frequência em conjunto com a monitorização do pH, chamada pH- impedanciometria Indicação: correlacionar sintomas com refluxo ácido e não ácido, esclarecer o papel do refluxo ácido e não ácido na etiologia da esofagite, determinar a eficácia da terapia ácida e, principalmente, diferenciar NERD (doença do refluxo esofágico não erosivo) de esôfago hipersensível e azia funcional nos pacientes com endoscopias normais. Manometria esofágica vantagem: avalia motilidade do esôfago indicação: pacientes com quadro sugestivo de dismotilidade esofágica (disfagia e odinofagia) → pode ser útil quando não há resposta à supressão ácida ou quando EDA negativa ou DDX com doenças que alteram a motilidade. EDA com biópsia vantagem: avaliação macro da mucosa esofágica e a coleta de material para estudo histopatológico + permite diagnóstico das complicações esofágicas da DRGE (esofagite, estenose péptica, esôfago de Barret) DDX com outras doenças pépticas e não pépticas esofagite na EDA quando há lesões na macroscopia (erosões ou úlceras) → as biópsias são mais para DDX ausência de esofagite na EDA não exclui DRGE Teste terapêutico com supressão ácida IBP indicação: o novo guideline sugere apenas por 48 semanas para diagnóstico em crianças maiores com sintomas típicos → sintomas típicos: azia, dor epigástrica em queimação, tosse crônica principalmente relacionada à alimentação, náuseas e regurgitações, dor torácica e dispepsia. Não deve ser usado para sintomas extraesofágicos Exames Maxuell: muito importante QUAL EXAME E O PORQUÊ Se for pedir um exame, pedir pHmetria com impedância ATENTARSE AO USG E A RADIOGRAFIA COM CONSTRASTE MAX QUER Tratamento Objetivos do tto promoção de crescimento e ganho de peso adequados + alívio dos sintomas + cicatrização das lesões teciduais + prevenção da recorrência e complicações Tratamento conservador medidas comportamentais + educação de pais + dietéticas não usar roupas apertadas trocar as fraldas antes das mamadas Doença do Refluxo Gastroesofágico DRGE 4 evitar o uso de fármacos que exacerbam orientar infusões lentas nas crianças com sondas nasogástricas evitar o tabagismo → induz o relaxamento do EEI e aumenta os índices de asma, pneumonia, apneia e síndrome de morte súbita evitar comidas gordurosas, com gás, ultraprocessados não comer poucas horas antes de dormir → exceto se desnutrição severa informar que fórmulas AR (antirregurgitação, e não anti-RGE não diminuem a frequência dos eps de refluxo lactentes ou portadores de DRGE posição supina para dormir adultos e adolescentes → decúbito lateral E, com a cabeceira elevada redução de peso em obesos Tto medicamentoso Não há um consenso real, ok? Mas os indicados são: 1 Antiácidos de contato, ou protetores de mucosa: para sintomas esporádicos ou diminuição da acidez noturna → no geral, recomendados antes dos IBPs, segundo guideline Nice Droga Doses Idade e peso Antiácido com magnésio ou alumínio 2,5 mL, 3 vezes/dia 5 mL, 3 vezes/dia 5 kg 5 kg Alginato (neutralizante) LíquidoSachês 10 mL Comprimidos mastigáveis 10 mL, até 4 vezes/dia, após comerCrianças 12 anos Sucralfato (citoprotetor) Comprimidos de 1 g Flaconetes de 2 g 10 mL Crianças maiores de 6 anos: 1 g, 4 vezes/dia Lactentes e crianças menoresde 6 anos: 2,5 mL, 4 vezes/dia 2 Procinéticos: sintomático, principalmente de vômitos e regurgitação → sem benefício para uso de rotina, pois: aumentam o tônus do EEI e melhoram o esvaziamento gástrico MAS NÃO diminuem a frequência dos relaxamentos transitórios do EEI principal mecanismo fisiopatológico do RGE também NÃO são eficazes em induzir a cicatrização das lesões esofágicas e não apresentam efeito anti-RGE comprovado, mas sim antirregurgitação Drogas Recomendadas? Bromoprida, Metoclopramida e Domperidona Não! 3 Medicamentos que diminuem a secreção ácida IBP e inibidores H2 sintomático, sobretudo se há dor retroesternal e azia e/ou complicações → associados à ação do ácido no esôfago ou em outros órgãos, como os sintomas respiratórios a. Antagonistas H2 inibem os receptores H2 de histamina nas células parietais gástricas → eficazes na cicatrização das lesões erosivas nos casos leves e moderados MAS o uso da Ranitidina foi suspenso pela FDA e Anvisa b. IBP indicados nos casos de esofagite erosiva, estenose péptica ou esôfago de Barrett, bem como nas crianças que necessitam de um bloqueio mais efetivo da secreção ácida, como nas portadoras de doença respiratória crônica grave ou com problemas neurológicos → o uso crônico não diminui sua eficácia; devem ser usados sempre ANTES das refeições (efeitos colaterais) 4 reações idiossincráticas (cefaleia, diarreia, constipação, náusea), interações com outras drogas, hipergastrinemia e hipocloridria induzidas por drogas ● se descontinuado, não fazer de forma abrupta, pois há efeito rebote Droga IBPs) Doses Dose máxima Omeprazol 1 a 4 mg/kg/dia 80 mg Lansoprazol 2 mg/kg/dia para lactentes 30 mg para pacientes com mais de 30 kg 60 mg Esomeprazol 20 mg para pacientes de até 20 kg (lactentes 10 mg) 40 mg para pacientes com mais de 20kg 40 mg Pantoprazol 1 a 2 mg/kg/dia 40 m 40 mg Doença do Refluxo Gastroesofágico DRGE 5 Droga IBPs) Doses Dose máxima Dexlansoprazol (testado em adolescentes) 30 mg 60 mg Recomendações gerais Não usar bloqueador H2 ou IBP em lactentes normais com choro e irritabilidade OU como tto de regurgitações nos lactentes normais Fazer cursos de 4 a 8 semanas de IBP para sintomas típicos (azia, dor retroesternal, pirose, dor epigástrica) em crianças Não usar IBP em sintomas extraesofágicos, exceto na presença de sintomas típicos e/ou exame sugestivo de DRGE Avaliar a eficácia do tto e a exclusão de causas alternativas (alergia a pt do leite) em crianças que não respondem ao teste terapêutico, bem feito, de 4 a 8 semanas Tto cirúrgico quando? Complicações que ameaçam a vida Depois de avaliação apropriada para excluir outras doenças Condições crônicas (fibrose cística, neuropatias), com risco importante de complicações Necessidade de uso crônico de medicações para controle dos sintomas Doença do Refluxo Gastroesofágico DRGE 6 Alergia à proteína do leite de vaca POR ÍNDICE Definição e etiopatogenia A alergia à proteína do leite de vaca APLV é a alergia alimentar mais comum na infância Com a maior prevalência durante o primeiro ano de vida. O leite de vaca é o alérgeno alimentar mais representativo para o grupo etário pediátrico, não apenas por ser o mais utilizado, como também pelo seu forte potencial alergênico O mesmo contém mais de 20 componentes proteicos, dotados de diferentes graus de atividade antigênica. ETIOPATOGENIA A APLV pode ser dividida em primária (geralmente em crianças de famílias com antecedentes atópicos) ou secundária (ocorrendo após surtos de gastroenterocolite aguda ou consequente à deficiência transitória de IgA. Na mucosa intestinal sensibilizada, a reação local resultante pode ser mediada através de uma ou mais das seguintes reações alérgicas classificadas por: tipo l, tipo III e tipo IV. A reação do tipo l é uma reação mediada por IgE e os sintomas são resultantes da liberação de substâncias vasoativas por mastócitos ou basófilos, os quais possuem anticorpos IgE-específicos em suas membranas. A reação do tipo III é caracterizada pela formação de complexos antígenos-anticorpos solúveis com ativação do complemento, desencadeando assim uma reação inflamatória. A reação do tipo IV é mediada por células T especificamente sensibilizadas Este tipo de resposta imunológica na enteropatia induzida por leite de vaca ainda não foi investigado de modo sistemático. No entanto, estudos mostrando o encontro da transformação Rodrigo Brandão Definição e etiopatogeniaETIOPATOGENIA Quadro clínico 1 Não mediada por IgE mais branda Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar 2 Mediada por IgE 3 APLV mista: Diagnóstico APLV IgE-mediada APLV não-IgE mediada Tratamento Alergia à proteína do leite de vaca 1 linfoblástica e sensibilização da célula T induzidas pelas proteínas do leite de vaca sugerem que esse tipo de reação possa estar presente. Estes mecanismos isolados ou combinadamente podem estar diversamente envolvidos em cada caso individual. Não se sabe quais os determinantes destas diferentes respostas alérgicas, atribuindo-se, no entanto, papel significante a fatores genéticos e ao grau de exposição a antígenos Quadro clínico 1- Não mediada por IgE - mais branda ● Menos comum ● Pode demorar até 7 dias para se manifestar (tardia) Sintomas Gastrointestinais: ● Vômitos ● Diarreia ● Cólicas abdominais ● Inchaço abdominal Sintomas Respiratórios: ● Tosse ● Chiado no peito ● Congestão nasal ● Coriza Alergia à proteína do leite de vaca 2 Síndrome da enterocolite induzida por proteína alimentar A FPIES caracteriza-se pela presença de náuseas, vômitos intratáveis, hipotonia, palidez, apatia e diarreia com muco e sangue. Em geral, os sintomas iniciam-se 1 a 3 horas após a ingestão da proteína, podendo haver desidratação, acidose metabólica e choque hipovolêmico, o que direciona o diagnóstico equivocado de sepse. Enteropatia induzida por proteína alimentar FPIES quadro de má absorção ● Primeiros meses de vida ● Reação ocorre de dias até 1 mês após a ingesta ● Início insidioso ● Diarreia crônica ● Eritema perianal ● Distensão abdominal ● Vômito ● Perda de peso 2- Mediada por IgE ● Mais comum em crianças ● Manifestação de sintomas em até 2h após a ingesta de alimentos com a proteína do leite de vaca ● Grave Sintomas Cutâneos: ● Urticária (erupção cutânea avermelhada e elevada) ● Eczema (pele seca, coceira e inflamada) ● Inchaço dos lábios, olhos ou face (angioedema) Sintomas Respiratórios: ● Tosse ● Chiado no peito ● Congestão nasal ● Coriza Sintomas Anafiláticos (raros, mas graves): ● Dificuldade respiratória súbita ● Queda da pressão arterial ● Palpitações ● Confusão 3- APLV mista: ● Eventos alérgicos relacionados aos dois tipos de APLV descritos acima, com reações alérgicas imediatas ou tardias. Podem ocorrer problemas respiratórios, dermatológicos e gastrointestinais Diagnóstico Suspeição diagnóstica História clínica nutricional com recordatório alimentar DDX intolerância à lactose, doença celíaca, gastroenterite aguda e retocolite ulcerativa inespecífica Testes diagnósticos Alergia à proteína do leite de vaca 3 APLV IgE-mediada Teste de puntura (prick test) Teste cutâneo de pesquisa de IgE (in vivo) Útil para excluir APLV IgE-mediada (tem VPN alto, mas VPP baixo) Positivo, se pápula 3 mm Pode fechar dx, se: Ocorre reação sistêmica grave (anafilática) com relação causa-efeito bem determinada Fortemente positivo (pápula 8 mm) Identifica paciente com chances de se tornar tolerante, se pápula 5 mm Teste sorológico (in vitro) Detecta se existe anticorpo (sensibilização), mas não indica se ingesta gera sx Solicitar, se prick test for inconclusivo Positivo, se 15 KU/l 2a) ou 5 KU/l 2a) Pode fechar dx (+ história), indicar melhor momento para TPO ou prognóstico (desenvolver tolerância x marcha atópica) Identifica paciente com chances de se tornar tolerante, se 2 KU/l APLV não-IgE mediada Dx difícil, porque os sx são tardios e existem poucos testes disponíveis Teste de contato (patch test) Seria uma possibilidade, mas ainda não existe padronização Hoje não é usado de rotina, funciona mais como guia Dieta de eliminação 2 semanas sem ingerir o alimento suspeito da alergia (leite, no caso) Muito útil na APLV não IgE-mediada Se não houver melhora, ou não é APLV ou não foi feito direito Se houve melhora (sem sx), ↑ suspeita e indica TPO Teste de Provocação Oral TPO Oferecer alimentos em doses crescentes e intervalos regulares, sob supervisão médica, para detecção de possíveis reações clínicas Fazer em ambiente hospitalar, pelo risco de reação grave Classificação Aberto: médico e paciente/responsável sabem, não precisa de placebo (se 1a, fidedignidade = simples-cego) Simples-cego: só o médico sabe se o paciente está ingerindo alimento ou placebo Duplo-cego e controlado por placebo: nem médico nem paciente/responsável sabem se é alimento ou placebo, quem faz o controle é uma 3ª pessoa (nutricionista) É o padrão-ouro, mas custoso de fazer ○ Os pacientes com dx de APLV devem ser submetidos em intervalos de 612m, para determinar se desenvolveram tolerância Endoscopia ○ Sx do TGI pedem avaliação alta ou baixa com Bx para firmar dx ○ Necessário fazer Bx de vários locais, pois áreas normais e alteradas ficam intercaladas ○ 15 eosinófilos/campo confirma esofagite/gastrite eosinofílica Alergia à proteína do leite de vaca 4 Tratamento ● Tratamento nutricional: ○ A base do tratamento é: exclusão de LV e derivados. ■ deve ser respaldada por um diagnóstico preciso, pois a retirada desse alimento pode colocar a criança, em especial na fase de lactente, em risco nutricional. ■ objetivo global: evitar o aparecimento de sintomas e proporcionar à criança melhor qualidade de vida e crescimento e desenvolvimento adequados. ○ A introdução da alimentação complementar em crianças com APLV deve seguir os mesmos princípios do preconizado para crianças saudáveis, salientando-se que não há restrição na introdução de alimentos contendo proteínas potencialmente alergênicas (p.ex. ovo, peixe, carne bovina, de frango ou porco) a partir do sexto mês em crianças amamentadas ao seio até essa fase ou que recebem fórmulas infantis. ■ Deve-se evitar apenas a introdução simultânea de dois ou mais alimentos fontes de proteínas. ○ O leite de outros mamíferos (p.ex.: cabra e ovelha), fórmulas parcialmente hidrolisadas, fórmulas poliméricas isentas de lactose não devem ser indicados para crianças com APLV. ■ A homologia entre as proteínas do LV e cabra é importante, podendo ocorrer reatividade clínica cruzada em 92% dos casos. ○ Etapas a seguir após diagnóstico: ■ avaliação da condição nutricional ➝ em todas as consultas, com o objetivo de planejar e adequar o consumo alimentar às necessidades nutricionais da criança ■ dieta de exclusão do LV e derivados com substituição apropriada; ■ educação continuada para família e cuidadores; Leitura e interpretação da rotulagem Cuidado com ambientes de alto risco (p. ex. escolas, praças de alimentação, festas, entre outros) ● Orientação quanto a reações graves ● Promoção da qualidade de vida ● Orientação nutricional individualizada ○ Crianças em aleitamento materno ■ submete-se a mãe a dieta de exclusão de LV e derivados com orientação nutricional apropriada avaliando-se a necessidade de suplementação medicamentosa para viabilizar o atendimento às necessidades nutricionais, especialmente do cálcio 1.200 mg fracionado duas vezes ao dia) ○ Crianças que não estão em aleitamento materno ■ fórmulas à base de proteína isolada de soja; fórmulas à base de proteínas extensamente hidrolisadas (hidrolisados proteicos), compostas predominantemente por peptídeos (com peso molecular inferior a 3.000 Daltons) e aminoácidos obtidos por hidrólise enzimática e/ou térmica e ultrafiltragem; e fórmulas ou dietas a base de aminoácidos ➝ devem ser mantidas, preferencialmente, até os dois anos de idade, sendo o mínimo recomendado até 12 meses. Alergia à proteína do leite de vaca 5 Tratamento medicamentoso ○ são empregados em duas situações ➝ crise alérgica aguda ou em manifestações crônicas de alergia mediada por IgE ■ manifestações cutâneas (urticária e angioedema) ➝ a administração de anti-histamínicos anti-H1 por via oral ● Raramente é necessária a administração de adrenalina (solução milesimal) intramuscular, mas pode auxiliar na resolução da urticária. ■ Em reações anafiláticas ➝ é a adrenalina, os anti-histamínicosaliviam o prurido, a urticária/angioedema, mas não a substituem. ● via intramuscular, na coxa (vasto lateral) onde a absorção é mais rápida, na dose de 0,01 mg/kg, máximo 0,3 mg, e repetida após 15 minutos em caso de não haver resposta. ● Após a aplicação de adrenalina, o paciente deve ser mantido em posição supina com elevação dos membros inferiores se ele tolerar, manter as vias aéreas pérvias, administrar oxigênio e viabilizar acesso venoso para reposição volêmica, preferencialmente com solução salina. ■ Não há medicamentos recomendados para prevenção de reações a ingestão de alimentos mediadas por IgE, não mediadas por IgE ou mistas. ● Uso de prebióticos, probióticos e simbióticos ○ Prebióticos ➝ substâncias não digeríveis, em geral susceptíveis à fermentação, que oferecem um efeito fisiológico benéfico ao hospedeiro, pois estimulam o crescimento e a função de bactérias que compõe o microbioma ○ Probióticos ➝ microrganismos vivos que, quando administrados em quantidades apropriadas, conferem benefício à saúde do hospedeiro ○ Simbióticos ➝ preparações ou produtos que contemplam probióticos e simbióticos Alergia à proteína do leite de vaca 6