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AUL-04
COMPETÊNCIA
1) Conceito
A jurisdição é una e indivisível, contudo, para mais efetividade, ela é ramificada por meio da competência, a qual delimita o exercício legítimo para “dizer o direito”. A competência corresponde à distribuição da jurisdição entre os diversos juízes.
A doutrina brasileira informa que os critérios de competência são em razão:
a) da natureza da relação jurídica (competência em razão da matéria ou objetiva) – para a Justiça do Trabalho, tal disciplina encontra albergue no art. 114 da CF e no art. 652 da CLT;
b) da qualidade das partes envolvidas (competência em razão da pessoa);
c) da hierarquia dos órgãos judiciários (competência interna ou funcional) – no processo do trabalho, vem disciplinada na CLT e nos Regimentos Internos dos TRTs e do TST.
d) do lugar (competência territorial) – no processo do trabalho, é disciplinada no art. 651 da CLT; regra geral, utiliza-se o local da prestação do serviço;
e) do valor da causa – no processo do trabalho, serve para definir o rito processual (até 2 salários mínimos, rito sumário; de 2 a 40 salários mínimos, sumaríssimo; e acima de 40 salários mínimos, rito ordinário).
	As 3 primeiras são absolutas e de interesse público. As outras duas, por sua vez, são relativas à territorialidade e ao valor da causa, respectivamente; quanto a esta última, na Justiça laboral, se o rito processual cabível for o sumaríssimo, será considerada pela doutrina como absoluta.
2) Competência material da Justiça do Trabalho brasileira após a EC 45/2004 e competência em razão da pessoa
A EC 45/2004 trouxe significativas mudanças na competência material da Justiça do Trabalho brasileira; o critério, que era eminentemente pessoal, ou seja, em razão das pessoas de trabalhadores e empregadores, passou a ser em razão de uma relação jurídica, que é a de trabalho.
3) Competência material da Justiça do Trabalho
3.1) Controvérsias oriundas e decorrentes da relação de trabalho
a) Do conceito de relação de trabalho
	Para a doutrina majoritária, “relação de trabalho” pressupõe trabalho prestado por conta alheia, em que o trabalhador (pessoa física) coloca sua força de trabalho em prol de outra pessoa (física ou jurídica), podendo o trabalhador correr ou não os riscos da atividade. Exclui-se da relação de trabalho quando este é prestado por pessoa jurídica.
Quanto ao requisito da onerosidade, a doutrina é tranquila ao indicar que não se trata de requisito essencial para a configuração de uma relação de trabalho. Já no que tange à subordinação, a relação de trabalho poder-se-á ocorrer com subordinação (relação de emprego) ou de forma autônoma (podendo ser um contrato de trabalho ou de prestação de serviços).
	Por fim, no que toca ao requisito da eventualidade: (i) se eventual – contrato de trabalho; (ii) se não eventual – contrato de emprego.
	Portanto, relação de trabalho é o trabalho prestado por conta alheia, em que o trabalhador (pessoa física) coloca, em caráter preponderantemente pessoal, de forma eventual ou não eventual, gratuita ou onerosa, de modo autônomo ou subordinado, sua força de trabalho em prol de outra pessoa física ou jurídica (de direito público ou privado), podendo o trabalhador correr ou não riscos da atividade que desempenhará.
b) Competência da Justiça do Trabalho para apreciar as lides oriundas da relação de trabalho
Inserem-se na competência da Justiça do Trabalho as ações que demandam qualquer espécie de prestação de trabalho humano, preponderantemente pessoal, qualquer que seja a modalidade de vínculo jurídico, realizada por pessoa natural para pessoa (jurídica ou natural). Apesar da aplicação de competência decorrente da EC 45/2004, não se inserem na competência material da Justiça do Trabalho as relações de trabalho regidas por legislação especial (vide servidores estatutários) e as regidas pela lei do consumidor.
c) Servidor público. Relação estatutária
	O inciso I do art. 114 da CF ainda traz a competência em relação à pessoa ao incluir na esfera trabalhista as causas em que são partes entes de direito público externo e da administração direta e indireta da União, dos estados/DF e dos munícipios.
	A relação estatutária é aquela regulada por estatuto (lei) dos servidores públicos. A relação empregatícia, por seu turno, é aquela referente aos empregados públicos regidos pela CLT por ausência de estatuto ou previsão legal. Por fim, as relações de caráter jurídico-administrativo correspondem àquelas situações previstas pela lei, para contratação temporária de servidor público, que podem ser estatutárias ou celetistas, a depender da legislação respectiva.
	Pois bem, a competência para julgar as relações de emprego é resolvida pelo STF e pelo TST, que declaram competente a Justiça do Trabalho nas causas em que há relação de emprego, isto é, os servidores denominados empregados públicos são regidos pela CLT (celetista). Do contrário, cabe à Justiça Comum as ações referentes às relações estatutárias, inclusive os cargos em comissão, e dos servidores temporários. Assim, cabe à Justiça Federal julgar os servidores estatutários federais e à Justiça Estadual os estaduais e municipais.
	Inclusive, no uso da técnica da interpretação conforme a Constituição, o STF (ADI 3.395) reconheceu a incompetência da Justiça Obreira para apreciar as causas que sejam instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico-administrativo. Esse entendimento foi confirmado na Reclamação 6.568, em que o STF determinou o deslocamento da apreciação da ação de greve de policiais civis do Estado de São Paulo da Justiça do Trabalho para o Tribunal de Justiça (Justiça Comum).
Compete à Justiça comum processar e julgar controvérsias relacionadas à fase pré-contratual de seleção e de admissão de pessoal e eventual nulidade do certame em face da Administração Pública, direta e indireta, nas hipóteses em que adotado o regime celetista de contratação de pessoal. (STF, Plenário, RE 960429/RN, Rel. Min. Gilmar Mendes, j. 04 e 05.03.2020, repercussão geral (Tema 992), Info 968)
Servidores públicos. Regime temporário. Justiça do Trabalho. Incompetência. No julgamento da ADI 3.395MC/DF, este Supremo Tribunal suspendeu toda e qualquer interpretação do inciso I do art. 114 da CF (na redação da EC 45/2004) que inserisse, na competência da Justiça do Trabalho, a apreciação de causas instauradas entre o Poder Público e seus servidores, a ele vinculados por típica relação de ordem estatutária ou de caráter jurídico-administrativo. As contratações temporárias para suprir os serviços públicos estão no âmbito de relação jurídico-administrativa, sendo competente para dirimir os conflitos a Justiça comum e não a Justiça especializada. (Rcl. 4.872)
	Ressalta-se que a alteração de regime celetista para estatutário limita a competência da Justiça do Trabalho ao período do regime celetista, inclusive a fase executória e a prescrição bienal, isto é, o empregado tem prazo de 2 anos contados da extinção para ajuizar reclamação trabalhista. Em outras palavras, a alteração do regime celetista para o estatutário limita a competência trabalhista ao período do contrato regido pela CLT.
OJ 138 da SDI-1 do TST: Competência residual. Regime jurídico único. Limitação da execução. Compete à Justiça do Trabalho julgar pedidos de direitos e vantagens previstos na legislação trabalhista referente a período ANTERIOR à Lei nº 8.112/90, mesmo que a ação tenha sido ajuizada após a edição da referida lei. A superveniência de regime estatutário em substituição ao celetista, mesmo após a sentença, limita a execução ao período celetista. (destacamos)
Súmula 382 do TST: Mudança de regime celetista para estatutário. Extinção do contrato. Prescrição bienal. A transferência do regime jurídico de celetista para estatutário implica EXTINÇÃO DO CONTRATO DE TRABALHO, fluindo o prazo da prescrição bienal a partir da mudança de regime. (destacamos)
d) Os contratos de empreitada e a pequena empreitada
	Para a maioria da doutrina, a competência da Justiçado Trabalho, nos contratos de empreitada, se circunscreve aos casos de pequeno empreiteiro.
e) Contratos de prestação de serviços
	A partir da ampliação da competência da Justiça do trabalho, decorrente da EC 45/2004, é possível postular, com base em contrato de prestação de serviço, o reconhecimento de vínculo de emprego; caso tal situação seja impossível, será cabível pedido sucessivo para pagamento das verbas oriundas da prestação do serviço.
	Caso não se atribua à Justiça do Trabalho, os contratos de prestação de serviços serão regidos pelo Código Civil (Justiça Comum).
f) Entes de direito público externo
	 ESTADOS ESTRANGEIROS, ABRANGENDO AS EMBAIXADAS E AS REPARTIÇÕES CONSULARES
	ORGANISMOS INTERNACIONAIS
	Não têm imunidade de jurisdição
	Têm imunidade absoluta de jurisdição
	Regra: têm imunidade de execução
	 
4) Competência para as ações que envolvem o exercício do direito de greve
A greve, prevista na CF (art. 9º), é considerada direito social e fundamental da classe trabalhadora, contudo não é ilimitado, pois os abusos sujeitam os responsáveis às penas da lei. Não se trata de uma forma de solução de conflitos; em verdade, o direito de greve é uma forma de pressionar o empregador a negociar.
Sempre foi de competência da Justiça laboral julgar o dissídio coletivo de greve; todavia, com a EC 45/2004, o art. 114, II, ampliou essa competência para abranger também as ações que envolvam o exercício do direito de greve, e, para alguns autores, inserem-se igualmente nessa competência as ações prévias (inibitórias) – para assegurar o exercício do direito de greve; as ações possessórias – reintegração e manutenção da posse e interdito proibitório; as ações indenizatórias – para reparação de danos causados ao empregador quando do exercício de greve; os danos causados a terceiros; e as obrigações de fazer – medidas que evitem prejuízos ao empregador durante o exercício da greve pelos empregados.
Súmula 189: Greve. Competência da justiça do trabalho. Abusividade (nova redação) – Res. 121/2003, DJ 19, 20 e 21.11.2003 A Justiça do Trabalho é competente para declarar a abusividade, ou não, da greve.
4.1) Da competência da Justiça do Trabalho para o julgamento da greve de servidores públicos
Em decisão proferida no Mandado de Injunção 712-8, o STF estabeleceu a disciplina no caso de dissídio de greve de servidores públicos estatutários, entendendo que “Até a devida disciplina legislativa, devem-se definir as situações provisórias de competência constitucional para a apreciação desses dissídios no contexto nacional, regional, estadual e municipal”, aplicando-se analogicamente a Lei 7.701/1988. Assim, a Justiça do Trabalho não tem competência para apreciar as relações de trabalho envolvendo relações estatutárias; por consequência, também não poderá resolver conflitos relacionados ao direito de greve do servidor público estatutário, salvo se se tratar de servidores regidos pela CLT. Todavia, esse não é mais o entendimento prevalecente:
A justiça comum, federal ou estadual, é competente para julgar a abusividade de greve de servidores públicos CELETISTAS da Administração pública direta, autarquias e fundações públicas. (STF, Plenário, RE 846854/SP, Rel. orig. Min. Luiz Fux, Red. p/ o Acórdão Min. Alexandre de Moraes, j. 01.08.2017, repercussão geral, Info 871) (destacamos)
Súmula Vinculante 23: A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ação possessória ajuizada em decorrência do exercício do direito de greve pelos trabalhadores da iniciativa privada.
	Quanto à ação de cobrança da contribuição sindical dos SERVIDORES PÚBLICOS, conforme já decidido pelo STF, é de competência da Justiça Comum (estadual ou federal).
	No que diz respeito à contribuição sindical do servidor celetista, a competência é da Justiça do Trabalho.
4.2) Ações indenizatórias que decorrem da greve
O entendimento que prevalece na doutrina é de que tais ações são de competência da Justiça do Trabalho.
4.3) Ações sobre representação sindical
Dispõe a CF, no art. 114, que “Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (...) III – as ações sobre representação sindical, entre sindicatos, entre sindicatos e trabalhadores, e entre sindicatos e empregadores”. Nesse inciso, percebe-se claramente que em qualquer ação sobre representação sindical a competência recai sobre a Justiça do Trabalho. Assim, ações entre dois sindicatos, ações entre sindicato e empregados e ações entre sindicato e empregadores são de competência da Justiça do Trabalho, inclusive quando forem partes as confederações e federações, pois se trata de representação sindical, novidade trazida pela EC 45/2004, visto que, anteriormente, tal competência era da Justiça Comum (nesse sentido, a Súmula 222 do STJ).
5) Habeas corpus
O habeas corpus é remédio constitucional cabível sempre que alguém sofre ou se acha ameaçado de sofrer violência ou coação em sua liberdade de locomoção, por ilegalidade ou abuso de poder. Na esfera trabalhista, tal remédio era utilizado no caso de depositário infiel; contudo, com a declaração do STF de inconstitucionalidade sem redução de texto da prisão civil, atualmente, na Justiça do Trabalho, o uso de habeas corpus é de difícil incidência, apesar de parte da doutrina admiti-lo em casos de restrição de liberdade dos empregados pelos empregadores ou tomadores de serviços em casos de greve, por exemplo, ou, ainda, em casos de trabalho análogo a condições de escravo.
COMPETÊNCIA – JULGAMENTO – HC TRABALHISTA
· Contra ato de particular – juiz do trabalho
· Contra ato de juiz do trabalho – TRT
· Contra ato do TRT – TST
· Contra ato do TST – STF
6) Mandado de segurança
Remédio constitucional previsto no art. 5º, LXIX, da CF, o mandado de segurança (MS) corresponde a uma ação constitucional com rito especial (definido na Lei 12.016/2009) que visa defender direito líquido e certo, não amparado por habeas corpus e habeas data.
Na Justiça do Trabalho, a competência para o MS, após a EC 45, se fixa em razão da matéria; portanto, não se determina tendo por base a atividade coatora, mas a competência do órgão jurisdicional responsável por desfazer tal ato.
7) Habeas data
CF, art. 5º, LXXII. É remédio constitucional para assegurar o conhecimento de informações em banco de dados (públicos ou privados com caráter público) ou para retificação de informações nesses bancos de dados.
É pouco usado na Justiça do Trabalho; geralmente, resolve-se com o MS, mas pode ocorrer, por exemplo, no caso de empregadores que buscam informações sobre procedimento administrativo referente à penalidade administrativa.
8) Ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes da relação de trabalho
Apesar de apenas com a EC 45 ter recebido albergue constitucional (art. 114, VI – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (...) VI – as ações de indenização por dano moral ou patrimonial, decorrentes da relação de trabalho), a competência da Justiça do trabalho em tal matéria já estava devidamente firmada, tanto no TST quanto no STF.
Súmula 392: Dano moral e material. Relação de trabalho. Competência da Justiça do Trabalho (redação alterada na sessão do Tribunal Pleno realizada em 27.10.2015) – Res. 200/2015, DEJT divulgado em 29.10.2015 e 03 e 04.11.2015. Nos termos do art. 114, inc. VI, da Constituição da República, a Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar ações de indenização por dano moral e material, decorrentes da relação de trabalho, inclusive as oriundas de acidente de trabalho e doenças a ele equiparadas, ainda que propostas pelos dependentes ou sucessores do trabalhador falecido.
9) Da competência da Justiça do Trabalho para apreciação dos danos morais e materiais decorrentes do acidente de trabalho e doença ocupacional
As ações dessa natureza decorrentes de acidente de trabalho também serão de competência da Justiça do Trabalho, inclusive quando ajuizadas pelos sucessores e herdeiros, desde que sejam contra o empregador. Já as ações contra o INSS (autarquia federal) serão ajuizadas na Justiça Comum Estadual.
Súmula Vinculante 22:A Justiça do Trabalho é competente para processar e julgar as ações de indenização por danos morais e patrimoniais decorrentes de ACIDENTE DE TRABALHO propostas por empregado contra empregador, inclusive aquelas que ainda NÃO possuíam sentença de mérito em primeiro grau quando da promulgação da Emenda Constitucional nº 45/04. (destacamos)
Súmula 501 do STF: Compete à justiça ordinária estadual o processo e o julgamento, em ambas as instâncias, das causas de acidente do trabalho, ainda que promovidas contra a União, suas autarquias, empresas públicas ou sociedades de economia mista.
Assim, as ações por danos morais e materiais decorrentes de acidente de trabalho contra o empregador devem ser ajuizadas na Justiça do Trabalho. Por outro lado, as ações para benefício previdenciário por acidente de trabalho (auxílio-acidente) serão de competência da Justiça Comum Estadual.
AÇÕES ACIDENTÁRIAS – ACIDENTE DE TRABALHO – COMPETÊNCIA
· Promovidas pelo trabalhador em face do INSS, para recebimento de benefício previdenciário (AUXÍLIO-ACIDENTE) – JUSTIÇA COMUM ESTADUAL (art. 109, I, da CF).
· Ajuizadas pelo trabalhador em face do EMPREGADOR, postulando indenização por danos MORAIS ou PATRIMONIAIS – JUSTIÇA DO TRABALHO.
9.1) Competência da Justiça do Trabalho para apreciar o dano moral em ricochete
Insere-se na competência da Justiça do Trabalho em decorrência da previsão do art. 114, VI, da CF. É o dano reflexo que atinge pessoa diversa daquele que sofre diretamente o dano moral.
10) Penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos da fiscalização do trabalho
Antes da EC 45, essas espécies de ações eram julgadas pela Justiça Federal. Atualmente, trata-se de matéria indiscutivelmente da competência da Justiça do Trabalho (art. 114, VII – Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: (...) VII – as ações relativas às penalidades administrativas impostas aos empregadores pelos órgãos de fiscalização das relações de trabalho).
11) Execução, de ofício, das contribuições sociais das sentenças que proferir
Prevista no art. 114, VIII, da CF (Compete à Justiça do Trabalho processar e julgar: VIII – a execução, de ofício, das contribuições sociais previstas no art. 195, I, a, e 195, II, e seus acréscimos legais, decorrentes das sentenças que proferir). O artigo mencionado refere-se às contribuições sociais devidas pelo empregador e pelo empregado para custeio da previdência social.
As contribuições sociais incidem sobre as parcelas de natureza salarial: salário, 13º, horas extras, adicionais etc. Desse modo, quando houver incidência de contribuições sociais na condenação de verbas trabalhistas, deverá o juiz executá-las de ofício (independentemente de provocação).
Prevalece a tese de limitação da cobrança das contribuições previdenciárias às sentenças de eficácia condenatória, ficando excluídas as sentenças declaratórias.
12) Da competência territorial (em razão do lugar) da Justiça do Trabalho brasileira
A competência territorial delimita a base geográfica da jurisdição. Ela depende de provocação por meio de exceção de incompetência, sob pena de tornar competente o juiz que anteriormente era incompetente (prorrogação de competência). Regra geral, a competência territorial é o local da prestação de serviços. Caso o serviço tenha sido em mais de um lugar, será competente o último local (corrente majoritária).
As exceções à regra geral da competência territorial (local da prestação dos serviços) estão disciplinadas nos parágrafos do art. 651 da CLT:
Art. 651. A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento é determinada pela localidade onde o empregado, reclamante ou reclamado, prestar serviços ao empregador, ainda que tenha sido contratado noutro local ou no estrangeiro.
§ 1º Quando for parte de dissídio agente ou viajante comercial, a competência será da Junta da localidade em que a empresa tenha agência ou filial e a esta o empregado esteja subordinado e, na falta, será competente a Junta da localização em que o empregado tenha domicílio ou a localidade mais próxima.
§ 2º A competência das Juntas de Conciliação e Julgamento, estabelecida neste artigo, estende-se aos dissídios ocorridos em agência ou filial no estrangeiro, desde que o empregado seja brasileiro e não haja convenção internacional dispondo em contrário.
§ 3º Em se tratando de empregador que promova realização de atividades fora do lugar do contrato de trabalho, é assegurado ao empregado apresentar reclamação no foro da celebração do contrato ou no da prestação dos respectivos serviços.
12.1) Competência territorial na ação civil pública
Regra especial é dada à competência territorial da ação civil pública, prevista na Lei 7.347/1985, a qual busca a responsabilidade por danos morais e patrimoniais sobre direitos coletivos (de um grupo ou categoria, mas individual), difusos (de pessoas indeterminadas) ou homogêneos (divisíveis, mas de origem comum). A competência da ação civil pública é absoluta (funcional-territorial), sendo inderrogável e improrrogável por vontade das partes. Nesse sentido, dispõe o art. 2º que o foro competente será o local onde ocorrer o dano. Logo, é competente a Vara do Trabalho (juiz singular/1ª instância), veja-se:
Art. 2º As ações previstas nesta Lei serão propostas no foro do local onde ocorrer o dano, cujo juízo terá competência funcional para processar e julgar a causa.
Parágrafo único. A propositura da ação prevenirá a jurisdição do juízo para todas as ações posteriormente intentadas que possuam a mesma causa de pedir ou o mesmo objeto.
Definida a extensão do dano, passa-se a estabelecer o juízo competente, conforme dispões a OJ 130 da SDI-2 do TST:
OJ 130 da SDI-2 do TST: Ação civil pública. Competência. Local do dano. Lei nº 7.347/1985, art. 2º. Código de Defesa do Consumidor, art. 93. I – A competência para a Ação Civil Pública fixa-se pela extensão do dano; II – Em caso de dano de abrangência REGIONAL, que atinja cidades sujeitas à jurisdição de mais de uma Vara do Trabalho, a competência será de QUALQUER DAS VARAS DAS LOCALIDADES ATINGIDAS, ainda que vinculadas a Tribunais Regionais do Trabalho distintos; III – Em caso de dano de abrangência SUPRARREGIONAL ou NACIONAL, há competência concorrente para a Ação Civil Pública das VARAS DO TRABALHO DAS SEDES DOS TRIBUNAIS REGIONAIS DO TRABALHO; IV – Estará prevento o juízo a que a primeira ação houver sido distribuída. (destacamos)
	EXTENSÃO DO DANO
	 COMPETÊNCIA
	Dano local
	Vara do Trabalho do local do dano.
	Dano regional
	Qualquer das Varas das localidades atingidas, ainda que vinculadas a TRTs distintos.
	Dano suprarregional ou nacional
	Competência concorrente para ACP das Varas do Trabalho das sedes dos TRTs.
12.2) Exceção de incompetência territorial
A reforma trabalhista promovida pela Lei 13.467/2017 alterou o art. 800 da CLT de forma significativa, trazendo novidades no que tange à impugnação à competência territorial. Assim, há:
• forma de alegação da incompetência territorial: conforme dispõe o caput, “em peça que sinalize a existência desta exceção”, a exceção de incompetência será apresentada em peça autônoma; portanto, diferente do que prevê o CPC, em que é possível suscitar as hipóteses de incompetência relativa junto com a contestação (inovação trazida pela CPC de 2015);
• prazo para apresentação: atualmente, o prazo é de 5 dias – que devem ser contados a partir da notificação e em dias úteis; caso contrário, haverá preclusão temporal, bem como a prorrogação da competência, já que se trata de prazo próprio e peremptório. Por fim, vale destacar que a exceção deve ser apresentada antes da audiência;
• necessidade de indicação do juízo competente: trata-se de pressuposto da exceção. Ademais, por consequência lógica, após a apresentação da exceção, o suscitante não poderá impugnar o juízo ao qual os autos foram direcionados;
• suspensão do processo: automática, todavia imprópria, pois o próprio incidente, por óbvio, não estará suspenso;
• contraditório: garantido pelo § 2º. Foi ampliado de 24 horas improrrogáveis para 5 dias;
•produção de prova oral: permitida, utilizando-se como parâmetro o mesmo número de testemunhas cabíveis para o procedimento aplicado ao processo principal sem obstar a oitiva destas na instrução do processo de referência.
13) Competência funcional da Justiça do Trabalho
Essa classificação decorre da divisão (hierarquia) existente na estrutura interna do Poder Judiciário trabalhista. Assim, a competência funcional se refere ao fato de a ação ser ajuizada na Vara do Trabalho, no TRT ou no TST, ou, ainda, sucessivamente nas três instâncias, em caso de vários recursos interpostos das decisões de cada órgão.
14) Conflitos de competência entre órgãos que detêm jurisdição trabalhista
Os conflitos podem ocorrer entre os próprios órgãos que compõem o Judiciário trabalhista, como os conflitos entre Varas do Trabalho ou entre juízes do trabalho e juízes de direito investidos de jurisdição trabalhista, e entre Tribunais Regionais do Trabalho. Em razão da hierarquia entre os órgãos que compõem a Justiça do Trabalho, não há conflito de jurisdição entre Varas e TRTs, nem entre TST e TRTs, pois prevalece o entendimento do tribunal hierarquicamente superior.
	Entende-se por conflitos de competência sempre que dois ou mais juízes se dão por competentes (querem julgar a causa) ou incompetentes (não querem julgar a causa) ou, ainda, quando dois ou mais juízes divergem sobre a reunião ou separação de processos.
	Os conflitos de competência podem ser suscitados pelos juízes e tribunais do trabalho, pelo Ministério Público do Trabalho e pela parte interessada ou por seu representante. Em caso de conflito de competência, o incidente é julgado pela instância superior e pela instância/órgão o mais imparcial possível.
	O art. 808, a, da CLT dispõe que será competente o TRT quando houver conflito entre Vara do trabalho × Vara do Trabalho ou juiz de direito investido na jurisdição trabalhista (desde que abrangidos pelo mesmo TRT). Já a alínea b prevê a competência do TST para conflito entre TRT x TRT; TRT x Vara de outro TRT; Vara de TRT diverso x Vara de TRT diverso ou juiz de direito de TRT diverso.
Destaca-se que, entre os órgãos judiciais, há hierarquia e, diante disso, não há conflito de competência entre TRT e Vara do Trabalho a ele vinculada, pois a Vara (instância inferior) deve acatar a decisão do TRT (instância superior).
Súmula 420: Competência funcional. Conflito negativo. TRT e Vara do Trabalho de idêntica região. Não configuração. Não se configura conflito de competência entre Tribunal Regional do Trabalho e Vara do Trabalho a ele vinculada.
Por sua vez, em caso de conflito entre Vara do Trabalho ou TRT × juiz de direito, TJ, juiz federal ou TRF, caberá ao STJ o julgamento (art. 105, I, d, da CF). Por fim, caberá ao STF decidir sobre conflitos de competência quando houver divergência entre TST × TJ, TRF, juiz de direito ou juiz federal (art. 102, I, o, da CF).
	CONFLITO DE COMPETÊNCIA (JT)
	ÓRGÃO JULGADOR
	Entre duas Varas do Trabalho, ou entre juiz do trabalho e juiz de direito investido de jurisdição trabalhista
	TRT (art. 808, a, da CLT)
	Entre TRTs
	TST (art. 808, b, da CLT)
	Entre juiz do trabalho e juiz de direito, ou entre juiz do trabalho e juiz federal
	STJ (art. 105, I, d, da CF)
	Entre TST e TJ, ou TRF
	STF (art. 102, I, o, da CF)
15) Dicotomia competência absoluta vs. relativa
	COMPETÊNCIA ABSOLUTA
	COMPETÊNCIA RELATIVA
	Atende ao interesse público
	Atende ao interesse particular da parte
	Cometência em razão da matéria, da pessoa ou funcional
	Competência territorial
	A incompetência absoluta pode ser alegada em qualquer tempo e grau de jusidição e deve ser declarada de oficío (art. 64, § 1º, CPC)
	Sujeita-se à preclusão, de so réu não a alegar, no prazo previsto no art. 800 da CLT
	Não é passível de prorrogação
	É passível de prorrogação
	Não pode ser alterada por conexão ou continência
	Pode ser alterada por conexão ou continência
16) Competência normativa da Justiça do Trabalho
Por fim, no Direito do Trabalho, é possível a criação de normas jurídicas gerais (abstratas e genéricas) pelas partes envolvidas no conflito. É o que ocorre nas negociações coletivas (ACT e CCT). Contudo, quando as partes não chegam a um acordo, é instaurado o dissídio coletivo cuja função é legislativa, já que impõe normas abstratas e gerais aos interessados (poder normativo).
CF: Art. 114: (...)
§ 1º Frustrada a negociação coletiva, as partes poderão eleger árbitros.
§ 2º Recusando-se qualquer das partes à negociação coletiva ou à arbitragem, é facultado às mesmas, de comum acordo, ajuizar dissídio coletivo de natureza ECONÔMICA, podendo a Justiça do Trabalho decidir o conflito, respeitadas as disposições mínimas legais de proteção ao trabalho, bem como as convencionadas anteriormente.
§ 3º Em caso de greve em atividade essencial, com possibilidade de lesão do interesse público, o Ministério Público do Trabalho poderá ajuizar dissídio coletivo, competindo à Justiça do Trabalho decidir o conflito. (destacamos)
17) Competência para homologação de acordo extrajudicial
A reforma trabalhista alterou a redação do art. 652 da CLT, competindo às Varas do Trabalho decidir quanto à homologação de acordo extrajudicial em matéria de competência da Justiça do Trabalho (alínea f).
	Destaca-se que, como se trata de homologação de acordo extrajudicial, há hipótese de jurisdição voluntária, sendo, em tese, competente qualquer juízo. Todavia, o entendimento predominante é de que – na proteção ao trabalhador – é incabível o foro de eleição na Justiça do Trabalho.
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