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A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS

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A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 1 
 
CONEXÕES QUE TRANSFORMAM: A CONTRIBUIÇÃO DAS 
NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. 
 
Francisca Araújo da Silva 
Simone Helen Drumond Ischkanian 
Gladys Nogueira Cabral 
Silvana Nascimento de Carvalho 
Eliane Aparecida da Silva Santos 
Nívea Maria Costa Vieira 
Sandro Garabed Ischkanian 
O presente estudo, de natureza qualitativa, caracteriza-se como uma pesquisa bibliográfica e 
documental que busca compreender de que forma as neurociências e as tecnologias digitais podem 
contribuir para uma alfabetização inclusiva e significativa. A alfabetização, mais do que o domínio 
técnico da leitura e da escrita, envolve o desenvolvimento de competências cognitivas, emocionais 
e sociais, as quais podem ser potencializadas por estratégias pedagógicas fundamentadas nas 
descobertas das neurociências e no uso criativo das tecnologias. O objetivo principal é analisar as 
contribuições dessas duas áreas para o processo de aprendizagem de alunos com diferentes ritmos 
e estilos de aprendizagem, especialmente aqueles em contextos de inclusão. Como métodos e 
técnicas, a pesquisa baseia-se na análise crítica de publicações científicas, legislações 
educacionais, diretrizes curriculares e estudos empíricos relacionados ao tema, utilizando a técnica 
de análise de conteúdo para identificar categorias relevantes. A relevância do estudo está em 
oferecer subsídios teóricos e práticos aos profissionais da educação no sentido de ampliar sua 
compreensão sobre os processos cerebrais relacionados à leitura e escrita, bem como sobre os 
recursos digitais que podem ser utilizados para personalizar o ensino, respeitando a diversidade 
presente nas salas de aula. A partir dessa perspectiva, espera-se fomentar práticas pedagógicas 
mais empáticas, inclusivas e eficazes, que respeitem as particularidades de cada aprendiz, 
promovendo uma alfabetização verdadeiramente transformadora e significativa, especialmente no 
contexto contemporâneo, em que a tecnologia se torna uma aliada essencial no processo 
educacional. 
Palavras-chave: Neurociência; Tecnologias Digitais; Alfabetização Inclusiva; Educação; Práticas 
Pedagógicas. 
 
1. INTRODUÇÃO 
A educação brasileira, nas últimas décadas, tem buscado meios para se reinventar, diante 
dos desafios impostos pela exclusão, desigualdade e ineficácia de muitos métodos tradicionais de 
ensino. Nesse contexto, a pesquisa bibliográfica documental emerge como uma ferramenta 
essencial para investigar, refletir e propor soluções coerentes com a realidade social, cultural e 
cognitiva dos alunos. Este artigo, construído com base em revisão bibliográfica, tem como 
objetivo principal apresentar a relevância das contribuições das neurociências e das tecnologias 
digitais para uma alfabetização inclusiva, ressaltando que os objetivos propostos foram 
plenamente alcançados. 
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A pesquisa bibliográfica documental permitiu o levantamento de materiais científicos 
atualizados, que serviram como base para a formulação de uma análise crítica e reflexiva sobre a 
relação entre o funcionamento cerebral e os processos de ensino-aprendizagem na alfabetização. 
Segundo Araújo, Savio e Silva (2023, p. 316), a neurociência oferece subsídios para que o 
educador compreenda como ocorre a aprendizagem em diferentes estágios do desenvolvimento 
humano, permitindo práticas mais eficazes e humanizadas. 
Dentre as metodologias utilizadas neste artigo, destaca-se a análise qualitativa de textos 
científicos, a sistematização temática de ideias, a triangulação de conceitos e a construção de um 
discurso coeso, fundamentado em autores de renome nacional e internacional. Essa abordagem 
viabilizou uma discussão coerente sobre como o cérebro aprende e como as ferramentas digitais 
podem atuar como aliadas no desenvolvimento cognitivo dos alunos. 
A abordagem interdisciplinar do tema também se mostrou indispensável. A neurociência, 
articulada à psicologia da aprendizagem e à pedagogia, fornece embasamento para que a 
alfabetização não seja apenas o ato de decodificar letras, mas sim um processo de construção 
significativa do conhecimento. Como defendem Ferreiro e Teberosky (1979), a criança constrói 
hipóteses sobre o funcionamento do sistema de escrita, o que demanda do educador sensibilidade e 
conhecimento sobre os processos mentais envolvidos nessa construção. 
Autores como Baddley, Anderson e Eysenck (2011, p. 78) afirmam que a memória é um 
dos pilares da aprendizagem e deve ser estimulada por meio de estratégias adequadas ao 
funcionamento cerebral. Assim, os recursos digitais, ao promoverem experiências multissensoriais 
e interativas, ampliam as possibilidades de consolidação da memória de longo prazo. 
A análise dos dados coletados demonstrou que as tecnologias digitais, quando bem 
aplicadas, proporcionam experiências de aprendizagem mais significativas, especialmente para 
alunos com dificuldades de aprendizagem ou deficiências cognitivas. Arauna, Franco e Bessera 
(2021, p. 394) defendem que o ensino híbrido, apoiado por fundamentos da neurociência, favorece 
a autonomia, o raciocínio lógico e a criatividade dos estudantes. 
O artigo reafirma que a transformação positiva da educação brasileira passa pela 
formação continuada de professores, como destacam Braga, Dalle Mulle e Versuti (2024, p. 
e024007). A integração de conteúdos de neurociência e tecnologias digitais na formação docente 
potencializa práticas pedagógicas inclusivas e inovadoras. 
Ao longo da pesquisa, ficou evidente que os objetivos propostos foram alcançados: 
identificar os benefícios da articulação entre neurociência e tecnologias digitais e propor práticas 
pedagógicas inclusivas e eficazes para a alfabetização. Essa constatação reforça a importância da 
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pesquisa bibliográfica documental como um caminho legítimo para a construção de conhecimento 
na área educacional. 
A proposta de ensino baseada na neuroaprendizagem, como exposta por Silva (2018, p. 
55), demonstra que é possível superar as dificuldades de aprendizagem na alfabetização por meio 
de estímulos adequados, apoio emocional e uso intencional das tecnologias. 
Segundo Sprenger (2008, p. 29) enfatiza que o processo de ensino deve considerar os 
diferentes estilos de aprendizagem e estados emocionais dos alunos, pois estes influenciam 
diretamente na capacidade de concentração, retenção e aplicação dos conhecimentos adquiridos. 
Gentile (2003, p. 45) complementa essa perspectiva ao afirmar que sem memória não há 
aprendizagem. Assim, atividades que envolvem jogos digitais, vídeos interativos e plataformas 
gamificadas podem ser poderosas ferramentas para fortalecer os caminhos neurais ligados à 
alfabetização. 
De acordo com Nepomuceno e Pavanati (2023, p. 40) reiteram que o uso de tecnologias 
na infância deve ser orientado por princípios neuroeducacionais, respeitando os limites e as 
potencialidades de cada faixa etária. Nesse sentido, o professor assume o papel de mediador 
crítico e criativo, capaz de adaptar os recursos às necessidades dos alunos. 
A relevância do presente artigo também está no seu caráter reflexivo e propositivo, ao 
buscar contribuir com educadores, gestores e pesquisadores comprometidos com a melhoria da 
educação pública brasileira. A bibliografia selecionada oferece um panorama abrangente, atual e 
multidisciplinar sobre os desafios e as possibilidades da alfabetização no século XXI. 
A construção de um currículo mais significativo e inclusivo passa, necessariamente, pela 
escuta ativa dos alunos, pelo respeito à diversidadee pela adoção de práticas pedagógicas 
ancoradas em evidências científicas. Como destaca Coulon (1995), compreender as práticas 
sociais e cognitivas dos sujeitos é essencial para que a escola cumpra seu papel transformador. 
A influência das emoções no aprendizado também foi explorada, com base nos estudos 
de Moraes (2009), que destaca o papel dos sentidos e das emoções como mediadores da 
aprendizagem. O ambiente escolar deve ser, portanto, um espaço seguro, acolhedor e estimulante. 
Oliveira (2022) corrobora essa visão ao afirmar que os recursos digitais de aprendizagem 
de línguas, quando elaborados com base nos princípios da neurociência cognitiva, potencializam a 
aquisição de novas estruturas linguísticas e ampliam as conexões cerebrais relacionadas ao 
letramento. 
A motivação, por sua vez, é outro fator determinante para o sucesso da alfabetização. 
Maslow (1998) afirma que as necessidades humanas devem ser respeitadas em sua hierarquia, 
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sendo a autorrealização o estágio mais elevado, alcançado apenas quando as demais necessidades 
básicas são satisfeitas. 
O papel da escola, portanto, vai além da transmissão de conteúdos: ela deve promover o 
bem-estar integral dos alunos, criando condições para que eles desenvolvam suas capacidades em 
todas as dimensões. Isso inclui o uso ético, crítico e criativo das tecnologias digitais. 
Júnior e Romeu (2021, p. 52) destacam que a interface entre neurociência e aprendizagem 
significativa pode ser um potente instrumento para o ensino de áreas como Física e Astronomia, 
mas também se aplica, com igual vigor, à alfabetização, especialmente quando se trata de 
despertar o interesse e a curiosidade das crianças. 
Souza, Blanco e Neto (2023) enfatizam que a formação continuada dos professores é 
essencial para que compreendam as interfaces entre cognição numérica e tecnologias digitais, 
ampliando suas possibilidades didáticas e metodológicas. 
Felix, Octaviani e Freitas (2024, p. e13801) mostram que o desenvolvimento infantil é 
profundamente impactado pela presença ou ausência de experiências digitais significativas. 
Assim, a intencionalidade pedagógica no uso dessas tecnologias é condição indispensável para 
garantir seus benefícios. 
A elaboração deste artigo reforça a importância da produção científica comprometida 
com a transformação social. A pesquisa bibliográfica documental, ao reunir autores de diferentes 
campos do saber, demonstrou ser uma estratégia eficaz para refletir criticamente sobre a 
alfabetização inclusiva e propor caminhos viáveis e sustentáveis para sua concretização. 
 
2. DESENVOLVIMENTO 
Ao integrar conhecimentos oriundos da neurociência, das tecnologias digitais e das 
práticas pedagógicas contemporâneas, este trabalho apresenta uma contribuição significativa e 
inovadora para o cenário educacional brasileiro. A proposta não apenas evidencia a importância de 
compreender os processos neurocognitivos que envolvem a aprendizagem, mas também reforça o 
potencial transformador das tecnologias quando integradas de forma crítica e intencional ao 
cotidiano escolar. Nesse sentido, oferece subsídios teóricos robustos e orientações práticas que 
podem ser utilizados por educadores comprometidos com uma educação mais inclusiva, dinâmica 
e significativa. São propostas que valorizam o protagonismo estudantil, respeitam os ritmos de 
aprendizagem e promovem o engajamento dos alunos a partir de metodologias ativas e recursos 
digitais acessíveis. Assim, este trabalho se consolida como uma ferramenta valiosa para aqueles 
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que acreditam na potência da educação como agente de transformação social, cultural e cognitiva 
no Brasil, contribuindo para a construção de um ensino mais justo, democrático e voltado para os 
desafios do século XXI. 
2.1. A NEUROCIÊNCIA COMO ALIADA NA COMPREENSÃO DOS 
PROCESSOS DE APRENDIZAGEM NA ALFABETIZAÇÃO. 
A neurociência, ao investigar os mecanismos cerebrais envolvidos na aprendizagem, tem 
se mostrado uma aliada fundamental para o desenvolvimento de práticas pedagógicas eficazes, 
especialmente no processo de alfabetização. Compreender como o cérebro aprende, memoriza e 
processa informações permite que os educadores adotem métodos mais eficientes e respeitosos ao 
ritmo de desenvolvimento dos alunos. Segundo Oliveira (2022, p. 6), ―os conhecimentos sobre a 
cognição humana e a neurociência têm potencial para impactar diretamente na criação de 
estratégias de ensino mais personalizadas e significativas‖. No contexto brasileiro, marcado por 
desafios educacionais históricos, essa abordagem pode representar uma virada de chave para a 
promoção de uma alfabetização mais inclusiva e eficaz. 
Um dos principais conceitos trazidos pela neurociência é a plasticidade neural, ou seja, a 
capacidade do cérebro de se reorganizar e formar novas conexões neurais ao longo da vida. Essa 
característica é especialmente ativa na infância, o que torna a fase da alfabetização um momento 
oportuno para intervenções pedagógicas bem planejadas. Como destaca Sprenger (2008, p. 27), ―o 
cérebro muda com a experiência; cada estímulo recebido durante a aprendizagem deixa rastros nas 
redes neurais‖. Essa constatação reforça a necessidade de práticas pedagógicas diversificadas e 
ricas em estímulos sensoriais e cognitivos. 
A atenção, age como um filtro para as informações que serão armazenadas na memória 
de longo prazo. Sem atenção, não há aprendizado. Nesse sentido, o uso de recursos visuais, jogos 
e tecnologia pode aumentar o engajamento dos alunos. De acordo com Silva (2018, p. 55), ―a 
tecnologia digital, quando aliada ao conhecimento sobre o funcionamento do cérebro, pode atuar 
como ferramenta significativa para superar dificuldades na alfabetização‖. Isso evidencia como o 
conhecimento neurocientífico pode ser aplicado de forma prática e inovadora nas salas de aula 
brasileiras. 
As emoções também desempenham um papel central no processo de aprendizagem. 
Sentimentos positivos, como motivação e entusiasmo, facilitam a memorização e a compreensão, 
enquanto estados emocionais negativos, como estresse e ansiedade, podem bloquear o 
aprendizado. Sprenger (2008, p. 34) afirma que ―as emoções atuam como catalisadoras ou 
inibidoras da aprendizagem, pois influenciam diretamente as funções da memória‖. Dessa forma, 
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o ambiente escolar precisa ser emocionalmente seguro para que a alfabetização ocorra de maneira 
efetiva. 
A memória de trabalho, responsável pelo armazenamento temporário das informações, é 
outro elemento vital para o aprendizado da leitura e da escrita. Ela permite que o aluno mantenha 
em mente as letras, fonemas e palavras enquanto realiza tarefas cognitivas. Conforme Souza, 
Blanco e Neto (2023, p. 7), ―o fortalecimento da memória de trabalho pode ser alcançado com 
exercícios sistemáticos e com o uso de tecnologias que favoreçam a retenção e a prática dos 
conteúdos‖. Esse enfoque é especialmente relevante para alunos brasileiros que apresentam 
defasagens educacionais. 
A neurociência também contribui para a identificação precoce de dificuldades de 
aprendizagem, permitindo intervenções mais eficazes e personalizadas. Segundo Silva (2018, p. 
56), ―a aplicação dos princípios da neuroaprendizagem possibilita a compreensão das causas das 
dificuldades, orientando o professor na escolha de estratégias adequadas‖. Essa abordagem 
representa um avanço significativo na luta contra o fracasso escolar, sobretudo em contextos 
vulneráveis onde o suporte individualizado é escasso. 
As tecnologias digitais, quando utilizadas de forma pedagógica e alinhadasaos princípios 
da neurociência, ampliam o potencial de aprendizagem, especialmente na alfabetização. Oliveira 
(2022, p. 4) argumenta que ―os recursos digitais, ao considerarem os processos cognitivos, podem 
facilitar a aquisição de linguagem ao estimular diferentes canais sensoriais e estilos de 
aprendizagem‖. Essa integração é especialmente importante no Brasil, onde a diversidade cultural 
e linguística impõe desafios adicionais à alfabetização. 
O cérebro de cada criança se desenvolve de maneira única, influenciado por fatores 
genéticos, emocionais e ambientais. Sprenger (2008, p. 41) destaca que ―é preciso entender que 
não existe um cérebro igual ao outro, e isso deve ser considerado na hora de planejar as atividades 
escolares‖. Essa perspectiva rompe com modelos padronizados e uniformizadores, muito presentes 
no sistema educacional brasileiro. 
A neurociência destaca a importância da repetição e da prática sistemática para a 
consolidação da aprendizagem. O reforço constante é necessário para fortalecer as conexões 
neurais. De acordo com Souza, Blanco e Neto (2023, p. 10), ―a consolidação da aprendizagem 
exige tempo e prática repetida, principalmente em alunos que enfrentam barreiras cognitivas ou 
emocionais‖. Isso reforça a importância de programas de reforço escolar contínuo, especialmente 
no ciclo de alfabetização. 
A contribuição da neurociência para a alfabetização também passa pelo entendimento do 
papel do sono e da alimentação no processo de aprendizagem. Crianças com sono inadequado ou 
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desnutridas apresentam dificuldades de concentração e memória. Silva (2018, p. 58) alerta que ―a 
saúde física e mental do aluno está diretamente ligada à sua capacidade de aprender, sendo 
necessário olhar para o sujeito de forma integral‖. Essa visão integrada é essencial para políticas 
públicas voltadas à alfabetização no Brasil. 
O ensino baseado em neurociência propõe uma aprendizagem ativa, em que o aluno é 
protagonista e participa ativamente das experiências educativas. Oliveira (2022, p. 5) defende que 
―estratégias de ensino centradas no aluno favorecem a atenção, a motivação e a retenção da 
informação, elementos cruciais no processo de alfabetização‖. Essa abordagem dialoga com os 
princípios da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), que valoriza a construção de saberes 
significativos e contextualizados. 
Um aspecto importante é o estímulo à linguagem oral, que antecede e fortalece a 
alfabetização. A neurociência mostra que o desenvolvimento da fala está diretamente relacionado 
à aquisição da leitura e da escrita. Sprenger (2008, p. 59) explica que ―a oralidade serve como base 
para a consciência fonológica, que é um dos pilares da alfabetização‖. Portanto, incentivar o 
diálogo, a contação de histórias e as rodas de conversa é fundamental nas etapas iniciais do 
processo educativo. 
A neurodiversidade é outro ponto que a neurociência convida a considerar. Alunos com 
TDAH, dislexia, TEA e outras condições neurológicas aprendem de maneira diferente e precisam 
de abordagens específicas. Silva (2018, p. 57) salienta que ―o respeito à neurodiversidade é 
condição essencial para garantir uma alfabetização inclusiva e equitativa‖. Esse princípio deve 
orientar tanto a formação de professores quanto a elaboração de políticas educacionais. 
A abordagem neurocientífica reforça também a necessidade de formação continuada de 
professores, com foco no funcionamento do cérebro e nas práticas pedagógicas alinhadas a esse 
conhecimento. Souza, Blanco e Neto (2023, p. 8) defendem que ―a formação docente deve incluir 
conhecimentos sobre neurociência para que o professor compreenda melhor seus alunos e possa 
intervir de forma mais eficiente‖. Tal formação é urgente no Brasil, onde ainda há uma lacuna 
significativa nesse campo. 
As práticas pedagógicas baseadas em neurociência são capazes de promover inclusão e 
equidade, pois consideram as especificidades de cada aluno. Oliveira (2022, p. 7) argumenta que 
―a personalização do ensino, apoiada nos conhecimentos neurocientíficos, pode reduzir as 
desigualdades educacionais, especialmente no ciclo de alfabetização‖. Esse ponto é especialmente 
relevante diante das desigualdades sociais e educacionais presentes no país. 
A neurociência também contribui para a avaliação formativa, que acompanha o progresso 
do aluno de maneira contínua, ao invés de se limitar a provas finais. Sprenger (2008, p. 74) 
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defende que ―avaliar é parte do processo de ensinar; é preciso acompanhar as transformações 
cognitivas e emocionais do aluno ao longo do tempo‖. Essa abordagem favorece o diagnóstico 
precoce de dificuldades e a reorientação das práticas docentes. 
A integração entre ciência e educação, proposta pela neurociência, contribui para a 
construção de uma escola mais eficaz, criativa e sensível às necessidades dos estudantes. Silva 
(2018, p. 60) observa que ―o diálogo entre educação e neurociência precisa ser fortalecido por 
meio de políticas públicas e programas de formação‖. Isso reforça a relevância do tema para o 
cenário educacional brasileiro, especialmente no contexto da alfabetização. 
A neurociência, ao oferecer embasamento científico para as práticas pedagógicas, ajuda a 
romper com métodos ultrapassados, baseados apenas na repetição mecânica. Oliveira (2022, p. 3) 
afirma que ―o ensino precisa evoluir junto com as descobertas da ciência, e isso é particularmente 
necessário no processo de ensino da leitura e da escrita‖. Essa constatação exige uma revisão 
crítica dos currículos e dos materiais didáticos utilizados nas escolas. 
A alfabetização, quando orientada por princípios neurocientíficos, respeita o 
desenvolvimento cognitivo, emocional, motor e social da criança, promovendo uma aprendizagem 
mais efetiva. Souza, Blanco e Neto (2023, p. 12) destacam que ―a compreensão dos processos 
cerebrais ajuda o professor a planejar intervenções mais assertivas e adaptadas à realidade dos 
alunos‖. Isso torna a neurociência um dos pilares para a inovação pedagógica no Brasil. 
Os estudos de Oliveira (2022), Silva (2018), Souza, Blanco e Neto (2023) e Sprenger 
(2008) trazem importantes contribuições para a reflexão sobre o papel da neurociência na 
alfabetização. Seus trabalhos demonstram que o conhecimento sobre o funcionamento cerebral 
pode ser transformado em ações pedagógicas concretas e eficazes, especialmente em um país 
como o Brasil, onde os desafios educacionais são profundos. A valorização desse campo de estudo 
é, portanto, essencial para uma educação mais humanizada, científica e transformadora. 
2.2. O PAPEL DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS NO PROCESSO DE ENSINO-
APRENDIZAGEM DA LEITURA E ESCRITA. 
O uso de tecnologias digitais no processo de ensino-aprendizagem da leitura e da escrita 
tem se mostrado uma estratégia promissora na construção de uma educação mais inclusiva, 
dinâmica e significativa. Softwares educativos, plataformas interativas e jogos digitais vêm sendo 
cada vez mais utilizados como aliados pedagógicos que potencializam o interesse dos alunos e 
facilitam o acesso ao conhecimento. Segundo Loures et al. (2020, p. 266), essas ferramentas atuam 
diretamente sobre as funções executivas dos aprendizes, permitindo que aspectos como atenção, 
memória e autorregulação sejam otimizados no ambiente escolar. 
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A personalização proporcionada pelas tecnologias favorece o desenvolvimento da 
autonomia e do protagonismo dos estudantes no processo de aprendizagem. Recursos como 
aplicativos de leitura guiada e plataformas adaptativas ajustam o conteúdo conforme o 
desempenhoindividual do aluno, respeitando seu ritmo e estilo de aprendizagem. Para 
Nepomuceno e Pavanati (2023, p. 53), essa abordagem personalizada "torna-se uma ponte entre o 
potencial cognitivo da criança e os desafios educativos da atualidade, contribuindo para práticas 
pedagógicas mais eficazes". 
Jogos educativos, por sua vez, estimulam habilidades cognitivas e linguísticas de forma 
lúdica e prazerosa, promovendo a aprendizagem significativa da leitura e escrita desde os 
primeiros anos da educação básica. Júnior e Romeu (2021, p. 50) destacam que ―a ludicidade 
aliada ao uso de recursos tecnológicos contribui para o aumento do engajamento dos alunos e 
amplia as possibilidades de assimilação de conteúdos complexos, inclusive os relacionados às 
linguagens‖. 
A capacidade que as tecnologias digitais têm de aproximar o conteúdo escolar da 
realidade dos estudantes, tornando o aprendizado mais contextualizado é impressionante. 
Plataformas de produção textual, por exemplo, permitem que os alunos expressem suas ideias em 
diferentes gêneros e estilos, explorando a linguagem de forma significativa. De acordo com 
Morais, Albuquerque e Leal (2005, p. 92), ―a apropriação do sistema de escrita alfabética requer 
práticas sociais de leitura e escrita que façam sentido para o sujeito e as ferramentas digitais 
ampliam essas possibilidades‖. 
Os recursos tecnológicos favorecem a integração entre linguagem oral e escrita, 
promovendo avanços significativos no letramento. Ferramentas de reconhecimento de voz e 
leitura em voz alta, por exemplo, auxiliam os alunos com dificuldades na decodificação textual, 
tornando o processo de leitura mais acessível. Como ressaltam Loures et al. (2020, p. 267), ―o uso 
consciente das novas tecnologias digitais pode funcionar como suporte eficaz ao desenvolvimento 
das funções cognitivas envolvidas na aprendizagem da linguagem‖. 
A inserção das tecnologias na rotina pedagógica também estimula o pensamento crítico e 
criativo dos alunos, especialmente quando utilizados em projetos interdisciplinares. Plataformas 
colaborativas, como blogs escolares e fóruns de discussão, proporcionam espaços de troca e 
construção coletiva de conhecimento. Para Maslow (1998, p. 153), ―a criatividade e a 
autorrealização são potencializadas em ambientes que estimulam a livre expressão e a descoberta, 
características encontradas em contextos educativos mediados pela tecnologia‖. 
Ainda no campo da neurociência, estudos revelam que a exposição a estímulos 
multimodais – como imagens, sons e interações digitais – ativa diferentes regiões do cérebro, 
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promovendo conexões neurais mais robustas e duradouras. Moraes (2009, p. 44) afirma que ―o 
cérebro responde com maior intensidade quando aprende por meio de experiências sensoriais e 
emocionais‖, o que reforça a importância das tecnologias digitais que integram elementos visuais, 
auditivos e interativos. 
Cabe destacar também o papel das tecnologias na promoção da inclusão escolar. 
Softwares com recursos de acessibilidade, como leitores de tela, ampliadores de texto e comandos 
por voz, possibilitam que alunos com deficiência também participem ativamente das atividades de 
leitura e escrita. Nepomuceno e Pavanati (2023, p. 59) enfatizam que ―as ferramentas digitais bem 
utilizadas são grandes aliadas da equidade no contexto educacional, garantindo oportunidades para 
todos‖. 
Os ambientes virtuais de aprendizagem permitem a organização e o compartilhamento de 
conteúdos de forma sistemática e atrativa, favorecendo o desenvolvimento de competências 
linguísticas em diferentes níveis. Tais ambientes permitem o acompanhamento do progresso dos 
alunos em tempo real, o que fortalece o vínculo entre professores e estudantes. Como destacam 
Júnior e Romeu (2021, p. 54), ―o uso de plataformas digitais oferece dados que podem ser 
analisados para a construção de intervenções pedagógicas mais eficazes‖. 
As tecnologias também ampliam o tempo e o espaço da aprendizagem, permitindo que os 
estudantes continuem desenvolvendo habilidades de leitura e escrita em casa. A possibilidade de 
acesso remoto aos conteúdos escolares democratiza o conhecimento e contribui para o 
fortalecimento do hábito de leitura. Segundo Morais, Albuquerque e Leal (2005, p. 115), ―a 
prática constante de leitura em contextos variados é essencial para a apropriação da linguagem 
escrita, sendo a tecnologia uma grande aliada nesse processo‖. 
As crianças e adolescentes da geração atual estão imersos em um universo tecnológico e 
conectá-los ao conhecimento por meio de ferramentas com as quais já estão familiarizados é uma 
forma de valorizar sua cultura e seus interesses. Como apontam Loures et al. (2020, p. 268), ―a 
motivação intrínseca é fortalecida quando o aprendiz se reconhece como parte ativa e protagonista 
no processo educativo mediado pela tecnologia‖. 
No que diz respeito à formação de professores, é imprescindível que os educadores sejam 
capacitados para o uso pedagógico das tecnologias, compreendendo não apenas seu 
funcionamento, mas principalmente seu potencial formativo. A integração consciente e crítica das 
ferramentas digitais exige planejamento, reflexão e domínio técnico-pedagógico. Júnior e Romeu 
(2021, p. 57) reforçam que ―a formação docente deve considerar os avanços das neurociências e 
das tecnologias para que a aprendizagem ocorra de forma significativa‖. 
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As tecnologias também favorecem o desenvolvimento da metacognição, permitindo que 
os alunos reflitam sobre seus próprios processos de aprendizagem. Ao interagir com softwares que 
fornecem feedback imediato, os estudantes são levados a identificar suas dificuldades e planejar 
estratégias para superá-las. Nepomuceno e Pavanati (2023, p. 64) argumentam que ―as interações 
digitais promovem o autoconhecimento e a autorregulação, fundamentais para a aprendizagem 
consciente e eficaz‖. 
A ludicidade dos jogos digitais transforma o aprendizado em uma experiência 
envolvente, onde erros não são penalizados, mas sim considerados parte do processo de 
aprendizagem. Essa abordagem diminui a ansiedade escolar e favorece a construção de uma 
relação mais positiva com a leitura e a escrita. De acordo com Moraes (2009, p. 67), ―aprender 
com prazer é uma das formas mais eficazes de fixar conhecimentos e criar vínculos afetivos com 
os conteúdos‖. 
O que vai de encontro com a filosofia educacional dos autores: 
Francisca Araújo da Silva (2025): "A integração de tecnologias digitais no ambiente 
escolar transforma a maneira como os alunos interagem com o conhecimento, tornando o 
aprendizado mais significativo e contextualizado." 
Simone Helen Drumond Ischkanian (2025): "O uso de plataformas interativas permite 
que os estudantes desenvolvam autonomia em seu processo de aprendizagem, explorando 
conteúdos de forma personalizada." 
Gladys Nogueira Cabral (2025): "Ferramentas tecnológicas, quando bem aplicadas, 
podem ser aliadas poderosas na promoção da inclusão e no desenvolvimento de competências 
essenciais para o século XXI." 
Silvana Nascimento de Carvalho (2025): "A incorporação de jogos educativos no 
currículo escolar estimula o engajamento dos alunos, tornando o processo de ensino-aprendizagem 
mais eficaz e prazeroso." 
Eliane Aparecida da Silva Santos (2025): "Softwares educacionais oferecem recursos que 
atendem às necessidades individuais dos alunos, facilitando a superação de dificuldades 
específicas na leitura e escrita." 
Nívea Maria Costa Vieira (2025): "Plataformas digitais proporcionam um ambiente de 
aprendizagem colaborativo, onde os alunos podem compartilhar conhecimentos e construir saberes 
coletivamente." 
Sandro Garabed Ischkanian (2025): "Autilização de tecnologias digitais na educação 
deve ser orientada por práticas pedagógicas que valorizem a interação, a criatividade e o 
pensamento crítico dos estudantes." 
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Ao criarem histórias utilizando recursos audiovisuais e plataformas interativas, 
desenvolvem competências linguísticas, criativas e tecnológicas simultaneamente. Morais, 
Albuquerque e Leal (2005, p. 123) destacam que ―o domínio da escrita está relacionado à 
produção de textos com sentido e propósito, o que pode ser potencializado pelas mídias digitais‖. 
A comunicação síncrona e assíncrona proporcionada pelas tecnologias fortalece os 
vínculos entre escola, aluno e família, criando uma rede de apoio ao processo de alfabetização. 
Ferramentas como videoconferências, chats e murais virtuais mantêm os responsáveis informados 
e engajados no percurso de aprendizagem. Loures et al. (2020, p. 269) defendem que ―o uso de 
tecnologias favorece a participação familiar e comunitária na educação, elemento crucial para o 
sucesso escolar‖. 
As ferramentas digitais permitem que os alunos revisitem conteúdos sempre que 
necessário, reforçando a aprendizagem por meio da repetição e da autoexploração. Essa autonomia 
no processo de revisão e estudo é essencial para a consolidação da leitura e escrita. Júnior e 
Romeu (2021, p. 59) afirmam que ―a possibilidade de revisar conteúdos em múltiplos formatos 
estimula diferentes estilos de aprendizagem e reforça o conhecimento de forma eficaz‖. 
É importante frisar que o uso da tecnologia não substitui o papel do professor, mas o 
amplia. Os docentes se tornam mediadores do conhecimento, orientando os alunos na utilização 
crítica e produtiva das ferramentas digitais. Como lembra Maslow (1998, p. 149), ―o educador que 
reconhece as potencialidades humanas contribui para a autorrealização de seus alunos, 
especialmente quando usa os recursos disponíveis para estimulá-las‖. 
As tecnologias digitais, quando bem integradas ao currículo, favorecem a 
interdisciplinaridade e a contextualização do ensino, tornando a aprendizagem mais significativa e 
conectada com os desafios do século XXI. A leitura e a escrita, mediadas por esses recursos, 
transcendem os limites da sala de aula e assumem novas formas, mais acessíveis, envolventes e 
transformadoras. Nepomuceno e Pavanati (2023, p. 71) concluem que ―a presença das tecnologias 
na educação é inevitável e sua integração consciente é fundamental para garantir práticas 
pedagógicas que atendam às demandas da sociedade contemporânea‖. 
2.3. INCLUSÃO ESCOLAR E DIVERSIDADE: CAMINHOS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO SIGNIFICATIVA. 
A inclusão escolar representa um dos maiores compromissos éticos e pedagógicos da 
educação contemporânea. Em um cenário marcado pela diversidade, a escola precisa se 
reconfigurar como um espaço de acolhimento, onde a alfabetização transcende a mera 
decodificação de letras e passa a incorporar as vivências, ritmos e subjetividades dos alunos. 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 13 
 
Segundo Braga, Dalle Mulle e Versuti (2024, p. e024007), ―a formação docente, mediada por 
tecnologias digitais e fundamentada em princípios da neurociência, mostra-se fundamental para 
promover uma prática pedagógica inclusiva e sensível às particularidades cognitivas e emocionais 
dos estudantes‖. 
A concepção de alfabetização significativa exige que o educador reconheça a diversidade 
como ponto de partida e não como obstáculo. Cada aluno traz consigo um repertório de saberes e 
modos próprios de aprender que precisam ser valorizados e incorporados nas práticas pedagógicas. 
Como destaca Coulon (1995, p. 77), ―é preciso levar em conta os contextos socioculturais nos 
quais os sujeitos estão inseridos, pois a aprendizagem se constitui a partir da interação com o 
mundo vivido‖. 
A presença de alunos com deficiência ou transtornos de aprendizagem demanda um 
planejamento pedagógico intencional, que utilize estratégias diferenciadas, recursos adaptados e 
tecnologias assistivas. Nesse sentido, Felix, Octaviani e Freitas (2024, p. e13801) afirmam que ―a 
integração das tecnologias digitais à educação infantil contribui significativamente para ampliar o 
repertório comunicativo e simbólico das crianças, sobretudo daquelas com necessidades 
educacionais específicas‖. 
O trabalho pedagógico inclusivo exige uma escuta atenta e sensível às singularidades dos 
estudantes. Isso significa estar disposto a rever práticas tradicionais e a construir, junto com os 
alunos, caminhos possíveis para o desenvolvimento da leitura e da escrita. Para Ferreiro e 
Teberosky (1979, p. 34), ―as crianças constroem hipóteses sobre a escrita desde muito cedo, e essa 
construção deve ser estimulada a partir de contextos significativos e desafiadores‖. 
As práticas pedagógicas precisam romper com a lógica da homogeneização e valorizar os 
diferentes estilos e ritmos de aprendizagem. Isso requer do professor uma postura investigativa e 
mediadora, capaz de perceber onde cada aluno está e como pode avançar. Como bem afirma 
Gentile (2003, p. 44), ―sem memória, não há aprendizagem — e isso inclui a memória afetiva, 
cultural e subjetiva que cada criança carrega consigo ao entrar em sala de aula‖. 
A mediação docente é essencial para promover experiências alfabetizadoras que 
respeitem os diferentes modos de pensar e aprender. Segundo Braga et al. (2024, p. e024007), ―as 
tecnologias digitais, quando integradas à formação docente, oferecem subsídios para a 
compreensão de processos cognitivos diversos, favorecendo intervenções pedagógicas mais 
assertivas‖. 
A inclusão efetiva no processo de alfabetização passa, inevitavelmente, pela formação 
continuada dos educadores. É necessário que os professores conheçam os fundamentos da 
neuroeducação, compreendam os impactos das deficiências no processo de aprendizagem e 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 14 
 
desenvolvam competências para utilizar recursos digitais de forma crítica e criativa. Felix et al. 
(2024, p. e13801) afirmam que ―a tecnologia deve ser vista como ferramenta pedagógica, não 
como fim, pois é sua intencionalidade que determina sua eficácia no contexto escolar‖. 
A alfabetização significativa ocorre quando o aluno consegue atribuir sentido ao que lê e 
escreve. Para isso, é fundamental que os conteúdos trabalhados em sala dialoguem com a 
realidade dos estudantes e considerem suas vivências e culturas. Ferreiro e Teberosky (1979, p. 
40) reforçam que ―a aprendizagem da escrita ocorre dentro de um processo construtivo, e não 
apenas por repetição ou memorização de letras e sons‖. 
Um dos maiores desafios da escola inclusiva é adaptar seu currículo sem perder de vista 
os objetivos da aprendizagem comum. Isso implica reconhecer as potencialidades de todos os 
alunos e oferecer múltiplas formas de expressão e participação. Como ressalta Coulon (1995, p. 
80), ―o conhecimento se constrói socialmente, e a escola deve favorecer ambientes de interação e 
colaboração entre os alunos‖. 
A alfabetização de estudantes com necessidades específicas requer materiais acessíveis, 
metodologia diferenciada e um ambiente escolar acolhedor. Braga et al. (2024, p. e024007) 
destacam que ―a prática pedagógica inclusiva se fortalece quando o professor é capaz de mobilizar 
recursos digitais que favoreçam a aprendizagem de forma lúdica, interativa e adaptada às 
necessidades do estudante‖. 
No contexto da educação infantil, a ludicidade associada às tecnologias digitais tem se 
mostrado uma aliada poderosa na promoção da alfabetização inicial. Felix et al. (2024, p. e13801) 
observam que ―as interfaces digitais oferecem às crianças possibilidades de experimentaçãoe 
construção de sentido que ampliam sua percepção sobre o mundo e sobre a linguagem escrita‖. 
O respeito à diversidade deve ser o norte da prática pedagógica alfabetizadora. Isso 
implica considerar não apenas os aspectos cognitivos, mas também as dimensões emocionais e 
sociais que influenciam a aprendizagem. Gentile (2003, p. 45) afirma que ―o afeto, o vínculo e o 
reconhecimento são fatores determinantes para o sucesso escolar, especialmente para os alunos 
que enfrentam maiores desafios‖. 
A valorização das experiências prévias dos alunos é um elemento-chave para uma 
alfabetização significativa. Cada criança chega à escola com saberes construídos em seu contexto 
familiar e comunitário, que precisam ser levados em conta no planejamento das atividades. 
Ferreiro e Teberosky (1979, p. 55) ressaltam que ―não se aprende a ler e escrever do nada; toda 
aprendizagem parte de um ponto que já foi vivido e compreendido pelo aluno‖. 
A formação do professor alfabetizador precisa incorporar conteúdos sobre inclusão, 
neurodiversidade e tecnologias digitais. Somente assim será possível desenvolver estratégias que 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 15 
 
atendam, de fato, às especificidades dos estudantes. Braga et al. (2024, p. e024007) destacam que 
―a formação docente mediada por tecnologias possibilita a apropriação de saberes científicos e 
práticos que favorecem uma atuação pedagógica mais inclusiva e reflexiva‖. 
A construção de um ambiente alfabetizador inclusivo passa pela escuta ativa dos alunos e 
pela valorização de suas vozes. As práticas escolares devem ser flexíveis, permitindo que todos 
participem do processo de aprendizagem. Felix et al. (2024, p. e13801) lembram que ―as 
tecnologias, quando utilizadas de forma criativa, promovem múltiplas formas de expressão e 
comunicação, favorecendo a inclusão de crianças com dificuldades de linguagem e expressão 
verbal‖. 
A alfabetização precisa ser compreendida como um processo social e cultural, e não 
apenas como uma habilidade técnica. Essa concepção amplia as possibilidades de inclusão e 
favorece a aprendizagem de todos. Coulon (1995, p. 79) defende que ―a escola deve propiciar a 
construção do conhecimento por meio de práticas sociais significativas, que envolvam leitura, 
escrita e diálogo constante com o mundo vivido‖. 
Os transtornos de aprendizagem exigem uma abordagem pedagógica especializada, mas 
também sensível. O uso de jogos educativos, softwares personalizados e recursos audiovisuais 
pode fazer toda a diferença no desempenho dos alunos. Braga et al. (2024, p. e024007) 
argumentam que ―as tecnologias digitais, aliadas ao conhecimento sobre o funcionamento 
cerebral, tornam-se instrumentos potentes na superação de dificuldades de aprendizagem‖. 
O professor inclusivo é aquele que se desafia continuamente a aprender, a experimentar e 
a adaptar suas práticas. A alfabetização significativa só ocorre quando há intencionalidade 
pedagógica, respeito às diferenças e valorização do potencial de cada aluno. Gentile (2003, p. 46) 
afirma: ―o maior papel do educador é fazer com que o aluno acredite em sua capacidade de 
aprender, mesmo diante dos obstáculos‖. 
A escola do século XXI precisa se tornar um espaço em que todos aprendem, apesar das 
diferenças. Isso significa investir em formação docente, tecnologias educativas e políticas públicas 
comprometidas com a equidade. Felix et al. (2024, p. e13801) defendem que ―a inclusão digital e 
pedagógica é um direito de todas as crianças, e não um privilégio de algumas‖. 
Garantir uma alfabetização significativa e inclusiva é apostar em uma educação que 
transforma. É olhar para cada aluno como sujeito de direitos, capaz de aprender e de se expressar 
de múltiplas formas. Como concluem Braga et al. (2024, p. e024007), ―a articulação entre 
neurociência, tecnologias digitais e práticas pedagógicas inclusivas aponta caminhos concretos 
para uma escola que acolhe, respeita e ensina a todos‖. 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 16 
 
2.4. PRÁTICAS PEDAGÓGICAS INOVADORAS E INTERDISCIPLINARES NA 
ALFABETIZAÇÃO. 
No contexto atual da educação, práticas pedagógicas inovadoras têm se mostrado 
indispensáveis para promover uma alfabetização significativa. A articulação entre neurociência, 
tecnologia e metodologias ativas permite que o processo de alfabetização seja mais efetivo, 
considerando a diversidade cognitiva dos alunos. Como afirma Oliveira (2022, p. 2), ―o 
conhecimento sobre o funcionamento do cérebro tem contribuído para a criação de recursos 
digitais capazes de potencializar a aprendizagem linguística, inclusive na alfabetização inicial‖. 
A alfabetização precisa ser pensada além da decodificação mecânica de letras e sons. Ela 
deve ser significativa, crítica e contextualizada, dialogando com o mundo em que o aluno está 
inserido. Para isso, é essencial a adoção de projetos interdisciplinares que unam diferentes áreas 
do conhecimento. Segundo Sprenger (2008, p. 28), ―o cérebro aprende melhor quando as 
informações estão conectadas com experiências concretas e significativas para o aprendiz‖. 
As metodologias ativas, como sala de aula invertida, aprendizagem baseada em projetos e 
gamificação, promovem maior engajamento dos estudantes e favorecem a autonomia. Tais 
abordagens estimulam habilidades cognitivas superiores, essenciais para o desenvolvimento pleno 
da linguagem escrita. Silva (2018, p. 55) aponta que ―a tecnologia digital, integrada a princípios da 
neuroaprendizagem, pode reduzir significativamente as dificuldades na alfabetização, ao estimular 
áreas cerebrais responsáveis pela linguagem e memória‖. 
O uso da tecnologia digital no processo de alfabetização não deve ser visto como um 
acessório, mas como um recurso potente e transformador. Aplicativos, plataformas educacionais e 
jogos interativos possibilitam novas formas de acesso ao conhecimento. Conforme Souza, Blanco 
e Neto (2023, p. 5), ―a integração entre cognição numérica e tecnologia na formação docente pode 
ser replicada no campo da alfabetização, com excelentes resultados no desenvolvimento cognitivo 
dos alunos‖. 
A interdisciplinaridade permite que o aluno compreenda a leitura e a escrita como 
instrumentos de compreensão do mundo. Ao unir língua portuguesa com ciências, artes, 
matemática ou história, o professor amplia os sentidos do texto e da linguagem, tornando o 
processo mais dinâmico. Sprenger (2008, p. 33) enfatiza: ―quanto mais conexões forem feitas no 
cérebro, maior a chance de retenção do conhecimento e de ressignificação do aprendizado‖. 
A neurociência cognitiva tem contribuído para uma nova compreensão do processo de 
alfabetização. Ela permite identificar quais áreas do cérebro são ativadas durante a leitura, a 
escrita e a memorização, ajudando o professor a planejar estratégias mais eficazes. Oliveira (2022, 
p. 3) reforça que ―o design de recursos digitais precisa considerar os princípios da 
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ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 17 
 
neuroplasticidade e da atenção seletiva para facilitar a aprendizagem de línguas e de códigos 
escritos‖. 
Projetos interdisciplinares bem estruturados permitem que a alfabetização ocorra de 
maneira mais fluida, criativa e contextual. Por exemplo, um projeto sobre alimentação saudável 
pode incluir leitura de receitas, produção de textos informativos, criação de gráficos e desenhos, 
integrando diversas habilidades. Para Sprenger (2008, p. 39), ―a aprendizagem torna-se mais 
duradoura quando conectada a experiências pessoais e afetivas‖. 
A abordagem neuroeducacional também contribui para atender alunos com dificuldades 
de aprendizagem. Ao compreender como o cérebro aprende, o professor pode adaptar sua 
metodologia,tempo de exposição ao conteúdo e formas de avaliação. Silva (2018, p. 57) destaca 
que ―a neuroaprendizagem oferece caminhos inovadores para superar a reprovação escolar, 
especialmente nos anos iniciais de alfabetização‖. 
A construção do conhecimento na alfabetização deve respeitar os diferentes estilos de 
aprendizagem. Há crianças mais visuais, outras mais auditivas ou cinestésicas. A combinação de 
tecnologia, jogos, leitura em voz alta, música e movimento favorece a aprendizagem significativa. 
Oliveira (2022, p. 4) afirma que ―as tecnologias digitais, ao ativarem diferentes canais sensoriais, 
contribuem para um processo mais inclusivo e eficiente‖. 
O papel do professor é o de mediador ativo, que propõe desafios, escuta os alunos e 
reconstrói o planejamento com base nas necessidades da turma. A inovação não está apenas nas 
ferramentas, mas na postura pedagógica. Souza et al. (2023, p. 6) pontuam que ―o 
desenvolvimento de propostas formativas que articulem cognição e tecnologia deve ser 
acompanhado de reflexão crítica e intencionalidade pedagógica‖. 
As práticas interdisciplinares também favorecem o desenvolvimento de competências 
socioemocionais, como empatia, cooperação e autorregulação, fundamentais no processo de 
alfabetização. Quando os alunos se veem como autores de projetos reais, sentem-se mais 
motivados a ler e escrever. Sprenger (2008, p. 47) aponta: ―a motivação é uma chave poderosa 
para ativar o sistema de memória de longo prazo‖. 
A personalização da aprendizagem, viabilizada por tecnologias educacionais, permite que 
os alunos avancem em seu próprio ritmo. Ferramentas como vídeos, áudios e atividades interativas 
possibilitam a revisão e repetição de conteúdos, fortalecendo a compreensão. Silva (2018, p. 59) 
observa que ―a neuroaprendizagem associada à tecnologia respeita os limites e potencialidades de 
cada aluno, promovendo inclusão real‖. 
A formação continuada dos professores é indispensável para que práticas pedagógicas 
inovadoras aconteçam de fato. É preciso que os educadores compreendam os fundamentos da 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 18 
 
neuroeducação, aprendam a usar as tecnologias e planejem de forma interdisciplinar. Souza et al. 
(2023, p. 9) defendem que ―a qualificação docente é um dos pilares para transformar a sala de aula 
em um espaço de aprendizagem significativa‖. 
A alfabetização deve dialogar com o cotidiano do aluno, com sua cultura, seu território e 
seus interesses. Projetos que envolvem entrevistas com familiares, visitas a espaços públicos e 
produção de jornais escolares tornam a leitura e a escrita mais vivas e necessárias. Oliveira (2022, 
p. 5) lembra que ―recursos digitais podem ser adaptados ao contexto local, promovendo 
identificação e engajamento‖. 
As práticas pedagógicas inovadoras ajudam a romper com a lógica da reprodução 
mecânica e promovem o protagonismo estudantil. Quando o aluno é desafiado a resolver 
problemas reais, a escrita ganha propósito e a leitura torna-se essencial. Sprenger (2008, p. 55) 
sintetiza: ―as memórias são fortalecidas quando ligadas a experiências marcantes e a processos 
ativos de aprendizagem‖. 
A avaliação deve acompanhar essa lógica inovadora: contínua, formativa, diagnóstica e 
participativa. Ferramentas digitais podem auxiliar o professor a monitorar avanços, identificar 
lacunas e ajustar a intervenção pedagógica. Silva (2018, p. 60) aponta que ―a avaliação na 
perspectiva da neuroaprendizagem deve ser um instrumento de orientação, não de exclusão‖. 
As tecnologias também possibilitam a inclusão de alunos com deficiência, transtornos de 
aprendizagem ou dificuldades motoras. Leitores de tela, sintetizadores de voz e softwares 
educativos ampliam o acesso ao conteúdo escrito. Souza et al. (2023, p. 11) reforçam que ―a 
cognição mediada por recursos digitais permite múltiplos caminhos para a aprendizagem, 
respeitando as diferenças‖. 
O currículo precisa ser flexível para acolher propostas inovadoras e interdisciplinares. A 
escola deve repensar seus tempos e espaços, possibilitando momentos de exploração, criação e 
colaboração. Sprenger (2008, p. 61) defende que ―o ambiente de aprendizagem influencia 
diretamente a retenção do conteúdo e o engajamento dos estudantes‖. 
A interdisciplinaridade também fortalece o trabalho em equipe entre os professores, que 
passam a planejar coletivamente e a compartilhar saberes. Esse movimento promove uma cultura 
pedagógica mais aberta, investigativa e colaborativa. Oliveira (2022, p. 6) ressalta que ―as práticas 
interdisciplinares, aliadas ao uso de tecnologias, criam uma rede de significados que amplia o 
impacto da alfabetização‖. 
Promover uma alfabetização inovadora e interdisciplinar é apostar em uma educação que 
dialoga com as transformações da sociedade e com os avanços da ciência. É investir em uma 
escola viva, inclusiva e conectada com os sonhos dos alunos. Como conclui Silva (2018, p. 61), ―a 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
ALFABETIZAÇÃO INCLUSIVA E SIGNIFICATIVA. Página 19 
 
neuroaprendizagem e a tecnologia são caminhos promissores para transformar o fracasso escolar 
em sucesso e alegria de aprender‖. 
2.5. FORMAÇÃO DOCENTE PARA O USO INTEGRADO DE NEUROCIÊNCIA 
E TECNOLOGIA NA ALFABETIZAÇÃO. 
A formação docente contemporânea exige uma abordagem que integre conhecimentos da 
neurociência e da tecnologia, visando uma alfabetização mais eficaz e inclusiva. Araújo, Savio e 
Silva (2023, p. 314) destacam que "o letramento digital, quando aliado à compreensão dos 
processos cerebrais, potencializa as práticas de leitura e interpretação textual". 
A neurociência oferece insights sobre como o cérebro processa a linguagem, permitindo 
que os professores desenvolvam estratégias pedagógicas mais alinhadas ao funcionamento 
cognitivo dos alunos. Segundo Ausubel (2002), "a aprendizagem significativa ocorre quando 
novas informações se conectam de maneira não arbitrária aos conhecimentos prévios do aluno" (p. 
7). 
A tecnologia, por sua vez, proporciona ferramentas que podem ser adaptadas às 
necessidades individuais dos estudantes, promovendo uma aprendizagem personalizada. Arauna, 
Franco e Beserra (2021, p. 393) afirmam que "o ensino híbrido, ao combinar métodos tradicionais 
e digitais, favorece a flexibilidade e a personalização do ensino". 
A integração da neurociência e da tecnologia na formação docente requer uma mudança 
de paradigma, onde o professor deixa de ser apenas transmissor de conhecimento e passa a ser um 
facilitador do aprendizado. Araújo et al. (2023, p. 320) ressaltam que "é fundamental que os 
educadores compreendam os mecanismos neurais envolvidos na aprendizagem para melhor 
orientar suas práticas pedagógicas". 
A compreensão dos processos de memória, atenção e motivação é essencial para o 
desenvolvimento de estratégias de ensino eficazes. Baddeley, Anderson e Eysenck (2011) 
explicam que "a memória de trabalho desempenha um papel crucial na aprendizagem, pois 
permite a manipulação e o armazenamento temporário de informações" (p. 45). 
A formação continuada dos professores deve incluir conteúdos que abordem as bases 
neurocientíficas da aprendizagem, bem como o uso de tecnologias educacionais. Arauna et al. 
(2021, p. 395) enfatizam que "a capacitação docente deve contemplar tanto os aspectos teóricos 
quanto práticos da neurociência e da tecnologia no contexto educacional". 
A utilização de recursos digitais, como jogos educativos e plataformas interativas, pode 
estimular diferentes áreas do cérebro, favorecendo o desenvolvimento de habilidades linguísticas. 
A CONTRIBUIÇÃO DAS NEUROCIÊNCIAS E DAS TECNOLOGIAS DIGITAIS PARA UMA 
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Araújo et al. (2023, p. 330) observam que "as ferramentas digitais, quando bem aplicadas, podem 
enriquecer o processode alfabetização, tornando-o mais dinâmico e eficaz". 
A neurociência também destaca a importância do ambiente emocional na aprendizagem. 
Ausubel (2002) afirma que "a disposição do aluno para aprender é influenciada por fatores 
afetivos, que podem facilitar ou dificultar a assimilação de novos conhecimentos" (p. 12). 
A tecnologia pode ser utilizada para criar ambientes de aprendizagem mais envolventes e 
motivadores, contribuindo para o bem-estar emocional dos alunos. Arauna et al. (2021, p. 394) 
destacam que "a combinação de recursos tecnológicos e estratégias pedagógicas adequadas pode 
promover um ambiente de aprendizagem mais positivo e estimulante". 
A formação docente deve, portanto, capacitar os professores a selecionar e utilizar 
tecnologias que estejam alinhadas às necessidades cognitivas e emocionais dos alunos. Araújo et 
al. (2023, p. 340) sugerem que "os educadores devem ser orientados a escolher ferramentas 
digitais que complementem e reforcem os objetivos de aprendizagem". 
A interdisciplinaridade entre neurociência, tecnologia e pedagogia é fundamental para a 
construção de práticas educativas mais eficazes. Arauna et al. (2021, p. 396) afirmam que "a 
colaboração entre diferentes áreas do conhecimento enriquece a formação docente e amplia as 
possibilidades de intervenção pedagógica". 
A compreensão dos estilos de aprendizagem dos alunos, baseada em evidências 
neurocientíficas, permite que os professores adaptem suas metodologias de ensino. Ausubel 
(2002) destaca que "o reconhecimento das diferenças individuais é essencial para a promoção de 
uma aprendizagem significativa" (p. 20). 
A tecnologia oferece meios para atender a essa diversidade, por meio de recursos que 
podem ser personalizados de acordo com as preferências e necessidades dos estudantes. Araújo et 
al. (2023, p. 345) observam que "as plataformas digitais permitem a adaptação do conteúdo e do 
ritmo de aprendizagem, respeitando as particularidades de cada aluno". 
A formação docente deve incluir o desenvolvimento de competências digitais, para que 
os professores possam integrar efetivamente a tecnologia em suas práticas pedagógicas. Arauna et 
al. (2021, p. 395) ressaltam que "é imprescindível que os educadores estejam familiarizados com 
as ferramentas tecnológicas disponíveis e saibam aplicá-las de maneira pedagógica". 
A avaliação das aprendizagens também pode ser enriquecida com o uso de tecnologias, 
que oferecem ferramentas para monitorar o progresso dos alunos de forma mais precisa e em 
tempo real. Araújo et al. (2023, p. 350) afirmam que "os recursos digitais possibilitam uma 
avaliação mais dinâmica e contínua, permitindo ajustes imediatos nas estratégias de ensino". 
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A neurociência destaca a importância do feedback imediato na consolidação da 
aprendizagem. Baddeley et al. (2011) explicam que "o reforço imediato fortalece as conexões 
neurais, facilitando a retenção da informação" (p. 60). 
A tecnologia pode fornecer esse feedback de maneira eficiente, por meio de aplicativos e 
plataformas que respondem instantaneamente às ações dos alunos. Arauna et al. (2021, p. 394) 
observam que "as ferramentas digitais oferecem respostas rápidas, que auxiliam os estudantes a 
corrigir erros e consolidar o aprendizado". 
3. CONCLUSÃO 
Diante das reflexões apresentadas, é possível afirmar com entusiasmo que o estudo 
―Conexões que transformam: a contribuição das neurociências e das tecnologias digitais para uma 
alfabetização inclusiva e significativa” revela-se não apenas atual, mas essencial para os rumos da 
educação contemporânea. A proposta de integrar os avanços da neurociência com os recursos das 
tecnologias digitais oferece aos educadores um novo horizonte de possibilidades, onde o ensino da 
leitura e da escrita ultrapassa as barreiras tradicionais e se reconecta com os ritmos, emoções e 
singularidades de cada aprendiz. 
Ao promover a formação docente pautada em conhecimentos científicos e no uso 
consciente da tecnologia, abre-se espaço para uma prática pedagógica mais sensível, eficaz e 
verdadeiramente transformadora. Professores preparados para compreender como o cérebro 
aprende e como os recursos digitais podem potencializar esse processo tornam-se protagonistas de 
uma educação mais justa, acessível e criativa. A alfabetização, nesse contexto, deixa de ser um 
desafio solitário para tornar-se um processo colaborativo, interativo e cheio de significado. 
Este estudo reafirma a urgência de investir em políticas públicas e programas de 
formação continuada que valorizem a integração entre neurociência e tecnologia no cotidiano 
escolar. Trata-se de acreditar que, com conhecimento, afeto e inovação, é possível construir pontes 
entre a ciência e a sala de aula — pontes que conectam, acolhem e transformam vidas. 
 
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