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MED UNIFTC 2022.2 – 7º semestre | Anna Beatriz Fonseca DEFINIÇÃO Urgência, com ou sem incontinência (desejo súbito podendo ou não ter perda de urina), geralmente com aumento da frequência diurna de micções e noctúria na ausência de infecção comprovada ou outra patologia evidente. A bexiga hiperativa tem clínica muito semelhante à HPB, que é a patologia mais comum da urologia, confundindo o urologista; Pode não haver aumento da frequência urinária em casos que o paciente já se adaptou à bexiga hiperativa (quadros de urgência com frequência urinária baixa): Paciente passa a beber menos água para compensar a bexiga hiperativa e, por isso, continua urgente, mas reduz a produção de urina, reduzindo a frequência urinária. Mulheres que têm costume de prender urina podem prejudicar o desempenho do detrusor ao longo da vida, tornando-se incontinentes quando idosas - incontinência é incapacidade de segurar a urina aos esforços físicos; A urgência pode começar sendo leve à noite (noctúria mais intensa que frequência diurna) e isso se explica pelo relaxamento do corpo ao dormir (“preguiça” do corpo acordar e urinar) - isso aponta para uma hiperatividade da bexiga precoce, ou seja, hiperatividade do detrusor que ainda não é BH: No idoso, associa-se à fratura de fêmur. EPIDEMIOLOGIA Em um estudo nacional, 20 milhões de brasileiros sofrem com bexiga hiperativa, ou seja, quase 10% da população. Em Europa e EUA, 17% da população adulta tem sintomas de bexiga hiperativa; A prevalência aumenta com a idade e é similar entre homens e mulheres; Os sintomas mais prevalentes são noctúria, frequência urinária aumentada e gotejamento terminal (lembra HPB); Interferência na qualidade de vida (está entre as maiores causas de internação): Depressão (18%), coitofobia (15%) e problemas profissionais (42%). NEUROFIS IOLOGIA DA M ICÇÃO A função vesical se associa basicamente ao momento de armazenamento e esvaziamento, que se dão com a coordenação das musculaturas lisas estriadas. Bexiga X Tríade (colo vesical, uretra e esfíncter externo – todos têm músculo liso estriado): A bexiga possui o músculo detrusor, já a tríade representa outras estruturas que podem estar alteradas e influenciar na função vesical (além da próstata no homem): 1. Fase de enchimento (SNAS): Relaxa o músculo detrusor para esticar e contrai o esfíncter externo para não haver escape; 2. Fase de esvaziamento (SNAP): Contrai o musculo detrusor e relaxa o esfíncter externo para ocorrer a micção; 3. Inervação somática (SNS): Estabilidade do tônus da musculatura do assoalho pélvico (se fraco, há desarranjo estrutural que sobrecarrega detrusor – ex cistocele). Cérebro, medula e gânglios periféricos: Controlam, através do SNA, a bexiga e a tríade (controla todo músculo do corpo). FIS IOPATOLOGIA DA BEXIGA HIPERATIVA O músculo detrusor começa a trabalhar contra a obstrução prostática e se hipertrofia, mas chega um momento que as fibras musculares dele chegam ao limite, tornando-se estático, o que leva à hipocontratilidade de bexiga: Até chegar à hipocontratilidade, há um desequilíbrio elétrico devido ao desarranjo de fibras musculares na tentativa de manutenção do esvaziamento; Nesse meio tempo, ocorre arritmia vesical por falha de reentrada elétrica - reentrada elétrica para que a atividade elétrica continue a se dissipar. 3 teorias básicas para hiperatividade da bexiga: Baixa oxigenação por placas ateroscleróticas de bexiga (fluxo vesical reduzido) - controversa por acometer jovens e não só pacientes idosos; Desarranjo celular por processo inflamatório vesical desconhecido (gera alterações elétricas na bexiga que não se sabe explicar ao certo); Falha de transmissão elétrica para os receptores colinérgicos da bexiga: O mecanismo de esvaziamento e de enchimento da bexiga se dá pelo SNAP e SNAS, através de receptores colinérgicos na maioria dos músculos - mais aceita. Bexiga hiperativa bexiga hiperativa UROLOGIA MED UNIFTC 2022.2 – 7º semestre | Anna Beatriz Fonseca ETIOLOGIA A bexiga hiperativa e a hiperatividade detrusora podem estar associadas tanto com desordens neurológicas, quanto mudanças na inervação periférica e componentes da musculatura lisa e esquelética. Idade: Aumento ou redução de acetil-colina; Fatores obstrutivos (HPB): Denervação colinérgica do detrusor Isquemia: HPB, estenose de uretra, dissinergia, DVP, DM; Inflamação: Aumento de NGF, causando mudanças na transmissão aferente ou sináptica; Fatores psicológicos: Alterações nos níveis de serotonina; Gênero: Concentração de 5-hidroxitriptamina hormonalmente induzida. INERVAÇÃO O urotélio é basicamente composto por células intersticiais e, quando há ruptura da integridade epitelial, os nervos sensitivos são afetados. O estudo urodinâmico da bexiga é feito com a passagem de uma sonda dentro da bexiga e na ponta dela tem um sensor de pressão, que capta aumento de pressão durante o enchimento da bexiga e o transforma em um traçado como o ECG: Ou seja, o estímulo chega na musculatura detrusora através de nervos sensitivos; Acredita-se que a alteração elétrica é causada pela ruptura da integridade epitelial dentro da bexiga (e não no músculo): Cistite inflamatória faz alterações devido à inflamação dentro da bexiga que as vezes cursam com distúrbios elétricos semelhantes à hiperatividade da bexiga (diferente por micção bifásica, discrepância desejo- volume); Qualquer coisa que perturbe a atividade elétrica da bexiga causa hiperatividade (ex. inflamação e câncer de bexiga). QUADRO CLÍNICO Urgência (vários episódios/dia) ou urge-incontinência (ocasional); Aumento da frequência miccional (11x/24h); Noctúria 2 a 3x (sem poliúria); Volume miccional usual 130-210ml (300-500); Volume miccional de 24h 1,3 a 1,4L (2 a 3,5L); Raros episódios de incontinência urinária aos esforços; Bom jato com sensação de esvaziamento completo; Usa absorvente quando sai de casa (escape); Nega ITU e tratamentos prévios. DIAGNÓSTICO A Sociedade Internacional de Continencia define a bexiga hiperativa como “Urgência com ou sem incontinência de urgência, geralmente com aumento da frequência diurna de micções e noctúria” na ausência de infecção comprovada ou outra patologia. Diagnóstico é clínico, mas podem ter exames: Urina tipo 1 (normal), USG de rins e bexiga (normais), resíduo pós-miccional de 10ml, estudo urodinâmico (a hiperatividade do detrusor pode ser diagnosticada). DIÁR IO MICCIONAL AVALIAÇÃO DA QUALIDADE DE VIDA TRATAMENTO AUA TREATMENTE GUIDELINES 2021 Prega início do tratamento de forma comportamental e então, após essa tentativa, inicia o uso de fármacos. Tratamento comportamental: Restrição líquida, evitar cafeína e nicotina, rever medicamentos, treinamento vesical, fisioterapia pélvica, terapia medicamentosa, avaliar fator causal e tratar disfunções pélvicas; MED UNIFTC 2022.2 – 7º semestre | Anna Beatriz Fonseca Tratamento medicamentoso: Anticolinérgicos M3 seletivos (solifenacin, darifenacin) ou beta-3-agonista; Toxina botulínica (anabotulinumtoxina 100U): Neuromodulação sacral e tibial posterior; Ampliação da bexiga (expert opinion). TRATAMENTO MEDICAMENTOSO A contração da BH se dá com estímulo elétrico fora do enchimento pressórico da bexiga (sinal de contração enviado pela bexiga ao detrusor antes de estar cheia) e, por isso, o tratamento principal é o bloqueio dos receptores colinérgicos com anti-colinérgicos ou antimuscarínicos. Anticolinérgicos: Ligam-se a receptores M3 (não se ligam a todos) e bloqueiam parte do estímulo, reduzindo a contração detrusora (não impede porque não se liga a todos): Antimuscarínicos gerais e seletivos; Bloqueio depende da dose (maior dose em hiperatividadesmaiores); Único com apresentação com liberação lenta no mercado; Custo benefício favorável; Comodidade na administração (oral, transdérmica e intravesical); Contraindicação: Glaucoma e arritimias cardíacas. Beta-3-agonista: Potencializa o relaxamento da musculatura lisa, fazendo com que seja mais difícil de o músculo detrusor se contraia: Muito específico, dando poucos efeitos adversos por não se ligar a muitos desses receptores espalhados no corpol; Alto custo. Botox. CLORIDRATO DE OXIBUTININA Apresentação: 5 e 10 mg em 3 doses/dia (FDA- 1975): Absorção: TGI alto; Efeitos colaterais: Boca seca, tontura, constipação, sonolência e visão turva (40-80%), alteração cognitiva e em idosos: Redução da memória, Apresentação: 10mg (liberação lenta) em 1 dose/dia: Absorção: TGI inferior; Sem flutuação sérica da droga. TARTARATO DE TOLTERODINA Antagonista competitivo dos receptores muscrínicos. Menor afinidade pelas glândulas salivares; Relação custo-benefício menos vantajosa. DARIFENACINA Boa seletividade por M3; 7,5 a 15 mg/ dia (após 2 semanas); Menor efeito em mucosa oral; Relação custo-benefício menos vantajosa. SOLIFENACINA Antagonista competitivo de receptores muscarínicos com seletividade para receptores M3. A solifenacina é uma droga ativa e, portanto, não necessita de nenhuma metabolização; A solifenacina é uma droga de liberação imediata e não necessita de formulações de liberação prolongada devido à sua longa meia vida de 45-68h.