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DESCRIÇÃO
As enfermidades cardiovasculares e sua importância no campo de conhecimento da Nutrição.
PROPÓSITO
Compreender as enfermidades cardiovasculares e a importância do tratamento nutricional para fins de
conhecimento e emprego no processo de ensino e aprendizagem para facilitar a atuação em sala de aula.
OBJETIVOS
MÓDULO 1
Definir a função cardíaca, as manifestações clínicas, principais patologias e repercussões clínicas
MÓDULO 2
Reconhecer os critérios de diagnósticos, as complicações, o tratamento clínico e nutricional das doenças
cardiovasculares
INTRODUÇÃO
Neste tema, vamos conhecer as principais patologias cardiovasculares e suas manifestações clínicas, como
também sua etiologia, epidemiologia e fisiopatologia.
Abrangeremos ainda as complicações agudas (cetoacidose diabética, estado hiperglicêmico hiperosmolar e
hipoglicemia), complicações crônicas microvasculares (retinopatia, neuropatia, nefropatia), macrovasculares
(doença arterial coronariana, arterial periférica e cerebrovascular), os tratamentos clínico e farmacológico,
além da dietoterapia direcionada para cada patologia. Mencionaremos também os fatores de risco para as
doenças cardiovasculares.
A doença arterial coronariana era de prevalência baixa antes do final de 1700, quando a alteração do estilo de
vida, causada pelo processo de industrialização, promoveu mudanças no consumo alimentar. Houve um
aumento na ingestão de gorduras e sal, assim como de produtos à base de tabaco, além da redução da
atividade física. Entre os muitos estudos que relacionavam estilo de vida e doenças cardiovasculares, o de
Framingham, iniciado em 1948 com 5 mil indivíduos que não possuíam doenças cardíacas, demonstrava que
estas doenças estão relacionadas aos fatores de risco.
As doenças cardiovasculares (DCV) são alterações no funcionamento do sistema cardíaco, o qual é
responsável por transportar oxigênio e nutrientes necessários às células para estas executarem suas tarefas.
Essas doenças são consideradas um grande problema de saúde pública por serem a principal causa de morte
em todo o mundo, em especial, nos centros urbanos. Dentre as DCV de maior ocorrência, podemos destacar
a doença arterial coronariana (DAC), o infarto agudo do miocárdio (IAM), as doenças hipertensivas, dentre
outras. No Brasil, as DCV estão na lista das dez primeiras causas de morte, tornando importante uma ação de
prevenção dos fatores de risco associados a esta doença a fim de reduzir sua incidência, prevalência e
mortalidade. Abordaremos a seguir as enfermidades cardiovasculares.
MÓDULO 1
 Definir a função cardíaca, as manifestações clínicas, principais patologias e repercussões clínicas
ANATOMIA DO CORAÇÃO
O coração é um órgão muscular que bombeia o sangue ao longo de todo o corpo e o faz circular através do
sistema circulatório/vascular.
Localizado no meio do mediastino, é envolvido em um saco seroso de duas camadas denominado pericárdio.
Internamente, o coração é dividido em quatro câmaras cardíacas: dois átrios, o direito e o esquerdo, e dois
ventrículos, o direito e o esquerdo.
O átrio e o ventrículo direitos recebem sangue desoxigenado das veias sistêmicas e o bombeiam para os
pulmões, enquanto o átrio e ventrículos esquerdos recebem sangue oxigenado dos pulmões e o bombeiam
para os vasos sistêmicos, que o distribuem para todo o corpo. (Figuras 1 e 2)
Fonte: BlueRingMedia/Shutterstock
Figura 1 - Anatomia do coração humano.
Fonte: Designua/Shutterstock
Figura 2 - Anatomia do coração humano.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES
A doença cardiovascular (DCV) constitui um grupo de doenças que se inter-relacionam, incluindo a doença
arterial coronariana (DAC), aterosclerose, hipertensão arterial, doença cardíaca isquêmica, doença vascular
periférica e insuficiência cardíaca (IC).
ETIOLOGIA
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), observa-se um aumento de doenças cardiovasculares,
principalmente, em países de baixa e média renda, reflexo do aumento da expectativa de vida e,
consequentemente, do maior tempo de exposição aos fatores risco para as doenças crônicas não
transmissíveis (DCNT).
 ATENÇÃO
As doenças cardiovasculares são a principal causa de morte nos países em desenvolvimento, e espera-se
que essa seja a mortalidade mais importante no mundo na próxima década. De acordo com as projeções para
2020, as estimativas das taxas de mortalidade de homens por infarto agudo do miocárdio (IAM) seriam de 8%
nas regiões desenvolvidas e 17% na América Latina.
Fonte: frees/Shutterstock
No Brasil, as doenças cardiovasculares são responsáveis por 27,7% dos óbitos, sendo que em 2014, 10,1%
das internações foram causadas por doenças do aparelho circulatório. Do total dessas internações, 57,2%
foram entre indivíduos de 60 anos ou mais.
Os resultados da Pesquisa Nacional de Saúde (PNS) apontam para uma maior morbidade por doenças
cardiovasculares em indivíduos mais velhos. Em 2013, segundo dados da PNS, a prevalência das doenças
cardiovasculares na população adulta brasileira com 18 anos ou mais era de 4,2%, apresentando crescimento
nos grupos de maior idade, com prevalência de DCV entre idosos de 11,4%. De todas as causas de morte, a
DAC, o acidente vascular encefálico e o câncer são as mais comuns. Em 2013, após efetuar a correção para
sub-registro e a redistribuição das causas mal definidas de óbitos, observou-se que 72,6% do total de óbitos
registrados no país foram por DCNT e, dentre esses, 79,4% foram devido às quatro principais DCNT: doenças
cardiovasculares, neoplasias, doenças respiratórias crônicas e diabetes mellitus, cujos percentuais podem ser
observados no gráfico abaixo:
D. Cardiovasculares
Neoplasias
Doenças respiratórias
Diabetes mellitus
Outras doenças crônicas
 Gráfico 1 – Distribuição dos óbitos corrigidos por grupo de causas dentro do total de óbitos por DCNT no
Brasil, em 2013. Fonte: Ministério da Saúde.
Quadro 1- Tipos e incidência de doenças cardiovasculares nos Estados Unidos.
Tipos e incidência de doenças cardiovasculares nos Estados Unidos
Hipertensão arterial sistêmica - 74,5 milhões
Doença arterial coronariana – 17,6 milhões
Infarto do Miocárdio – 8,5 milhões
Angina pectoris – 10,2 milhões
Insuficiência Cardíaca – 5,8 milhões
Acidente vascular encefálico – 6,4 milhões
 Fonte: MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S & RAYMOND, J.L, 2013.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
FATORES DE RISCO
A OMS estima que a queda de mortes das doenças cardiovasculares poderia ocorrer através de mudanças no
estilo de vida. Para isso, seriam necessários a compreensão e o controle dos fatores de risco, os quais podem
ser modificáveis e não modificáveis.
NÃO MODIFICÁVEIS
Idade, sexo e predisposição genética.
MODIFICÁVEIS
São fatores comportamentais (alimentação, sedentarismo, tabagismo, consumo de bebida alcoólica),
biológicos (dislipidemia, hipertensão, sobrepeso, hiperinsulinemia) e sociais.
A prevenção primária das DCV envolve a avaliação e o manejo dos fatores de risco no indivíduo
assintomático. Os pacientes com vários fatores de risco são a população-alvo, especialmente, aqueles com
fatores modificáveis.
Quadro 2 – Fatores de risco para doença cardiovascular
FATORES DE RISCO PRINCIPAIS FATORES DE RISCO DE ESTILO DE VIDA
Hipertensão arterial sistêmica Tabagismo (cigarro)
javascript:void(0)
javascript:void(0)
Idade (mais de 45 anos para homens,
55 anos para mulheres)
Inatividade física
Diabetes melito
Dieta insuficiente em fibras, vitaminas, minerais e
antioxidantes
Taxa de filtração glomerularProteína C reativa
Hipertensão arterial sistêmica
Obesidade (IMC > 30)
Síndrome metabólica (incluindo concentração reduzida de
HDL e de triglicerídeos elevada, obesidade abdominal)
 Fonte: MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S & RAYMOND, J.L, 2013.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
Estudos demonstram que a redução dos fatores de risco (por exemplo, sedentarismo e fumo) diminui a
incidência de doença arterial coronariana em indivíduos de todas as idades. Muitos eventos coronarianos
poderiam ser evitados com a adoção de um estilo de vida saudável (ingerir alimentos saudáveis, fazer
exercícios regularmente, controlar o peso e não fumar) e a adesão ao tratamento farmacológico da
hipertensão arterial sistêmica e das concentrações sanguíneas lipídicas.
FISIOPATOLOGIA
Para compreendermos a fisiopatologia envolvida nas enfermidades cardiovasculares, é necessário entender
também o metabolismo dos lipídeos, os quais são transportados no plasma por lipoproteínas. Essas
lipoproteínas são compostas por lipídeos e proteínas chamadas de apoliproteínas (apo), que são classificadas
de acordo com sua densidade:
FISIOPATOLOGIA
É o estudo das funções anormais ou patológicas dos órgãos e aparelhos do organismo.
QUILOMÍCRONS (QM)
LIPOPROTEÍNA DE MUITO BAIXA DENSIDADE (VLDL)
LIPOPROTEÍNA DE BAIXA DENSIDADE (LDL)
LIPOPROTEÍNA DE ALTA DENSIDADE (HDL)
Ricas em triglicerídeos, partículas grandes e menos densas que são sintetizadas pelos enterócitos intestinais
e são responsáveis pelo transporte no plasma de triglicerídeos originários da dieta. Possuem apoB48, apoC e
apoE. As apoliproteínas (apo) são proteínas que se ligam aos lipídeos.
Rica em triglicerídeos de origem hepática e possui apoB100, apoE e apoC.
Rica em colesterol, transporta o colesterol do fígado para os tecidos periféricos e possui apoB100.
Rica em colesterol, responsável pelo transporte reverso do colesterol, levando-o dos tecidos para o fígado, e
possui apoA, apoE e apoC.
 ATENÇÃO
javascript:void(0)
Há ainda a lipoproteína de densidade intermediária (IDL) e a lipoproteína a [Lp(a)], que resulta da ligação
covalente de uma partícula de LDL à apo (a).
As lipoproteínas passam por diversas ações enzimáticas no plasma que podem ser divididas em vias exógena
e endógena. Na via exógena, os lipídeos provenientes da dieta são absorvidos no enterócito e incorporados
aos Qm que são então secretados na linfa até a circulação. Os Qm interagem com a HDL. Nos capilares extra
hepáticos, os Qm liberam os ácidos graxos para o tecido adiposo e muscular por meio da ação da enzima
presente no endotélio, chamada de lipase lipoproteica – LPL. Após a ação da LPL, há redução de tamanho e
transferência para a HDL de uma parte de colesterol e apolipoproteínas, sendo chamados de remanescentes
de quilomícrons – RQm. Esses, por sua vez, retornam ao fígado por receptores onde parte do material lipídico
é aproveitado pelo órgão e o excedente é reorganizado em outra lipoproteína.
Na via endógena, a VLDL é formada no fígado para transportar triglicerídeos de origem hepática (endógenos),
colesterol proveniente dos RQm ou da síntese de um novo, além de fosfolipídeos e apoB100. O processo é
mediado pela LPL, transferindo triglicerídeos para os tecidos adiposo e muscular e reduzindo a partícula para
VLDL remanescentes, como a IDL, contendo apoE e colesterol.
A IDL pode seguir dois caminhos: ir para o fígado ou transformar-se em LDL. Essas LDL são ricas em ésteres
de colesterol, que são removidas pelos receptores de LDL nos hepatócitos.
As partículas que não são removidas e oxidadas são retiradas da circulação pelos scavenger de macrófagos
que estão localizados na camada íntima das artérias, células endoteliais, que contribui para a formação da
placa de ateroma.
Existe ainda o transporte transverso de colesterol. O HDL secretado pelo fígado e intestino adquire
fosfolipídeos e colesterol das membranas celulares e de lipoproteínas (Qm e VLDL). O colesterol excedente é
removido dos tecidos periféricos para o fígado e pode produzir ácidos biliares ou ser excretado na bile ou ser
absorvido pelo ciclo enterohepático. Este ciclo pode ser compreendido como a circulação dos ácidos biliares,
bilirrubina, drogas ou outras substâncias a partir do fígado para a bile, seguido da entrada no intestino
delgado, a absorção pelo enterócito e transporte de volta para o fígado (Figura 3).
Fonte: VectorMine/Shutterstock.
 Figura 3.
A doença cardíaca aterosclerótica envolve o estreitamento e a perda de elasticidade da parede dos vasos
sanguíneos levando ao acúmulo de placas (Figura 4).
Fonte: Diamond_Images/Shutterstock.
 Figura 4.
Essas placas se formam quando há inflamação que, por sua vez, estimula uma resposta fagocitária de
glóbulos brancos (monócitos). Quando esses monócitos chegam aos tecidos, evoluem para macrófagos que
ingerem colesterol oxidado e se transformam em células espumosas e, em seguida, em estrias gordurosas
nesses vasos. Ocorre a microcalcificação intracelular, formando então uma camada protetora de fibrina
(ateroma) entre os depósitos de gordura e o revestimento da artéria.
 ATENÇÃO
O aneurisma surge com o remodelamento da forma e tamanho do vaso sanguíneo. Quando há rompimento
dos ateromas, pode ocorrer o trombo, o qual atrai plaquetas no sangue e ativa o sistema de coagulação do
corpo, podendo resultar em bloqueio e diminuição do fluxo sanguíneo.
As alterações arteriais iniciam na infância e vão progredindo durante toda a vida adulta. A aterosclerose é uma
doença silenciosa, muitos indivíduos são assintomáticos e podem evoluir fatalmente para um infarto do
miocárdio (IM). (Figura 5).
Desenvolvimento da placa de Ateroma
1- Agressão do endotélio na parede da artéria.

2- Acúmulo de lipídeos e de colesterol

3- Expressão das moléculas de Adesão, proliferação das células do músculo liso, macrófago e linfócitos

4- Adesão plaquetária e liberação de fatores de crescimento
Fonte: Blamb/Shutterstock.
 Figura 5.
Se a aterosclerose se localizar nas artérias coronárias, pode provocar angina ou dor no peito, ocasionando em
IM e morte súbita; se for nas artérias cerebrais, poderá ocorrer o aparecimento de acidentes vasculares
encefálicos e ataques sistêmicos transitórios; e na circulação periférica, provoca isquemia e gangrena.
Sendo assim, a aterosclerose é a causa de muitas formas de DCV, e a dislipidemia aumenta o risco de
desenvolver aterosclerose porque, normalmente, as concentrações de LDL estão elevadas e as
concentrações de HDL estão reduzidas.
Fonte: 200dgr/Shutterstock
Dentre as doenças cardiovasculares, o infarto agudo do miocárdio (IAM) é a principal complicação. Segundo
dados da OMS, as principais causas de óbito por DCV são: Doença coronariana, Acidente vascular cerebral,
Doença cardíaca hipertensiva, Doença cardíaca inflamatória, Doença reumática, dentre outras.
OBESIDADE E DOENÇAS CARDIOVASCULARES
A obesidade é considerada uma doença com um estado inflamatório sistêmico crônico de baixa intensidade,
sendo observada em todas as faixas etárias. É um dos fatores de risco mais graves para o aparecimento de
doenças cardiovasculares.
 VOCÊ SABIA
O tecido adiposo é um órgão endócrino cujas células, chamadas de adipócitos, produzem leptina, citocinas
pró e anti-inflamatórias, como o fator de necrose tumoral, interleucinas, proteína C reativa, dentre outras.
Citocina é uma proteína secretada através de células que prejudicam o comportamento das células vizinhas
portadoras de receptores adequados. Dentre as consideradas pró-inflamatórias, há as interleucinas (IL) 1, 6,
TNF-α (fator de necrose tumoral), dentre outras. As anti-inflamatórias são IL-4, IL-10, IL-13, dentre outras. O
tecido adiposo possui a capacidade de depositar e mobilizar triglicerídeos e colesterol.
Indivíduos obesos, principalmente, aqueles com adiposidade central, possuem concentrações mais elevadas
de marcadores inflamatórios, como interleucina 6, fator de necrose tumoral alfa,leptina, proteína C reativa,
fibrinogênio, LDL, VLDL, baixas concentrações de HDL.
Esse quadro aumenta as chances de aparecimento de DCV e de outras doenças, a resistência insulínica e o
aparecimento do Diabetes tipo 2. Isso porque, a produção de citocinas pelos adipócitos, uma vez na corrente
sanguínea, estimula os hepatócitos a produzirem RNA-m para proteínas de fase aguda (proteína C reativa) da
inflamação, ocasionando agressões orgânicas mesmo anos antes dos sintomas de doenças, como as
cardiovasculares. (Figura 6)
Fonte: Africa Studio/Shutterstock
 Figura 6.
DIABETES E DOENÇAS CARDIOVASCULARES
A maioria dos indivíduos com diabetes melito morre de doenças cardiovasculares, sendo essa um fator de
risco de doença arterial coronariana.
 ATENÇÃO
Dentre os fatores de risco para o desenvolvimento do diabetes tipo 2 (DMT2), estão os genéticos e
ambientais, incluindo história familiar de diabetes, idade avançada, obesidade, principalmente, a intra-
abdominal, sedentarismo e histórico anterior de diabetes gestacional.
A obesidade associada a uma predisposição genética é um grande fator que leva ao aparecimento do
diabetes tipo 2. As células de gordura visceral possuem elevadas taxas de lipólise comparadas às células de
gordura subcutânea, resultando assim em uma maior produção de ácidos graxos livres, cujas taxas elevadas
estão associadas a uma maior resistência à insulina. Além disso, a gordura visceral é uma fonte importante de
adipocitocinas Interleucina-6 (IL-6), fator de necrose tumoral alfa e adiponectinas, todas relacionadas à
resistência à insulina.
Fonte: urbans/Shutterstock
O DMT2 é uma combinação de resistência insulínica e/ou por falha da célula beta pancreática. As
concentrações de insulina podem estar normais, reduzidas ou aumentadas, mas essas concentrações não
estão adequadas para superar a resistência à insulina levando ao quadro de hiperglicemia.
Estudos demonstram que a resistência insulínica está associada a níveis elevados de risco cardiovascular. O
diabetes tipo 2 é o mais comum tipo de diabetes e se desenvolve principalmente em indivíduos com mais de
30 anos. Os fatores mais comuns da sua causa são a resistência à insulina e/ou a deficiência desse hormônio.
 VOCÊ SABIA
O diabetes tipo 1 representa apenas de 5 a 10% nos casos da doença, sendo resultado da destruição
autoimune das células beta do pâncreas, diferentemente do diabetes tipo 2.
A insulina é o regulador mais importante da homeostase dos nutrientes no organismo, hormônio anabólico,
essencial para manutenção da homeostase de glicose, do crescimento e diferenciação celular. A entrada de
glicose nas células via estímulo da insulina ocorre pela translocação de proteínas transportadoras de glicose,
denominadas de GLUT-4, do interior para sua superfície. GLUT-4 é um dos transportadores de glicose
encontrados no tecido adiposo e músculo esquelético.
A insulina aumenta a entrada de glicose no tecido muscular e adiposo e, em paralelo, inibe a produção de
glicose pelo fígado, sendo, portanto, um regulador da glicemia. A insulina se liga também às células-alvo por
meio do receptor tirosina quinase (IR) de insulina que recruta outras moléculas adaptadoras, incluindo a
família dos receptores de insulina.
A partir daí, esse complexo ligante/insulina-receptor promove a autofosforilação do IR, o qual recruta e
fosforila o substrato do receptor de insulina (IRS-1) ocorrendo várias reações de fosforilação. Qualquer
alteração nessas sinalizações, receptores e transportadores pode alterar a glicemia. Defeitos genéticos
relacionados à ação da insulina estão também entre as causas do diabetes e as anormalidades metabólicas
presentes estão associadas às mutações nos receptores de insulina, resultando em hiperinsulinemia e
variações na hiperglicemia até um estado grave de diabetes.
DOENÇAS CARDIOVASCULARES E FATORES DE
RISCO
VERIFICANDO O APRENDIZADO
1. ABAIXO SEGUE ALGUMAS CARATERÍSTICAS RELACIONADAS À
FISIOPATOLOGIA DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES. MARQUE A RESPOSTA
CORRETA:
A) A doença cardíaca aterosclerótica está relacionada com o estreitamento e a perda de elasticidade da
parede dos vasos sanguíneos, cuja causa é o acúmulo de placas.
B) A doença coronariana está relacionada com má formação das artérias cujo processo inflamatório consiste
na redução do número de monócitos, macrófagos e fatores inflamatórios.
C) A doença aterosclerótica consiste no estreitamento e aumento da elasticidade do vaso sanguíneo, levando
à redução do acúmulo de placas.
D) Aumento do acúmulo de células espumosas com alargamento do vaso sanguíneo com redução de
macrófagos.
2. NO GRUPO DAS DOENÇAS CARDIOVASCULARES, DESTACAM-SE AS SEGUINTES
DOENÇAS:
A) Hipertensão arterial sistêmica (HAS), câncer, insuficiência cardíaca congestiva (ICC) e reumatismo.
B) Trombose, acidente vascular encefálico (AVE), osteoporose.
C) Insuficiência cardíaca, doença arterial coronariana e aterosclerose.
D) Osteoporose, câncer, hipertensão arterial.
GABARITO
1. Abaixo segue algumas caraterísticas relacionadas à fisiopatologia das doenças cardiovasculares.
Marque a resposta correta:
A alternativa "A " está correta.
A fisiopatologia das doenças cardíacas consiste em alterações dos vasos sanguíneos com estreitamento e
perda da elasticidade da parede dos vasos, com a formação da placa de ateroma, levando à inflamação e
estimulando uma resposta fagocitária dos monócitos que evoluem para macrófagos quando estão nos tecidos.
2. No grupo das doenças cardiovasculares, destacam-se as seguintes doenças:
A alternativa "C " está correta.
A doença cardiovascular constitui um grupo de doenças inter-relacionadas que inclui doença arterial
coronariana (DAC), aterosclerose, hipertensão arterial, doença cardíaca isquêmica, doença vascular periférica
e insuficiência cardíaca (IC).
MÓDULO 2
 Reconhecer os critérios de diagnósticos, as complicações, o tratamento clínico e nutricional das
doenças cardiovasculares
DIAGNÓSTICO CLÍNICO DAS DOENÇAS
CARDIOVASCULARES
Para o diagnóstico clínico das doenças cardiovasculares, utilizam-se exames não invasivos, como, por
exemplo, eletrocardiogramas, cintilografia miocárdica e teste ergométrico (figura 7).
Fonte: Photographee.eu/Shutterstock.
 Figura 7: Teste ergométrico.
O exame mais invasivo e definitivo é a angiografia, conhecida popularmente como cateterismo cardíaco, no
qual se injeta contraste nas artérias para obter imagens radiográficas do coração. Esse procedimento permite
a visualização na maioria dos estreitamentos e obstruções da aterosclerose.
Para visualização de lesões menores, a ressonância magnética é indicada, pois acompanha a progressão
ou regressão da aterosclerose após o tratamento. A termografia intracoronariana auxilia na determinação da
presença de placas vulneráveis. A tomografia computadorizada avalia o cálcio nas lesões ateroscleróticas.
DISLIPIDEMIA
São caracterizadas pela presença de níveis elevados de lipídeos, como o LDL-col, baixos níveis de HDL-col
e/ou níveis elevados de triglicerídeos, cujas causas podem ser primárias, devido a fatores genéticos ou
dislipidemia secundária que é causada por outras doenças, como diabetes, medicações (como, por exemplo,
diuréticos e corticoides) ou ainda pelo estilo de vida sedentário e alimentação desequilibrada.
CORTICOIDES
Corticoides: corticoides são uma classe de medicamentos de ação anti-inflamatória e imunossupressora.
 ATENÇÃO
A dislipidemia por si só não causa sintomas, mas pode ocasionar aterosclerose, acidente vascular encefálico,
doença coronariana, entre outras. Níveis elevados de triglicerídeos (acima de 1000 mg/dl) podem levar ao
quadro de pancreatite.
PANCREATITE
Pancreatite: Inflamação do pâncreas, a qual pode ser aguda ou crônica.
Por este motivo, é importante que os níveis de lipídeos estejam adequados dentro de valores aceitáveis. Veja
na tabela a seguir os valores de referências e de alvo terapêutico (estimado pelo médico) do perfil lipídico para
javascript:void(0)
javascript:void(0)adultos > 20 anos:
Tabela 1 – Referência e alvo terapêutico do perfil lipídico para adultos >20 anos:
Lípides Com jejum (mg/dL) Sem jejum (mg/dL) Categoria referencial
Colesterol total
HDL-c
Triglicérides
 40
 40
 500
mg/dl
(%)
Perda de peso
(Kg)
Manter peso
saudável
5-10 Até 5 5-10 5-10
Carboidrato
(%VCT)
50-60 45-60 50-60 50-55 45-50
Açúcares de
adição (%VCT)
 2
Fibras 25 g, sendo 6 g de fibra solúvel
 Comorbidades: hipertensão arterial sistêmica, diabetes ou obesidade, circunferência da cintura
aumentada, hipercolesterolemia, hipertrigliceridemia, síndrome metabólica, intolerância a glicose ou
aterosclerose significativa.
 Fonte: Diretriz Brasileira de Dislipidemia e Prevenção da Aterosclerose, 2017.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
DIABETES
Foi abordado no módulo anterior que o diabetes é um fator de risco para a doença arterial coronariana.
Observa-se em estudos que indivíduos diabéticos morrem, na grande maioria, de doenças cardiovasculares,
portanto, é fundamental seu diagnóstico e tratamento, como também sua prevenção.
Fonte: VGstockstudio/Shutterstock
É importante que todos os adultos acima do peso (IMC > 25) com um ou mais fatores de risco para diabetes
tipo 2 (Quadro 3) façam um teste ou triagem. Para indivíduos apenas com os fatores de risco, esse teste deve
ser iniciado aos 45 anos.
Se o resultado for normal, este deve ser refeito em intervalos a cada 3 anos. Para pacientes pré-diabéticos ou
diabéticos, os exames que devem ser feitos são hemoglobina glicada, glicemia de jejum ou teste de tolerância
à glicose. A triagem também deve ser realizada, tanto em adultos, quanto em crianças e jovens que possuem
risco elevado para diabetes melito 2, começando aos 10 anos de idade ou na puberdade, com intervalo de 3
em 3 anos.
Quadro 3 – Fatores de risco adicional para diabetes.
Inatividade física
Parente de 1º grau com diabetes
Membros de uma população de alto risco (afro-americano, latino, americano nativo, asiático-americano
e nativo das Ilhas do Pacífico)
Mulheres que tiveram bebês com peso ao nascer > 4,08 kg ou que tiverem diagnóstico de Diabetes
Melito Gestacional
Hipertenso (PA ≥ 140/90 mmHg ou mais ou que toma medicamento para hipertensão)
Nível do colesterol lipoproteína de alta densidade (HDL) 250 mg/dL
Mulheres com síndrome do ovário policístico
Hemoglobina glicosilada (A1C) ≥ 5,7%, intolerância à glicose diminuída (TGD), ou glicemia de jejum
alterada (GJA) no teste anterior
Obesidade Grave
Acantose nigricans (pigmentações marrom-acinzentadas na pele)
Histórico de DCV
 Fonte: MAHAN, L.K.; ESCOTT-STUMP, S & RAYMOND, J.L, 2013.
 Atenção! Para visualização completa da tabela utilize a rolagem horizontal
No Quadro 4 abaixo, seguem os critérios do diagnóstico para diabetes e pré-diabetes, segundo American
Diabetes Association.
 ATENÇÃO
O diagnóstico para diabetes, por exemplo, consiste na avaliação da hemoglobina glicosilada (A1C) cujo valor
≥ 6,5% independe da concentração sanguínea de glicose, ou a Glicemia de Jejum ≥ 126 mg/dL, ou Glicemia ≥
200 mg/dL verificada 2h após a administração de 75g de glicose ou uma hiperglicemia ≥ 200 mg/dL.
Quadro 4 - Diagnóstico de diabetes melito e Homeostase da Glicose Prejudicada (Pré-diabetes).
Diagnóstico Critérios
Diabetes
Hemoglobina Glicosilada (A1C) ≥ 6,5% *; ou
Glicemia de Jejum Alterada (GJA) ≥ 126 mg/dL (≥ 7 mmol/L)*; ou
Glicose Plasmática (GP) de 2h ≥200 mg/dL durante o teste oral de tolerância à
Glicose (TOTG)*; ou
Em pacientes com sintomas clássicos de hiperglicemia ou crise hiperglicêmica, um
GP aleatório ≥ 200mg/dL
Pré-
diabetes
GJA 100-125 mg/dL; ou
GP de 2 horas 140-199 mg/Dl; ou
A1C 5,7% - 6,4%
Normal
GJA 35
e em indivíduos com idade ≤ 30 anos. A cirurgia bariátrica pode ser indicada para indivíduos pré-diabéticos
morbidamente obesos para redução da incidência de diabetes.
As metas da Terapia Nutricional para indivíduos pré-diabéticos são importantes no tratamento, pois facilitam a
perda de peso, manutenção do peso adequado e melhora da sensibilidade insulínica que consiste na ingestão
de cereais integrais e fibras (aveia, frutas com casca e folhosos) e moderação de bebida alcoólica para
aqueles que já consomem (15 a 45g de etanol/dia).
TRATAMENTO DO DIABETES
É de suma importância o controle da glicemia nos pacientes diabéticos tipo 1 ou 2 para que haja prevenção
das complicações da própria doença. Por este motivo, a Terapia Nutricional é fundamental para que alcance
esse controle. Então, as metas da Terapia Nutricional para diabetes melito consistem em:
Metas da Terapia Nutricional para diabetes melito (aplicadastambém a pessoas em risco para
diabetes ou pré-diabetes):
Diminuir o risco de Diabetes e doença cardiovascular com a escolha alimentar saudável e prática
adequada de atividade física para perda e/ou manutenção do peso.
Metas da Terapia Nutricional para diabéticos:
Alcançar e manter ao máximo os níveis adequados de glicemia, lipídeos, lipoproteínas e pressão
arterial.
Reduzir as complicações crônicas do diabetes por meio da ingestão de nutrientes e estilo de vida.
Ter um programa alimentar especializado com base científica e manter a adesão através do prazer
de comer.
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OBJETIVOS DA TERAPIA NUTRICIONAL PARA OS
PACIENTES COM DM
Alcançar e manter as concentrações de glicose sanguíneas, os níveis de pressão arterial e o perfil de lipídeos
e de lipoproteínas séricas dentro da normalidade, com a finalidade de reduzir o risco de doenças vasculares.
Prevenir ou, pelo menos, retardar o desenvolvimento das complicações crônicas do diabetes por meio da
modificação da ingestão de nutrientes e do estilo de vida.
Atender às necessidades nutricionais individuais, considerando as preferências pessoais e culturais.
Manter o prazer de comer, mesmo diante das limitações nas escolhas alimentares.
Segundo o Instituto de Medicina (Institute of Medicine, IOM), Terapia Nutricional é o tratamento de uma
doença ou condição por meio da mudança da ingestão de nutrientes ou de todo um alimento.
 RECOMENDAÇÃO DE PROTOCOLOS E PRÁTICAS
A conduta nutricional direcionada a indivíduos com DM1 e DM2, pré-diabetes e diabetes mellitus gestacional
(DMG) deve ser definida com base em avaliação e diagnóstico nutricional, para posterior programação das
intervenções nutricionais.
Acompanhamento de avaliações contínuas apoiam mudanças de estilo de vida em longo prazo, bem como
possibilitam analisar resultados e modificar intervenções, quando necessário. O quadro 5 apresenta as
recomendações de ingestão diária de macro e micronutrientes para indivíduos diabéticos.
Quadro 5 - Composição nutricional do plano alimentar indicado para indivíduos com diabetes melito.
Macronutrientes Ingestão diária recomendada
Carboidratos Carboidratos totais: 45 a 60%. Não inferior a 130 g/dia
Sacarose 5%
Frutose Não se recomenda sua adição aos alimentos
Fibra alimentar Mínimo de 14g/1000 kcal. DM TIPO 2: 30 a 50 g/dia
Gordura total 20 a 35% do VET
Ácidos graxos saturadosde Diabetes, 2017.
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Quadro 7 - Recomendações para lipídeos e pressão sanguínea em adultos com diabetes (DM).
Lipídeos/pressão arterial Critérios
LDL-col 50 mg/dL
Triglicerídeos 250 mg/dL mas geralmente
que
essas mudanças sejam permanentes.
Veja nos quadros 8 e 9 a seguir, respectivamente, as classificações da Hipertensão e as modificações
importantes de estilo de vida no tratamento da doença.
Quadro 8 - Classificação da pressão arterial de acordo com a medida casual no consultório (>18 anos).
Classificação Pressão Sistólica (mmHg) Pressão Diastólica (mmHg)
Ótimaa rolagem horizontal
SÍNDROME METABÓLICA (SM)
A síndrome metabólica (SM) é representada por um conjunto de fatores de risco cardiovascular, usualmente
relacionados à deposição central de gordura e à resistência à insulina, devendo ser destacada a sua
importância do ponto de vista epidemiológico, responsável pelo aumento da mortalidade cardiovascular
estimada em 2,5 vezes.
DIAGNÓSTICO
De acordo com os critérios brasileiros, a síndrome metabólica ocorre quando estão presentes três dos cinco
critérios abaixo:
Obesidade central - circunferência da cintura superior a 88 cm na mulher e 102 cm no homem.
Hipertensão arterial - pressão arterial sistólica >130 e/ou pressão arterial diatólica > 85 mmHg.
Glicemia alterada (glicemia > 110 mg/dl) ou diagnóstico de diabetes.
Triglicerídeos >150 mg/dl.
HDL colesterol 27 kg/m2 e sedentárias
50% - 60% das
calorias totais
poderão receber apenas 6 porções/dia enquanto homens ativos com peso
normal poderão ingerir até 11 porções/dia.
Fibras
Selecionar alimentos integrais minimamente processados com baixo índice
glicêmico.
20 g – 30 g/dia
Gordura Total
Evitar carnes gordas, embutidos, frituras, laticínios integrais, molhos, gordura de
coco, molhos, cremes e doces ricos em gordura e alimentos refogados e
temperados com excesso de óleo ou gordura.
25% - 35% das
calorias totais
Ácidos Graxos Saturados (AGS)
Incluem os AGS e ácidos graxos trans. Recomenda-se até 7% se LDL-col for
>100mg/dL.
 100 mg/dL podem se beneficiar com uma
ingestão diária de colesterol de 200 mg/d.
100) recomenda-se 7% das calorias totais de ácidos graxos saturados.
GABARITO
1. Diabetes é um fator de risco para a doença arterial coronariana, sendo, portanto, fundamental seu
diagnóstico e tratamento, como também sua prevenção. Marque a opção a seguir que não se enquadra
nas metas da Terapia Nutricional para os pacientes diabéticos:
A alternativa "B " está correta.
O programa alimentar deverá ser especializado com base científica e manter a adesão através do prazer de
comer, algo importante para os indivíduos, mesmo diante das limitações nas escolhas alimentares.
2. Vimos que a Síndrome Metabólica (SM) é um conjunto de fatores de risco metabólico que se
manifestam em um indivíduo e aumentam as chances de desenvolvimento de doenças cardíacas,
acidente vascular cerebral e diabetes. É fundamental um plano alimentar individualizado e saudável no
tratamento desta síndrome. Assinale a opção correta em relação a terapia nutricional para a SM.
A alternativa "D " está correta.
Segundo as recomendações nutricionais para indivíduos com SM, deve-se ingerir de 20-30 g de fibras/dia,
sendo que 25g encontra-se dentro da faixa e, para indivíduos com LDL > 100, deve-se consumir até 7% das
calorias totais de ácido graxo saturado e 20 até 30% de gordura total por dia.
CONCLUSÃO
CONSIDERAÇÕES FINAIS
Vimos que indivíduos cardiopatas ou que possuem alto risco para o desenvolvimento destas doenças
necessitam dedetecção precoce e monitoramento apropriado envolvendo o aconselhamento e uso de
fármacos, se necessário. As doenças cardiovasculares incluem a doença arterial coronariana, aterosclerose,
hipertensão arterial, doença cardíaca isquêmica, dentre outras. A Organização Mundial de Saúde tem
observado o aumento de doenças cardiovasculares, principalmente, em países de baixa e média rendas. Para
preveni-las, é importante o controle dos fatores de risco modificáveis, como obesidade, tabagismo e
alimentação, por exemplo.
A melhor estratégia para a redução da morbidade e mortalidade decorrentes das doenças cardiovasculares é
a prevenção, em outras palavras, um conjunto de medidas antecipadas que visa prevenir. A terapia nutricional
deve ser à base de alimentos antioxidantes e anti-inflamatórios, com baixo teor de gordura saturada e gordura
hidrogenada e rica em fibras. Bom lembrar que as fibras solúveis possuem propriedades que auxiliam no
controle da glicemia e dos lipídeos sanguíneos e as insolúveis no controle da saciedade e do peso. A
Dietoterapia é a primeira conduta a ser adotada aliada à atuação multiprofissional da equipe de saúde.
AVALIAÇÃO DO TEMA:
REFERÊNCIAS
AMERICAN DIABETES ASSOCIATION. Diagnosis and classification of diabetes mellitus (Position
Statement). In: Diabetes Care 34:S63, 2011.
CESARINI, P. R.; FERREIRA, S. R. G.; DIB, S. A. Gastroparesia Diabética. In: Assoc. Med. Bras. São Paulo,
1997.
COZZOLINO, S. M. F.; COMINETTI, C. Bases Bioquímicas e Fisiológicas da Nutrição nas diferentes
fases da vida, na saúde e na doença. São Paulo: Manole, 2013.
FALUDI, A. A.; et al . Atualização da Diretriz Brasileira de Dislipidemias e Prevenção da Aterosclerose.
In : Sociedade Brasileira de Cardiologia, 2017.
MAHAN, L. K.; ESCOTT-STUMP, S.; RAYMOND, J. L. Krause Alimentos, Nutrição e Dietoterapia. São
Paulo: Elsevier, 2013.
MALACHIAS, M.V.B.; et al . 7ª Diretriz Brasileira de Hipertensão Arterial: Capítulo 1 - Conceituação,
Epidemiologia e Prevenção Primária. In : Arq. Bras. Cardiol. São Paulo, 2016.
MASSA, K. H. C. et al . Análise da prevalência de doenças cardiovasculares e fatores associados em
idosos, 2000-2010. In : Ciênc. Saúde Coletiva. Rio de Janeiro, 2019.
MINISTÉRIO DA SAÚDE. Situação epidemiológica – Dados. In : Ministério da Saúde. Publicado em: 28 fev.
2019.
NASCIMENTO, B.R. et al . Epidemiologia das Doenças Cardiovasculares em Países de Língua
Portuguesa: Dados do “Global Burden of Disease”, 1990 a 2016. In : Arq. Bras. Cardiol. São Paulo, 2018.
ROCHA, J. L. L.; BAGGIO, H. C. C.; CUNHA, C. A. et al . Aspectos relevantes da interface entre diabetes
mellitus e infecção. In : Arq Bras Endocrinol Metab. São Paulo, 2002.
SILVA, S.M.C.S.; MURA, J.D.M. Tratado de Alimentação, Nutrição & Dietoterapia. São Paulo: Prayá, 2016.
SINAIKO, A. Obesidade, resistência à insulina e síndrome metabólica. In : J. Pediatr. Porto Alegre, 2007.
SOCIEDADE BRASILEIRA DE CARDIOLOGIA. I Diretriz Brasileira de Diagnóstico e Tratamento da
Síndrome Metabólica. In : Arq. Bras. Cardiol. São Paulo, 2005.
WAJCHENBERG, B. L. Tecido Adiposo como Glândula Endócrina. In : Arq Bras Endocrinol Metab. São
Paulo, 2000.
EXPLORE+
Para saber mais sobre os assuntos explorados neste tema:
Leia:
MASSA, K.H.C.; DUARTE, Y.A.O; FILHO, A.D.P.C. Análise da prevalência de doenças
cardiovasculares e fatores associados em idosos, 2000-2010 In : Revista de Ciênc. Saúde Colet,
2019.
EYKEN, E.B.B.D.V. e MORAES, C.L. A prevalência de fatores de risco para doenças
cardiovasculares entre homens de uma população urbana do Sudeste do Brasil. In : Cad. Saúde
Pública, Rio de Janeiro, 2009.
JUNQUEIRA, C. L. C; COSTA, G. M. C; MAGALHAES, M. E. C. Síndrome Metabólica: o risco
cardiovascular é maior que o risco dos seus componentes isoladamente? In : Rev Bras Cardiol. 24(5),
2011.
BRANDÃO, A. P; et al . Dislipidemia, Síndrome Metabólica e Risco Cardiovascular. In : Revista da
SOCERJ, abr/mai/jun, 2004. Neste artigo, os autores discutem os mecanismos fisiopatológicos das
alterações lipídicas associadas à síndrome metabólica e discutem as evidências existentes na literatura
quanto à associação de cada uma delas com um maior risco cardiovascular.
Consulte:
O site da Sociedade Brasileira de Cardiologia para busca de artigos relacionados ao tema.
O site da Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia para atualização do tema Síndrome
Metabólica.
CONTEUDISTA
Aline Cardozo Monteiro
 CURRÍCULO LATTES
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