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Rayssa Viana - Med011 MARC Objetivos 1- Rever síndrome metabólica 2- Entender como diagnosticar uma síndrome metabólica 3- Compreender o tratamento de síndrome metabólica 4- Elucidar a relação dos acrocórdons com a síndrome metabólica 5- Estudar o tratamento farmacológico e não farmacológico para acrocórdons. 6- Entender as complicações de uma síndrome metabólica (pielonefrite, estratificação de risco cardiovascular) A síndrome metabólica é um conjunto de fatores de risco para doença cardiovascular aterosclerótica e diabetes mellitus tipo 2. É composta por dislipidemia, hipertensão arterial, excesso de adiposidade abdominal e glicemia de jejum alterada, tendo como base a resistência à insulina, o excesso de adiposidade geral e o acúmulo ectópico de gordura. Há associação com outras condições, como a doença hepática gordurosa metabólica, além de um estado pró-inflamatório e pró-trombótico. A Síndrome Metabólica (SM) — também conhecida como Síndrome X, Síndrome de Resistência à Insulina ou Síndrome de Reaven — é um conjunto de alterações metabólicas e hormonais que eleva o risco do indivíduo desenvolver doenças cardiovasculares. A SM é caracterizada pela obesidade central (devido ao acúmulo excessivo de gordura abdominal), hipertensão arterial, diabetes ou intolerância à glicose e dislipidemia — níveis baixos de colesterol HDL (lipoproteína de alta densidade, também conhecida como o “bom colesterol”) e níveis elevados de triglicerídeos. Esse conjunto de doenças tem como base a resistência insulínica (dificuldade do hormônio insulina agir no nosso corpo e transportar glicose para o interior das células), ou seja, pela dificuldade de ação da insulina, decorrem as manifestações clínicas que podem fazer parte dessa síndrome (SBEM, 2011; MAGALHÃES et al, 2018; MANUAL MSD, 2023). O excesso de gordura abdominal (obesidade central) é critério essencial da síndrome. Uma vez combinado às demais comorbidades citadas acima (todas relacionadas à resistência à insulina) forma-se um complexo de fatores de risco que contribuem, de forma independente, para o desenvolvimento de doenças cardiovasculares (ABESO, 2023). É considerada uma doença da civilização moderna e são fatores de risco para o seu desenvolvimento: os genéticos, excesso de peso (principalmente na região abdominal), alimentação inadequada, inatividade física, idade superior a 60 anos, alterações hormonais e estado pró-inflamatório (MAGALHÃES et al, 2018; ABESO, 2023). Destaca-se a importância da SM do ponto de vista epidemiológico, pois está relacionada a uma mortalidade geral duas vezes maior e mortalidade cardiovascular três vezes maior comparada à população que não apresenta a síndrome (SBEM, 2011; ABESO, 2023). Além disso, é uma condição que afeta uma grande parte da Rayssa Viana - Med011 MARC população mundial, incluindo crianças e adolescentes. Nas últimas décadas, sua incidência tem aumentado progressivamente em todos os países, constatando-se na população adulta uma elevada prevalência que varia de 25% a 35% (MAGALHÃES et al, 2018). Um estudo transversal de base populacional utilizando dados da Pesquisa Nacional de Saúde de 2013, observou que a prevalência de SM nos brasileiros adultos foi de 38,4%, com maior frequência entre as mulheres, pessoas com baixaescolaridade e com idade mais avançada (OLIVEIRA et al., 2020). Em Vitória, capital do Estado do Espírito Santo, um estudo transversal também identificou elevada prevalência de SM (29,8%) na população entre 25 e 64 anos em ambos os sexos (SALAROLI et al., 2007). Não existe um único critério aceito universalmente para diagnosticar a Síndrome Metabólica. No Brasil, os mais utilizados são os recomendados pelo National Cholesterol Education Program – Adult Treatment Panel III (NCEP – ATP III) e pelo International Diabetes Federation (IDF). Segundo o IDF, a Síndrome Metabólica em adultos ocorre quando é identificada a obesidade central* e pelo menos 2 dos critérios listados na Tabela 1: Já o NCEP – ATP III entende ser necessária a presença de, no mínimo, três dos cinco critérios citados acima para estabelecer o diagnóstico de SM. Nesse caso, a presença de obesidade central não é obrigatória e ela é identificada quando o perímetro de cintura > 88cm para mulheres e > 102cm para homens. Síndrome metabólica é o nome dado ao conjunto de doenças que engloba: obesidade central, hiperlipidemia, resistência insulínica (RI) e hipertensão arterial sistêmica (HAS) Dentro da obesidade nós a dividimos em duas categorias: 1. Androide – o tecido adiposo aumenta predominantemente na região abdominal 2. Ginoide – deposição de gordura mais periférica, como em quadril ou MMII. A SM está mais diretamente relacionada com a obesidade androide. Uma das principais causas de óbito relacionadas a SM é a Doença Arterial Coronariana (DAC). Para definirmos a SM o paciente precisa ter a circunferência abdominal maior ou igual a 80cm (mulher) ou 94cm (homem); triglicerídeos séricos maiores que 150 mg/dl; HDL sérico Rayssa Viana - Med011 MARC menor ou igual a 40 (homens) ou 50 (mulheres); PAS maior ou igual a 135 mmHg; PAD maior ou igual a 85 mmHg. DIAGNÓSTICO Diagnóstico clínico e avaliação laboratorial São objetivos da investigação clínica e laboratorial: confirmar o diagnóstico da síndrome metabólica (SM) de acordo com os critérios do NCEP-ATP III9 e identificar fatores de risco cardiovascular associados. Para tanto, realiza-se: 1. História clínica - idade, tabagismo, prática de atividade física, história pregressa de hipertensão, diabetes, diabetes gestacional, doença arterial coronariana, acidente vascular encefálico, síndrome de ovários policísticos (SOP), doença hepática gordurosa não-alcoólica, hiperuricemia, história familiar de hipertensão, diabetes e doença cardiovascular, uso de medicamentos hiperglicemiantes (corticosteroides, betabloqueadores, diuréticos). 2. Exame físico necessário para diagnóstico da SM : Medida da circunferência abdominal (Quadro 1) A medida da circunferência abdominal é tomada na metade da distância entre a crista ilíaca e o rebordo costal inferior Níveis de pressão arterial: . Deve-se aferir no mínimo duas medidas da pressão por consulta, na posição sentada, após cinco minutos de repouso 18,19. No exame físico destes pacientes: Peso e estatura. Devem ser utilizados para o cálculo do índice de massa corporal através da fórmula: IMC = Peso/Altura2. Exame da pele para pesquisa de acantose nigricans. Examinar pescoço e dobras cutâneas. Exame cardiovascular 3. Exames laboratoriais necessários para o diagnóstico da SM: Glicemia de jejum. A SM, definida pelos critérios do NECP-ATP III, recomenda para o diagnóstico das alterações da tolerância à glicose apenas a avaliação laboratorial de jejum, não exigindo teste de tolerância oral à glicose (TOTG) nem métodos acurados de avaliação da insulino-resistência (clamp euglicêmico, HOMA–IR) Dosagem do HDL-colesterol e dos triglicerídeos outros exames como: colesterol total, LDL-colesterol, creatinina, ácido úrico, microalbuminuria 20, proteína C reativa 21 (B, 2B), TOTG (glicemia de jejum (B, 2B) e após duas horas da ingestão de 75g de dextrosol), eletrocardiograma. Tratamento de síndrome metabólica As metas do tratamento dos pacientes com síndrome metabólica devem ser voltadas para mudança do estilo de Rayssa Viana - Med011 MARC vida, visando tratar as causas subjacentes com controle do peso e estímulo à atividade física, de forma a reduzir o risco cardiovascular; Controle da hipertensão:Nos pacientes portadores de diabetes, a escolha do tratamento medicamentoso deve ser realizada com base na presença ou não de albuminúria no spot urinário. Se albuminúria presente, a primeira escolha é iniciar inibidores da enzima conversora de angiotensina (IECA) ou bloqueadores do receptor da angiotensina II (BRA). Controle da dislipidemia:O tratamento medicamentoso deve ser iniciado com estatinas, porém se a meta do LDL não é atingida ou se o paciente apresenta contraindicações ao uso de estatinas pode-se associar Ezetimibe. Esquema A: A dosedeve ser escolhida com base no potencial de redução do LDL-c e no alvo de LDL-c e não-HDL de cada paciente. Em pacientes de muito alto risco cardiovascular, dar preferência para atorvastatina e Rosuvastatina, que são estatinas de alta potência: Atorvastatina 10-80 mg/dia; MA: Inibe competitivamente a HMG-CoA redutase, enzima responsável por converter HMG-CoA em mevalonato, uma etapa importante da biossíntese do colesterol. Como consequência, ocorre a redução dos níveis de colesterol e lipoproteínas no plasma, além do aumento de receptores de LDL hepáticos na superfície da célula, o que causa aumento da absorção e do catabolismo do LDL. Rosuvastatina 5-40 mg/dia; MA: Inibe competitivamente a enzima HMG-CoA redutase, que limita a taxa de conversão da 3-hidroxi-3-metilglutaril coenzima A para mevalonato, um precursor do colesterol. A Rosuvastatina aumenta o número de receptores LDL e inibe a síntese hepática de VLDL, reduzindo o número total de partículas de VLDL e LDL circulantes. Sinvastatina 20-40 mg/dia; MA:Inibe de forma competitiva a enzima 3-hidróxi-3-metilglutaril-coenzima A (HMG-CoA) redutase, responsável por catalisar uma etapa inicial da biossíntese do colesterol. Como consequência, reduz a concentração plasmática do colesterol total, do LDL-colesterol, dos triglicérides e do VLDL-colesterol, além de aumentar o HDL-colesterol. Pravastatina 40-80 mg/dia; MA:É um inibidor competitivo da enzima HMG-CoA redutase, essencial para a síntese do colesterol. Seu mecanismo de ação inclui a redução da produção intracelular de colesterol por meio da inibição específica e reversível da HMG-CoA redutase, o que leva ao aumento dos receptores de LDL nas células e, consequentemente, a uma maior remoção do colesterol LDL circulante. Além disso, também inibe a produção de LDL pelo bloqueio da síntese hepática do VLDL. Pitavastatina 2-4 mg/dia. MA: Inibe competitivamente a HMG-CoA redutase, uma enzima determinante da velocidade de reação envolvida na biossíntese do colesterol, resultando na expressão dos receptores de LDL e aumento da sua Rayssa Viana - Med011 MARC captação, diminuindo assim o colesterol total. A inibição contínua da síntese de colesterol no fígado também diminui as concentrações das lipoproteínas de densidade muito baixa (VLDL). Esquema B: Se paciente com contraindicação ao uso de estatinas ou não tiver atingido o alvo do LDL-c com dose máxima de estatina: Ezetimiba 10 mg VO 1x/dia. MA: Promove a inibição seletiva da absorção intestinal de colesterol e de fitosterois relacionados, através do transportador de esterol Niemann-Pick C1-Like 1 (NPC1L1). Esquema C: Se paciente apresentar diabetes e triglicerídeos ≥ 200 mg/dL e HDL-c baixo (≤ 34 mg/dL). Associar aos esquemas anteriores: Fenofibrato 160-250 mg VO 1x/dia; MA: O Fenofibrato reduz os níveis séricos de Triglicerídeos por meio da ativação da lipoproteína lipase e também ao diminuir a produção da apoproteína CIII. Fenofibrato também aumenta HDL e diminui LDL e VLDL por meio da ativação dos receptores ativados da proliferação de peroxissomos (PPARα) já que estes induzem ao aumento das apoproteínas AI e AII. Ciprofibrato 100 mg VO 1x/dia. MA: Promove o aumento da atividade da lipase de lipoproteína (LPL), uma enzima que facilita o catabolismo de partículas ricas em triglicerídeos, aumenta o nível do colesterol HDL e reduz a secreção hepática e a síntese de VLDL. 1. Mudanças do estilo de vida:Dieta: Reduzir consumo de alimentos processados e aumentar consumo de alimentos in natura. Dieta low carb pode ter impacto de melhora do perfil glicêmico. Redução do consumo de calorias com objetivo de perda de peso; Atividade física: Recomendado um mínimo de 30 minutos de atividade física de moderada intensidade, 5x na semana (150 minutos semanais) Acrocórdons - Acrocórdons (skin tags) representam os tumores cutâneos fibroepiteliais mais comuns; são pólipos benignos adquiridos que surgem nas dobras naturais da pele, como as regiões cervical, axilar, inguinal, crural, perineal, inframamária, as pálpebras e o sulco interglúteo.1,2 São pápulas pedunculadas e amolecidas que se protruem a partir da superfície da pele Podem ser únicas ou múltiplas variando entre 2 mm e 10 mm. Acredita-se que a hiperinsulinemia (altos níveis de insulina no sangue) possa estimular o crescimento de células da pele, levando ao desenvolvimento de acrocórdons. A obesidade, especialmente a obesidade abdominal, é um componente importante da síndrome metabólica. Pessoas obesas têm uma maior incidência de acrocórdons, possivelmente devido ao aumento do atrito cutâneo e das influências hormonais associadas à obesidade. Rayssa Viana - Med011 MARC Dislipidemia e HAS pois contribuem para um ambiente metabólico disfuncional. Tratamento São lesões benignas. Tratamento é indicado apenas em caso de irritação da lesão e/ou para fins estéticos. Opções de tratamento: Excisão por corte com pequena tesoura de íris afiada ou excisão por shaving o mais próximo possível da base da lesão e seguida de hemostasia (como soluções químicas de cauterização, por exemplo: Cloreto de alumínio); Eletrocoagulação (para lesões pequenas e finas); Criocirurgia (bom método para lesões múltiplas); Cauterização química (menos utilizado). A excisão por corte em lesões pequenas pode não necessitar de anestesia. Já o shaving deve ser feito com anestesia na base da lesão.