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NÃO PODE FALTAR ESTESIA E FRUIÇÃO Bruno Gomes Pereira Imprimir PRATICAR PARA APRENDER É comum que, em nossas vias, nos questionemos: “afinal, para quê estudar isso?”. Esta indagação é bastante recorrente nas falas dos nossos alunos, sobretudo quando o conteúdo ministrado na aula não lhes parece atrativo, ou mesmo quando o assunto discutido não pode ser visualizado no cotidiano de maneira mais direta. Você, na condição de professor de Literatura, deve estar preparado para ouvir questionamentos assim. Nesses momentos, muitas vezes nos perguntamos sobre a qualidade de nossas aulas: será que elas não representam nada para os alunos? Mas é importante que isso não nos desestabilize, pois, como veremos, não é bem assim. É comum que nós, seres humanos, não tenhamos motivação para nos dedicar a algo que não nos soa como prazeroso ou útil ao nosso cotidiano. Então, diante de questionamentos a respeito da 0 V er a n o ta çõ es https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 1 de 16 aplicabilidade de certo conteúdo na vida real do aluno, o que temos de nos perguntar, como professores, é: como devo fazer para deixar mais claro ao meu aluno a respeito da utilidade desse assunto para a sua vida? Imagine que você seja o professor de literatura de uma determinada turma, a qual, rotineiramente, pergunta-lhe sobre o porquê de se estudar literatura. Certo dia, você leva para trabalhar em sala de aula o livro Dom Casmurro, de Machado de Assis. O primeiro contato dos alunos com a obra não lhe parece animador. A maior parte da turma não consegue se apropriar das mensagens implícitas no romance e, com isso, não consegue estabelecer um link entre o texto literário e sua própria vida, o que os deixa desmotivados em continuar a leitura do texto machadiano. E agora? O que você faria? Entender a literatura como uma manifestação artística é percebê-la como algo importante para o seu desenvolvimento cognitivo e, com isso, elementar ao seu bem-estar como cidadão. Mas como fazer o aluno entender dessa maneira, se a escrita criativa da obra literária não lhe soa convidativa? A princípio, temos que entender o texto literário como algo subjetivo, o que o torna convidativo ao desenvolvimento da fruição e da cognição do homem, revelando-se, então, como algo estésico. Nessa seção, você será convidado a pensar em mecanismos didáticos capazes de auxiliá-lo no contexto de sala de aula a respeito da escrita criativa, que desperta sensações; além disso, veremos como nós, enquanto leitores desse tipo de obra, podemos nos apoderar dessas https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 2 de 16 sensações e, com isso, compreender, de maneira mais transparente, a relação entre a poética literária e o nosso contexto real de vida. Pense nisso: você é um canalizador de ideias, de modo a tornar a literatura um instrumento socialmente engajado e, ao mesmo tempo, transformador das práticas de relações interpessoais, pois entendemos que a arte literária é, acima de tudo, um espelho das sensações e desejos humanos. CONCEITO-CHAVE ESTESIA Certamente, você já deve ter ouvido seu professor de Literatura perguntar sobre qual sentimento a leitura de determinado poema despertou em você. Esse questionamento deve ter sido feito no contexto de leitura e análise de algum texto literário que, em razão de sua escrita criativa, estava sujeito às interpretações advindas de várias possibilidades de sentidos. Entretanto, a pergunta feita pelo professor parte da seguinte premissa: a leitura do texto literário nos confere a possibilidade de desenvolvimento de sensações, emoções e aptidões esboçadas pelos personagens em uma escrita literária. Em outros termos, o contato com a escrita criativa, enquanto manifestação artística, pode desenvolver no leitor as mesmas sensações contidas na obra. A esta capacidade que opera entre o cognitivo e o sinestésico damos o nome de “estesia”, habilidade de compreendermos e sentirmos o sentimento estético da beleza artística, algo catártico. https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 3 de 16 REFLITA Você já procurou entender que o texto literário tem um vocabulário próprio, rico de sentidos? É possível que, em algum momento, você já tenha tido algum tipo de dificuldade para entender o significado de alguns termos ou palavras empregadas em textos da literatura. Quando você se depara com essa situação, o que costuma fazer? Segue a leitura da obra ou investiga sobre os sentidos possíveis? Entender os desdobramentos de sentidos possíveis é importante para que você compreenda o teor do texto lido e, assim, possa se apropriar das mensagens que ele traz. Diante disso, é importante problematizarmos também a noção do termo “estético” no contexto da literatura e das artes, para, assim, compreendermos mais exatamente os caminhos que a estesia percorre para tocar os sujeitos consumidores das artes. Assim, é pertinente considerarmos que: De acordo com Sant’anna e Trevisan (2017), a concepção de “estética” vai muito além daquilo que se convencionou a entender como “belo” ou “bonito”, simplesmente. O estético, embora esteja ligado à aparência, a palavra "estética" é hoje vulgarizada, pois muitas vezes é usada pelas pessoas como sinônimo de bonito ou em relação à aparência (sendo utilizada como adjetivo), porém, na verdade, aqui abordaremos a Estética – com ‘E’ maiúsculo quando estamos tratando da disciplina – enquanto uma área da Filosofia, que lida com princípios filosóficos fundamentais, como o juízo sobre o belo. — (SANT’ANNA; TREVISAN, 2017, p. 10-11) “ https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 4 de 16 não se resume àquilo que está ao alcance dos olhos, pois o aparente é, na verdade, resultado de uma série de elementos não aparentes. Nesse sentido, é válido entendermos que a concepção de estética no contexto literário e artístico é, antes de tudo, uma medida interdisciplinar, visto que a construção de sentidos da beleza literária parte do texto enquanto produto artístico, porém não se esgota nele, dependendo, com isso, de fatores externos à obra para que se faça existir. Vamos exemplificar: suponha que você nunca tenha ido à cidade de Veneza, na Itália, mas que tenha tido contato, durante as aulas de Literatura, com alguma manifestação artística típica da referida cidade. Ainda sem conhecer Veneza, provavelmente você vai achar a obra apresentada muito bonita, pois estará entendendo a estética apenas como a aparência daquilo que está visível aos seus olhos. Entretanto, se você entender que a estética está relacionada às construções de sentido, bem como ao prazer do contato com a referida obra, de modo a despertar-lhe sensações e emoções, você poderá ter outra opinião sobre o estético. Para ter mais propriedade sobre o que você mesmo sente, é necessário fazer uma pesquisa mais detalhada a respeito dessa obra, considerando aspectos sociais, políticos e econômicos que contextualizam a sua produção. A estesia reside justamente nesse ponto: é necessário conhecer a obra literária e artística para, assim, conhecer a si mesmo. https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 5 de 16 Em uma perspectiva bastante universal, podemos avançar nessa definição de estético no contexto além da arte. Sobre isso, é possível afirmar que: Ainda de acordo com Sant’anna e Trevisan (2017), o prazer estético deve ir além das artes, sendo, portanto, um bem universal que cabe a qualquer manifestação de cultura, pois todas as demonstrações culturais são carregadas de sensibilidade e introspecção,e a construção de seus sentidos é vulnerável aos seus aspectos pragmáticos. Assim, mais uma vez, ressaltamos o caráter libertador e criativo da literatura, a qual se mantém como algo atemporal e sem restrição. Por meio da arte literária, é possível viajarmos pelo mundo da imaginação e conhecermos lugares nunca antes habitados. Isso se dá pelo prazer que a estesia pode proporcionar ao leitor que encontra na literatura o seu reflexo enquanto ser humano, cidadão e ser pensante. Em resumo, a estesia está associada ao ato de se apropriar das emoções e das sensações que o texto literário carrega em si. Isso, mais uma vez, reforça o caráter engajador da literatura na nossa vida, pois tudo o que se manifesta na sociedade pode ser retratado por meio da escrita artística e literária. o material que a Estética pode analisar vai além do que consideramos arte, mas se refere a tudo o que a mão humana faz e toca a sensibilidade. A Estética pode analisar tanto as produções artísticas quanto as culturais de modo geral. Assim, essa abordagem pode olhar criticamente para além da arte, isto é, para áreas como a arquitetura, publicidade, moda, design (de produto, gráfico, digital, etc.), entre outras. No entanto, sem dúvida, são as artes que ocupam o lugar central nos estudos de Estética. — (SANT’ANNA; TREVISAN, 2017, p. 13) “ https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 6 de 16 COGNIÇÃO A cognição é uma das vertentes em que o texto literário pode operar, pois agrega em si valores estéticos, imagéticos e cerebrais que podem colaborar para o desenvolvimento cognitivo do leitor. A cognição é um termo bastante discutido em várias áreas das ciências humanas, apresentando ferramentas de interesse interdisciplinar. Entretanto, a definição que mais se aproxima daquilo que focamos aqui é aquela que trata a cognição como uma habilidade do ser humano que envolve seu conhecimento e sua percepção do mundo. Teoricamente, essa definição pode não se apresentar clara aos seus olhos. Vamos, então, exemplificar: você já se imaginou indo a um cinema para assistir a um filme de que, definitivamente, você não gosta? Pois bem, certamente, quando vamos ao cinema, a intenção é vermos um filme que seja interessante aos nossos olhos. Nos casos em que tivemos que ir ao cinema para ver um filme que não nos agrada, por algum motivo, as experiências tendem a ser desastrosas. Entretanto, não podemos falar o mesmo de quando vamos para ver um filme de que gostamos muito, porque, nesse caso, nossos relatos tendem a ser os melhores possíveis. Mas você já se perguntou o porquê disso? Certamente, se podemos escolher a qual filme assistir, esta escolha agrega vários fatores, porém, o mais importante deles é nossa identificação com a obra audiovisual. O fato de nos enxergarmos naquele universo é algo bastante convidativo e incentivador para assistirmos ao filme. Durante a exibição, vamos, automaticamente, estabelecendo relações sensoriais, as quais ajudam a https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 7 de 16 despertar sensações condizentes com aquelas vistas no telão: choro, risada, raiva, medo, etc. Estas reações são, portanto, resultantes de uma construção cognitiva que vamos fazendo a partir daquilo que já conhecemos do mundo. Com o tempo, vamos criando um dispositivo cerebral, onde arquivamos experiências de mundo capazes de orientar nossas escolhas e construir nossas percepções de gosto ao longo da vida. Por isso, se tivermos a oportunidade de escolher qual filme veremos, sempre escolheremos aquele de que gostamos, pois nosso dispositivo cerebral vai colaborar para o nosso processo de escolha, em razão das inferências que vamos fazendo. Para Ulbricht et al. (2013), a cognição é incentivada, diretamente, pela criatividade, pois esta lida com aspectos imagéticos e sensoriais que, devidamente canalizados durante as aulas de Literatura, podem exercitar a capacidade de imaginação e construção de sentidos a partir dessa disciplina. Assim, para os autores, pensar a cognição no contexto literário é buscar trazer para a discussão elementos artísticos que podem nos ajudar a estabelecer inferências acerca das questões artísticas e literárias das obras a serem trabalhadas em sala de aula. Ainda de acordo com os autores, a cognição demanda diferentes realidades para que estas sejam devidamente articuladas, construindo, assim, uma visão de mundo oportunizada pelo contexto de vida em que estamos inseridos. Imagine que você tenha lido um determinado texto literário e não tenha entendido nada, ou quase nada, do que leu. Provavelmente, a primeira https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 8 de 16 sensação é de estranhamento. Você estranha a linguagem, a maneira como os fatos são contados, o vocabulário... Isso porque é possível que nenhuma dessas maneiras específicas de comunicação faça parte da sua rotina diária, por isso a necessidade de se estabelecer inferências e articulações com demais coisas do seu conhecimento. ASSIMILE O texto literário é, antes de tudo, uma representação das práticas humanas, relatando, assim, críticas sociais em todas as suas vertentes (econômicas, comportamentais, psicológicas, linguísticas, etc.). Para isso, consideramos que a escrita literária, em tom poético e artístico, está diretamente associada aos aspectos estéticos, cognitivos e subjetivos das habilidades do homem, que deve ser visto como sujeito fruidor de suas colaborações. Entender o texto literário e, com isso, reduzir essas lacunas, não é tarefa fácil, demanda tempo, dedicação e uma conexão direta com a escrita criativa. Por isso, costumamos dizer que conhecer o texto literário é um processo, já que, na verdade, é uma construção de sentidos que exige do leitor entrosamento com o que é lido. Isso, por sua vez, dependerá também do seu contato com o mundo externo à literatura, pois os sentidos só serão construídos a partir do momento em que você identificar questões reais, que estão, provavelmente, sendo semiotizadas no universo literário. Em resumo, a cognição nada mais é do que a habilidade de estabelecer https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 9 de 16 relações entre o que é lido na literatura e o que é visto no seu contexto real. Estas relações são estabelecidas a partir de sua memória, em armazenamentos feitos durante toda sua vida. SUBJETIVIDADE A subjetividade está relacionada a todos os princípios listados até agora. Intrinsicamente ligado ao universo particular do leitor, o ato de ser subjetivo é necessário à arte literária, visto que se trata de uma arte iminentemente associativa, dependente do olhar externo de quem a lê. Definir subjetividade é, na verdade, convidar o leitor a olhar para dentro de si e tentar enxergar aquilo que ninguém mais consegue. Neste universo inóspito, a literatura se constitui como obra estética, pois é a partir do que está fora que podemos conhecer aquilo que está dentro. É possível que você já tenha ouvido alguém dizer que “coração é terra que ninguém vê”. Esta frase é utilizada para explicar a dificuldade de se conhecer o coração do outro. Deixando de lado o jogo metafórico, o referido pensamento problematiza as dificuldades de se entender aquilo que se apresenta como subjetivo aos olhos de quem vê. Em outros termos, diz-se que é difícil conhecer o coração alheio, porque é algo que não pode ser visto logo no primeiro contato com outras pessoas, diferentemente de outras partes do corpo, como os olhos, a boca, os braços, o nariz, e assim por diante. Do mesmo modo é a literatura: para compreendê-la, você precisa conhecê-la e conviver com ela.A literatura, então, é o coração artístico, onde tudo pulsa, mas também onde é mais difícil de chegar e de entender. https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 10 de 16 EXEMPLIFICANDO Não raramente, encontramos alunos que apresentam uma considerável dificuldade em desenvolver sua cognição a partir da leitura de obras literárias. Parte dessa dificuldade reside no fato de os nossos alunos não se identificarem com o vocabulário empregado no universo poético da literatura. Seria uma boa opção incentivá-los a consultar um dicionário para que, a partir da identificação do sentido dicionarizado, eles possam desenvolver inferências e, assim, ter condições de mapear os possíveis sentidos intencionais, já que a escrita criativa, na literatura, caracteriza-se pelo seu teor subjetivo. Além disso, o ato de entender pressupõe o ato de conhecer, de conviver e, assim, de construir sentidos que não podem ser relocalizados, ou seja, depende do olhar de quem vê, assim como da forma com que se vê. Logo, trata-se de algo particularizado. No contexto dos estudos literários, especialmente na teoria literária, o subjetivo é visto como algo intrínseco à obra, sendo essencial à sua literariedade. Por isso, é pertinente afirmarmos que: https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 11 de 16 De acordo com Stainle (2017), a subjetividade perpassa questões puramente teóricas, valendo-se, pois, prioritariamente, de questões sentimentais, emocionais e intersubjetivas. Isso é de suma importância para se entender a literatura enquanto ciência da linguagem, tendo em vista que é isso que a diferencia das demais ciências de natureza humana: o fato de ser essencialmente social, não apenas porque colabora para que o social possa ser entendido a partir de si, mas principalmente pelo fato de o social ser (re)construído a partir das suas colaborações. Ainda nesse sentido, afirmamos que: a teoria literária, enquanto emprego de determinado posicionamento em relação à obra, mantém sempre uma relação de simbiose com o texto literário e seus contextos de produção (social, político, econômico, geográfico, temporal). Essa relação perpassa a subjetividade da leitura crítica e teórica, seja ela individual ou compartilhada. Não se pode reduzir a obra aos seus aspectos teóricos e suas limitadas leituras críticas, devendo-se manter sempre em mente que “os clássicos nunca morrem”, e essa ideia popular condena a crítica e as teorias em virtude de a literatura extrapolar esses campos. A ideia básica que circunda um texto dito clássico é a sua capacidade de não se deixar reduzir aos vieses teóricos em sua totalidade, de modo que um clássico sempre escapa da tentativa crítica e teórica de leitura acabada, fechada em si mesma, totalizante e finalizadora. — (STAINLE, 2017, p. 67) “ Sentimentos, necessidades e características físicas são os mais básicos dos aspectos comuns entre os humanos. Mesmo que encontremos seres humanos extremamente diferentes, ainda assim conseguiremos traçar o mais básico e comum dos elementos, que aqui se mostra com importância cabal, o uso da linguagem como forma de comunicação. A necessidade de expressão é o mais comum de todos os elementos humanos, independentemente do espaço ou do tempo, as línguas são usadas para o mesmo fim e nessa semelhança reside a subjetividade do fazer literário. — (STAINLE, 2017, p. 99) “ https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 12 de 16 Stainle (2017) nos traz que a subjetividade literária diferencia-se de uma subjetividade de algo não literário, pois considera o teor subjetivo básico e essencial à prática da escrita literária. Isso, por sua vez, revela que a subjetividade nos textos literários pode ser estabelecida a partir daquilo que se mostra semelhante, e não daquilo que se mostra diferente aos olhos do leitor. Logo, o leitor precisa se identificar com as manifestações literárias com as quais tem contato. Em resumo, a subjetividade é algo inerente ao escopo literário: não se pode construir nem combinar sentidos a partir de algo estranho aos seus olhos, que não seja capaz de lhe despertar algo por intermédio do contato que se estabelece. Por isso, é essencial que a literatura possa despertar sensações internas no leitor a partir de seu conhecimento externo, uma vez que o subjetivo é, na verdade, um exercício mental. FRUIÇÃO A fruição está ligada ao ato de usufruir de algo. No contexto dos estudos literários, a fruição pode ser entendida como a capacidade que o leitor tem de tomar posse daquilo que leu ou viu, por meio de um texto literário. Portanto, está relacionada à capacidade humana de posse e de alteridade dos sentimentos alheios. Imagine que você está lendo um determinado romance. Durante a leitura do texto literário, você fecha o livro com raiva e fala que não vai mais ler o livro, pois está com raiva do vilão. Perceba que uma ação tomada por você teria sido incentivada por questões abstratas, sentimentais, as quais foram sentidas por algum personagem da obra https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 13 de 16 que você estava lendo. Entretanto, nada foi feito a você, diretamente. O que houve foi uma transposição de sentimentos, a partir da tomada de posse que você fez dos sentimentos da personagem que foi lida. Para se compreender a fruição enquanto recurso e prática cognitiva e literária, é necessário pontuarmos algumas coisas a partir da mobilização de saberes de ciências afins. No contexto da psicanálise, por exemplo, a fruição está relacionada a algum ato inconsciente, que tomamos sem mensurar muito bem os efeitos daquilo na nossa vida. Assim, afirmamos que: Por fim, a fruição está associada ao nosso inconsciente, naquilo em que podemos encontrar, ou não, um gatilho aparente. No contexto das literaturas, isso é muito frequente, pois nem sempre estamos certos daquilo que sentimos a partir do contato com a escrita literária criativa. FOCO NA BNCC Os conteúdos abordados nessa seção são fundamentais para o desenvolvimento das habilidades e competências dos nossos alunos, pois a capacidade de estabelecer relações é, antes de tudo, uma prática interpretativa que os auxiliará em todo e qualquer contexto de relações. Dessa forma, a partir do momento em que o aluno entender a relação entre a O inconsciente foi um conceito fundamental para Freud e constituiu o ponto em torno do qual se sustentou o edifício teórico e técnico da psicanálise. Para Freud, a maior parte da vida psíquica é inconsciente, não dominada pela razão, mas regida pela força das pulsões e das paixões. Portanto, procure compreendê-lo muito bem. — (RIEDO; ROSA, 2017, p. 23) “ https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 14 de 16 literatura e seu cotidiano, tenderá a estar apto a fazer inferências e a construir sentidos, desenvolvendo as práticas de leitura e interpretação de textos. Por fim, é importante que você entenda que a escrita criativa é assim chamada, sobretudo, porque deve incentivar a percepção cognitiva de quem a lê. Dessa forma, aspectos linguísticos, estilísticos e pragmáticos são fundamentais para que o cognitivo dos nossos alunos seja instigado e, assim, eles consigam construir sentidos e desenvolver suas capacidades mentais. A relação entre literatura e sociedade é de suma importância para que os alunos possam enxergam aspectos artísticos, mas também linguísticos da literatura. REFERÊNCIAS METZGER, F. Poéticas, tecnologias e multimídia. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2016. RIEDO, C. R. F.; ROSA, K. M. L.Matrizes do pensamento em psicologia: psicanálise. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. SANT'ANNA, P.; TREVISAN, P. S. Estética e história da arte. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional, 2017. STAINLE, S. Teoria da literatura. Londrina: Editora e Distribuidora Educacional S.A., 2017. ULBRICHT, V. R. et al. (Orgs.). Contribuições da criatividade em diferentes áreas do conhecimento. São Paulo: Pimenta Cultural, 2013. https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 15 de 16 https://www.colaboraread.com.br/integracaoAlgetec/index?u…A_CRIATIVA%2FLIVRO_DIGITAL%2Findex.html&isAluno=true 15/05/2025, 16:18 Página 16 de 16