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DESCRIÇÃO Método de trabalho e operação, organização e produtividade, melhoria e atualização dos sistemas de trabalho no campo da Engenharia de Métodos. PROPÓSITO Métodos do Trabalho é uma subespecialidade da Engenharia Industrial que engloba tanto a organização do trabalho e a integração humana nos processos de produção quanto o desenvolvimento de layouts e processos produtivos, de forma a melhorar a ergonomia, a produtividade e a reduzir os custos de produção. PREPARAÇÃO Antes de iniciar este conteúdo, tenha em mãos papel, caneta e uma calculadora, bem como um aplicativo de planilhas eletrônicas. OBJETIVOS MÓDULO 1 Empregar os conceitos de Organização do Trabalho e Engenharia de Métodos MÓDULO 2 Empregar os conceitos de abordagem de sistema para produtividade MÓDULO 3 Reconhecer as fases do estudo do método INTRODUÇÃO AVISO: orientações sobre unidades de medida. AVISO: ORIENTAÇÕES SOBRE UNIDADES DE MEDIDA. Em nosso material, unidades de medida e números são escritos juntos (ex.: 25km) por questões de tecnologia e didáticas. No entanto, o Inmetro estabelece que deve existir um espaço entre o número e a unidade (ex.: 25 km). Logo, os relatórios técnicos e demais materiais escritos por você devem seguir o padrão internacional de separação dos números e das unidades. javascript:void(0) PROJETOS DE MÉTODOS DE TRABALHO: CONCEITOS MÓDULO 1 Empregar os conceitos de organização do trabalho e engenharia de métodos ORGANIZAÇÃO DO TRABALHO E ENGENHARIA DE MÉTODOS CONSIDERAÇÕES INICIAIS Foto: Adobe Stock Organização do Trabalho e Engenharia de Métodos são subespecialidades da Engenharia Industrial/Produção. Enquanto a Organização do Trabalho se preocupa com a integração humana nos processos de produção industrial por meio da distribuição de habilidades e coordenação das tarefas de trabalho, a Engenharia de Métodos é a análise e o desenvolvimento do método empregado na execução dessas tarefas para atingir o objetivo de reduzir os custos de produção e aumentar a confiabilidade e produtividade. O estudo do trabalho é o ramo da Engenharia Industrial/Produção que visa atingir abordar, tanto a organização das diversas tarefas, quanto a forma de execução de cada tarefa. Por esse motivo, usamos o termo estudo do trabalho neste módulo, para representar a Organização do Trabalho e a Engenharia de Métodos. O QUE É ESTUDO DO TRABALHO? Foto: Adobe Stock Antes de tentar responder a essa pergunta, vamos revisar algumas das definições explicativas disponíveis sobre o estudo do trabalho, que possivelmente podem delinear o que ele incorpora. SAIBA MAIS Basicamente, é um sistema de avaliação dos métodos de trabalho de forma a atingir o máximo rendimento e eficiência. O estudo do trabalho ajuda a aumentar a produtividade de homens, máquinas e materiais. A norma BS 3138: 1979 do British Standards, que trata de um glossário de termos usados no estudo de trabalho, apresenta uma definição abrangente sobre este assunto: ESTUDO DO TRABALHO É UM TERMO GENÉRICO PARA AQUELAS TÉCNICAS, PARTICULARMENTE DE ESTUDO DE MÉTODO E MEDIÇÃO DE TRABALHO, QUE SÃO UTILIZADAS NO EXAME DO ESFORÇO HUMANO EM TODOS OS SEUS CONTEXTOS E QUE CONDUZEM SISTEMATICAMENTE À INVESTIGAÇÃO DE TODOS OS FATORES QUE AFETAM A EFICIÊNCIA E ECONOMIA DA SITUAÇÃO QUE ESTÁ SENDO REVISTA PARA A MELHORIA DO PROCESSO. Portanto, o estudo do trabalho obtém seus benefícios por meio, em primeiro lugar, da investigação da situação atual, examinando especialmente quaisquer deficiências aparentes, por exemplo, o desempenho de uma equipe operacional ou de um grupo de máquinas. Esse diagnóstico é seguido pela determinação e introdução de melhorias apropriadas nos métodos operacionais. O estudo do trabalho realiza investigações que abrangem métodos operacionais, seleção e uso de equipamentos, fornecimento de layout da planta e uso de materiais, disponibilidade de serviços auxiliares como manuseio de materiais, organização do trabalho, eficácia dos procedimentos operacionais totais, controle de progresso e efeito potencial das investigações sobre custos globais e eficiência. O ESTUDO DO TRABALHO É UMA FERRAMENTA PARA AUMENTAR A PRODUTIVIDADE? Pelas definições anteriores, podemos perceber que o estudo do trabalho tem relação direta com a produtividade e é a técnica mais utilizada para aumentar a quantidade produzida (output) a partir de determinado recurso (input), com pouco ou nenhum aumento no investimento de capital. A produtividade, é claro, pode ser aumentada no longo prazo por meio de inovações e desenvolvimento de novos processos, modernização de instalações e equipamentos ou aquisição de tecnologia avançada. Foto: Adobe Stock Mas isso poderá exigir uma grande inversão de capital e causar uma drenagem dos recursos da empresa. Ninguém gostaria de aumentar o dispêndio de capital sem necessidade. Devemos, portanto, olhar para o problema da produtividade de um ângulo diferente. Vamos determinar as causas da baixa produtividade por análise sistemática dos processos existentes, projetos e métodos de trabalho, criando assim meios e métodos para aumentar a produção, eliminando ou modificando elementos de desperdício de operações, projetos etc., com nenhum ou um mínimo investimento de capital. Mas, afinal, a história tem mostrado repetidamente que o que era supostamente impossível nos anos passados tornou-se uma possibilidade hoje, como uma máquina a vapor, um homem pousando na Lua, os computadores de mesa e laptops ou, ainda, máquinas inteligentes e IoT (Internet of Things – internet das coisas). Afinal, investigações e melhorias nas operações ou aumento de produtividade não são novidades na história do desenvolvimento industrial. Vários profissionais, começando por Frederick Taylor (1856-1915), grandioso engenheiro mecânico estadunidense, fizeram avanços notáveis em direção ao aumento da produtividade. Infelizmente, ainda não encontramos uma fábrica que produzisse esses gênios em uma linha de produção em massa para atender às situações industriais altamente complexas de hoje. Assim, é importante que o processo de melhorias seja feito de forma sistemática, infalível e, ao mesmo tempo, simples para que qualquer gestor, ao realizar esse procedimento sistemático, possa alcançar resultados tão bons ou melhores que os obtidos anteriormente. Foto: Wikipedia, domínio público Frederick Taylor, autor do livro “Os princípios da administração científica.” O objetivo básico da gestão da produção é produzir a quantidade certa de bens com a qualidade certa em um tempo predeterminado a um custo predeterminado. O estudo do trabalho é a ferramenta com a qual a administração busca para atingir esse objetivo, fornecendo métodos padronizados de operação para as atividades de manufatura. O valor primordial do estudo do trabalho reside no fato de que, se um procedimento sistemático é aplicado tanto na investigação do problema quanto no desenvolvimento de soluções, é certo que nenhum critério, nenhuma limitação ou alternativa são deixados de lado. Esse é um pré-requisito para resultados eficazes e esse aspecto distingue uma aplicação sistemática do estudo do trabalho de melhorias casuais. Podemos resumir as razões para considerar o estudo do trabalho como uma ferramenta valiosa de gestão: Razão 1 – É um meio direto de aumentar a produtividade e a eficiência da produção de uma organização ou unidade operacional, envolvendo pouco ou nenhum dispêndio de capital em instalações e equipamentos. Razão 2 – Baseia-se em princípios e procedimentos sistemáticos, consistentes e simples, sendo a análise feita com base em fatos e dados e não em opiniões individuais. Razão 3 – Garante que nenhum fator ou dado que afete a eficiência seja esquecido. Razão 4 – As várias técnicas de registro adaptadas ajudam a apresentar todos os fatos, bem como a análise em gráficos, símbolos e relatórios simples, mas claros e específicos, de modo que não só os chefes, mas também o pessoal de todos os níveis que estão envolvidosna implementação da mudança, possam compreender e apreciar o procedimento adotado. Razão 5 – É um meio confiável e preciso de estabelecer metas de desempenho, que auxiliam o planejamento e o controle eficazes não apenas da produção, mas também de outras atividades, como a manutenção. Razão 6 – É um estudo de trabalho conduzido de forma eficaz, resultando em economia imediata para a empresa, e continuará enquanto a mudança continuar. Razão 7 – Pode ser utilizado onde quer que esteja envolvido o trabalho manual, seja operação de usinagem ou transporte, oficina, trabalho de escritório, hospital, supermercado ou mesmo instituição de ensino. O estudo do trabalho tem aplicações universais. Razão 8 – O estudo do trabalho é uma ferramenta penetrante de investigação e mostra todas as práticas ineficazes da equipe em diferentes níveis, bem como os elementos ineficazes invisíveis. A comunicação interdepartamental é uma das funções organizacionais que auxiliam a fluidez e agilidade do fluxo de informações necessárias para o fluxo ininterrupto de produção, além de ajudar a empresa a se manter eficiente e produtiva. É a comunicação entre departamentos que mantém as organizações vivas e eficientes, e quando ela quebra, surgem crises que afetam o bom fluxo da produção. A figura a seguir destaca a importância de comunicações imediatas entre vários departamentos e seções. Imagem: Kiran, 2020, p. 30 Relação entre estudo do trabalho e outros departamentos. Quando a comunicação interdepartamental é deficiente, o atendimento ao cliente também pode ser prejudicado. Por exemplo, se o departamento de contas a receber não estiver se comunicando adequadamente com as contas a pagar, um cliente continua a receber uma cobrança de uma fatura que já foi paga e isso poderá resultar na perda de clientes. Se o departamento de produção não for avaliado quanto ao aumento na demanda do produto, a empresa sofre uma perda de receita. Isso também resultaria em alocação de prioridade subsequente ineficiente, resultando em baixa eficiência. POR QUE PRECISAMOS DE ESPECIALISTAS EM ESTUDO DE TRABALHO? Dissemos que o estudo do trabalho é sistemático e, ao mesmo tempo, simples de entender. Então, por que precisamos de especialistas para estudar o trabalho? O pessoal de produção não pode conduzir um estudo de trabalho e obter resultados? Antes de respondermos a isso, vamos lembrar que o estudo do trabalho é bem-sucedido pelo fato de que todas as limitações, critérios e alternativas são considerados por investigações sistemáticas. Essas investigações detalhadas levam tempo e muita concentração de pensamentos e habilidades especialmente desenvolvidas. Foto: Adobe Stock O gerente de produção ou o supervisor pode ter adquirido essas habilidades e ser eficiente, mas ele está absorto em seus problemas técnicos do cotidiano e minuto a minuto em outros problemas de produção, logo, ele nunca está livre para longas interrupções de seu trabalho para atingir as metas de produção. Seria muito mais difícil para ele reunir todos os dados com paciência e, a menos que todos os fatos sejam totalmente conhecidos, seria difícil continuar as investigações. Isso significa que a função de um estudo de trabalho deve ser sempre responsabilidade de alguém que está livre de problemas de produção, como o estresse de atingir metas. Ele deve ser capaz de realizar seu trabalho como uma função de equipe e não como uma função de linha. A gestão é uma arte e uma ciência. Existem várias técnicas científicas que podem ser aplicadas para resolver problemas de gerenciamento com abordagem sistemática e caminhar passo a passo do conhecido ao desconhecido com base na verificação de fatos. Embora as técnicas científicas sejam aplicadas a materiais regidos por leis físicas conhecidas, as técnicas de gerenciamento devem ser aplicadas a pessoas por pessoas. Uma compreensão plena do comportamento humano, principalmente daqueles afetados pela decisão, é essencial para o próprio sucesso dessas técnicas. Podemos dizer que enquanto a análise sistemática forma a parte científica da gestão, as relações humanas constituem a parte artística da gestão. ATENÇÃO O objetivo principal de toda administração é conduzir a empresa em direção a objetivos específicos. Isso pode ser alcançado organizando e controlando todas as atividades, especialmente as atividades humanas da organização. ESTUDO DE TRABALHO X ESTUDO DE TEMPO E MOVIMENTO Taylor, já citado, trabalhou inicialmente como técnico e mecânico e, posteriormente, formou-se como engenheiro mecânico. Escreveu o importante livro Os Princípios da Administração Científica, publicado em 1911 e, desse modo, tornou-se um dos precursores da introdução dos métodos de estudos de tempos e movimentos. Atuou principalmente na indústria siderúrgica dos Estados Unidos, focando a busca de melhorias de produtividade voltadas para a atuação dos trabalhadores em seus postos de trabalho. VOCÊ SABIA O estudo de trabalho inicialmente era conhecido como estudo de tempos e de movimentos, ou seja, o uso de combinadas de estudo de tempo com o estudo dos movimentos. O estudo de tempo refere-se ao tempo das operações com o uso de um cronômetro, basicamente para acertar o tempo padrão de operação. O estudo de movimento refere-se ao estudo do movimento corporal dentro e ao redor do local de trabalho, com o objetivo de simplificar os movimentos corporais ou os procedimentos operacionais. Uma comparação entre as definições de estudo do trabalho revela os seguintes pontos de discussão: O termo estudo do tempo foi substituído pelo termo medição do trabalho, que abrange não apenas o estudo do tempo do cronômetro, mas também os desenvolvimentos mais recentes, como Sistemas de Tempo de Movimento Predeterminado. O termo estudo de método abrange toda a técnica aplicada para examinar criticamente o método completo de operação a fim de eliminar os elementos ineficazes, qualquer que seja a situação ou o tipo de operação. Inicialmente, mais ênfase era dada ao estudo do tempo do que ao estudo do movimento (atual estudo de método). Atribuiu-se mais importância ao uso do estudo do trabalho na definição de metas de produção do que na melhoria dos métodos de trabalho. Dos itens acima, o último tem significado particular. Com todas as suas boas intenções, Taylor deu ênfase indevida a cronometrar a operação e estabelecer padrões. Isso, como já vimos, resultou em forte oposição e forçou os pioneiros posteriores a revisar o estudo de tempos e movimento. Na verdade, Ralph Barnes batizou seu famoso livro, em 1937, como Motion and Time Study, enfatizando que a busca por métodos adequados deve sempre preceder a fixação de padrões de tempo. Portanto, o objetivo do estudo de tempo e movimento é estabelecer um padrão de produtividade do funcionário. Para que isso seja feito, faz-se necessário, para tarefas complexas, a sua subdivisão em tarefas mais simples, observando-se detalhadamente a sua execução pelo funcionário, de modo a eliminar movimentos desnecessários, medindo-se então o tempo de sua execução. Dessa forma, busca-se a medição do trabalho, ou seja, a apuração do tempo padrão para a execução da tarefa, dentro das características do processo, do produto e da qualidade requerida. As duas alas de estudo de trabalho definidas acima podem ser representadas como: Imagem: Kiran, 2020, p. 49 Estudo do método e medição do trabalho. RESUMINDO Apesar de os engenheiros industriais terem expandido suas atividades para outras áreas de atuação, como pesquisa e análise de operações, robótica etc., o estudo do trabalho continua a ser sua atividade principal. A produtividade industrial visa ao aprimoramento de métodos ou sistemas. Mas a própria palavra "melhoria" está ligada a uma ação de mudança, à qual pode haver resistência por parte dos trabalhadores. Uma tentativa de compreender o possível motivo de tal resistência, analisando a história passada e a situação como um todo, possivelmente permitiriaà gestão planejar um curso de ação racional para implementação bem-sucedida da mudança. Embora o estudo do método e a medição do trabalho tenham conceitos procedimentais diferentes e façam uso de técnicas diferentes, eles são bastante dependentes um do outro para atingir a meta de produtividade e geralmente são combinados. Pode-se notar que a medição do trabalho deve ser usada como um suplemento ao estudo do método para determinar o tempo economizado pelos métodos aprimorados. Nunca deve ser usada com o único propósito de estabelecer padrões de trabalho ou metas operacionais. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O ESTUDO DO TRABALHO, O ESTUDO DO MÉTODO E A MEDIÇÃO DO TRABALHO CONSISTEM EM DESCOBRIR O MÉTODO E O TEMPO NECESSÁRIO PARA QUE UM OPERÁRIO COMPLETE UMA TAREFA. O OBJETIVO PRINCIPAL DESSE MÉTODO É: A) Controlar o trabalho dos operários, evitando o desperdício. B) Obter o melhor resultado de cada operário e a maior produtividade. C) Estabelecer um pagamento por peça, estimulando o trabalhador. D) Garantir a qualidade do serviço a partir de um tempo padrão. E) Promover a promoção do empregado por eficiência. 2. A METODOLOGIA DESENVOLVIDA POR TAYLOR OBJETIVA UMA FORMA DE PRODUÇÃO ADVINDA DO PROCESSO DE SISTEMATIZAÇÃO DAS ATIVIDADES INDUSTRIAIS. QUAL O PRINCIPAL OBJETIVO DO TAYLORISMO? A) Emprego de técnicas de customização dos produtos fabricados. B) Inclusão de ferramentas tecnológicas na linha de montagem. C) Utilização de técnicas e métodos sustentáveis na linha de produção. D) Adoção de tecnologia da informação para gerenciar a produção. E) Aumento da produtividade no menor tempo de trabalho possível. GABARITO 1. O estudo do trabalho, o estudo do método e a medição do trabalho consistem em descobrir o método e o tempo necessário para que um operário complete uma tarefa. O objetivo principal desse método é: A alternativa "B " está correta. O principal objetivo do estudo do trabalho, do estudo do método e da medição do trabalho é estudar um método, avaliar o trabalho e medir os tempos para a sua execução, de modo a obter a melhor performance do operário para a tarefa, resultando em maior produtividade. 2. A metodologia desenvolvida por Taylor objetiva uma forma de produção advinda do processo de sistematização das atividades industriais. Qual o principal objetivo do taylorismo? A alternativa "A " está correta. A forma de trabalho proposta por Taylor busca uma maior especialização do trabalhador. Dessa maneira, cada operário se torna especialista em determinada função, por meio da realização de uma tarefa específica e repetitiva, em um curto espaço de tempo, buscando, portanto, uma customização da produção com a sua padronização. MÓDULO 2 Empregar os conceitos de abordagem de sistema para produtividade ABORDAGEM DO SISTEMA PARA PRODUTIVIDADE CONSIDERAÇÕES INICIAIS Foto: Adobe Stock No passado, os gerentes departamentais tentavam resolver seus problemas considerando-os como situações isoladas, independentes de outras atividades da organização. EXEMPLO Se determinado fabricante de produto notou uma queda nas vendas e atribuiu isso à falta de esforço agressivo de vendas, isso foi tratado puramente como um problema de gerenciamento de vendas e uma ação foi tomada contra aquele vendedor ou departamento específico. A contribuição de outros departamentos para esse efeito, como o controle de qualidade, design, política de crédito ou publicidade, nunca foi muito considerada. O estudo da vida de qualquer objeto deve basear-se no método de análise envolvendo as variações simultâneas de variáveis mutuamente dependentes. Na década de 1950, uma nova abordagem integrada que considera a gestão em sua totalidade foi desenvolvida e é chamada de abordagem de sistema. O QUE É UM SISTEMA? Foto: Adobe Stock Estamos rodeados e vivemos em vários sistemas. Na verdade, o ser humano é um sistema por si mesmo. Alguns sistemas são naturais, como os sistemas planetários, sistemas animais e sistemas ambientais. Outros são feitos pelo homem, como os sistemas de negócios, sistemas de produção, sistemas de manuseio de materiais, sistemas sociais e sistemas de gestão de qualidade total. Qualquer que seja o sistema, ele é basicamente caracterizado por três componentes que formam o sistema de entrada-processo-saída de acordo com a figura a seguir, que compreende: Um conjunto de mais dois elementos formando a entrada. Busca de um objetivo comum operando em certos dados ou matéria ou energia, formando o processo. Rendimento de matéria ou dados em um período, formando a saída. Imagem: Mauro Rezende Filho Um sistema produtivo. A MEDIDA DE PRODUTIVIDADE Foto: Adobe Stock A medida do termo produtividade varia devido a diferenças na tecnologia, na eficiência do processo de produção e no ambiente em que a unidade de produção opera. Existem várias medidas de produtividade, dependendo da finalidade da medição de produtividade e, em geral, da disponibilidade dos dados. Conforme explicado abaixo, as medidas também podem relacionar o produto bruto a um ou vários insumos e aqueles que usam um conceito de valor agregado para capturar o movimento do produto. Podemos classificar essas medidas em 2 grupos amplos: Foto: Adobe Stock Produtividade de fator único Relacionada a medidas de produção para uma única medida de entrada. Foto: Adobe Stock Produtividade multifatorial Relacionado uma medida de produção a um pacote de entradas. A unidade que usamos para medir a produtividade pode ser em termos de produção por homem, por unidade de tempo ou produção por máquina, por unidade de tempo ou, em outras palavras, a produção por homem-hora ou máquina-hora. Mas, na prática, pode haver centenas dessas unidades nas quais a produtividade pode ser expressa, dependendo da situação. Nesses casos, apenas uma única entrada é considerada. Na construção de estradas, expressamos a produtividade em metros por homem por turno, ou seja, consideramos apenas a entrada humana, ao passo que poderia haver outras entradas na forma de terra, brita, asfalto etc. Ao comparar o desempenho de diferentes carros, comparamos a produtividade do combustível ou a eficiência do combustível do veículo em km por litro (km/l), uma vez que o combustível é o principal insumo. Foto: Adobe Stock Obviamente, para obter uma medida absoluta de produtividade, precisamos expressar as entradas e as saídas nas mesmas unidades. Uma das maneiras mais convenientes de fazer isso é atribuir um valor a cada entrada e saída. Ou seja, a produtividade pode ser expressa como a razão entre o valor total das saídas e o custo total das entradas: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Podemos identificar seis fatores que impulsionam o crescimento da produtividade. Clique e conheça cada um deles: I O investimento em capital físico, como máquinas, equipamentos e edifícios. Acredita-se que a disponibilidade de mais capital permite a produção de mais e de melhor qualidade. II Produtividade = Total de saídas Total de entradas Alteração de métodos de trabalho de modo a fazer mais com menos. III Inovação, metamorfose de novas ideias em novas tecnologias, novos produtos etc. que podem permitir um trabalho mais rápido e eficiente para aumentar a produtividade. IV Habilidades, definidas como a quantidade e a qualidade da mão de obra necessária para aproveitar as vantagens dos investimentos e das inovações. V Aproveitar novas oportunidades de negócios, tanto para empresas iniciantes quanto para empresas existentes, por meio de novas ideias e tecnologias. VI A competição aumenta a produtividade criando incentivos para inovar e garante que os recursos sejam alocados para as empresas mais eficientes. Também força as empresas existentes a organizar o trabalho de maneira mais eficaz por meio de imitações de estruturas organizacionais e tecnologia. Podemos também identificar os sintomas que podem acarretar uma queda da produtividade: Espaço congestionado.Altas rejeições e/ou retrabalho. Recursos desperdiçados. Qualidade variável em produtos. Sem estimativas de custo precisas. Nenhum fluxo de trabalho óbvio. Altos níveis de estoque. Alto nível de horas extras. Prazos perdidos. Tempo de inatividade excessivo do equipamento. Recuperação de sobrecarga inadequada. Metas não alcançadas. Custos de investimento não recuperados. Níveis de equipe imprecisos. Falta de medidas de produtividade adequadas. Na figura a seguir, podemos notar que o tempo ineficaz está presente em todos os elementos das operações, mas não pode ser visualizado normalmente, como um iceberg no oceano. O que você vê a partir dos estudos do tempo é apenas a ponta do iceberg de elementos ineficazes de operação. A maior parte dos elementos ineficazes está oculta abaixo do campo visual e alguns dos fatores que causam isso são indicados na figura. É o estudo sistemático do método que nos ajuda a identificar e eliminar esses elementos. Tempo ineficaz visível (5%) Tempo ineficaz devido a (95%) Projeto não funcional Método ineficiente Fatores de gerenciamento Fatores de mão de obra Problemas com materiais Imagem: Shutterstock.com Pode haver três conceitos de classificações de fatores que afetam a produtividade da empresa. Fatores internos e externos, que controlam a flexibilidade da implementação da mudança. Fatores hard e soft propostos por Joseph Prokopenko em seu livro Productivity Management (1987). Fatores que contribuem para o tempo ineficaz para o conteúdo básico de trabalho de um emprego, propostos pela Encyclopedia.com. Joseph Prokopenko (1987), posteriormente, classifica os fatores internos como: Fatores difíceis (hard) Estão bem estabelecidos e são mais difíceis de serem alterados, como projeto de produto, planta e equipamento, tecnologia. Eles influenciam as práticas de negócios de forma direta e fundamental. Fatores leves (soft) Podem ser alterados, se não facilmente, pelo menos por persuasão, como pessoal, organização e sistemas, métodos de trabalho e estilos de gestão. Os fatores internos giram em torno de seres humanos e, portanto, são flexíveis, imprevisíveis, não são facilmente calculáveis e não são fáceis de entender. Do lado mais leve, podemos dizer que, de certa forma, os fatores leves são mais difíceis de gerenciar do que os fatores difíceis. Fatores hard Fatores soft Mensuráveis. Podemos identificar, coletar, medir. Imensuráveis. Eles são flexíveis, interpretáveis de forma diferente, imprevisíveis, não são facilmente calculáveis e, portanto, difíceis de entender. Metas e objetivos são claros e fixos. Metas são flexíveis, dependendo da necessidade de negociações. Eles influenciam as práticas de negócios de forma direta e fundamental. Os conceitos de gestão mudam regularmente. A mudança é constante. O poder é claro, conhecido por todos. O poder se difunde e é frequentemente desconhecido. Visam resolver problemas. Têm como objetivo valorizar e desenvolver soluções de orientação humana para a resolução de problemas. Analista desvinculado da solução. Analista é parte da solução. Os exemplos são abordagem de processo, abordagem de sistema e abordagem factual. Exemplos são foco no cliente, liderança, envolvimento das pessoas, melhoria contínua e parceria mutuamente benéfica com fornecedores. Quadro: Comparação entre fatores hard e soft. Mauro Rezende Filho Pode ser observado aqui que mesmo os fatores difíceis (hards) não são rígidos, porém uma análise sistemática e crítica, abordagem integrada etc., como análise de valor, estudo de trabalho e outros estudos de otimização ajudariam a reduzir o impacto negativo desses fatores difíceis, resultando assim em maior produtividade. FATORES QUE AFETAM A PRODUTIVIDADE X O CONTEÚDO BÁSICO DE TRABALHO Foto: Adobe Stock Cada produto ou componente tem um conteúdo de trabalho inerente associado a ele, que é necessário para produzi-lo a partir do estágio de matéria-prima. O conteúdo do trabalho, como a palavra indica, é o trabalho contido no produto medido em unidades de tempo, como minutos de mão de obra, minutos de máquina ou, em geral, minutos. Para produzir um item, o homem ou a máquina ou ambos seriam obrigados a trabalhar por certo tempo. Se um homem trabalha por uma hora, a unidade desse trabalho é chamada de hora-homem. Em outras palavras, se 5 pessoas são obrigadas a trabalhar juntas por 20 horas para construir determinada parede, o conteúdo de trabalho na construção dessa parede é de 100 horas-homem. Da mesma forma, se uma máquina trabalha por 30 minutos para produzir um único componente, o conteúdo de trabalho na produção desse componente pela máquina é de 0,5 hora-máquina ou 30 minutos-máquina. EXEMPLO Uma oficina produz determinado componente a partir da fundição bruta. As operações envolvidas são ajustar, usinagem, retificação, pré-tratamento e pintura, e os tempos de operação em cada caso sendo 8,0, 15,0, 5,0, 4,0, 5,0 minutos, respectivamente, por unidade. Determine o conteúdo total do trabalho na produção desses componentes. Resposta: O conteúdo total do trabalho é a soma dos minutos da máquina de todas as operações, a saber,8 + 15 + 5 + 4 + 5 = 37 minutos-homem. O conteúdo básico do trabalho é adicionado devido a várias imperfeições no projeto ou no processo de fabricação ou outros fatores que podem estar sob o controle da gerência ou dos operadores. Como sabemos, sempre existe uma diferença entre a situação ideal e a real. Situações perfeitas nunca ocorrem na prática, embora possam ser abordadas. Além do básico, o conteúdo do trabalho é sempre somado por uma variedade de razões que podem ser classificadas como: PRIMEIRA RAZÃO SEGUNDA RAZÃO TERCEIRA RAZÃO QUARTA RAZÃO É uma situação muito comum (e adicional) em uma indústria em que o projeto de um produto é feito sem o conhecimento adequado e completo dos aspectos funcionais de todas as características do projeto e, às vezes, em que a situação de disponibilidade de material mudou com o passar do tempo. Esses fatores resultam em especificações e projetos imperfeitos. Essa situação contribui para o excesso de conteúdo de trabalho adicionado devido ao projeto e às especificações imperfeitas. As ilustrações mencionadas abaixo detalham como o conteúdo do trabalho excedente é adicionado devido a esse fator. Imagem: Mauro Rezende Filho Um exemplo de especificação de tolerância desnecessária. Muitas vezes, padrões de qualidade mais elevados que não são justificados funcionalmente podem ter sido especificados no projeto do produto. Por exemplo, ao especificar tolerâncias estreitas para certas dimensões que não combinam com outros componentes, como na figura acima, exigimos usinagem de precisão adicional, além do uso de maquinário caro e sistema de controle. Imagem: Mauro Rezende Filho Um exemplo de projeto imperfeito. Como na figura anterior, o excesso de trabalho deve ser feito para a remoção do excesso de material na ordem de 60%. Veja a seguir alguns exemplos: javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) EXEMPLO Um banco tem impressoras de 136 colunas conectadas ao seu computador, mas todo o extrato mensal da conta é projetado para impressão de 80 colunas. Um produto tem que ter um furo de 9mm de diâmetro. Embora uma furadeira com capacidade de 10mm esteja disponível, uma furadeira maior com capacidade de 25mm é especificada. Esse também é um exemplo de seleção de máquina errada. O layout da planta que não é adequado para o fluxo balanceado do material de e para as diferentes estações de trabalho também resulta em conteúdo de trabalho excessivo devido ao manuseio de materiais adicional. Muitas vezes, os acessórios de soldagem não são usados corretamente ou nem são usados, embora estejam disponíveis no local. Isso faz com que haja esforços desperdiçados no posicionamento dos componentes antes da soldagem, bem como rejeições. Um componente prensado é obtido produzindo-se primeiro os produtos em um lotebastante grande de 5000 peças, em uma prensa de 45 toneladas e, em seguida, perfurando os três orifícios em uma prensa separada de 10 toneladas. Esse é um exemplo de método e seleção de ferramenta incorretos, uma vez que ela poderia ter sido substituída por uma matriz progressiva para obter o componente em uma única operação. O primeiro é, portanto, um exemplo de excesso de conteúdo de trabalho adicionado devido à seleção incorreta da ferramenta. Existem alguns outros fatores que estão puramente sob controle do gestor, que causam excesso de conteúdo de trabalho em termos de tempo ineficaz adicionado. FATOR I Absentismo e atrasos sem justa causa, assim como deliberadamente não iniciar o trabalho imediatamente após ligar a máquina, são alguns dos fatores mais comuns que aumentam o conteúdo do trabalho. FATOR II Mesmo depois de chegar a tempo, alguns trabalhadores diminuem deliberadamente o ritmo normal de trabalho. Isso pode ser devido a vários motivos, incluindo a baixa qualidade do ferramental ou por precarização do trabalho. Tais práticas apenas somam o excesso de conteúdo de trabalho. FATOR III Se um trabalhador causar sucata excessiva ou rejeições por trabalho descuidado, isso resultará em desperdício de material e tempo e, às vezes, em retrabalho. FATOR IV Mesmo após o fornecimento de protetores, óculos de proteção etc., os trabalhadores às vezes deixam de observar os regulamentos de segurança, como não usar os óculos de proteção ao esmerilhar ou operar uma prensa sem um protetor ou se entregando a brincadeiras. Nesses casos, os acidentes são causados, resultando em perda de tempo, além de outras perdas. MELHORIA DA PRODUTIVIDADE POR TECNOLOGIA DE GRUPO Foto: Adobe Stock A tecnologia de grupo é uma técnica de manufatura na qual peças com semelhanças em geometria, processo de manufatura e/ou funções são fabricadas em um local usando um pequeno número de máquinas ou processos. Isso nos ajuda a produzir quantidades menores de vários componentes em uma única configuração ou, por exemplo, com pequena variação na posição da ferramenta de torneamento. Isso proporcionará uma produtividade muito maior do que produzir cada componente com configurações diferentes. Tendo compreendido os vários fatores que aumentam o tempo básico, podemos tentar minimizá-los um por um. A figura a seguir resume técnicas que, especialmente quanto ao estudo do método do trabalho, aumentam a produtividade de cada organização industrial. Imagem: Shutterstock.com adaptado por Luís Salgueiro Observe, no exemplo a seguir, como é importante o estudo do método e o cálculo da produtividade. Exemplo: Uma empresa deverá produzir para seu cliente a peça abaixo especificada em aço e, para isso, está estudando o método de fabricação. Imagem: Mauro Rezende Filho A Engenharia de Métodos está analisando três alternativas. Vamos observá-las: Alternativa 1: Imagem: Mauro Rezende Filho Alternativa 2: Imagem: Mauro Rezende Filho Alternativa 3: Imagem: Mauro Rezende Filho À primeira vista, parece que o método proposto na alternativa 3 é melhor, pois produz mais peças. Vamos então calcular a produtividade do material: Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Produtividade = Área das peças Área da chapa ProdutividadeA = = 0, 5486 = 54, 86%1.200 cm2×4 8.750 cm2 ProdutividadeB = = 0, 5892 = 58, 92%1.200cm2×5 10.182,60cm2 Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Atenção! Para visualização completa da equação utilize a rolagem horizontal Observamos que a melhor alternativa é realmente a “3”. Portanto, vimos como o estudo do método agregado ao cálculo da produtividade nos levou a indicar a melhor alternativa para a empresa. RESUMINDO Neste módulo, resumimos os diferentes fatores que contribuem para o excesso de conteúdo de trabalho durante a produção de bens, resultando em perda de produtividade. Contra cada um desses fatores, são citadas algumas das técnicas de Engenharia Industrial que podem ser aplicadas para evitar tal adição de conteúdo de trabalho em excesso. No entanto, pode-se notar que cada uma dessas técnicas não pode ser aplicada isoladamente, mas tratando a empresa como um todo. O estudo de trabalho usa esses tipos de técnicas, sejam manuais ou computadorizadas, para desenvolver novos métodos de trabalho. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. (IADES - 2013 - EBSERH - ASSISTENTE ADMINISTRATIVO) SOBRE O CONCEITO DE PRODUTIVIDADE, ASSINALE A ALTERNATIVA CORRETA. A) Refere-se à quantidade de horas trabalhadas. Quanto mais horas por dia de trabalho, maior será a produtividade do trabalhador. B) Expressa a relação entre a produção obtida e os fatores de produção empregados. C) Significa a produção de bens ou a prestação de serviços de excelente qualidade, sem falhas. D) O aumento da produtividade depende, exclusivamente, da incorporação de tecnologia ao processo produtivo. Produtividadec = = 0, 7207 = 72, 07%1.200cm2×8 13.320cm2 E) É sinônimo de eficácia. Quanto maior a produtividade, mais eficaz é a organização. 2. OBSERVE AS AFIRMATIVAS A SEGUIR: ABSENTISMO E ATRASOS SEM JUSTA CAUSA SÃO ALGUNS DOS FATORES MAIS COMUNS QUE AUMENTAM O CONTEÚDO DO TRABALHO, POIS PARA QUE A PRODUÇÃO SEJA ATENDIDA, OS DEMAIS TALVEZ TENHAM QUE FAZER HORAS ADICIONAIS PAGAS. PORQUE SE UM TRABALHADOR CAUSAR SUCATA EXCESSIVA OU REJEIÇÕES POR TRABALHO DESCUIDADO, ISSO RESULTARÁ EM DESPERDÍCIO DE MATERIAL E TEMPO E, ÀS VEZES, EM RETRABALHO. É CORRETO O QUE SE AFIRMA EM: A) Ambas as afirmativas estão corretas. B) Ambas as afirmativas estão erradas. C) Ambas as afirmativas estão corretas, mas a segunda complementa a primeira. D) A primeira está correta e a segunda está errada. E) A primeira está errada e a segunda está correta. GABARITO 1. (IADES - 2013 - EBSERH - Assistente Administrativo) Sobre o conceito de produtividade, assinale a alternativa correta. A alternativa "B " está correta. A produtividade é basicamente definida como a relação entre a produção e os fatores de produção utilizados. A produção é definida como os bens produzidos (quantidade de produtos produzidos). Os fatores de produção são definidos como sendo pessoas, máquinas, materiais e outros. Quanto maior for a relação entre a quantidade produzida por fatores utilizados, maior é a produtividade. 2. Observe as afirmativas a seguir: Absentismo e atrasos sem justa causa são alguns dos fatores mais comuns que aumentam o conteúdo do trabalho, pois para que a produção seja atendida, os demais talvez tenham que fazer horas adicionais pagas. PORQUE Se um trabalhador causar sucata excessiva ou rejeições por trabalho descuidado, isso resultará em desperdício de material e tempo e, às vezes, em retrabalho. É correto o que se afirma em: A alternativa "A " está correta. Ambas estão corretas, mas são fatos sem conexão, ou seja, sucata ou não conformidades não estão relacionadas com absenteísmo e vice-versa. MÓDULO 3 Reconhecer as fases do estudo do método ESTUDO DO MÉTODO - SELECIONAR, REGISTRAR, EXAMINAR E DESENVOLVER ESTUDO DO MÉTODO Foto: Adobe Stock O estudo do método é basicamente realizado para simplificar o trabalho ou trabalhar gerando maior produtividade. É sempre desejável desempenhar a função necessária com a meta desejada de consumo mínimo de recursos. O método definido significa como um trabalho deve ser feito, ou seja, a descrição de como consumimos recursos para atingir nosso objetivo. Os métodos são parte integrante da realização do trabalho e significam: Como os métodos utilizam bem os recursos limitados disponíveis, como mão de obra, máquinas, materiais e capital. Como os métodos afetam fisicamente a produção da unidade. A qualidade do resultado obtido pela aplicação de nossos métodos. Assim, os métodos adaptados podem determinar a quantidade de materiais de entrada, o tempo, a energia e o capital consumidos e, portanto,formar o núcleo para tentar reduzir o consumo de recursos de modo a diminuir o custo por unidade de produção por meio da utilização de métodos adequados. O desenho do método pode decidir o custo e a qualidade da produção. A tarefa de estudo do método para simplificação do trabalho e projeto do sistema de trabalho abrange: Layout de chão de fábrica e áreas de trabalho ou estações de trabalho. Condições de trabalho, ou seja, ergonomia etc. Distâncias de manuseio (movimento do material). Ferramentas e equipamentos usados. Padrões de qualidade a serem alcançados. Operadores e operações para atingir as metas de produção. Materiais a serem usados. Energia necessária e disponível. Tempo do ciclo de trabalho. Processos de trabalho. Os objetivos do estudo do método são: Saída ideal. Melhor utilização de recursos. Fluxo de trabalho aprimorado. Processos e procedimentos eficientes. Manuseio eficaz de materiais. Layout aprimorado de fábricas e escritórios. Melhor projeto de instalações, equipamentos e edifícios. Melhores condições e ambiente de trabalho. Padrões mais elevados de segurança e saúde. Maiores ganhos e maior satisfação no trabalho. Redução de resíduos. Nível de estoque ideal. Padronização e racionalização. Melhor qualidade. Administração aprimorada. Maiores retornos sobre o investimento. Aumento do mercado e satisfação do cliente. OS TRÊS NÍVEIS DE ESTUDO DO MÉTODO Foto: Adobe Stock O estudo do método abrange o estudo do movimento além da análise operacional, ou seja, podemos dizer, em geral, que o estudo do método é realizado em três níveis. PRIMEIRO NÍVEL Método de estudo propriamente dito, que é a ampla investigação e melhoria de uma seção total ou grupo de operações, ou melhoria de uma única operação em relação à outra operação. Isso geralmente envolve operações longas o suficiente para serem estudadas por cronômetro ou observações oculares normais. SEGUNDO NÍVEL Estudo de movimento, que é um estudo mais detalhado do operador individual enfatizando a melhoria dos movimentos corporais do operador durante a execução da operação, em relação ao layout, posição da ferramenta, ambiente, postura etc. Em geral, estudo de movimento é a análise dos movimentos das mãos, das pernas e dos olhos que ocorrem durante uma operação ou um ciclo de trabalho com o objetivo de eliminar movimentos perdidos e estabelecer uma melhor sequência e coordenação de movimentos. TERCEIRO NÍVEL Estudo de micro movimento, que é o estudo de elementos ainda mais sutis que normalmente não podem ser observados a olho nu e que requerem a ajuda de câmeras de movimento para análise. AS FASES DO ESTUDO DO MÉTODO As fases do estudo do método são: Selecionar Registrar Examinar Desenvolver Vejamos cada uma dessas fases a seguir. SELECIONAR O primeiro passo no estudo do método é selecionar um trabalho adequado e definir os objetivos do estudo. Geralmente, isso não é tão simples quanto parece. A parte complicada geralmente está em identificar o problema real como distinto do problema aparente. Os gerentes de linha ou supervisores, apesar de serem mais experientes no trabalho, estão mais preocupados com seus próprios problemas de rotina e, portanto, não conseguem identificar o problema real para o estudo do método. EXEMPLO Quando o gerente de linha reclama da falta de recursos para uma operação específica ou um grupo de operações, resultando em um gargalo, e solicitando ao engenheiro de estudo de trabalho que avalie os recursos adicionais necessários para o bom funcionamento. Esse é o problema aparente. Na investigação, pode descobrir-se que a operação em si tem um grande conteúdo de tempo ineficaz e que o problema real é, portanto, o projeto de trabalho ineficaz. Portanto, o problema deve ser formulado de modo a incluir o problema total ou o problema real, conforme a economia da situação e os limites organizacionais o permitirem. Em outras palavras, o problema deve ser expresso de forma a definir claramente a raiz do problema. Ao selecionar um trabalho para o estudo do método, as seguintes considerações devem ser observadas a fim de obter a aceitação de todos os envolvidos. ASPECTOS HUMANOS Eles desempenham um papel muito importante na implementação bem-sucedida. Qualquer mudança no trabalho ou método sempre resulta em uma certa resistência dos supervisores ou trabalhadores. As reações emocionais à investigação e mudança de método devem ser antecipadas, e a cooperação deve ser buscada das pessoas envolvidas. Eles devem se envolver livremente nas discussões ao longo do estudo. Uma maneira inteligente de selecionar tarefas para o estudo do método seria atribuir prioridade para as tarefas que são sabidamente desagradáveis ou cansativas. Os operadores naturalmente passam a ter mais interesse e cooperação na coleta de dados. Se, na implementação, as condições de trabalho forem realmente melhoradas, então o responsável pelo estudo do método terá de fato conquistado a confiança do pessoal da fábrica auxiliando na sua aceitação. ASPECTOS ECONÔMICOS Uma vez que qualquer estudo de método visa basicamente à redução geral de custos, essas considerações formam a base para a maioria das investigações. É uma perda óbvia de tempo e energia iniciar ou continuar uma longa investigação se a importância econômica ou a economia de custo total alcançada pela mudança do método for insignificante ou quando o trabalho não deverá durar muito. Exemplo: Um engenheiro é pago para passar dois meses em um projeto que resulta em uma economia de custos de algumas centenas de reais. Devemos sempre nos perguntar: “Vale a pena fazer um estudo de método nesse trabalho?” “É justificado continuar o estudo?” ASPECTOS TÉCNICOS Antes de selecionar o trabalho, devemos garantir que a análise e a implementação sejam tecnicamente viáveis, isto é: a. Conhecimento técnico adequado deve estar disponível para realizar a análise. Por exemplo, se um projeto de estudo de método for realizado na operação de tecelagem, o analista deve ter um bom conhecimento básico do processo de tecelagem, das várias considerações de qualidade, bem como dos tipos, das capacidades e limitações dos teares não apenas disponíveis na empresa, mas também ao terceirizar parte da produção. Pelo menos ele deve estar em posição de obter ajuda contínua dos especialistas em processos. b. O próprio método de processo recomendado deve ser viável. Não faz sentido recomendar velocidades ou avanços mais elevados se a máquina for incapaz de tais velocidades devido ao seu estado, ou recomendar o transporte por empilhadeira se os corredores não forem largos o suficiente. As recomendações a seguir sobre a seleção do método do trabalho ajudariam a facilitar a aceitação das melhorias propostas. Selecione trabalhos que sejam altamente criadores de fadiga, desconfortáveis ou geralmente considerados como sujos pelos operadores, como trabalho manual pesado, más condições de trabalho etc. Dê preferência aos trabalhos solicitados pelo gerente de linha. Trabalhos de gargalo que geralmente são reconhecidos por todos como causadores de gargalos de produção regulares. Trabalhos que envolvam altos custos de produção. Trabalhos que envolvam geração excessiva de sucata. Trabalhos em que a coleta de todos os dados necessários não seja impossível. Assegure que o responsável pelo estudo do trabalho tenha conhecimento adequado ou básico sobre o processo em que o estudo é feito. Evite escolher pequenos trabalhos de bancada ou trabalhos não repetitivos que requerem um estudo detalhado considerável, mas geram apenas economias baixas em comparação com trabalhos repetitivos. Na maioria dos casos, você pode visualizar o método provavelmente melhorado na primeira instância em si. Nesses casos, não prossiga, a menos que tenha certeza de que pode superar a forte resistência, se houver, para sua recomendação. Prepare-se para enfrentar tal situação. REGISTRAR Para prosseguir com qualquer estudo, a coleta dos dados necessáriosconstitui o primeiro passo. A coleta de dados pode ser uma ou o conjunto das seguintes ações: Observação direta. Entrevistar as pessoas em questão. Exame dos documentos e registros relevantes. Os dados relevantes para o estudo são geralmente agrupados em: Informações básicas, como os detalhes da organização da empresa, funções e tarefas, disponibilidade de capital. Detalhes do produto, as especificações do projeto, seus conjuntos e subconjuntos. Detalhes do processo e detalhes operacionais. O manuseio/transporte de materiais envolvidos. Embora isso geralmente faça parte da operação, a ênfase é feita aqui, pois, na maioria dos casos, o componente improdutivo do manuseio contribui em grande parte para o tempo ineficaz. O meio físico de execução da operação. SÍMBOLOS E GRÁFICOS Foto: Adobe Stock Por que símbolos e gráficos? A maneira usual de registrar uma operação é, obviamente, anotando-a em detalhes. Isso não é apenas difícil e demorado, mas os pontos críticos são interpretados de maneiras diferentes por pessoas diferentes. Considere, por exemplo, as informações fornecidas no parágrafo seguinte. EXEMPLO Uma pesquisa com homens adultos em uma cidade, realizada em setembro de 2020, por entrevista pessoal, mostrou que, dentre os 2.049 homens solteiros com menos de 30 anos, 122 vão ao cinema menos de uma vez por mês, 1.046 vão ao cinema de uma a quatro vezes por mês e 881 vão ao cinema mais de quatro vezes por mês. Dos homens solteiros com 30 ou mais, os respectivos números foram 374, 202 e 23, em um total de 599. No que diz respeito à televisão, dentre os homens solteiros com menos de 30, 830 assistem menos de 25 horas por semana e 1219 assistem 15 horas ou mais. Para os homens solteiros com 30 anos ou mais, esses números foram de 358 e 241, respectivamente. No que diz respeito aos homens casados, 1.404 homens do grupo dos “menores de 30 anos” vão ao cinema menos de uma vez por mês, 289 vão de uma a quatro vezes por mês e 112 vão mais de quatro vezes por mês. Para aqueles com 30 anos ou mais, os números eram de 1880, 115 e 10, respectivamente. Os números de audiência de TV mostraram que 1.162 homens casados com menos de 30 anos assistem ao menos 15 horas por semana e os 643 restantes, 25 horas ou mais. Do grupo de “mais de 30 anos”, 484 assistem menos de 15 horas e 1521 assistem 15 ou mais horas por semana. Como é óbvio pela leitura dos dados acima, esse método é monótono e muito ineficaz para apresentação de dados. Como os dados e as ações estão misturados entre as palavras, a mente não as registra bem o suficiente para retê-los na memória. Agora veja como os mesmos dados aparecem em forma de tabela. À esquerda da tabela, vemos várias categorias e, em seguida, a metade à direita permite que a mente vincule imediatamente os números à categoria correspondente e, assim, registre- se melhor na memória. Categoria Frequência Solteiro Casado Abaixo de 30 Acima de 30 Abaixo de 30 Acima de 30 Cinema Menos de 1 vez por mês 122 374 1.404 1.880 1 a 4 vezes por mês 1.046 202 289 115 Mais de 4 vezes por mês 881 23 122 10 Subtotal 2.049 599 1.805 2.005 Televisão Menos de 15h por semana 830 358 1.162 484 Mais de 15h por semana 1.219 241 643 1.521 Subtotal 2.049 599 1.805 2.005 Tabela de dados da pesquisa Elaborada por Mauro Rezende Filho Embora as tabelas forneçam uma apresentação concisa de dados estatísticos, não podem apresentar dados operacionais de forma eficaz. No estudo de trabalho, na prática, preferimos usar gráficos e diagramas em vez de tabelas para a apresentação visual dos dados operacionais. Imagem: Mauro Rezende Filho Gráfico com símbolos. Imagem: Mauro Rezende Filho Diagrama de fluxo. Imagem: Mauro Rezende Filho Fluxograma de processo. Legenda dos símbolos da tabela: Imagem: Mauro Rezende Filho Imagem: Mauro Rezende Filho Diagrama de processo de duas mãos. SAIBA MAIS O gráfico de processo com as duas mãos é um gráfico de processo no qual as atividades das mãos ou dos membros dos operadores são registradas em sua relação entre si. Como o nome indica, esse gráfico, conforme ilustrado na figura, concentra-se nas atividades simultâneas das duas mãos de um operador trabalhando em um local de trabalho definido (envolvendo nenhum ou pouco movimento corporal), como na montagem ou no trabalho de bancada. Isso é especialmente útil quando um estudo rápido é necessário para simplificar o método usando as duas mãos de maneira eficaz. SIMO (Simultaneous-Motion) significa gráfico de ciclo de movimento simultâneo. É um estudo de micromovimento, desenvolvido por Gilberth no ano de 1912, e apresenta graficamente as etapas separáveis de cada membro pertinente do operador em estudo. É um gráfico de operação extremamente detalhado para as mãos esquerda e direita. Ele registra simultaneamente os diferentes therbligs (conjunto de movimentos realizados por um trabalhador para executar tarefas manuais em seu posto de trabalho) executados por diferentes partes do corpo de mais um operador em uma escala de tempo comum. Os movimentos são registrados em relação ao tempo medido em “Piscadas” (1 piscada = 1/2000 minuto). Estes são gravados por um “Contador Wink” posicionado em um local que possa ser visto durante o processo de filmagem. N° Mão Esquerda Therblig Tempo Therblig Mão Direta 1 Preparando a operação SH, H 0,2 2 0,4 U Abrindo o torno 3 Fixação da peça PP 0,8 PP Fixando a peça no torno 4 1 TL Ligue a filmadora 5 Faça a operação de enchimento manual U 2 U Faça a operação de enchimento manual 6 2,2 TL Pegando o micrômetro 7 Verificando a dimensão I 3 I Verificando a dimensão 8 3,2 U Faça o registro 9 Removendo a peça TL 3,4 Tabela do Gráfico SIMO Elaborada por Mauro Rezende Filho Em um quadro de atividades múltiplas, as atividades de mais de um sujeito (máquina operária ou item de equipamento) são registradas em uma escala de tempo comum para mostrar suas inter-relações, conforme ilustrado a seguir. Quadro de múltiplas atividades Elaborado por Mauro Rezende Filho O mapa de viagem indica a quantidade de materiais movidos de uma estação de trabalho ou de um departamento para outro em forma de tabela. A quantidade é medida em unidades, como, por exemplo, o número de paletes ou número de viagens ou toneladas movimentadas ou qualquer outra unidade bem definida e especificada para análise. A figura a seguir indica um mapa de viagem típico envolvendo oito departamentos. Imagem: Mauro Rezende Filho Mapa de viagem Conforme destacado, o registro, a segunda etapa do estudo do método, é vital e fornece a base para o exame crítico do processo. Vários tipos de gráficos e métodos de representação gráfica foram desenvolvidos para auxiliar a análise, cada um específico para seu campo de aplicação. EXAMINAR E DESENVOLVER Tendo selecionado o trabalho e registrado todos os dados relativos aos procedimentos existentes, temos agora de analisar esses dados e desenvolver alternativas e soluções viáveis de forma metódica e sistemática para alcançar a simplificação e redução global dos custos. Nas fases anteriores, especialmente durante o registro, podemos não ter enxergado alternativas, mas é no estágio de desenvolvimento que nossos esforços para melhorar estão focados. Isso significa que, na fase de registro, a geração de ideias é um subproduto, mas na fase de desenvolvimento, é o objetivo. São o pensamento livre e a criatividade em nós que nos auxiliam no objetivo de gerar as soluções. Portanto, é imperativo que gastemos algum tempo para compreender o significado da imaginação criativa e os princípios da criatividade. Os requisitos para examinar e desenvolver são: Aceitar que o problema reside na ineficácia do presente método de operação do produto ou serviço. Atitude certa para resolver o problema. Organização adequada para coordenar a atividade. Conhecimento e prática adequados no uso de ferramentas e técnicas de resolução de problemas. Método estruturado de resoluçãode problemas. Definir e analisar o problema com base em dados corretos e completos. Soluções apenas para a causa e não para os sintomas do problema. Implementar e monitorar continuamente até que um resultado consistente seja obtido. Superar a resistência à mudança. Implantar um sistema de controle para mudanças reversíveis. ATENÇÃO As ideias são obviamente a chave para as soluções para todos os tipos de problemas, seja de produção, manuseio de materiais, publicidade, vendas, relações humanas etc. METODOLOGIA CRIATIVA A metodologia de aplicação criativa também forma as mesmas etapas, a saber: SELECIONAR PREPARAR OS REGISTROS EXAMINAR A ANALISAR DESENVOLVER A CRIATIVIDADE javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) DEFINIR E SINTETIZAR AVALIAR MANTER O ACOMPANHAMENTO A prática de estabelecer uma cota de um número mínimo de ideias a serem pensadas antes de um tempo definido sempre ajuda a obter um número cada vez maior de ideias. Conforme ilustrado na figura a seguir, o cérebro humano tem dois hemisférios, o esquerdo e o direito. Portanto, devemos deixar nossa mente solta. Não coloque restrições ao seu pensamento. Mesmo que uma ideia pareça boba, não importa, liste-a. Primeiro pense e depois julgue. Quando se trata de pensar, tente agir como se você tivesse duas personalidades diferentes, primeiro um pensador cego e depois um juiz, apenas uma de cada vez. A questão é que mesmo a ideia mais tola, se analisada mais detalhadamente e adaptada, pode levar a uma solução ideal. Lado esquerdo Educação Linguagem Pensamento analítico Lógica e raciocínio Ciência e matemática Habilidades numéricas Controle da mão direita javascript:void(0) javascript:void(0) javascript:void(0) Imagem: Shutterstock.com BRAINSTORMING (Tempestade de ideias) Lado direito Sonhos Atitudes artísticas Imaginação Intuição Pensamento holístico Ideias Controle da mão esquerda SAIBA MAIS Duas cabeças são melhores que uma. Essa é a expressão popular que deu origem ao brainstorming (do inglês, tempestade de ideias), que é um tipo de atividade de grupo usada para gerar muitas ideias. Os participantes são encorajados no início a pensar e listar ideias, mesmo que pareçam tolas ou rebuscadas. Aqui, os participantes apresentam ideias, que são listadas. É surpreendente notar que o número de ideias geradas por um grupo será maior do que a soma de todas as ideias que cada um seria capaz de pensar, se trabalhasse sozinho. Chamamos isso de eficácia da criatividade, pois dois princípios que contribuem para isso são (a) adiar o julgamento e (b) alcançar a quantidade. Isso deu origem aos quatro fatores de brainstorming: 1. Foco na quantidade 2. Evite as críticas 3. Dê boas-vindas a ideias incomuns 4. Combine e melhore ideias Existem diferentes técnicas de brainstorming: nominal, individual, passagem de um participante ao outro para acrescentar ideias, mapeamento de ideias, regras e métodos alternativos, dirigido/guiado e a técnica em que os participantes são estimulados a elaborar perguntas e depois respondê-las. Essa é a nata da criatividade. Joseph Rudyard Kipling (1865-1936), jornalista inglês, disse: Eu tinha seis servos robustos. Eles me ensinaram tudo que eu sei. Seus nomes eram o quê, onde, quando, por que, como e quem. Questione cada detalhe. Por quê? Por quê? Por quê? Seria enfatizado sem hesitação que a maioria das atividades em nossa vida cotidiana é baseada nesse princípio. “Por que” é o mais significativo e é a base para engenheiros industriais. Também pode ser enfatizado que, embora a criatividade seja uma arte que depende do QI, ela sempre pode ser desenvolvida pelas diretrizes anteriores e também pela prática constante. Foto: Adobe Stock Os engenheiros industriais, como resultado de seus anos de experiência em melhoria contínua, nunca falam do melhor método, apenas do melhor método disponível ou do melhor método agora desejado. Até mesmo a palavra japonesa Kaizen – que significa mudança para melhor, usada para transmitir a noção de melhoria contínua na vida em geral, seja ela pessoal, familiar, social e profissional – fala de melhorias contínuas em comparação com a inovação, que é uma melhoria única. Em suma, toda vez que há trabalho manual envolvido, há uma oportunidade contínua de melhorar o método. SEIS CHAPÉUS DO PENSAMENTO Edward de Bono (1933-2021), escritor maltês, apresentou um processo de pensamento, chamado Seis Chapéus do Pensamento, para separar o pensamento em seis funções e papéis claros. Cada função pensante é identificada com um chapéu pensante simbólico e colorido. Ao usar e trocar de chapéu mentalmente, você pode facilmente concentrar ou redirecionar os pensamentos. WHITE HAT Chapéu branco, pede informações conhecidas ou necessárias. YELLOW HAT Chapéu amarelo, simboliza brilho e otimismo. Sob esse chapéu, você explora os aspectos positivos e busca valor e benefício. BLACK HAT Chapéu preto, aplica o julgamento e é chamado de advogado do diabo ou por que algo pode não funcionar. Identifique as dificuldades e os perigos; onde as coisas podem dar errado. Ele pode ser comparado à metade esquerda do cérebro e provavelmente é o mais poderoso e útil dos chapéus, mas pode se tornar o mais problemático se usado em excesso. RED HAT Chapéu vermelho, significa sentimentos, palpites e intuição. Ao usar esse chapéu, você pode expressar emoções e sentimentos e compartilhar medos, gostos, desgostos, amores e ódios. GREEN HAT Chapéu verde, enfoca a criatividade, as possibilidades, alternativas e novas ideias. É uma oportunidade de expressar novos conceitos e novas percepções. Isso pode ser comparado à metade direita do cérebro. BLUE HAT Chapéu azul, é usado para gerenciar o processo de pensamento. É o mecanismo de controle que garante que as diretrizes dos Seis Chapéus do Pensamento sejam observadas. LISTA DE VERIFICAÇÃO PARA EXAME DE OPERAÇÃO Stegemerten e Geitgey, em sua contribuição sobre análise de operação, na quinta edição do Manual de Engenharia Industrial (2004), editado por H.B. Maynard, sugeriram a seguinte lista de verificação ao examinar e analisar o método de operação. OBJETIVO DA OPERAÇÃO A operação é necessária? A operação alcança o resultado pretendido? A operação pode ser eliminada fazendo um trabalho melhor nas operações anteriores? O fornecedor do material pode realizar a operação de maneira mais econômica? A operação pode obter resultados adicionais para simplificar as operações anteriores? PROJETO DA PEÇA Todas as peças são necessárias? As peças padrão podem ser substituídas? O projeto permite processamento e montagem menos onerosos? O projeto permitirá eventual alteração automática? ANÁLISE DE PROCESSO A operação que está sendo analisada pode ser eliminada? Ou combinada com outra? Ou ser realizada ao mesmo tempo com outra? A sequência de operação é a melhor possível? A operação pode ser feita em outro departamento para economizar custos ou ferramentas? REQUISITOS DE INSPEÇÃO As tolerâncias, o acabamento e outros requisitos são necessários? Ou é muito caro ou é adequado para o propósito? O controle estatístico da qualidade deve ser usado? O procedimento de inspeção é eficaz e eficiente? MATERIAIS Considere um tamanho alternativo, adequação, retidão e condição. Pode ser usado material mais barato? As modificações da ferramenta permitirão o uso de materiais mais leves e mais finos? Um material mais caro reduziria os custos de usinagem e processamento? A embalagem é adequada? MANUSEIO DE MATERIAIS Os materiais recebidos podem ser entregues diretamente na estação de trabalho? Sinais como luzes e sons podem ser usados para notificar os transportadores de material que o material está pronto para ser movimentado? Devem ser usados guindastes, transportadores de gravidade, bandejas de transporte ou caminhões especiais? Considere o layout com referência à distância movida. Os recipientes estão com o tamanho correto? LAYOUT DO LOCAL DETRABALHO, CONFIGURAÇÃO E EQUIPAMENTO/FERRAMENTA A disposição da área de trabalho e a localização dos materiais e das ferramentas são ideais? Como os desenhos e as ferramentas são protegidos? A configuração pode ser melhorada? Os ajustes da máquina e as execuções de teste foram executados da maneira ideal? MÉTODOS Os movimentos das mãos são simétricos? As peças são transferidas entre as mãos? É necessário um estudo de movimento mais detalhado? A segurança foi considerada? Qual é a postura de trabalho? O método segue as leis da economia de movimento? A classe de movimento mais baixa é usada? Como ele se compara a outro operador no mesmo ou em trabalho idêntico? O mecanismo operado com o pé pode ser usado? CONDIÇÕES DE TRABALHO. CONSIDERE OS SEGUINTES FATORES PARA MELHORIAS: Umidade Calor Ventilação Iluminação Ergonomia DESENVOLVER Embora Desenvolver seja listado como uma etapa separada do estudo do método, é inseparável da etapa “Examinar” e ambos são geralmente feitos juntos. É aqui que cada uma das alternativas geradas é considerada com lógica e ponderação e avaliada quanto à economia, viabilidade técnica e outros fatores. Essa etapa determina o seguinte como a última coluna do formato: O que deve ser feito? Como e por quais meios isso deve ser feito? Onde isso deve ser feito? Quando deve ser feito? Quem deve fazer isso? Nessa fase, iniciamos o desenvolvimento de métodos alternativos, podem ser um, dois ou três, e as nossas propostas devem ser defendidas por um relatório a ser apresentado. Afinal, nossas sugestões precisam ser aprovadas por outra pessoa, seja a alta direção ou o gerente de produção ou mesmo os supervisores, antes de podermos instalá-las. O relatório deve: Fornecer os detalhes dos métodos existentes e propostos com justificativa completa para a proposta. Preceder por um resumo das recomendações e economia de custos. Refletir o procedimento sistemático ou comparar os custos relativos de material, mão de obra, despesas gerais etc. dos métodos atuais e propostos, e as economias alcançadas. Mostrar o custo estimado de instalação do equipamento novo ou modificado, layout etc. Indicar o roteiro de ação, ou seja, "quem deve fazer o que e quando" no processo de implementação. Lembre-se de discutir o relatório com as pessoas envolvidas, especialmente o gerente de produção, antes da apresentação final. VERIFICANDO O APRENDIZADO 1. O BRAINSTORMING É UMA TÉCNICA DE GRUPO QUE CONSISTE EM: A) Apresentar um tema em uma palavra. Divisão do quadro em partes iguais, com perguntas do tipo: o que queremos saber? O que pensamos? O que concluímos? B) Desenvolver a empatia ou a capacidade de desempenhar os papéis de outros e de analisar situações de conflito. C) Estudar e analisar um tema por um pequeno grupo de especialistas ou pessoas interessadas, para ilustração dos demais. D) Produzir grande quantidade de ideias em prazo curto, com alto grau de originalidade e desinibição. As ideias devem ser expostas rapidamente, sem nenhuma censura. E) Uma técnica que subdivide um problema em componentes menores, visando à identificação, à compreensão e ao tratamento desses componentes. 2. A ANÁLISE DE MÉTODOS ENVOLVE SISTEMATICAMENTE UM CONJUNTO DE PASSOS FUNDAMENTAIS. CONSIDERE OS ITENS ABAIXO. I. SELECIONAR O TRABALHO A SER ESTUDADO. II. REGISTRAR TODOS OS FATOS RELEVANTES DO MÉTODO UTILIZADO. III. EXAMINAR OS FATOS CRÍTICA E SEQUENCIALMENTE. IV. DESENVOLVER O MÉTODO MAIS PRÁTICO, ECONÔMICO E EFETIVO. V. IMPLEMENTAR O NOVO MÉTODO. VI. CONTROLAR A IMPLEMENTAÇÃO E AVALIAR OS RESULTADOS. SÃO PASSOS FUNDAMENTAIS PARA A ANÁLISE DE MÉTODOS AQUELES APRESENTADOS EM: A) I, II, V e VI, apenas. B) II, III, IV e V, apenas. C) II, III, IV, e VI, apenas D) III, IV, V e VI, apenas. E) I, II, III, IV, V e VI. GABARITO 1. O brainstorming é uma técnica de grupo que consiste em: A alternativa "D " está correta. Brainstorming ou tempestade de ideias tem como objetivo criar um ambiente em que as críticas sejam “suspensas” e que exista, portanto, um encadeamento de ideias. Dessa maneira, um grupo de pessoas se reúne em um ambiente e começa a propor soluções aleatoriamente, ou seja, cada pessoa pode sugerir qualquer ideia, por mais descabida que possa parecer à primeira análise. É usado para promover a geração de ideias e alternativas, especialmente quando as causas de um problema ou evento são difíceis de identificar. É importante salientar que a geração de alternativas é feita sem qualquer análise crítica. 2. A análise de métodos envolve sistematicamente um conjunto de passos fundamentais. Considere os itens abaixo. I. Selecionar o trabalho a ser estudado. II. Registrar todos os fatos relevantes do método utilizado. III. Examinar os fatos crítica e sequencialmente. IV. Desenvolver o método mais prático, econômico e efetivo. V. Implementar o novo método. VI. Controlar a implementação e avaliar os resultados. São passos fundamentais para a análise de métodos aqueles apresentados em: A alternativa "E " está correta. Todos os passos citados estão corretos e são fundamentais para a análise e seleção de método de trabalho. O objetivo final do método analisado e/ou modificado é garantir a produtividade, a redução de custos e a satisfação dos requisitos do produto. CONCLUSÃO CONSIDERAÇÕES FINAIS Em um cenário cada vez mais globalizado e competitivo, a tendência é que as empresas busquem melhorar os seus processos e otimizar a sua produção. Ao analisar o dia a dia da operação, percebe-se que o modo como algo é feito e o tempo gasto para essa atividade são aspectos determinantes para o sucesso (ou não) de um produto ou serviço. Nesse sentido, as técnicas de tempos e métodos vêm auxiliar os gestores na análise dos processos de produção e melhorar os resultados obtidos da empresa. As técnicas de estudo de método e medição de tempos unitários de produção precisam ser aplicadas de forma integrada para o projeto atingir os resultados esperados. Elas trazem um controle absoluto dos procedimentos de produção, levando em consideração a capacidade produtiva e a demanda a ser atingida, o que compõe um ciclo com diferencial competitivo, duradouro e controlável. AVALIAÇÃO DO TEMA: REFERÊNCIAS BARNES, R. Motion and time study. Nova York: John Wiley & Sons, 1937. DRURY, C. Management and cost accounting. United Kingdom: Cengage Learning EMEA, 2018. MILES, L. D. Techniques of value analysis and engineering. 3. ed. Northbrook, Ill: Lawrence D. Miles Value Foundation, 1989. PEINADO, J.; GRAEML, A. R. Administração da produção: operações industriais e de serviços. Curitiba: UnicenP, 2007. PROKOPENKO, J. Productivity management: A Practical Handbook. Nova York: International Labour Office, 1987, 287 p. SHINGO, S. A revolution in manufacturing: The SMED System. Productivity Press, Cambridge, 1985. SLACK, N. Administração da produção. São Paulo: Atlas, 1997. SILVA, A. V.; COIMBRA, R. R. C. Manual de tempos e métodos: Princípios e técnicas do estudo de tempos. São Paulo: Hemus, 1980. KIRAN, D. R. Work organization and methods engineering for productivity. Oxford: Butterworth- Heinemann, 2020. ORGANIZAÇÃO INTERNACIONAL DO TRABALHO. Guia para a formulação de políticas nacionais de emprego. Genebra: OIT, 2013. ZANDI, B. K. Maynard’s industrial engineering handbook. Londres: McGraw-Hill, 2004. EXPLORE+ Para quem deseja se aprofundar neste conteúdo, recomendamos: Portal da Associação Brasileira de Normas Técnicas - ABNT; Portal de Periódicos da Capes; Biblioteca Digital de Domínio Público. CONTEUDISTA Mauro Rezende Filho