Prévia do material em texto
DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA AULA 3 Prof. Fabio Mendes Teófilo e Prof.ª Rafaella Borsatti Gurczakoski 2 CONVERSA INICIAL Abordaremos aqui as etapas de um projeto de modelagem matemática. Este material tem como intenção oportunizar a identificação das potencialidades do uso de materiais manipuláveis para o processo de ensino de matemática. Acreditamos que o uso de materiais manipuláveis como metodologia alternativa para o ensino de matemática possa auxiliar os educandos a construírem os conhecimentos. Aqui, vamos abordar as possibilidades e a diversidade de materiais manipuláveis para as aulas de matemática, bem como uma proposta de interação sugerindo formas de utilização de alguns materiais. Consideramos sempre válido destacar que entendemos que, para toda prática de ensino proposta, independentemente do meio de que se aproprie, se fará sempre necessário compreender quais são os construtos teóricos que a conectam à aplicação dos processos de ensino. A maioria dos autores de referência pesquisados durante o desenvolvimento deste texto aponta a eficácia do uso de metodologias alternativas – neste caso, em especial, os materiais manipuláveis no ensino de matemática, sendo que a utilização desses materiais possibilita obter resultados positivos e significativos na aprendizagem. TEMA 1 – ETAPAS DE UM PROJETO DE MODELAGEM MATEMÁTICA: INTERAÇÃO Nesta etapa, a situação a ser estudada será delineada e, para torná-la mais clara, deverá ser feita uma pesquisa sobre o assunto escolhido por meio de materiais diversos (livros, sites, revistas etc.). É neste momento que o professor conduz o aprendiz ao reconhecimento da situação-problema e promove uma familiarização com o assunto a ser modelado, trazendo o referencial teórico. As discussões nesta etapa devem promover a delimitação do tema em conjunto entre alunos e o professor especialista da área, realizando o cruzamento de dados (os já conhecidos e os trazidos pelos estudantes, os encontrados nas pesquisas preliminares e os propostos pelo professor com o objetivo de mediação e estímulo para a descoberta e/ou construção de novos conhecimentos). 3 Com o intuito de facilitar a compreensão desta etapa, vamos seguir as definições de Biembengut e Hein (2007), que subdividem esta etapa em duas outras subetapas. A primeira delas é o Reconhecimento da situação-problema. Este reconhecimento está intimamente ligado à escolha do tema. O professor estimula os alunos a trazerem situações do cotidiano e, dentro destas, um tema será escolhido. Assim definido, dentro da proposta de tema, devemos encontrar uma situação-problema, ou seja, algo a ser resolvido (se for identificado como um problema), melhorado (se for identificado como algo que funciona, mas pode ser mais eficiente) ou até mesmo somente compreendido (se for algo que desperta o interesse em saber como se dá, por exemplo). Uma relevante discussão neste momento é o ponto levantado por D´Ambrosio (2004), relatando que o indivíduo, quando recebe estímulos do ambiente, natural e imaginário, tende a partir para a ação. Porém, devemos nos atentar que a realidade que o aluno vivencia em sala de aula nem sempre favorece ou propicia ações significativas. Tal afirmação dá legitimidade à proposta de trabalharmos com a modelagem matemática. Devemos enfatizar o papel dos professores nesse processo. A necessidade de refletir sobre a oportunidade de transformar a sala de aula em um ambiente de excelência na educação oportuniza o processo criativo, que representa uma tentativa de produzir algo, de dar forma a um objeto, uma ideia, uma sequência de ações. Principalmente quando se trata de matemática, o processo criativo precisa visar a problematização, ou seja, dar forma de problema às situações que surgem na realidade, nas quais o aluno se encontra e se expressa, e ao mesmo tempo começa a reconhecer-se disciplinado. Ainda nesse sentido, as questões colocadas pelo aluno precisam ser compreendidas como oportunidades oferecidas a ele pelo professor para moldar “algo novo”, estabelecer novas coerências, relacionar fenômenos de novas formas e compreender de uma nova forma. Diferentes maneiras têm seu próprio significado. Esse ato criativo pode representar aspectos importantes que podem desenvolver uma consciência mais profunda e positiva entre professores e alunos sobre o que significa lidar com situações problemáticas no ensino da matemática. É importante desenvolver ações que promovam a problematização para poder avaliar a possibilidade de mudança, tanto na minha prática quanto entre 4 os colegas da escola onde a pesquisa será realizada. Portanto, este material faz algumas perguntas para refletir a prática de ensino envolvendo modelagem matemática: • Como os alunos entendem as atividades envolvidas no contexto do problema, identificam os dados disponíveis e os interpretam para chegar a uma resposta? • Quão bem o professor se saiu nessas atividades? Qual é o comportamento dele diante da situação que surge na atividade? • Como a conscientização de professores e alunos contribui para o seu desenvolvimento em relação às suas realidades? Após reconhecer o problema, o aprendiz precisa agora buscar a familiarização com o assunto a ser modelado. É de extrema relevância se observar que, quanto o maior o tempo disponibilizado para este momento, melhores e mais evidentes serão os resultados dos trabalhos. Esta etapa processual visa ganhar intimidade com a proposta-problema e iniciar a relação da solução desta com a matemática. Aqui, o professor precisa estar atento a necessidade de criar as conexões necessárias para que se cumpra essa relação. Por isso é de suma importância que o professor esteja preparado para a aplicação dos conceitos matemáticos às práticas e situações da vida real. Desafiador, não é? Na maioria das vezes, seja um professor ou um aluno escolhendo um tema, ele está tentando entender os fatos, formular modelos e dar sentido a eles, usando a matemática para isso. Escolha um tema da realidade dos alunos e aplique-o ao conteúdo aprendido, ou use o conteúdo para resolver um problema comum em nossa realidade. A modelagem matemática pode criar conexões entre a matemática do currículo escolar e as realidades dos alunos. TEMA 2 – MATEMATIZAÇÃO A Matematização é a aplicação de conceitos, procedimentos, relações ou métodos matemáticos a objetos, informações ou conceitos na realidade, ou em outras áreas do conhecimento. Com essa constatação em mente, podemos admitir que a matematização sempre acompanhou o desenvolvimento humano. René Descartes (1596-1650), por exemplo, estabeleceu o que mais tarde chamaríamos de geometria analítica, se esforçando para mostrar que podia usar 5 postulados da matemática para descrever a forma e o movimento dos objetos, para explicar e analisar fenômenos naturais, usando figuras desenhadas com linhas e curvas. Dada uma gama de atividades humanas, a possibilidade dessa matematização têm crescido e se desenvolvido ao longo do tempo. Como já se pôde observar na época de Galileu e Descartes e ao analisarmos as últimas décadas, também podemos constatar a popularidade social de noções matemáticas, embora a maioria dos que as utilizam não tenham plena consciência disso. Professores e educadores, de modo geral, entendem que a busca por possibilidades para matematizar nas aulas de matemática vêm merecendo atenção em diferentes linhas de estudo e de pesquisa na área de Educação Matemática. Uma destas linhas, que é aquela a que nos reportamos especificamente aqui, é a Modelagem Matemática. A principal contribuição da atividade de modelagem é a investigação em sala de aula. A investigação toma o problema como ponto de partida, a intenção na busca, a formulação de hipótesescomo obstáculos para indicar a direção e diferentes soluções matemáticas como possibilidades de resolução de um problema. Essa caracterização da modelagem sugere que a matematização faz parte do desenvolvimento das atividades de modelagem matemática. A incorporação da matematização na modelagem tem se expressado em ciclos, nos quais diferentes autores têm se associado ao desenvolvimento das atividades de modelagem, tornando-se também uma etapa desse desenvolvimento. Esses ciclos podem ser vistos como “cenários” destinados a indicar o caminho que um modelador pode seguir para desenvolver uma atividade de modelagem matemática, explicando as etapas associadas a esse desenvolvimento. O conceito de loops, por exemplo, visa indicar os aspectos dinâmicos das atividades de modelagem para que as etapas anteriores possam ser retomadas quando apropriado. Bassanezi (2002) enfatiza que, ao utilizar a modelagem matemática, devemos lembrar que o mais importante não é o sucesso imediato do modelo, mas os passos seguidos para sistematizar e aplicar o conteúdo matemático. 6 A modelagem matemática, como ferramenta, busca a resposta para uma questão cuja origem não costuma ser a prática da matemática propriamente dita. A sugestão é que essa resposta esteja vinculada a um modelo matemático que, segundo Lesh (2006), é um sistema conceitual que, por sua vez, pode ser descritivo ou explicativo, expressando outro sistema que permite soluções e/ou previsões. Pode-se dizer que um modelo matemático propõe a matematização para descrever, explicar e prever o comportamento da situação e do fenômeno em estudo por meio de uma linguagem, incluindo desde a escrita de símbolos até o uso de tabelas e gráficos. Ou seja, uma modelagem matemática trata de observações de situações não-matemáticas, mas que podem ser matematizadas e então resolvidas pela própria matemática. Galbraith (2012) apontou que a matematização é um dos atos de mediar a transição entre problemas práticos e a obtenção de modelos matemáticos. Notavelmente, para esses autores, a matematização também parece estar associada à formulação de pressupostos e à definição de variáveis para dar suporte à construção de modelos matemáticos. A sugestão dos autores é que é necessário evitar que os alunos ignorem os fatores situacionais nas aulas de matemática e com base na percepção (muitas vezes falsa) de que a matemática escolar está de alguma forma desconectada de todos os aspectos da vida externa. A matematização tenta trazer esses fatores contextuais à tona. No mesmo sentido, Ferri (2006) inclui explicitamente o que ela denomina como conhecimento extra matemático. Este conhecimento, segundo a autora, seria proveniente de outras áreas de conhecimento e experiências de cada indivíduo, sendo elementos fundamentais para a construção de um modelo matemático. Ao detalhar seu entendimento sobre a matematização, a autora argumenta que a transição dos modelos reais para os matemáticos ocorre de forma que os indivíduos progridam na matematização. Além disso, os indivíduos exigem muito conhecimento matemático adicional (dependendo de cada atividade de modelagem) e o utilizam para construir modelos matemáticos. O que os autores parecem apontar é que a matematização aumenta ao longo do desenvolvimento das atividades de modelagem, à medida que o modelador adquire conhecimentos matemáticos adicionais. 7 Biembengut (1999) referiu-se à matematização como a etapa de "traduzir" uma situação-problema para a linguagem matemática. Intuição, criatividade e experiência acumulada são elementos essenciais neste processo. Em temos gerais, o que podemos compreender é que, se por um lado, a Modelagem Matemática incorpora a matematização, por outro lado, ela é uma ação que, efetivamente, define como a relação entre o fenômeno e a matemática vai ser realizada. O sucesso ou o insucesso dos alunos em uma atividade que envolva a modelagem matemática, no que se refere à obtenção de uma solução adequada, está em grande medida associado ao sucesso ou ao insucesso da matematização que realizam. TEMA 3 – RESOLUÇÃO Nas atividades cotidianas, as pessoas estão envolvidas em situações que, por vezes, exigem decisões a serem tomadas, algumas simples, como mudar de um bairro para outro da cidade, trocar uma lâmpada, preparar refeições para a família, por exemplo. Outras decisões precisam de esforço para entender e se executar, como consertar algo no motor de um carro que não está funcionando, quando não há acesso a equipamentos suficientes e não há profissionais da área por perto. Cada um desses exemplos "comuns" indica um problema, uma situação que requer pensamento e reflexão sobre como chegar a uma solução. Os problemas surgem quando uma pessoa percebe que existe uma lacuna entre uma situação que não sabe como resolver e uma situação que deseja resolver. Em algum momento, uma pessoa quase sempre está envolvida em uma situação ou circunstância que requer uma solução, uma decisão ou mesmo um desejo de criar ou recriar algo. Ao buscar a solução de um problema, seja um problema específico como costuma ocorrer, seja expressando, (re)criando algo, uma entidade, significa refletir sobre como e por quais meios um fim desejado pode ser alcançado. Quando isso não é conhecido, ou quando o que está disponível não está imediatamente disponível, se estimula o pensamento. Quando é estimulado, a solução pode vir de um pensamento repentino, ou requerer pensamento constante sobre ele, o que permite que múltiplas abordagens estejam disponíveis, possíveis soluções, e até confirmação de soluções mais adequadas ou corretas. 8 Na solução de alguns problemas não rotineiros, a participação ativa em determinadas ações às vezes requer uma heurística - um conjunto de regras e métodos que orientam o usuário a uma solução ou descoberta. Um dos propósitos da construção de uma heurística é orientar não apenas a solução de um determinado problema, mas especificamente a situação problemática presente na comunidade, cuja solução leva a melhores condições para a própria comunidade. Uma pessoa pode abordar certos tipos de problemas de maneiras diferentes, cada uma mais ou menos apropriada para o tipo. Alguns autores defendem a quebra do problema em partes, enquanto outros sugerem começar com o que se quer provar e a heurística mais adequada. Como Wallas (1858- 1932), John Dewey (1859-1952) e George Polya (1887-1985) propuseram heurísticas em suas obras, elas são citadas até hoje em trabalhos de educação matemática, especialmente. Dewey (1978) propôs um modelo mental de cinco estágios de resolução de problemas, denominados: identificar, definir, planejar, executar e investigar. Wallas (1921) o dividiu em quatro estágios, chamados de preparação, cultivo, inspiração e verificação. Polya (1981) também os divide em quatro fases: compreensão, planejamento, execução e revisão. Propomos então, dada a proximidade das propostas por estes autores, definir nossa abordagem pelas quatro etapas discriminadas a seguir. • Identificar a situação-problema: compreender a situação, levantar e analisar dados buscando identificar quais as possíveis relações entre estes. • Estabelecer procedimentos: buscar outras situações-problema similares, montar esquemas que possam caracterizar pontos em comum, identificar quais seriam os conhecimentos demandados neste caso. • Solucionar o problema: aplicar estratégias desenvolvidas a partir dos esquemas e conhecimentos demandados para a solução plausível. • Avaliar o resultado: realizar a validação e verificar a validade do resultado, se ele realmente resolveu o problema. É importante ressaltar que essas quatro etapas não são lineares, há um “ir e vir” de várias etapas. O fato é que, quando estamos perante um problema e não temos a informação, os meios disponíveis ou as pessoasa quem podemos 9 delegá-los, temos de adaptar uma certa forma de pensar: apelar a priori para as informações disponíveis e estabelecer formas de aquisição de novas informações. Esses procedimentos podem ser entendidos como “requisitos básicos” para qualquer tipo de atividade e como parte das recomendações pedagógicas para a educação matemática. Schoenfeld (1985), Gage e Berliner (1992) consideram que levar os estudantes a resolverem situações-problema é a própria razão para se ensinar Matemática. Para os autores, preceitua-se um método para a Resolução de Problemas nas práticas pedagógicas definido em três etapas, denominadas como se seguem. • Proposição: apresente uma situação-problema aos alunos e peça aos alunos que identifiquem fatos sobre a situação-problema; decomponha os dados; identifique incógnitas. • Ideação: levar os alunos a buscar significado no desconhecido; acumular soluções; perceber a relação entre as operações de implicação e (re)compreender as operações matemáticas; formular situações- problema. • Síntese: peça-lhes que apliquem os dados, resolvam, avaliem as respostas, julguem as ideias resultantes. Essas etapas exigidas para a resolução de problemas permitem que os alunos, seja em matemática ou em outra área do conhecimento, combinem e aprimorem suas ideias, exercitando seus sentidos criativo e crítico à medida que são motivados a aprender mais sobre algo que lhe interessa das disciplinas. Essa prática pode motivar os alunos a buscar outras produções, de acordo com seus interesses. TEMA 4 – INTERPRETAÇÃO DE RESULTADOS A interpretação e validação dos resultados é a fase final e visa, para além da capacidade de aplicação de modelos matemáticos, desenvolver a capacidade de avaliação do processo de construção dos modelos e dos diferentes contextos em que são aplicados. Lembre-se que as etapas podem ser constantemente movidas para frente e para trás, pois as etapas anteriores, às vezes, precisam ser reformuladas ou analisadas. 10 É bastante curioso, mas, ao observarmos as práticas e as relacionarmos com outros estudos, percebemos que a interpretação dos resultados, em sua maioria, acontece conforme os alunos analisam o modelo matemático construído, ou seja, conforme eles desenvolvem e validam o modelo – principalmente quando se trata de um modelo algébrico – e conforme os alunos exploram características da situação-problema e as representam por meio de registros gráficos (criação de gráficos, diagramas e até mesmo fórmulas que equacionam soluções, por exemplo). A interpretação da matemática pode ser associada à compreensão do objeto matemático, ou seja, à medida em que o objeto matemático é compreendido, a matemática, relacionada aos aspectos específicos de cada representação, também será. A matemática é compreendida quando os alunos não apenas convertem os registros para ter acesso aos aspectos específicos do objeto matemático, mas quando essas transformações se complementam e os alunos coordenam os registros por eles utilizados. A compreensão do problema parece estar associada à conversão do registro algébrico para o registro em língua natural – que é quando a resposta do problema é dada, mas também quando os alunos validam o modelo e realizam modificações nos registros, de forma que eles atendam as especificidades da situação-problema investigada. TEMA 5 – VALIDAÇÃO Juntamente da interpretação, no que se refere à última fase da modelagem, a etapa da validação é a etapa em que se espera que os alunos consigam realizar interpretações dos resultados obtidos, para transpô-los para a linguagem natural, ou seja, consigam validar os modelos criados. Esta etapa visa, além da capacidade de construir e aplicar modelos, avaliar o processo de construção do modelo e os diferentes contextos de suas aplicações. Trata-se de desenvolver a percepção do uso de uma análise da representação matemática associada ao problema, levando em conta os procedimentos matemáticos envolvidos e a adequação da representação para a situação em estudo. A validação dos modelos obtidos acontece normalmente quando os alunos são provocados a associar as variáveis utilizadas – ou seja, naquele momento eles tiveram de refletir não apenas a respeito da questão da relação 11 da variável, mas também da relação com a situação-problema investigada e o problema proposto. Ela implica em uma compreensão do fenômeno problematizado (situação-problema), e da matemática utilizada para sua solução. NA PRÁTICA Os estudos revelam que, ao utilizar a modelagem matemática, o professor precisa estar ciente de que nenhum método sozinho é garantia de sucesso nos processos de ensino e aprendizagem. O sucesso na utilização de qualquer método depende em grande parte da concepção de ensino adotada, e do alinhamento desta com a proposta pedagógica que venha nortear a utilização desta nossa discussão na prática docente. Outro detalhe relevante é o olhar da utilização não enquanto elemento fim, mas como um meio, auxiliar e complementar. Dados os elementos trazidos aqui, como você reflete sobre a utilização de modelagem matemática em suas práticas? Acredita ser possível pensar em seu uso? FINALIZANDO Trouxemos as etapas da aplicação da modelagem matemática. Iniciamos falando da etapa de interação, onde uma situação a ser estudada é delineada e para torná-la mais clara, deverá ser feita uma pesquisa sobre o assunto escolhido. Esta etapa pode contemplar outras duas subetapas: Reconhecimento da situação-problema; e Familiarização. A segunda etapa é a matematização. Consiste em aplicar conceitos, procedimentos, relações ou métodos matemáticos a objetos, informações ou conceitos da realidade, ou de outras áreas de conhecimento. A próxima etapa é a da resolução, na qual o aprendiz é instado a pensar e refletir sobre como obter uma solução para um problema. No mesmo sentido, a etapa seguinte, de interpretação de resultados, busca desenvolver a capacidade de avaliar o processo de construção do modelo e os diferentes contextos de suas aplicações. Por fim, a validação do modelo criado implica em uma compreensão do fenômeno problematizado (situação-problema) e da matemática utilizada para sua solução. 12 REFERÊNCIAS ALMEIDA, L. M. W.; BRITO, D. S. Atividades de Modelagem Matemática: que sentido os alunos podem lhe atribuir? Ciência & Educação, v. 11, n. 3, p. 483- 497, 2005. ALMEIDA, L. M. W.; DIAS, M. R. Um Estudo sobre o Uso da modelagem matemática como Estratégia de Ensino e Aprendizagem. Bolema, n. 22, pp 19- 35. Rio Claro: 2004. ALMEIDA, L. M. W.; SILVA, K. A. P.; VERTUAN, R. E. Modelagem Matemática na educação básica. São Paulo: Editora Contexto. 2012. ALMEIDA, L. M. W.; VERTUAN, R. E. Discussões sobre “como fazer” modelagem matemática na sala de aula. In: ALMEIDA, L. M. W.; ARAÚJO, J. L.; BISOGNIN, E. Práticas de modelagem matemática: relatos de experiências e propostas pedagógicas. Londrina: Editora Eduel, p. 19 - 43. 2011. ___________________________________. Modelagem Matemática na Educação Matemática. In: ALMEIDA, L. M. W.; SILVA, K. A. P. Modelagem Matemática em foco. Rio de Janeiro: Editora Ciência Moderna Ltda, p. 1 – 19. 2014. ___________________________________. Registros de representação semiótica em atividades de Modelagem matemática: uma categorização das práticas dos alunos. Revista Iberoamericana de Educación Matemática. n.25. P. 109 – 125. 2011. BARBOSA, J. C. Uma perspectiva de modelagem matemática. In: III Conferência Nacional Sobre Modelagem Matemática, Piracicaba, 2003. BASSANEZI, R. C. Ensino-Aprendizagem com modelagem matemática: uma nova estratégia. 3. ed. 3 reimpr. São Paulo: Editora Contexto 2011. BIEMBENGUT, M. S.; HEIN, N. Modelagem matemática no ensino. São Paulo: Editora Contexto. 2009. 13 BRANDT, C. F. Contribuições dosregistros de representação semiótica na conceituação do sistema de numeração decimal. Tese (Doutorado). 246 f. Universidade Federal de Santa Catarina, Florianópolis, Santa Catarina. 2005. ____________. Um ensaio sobre a complexidade, a criatividade e as representações semióticas em uma atividade de modelagem matemática. In: BRANDT, C. F.; BURAK, D.; KLÜBER, T. E. Modelagem matemática: uma perspectiva para a educação básica. Ponta Grossa: Editora UEPG, 2010, p. 127-146. COLOMBO, J. A. A.; FLORES, C. R.; MORETTI, M. T. Reflexões em torno da representação semiótica na produção do conhecimento: compreendendo o papel da referência na aprendizagem da matemática. Educ. Mat. Pesqui., São Paulo, v. 9, n. 2, p. 181-203, 2007. COSTA, L. M.; SILVA, K. A. P. IDEB DO ENSINO MÉDIO: UMA ATIVIDADE DE MODELAGEM MATEMÁTICA. In: XII Encontro Paranaense de Educação Matemática. Campo Mourão: SBEM, 2014. Disponível em: . Acesso em 11 fev 2023. COSTA. L. M.; ALMEIDA. L. M. W.; SILVA. K. A. P.; PASSOS. M. M. A Conversão Entre Diferentes Registros De Representação Semiótica Em Uma Atividade De Modelagem Matemática. Vidya Educação. Santa Maria: UFN, 2015. D’AMBROSIO, U. Da realidade à ação: reflexões sobre a Educação Matemática. Campinas: Editora da Universidade Estadual de Campinas, 1986. ______________. Mathematical Modeling: cognitive, pedagogical, historical and political dimensions. Journal of Mathematical Modelling and Application, v. 1, n. 6, p.89-98, 2009. DAMM, R. F. Registros de Representação. In: Machado. S. D. A. Educação matemática: uma (nova) introdução. 3 ed, 3 reimpr. São Paulo: Editora EDUC, p. 167- 188. 2015. 14 DIONIZIO, F. A. Q.; BRANDT, C. F. Análise das dificuldades apresentadas pelos alunos do ensino médio em trigonometria. X Congresso Nacional de Educação – EDUCERE. PUC-PR, 2011. DUVAL, R. Gráficos e Equações: articulação de dois registros. Trad. MORETTI. M. T. Revemat, v.6, n.2, Florianópolis: UFSC/MTM/PPGECT; 2011c, _________. Quais Teorias e métodos para a pesquisa sobre ensino da matemática? Trad. OLIVEIRA. L. C. Praxis, v.7, n.2, p.305-330, 2012b. _________. Registros de representação semiótica e funcionamento cognitivo do pensamento. Trad. Morreti. M. T. Revemat. v. 07. n.2, p. 266 – 297, 2012a. _________. Registros de Representações Semióticas e Funcionamento Cognitivo da Compreensão em Matemática. In: MACHADO, S. D. A. Aprendizagem em Matemática: Registros de Representação Semiótica. 8. Ed. 2003. Campinas: Editora Papirus, p. 11- 34, 2011b. _________. Semiósis e Pensamento Humano: Registro semióticos e aprendizagens intelectuais. Tradução de Lênio Fernandes Levy e Marisa Rosâni Abreu da Silveira. São Paulo: Editora Livraria da Física, 2009. _________. Ver e ensinar a matemática de outra forma: entrar no modo matemático de pensar: os registros de representações semióticas. 1. Ed. São Paulo: PROEM, 2011a. FERRI, R. B.; Theoretical and empirical differentiations of phases in the modelling process. ZDM, v. 38 (2), 2006. FRANCHI, R. H. O. L. Modelagem Matemática como estratégia de aprendizagem do Cálculo Diferencial e Integral nos Cursos de Engenharia. Dissertação (Mestrado). Instituto de Geociências e Ciências Exatas. Rio Claro: UNESP, 1993.