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DESENVOLVIMENTO DE PROJETOS DE MODELAGEM MATEMÁTICA NA EDUCAÇÃO BÁSICA AULA 2 Prof. Fabio Mendes Teófilo/Profª Rafaella Borsatti Gurczakoski 2 CONVERSA INICIAL Nesta etapa, vamos trabalhar elementos de uma atividade de modelagem matemática: contexto, situação-problema, proposta matemática, processo investigativo e análise interpretativa. Este material tem como intenção oportunizar a identificação das potencialidades do uso da modelagem matemática para o processo de ensino de matemática. Acreditamos que o uso da modelagem matemática como metodologia alternativa para o ensino de Matemática possa auxiliar os educandos a construírem os conhecimentos. Consideramos sempre válido destacar que entendemos que para toda prática de ensino proposta, independente do meio que esta se aproprie, se faz sempre necessário compreender quais sãos os constructos teóricos que a conectam à aplicação dos processos de ensino. A maioria dos autores de referência pesquisados durante o desenvolvimento deste material aponta a eficácia do uso de metodologias alternativas e, neste caso e em especial, da Modelagem Matemática no ensino de Matemática, sendo que a utilização desses materiais possibilita obter resultados positivos e significativos na aprendizagem. Bons estudos! TEMA 1 – ELEMENTOS DE UMA ATIVIDADE DE MODELAGEM MATEMÁTICA: CONTEXTO A escolha de um tópico para ser desenvolvido em Modelagem Matemática parte do interesse dos estudantes envolvidos. É neste momento que a contextualização com o cotidiano tende a aparecer. Esses temas devem ser estimulados a serem, ao menos inicialmente, colocados pelos estudantes, segundo o interesse que manifestam, pela curiosidade ou mesmo para a resolução de uma situação-problema. O professor tem um papel importante para conhecer o contexto estudantil de sua comunidade em suas várias faces (econômica, social, cultural, entre outras). O interesse dos estudantes pode recair nos esportes, nas brincadeiras, nos serviços, nos temas atuais que as formas de comunicação possibilitam, por exemplo, corrupção, terremotos, desabamentos entre outros. 3 Quando a escolha recai sobre mais de um tema e o professor ainda sem experiência prefere trabalhar com apenas um tema, pode combinar de tratar um, depois outro e assim por diante. Entretanto, se o professor já tiver vivenciado algumas experiências com a Modelagem, pode trabalhar com mais de um tema simultaneamente, tornando a experiência ainda mais rica. Os temas podem, inclusive, não ter uma relação direta com a matemática e, muitas vezes, os estudantes não têm muita noção do querem realmente com o tema. O fato de um tema inicialmente não ter aparentemente muito a ver com a Matemática pode despertar no professor alguma “ansiedade”, algum temor por suscitar dúvida se há Matemática no tema e, ainda, qual Matemática poderá ser desenvolvida. Essas questões realmente fazem parte do cotidiano escolar, principalmente nas escolas que têm como meta o cumprimento de um programa com determinados conteúdos matemáticos. Sempre em nome de que o estudante precisa de certos pré-requisitos, para a continuidade dos seus estudos e que no ano seguinte serão cobrados certos conteúdos, as experiências verdadeiramente significativas no âmbito da sala de aula são deixadas de lado. Esse é um aspecto que nada contribui para a educação de um cidadão do século XXI, muito menos com o ensino da Matemática. O lado “seguidor” que se desenvolve no estudante parece inibir o desenvolvimento da sua autonomia, a iniciativa, liberdade de conjecturar e, com isso, inibe o desenvolvimento de muitas competências necessárias à formação de um cidadão, tudo em nome de uma visão de currículo completamente superada, no entanto em termos teóricos apenas. Essa visão da linearidade do currículo ainda predomina na maioria das nossas escolas e está sendo, ainda que lentamente, superada com as novas perspectivas de um pensamento complexo. Para Morin (2006), o desenvolvimento do conhecimento científico deve ser visto como um meio eficiente de detecção dos erros e de luta contra as ilusões. Entretanto, os paradigmas que controlam a ciência podem desenvolver ilusões e nenhuma teoria científica está imune para sempre contra o erro. Além disso, o conhecimento não pode tratar sozinho dos problemas epistemológicos, filosóficos e éticos. A Educação deve-se dedicar, por conseguinte, à identificação da origem dos erros, ilusões e cegueiras. Daí a importância do desenvolvimento de práticas 4 que despertem a curiosidade contextualizada e a busca pela compreensão de situações e fenômenos reais. TEMA 2 – SITUAÇÃO-PROBLEMA A situação-problema é uma etapa que acontece de forma natural, pois, uma vez escolhidos o tema, muitas vezes, dependendo do nível de ensino em que se esteja trabalhando, os temas são escolhidos por curiosidade, pelo desejo de se conhecer mais e melhor aquele assunto. Pode acontecer, no entanto são mais raras, situações em que, nesse nível de ensino, se parte de uma questão mais elaborada ou que exija um nível mais complexo de análise. Conhecer mais sobre o tema, buscar informações no local onde se localiza o interesse do grupo de pessoas envolvidas, além de se constituir em uma das premissas para o trabalho nessa visão de Modelagem, é uma etapa importante na formação de um estudante mais crítico. Entendemos, pois, que para conhecer melhor algum objeto ou alguma coisa precisa se organizar, saber o que e como enunciar questões que produzam respostas às questões. Qual a forma mais adequada para se colher os dados? Quais os tipos de instrumentos devem ser construídos? Quais devem ser as características das questões a serem formuladas? Como devem ser formuladas? No caso da Modelagem, a natureza dos dados que são de modo geral qualitativos e quantitativos permite tratar os temas sob enfoques distintos para além do enfoque matemático. Um simples passeio, organizado para uma tarde na praça próximo da escola, pode se tornar mais do que isso, pode ensejar o estudo de temas diversos, tais como: a urbanização da praça, os tipos de vegetação predominantes, as características predominantes, a frequência de pessoas, quais as características dos seus frequentadores, quais os principais benefícios e malefícios trazidos pela localização, enfim, muitos aspectos podem ser objeto de ricas e sugestivas discussões. TEMA 3 – MATEMÁTICA Aqui precisamos revisitar todas as etapas até o presente momento. O desenvolvimento de uma atividade de modelagem matemática está associado a um contexto que torna o objeto a ser estudado em um atrativo para o estudante e a uma situação-problema (exemplos: temperatura da água e da massa de um 5 pudim, velocidades em um trajeto, entre outros), em que há coleta de dados representados por meio de um modelo matemático que representa um objeto matemático (como uma função do tipo exponencial e função polinomial, por exemplo), que pode ser trabalhado matematicamente (cálculo de derivadas, integrais e função composta), ou seja, fazendo uso da Matemática. A resolução do(s) problema(s) confere à Modelagem Matemática a etapa em que se faz uso de todo o ferramental matemático disponível. Na resolução de um problema ou de uma situação-problema, os conteúdos matemáticos ganham importância e significado. As operações, as propriedades e os diversos campos da matemática que se fazem presentes nessa etapa sem dúvida atribuem significados aos conteúdos matemáticos. Pode acontecer que, para a resolução de um problema, o conteúdo necessário à sua resolução ainda não tenha sido trabalhado pelo aluno, então é um momento importante para que o professor, na condição de mediador, favoreça ao estudante a construção desse conhecimento. Há algumas possibilidades para isso. Uma delas é valer-se das investigações matemáticasna sala de aula na visão de Ponte (2005) e como na experiência específica de Modelagem desenvolvida por Klüber e Pereira (2009). Exemplo: uma turma das séries iniciais de escolarização propõe saber “o quanto cabe” em uma lata de tinta. Talvez eles já saibam o que é uma forma cilíndrica, mas possivelmente os estudantes de séries iniciais ainda não conhecem o conceito de volume e a fórmula que calcula este volume em um cilindro. Essas são as verdadeiras situações na qual o professor pode desempenhar o seu papel de mediador entre o conhecimento do aluno e o conhecimento matemático já estabelecido. São situações que constituem desafios no âmbito do novo paradigma, não do paradigma anterior, em que essas situações não eram consideradas importantes, pois o currículo e as situações a serem estudadas sempre seguiam uma sequência lógica dos conteúdos, em conformação com o currículo linear. Este é um trabalho importante do professor, seja no trabalho de formação dos conceitos, orientando a busca de conteúdo no livro texto, seja criando alternativas que permitam ao estudante buscar uma solução para o problema. Muitas vezes, pode-se valer das situações empíricas para os primeiros resultados e as primeiras aproximações e, mais tarde, ou mesmo já na sequência 6 desenvolver o conteúdo de forma analítica, com algum alguma formalização matemática. Outro aspecto positivo e significativo para o estudante é a perspectiva de resolução dos problemas, diferente da forma encontrada na maioria dos livros textos. Nesse contexto, a resolução de problemas ganha contornos e significados diferentes, podendo desenvolver uma forma ou maneira usual de se resolver problemas, como: 1) os problemas são elaborados a partir dos dados coletados em campo; 2) prioriza a ação do estudante na elaboração; 3) parte sempre de uma situação contextualizada; 4) favorece a criatividade; 5) dá maior significado ao conteúdo matemático usado na resolução; e 6) favorece a tomada de decisão. A visão de Educação Matemática, em uma perspectiva que contempla além das Ciências Naturais as Ciências Humanas e Sociais, não muda em nada os fundamentos da Matemática, seu método, suas leis, mas permite ao professor uma perspectiva mais ampla sobre o ensino dessa ciência e, assim, muda tudo no contexto da educação geral. Mostra a Matemática fazendo parte do todo e se constituindo em uma poderosa ferramenta para a leitura do mundo, mas que pode e deve contar com o concurso de outras áreas do conhecimento para favorecer a compreensão e dar significado àquilo que se constata por meio da Matemática. Um exemplo é o alto índice de poluição, indicado por forma numérica ou gráfica. No entanto, o número ou o gráfico não resolvem a situação da poluição que precisa dos conhecimentos de outras ciências para dar significado, favorecer a compreensão e os encaminhamentos de soluções, que nem sempre são matemáticas, mas de atitudes, de posturas, de ações solidárias e que a matemática, embora possa fazer parte, sozinha não dá conta. A forma de conceber a Modelagem Matemática compartilha do mesmo entendimento de que o desenvolvimento de várias habilidades capacita melhor o estudante para competências mais específicas, pois, segundo Morin (2006), quanto maior a abrangência da inteligência geral, mais recursos possui para tratar de situações mais particulares. 7 Ainda sobre esse momento, cabe aqui ressaltar que ao investigar a Modelagem Matemática como desencadeadora do pensamento matemático, acabamos por nos debruçar sobre a identificação de alguns elementos que podem sinalizar manifestações de pensamento matemático dos alunos envolvidos em atividades de Modelagem Matemática e, com essa configuração, podemos nos inserir na perspectiva cognitivista de Modelagem Matemática. Gray et al. (1999), ao tratar de pensamento matemático de estudantes, argumentam que aprender a pensar matematicamente significa desenvolver um ponto de vista matemático, ser capaz de realizar abstrações e desenvolver certa competência para lidar com as estruturas matemáticas. Especificamente sobre as experiências matemáticas, Tall (2004, p. 285) reinterpreta as ideias de Bruner e caracteriza o que denomina de “Três Mundos da Matemática” (Corporificado, Simbólico Proceitual e Axiomático Formal). A perspectiva de David Tall surge do estudo dessas teorias que tratam do desenvolvimento cognitivo e da necessidade de explicar como se dá o aprendizado da Matemática. Referindo-se às experiências matemáticas, Tall (2004) associa o desenvolvimento cognitivo em relação à matemática com Três Mundos da Matemática. a) O Mundo Conceitual Corporificado (ou apenas Mundo) diz respeito às percepções acerca do mundo e o pensamento a respeito das coisas que são percebidas e sentidas não apenas no mundo físico, mas em um mundo mental de significados. Esse mundo está baseado na ação e na percepção e envolve os objetos corporificados, tais como gráficos e diagramas, que podem ser fisicamente manipulados e, posteriormente, concebidos como objetos mentais. b) O Mundo Simbólico Proceitual (ou simplesmente Mundo Proceitual) é o mundo dos símbolos que são usados para cálculos e manipulações na aritmética, na álgebra e no cálculo, por exemplo. As atividades nesse mundo se iniciam com ações (como apontar e contar) e são incorporadas como conceitos por meio do uso de símbolos. c) O Mundo Axiomático Formal (ou Mundo Formal), por sua vez, é baseado em propriedades, expressas em termos de definições formais que são usadas como axiomas para especificar as estruturas matemáticas (por exemplo, “grupo”, “campo”, “espaço vetorial” e “espaço topológico” e assim por diante) que constituem o sistema axiomático da Matemática. 8 Em termos gerais, esse mundo pressupõe um movimento em direção ao formalismo nas representações e no uso dos conceitos matemáticos. É importante mencionar que, na perspectiva de Tall (2004), o desenvolvimento cognitivo dos alunos não é, necessariamente, sequencial, considerando suas ações em relação aos três mundos caracterizados. Isto é, podemos considerar que os alunos transitam (em termos cognitivos) nos Três Mundos em vez de tomá-los como estágios consecutivos a serem percorridos em suas atividades matemáticas. TEMA 4 – O PROCESSO INVESTIGATIVO Saber como organizar os dados e como fazer o tratamento desses dados constitui-se um importante valor formativo do nosso estudante. Essa etapa possibilita a formação de um estudante mais atento, mais sensível às questões do seu objeto de estudo. Os métodos de corte antropológicos do tipo etnográfico, fenomenológico, estudos de caso e outras formas de pesquisa participante ajudam na quantidade e qualidade dos dados coletados. Esses métodos trazidos da antropologia prestam grandes contribuições à educação e também mais particularmente à educação Matemática. No momento em que se explora a situação-problema, também se faz necessária a coleta de dados de forma exploratória, ou seja, a promoção de pesquisas que dão sustentação à etapa de levantamento do problema ou dos problemas relativos ao tema. O papel de professor agora ganha a qualidade de mediador e é de importância fundamental no trabalho com a Modelagem, pois esse é o momento em que se pode contribuir de forma significativa com o estudante no desenvolvimento de sua autonomia, na formação de um espírito crítico. É uma etapa em que a ação e a qualidade dessa ação, por parte do aluno, se fazem notar e podem se constituir em diferencial educativo, podendo inclusive ser vista como a etapa em que se inicia a ação matemática, propriamente dita. Um bom exemplo disso pode ser dado a partir da seguinte situação: Qual o consumo anual de papel pela escola? Essa questão enseja a busca de dados sobre as atividades desenvolvidas pela escola que implicam no consumo de papel, bem como o tipode atividades, uma estimativa da quantidade, por sala, 9 por série, por aluno, os tipos de papel, o consumo de papel das atividades administrativas da escola. Essa situação implica em se valer de levantamento junto aos professores, alunos, corpo diretivo e administrativo da escola, demanda a busca de dados na internet, em sites que tratam da relação da quantidade de árvores e da quantidade de papel, palestras sobre o assunto, visitar locais entre outros. O desenvolvimento da capacidade de articular os dados e formular problemas provindos da situação pesquisada se constitui em valor formativo e atitudinal de incomparável significado educativo. Construir no estudante a capacidade de levantar e propor problemas, advindos dos dados coletados e mediada pelo professor, é, sem dúvida, um privilégio educativo. Essa etapa claramente promove no estudante o desenvolvimento da capacidade cidadã de traduzir e transformar situações do cotidiano em situações matemáticas, para quantificar uma situação, e nas ciências sociais e humanas buscar as soluções que, muitas vezes, não são matemáticas, mas de atitudes e comportamento. O desenvolvimento da autonomia do estudante também está evidenciado nesse momento em que ele tem a liberdade de conjeturar, construir hipóteses, analisar as situações e tomar decisões. É relevante mencionar que aqui também se iniciam as possibilidades de erros. Neste sentido, o erro deve ser entendido como uma aproximação da verdade, pois é mais educativo e preferível o erro resultante de um processo de pensamento, do que uma resposta correta emitida ao acaso, quando o estudante não é capaz de justificar o porquê da resposta dada. O levantamento de problemas é ainda uma ação cognitiva por excelência, porque é resultado de um encadeamento que promove a intuição e lógica. TEMA 5 – ANÁLISE INTERPRETATIVA Essa etapa da Modelagem é um momento muito rico e especial para analisar e discutir a solução ou as soluções encontradas. É um momento em que se fazem as considerações e análise das hipóteses consideradas na etapa de levantamento dos problemas. O que pauta essa capacidade de discussão são os elementos de busca e pesquisa encontrados na investigação proposta em função da situação-problema e do contexto em que esta se apresenta, ambos escolhidos e delimitados pelos próprios estudantes. 10 Matos e Lara (2016), ao analisarem as percepções quanto à Matemática, à realidade e à Modelagem Matemática, evidenciaram que professores em geral reconhecem que a modelagem oportuniza a resolução de situações-problema reais e a escolha de temas contextualizados que aproximam a Matemática da realidade dos estudantes, criando condições para pesquisa em sala de aula. Podemos também entender que a “aproximação com a realidade” a que se referem os autores, numa atividade de modelagem, está associada com uma busca de solução para um problema decorrente de uma situação inicial mediada pela matemática. Identificar a Matemática por detrás de uma situação da realidade exige uma parada para olhar para os dados e buscar em seu “leque” de conhecimentos, ou mesmo na construção de conhecimentos novos, um aporte. Desse modo, o que nos move em nossa investigação é evidenciar como os estudantes percebem a Matemática quando desenvolvem atividades de modelagem matemática. Uma questão que antecede essa investigação diz respeito ao significado de “perceber”. De forma geral, perceber está relacionado a compreender através dos sentidos. Santaella (2012) destaca que o gesto de perceber é estar diante de algo, no ato de estar, enquanto acontece. Os estímulos obtidos por meio dos sentidos correspondem a processos perceptivos que funcionam como signos externos que não deixam de ser mediatizados pelo nosso sistema sensório- motor e pelo potencial e limites dos nossos esquemas cognitivos, mentais. Nesse sentido, nosso interesse de estudo consiste no processo mental que possibilita e amplia a relação do indivíduo com seu entorno. Possibilita tanto o aprofundamento de aspectos matemáticos como dos aspectos não matemáticos envolvidos no tema. Sob o aspecto da matemática pode-se analisar a coerência e a consistência lógica da solução ou das soluções encontradas. É uma etapa em que se discute com o grupo ou grupos os cuidados com a linguagem, com as restrições que se fazem necessárias em muitas ocasiões. É também nessa etapa em se fazem algumas justificativas, alguns procedimentos mais particulares. Também é um momento propício para se mostrar e comentar as soluções empíricas e as mais formais, pois, muitas vezes, nessa fase de escolaridade, se parte do empírico para o formal. Mostra-se a importância de alguma formalização, de justificativa de procedimentos, enfim, é um momento de interação entre os grupos, de trocas de ideias e de reflexões. 11 Tão importante quanto trabalhar os aspectos matemáticos das situações, os aspectos não matemáticos se revestem da mesma importância, pois consideramos que são formadores de valores e de atitudes que são permanentes, pois nessa fase de sua formação esses valores são desenvolvidos e incorporados. Desta forma, discutir as ações decorrentes de uma constatação matemática ou não que resultou em um problema ou uma situação-problema, as consequências das decisões tomadas, as relações as repercussões em vários níveis entre eles: individual, familiar, comunitário, as relações possíveis sob diversos enfoques, constitui o ponto forte dessa prática educativa mediada pela Modelagem. Esses são momentos importantes no espaço educativo que devem merecer a atenção, pois são importantes para a faixa etária, principalmente aquela dos estudantes da Educação Básica. NA PRÁTICA O sucesso na utilização de qualquer material depende, em grande parte, da concepção de ensino adotada e do alinhamento desta com a proposta pedagógica que venha nortear a utilização desse material na prática docente. Após a reflexão sobre os elementos da Modelagem Matemática, elabore um plano de ensino no qual você contemple a prática da Modelagem Matemática e todas as suas etapas, procurando destacar cada uma delas em sua abordagem. FINALIZANDO Trouxemos os elementos das práticas com Modelagem Matemática. Abordamos a etapa inicial, chamada de contexto, que contempla a escolha de um tema para ser desenvolvido em Modelagem Matemática e que esta deve partir do interesse dos estudantes envolvidos, lembrando que é neste momento que a contextualização com o cotidiano tende a aparecer. Posteriormente, trouxemos a etapa chamada de situação-problema, em que o estudante é convidado a problematizar uma situação do contexto escolhido e que, dependendo do nível de ensino em que se esteja sendo trabalhado, os temas são escolhidos por curiosidade, pelo desejo de se conhecer mais e melhor aquele assunto. Em seguida, a etapa denominada processo investigativo 12 permite, ao coletar dados, organizar e entender como fazer o tratamento destes. Nessa etapa, há a possibilidade da formação de um estudante mais atento, mais sensível às questões do seu objeto de estudo. A quarta etapa é o momento em que se faz uso de todo o ferramental matemático disponível. Na resolução de um problema ou de uma situação- problema, os conteúdos matemáticos ganham importância e significado. Ela é chamada de Desenvolvimento Matemático. A última etapa, Análise Interpretativa, é um momento muito rico e especial em que o estudante analisa e discute a solução ou as soluções encontradas. É um momento em que se faz as considerações e análises das hipóteses consideradas na etapa de levantamento dos problemas. 13 REFERÊNCIAS BURAK, D. Modelagem matemática: ações e interações no processo de ensino-aprendizagem. 1992. Tese (Doutorado em Educação) – Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 1992. ______. 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