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Paciente, sexo masculino, 28 anos, internado há 5 dias em Unidade de Terapia Intensiva por acidente de motocicleta com politraumatismo, incluindo traumatismo crânio-encefálico moderado, fratura de fêmur e lesão hepática. Durante o resgate foi intubado e segue assim desde então. No quarto dia de internação, evoluiu com febre de 38,7ºC, leucocitose, presença de infiltrado pulmonar bilateral e hipotensão arterial. Os médicos plantonistas acionaram a equipe multidisciplinar, instaurando e optou-se pela coleta de secreção traqueal para cultura, hemoculturas periféricas e troca do cateter venoso central. Administrou-se profilaticamente a combinação de oxacilina e ceftriaxona após a coleta das culturas. Após dois dias do início dos antibióticos, o paciente manteve os mesmos sintomas, permanecendo com necessidade de ventilação mecânica invasiva devido ao infiltrado pulmonar bilateral. Após 48 horas o resultado das culturas ficou pronto, sendo cultura de secreção traqueal: > 1.000.000 UFC/mL de Candida albicans; Hemocultura periférica: crescimento de Klebsiella pneumoniae com o seguinte padrão de susceptibilidade: Antibiótico testado Susceptibilidade Ampicilina Resistente Cefalotina Resistente Ceftazidima Resistente Ceftriaxone Resistente Cefepime Resistente Ciprofloxacina Resistente Gentamicina Resistente Piperacilina/Tazobactam Sensível Imipenem Sensível Meropenem Sensível A partir dos resultados apresentados pelo paciente, responda: 1. Qual o diagnóstico deste paciente? O paciente apresenta pneumonia associada à ventilação mecânica (PAV) e sepse/choque séptico, evidenciado por febre, leucocitose, infiltrado pulmonar bilateral e hipotensão, além de bacteremia por Klebsiella pneumoniae multirresistente (resistente a múltiplos antibióticos, mas sensível a piperacilina/tazobactam e carbapenêmicos). A cultura traqueal com Candida albicans sugere colonização das vias aéreas, mas, sem outros sinais de infecção invasiva, não configura candidíase sistêmica. 2. Qual a melhor estratégia a ser tomada neste momento? A conduta imediata deve incluir a substituição do esquema antibiótico empírico (oxacilina + ceftriaxona) por uma terapia baseada no antibiograma, optando por piperacilina/tazobactam ou meropenem (dependendo da suspeita de ESBL+ ou carbapenemase). Se houver persistência de instabilidade hemodinâmica, deve-se manter suporte com vasopressores e monitorização rigorosa. A colonização por Candida não requer tratamento antifúngico a menos que haja sinais de infecção invasiva (ex.: candidemia). Além disso, é essencial avaliar e controlar outros focos infecciosos, como a possível contaminação do cateter venoso central e a ventilação mecânica. 3. Qual a importância da realização do antibiograma antes do início da terapia antimicrobiana? O antibiograma é crucial para evitar falha terapêutica e seleção de bactérias resistentes, pois permite escolher o antibiótico mais eficaz com base no perfil de sensibilidade do microrganismo. No caso deste paciente, o uso inicial de ceftriaxona (ineficaz contra K. pneumoniae resistente) retardou a resposta clínica, enquanto o antibiograma identificou opções adequadas (piperacilina/tazobactam ou carbapenêmicos). Além disso, reduz custos e efeitos colaterais ao evitar drogas desnecessárias, como antifúngicos para colonização por Candida ou antibióticos de amplo espectro sem indicação. A terapia dirigida aumenta as chances de sucesso no tratamento e diminui o risco de resistência bacteriana na UTI. Referências ANVISA (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). Manual sobre prevenção de infecções por microrganismos multirresistentes em serviços de saúde. 2021. Disponível em: . Acesso em: 2 Maio 2025. https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/manual-prevencao-de-multirresistentes7.pdf https://www.gov.br/anvisa/pt-br/centraisdeconteudo/publicacoes/servicosdesaude/publicacoes/manual-prevencao-de-multirresistentes7.pdf