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DIABETES O diabetes melito (DM) se refere a um grupo de distúrbios metabólicos comuns, caracterizados pela hiperglicemia resultante de desequilíbrios entre a secreção e a responsividade celular à insulina. Em uma pessoa com diabetes não controlado, o transporte da glicose até o interior das células não ocorre. Como resultado, as células corporais passam por inanição, e a degradação de gorduras e proteínas aumenta para gerar a energia celular.1,2 O DM é classificado em quatro tipos, conforme descrito no Quadro 41.3. Pré-diabetes Essa classificação é utilizada quando os níveis glicêmicos estão elevados, mas não atendem aos critérios do diabetes DM tipo 1 Caracterizado pela produção insuficiente de insulina, tipicamente em consequência da destruição autoimune das células betapancreáticas, e muitas vezes levando à deficiência absoluta de insulina. Há também um subtipo idiopático, no qual não são detectados anticorpos autoimunes DM tipo 2 Caracterizado por uma condição de resistência insulínica e declínio progressivo na secreção de insulina pelas células betapancreáticas. É comumente acompanhado por manifestações clínicas concomitantes, denominadas “síndrome metabólica”. Exames para diagnóstico e tratamento O diagnóstico do DM é confirmado por meio de exames laboratoriais que determinam os níveis glicêmicos. Os critérios diagnósticos para cada tipo de DM estão descritos no Quadro 41.4. Tanto as determinações da glicemia quanto os exames de glicose e cetonas urinárias são úteis no controle do diabetes. Exames de sangue Os exames de sangue úteis no diagnóstico e no controle do DM incluem o teste de glicemia em jejum, teste de glicemia aleatório (ou casual), teste de tolerância à glicose oral (TTGO), teste de glicemia capilar e níveis de hemoglobina glicada. Teste de glicose plasmática em jejum. O teste de glicose plasmática em jejum (GPJ) consiste na determinação da glicose plasmática após um período mínimo de 8 h sem ingestão calórica.55 Um nível de GPJ inferior a 100 mg/dℓ (5,6 mmol/ℓ) é considerado normal (ver Capítulo 50, Tabela 50.2). Níveis entre 100 e 125 mg/dℓ (5,6 e 6,9 mmol/ℓ) são significativos, sendo definidos como glicemia anormal em jejum (GAJ). O nível de GPJ diagnóstico do diabetes é de 126 mg/dℓ (7 mmol/ℓ) ou mais.55 Teste de glicemia aleatório. O teste de glicose plasmática aleatório (ou casual) é realizado independentemente do horário da última refeição. Uma concentração de glicose plasmática aleatória inequivocamente elevada (≥ 200 mg/dℓ [11,1 mmol/ℓ]), em uma pessoa com sinais clássicos de diabetes (como polidipsia, polifagia, poliúria e visão turva) ou em crise hiperglicêmica, é diagnóstica de DM.55 Teste de tolerância à glicose oral. O TTGO é um importante teste de triagem do diabetes, que determina a capacidade do corpo de remover a glicose do sangue. Em homens e mulheres, esse teste determina a resposta da glicose plasmática a 75 g de uma solução concentrada de glicose, em intervalos selecionados, normalmente depois de 1 e 2 h. Nas pessoas com tolerância normal à glicose, os níveis glicêmicos retornam ao normal em 2 a 3 h após a ingestão da carga de glicose, caso em que pode ser presumida a presença de insulina em quantidade suficiente para que a glicose saia do sangue e adentre as células corporais. Na pessoa com diabetes, falta a capacidade de responder às elevações na glicemia com uma secreção adequada de insulina para facilitar o armazenamento. Com isso, os níveis glicêmicos aumentam e se tornam superiores àqueles observados em pessoas com tolerância normal à glicose, permanecendo elevados por períodos mais longos. Para fins diagnósticos, o valor da glicose plasmática em 2 h (GP 2 h) durante um TTGO é utilizado como indicador, com níveis ≥ 200 mg/dℓ (11,1 mmol/ℓ) atuando como critério de limiar para o diagnóstico de DM (Tabela 41.7).55,56 Monitoramento da glicose em sangue total capilar. Os avanços tecnológicos disponibilizaram um meio para o monitoramento dos níveis glicêmicos usando uma gota de sangue capilar. Esse procedimento proporcionou aos profissionais de saúde um modo rápido e econômico de monitorar a glicemia, e forneceu aos portadores de diabetes uma maneira viável de manter os níveis glicêmicos próximos aos normais, por meio do automonitoramento da glicemia. Esses métodos utilizam uma gota de sangue capilar, obtido com uma picada no dedo utilizando uma agulha ou pequena lanceta especial. A gota de sangue capilar é depositada sobre ou absorvida por uma fita reagente, e os níveis de glicose são determinados eletronicamente por um medidor de glicose. A maior parte dos monitores aprovados para o uso domiciliar calibra as leituras glicêmicas aos valores plasmáticos, para facilitar a comparação com os valores laboratoriais. É importante que os usuários do teste saibam como o medidor que estão utilizando é calibrado, de modo a poderem interpretar adequadamente os resultados, uma vez que os testes realizados com sangue total sem calibração para glicose plasmática provavelmente fornecem resultados de glicose no sangue total 10 a 15% mais baixos que os níveis de glicose plasmática.57,58 Sistemas de monitoramento contínuo estão sendo disponibilizados para o controle preciso da glicose. Os diversos sistemas contêm pequenos cateteres implantados no tecido subcutâneo, que fornecem amostras frequentes. Os centros de endocrinologia utilizam cada vez mais essa tecnologia em pacientes selecionados, para alcançar o controle glicêmico ideal. A diversidade e a exatidão desses sistemas têm melhorado continuamente, porém o monitoramento da glicose com picada no dedo continua sendo o padrão de tratamento.59 Teste de hemoglobina glicada (hemoglobina A1c). A hemoglobina A1c é um teste que determina o quanto de um subtipo de hemoglobina foi glicado, o que implica a ligação de moléculas de glicose à molécula de hemoglobina. Algumas vezes, esse processo também é denominado glicosilação, embora “glicado” seja o termo mais preciso, uma vez que o processo não requer atividade enzimática.60 Quando as hemácias são liberadas pela medula óssea, a hemoglobina normalmente não contém glicose; entretanto, durante os 120 dias de vida da hemácia, a hemoglobina normalmente se torna glicada. Como a entrada da glicose nas hemácias independe da insulina, a taxa de ligação da glicose à molécula de hemoglobina reflete os níveis glicêmicos. A glicosilação é essencialmente irreversível; portanto, o nível de A1c presente no sangue fornece um índice dos níveis glicêmicos ao longo do tempo de vida aproximado de 120 dias das hemácias. Na condição de hiperglicemia, os níveis de A1c estão aumentados. A Tabela 41.7 lista os valores de A1c correlacionados aos níveis médios da glicose plasmática. Exames de urina Os exames de urina para a glicose indicam que o limiar renal de reabsorção da glicose foi excedido, que é tipicamente acompanhado por hiperglicemia. Os exames renais em relação à presença de cetonas indicam que o corpo está produzindo corpos cetônicos em excesso, geralmente em consequência do uso de substratos energéticos sem glicose como combustível BIOPATOLOGIA DA DIABETES A insulina é sintetizada como pré-proinsulina nos ribossomos do retículo endoplasmático rugoso das células β das ilhotas pancreáticas e, em seguida, é convertida em proinsulina, que, por sua vez, é transportada até o aparelho de Golgi, onde é acondicionada em grânulos secretores. A proinsulina é clivada em quantidades equimolares de insulina e de um segmento de conexão (peptídio C) nos grânulos secretores. A estimulação da secreção de insulina resulta na liberação de quantidades equimolares de insulina e de peptídio C (bem como de uma pequena quantidade de proinsulina) na veia porta do fígado. O principal regulador da secreção de insulina é a glicose. O processo de secreção da insulina pelas célulasβ é mostrado de maneira esquemática na Figura 216.2. A glicose é captada pelas células β por meio do sistema do transportador de glicose GLUT2 e, em seguida, é fosforilada a glicose 6-fosfato por uma glicoquinase específica das ilhotas. A conversão da glicose em glicose-6-fosfato resulta em aumento sequencial do trifosfato de adenosina (ATP) intracelular, fechamento dos canais de potássio dependentes de ATP (KATP) na membrana da célula β, despolarização da membrana e influxo de cálcio, migração dos grânulos secretores de insulina na membrana celular e a sua fusão com a membrana e, por fim, liberação de insulina no líquido extracelular. As elevações rápidas nos níveis de glicemia (p. ex., após a administração intravenosa de glicose) causam um pico de secreção de insulina, que alcança o seu valor máximo em poucos minutos e declina rapidamente (a denominada secreção de insulina de primeira fase). Com elevações mais persistentes da concentração plasmática de glicose, a secreção de insulina é sustentada (a denominada secreção de insulina de segunda fase). O indicador fisiopatológico mais precoce de função deficiente das células β pode ser a perda da secreção de insulina de primeira fase, que precede em anos o declínio da reserva secretora de insulina suficiente para resultar em intolerância à glicose ou diabetes. FIGURA 216.2 Regulação da secreção de insulina por nutrientes. A glicose é captada pela célula β por meio do transportador de glicose GLUT2 e é metabolizada (inicialmente por meio de fosforilação a glicose 6-fosfato pela glicoquinase). Isso leva a um aumento do ATP intracelular (e aumento da razão ATP/ADP citoplasmática), que provoca o fechamento do canal de potássio dependente de ATP, seguido de despolarização da membrana e abertura subsequente dos canais de cálcio regulados por voltagem. O influxo de cálcio mobiliza os grânulos secretores de insulina que se fundem com a membrana celular, liberando a insulina no líquido extracelular. O receptor de sulfonilureia 1 (SUR1) é um componente do canal de potássio dependente de ATP. ADP = difosfato de adenosina; ATP = trifosfato de adenosina. Diabetes melito tipo 1 O DM tipo 1 é caracterizado pela destruição das células betapancreáticas. Aproximadamente 5% dos casos de DM são do tipo 1.55 A maior parte dos casos de DM tipo 1 é imunomediada, conforme refletido pela detecção de autoanticorpos específicos. Uma pequena minoria das pessoas com DM tipo 1 é considerada portadora de DM tipo 1 idiopático, no qual não são detectados autoanticorpos. Esse tipo idiopático apresenta maior probabilidade de ocorrência em pessoas de descendência asiática ou africana.55 A partir da perspectiva do tratamento, não há diferença entre os subtipos de diabetes tipo 1; entretanto, em alguns casos, o subtipo imunomediado é denominado tipo 1A e o idiopático é denominado tipo 1B.52 Anteriormente, o DM tipo 1 imunomediado era denominado diabetes com início juvenil ou diabetes insulinodependente.55 Sua ocorrência é mais comum em jovens, mas pode se manifestar em qualquer idade. A taxa de destruição das células beta é muito variável, sendo rápida em algumas pessoas e lenta em outras. O tipo com progressão rápida não é comumente observado somente em crianças, mas também pode ocorrer em adultos. Adultos com DM tipo 2 por vezes apresentam ainda um tipo de DM insulinodependente de progressão lenta, com achados autoimunes semelhantes àqueles do DM tipo 1. Em certos casos, esse tipo adulto de progressão lenta é denominado diabetes autoimune latente em adultos (DALA).52 O DM tipo 1 imunomediado com frequência está relacionado a uma predisposição genética (i. e., genes diabetogênicos). A suscetibilidade ao DM tipo 1A envolve diversos genes; contudo, o principal gene de suscetibilidade a essa afecção está localizado no gene do antígeno leucocitário humano (HLA), relacionado à apresentação de antígeno às células T.63 O diabetes tipo 1 é um distúrbio catabólico, caracterizado por ausência absoluta de insulina, elevação na glicemia e degradação das gorduras e proteínas corporais. A ausência absoluta de insulina em pessoas com DM tipo 1 significa que elas são particularmente propensas ao desenvolvimento de cetoacidose. Uma das ações da insulina é a inibição da lipólise (i. e., degradação das gorduras) e da liberação de AGL das células adiposas. Na ausência de insulina, há desenvolvimento de cetose quando esses ácidos graxos são liberados das células adiposas e convertidos em cetonas no fígado. Em consequência da perda da resposta à insulina, todas as pessoas com diabetes tipo 1 imunomediado necessitam de reposição de insulina exógena para reverter o estado catabólico, controlar os níveis glicêmicos e prevenir a cetose MANIFESTAÇÕES CL´NICAS: hiperglicemia sintomática, manifestada por poliúria, polidipsia, perda de peso e fadiga, ocorre de maneira abrupta na criança ou no adulto jovem saudáveis nos demais aspectos. TRATAMENTO A chave para o sucesso do tratamento do diabetes tipo 1 consiste em efetuar uma reposição fisiológica de insulina, ou seja, reproduzir a relação normal e estritamente regulada entre a glicose plasmática e a secreção de insulina. Embora a tecnologia atual possa apenas simular essa fisiologia normal, foram realizados progressos substanciais para possibilitar a manutenção de euglicemia relativa em muitos pacientes. O controle bem-sucedido da glicose exige um compromisso substancial por parte do paciente e do profissional de saúde.6 Insulinoterapia Todos os pacientes com diabetes tipo 1 necessitam de tratamento com insulina para sobreviver. A abordagem para a reposição de insulina no diabetes tipo 1 exige a consideração das necessidades de insulina basal (insulina necessária para manter a homeostasia no estado de jejum) e da insulina necessária para o influxo de nutrientes que ocorre com as refeições. Dispõe-se de diversas preparações de insulina, que diferem com base no padrão de absorção após injeção subcutânea. As preparações de insulina atualmente utilizadas são, em sua maioria, análogos da insulina humana, que foram modificados (em geral, modificando um ou mais aminoácidos), de modo a alterar a farmacocinética para acelerar ou retardar a absorção (Tabela 216.5). Os pacientes com diabetes tipo 1 são tratados com uma insulina “basal” de ação longa e uma insulina “prandial” de ação mais curta na hora das refeições, por um esquema de múltiplas injeções diárias de insulina ou por uma bomba de infusão contínua de insulina subcutânea. Normalmente, a necessidade diária de insulina em pacientes com diabetes tipo 1 situa-se entre 0,3 e 1,0 unidade/kg/dia, sendo metade administrada na forma de insulina basal, e o restante, dividido em bolus antes das refeições. As doses de insulina prandial são determinadas pelo conteúdo de carboidratos da refeição, juntamente com um “fator de correção” se a glicose estiver elevada antes da refeição. Por exemplo, uma conduta comum consiste em administrar 1 unidade para cada 10 a 15 g de carboidrato na refeição, somada a um fator de correção de 1 unidade para diminuir a concentração plasmática de glicose em 20 a 50 mg/dℓ. Entretanto, as necessidades de insulina são influenciadas por diversos fatores (p. ex., idade, tamanho corporal, sensibilidade à insulina) e variam de maneira substancial entre os pacientes; por conseguinte, esses algoritmos precisam ser individualizados DIABETES MELITOS TIPO 2 Biopatologia O fenótipo metabólico subjacente do diabetes tipo 2 é distintamente heterogêneo entre indivíduos com a doença; alguns exibem um defeito mais pronunciado na secreção de insulina, enquanto outros têm maior resistência à ação da insulina. RESISTÊNCIA: O que causa essa resistência, de fato? Existem vários níveis de defeito: Pré-receptor: quando a própria insulina é anormal (raro). No receptor:mutações no gene do receptor de insulina (raro também). Pós-receptor (o mais comum): o problema está dentro da célula, nas vias de sinalização. O defeito mais conhecido é na via IRS- 1 / PI3K / Akt, que é justamente a que faz o GLUT4 ir pra membrana e permitir a entrada de glicose. Se essa via falha → glicose não entra → resistência à insulina. 골곩곪곫곬 Resumo da história natural: 1. Primeiro, a célula começa a resistir → pâncreas compensa com mais insulina. 2. Depois, as células β do pâncreas se esgotam → a produção não dá mais conta. 3. Resultado: a glicose sobe e o diabetes tipo 2 aparece. ꩢꩩꩣꩤꩥꩦꩧꩨ Secreção Prejudicada de Insulina — o outro lado do diabetes tipo 2 No diabetes tipo 2, o problema não é só a resistência à insulina — o pâncreas também começa a falhar. Ou seja, as células β das ilhotas de Langerhans (as que produzem insulina) não conseguem mais fabricar e liberar o hormônio como deveriam. Isso acontece por dois motivos principais: 1. Funcional: as células β ficam menos sensíveis aos estímulos que normalmente fariam elas liberar insulina (como a glicose). 2. Quantitativo: há redução da massa total de células β — ou seja, morrem ou perdem função, e o pâncreas passa a ter menos "fábricas" de insulina. 踰踱踲踳 Estudos mostram que pode haver perda de até 60% das células β no diabetes tipo 2. Mesmo assim, essa perda sozinha não explica tudo, já que pessoas saudáveis que têm metade do pâncreas removido (pancreatectomia) nem sempre ficam diabéticas. Então tem algo além da quantidade — tem defeito na forma como as células funcionam. Defeitos funcionais típicos: Falha na resposta à glicose: o pâncreas não “enxerga” a glicose direito, então não libera insulina como deveria. Mas responde normalmente à arginina, um aminoácido — ou seja, o problema é específico na percepção da glicose, não total. A liberação de insulina perde o ritmo natural, que deveria ser pulsátil e oscilatória — isso atrapalha o controle fino da glicemia. A produção da insulina também fica ineficiente: o corpo começa a liberar proinsulina (uma forma imatura da insulina), que não funciona bem e serve como marcador precoce de risco de diabetes. ��� Outros fatores que ferram as células β: Depósito de amiloide nas ilhotas pancreáticas → atrapalha o funcionamento e pode até destruir as células. Glicotoxicidade: excesso de glicose no sangue vai intoxicando as células β. Lipotoxicidade: excesso de gordura circulante também prejudica essas células. Genética + ambiente: tem gente que já nasce com uma predisposição genética, mas o estilo de vida (obesidade, má alimentação, sedentarismo) acelera o processo. TRATAMENTO Medicamentos de primeira linha Metformina A metformina, uma biguanida, é a medicação antidiabética mais amplamente utilizada e considerada como tratamento inicial preferido para pacientes com diabetes tipo 2. Acredita- se que os efeitos pleiotrópicos da metformina sejam mediados principalmente pela inibição do complexo 1 mitocondrial (i. e., efeitos sobre a fosforilação oxidativa mitocondrial e a carga de energia celular) e, em parte, por meio da regulação da atividade da proteinoquinase ativada pelo 5′ monofosfato de adenosina e do alvo de rapamicina em mamíferos. A metformina reduz os níveis de glicose principalmente por meio da supressão da produção hepática de glicose, mas também pode intensificar a sensibilidade à insulina (melhora da captação de glicose mediada pela insulina) e limitar a absorção intestinal de glicose. É comum a ocorrência de perda de peso modesta e sustentada (cerca de 2 a 4 kg) com a metformina. A metformina (dose inicial de 500 mg/dia e aumento progressivo até 2.000 mg/dia se a taxa de filtração glomerular [TFG] for superior a 30 ml/min/1,73 m2) é administrada por via oral, 2 vezes/dia, e dispõe-se de formas de liberação prolongada para dosagem 1 vez/dia. A hipoglicemia ocorre raramente ou nunca na monoterapia com metformina. O efeito adverso mais comum consiste em intolerância gastrintestinal (dispepsia, diarreia), que pode ser minimizada pela titulação lenta da dose. Foi também relatada a ocorrência de má absorção de vitamina B12, levando à deficiência clínica dessa vitamina. A ocorrência de acidose láctica constitui o efeito adverso mais grave, embora raro, que ocorre quase exclusivamente em pacientes com insuficiência renal e outro fator precipitante, como sepse ou choque. A função renal deve ser monitorada periodicamente; a metformina precisa ser utilizada com cautela em indivíduos com taxa de filtração glomerular (TFG) estimada de 45 mℓ/minuto ou menos e deve ser interrompida em caso de TFG estimada de 30 mℓ/minuto ou menos. A metformina comprovadamente reduziu a taxa de mortalidade cardiovascular e a taxa de mortalidade por todas as causas no U.K. Prospective Diabetes Study (UKPDS), o que contribui para o seu interesse como agente de primeira linha. A metformina também tem sido utilizada na prevenção do DM e no tratamento da síndrome do ovário policístico. Tiazolidinedionas As tiazolidinedionas, que incluem a rosiglitazona e a pioglitazona, melhoram a captação de glicose mediada pela insulina e reduzem a produção hepática de glicose. Ligam-se a um receptor nuclear, o receptor ativado por proliferador de peroxissomas γ e, portanto, regulam a transcrição de vários genes envolvidos no metabolismo de carboidratos e lipídios. A terapia com tiazolidinedionas tem efeitos pronunciados sobre o tecido adiposo, reduzindo a lipólise, aumentando a massa de gordura e induzindo redistribuição da gordura dos depósitos viscerais para os depósitos subcutâneos. Os aumentos da adiponectina circulante, uma adipocina com propriedades sensibilizadoras da insulina e anti-inflamatórias, também podem desempenhar um papel no efeito hipoglicemiante desses fármacos. As tiazolidinedionas são administradas por via oral, em uma dose única por dia. Os efeitos adversos comuns consistem em ganho de peso e retenção hídrica, incluindo precipitação ou agravamento da insuficiência cardíaca congestiva. Foi também relatado aumento de fraturas após a menopausa e aumento do risco de câncer de bexiga. A toxicidade cardiovascular potencial da rosiglitazona permanece controversa, e o seu uso foi restrito em muitos países; esses efeitos não foram observados com a pioglitazona. Secretagogos da insulina Sulfonilureias A classe de secretagogos da insulina das sulfonilureias está entre os mais antigos fármacos antidiabéticos orais disponíveis. As sulfonilureias atualmente de uso comum incluem a glipizida, a gliburida e a glimepirida; as sulfonilureias mais antigas (clorpropamida, tolbutamida) ainda são algumas vezes utilizadas fora dos EUA. Seu mecanismo de ação consiste em sua ligação ao canal de potássio sensível ao ATP na membrana da célula β (em um local denominado receptor de sulfonilureia), resultando em despolarização da membrana e, por fim, liberação de insulina dos grânulos secretórios pré-formados. Por conseguinte, é necessária a presença de massa suficiente de células β intactas para a eficácia desses fármacos. As sulfonilureias podem ser utilizadas como monoterapia ou em combinação com outros fármacos. O principal efeito adverso das sulfonilureias reside no seu potencial de causar hipoglicemia, visto que a secreção de insulina ocorre independentemente dos níveis plasmáticos de glicose. É também comum haver ganho de peso modesto. Os resultados de um estudo conduzido na década de 1970 (University Group Diabetes Program) sugeriram que as sulfonilureias podem aumentar o risco de eventos cardiovasculares e morte. Esses achados não foram confirmados em outros ensaios clínicos, porém a questão permanece controversa. Apesar disso, as sulfonilureias estão entre as medicações antidiabéticas mais utilizadas. Glinidas A repaglinida e a nateglinidasão secretagogos da insulina não sulfonilureias quimicamente distintas, que também se ligam ao canal de potássio sensível ao ATP na membrana da célula β. O início e a duração de ação desses fármacos são muito mais curtos que os das sulfonilureias, e a frequência de hipoglicemia em jejum é menor. São administradas por via oral antes de cada refeição, tornando-as um pouco menos convenientes do que as medicações com dose única diária; entretanto, têm o potencial de proporcionar uma vantagem para pacientes com horários ou conteúdo das refeições inconsistentes. Terapias baseadas em incretinas/agonistas do GLP-1 A exenatida, a liraglutida, a semaglutida, a dulaglutida e a lixisenatida são análogos da incretina endógena, GLP-1, e estimulam a secreção de insulina pela sua ligação aos receptores de GLP-1 nas células β. Esses fármacos aumentam a secreção de insulina estimulada pela glicose e, portanto, têm menos potencial de causar hipoglicemia do que as sulfonilureias e as glinidas. Além disso, suprimem a produção hepática de glicose (pela redução da secreção de glucagon), retardam o esvaziamento gástrico e suprimem o apetite, resultando em perda de peso modesta em muitos pacientes. Os agonistas do GLP-1 são administrados por injeção, 1 ou 2 vezes/dia, e dispõe-se também de uma formulação de ação longa para administração semanal. Os principais efeitos adversos consistem em intolerância gastrintestinal (náuseas e vômitos), que pode ser minimizada pela iniciação com uma dose baixa e titulação gradual. Em combinação com tratamento com insulina basal, esses agentes podem melhorar o controle glicêmico, sem aumentar a hipoglicemia, e, com frequência, induzem perda de peso significativa.A11,A12 A liraglutida (0,6 mg/dia na primeira semana, aumentando para até 1,8 mg/dia) também reduz a taxa de mortalidade por todas as causas em cerca de 15%, assim como o risco de morte por causas cardiovasculares, infarto do miocárdio não fatal ou acidente vascular encefálico (AVE) não fatal.A13 A liraglutida, acrescentada aos cuidados habituais, também resultou em menor taxa de desenvolvimento e progressão da doença renal diabética, em comparação com placebo.A14 De modo semelhante, a semaglutida administrada semanalmente (0,5 ou 1,0 mg), reduz significativamente a taxa de morte cardiovascular, o infarto do miocárdio não fatal, o AVE não fatal e, talvez, até mesmo a taxa de mortalidade global em pacientes com DM2 que correm alto risco cardiovascular.A15,A15b Foi também relatada melhora dos desfechos renais com o uso de semaglutida. Dulaglutida (0,75 mg, 1,5 mg, 3,0 mg ou 4,5 mg/semana) também consegue reduzir os desfechos cardiovasculares adversos.A15c Como grupo, esses agentes reduzem as taxas de mortalidade cardiovascular e por todas as causas em aproximadamente 12%.A15d Eles também conseguem promover perda ponderal final de aproximadamente 6 pontos percentuais em pacientes obesos com DM2.A15e Foi constatado aumento do risco de pancreatite aguda com agonistas do GLP- 1 (e inibidores de DPP-4; ver adiante), porém a magnitude do risco é incerta e exige pesquisas adicionais. Foi observado aumento da hiperplasia de células C e do câncer medular da tireoide em animais de laboratório, porém a relevância disso nos seres humanos não foi elucidada. Terapias baseadas em incretina/inibidores da DPP-4 Os inibidores da dipeptidil peptidase 4 (DPP- 4), uma serinoprotease ubíqua, atuam na prevenção da degradação do GLP-1 endógeno, prolongando,assim, seus efeitos. Os inibidores da DPP-4, incluindo a sitagliptina (100 mg/dia), saxagliptina (2,5 a 5 mg/dia) e linagliptina (5 mg/dia), são administrados por via oral em dose única diária. À semelhança dos agonistas do GLP- 1, esses fármacos raramente provocam hipoglicemia; entretanto, eles geralmente são neutros em relação ao peso e causam menos efeitos colaterais gastrintestinais. Em um ensaio clínico randomizado de grande porte de pacientes com DCV preexistente, a sitagliptina não teve nenhum efeito sobre futuros eventos cardiovasculares.A16 Metanálise de rede mostrou que o uso de agonistas do GLP-1 (ver anteriormente) ou de inibidores do SGLT2 (ver adiante) está associado a menor mortalidade por todas as causas em pacientes com diabetes tipo 2 do que os inibidores da DDP-4 ou placebo ou ausência de tratamento.17 A preocupação sobre o risco potencial de pancreatite e de câncer medular de tireoide também foi levantada, porém não foi confirmada; entretanto, em uma pequena porcentagem de pacientes, podem ocorrer dor articular intensa e reações cutâneas (penfigoide bolhoso). Inibidores do cotransportador de sódio-glicose 2 Canagliflozina (100 mg/dia antes da primeira refeição do dia, aumentando até 300 mg/dia em pacientes que precisam de controle glicêmico adicional), dapagliflozina (5 mg/dia pela manhã, aumentando para 10 mg em pacientes que precisam de controle glicêmico adicional), empagliflozina (10 mg/dia, aumentando para 25 mg/dia conforme a necessidade e a tolerância) e ertugliflozina (5 mg/dia e aumentando para 15 mg/dia caso seja necessário) são inibidores do cotransportador de sódio e glicose 2 (SGLT 2) no túbulo renal proximal. Essa inibição impede a reabsorção da glicose filtrada e resulta em glicosúria, que é acompanhada de diurese osmótica leve, perda de peso modesta e redução da HbA1c. O efeito adverso mais comum consiste em aumento das infecções genitais micóticas; foi também relatada a ocorrência de hiperpotassemia, infecções das vias urinárias e redução da pressão arterial. Outros efeitos adversos incluem risco aumentado de cetoacidose diabética17b e, no caso da canagliflozina, amputação de membro inferior. Em grandes estudos randomizados de pacientes com DM2 que corriam risco elevado de eventos cardiovasculares, a canagliflozina, a empagliflozina, a sotagliflozina e a dapagliflozina reduziram o número de morte por doença cardiovascular e por todas as causas em até 32% quando adicionadas aos cuidados padronizados, A17-A17c,A18 sotagliflozina e dapagliflozina reduzir a taxa de mortalidade por todas as causas em até 30% em pacientes com DRC . A18b,A18c Inibidores do cotransportador de sódio e glicose 2 também reduzem o risco de hospitalização por causa de insuficiência cardíaca, com a dapagliflozina sendo eficaz em pacientes com e sem diabetes melito. A18d Ertugliflozinaa é, para fins de comparação, não inferior ao placebo em termos de desenvolvimento futuro de eventos cardiovasculares importantes em pacientes com DCV AS preexistente, mas não se mostrou superior. A18e Empagliflozina, dapagliflozina e canagliflozina parecem prevenir o declínio da função renal em pacientes com DCV AS ou em risco de DCV AS, embora a posologia de todos esses agentes é reduzida em pacientes com GFR é seu potencial de indução de hipoglicemia porque a secreção de insulina seja qual for o nível plasmático de glicose. Ganho ponderal modesto também é comum. Os resultados de um estudo realizado na década de 1970 (University Group Diabetes Program) sugerem que as sulfonilureias aumento o risco de eventos cardiovasculares e morte. Esses achados não foram confirmados em outros estudos, mas ainda há controvérsias. Apesar disso, as sulfonilureias estão entre os agentes hipoglicemiantes mais utilizados. Glinidas Repaglinida (0,5 a 4 mg antes das refeições, não exceder 16 mg/dia) e nateglinida (120 mg 3 vezes/dia, 1 a 30 minutos antes das refeições) são secretagogos de insulina não sulfonilureia quimicamente distintos que também se ligam ao canal de potássio ATP- sensível na membrana das células beta. O início e a duração da ação são muito menores do que os das sulfonilureias e a frequência de hipoglicemia em jejum é menor. Repaglinida e nateglinida são administrados por via oral antes das refeições e isso os torna um pouco menos convenientes do que medicamentos de dose única diária, mas são potencialmente melhores para pacientes com horários alimentares inconsistentes. Tiazolidinedionas As tiazolidinedionas, que incluem rosiglitazona e pioglitazona, melhoram a captação de glicose mediada por insulina e reduzem a produção hepática de glicose. Elas se ligam a um receptor nuclear, receptor ativado por proliferador de peroxissoma γ, e, assim, regulam a transcrição de vários genes envolvidos no metabolismo de carboidratos e lipídios. A terapia com tiazolidinedionas exerce efeitos significativos no tecido adiposo, reduzindo a lipólise, aumentando a massa de gordura e provocando redistribuição da gordura dos depósitos viscerais para os depósitos subcutâneos. A elevação dos níveis circulantes de adiponectina, uma adipocina com propriedades anti-inflamatórias e sensibilizadoras à insulina, também influenciaria o efeito hipoglicemiante desses fármacos. As tiazolidinedionas são administradas por via oral em dose única diária. Efeitos adversos comuns incluem ganho ponderal e retenção de líquido, inclusive precipitação ou agravamento de insuficiência cardíaca congestiva. Há também relatos de aumento de fraturas em mulheres após a menopausa e do risco de câncer de bexiga urinária. Os efeitos tóxicos cardiovasculares potenciais da rosiglitazona ainda são objeto de controvérsia e seu uso é restringido em muitos países; esses efeitos não foram observados com a pioglitazona. Outros agentes farmacológicos Inibidores do SGLT2 A canagliflozina, a dapagliflozina e empagliflozina são inibidores do cotransportador de sódio e glicose 2 (SGLT2) no túbulo renal proximal. Essa inibição impede a reabsorção da glicose filtrada e resulta em glicosúria, que é acompanhada de diurese osmótica leve e perda de peso modesta. O efeito adverso mais comum consiste em aumento das infecções genitais micóticas; foi também relatada a ocorrência de hiperpotassemia, infecções das vias urinárias e redução da pressão arterial. Outros efeitos adversos incluem aumento do risco de cetoacidose diabética e, no caso da canagliflozina, amputação das extremidades inferiores. Em ensaios clínicos randomizados de grande porte de pacientes com diabetes tipo 2 com alto risco de eventos cardiovasculares, a empagliflozina e a dapagliflozina reduziram a mortalidade cardiovascular e a mortalidade por todas as causas em 32% quando acrescentadas aos cuidados padrões.A17,A17b Foi relatado um benefício cardiovascular semelhante com a canagliflozina, porém com maior risco de amputação, principalmente do hálux ou no nível dos metatarsos,A18 e ambos os fármacos parecem impedir o declínio da função renal. Entre pacientes com evidências de DRC (albuminúria e/ou eTFG de 30 a 90 mℓ/minuto), a canagliflozina pode reduzir em 30% o risco de desfechos renais adversos.A19 Outros fármacos A acarbose e o miglitol são inibidores das enzimas alfaglicosidase do lúmen intestinal. São administradas com as refeições para retardar a absorção de carboidratos. Os efeitos colaterais gastrintestinais (p. ex., flatulência e distensão) são comuns e limitam o seu uso. A pranlintida, a bromocriptina e o colesevelam também foram aprovados para o tratamento do diabetes tipo 2. Entretanto, não são utilizados com frequência, devido aos efeitos colaterais e às propriedades modestas de redução da glicemia. Insulinoterapia O tratamento com insulina pode ser considerado em pacientes com diabetes tipo 2 em qualquer momento da evolução da doença, embora normalmente seja utilizado após o “fracasso” dos tratamentos orais ou de outros tratamentos não insulínicos. A insulina também pode constituir o tratamento preferido em situações específicas, como durante hospitalizações (particularmente no período peroperatório) ou na gravidez. Diferentemente dos pacientes com diabetes tipo 1, os pacientes com diabetes tipo 2 podem ser adequadamente controlados com insulina basal isoladamente ou em associação com outras medicações antidiabéticas. A insulina basal é utilizada com frequência em combinação com medicações orais (p. ex., metformina, inibidores da DPP-4) ou agonistas do GLP-1 (p. ex., exenatida, liraglutida). Entretanto, refletindo a heterogeneidade do diabetes tipo 2, alguns pacientes podem necessitar de reposição de insulina fisiológica, semelhante àquela utilizada no diabetes tipo 1, e a terapia com bomba de insulina constitui uma opção segura e valiosa em pacientes que, de outro modo, necessitam de múltiplas injeções diárias.A20 As necessidades diárias de insulina tendem a ser mais altas em pacientes com diabetes tipo 2 em comparação com o tipo 1, refletindo a existência de resistência à insulina. O uso de preparações de insulina concentrada (degludeca 200 U, glargina 300 U, regular 500 U, lispro 200 U) podem ser úteis para pacientes resistentes à insulina que necessitam de doses de insulina superiores a 100 unidades por dia. Entre os pacientes com diabetes tipo 2 com alto risco de eventos cardiovasculares (ECV), a degludeca não é inferior à glargina no que diz respeito à incidência de ECV importantes e reduz o risco de hipoglicemia sintomática. A insulina icodec é uma formulação experimental que é aplicada uma vez por semana e apresenta eficácia e segurança equivalentes às das formulações de uso diário.A20b A seção sobre insulinoterapia no diabetes tipo 1 (anteriormente) e a Tabela 216.5 fornecem informações sobre as preparações e os esquemas de insulina disponíveis. SPINDORME As anormalidades metabólicas associadas ao diabetes tipo 2 estão ilustradas na Figura 41.18 e incluem: 1. Resistência à insulina 2. Anormalidade na secreção de insulina pelas células betapancreáticas 3. Aumento da produção de glicose pelo fígado. Cada vez mais evidências indicam que a resistência à insulina não somente contribui para a hiperglicemia em pessoas com diabetes tipo 2 como também pode desempenhar um papel em outras anormalidades metabólicas. Estas incluem obesidade, níveis altos de triglicerídios plasmáticos e níveis baixos de lipoproteínas de alta densidade (HDL), hipertensão, inflamação sistêmica (conforme detectada por meio da proteína C reativa [PCR] e de outros mediadores), fibrinólise anormal, função anormal do endotélio vascular, e doença macrovascular (doença arterial coronariana, vascular cerebral e arterial periférica). Essa constelação de anormalidades com frequência é denominada síndrome de resistência à insulina, síndrome X ou síndrome metabólica, sendo esse último o termo preferido. *Pessoas obesas apresentam aumento da resistência à ação da insulina e comprometimento da supressão da produção de glicose pelo fígado, o que resulta tanto em hiperglicemia quanto em hiperinsulinemia. O tipo de obesidade é uma consideração importante no desenvolvimentodo diabetes tipo 2. Pessoas com obesidade na parte superior (ou central) do corpo têm risco aumentado de desenvolvimento de diabetes tipo 2 e distúrbios metabólicos, comparativamente às que apresentam obesidade na parte inferior (ou periférica) do corpo. A circunferência da cintura e a razão cintura-quadril (RCQ), que são determinações substitutas da obesidade central, demonstraram forte correlação com a resistência à insulina. Uma perda de 5 a 10% do peso corporal tem o potencial de melhorar a resistência à insulina e reduzir os níveis glicêmicos.1,2,55 SINAIS E SINTOMAS DE HIPERGLIMMECIA