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História da infância
Abordaremos a construção social do conceito de infância por meio de uma contextualização histórica. Para
isso, destacaremos as suas especificidades no Brasil, país permeado por desigualdades sociais que
influenciam na caracterização dela em suas diferentes nuances. Por fim, discutiremos os marcos legais
para a constituição da infância no país.
Prof.ª Jade Dias
1. Itens iniciais
Propósito
Conhecer a história da infância significa apontar questões que definem a construção da nossa sociedade. Isso
favorece um entendimento das modificações ocorridas ao longo do tempo sobre esse tópico, além de ampliar
a visão da criança em seu papel social. Esse conhecimento também favorece a compreensão dos avanços na
legislação e a problematização de possíveis afastamentos e aproximações entre diferentes períodos
históricos, destacando as diferenças que ainda permeiam a diversidade de infâncias no contexto brasileiro.
Objetivos
Explicar a construção social do conceito de infância ao longo do tempo no Brasil.
Identificar as diferenças históricas sobre a ideia de criança no Brasil.
Reconhecer marcos legais importantes na construção histórica da ideia de infância no Brasil.
Introdução
Assista agora a uma apresentação da professora Flávia Miguel – historiadora que atua há 15 anos na formação
de professores do ensino superior – sobre a história da infância, permitindo que você entenda um pouco mais
sobre os caminhos que passa a trilhar. 
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
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1. A infância no Brasil
A construção social do conceito de infância
Quando pensamos na palavra história, comumente a atrelamos à ideia de um passado distante.
Rememoramos, portanto, momentos que marcaram nossa jornada ou que nos impactaram de alguma maneira,
concorda?
Em alguns casos, recordamos situações que aconteceram: sentindo cheiros e sabores, fazemos comparações
entre a ideia de uma “era que já se foi” e “tempo de hoje”.
Quando entramos em contato com a palavra infância, esmiuçamos um pouco mais as lembranças de nossas
histórias, aludindo a um período específico de nossas vidas delimitado pela idade (desde o nascimento até o
que chamamos de adolescência).
Esse movimento de refazer caminhos da memória, estabelecendo conexões entre passado e presente (ou da
infância à vida adulta), nem sempre foi tão simples assim. 
A infância, da maneira que a idealizamos ou discutimos hoje em dia, nem sempre existiu. 
Nesse ínterim, destaca-se o trabalho e o papel da História: ao recuperar imagens e informações, você poderá
perceber que o entendimento e a vivência sobre o que é chamado de infância foi, ao longo do tempo,
constituído de elementos bem diversos.
Você sabia que a ideia de infância muda com o tempo, o espaço e as tradições familiares?
Faça um exercício de reconhecimento. Busque registros
fotográficos de seus antepassados (pais, avós ou bisavós)
quando eram mais novos. Repare em suas vestimentas,
procurando saber sobre suas vivências na infância e como
era a relação deles com os adultos. Reuna as informações
coletadas, comparando-as ao presente.
As diferenças não se limitam às mudanças nos costumes e
nas roupas: antigamente, a própria visão sobre a criança
também era diferente. Em determinados contextos, ela
aparecia como um "miniadulto". Essa visão permeava os
contextos sociais da época, forjando uma noção de infância modificada ao longo dos anos.
Miniadulto
De caráter histórico, a imagem do miniadulto ainda está muito presente no chamado senso comum. Em
sociedades tradicionais, as crianças comumente não eram vistas de maneira específica; afinal, um
infante precisava ser preparado para a sua inserção no mundo adulto. Dessa forma, nos antigos e
primeiros manuais de educação, havia constantemente a seguinte apresentação: até os oito anos, a
criança estava sob a responsabilidade da mãe – especialmente em sociedades ocidentais –, momento
em que deveria aprender os “modos”, ou seja, como comer, obedecer, se vestir e se alimentar. Depois
disso, meninos passavam a sofrer uma influência masculina: vestidos como o pai, tinham de reproduzir o
que ele fazia até aprender isso. Se não estivessem com ele, ficavam com os outros meninos para crescer
e se desenvolver. Já as meninas estavam restritas aos afazeres domésticos: preparadas para o
casamento, elas, futuras esposas, deviam cuidar das crianças mais novas.
Você, por exemplo, pode ter ouvido histórias de algumas crianças cujo passado foi maravilhoso, sendo
protegido e vivenciado de uma forma especial. Crianças que tinham uma verdadeira rede de proteção social e
um quadro de projeção de futuro e investimento familiar. No entanto, também irá conhecer histórias tristes
sobre outras que trabalhavam efetivamente ou viviam processos migratórios, sofrendo com isso. Ainda há
aquelas cuja infância foi negada ou destruída pelos motivos mais diversos. O que você vai descobrir, a partir
de agora, é que o estudo sobre a infância é algo muito mais complexo.
Comentário
Os estudos desenvolvidos a partir do século XX articulavam campos, como, por exemplo, a Sociologia, a
Filosofia, a História, a Antropologia e a Psicologia. Tais estudos ajudaram a desenvolver uma noção de
infância que não se limita apenas à idade, mas também a um contexto histórico e social que circunda a
vida das crianças menores. Eles defendem, enfim, que esses contextos constituem e forjam uma
identidade para elas. Contudo, tal conquista ainda é recente. O aprofundamento desses estudos
permitiu que a visão da criança como um sujeito de direitos fosse discutida e cada vez mais corroborada. 
Multidisciplinaridade
No vídeo, a seguir, veja uma roda de conversa com os professores Allan Rodrigues, Camila Machado e Simone
Berle. Eles estabelecem como a multidisciplinaridade adiciona novas camadas e ressignifica o entendimento
sobre a infância e sobre o próprio conceito de criança.
Conteúdo interativo
Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
Na década de 1970, os estudos de Philippe Ariès embasaram, na América e na Europa, as discussões sobre a
infância a partir de seu contexto social e histórico.
Mas, afinal, o que isso queria dizer?
Especialmente na obra História social da criança e da família, de 1981, Ariès evidenciou a importância de
observarmos as necessidades específicas referentes à idade das crianças, um dos fatos mais importantes
para consolidar ideia de infância.
História social da criança e da família
Em História social da criança e da família, Ariès mostra como a sociedade muda quando as atitudes
daqueles que a compõem se modificam. Seu argumento baseia-se na ideia de que, a partir do século
XVIII, o compromisso dos pais com seus filhos, antes que a criança se tornasse adulta, nasceu com o
controle da natalidade e o declínio da fecundidade. A alta mortalidade incentivava uma excessiva
atenção materna e paterna.Na sociedade medieval, destaca Philippe Áries, o conceito de infância sequer
existia, porém isso não significa que suas crianças eram negligenciadas, abandonadas ou desprezadas.
Esse conceito não deve ser confundido com a atenção aos filhos; na verdade, ele corresponde a uma
tomada de consciência – até então inexistente – da criança em particular. O autor aborda a importância
das brincadeiras, as pequenas escolas, o ensino diferenciado e a "invenção" da infância a partir do
momento em que as mulheres passam a ter menos filhos, tendo eles uma sobrevida maior em relação a
épocas anteriores. A criança, portanto, é primordialmente um ser distinto do adulto, possuindo valores
próprios, como fantasia, ingenuidade e ludicidade.
Relacionar algumas especificidades a um determinado momento da vida não era algo tão natural naquela
época; por isso, o autor foi considerado um dos precursores da discussão.
Ariès analisou algumas imagens de famílias europeias na Idade Média, destacando modificações
evidenciadas ao longo do tempo. 
Como podemos ver nas duas imagens a seguir, a passagem do tempo demonstra como a relação com a
criança se modificou.Estudos como o de Ariès ajudaram a criar uma nova dinâmica de entendimento sobre o conceito de criança.
Nota-se que a passagem dos anos cristalizou tais mudanças na própria percepção dos pais, da sociedade e
do sistema educacional sobre o que é uma criança. Por isso, seus estudos foram tão importantes para essa
abordagem. A partir disso, começam a ser debatidas questões como:
Até que idade dura a infância e quando começa a adolescência? Quando um adulto se torna senhor
de si?
Atualmente, isso pode parecer natural para você; afinal, todos sabemos a idade necessária para abrir uma
conta, atingir a maioridade penal ou poder participar de cada série escolar. Isso definitivamente está
cristalizado em nossa mente, mas tais visões surgiram apenas nas décadas de 1960 e 1970.
Vamos percorrer os caminhos delineados por Ariès:
Seus estudos sobre a infância buscavam perceber, pela análise de determinadas imagens, alguns elementos
específicos, como o fato de as crianças estarem vestidas como adultos. O autor compreendia que isso, além
de outros fatores, simbolizava uma ausência do “sentimento de infância”.
A partir de seus estudos, podemos conceber um contexto histórico em que diferentes conceitos de infância
foram desenvolvidos. Mesmo sendo modificados pelo tempo, eles são vitais para a concepção de uma
sociedade.
Contexto histórico
O conceito de infância pode ser considerado historicamente recente. Os estudos sobre a sua história podem
abarcar três concepções:
Criança adulto
Nesta concepção, que tem origem na Idade Média, a criança era vista como um “miniadulto”. As necessidades
específicas da faixa etária sequer eram pensadas. 
Ela era tratada somente como um pequeno ser que logo se desenvolveria para exercer suas funções na
sociedade.
O sentimento de infância, como conhecemos atualmente, não existia naquele momento. Às crianças, eram
ensinados saberes necessários para que elas se tornassem adultos civilizados.
Comentário
Ser considerado um “miniadulto” significa não receber nenhum tipo específico de atenção. As crianças,
portanto, tinham o mesmo tratamento conferido aos adultos, participando da vida social ao lado deles.
Elas só exigiam alguns cuidados até o momento em que conseguissem realizar suas atividades por conta
própria.À exceção dos recém-nascidos, que eram responsabilidade absoluta da mãe e cuja morte
normalmente lhe gerava uma penalidade, as crianças que superavam a chamada primeira infância (até os
três anos de idade) não recebiam nenhum favor em termos de cuidado e educação; logo, elas não
estavam poupadas de castigos físicos, assim como não eram incomuns iniciações sexuais e abusos
tremendamente precoces. Normalmente criticados pela Igreja, eles eram considerados uma
manifestação de práticas rústicas. 
O reflexo disso pode ser percebido nas histórias de muitos idosos; segundo seus relatos, desde muito
pequenos eles eram responsáveis por cuidar da casa e de seus irmãos mais novos, assim como iniciavam no
mercado de trabalho ainda crianças.
Na Idade Média, era muito comum o infanticídio; desse modo, a alta taxa de mortalidade de crianças era uma
questão marcante. As famílias encaravam a perda dos filhos como algo natural, pois logo eles poderiam ser
substituídos por outros.
Infanticídio
O termo refere-se à morte de crianças – em geral, as recém-nascidas. São entendidas como formas de
infanticídio as mortes daquelas que nasciam com defeitos, fracas ou com marcas, cujas mães reagiam
com depressão ou tinham dificuldade de fornecer leite, além de outras ações que poderiam ser evitadas.
Ainda havia situações mais corriqueiras que podiam ser fatais, como baixa de temperatura, falta de
higiene, intoxicação, pequenos ferimentos etc.
Criança institucional
Na segunda concepção, a criança passa a ser compreendida como um indivíduo institucional que necessita de
cuidados específicos para cada faixa etária que são essenciais para seu desenvolvimento.
Segunda concepção
Temporalmente percebida na pesquisa de Philippe Ariès sobre a segunda metade do século XVI, esta
concepção perpetuou-se ao longo dos séculos seguintes. Muitos autores posteriores chamam este
período de momento da formação da família moderna, cujos núcleos menores e segmentados em casas
diversas justificam a adoção de cômodos específicos para adultos e crianças. Ariès também destaca que
este modelo não invalida a existência do anterior, constituindo um fenômeno de tentativa de
transposição das famílias burguesas para modelos e costumes da corte.
Neste período, ela começa a ser concebida como filho(a) e aluno(a), passando a ser tratada como criança de
fato.
Regressemos um pouco mais na história para compreendermos como tal sentimento foi se desenvolvendo. Na
França do século XVII, a inocência e a fragilidade são adjetivos que passam a acompanhar essa ideia,
forjando, desse modo, o que viria a ser entendido como “sentimento de infância”. No período, por exemplo,
passam a ser produzidas vestimentas específicas para o público infantil.
Comentário
A ideia de amor materno e da importância dos sujeitos por si só – e não por suas funções sociais
desempenhadas – é uma questão cujo desenvolvimento foi operado na sociedade ao longo do tempo.
No final do século XVIII, por exemplo, o cuidado com os filhos já é uma realidade em muitos lares. A partir
de sua ligação com a mulher, a maternidade coloca as crianças em evidência. O ato de cuidar, até então
função das “amas de leite”, agora constitui uma tarefa pertinente às mães de cada criança. 
A dependência dos adultos surge aí como mote para a construção da criança como centro de atenção das
famílias. Ela é entendida como um sujeito que requer esforços de terceiros para poder se tornar um adulto
considerado civilizado.
Embora reconhecida institucionalmente em suas especificidades, a criança ainda é considerada o sujeito da
“falta”; afinal, para ela se tornar um cidadão, falta-lhe conhecimento sobre o mundo e as suas regras. Por isso,
a escolarização é valorizada.
Nesta concepção, a família moderna, núcleo institucional que acolhe essas crianças, evoca questões sobre o
controle da população e as relações de poder que reverberam um ideal de criança – e, desse modo, as
relações estabelecidas para e com elas. Entendidos como seres irracionais que precisavam ser “preenchidos”
e moldados de acordo com as exigências da sociedade, os infantes passaram a desenvolver um papel que
constituía um ideal de futuro; por isso, sua vida precisava ser preservada, acentuando um olhar agora mais
atento para as questões ligadas à saúde e à educação.
Saiba mais
Para aprofundar seus conhecimentos, pesquise na internet e leia a resenha Família na
contemporaneidade: mudanças e permanências, de Carolina M. B. de Souza (2008). 
O estudo específico desta etapa trouxe à tona a preocupação com a escolarização dos menores. Um ideal de
universalização do ensino começava a ser traçado em consonância com a (já citada) construção de um
cidadão. Consequentemente, as crianças foram se afastando cada vez mais de seus papéis ocupados nos
postos de trabalho, embora saibamos que infelizmente o trabalho infantil ainda é uma realidade em nosso
país.
O sentimento de infância então passou a ser compreendido como uma característica específica que envolvia
tanto as relações entre família e criança quanto a visão dela como alguém que difere dos adultos, exigindo,
portanto, cuidados específicos e atenção para determinados aspectos em detrimento de outros.
Criança social
A partir do século XIX, surge uma terceira maneira de conceber a criança: percebida como um sujeito de
direitos, ela se torna um ser social. 
Para isso, é preciso garantir seu desenvolvimento integral por intermédio de legislações que conferem ao
Estado a responsabilidade de oferecer a escolarização. Passam a ser consideradas as potencialidades das
crianças, que devem ser ativas, participativas e comunicativas, se desenvolvendo em sua relação com o
mundo.
Traçaremos um pequeno histórico sobre essa transformação para ilustrar o aparecimento dacriança social.
Nota-se que, no século XIX, havia múltiplas visões sobre ela.
Destaca-se a criança que:
É a trabalhadora representada nas cidades no dia a dia;
Vive nos seios das famílias de classe média.
Torna-se objeto da Psicologia;
Possui uma educação que é vista como uma ciência que tenta perceber a forma como ela aprende;
Pertence à elite, preparada e direcionada para se tornar um grande líder.
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Diante desses casos, ela deixa de ser um elemento auxiliar e passa a figurar nas discussões da ordem do dia,
justificando, pouco a pouco, estudos, percepções, direitos e proposições na construção desses “seres”.
É por isso que passamos a entender a existência de um universo infantil próprio, ainda que não sistematizado.
A percepção sobre essas pesquisas e as transformações vividas é um dos méritos da pesquisa de Ariès.
A criança social é fruto de uma percepção importante de mundo. O século XX é denominado século da
infância pela maneira como ela passa a ser trabalhada e vivenciada. A criança (ou infância) social indica a
visão sobre esse período da vida como um meio próprio para ela estar no mundo.
Senso comum e concepção de criança
No vídeo a seguir, o professor Rodrigo Rainha nos ajuda a entender a relação entre Senso Comum e a
concepção de criança no século XX
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Tendência
Exercitemos um pouco nosso pensamento: 
Você consegue perceber resquícios e elementos dessas formas de tratar a infância no seu dia-a-
dia?
Vamos pensar na educação dos meninos e na maneira como, via de regra, suas querelas devem ser
solucionadas.
Quem já viu ou ouviu alguém reproduzir diante de uma
criança a expressão: Homem não chora? Ou ainda algo mais
grosseiro e violento, como: “Se você apanhar na rua, vai
apanhar novamente quando chegar a casa.”
Para muitos, isso pode parecer uma realidade distante; no
entanto, ainda é muito recorrente, evidenciando um traço
de nossa sociedade.
Você consegue fazer um link dessa forma de “educarmos”
nossos meninos com a história da infância? 
Atenção
O processo de “adultização” tão discutido e presente – ainda que detentor de uma concepção bastante
tóxica sobre o que é ser homem – é a chave desta resposta. 
Você entende os debates sobre a condenação de uma criança por seus crimes? Conhece a crítica que o
Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) recebe por não permitir que os pais tomem determinados
comportamentos?
Estes são alguns exemplos pertinentes para perceber que estudar História é notar o quanto suas camadas
não jazem em um passado longínquo; em vez disso, elas dialogam com o nosso cotidiano.
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
A infância em sociedades tradicionais
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Infância na modernidade
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Infância na ordem burguesa
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Verificando o aprendizado
Questão 1
De acordo com os estudos de Philippe Ariès sobre a concepção de infância na Idade Média, podemos afirmar
que:
A
As crianças sempre foram compreendidas como indivíduos que possuem suas especificidades, havendo uma
preocupação integral com elas.
B
Os estudos sobre a infância sempre foram bem desenvolvidos, permitindo uma boa compreensão do que é ser
criança e do que ela necessita para se tornar uma boa cidadã.
C
O sentimento de infância foi desaparecendo, pois as crianças se interessam cada vez mais pelo mundo adulto.
D
A compreensão da criança como ser social e histórico, que se difere do adulto e possui especificidades, se
desenvolve a partir da década de 1970 ao perceber as particularidades das diferentes faixas etárias
E
Embora a compreensão da criança como um ser diferente do adulto, já existisse desde o séc. XIX, foi com
Philippe Ariès que se iniciaram os estudos sobre a infância.
A alternativa D está correta.
A compreensão da criança como um ser diferente do adulto, que possui diferentes particularidades e
demandas, se desenvolve, de acordo com Philippe Ariès, a partir da década de 1970, quando começam
surgir estudos sobre a infância.
Questão 2
Na família moderna, as crianças passam a ser relacionadas à construção do ideal de futuro. Para a
compreensão de infância, isso não implica diretamente em:
A
Mais crianças ocupando postos de trabalho para dar um bom futuro às suas famílias.
B
Maior preocupação com as questões de saúde.
C
Investimento na educação das crianças.
D
Universalização do acesso à educação.
E
Por ser compreendida como o futuro do país, ela requer mais cuidados que em séculos anteriores.
A alternativa A está correta.
Com a compreensão sobre a infância, passa-se a valorizar o acesso da criança à escola e cresce a
preocupação com as questões de saúde; compreendida como o futuro do país, ela requer mais cuidados.
2. Diferenças sobre a ideia de criança
As crianças do Brasil
Ao estudar o desenvolvimento da ideia de criança e infância no Brasil, precisamos estar atentos a algumas
especificidades ocorridas em nosso país.
Há diferentes maneiras de vivenciar as infâncias. Realidade em vários países, no Brasil ela não se justifica
apenas por questões históricas e culturais. Em nosso território, ela opera de acordo com a classe social e
etnia, dado o grande número de crianças negras e indígenas cujos antepassados foram escravizados.
Desigualdade urbana
Uma parte de nossa sociedade é composta por classes menos
privilegiadas que frequentam meios urbanos. Estudando em escolas
públicas ou particulares de baixo custo, seus filhos acabam tendo acesso
limitado aos bens de consumo por condições financeiras.
Realidade paralela
Mesmo influenciados por elementos da cultura popular, outros
segmentos sociais vivem em uma realidade absolutamente inimaginável
para a maior parte da população.
Marginalização social
A gama de marginalização brasileira constitui um traço fundamental de
nossa sociedade. Nossas crianças são impactadas pela completa falta de
suporte e saneamento, além de um campo marcado por conflitos e
desigualdades sociais.
As escolhas para nossa exposição são teórico-metodológicas. Para isso, nos basearemos na perspectiva da
educação decolonial, já que ela busca lidar com as nossas mazelas. Nosso objetivo é indicar maneiras de se
reconhecer as características desse passado colonial, observando como elas nos marcam e reestruturam a
nossa formação.
A concepção sobre a criança no Brasil é muito influenciada por tais perspectivas; afinal, fomos colonizados
política, social e economicamente pelos europeus.
Vista como adulto, o infante inserido no mercado de trabalho é o centro de atenção das famílias. 
Negros e indígenas compõem as múltiplas facetas dessa noção de criança que ainda carrega as marcas das
diferenças que sempre permearam a história da infância. Embora devamos levar em consideração o fato de
que, no Brasil, tal história se assemelha muito à da Europa em termos teóricos e conceituais, a perspectiva de
desnaturalização do sujeito e a exploração escravista acabam por merecer alguns destaques e um olhar mais
atento.
Um dos aspectos importantes nessa discussão é a diferenciação entre os termos “infância” e “criança”.
Observe o texto, a seguir, de Sarmento (2005).
Apesar de, na maioria das vezes, serem apresentadas como sinônimos, a sociologia da infância
compreende a infância como categoria social e criança, como o sujeito pertencente a ela.
Saiba mais
Categoria social é um conjunto de agentes que, a despeito das diferentes origens de classe, é capaz de
atuar politicamente como uma unidade e de maneira relativamente autônoma, respeitando os interesses
das classes das eles quais se originam. 
Desse modo, podemos destacar as múltiplas infâncias que constituíram a história no Brasil, salientando as
especificidades que abarcavam (e ainda abarcam) as inúmeras que faziam partedaqueles grupos. 
História do Brasil e a infância
No vídeo a seguir, para entendermos um pouco mais sobre a relação entre a história do Brasil e a questão da
infância, vamos assistir a mais um pouco da conversa entre os professores Allan Rodrigues, Camila Machado e
Simone Berle.
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Acesse a versão digital para assistir ao vídeo.
No Brasil, não existe um modelo de criança, e sim dezenas de modelagens estruturais de crianças. Podemos,
contudo, identificar um traço comum segundo o entendimento das propostas que aproximam a história desse
conjunto.
Se, no entanto, tendo em vista uma perspectiva decolonial, desejarmos refletir sobre uma história da criança
no Brasil, deveremos trilhar o caminho oposto, nos concentrando em uma concepção genérica. A música
infantil, aliás, lida com essa mazela.
Música infantil
O cunho educativo da música voltada para o público infantil tem reforçado essa visão. O grupo Palavra
Encantada, por exemplo, expressa tal viés em músicas como Criança não trabalha (PauloTatit / Arnaldo
Antunes).
Exploração e trabalho infantil
Discutir sobre a criança no Brasil é falar sobre a naturalização do trabalho infantil. No período de colonização,
a exploração de crianças negras e indígenas era comum.
A questão religiosa trazida para o país impactou não só a vida dos adultos, mas a dos infantes
também.
É possível que você esteja se perguntando: de que maneira isso ocorreu? 
Companhia de Jesus
Congregação religiosa, ligada à Igreja Católica, que via na educação catequético do nativo – que incluía
trabalhos manuais, aprendizagem da língua latina e portuguesa, uso de instrumentos musicais – um
caminho civilizatório. O filme A Missão, de Roland Joffé, mostra como havia contradições nesse
processo.
Entre 1500 e 1800, as crianças passaram pelo processo de catequização realizado pelos jesuítas por serem
consideradas mais acessíveis que os adultos, especialmente em termos de doutrinação religiosa. 
Atividades que envolviam o trabalho com as crianças eram predominantemente comandadas pela Companhia
de Jesus. No intuito de preservar a vida dos filhos, alguns pais aceitavam a relação estabelecida entre eles e
os jesuítas, o que, no caso, não impedia a sua escravização.
 Companhia de Jesus
Congregação religiosa, ligada à Igreja Católica, que via na educação catequético do nativo – que incluía
trabalhos manuais, aprendizagem da língua latina e portuguesa, uso de instrumentos musicais – um
caminho civilizatório. O filme A Missão, de Roland Joffé, mostra como havia contradições nesse
processo. 
Saiba mais
Para adensar a discussão, apresentando um contraponto a esse conteúdo, indicamos a leitura da
dissertação intitulada O olhar dos jesuítas sobre a cultura indígena no Brasil – Século XVI, de Flávia Emília
Zanini (2014). 
Ignorando aspectos culturais das crianças indígenas, os colonizadores consideravam atrasados todos os
outros povos que habitavam o país, não demonstrando interesse em preservar suas tradições culturais ou lhes
oferecer educação e assistência. Desse modo, a ausência de escolas e o trabalho escravo eram justificados
por um discurso que colocava essas pessoas à margem da sociedade estabelecida na época.
Dentro dela, a exploração infantil ocorria da seguinte forma:
Crianças nativas
Novamente compreendidas sob uma visão servil, as crianças nativas tinham sua força de trabalho
utilizada por senhores de escravos (órfãos ou não).
Crianças do continente africano
Juntamente com os indígenas, as crianças vindas do continente africano eram comercializadas e, na
maioria das vezes, separadas de seus familiares. A relação entre infância, adolescência e vida adulta
era subvertida pela lógica da utilidade de sua força de trabalho.
Crianças de famílias mais abastadas
Estas crianças vivenciavam outra realidade. Para as meninas, predominava a preocupação com o
ensino de tarefas domésticas. Já para os meninos, prevalecia o trato com escravos – assunto “de
homem”, que envolvia gerenciamento das questões do engenho. A adultização era um mecanismo
evidente em ambos os gêneros.
Nesse contexto, com a necessidade de estabelecer vínculos na tentativa de proteger tais sujeitos, a
ideia de “apadrinhamento” surgiu a fim de manter a relação e garantir a permanência entre aqueles
pares, ainda que isso não implicasse o impedimento do trabalho escravo.
Crianças nascidas em classes menos favorecidas no país
Estas crianças, que não eram denominadas indígenas ou africanas, também não recebiam tratamento
diferenciado. Assim, reiterava-se nos diferentes contextos a ausência do sentimento de infância sobre
o qual se havia discutido em séculos anteriores. Quanto às diferenças de gênero estabelecidas na
época, aos meninos majoritariamente era atribuída a carreira militar, bem como o trabalho em fábricas
ou oficinas. Já para as meninas, predominavam as tarefas domésticas.
Tendência
Como vimos, existe um componente histórico e sociológico na relação das crianças com a própria infância.
Realidades sociais como pobreza e escravidão são componentes que exercem influência na questão, não
podendo ser ignorados. Observar o paradigma da criança no Brasil é definitivamente uma tarefa difícil.
Você reconhece estes discursos, reproduzidos de forma recorrente?
A marginalidade aumentou porque as crianças não podem trabalhar;
A maioridade tinha de diminuir;
Esta criança faz assim por falta de castigo físico (tradição que herdamos de nossa história);
Está assim porque as crianças não têm a mãe em casa, é a ausência do modelo tradicional que leva a
esse quadro confuso em que nós vivemos.
Recente em nossa história, a análise sobre a forma de se lidar com a criança e o adolescente será objeto do
nosso estudo à frente, mas a conexão entre os problemas deste e do próximo pode ser sistematizada e
provocada a partir das ações políticas pensadas.
Você já ouviu falar do Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil (ECA)?
Vamos ver o que especialistas têm a nos dizer sobre a sua história nas terras do Brasil.
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Constitui-se no país uma noção particular de infância e adolescência que protela políticas sociais de
atendimento à criança e ao adolescente como direitos de cidadania até a década de 1980. A
proclamação da Constituição Cidadã (Brasil, 1988) e da aprovação do Estatuto da Criança e do
Adolescente – ECA (Brasil, 1990a), um conjunto de direitos civis, sociais, econômicos e culturais de
promoção e proteção – alteraram esse paradigma. Atualmente, o ECA demanda do Estado brasileiro e da
sociedade política e civil esforços e continuidade nas ações, visando, por um lado, à formulação,
implementação, monitoramento e controle social de políticas constitucionais e estatutárias, e, por outro,
a ações mobilizadoras e societais capazes de ressignificar a concepção arcaica de infância e juventude
presente no imaginário social da população. 
(PEREZ; PASSONE, 2010, pp. 650-651)
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Crianças na História do Brasil
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A Infância no Brasil republicano
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A Educação e a infância no Brasil
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Verificando o aprendizado
Questão 1
Sobre o desenvolvimento infantil no Brasil, é correto afirmar que:
A
Deu-se da mesma forma que na Europa.
B
Apesar de as crianças serem consideradas miniadultos, a exploração infantil nunca foi aceita.
C
As formas de vivenciar a infância no Brasil possuem especificidades que se referem principalmente à classe
social e à etnia.
D
Somente as crianças negras trabalhavam no Brasil para ajudar seus pais.
E
Atualmente, superamos as diferenças entre as crianças brancas, negras e indígenas, pois a vivências de
infância não eram as mesmas em séculos passados.
A alternativa C está correta.
As vivências de infância não eram (e ainda não são) asmesmas para crianças brancas, negras e indígenas.
Os dois últimos grupos, por exemplo, foram vítimas do processo de escravidão.
Questão 2
A questão religiosa no período colonial impactou não somente a vida dos adultos, mas também a das crianças.
No contexto do Brasil colônia, analise as afirmações:
 
I. A catequização das crianças era realizada sob o discurso salvacionista, uma vez que as culturas e as
religiões indígenas e negras não foram consideradas pelos colonizadores.
 
II. As crianças catequizadas não eram escravizadas, o que fazia muitos pais aceitarem que seus filhos
passassem por esse processo.
 
III. O apadrinhamento era uma das formas encontradas para garantir a vida e a permanência das crianças com
seus pais, mas isso não impedia que fossem escravizadas.
 
IV. Os indígenas eram considerados povos atrasados; por isso, suas tradições culturais não eram
consideradas.
 
Está correto o que se afirma em:
A
I, II e IV
B
I, III e IV
C
II e III
D
III e IV
E
I e II
A alternativa B está correta.
A catequização nem sempre impedia que as crianças deixassem de ser escravizadas. Apesar de formar-se
na religião católica, elas continuavam sendo consideradas como parte de um povo atrasado.
3. Marcos legais na ideia de infância
As primeiras legislações sobre a infância no Brasil
Para pensarmos a relação entre as leis no Brasil e a infância, vamos ouvir três especialistas com olhares
diferentes sobre o tópico.
As leis no Brasil e a infância
No vídeo a seguir, percebemos uma história que precisa ser contada em diversos prismas. Para isso, vamos
ouvir a historiadora Flavia Miguel, o advogado Adriano Pinto e a pedagoga Wilma Mello.
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Uma das primeiras leis que visava a garantir o direito das crianças, a Lei nº 2040, conhecida como “Lei do
Ventre Livre”, foi promulgada em 1871 para garantir que as crianças nascessem livres, além de vetar a compra
e venda daquelas menores de 12 anos.
Esta lei constitui um dos grandes avanços do período escravocrata; embora não impedisse o trabalho infantil,
ela foi um marco precursor para a produção de outras leis e políticas que tratavam da proteção das crianças.
A Constituição de 1988 e a infância no Brasil
A educação passa a ser reconhecida como direito social somente a partir da Constituição Federal de 1988,
quando o Estado assume a obrigação legal de oferecer para todos uma que seja de qualidade.
Antes disso, a educação pública já existia, mas era compreendida como uma assistência aos que não podiam
pagar, enquanto o ingresso nas escolas não era facilitado para as classes mais populares, havendo pouca
oferta de vagas e acesso limitado à informação.
A obrigatoriedade do Estado na oferta de vagas em creches e pré-escolas ao declarar como direito dos
trabalhadores a assistência gratuita de seus filhos e dependentes até os cinco anos de idade. No entanto, seu
caráter assistencialista ainda persiste, sendo uma das questões mais discutidas no campo da educação
infantil.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, é considerado um marco para os direitos
das crianças e dos adolescentes. 
Os direitos fundamentais enunciados pelo ECA têm como objetivo assegurar o desenvolvimento:
Físico;
Espiritual;
Moral;
Social;
Mental.
O documento não se limita a anunciar direitos, representando um grande avanço ao nomear os responsáveis
por seu cumprimento.
A família, o poder público e a sociedade, em geral, possuem deveres com as crianças e os adolescentes do
país. Portanto, mais que o direito à educação, esse público deve estar matriculado na escola – e isso se trata
de uma obrigação legal.
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Atenção
O poder público não pode se negar à oferta de educação, assim como os familiares e a comunidade não
podem deixar de cumprir tal obrigação. 
A Lei nº 9.394/1996 – denominada Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – amplia a discussão
sobre a educação infantil para além de um caráter assistencialista até então apresentado nas políticas
púbicas. Para isso, a LDB a reafirma como primeira etapa da educação básica, cuja finalidade é o
desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. Ela constitui,
portanto, um complemento da ação da família e da comunidade.
A LDB ainda regulamenta as seguintes questões de acesso, de acordo com a faixa etária e a carga horária.
Veja a seguir:
0 - 3 anos
Direito à creche.
4 - 5 anos
Direito à pré-escola.
6 anos ou mais
Direito à educação básica no ensino fundamental.
Em relação à carga horária, a regulamentação um número de horas para cada tipo de turno e período. Veja a
seguir.
Meio período
A carga horária mínima, para turno parcial, é de
4 horas.
Período integral
A carga horária total, para este período, deve
ser de 7 horas.
Período anual
A carga horária mínima é de 800 horas,
distribuidas em 200 dias letivos.
Sobre a questão da frequência, a LDB estipula a presença mínima de 60% do total de horas, cuja fiscalização
deve ser feita pela instituição escolar.
No ano de 2013, foi promulgada a Lei nº 12.796/2013, que altera a LDB para incluir a obrigatoriedade
de matrícula das crianças de quatro anos na educação infantil. 
A frequência passa então a ser exigida em consonância com a carga horária estabelecida de 200 dias letivos.
O que antes era facultativo aos pais, passa agora a ser um dever.
De acordo com a Unicef, o Brasil é um dos países com legislação mais avançada no mundo no que diz respeito
à infância e à adolescência. Entretanto, a legislação ainda não conseguiu superar suas desigualdades sociais,
geográficas e étnicas.
Saiba mais
Veja a contextualização histórica do atendimento à infância no Brasil (1889-1985). 
Vem que eu te explico!
Os vídeos a seguir abordam os assuntos mais relevantes do conteúdo que você acabou de estudar.
Marcos da História da Infância no Brasi
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A Constituição de 1988 e a Infância no Brasil
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A BNCC e a Infância no Brasil
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Verificando o aprendizado
Questão 1
É dever do Estado ofertar educação pública nas seguintes condições:
A
Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero aos cinco anos de idade.
B
Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de um aos seis anos de idade.
C
Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de um aos cinco anos de idade.
D
Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero aos seis anos de idade.
E
A Legislação de 2013 define que, com 5 anos, a criança deve estar matriculada no primeiro ano do ensino
fundamental.
A alternativa A está correta.
O atendimento gratuito se destina às crianças de 0 a cinco anos. Anteriormente, ele estava previsto até os
seis anos, mas foi alterado em 2013 por considerar que, nesta idade, a criança deve estar matriculada no
primeiro ano do ensino fundamental.
Questão 2
A respeito da frase “A educação é um direito de todos”, marque a afirmativa correta:
A
A educação é um dever do Estado, mas é um direito dos familiares decidir pela matrícula de seus filhos.
B
A educação torna-se obrigatória a partir dos seis anos de idade.
C
A educação torna-se obrigatória a partir dos quatro anos de idade.
D
A educação torna-se obrigatória a partir dos três anos de idade.
E
A educação torna-se obrigatória a partir do início do Ensino Fundamental (a partir dos 5 anos de idade).
A alternativa C está correta.
O artigo 6º da LDB assim preconiza: "É dever dos pais e responsáveis efetuar a matrícula das crianças na
educação básica a partir dos 4 (quatro) anos de idade" (BRASIL, 1996).
4. Conclusão
Considerações finais
A história da infância é construída, ao longo do tempo, de acordo com seu contexto social e sua época. A
concepção de infância, entre outras diferenças registradas,é por vezes modificada, suscitando tanto
concepções de um sujeito com características próprias, segundo as quais se constroem possibilidades de um
futuro, quanto a noção de criança como um miniadulto.
Conforme os estudos na área foram se aprofundando, houve a modificação desses conceitos e foi dado um
destaque às diferentes infâncias vivenciadas no Brasil. A diferença entre negros, indígenas, meninos e
meninas traçava a visão de um sujeito à margem da sociedade em que o único tipo educação acessível era a
cristã (por parte dos jesuítas). Entretanto, o trato com crianças brancas e provenientes de famílias mais
abastadas já oferecia um olhar diferenciado em relação à educação, ainda que a adultização das crianças
ainda fosse um fator presente em suas diferentes formas.
Com o avanço dos estudos na área e a necessidade de garantir direitos para esses sujeitos, surgia uma série
de políticas públicas construídas em prol dos pequenos: a Lei do Ventre Livre, que garantia, desde o
nascimento, a não escravização das crianças de outra etnia ou as menos favorecidas; a Constituição Federal
de 1988, que tornava obrigação legal do Estado o amparo à educação delas; o ECA, que se apresentava como
mecanismo de garantia da proteção e dos direitos das crianças e dos adolescentes; e, por fim, a LDB, que
impõe a obrigatoriedade de matrícula delas em creches e escolas. Elas constituem, nesse âmbito, os
principais marcos alcançados.
Pudemos então perceber os avanços e as modificações que circundam a história da infância e das crianças,
identificando os principais pontos que a compõem. Consideramos que este assunto continua produzindo
sentidos constantemente, além de abarcar questões de diferença, conquista de espaço e legitimação de um
período marcado por suas especificidades.
Podcast
Ouça agora as professoras Wilna Mello e Flávia Miguel, que nos ajudam a aprofundar um pouco mais o
conceito de “criança” ao longo da História
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Assista ao vídeo Concepções de infância na história, disponível na Plataforma YouTube.
 
Leia o artigo A concepção de infância na visão de Philippe Ariès e sua relação com as políticas públicas para a
infância, de Analedy Barbosa e Maria Magalhães.
 
Leia a reportagem Situação das crianças e dos adolescentes no Brasil, disponível no site da UNICEF.
Referências
ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1981.
 
BARBOSA, A. A.; MAGALHÃES, M.G.D. A concepção de infância na visão de Philippe Ariès e sua relação com
as políticas públicas para a infância. In: Revista eletrônica de Ciências Sociais, História e Relações
Internacionais, v. 1, n.1, 2008. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
 
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de
1988, com as alterações determinadas pelas Emendas Constitucionais de Revisão nº 1 a 6/94, pelas Emendas
Constitucionais nº 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo nº 186/2008. – Brasília: Senado Federal,
Coordenação de Edições Técnicas, 2016.
 
BRASIL. Lei nº 8.069/90, de 13 de julho de 1990. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
 
BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
 
BRASIL. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
 
PEREZ, J. R. R.; PASSONE, E. F. Políticas Sociais de Atendimento às Crianças e aos Adolescentes no Brasil. In:
Cadernos de Pesquisa, v.40, n.140, maio/ago. 2010. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
 
PRIORE, M. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2004.
 
SARMENTO, M. J. Gerações e alteridade: interrogações a partir da sociologia da infância. In: Revista Educação
e Sociedade. v. 26. n. 91. Campinas, 2005. p. 361-378. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
	História da infância
	1. Itens iniciais
	Propósito
	Objetivos
	Introdução
	Conteúdo interativo
	1. A infância no Brasil
	A construção social do conceito de infância
	Comentário
	Multidisciplinaridade
	Conteúdo interativo
	Contexto histórico
	Criança adulto
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	Criança institucional
	Comentário
	Saiba mais
	Criança social
	Senso comum e concepção de criança
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	Tendência
	Atenção
	Vem que eu te explico!
	A infância em sociedades tradicionais
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	Infância na modernidade
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	Infância na ordem burguesa
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	Verificando o aprendizado
	2. Diferenças sobre a ideia de criança
	As crianças do Brasil
	Desigualdade urbana
	Realidade paralela
	Marginalização social
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	História do Brasil e a infância
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	Crianças na História do Brasil
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	A Infância no Brasil republicano
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	A Educação e a infância no Brasil
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	As primeiras legislações sobre a infância no Brasil
	As leis no Brasil e a infância
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	A Constituição de 1988 e a infância no Brasil
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	4 - 5 anos
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	Período anual
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	Marcos da História da Infância no Brasi
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	A BNCC e a Infância no Brasil
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	4. Conclusão
	Considerações finais
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