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História da infância
Prof.ª Jade Dias
Descrição
Abordaremos a construção social do conceito de infância por meio de uma contextualização histórica. Para isso, destacaremos as suas
especificidades no Brasil, país permeado por desigualdades sociais que influenciam na caracterização dela em suas diferentes nuances. Por fim,
discutiremos os marcos legais para a constituição da infância no país.
Propósito
Conhecer a história da infância significa apontar questões que definem a construção da nossa sociedade. Isso favorece um entendimento das
modificações ocorridas ao longo do tempo sobre esse tópico, além de ampliar a visão da criança em seu papel social. Esse conhecimento também
favorece a compreensão dos avanços na legislação e a problematização de possíveis afastamentos e aproximações entre diferentes períodos
históricos, destacando as diferenças que ainda permeiam a diversidade de infâncias no contexto brasileiro.
Objetivos
Módulo 1
A infância no Brasil
Explicar a construção social do conceito de infância ao longo do tempo no Brasil.
Módulo 2
Diferenças sobre a ideia de criança
Identificar as diferenças históricas sobre a ideia de criança no Brasil.
Módulo 3
Marcos legais na ideia de infância
Reconhecer marcos legais importantes na construção histórica da ideia de infância no Brasil.
1 - A infância no Brasil
Ao �nal deste módulo, você será capaz de explicar a construção social do conceito de infância ao longo do tempo no Brasil.
A construção social do conceito de infância
Quando pensamos na palavra história, comumente a atrelamos à ideia de um passado distante. Rememoramos, portanto, momentos que marcaram
nossa jornada ou que nos impactaram de alguma maneira, concorda?
Em alguns casos, recordamos situações que aconteceram: sentindo cheiros e sabores, fazemos comparações entre a ideia de uma “era que já se
foi” e “tempo de hoje”
Assista agora a uma apresentação da professora Flávia Miguel – historiadora que atua há 15 anos na formação de professores do ensino
superior – sobre a história da infância, permitindo que você entenda um pouco mais sobre os caminhos que passa a trilhar.
Introdução
foi e tempo de hoje .
Quando entramos em contato com a palavra infância, esmiuçamos um pouco mais as lembranças de nossas histórias, aludindo a um período
específico de nossas vidas delimitado pela idade (desde o nascimento até o que chamamos de adolescência).
Esse movimento de refazer caminhos da memória, estabelecendo conexões entre passado e presente (ou da infância à vida adulta), nem sempre foi
tão simples assim.
A infância, da maneira que a idealizamos ou discutimos hoje em dia, nem sempre existiu.
Nesse ínterim, destaca-se o trabalho e o papel da História: ao recuperar imagens e informações, você poderá perceber que o entendimento e a
vivência sobre o que é chamado de infância foi, ao longo do tempo, constituído de elementos bem diversos.
Você sabia que a ideia de infância muda com o tempo, o espaço e as tradições familiares?
Faça um exercício de reconhecimento. Busque registros fotográficos de seus antepassados (pais, avós ou bisavós) quando eram mais novos.
Repare em suas vestimentas, procurando saber sobre suas vivências na infância e como era a relação deles com os adultos. Reuna as informações
coletadas, comparando-as ao presente.
As diferenças não se limitam às mudanças nos costumes e nas roupas: antigamente, a própria visão sobre a criança também era diferente. Em
determinados contextos, ela aparecia como um "miniadulto". Essa visão permeava os contextos sociais da época, forjando uma noção de infância
modificada ao longo dos anos.
Você, por exemplo, pode ter ouvido histórias de algumas crianças cujo passado foi maravilhoso, sendo protegido e vivenciado de uma forma
especial. Crianças que tinham uma verdadeira rede de proteção social e um quadro de projeção de futuro e investimento familiar. No entanto,
também irá conhecer histórias tristes sobre outras que trabalhavam efetivamente ou viviam processos migratórios, sofrendo com isso. Ainda há
aquelas cuja infância foi negada ou destruída pelos motivos mais diversos. O que você vai descobrir, a partir de agora, é que o estudo sobre a
infância é algo muito mais complexo.
iniadulto
De caráter histórico, a imagem do miniadulto ainda está muito presente no chamado senso comum. Em sociedades tradicionais, as crianças
comumente não eram vistas de maneira específica; afinal, um infante precisava ser preparado para a sua inserção no mundo adulto. Dessa forma, nos
antigos e primeiros manuais de educação, havia constantemente a seguinte apresentação: até os oito anos, a criança estava sob a responsabilidade da
mãe – especialmente em sociedades ocidentais –, momento em que deveria aprender os “modos”, ou seja, como comer, obedecer, se vestir e se
alimentar. Depois disso, meninos passavam a sofrer uma influência masculina: vestidos como o pai, tinham de reproduzir o que ele fazia até aprender
isso. Se não estivessem com ele, ficavam com os outros meninos para crescer e se desenvolver. Já as meninas estavam restritas aos afazeres
domésticos: preparadas para o casamento, elas, futuras esposas, deviam cuidar das crianças mais novas.
Comentário
Os estudos desenvolvidos a partir do século XX articulavam campos, como, por exemplo, a Sociologia, a Filosofia, a História, a Antropologia e a
Psicologia.
Tais estudos ajudaram a desenvolver uma noção de infância que não se limita apenas à idade, mas também a um contexto histórico e social que
circunda a vida das crianças menores. Eles defendem, enfim, que esses contextos constituem e forjam uma identidade para elas. Contudo, tal
conquista ainda é recente. O aprofundamento desses estudos permitiu que a visão da criança como um sujeito de direitos fosse discutida e cada
vez mais corroborada.
Multidisciplinaridade
No vídeo, a seguir, veja uma roda de conversa com os professores Allan Rodrigues, Camila Machado e Simone Berle. Eles estabelecem como a
multidisciplinaridade adiciona novas camadas e ressignifica o entendimento sobre a infância e sobre o próprio conceito de criança.
Na década de 1970, os estudos de Philippe Ariès embasaram, na América e na Europa, as discussões sobre a infância a partir de seu contexto
social e histórico.
Mas, afinal, o que isso queria dizer?
Especialmente na obra História social da criança e da família, de 1981, Ariès evidenciou a importância de observarmos as necessidades específicas
referentes à idade das crianças, um dos fatos mais importantes para consolidar ideia de infância.
Relacionar algumas especificidades a um determinado momento da vida não era algo tão natural naquela época; por isso, o autor foi considerado
um dos precursores da discussão.
istória social da criança e da família
Em História social da criança e da família, Ariès mostra como a sociedade muda quando as atitudes daqueles que a compõem se modificam. Seu
argumento baseia-se na ideia de que, a partir do século XVIII, o compromisso dos pais com seus filhos, antes que a criança se tornasse adulta, nasceu
com o controle da natalidade e o declínio da fecundidade. A alta mortalidade incentivava uma excessiva atenção materna e paterna.
Na sociedade medieval, destaca Philippe Áries, o conceito de infância sequer existia, porém isso não significa que suas crianças eram negligenciadas,
abandonadas ou desprezadas. Esse conceito não deve ser confundido com a atenção aos filhos; na verdade, ele corresponde a uma tomada de
consciência – até então inexistente – da criança em particular. O autor aborda a importância das brincadeiras, as pequenas escolas, o ensino
diferenciado e a "invenção" da infância a partir do momento em que as mulheres passam a ter menos filhos, tendo eles uma sobrevida maior em
relação a épocas anteriores. A criança, portanto, é primordialmente um ser distinto do adulto, possuindo valores próprios, como fantasia, ingenuidade e
ludicidade.
Ariès analisou algumas imagens de famílias europeias na Idade Média, destacando modi�caçõesevidenciadas ao longo do
tempo.
Como podemos ver nas duas imagens a seguir, a passagem do tempo demonstra como a relação com a criança se modificou.

Estudos como o de Ariès ajudaram a criar uma nova dinâmica de entendimento sobre o conceito de criança. Nota-se que a passagem dos anos
cristalizou tais mudanças na própria percepção dos pais, da sociedade e do sistema educacional sobre o que é uma criança. Por isso, seus estudos
foram tão importantes para essa abordagem. A partir disso, começam a ser debatidas questões como:
Até que idade dura a infância e quando começa a adolescência? Quando um adulto se torna senhor de si?
Atualmente, isso pode parecer natural para você; afinal, todos sabemos a idade necessária para abrir uma conta, atingir a maioridade penal ou poder
participar de cada série escolar. Isso definitivamente está cristalizado em nossa mente, mas tais visões surgiram apenas nas décadas de 1960 e
1970.
Vamos percorrer os caminhos delineados por Ariès:
Seus estudos sobre a infância buscavam perceber, pela análise de determinadas imagens, alguns elementos específicos, como o fato de as
crianças estarem vestidas como adultos. O autor compreendia que isso, além de outros fatores, simbolizava uma ausência do “sentimento de
infância”.
A partir de seus estudos, podemos conceber um contexto histórico em que diferentes conceitos de infância foram desenvolvidos. Mesmo sendo
modificados pelo tempo, eles são vitais para a concepção de uma sociedade.
Contexto histórico
O conceito de infância pode ser considerado historicamente recente. Os estudos sobre a sua história podem abarcar três concepções:
Criança adulto
Nesta concepção, que tem origem na Idade Média, a criança era vista como um “miniadulto”. As necessidades específicas da faixa etária sequer
eram pensadas.
Ela era tratada somente como um pequeno ser que logo se desenvolveria para exercer suas funções na sociedade.
O sentimento de infância, como conhecemos atualmente, não existia naquele momento. Às crianças, eram ensinados saberes necessários para que
elas se tornassem adultos civilizados.
Comentário
Ser considerado um “miniadulto” significa não receber nenhum tipo específico de atenção. As crianças, portanto, tinham o mesmo tratamento
conferido aos adultos, participando da vida social ao lado deles. Elas só exigiam alguns cuidados até o momento em que conseguissem realizar
suas atividades por conta própria.
ratamento conferido aos adultos
À exceção dos recém-nascidos, que eram responsabilidade absoluta da mãe e cuja morte normalmente lhe gerava uma penalidade, as crianças que
superavam a chamada primeira infância (até os três anos de idade) não recebiam nenhum favor em termos de cuidado e educação; logo, elas não
estavam poupadas de castigos físicos, assim como não eram incomuns iniciações sexuais e abusos tremendamente precoces. Normalmente
criticados pela Igreja, eles eram considerados uma manifestação de práticas rústicas.
O reflexo disso pode ser percebido nas histórias de muitos idosos; segundo seus relatos, desde muito pequenos eles eram responsáveis por cuidar
da casa e de seus irmãos mais novos, assim como iniciavam no mercado de trabalho ainda crianças.
Na Idade Média, era muito comum o infanticídio; desse modo, a alta taxa de mortalidade de crianças era uma questão marcante. As famílias
encaravam a perda dos filhos como algo natural, pois logo eles poderiam ser substituídos por outros.
nfanticídio
O termo refere-se à morte de crianças – em geral, as recém-nascidas. São entendidas como formas de infanticídio as mortes daquelas que nasciam
com defeitos, fracas ou com marcas, cujas mães reagiam com depressão ou tinham dificuldade de fornecer leite, além de outras ações que poderiam
ser evitadas. Ainda havia situações mais corriqueiras que podiam ser fatais, como baixa de temperatura, falta de higiene, intoxicação, pequenos
ferimentos etc.
Criança institucional
Na segunda concepção, a criança passa a ser compreendida como um indivíduo institucional que necessita de cuidados específicos para cada faixa
etária que são essenciais para seu desenvolvimento.
egunda concepção
Temporalmente percebida na pesquisa de Philippe Ariès sobre a segunda metade do século XVI, esta concepção perpetuou-se ao longo dos séculos
seguintes Muitos autores posteriores chamam este período de momento da formação da família moderna cujos núcleos menores e segmentados em
seguintes. Muitos autores posteriores chamam este período de momento da formação da família moderna, cujos núcleos menores e segmentados em
casas diversas justificam a adoção de cômodos específicos para adultos e crianças. Ariès também destaca que este modelo não invalida a existência
do anterior, constituindo um fenômeno de tentativa de transposição das famílias burguesas para modelos e costumes da corte.
Neste período, ela começa a ser concebida como filho(a) e aluno(a), passando a ser tratada como criança de fato.
Regressemos um pouco mais na história para compreendermos como tal sentimento foi se desenvolvendo. Na França do século XVII, a inocência e
a fragilidade são adjetivos que passam a acompanhar essa ideia, forjando, desse modo, o que viria a ser entendido como “sentimento de infância”.
No período, por exemplo, passam a ser produzidas vestimentas específicas para o público infantil.
Comentário
A ideia de amor materno e da importância dos sujeitos por si só – e não por suas funções sociais desempenhadas – é uma questão cujo
desenvolvimento foi operado na sociedade ao longo do tempo. No final do século XVIII, por exemplo, o cuidado com os filhos já é uma realidade em
muitos lares. A partir de sua ligação com a mulher, a maternidade coloca as crianças em evidência. O ato de cuidar, até então função das “amas de
leite”, agora constitui uma tarefa pertinente às mães de cada criança.
A dependência dos adultos surge aí como mote para a construção da criança como centro de atenção das famílias. Ela é entendida como um
sujeito que requer esforços de terceiros para poder se tornar um adulto considerado civilizado.
Embora reconhecida institucionalmente em suas especificidades, a criança ainda é considerada o sujeito da “falta”; afinal, para ela se tornar um
cidadão, falta-lhe conhecimento sobre o mundo e as suas regras. Por isso, a escolarização é valorizada.
Nesta concepção, a família moderna, núcleo institucional que acolhe essas crianças, evoca questões sobre o controle da população e as relações
de poder que reverberam um ideal de criança – e, desse modo, as relações estabelecidas para e com elas. Entendidos como seres irracionais que
precisavam ser “preenchidos” e moldados de acordo com as exigências da sociedade, os infantes passaram a desenvolver um papel que constituía
um ideal de futuro; por isso, sua vida precisava ser preservada, acentuando um olhar agora mais atento para as questões ligadas à saúde e à
educação.
Saiba mais
Para aprofundar seus conhecimentos, pesquise na internet e leia a resenha Família na contemporaneidade: mudanças e permanências, de Carolina
M. B. de Souza (2008).
O estudo específico desta etapa trouxe à tona a preocupação com a escolarização dos menores. Um ideal de universalização do ensino começava a
ser traçado em consonância com a (já citada) construção de um cidadão. Consequentemente, as crianças foram se afastando cada vez mais de
seus papéis ocupados nos postos de trabalho, embora saibamos que infelizmente o trabalho infantil ainda é uma realidade em nosso país.
O sentimento de infância então passou a ser compreendido como uma característica específica que envolvia tanto as relações entre família e
criança quanto a visão dela como alguém que difere dos adultos, exigindo, portanto, cuidados específicos e atenção para determinados aspectos
em detrimento de outros.
Criança social
A partir do século XIX, surge uma terceira maneira de conceber a criança: percebida como um sujeito de direitos, ela se torna um ser social.
Para isso, é preciso garantir seu desenvolvimento integralpor intermédio de legislações que conferem ao Estado a responsabilidade de oferecer a
escolarização. Passam a ser consideradas as potencialidades das crianças, que devem ser ativas, participativas e comunicativas, se desenvolvendo
em sua relação com o mundo.
Traçaremos um pequeno histórico sobre essa transformação para ilustrar o aparecimento da criança social. Nota-se que, no século XIX, havia
múltiplas visões sobre ela.
Destaca-se a criança que:
Diante desses casos, ela deixa de ser um elemento auxiliar e passa a figurar nas discussões da ordem do dia, justificando, pouco a pouco, estudos,
percepções, direitos e proposições na construção desses “seres”.
É por isso que passamos a entender a existência de um universo infantil próprio, ainda que não sistematizado. A percepção sobre essas pesquisas
e as transformações vividas é um dos méritos da pesquisa de Ariès
É a trabalhadora representada nas cidades no dia a dia.
Vive nos seios das famílias de classe média.
Torna-se objeto da Psicologia.
Possui uma educação que é vista como uma ciência que tenta perceber a forma como ela aprende
Pertence à elite, preparada e direcionada para se tornar um grande líder
e as transformações vividas é um dos méritos da pesquisa de Ariès.
A criança social é fruto de uma percepção importante de mundo. O século XX é denominado século da infância pela maneira como ela passa a ser
trabalhada e vivenciada. A criança (ou infância) social indica a visão sobre esse período da vida como um meio próprio para ela estar no mundo.
Senso comum e concepção de criança
No vídeo a seguir, o professor Rodrigo Rainha nos ajuda a entender a relação entre Senso Comum e a concepção de criança no século XX
Tendência
Exercitemos um pouco nosso pensamento:
Você consegue perceber resquícios e elementos dessas formas de tratar a infância no seu dia-a-dia?
Vamos pensar na educação dos meninos e na maneira como, via de regra, suas querelas devem ser solucionadas.
Quem já viu ou ouviu alguém reproduzir diante de uma criança a expressão: Homem não chora? Ou ainda algo mais grosseiro e violento, como: “Se
você apanhar na rua, vai apanhar novamente quando chegar a casa.”
Para muitos, isso pode parecer uma realidade distante; no entanto, ainda é muito recorrente, evidenciando um traço de nossa sociedade.
Você consegue fazer um link dessa forma de “educarmos” nossos meninos com a história da infância?
Resposta
O processo de “adultização” tão discutido e presente – ainda que detentor de uma concepção bastante tóxica sobre o que é ser homem – é a chave
desta resposta.
Você entende os debates sobre a condenação de uma criança por seus crimes? Conhece a crítica que o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)
recebe por não permitir que os pais tomem determinados comportamentos?
Estes são alguns exemplos pertinentes para perceber que estudar História é notar o quanto suas camadas não jazem em um passado longínquo;
em vez disso, elas dialogam com o nosso cotidiano.

Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
De acordo com os estudos de Philippe Ariès sobre a concepção de infância na Idade Média, podemos afirmar que:
A
As crianças sempre foram compreendidas como indivíduos que possuem suas especificidades, havendo uma preocupação
integral com elas.
B
Os estudos sobre a infância sempre foram bem desenvolvidos, permitindo uma boa compreensão do que é ser criança e do que
ela necessita para se tornar uma boa cidadã.
Parabéns! A alternativa D está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
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Questão 2
Na família moderna, as crianças passam a ser relacionadas à construção do ideal de futuro. Para a compreensão de infância, isso não implica
diretamente em:
Parabéns! A alternativa A está correta.
%0A%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%20%3Cp%20class%3D'c-
paragraph'%3ECom%20a%20compreens%C3%A3o%20sobre%20a%20inf%C3%A2ncia%2C%20passa-
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C O sentimento de infância foi desaparecendo, pois as crianças se interessam cada vez mais pelo mundo adulto.
D
A compreensão da criança como ser social e histórico, que se difere do adulto e possui especificidades, se desenvolve a partir
da década de 1970 ao perceber as particularidades das diferentes faixas etárias
E
Embora a compreensão da criança como um ser diferente do adulto, já existisse desde o séc. XIX, foi com Philippe Ariès que se
iniciaram os estudos sobre a infância.
A Mais crianças ocupando postos de trabalho para dar um bom futuro às suas famílias.
B Maior preocupação com as questões de saúde.
C Investimento na educação das crianças.
D Universalização do acesso à educação.
E Por ser compreendida como o futuro do país, ela requer mais cuidados que em séculos anteriores.
2 - Diferenças sobre a ideia de criança
Ao �nal deste módulo, você será capaz de identi�car as diferenças históricas sobre a ideia de criança no Brasil.
As crianças do Brasil
Ao estudar o desenvolvimento da ideia de criança e infância no Brasil, precisamos estar atentos a algumas especificidades ocorridas em nosso
país.
Há diferentes maneiras de vivenciar as infâncias. Realidade em vários países, no Brasil ela não se justifica apenas por questões históricas e
culturais. Em nosso território, ela opera de acordo com a classe social e etnia, dado o grande número de crianças negras e indígenas cujos
antepassados foram escravizados.
Uma parte de nossa sociedade é composta por classes menos privilegiadas que frequentam meios urbanos. Estudando em escolas
públicas ou particulares de baixo custo, seus filhos acabam tendo acesso limitado aos bens de consumo por condições financeiras.
Mesmo influenciados por elementos da cultura popular, outros segmentos sociais vivem em uma realidade absolutamente
inimaginável para a maior parte da população.
As escolhas para nossa exposição são teórico-metodológicas. Para isso, nos basearemos na perspectiva da educação decolonial, já que ela busca
lidar com as nossas mazelas. Nosso objetivo é indicar maneiras de se reconhecer as características desse passado colonial, observando como elas
nos marcam e reestruturam a nossa formação.
A concepção sobre a criança no Brasil é muito influenciada por tais perspectivas; afinal, fomos colonizados política, social e economicamente pelos
europeus.
Vista como adulto, o infante inserido no mercado de trabalho é o centro de atenção das famílias.
Negros e indígenas compõem as múltiplas facetas dessa noção de criança que ainda carrega as marcas das diferenças que sempre permearam a
história da infância. Embora devamos levar em consideração o fato de que, no Brasil, tal história se assemelha muito à da Europa em termos
teóricos e conceituais, a perspectiva de desnaturalização do sujeito e a exploração escravista acabam por merecer alguns destaques e um olhar
mais atento.
Um dos aspectos importantes nessa discussão é a diferenciação entre os termos “infância” e “criança”. Observe o texto, a seguir, de Sarmento
(2005).
Apesar de, na maioria das vezes, serem apresentadas como sinônimos, a sociologia da infância compreende a
infância como categoria social e criança, como o sujeito pertencente a ela.
ategoria social
Trata-se de um conjunto de agentes que, a despeito das diferentes origens de classe, é capaz de atuar politicamente como uma unidade e de maneira
relativamente autônoma, respeitando os interesses das classes das eles quais se originam.
Desse modo, podemos destacar as múltiplas infâncias que constituíram a história no Brasil, salientando as especificidades que abarcavam (e ainda
abarcam) as inúmeras que faziam parte daqueles grupos.
A gama de marginalização brasileira constitui um traço fundamental de nossa sociedade. Nossas crianças são impactadas pela
completafalta de suporte e saneamento, além de um campo marcado por conflitos e desigualdades sociais.
História do Brasil e a infância
No vídeo a seguir, para entendermos um pouco mais sobre a relação entre a história do Brasil e a questão da infância, vamos assistir a mais um
pouco da conversa entre os professores Allan Rodrigues, Camila Machado e Simone Berle.
No Brasil, não existe um modelo de criança, e sim dezenas de modelagens estruturais de crianças. Podemos, contudo, identificar um traço comum
segundo o entendimento das propostas que aproximam a história desse conjunto.
Se, no entanto, tendo em vista uma perspectiva decolonial, desejarmos refletir sobre uma história da criança no Brasil, deveremos trilhar o caminho
oposto, nos concentrando em uma concepção genérica. A música infantil, aliás, lida com essa mazela.
úsica infantil
O cunho educativo da música voltada para o público infantil tem reforçado essa visão. O grupo Palavra Encantada, por exemplo, expressa tal viés em
músicas como Criança não trabalha (PauloTatit / Arnaldo Antunes).
Exploração e trabalho infantil
Discutir sobre a criança no Brasil é falar sobre a naturalização do trabalho infantil. No período de colonização, a exploração de crianças negras e
indígenas era comum.
A questão religiosa trazida para o país impactou não só a vida dos adultos, mas a dos infantes também.
É possível que você esteja se perguntando: de que maneira isso ocorreu?
Entre 1500 e 1800, as crianças passaram pelo processo de catequização realizado pelos jesuítas por serem consideradas mais acessíveis que os
adultos, especialmente em termos de doutrinação religiosa.
Atividades que envolviam o trabalho com as crianças eram predominantemente comandadas pela Companhia de Jesus. No intuito de preservar a
vida dos filhos, alguns pais aceitavam a relação estabelecida entre eles e os jesuítas, o que, no caso, não impedia a sua escravização.
ompanhia de Jesus
Congregação religiosa, ligada à Igreja Católica, que via na educação catequético do nativo – que incluía trabalhos manuais, aprendizagem da língua
latina e portuguesa, uso de instrumentos musicais – um caminho civilizatório. O filme A Missão, de Roland Joffé, mostra como havia contradições
nesse processo.
Saiba mais
Para adensar a discussão, apresentando um contraponto a esse conteúdo, indicamos a leitura da dissertação intitulada O olhar dos jesuítas sobre a
cultura indígena no Brasil – Século XVI, de Flávia Emília Zanini (2014).
Ignorando aspectos culturais das crianças indígenas, os colonizadores consideravam atrasados todos os outros povos que habitavam o país, não
demonstrando interesse em preservar suas tradições culturais ou lhes oferecer educação e assistência. Desse modo, a ausência de escolas e o
trabalho escravo eram justificados por um discurso que colocava essas pessoas à margem da sociedade estabelecida na época.

Dentro dela, a exploração infantil ocorria da seguinte forma:
Novamente compreendidas sob uma visão servil, as crianças nativas tinham sua força de trabalho utilizada por senhores de escravos
(órfãos ou não).
Juntamente com os indígenas, as crianças vindas do continente africano eram comercializadas e, na maioria das vezes, separadas de seus
familiares. A relação entre infância, adolescência e vida adulta era subvertida pela lógica da utilidade de sua força de trabalho.
Estas crianças vivenciavam outra realidade. Para as meninas, predominava a preocupação com o ensino de tarefas domésticas. Já para os
meninos, prevalecia o trato com escravos – assunto “de homem”, que envolvia gerenciamento das questões do engenho. A adultização era
um mecanismo evidente em ambos os gêneros.
Nesse contexto, com a necessidade de estabelecer vínculos na tentativa de proteger tais sujeitos, a ideia de “apadrinhamento” surgiu a fim
de manter a relação e garantir a permanência entre aqueles pares, ainda que isso não implicasse o impedimento do trabalho escravo.
Estas crianças, que não eram denominadas indígenas ou africanas, também não recebiam tratamento diferenciado. Assim, reiterava-se nos
diferentes contextos a ausência do sentimento de infância sobre o qual se havia discutido em séculos anteriores. Quanto às diferenças de
gênero estabelecidas na época, aos meninos majoritariamente era atribuída a carreira militar, bem como o trabalho em fábricas ou oficinas.
Já para as meninas, predominavam as tarefas domésticas.
Tendência
Como vimos, existe um componente histórico e sociológico na relação das crianças com a própria infância. Realidades sociais como pobreza e
escravidão são componentes que exercem influência na questão, não podendo ser ignorados. Observar o paradigma da criança no Brasil é
definitivamente uma tarefa difícil.
Você reconhece estes discursos, reproduzidos de forma recorrente?
A marginalidade aumentou porque as crianças não podem trabalhar;
A maioridade tinha de diminuir;
Esta criança faz assim por falta de castigo físico (tradição que herdamos de nossa história);
Está assim porque as crianças não têm a mãe em casa, é a ausência do modelo tradicional que leva a esse quadro confuso em que nós vivemos.
Recente em nossa história a análise sobre a forma de se lidar com a criança e o adolescente será objeto do nosso estudo à frente mas a conexão
Crianças nativas 
Crianças do continente africano 
Crianças de famílias mais abastadas 
Crianças nascidas em classes menos favorecidas no país 
Recente em nossa história, a análise sobre a forma de se lidar com a criança e o adolescente será objeto do nosso estudo à frente, mas a conexão
entre os problemas deste e do próximo pode ser sistematizada e provocada a partir das ações políticas pensadas.
Você já ouviu falar do Estatuto da Criança e do Adolescente no Brasil (ECA)?
Vamos ver o que especialistas têm a nos dizer sobre a sua história nas terras do Brasil.
Constitui-se no país uma noção particular de infância e adolescência que protela políticas sociais de
atendimento à criança e ao adolescente como direitos de cidadania até a década de 1980. A proclamação da
Constituição Cidadã (Brasil, 1988) e da aprovação do Estatuto da Criança e do Adolescente – ECA (Brasil,
1990a), um conjunto de direitos civis, sociais, econômicos e culturais de promoção e proteção – alteraram esse
paradigma. Atualmente, o ECA demanda do Estado brasileiro e da sociedade política e civil esforços e
continuidade nas ações, visando, por um lado, à formulação, implementação, monitoramento e controle social
de políticas constitucionais e estatutárias, e, por outro, a ações mobilizadoras e societais capazes de
ressignificar a concepção arcaica de infância e juventude presente no imaginário social da população.
(PEREZ; PASSONE, 2010, pp. 650-651)
Falta pouco para atingir seus objetivos
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
Sobre o desenvolvimento infantil no Brasil, é correto afirmar que:
Parabéns! A alternativa C está correta.
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Questão 2
A questão religiosa no período colonial impactou não somente a vida dos adultos, mas também a das crianças. No contexto do Brasil colônia,
analise as afirmações:
I. A catequização das crianças era realizada sob o discurso salvacionista, uma vez que as culturas e as religiões indígenas e negras não foram
consideradas pelos colonizadores.
II. As crianças catequizadas não eram escravizadas, o que fazia muitos pais aceitarem que seus filhos passassem por esse processo.
III. O apadrinhamento era uma das formas encontradas para garantir a vida e a permanência das crianças com seus pais, mas isso não impedia
que fossem escravizadas.
IV. Os indígenas eram considerados povos atrasados; por isso, suas tradições culturais não eram consideradas.
Está correto o que se afirma em:
A Deu-se da mesma forma que na Europa.
B Apesar de as criançasserem consideradas miniadultos, a exploração infantil nunca foi aceita.
C As formas de vivenciar a infância no Brasil possuem especificidades que se referem principalmente à classe social e à etnia.
D Somente as crianças negras trabalhavam no Brasil para ajudar seus pais.
E
Atualmente, superamos as diferenças entre as crianças brancas, negras e indígenas, pois a vivências de infância não eram as
mesmas em séculos passados.
A I, II e IV
B I, III e IV
Parabéns! A alternativa B está correta.
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3 - Marcos legais na ideia de infância
Ao �nal deste módulo, você será capaz de reconhecer marcos legais importantes na construção histórica da ideia de infância no
Brasil.
As primeiras legislações sobre a infância no Brasil
Para pensarmos a relação entre as leis no Brasil e a infância, vamos ouvir três especialistas com olhares diferentes sobre o tópico.
As leis no Brasil e a infância
No vídeo a seguir, percebemos uma história que precisa ser contada em diversos prismas. Para isso, vamos ouvir a historiadora Flavia Miguel, o
advogado Adriano Pinto e a pedagoga Wilma Mello.
C II e III
D III e IV
E I e II

Uma das primeiras leis que visava a garantir o direito das crianças, a Lei nº 2040, conhecida como “Lei do Ventre Livre”, foi promulgada em 1871
para garantir que as crianças nascessem livres, além de vetar a compra e venda daquelas menores de 12 anos.
Esta lei constitui um dos grandes avanços do período escravocrata; embora não impedisse o trabalho infantil, ela foi um marco precursor para a
produção de outras leis e políticas que tratavam da proteção das crianças.
A Constituição de 1988 e a infância no Brasil
A educação passa a ser reconhecida como direito social somente a partir da Constituição Federal de 1988, quando o Estado assume a obrigação
legal de oferecer para todos uma que seja de qualidade.
Antes disso, a educação pública já existia, mas era compreendida como uma assistência aos que não podiam pagar, enquanto o ingresso nas
escolas não era facilitado para as classes mais populares, havendo pouca oferta de vagas e acesso limitado à informação.
A obrigatoriedade do Estado na oferta de vagas em creches e pré-escolas ao declarar como direito dos trabalhadores a assistência gratuita de seus
filhos e dependentes até os cinco anos de idade. No entanto, seu caráter assistencialista ainda persiste, sendo uma das questões mais discutidas
no campo da educação infantil.
O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), de 1990, é considerado um marco para os direitos das crianças e
dos adolescentes.
Os direitos fundamentais enunciados pelo ECA têm como objetivo assegurar o desenvolvimento:
Físico;
Espiritual;
Moral;
Social;
Mental.
O documento não se limita a anunciar direitos, representando um grande avanço ao nomear os responsáveis por seu cumprimento.
A família, o poder público e a sociedade, em geral, possuem deveres com as crianças e os adolescentes do país. Portanto, mais que o direito à
educação, esse público deve estar matriculado na escola – e isso se trata de uma obrigação legal.
Atenção!
O poder público não pode se negar à oferta de educação, assim como os familiares e a comunidade não podem deixar de cumprir tal obrigação.
A Lei nº 9.394/1996 – denominada Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB) – amplia a discussão sobre a educação infantil para além
de um caráter assistencialista até então apresentado nas políticas púbicas. Para isso, a LDB a reafirma como primeira etapa da educação básica,
cuja finalidade é o desenvolvimento integral da criança em seus aspectos físico, psicológico, intelectual e social. Ela constitui, portanto, um
complemento da ação da família e da comunidade.
A LDB ainda regulamenta as seguintes questões de acesso, de acordo com a faixa etária e a carga horária. Veja a seguir:
Em relação à carga horária, a regulamentação um número de horas para cada tipo de turno e período. Veja a seguir.
Meio período
0 - 3 anos
Direito à creche.
4 - 5 anos
Direito à pré-escola.
6 anos ou mais
Direito à educação básica no ensino fundamental.
A carga horária mínima, para turno parcial, é de 4 horas.
Período integral
A carga horária total, para este período, deve ser de 7 horas.
Período anual
A carga horária mínima é de 800 horas, distribuidas em 200 dias letivos.
Sobre a questão da frequência, a LDB estipula a presença mínima de 60% do total de horas, cuja fiscalização deve ser feita pela instituição escolar.
No ano de 2013, foi promulgada a Lei nº 12.796/2013, que altera a LDB para incluir a obrigatoriedade de matrícula
das crianças de quatro anos na educação infantil.
A frequência passa então a ser exigida em consonância com a carga horária estabelecida de 200 dias letivos. O que antes era facultativo aos pais,
passa agora a ser um dever.
De acordo com a Unicef, o Brasil é um dos países com legislação mais avançada no mundo no que diz respeito à infância e à adolescência.
Entretanto, a legislação ainda não conseguiu superar suas desigualdades sociais, geográficas e étnicas.
Saiba mais
Veja a contextualização histórica do atendimento à infância no Brasil (1889-1985).
Falta pouco para atingir seus objetivos.
Vamos praticar alguns conceitos?
Questão 1
É dever do Estado ofertar educação pública nas seguintes condições:
Parabéns! A alternativa A está correta.
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Questão 2
A respeito da frase “A educação é um direito de todos”, marque a afirmativa correta:
A Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero aos cinco anos de idade.
B Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de um aos seis anos de idade.
C Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de um aos cinco anos de idade.
D Atendimento gratuito em creches e pré-escolas às crianças de zero aos seis anos de idade.
E A Legislação de 2013 define que, com 5 anos, a criança deve estar matriculada no primeiro ano do ensino fundamental.
A A educação é um dever do Estado, mas é um direito dos familiares decidir pela matrícula de seus filhos.
B A educação torna-se obrigatória a partir dos seis anos de idade.
C A educação torna-se obrigatória a partir dos quatro anos de idade.
D A educação torna-se obrigatória a partir dos três anos de idade.
E A educação torna-se obrigatória a partir do início do Ensino Fundamental (a partir dos 5 anos de idade)
Parabéns! A alternativa C está correta.
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Considerações �nais
A história da infância é construída, ao longo do tempo, de acordo com seu contexto social e sua época. A concepção de infância, entre outras
diferenças registradas, é por vezes modificada, suscitando tanto concepções de um sujeito com características próprias, segundo as quais se
constroem possibilidades de um futuro, quanto a noção de criança como um miniadulto.
Conforme os estudos na área foram se aprofundando, houve a modificação desses conceitos e foi dado um destaque às diferentes infâncias
vivenciadas no Brasil. A diferença entre negros, indígenas, meninos e meninas traçava a visão de um sujeito à margem da sociedade em que o único
tipo educação acessível era a cristã (por parte dos jesuítas). Entretanto, o trato com crianças brancas e provenientes de famílias mais abastadas já
oferecia um olhar diferenciado em relação à educação, ainda que a adultização das crianças ainda fosse um fator presenteem suas diferentes
formas.
Com o avanço dos estudos na área e a necessidade de garantir direitos para esses sujeitos, surgia uma série de políticas públicas construídas em
prol dos pequenos: a Lei do Ventre Livre, que garantia, desde o nascimento, a não escravização das crianças de outra etnia ou as menos favorecidas;
a Constituição Federal de 1988, que tornava obrigação legal do Estado o amparo à educação delas; o ECA, que se apresentava como mecanismo de
garantia da proteção e dos direitos das crianças e dos adolescentes; e, por fim, a LDB, que impõe a obrigatoriedade de matrícula delas em creches e
escolas. Elas constituem, nesse âmbito, os principais marcos alcançados.
Pudemos então perceber os avanços e as modificações que circundam a história da infância e das crianças, identificando os principais pontos que
a compõem. Consideramos que este assunto continua produzindo sentidos constantemente, além de abarcar questões de diferença, conquista de
espaço e legitimação de um período marcado por suas especificidades.
Podcast
Ouça agora as professoras Wilna Mello e Flávia Miguel, que nos ajudam a aprofundar um pouco mais o conceito de “criança” ao longo da História
E A educação torna se obrigatória a partir do início do Ensino Fundamental (a partir dos 5 anos de idade).
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Assista ao vídeo Concepções de infância na história, disponível na Plataforma YouTube.
Leia o artigo A concepção de infância na visão de Philippe Ariès e sua relação com as políticas públicas para a infância, de Analedy Barbosa e
Maria Magalhães.
Leia a reportagem Situação das crianças e dos adolescentes no Brasil, disponível no site da UNICEF.
Referências
ARIÈS, P. História social da criança e da família. Rio de Janeiro: Guanabara, 1981.
BARBOSA, A. A.; MAGALHÃES, M.G.D. A concepção de infância na visão de Philippe Ariès e sua relação com as políticas públicas para a infância.
In: Revista eletrônica de Ciências Sociais, História e Relações Internacionais, v. 1, n.1, 2008. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
BRASIL. Constituição da República Federativa do Brasil: texto constitucional promulgado em 5 de outubro de 1988, com as alterações determinadas
pelas Emendas Constitucionais de Revisão nº 1 a 6/94, pelas Emendas Constitucionais nº 1/92 a 91/2016 e pelo Decreto Legislativo nº 186/2008. –
Brasília: Senado Federal, Coordenação de Edições Técnicas, 2016.
BRASIL. Lei nº 8.069/90, de 13 de julho de 1990. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
BRASIL. Lei nº 12.796, de 4 de abril de 2013. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
BRASIL. Lei nº 9394/96, de 20 de dezembro de 1996. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
PEREZ, J. R. R.; PASSONE, E. F. Políticas Sociais de Atendimento às Crianças e aos Adolescentes no Brasil. In: Cadernos de Pesquisa, v.40, n.140,
maio/ago. 2010. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
PRIORE, M. (Org.). História das crianças no Brasil. São Paulo: Contexto, 2004.
SARMENTO, M. J. Gerações e alteridade: interrogações a partir da sociologia da infância. In: Revista Educação e Sociedade. v. 26. n. 91. Campinas,
2005. p. 361-378. Consultado na internet em: 22 mar. 2022.
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