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ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA AULA 1 Profª Dayse Mendes 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, você terá acesso a alguns conceitos que fundamentam o entendimento da Administração. O primeiro é o conceito de organização, um agrupamento de pessoas que se auxilia mutuamente para conseguir atender as necessidades da sociedade. E esse é um conceito relevante, pois é nas organizações que acontecem as ações de planejar, organizar, dirigir e controlar, próprias da Administração. Você verá também que as empresas são um tipo especial de organização, visto terem um objetivo bem específico, o lucro. O segundo conceito relevante é o de gestor, a pessoa que colocará em práticas as ações necessárias para o alcance dos objetivos organizacionais. Para tanto, essa pessoa agirá de acordo com as funções do administrador, planejando o futuro, organizando os recursos necessários, dirigindo as pessoas ao alcance dos objetivos e controlando os recursos para manter as ações ou ajustá-las de acordo com a necessidade. O terceiro conceito é da Administração em si, em que você compreenderá que a administração pode ser uma ciência, uma arte, uma profissão. E que administrar é muito mais complexo do que simplesmente exercer as funções do administrador, exigindo do gestor uma série de conhecimentos e habilidades para que a organização possa alcançar os resultados desejados. Você compreenderá, ainda, que as organizações podem ser pensadas como sistemas, compostas por uma entrada, um processamento, uma saída, um feedback, e expostas a um ambiente externo no qual existe uma série de forças que modificam a forma como essa organização funciona. Finalmente, você terá acesso a algumas informações sobre a diferença entre administração privada e administração pública e perceberá que Estado e empresas dependem um do outro para que a nação, como um todo, possa ser competitiva no mercado mundial. TEMA 1 – AS ORGANIZAÇÕES Nossa sociedade é uma sociedade composta por organizações. Nascemos, vivemos e morremos nelas. Devido ao fato de nós, seres humanos, termos uma série de necessidades que precisam ser supridas para a nossa sobrevivência, buscamos ao longo da nossa trajetória como espécie criar mecanismos que pudessem nos auxiliar a ter êxito nesse objetivo de sobreviver. 3 Assim, surgiram as instituições, um fenômeno social abstrato, composto por regras e normas de comportamento para auxiliar a humanidade a resolver seus problemas. Conforme Bernardes (1993), as instituições foram desenvolvidas ao longo do tempo com a função de suprir as necessidades humanas. Como essas necessidades são altamente variadas, naturalmente foram criadas diferentes instituições para satisfazê-las. O autor entende que a primeira instituição a surgir foi a familiar, com a função literal de manter a existência da espécie humana por meio de uma estrutura de valores, de comportamentos e de normas. Outra instituição que provavelmente surgiu no início do desenvolvimento da humanidade é a religiosa, cuja função é mediar os anseios da humanidade perante a divindade por meio de uma estrutura de doutrinas, rituais e normas de procedimentos existentes em todas as formas de relacionamento com o divino e, naturalmente, variando de uma para outra. Uma terceira instituição que surge conforme a espécie humana vai se desenvolvendo e a sociedade vai se tornando mais complexa é a política, regulando e coordenando as ações coletivas. Uma quarta instituição necessária à continuidade da humanidade é a educacional, com a função de melhor adaptar as pessoas à sobrevivência (inicialmente na selva e depois na cidade). Finalmente, surgiu a quinta instituição, a econômica, tendo por finalidade regular a produção de bens, prestação de serviços e trocas comerciais. Com o passar do tempo, necessidades mais elaboradas e complexas foram surgindo e, com elas, novas instituições precisaram ser criadas. Figura 1 – Instituição familiar Créditos: ClassicVector/Shutterstock. 4 No entanto, as instituições são abstratas, são regras que precisam ser colocadas em prática sob uma forma concreta. Assim, surgem as organizações, associações concretas de pessoas que aplicam as regras das instituições. Nesse sentido, a instituição familiar dá origem às famílias. Cada família concreta, constituída por pais, mães, filhos, avós, tios etc. é uma organização. A instituição religiosa dá origem às organizações cristãs, judias, budistas, islâmicas, hinduístas etc. A instituição política dará origem às organizações, tais como reinos, países, partidos políticos. A instituição educacional, por sua vez, se coloca de forma prática na vida da humanidade em organizações como escolas, universidades, centros de treinamento etc. E a instituição econômica se apresenta por meio das organizações como bancos, fábricas, lojas etc. As características de cada organização se apresentarão de acordo com os aspectos típicos da instituição a qual pertencem. E uma organização pode pertencer a mais de uma instituição ao mesmo tempo, pois pode ser regida por regras de comportamento distintas, cuja origem vem de várias instituições. É importante observar que, embora as organizações sejam uma associação de pessoas, nem todas as associações de pessoas serão organizações. Desta forma, é necessário conceituar de forma mais clara o que é uma organização. Conforme Silva (2013), uma organização é caracterizada pela associação de duas ou mais pessoas com desejo e disposição de trabalhar de forma cooperativa, dentro de limites identificáveis, para alcançar um objetivo ou meta comum. Vale ressaltar que as empresas são um tipo bastante específico de organização, pois têm um objetivo claro que é o de obter lucro ao final de um determinado período. Assim, pode-se dizer que toda empresa é uma organização, mas nem toda organização é uma empresa, na medida em que as organizações são formadas para o alcance dos mais variados objetivos. 5 Figura 2 – O que não é uma organização Créditos: Svetlana Bykova Shutterstock. As organizações demonstram algumas características que as distinguem de outros tipos de associação de pessoas, em especial elas possuem um propósito bastante específico, são baseadas em divisão do trabalho e, por causa dessa divisão, necessitam de constante coordenação. Como propósito, pode se entender que há busca pela realização de objetivos, de forma coletiva. Mas, para se alcançar esses objetivos, é necessário que cada pessoa que compõe a organização tenha um papel exclusivo, no qual se especializa, para cumprir com as atividades que lhe cabem. É a divisão do trabalho que permite superar as limitações individuais, pois ao agregar as contribuições de cada um, de forma estruturada, é possível alcançar os objetivos da organização, que não seria possível alcançar sozinho. Porém, a partir do momento em que cada pessoa tem uma tarefa especializada, é necessário combinar e integrar essas tarefas para que se consiga cumprir com a finalidade da organização. O processo de coordenação realiza essa integração por meio de três mecanismos principais: a hierarquia, a comunicação e o planejamento. 6 TEMA 2 – O GESTOR Para que as organizações possam cumprir com seu papel de auxiliar, de forma concreta, a suprir as necessidades humanas é necessário que alguém, uma pessoa ou um grupo de pessoas, assuma a responsabilidade de compreender como a organização pode executar esse papel, de forma consistente, eficiente e eficaz. Esse alguém é o gestor. Cabe ao gestor, portanto, exercer uma série de funções e de papéis de maneira a fazer com que a organização que está sob sua responsabilidade possa atingir seus objetivos e atender as necessidades que levaram à sua criação. As organizações estão necessariamente organizadas por meio de divisão do trabalho. A divisãoque, ao neutralizar “a entropia, constitui um enclave de ordem e estabilidade relativas no meio do caos”, tornando a empresa gerenciável. Se a intenção é tornar o ambiente organizacional menos caótico, é natural imaginar que o processo decisório é racional, ou seja, parte de uma premissa de otimização das escolhas, maximizando bons resultados e minimizando perdas ou resultados negativos. Esse modo racional de tomar decisões ocorre de forma sequencial – característica marcante dos processos decisórios. As etapas dessa sequência serão sempre as mesmas, independentemente do grau de complexidade da situação a ser resolvida. Ou seja, mesmo quando parece ser tomada por impulso, a decisão é consequência dos fatos acontecidos anteriormente que criaram suas bases. Desse modo, há uma ordem determinada de acontecimentos: a identificação do problema; a coleta das informações relevantes; o desenvolvimento de alternativas; a avaliação de cada alternativa; a seleção da melhor alternativa; a implementação da decisão; e, o acompanhamento e avaliação dos resultados da decisão. 9 Figura 3 – Etapas do processo decisório Fonte: Robbins et al., 2014, p. 178. Além dessa característica de ser racional e, por consequência sequencial, as decisões também apresentam outras características importantes. São complexas, ou seja, dependem de uma série de inter-relações entre pessoas e ações, e também de variáveis distintas a cada nova rodada do processo. Envolvem valores subjetivos, ligados às crenças e valores das pessoas que estão tomando a decisão, e à cultura da empresa como um todo. Ao mesmo tempo em que são baseadas em racionalidade e no uso de ferramentas matemáticas e estatísticas, necessitam de uma dose de criatividade e inovação para que seus resultados possam ser mais eficazes. Por outro lado, envolvem incerteza e risco, visto que não é possível saber antecipadamente as consequências futuras de uma decisão, já que, conforme Simon (1979), nossa racionalidade é limitada. 10 É necessário considerar também que há tipos diversos de tomada de decisão. Uma forma útil de classificar as decisões foi proposta por Simon (1979), ao considerar as decisões como programadas e não programadas. Essa é uma tipologia que auxilia a compreender quem toma as decisões dentro da organização. Simon (1979) explica que as decisões programadas são aquelas decisões rotineiras, em que a situação problema é bem compreendida e as ações para resolvê-la já são conhecidas. Nessa situação, a incerteza é reduzida, pois há procedimentos e padrões predeterminados para as ações. Assim, esse tipo de decisão pode ser tomado em níveis operacionais da organização. Já a decisão não programada diz respeito a situações problema que não são rotineiras e que, portanto, não tem um script predeterminado. Essas decisões são pouco estruturadas, únicas e, normalmente, acarretam consequências importantes para a organização. Desse modo, as ações não podem ser escolhidas por qualquer pessoa. É responsabilidade do nível estratégico da empresa tomar esse tipo de decisão. Outra forma relevante de se classificar as decisões na empresa está relacionada à tomada de decisão individual versus a tomada de decisão em grupo. Cabe ao gestor escolher a melhor forma ao reconhecer as vantagens e desvantagens de cada uma dessas situações. A escolha individual é reconhecida por ser mais rápida e por ter uma responsabilização bastante clara. Como é só uma pessoa que está tomando a decisão, será dela a responsabilidade por erros e acertos nas ações escolhidas. Já a escolha em grupo tem por vantagem uma maior qualidade na tomada de decisão, por contar com mais informações e conhecimento daqueles que fazem parte do grupo. Além disso, a tomada de decisão em grupo traz legitimidade à escolha, além de uma maior aceitação por todos que são atingidos pela decisão. O que todo gestor gostaria de obter é uma decisão rápida e com qualidade. Assim, se faz necessário buscar um equilíbrio entre a decisão totalmente individual e a decisão em grupo, reunindo, por exemplo, pequenos times de especialistas que possam contar com ferramentas, em especial informacionais, para que se possa tomar uma decisão acurada em um tempo razoável. 11 TEMA 3 – PROCESSO TECNOLÓGICO A tecnologia faz parte do desenvolvimento de nossa sociedade como a conhecemos. Investigações antropológicas relatam que o nascimento das relações sociais aconteceu em paralelo com o desenvolvimento tecnológico de determinados grupos de hominídeos, os quais, ao utilizarem novos conhecimentos no dia a dia, facilitavam a sobrevivência dos elementos do grupo. A partir de então, a tecnologia tornou-se tão enraizada na concepção da sociedade, que os dois conceitos são quase inseparáveis. Não há como imaginar nossa vida sem o uso de tecnologias. É importante ressaltar, entretanto, que não se deve utilizar o senso comum de que tecnologia, equipamentos ou máquinas são sinônimos. Nesse sentido, é importante para o gestor ter em mente um conceito adequado, que delimite como tratar dos processos de tecnologia dentro da organização. Existem vários conceitos na literatura dedicada ao assunto que determinam o que é tecnologia sob diversas óticas. Há a concepção intelectualista, que considera a tecnologia um conhecimento prático a ser usado quando necessário; a concepção utilitarista, em que se entende tecnologia como sinônimo de técnica; a concepção que entende que tecnologia e ciência são sinônimos; a concepção instrumentalista, que trata a tecnologia como utensílio ou artefato. Figura 4 – Tecnologia Créditos: metamorworks/Shutterstock. 12 Um conceito bastante adequado para engenheiros é o desenvolvido por Rosenthal e Moreira (1992, p. 147), que diz que a tecnologia é antes de mais nada, conhecimento e, mais especificamente, conhecimento útil, no sentido de ser aplicado, ou aplicável, às atividades humanas – especialmente, mas não exclusivamente àquelas ligadas aos processos de produção, distribuição e utilização de bens e serviços – e de contribuir para a elevação quantitativa e/ou qualitativa dos resultados de tais atividades e processos. Sendo a tecnologia um processo dominante na sociedade como um todo, é natural associar seu uso não somente ao cotidiano das pessoas, mas também à melhoria dos processos organizacionais. Nesse sentido, é importante compreender como se dá a gestão da tecnologia nas empresas. Conforme Mattos e Guimarães (2012, p. 54), a gestão da tecnologia em uma organização está associada a três aspectos distintos: a tecnologia de produto, a tecnologia de processo e a tecnologia de informação. A tecnologia de produto é responsável por traduzir ideias em novos bens e serviços, agregando valor para os clientes da organização. Essa tecnologia é desenvolvida principalmente por engenheiros e pesquisadores. Esses profissionais analisam novos conhecimentos e propõe a forma de desenvolver os produtos conforme esses novos conhecimentos, de forma a satisfazer as necessidades dos clientes por meio de características específicas que atendam essas necessidades (Mattos; Guimarães, 2012). Para que novos bens ou serviços sejam desenvolvidos por uma empresa, o pessoal que trabalha com a tecnologia de produto deve obter informações de marketing, em especial quanto às necessidades e expectativas dos clientes, apoio do pessoal de pesquisa e desenvolvimento (P&D), além de seguir as decisões tomadas pelo nível estratégico da empresa. O marketing atua na ponta a jusante, em pesquisa para conhecer do que o potencial cliente precisa para que a empresa o ofereça, considerando que a empresa ainda não o realize. À P&D cabe, com base nas informações coletadas pelo marketing, desenvolver o novo produto em si, elaborar suas características de forma a atender à necessidade dos clientes, criandonovas fontes de receita para a empresa ao entrar em novos mercados ou crescer nos mesmos mercados em que ela já atue. Quanto à relação com a área estratégica da organização, cabe a esta a decisão de prosseguir com o desenvolvimento de um novo produto, em termos de mercado e de sustentabilidade financeira. (Mendes, 2020, p. 66) Vale ressaltar que a empresa não precisa necessariamente ter marketing e P&D como departamentos formais. O importante é que suas funções sejam 13 exercidas dentro da organização para que o desenvolvimento de novos produtos seja mais efetivo. A tecnologia de processo, por sua vez, trata da análise dos processos organizacionais, com intenção de melhorá-los, elevando a eficiência produtiva da empresa ao reduzir custos. Essa redução de custos é obtida por meio da minimização do uso de vários recursos, como matéria-prima, mão de obra, equipamentos, energia, entre outros, além da otimização do trabalho realizado. Para tanto, os métodos utilizados em cada processo são observados e repensados, quando necessário, em um processo de melhoria contínua. A tecnologia de informação, conforme Mendes (2020), é usada para captar, gerenciar, disseminar e assegurar a integridade de informações na organização. Para realizar todas essas ações, a organização utiliza de recursos e sistemas de informática e telecomunicações. De acordo com Mattos e Guimarães (2012, p. 58), ao se gerir uma organização, é necessária a utilização de recursos de informática para adquirir dados operacionais internos e externos à empresa, e esses dados são “utilizados na produção de informações e na geração de conhecimento para a empresa, de modo que se possa tomar decisões eficazes, eficientes e efetivas”. Podemos dizer que a tecnologia de informação está presente em todas as áreas de uma organização, pois esses dados, informações e conhecimentos serão transmitidos para pessoas e processos dentro e fora da empresa. Conhecidos os três aspectos distintos do processo tecnológico das empresas, é possível compreender a função da gestão da tecnologia em uma organização por meio de cinco papéis básicos: 1. identificar as demandas tecnológicas internas e externas – mercado – à organização; 2. identificar as ofertas tecnológicas internas e externas à organização; 3. fazer com que as ofertas existentes efetivamente satisfaçam as demandas identificadas; 4. fomentar interna e/ou externamente o desenvolvimento de ofertas para as demandas não atendidas; 5. fomentar interna e/ou externamente demandas para ofertas que ainda não encontraram aplicações, mas que têm potencial de difusão (Mattos; Guimarães, 2012, p. 64) 14 Figura 5 – Troca de conhecimento Créditos: igor kisselev/Shutterstock. O processo tecnológico nas empresas tem papel estratégico, pois só haverá renovação e inovação na organização se todos os aspectos acerca das tecnologias utilizadas pela organização sejam bem conhecidos e gerenciados. Para tanto, é necessária a constante troca de conhecimento, pois assim haverá o desenvolvimento contínuo de tecnologia, favorecendo o desenvolvimento não só da organização em si, mas também da nação à qual pertence, melhorando produtos, processos, forma de trabalho, acelerando transformações econômicas e sociais. TEMA 4 – PROCESSO ESTRATÉGICO As organizações, entendidas como sistemas, estão mergulhadas em um ambiente externo que provoca nelas uma série de ações e reações. Para que uma organização possa alcançar os resultados desejados, é necessário planejar suas ações. Nesse sentido, a administração estratégica tem papel fundamental, pois é uma forma de analisar as empresas e, com base nessas análises, formular maneiras de atingir os objetivos desejados. O conceito de estratégia em si é bem simples: podemos dizer que estratégia é um conjunto de objetivos e a forma de alcançá-los. No entanto, a prática em si não é tão simples. Para isso, é necessário cumprir uma série de etapas pré-determinadas, ou seja, colocar em prática um processo estratégico. 15 O processo estratégico é composto pelas atividades de análise dos ambientes externo e interno, pela formulação das estratégias e sua implementação; e, pelo controle para verificação da concretização dos objetivos desejados. A Figura 6 apresenta essas etapas. Figura 6 – Processo estratégico Fonte: Elaborado com base em Wright et al., 2009, p. 27. Wright et al. (2009) descrevem a primeira etapa do processo estratégico como a análise de oportunidades e ameaças que ocorrem fora da organização, ou seja, no ambiente externo à empresa. Para realizar essa análise, é necessário conhecer as forças que impactam essa organização. Existem dois ambientes externos às empresas em que essas forças se encontram: o macroambiente e o ambiente setorial. No macroambiente, encontram-se as forças demográfica, tecnológica, político-legal, cultural, econômica e ambiental. No ambiente setorial, por sua vez, 16 estão as forças mais próximas à organização, relacionadas à concorrência por meio da rivalidade já existente no mercado em que a empresa atua, as novas empresas que estão tentando entrar nesse mesmo mercado, e os produtos substitutos, que podem reduzir o consumo do produto que a empresa oferece. Há ainda, nesse ambiente, as forças pertinentes ao poder de negociação de clientes e de fornecedores em relação à empresa. A segunda etapa do processo estratégico trata da análise do ambiente interno à organização. Essa análise é importante, pois é necessário verificar quais recursos estão disponíveis para a organização, e se tais recursos disponíveis são suficientes para a implementação da estratégia e decidir, caso não sejam suficientes, se é possível adquiri-los ou se haverá necessidade de modificação do plano inicial. Nessa etapa, também se define ou se revisa, com frequência definida pela própria empresa, a missão, a visão e os valores organizacionais. Figura 7 – Estratégia de crescimento Créditos: Monster Ztudio/Shutterstock, Na terceira etapa, tendo em mãos as informações das análises anteriores, podemos iniciar a formulação das estratégias empresariais. Nesse momento, a empresa decide se quer crescer, manter-se como está, ou reduzir sua atuação no mercado. Tomada essa decisão, é possível definir estratégias de unidades de negócios. Uma unidade estratégica de negócios é uma espécie de empresa dentro da empresa, pois tem missão e objetivos específicos e pode ser planejada independentemente dos outros negócios da empresa, conforme Kotler e 17 Armstrong (1993). Como última tarefa dessa etapa, são definidas as estratégias funcionais, que são as que darão suporte à estratégia empresarial, por meio de ações de cada uma das áreas da empresa, como TI, marketing, finanças, operações, recursos humanos, entre outras. A quarta etapa trata da concretização da estratégia planejada por meio de sua implementação. A implementação deve acontecer levando em consideração a estrutura e a cultura organizacionais. Cabe às lideranças da empresa comunicar como as estratégias serão efetivamente colocadas em prática. Finalmente, a quinta etapa trata do controle e acompanhamento de todo o processo estratégico. Tal controle é realizado com a medição do desempenho utilizando indicadores pré-definidos. Conforme se dá o acompanhamento do desempenho, é possível definir se há necessidade de mudanças nas estratégias, ou se é possível optar pela sua manutenção enquanto os resultados forem satisfatórios. Finalizada a quinta etapa, o processo todo é reiniciado com uma frequência predefinida pela própria organização. Normalmente, os processos estratégicos são de longo prazo, mas a definição do que seja longo prazo muda conforme o tipo de organização e o tipo de segmento de mercado que essa empresa atende. Uma organização que atue em segmentos mais tradicionaispode trabalhar, por exemplo, com prazos de cinco anos. Empresas que atuam em segmentos de mercado inovadores, por sua vez, podem optar por mudanças anuais em seu processo estratégico. TEMA 5 – ESTRUTURA ORGANIZACIONAL Para que todos os processos organizacionais possam se realizar a contento, é necessário que eles aconteçam em um local, físico ou não, que suporte todas as atividades a serem desenvolvidas para o alcance dos objetivos organizacionais. Nesse local, acontecem todos os relacionamentos necessários para que a empresa cumpra sua missão, suprindo necessidades da sociedade. Esse local é denominado de estrutura organizacional. Como conceito específico, Hall (2004) nos diz que a estrutura organizacional diz respeito à distribuição das pessoas na organização, e que influencia as relações entre elas. 18 Figura 8 – Estrutura organizacional Créditos: NicoElNino/Shutterstock. Nesse sentido, é possível perceber que uma estrutura organizacional terá como características a divisão do trabalho, métodos de trabalho, hierarquia, controle, regras, e assim poderá realizar suas funções básicas: produzir resultados e atingir metas organizacionais; minimizar, ou, pelo menos, regulamentar, a influência das variações individuais sobre a organização; estabelecer quais posições têm poder sobre quais outras; e, onde as decisões são tomadas e onde são executadas as atividades das organizações (Hall, 2004). Conforme Mendes (2020, p. 15), uma estrutura organizacional é um instrumento que auxilia na ordenação das atividades e na estruturação dos processos decisórios, de forma a distribuir atribuições a todos os envolvidos com aquela organização e a distinguir suas interações. Ao se projetar uma estrutura, se verifica as necessidades de pessoal e de como este pessoal será conduzido, atribuindo a cada pessoa que compõe a organização uma função específica. Várias são as formas sob as quais uma estrutura organizacional pode se apresentar, dependendo dos objetivos e estratégias que se pretende alcançar. Mas não devemos confundir forma organizacional com organograma. Uma estrutura organizacional apresenta formas mutáveis ao longo do tempo, isto é, conforme ocorrem mudanças na organização, a estrutura também se modifica, sendo um elemento dinâmico das empresas. Já um organograma é um elemento 19 estático, que representa, em forma de desenho, a estrutura organizacional em um determinado momento da empresa. Mendes (2020) propõe uma metáfora para o entendimento dessa situação, na qual o organograma pode ser pensado como uma foto, e a estrutura seria um vídeo da organização. Mesmo assim, o organograma é útil na medida em que, por ser uma ferramenta gráfica, ele nos auxilia a compreender com maior facilidade os elementos que compõem a estrutura formal da organização, que são a especialização, ou seja, a subdivisão e tarefas em cargos distintos; a departamentalização, pela qual se agrupam as funções de acordo com a semelhança das tarefas a serem realizadas; a cadeia de comando, pela qual se aponta a quem se reportam indivíduos e grupos; a margem de controle, um indicador da quantidade de indivíduos que um gestor pode comandar com eficácia; a centralização, pela qual podemos perceber quanto de poder de decisão está restrito a um determinado grupo; e, a formalização, isto é, a quantidade de regras que existirão para delimitar o trabalho na organização (Mendes, 2020). Cada um desses elementos pode ser encontrado nas organizações sob arranjos distintos, o que torna a estrutura organizacional algo específico de cada empresa. A literatura especializada apresenta alguns desses arranjos, desde os mais tradicionais, em formatos departamentalizados, até os menos convencionais, em formatos orgânicos. Os formatos departamentalizados são encontrados em modelos de estrutura funcional, divisional (por produto, por cliente, por área geográfica), por projeto (estrutura matricial), ou por uma combinação dessas várias possibilidades. Apresentamos exemplos das estruturas tradicionais nas Figuras 9, 10 e 11. Figura 9 – Estrutura funcional Fonte: Oliveira, 2014, p. 129. 20 Figura 10 – Estrutura divisional por clientes Fonte: Oliveira, 2014, p. 136. Figura 11 – Estrutura matricial Fonte: Oliveira, 2014, p. 143. Já os formatos orgânicos apresentam maior flexibilidade nos relacionamentos entre as pessoas, assim são adotados modelos menos tradicionais, que promovam a fluidez necessária a esse tipo de organização. Um exemplo de formato orgânico é a holacracia, no qual as pessoas estão distribuídas em um espaço compartilhado, com um agrupamento de supercírculos representando departamentos ou funções, junto a círculos menores, que representam áreas específicas. Outro exemplo é o modelo de 21 times de produto criado pela Spotify, e bastante utilizado atualmente por várias startups. Figura 12 – Estrutura orgânica (holacracia) Créditos: efuroku/Shutterstock. Startups são, de modo geral, empresas que estão iniciando no mercado com forte ênfase no desenvolvimento de produtos inovadores. Esse tipo de empresa necessita de uma estrutura organizacional na qual se mantenham margens de controle adequadas por gestor (Project Owner – PO), para que ele possa conhecer com profundidade todas as atividades desenvolvidas por seus subordinados. A proposta da Spotify é organizar o trabalho por meio de squads, equipes de trabalho autônomas e autogeridas, compostas de três a dez membros no máximo. Desta forma, cada squad tem liberdade para desenvolver todos os aspectos do produto em que esteja trabalhando no momento. 22 Figura 13 – Estrutura orgânica (Spotify) Fonte: Kniberg; Ivarsson, 2012. A estrutura de uma organização deve ser planejada pelo gestor de forma a facilitar o alcance de objetivos e a realização dos processos organizacionais. Assim, é fundamental uma análise da empresa em si e do ambiente no qual está inserida, bem como das vantagens e desvantagens de cada modelo de estrutura organizacional. Não há um modelo melhor ou pior, mas sim o mais adequado às necessidades da organização e que oferecerá um melhor suporte para o alcance dos resultados desejados. No entanto, é interessante ressaltar que todos esses relacionamentos estabelecidos na estrutura de uma empresa acontecem independentemente dos funcionários estarem em um mesmo local físico. Assim, em especial com a recente disseminação do home office, fica mais fácil perceber que novas formas de relacionamento são estabelecidas, e que há uma tendência à adoção de modelos mais orgânicos, que respondam com maior rapidez a crises e momentos de incerteza futuros. FINALIZANDO Nesta aula, você pôde perceber que as organizações são um complexo de processos, ou seja, de atividades realizadas de forma sequencial para o 23 alcance dos resultados desejados e do atendimento satisfatório aos clientes da organização. Você também aprendeu que há uma série de processos que podem ser encontrados em qualquer empresa. Entre eles, você pôde conhecer, com um pouco mais de profundidade, os processos decisório, tecnológico, e estratégico das organizações. O processo decisório é marcado pelas escolhas racionais que orientam a forma como a empresa age ao longo do tempo; o tecnológico, é fundamental para a mudança e a inovação organizacionais, pois é alimentado pelo conhecimento desenvolvido na empresa sob a forma de produtos, de processos e de informação; o processo estratégico, por sua vez, é responsável por manter a organização competitiva frente às suas concorrentes no mercado. Para que todos esses processos aconteçam, estudamos que a organização precisa de uma estrutura, ou seja, de uma base na qual se fundamentem os relacionamentos que ocorrem dentro da empresa. A estrutura formaliza esses relacionamentos na medida em que estabelecequem manda em quem, quem obedece a quem, quem trabalha com quem. E você pode ver que há vários modelos diferentes de estruturas: desde as mais tradicionais, em formato de pirâmide, na qual quem manda está no topo da pirâmide e quem obedece está embaixo, até os modelos mais inovadores, nos quais a hierarquia deixa de ser importante, e nos quais se busca um relacionamento mais ágil e rápido entre as pessoas da organização. No entanto, todos os modelos têm um objetivo em comum, que é gerar os melhores resultados, atendendo adequadamente às necessidades da sociedade. ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA AULA 4 Profª Dayse Mendes 2 CONVERSA INICIAL Essa aula é dedicada à compreensão do processo de gestão das organizações. Você compreenderá que esse é um processo complexo e que varia conforme a necessidade da organização e até mesmo, conforme o nível em que estão sendo realizadas as atividades do gestor. Tal processo é composto pelas funções de planejamento, organização, direção e controle. Você entenderá que o planejamento é o momento em que o gestor define o futuro da organização, quais serão os objetivos a serem alcançados e quais são os resultados desejados. Esse é um momento importante e deve fazer parte da rotina do gestor, mesmo com as pressões que ele sofre para que as ações comecem a acontecer o mais rápido possível. Para o planejamento, é possível usar ferramentas que auxiliem a transformá-lo num plano. Nesse sentido, você conhecerá o 5W2H, uma ferramenta para descrever os planos de ação da empresa. Realizado o planejamento, é necessário organizar os recursos da empresa para que o plano possa ser colocado em prática. Você verá que o gestor, nesse momento, deve se preocupar em estabelecer tanto os recursos materiais quanto os relacionamentos entre as pessoas para que as atividades comecem a ser realizadas. Feita esta organização, é necessário informar aos colaboradores o que eles precisam fazer, quais são suas responsabilidades. Para tanto, você perceberá que o gestor realizará a direção, conduzindo as pessoas ao alcance dos resultados planejados. A direção acontece por meio de comunicação e, se possível, de liderança. Finalmente, encerrando o processo de gestão, se dá o controle, no qual se verifica se o que foi planejado está sendo alcançado ou não. O ideal, nesse momento, é contar com um sistema de indicadores, que apontará se o desempenho real é o esperado ou não. A partir desse ponto será possível iniciar um novo ciclo, com novas decisões, sempre em busca da melhoria dos demais processos organizacionais. 3 TEMA 1 – O PROCESSO DE GESTÃO Embora todos os processos organizacionais sejam relevantes para que a empresa possa efetivar seu papel na sociedade e atender as necessidades para que foi criada, é notório que o processo de gestão em si é fundamental. As quatro funções do administrador – planejar, organizar, dirigir e controlar – formam, em conjunto o que entendemos por um processo de gestão. O ideal seria que o gestor dominasse cada uma dessas funções, alcançando um equilíbrio entre elas, mas normalmente não é isso o que ocorre, já que cada pessoa tem tendência a desenvolver melhor uma das funções. Além disso, cada uma das funções será exercida de forma distinta, conforme o nível hierárquico em que se encontra o processo. De acordo com Chiavenato (2021), na medida em que o gestor sobe na hierarquia, ele exerce cada vez mais atividades mais amplas e sistêmicas. Assim, o gestor precisa reunir uma gama diferente de recursos e capacidades para alcançar os resultados desejados. Tais atividades podem ser vistas na Figura 01. Figura 1 – Processo de gestão nos diversos níveis de atuação Níveis de Atuação Planejamento Organização Direção Controle Institucional Planejamento Estratégico, Determinação dos objetivos organizacionais Desenho da estrutura organizacional Direção geral, Políticas e diretrizes de pessoal Controles globais e avaliação do desempenho organizacional Intermediário Planejamento e Alocação de recursos Desenho departamental, Estrutura dos órgãos e das equipes, Regras e procedimentos Gerência e recursos, Liderança e motivação Controles táticos e avaliação do desempenho departamental Operacional Planos operacionais de ação cotidiana Desenho de cargos e tarefas, Métodos e Supervisão de primeira linha Controles operacionais e avaliação do 4 processos de operação desempenho individual Fonte: Elaborado com base em Chiavenato, 2021, p.10 Outra questão relevante é a de que dificilmente o gestor poderá se dedicar a cada uma dessas funções em separado. É muito comum que todas elas aconteçam ao mesmo tempo, já que o ritmo acelerado de trabalho do gestor e as pressões por resultados imediatos impedem que haja essa separação. Conforme Mintezberg (2014, p. 37), por conta do ambiente empresarial, o gestor acaba sendo levado a ter preferência pelas ações concretas, desencorajando um perfil mais reflexivo e de planejamento. Para o autor, o trabalho do gestor “produz manipuladores de informação adaptativos e que preferem situações vivas e concretas”. Figura 2 – Caos na organização Créditos: TeraVector/Shutterstock. Talvez isso explique o porquê de a gestão das organizações parecer bastante caótica, na maioria das vezes. Quantas vezes, como subordinado, você já não se pegou pensando que poderia fazer melhor, ou de forma mais organizada, as atividades sugeridas pelo seu chefe. Na verdade, o caos faz parte da rotina do gestor, e ele deve tratá-lo de forma calculada. Por isso, independentemente de conseguir tratar cada uma das funções como um processo planejado, que ocorre em uma determinada ordem, cabe ao gestor conhecer todas essas funções e os atalhos que podem leva-lo a cumprir com 5 todas elas da melhor forma possível, aproveitando as oportunidades que surgem em sua rotina de trabalho. Mintezberg (2014) ressalta essa ideia ao afirmar que a gestão é um grande aglomerado de aspectos, “é o controle, a ação, os negócios, o pensamento, a liderança, a decisão e muito mais, não somados, mas misturados”, e que todos esses aspectos são relevantes para uma gestão eficaz. Assim, cabe ao gestor se preparar e buscar o apoio de uma boa equipe, para manter tudo funcionando. Note que ao exercer as funções de planejamento, organização, direção e controle o gestor não está atuando ou, literalmente, pondo a mão na massa, posto que as ações operacionais são de responsabilidade de seus subordinados. Embora não realizem essas ações, os gestores devem conhecê-las e, em caso de necessidade (para exemplificar a execução, ou numa situação de conflito, entre outras), realizá-las. TEMA 2 – PLANEJAMENTO O planejamento é uma das funções que compõem a ação de administrar. Ao planejar o gestor busca compreender o que acontecerá no futuro da organização, de forma a se preparar para as situações vindouras. Como o futuro é incerto e não é possível prevê-lo com antecedência, o que se faz é construir cenários possíveis e, a partir deles, antecipar as ações que poderão ser operacionalizadas. De acordo com Maximiano (2015, p. 154-155) o planejamento é uma “forma pragmática de lidar com o futuro, que tenta transformá-lo ou nele realizar objetivos definidos no presente”. Nesse sentido, pode-se dizer que planejar é tomar decisões racionais de forma a tentar superar ou minimizar as incertezas e os riscos que se correm quando se inicia qualquer processo dentro da organização. Para Chiavenato (2021), o planejamento orienta as ações necessárias para alcançar os fins desejados, baseando-se em algum tipo racional de método, lógica ou plano, nunca ao acaso. O uso de método, lógica ou plano acontece porqueo planejamento é uma ideia acerca do futuro, então é algo abstrato e que, para ser colocado em prática, precisa ser transformado em algo concreto. A forma de concretizar um planejamento é por meio de um plano. É o plano que formaliza as ações imaginadas durante o processo de planejamento, por meio de registros escritos que descrevem o que foi planejado. 6 O planejamento em si acontece por etapas. De acordo com Maximiano (2015), essas etapas passam por uma análise da situação atual, a definição dos objetivos almejados, a determinação dos possíveis cursos de ação para se atingir os objetivos, a previsão dos recursos necessários para que a ação ocorra e, finalmente, a definição de meios de controle para a verificação do alcance dos resultados desejados. Essas etapas se combinam entre si e originam os planos. Figura 3 – Etapas do planejamento Fonte: Maximiano, 2015, p. 155. A parte mais importante de um plano é o objetivo. Um objetivo pode ser conceituado como um resultado desejado, ou seja, é o fim, o propósito, a intenção ou o estado futuro que um indivíduo ou uma organização pretende alcançar. Maximiano (2015, p.156) explica que um objetivo pode ser: • Um resultado, situação ou estado futuro desejado, como: ganhar uma parcela do mercado, vencer um oponente, ser aprovado no vestibular, reduzir a violência em uma comunidade ou desenvolver uma habilidade. • A realização de um produto, físico ou conceitual, como: construir uma casa, desenvolver um novo veículo, implantar um sistema, produzir um filme ou criar uma marca para um produto. • A realização de um evento, como: organizar e realizar uma competição esportiva, as eleições a cada quatro anos, um festival de cinema ou uma feira de produtos da cidade. Os objetivos são propósitos abstratos. Para que possam ser alcançados é necessário transformá-los em metas, pois essas traduzem o objetivo em termos numéricos, possíveis de serem observados e controlados. As metas proporcionam a noção de quantidade, prazo, porcentagem, nível, ordem de 7 grandeza relacionadas aos recursos empregados para o alcance dos objetivos. Por exemplo, a empresa tem por objetivo montar computadores gamer. Como meta, a empresa se propõe a montar 10 computadores por dia, com 98% de qualidade de aceitação. Para realizar o planejamento, é possível utilizar uma série de técnicas distintas, que podem ser escolhidas de acordo com a necessidade do gestor, distinguindo-se em especial de acordo com o grau de incerteza a ser enfrentado. Técnicas quantitativas são mais adequadas a situações de pouca incerteza e técnicas qualitativas se prestam a planejamento de situações com maior incerteza. Uma técnica quantitativa consagrada é a análise de tendências. Nas técnicas qualitativas são usados com frequência o Método Delphi, a técnica de grupo nominal e a construção de cenários. O Método Delphi lança mão do conhecimento de um painel de especialistas no assunto que se pretende analisar. Cada um desses especialistas emitem uma análise, individualmente, sobre questões de acordo com seu conhecimento e experiência no assunto. Os resultados são tratados, processados e devolvidos a cada especialista para ajustes. Repetem-se essas etapas, até que as análises de cada um dos especialistas comecem a convergir, chegando à solução da situação analisada. A técnica de grupo nominal, por sua vez, também utiliza de especialistas para discutir uma determinada situação. Mas nesse caso, diferente do Método Delphi, os especialistas são colaboradores da empresa e se reúnem especificamente para participar de discussões organizadas sobre o assunto em pauta. Essa técnica é usada tanto para fazer previsões como para resolver situações problema da organização. Num primeiro momento, cada especialista dá uma resposta individual sobre a situação. Essas respostas são apresentadas ao grupo em forma de propostas. Ao final de todas as apresentações, é feito um ranqueamento das propostas, para escolha das melhores. 8 Figura 4 – Grupo nominal Créditos: FGC/Shutterstock. A construção de cenários é uma técnica clássica de planejamento sob incerteza. Essa técnica consiste em combinar duas ou mais variáveis de interesse em relação à situação analisada. Essas variáveis são transformadas em escalas e analisadas em uma matriz, que demonstra os vários cenários alternativos que podem surgir nessa situação. A partir desses cenários, se planejam as ações para se obter o objetivo desejado, imaginando-se que eles são uma ruptura do futuro com o presente. Para as situações de menor grau de incerteza – em especial pela possibilidade de comparar as situações atual e futura com o histórico dessa mesma situação no passado – uma das técnicas utilizadas é a análise de tendências. Nessa situação, se projeta o futuro com base em experiências anteriores, ou seja, o “método pressupõe que o futuro seja uma continuação do presente”. (Maximiano, 2015, p. 176). Para tanto, se escolhe uma variável em que se tenham os dados quantitativos de seu comportamento anterior e, com base nisso, se projeta o que acontecerá à frente no tempo. 9 Figura 5 – Análise de tendências Créditos: Ivelin Radkov/Shutterstock. Como técnica para a realização de planos, a mais comum é a ferramenta 5W2H, que auxilia na elaboração de planos de ação. Um plano de ação deve demonstrar todas as atividades necessárias para se atingir um objetivo com os resultados desejados, observando que até mesmo não fazer nada pode ser uma ação necessária para atingir um objetivo. E, exceto em casos de urgência, é preciso definir um prazo para a conclusão de cada uma das ações planejadas. O 5W2H é uma espécie de checklist que auxilia a lembrar de sete pontos principais de um plano de ação, orientando assim a realização de todas as etapas do planejamento. Origina-se das sete palavras em inglês: What, When, Who, Why, Where, How, How Much, que em português se traduzem por: “O Quê”, “Quando”, “Quem”, “Por Quê”, “Onde”, “Como” e “Quanto”. O mais usual é uma apresentação na forma de uma simples tabela que pode ser feita como planilha ou texto, dependendo da habilidade de informática de quem o faz. Para ações mais elaboradas, existem softwares de auxílio a projetos que rodam em sistema operacional ou com interface web. 10 Figura 6 – 5W2H O QUÊ? QUEM? ONDE? POR QUÊ? QUANDO COMO? QUANTO? Completar com as informações... ............ ............ Fonte: Ballestero-Alvarez, 2019, p. 127. De acordo com Ballestero-Alvarez (2019, p.126), para cada uma das sete palavras, é possível fazer uma série de questionamentos que delimita melhor o plano das ações. Dentre as perguntas possíveis, estão: • O quê? O que deve ser feito? Qual é a atividade? Qual é o tema? Quais os resultados dessa atividade? Quais atividades dependem dela? Quais atividades são necessárias para iniciar a tarefa? O que se precisa para começar? • Quem? Quem fará o trabalho? Que é o responsável? Quem executará essa atividade? Quem depende da execução dessa atividade? De quem a atividade depende? • Onde? Em que lugar acontecerá? Onde será feito o trabalho? Onde será executada a atividade? Onde ocorrerá o evento? • Por quê? Por que a tarefa é necessária? Por que a operação deve ser feita? Ela pode ser eliminada? Omitida? Ela não pode ser unida/fundida com outra? Por que nesta área? Por que neste momento? Por que com essas pessoas? • Quando? Quando será feito? Quando se inicia a atividade? Quando se terminará? Quando acontecerá o evento? • Como? Como fazer a atividade? Como desenvolver a operação? Como a atividade será executada? Como acompanhar o desenvolvimento? Como as pessoas farão a atividade ou o trabalho? • Quanto? Quanto custa o projeto? Quanto custa a operação atual? Quanto custará depois dasmudanças? Qual a relação custo x benefício? Realizado o plano de ação, é possível colocar o planejamento em prática para assim, de maneira mais eficaz, alcançar os objetivos desejados para a organização. Com essa ação previnem-se os riscos desnecessários, reduz-se o grau de incerteza, evitam-se os desperdícios e incorreções e proporciona-se a execução das atividades organizacionais de maneira mais assertiva. 11 TEMA 3 – ORGANIZAÇÃO Depois de realizado o planejamento, se faz necessário uma nova ação para o alcance dos objetivos organizacionais. Trata-se da ação de organizar. Essa ação consiste em separar os recursos que serão necessários para se colocar o plano em prática. Desta forma, é importante ressaltar que o conceito aqui se distingue do substantivo “organização”, tratado por nós anteriormente como um conjunto de pessoas com objetivos comuns. Trata-se, aqui, do verbo organizar. De acordo com Chiavenato (2021, p. 9), a organização é uma função administrativa que se ocupa da “atribuição de tarefas, agrupamento de tarefas em equipes ou departamentos e alocação dos recursos necessários nessas instâncias”. Como qualquer outro processo que ocorre na empresa, ao se organizar decide-se sobre a distribuição, o arranjo e a alocação do trabalho, se estabelece a autoridade e se desdobra os recursos entre todos que deles necessitam para cumprir com o que foi planejado, engajando “as pessoas em um trabalho conjunto, de maneira estruturada para alcançar objetivos comuns”. Conforme Maximiano (2015), o processo de organizar conta com uma série de etapas para que se concretize. Dentre essas etapas, encontram-se a análise dos objetivos e do trabalho a serem realizados; a divisão do trabalho, em conformidade com critérios adequados à realização dos objetivos planejados; a definição de responsabilidades; a definição de níveis de autoridade; e o desenho da estrutura organizacional. 12 Figura 7 – Etapas da organização Fonte: Maximiano, 2015, p.190. A análise do trabalho a ser realizado conduz ao estabelecimento da divisão do trabalho, que é o processo de atribuir tarefas especializadas às pessoas. Ao dividir o trabalho em uma série de etapas tem-se como consequência que os indivíduos fazem, cada um, uma etapa específica, na qual adquirem um maior domínio e conhecimento de como realizar essa tarefa. Surge aí a especialização. É praticamente impossível não se ter divisão de trabalho, por seria economicamente inviável depender somente de uma pessoa para realizar todos os processos organizacionais. Cabe, então, ao gestor analisar como distribuir as tarefas para cada um de seus subordinados, levando em conta as competências de cada funcionário. Como, devido à divisão do trabalho e à especialização, cada indivíduo conhece melhor somente uma parte de todo o trabalho necessário para que a empresa alcance seus objetivos, é necessário definir as responsabilidades, ou seja, quais são as obrigações ou deveres de cada uma das pessoas e comunicar a elas o que devem fazer. Quando se vinculam várias responsabilidades em um conjunto de tarefas se tem um cargo. Quando se juntam vários cargos, normalmente se tem um departamento. A definição das responsabilidades de um cargo se denomina de descrição de cargo. 13 Figura 8 – Descrição de cargo Créditos: D.Georgiev/Shutterstock. Para Maximiano (2015), a finalização do processo de organização acontece quando se atribui a autoridade às pessoas. A autoridade aqui pode ser entendida como o poder concedido pela organização a alguém para que essa pessoa possa conduzir o comportamento dos integrantes de sua equipe ao alcance dos fins desejados. Esse tipo de autoridade é denominado de racional- legal por ser garantida pelas regras e normas estabelecidas pela empresa e reconhecidas pelo grupo de pessoas que compõe a organização. Por conta desse reconhecimento, as pessoas seguem os comandos de quem ocupa o cargo de autoridade, independente de quem seja. Desta forma, a autoridade encontra-se no cargo e não na pessoa que o exerce. Maximiano (2012, p. 193) ainda esclarece que “a autoridade é a contrapartida da responsabilidade. Como os gerentes têm responsabilidade pelo desempenho de outras pessoas, as organizações lhes dão autoridade sobre essas mesmas pessoas”. A autoridade também se relaciona à hierarquia e à amplitude de controle. A hierarquia diz respeito à disposição de autoridade em níveis, dentro da organização. Quanto mais níveis de autoridade e responsabilidade, mais hierarquizada é a organização. Já a amplitude de controle diz respeito a quantos indivíduos um gestor consegue comandar com eficácia. Todos esses elementos devem ser determinados para que se possa ter um desenho adequado da estrutura da organização, e assim garantir que as pessoas estarão alocadas da maneira correta para a consecução do planejamento. 14 Além da alocação correta das pessoas, a ação de organizar também deve atender a alocação de outros recursos, tangíveis e intangíveis, que garantam a sustentabilidade da empresa sua vantagem competitiva e o alcance dos objetivos planejados. Uma vantagem competitiva só é sustentada se recursos e capacidades organizacionais forem devidamente organizados para que estejam disponíveis no momento em que forem necessários e se relacionem de forma correta. Os recursos podem ser entendidos como os ativos tangíveis e intangíveis que a organização possui (ou deve possuir) para que os processos aconteçam, ou seja, são os patrimônios específicos da empresa. Ativos tangíveis são aqueles que podem ser contabilizados, que são concretos. Já os ativos intangíveis são abstratos e, portanto, mais difíceis de serem mensurados. A capacidade, por sua vez, é a aptidão para usar esses recursos, da melhor maneira possível, de forma a realizar tarefas e atividades específicas (Craig, et al., 1999). Figura 9 – Recursos e capacidades Créditos: THE AOBILYQ/Shutterstock. 15 Conforme Craig et al. (1999, p. 37), os recursos (tangíveis e intangíveis) estão divididos em seis categorias distintas e podem ser exemplificados pelos seguintes itens: - Recursos financeiros: reservas de caixa, ativos financeiros de curto prazo, capacidade de empréstimos e fluxo de caixa; - Recursos físicos: fábrica e equipamentos (escala, localização, época, tecnologia, flexibilidade) e recursos de matérias-primas; - Recursos humanos: experiência e qualificação das diferentes categorias de empregados, adaptabilidade e fidelidade dos empregados, qualificação e experiência de alta administração; - Tecnologia: tecnologia própria (na forma de patentes, direitos autorais e segredos comerciais) e recursos tecnológicos (na forma de instalação e pessoal de P&D); - Reputação: marcas dos produtos e seus respectivos valores da marca, marcas registradas e reputação da empresa; - Relacionamento: com clientes, fornecedores, distribuidores e autoridades governamentais. Cabe ao gestor verificar a existência dos recursos existentes, a possibilidade de aquisição dos recursos não disponíveis no momento, ou a troca de recursos planejados, caso não seja possível adquiri-los, e se há capacidade para se trabalhar com todos os recursos necessários. Caso a capacidade não exista, é necessário desenvolvê-la, normalmente por meio de capacitação, ou revisar os recursos para que seja possível aproveitar as capacidades já existentes na empresa. TEMA 4 – DIREÇÃO/LIDERANÇA Planejadas as ações, definidas as tarefas e recursos a serem utilizados para o alcance dos objetivos organizacionais, é necessário colocar as ações em prática. Para isso, é preciso que o gestor oriente o que cada um de seus colaboradores deve fazer. O gestor usará de sua autoridade e influência para conduzir as pessoas a desempenhar suas funções e responsabilidades de forma adequada. Ou seja, conformeKwasnicka (2012, p. 250), “a tarefa de dirigir está diretamente relacionada com a interface entre as pessoas dentro de uma organização, quer seja, superiores, quer sejam subordinadas, quer sejam pares”. 16 Figura 10 – Direção Créditos: Photobank.kiev.ua/Shutterstock. A direção será exercida por quem tem a autoridade para tanto, dada pela organização. Com esse poder, legitimado pela empresa, o gestor terá o direito de ser obedecido quando tomar suas decisões e esperar que seus comandos sejam realizados de maneira satisfatória. Para tanto é necessário que o gestor se comunique, de forma eficiente, com os colaboradores para que esses aceitem e entendam suas responsabilidades e as ações que devem realizar. Kwasnicka (2012, p. 257) explica que o processo de comunicação envolve a seleção do que será informado, “a codificação dessa informação, a transmissão da informação codificada e o movimento dessa transmissão por meio dos canais de comunicação para o receptor, que então detecta a informação transmitida, isto é, decodifica a transmissão e seleciona os assuntos comunicados que são mais importantes para ele”. Vê-se aqui a importância de ter bons canais de comunicação, que utilizem métodos que todos compreendam e saibam utilizar. Dentre os métodos existentes é possível destacar as mensagens escritas, a fala e o silêncio, a expressão física, o comportamento, métodos esses que são detectados por quem recebe a comunicação observando, lendo, escutando. Como ferramentas que o gestor pode utilizar para a condução das atividades é possível citar ferramentas como reuniões, e-mail, intranet, mural, 17 redes sociais (WhatsAapp ou Telegram, por exemplo). Com a proliferação do trabalho em home office, há uma tendência de aumento do uso de ferramentas digitais, tais como a vídeo conferência, o compartilhamento digital de documentos e agendas, o uso de redes sociais corporativas, o uso de chatbots e inteligência artificial. O uso de tais ferramentas deve ser organizado pelo gestor para que a comunicação seja eficaz e com o menor grau de ruídos possível. Além da comunicação, outro fator relevante no momento de dirigir as pessoas se refere a como as pessoas aceitam ou serão resistentes a essa direção. Nesse sentido é necessário compreender o conceito de liderança. A liderança pode ser entendida como “a capacidade de influenciar um grupo para alcançar metas” (Robbins, 2005, p.258), de maneira suave, pois o seguidor valoriza as ações do líder. Assim, de acordo com Bergamini (2015, p. 146), o verdadeiro líder “consegue que seu pessoal chegue a minimizar até mesmo seus interesses pessoais para comprometer-se com os objetivos da organização” sem ter que usar de pressão, manipulação ou coerção para alcançar os resultados desejados. Tudo isso acontece porque os liderados se sentem confortáveis com a seu líder e tem confiança nele. Figura 11 – Liderança Créditos: REDPIXEL.PL/Shutterstock. Nem todo gestor terá as características de um líder, mas não há dúvida de que o processo de direção será muito mais simples se comandado por alguém que apresente competências de liderança, já que assim se garantirá um maior comprometimento das pessoas com as ações a serem realizadas. Por outro lado, 18 há a expectativa dos liderados de que o líder detenha conhecimento e poder necessários para que as ações planejadas aconteçam. Além disso, conforme Maximiano (2015), há uma tendência de autogestão nas organizações, que exigem mais habilidades de liderança e menos de chefia pelos gestores, já que as decisões são divididas com toda a equipe, ao invés de serem responsabilidade somente do gestor. TEMA 5 – CONTROLE A função de controle deve ser exercida pelo gestor para verificar e assegurar que os objetivos planejados estão sendo alcançados. Para garantir que o planejamento está correto se faz necessário estabelecer padrões, medir o desempenho segundo os padrões estabelecidos e agir corretivamente para o alcance daquilo que foi planejado. Conforme Sertek et al. (2012), o controle pode ser entendido como um instrumento de feedback, ou seja, de devolutiva em relação às atividades realizadas na empresa. Essa função é exercida porque se quer ter a certeza de que os recursos organizacionais não estão sendo desperdiçados, ou seja, que estão sendo utilizados para a consecução dos objetivos da empresa em conformidade com o planejado. Para acompanhar os resultados dos processos organizacionais é necessário compreender a metodologia de acompanhamento desses resultados. Conforme Hourneaux Jr. e Cunha (2013, p.3) é necessário entender “como os dados são obtidos, analisados, interpretados, comunicados e qual o impacto deste processo no próprio desempenho organizacional” para, então obter um sistema de mensuração e avaliação do desempenho, ou seja, “um sistema de indicadores gerenciais que abrange todas as perspectivas relevantes da organização”. Por meio do sistema de indicadores é possível para o gestor efetivar o controle, pois esse sistema garante a mensuração e auxilia na avaliação do desempenho dos processos organizacionais. A partir dessa avaliação o gestor terá condição de propor as melhorias necessárias a esses processos, de forma a atingir os objetivos propostos quando do planejamento. Esses sistemas se constituem em conjuntos de indicadores que são elaborados de acordo com as necessidades do acompanhamento de resultados, já que, ao avaliar o desempenho se está comparando o que foi realizado em relação aos objetivos planejados. 19 Um indicador de desempenho pode ser conceituado como “uma informação quantitativa ou qualitativa que expressa o desempenho de um processo, em termos de eficiência, eficácia ou nível de satisfação e que, em geral, permite acompanhar sua evolução ao longo do tempo e compará-lo com outras organizações” (FNQ, 2014, p. 4). Mas a comparação não precisa ser somente com outras organizações. O indicador pode ter outros balizadores de verificação de desempenho, como o próprio histórico de indicadores do processo que está sendo acompanhado. A empresa deverá ter um sistema de indicadores, pois será necessário acompanhar os mais diferentes processos dos subsistemas organizacionais. Assim, a empresa deverá ter indicadores que monitorem todos os processos importantes para sua continuidade e para o alcance dos resultados desejados. Indicadores de finanças, processos produtivos, recursos humanos, marketing, tecnologia de informação, entre outros, todos esses processos podem e devem ser monitorados por um ou vários indicadores. Importante observar que os indicadores também são conhecidos como KPIs (key performance indicators) e muitas organizações utilizam essa nomenclatura. Figura 12 – Key Performance Indicator Créditos: buffaloboy/Shutterstock. A medição sistemática e estruturada dos resultados, utilizando indicadores, permite ao gestor fazer as intervenções necessárias com base em informações pertinentes e confiáveis, à medida que ocorrem as variações entre o planejado e o realizado. (FNQ, 2014, p. 3). Pessanha et al. (2017, p. 3) reforçam essa ideia ao comentar que o monitoramento dos resultados “contribui para clarificar expectativas, promover consistência, fornecer sinais de risco, permitir precisões e objetivar previsões, promover motivação e melhorar as soluções dos problemas, a tomada de decisões, os alinhamentos e a execução 20 de metas, melhorar a responsabilidade e aumentar a objetividade”. Finalmente, os indicadores auxiliam a reduzir ou, até mesmo, eliminar erros ocorridos anteriormente pois facilitam a descoberta de desvios que possam estar gerando esses erros nos processos monitorados. Figura 13 – Comparação de desempenho Créditos: boonchoke/Shutterstock Obtidas as medições do desempenho real por meio dos indicadores é possívelfinalizar o processo de controle ao comparar o desempenho real ao desempenho planejado. De acordo com Maximiano (2015, p. 227), essa comparação pode levar a três situações distintas: • Desempenho real igual ao esperado: quando o objetivo é realizado, uma ação de reforço pode ser apropriada. Por exemplo, um prêmio de incentivo para a equipe que atingiu suas metas. • Desempenho real abaixo do esperado: uma ação corretiva deve ser posta em prática para fazer o desempenho chegar até o nível desejado. Por exemplo, mais recursos podem ser aplicados. Em certos caso, algum tipo de punição pode ser apropriado, como as multas para o motorista que não respeita o limite de velocidade. Essa informação também pode revelar que o nível do objetivo foi superestimado, sendo necessário reduzi-lo. • Desempenho real acima do esperado: a ação de reforço, nesse caso, tem a finalidade de sustentar um desempenho que ultrapassou o objetivo, ou um desempenho acima da média. Por exemplo, um número maior de funcionários pode ser alocado ao departamento de produção, para atender a um volume de vendas maior que a previsão. Ou uma equipe de funcionários pode ser premiada por um desempenho excepcionalmente elevado. 21 Toda a informação gerada durante o processo de controle permite que o gestor possa tomar novas decisões, realimentado todo o processo de gestão e reiniciando o planejamento, já que as informações de controle permitem fazer projeções sobre o futuro. FINALIZANDO Nessa aula foi possível compreender sobre o processo de gestão das organizações e sua importância. Para tanto, você viu que esse processo é composto pelas funções de planejamento, organização, direção e controle. Você percebeu que o planejamento diz respeito ao futuro da organização, em um momento no qual o gestor imagina o que seria adequado que a empresa realizasse para cumprir com seu papel na sociedade. Você pode estudar uma ferramenta que transforma o planejamento em algo mais concreto, um plano de ação, denominada de 5W2H, que pode ser usada para qualquer situação de planejamento. Você também entendeu que, antes de começar as atividades planejadas, é necessário que o gestor determine quais serão os recursos (materiais e de pessoal) alocados para a consecução do planejamento e os separe para o momento da execução, exercitando assim a função de organização. Seguindo o processo, o gestor poderá dirigir as pessoas que a ele estão subordinadas para que executem o que foi planejado de maneira eficaz, sem grandes resistências. Finalmente, você viu que o gestor deve controlar, verificando e assegurando que os objetivos planejados estão sendo alcançados. E a partir daí você percebeu que é possível iniciar um novo ciclo, planejando novos objetivos e buscando novos e melhores resultados para a empresa. ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA AULA 5 Profª Dayse Mendes 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, você vai conhecer conceitos de economia que possam auxiliá- lo a compreender como utilizar alguns desses fundamentos em sua rotina como engenheiro. Para tanto, você inicia essa compreensão por meio de uma base conceitual, denominada de fundamentos da economia. Você entenderá que Economia é uma ciência que estuda o uso dos recursos produtivos em uma determinada nação e qual o impacto desse uso na capacidade da nação em se manter funcional em relação a ela mesma e aos demais países existentes no mundo. Você perceberá que existem vários setores econômicos diferentes, cada um deles com características próprias, de acordo com os produtos desenvolvidos em cada um deles. Você poderá distinguir duas macroanálises realizadas por economistas, a análise microeconômica, voltada aos problemas das empresas, e a análise macroeconômica, voltada a um olhar mais sistêmico da economia da nação como um todo. Você compreenderá a importância do desenvolvimento econômico e como um conceito do ínício do século XX, a destruição criativa, pode ser bastante adequado a uma análise de desenvolimento sob a ótica da Engenharia. Finalmente, você terá acesso a conceitos atuais de economia colaborativa e economia digital que, sem dúvida, farão parte da sua vida, tanto profissional como pessoal, num futuro muito próximo. TEMA 1 – FUNDAMENTOS DE ECONOMIA Economia é uma palavra que ouvimos constantemente em nossa rotina diária e nem sempre nos damos conta de sua importância ou mesmo de seu significado. Para o senso comum, fica a ideia de moderação no consumo e nos gastos. Mas economia é muito mais do que isso. A Economia (com letra maiúscula) é uma ciência que estuda “como empregar recursos produtivos escassos frente a uma sociedade que tem necessidades ilimitadas por bens e serviços” (Silva, 2018, p. 21). A ênfase está na escassez, já que a maioria dos recursos não existe para todos, seja porque o recurso é realmente finito, seja porque as pessoas não têm 3 acesso a esse recurso com facilidade. Cabe então à Economia analisar formas de alocar os recursos produtivos para, então, atender às necessidades das pessoas o máximo possível. Assim, surgem alguns problemas econômicos fundamentais. De acordo com Vasconcellos e Garcia (2019, p. 3), esses problemas são três: “O que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir?”. O que e quanto produzir diz respeito à escolha que a sociedade deve fazer em relação a que produtos produzir, tendo em vista a escassez de recursos produtivos que não dizem respeito somente a matéria-prima, mas também a outros recursos necessários para a produção, tais como equipamentos, mão de obra, tempo, infraestrutura, entre outros. O segundo problema diz respeito à escolha dos melhores métodos para se produzir, em busca de eficácia, produtividade, minimização de custos. O terceiro está associado à escolha de quem receberá os produtos, de acordo com a distribuição de renda dessa sociedade. Figura 1 – Escassez de recursos Crédito: Lightspring/Shutterstock. 4 Todas essas escolhas devem ser racionais e pautadas em uma relação de análise de custo x benefício. Cada sociedade faz sua própria análise de custo x benefício, mas é possível separar, em termos didáticos, formas distintas de realizar essas definições, por meio do que se denomina de sistema econômico. Vasconcellos e Garcia (2019) explicam que existem dois tipos de sistemas econômicos: o sistema capitalista, ou de economia de mercado, e o sistema socialista, ou de economia centralizada. Atualmente, é quase impossível encontrar um país que atue de forma pura em um ou outro sistema. A maioria dos países acaba atuando com um sistema misto, alguns mais voltados à livre iniciativa e à propriedade privada dos recursos de produção, outros mais voltados à predominância da propriedade pública dos recursos produtivos. Os recursos utilizados nos sistemas econômicos, por sua vez, podem ser classificados em três grandes grupos, que são: A terra: recursos naturais e/ou tudo que vem da natureza. O uso sustentável desse grupo de recursos que provém da terra (como água, minérios, combustíveis fósseis e outros) deve estar no centro do debate de qualquer alternativa de produção, visto que, se não são eficientemente utilizados, criam mais custos no futuro, devido ao aumento de escassez. O trabalho: é o tempo despendido pela mão de obra para a realização da produção de determinado bem ou serviço. É tido como o fator mais importante, pois, por mais que as máquinas façam muita coisa nos dias atuais, tem sempre um cérebro humano por traz de toda a parafernália tecnológica. Aqui é importante a capacitação constante da mão de obra, para que ela possa ser bem utilizada no processo produtivo. O capital: se refere às máquinas e aos equipamentos que servirão para a produção de outros bens. Logo, esses bens duráveis que servem à produçãode outros (computadores, máquinas a laser, fornos, tratores e tantos outros) são chamados de bens de capital. (Silva, 2018, p. 12) Conforme Vasconcellos e Garcia (2019), para se compreender o funcionamento de um sistema econômico, é necessário entender que existem fluxos dentro desse sistema. Um desses fluxos é denominado de fluxo real da economia. Nele, há uma troca de bens e serviços entre pessoas e empresas. Há também o fluxo monetário, que torna possível o fluxo real acontecer, por meio do uso de moeda, utilizada para remunerar os fatores de produção e pagar os bens e serviços. A remuneração se dá por meio de salários, juros, aluguel e lucro. 5 Juntando esses dois fluxos, há o fluxo circular de renda. O fluxo completo em um sistema monetário inclui ainda o setor público, com impostos, e o setor externo, no qual acontecem transações comerciais com o resto do mundo. Figura 2 – Fluxo circular de renda Fonte: Vasconcellos; Garcia, 2019, p. 11, Um último conceito relevante para se ter uma base de compreensão da Economia diz respeito a definição de bens. Silva (2018, p. 17) explica que existem os bens de capital e os bens de consumo. Para a autora, os bens de capital são aqueles utilizados para a produção de outros bens, tais como “máquinas, equipamentos e computadores usados na produção”. Já os bens de consumo são aqueles que atendem diretamente as necessidades das pessoas e podem ser “divididos entre bens duráveis (como eletrodomésticos e automóveis) ou bens não duráveis (como alimentação e sabonetes). Há ainda os bens intermediários, que são transformados e totalmente consumidos durante o processo produtivo, e os bens finais que estão prontos para atender ao consumidor final. Finalmente, é interessante ressaltar que há duas grandes áreas de estudo econômico, a microeconomia e a macroeconomia, que tratam de aspectos complementares dentro de um sistema econômico. TEMA 2 – SETORES ECONÔMICOS 6 Como engenheiro, você terá a possibilidade de prestar seus serviços profissionais nas mais diversas atividades que existem em nossa sociedade. Essas atividades são, tradicionalmente, categorizadas de acordo com o setor econômico no qual se encontram, apresentando características distintas, em conformidade com o contexto de cada setor. Tais setores são definidos como primário, secundário, terciário, quaternário e quinário. Figura 3 – Setores econômicos Fonte: Fitzsimmons; Fitzsimmons, 2014, p. 6. O setor primário da economia tem esse nome por ter sido o primeiro a ser explorado pelos homens, visto que consiste na simples extração direta de produtos que se encontram disponíveis na natureza. São produtos que, por conta Quinário (aumento do pontencial humano): Saúde, Educação, Pesquisa, Artes, Recreação. Quaternário (Negócios e comércio): Tranporte, Comunicação, Varejo, Finanças, Governo. Terciário: (serviço doméstico): Restaurantes, Hotéis, Lavanderia, Manuntenção. Secundário (produção de bens): Manufatura, Processamento. Prímario (extrativo): Agricultura, Mineração, Pesca, Silvicultura. 7 de suas características, podem ser consumidos diretamente ou servir de matéria- prima para a fabricação de outros produtos. Entre as atividades típicas do setor, encontram-se a agricultura, a pecuária, o extrativismo vegetal e mineral, a caça e a pesca. Apesar de fazer parte da economia de qualquer país, as atividades do setor primário não agregam muito valor às nações que baseiam sua economia nesse tipo de atividade. Anteriormente, era um setor que empregava muita mão de obra, mas, com o passar do tempo, se tornou extremamente mecanizado, o que reduziu a quantidade de empregos na medida em houve grande substituição de mão de obra por máquinas. Por outro lado, a mecanização trouxe mais tecnologia para o setor, exigindo mão de obra mais qualificada e abrindo portas para a inserção de engenheiros nessas atividades. Figura 4 – Tecnologia na agricultura Crédito: Suwin/ Shutterstock. O setor secundário tradicionalmente é relacionado, no senso comum, às engenharias, pois é o responsável pela transformação das matérias-primas do setor primário em produtos. Ou seja, o setor secundário é composto pelos vários tipos de indústrias existentes no mercado. Dentre as indústrias, encontram-se: 8 • A Indústria de base que tem como entrada os produtos extraídos da natureza e que, com seus processos de transformação, os converte em produtos semielaborados, que serão utilizados para a fabricação de outros bens destinados ao consumidor final. São exemplos de indústria de base a indústria metalúrgica e a indústria química. • A indústria de bens de capital, cuja função é transformar produtos em peças, máquinas e ferramentas que serão utilizadas para as atividades da indústria de bens de consumo. São eles que alimentam toda a cadeia produtiva. Como exemplo, temos indústrias fabricantes de máquinas, aeronaves, peças de automóveis; geradores de energia elétrica, entre outros, usados na indústria. Figura 5 – Fábrica de turbina Crédito: Gorodenkoff/Shutterstock. • A Indústria de bens de consumo é o tipo mais conhecido, pois é nela que se produz o produto final, ou seja, o produto que será vendido para o consumidor final, aquele que utiliza o produto para consumo próprio. Essa indústria se subdivide em duas categorias, que são: indústria de bens duráveis e indústria de bens não duráveis. A indústria de bens duráveis oferece produtos de alto valor agregado e que são fabricados para durar longos período de tempo. Já a indústria de bens não duráveis disponibiliza ao mercado produtos perecíveis, isto é, com pouca duração no tempo. 9 • A indústria de ponta é a mais sofisticada e de maior intensidade tecnológica, podendo ser caracterizada pela utilização maciça de recursos tecnológicos altamente sofisticados e por se apresentar em constante processo de inovação, com altos investimentos financeiros para o desenvolvimento de pesquisas. Até pouco tempo atrás, o setor secundário era o ramo da economia que mais gerava empregos. Ao se modernizarem os sistemas produtivos, por meio da mecanização dos processos, assim como da implantação da produção flexível, grande parte da mão de obra vem saindo das fábricas e se deslocando para o comércio e os serviços, aquecendo, assim, o setor terciário. Com a oferta de empregos diminuindo nos setores primário e secundário por conta da mecanização e da automatização das atividades realizadas nesses setores, há uma migração dos trabalhadores para as atividades do setor. Atividades de comércio e de prestação de serviços representam as ações desenvolvidas nesse setor. Tais atividades surgem naturalmente com a transformação da sociedade de industrial para pós-industrial. O setor terciário é composto por uma gama muito ampla de bens imateriais, ou seja, daquilo que o consumidor receberá em forma de atividades de educação, de lazer, de turismo, de entretenimento, de segurança, de auxílio jurídico, de consertos mecânicos, domésticos ou eletrônicos, entre outras. Todas essas atividades exigem profissionais e tecnologias que prestem um serviço considerado útil ao consumidor. Além dos serviços, o setor também é composto por atividades de comércio. 10 Figura 6 – Serviço de programação Crédito: RossHelen/ Shutterstock. Com a transformação da sociedade e o surgimento de novas atividades que não existiam décadas atrás, passa a existir novas divisões, além dos três setores clássicos, para abranger essas atividades que não se enquadravam adequadamente no setor terciário, por conta de suas características peculiares. Assim, surgem o setor quaternário e o setor quinário de atividades econômicas. O setor quaternário da economia pode ser definido como aquele que é pertinente à economia do conhecimentoà medida que suas atividades estão relacionadas a ações intelectuais, frequentemente associadas à inovação tecnológica. Assim, o trabalhador desse setor econômico é alguém capacitado a trabalhar com dados e informações que transformam o conhecimento preexistente na sociedade e trazem novas formas organizacionais mais adequadas às rápidas transformações que ocorrem nesse setor. Como exemplos de atividades que compõem esse setor, temos aquelas exercidas na pesquisa científica, na educação e na tecnologia da informação. O Vale do Silício se tornou o paradigma dessa nova sociedade regida pelo conhecimento. O Vale do Silício é uma região, nos EUA, na qual se localizam empresas de alta tecnologia, das áreas de eletrônica e informática, tais como Google, Meta (Facebook), Pixar, Intel, Netflix, para citar as mais conhecidas. 11 Figura 7 – Vale do Silício Crédito: zimmytws/Shutterstock. Assim como não fazia mais sentido tentar encaixar as atividades do setor quaternário no setor terciário, o mesmo acaba por ocorrer com outras atividades que surgiram ao longo do tempo, forçando a mais uma divisão das atividades econômicas em um quinto setor, o setor quinário. Nesse setor, encontram-se atividades que são realizadas sem o intuito do lucro, mas com o objetivo de interpretar ideias, novas ou já existentes, analisar dados, avaliar novas tecnologias e criar novos serviços. É nesse setor que encontramos profissionais altamente remunerados, cientistas, pesquisadores, funcionários do governo, trabalhando em universidades, institutos de pesquisa, organizações sem fins lucrativos, organizações de assistência médica e social, organizações de esporte, organizações de entretenimento, entre outras. TEMA 3 – A MICROECONOMIA E A MACROECONOMIA No que se refere à análise econômica, existem duas formas de fazer esse tipo de análise. Em uma dessas formas, analisa-se a economia por suas partes e na outra se olha de forma sistêmica sobre a economia de uma nação como um 12 todo. Dá-se o nome de análise microeconômica àquela que se preocupa com as partes. Já a análise que olha o todo é denominada de macroeconomia. A microeconomia estuda o funcionamento da oferta e da demanda na formação do preço no mercado, por isso, também é conhecida como teoria dos preços. Nesse sentido, seu objetivo é identificar como “a empresa e o consumidor interagem e decidem qual o preço e a quantidade de determinado bem ou serviço em mercados específicos” (Vasconcellos; Garcia, 2019, p. 30). Então, a microeconomia se ocupa, além da análise de formação de preço, do estudo do comportamento do consumidor e do produtor, assim como dos diferentes mercados existentes em uma economia. Figura 8 – Formação de preço Crédito: PCH.Vector/Shutterstock. Já a macroeconomia trata do comportamento da Economia como um todo, em estudos que consideram variáveis como consumo agregado (despesas de consumo das famílias em uma determinada economia), renda nacional, investimentos globais. Assim, o objeto de estudo da macroeconomia está relacionado à análise de grande indicadores como o PIB (Produto Interno Bruto), o PNB (Produto Nacional Bruto), o nível de emprego, o nível geral de preços e os déficits orçamentário e comercial de uma nação, assim como acerca das relações internacionais. 13 Figura 9 – Macroeconomia Crédito: Aleksandar Milosevic/Shutterstock. Apesar de parecerem conceitos totalmente opostos, na verdade, eles se complementam e são estritamente relacionados. Elementos da microeconomia, quando considerados de forma agregada, se transformam em fenômenos macroeconômicos. “Por exemplo: os investimentos individuais (abordagem micro), quando considerados em sua totalidade, convertem-se em investimento agregado (abordagem macro)” (Brasil, 2012, p. 22) Figura 10 – Microeconomia e macroeconomia Microeconomia Macroeconomia 1. Entender os mercados e prever possíveis mudanças. 1. Entender como uma economia nacional funciona. 2. Avaliar as políticas públicas 2. entender os grandes debates sobre política econômica. 3. Tomar decisões gerenciais e pessoais. 3. Melhorar a capacidade de tomada de decisões sobre negócios. Fonte: Brasil, 2012, p. 22. Como engenheiro, em sua rotina, você se preocupará com questões de produção (de bens ou de serviços), portanto, estará inserido em análises microeconômicas acerca de matéria-prima, capacidade produtiva e intelectual 14 das pessoas que compõem a organização, e ferramentas, máquinas, equipamentos, enfim, todos os elementos que compõem a infraestrutura de produção para a transformação dos recursos em bens e serviços. Mas também se preocupará com aspectos macroeconômicos, já que inflação, desemprego, taxa de juros, consumo, entre outros, são variáveis macroeconômicas que acabam por impactar em todos os setores econômicos, nas decisões de investimento, na melhoria da competitividade, entre outros fatores, que afetam diretamente as ações e estratégias a serem determinadas para a manutenção da indústria nacional. TEMA 4 – DESENVOLVIMENTO ECONÔMICO O desenvolvimento econômico, em sua forma clássica, é o objetivo de nações que são capitalistas, ou seja, cuja economia está relacionada a algum tipo de acumulação de capital. Bresser Pereira (2008) nos explica que o desenvolvimento econômico é o processo de sistemática acumulação de capital e de incorporação do progresso técnico ao trabalho e ao capital que leva ao aumento sustentado da produtividade ou da renda por habitante e, em consequência, dos salários e dos padrões de bem- estar de uma determinada sociedade. Hoje, esse conceito agregou outras questões relevantes para uma nação, acrescentando à sustentabilidade econômica a sustentabilidade social e a sustentabilidade ambiental. Assim, a preocupação com o crescimento e desenvolvimento das nações se expandiu e entende-se que o desenvolvimento econômico deve ser capaz de gerar riquezas para a nação, mas também melhorar a qualidade de vida das pessoas e contribuir para o equilíbrio social e ambiental. Indicadores como o Índice de Desenvolvimento Humano (IDH) auxiliam a medir a relação do progresso na economia com o desenvolvimento de uma determinada região. 15 Figura 11 – Desenvolvimento econômico Crédito: Viktoria Kurpas/Shutterstock. Uma outra forma de entender o desenvolvimento econômico, que pode ser adequada para engenheiros, é a trazida por Schumpeter (um economista austríaco do início do século XX), que desenvolveu o conceito de Destruição Criativa, um processo constante de transformação que destrói estruturas econômicas, que já não são mais eficazes e cria novas. Tal conceito é totalmente relacionado às inovações tecnológicas, em que se trata essas inovações como o principal motor do desenvolvimento econômico. Esse é um fenômeno que ocorre quando um conjunto de novas tecnologias se transforma em inovação, ou seja, em uma ideia com aplicação e viabilidade de mercado, fazendo com que as tecnologias tradicionais se tornem obsoletas e, consequentemente, sejam deixadas de lado enquanto as novas tecnologias tomam seu espaço na sociedade. Por isso o nome destruição criativa, pois retrata o fenômeno de destruição de elementos antigos, que compunham a economia, por elementos novos (Schumpeter, 1961). Tais modificações classificam-se como a introdução de um novo bem “ou serviço, introdução de novo método de produção, introdução de novo mercado, conquista de uma nova fonte de oferta de matérias-primas e desenvolvimento de uma nova organização” (Nogami, 2018, p. 10). 16 Figura 12 – Destruição criativa Crédito: Sergey Nivens Shutterstock. Para exemplificar a ideia de destruição criativa, imagine como era a vida das pessoas antes de Thomas Edison e Nikola Tesla. A mudança da iluminação por meio de velas ou da iluminação a gás parado trabalho corresponde à especialização de tarefas vivenciada por cada pessoa dentro da organização, que precisa exercer tarefas específicas. Se todas as pessoas se dedicassem a uma só e mesma tarefa, não seria possível alcançar os objetivos organizacionais. Faltariam ações necessárias para tanto. Por outro lado, se todos tivessem que se dedicar a tudo, faltariam recursos básicos, como tempo e matéria-prima para o exercício das atividades. Além disso, haveria sobreposição de tarefas, impossibilitando o alcance dos objetivos organizacionais. Figura 3 – Divisão do trabalho Créditos: VectorMine/Shutterstock. 7 Por isso, surge a divisão do trabalho. Cada pessoa faz uma atividade, de preferência aquela que melhor se adapta a seu perfil. Mas é preciso que alguém delimite quais são essas tarefas e como elas, juntas, levarão ao desempenho desejado. Nesse momento, o gestor se apresenta como esse elo que faz a divisão do trabalho ter sentido. Mas um gestor não faz só isso. E o que ele realiza dentro da organização começa a ser definido com mais propriedade ao início do século XX, junto à necessidade que as organizações sentiam, cada vez mais, de se preparar para melhor atender as necessidades da sociedade, dos clientes e dos donos dessas organizações. O primeiro estudo de impacto sobre o assunto foi realizado por um engenheiro francês, Henri Fayol, que observou que empresas bem-sucedidas tinham em sua estrutura alguém responsável não somente pela produção, mas também por uma série de outras atividades. Fayol diz que sempre que se buscava contratar um engenheiro, se escolhia esse profissional pelas suas competências técnicas, mas se houvesse um empate entre candidatos, o que realmente definiria a escolha seria sua capacidade de gestão. E assim Fayol (1989, p. 26) define que são cinco os elementos da gestão – previsão, organização, comando, coordenação e controle –, com os seguintes significados: Prever é perscrutar o futuro e traçar o programa de ação. Organizar é constituir o duplo organismo, material e social, da empresa. Comandar é dirigir o pessoal. Coordenar é ligar, unir e harmonizar todos os atos e todos os esforços. Controlar é velar para que tudo corra de acordo com as regras estabelecidas e as ordens dadas. 8 Figura 4 – Funções do gestor Crédito: iQoncept/Shutterstock. Atualmente, esses cinco elementos de gestão, propostos por Fayol, se transformaram, com o passar do tempo, em quatro funções do gestor, que são: planejar, organizar, dirigir e controlar. Ao planejar, o gestor definirá o que a empresa deverá fazer no futuro e como ela deverá fazer. Nesse momento, são definidos os objetivos bem como os recursos e as tarefas necessários para se alcançar esses objetivos. Ou seja, planejar envolve tomar decisões para alcançar o que se deseja em relação à empresa. Definidos objetivos, recursos e tarefas, cabe ao gestor organizar, ou seja, determinar a alocação dos recursos (materiais e de pessoal) necessários para a consecução do planejamento e separá-los para o momento da execução. Isso significa que, nesse momento, o gestor verifica se tudo o que é necessário em termos de infraestrutura estará disponível quando a ação para o alcance dos objetivos começar, bem como se o trabalho está distribuído de forma adequada entre as pessoas que executarão as ações. Dirigir, por sua vez, diz respeito ao comando que o gestor deve exercer para que as ações planejadas e organizadas anteriormente possam ser executadas e os objetivos possam ser alcançados. Essa função envolve os estímulos e a influência exercidos pelo gestor para que seus subordinados realizem as ações de sua responsabilidade da melhor forma possível. 9 Finalmente, o gestor deve controlar, ou seja, deve verificar se os objetivos planejados estão sendo alcançados e garantir que o sejam. Para tanto, é necessário estabelecer padrões, medir o desempenho de acordo com esses padrões estabelecidos e agir de forma corretiva para o alcance dos objetivos planejados. O controle, portanto, assegura que as atividades realizadas estão em conformidade com o que foi inicialmente planejado. Em caso negativo, é necessário reiniciar todo o processo, planejando novamente as ações para, então, alcançar o desempenho desejado. Note que, em nenhuma das funções, o gestor está agindo (“pondo a mão na massa”), posto que as ações operacionais são de responsabilidade de seus subordinados. Embora não realize essas ações, ele deve conhecê-las, e, em caso de necessidade (para exemplificar a execução ou numa situação de conflito, entre outras), realizá-las. Também é interessante observar que essas funções são universais, ou seja, serão exercidas pelos gestores em qualquer tipo de organização em qualquer lugar do mundo, naturalmente respeitando as características de cultura local. Todas essas atividades dizem respeito a comportamentos esperados da pessoa que assumirá o importante papel de gerir uma organização, de maneira eficaz. Diversas palavras são usadas para designar essa pessoa: administrador, gerente, dirigente, chefe ou gestor. Mas é provável que essa pessoa, independentemente da posição que ocupa, ou do título de seu cargo, desempenhe tarefas de administração. Quem quer que esteja manejando recursos ou tomando decisões está administrando, pois o processo de administrar faz parte de qualquer instância de utilização de recursos: pessoal, familiar, organizacional e social (Maximiano, 2015). Assim, para compreender o papel do gestor, é necessário compreender o que é a administração. TEMA 3 – A ADMINISTRAÇÃO Tendo em vista a importância das organizações para a nossa vida, é natural pensar que essas organizações precisam ser geridas. Conforme as organizações foram se tornando mais complexas, mais se exigia do gestor em termos de tomada de decisão e de conhecimento em relação à organização e ao meio em que ela está inserida. 10 E mais formas e métodos de como se conduzir uma organização foram surgindo, até que se reconhece que gestão, comando, e outras atividades para alavancar o alcance dos objetivos organizacionais, se torna muito maior do que somente planejar, organizar, dirigir e controlar. É nesse contexto que se insere a ideia de Administração. No entanto, a definição exata de Administração se torna um pouco incerta, dependendo de quem está tratando do assunto. De forma geral, pode se pensar a administração como um fato social dinâmico, já que é uma ação que ocorre dentro da sociedade e conforme essa sociedade se transforma, também se transforma a forma de administrar. Com isso, o ato de administrar, embora contenha em si alguns fundamentos que podem ser entendidos como universais, é um ato em permanente mudança e um ato que depende do momento em que está sendo implementado. Figura 5 – Administração Créditos: Volonoff/ Shutterstock. É possível pensar a administração como uma arte, como uma ciência e como uma profissão. Diz-se que a administração é arte, pois está relacionada a conseguir um resultado desejado por meio da aplicação de habilidades 11 específicas. Por outro lado, administração é ciência à medida que é um corpo sistematizado de conhecimento, baseado em certos princípios capazes de aplicação generalizada. Finalmente, é uma profissão visto que conjunto sistemático de princípios, técnicas, habilidades e conhecimento especializado pronto para ser usado no dia a dia das organizações. Para Guerreiro Ramos (1983), a administração é um complexo de elementos e de suas relações entre si, resultante e condicionante da ação de diferentes pessoas, escalonadas em diferentes níveis de decisão, no desempenho de funções que limitam e orientam atividades humanas associadas, tendo em vista objetivos sistematicamente estabelecidos. Na verdade, a ideia de tomada dea iluminação elétrica trouxe uma série de mudanças para a sociedade da época e para a forma como se tratava a questão tanto em termos empresariais quanto em termos de políticas públicas. A nova tecnologia gera, inclusive, uma disputa acirrada entre os dois personagens, que fica conhecida como a batalha das correntes, em que cada um defendia tecnologias concorrentes (corrente contínua x corrente alternada). E assim se força a sociedade a um desenvolvimento econômico com o uso desses elementos novos, que fazem mais sentido em relação ao momento em que se encontra essa sociedade. Esse é um conceito dinâmico de desenvolvimento econômico. 17 TEMA 5 – ECONOMIA COLABORATIVA E ECONOMIA DIGITAL Em se tratando de economia, há conceitos clássicos, criados ao início da revolução industrial, como os construídos por Adam Smith que, no século XVIII, valoriza a divisão do trabalho como fator de incremento para a riqueza das nações e lança a economia liberal com seu conceito de mão invisível, uma espécie de lei de ajuste entre oferta e demanda. Mas também há conceitos bastante recentes, em especial por conta do surgimento de uma série de novas relações econômicas criadas ao longo das últimas décadas. O surgimento de um novo modelo econômico, que vem sendo denominado de economia compartilhada ou colaborativa, torna-se imprescindível, visto que os modelos de negócio tradicionais não são tão economicamente viáveis para atuação das empresas em um mundo cada vez mais digital. Torrance e Staeritz (2019) garantem que o modelo de negócios que mais se adequa a esses novos tempos “em termos de valor para o cliente, taxas de crescimento de receita e de avaliação de mercado” é o das plataformas digitais, tais como a Amazon, a Apple, a Netflix, ou startups unicórnios, como Nubank, Uber, Airbnb ou iFood. Esses novos modelos de negócio vêm se consolidando e destruindo os modelos de negócio tradicionais. Figura 13 – Novos modelos de negócios Crédito: stoatphoto/Shutterstock. 18 Além dos novos modelos de negócios, a inserção cada vez maior de tecnologias de informação e comunicação na vida das pessoas traz a necessidade de inserção da economia nesse ambiente, por meio de atividades econômicas baseadas em tecnologia digital. Na economia digital, diversas operações comerciais são desenvolvidas somente por meio da internet, e o fornecimento de bens e serviços ocorre exclusivamente em ambiente virtual (Silva, 2020). Tal movimento cria tendências de fundamental importância para a sobrevivência das organizações no futuro e para suas questões econômicas. Palavras como blockchain, criptomoedas, NFT, serão cada vez mais comuns em nossa rotina pessoal e de trabalho. A blockchain é uma tecnologia, cujo uso tem por objetivo garantir a segurança de informações. Seu funcionamento consiste em enviar informações para uma rede de computadores, que funcionam em um sistema descentralizado. “Essas informações não podem ser alteradas, elas são condensadas em blocos, criptografadas e unidas a uma cadeia de informações pré-existentes” (Koehler, 2021, p. 25). A seguir, essas informações são distribuídas por vários computadores espalhados ao redor do mundo, dificultando, assim, a sua manipulação. Conforme Koehler (2021), pessoas que tem acesso a essa rede de computadores “competem entre si para conseguir salvar e confirmar as operações da rede. Esse processo é chamado de mineração”. A blockchain tem influência nos processos econômicos pela sua forma de operação, já que permite a transação de criptomoedas, sem a necessidade de atuação de uma autoridade central, como o Banco Central de um país. Criptomoedas são uma forma de moeda digital, ou seja, “são ativos digitais descentralizados, que utilizam da criptografia para transferência de fundos, sem a necessidade de uma autoridade central” e que só circulam em ambiente digital (Koehler, 2021, p. 24). Entre as criptomoedas, a mais conhecida é o Bitcoin. 19 Figura 14 – Bitcoin Crédito: kitti Suwanekkasit/Shutterstock. Além das criptomoedas, a blockchain pode, ainda, garantir ou certificar a originalidade e a exclusividade de bens digitais, por meio do Nonfungible Token, mais conhecido como NFT. O termo NFT significa Token Não Fungível e é basicamente um token criptográfico que representa algo único, dessa forma, virando algo que não pode ser trocado. Para Koehler (2021), os NFTs, assim como as criptomoedas, utilizam da blockchain para fazer transações e salvá-las na rede, tornando impossível copiar um NFT. Essa seria a vantagem inicial da NFT, proteger o criador de um bem digital de cópias indevidas de sua criação. Mas essa ideia inicial acabou distorcida, já que nem sempre o criador do bem digital tem a condição financeira de adquirir o NFT de sua obra. Na verdade, o NFT acabou se transformando em uma forma de especulação, à medida que quem adquire o certificado em relação àquele bem digital, acaba por criar uma escassez, no mercado, desse item. Escassez em qualquer sistema econômico leva ao aumento do valor do objeto, incluindo a situação de falsa valorização e de possível criação de bolha de mercado financeiro. 20 Figura 15 – NFT Crédito: Mininyx Doodle/Shutterstock. Várias empresas estão explorando as possibilidades da economia digital, por exemplo, o Facebook, com a criação de uma nova empresa, Meta, e a intenção de gerar um metaverso de conexões digitais das mais variadas possíveis, em que as pessoas teriam interações como as do mundo real, em ambientes virtuais. Para a existência de um metaverso, uma série de recursos tecnológicos e digitais, tais como realidade virtual, realidade aumentada, inteligência artificial e criptomoedas, além de regulações econômicas e políticas, serão necessários para o seu desenvolvimento, disseminação e utilização. 21 FINALIZANDO Você teve acesso, nesta aula, aos fundamentos necessários para uma base de compreensão da Economia. Você observou que a Economia busca analisar os recursos produtivos disponíveis em uma determinada nação, de modo a responder três questão: “O que e quanto produzir? Como produzir? Para quem produzir?”, com base na posse de três grandes grupos de recursos que são a terra, o trabalho e o capital. Conforme esses recursos são manejados, eles geram atividades em setores econômicos diferentes. E você soube que, no momento, existem cinco setores econômicos: o primário, o secundário, o terciário, o quaternário e o quinário, em que se produz desde commodities até conhecimento. Além da forma de se usar os recursos produtivos, a economia também pode ser percebida sob duas óticas de análise. Você pode perceber que essas óticas são denominadas de microeconomia e macroeconomia, cada uma voltada para uma dimensão diferente de análise. Uma preocupada com questões empresariais e a outra com preocupada com uma visão global e com macroestruturas nacionais e internacionais. Você entendeu o conceito de desenvolvimento econômico tanto sob uma ótica mais restrita, voltada à acumulação de capaital, quanto sob uma ótica mais atual, que busca um equilíbrio entre sustentabilidade econômica, ambiental e social. E, independentemente da ótica, percebeu que toda nação deseja se desenvolver, já que o desenvolvimento econômico traz uma série de benefícios, em espcecial a melhoria da qualidade de vida da população da nação. E pode conhecer uma ideia de desenvolvimento baseada no surgimento de inovações, a “destruição criativa” de Schumpeter. Ao fim, você pode conhecer alguns conceitos sobre economia colaborativa e economia digital, duas vertentes atuais de estudos sobre o impacto do uso das tecnologias atuais no desenvolvimento econômico das nações. ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA AULA 6Profª Dayse Mendes 2 CONVERSA INICIAL Nesta aula, você vai compreender algumas questões relacionadas ao exercício da profissão de engenheiro que são impactadas por conceitos de Administração e de Economia. Isso permitirá a você entender o contexto atual de nossa sociedade, especialmente ao conhecer os conceitos de Indústria 4.0 e Sociedade 5.0, que envolvem novas relações das organizações com as pessoas por meio de uma série de inovações tecnológicas que vêm se tornando mais acessíveis ao longo dos últimos anos. Você compreenderá também que sua carreira como profissional da Engenharia pode resultar em ascensão técnica, em vez da tradicional ascensão gerencial, pois existem empresas que optam por um plano de carreira paralelo, conhecido como carreira em Y, que permite ao profissional engenheiro continuar exercendo funções especializadas e, mesmo assim, subir hierarquicamente, tanto em termos de cargos como de remuneração. Por outro lado, vai perceber que há uma série de competências que lhe serão exigidas no exercício da profissão, pois as empresas entendem que o engenheiro não deve exercer somente atividades técnicas. Além disso, você verá que, além de todos os demais contextos apresentados, existe um movimento, denominado de movimento maker, que pode alterar significativamente a forma como as pessoas se relacionam com as organizações. Esses novos relacionamentos exigirão de você, engenheiro, uma série de competências multidisciplinares. Finalmente, mostraremos um resumo de suas funções utilizando conceitos de Economia e de Gestão, que facilitarão a compreensão da importância de ter alguns conhecimentos dessas áreas. TEMA 1 – INDÚSTRIA 4.0 E SOCIEDADE 5.0 Como engenheiro, é importante compreender o momento que a sociedade vivencia, pois é sua responsabilidade resolver os problemas que surgem nas organizações, de forma inovadora e assertiva. Assim, é necessário entender o contexto no qual as empresas – e seus problemas – estão inseridas. A forma de atuação das organizações e seu jeito de produzir vêm se modificando significativamente, em especial pela inserção de alta tecnologia na indústria. Por alta tecnologia entende-se aquela considerada de ponta, relacionada às mais recentes inovações tecnológicas que podem ser utilizadas 3 em processos produtivos. Essa transição de processos produtivos analógicos em processos altamente informatizados e automatizados nas indústrias tem sido denominada de “Indústria 4.0”, a qual se caracteriza por uma combinação de sistemas ciberfísicos, Internet das Coisas (IoT), Big Data e Data Analytics, robôs autônomos, simulação, cibersegurança, computação em nuvem, manufatura aditiva e realidade aumentada. O conceito de fábrica inteligente surge na Alemanha, em 2011, quando o governo decide que esse processo é estratégico para o desenvolvimento socioeconômico alemão. Assim, em 2013 é criado o Industrie 4.0 Working Group, uma equipe de trabalho que teve o objetivo de apresentar ao governo recomendações para a implantação da Indústria 4.0 no país. (Mendes, 2021). Figura 1 – Indústria 4.0 Créditos: Sergeybitos/Shutterstock. Esse nome foi dado considerando as várias revoluções industriais pelas quais a sociedade já passou. As três primeiras revoluções industriais trouxeram a troca de métodos artesanais de produção por máquinas e ferramentas, a produção em massa, as linhas de montagem, a eletricidade e a tecnologia da informação, bem como a elevação da renda dos trabalhadores, fazendo com que a competição por meio do uso extensivo de tecnologia se tornasse o cerne do desenvolvimento econômico das nações. A quarta revolução industrial, que 4 terá um impacto mais profundo e exponencial, caracteriza-se por um conjunto de tecnologias que permitem a fusão do mundo físico, digital e biológico. (Schawb, 2016). Figura 2 — As quatro revoluções industriais Fonte: Sacomano et al., 2018, p. 29. Esse tipo de indústria visa proporcionar fábricas mais inteligentes, flexíveis, dinâmicas e ágeis. Embora a tecnologia embarcada seja o que determina o nome Indústria 4.0, é importante observar que as pessoas são os elementos estratégicos para o alcance desses objetivos. Nessa nova forma de trabalhar, às pessoas competem atividades de alto valor agregado e não mais tarefas repetitivas e/ou operacionais. Por isso, a capacitação de quem atua na Indústria 4.0 é fundamental para o sucesso nessa nova forma de produzir. Além da capacitação adequada, é importante usar novos métodos de trabalho que facilitem o processo de transformação das empresas. Nesse sentido, a gestão ágil pode favorecer a organização a adentrar o universo da Indústria 4.0. A gestão ou metodologia ágil foi criada para dar conta da velocidade de transformação da sociedade e da economia, acelerando e simplificando a implementação de novos projetos nas organizações. Tal gestão é apoiada por uma série de métodos, dos quais é possível destacar o kanban, o scrum, a metodologia lean, o OKR (Objectives and Key Results), o antifrágil, o management 3.0, o Design Thinking, entre outros. Cada um desses métodos auxilia a organização a operar com um novo modelo de gestão, mais flexível e mais voltado ao trabalho em equipe que produza soluções criativas para os problemas da organização. 5 Figura 3 — Gestão ágil Créditos: Iconic Bestiary/Shutterstock. Além de impactar o setor produtivo as novas tecnologias produtivas e as novas metodologias também induzem ao surgimento de mudanças na sociedade como um todo, em um processo de avanços que afeta a todos. Esse efeito que transborda da indústria está relacionado ao uso de tecnologias como Big Data, inteligência artificial e internet das coisas (IoT) não somente para a produção, mas também para criar soluções relacionadas a todo o tipo de necessidade humana. Surge então, como proposta, a construção de um modelo de organização social, a Sociedade 5.0, em que essas tecnologias são utilizadas para fornecer o que for necessário para estabelecer o bem-estar para qualquer pessoa, em qualquer hora e lugar. A proposta surge no Japão, como um projeto de governo para a criação de uma smart society, ou seja, “uma sociedade composta por sistemas híbridos, construída de forma mais inteligente mediante o trabalho integrado de pessoas e máquinas” (Mendes, 2021, p. 170). Um primeiro passo para a construção de uma smart society é o planejamento de smart cities, ou seja, “cidades totalmente conectadas, nas quais mundo físico e ciberespaço se integram em harmonia” (Mendes, 2021, p. 170). 6 Figura 4 — Smart city Créditos: Monicaodo/Shutterstock. Nesse contexto, surge a necessidade de implementar métodos de Engenharia que tenham como foco o ser humano no centro das transformações, otimizando processos sustentáveis, que tragam maior qualidade de vida para as pessoas e inclusão em nossa sociedade, por meio do uso das tecnologias disponíveis e em desenvolvimento. TEMA 2 – CARREIRA EM Y É muito comum que o engenheiro, ao progredir em sua carreira em uma empresa, venha a se deparar com um dilema importante, em que cada vez mais ele ocupa seu tempo com atividades gerenciais e cada vez menos com atividades técnicas. Em especial nas empresas mais tradicionais, a progressão 7 natural tem um padrão linear, em que a carreira do profissional chega, quer ele deseje ou não, a um cargo de gerência, no qual esse profissional lidera equipes e toma decisões. E, por mais que as competências de gestão sejam relevantes para qualquer engenheiro, nem sempre esse profissional tem vontade de abandonar as atividades técnicas para lidar com atividades voltadas a Administração e Economia. Ao mesmo tempo, esse indivíduo quer ter ascensão profissional. As organizações precisaram resolver esse dilema, ou poderiam perder ótimos técnicos e obtergerentes medianos, ou até mesmo perder o profissional que acabava saindo da empresa e buscando outras organizações para trabalhar. Conforme Dutra (2010, p. 118) surge, então, a necessidade de se criar uma carreira para esses profissionais, “uma carreira técnica ou funcional com a mesma valorização da carreira gerencial”, denominada carreira paralela. Dutra (2010, p. 118) nos diz que a carreira paralela é uma sequência de posições que uma pessoa pode assumir no interior de uma organização, orientada em duas direções, uma de natureza técnica e/ou funcional e outra de natureza gerencial, sendo garantido em ambas as direções o acesso aos maiores níveis de remuneração e de reconhecimento oferecidos pela empresa. Figura 5 – Carreira em Y Créditos: Hobbitart/Shutterstock. 8 Entre as carreiras paralelas, existem alguns tipos distintos: as totalmente paralelas, as em Y e as múltiplas. No Brasil, a mais comum é a carreira em Y, que consiste em uma base comum, na qual se encontram todos os funcionários, tanto aqueles que apresentam competências técnicas quanto aquelas que apresentam competências gerenciais, e na separação em dois braços distintos, conforme as pessoas ascendem na carreira e definem melhor seu perfil. A carreira em Y traz a vantagem de considerar as diferenças de competências entre as pessoas e se baseia no fato de que técnicos especializados e com prática nas atividades que executam são mais produtivos e eficientes, em especial se observam que a empresa possibilita sua ascensão, ao invés de deixá-los estagnados em sua carreira na empresa. O profissional engenheiro que tem a oportunidade de trabalhar em uma empresa com carreira em Y acaba por obter uma série de benefícios, tais como poder atuar especificamente em sua área de formação, aquela para a qual a pessoa dedicou tempo, esforço e dinheiro; ganhar autonomia, pois é possível auto gerenciar a carreira da forma como a pessoa acredita ser mais adequado à sua vida profissional; ser mais produtivo, por atuar em conformidade com suas competências e com aquilo que gosta, tornando o trabalho mais interessante; obter reconhecimento por seu trabalho. Figura 6 – Vantagens da carreira em Y Créditos: Vectormine/Shutterstock. Por outro lado, cabe ao profissional engenheiro a busca pelas competências necessárias para que esse esforço possa ser reconhecido. 9 Quando o profissional opta por atuar no braço técnico, ele precisa estar ciente de que a busca por conhecimento na área deve ser contínua. Nesse sentido, é essencial desenvolver competências como senso de inovação, aplicação dos conhecimentos adquiridos, aderência a novos desafios, exercício de liderança com capacidade de dirigir os esforços técnicos da organização, e o exercício do trabalho por meio de projetos. Quando a empresa em que trabalha adota esse modelo de carreira, o engenheiro deve decidir por qual braço optar para conseguir se preparar melhor. Caso decida pelo braço técnico, o aprendizado contínuo na área é fundamental para o crescimento na organização. Já ao decidir por uma carreira administrativa, a preparação exigirá competências distintas daquelas desenvolvidas para a atuação técnica, sendo fundamental se preparar e planejar adequadamente a aquisição dos novos conhecimentos indispensáveis para atuar adequadamente como gestor. Caso a empresa não adote esse tipo de progressão de carreira, vale a pena investigar a possibilidade de inserção dessa ferramenta de gestão de pessoal, já que traz benefícios para o profissional e também para a empresa que terá um funcionário mais satisfeito e produtivo, o qual terá um desempenho muito mais adequado ao que a empresa deseja obter. TEMA 3 – PROFISSIONAIS MULTIDISCIPLINARES E CULTURA MAKER O cenário atual exige que o engenheiro seja, além de um profundo conhecedor de aspectos técnicos relacionados às suas atribuições, um profissional com capacidade para operar em atividades que vão além de sua especialização técnica. Nesse sentido, há uma série de expectativas quanto ao perfil do engenheiro, que deve apresentar em seu trabalho atributos como: • habilidade de trabalhar em equipe e capacidade de absorver novos conhecimentos de forma autônoma, • pleno domínio sobre conceitos como qualidade total e preservação ambiental, • aptidão para desenvolver soluções originais e criativas, • percepção do que acontece no mercado de sua empresa e capacidade de identificar novos problemas e encontrar soluções, • conhecimento de aspectos legais e normativos, • sólido conhecimento de áreas básicas, • capacidade de conhecer e operar sistemas complexos, • espírito de pesquisa para acompanhar e contribuir com desenvolvimento tecnológico, • domínio de outras línguas. (Silva Filho et al., 2020, p. 58) 10 De um modo geral, esses atributos vão além do domínio de Matemática, Física, ou Ciência e exigem do engenheiro “conhecimentos básicos de projeto e de processos de manufatura”, bem como do contexto em que a Engenharia é praticada, tais como “economia, negociação, aspectos históricos que levaram ao desenvolvimento, impactos ambientais e necessidades do consumidor e da sociedade”, além de capacidade de comunicação com as mais variadas pessoas, tais como colegas de trabalho, chefes, subordinados, clientes, fornecedores (Silva Filho et al., 2020, p. 147). Além de as soft skills, ou habilidades comportamentais, serem cada vez mais exigidas pelas organizações para o exercício da Engenharia, há também um outro aspecto importante quando se trata de analisar a carreira do engenheiro e os impactos do conhecimento de Gestão e de Economia. Conforme Silva Filho et al. (2020, p. 116), o engenheiro precisa compreender de inovação e de empreendedorismo, bem como distinguir esses conceitos. De acordo com os autores, “inovar é encontrar uma solução inédita para um problema que seja útil à sociedade e, ao mesmo tempo, viável financeira e tecnicamente”, enquanto o empreendedorismo, entendido como o iniciar uma empresa, “é a capacidade de criar um negócio rentável” a partir da ideia inovadora. Em algumas situações, o papel do inovador e o do empreendedor/gestor serão exercidos pela mesma pessoa, em especial nas startups. E é nesse momento que o engenheiro encontra dificuldades, já que há uma necessidade de muito conhecimento multidisciplinar. Além da falta desse conhecimento mais amplo, há outra preocupação a ser observada, que é o crescimento do movimento maker. O movimento maker é uma nova forma de pessoas e organizações se relacionarem com a ideia de do it yourself (faça você mesmo) com a disponibilidade de uma gama de tecnologias a praticamente qualquer pessoa, em especial equipamentos como impressoras 3D, máquinas de corte a laser, kits de robótica, bem como o conhecimento facilitado do uso desses equipamentos por meio de acesso à internet. 11 Figura 7 – Movimento maker Créditos: Huntingshark/Shutterstock. Para Dougherty e Conrad (2016), qualquer pessoa tem a capacidade de criar e, assim, tornar-se mais autônoma e proativa em relação ao seu próprio consumo. E isso vem afetando, de várias maneiras, o jeito como as pessoas se relacionam com o mundo em geral e, mais especificamente, com a educação e com o trabalho. Até mesmo a forma como as empresas se relacionam com seus clientes vem mudando, pois é possível que o cliente de hoje seja o concorrente de amanhã. Qualquer negócio inovador ou solução individual criativa pode surgir por meio de um esforço maker e dominar o mercado. Conforme analisa Anderson (2012), esse é um movimento que tem capacidade de transformar qualquer pessoa, com um pouco de conhecimento técnico e com as ferramentas certas, em fabricante de seus próprios produtos. O autor acredita que esse é um movimento tão radical que irá alterar a forma como nos relacionarmos com a indústria, modificando ocenário econômico, com base em modelos de inovação aberta e colaborativa, em que as startups 12 serão predominantes. Nesse sentido, novas competências serão exigidas do engenheiro, em especial aquelas relacionadas às ideias-chave do movimento maker, descritas por Hatch (2014) em seu manifesto do movimento maker, que são fazer, compartilhar, oferecer, aprender, ter ferramentas, brincar, participar, apoiar e mudar. TEMA 4 – O ENGENHEIRO E OS FUNDAMENTOS DE ECONOMIA Interessante observar que, por conta de sua base sólida em cálculos, muitas vezes engenheiros são contratados para trabalhar em funções que caberiam a economistas ou gestores financeiros. Por outro lado, também se espera que o engenheiro, ao elaborar projetos, modificar processos ou sugerir novos produtos atente a uma série de conceitos derivados de teorias econômicas. Dessa forma, não cabe ao engenheiro somente a responsabilização técnica por um produto ou processo, mas também análises econômicas. Se analisarmos as Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) dos cursos de Engenharia, que orientam como o engenheiro deve ser formado para dar conta de suas atribuições, observamos que, dentre as competências esperadas desse profissional formado no Brasil, uma delas diz respeito a realizar a avaliação crítico-reflexiva dos impactos das soluções de Engenharia em vários contextos, o que inclui o contexto econômico, além dos contextos social, legal e ambiental. Figura 8 – Contexto econômico Créditos: Gral/Shutterstock. Na verdade, o trabalho do engenheiro exige conhecimentos de muitas áreas, os quais, de acordo com Tibério e Tonini (2013, p. 150), estão ligados “a 13 saberes que são exigidos com o objetivo de contribuir para o alcance de resultados e metas, em prol do crescimento econômico da organização”. Assim, identificar quais são as variáveis econômicas que afetam a organização, impactando seus produtos e processos, quais são as variáveis econômicas que afetam, de maneira direta ou indireta, o desempenho geral da empresa, e buscar as fontes de informações adequadas para análise desses impactos também são funções do engenheiro. Então, conhecer e saber como analisar e utilizar indicadores macroeconômicos – como Produto Interno Bruto (PIB), Índice Nacional de Preços ao Consumidor (IPCA), Balança comercial, Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (PNAD) Contínua, Índice de Atividade Econômica do Banco Central (IBC-Br), ou Produção Industrial –, bem como saber trabalhar com indicadores microeconômicos, dentro das organizações, facilita as decisões de estratégia de produção, normalmente de responsabilidade dos engenheiros. TEMA 5 – FUNÇÕES DO ENGENHEIRO COMO GESTOR Ainda nas Diretrizes Curriculares Nacionais (DCN) que orientam a formação desse profissional, há uma lista extensa de competências relacionadas à Gestão que o engenheiro precisa ter, dentre as quais ressaltam- se as competências de implantar, supervisionar e controlar as soluções de Engenharia e de trabalhar e liderar equipes multidisciplinares. Cada uma dessas competências se desdobra numa série de ações relacionadas à Gestão. Veja: IV - implantar, supervisionar e controlar as soluções de Engenharia a) ser capaz de aplicar os conceitos de gestão para planejar, supervisionar, elaborar e coordenar a implantação das soluções de Engenharia; b) estar apto a gerir, tanto a força de trabalho quanto os recursos físicos, no que diz respeito aos materiais e à informação; c) desenvolver sensibilidade global nas organizações; d) projetar e desenvolver novas estruturas empreendedoras e soluções inovadoras para os problemas; [...] VI - trabalhar e liderar equipes multidisciplinares: a) ser capaz de interagir com as diferentes culturas, mediante o trabalho em equipes presenciais ou a distância, de modo que facilite a construção coletiva; b) atuar, de forma colaborativa, ética e profissional em equipes multidisciplinares, tanto localmente quanto em rede; c) gerenciar projetos e liderar, de forma proativa e colaborativa, definindo as estratégias e construindo o consenso nos grupos; 14 d) reconhecer e conviver com as diferenças socioculturais nos mais diversos níveis em todos os contextos em que atua (globais/locais); e) preparar-se para liderar empreendimentos em todos os seus aspectos de produção, de finanças, de pessoal e de mercado. (Brasil, 2019) Grande parte da atuação do engenheiro como gestor estará voltada ao exercício da liderança, pois, mesmo que não exerça um cargo de gestor, ele naturalmente estará à frente de equipes e/ou projetos, que exigirão ações e comportamentos mais relacionados ao exercício da administração. Haverá em sua rotina a necessidade de se relacionar com pessoas, tais como clientes, fornecedores, chefes, colegas de trabalho e subordinados. Nesse sentido, é necessário se capacitar para lidar com essas situações. Figura 9 – O engenheiro líder Créditos: Gorodenkoff/Shutterstock. É, então, imprescindível aprender a estabelecer com clareza quais os papéis e as responsabilidades de cada integrante da equipe. Conforme o trabalho vai se desenrolando, também é função do engenheiro, como líder de projeto ou de processo, dar feedback de desempenho para cada pessoa que compõe seu grupo de trabalho, de forma a reconhecer uma performance adequada e reconduzir ações que não estejam em conformidade com o planejado. Aprender a gerir conflitos também faz parte da rotina, o que exige saber escutar e saber colocar-se no lugar do outro. Além do relacionamento com pessoas, também é necessário planejar e organizar ações, bem como exercer o controle necessário para que os objetivos relacionados ao trabalho sejam alcançados. Nesse sentido, o uso de 15 todo o conhecimento relativo aos processos gerenciais facilitará a prática do engenheiro. Conforme Tibério e Tonini (2013, p. 150), a prática da atividade de Gestão “estabelece uma ligação direta com a experiência, com o saber fazer no mundo do trabalho, resultado de relações construídas e consolidadas com a equipe, uma qualificação baseada em saberes profissionais extraídos no e para o trabalho”. Portanto, o que se espera é que o engenheiro reflita sobre as novas demandas provenientes de um mundo em constante mudança, que exige papéis não somente técnicos, mas também de controle voltados para a gestão de resultados, e que se permite buscar o conhecimento necessário para desenvolver as competências de um engenheiro gestor. FINALIZANDO Nesta aula, você conheceu alguns contextos de atuação e como eles influenciam em seu exercício profissional como engenheiro que utiliza fundamentos de Economia e de Gestão. Também aprendeu de onde surgiu e qual é a importância dos conceitos de indústria 4.0 e sociedade 5.0, e como novas tecnologias proporcionaram a existência dessas novas formas de relações das organizações com as pessoas. Nosso estudo também proporcionou acesso a informações sobre como sua carreira pode progredir dentro das organizações, sem que você precise abrir mão de suas funções técnicas: as carreiras em paralelo e, em especial, a carreira em Y que permite ao profissional engenheiro continuar exercendo funções especializadas e, mesmo assim, subir hierarquicamente, tanto em termos de cargos como de remuneração. Para tanto, há uma série de competências que lhe serão exigidas no exercício da profissão, pois as empresas entendem que o engenheiro não deve exercer somente atividades técnicas. Mais adiante, apresentamos o movimento maker, que pode alterar significativamente a forma como as pessoas se relacionarão com as organizações, e você entendeu que esses novos relacionamentos exigem do engenheiro uma série de competências multidisciplinares. Por fim, você conheceu uma série de competências que lhe serão exigidas no exercício da profissão, além das atividades técnicas,em especial as relacionadas ao uso de fundamentos de Economia e de Gestão, percebendo que essas áreas do conhecimento fazem parte de sua rotina, tanto quanto os conhecimentos específicos de Engenharia.decisão e de ações baseadas nesse processo decisório está sempre atrelada aos conceitos de administração. Nesse sentido, um conceito satisfatório de administração é o de que o ato de administrar é um processo de tomada de decisão e de realização de ações para atingir objetivos organizacionais de maneira eficaz e eficiente por meio do desempenho das funções de planejar, organizar, dirigir e controlar (adaptado de Maximiano, 2000; Megginson, 1998; Daft, 2005). Figura 6 – Competências para administrar Mas é importante ressaltar que a administração não se encerra no ato de desempenhar essas quatro funções, essa é uma visão simplista. Para Chiavenato (2021, p. 12), a administração deve ser compreendida como 12 um sistema complexo, ou seja, uma conjugação de inúmeras variáveis convergindo sempre para o alcance final de resultados. Assim, a administração não é apenas um processo linear de decisões e ações para planejar, organizar, dirigir e controlar, mas algo que vai além disso, constituindo uma atividade de integração, conjunção, arranjo, foco e dimensionamento. O administrador precisa reunir uma gama de diferentes recursos e competências para transformá-los em resultados concretos. Na verdade, administrar é a melhor maneira de alcançar resultados. Significa fazer acontecer. Para finalizar, é possível dizer que a administração diz respeito a conduzir a organização ao alcance dos objetivos planejados, de forma a obter resultados concretos e alcançar sucesso e sustentabilidade ambiental, social e econômica. Para tanto, é necessário um esforço conjunto entre todos que compõem a organização, cuidando de articular recursos e competências para focalizar objetivos claros e definidos. Desta forma, a administração necessita de sinergia, ou seja, de esforços que se juntam de modo que o resultado seja muito maior do que apenas a soma das partes envolvidas, de acordo com uma visão sistêmica, que envolve todas as partes da organização. TEMA 4 – SISTEMAS ORGANIZACIONAIS Uma forma de se entender e analisar as organizações é aquela que usa da ideia de que as empresas podem ser representadas por meio de sistemas. Essa forma de análise se deve à necessidade de se entender a gestão como uma ação sinérgica, que depende de todos os elementos organizacionais funcionando em modo cooperativo. Além disso, a organização precisa interagir com elementos e forças externas a ela. O conceito de sistema auxilia a compreender todas essas relações. Ele é desenvolvido inicialmente por um biólogo, Ludwig von Bertalanffy, que propõe uma teoria que pudesse integrar várias ciências, denominada de Teoria Geral dos Sistemas. 13 Figura 7 – Von Bertalanffy a Créditos: Marusya Chaika/Shutterstock. Norbert Wiener, matemático norte-americano, ao estudar cibernética ao longo da Segunda Guerra Mundial, propõe uma forma bastante simples de se compreender os elementos que compõem um sistema, descrevendo-os como entrada, saída e processamento. Todos esses elementos estão imersos em um ambiente, externo ao sistema. E para que o sistema possa ter melhoria contínua, ele recebe informações de feedback (retroação) de forma a ajustar o processamento toda vez que se fizer necessário. Tais sistemas podem ser físicos/concretos, como equipamentos, máquinas, pessoas, ou conceituais/abstratos, como ideias, procedimentos, símbolos, regras. Independentemente de ser concreto ou conceitual, o conceito de sistema pode ser usado em uma gama variada de estudos, desde um sistema da qualidade, um sistema de informações, um sistema biológico, até um sistema organizacional. 14 Figura 8 – Elementos de um sistema A Teoria Geral dos Sistemas, de von Bertalanffy, combinada à proposta de Wiener de elementos que compõem um sistema, é emprestada às organizações, pois uma organização pode ser pensada como um sistema que vive em um ambiente no qual outros sistemas também existem e há interação entre eles. Um sistema pode ser entendido como “um conjunto de partes ou elementos que formam um todo unitário ou complexo”, ou seja, como um “conjunto de partes que interagem e funcionam como um todo” (Maximiano, 2015, p. 67). Existem dois tipos básicos de sistemas: os fechados e os abertos. Os sistemas fechados são aqueles cujo resultado é predeterminado, ou seja, as relações entre suas saídas e suas entradas podem ser equacionadas matematicamente e o relacionamento com o ambiente externo é quase inexistente. Já os sistemas abertos têm relações entre saída e entrada indefinidas, sujeitas a probabilidades, e “mantém um intercâmbio intenso, complexo e indeterminado com o meio ambiente” (Chiavenato, 2021, p. 20). Uma organização pode ser entendida sob a ótica de um sistema, pois é possível imaginá-la como um sistema aberto e nela é possível observar cada um dos elementos propostos por Wiener, já que possui uma entrada em que os recursos necessários, como matéria-prima, máquinas e equipamentos, trabalhadores, informação, entre outros, ingressam do ambiente externo para serem utilizados em seus processos. Possui uma saída, na qual o produto (bem ou serviço) é colocado à disposição do mercado. Para transformar as entradas em saídas, a organização dispõe de um elemento que realiza essa transformação, o processamento. Para verificar se suas saídas correspondem ao planejado e, caso necessário, promover ajustes, faz-se o procedimento de retroação ou feedback. E a organização está imersa em um ambiente externo no qual se encontram clientes, 15 fornecedores, concorrentes, entre outros, que interagem com essa organização. (Mendes, 2020). É importante ressaltar que, pela sua complexidade, se faz necessário analisar uma organização como se fosse um conjunto de subsistemas que compõem o sistema maior. Essa subdivisão torna mais simples a tarefa de compreender e gerir os vários objetivos internos à empresa que precisam ser alcançados para que se consiga obter o resultado geral desejado. Uma das possibilidades de análise de subsistemas é dada pelo modelo sociotécnico de Tavistock, em que se entende que as organizações são compostas por dois grandes subsistemas: o subsistema técnico e o subsistema social. Figura 9 – Eficiência potencial x eficiência real Créditos: VectorMine/Shutterstock. O subsistema técnico, composto por tecnologia, ambiente e tempo, provê uma eficiência potencial à organização. Já o subsistema social, composto pelos indivíduos, suas características físicas e psicológicas e as relações sociais, traz a eficiência real à empresa. Mas é possível também trabalhar com a ideia de que os subsistemas são áreas ou departamentos da organização. Nesse sentido, teríamos, por exemplos, subsistema de produção, de marketing, de finanças, de recursos humanos, de tecnologia de informação, entre outros. 16 TEMA 5 – ADMINISTRAÇÃO PÚBLICA X ADMINISTRAÇÃO PRIVADA Existem dois grandes tipos distintos de administração, em conformidade com a finalidade de cada uma. De um lado, há aquela cujo foco é o bem comum e, do outro lado, aquela cuja preocupação é o consumo e o lucro. Desses lados distintos, surgem dois ramos que tratam a questão da administração sob essas duas óticas citadas. De modo simplificado, a administração pública vai cuidar da gestão do estado, e a administração privada vai tratar da gestão das empresas. Figura 10 – Público x privado Créditos: Olivier Le Moal/Shutterstock. Para compreender a administração pública, é necessário primeiro compreender o que é o Estado, que pode ser pensado com um conjunto de regras, pessoas e organizações separadas da sociedade para que possa organizar essa sociedade. Conforme Costin (2010, p. 1), o Estado é criado para comandar uma comunidade e produzir as normas que regem a vida social nessa comunidade e, para tanto, ele só existe apartir do momento em que existe uma “instância especializada que, funcionando de forma hierárquica, separa claramente governantes e governados”, assim como o que é público do que é privado. 17 Para que as normas estabelecidas pelo Estado possam trazer os resultados desejados, faz-se necessária a Administração Pública, que pode ser conceituada como a atividade concreta e imediata que o Estado desenvolve para assegurar interesses coletivos como saúde, educação ou proteção à infância e, subjetivamente como o conjunto de órgãos e de pessoas jurídicas aos quais a Lei atribui o exercício da função administrativa do Estado. Assim, em um estado democrático, o tamanho e a forma da Administração Pública vão variar sensivelmente, dependendo do que a sociedade espera dessa Administração, já que ela é o “instrumental de que dispõe o Estado para pôr em prática as opções políticas de governo” (Costin, 2010, p.3, 26), diferindo, assim, a gestão pública da gestão privada, cujo interesse está nos lucros. As principais diferenças entre a gestão pública e a gestão privada podem ser observadas na Figura 11. Figura 11 – Diferenças da gestão privada x gestão pública Modelo do Setor Privado Modelo do Setor Público Escolha Individual no mercado Escolha coletiva na sociedade organizada Demanda e preço Necessidade de recursos públicos Caráter privado da decisão empresarial Transparência da ação pública A equidade do mercado A equidade das necessidades A busca de Satisfação do Mercado A busca da Justiça Soberania do consumidor Cidadania Competição como instrumento do mercado Ação Coletiva como instrumentos da sociedade organizada Estímulo: possibilidade de o consumidor escolher Condição: consumidor pode modificar os serviços públicos Fonte: Marzzoni e Rodrigues, 2020, p. 8. Embora os objetivos sejam distintos, a administração privada está amplamente relacionada à Administração Pública, visto que o setor privado faz parte, igualmente, da comunidade e, portanto, deve seguir as leis vigentes no Estado. Porém, no caso do Brasil, há uma série de obstáculos e dificuldades no que diz respeito à relação entre o Estado e o setor privado, visto que a cultura 18 brasileira ainda apresentar características de disfunção burocrática, ou seja, de exagero em relação aos controles públicos, numa visão voltada para o cumprimento dos processos e não para o alcance de resultados. Também há as muitas leis que devem ser observadas e que, frequentemente, são modificadas sem a devida comunicação e clareza. Há ainda uma “sobreposição de órgãos públicos envolvidos na regulação, não totalmente dissociados dos partidos políticos” (Costin, 2010, p. 206). Esse excesso de controle se inicia com uma boa intenção, que era evitar corrupção e clientelismo, mas acaba por se tornar um entrave para empresas e empresários que precisam ter contato com o governo. Inovação e flexibilidade ficaram difíceis de se conseguir nesse contexto. Independentemente das dificuldades, as empresas acabam por se relacionar com o Estado das mais diversas formas. Nesse sentido, há alguns órgãos estatais que são importantes para um funcionamento adequado das empresas e precisam ser conhecidos. Entre eles, está o INPI (Instituto Nacional da Propriedade Intelectual), que trata dos direitos de propriedade de marcas e patentes, assim como dos processos de transferência de tecnologia entre organizações. As agências reguladoras são um outro tipo de órgão estatal que precisam ser conhecidas. ANEEL (Agência Nacional de Energia Elétrica), ANATEL (Agência Nacional de Telecomunicações), ANP (Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis), ANA (Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico), Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) são exemplos de agências reguladoras, cujo objetivo é fiscalizar, regulamentar e controlar bens e serviços de interesse público. Outros órgãos relevantes na rotina das empresas privadas são: • O Cade (Conselho Administrativo de Defesa Econômica), órgão cujo objetivo é “orientar, auditar, investigar e prevenir o comportamento abusivo de uma empresa que domina o mercado ou práticas anticompetitivas que tendam a levar a essa posição dominante (Costin, 2010, p. 212). • O Inmetro (Instituto Nacional de Metrologia, Qualidade e Tecnologia), que é responsável pelo cumprimento de normas técnicas e jurídicas pelas empresas, para que essas possam melhorar a qualidade de seus processos e de seus produtos. 19 • O Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis), cujo principal objetivo é fiscalizar e monitorar o meio ambiente. • A Receita Federal, cujos objetivos são a administração dos tributos federais e o controle aduaneiro, auxiliando na formulação da política brasileira de impostos. Existe ainda uma série de outros órgãos públicos, mas todos têm por característica interferir nas ações das empresas privadas, de forma que estas sigam as legislações vigentes e possam servir à sociedade como um todo. Conclui-se que a administração pública e a administração privada se dependem mutuamente, já que as organizações privadas precisam de regulação e da infraestrutura oferecida pelo Estado para funcionarem e, por sua vez, o Estado precisa dos impostos e da produtividade das empresas para ter uma nação fortalecida. Quanto melhor for a interação entre governo e empresas maior será a vantagem competitiva nacional. FINALIZANDO Nesta aula, foi possível compreender alguns dos principais conceitos iniciais para quem quer entender de administração. Para tanto, você entendeu o conceito de organização, um grupo de pessoas que trabalham de forma cooperativa para o alcance de um objetivo em comum. Você também compreendeu que existem pessoas, denominadas de gestores, que fazem com que as organizações possam funcionar e atingir os objetivos desejados. E que o alcance desses objetivos depende de se administrar a organização, por meio das funções planejar, organizar, dirigir e controlar, mas também de outras ações e habilidades necessárias ao alcance dos resultados pretendidos. Foi possível perceber que uma forma de analisar as organizações se dá por meio do uso do conceito de sistemas e que esses sistemas são compostos por elementos que podem ser comparados com os elementos organizações, e que são a entrada, o processamento, a saída, o feedback e o meio ambiente. Você também tomou conhecimento das diferenças entre administração pública e administração privada e de vários órgãos estatais importantes para o oferecimento de infraestrutura para as empresas privadas. Assim, você tem uma base conceitual para compreender o funcionamento geral das organizações. ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA AULA 2 Profª Dayse Mendes 2 CONVERSA INICIAL As organizações podem ser pensadas como sistemas, cujos elementos entrada, transformação e saída são comparados aos insumos e recursos, aos processos, e aos produtos disponibilizados pela organização. No entanto, analisá-las como um único sistema pode ser extremamente complexo e pouco útil quando se pretende compreender com mais detalhes o funcionamento de cada uma de suas subdivisões que, naturalmente, surgem da divisão do trabalho. Assim, nesta aula, você conhecerá com mais detalhes alguns dos subsistemas que compõem uma organização. Foram escolhidos para tanto os subsistemas de produção, de gestão de pessoas, de marketing, financeiro, e de tecnologia de informação. O subsistema de produção diz respeito, literalmente, à transformação de insumos em produtos que serão oferecidos aos clientes da organização. Já o subsistema de gestão de pessoas tem por função conduzir as pessoas que compõem a organização em funcionários produtivos e satisfeitos com a empresae com suas atividades. O subsistema de marketing, por sua vez, trata da análise do posicionamento da organização frente ao mercado e do conhecimento profundo do cliente da empresa. O subsistema financeiro cuida da captação e da alocação dos recursos monetários da empresa, para garantir que estejam disponíveis quando necessário. E, finalmente, o subsistema de tecnologia de informação tem por função gerenciar as informações organizacionais para que estas possam ser acessadas sempre que for preciso e para que se tenha segurança de que as informações utilizadas são as mais adequadas para a situação. Assim, você compreenderá que cada subsistema organizacional tem funções específicas que, quando realizadas de maneira eficaz, garantem um resultado satisfatório para o sistema organizacional como um todo. TEMA 1 – SUBSISTEMA DE PRODUÇÃO/OPERAÇÕES O subsistema de produção ou de operações pode ser entendido como aquele que, efetivamente, transforma recursos e insumos em produtos (bens e/ou serviços) por meio de processos que proporcionam essa conversão e inserem valor nesses insumos durante o processo de transformação. A intenção 3 é de que esse subsistema se comporte de tal forma que garanta eficiência, eficácia e produtividade para a organização. Como eficiência, entende-se a utilização adequada dos recursos disponíveis, agindo de forma correta com os meios ao seguir processos, métodos, instruções, padrões e procedimentos. Conforme Chiavenato (2021, p. 56), a eficiência está relacionada ao “fazer as coisas corretamente, isto é, da melhor maneira possível”. A eficácia, por sua vez, está relacionada ao fazer o que precisa ser feito. Nesse sentido, está ligada aos objetivos que se pretende alcançar por meio das operações. Já a produtividade decorre da eficiência e diz respeito à relação entre entradas e saídas, insumos e resultados, recursos aplicados e volume produzido. No que diz respeito ao subsistema produtivo, pode-se dizer que produtividade é a “relação entre o quanto se produz e o tempo que se leva para produzir. Quanto mais unidades produzidas em um mesmo período de tempo, maior a produtividade” (Mendes, 2020, p. 27). De acordo com Seixas (2020), a essência do subsistema de produção encontra-se no processo de transformação, no qual mão de obra, matéria-prima e equipamentos são empregados para transformar insumos em produtos, sejam eles bens ou serviços. Existem várias formas de se transformar insumos em produtos. Conforme Moreira (2012), no caso da manufatura, duas são as variáveis que definem o tipo de transformação, que são o volume de produção e a variedade produzida. Conforme a quantidade produzida e o grau de padronização dos produtos, se tem os seguintes tipos de sistemas produtivos: • Sistema de produção por projeto • Sistema de produção intermitente • Sistema de produção contínua, subdividido em linhas de montagem e produção contínua propriamente dita. (Moreira, 2012, p. 30) 4 Figura 1 – Subsistema de produção Créditos: Gussno Creative/Shutterstock. O sistema de produção por projeto se caracteriza por cada produto manufaturado ser exclusivo, ou seja, não existem dois produtos iguais saindo desse processo. Nele há uma sequência de tarefas a serem realizadas no produto. Essas tarefas pouco se repetem durante todo o processo produtivo. Esse sistema é o que apresenta a maior diversidade de produção. Como exemplos, temos a construção de navios e aviões, a confecção de um vestido de noiva, a construção de uma usina hidrelétrica ou um túnel. O sistema de produção intermitente caracteriza-se por produzir uma determinada quantidade do produto, ou seja, uma produção em lotes. Assim que se finaliza essa quantidade, se inicia a fabricação de um novo produto. O arranjo físico do local produtivo não tem uma linha específica e fixa, já que cada lote de 5 produto pode necessitar de operações diferentes para sua confecção. Assim, máquinas e equipamentos genéricos são agrupados por funções. Dessa forma, o sistema fica flexível para produzir diferentes produtos. Por outro lado, o volume de produção será baixo. É possível citar como exemplo clássico a produção de automóveis nesse tipo de sistema. No sistema por produção contínua, os produtos são padronizados e fluem em uma sequência de operações também padronizada e definida previamente. Nessa situação, se busca balancear os tempos de cada operação realizada na linha para evitar gargalos produtivos. Sistemas de produção contínua têm alta produtividade, mas baixa flexibilidade e apresentam um grande volume de produtos gerados, com pequena diferenciação entre si. Como exemplos de linha de montagem, podemos citar a fabricação de alimentos. E como exemplos de produção contínua, podemos citar o tratamento de água ou o refino de petróleo. No que se refere aos serviços, seus sistemas de produção também se classificam de acordo com duas dimensões distintas, o volume e a variedade. O volume diz respeito à quantidade de consumidores que podem ser atendidos por unidade de prestação de serviços. Já a variedade depende de uma série de fatores, que são o foco em pessoas ou equipamentos; o grau de contato com o cliente; o grau de personalização do serviço; o grau de autonomia; o foco no produto ou no processo; a ênfase no front office ou no back office (Toledo et al., 2014, p. 182). Ao fazer o cruzamento dessas dimensões, é possível criar uma matriz que categoriza os serviços em quatro tipos distintos: a fábrica de serviços, a loja de serviços, os serviços de massa e os serviços profissionais. Cada um dos tipos é apresentado na Figura 2. 6 Figura 2 – Matriz de categorização de serviços Fonte: Fitzsimmons; Fitzsimmons, 2014, p. 25 Toledo et al. (2014) explicam que a Fábrica de Serviços oferece serviços com pouca intensidade de trabalho e baixo grau de customização, podendo então atender um número razoável de clientes, já que seus serviços são razoavelmente padronizados. Assim, a expectativa é de receber serviços em conformidade com esse padrão. A Loja de Serviços, por sua vez, atende também um número razoável de clientes, mas seus serviços são baseados no atendimento pessoal e em processos que utilizam de equipamentos. Nesse caso, os clientes estão preocupados tanto com o resultado do serviço quanto com o processo de atendimento em si. Os Serviços de Massa acontecem para um grande número de clientes ao mesmo tempo e com um baixo grau de personalização dos serviços, ou seja, os serviços são padrão para todos os clientes, não há diferenciação. Já os Serviços Profissionais caracterizam-se pelo alto grau de interação com os clientes, num processo baseado em cada um desses clientes, gerando uma expectativa de personalização dos serviços. Nesse sentido, possuem uma maior complexidade, o que resulta num número pequeno de clientes atendidos por vez (Toledo et al., 2014). 7 Cabe ao gestor analisar as diferentes características de cada tipo de sistema produtivo para decidir qual se adequa melhor à organização, tornando- a mais eficiente, eficaz e produtiva. Para tanto, é necessário, segundo Garcia (2016), que o sistema produtivo seja norteado pelo alinhamento com os demais subsistemas organizacionais para o alcance das estratégias da empresa e pelo apoio funcional dos demais subsistemas, já que eles são provedores de inputs ao sistema produtivo. TEMA 2 – SUBSISTEMA DE GESTÃO DE PESSOAS Para que uma organização exista, é necessário que pessoas a componham. Porém, essas pessoas precisam de orientações em relação a quais funções e atividades devem exercer dentro da empresa, e também como realizar essas funções e atividades de forma produtiva e eficaz. Assim, o subsistema de gestão de pessoas tem por objetivo garantir o bom andamento da empresa cuidando dos aspectos internos e externosque impactam na rotina das pessoas que compõem a organização. Dentre os processos desenvolvidos nesse subsistema, Chiavenato (2008) destaca os seguintes: saber atrair e escolher as pessoas certas; saber aplicar as pessoas e obter o máximo delas; saber preparar e desenvolver as pessoas; saber como recompensar as pessoas; saber manter e reter os talentos organizacionais; saber avaliar os talentos. Cada um desses processos amplia a capacidade da empresa em apresentar e renovar as competências necessárias para se manter no mercado. 8 Figura 3 – Processos de gestão de pessoas Fonte: Garcia, 2016, p. 147. O primeiro processo diz respeito a atrair e escolher as pessoas certas para a organização. Esse processo envolve atividades de localização, recrutamento e seleção de pessoal. Conforme Chiavenato (2008, p. 53), o recrutamento diz respeito à atração de talentos e à comunicação a essas pessoas das oportunidades de trabalho existentes na empresa. Já a seleção envolve um “conjunto de ações para escolher dentre os candidatos que se apresentam mais adequados e ajustados às posições a serem preenchidas”. O segundo processo, aplicação e obtenção do máximo das pessoas envolve o planejamento e a organização de tarefas e atividades, a definição de objetivos e metas, a divisão do trabalho, a alocação dos recursos para a execução das tarefas e a direção dos comandados. Para que esse processo 9 aconteça, Chiavenato (2008, p. 54) propõe uma série de atividades a serem desenvolvidas pelo gestor, que são: Fazer um mapeamento global do trabalho a ser executado; definir os objetivos globais a serem alcançados pela equipe; fazer a divisão do trabalho global e atribuir responsabilidades a cada pessoa da equipe pelas tarefas e responsabilidade de todos pelo alcance dos objetivos; planejar o trabalho da equipe para que seja integrado e solidário; ajudar cada participante na condução de suas atividades, dando orientação, treinamento e feedback sempre que necessário; avaliar o desempenho da equipe e de cada indivíduo que compõe a equipe; recompensar a equipe e cada participante pelos resultados obtidos. O terceiro processo diz respeito a saber preparar e desenvolver as pessoas para que realizem suas atividades com eficácia. As etapas de desenvolvimento contam com a integração, na qual a pessoa conhece a empresa, e com a capacitação por meio de treinamentos internos e externos. O quarto processo está relacionado a recompensar as pessoas. Aqui, o gestor deve oferecer as recompensas adequadas (financeiras ou não) àqueles que conquistam as metas e resultados planejados. Figura 4 – Recompensas Créditos: whale_monorail/Shutterstock. 10 No quinto processo, o gestor deve saber manter e reter os talentos organizacionais, pois após todo o trabalho de seleção e capacitação dos melhores talentos, “o pior que pode acontecer será perder os talentos até então construídos com tanto esforço”. Nessa situação, é fundamental manter um clima organizacional adequado às pessoas, com uma boa qualidade de vida para mantê-las na organização (Chiavenato, 2008, p. 60). O sexto processo diz respeito a saber avaliar os talentos com ferramentas que auxiliem as pessoas e a empresa a manterem a ideia de melhoria contínua. Para que esse processo aconteça de forma adequada, o gestor define o que será avaliado, tanto em termos de desempenho individual como de desempenho da equipe, bem como de alcance de resultados (Chiavenato, 2008). O que se deseja alcançar com o subsistema de gestão de pessoas e a execução de todos esses processos é garantir que os objetivos organizacionais sejam alcançados, sem deixar de observar os objetivos individuais das pessoas que fazem parte da organização, para que também sejam alcançados. Assim, o clima organizacional será favorável ao bom desempenho das pessoas e da empresa. TEMA 3 – SUBSISTEMA DE MARKETING O subsistema de marketing é responsável por analisar necessidades e desejos dos consumidores para, assim, oferecer produtos que agreguem valor ao cliente. Conforme Drucker (1998, p. 61), o objetivo do marketing é “conhecer o cliente tão bem que o bem ou o serviço possa se adequar a ele e se vender sozinho”. Dessa forma, o marketing não está associado apenas à publicidade ou propaganda para a venda do produto, como normalmente se entende no senso comum. Vender é apenas mais um dos processos que compõem o subsistema de marketing. Se marketing não é publicidade, qual seria a melhor definição para as ações realizadas por esse subsistema? Para Kotler (2015, p. 4), o marketing é: Um processo administrativo e social pelo qual indivíduos e organizações obtêm o que necessitam e desejam por meio da criação e troca de valor com os outros. Em um contexto mais específico dos negócios, o marketing implica construir relacionamento lucrativo e de valor com os clientes. Assim, [...] marketing é o processo pelo qual as empresas criam valor para os clientes e constroem fortes relacionamentos com eles para capturar valores deles em troca. 11 Os processos que compõem o marketing envolvem várias atividades que se iniciam com a pesquisa de necessidades do cliente, para o conhecimento de quais produtos devem ser desenvolvidos pela organização, até o final, no qual se verifica se o cliente está satisfeito com o produto ou não. Tomada de decisão, análise estratégica e de resultados fazem parte da rotina desse subsistema (Mendes, 2020) A literatura sobre marketing aponta que quatro variáveis, designadas como composto do marketing ou mix de marketing, são fundamentais para as análises de mercado e a realização dos objetivos de marketing. Essas variáveis, citadas por Kotler e Keller (2018, p. 27-28), são o “produto, o preço, a praça (ou ponto de venda) e a promoção”, formando os 4 P’s do marketing, derivados das iniciais em inglês de product, price, place e promotion. No entanto, os autores ressaltam que estas não são as únicas variáveis a serem observadas, já que na atualidade não representam o cenário todo e propõem que o conceito deve ser atualizado de forma a se apresentar mais holístico envolvendo “pessoas, processos, programas e performance”. Figura 5 – 4 P’s do marketing Créditos: buffaloboy/Shutterstock. Tomando como base o Modelo de Excelência em Gestão (FNQ, 2016), no item que trata do compromisso com as partes interessadas, é possível verificar várias atividades do subsistema de marketing, entre elas: A identificação das necessidades e expectativas do cliente: nesta atividade se definem os métodos de identificação de necessidades e expectativas e se prioriza as mesmas, considerando sua relevância para a organização e para o cliente. A definição dos requisitos relacionados aos clientes: nesta atividade se traduz as necessidades e expectativas do cliente em requisitos de desempenho organizacional, que possam ser medidos para verificar se as necessidades estão sendo atendidas, ou mesmo superadas; se define o nível de atendimento a ser prestado e como será a comunicação com os 12 clientes. O estabelecimento de canais de relacionamento: nesta atividade se define quais serão os canais de relacionamento com o cliente, como será a divulgação e também o monitoramento destes canais. A comunicação: definindo como será a forma de se comunicar da organização com seus clientes, como serão divulgados fatos importantes, e como se definirá o relacionamento com os clientes, mantendo uma postura ética. O tratamento das manifestações: esta atividade define os processos de tratamento de solicitações, reclamações e sugestões, tanto formais quanto informais, os processos de feedback para o cliente, o uso das manifestações para a melhoria dos produtos e dos processos. O desenvolvimento de mercado: esta atividade pode compreender a análise e a segmentação de mercado; o entendimento do comportamentodos consumidores e sua tradução em requisitos que possam ser mensurados; a definição dos clientes-alvo da organização; a gestão da marca; a divulgação dos produtos; a avaliação da imagem organizacional. O relacionamento com clientes: nesta atividade se realiza o acompanhamento das transações com os clientes (novos ou antigos) e a colocação de novos produtos no mercado; e se faz a avaliação da satisfação, da fidelidade e da insatisfação do cliente em relação ao produto e à organização. (Mendes, 2020, p. 34-35) Figura 6 – Responsabilidade do subsistema de marketing Créditos: iQoncept/Shutterstock. 13 Esse subsistema tem, portanto, como responsabilidade analisar o mercado no qual a organização está inserida; identificar as oportunidades que esse mercado oferece; estabelecer, com base nas decisões do nível estratégico da organização, como aproveitar as oportunidades identificadas, trazendo vantagem competitiva à organização e agregando valor ao cliente, se diferenciando das demais organizações. TEMA 4 – SUBSISTEMA FINANCEIRO O subsistema financeiro tem por responsabilidade obter os resultados econômico-financeiros planejados pela organização. Para tanto, esse subsistema executa as atividades de captação e alocação de recursos financeiros, com o intuito de atingir os objetivos organizacionais. Para Garcia (2016), o subsistema financeiro deve maximizar o valor de mercado da organização, de forma que ela possa gerar recursos financeiros a longo prazo. Assim, ressalta Garcia (2016, p. 155), o conceito de gestão de recursos financeiros “nada tem a ver com maximizar lucros. Lucro é uma medida contábil e de curto prazo”, delimitando com mais assertividade as atividades desse subsistema. É possível compreender melhor essas atribuições ao observar o conceito de finanças, desenvolvido por Gitman (2010, p. 3), de que “finanças diz respeito ao processo, às instituições, aos mercados e aos instrumentos envolvidos na transferência de dinheiro entre pessoas, empresas e órgãos governamentais”. Ou seja, todo relacionamento de troca de dinheiro, entre qualquer tipo de organização, diz respeito a finanças. 14 Figura 7 – Transferência de dinheiro Créditos: Marko Aliaksandr/Shutterstock. Os processos realizados pelo subsistema financeiro, de acordo com Garcia (2016, p. 156), são três: a controladoria, que “supervisiona as atividades de contabilidade, emitindo relatórios gerenciais, de demonstrações financeiras e fiscais”; a tesouraria, em que se “administra as atividades financeiras relacionadas ao capital de giro (caixa, bancos, créditos, cobranças, pagamentos e outras)”; e o planejamento financeiro, no qual se “analisa e avalia fontes de financiamentos e de projetos de investimentos da empresa”. Zedebski (2020) explica que os processos do subsistema financeiro estão relacionados a duas grandes decisões: as decisões de investimento e as decisões de financiamento. As decisões de investimento, conforme o autor, estão relacionadas à escolha de quais gastos a organização pode arcar para realizar suas atividades. Trata-se da avaliação e seleção de alternativas de aplicação dos recursos de acordo com os objetivos estratégicos da organização. Por sua vez, as decisões de financiamento estão relacionadas à escolha de quais serão as “fontes ou origens e a que custo devem vir os recursos necessários para financiar as atividades a serem desenvolvidas”, de forma a manter o equilíbrio financeiro da organização (Zedebski, 2020, p. 11). 15 Além de decidir, é necessário acompanhar o desempenho financeiro da organização. Nesse sentido, é importante utilizar indicadores financeiros para o controle do subsistema, entre eles destacam-se os demonstrativos financeiros, que auxiliam na mensuração e análise da movimentação dos produtos organizacionais. Esses demonstrativos avaliam a “liquidez da empresa, isto é, sua capacidade de conversão de ativos em dinheiro; a situação patrimonial da organização, ou seja, seu equilíbrio financeiro; e a rentabilidade da empresa, ou seja, sua capacidade de gerar lucros” (Sobral; Peci, 2013, p. 375). De um modo geral, pode-se entender que o subsistema financeiro de uma organização é influenciado por aspectos externos e internos à empresa e que seu objetivo é maximizar a riqueza da organização. A geração de riqueza será determinada pelas decisões de investimentos e pela seleção de ativos que produzam os melhores fluxos de caixa para a organização. Nessa situação, se percebe a análise interna dos bens que a organização possui. Também é por meio das decisões de financiamento que se busca reduzir os riscos empresariais e os custos das fontes de capital. Aqui é possível compreender que há análise interna e externa de fatores que auxiliam na tomada de decisão para a captação de recursos onde eles estiverem mais viáveis para a organização (Mendes, 2020). TEMA 5 – SUBSISTEMA DE INFORMAÇÕES ORGANIZACIONAIS O subsistema de informações organizacionais é responsável pela coleta, armazenagem e distribuição das informações necessárias ao funcionamento da empresa. Vale ressaltar que esses processos ocorrem independentemente do uso de computadores ou sistemas informatizados, já que as organizações sempre utilizaram de informações para sua tomada de decisão, mesmo quando as tecnologias eram distintas das atuais. O que aconteceu é que a forma de manusear as informações mudou com o tempo, visto a maior facilidade de acesso a computadores e sistemas. Anteriormente havia uma dificuldade na coleta das informações e seu armazenamento era feito por meio de documentação em papel. Hoje há uma facilidade na aquisição das informações e em seu manuseio, porém esta grande oferta faz com que se necessite cuidar da confiabilidade das fontes a serem utilizadas. (Mendes, 2020, p. 38) Assim, as atividades do subsistema de informações gerenciais foram se transformando ao longo do tempo, conforme novas tecnologias foram agregadas 16 a este subsistema, em específico a tecnologia de informação (TI), que tem por responsabilidade organizar, manusear e disseminar informações. Como informação, Caiçara Junior (2015, p. 22) traz o conceito de que essa “pode ser entendida como dados moldados de uma forma significativa e útil para as pessoas”. De acordo com Mendes (2020, p. 38), a principal função de um subsistema de informações é a de “gerir estas informações, nos aspectos de determinar quais as necessidades de informação, a forma de obtê-las, sua distribuição e sua utilização na organização”, bem como da qualidade dessa informação. Figura 8 – Tecnologia de informação Créditos: Den Rise/Shutterstock. O subsistema de informação gerencial tem por objetivo suprir as necessidades de informação dos demais subsistemas que compõem a organização, sendo que cada subsistema tem necessidades de informações distintas. Para atender a cada subsistema, é preciso gerar “diversos relatórios que demonstram o desempenho passado e presente da empresa” contribuindo “para informá-los das previsões de desempenho futuro” (Caiçara Junior, 2015, p. 85). Por outro lado, é importante observar que esses sistemas não agem de forma isolada, visto que a “intenção é que a organização como um todo possa alcançar seus objetivos por meio do desempenho adequado de cada subsistema” (Mendes, 2020, p. 39). Três dimensões formam o subsistema de informações: a dimensão humana, a dimensão tecnológica e a dimensão organizacional. No que se refere 17 à dimensão humana, esta é composta por pessoas e suas características. Espera-se que o pessoal do subsistema de informações seja qualificado e capacitado para operar os sistemas da organização. Conforme Garcia (2016, p. 164), de nada adianta a organização contar com o mais sofisticado dos equipamentos se as pessoas não cumprirem seu papel no processo. Adimensão tecnológica, por sua vez, está relacionada à infraestrutura de TI da organização, que é composta por hardware, software, tecnologia de gestão de dados, tecnologia de rede e de telecomunicações, e pelos serviços de tecnologia. Garcia (2016, p. 165) descreve assim estas dimensões: Hardware: é todo tipo de equipamento físico utilizado no sistema de informação para entrada, processamento, armazenamento e saída de dados. Computadores, dispositivos móveis, servidores, impressoras, scanners e equipamentos de telecomunicações sã alguns exemplos de hardware. Software: é o termo utilizado para definir os programas e aplicativos que dão aos hardwares as instruções para que funcionem. O sistema Windows, o Android e os aplicativos do pacote Office são exemplos de software. Tecnologia de gestão de dados: é um tipo de software que integra os dados de toda a empresa. Ele organiza, gerencia e processa dados relativos a estoques, clientes, fornecedores e até funcionários. Os softwares de ERP (Enterprise Resource Planning) e os sistemas integrados de gestão (SIGs), desenvolvidos pela SAP e pela TOTVS são exemplos desse elemento. Tecnologia de rede e telecomunicações: é a tecnologia que oferece conectividade com a internet e com sistemas de telefonia para operar sites e conectar-se a outros sistemas computacionais, tanto interna quanto externamente à empresa. Serviços de tecnologia: são agentes que operam e gerenciam os demais componentes e que ensinam os funcionários a utilizá-los nas suas rotinas de trabalho. Tais agentes podem ser funcionários do departamento de TI da empresa ou empresas especializadas nesses serviços, que podem ser contratadas em regime de terceirização. Figura 9 – Enterprise Resource Planning Créditos: Akash Sain/Shutterstock. 18 Finalmente, a dimensão organizacional trata de observar quais serviços de TI a organização necessita e de como a cultura organizacional afeta a forma de criar e de utilizar os sistemas informacionais da empresa. Há muitas variáveis que podem afetar a dimensão organizacional da TI e que devem ser analisadas para que a atualização e a modernização das tecnologias aconteçam no momento correto, de forma a ter alinhados os objetivos organizacionais com o uso da TI na organização. Para que o desempenho do subsistema de informações seja adequado às necessidades da organização, se faz necessário criar e utilizar um sistema de indicadores de desempenho. Assim, será possível garantir a identificação, a retenção e proteção (segurança), o desenvolvimento e a utilização adequada das informações que circulam dentro e fora da organização. FINALIZANDO Nesta aula, você compreendeu que as organizações são sistemas cujos elementos entrada, transformação e saída são comparados aos insumos e recursos, aos processos, e aos produtos disponibilizados pela organização. Mas compreendeu também que não é produtivo analisar uma organização como um único sistema quando se pretende compreender com mais detalhes o funcionamento de cada uma de suas subdivisões. E que o ideal para esse tipo de análise é considerar os subsistemas que compõem uma organização. Assim, você pode entender, com mais detalhes, os subsistemas de produção, de gestão de pessoas, de marketing, financeiro, e de tecnologia de informação, por serem aqueles que são mais recorrentes nas empresas. Você viu que o subsistema de produção demonstra a transformação de insumos em produtos valorizados pelos clientes da empresa. Compreendeu que o subsistema de gestão de pessoas é responsável por manter na empresa funcionários produtivos, engajados e satisfeitos. Entendeu que o subsistema de marketing é responsável pela análise do posicionamento da organização frente ao mercado. Soube que o subsistema financeiro funciona por meio de decisões importantes relativas a investimento e financiamento. E, finalmente, observou que o subsistema de tecnologia de informação é composto por três dimensões distintas, que são, as pessoas, a tecnologia e a organização. Todas essas dimensões são importantes para o uso de informações pelos demais subsistemas organizacionais. Desta forma, você percebeu que cada subsistema organizacional tem funções específicas que 19 garantirão o cumprimento dos objetivos da empresa, desde que organizados de forma integrada. ADMINISTRAÇÃO E ECONOMIA AULA 3 Profª Dayse Mendes 2 CONVERSA INICIAL Toda organização é composta por um local (físico ou não) onde ações acontecem, e por processos que geram resultados. Assim, podemos dizer que há componentes estáticos e dinâmicos nas organizações, que fazem com que seus objetivos sejam alcançados. Compreender esses componentes auxilia na gestão das organizações, na medida em que o domínio desses processos traz mais eficácia às ações. Desse modo, nesta aula, você conhecerá o conceito de processo, e também porque essa forma de compreender o funcionamento das organizações é importante. Você também conhecerá alguns processos encontrados em qualquer organização; entre eles, destacamos os processos de tomada de decisão, de tecnologia e de estratégia. Todos acontecem em um arcabouço denominado estrutura organizacional. Você verá que a decisão molda a forma como as organizações se mostram à sociedade, pois o processo decisório diz respeito às escolhas feitas pelo gestor para o alcance dos resultados desejados. Você aprenderá que tecnologia é um processo relacionado ao conhecimento útil, usado pela organização para que os sistemas organizacionais sejam mais produtivos. Você perceberá ainda que, por conta das constantes mudanças, em especial no ambiente externo, é necessário que as organizações elaborem estratégias que possam dar conta dessas mudanças e que possam levar as empresas a terem vantagem competitiva em relação à concorrência. Finalmente, você perceberá que, para que todos esses processos aconteçam, é necessário que as pessoas se relacionem de várias maneiras distintas. Para tanto, são elaboradas as estruturas organizacionais, que permitem que a empresa possa funcionar e satisfazer as necessidades da sociedade. TEMA 1 – PROCESSOS ORGANIZACIONAIS Não há um bem ou serviço oferecido por uma organização que não tenha sofrido algum tipo de processo. Assim, os processos organizacionais fazem parte da rotina de funcionamento das empresas. De forma simples, podemos conceituar processo como uma atividade ou um conjunto de atividades que agrega valor aos produtos oferecidos pela organização. De acordo com Hammer e Champy (1994, p. 24), expressando o conceito de maneira mais formal, um processo é um “conjunto de atividades com uma ou mais espécies de entrada e 3 que cria uma saída de valor para o cliente” – atividades essas realizadas em uma sequência lógica, com o objetivo de produzir um bem ou um serviço para um grupo específico de clientes. Para Gonçalves (2000, p. 7), essa ideia de processo vem da tradição da engenharia, que compreende as atividades fabris como um fluxo de trabalho, no qual há uma sequência lógica de tarefas que dependem umas das outras. “Nessa visão, os processos também têm início e final bem determinados”. Mas essa é apenas uma forma de se compreender processo: há outros modelos conceituais que tratam os processos “desde o mais concreto e objetivo modelo, baseado no fluxo de materiais, até o modelo mais abstrato, que se fundamenta na mudança de estados de um sistema” (Gonçalves, 2000, p. 7). O Quadro 1 apresenta esses modelos e suas características. Quadro 1 – Modelos de processos Processo como Exemplo Características Fluxo de material Processos de fabricação industrial • Inputs e outputs claros • Atividades discretas • Fluxo observável • Desenvolvimento linear • Sequência de atividades Fluxo de trabalho Desenvolvimento de produto Recrutamentoe contratação de pessoal • Início e final claros • Atividades discretas • Sequência de atividades Série de etapas Modernização do parque industrial da empresa Redesenho de um processo Aquisição de outra empresa • Caminhos alternativos para o resultado • Nenhum fluxo perceptível • Conexão entre atividades Atividades coordenadas Desenvolvimento gerencial Negociação salarial • Sem sequência obrigatória • Nenhum fluxo perceptível Mudança de estados Diversificação de negócios Mudança cultural da empresa • Evolução perceptível por meio de indícios • Fraca conexão entre atividades • Durações apenas previstas • Baixo nível de controle possível 4 No entanto, os processos não podem ser pensados exclusivamente em termos das tarefas a serem realizadas para o alcance dos objetivos da empresa. Por isso, a definição de processo deve incluir também “o número de operadores, a distribuição do trabalho entre eles, a tecnologia empregada, os indicadores de eficiência e os resultados esperados” (Gonçalves, 2000, p. 9), assim como o método de trabalho utilizado. Processo está também ligado à noção de método de trabalho, o que faz com que se pense nos processos como a forma de fazer as coisas nas organizações (Gonçalves, 2000, p. 9). Além desses elementos, um processo envolve “endpoints, transformações, feedback e repetibilidade”. Espera-se de um processo que seja padronizado, por meio de um “modelo razoavelmente definido de regras e comportamentos, que é essencial para a estabilização do funcionamento de determinados indivíduos e grupos nas organizações. O pessoal de Organização chama esses padrões de interação de processos organizacionais” (Gonçalves, 2000, p. 10). Resumindo, processos envolvem tarefas, padrões, pessoas, tecnologia e equipamentos. O entendimento de processos é relevante na medida em que eles refletem como a organização funciona e como esse funcionamento pode ser melhorado continuamente. Conforme se aprimoram os processos, também se agrega valor ao que a organização oferece à sociedade. Assim, os processos se tornam estratégicos ao trazerem diferencial competitivo para a organização, além de auxiliar em uma melhor compreensão da missão e da visão organizacionais. Por isso, é importante reconhecer alguns deles. Observe, no Quadro 2, alguns exemplos de processos. Quadro 2 – Exemplos de processos Família de processos Processos selecionados Administração geral • Definição de visão • Desenvolvimento de lideranças • Gerência de contas • Comunicações internas • Projeções econômicas e setoriais Manufatura • Gestão de qualidade • Planejamento da capacidade • Planejamento da produção • Controle de estoques • Suprimentos • Distribuição Marketing • Definição de preços • Gestão de canal • Introdução de produtos • Pesquisas de marketing • Planejamento de propaganda 5 Educacionais • Desenvolvimento de habilidades • Educação do consumidor • Desenvolvimento gerencial Desenvolvimento de tecnologia • Pesquisa e desenho • Avaliação de tecnologia • Seleção de novos produtos • Definição de padrão • Gestão de projetos • Teste de protótipos Financeiros • Gestão de orçamento empresarial • Planejamento de investimentos • Acompanhamento do desempenho • Gestão de crédito de clientes • Gestão de caixa • Desmobilização de ativos Organizacionais • Planejamento de recursos humanos • Programação de demissão voluntária • Recrutamento e seleção • Avaliação de desempenho • Promoção Legais • Regulamentação • Registro e controle de patentes De aliança • Gestão de parcerias • Joint ventures Comerciais • Incentivos e recompensa para força de vendas • Marketing direto • Gestão de filiais Gerenciamento de linha do produto • Gestão de produto específico • Consultoria • Outsourcing De suporte ao cliente • Suporte técnico • Gestão de instalação • Garantia • Reparo Ao mesmo tempo em que são tão relevantes na gestão de uma empresa, os processos podem ser visualizados de maneira razoavelmente simples, pois podem ser desenhados. Esse desenho de cada um dos processos de uma organização denominamos mapeamento. O mapeamento de processos é uma ferramenta que auxilia no gerenciamento e no modelamento de processos, permitindo desenhar o momento e documentar todos os elementos que compõem um determinado processo, trazendo um melhor entendimento para os responsáveis por sua execução, ou cujo trabalho é afetado por ele. Uma técnica comumente utilizada para o mapeamento dos processos é o fluxograma. O fluxograma é uma representação gráfica que descreve, por meio de símbolos específicos, cada etapa de um processo, auxiliando em seu entendimento e na padronização desse processo. O fluxograma “facilita a visualização ou identificação dos produtos produzidos, dos clientes e 6 fornecedores internos e externos do processo, das funções, das responsabilidades e dos pontos críticos” (Pinho et al., 2007, p. 4). Figura 1 – Fluxograma Créditos: mamanamsai/Shutterstock. Pinho et al. (2007, p. 4) explicam que os fluxogramas evidenciam os fluxos de informação, de pessoas, de equipamentos e de materiais que se encontram no processo. Para tanto, conforme os autores, os fluxogramas são traçados com caixas contendo uma breve descrição do processo e com linhas e setas que mostram a sequência de atividades. O retângulo é a usual escolha para uma caixa do fluxograma, porém outras formas geométricas podem diferenciar tipos de atividades. Além disso, cores e sombreados podem ser utilizados para chamar a atenção em diferentes tipos de atividades, tais como aquelas mais importantes no processo. 7 Com o processo mapeado, é possível fazer sua análise e remodelá-lo, eliminando trabalho desnecessário ou tarefas em duplicidade, modificando a sequência das atividades para que sejam mais bem executadas e simplificando as operações, já que o mapeamento permite uma visão sistêmica do processo como um todo. TEMA 2 – PROCESSO DECISÓRIO Em nosso cotidiano, a todo momento tomamos decisões e cumprimos, sem perceber, uma série de etapas, desde o momento da detecção de uma situação problema, até o momento do início da ação para sua resolução. Nas organizações não é diferente. Cabe ao gestor entender e administrar esse processo. Apesar da evidência de que qualquer pessoa sabe o que é uma decisão, a tomada de decisão em si, em especial a organizacional, requer experiência e intuição. É função do gestor contar com ferramentas para auxiliar na escolha mais eficaz dentre as alternativas possíveis em uma tomada de decisão. O processo de decisão se inicia no momento em que se percebe que há uma situação problema a ser resolvida. Busca-se, então, compreender essa situação e tomar a decisão mais acertada e mais efetiva à disposição no momento. Figura 2 – Casar ou comprar bicicleta x Créditos: Pingpong31/Shutterstock; Yulia Lapteva/Shutterstock. Como conceito, pode-se dizer que decisão é o curso de ação escolhido por uma pessoa como o meio mais eficaz à sua disposição para obter os objetivos desejados (Andrade, 2015). Trazendo esse conceito para as empresas, é possível dizer que uma decisão organizacional é uma escolha (e uma ação) 8 que modela o curso seguido por uma organização. Conforme Mendes (2020, p. 45) o que diferencia uma decisão individual de uma decisão organizacional é o impacto e o alcance de cada uma delas, pois “decisões organizacionais tendem a afetar mais pessoas, a utilizar-se de mais recursos, a ser mais complexas”. Ao tomar decisões, o gestor estará adaptando a empresa para alcançar os resultados desejados, ao mesmo tempo que impede que a empresa se desorganize e encerre seu ciclo de vida. Este é um conceito tão relevante para a gestão de empresas que, de acordo com Guerreiro Ramos (1983, p. 13) é o processo decisório