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QUÍMICA TECNOLÓGICA Olá! No processo de combustão, as ligações químicas entre as moléculas de combustível e oxigênio são quebradas, os átomos são colocados lá como produtos da combustão, novas ligações são formadas e, como resultado, além dos produtos da combustão, existe a liberação de energia térmica. Os fenômenos ou reações de oxidação e redução, também chamados de redox ou oxirredução, para abreviar, são os mais importantes da química e um dos mais comuns em nossa vida diária. Toda reação redox envolve a transferência de elétrons entre átomos reagentes e/ou íons. A reação de formação de ferrugem é um exemplo clássico de oxirredução, onde o ferro é oxidado a óxido de ferro (III), e as reações de oxidação e redução ocorrem simultaneamente, pois para uma substância oxidar, ela deve doar elétrons para outra, que será reduzida e receberá os elétrons que foram doados. Bons estudos! AULA 7 – COMBUSTÃO E COMBUSTÍVEIS 7 COMBUSTÃO E COMBUSTÍVEIS 7.1 Combustão Nos processos de reações químicas, as ligações das moléculas reagentes são quebradas e os átomos e elétrons são reorganizados nos chamados produtos. O processo de combustão nada mais é do que uma reação química, onde a rápida oxidação dos elementos químicos do combustível leva à liberação de energia durante a reação, produzindo produtos como água, gás carbônico e outros gases. Simplificando, os dois elementos químicos encontrados nos combustíveis comerciais são o carbono e o hidrogênio, que originam o hidrocarboneto, que se ouve falar com frequência. Esses elementos químicos são os principais reagentes nas reações de combustão que acionam diversos tipos de motores e equipamentos. Enxofre e outros produtos químicos também estão presentes nas reações de combustão que pode ser observado na vida cotidiana, mas com menor frequência e geralmente como "efeito colateral" da reação. (ATKINS, P. W.; JONES, L., 2012). Os hidrocarbonetos são produtos derivados de fontes fósseis, o petróleo. Tais matérias-primas são desenvolvidas em um processo que dura milhares de anos sob certas condições geológicas, com pressão e temperatura adequadas. As características rochosas, características ambientais e do local de desenvolvimento do petróleo, afetam a qualidade do material extraído durante a produção e atrapalham o processo de refino e, portanto, o combustível final (hidrocarboneto). Os exemplos mais comuns de hidrocarbonetos usados nos dias atuais são gasolina, óleo diesel e gás natural. Em estudos teóricos da energia produzida por esses elementos, é comum representar os hidrocarbonetos de acordo com sua fração de massa (JESPERSEN; HYSLOP; BRADY, 2017). Essa representação pode ser usada para estimar a energia produzida pela queima de um determinado combustível. Por exemplo, a gasolina é muitas vezes modelada como octano com as seguintes partes em massa: C8 H18. Já o óleo diesel é modelado como dodecano C12H26, e o gás natural como metano CH4. Conforme explicam Çengel e Boles (2013), embora os combustíveis em si sejam misturas de hidrocarbonetos diferentes, geralmente são considerados um só, com formulação geral CnHm por conveniência, para facilitar a análise realizada. Dependendo da quantidade de carbono e hidrogênio no combustível, diferentes quantidades de energia são liberadas durante a combustão. Nesse contexto, é necessário entender o conceito de combustão completa e incompleta. Diz-se que a combustão está completa quando todos os reagentes estão completamente oxidados, enquanto na combustão incompleta, alguns dos reagentes disponíveis não estão completamente oxidados devido à falta de oxigênio, danos por falta de manutenção, tempo de combustão insuficiente ou condições de projeto que não permitem a mistura eficaz dos reagentes (KOTZ; TREICHEL JÚNIOR, 2005). 7.2 Combustíveis Dependendo das características geológicas da fonte de petróleo e do processo de refino de hidrocarbonetos, é possível obter diferentes combustíveis com diferentes composições químicas. Como dito anteriormente, os principais combustíveis utilizados comercialmente são a gasolina, o óleo diesel e o gás natural. As proporções de carbono e hidrogênio em qualquer combustível afetam diretamente seu valor calorífico, ou seja, a energia gerada pela sua combustão (JESPERSEN; HYSLOP; BRADY, 2017). A Tabela 1 mostra uma comparação energética entre alguns combustíveis usados rotineiramente, além dos três acima. A coluna conteúdo de energia (kJ/L), observa que o diesel pesado é o hidrocarboneto que produz mais energia quando queimado, enquanto o gás natural comprimido (GNC) libera menos energia na reação de combustão. Outra observação importante da Tabela 1 é que a energia produzida durante a combustão é afetada não apenas pela proporção de reagentes, mas também pela fase em que há um hidrocarboneto e pelas condições de temperatura e pressão (ATKINS, P. W.; JONES, L., 2012). Por exemplo, GNV e gás natural liquefeito (GNL) consistem principalmente do mesmo elemento, mas em condições diferentes, o que altera a relação de energia gerada entre eles em cerca de 2,5 vezes. O GNC é frequentemente encontrado em veículos e armazenado em cilindros na fase gasosa a uma pressão de 150 e 200 atm. O GNL, por outro lado, está em fase líquida com temperatura próxima a -160°C. Ambos são compostos principalmente por metano (além de outras concentrações como etano, propano, hélio e vapor d'água), mas por estarem em fases e condições de pressão e temperatura diferentes, a energia liberada é significativamente diferente durante o processo de combustão (CHANG; GOLDSBY, 2013). Tabela 1 - Energia de alguns combustíveis Combustível Conteúdo de energia (kJ/L) Equivalência de gasolina* (L/L-gasolina) Gasolina 31.850 1 Diesel leve 33.170 0,96 Diesel pesado 35.800 0,89 GLP (gás liquefeito de petróleo, principalmente propano) 23.410 1,36 Etanol (ou álcool etílico) 29.420 1,08 Metanol (ou álcool etílico) 18.210 1,75 GNC (gás natural comprimido, principalmente metano, a 200 atm) 8.080 3,94 GNL (gás natural liquefeito, principalmente metano) 20.490 1,55 *Quantidade de combustível cujo conteúdo de energia é igual ao conteúdo de energia de 1 litro de gasolina. Fonte: Adaptado de Çengel e Boles (2013). De forma global, observa-se na coluna “Equivalência da gasolina (L/L- gasolina)” na Tabela 2, que gasolina, diesel leve e etanol liberam aproximadamente a mesma quantidade de energia. Tabela 2 - Propriedades combustíveis comumente usadas Combustível (fase) Fórmula Poder calorífico superior,3 kJ/Kg Poder calorífico inferior,3 kJ/Kg Metano (g) CH4 55.530 50.050 Metanol (l) CH4O 22.660 19.920 Acetileno (g) C2H2 49.970 48.280 Etano (g) C2H6 51.900 47.520 Etanol (l) C2H6O 29.670 26.810 Propano (l) C3H8 50.330 46.340 Butano (l) C4H10 49.150 45.370 1-Penteno (l) C5H10 47.760 44.630 Isopentano (l) C5H12 48.570 44.910 Benzeno (l) C6H6 41.800 40.100 Hexeno (l) C6H12 47.500 44.400 Hexano (l) C6H14 48.310 44.740 Tolueno (l) C7H8 42.400 40.500 Heptano (l) C7H16 48.100 44.600 Octano (l) C8H18 47.890 44.430 Decano (l) C10H22 47.640 44.240 Gasolina (l) CnH1,87n 47.300 44.000 Diesel leve (l) CnH1,8n 46.100 43.200 Diesel pesado (l) CnH1,7n 45.500 42.800 Gás natural (g) CnH3,8nH0,1n 50.000 45.000 Fonte: Adaptado de Çengel e Boles (2013). Embora as proporções de carbono e hidrogênio sejam diferentes em sua formação, a característica comum desses três combustíveis é que eles estão na forma líquida. Combustíveis líquidos são frequentemente obtidos de óleo cru por destilação e craqueamento, conforme explicam Moran et al. (2013). Além dos combustíveis líquidos, os combustíveis na forma de hidrocarbonetos gasosos ou sólidostambém são bastante comuns. O GNC mencionado acima é um exemplo de hidrocarbonetos gasosos obtidos de poços de gás natural ou sinteticamente por meio de processos químicos. O carvão é um exemplo de combustível sólido e, como outros, sua composição varia consideravelmente dependendo de onde é extraído. Ao modelar e analisar a combustão de diferentes combustíveis, a razão ar-combustível é um parâmetro que expressa a quantidade de ar e combustível durante a combustão de forma padronizada. A razão ar-combustível, conforme o nome diz, é a razão entre a quantidade de ar e a quantidade de combustível presentes em uma reação. Tal razão pode considerar tanto a base mássica (AC) quanto a base molar , seus cálculos são realizados seguindo as equações (2) e (3), respectivamente: Onde m representa a massa e n a quantidade de mols. Desenvolvendo as equações (2) e (3), é possível encontrar a relação entres ambas as variáveis como sendo: Onde Mar representa a massa molar do ar (28,97 kg/kmol) e Mcombustível representa a massa molar do combustível (que depende do hidrocarboneto utilizado). É comum encontrar também em alguns manuais e handbooks a recíproca da razão ar-combustível, que é a razão combustível-ar. Esse parâmetro é obtido apenas invertendo as equações (2), (3) e (4). No estudo da relação ar-combustível em uma reação, outro conceito importante surge: o ar teórico. A quantidade de ar teórico representa a quantidade mínima necessária para que a combustão completa apresentada na equação (1) aconteça para determinado hidrocarboneto. Nessa situação, conforme ressaltam Potter e Somerton (2017), nenhuma quantidade de oxigênio livre aparece nos produtos. O exemplo a seguir demonstra como fazer o balanço estequiométrico da combustão completa do octano (usualmente considerado como gasolina) e como obter a razão ar-combustível. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS ATKINS, P. W.; JONES, L. Princípios de química: questionando a vida moderna e o meio ambiente. 5. ed. Porto Alegre: Bookman, 2012. ÇENGEL, Y. A.; BOLES, M. A. Termodinâmica. 7. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. CHANG, R.; GOLDSBY, K. Química. 11. ed. Porto Alegre: AMGH, 2013. JESPERSEN, N. D; HYSLOP, A.; BRADY, J. E. Química: a natureza molecular da matéria. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2017. KOTZ, J. C.; TREICHEL JÚNIOR, P. M. Química geral e reações químicas: volume 2. São Paulo: Pioneira Thomson Learning, 2005. MORAN, M. J. et al. Princípios de termodinâmica para engenharia. 7. ed. Rio de Janeiro: LTC, 2013. POTTER, M. C.; SOMERTON, C. W. Termodinâmica para engenheiros. 3. ed. Porto Alegre: Bookman, 2017.