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Com base no fragmento do conto “Cara-de-Bronze”, de 
Guimarães Rosa, pode-se concluir que provavelmente 
as personagens
a) provenham de outro país.
b) estejam no hospital.
c) morem na periferia.
d) sejam enfermeiras.
e) vivam no interior.
 96. 
Ballet Fitness: conheça a modalidade do momento 
que une benefícios da dança e alta queima de calorias
Marie Claire testou uma aula no studio da criadora do mé-
todo, a bailarina profissional Betina Dantas, e conta como 
foi a experiência. Veja ainda nossas sugestões de produtos 
para praticar a dança
Pilates e ioga ganharam uma rival à altura como exercício 
físico favorito entre as mulheres. O ballet fitness promete 
aliar benefícios da dança, como postura e alongamento, com 
alta queima de calorias e definição muscular. A atividade in-
tercala passos clássicos do ballet na barra, como o plié, com 
exercícios musculares no solo. Marie Claire participou de 
uma aula da modalidade do momento no studio de dança 
recém-inaugurado da bailarina Betina Dantas, criadora do 
método, em São Paulo.
Atividade intensa
A aula dura uma hora, mas, nos primeiros dez minutos, 
já é possível sentir o suor escorrer pelo rosto e corpo. Os 
exercícios básicos são feitos em repetições rápidas e ou-
tros, como o agachamento, na meia ponta. Logo depois, 
você faz uma sequência no solo, como abdominais, por 
exemplo. “É um circuito de barra e chão. Na barra, são 
feitos os exercícios do ballet clássico tradicional, os mais 
simples, porque eu sempre achei que o ballet deveria ser 
acessível para todas as pessoas, mesmo adultas que nun-
ca fizeram”, conta Betina.
Sem pausa para descanso e com uma música animada, os exer-
cícios vão sendo variados e em meio à aula você sente que está 
trabalhando bastante os músculos. “A parte do fitness não só 
traz o fortalecimento muscular como deixa o físico muito bo-
nito. Além disso, a aula em circuito traz um resultado muito 
rápido. Se você cuidar da alimentação, em dois meses já vê 
uma diferença”, diz.
Postura alinhada
O ballet exige muita postura, e a versão fitness, também. Ao 
longo da aula, você percebe que precisa manter as costas retas 
para fazer os exercícios. “É uma atividade que dá definição 
muscular na medida certa, alonga o corpo, deixa a mulher 
delicada e com uma postura bonita.” Além disso, a concen-
tração, a coordenação dos movimentos e o equilíbrio são muito 
exigidos das praticantes.
Xô, calorias!
Se você está precisando queimar calorias para o verão, uma 
aula de ballet fitness pode ser uma opção. Betina fez um teste 
com um aparelho que mede gasto calórico, percentual de gor-
dura gasta, oxidação de gordura, nível de estresse e prazer da 
aula. Em uma aula de meia hora do nível avançado, foram 740 
calorias. “Nessa monitoração, nós comparamos meia hora de 
esteira com meia hora de ballet fitness. Deu 740 calorias meia 
hora da aula de nível avançado e, na esteira, 620 calorias. A 
diferença não é tão grande. Mas a oxidação de gordura foi 3 
vezes maior no ballet fitness, que também apontou um nível 
elevado de prazer”, conta.
Ballet Fitness: conheça a modalidade do momento que une benefí-
cios da dança e alta queima de calorias. In: Marie Claire, 19 jul. 2017. 
Disponível em: . Acesso em: jan. 2018. Fragmento.
De acordo com o texto, o ballet fitness é
a) inferior à ioga quanto ao desgaste calórico.
b) superior ao pilates na preferência das mulheres.
c) voltado ao condicionamento físico, mas não estético.
d) praticado exclusivamente por bailarinas profissionais.
e) prazeroso, mas exige bastante esforço da praticante.
 97. Eram esses os nossos lugares à mesa na hora das refeições, ou na 
hora dos sermões: o pai à cabeceira; à sua direita, por ordem de 
idade, vinha primeiro Pedro, seguido de Rosa, Zuleika, e Huda; 
à sua esquerda, vinha a mãe, em seguida eu, Ana, e Lula, o 
caçula. O galho da direita era um desenvolvimento espontâneo 
do tronco, desde as raízes; já o da esquerda trazia o estigma de 
uma cicatriz, como se a mãe, que era por onde começava o se-
gundo galho, fosse uma anômala, uma protuberância mórbida, 
um enxerto junto ao tronco talvez funesto, pela carga de afeto; 
podia-se quem sabe dizer que a distribuição dos lugares na mesa 
(eram caprichos do tempo) definia as duas linhas da família.
[...]
NASSAR, Raduan. Lavoura arcaica. 3. ed. São Paulo: Companhia 
das Letras, 2002. Fragmento.
Com base na leitura do fragmento da obra de Raduan 
Nassar, pode-se concluir que os membros da família 
considerados virtuosos e regidos pela moral são
a) a mãe, o narrador, Ana e Lula.
b) Ana, a mãe, Rosa e Zuleika.
c) o narrador, Pedro, Huda e Lula.
d) Pedro, Rosa, Zuleika e Huda.
e) Zuleika, Lula, Pedro e a mãe.
 98. Texto I
Que de trinta, trezentos ou três mil, só está quase pronta a 
boiada quando as alimárias se aglutinam em bicho inteiro – 
centopeia –, mesmo prestes assim para surpresas más.
– Tchou!... Tchou!... Eh, booôi!...
E, agora, pronta de todo está ela ficando, cá que cada vaquei-
ro pega o balanço de busto, sem-querer e imitativo, e que os 
cavalos gingam bovinamente. Devagar, mal percebido, vão 
sugados todos pelo rebanho trovejante – pata a pata, casco 
a casco, soca soca, fasta vento, rola e trota, cabisbaixos, 
mexe lama, pela estrada, chifres no ar...
A boiada vai, como um navio.
ROSA, João Guimarães. O burrinho pedrês. In: Sagarana. Rio de 
Janeiro: Nova Fronteira, 2015. Fragmento.
Texto II
Oô...
Foge, bicho
Foge, povo
Passa ponte
Passa poste
Passa pasto
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Passa boi
Passa boiada
Passa galho
De ingazeira
Debruçada
No riacho
Que vontade
De cantar!
BANDEIRA, Manuel. Trem de ferro. In: Antologia poética. 8. ed. Rio 
de Janeiro: J.Olympo, 1976. Fragmento.
No trecho do conto de Guimarães Rosa e nos versos 
do poema de Manuel Bandeira, um dos aspectos mais 
relevantes é
a) o narrador.
b) a forma.
c) o tema.
d) o ritmo.
e) a rima.
 99. Entre as muitas consequências do advento da internet, proli-
fera uma curiosa fusão das linguagens, ou talvez, melhor di-
zendo, a criação de novas funções e novos gêneros da lingua-
gem. O primeiro deles já é quase arqueológico de tão popular: 
o e-mail. Ainda bem que não sou saudosista — se eu vivesse 
chorando o passado, diria que o e-mail enterrou para todo o 
sempre o gênero de escrita que em boa medida me ensinou a 
escrever: a carta.
A carta é uma forma literária clássica, cuja composição é em 
si uma lenta divisão do tempo — ela era escrita para ser en-
tregue pelo menos dois ou três dias mais tarde. A carta pres-
supunha um tempo lento, cadenciado; escrever uma carta era 
também fazer uma síntese e um retrospecto de uma semana, 
de um mês, de acontecimentos demorados que, linha a linha, o 
escriba organizava na cabeça. Uma carta punha ordem e pers-
pectiva no mundo; os fatos se organizavam em bloco e eram 
explicados em parágrafos. Não lembro de nenhum momento 
em que senti necessidade de escrever rsrsrs para indicar que 
eu estava rindo naquele momento; no máximo, um discreto 
ponto de exclamação. Quem escreve carta é sempre um “nar-
rador”, alguém a distância, e não uma pessoa ao vivo.
No entanto, a carta também era uma conversa. O amigo ou a 
namorada ou o tio ou o pai abriam o envelope (outro ritual — 
sempre evitei rasgar o selo; havia um objeto chamado “corta-pa-
pel”, hoje peça de museu), sentavam numa cadeira, tranquilos, 
e ficavam sabendo com um grau razoável de ordem da vida do 
outro. Às vezes tinham vida longa, passavam de mão em mão 
pela família e amigos, Veja como o Toninho está bem! — e às 
vezes, secretas, eram imediatamente trancadas na gaveta para 
uma releitura solitária, suspirante e saudosa. Carta não tinha 
vírus nem pegadinhas; se por acasochegassem fotos obscenas 
ou sugestões de invasão de privacidade, era bem possível que 
o envelope fosse parar na polícia — ou nos filmes policiais, em 
que cartas anônimas sempre brilharam como personagens po-
derosas. Sim, cartas eram conversas, mas sóbrias, com a noção 
de hierarquia e de espaço, o tempo e o espaço sempre organi-
zados: Curitiba, 7 de novembro de 1956. Querida Maria: — e 
seguiam-se as notícias.
[...]
TEZZA, Cristóvão. Cartas, blogues, e-mails. In: Um operário em 
férias: 100 crônicas escolhidas. Seleção de Christian Schwartz. Rio 
de Janeiro: Record, 2013. Fragmento.
De acordo com o trecho da crônica de Cristóvão Tezza, 
infere-se que o surgimento do e-mail
a) provocou a evolução do gênero textual carta.
b) favoreceu a organização do tempo e do espaço pelos 
usuários.
c) introduziu uma tecnologia que colaborou com o afas-
tamento familiar.
d) tornou o processo de escrita rápido, mas também 
mais desorganizado.
e) dificultou o processo de comunicação, já que esta se 
tornou instantânea.
 100. O verdadeiro nome de Geraldo Viramundo, embora ele afir-
masse ser José Geraldo Peres da Nóbrega e Silva, era realmente 
Geraldo Boaventura, e assim está lançado no livro de nascimen-
tos em Rio Acima. Seu pai, um português, tinha vindo para o 
Brasil em 189**, na primeira leva de imigrantes que sucedeu ao 
decreto de nova política imigratória da República recém-procla-
mada, e se casou no Rio com uma italiana naquele mesmo ano. 
Como ele foi acabar morando em Rio Acima, só Deus sabe.
Boaventura tinha junto à estrada sua casinhola, à frente da 
qual duas portas se abriam para o pomposamente chamado 
“Armazém Boaventura – Secos e Molhados”, não mais que 
uma venda, de cujos proventos vivia a família toda – e eram 
treze filhos.
Geraldo vinha a ser o caçula.
[...]
SABINO, Fernando. O grande mentecapto. 31. ed. Rio de Janeiro: 
Record,1979. Fragmento.
Na biografia constante na obra O grande mentecapto, 
de Fernando Sabino, o destaque é dado para a
a) ascensão social da família da personagem em Rio 
Acima.
b) intencional mudança de nome pela personagem.
c) imigração para o Brasil no final do século XIX.
d) grande quantidade de filhos de Boaventura.
e) ascendência europeia da personagem.
 101. Nos últimos 30 anos, a independência da mulher deixou de 
ser uma hipótese para ser um fato, e tudo o que aprendemos 
sobre relacionamento entre homens e mulheres, até segunda 
ordem, está cancelado. Estamos reaprendendo a conviver se-
gundo as novas regras do jogo. [...] Para quem está ficando 
adulto agora, as regras são claras: não se fazem mais moças 
como antigamente. Hoje toda adolescente estuda ou trabalha, 
investindo no seu próprio pé-de-meia e contando consigo mes-
ma para seus projetos futuros. Em resumo: está descolando 
um emprego antes de descolar um marido.
Mas faz pouco tempo que o mundo é assim. Quem está co-
memorando bodas de prata ainda pegou uma época em que, 
se a mulher trabalhava, era moderna, e se não trabalhava, era 
normal. Tudo bem ficar em casa cuidando da educação das 
crianças e da administração da casa. Era, e ainda é, uma ativi-
dade essencial e valiosa, mas não é profissão.
Ninguém é remunerado por buscar os filhos no colégio ou fazer 
o almoço. Ninguém declara imposto de renda por cerzir meias 
ou arrumar armários. As mulheres topavam a dependência 
total, do pai para o marido. E os maridos topavam a adoção, 
sem contestar. Não conheço nenhum caso de um homem, 30 
anos atrás, chegar para a mulher e dizer: “Amor, deixa essa 
musse de limão pra lá e vai procurar um emprego. E não se 
preocupe: eu lavo a roupa pra você”. Nada disso. Estava bom 
para ambas as partes, e hoje, separadinhos da silva, pagam 
caro por ter nascido na pré-história. Eles perdem 1/3 do salá-
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rio, elas ganham 1/3 de humilhação. Uma pena, mas lei é lei.
Encerradas as cenas de um casamento medieval, entramos na 
era do casamento liberal. Oba! Todos saem cedo, ele para um 
lado, ela para o outro, filhos na creche desde os 4 meses, cada 
um preservando sua individualidade, seu emprego e sua gra-
ninha. Bem diferente da vovó e do vovô. Mas as separações 
continuam a todo vapor e o legislativo vai ter que decidir: nos-
sas filhas também serão sustentadas pelo ex?
Pouco provável. Já se conheceram independentes, pois des-
peçam-se com um aperto de mão civilizado e desapareçam 
da vida um do outro, resolvendo juntos apenas as questões 
relacionadas com os filhos. Pensão alimentícia, só para as 
crianças. Se ela tem uma formação profissional e tem saúde, 
é hipocrisia querer herdar o paternalismo que tanto se lutou 
para romper.
[...]
MEDEIROS, Martha. Quanto vale um ex. In: Topless. Porto Alegre: 
L&PM, 2011. Fragmento.
Na crônica, Martha Medeiros avalia as diferenças nos 
relacionamentos ao longo do tempo. Uma das carac-
terísticas marcantes é que, atualmente, as mulheres 
costumam
a) estar mais submissas aos maridos.
b) não querer filhos para priorizar a carreira.
c) dispensar os maridos dos afazeres domésticos.
d) abandonar o trabalho para cuidar da casa e dos filhos.
e) se estabelecer profissionalmente antes do casamento.
 102. A regra é clara: em um e-mail profissional, a escrita deve 
ser feita de maneira sóbria e formal. Intimidade você deixa 
para ter ou desenvolver em uma comunicação pessoal ou 
em redes sociais.
Porém, a formalidade não pode ser extrema, pois não estamos 
lidando com um processo jurídico, por exemplo. [...]
No geral, o texto do e-mail deve prezar pela objetividade. No 
entanto, há algumas situações em que você pode detalhar as 
informações para que fiquem mais claras ao destinatário. [...] 
Cabe a avaliação de quem escreve se aquele conteúdo será mes-
mo entendido por quem vai recebê-lo.
Pense na informação exata que você quer transmitir antes de 
escrever o e-mail. Isso garante que você não terá o trabalho 
de reescrita.
O assunto ou título do e-mail deve também ser claro e dizer 
exatamente o que o restante do texto procura transmitir. Isso 
irá despertar a atenção e fazer com o que o seu e-mail seja 
aberto – em uma provável lista de muitos não lidos que ele ou 
ela receberá.
Uma tática é deixar para preencher o assunto quando o con-
teúdo do e-mail já estiver pronto. Assim, fica mais fácil ter 
uma ideia do conteúdo total e como você irá resumi-lo em 
alguns poucos caracteres. Isso funciona bem quando a pessoa 
já está com esse gatilho na cabeça – do contrário, ela pode 
simplesmente esquecer de colocar o assunto na mensagem 
(o que é péssimo). Felizmente, alguns servidores de e-mail 
costumam lembrar o usuário de incluir o assunto quando 
isso não é feito por ele(a).
Escrever coisas muito genéricas no assunto também não é inte-
ressante. “Olá” no campo de assunto de um e-mail sobre as de-
mandas semanais não será útil e muito menos soa profissional.
Se for um e-mail urgente (que deve ser lido no mesmo dia e 
uma ação rápida precisa ser feita, por exemplo), deixe isso cla-
ro no campo de assunto. Isso ajuda seu destinatário a se orga-
nizar e dar prioridade ao que é verdadeiramente importante.
[...]
MORAIS, Rodrigo. Guia completo de etiqueta para escrever e-mails 
extremamente profissionais. Disponível em: . Acesso em: jan. 
2018. Fragmento.
A função social do texto de Rodrigo Morais é instruir o 
leitor a
a) divulgar trabalhos por e-mail.
b) escrever um e-mail profissional.
c) evitar o envio de e-mails no trabalho.
d) ser erudito ao enviar e-mails no trabalho.
e) usar títulos metafóricos ao escrever e-mails profis-
sionais.
 103. 
S. Paulo, 25-VI-32
Carlos
recebi os oitenta fachos, muito obrigado e é incrível. Minha 
gratidão é enorme, mas fiquei safado do cobre vir acompanha-
do apenas dum cartão seu. Já estou mesmo acostumadocom 
as suas cartas de ano em ano mas já que estava com a mão 
na pena, escrevesse pelo menos uma delas, que sempre elas 
vêm gordas de pedaços de você, pedaços de nada, conversinhas 
nossas, não tem importância pro mundo e são ventura nos-
sa. Desta vez você errou duma vez. Deu prazer, deu dinheiro 
inesperado, mas a ventura ficou no meio porque você faltou.
Outro dia pensei em você. Fui num chá oferecido pela Rádio 
Educativa Paulista e de repente me obrigaram a dizer uns versos 
diante do microfone. Está claro que a coisa assim inesperada foi 
mais desagradável que boa, disse, disse o “Rondó pra você”, nem 
sei como disse. Mas assim que acabei, inda estava agradecendo as 
palmas dos presentes, pulou você no meio do chá, feito um saci. 
— Sou eu, Mário. Estou aqui no quartel-general revolucioná-
rio!... — Fale mais alto. — Como vai?... — Não entendo! — Se 
lembra? que alegria, que angústia, querer falar e não poder, e a 
Revolução no que deu, quem sabe se você não estava do lado de lá 
escutando eu sussurrar meus versos, que bobagem! Mário, sim, 
mas quem sabe?... pensei em você. Depois inda me obrigaram a 
dizer “Eco e o descorajado”. Disse mais firme e disse também 
mais distraído, porque então uma bruta curiosidade amorosa de 
espiar do outro lado o microfone me afastava todo dos meus ver-
sos. Vinha você, vinha o Manuel Bandeira, o Augusto Meyer etc. 
vinham as almas preferidas que podiam me escutar, acabei triste.
Agora não sei mais o que escrever. Fui obrigado a interromper 
a carta e este restinho vai na secretária bem sentado. Ciao. Um 
abraço carinhoso do sempre
Mário
ANDRADE, Mário de. A lição do amigo: cartas de Mário de Andrade 
a Carlos Drummond de Andrade. 2. ed. Rio de Janeiro: Record, 
1988. Fragmento.
Na carta destinada ao amigo Carlos Drummond de An-
drade, o principal assunto abordado por Mário de An-
drade é
a) o chá oferecido pela Rádio Educativa Paulista.
b) a garantia do sustento por meio da escrita.
c) o dinheiro enviado por Drummond.
d) a dificuldade de falar em público.
e) a saudade que sentia do amigo.
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